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::::: LIBERDADE OU MORTE :::::
No dia 01 de Dezembro de 1832...
um homem atravessou uma corrente fria conhecida como o Rio Vermelho.
Quando ele atravessou esse rio, ele estava no Texas.
Ele era um homem à procura de uma nova vida.
Porque a sua antiga vida o tinha desiludido e partido o coração.
Ele era um homem poderoso e tinha a história na mão.
O seu nome... era Sam Houston.
O quê? Peço desculpa.
- Señor, eu não o conheço. - Não, acabei de chegar aqui.
Eu queria alguma comida e um quarto para passar a noite.
- Vem de longe, señor? - De muito longe.
O meu cavalo também precisa de comida e água. Ele está amarrado ali à frente.
Señor, não quero parecer mal educado, mas, tenho de lhe pedir para pagar adiantado.
Obrigado, obrigado, señor.
Agora, comida e alojamento para si e para o seu cavalo, ficarão por...
- Quatro pesos? - Retire-os daí.
Obrigado. Muito obrigado.
Eu tenho bife ou "frijoles". E está tudo muito saboroso.
Isso é bom, tudo bem.
Sente-se aqui, por favor! Vou-lhe servir um pouco de vinho.
Vinho. Muito bom vinho.
Señor, é uma bela mesa. A principal da casa.
Sente-se, por favor.
É um bom vinho, espero que goste.
Señor, vou preparar a comida.
Não! Não importa o que disser. A resposta é não!
Pepe!
Pepe, onde diabo é que...?!
Boa noite.
Olá.
- Para onde é que foi o Pepe? - Para a cozinha.
Importa-se de me dizer se está aqui à espera há muito tempo?
Há uns cinco minutos, diria eu.
- Parece que fez uma viagem longa. - Sim. Vim do Tennessee.
Se está preocupado com algo que eu possa ter ouvido, não se preocupe, não ouvi nada.
E também não tentei ouvir às escondidas.
Acho que está tudo bem, uma vez que vem do Tennessee.
O meu nome é Bowie. James Bowie.
É um prazer, Sr. Bowie. Eu sou o Sam Houston.
- Governador Houston? - Bem, já não.
Mas, claro, eu i sobre a demissão.
Ouça, Sr. Houston, não poderia ter vindo num melhor momento.
Estamos ali dentro a falar sobre algo que lhe poderá interessar.
Desculpe-me.
- Aqui está a sua comida, señor. - Obrigado.
Agora, vou tratar do seu cavalo. Coma.
Traga o seu prato até lá dentro.
Irá ajudar-nos muito.
Sinto muito em desiludi-lo, mas, receio que não seria grande ajuda.
Você não entende, isto é grande.
Estamos a falar sobre a independência do Texas do México.
- Isso é, realmente, uma grande conversa. - Venha ouvir. Não se irá arrepender.
Não, obrigado. Não quero saber da política, Sr. Bowie, de qualquer tipo de política.
Mas, quer saber da liberdade. Ouvi demasiado sobre si para acreditar nisso.
- Ouça... - Eu vim para o Texas começar uma nova vida.
- É um bom sítio e... - Esqueço o passado e começo de novo?
Não tenho interesse em nenhum tipo de cruzada.
Mas, terá de se interessar por isto, se deseja continuar no Texas.
Se isso for verdade, Sr. Bowie, eu não ficarei.
- Estou desiludido consigo, senhor. - Eu desiludi-me a mim mesmo.
Além de muitas outras pessoas.
Desejo-lhe boa sorte e gostei de o ter conhecido.
Obrigado. Boa noite.
Boa noite, Sr. Bowie.
Digo-vos que eles estão em toda a parte do Texas!
Às vezes, eles estão reunidos até de manhã, señor.
Espero que eles não o mantenham acordado.
- Não o farão. - Por favor, siga-me, señor.
Silêncio!
Ali dentro.
Coronel, por favor, espere!
Com a sua licença.
Coronel!
- Quem é você? - Um convidado.
Coronel, por favor, eu não quero problemas no meu estabelecimento.
Já tem mais problemas do que aqueles que pensa, meu amigo.
- Dar guarida a agentes da revolução é traição. - Eu?
Certifique-se de que se mantém como um convidado, señor.
Pretendo fazê-lo.
Por favor! Por favor, Coronel!
Abra a porta!
Estão todos presos em nome da República do México.
Jim, não comeces nada.
Vamos! Ajudem-me!
- Saiam por aquela janela! - Não, isso não pode ser!
Despachem-se!
Lá fora, vocês os dois. Vigiem a janela. Se eles não pararem, matem-nos.
- Arrombem a porta! - Não, por favor, a porta não.
Saia da frente!
Por favor, não.
Señor Bowie, se se opuser, terei de lhe cortar o seu braço.
Tente. Por favor, tente.
Pablo, vai para a cozinha. Despacha-te!
Não, Jim, eu fico contigo.
Fiquem quietos.
Não houve derramamento de sangue aqui. E não há razão para que haja.
Coronel, se você e os seus homens largarem as vossas armas...
tenho a certeza de que o Sr. Bowie e o amigo dele farão o mesmo.
Eu avisei-o para não fazer nada.
Os seus soldados andam com espingardas com gatilhos sensíveis.
Está tudo bem, Pablo.
Pelo que eu entendi, você disse que pretende prender estes homens?
- Eu disse. - Tem a autoridade para fazê-lo?
Ele pode ter a autoridade, mas, certamente não tem essa capacidade.
- Muito bem, vamos embora daqui. - Só um momento.
Você representa a República do México, correcto, senhor?
- Exactamente. - Muito bem.
Se me der a sua palavra de oficial e cavalheiro...
que estes homens não sofrerão nada, poderá prendê-los.
- Ouça, o que é que está a fazer...? - Dá-me a sua palavra?
Dou.
- Houston, se você pensa... - Como seu advogado, recomendo-lhe...
que passe o resto da noite na prisão, Sr. Bowie.
Posso-lhe dizer que ele passará mais do que uma noite, señor.
Ele irá sair amanhã.
Eu não sei porque é que confio em si, Houston.
Mas, confio. Muito bem, vamos.
Vejo-o pela manhã.
Você é um idiota, señor. Mas, não lhe falta coragem.
Nem a si, Coronel.
QUARTOS PARA ALUGAR ENTRE PARA MAIS INFORMAÇÕES.
H. DELANEY. CARPINTEIRO.
Olá? Está aqui alguém?
Bom dia.
Como tem passado?
Só pretendo perguntar pelo espaço que têm para alugar.
Certamente. Acompanhe-me, por favor.
Já vi tudo. É muito agradável, Quando é que me poderei instalar?
Posso-lhe perguntar para que é que pretende utilizar este escritório?
Com certeza que pode.
Sou advogado e pretendo começar a exercer advocacia aqui.
O meu nome é Houston, Sam Houston.
Bem-vindo a San Antonio, Sr. Houston.
Acho que vai gostar disto aqui. É uma cidade muito agradável.
- Será o nosso primeiro advogado americano. - Óptimo.
