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Original subtitles

Lendas falam do "Fiend", a for�a infernal e destrutiva que penetra caix�es velhos

e invade carcassas, permitindo aos mortos caminhar na terra novamente.

O corpo preserva a juventude e vida retirando a energia vital das v�timas,

aquelas que sofrem violenta e dolorosa morte...

CONDADO DE SEVILLE Mar�o

"Dem�nio"

Tradu��o e Edi��o ======= Fernando Thomazi =======

Tenho pensado muito em voc�, Angie.

Eu tamb�m, Steve, mas odeio este lugar.

N�o � t�o ruim, pelo menos � tranquilo.

Sim, e frio tamb�m.

Estou tremendo, voc� poderia ir buscar meu casaco no carro?

R�pido, Steve! Este lugar me d� arrepios.

Volto em um minuto.

KINGSVILLE Abril

"� VENDA"

MILFORD outubro

- Obrigada pelo passeio, Katie. - Bom final-de-semana, Jane.

- Voc� tamb�m. Nos vemos na segunda. - Tchau!

Tchau!

- Que susto! - Deixou cair a carteira.

Sim.

Obrigada.

Quieta! Quieta!

N�o tente gritar por ajuda.

Est� com fome, Dorian?

Not�cias locais...

A pol�cia do condado diz que n�o h� suspeitos no assassinato bizarro...

da jovem de Milford cujo corpo foi encontrado esta tarde.

A v�tima, Jane Clayton, vinte e um anos...

aparentemente voltava para a casa, onde fora deixada de carro...

por uma colega de trabalho.

A pol�cia descartou roubo como motivo do estrangulamento...

Bem, a bolsa da v�tima...

contendo sua carteira e US$ 147 em dinheiro...

foi encontrada ao lado do corpo.

Mais not�cias. O governador anunciou que um projeto de lei ser� enviado...

Hey, Querida! Querida, estou em casa!

- Marsha? - Oi, querido!

Ah, a� est� voc�.

- Eu estava arrumando sua cama. - Fazendo a cama agora, hein?

Oh, n�o se preocupe, est� tudo em ordem agora.

Oh, voc� se esfor�a tanto para me agradar.

Bem...

Apesar de tudo, eu amo te agradar.

- E se voc� n�o gosta... - Eu sei: eu aguento.

Ele nunca se cansa?

- Quem, Longfellow? - Sim, Longfellow.

Por que voc� n�o toca no seu est�dio?

- Sabe que � noite ele d� aula. - Quem se importa?

Quando chegar em casa quero ter paz, sil�ncio e...

talvez um pouco de privacidade.

- Acho que ouvi algu�m reclamando. - Sim, estou reclamando!

Ele � nosso vizinho h� sete meses e h� sete meses s� ouvimos...

violinos estridentes.

- � uma loucura! - Voc� acha?

Eu j� estava pensando em fazer aulas tamb�m.

Bem, ent�o, esque�a!

Vou falar com ele, Marsha.

- Com quem? - Com Longfellow.

- N�o se atreva! - Marsha, eu vou!

Merecemos um pouco de privacidade e paz.

Gary, �s vezes n�o te entendo.

Primeiro, o homem nunca toca depois das 21 horas.

E segundo, quando nossos vizinhos eram os Johnsons...

tudo o que voc� fez foi reclamar deles.

Ent�o, tudo bem, esque�a!

Como eu poderia? Reclama dele todas as noites.

Me desculpe, isso s� me incomoda, s� isso!

Eu odiava os Johnsons, mas �s vezes queria que n�o tivessem ido embora.

Amanh� devo sair cedo para o trabalho.

Tudo bem. Amanh� vou at� a casa da Nancy procurar uma c�mera.

Uma c�mera? Para qu�?

- Sabe que hoje eu tive de ensinar. - Sim?

Os meninos querem fazer um filme de fic��o cient�fica na primavera.

- Mesmo? Precisamos ver isso. - Sim.

- Oh, voc� ouviu sobre aquela garota? - N�o, que garota?

A garota que algu�m estrangulou em Milford.

Oh, meu Deus! Odeio ouvir esse tipo de coisa.

- Eu tamb�m, foi aqui perto. - Uh-huh.

- Que tipo de man�aco faria algo assim? - �. Eu realmente n�o sei.

E amanh�...

nos renovaremos.

Aqui est� seu professor, Danielle. Tenha uma boa aula.

Obrigado, Sr. Frye.

Academia de M�sica de Longfellow. Aqui � o Sr. Frye.

