All language subtitles for Anglagard Andra sommaren 1994

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Original subtitles

PIANO PARA QUATRO MÃOS

Flogfält.

Estão a caminho.

Muito bem... Lá vêm eles.

Eu reparei.

Agora, entra e explica.

Então?

É assim, tentei organizar tudo para vocês.

Liguei o aquecedor elétrico e...

Depois, deixei a janela aberta para...

Bem, é um pouco...

Mas algo deve ter... Pu-lo no meio do quarto.

Mas o vento deve ter soprado algo para cima do aquecedor...

Deduzi que tenha sido isso.

Vais mesmo pegar nessa caixa?

É vossa.

Uma carta para ti, Ivar.

O quê?

Força, podes ler.

Não sou grande fã de cartas.

"Parabéns!

Ao rever os bilhetes da lotaria desta semana, encontrámos um dos seus.

Como acertou em sete números, ganhou a quantia de...

... 214 685 coroas."

Duzentos e catorze...

Quando o ganhaste?

Bem, isso foi...

... em janeiro.

Há seis meses?

Isso é...

Esse dinheiro é teu.

- Não... - Parabéns.

Achei que iria aligeirar as coisas...

- ... com a casa e tudo. - Tem seguro.

Amanhã, vou falar com o Ragnar sobre isso.

A casa tem seguro, por isso usufrui do prémio...

Então, usem-no para outra coisa.

És muito amável, Ivar,

mas não preciso.

- Um brinde ao vencedor. - Obrigada.

- Agradeço, Ivar... - Sim...

Quem quer beber?

Vamos relaxar um pouco, sim?

Ivar...

Pronto.

Saúde!

Saúde!

Como estão as coisas em Yxared?

Tudo igual?

Sim, está tudo na mesma.

Não mudou nada.

Fogo, assustaste-me.

Eles voltaram.

Ela voltou. Percebes?

Ouviste? A Fanny voltou.

E aquele filho da mãe escuro?

Têm um roadster vermelho e estão com o velhote.

- Esperei o ano todo. - Tens uma mente focada.

Olha.

Meu Deus, o que é que...?

Credo, não é óbvio?

Quero ver isto!

Dá-me...

- Eles voltaram. - Eles voltaram.

- E estão...? - Em casa dos irmãos.

O que aconteceu à Quinta do Anjo é terrível.

Achei que ficassem comigo.

- Tenho muito espaço. - Que bela ideia.

- Eles também têm muito espaço. - O Henning ainda tem mais.

Isto é bom?

Sim...

Cruzes credo!

Não vendem esses filmes, pois não?

Não.

Não, não vendemos. Compramo-los.

Centenas deles.

Eles voltaram.

Quem?

Quem?

A Fanny, a tua filha, e o tal Zac.

Falaste com o Mårten?

Então?

O que se passa?

Quero falar com a Fanny e o Zac.

A sério.

- Olá, Ivar. - Olá.

Que tal abrires a porta?

Olá.

Olá, Henning.

- Cortaste-te na bochecha. - Sim.

Ficas bem sem barba.

- Quis mudar. - Pareces mais novo.

- Bem-vinda a casa. - Não resta muito dela...

É uma tragédia.

Estas coisas acontecem.

Podem ficar em minha casa.

Preparei um quarto para vocês...

Nós também!

Decidimos ficar com o Gottfrid e o Ivar, mas obrigada na mesma.

Ela é mesmo boa!

- Olá, Mårten e Per-Ove! - Olá!

Olá, Mårten. Olá, Per-Ove.

Olá!

- Ele tem mesmo o cabelo comprido. - A companhia faz-vos bem.

Não estão sozinhos.

Irmãos nunca estão sozinhos.

"Mas, mas, mas." És sempre a mesma coisa. Nunca fazes nada!

Como achas que isso me faz sentir?

Não podes falar um pouco...

Não, não me vou calar. Se não disseres nada, digo eu.

Não aguento mais isto.

Há 30 anos que tenho aquela carta.

E, no ano passado, prometeste falar com o Mårten.

- Vais falar? - Sim...

Para de coçar essa barba horrenda. Odeio essa barba!

Meu Deus, és o caos.

Quem achas que és, o Perry Mason?

Porque deixaste crescer a barba?