O Sr. Delaney deverá chegar em breve.
E não sei, exactamente, qual é o valor de renda que ele pretende cobrar.
Poderá esperar por ele?
Eu gostava, mas, não posso. Sou esperado em tribunal.
- Mas, obrigado, Sra. Delaney. - Não há problema.
É Miss Delaney.
- O Sr. Delaney é o meu tio. - Isso é bom.
Katherine, sabes o que é que aconteceu?
O Jim Bowie e o jovem Pablo Dominguez foram presos. Vão a tribunal esta manhã.
Não estou nada surpreendida.
Tio Henry, este é o Sr. Sam Houston, ele quer começar um escritório...
Sam Houston? Do Tennessee? Aquele que...?
Exactamente. É um prazer conhecê-lo, senhor.
Bem, o prazer é todo meu. O que é que o traz a San Antonio?
Bem, como estava a dizer à sua sobrinha, eu espero poder praticar advocacia aqui.
Na verdade, tenho de estar em tribunal daqui a 20 minutos...
e tenho umas coisas a fazer primeiro.
Vejo-o mais tarde.
- Bom dia, Miss Delaney. - Bom dia, Sr. Houston.
E esta?!
O Governador Houston, aqui em San Antonio.
O que é que ele quererá do tribunal? Ouve, eu aposto que...
Disse que ele é Governador?
É verdade. Ele foi eleito em 1828 e renunciou dois meses depois.
- Deves ter lido sobre isso. - Acho que sim. Houve um escândalo qualquer, não houve?
É verdade. Ele e a esposa.
Eles eram recém-casados quando se separam.
Ninguém sabe porquê. Depois, ele renunciou.
Katherine, se alguém vier à minha procura, estarei no julgamento.
Se saíres, fecha tudo, está bem?
E como cidadãos da República do México...
têm de respeitar as leis deste país.
Falo-vos, agora, não como magistrado, mas, como vosso amigo.
Aconselho-vos a ser discretos.
Este julgamento será realizado de acordo com o código penal da República.
E o veredicto que entregarei será baseado na verdade e justiça.
Qualquer pessoa que tente interferir com o devido rumo da justiça será preso e processado.
A representante da República será ouvido.
Espero que o Meritíssimo perdoe esta intromissão. O meu nome é Houston.
Sou o advogado dos acusados.
Señor Bowie, isto é verdade?
Por mim, não há nenhum problema.
Pode continuar, Coronel Cos.
A República do México está a processar criminalmente os acusados...
chamados James Bowie e Pablo Dominguez, por conspiração para incitar uma revolução.
Para ser mais claro, Meritíssimo, de alta traição contra o seu país.
- Isso são acusações sérias, Coronel Cos. - São, sem dúvida.
Embora eu acredite que o advogado do Sr. Bowie possa apelar para um tribunal superior...
a punição será precisamente a mesma.
E esta punição, deixe-me que lhe recorde, é a morte.
O Coronel não precisa de de relembrar o tribunal da lei.
- Pode apresentar as suas provas. - Muito bem.
Na noite de 12 de Dezembro, no ano de 18...
Se o tribunal me permitir.
Meritíssimo, eu respeitosamente alego que este tribunal...
não foi legalmente constituído para julgar este caso.
Señor Houston, o tribunal irá decidir aquilo que é legal aqui.
Peço as minhas desculpas ao tribunal, mas, insisto que este julgamento não é legal.
Eu não conheço todas as leis da grandiosa República do México.
Mas, aquilo que eu sei é isto.
Um magistrado como você não tem qualquer jurisdição numa cidade sob lei marcial.
Señor Houston, a cidade de San Antonio de Béjar não está sob lei marcial.
Eu sou o magistrado deste município. Eleito pelo povo.
Compreendo. E peço humildemente desculpa ao tribunal pela minha má interpretação.
Mas, então, sendo esse o caso, eu digo que este oficial militar...
não tem qualquer autoridade legal para fazer detenções ou acusações!
Desde quando é que as acções de cidadãos privados colocaram em risco...
o Governo e os seus oficiais sobre a sua autoridade para efectuar detenções?!
Meritíssimo, o Coronel quer privar estes cavalheiros da preciosa liberdade...
que o povo do México lutou e morreu para garantir.
Eu não acredito que o tribunal esteja mesmo a prestar atenção às declarações irrelevantes e teatrais...
- deste estranho... um estrangeiro. - Eu estive a prestar atenção.
Fico grato a este estranho por ter impedido que ocorresse um erro muito grave.
Peço-vos perdão, meus caros amigos.
Sou um homem idoso, receio. Habituado a lidar com questões triviais em San Antonio.
Talvez me tenha esquecido com o tempo, da cicatriz de um sabre que tenho...
da Batalha de Vera Cruz.
É algo que não deve jamais ser esquecido.
Lembro-me dos dias em que os soldados de Espanha...
invadiam as casas e levavam as pessoas.
Tais coisas não irão acontecer aqui em San Antonio.
Não enquanto eu for o magistrado.
Isso pode mudar muito rapidamente.
Não enquanto as pessoas não o disserem.
- Eu advirto-o aqui e agora... - Devo lembrar o Coronel que se está a exceder.
Que isso é um desrespeito ao tribunal.
E isso aplica-se a qualquer um que esteja entre estas paredes.
O Coronel tem alguma alegação final antes do tribunal tomar a sua decisão?
Apenas isto... Meritíssimo.
Asseguro-lhe e ao povo de San Antonio que isto não será esquecido...
nem por mim, nem pelo General.
O General? Pois, sim.
Está a falar do seu cunhado? O General Sant'Anna.
- Estou. Lembre-se do nome, Meritíssimo. - Irei tentar.
Señor Houston, deseja dizer mais alguma coisa?
Não, Meritíssimo, a Defesa terminou.
Pela autoridade que me foi confiada pelo povo da cidade...
de San Antonio de Béjar e pela República do México...
declaro que este caso está encerrado.
Obrigado.
Esteve bem, Sr. Houston.
Foi uma sorte tê-lo connosco.
Este é um dia de que San Antonio se recordará durante muito tempo.
Obrigado, senhor.
Aqui, senõres, aqui está o vinho. Saúde!
Gracias, señores, venham para dentro. Iremos celebrar.
Sr. Houston. Posso dizer-lhe, aqui e agora, que nunca ouvi uma demonstração tão impressionante.
Obrigado, Sr. Delaney.
A causa da liberdade irá florescer nas suas mãos.
- E eu estou aqui para lhe dizer que... - Henry!
Se te calares por um minuto, eu poderei fazer algumas apresentações.
- Este é o Bill Travis. - Prazer.
- Jim Fannon. - Sr. Houston.
- O meu sogro, Juan Veramendi. - É um honra, señor.
- O Pablo Dominguez você já o conhece. - Olá.
E... o Steve Austin.
Já ouvi falar de si, senhor. É uma honra conhecê-lo.
A honra é minha, senhor. E a gratidão...
pelas suas acções ontem à noite, assim como a sua brilhante actuação no tribunal esta manhã.