Ol�, Dennis. Aqui � Longfellow.

Oi! Bom dia, senhor!

Dennis, vou me atrasar algumas horas hoje.

Tenho um compromisso.

Tudo bem, senhor.

Quero que voc� mesmo cuide da aula do Sr. Rigby.

Farei isso, senhor.

Oh, Sr. Longfellow, e n�o se esque�a esta noite!

- Esta noite? - Sim, senhor.

Vou passar na sua casa para revisar as contas mensais...

e voc� tem uma aula com...

Senhorita Weiss.

Sim, claro. Escute, tenho de ir, Dennis.

Sim, vejo voc� hoje � noite.

At� logo.

- Tenha um bom dia. - Voc� tamb�m.

Bom dia, Sr. Longfellow.

Senhor Kender.

Que manh� feia, n�o acha?

Depende do ponto de vista, Sr. Kender.

Hey... Como vai o neg�cio da m�sica?

Muito bem, Sr. Kender, muito bem.

Uh... Olha, Sr. Longfellow... Eu...

Gary?

Sim? Espere um minuto, Marsha.

Senhor Kender...

O que deseja?

Gary, podemos falar um minuto, querido?

Talvez outra hora, Sr. Longfellow. Com licen�a.

Claro, Sr. Kender, claro.

O que voc� quer, Marsha?

- Prometeu n�o contar nada a ele. - S� fui dizer ol�.

- Juro, foi isso! - N�o.

Voc� vai acabar nos envergonhando.

Eu trocaria um pouco de vergonha por um pouco de sil�ncio.

- V� trabalhar, est� tudo bem. - Est� bem.

Essa c�mera � muito boa. Como eu precisava.

Ele faz tudo.

Os meninos v�o adorar.

- Est�o muito animados com o projeto. - Uh-huh.

Voc� nem est� me ouvindo.

Sim, estou ouvindo, Marsha: a c�mera � boa e os meninos est�o animados.

- Oh, meu Deus! - O qu�? O que foi?

- N�o posso acreditar. - No qu�?

Acharam outra mulher assassinada, como a garota do outro dia.

Oh, n�o!

E ela foi encontrada em sua pr�pria casa.

- Onde, em que lugar? - Em Kent Hill, a 6 km daqui.

- Deve ser o mesmo assassino. - Voc� acha?

Faz sentido. Duas mulheres estranguladas...

a poucos quil�metros uma da outra com apenas dois dias de diferen�a.

- � assustador. - � doentio.

Embora as aulas de piano tenham diminu�do este m�s, senhor...

Nossas vendas de partituras aumentaram...

23% comparado ao m�s passado.

O que me lembra de pedir que n�o me deixe ir...

sem caixa de partituras para violino solo n� 3.

Preciso para segunda-feira.

Vamos ver o que mais...

O aluguel de instrumentos foi bom, senhor, subiu 11% este m�s.

Em suma, senhor, um excelente m�s para a Academia de M�sica Longfellow.

Muito bom, Sr. Frye.

Voc� fez, como sempre, um excelente trabalho...

administrar a Academia e manter as contas em dia.

Muito obrigado, senhor.

No entanto, devo pedir-lhe para recolher suas coisas.

A Srta. Weiss est� prestes a chegar para sua aula de m�sica.

Agora mesmo, senhor, quase me esqueci da aula de Weiss.

J� arrumei tudo, senhor, vou pegar a partitura e ir embora.

Saia da�, Dorian.

Oh, aqui est�o elas.

Oh, acabei de lembrar uma coisa, senhor.

Este cavalheiro est� interessado em ter aulas particulares.

Achei que ele n�o aceitaria de imediato.

Oh, deve ser a Srta. Weiss.

- Ol�, como est�? - Ol�, Sr. Frye.

- Ol�, Sr. Longfellow. - Senhorita Weiss.

Bem, tenho de ir agora.

Adeus, Srta. Weiss. At� segunda, senhor.

Adeus, Sr. Frye.

Boa noite, Dennis.

Ent�o, podemos descer as escadas?

Est� pronta para come�ar, Srta. Weiss?

Sim, senhor, espero fazer melhor desta vez.

N�o tenho d�vidas de que sim.

Vamos tentar "No Sal�o do Rei da Montanha".

Ok.

N�o! Voc� n�o est� segurando o instrumento direito, senhorita.

Deixe-me mostrar de novo. Precisa segurar o arco assim.

Relaxe seu bra�o, Srta. Weiss.

Relaxe seu bra�o, Srta. Weiss.