Ele não tem barba.

Aonde vais?

Vai à loja falar com o Mårten.

- Larga o cão! - Vai falar com o Mårten.

- Larga o Mickel. - Não!

E chega de caça, ouviste?

E de coelhos. Estou farta do raio dos coelhos!

Vens jantar a casa?

Vens?

Não venho sempre?

Contigo nunca sei.

Vai buscar.

Lindo menino.

Agora, larga...

E... vai buscar!

Nunca te trataria assim!

Se tivesse ganhado dinheiro na lotaria,

ter-te-ia dado metade imediatamente.

Tu guardaste quase 250 milhões de coroas

sem dizeres nada!

O que planeavas fazer com ele?

Ser extravagante e esbanjá-lo?

Escondeste mais dinheiro?

Aquela caixa podia estar cheia de cadernetas bancárias.

É melhor ires ver.

Talvez faça isso.

Não prometo surpresas.

Mas que...?

Como pudeste esconder-me isto?

Do teu próprio irmão! Sinto-me tão magoado que...

- Pronto, pronto... - Para!

Se quiseres, fica com o dinheiro.

Não quero o raio do teu dinheiro!

Troféus de caça e uma motorizada velha, é tudo o que resta...

É o que os incêndios fazem, queimam coisas.

Fanny, é difícil acompanhar-te.

Lembras-te do último Natal? Não querias vir cá.

Apesar de prometeres aos irmãos que ias passar aqui o Natal.

- Íamos a Tânger. - Porquê?

Passámos o Natal em Tânger nos últimos cinco anos.

Isso não é uma razão.

- Ele já não vive lá. - Isso não tem nada que ver.

Então, porquê ir?

Porque eu...

Quero ficar morena.

Claro...

- Vou reconstruir a casa. - A sério?

Não seria melhor escolheres uma cidade onde queiras mesmo viver?

Uma cidade onde queira viver? Zac...

As minhas raízes estão aqui. Eu quero viver aqui.

Imagino-nos a reformarmo-nos aqui.

Dizes sempre que vamos passar a velhice em Capri.

- Capri? - Sim!

"Quando o Zac e eu envelhecermos, vamos para Capri

e passar os dias a beber e a mexericar."

- Foi só algo que eu disse. - Gostei. Gosto de Capri.

Vai para Capri, e eu vivo aqui. Podemos trocar cartas.

Tu, escreveres cartas?

E tu vivias em Capri sozinho?

- Algo do género. - Algo do género?

Achei que estavas cansado.

Levo-te na motorizada.

- Sabes conduzir uma? - Claro que sei.

- Querido Gotte... - Para!

Nunca mais volto a confiar em ti!

Irias descobrir mais cedo ou mais tarde.

E teria sido bom, independentemente de quando ganhei o dinheiro.

Seu idiota...

O que vai a Fanny pensar?

Aquele pai dela é cá uma peça.

Não tem coragem de admitir que é pai dela.

Está errado...

MUNDO DA TECNOLOGIA

Mårten!

- Parem com a algazarra! É tarde. - Deixa-o em paz.

Ela deve estar triste

por a casa ter ardido.

- Sim... - É uma pena.

- Tens de manter isso em mente. - É terrível.

Estive a pensar e devíamos...

Devíamos convidá-los para jantar.

A todos.

O Gottfrid, o Ivar e...

Sim, é boa ideia.

... o Zac...

- Não é boa ideia? - Sim.

Sem dúvida.

- Muito inteligente da tua parte. - E contavas a toda a gente.

Sabes, que a Fanny é a irmã do Mårten.

- Como posso esquecer isto? - O dinheiro vai dar jeito.

Não estou a falar do dinheiro.

Preocupa-me que me escondas coisas.

Achas que certas coisas não me dizem respeito.

Vivemos juntos há 70 anos.

Não acredito.

Este é o Gottfrid. Parece que tem três ou quatro anos.

E esse deve ser o Ivar.

- Este é o Ivar. - Não... Este é o Ivar.

Certo.

Só queres ir dormir. Quem são os outros dois?

- Não sei, amigos... - Amigos? São todos iguais.

- Talvez sejam primos. - Amigos, primos...

Meu Deus.

Vá lá, Fanny, vamos dormir. Amanhã é outro dia.