É muito provável que lhe devamos as nossas vidas, senhor.
Quando impediu que aqueles soldados se voltassem contra nós.
- Bem, eu... - Porque é que não nos sentamos todos?
Essa é uma boa ideia.
Sr. Houston, estamos orgulhosos de tê-lo no movimento. Não se irá arrepender.
Cavalheiros, como já disse ao Sr. Bowie ontem à noite, eu não tenho nenhuma intenção...
de participar no Movimento "Libertem o Texas" ou em qualquer movimento.
Eu vim para cá para abrir um escritório de advocacia.
Se puder ajudá-los, muito bem, mas, podem contar comigo para conselhos jurídicos, só isso.
Será difícil para um homem como você manter-se totalmente neutro, Sr. Houston.
Especialmente, depois daquilo que todos sabem que conseguiu a nosso favor.
O Don Juan tem razão, Sr. Houston.
O Texas e as pessoas que cá vivem deverão livres, mais cedo ou mais tarde.
E não são, apenas, os americanos que pensam assim.
O Texas já é um país em si. Tanto geograficamente como em atitude.
As pessoas que aqui vivem...
tanto os mexicanos como eu, como os americanos como você...
não temos qualquer desejo de ser governados pela Cidade do México e temos boas razões.
Na verdade, são as mesmas razões que o seu país teve na vossa Grande Guerra da Independência.
Eu concordo.
As pessoas têm de lutar pela liberdade para conseguirem apreciá-la, eu sei.
Ainda estamos a lutar por ela na Irlanda.
O Texas pode ser livre sem uma guerra.
Não estamos preparados para exigir a nossa independência excepto através dos votos.
E se houver uma votação, e eu puder participar nela, eu irei votar naquilo que acredito.
Mas, não me irei envolver em qualquer tipo de política.
Eu tenho as minhas razões.
Não duvido que tenha. E lamento imenso.
Todos lamentamos, señor.
Não têm de lamentar. Ele não irá conseguir manter-se afastado. Eu sei que não.
Bom dia, Miss Delaney. Está muito bonita hoje.
Obrigado, Sr. Houston.
Aqui estão os documentos relativos ao caso do Dominguez Verdugo.
Óptimo, óptimo.
Não sei como teria feito estes meses, se você não tivesse aceitado a minha proposta de trabalho.
- Eu gostei. - E eu também.
Não sente desagrado para comigo como quando entrei aqui pela primeira vez, pois não?
Eu nunca senti desagrado pela sua presença.
Então, talvez possamos ser mais do que amigos, Katherine.
Prefiro manter a nossa "sociedade" a um nível profissional.
Porquê?
Por favor, prefiro não falar sobre isso.
Muito bem.
Há... tem mais algum trabalho para mim hoje?
Sim, na verdade, tenho. Sente-se, Miss Delaney.
Vai precisar de uma caneta e papel. Gostava de lhe ditar uma carta.
Dirigida à residência de Barrett Cornelius. Nº 7, High Street, Knoxville, Tennessee.
Cavalheiro, eu não lhe escrevi mais cedo, porque não sabia ao certo onde estaria.
Agora, pode escrever-me para San Antonio de Béjar, na província do Texas.
República do México.
Este endereço, espero, será permanente.
Estou certo de que, agora, o divórcio iniciado pela minha esposa estará completo.
Por favor, envie os documentos necessários para assinar o mais rapidamente possível.
Espero que este assunto seja tratado rapidamente.
Isso é muito importante para mim, para que possa ficar livre.
Agradeço a sua colaboração, em relação à minha família...
e apresento-lhe os meus sinceros cumprimentos.
- É tudo? - Não é suficiente?
Eu acho que sim. Espero que sim.
Eu também.
- Katherine, eu... - Eu tenho de ir andando.
Entre!
Sam.
A Katherine e eu gostaríamos de vê-lo no jantar esta noite. Será que pode?
- Sim, eu gostaria muito. - Bem, então, venha, às 19:00.
Para um homem que pensa rápido, sem dúvida que levou muito tempo a pensar nisto, não?
Tenha calma.
Tente não falar, Pablo.
Henry, vá buscar um médico.
Vamos levá-lo para a estalagem.
Tenham cuidado.
Eles prenderam-me.
Eles queriam que eu... dissesse o nome de todos.
O López...
Eu escapei. Eles perseguiram-me.
Eu quase consegui.
- Pablo, meu rapaz, eu juro... - Jim...
Eu não lhes disse nada.
Eu sei, meu rapaz, eu sei...
Mãe. Madre mia...
- Pobrecito. - O que é que vamos fazer?
Vão buscar as vossas armas. Encontramo-nos aqui dentro de meia hora.
- Não pode fazer isso. - Não se envolva nisto.
Ninguém lhe pediu conselhos.
Ouça-me, Jim. Quando eu terminar, poderá pregar-me àquela porta com a sua espada...
mas, primeiro, irá ouvir-me. Está bem?
Está bem.
Mais alguns minutos, não fará qualquer diferença, de uma forma ou de outra.
Só porque não tenho participado nas vossas reuniões, não significa que não tenha os olhos abertos.
Eu sei que o General Sant'Anna anda à procura de uma desculpa para usurpar o governo mexicano.
E uma insurreição armada é a melhor desculpa que ele poderá encontrar.
O Coronel Cos é cunhado do General Sant'Anna, não é?
Não consegue ver a ligação?
O Sant'Anna quer a guerra e quere-a agora, quando sabe que a pode vencer.
Talvez ele saiba disso, mas, nós não.
Onde é que estão os vossos exércitos?
Quem são os vossos líderes? Os vossos generais, capitães e sargentos?
Onde é que estão os vossos soldados treinados, com um "stock" de munições e artilharia?
Talvez vocês tenham de combater numa guerra.
Está bem! Mas, combatam-na nos vossos termos, em vez dos do inimigo, não se pretendem ganhar.
Se têm de fazer uma revolução, então, façam-na bem.
Recrutem uma companhia, depois, um batalhão, depois, um regimento, e depois, 10 regimentos.
E treinem-nos.
Ensinem os vossos atiradores a disparar, a marchar 80 km por dia...
e um milhão de outras coisas.
Terminei, por agora. Reúnam os vossos soldados, se assim desejarem.
Muito bem.
Podemos esperar.
Obrigado, Sam.
Acho que tem razão, Sam.
Gostaria que parasse de se preocupar com o seu tio, Katherine.
- Ele sabe cuidar dele mesmo. - Não, não sabe.
Ele é como uma criança. São todos.
A tramarem algo e a conspirarem.
Como um monte miúdos pequenos que estão a jogar um jogo.
Mas, isto não é um jogo, e eles não são miúdos.
É uma realidade terrível e assustadora.
Katherine, eles são homens sensatos envolvidos nesta situação.
Homens como o Steven Austin...
que será capaz de manter o Movimento "Libertem o Texas" sob controlo...
sem violência, tenho a certeza.
Sam, eu só realmente amei dois homens na minha vida.