Com licen�a, Srta. Weiss.

Desculpe incomod�-lo, senhor...

mas, esqueci meus livros...

e as partituras.

Como ousa interromper a aula por algo t�o rid�culo?

Desculpe, senhor, mas preciso dos livros e partituras para...

Chega, Sr. Frye! Nos vemos na segunda cedo!

- Perdoe a interrup��o. - Est� tudo bem.

Parece haver um estranho parado na frente da minha porta.

- Por acaso voc� sabe quem �? - Claro, � meu namorado, Ted.

Que bom.

Pegue ela!

O que acontece com aquele cara?

Esque�a. Est� tudo bem.

- Pronto? O carro est� pronto? - Sim.

- Gary, h� algo errado? - N�o � nada.

- Certeza? - Sim, claro. Bem...

Vamos para a casa da mam�e, o almo�o est� esfriando.

- O que acha dela? - Ela � t�o fofa.

- E essa? - � linda.

- Ah, esqueci meu Ken, vou procurar. - Ok.

Droga, o que � isso?

Deus! Eu me pergunto o que ter� acontecido.

- Hey, Fred, o que aconteceu? - Ol�, Gary.

� horr�vel.

- Kristy Michaels foi encontrada morta. - O qu�?

Oh, meu Deus, n�o!

Eles a encontraram aqui no riacho...

- Com o pesco�o quebrado. - No riacho atr�s da nossa casa?

- O pessoal da Homic�dios esteve l�. - E ningu�m viu ou ouviu nada?

Bem, voc� e Marsha n�o estavam l�, nem os Gorbowskys.

E o Longfellow?

Ele e seu assistente ouviam m�sica com fones de ouvido.

Eles n�o viram nada e, claro, tamb�m n�o podiam ouvir.

Querido, por que n�o vem para a cama?

Marsha... Ele deve ter visto o que aconteceu.

Ele � o �nico que poderia ter visto alguma coisa.

Gary, falamos disso a noite toda.

Voc� disse mil vezes que Longfellow deve ter visto alguma coisa.

A pol�cia o interrogou. Se tivesse visto algo ele teria dito.

Talvez, n�o.

Isso me intriga, s� isso, por que n�o estava em casa?

Aquele miser�vel Longfellow estava muito concentrado ouvindo sua musiquinha...

enquanto uma garota era estrangulada bem atr�s de sua casa.

Eu gostaria que algu�m o estrangulasse!

Gary, pelo amor de Deus, que coisa horr�vel de se dizer!

Oh, sinto muito!

Esse Longfellow � o tipo de cara que pode ver algo sem dizer nada.

Desde que voc� n�o se envolva!

Pare com isso, Gary, voc� est� indo longe demais!

Eu vou falar com aquele cara.

Gary, o que voc� est� fazendo? Voc� n�o � assim.

Marsha, n�o sossegarei at� falar com ele pessoalmente...

- Ent�o n�o tente me impedir. - Est� bem!

V� � casa dele e fa�a papel de bobo, porque Longfellow vai rir por �ltimo!

N�o tenha tanta certeza.

Sr. Kender, o que posso fazer por voc�?

Vamos entrar e conversar um pouco, Sr. Longfellow.

- Conversar? - Sim, conversar.

Porque n�o? Entre.

Obrigado.

Senhor Kender...

- Sente-se, Sr. Kender. - N�o, obrigado.

Que lugar frio e �mido aqui, n�o acha?.

Eu gosto assim.

Oh, achei que s� n�o tivesse tempo de arrumar o lugar.

Est� nas condi��es que eu queria, Sr. Kender.

Como v�, eu tornei o lugar muito confort�vel.

Um reparo e pintura o deixaria ainda melhor, n�o acha?

Sr. Kender, sobre o que veio falar, afinal?

Certo, vou direto ao assunto, Longfellow.

A morte da garota atr�s da minha casa me deixou comovido.

Tenho certeza disso.

Minha esposa e eu n�o est�vamos em casa quando aconteceu, nem os Gorbowskys.

Nas �nicas tr�s casas de onde se via o local onde aconteceu...

o assassinato, voc� era o �nico em casa.

- E...? - Voc� deve ter visto alguma coisa!

- Deve ter ouvido alguma coisa! - Mas, eu n�o ouvi.

Estava muito quieto.

Com meu assistente, Sr. Frye, est�vamos ouvindo m�sica...

que planejamos usar na Academia.

Est� dizendo que n�o ouviu nada?

Nada.

Ah, que grosseria minha...

- Gostaria de uma ta�a de vinho? - Sim, claro, por que n�o?

Vou buscar outra garrafa. Com licen�a.

- Seu vinho, Sr. Kender. - Oh, obrigado.

Lindo �rg�o.

� apenas decorativo.

Sr. Longfellow, tem certeza que voc� e seu assistente n�o viram nada?

Entendo que algumas pessoas n�o querem se envolver...

com algo t�o horr�vel como assassinato.

Eu n�o me importaria, Sr. Kender, mas infelizmente n�o posso ajud�-lo.

- Um gato, me assustou. - Dorian, des�a da�.

Um gato preto... Voc� n�o tem medo de azar, tem, Longfellow?

N�o sou supersticioso, Sr. Kender.

Essas coisas s�o para crian�as...

e mulheres.

� melhor eu ir.

Se voc� e seu amigo lembrarem algo daquele dia, por favor, me avisem, Ok?

N�o h� nada para lembrar, Sr. Kender.

Escute, se eu fosse voc�...

Eu pouparia minha energia...

- E esqueceria todo o incidente. - "Incidente"?

Quando uma garota � assassinada no meu pr�prio bairro...

N�o chamo de "incidente", Sr. Longfellow.

Eu chamo de "pesadelo"!

Al�?

- Al�, senhor. Eu... - O que est� acontecendo, Dennis?

Odeio incomod�-lo a esta hora da noite...

Voc� j� me incomodou, Frye, agora diga o que quer.

Eu estava pensando, senhor, se n�o foi pedir muito...

se voc� pudesse me dizer por que me fez mentir para a pol�cia.

N�o � que eu ache que tenha feito algo errado, senhor.

Pare de duvidar de mim, Frye.

Mas, a pol�cia disse que a garota foi assassinada, senhor.

Quero dizer, um assassinato � algo muito s�rio.

Exijo sua lealdade absoluta, Sr. Frye.

E se valoriza de alguma forma sua posi��o na Academia�

N�o dir� mais uma palavra sobre isso a ningu�m...

nem mesmo a mim.

Estou feliz que finalmente nos entendemos...

Entendido?

Adeus, Dennis.

Hey! Hey, o que voc� est� fazendo?

- Al�? - Oi, querida, como vai?

- Oi, como vai voc�, querido? - Cansado de tanto trabalho.

S� liguei para saber se sua casa est� trancada.

Gary, pelo amor de Deus, ainda � plena luz do dia.

Todas aquelas garotas foram estranguladas em plena luz do dia!

S� quero me sentir calmo enquanto trabalho, Marsha.

Fique tranquilo, estou bem.

Na verdade, todas as portas est�o fechadas.

Gary, estou feliz que tenha ligado, pode me fazer um favor, querido?

Oh-Oh.

Preciso de um livro muito �til para o trabalho da escola...

...o filme.

Oh, espere um segundo... Ok, aqui est�.

Se chama Magia do Filme.

A Nancy diz que tem na livraria Reino da Fantasia.

- Marsha, eu nem sei onde fica. - Eu tenho o endere�o.

Fica na Rua do Mercado, n� 704.

- Entrada dos fundos. - Espera um pouco, vou anotar.

Rua do Mercado, n� 704. Entrada dos fundos.

Tem certeza? Tudo bem, querida.

Tudo bem, querida. Mantenha as portas fechadas.

Manterei.

Obrigada, querido. Vejo voc� � noite.

At� logo.

Sim, senhor, posso ajud�-lo?

Talvez. Sabe onde posso encontrar Dennis Frye?

Sou eu, senhor, em que posso ser �til?

Ou veio por recomenda��o de algum cliente?

N�o, n�o exatamente.

Gostaria de fazer algumas perguntas sobre a tarde de domingo passado.

O domingo passado? O que houve?

- Sabe o que houve naquele dia em sua casa. - Na minha casa?

N�o, eu n�o estava em casa. Por que est� me perguntando isso?

Voc� n�o estava em casa no domingo? Onde estava?

- N�o preciso responder. - Est� escondendo algo, n�o est�, Frye?

N�o estou! Contei tudo � pol�cia!

Por que devo te responder? Eu nem sei quem �.

O que est� escondendo, Frye? Voc� mentiu para a pol�cia, n�o foi?

N�o, n�o menti, eu disse a verdade!

Quem � voc�, afinal?

Algu�m querendo saber o que voc� fez no �ltimo domingo.

O que voc� realmente fez!

Eu j� disse � pol�cia. Estava com meu chefe, o Sr. Longfellow.