O meu pai e o tio Henry.
O meu pai morreu na luta pela independência.
Agora, o meu tio está...
Katherine.
- Katherine, eu... - O que foi, Sam?
É muito cedo para falar sobre casamento?
És muito gentil e educado, mas, não és livre.
Acredita em mim, em breve serei, e depois eu...
Ainda não disseste uma palavra sobre o amor.
Tens razão, não o fiz.
Eu amo-te, Katherine.
Gostava que houvesse uma melhor forma de o dizer para que significasse mais.
Eu também te amo, Sam.
Presumo que não haja uma melhor forma de o dizer.
Sam, tens de me prometer algo.
Sim?
Primeiro, que me irás sempre amar.
Sim, senhora.
E que não te irás envolver na guerra.
Mas, não irá haver nenhuma guerra.
Tenho de saber que o homem que eu amo, não irá matar ou ser morto...
numa guerra, numa revolução, ou numa guerra rebelde, seja lá o que for.
Não tenho nenhum desejo de me envolver no Movimento "Libertem o Texas".
Se a guerra vier, deixaremos o Texas.
Está bem, Katherine, viveremos onde tu quiseres.
Na verdade, ouvir dizer que a Califórnia é muito bonita.
- Se, pelo menos, eu pudesse acreditar em ti. - Tu podes.
Sam, está aqui um homem que deseja falar consigo.
Ele diz que tem uma mensagem importante para si.
- Sam, como é que estás? - Davy, é bom ver-te.
A ti também, Sam. Consigo sentir que os teus músculos não enfraqueceram.
Mas, acho que sempre tiveste um forte aperto de mão.
Katherine, quero apresentar-te um dos meus melhores e mais antigos amigos, Davy Crockett.
A Miss Katherine Delaney.
- Prazer em conhecê-la, Miss. - O prazer é todo meu.
Sentem-se, sentem-se, fiquem à vontade.
Passei uma semana sentado, não tenho a certeza se me quero voltar a sentar.
Acho que sei como te sentes, Davy. Então, onde é que está a mensagem?
- Não é escrita. - De quem é?
- Está tudo bem. - Receio que não, Sam.
Peço imensa desculpa, eu não tenho intenção de ferir os vossos sentimentos.
Não há problema nenhum. Vamos, tio Henry.
Bem, Davy, qual é o mistério?
Não há mistério nenhum, Sam. Apenas ordens.
- De quem? - Do Presidente Jackson.
- Qual é a mensagem? - Ele quer ver-te.
- Porquê? - Ele não me disse, Sam.
- Quando? - Ontem. Se conseguires.
O velhote está bem, não está, Davy, ele não está doente?
Não, Sam, está tudo bem. Aqui estão os nomes.
Uma lista de pessoas que te darão comida e cavalos frescos daqui até Washington.
Seria melhor se ninguém soubesse para onde vais.
- Bem, eu já estou a caminho. - Esta noite?
E tu?
Acho que vou ficar por aqui até tu voltares.
Tens a certeza de que vais conseguir manter-te afastado de problemas?
Sam, tu conheces-me melhor do que isso.
Quando é que eu consegui manter-me afastado de problemas?
Sr. Presidente, o Sr. Sam Houston está aqui.
Sam, entre.
Sr. Presidente, eu vim tão rapidamente quanto pude.
Sam, é bom vê-lo. Vem perfeitamente a tempo. Sente-se.
Parece-me estar bem. O Texas fez-lhe bem.
Eu sinto-me óptimo, senhor.
Ouvi dizer que tem um escritório de advocacia em San Antonio.
Não é mau, senhor.
Actualize-me sobre a situação da independência, Sam.
O que é que se passa?
Tudo aquilo que sei é o que ouço dos meus amigos. Eu não interfiro directamente.
Continue.
Bem, os texanos querem o seu próprio país.
Eles querem uma democracia como a nossa, com os seus próprios representantes eleitos.
Eles estão muito convictos disso.
Eles são boas pessoas, Sr. Presidente.
Muitos deles são dos EUA, como sabe. Os restantes vieram, originalmente, do México.
Mas, eles não são americanos nem mexicanos, agora. Eles são texanos.
Eu entendo. Acha que uma revolução está a caminho?
- Não sei. Espero que não. - Porquê?
Eles ainda não prontos para isso. Não estarão dentro de um ano.
Muito bem, dê-lhes esse ano, Sam.
- Sr. Presidente, eu... - Ouça-me, Sam.
Eu tenho um sonho sobre o Texas.
Já o tenho há muito tempo. Vai além da independência.
Quero ver o Texas entrar na União.
Seria algo muito bom para o Texas e para os Estados Unidos.
Eu sei que seria. É inevitável.
Mas, eles têm de ser uma república, em primeiro lugar.
As pessoas terão de decidir se querem juntar-se a nós como um estado.
Se ocorrer uma revolução agora e não for bem sucedida...
poderão passar 50 anos antes que sejam fortes o suficiente para tentarem outra vez.
Sim, senhor.
Eu sei que não devia encorajar a independência do Texas...
excepto se este país estiver disposto a fornecer-lhes alguma ajuda material.
Mas, isso não pode ser feito.
Estou a certificar-me de que faço tudo o que posso para o Texas ter uma liderança adequada.
E, refiro-me a si, Sam.
- Desculpe, senhor, não posso fazê-lo. - Disparates.
Não me envolvo mais na política, Sr. Presidente.
Eu disse-lhe isso quando renunciei ao Governo.
Não acreditei em si naquela altura e, não acredito em si agora, Sam.
Não devia ter deixado que a sua vida pessoal interferisse com o seu dever juramentado.
Bem, todos os homens têm direito a cometer, pelo menos, um grande erro.
Deus sabe que eu gastei a minha quota, mais do que uma vez.
Deixe os seus erros para trás, Sam.
E vou-me certificar de que não volta a cometer mais.
Não posso fazê-lo, senhor.
Eu dei a minha palavra.
Não a si mesmo, pois não?
Sam, algumas pessoas têm um destino determinado. Você é uma delas.
Você é um líder nato.
Se você falar, as pessoas ouvem-no porque o adoram...
Você luta por elas e, se necessário, morre por elas, e elas sabem disso.
Não há mais ninguém. Terá de fazê-lo.
Mas, há outros, Sr. Presidente. O Steven Austin, por exemplo.
Ele é um bom homem. Não há absolutamente nada de errado nele.
Excepto que eles nem sempre irão ouvi-lo. Ele é demasiado conservador.
E o Bowie não serve pelos motivos contrários.
Sam, é você.
Sem si, o Texas, provavelmente, estará perdido para nós.
Obrigado, Sr. Presidente. Farei aquilo que quiser.
Deus o abençoe, Sam.
O que foi?
Sr. Presidente, leia isto.
Vou buscar toda a ajuda que conseguir o mais rapidamente possível, senhor.
É demasiado tarde, Sam. O Texas está sob lei marcial.
Porquê?
O Sant'Anna derrubou o governo mexicano...
e já está a movimentar tropas para o Texas.