Est�vamos na casa dele, ouvindo m�sica.

- N�o sei nada sobre a garota morta. - Quem falou em menina morta?

Por que... Pelo que mais estaria me perguntando sobre o domingo?

Est� com a consci�ncia pesada, Frye, claramente est� mentindo.

N�o, n�o estou mentindo!

Pense nisso, Frye...

Se der provas falsas ou mentir para a pol�cia sobre o assassinato...

ter� o mesmo destino que seu amiguinho Longfellow.

- N�o tenho nada a ver com isso. - Oh, mesmo? Veremos, Frye!

- Como vai o projeto? - Bem.

Este livro vai nos ajudar muito.

Na verdade, queria que voc� buscasse mais exemplares durante a semana.

Hum... Voltar �quela livraria sinistra, huh?

- Livraria sinistra? - Claro.

Livros de magia negra, bruxaria, vodu...

Quer dizer, o meu marido grande e forte...

se deixa assustar por uma pequena livraria com livros macabros?

N�o.

Mas, havia outra coisa que me assustava muito.

- Fala s�rio? - Muito s�rio.

O que �?

Eu estava conversando com Charlie Simms, lembra?

Meu colega de escola que agora � policial estadual.

Ah, sim, claro.

Ele me contou coisas que me arrepiaram.

O qu�?

� uma pena o que aconteceu aqui na semana passada.

Mas, Charlie me disse que a s�rie de estrangulamentos come�ou antes.

Come�ou no Condado de Monroe, depois mudou para Porterstown...

da� para o Condado de Seville e agora aqui em Kingsville.

Meu Deus!

Eu ou�o sobre isso nos notici�rios todos os dias...

mas, eu n�o percebi isso.

N�o s� isso, algu�m at� profanou uma sepultura no cemit�rio de Seville.

- Oh, sim, eu ouvi sobre isso! - Mesmo?

Sim, hum...

Os Johnsons, nossos antigos vizinhos...

Havia um primo de segundo ou terceiro grau de Elizabeth Johnson.

Voc� est� certa, eles eram de Seville!

- E era o t�mulo do seu primo? - Sim, segundo Nancy.

Foi ela quem me contou tudo. Achei que tinha te contado.

Bem, se contou, eu n�o me lembro.

Bem, foi h� v�rios meses, mas saiu em todos os jornais.

O nome do cara era...

Era um nome estranho, n�o era Johnson, era...

William?... William...

Dorian...

- Sim, isso mesmo: William Dorian. - William Dorian.

Caramba! Parece familiar! Eu o conheci?

N�o, ele e Elizabeth n�o se viam, eram primos distantes.

Ainda soa familiar para mim.

De qualquer forma, tanto faz, voc� v� que n�o sou paranoico

quando te pe�o para manter a casa bem fechada.

H� definitivamente um psicopata � solta.

E Charlie diz que a pol�cia n�o tem nenhuma pista sobre ele.

- Isso � assustador. - � mesmo.

As crian�as est�o brincando na rua, vou bater um papo com elas.

Oh, Gary, por que voc� n�o deixa a morte de Kristy para a pol�cia?

Porque, como Charlie me disse, a pol�cia n�o tem nenhuma pista.

E nunca pensei que uma garota pudesse ser morta num bairro urbano

em plena luz do dia, sem ningu�m ver nada.

Como foi com as crian�as?

Marsha, acabo de ver a coisa mais estranha.

Com as crian�as? O qu�?

Acabei de ver Longfellow.

Ele parecia ter 70 anos.

70 anos? Talvez tenha pegado uma gripe ou algo assim.

Marsha, estou dizendo, ele parecia todo enrugado e velho.

Como algu�m vai dos 38 aos 70 anos em quest�o de dias?

Isso n�o � poss�vel, Gary.

Acho que voc� s� o persegue porque ele toca violino e voc� n�o gosta.

Isso n�o tem nada a ver com a apar�ncia dele!

Voc� est� obcecado por Longfellow h� v�rias semanas.

Talvez, eu tenha bons motivos!

N�o te disse nada na outra noite porque n�o queria te chatear

mas, quando eu estive na casa dele, vi coisas que a fariam desconfiar.

- Como o qu�? - Como a maneira como ele vive!

Tem o por�o todo mobiliado...

sem pintura, sem forro, umidade terr�vel e frio...

- E ele diz que gosta assim! - Cada um tem seu gosto!

Ah, � mesmo?

Precisa ver o quartinho que ele montou l� embaixo.

Ele o mant�m separado do resto do por�o com horr�veis cortinas pretas.

Parece coisa da Idade M�dia: caveiras, velas, tudo.

Provavelmente coleciona antiguidades como hobby.

Bem, nesse quarto h� uma mesa com um ba�...

e no centro h� uma longa adaga afiada.

E em cima da mesa, na parede...

h� muitas fotos recortadas de mulheres.

Ainda acha que n�o � estranho.

Se isso te incomodou, por que n�o perguntou a ele sobre isso?

Bem, ele n�o sabia que eu vi aquele quarto.

Entrei escondido enquanto ele procurava o vinho.

H� algo sinistro l�, Marsha.

Eu tenho um pressentimento muito ruim sobre aquele cara.

Se voc� tem certeza de que h� algo errado com Longfellow...

Por que n�o pede a Charlie Simms para investigar?

J� pedi.

Ele me disse que Longfellow � ficha limpa...

um nobre e respeit�vel membro da comunidade.

Ol�, senhor, vim assim que pude.

Por que voc� queria me encontrar aqui?

Voc� n�o disse a ningu�m que estava vindo para c�...

como eu te pedi?

Ningu�m, senhor. Deixei a Sra. Rogers no comando at� meu retorno.

Muito bem, Dennis.

N�o pense que vai voltar, Sr. Frye!

Fim da linha, Sr. Frye!

Maldito Frye!

N�o sei como pude confiar em um parasita desses...

uma larva t�o fraca e covarde!

Mas, j� n�o importa, Dennis.

O mundo n�o ter� mais que tolerar voc�.

Nem eu.

Al�, Sra. Rogers.

Sr. Longfellow.

N�o, n�o � sobre isso.

Na verdade, tenho �timas not�cias para voc�.

Sim.

Saiba que Dennis n�o estar� conosco por um tempo.

O enviei para uma viagem de compras na Europa.

E eu gostaria que voc� assumisse o lugar dele durante sua aus�ncia.

Ele estar� ausente por um bom tempo.

Sim, ele est� muito feliz.

Bem, n�o sei o que far�o com tantas c�pias de Magia do Filme...

mas, pode dizer a seus rapazes que eles me devem US$ 37,50.

J� levantei o dinheiro para voc�, seu avarento.

Assim � melhor, essas porcarias s�o caras.

Voc� fechou bem as portas hoje?

Sim, querido, mas para ser honesta...

Estou come�ando a me sentir prisioneira em minha pr�pria casa.

Bem, � melhor tomar cuidado...

Ao menos at� pegarem o psicopata que anda rondando o lugar.

- Hey, o que voc� tem a�? - Ah, � s� um livro...

que encontrei naquela lojinha macabra e me interessou.

- Oh, sim? Que tipo de livro? - � um livro estranho.

Se voc�s podem fazer um filme estranho...

Eu posso ler um livro estranho.

Ah, legal, ent�o agora podemos todos ser estranhos ao mesmo tempo?

Sim, algo assim.

Bem, vou tomar banho antes do jantar, Ok, querida?

Ok.

"Enciclop�dia de Bruxaria e Demonologia"

Gary... Gary, voc� vem para a cama?

Querido, j� s�o 23 horas.

Vou subir em um minuto, querida, s� quero ler mais um cap�tulo.

N�o fique acordado at� tarde, Gary. N�o dormiu muito esta semana.

Al�m disso, me sinto sozinha na cama sem voc�.

Boa noite, querido.

Boa noite, meu bem.

Uma das criaturas demon�acas menos mencionadas � o "dem�nio".

Muito pouco foi escrito sobre esses seres abomin�veis...

mas, uma descri��o not�vel foi deixada por Sir Alec Ginswell de Londres.

Di�rio de Ginswell, encontrado em 1902...

descreve o dem�nio como uma entidade sobrenatural...

que talvez represente uma combina��o de dem�nios atrav�s dos tempos.

Em sua forma mais pura, o dem�nio � um fantasma.

No entanto, Sir Alec acreditava que esse dem�nio...

era capaz de incorporar num cad�ver enterrado...

e ressuscitar os restos mortais.

Desta forma, o dem�nio consegue ocupar um lugar na sociedade...

e habitar entre os mortais.

Para manter seu abrigo f�sico...

o dem�nio deve matar humanos e sugar sua for�a vital.

Sem esta renova��o regular de energia...

o corpo usurpado pelo dem�nio logo se deteriora.

Isso torna o dem�nio muito perigoso, de acordo com Ginswell...

pois, para sobreviver, o ser deve matar continuamente.