Não temos nenhum exército, senhor.
- Tem de nos dar um. - Não, Sam.
Mas, só temos um regimento. Dois, no máximo. Precisamos de homens. Homens treinados.
Não serão tropas americanas.
Vou falar ao Congresso esta noite sobre uma declaração de guerra ao México.
Não posso levar o país para mais uma guerra, Sam.
Eu sei.
- O que é que vai fazer? - Lutar.
- Com quê? - Não sei.
Tenho de reunir um exército, de alguma forma.
Trabalho de um ano a ser feito num mês. Não sei como, mas, assim terá de ser.
Adeus, senhor.
Adeus.
Que Deus esteja consigo, Sam.
Aquilo que fizemos desta vez, podemos fazer novamente.
Iremos mostrar ao Sant'Anna aquilo que pensamos dos seus soldados e da sua lei marcial.
Somos todos soldados, no Exército do Texas, agora. Cada homem.
Não somos muitos em números, mas...
aquilo que não temos em números, iremos compensar em pontaria.
Muito bem, quero todos os soldados aqui nos próximos cinco minutos.
Os oficiais irão dividir-vos em pelotões.
Vamos!
Sam?! Sam Houston.
- Como é que estás, Bill? - Como estás, Sam? E onde é que estiveste?
Em Washington. O que é que se passa aqui?
Quase perdeste toda a emoção.
Perseguimos o Carson e as tropas dele por todo o Texas.
Claro, paramo-lo ali mesmo.
Não foi uma grande batalha. Só foram disparados três tiros.
O que é que vais fazer quando o Sant'Anna regressar com um exército maior?
Bem, temos uma companhia aqui. O Bill e eu estamos a comandá-la.
Uma companhia? Isso não é suficiente.
É claro que é. Montamos uma guarnição na missão do Álamo.
Conseguimos afugentar um exército lá.
Sam, o que é que estiveste a fazer em Washington?
Estive a falar com o Presidente Jackson sobre a independência do Texas.
Ele vai-nos ajudar?
Não há nada que ele possa fazer. Nós estamos por nossa conta.
Disseste "nós"?
- Estás connosco? - Eu estou convosco.
Eu sabia. Eu sempre o soube.
Vai haver uma convenção.
Será realizada junto ao Rio Brazos, a 01 de Março. Daqui a duas semanas.
Os delegados virão de todo o Texas.
O seu objectivo será escrever uma Declaração de Independência.
E uma constituição para nova República do Texas.
O nosso primeiro trabalho aqui hoje será escolher delegados.
E sei que posso falar por todos nós acerca do homem que queremos como nosso delegado.
Sam Houston.
- Terei muito orgulho em servir a causa. - Vamos entrar e dizer aos outros.
Só um momento. Há alguém que eu quero ir ver primeiro.
Ela está na loja com o tio. Até logo.
- Vejam quem está aqui! - Sam! Estou tão feliz por te ver.
- Olá, Davy. Como é que está, Henry? - Bem, quase perdeu toda a emoção...
- Já ouvi dizer. Vão à reunião na estalagem? - Sim. Tu vais, Sam?
- Sim, eu estarei lá. - Óptimo.
- Fizeste uma boa viagem? - Óptima.
Todos sabiam que se iria juntar a nós.
Todos já concordaram que seja nomeado o líder máximo do Exército do Texas.
- E, depois... - Vamos, Sr. Delaney.
- Não vais juntar-te a eles, Sam? - Katherine, eu tenho de fazê-lo.
Mas, tu prometeste.
Talvez eu não tivesse o direito de te fazer essa promessa, não entendes?
Não, receio que não entenda.
Mas, estamos todos envolvidos nisto, agora. Tu, eu e todos os outros no Texas.
Eu não tenho de estar envolvida nisto. E nem tu.
Eu não esperava ter de quebrar a promessa que te fiz...
pela única pessoa à qual eu não podia recusar nada.
A minha viagem foi a Washington, para ver o Presidente Jackson.
Dei-lhe a minha palavra que vou continuar com isto.
- Isso ainda não é uma razão suficientemente boa. - Eu quero participar nisto.
Essa decisão é definitiva, Sam?
Sim, Katherine.
Então, terminou tudo entre nós.
Katherine.
Por favor.
Não, Sam.
Se decidiste que te vais envolver nesta guerra...
Irás fazê-lo sem mim.
Sinto muito, minha querida.
Lamento imenso.
Um momento, jovem. A sua mensagem pode esperar.
General Houston...
- É do Álamo. - Do Álamo?!
Para o povo do Texas e todos os americanos em todo o mundo,
Estamos cercados por milhares de mexicanos sob ordens de Sant'Anna.
Aguentei um bombardeamento contínuo durante 24 horas e não perdi um único homem.
O inimigo exigiu a rendição total.
Caso contrário, a guarnição será morta pela espada.
Respondi a essa exigência com um tiro de canhão.
E a nossa bandeira ainda se agita orgulhosamente no muro.
Jamais me irei render ou recuar.
Então, peço-vos a todos, em nome da liberdade, do patriotismo...
e tudo aquilo que caracteriza o espírito americano, que nos venham ajudar rapidamente.
O inimigo recebe reforços todos os dias e, sem dúvida...
passará a contar com 3 ou 4 mil homens, dentro de quatro ou cinco dias.
Se isto for negligenciado, eu estou determinado a resistir o maior tempo possível.
Vitória ou morte!
Assinado: W. Barrett Travis. Comandante.
Cavalheiros? Devo partir imediatamente.
Nós iremos consigo, General.
Irei reunir as tropas que conseguir em Gonzalez e dirigir-me-ei para San Antonio.
Os restantes têm trabalho a fazer.
O Texas precisa de uma Constituição. Escrevam uma.
- O que é que você quer?! - Isto é um posto de vigia?
É claro que é um posto de vigia. O que é que pensava que era?
- Vá-se embora e deixe-me dormir. - Quem é o comandante aqui?
O Coronel Hockley. A tenda dele está ali. É a última à direita.
Porque é que vocês mensageiros não vêm durante o dia?
Qual é o teu nome, rapaz?
Quem é você para me perguntar?!
Sam Houston.
Sinto muito, General Houston, senhor. Eu não sabia...
- Há quanto tempo estás neste exército? - Há cerca de três semanas.
Então, ensinaram-te a ficar em pé, na presença dos teus superiores?
Sim, senhor.
- Qual é a tua patente? - Não sei, senhor. Soldado raso, penso eu.
Bem, agora, és um Cabo e és responsável por este posto de vigia.
Sim, senhor.
Diz aos teus amigos que o castigo é muito severo para aqueles que adormecem na vigia.
O castigo?! Qual é, senhor?
O pelotão de fuzilamento, Cabo.
Acordem, acordem!
- O que foi? - O General Houston está no acampamento.
O General Houston.
- Sim, o que é que se passa? - Coronel Hockley?
Exactamente. O que foi, homem? Você é um mensageiro?
Trago más notícias, mas, não sou propriamente um mensageiro.