Sir Alec lista algumas caracter�sticas do dem�nio...

a quem ele at� d� um nome nesta cita��o direta de seu di�rio.

"Dorian anuncia sua presen�a.

Ele vive como o cad�ver cujo lugar tomou...

para morar em lugares frios e necrot�rios...

e preferindo ficar perto da terra de onde veio."

"Dorian anuncia sua presen�a".

Dorian, des�a da�!

Desculpe, senhor.

- Eu n�o queria te assustar. - Bem, me assustou!

Perd�o. Mesmo j� acostumado, a atmosfera � um pouco perturbadora.

Sou Jimmy Barnes, o coveiro.

- Gary Kender. Queria falar com voc�. - Oh, mesmo?

Sim. Soube que um t�mulo foi profanado aqui oito ou nove meses atr�s.

Nossa, pensei que j� tinham esquecido. Se refere ao Sr. Dorian?

- Isso mesmo, voc� o conhece? - Eu o "conhecia".

Ele era um cara muito legal.

Ainda n�o entendo por que algu�m iria querer roubar o corpo dele.

Se importaria de me mostrar o t�mulo?

- Claro, � por aqui. - Vamos.

Hey, como voc� encontrou este lugar, afinal?

Um amigo policial me disse, mas devo admitir que � dif�cil de encontrar.

Sim, estamos longe de tudo.

Aqui est�!

Tentei apagar todos os vest�gios da escava��o...

mas, � estranho, a grama parece n�o crescer mais aqui.

Que tipo de pessoa era esse Sr. Dorian?

Oh, era um homem muito culto. Trouxe muita cultura aqui para Seville.

Cultura? Como assim?

Bem, para come�ar, ele era um dos nossos cidad�os ingleses.

- Eu adorava ouvi-lo falar. - Ent�o, ele veio da Inglaterra?

Originalmente sim, mas...

ele se estabeleceu aqui h� doze anos e come�ou a ensinar m�sica.

- M�sica? - Sim.

Foi professor de m�sica no ensino fundamental.

Aquele homem amava m�sica.

Algum problema com voc�, Sr. Kender?

N�o posso acreditar!

� exatamente como eu digo! Tenho uma foto dele aqui.

- Sim? - Sim.

Ele era uma pessoa muito legal, posso garantir.

Publicaram a foto dele e tudo.

Espere um momento.

Aqui est�.

Tem certeza de que esse homem est� morto?

AH-AH! O que est� insinuando?

Claro que est� morto! Se est� enterrado, deve estar morto!

Eu o vi deitado na igreja por tr�s dias...

e eu mesmo cavei a cova para enterr�-lo.

Preciso muito dessa foto. Posso ficar com ela?

- Bem, eu gosto desse recorda��o... - Dou-lhe cinco d�lares por ela.

- Cinco? N�o, acho que n�o... - Dez d�lares.

N�o, s� tenho essa. Gostaria de ficar com ela, de verdade.

Que tal isso? Lhe dou vinte d�lares e depois lhe mando uma c�pia.

Fechado.

Obrigado, eu realmente precisava disso.

Obrigado, senhor! Mas, por favor, n�o esque�a de mandar a c�pia.

Que loucura!

Marsha: Eu fui at� Seville, depois explico.

Ligue para o meu trabalho e diga que estou doente, meu amor. Gary.

Ol�, meu bem! Voc� leu meu recado?

Gary!

Onde esteve? Eu estava t�o preocupada.

Gary, quero que me conte do que se trata...

Eu n�o sei mais o que fazer.

Sinto muito, Marsha.

Sei que voc� acha que eu perdi a cabe�a...

e sair de casa � meia-noite ontem me fez duvidar de mim mesmo.

Mas, descobri algo incr�vel, extraordin�rio.

O que �, Gary? Me conte!

Contarei, Marsha, mas... N�o durmo h� 33 horas.

Gary, voc� n�o deveria fazer isso consigo mesmo.

Querida, preciso lavar o rosto e ver se acordo um pouco...

mas, se me fizer um caf�, conto-lhe toda a hist�ria.

De acordo.

- Oi, Scotty, em que posso ajud�-lo? - O Sr. Kender est�?

Bem, est� em casa, Scotty, mas est� muito cansado, tirando uma soneca.

� muito importante. Poderia acord�-lo?

Voc� pode me dizer do que se trata?

� algo que preciso tratar com o Sr. Kender.

E n�o pode me dizer para que eu diga a ele quando acordar?

N�o, preciso falar pessoalmente. N�o pode mesmo acord�-lo?

Receio que n�o, Scotty. Gostaria que me contasse o que est� havendo.

Ele pediu para avis�-lo se v�ssemos alguma coisa.

Como o qu�? O que voc� viu, Scotty?

Nada. Talvez eu fale com o Sr. Kender mais tarde.

- Preciso voltar para casa. - Scotty, espere um pouco, eu...!

- Quem era? Eu ouvi voc� gritar. - Era Scotty, ele queria te ver.

- Ele nunca vem ver voc�. - Scotty? O que ele disse?

Nada, apenas que precisava falar com voc�, sem me dizer o que.

Marsha, por que n�o me chamou? Talvez, fosse algo importante.

- Importante para qu�? - Depois explico, Marsha.

Gary! Gary, fale comigo!

Nunca foi a minha casa me ver antes. Deve ser algo importante.

- Eu gostaria de ouvi-lo. - N�o era t�o importante.

- E por que voc� me procurou? - N�o sei.

Scotty, acho que voc� sabe de alguma coisa.

Algo que queria me dizer � tarde, mas, agora tem medo de dizer.

Algo terr�vel aconteceu em nosso bairro outro dia, Scotty.

Na verdade, muita coisa ruim tem acontecido por aqui ultimamente.

Mas, algu�m ter matado Kristy Michaels � a pior de todas.

- Al�? - Al�, Sra. Kender?

Sim, aqui � Longfellow, seu vizinho.

Eu n�o... n�o me sinto muito bem.

N�o tenho me sentido bem a semana toda...

e eu queria saber se seria poss�vel me trazer algo...

Um calmante...

Qualquer tipo de aspirina serve.

N�o sei se tenho, Sr. Longfellow.

Sra. Kender, eu...

Eu agradeceria muito.

N�o estou em condi��es de ir a uma farm�cia.

Poderia me fazer esse favor?

- Vou ver se tenho. - Sim.

Vou deixar a porta aberta, Sra. Kender, apenas entre.

E muito obrigado!

Tudo bem, eu... eu...

Scotty, sinto que sabe de algo.

Algo sobre a morte de Kristy, algo horr�vel que tem medo de contar.

Mas, precisa dizer. Confie em mim, Scotty.

Seus pais confiam em mim. Perceberam algo estava errado em voc�...

e me deixaram entrar para descobrir o que �.

- Voc� vai rir de mim. - Scotty, prometo que n�o vou rir.

Eu conhe�o voc�, sei que n�o � de inventar hist�rias.

Sr. Longfellow?

Sr. Longfellow?

Quero que fale comigo, Scotty. Talvez seja minha �ltima esperan�a.

- Tenho medo de causar problemas. - De jeito nenhum!

N�o ter� problemas comigo, nem com seus pais, nem com ningu�m.

Mas, por favor, diga o que voc� sabe, ou o que viu.

Talvez, n�o tenha nada a ver com a morte de Kristy, acho que n�o...

Mas, outro dia, eu estava subindo na �rvore atr�s da casa de Longfellow e...

Continue.

o Sr. Longfellow saiu pelos fundos e come�ou a caminhar pela floresta.

N�o sei, parecia estranho, ent�o...

Comecei a segui-lo...

- Mas, gostaria de n�o ter feito isso. - Por qu�? O que aconteceu?

Ele passou pelo t�nel de drenagem e depois subiu ao lado da estrada...

e a� chegou outro homem, eles come�aram a conversar...

ent�o o Sr. Longfellow estrangulou o outro homem...

Era muito estranho, brilhava como vermelho...

Foi horr�vel.

Scotty, pode me fazer um favor?

Se seus pais deixarem, pode vir � minha casa...

e dizer a minha esposa o que voc� acabou de me dizer?

Ent�o, vamos chamar a pol�cia e contar a eles tamb�m, Ok?

Ok, desde que coloquem o Sr. Longfellow na pris�o.

Eles v�o, n�o se preocupe. Venha, vamos.

Sr. Longfellow?

Sr. Longfellow?

Sr. Longfellow?

Hey, Marsha?

Entre, Scotty.

Sr. Longfellow?

Marsha!

Marsha!

Marsha!

Onde est� a minha esposa?

Marsha!

Marsha!

Oh, n�o!

Que comovente, Sr. Kender!

� um homem muito inteligente, Sr. Kender...

mas, n�o vai adiantar nada.

Assassino!

Assassino!

Tradu��o e Edi��o ======= Fernando Thomazi =======

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