O meu nome é Sam Houston.
Eu...
Estou ao seu dispôr, senhor.
Sentem-se, cavalheiros.
General, posso-lhe apresentar o meu ajudante, o Capitão Martin.
- General! - Capitão.
As suas sentinelas estavam a dormir, Coronel, assim como todos os restantes, ao que parece.
Sim, senhor.
É assim tão difícil manter alguma disciplina militar?
Estes homens não são soldados, General, são escumalha. Não sabem nada...
Gostava de ouvir a resposta do Coronel, se não se importar, Capitão.
Sim, General, tem sido muito difícil manter a disciplina. Tem sido impossível, senhor.
- Não está a inventar desculpas. Gosto disso. - Não as tenho, senhor.
Estou convencido de que estes homens querem lutar. E lutar bem.
Na verdade, acho que é esse o problema.
Eles vieram para cá lutar numa guerra. E durante seis semanas, nada fizeram.
E se tentarmos impor alguma disciplina, eles ameaçarão desertar.
Alguns já o fizeram.
Prepare-os para marchar ao amanhecer. E diga-lhes que eles que terão a sua guerra.
A propósito, quantos homens é que temos?
- 230. Pela contagem final, senhor. - Para onde é que vamos, General?
- Para o Álamo. - O Álamo? Acho que nunca ouvi falar dele.
É uma missão em San Antonio, a cerca de três dias de marcha daqui.
Uma companha de homens do Texas está cercada pelo Sant'Anna e cerca de 1000 soldados.
- Quanta artilharia é que você tem? - Nenhuma, senhor.
Está bem.
Ao início do dia, cavalheiros.
Amanhã à noite, estaremos em Goliad, onde a guarnição do Coronel Fannin se juntará a nós...
se é que ele já não partiu para o Álamo.
Quantos homens é que ele tem, senhor?
Da última vez que ouvi, eram pouco menos de 250.
Os oficiais estão a ser saudados.
Vejo que o problema da disciplina foi resolvido muito rapidamente.
Não fizemos nada, General.
Quando os homens ficaram a saber que, talvez, fosse haver combates...
lembraram-se de todas as coisas que lhes tentamos ensinar durante semanas.
Bem... reuniremos outra vez ao amanhecer, cavalheiros.
Sugiro-vos uma boa noite de sono a todos.
- Coronel, quem é oficial do dia? - Sou eu, senhor. Todos os dias.
Não há necessidade disso, Capitão. De agora em diante, irá revezar-se com o Tenente.
Peço desculpa, General. Mas, estes oficiais mais novos dificilmente têm a experiência...
Eles tê-la-ão em breve. Esta irá ser uma guerra longa.
- Boa noite, cavalheiros. - Boa noite, Sam.
Alto!
Don Carlos?
Señor Houston...
O que foi, meu amigo?
Eu viajei dois dias e duas noites para lhe trazer uma mensagem.
Do General Sant'Anna.
Do que é que está a falar?
A Álamo caiu, Señor Houston. Com todos os seus defensores.
Todos?!
Aqueles que não morreram nas muralhas, foram executados.
Travis, Delaney, Crockett, Bowie.
Eles não se renderam. Estão todos mortos.
- A cidade, señor? San Antonio? - O Sant'Anna ainda não fez mal a ninguém.
As mulheres, crianças e os velhos como eu, foram poupados.
Disse que tinha uma mensagem do General Sant'Anna?
Ele enviou-me para lhe dizer o que é que aconteceu.
E para lhe dizer que irá continuar a acontecer a todos os homens que lhe apontem armas.
Ele exige uma rendição incondicional.
Ou morte.
Deaf Smith?
Estou aqui, General Sam.
- Sabe onde é Goliad? - Posso encontrá-la.
Diga ao oficial responsável de lá, o nome dele é Coronel Fannin...
para rebentar com tudo e vir para cá com os homens dele.
Depois, vá à procura do Exército Mexicano
Diga-me onde é que eles estão e quantos são.
Está bem.
Señor Houston... não se vai render?
- Não. - Fico feliz em ouvir isso.
Don Carlos, foi uma longa viagem para um homem da sua idade.
Tenente, certifique-se de que este cavalheiro é alimentado e fica o mais confortável possível.
Quando ele estiver suficientemente recuperado para viajar, enviá-lo-emos para Gonzalez.
- Sim, senhor. - Gracias, señor.
Goliad caiu, General Sam. Dizimada com cada homem de lá.
- Onde é que está o Sant'Anna? - Dirige-se para cá. Está 30 km atrás de nós.
Contei mil soldados de Infantaria e, pelo menos, 50 canhões.
Eles vêm em marcha rápida?
Não. Parece que ele acha que tem tempo suficiente.
Dêem ordens, senhores. Estejam pronto para sair em 10 minutos.
- Sim, senhor! - Em que direcção?
- Por ali, Coronel. - Não vamos bater em retirada?
Cumpram as vossas ordens, cavalheiros.
Ouviram todos o General. Mexam-se! Vamos! Depressa!
Vamos! Mexam-se!
- Boa noite, Smith. - Olá, Tenente.
Eles já estão suficientemente perto para começarmos a fugir outra vez?
Um dia destes, vou atacar aquele soldado.
- Ele não o consegue ouvir, Capitão. - Ele consegue ouvir aquilo que quer ouvir.
Este é um belo exército. Com batedores que são surdos e generais que não querem lutar.
Há outro destacamento a vir por aqui. De Sul. Parece ter cerca de 500 homens.
Isso faz com que o Sant'Anna tenha entre 1400 e 1500 homens.
Quão cedo acha que os reforços irão alcançar o grupo principal?
Um dia e meio, talvez dois dias. Talvez três.
Eles não têm pressa, General Sam. Nenhum deles.
Podíamos fugir facilmente, há alguns anos, se fôssemos mais rápidos.
Detectei um destacamento amigável a vir nesta direcção esta manhã, com dois canhões grandes.
Reforços? Porque é que não me disse isso logo?
Só tenho uma boca, General Sam.
Deve ser aquele grupo de Nacogdoches.
Se eles continuarem a ir nessa direcção, irão bater de frente com o Sant'Anna.
Sim.
Quero que os intercepte e os traga para cá.
Vou-lhe escrever as ordens.
Artilharia, então? Mesmo a tempo.
Se quiser chamar "artilharia" a dois pequenos canhões.
- Eles têm-nos. - São mais dois do que aqueles que temos agora.
- Alto. - Coluna... alto!
Aquele bosque parece bom, coronel. Iremos acampar lá esta noite.
Sim, senhor.
Em frente... marchar!
Eles estão a duas horas de distância, General Sam.
- Como é que que eles lhe parecem? - Óptimos. Prontos para lutar.
- Já avistou o Sant'Anna hoje? - Sim.
Acamparam há uma hora.
- Eles saíram do trabalho mais cedo. - Obrigado, Deaf.
Venha. E descanse um pouco.
O que é que foi? Há alguma coisa que se tenha esquecido de me dizer?
Eu não me esqueci de nada, General Sam, só estou a pensar na melhor forma de lhe dizer.
- O que é que se passa? - Não se passa nada, é... não exactamente.
É, apenas, estranho.
Há uma jovem a viajar com aquele Coronel Sherman que está a liderar os reforços.
Coronel Sherman? Deve ser o Sam Sherman.
Ele tem mulher e cinco filhos.
Terei de me ver livre dela. Estou surpreendido.
Ainda vai ficar mais surpreendido, General Sam.
Aquela jovem veio vê-lo.
- A mim? - Sim.
- General. - Sam. É bom ver-te.
Obrigado, senhor. Acredito que já conhece a Miss Delaney.
E estes são os meus oficiais.
- Capitão Neal, o Tenente Lopez e o Tenente Taylor. - Cavalheiros.
Permiti que a Miss Delaney viesse para apresentar uma determinada petição.
Reservei uma tenda para si, Miss Delaney. Por favor, fique confortável.
- Irei vê-la quando tiver jantado. - Obrigado, General.
- Os meus homens, cavalheiros. - Companhia, apresente-se!
Coronel Hockley, Capitão Martin. Os Tenentes LeBlanc, Baker e Hargreaves.
- É um prazer, Coronel. - Agora, por favor entrem, cavalheiros.
Sentem-se, cavalheiros.
Isto não irá demorar muito.
Coronel, talvez saiba que o Exército do Texas está em retirada?
Sim, senhor.
Muito bem, agora, as suas tropas estão sob o meu comando.
Ao amanhecer, agrupe as suas companhias na rectaguarda das do Coronel Hockley.
Você seguirá à frente, na coluna comigo.
Numa coluna?
Certamente, não está a pensar em atacar numa coluna, General?
Eu não disse nada sobre um ataque, Coronel. Estamos a bater em retirada.
Perdoe-me, General, mas, os meus homens não vieram de tão longe para se retirarem.
Este é um único exército, senhor. Sob a liderança de um comandante supremo.
As ordens são para se retirarem. Estamos entendidos?
- Sim, senhor. - Óptimo.
Tenho autorização do General para lhe fazer uma pergunta?
Prossiga.
Quando é que pretendemos inverter a marcha e lutar contra o Exército Mexicano?
Quando eu vos disser.
É tudo, cavalheiros.
- Tenente Baker? - Sim, senhor?
Por favor, traga a Miss Delaney aqui quando ela estiver pronta.
- E Tenente? - Senhor?
Alguém terá de escoltá-la até à cidade mais próxima amanhã, gostaria que fosse você.
Isso é uma ordem, senhor? Quer dizer, talvez um dos outros oficiais.
Pode enviar outro se quiser, Tenente. Aparentemente, você não quer deixar a retirada.
Não, senhor, não me parece que continuemos em retirada muito mais tempo.
Acho que já descobri para onde é que nos está a levar.
- A sério? - Sim, senhor.
Para a planície de Saint Hyacinth, na curva do Rio San Jacinto.
É um jovem inteligente. E um bom soldado, também.
- Obrigado, senhor. - Guarde isso para si, pode ser, Baker?
Sim, senhor.
Cada uma destas petições são procurações para eu lutar.
Estou impressionado com elas.
Fico contente que o povo do Texas se sinta desta forma.
Esta é de San Antonio.
Todos os teus amigos assinaram.
Por todos aqueles que morreram no Álamo.
Arriscaste uma viagem por território inimigo só para me trazeres estas petições?
Não, Sam.
Eu vim para te dizer que me apercebi que estava enganada.
Sobre o quê, Katherine?
Sobre a revolução e a independência.
Todas as coisas em que discordamos antes.
Costumava pensar que o Tio Henry, o Jim Bowie e os outros eram...
apenas, arruaceiros envolvidos numa espécie de conspiração pessoal, mas, estava enganada.
É o Texas, o país inteiro. Todos fazemos parte dele.
Eu não tenho o direito de evitar que te envolvas em tudo isto.
Fico feliz que te sintas assim, Katherine.
Isso significa muito para mim.
Sam...
Estás no Exército há muito tempo. Longe das pessoas do Texas.
Não conheces os sentimentos delas acerca da guerra.
Acho que conheço.
Porque é que continuas a bater em retirada?
Porque é que não invertes a marcha do exército e lutas?
Sam, estão todos contigo. Farão tudo aquilo que lhes pedires.
Enquanto ainda houver uma réstia de esperança neles, Sam.
Mas, se continuares a fugir do Sant'Anna, o Texas nunca será independente.
Katherine, eu vou-te dizer algo que não disse a mais ninguém antes.
Irei enviar-te para a cidade mais próxima amanhã.
Então, vou precisar que me prometas que não irás falar sobre isto com ninguém.
É claro, Sam. O que é?
Eu sempre tive intenção de lutar.
Quando?
Não te posso dizer isso.
Katherine. Estás a chorar.
Tenho medo por ti, Sam.
O General Cos a comunicar a sua chegada com 500 homens, Señor Presidente.
Bem, o que é que o reteve?
Foi uma longa e cansativa viagem, meu General.
Acha que eu estive a descansar?
Pode ir.
Os seus cavalos e homens são fortes?
- Eles são fortes, mas, algo cansados, General. - Eles poderão não ter de lutar.
Quer dizer que o Houston continua a bater em retirada?
Continua.
Isso é uma surpresa, pensei que neste momento ele...
Ele pretende que eu continue a segui-lo até aos EUA.
Isso significaria uma guerra com os americanos!
É claro.
- É isso que o Houston quer. - Mas, poderíamos vencer essa guerra?
Não haverá uma "tal" guerra.
Quando o Houston atravessar a fronteira...
voltaremos ao nosso trabalho. A rebelião no Texas!
Eu preferiria que o Houston morresse.
Enquanto ele estiver vivo, será um problema para nós.
Quem é que o irá seguir quando ele for expulso do Texas?
Irei lidar com esta rebelião, como fiz com o Álamo.
E com Goliad. Isto irá acabar em dois meses.
Muito bem.
Quando acordarmos o homem, iremos despertar todos os seus amigos.
Não sei, Capitão.
Está a falar em retirarmos daqui mais de metade das tropas.
O Houston nunca conseguirá lutar contra o General Sant'Anna.
Quando se decidir a fazê-lo.
Ele não irá fazê-lo. Nunca quis.
E o Coronel Sherman?
Não. Ele só ouve as ordens do Houston.
Ele é um soldado há demasiado tempo para fazer qualquer outra coisa.
Mas, a tropa irá seguir-nos. Provavelmente, até ao último homem.
Óptimo. Isso significa que teremos, pelo menos, 300 homens.
Quanto assim tantos para começar, teremos um exército inteiro em poucas semanas.
Estou surpreendido consigo, Capitão Martin.
Pensava que era demasiado corajoso para desertar.
O General Houston é que é o desertor, Tenente.
- Nós não! - Como assim?
Os meus homens vieram aqui para lutar, Tenente.
Como a maioria dos seus, pelo que ouvi. Mas, o Houston não lutará.
Não estão a pensar em atacar o Sant'Anna com trezentos homens, pois não?
É claro que não.
Podemos recuar e atravessar o rio para recrutar mais pessoas. Quando nos apercebermos...
Recuar?! Pensei que você fosse contra a retirada.
Muito bem, Baker. Você e o LeBlanc podem juntar-se a nós, se quiserem.
Caso contrário, saiam do meu caminho.
Capitão, você está preso por tentativa de deserção.
- Jack, vai acordar o Coronel Sherman. - Vê aquilo que ele pretende fazer...
- com estes jovens oficiais. - Certo.
Vocês estão acordados até tarde?
- A praticar o código de armas, Tenente? - Mais ou menos.
- General, é meu dever informá-lo... - Desculpe-me, Capitão.
Aqui dentro, senhores.
Fico contente que estejam acordados. Quero ter uma pequena conversa convosco.
Sentem-se todos.
Quero que acordem as nossas tropas daqui a uma hora. Iremos fazer uma marcha nocturna.
- Desculpe-me, General? - Sim, Coronel?
Pelo que sei, San Jacinto é traiçoeiro nesta época do ano...
já é difícil o suficiente atravessá-lo durante o dia.
- Vamos para outro lado, Coronel. - Eu sabia.
Eu acredito que sim, Tenente.
Atacaremos ao amanhecer.
Eu não quero ouvir qualquer som dos nossos homens...
até eles ouvirem os disparos dos nossos canhões. Nem um sussurro, entenderam?
Quando forem acordar as nossas tropas, digam-lhes isto.
Não quero ouvir o disparo de nenhuma espingarda, excepto se houver um alvo.
Assim será, senhor. Tenho a certeza disso.
Todos eles tiveram de caçar o jantar, de uma forma ou de outra.
Eu não quero mortes desnecessárias. Quero prisioneiros. Todos os que conseguirmos.
Mas, quero especialmente o Sant'Anna. E quero-o vivo.
O homem que o matar terá de se haver comigo.
Devem estar a interrogar-se porque é que eu atrasei este ataque durante tanto tempo.
Primeiro, eu queria que o Sant'Anna tivesse a certeza de que tínhamos fugido para os EUA.
E, depois, eu queria o Exército Mexicano...
numa posição de onde não pudesse recuar.
É onde ele está agora.
A Baía de San Jacinto está nas costas deles.
Muito bem. Há perguntas, cavalheiros?
Boa sorte.
E lembrem-se do Álamo.
Diz isso aos nossos homens. Diz-lhes para se lembrarem do Álamo.
Digam o mesmo aos nossos. Vamos.
Eles não se privam de nada, General Sam.
Geralmente, demoram uma hora inteira a tomar o pequeno-almoço.
Eles vivem bem.
Não deverá demorar a amanhecer.
Tragam as tropas para a orla.
Quero os canhões de ambos os lados e apontem-nos mesmo ao meio do acampamento.
E avise os seus oficiais.
Não quero que matem o Sant'Anna. Ele vale muito para o Texas se estiver vivo.
Capitão, estava a pensar em ter o seu próprio exército. Ia ser um general, não ia?
- Lamento que não tenha funcionado. - Está a esquecer-se do seu posto, Tenente.
Não, não estou. O General deu-me uma promoção.
Sou um Major, agora.
Assim como o LeBlanc.
Você tem um belo sentido de humor.
Diga ao Tenente Taylor para se esconder mais naquela parte baixa.
Está bem, General Sam.
- Espere pelo meu sinal. Dispararemos primeiro. - Sim, senhor.
- Comecem a disparar! - Fogo... fogo!
- Vamos apanhá-los, rapazes! - Lembrem-se do Álamo.
Lembrem-se do Álamo!
- Façam-nos prisioneiros. - Está bem, senhor.
- Onde é que foi atingido, General? - Na minha perna.
- E o Sant'Anna? - Ele ainda não foi encontrado.
Bem, temos de encontrá-lo. Tenho de entregá-lo à República.
- É melhor levá-lo para a tenda dele. - Eu levo-o, senhor. Com cuidado, agora.
Ele está a recuperar a consciência.
Como é que ele está?
Ele perdeu muito sangue.
E está, parcialmente, num estado de choque.
Mas, ele é um homem incrivelmente forte.
Eu fiz tudo aquilo que pude, senhores.
Peço autorização para tratar de alguns dos meus próprios feridos.
Está bem. E obrigado, doutor.
Está tudo bem, soldado.
- Deixe-o ir. - Sim, senhor.
- Já não ouço quaisquer combates? Acabou? - Sim, senhor.
Quantos homens é que perdemos?
Seis mortos, 24 feridos e você, General.
E o inimigo?
Não tenho nenhuma contagem oficial, mas, o nosso gabinete deu-me uma preliminar.
630 mortos, 208 feridos e 730 prisioneiros. Num total de 1568 baixas.
Foi uma grande vitória, General.
E o Sant'Anna?
Não há nenhum vestígio dele.
- O General está a dormir, senhores. - Ele vai querer ser acordado para isto.
- Olá, Baker. - General, temos uma coisa para si.
Apanhamos este homem quando ele estava a tentar fugir numa carroça dos agricultores.
Quem é ele?
Bem, General, pensamos que ele seria aquilo que parece. Um agricultor.
Mas, quando o juntamos com os outros prisioneiros, eles começaram a gritar...
El Presidente, El Presidente.
Então, pensamos em trazê-lo à sua presença.
Sant'Anna.
Está correcto.
Eu sou o General António Lopez de Sant'Anna.
Presidente do México. Comandante do Exército Operacional.
Entrego-me ao corajoso General Houston.
E esta?
Fico contente em vê-lo, General.
Baker? Vai buscar caneta e papel e prepara-te para escrever...
as condições incondicionais de rendição para que o General assine.
Sim, senhor.
Sente-se.
General? Se eu puder dizer uma coisa...
você pode considerar que nasceu para um destino extraordinário.
Você conquistou o Napoleão do Oeste.
Agora, depende de si ser generoso para com os vencidos.
Devia-se ter lembrado dessa filosofia no Álamo, General?
Quais são as condições que propõe, General?
Eu não proponho quaisquer condições. Eu dito-as.
Primeiro que tudo, quaisquer outros exércitos que tenha no terreno...
irão sair do Texas e manter-se-ão afastados.
E eu? E os meus homens que são seus prisioneiros?
Eles ficarão à nossa guarda aqui até que o meu governo decida o que fazer com eles.
Você irá comigo para a capital da nova República do Texas.
Para ser enforcado... sem dúvida.
Isso já não me compete, General.
- Quem é que decidirá, General? - A República do Texas.
Obrigado.
- Katherine! - Estás ferido, Sam?
Eu estou bem. O que é isto? Outra petição?
General Sam, o que é que diz esse papel?
Bem, somos um país oficial agora.
- O Texas é uma República independente. - Viva!
Quem é que será o Presidente?
Sam Houston.
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