Claro, só eu consigo dormir depois de um dia destes.

Amanhã é outro dia... É sempre.

Claro que amanhã é outro dia. Tens uma borbulha no pescoço.

- Tenho? - Chamou-te a atenção.

Onde está?

Estava a brincar.

Ali.

Pareceu-me um rato.

Há ratos aqui?

Afinal, é um sótão.

E todos os sótãos têm ratos?

Sempre.

EM MEMÓRIA DE ERIK GUSTAF ZANDER

E A SUA AMADA FILHA ALICE

Olá.

Como sabias que estava aqui?

Deduzi que estivesses.

Estás bonita.

Mas com pouco cabelo.

E a ti cresceu-te.

A Rute não gosta muito.

Como estás?

Bem.

E tu?

- Também, dadas as circunstâncias. - Foi...

- É pena o que aconteceu à casa. - Sim...

Mas podes contar com uma coisa, Fanny.

Eu vou reconstruir-te a casa.

Nem vais notar diferença. E o custo...

Espero que o seguro o cobre.

Não te preocupes.

Até pode sobrar dinheiro.

Não mudaste nada.

Por falar em negócio...

Se bem te lembras, da última vez que estivemos aqui,

concordámos numa proposta de negócio que nunca concluímos.

Não fico nada escrito. Estou a falar da floresta.

Isto é um contrato de venda.

- Onze milhões. - Onze milhões...

Não falámos em 12?

Tu disseste 12, eu disse 11.

Até disseste 13, mas eu disse 11.

E é 11, porque é quanto vale.

Isso foi há um ano. Os preços devem ter subido.

Na verdade, desceram graças à crise.

Por isso, 11 é uma boa oferta.

Posso assinar depois?

Aconteceu tanta coisa, e...

Tenho de tratar de muita papelada para a casa, o seguro e tudo.

- Mudaste de ideias? - Dei-te a minha palavra. Confia em mim.

Afinal, talvez não seja má ideia...

Sabes,

a Rut queria saber se queres vir jantar connosco hoje.

- Teria todo o gosto. - Podemos falar disto.

E mais uma coisa...

Contaste a alguém sobre nós?

Não, nem contei ao Zac.

- E tu? - Não contei a ninguém.

Mas a Rut está preocupada, talvez devêssemos contar.

A Rut acha... É a questão do Mårten.

- Do Mårten? - Não reparaste?

Ele está de olho em ti.

De olho em mim e em todas as raparigas.

- Tal pai, tal filho. - Tal pai, tal filha.

Já não está na altura?

Gostava de esperar.

- E o Mårten? - Não te preocupes, lido bem com ele.

- Porque não podemos contar? - Tenho os meus motivos.

Sabes o que queres, filha. A Alice também sabia.

Olá?

Olá?

- Olá, Ragnar. Acordei-te? - Mesmo com quem queria falar!

Olá!

- Liguei para Düsseldorf... - Estivemos lá pouco tempo.

Estou a ver.

- O incêndio foi um choque. - Terrível...

Mas a casa tinha seguro, certo? Foi por isso que vim cá.

Claro. Tem um bom seguro.

O Ivar está preocupado que não cobre as reparações.

- Pobre Ivar. - Sem dúvida.

Ele não tem de se preocupar.

Será mais do que suficiente para as reparações.

Havia alguma deterioração, sabes.

Por isso, vão sair a ganhar.

Se sobrar alguma coisa, podes ficar com ele.

Acho que não vai sobrar muito, mas agradeço a oferta.

- Como está a Anna Lisa? - Não foi a Anna Lisa.

Ela... deixou-me no Natal.

Por um homem mais novo?

Não, mais velho. Um banqueiro.

Um tipo feio e desagradável, mas rico.

Olá. Eras tu, Eva?

Sim, a Eva está aqui...

Estou a ver.

- Caíste lá em cima? - Não, foi uma cadeira...

Esta é a Eva.

A Eva é... Ela concordou gentilmente em ajudar-me com as limpezas.

- Agora que a Anna Lisa não está. - Estou a ver...

Com isto e a loja, não vais parar de trabalhar.

Há quem tenha de trabalhar, Fanny.

- Para já, deve dar, certo? - Sim.

Quero a casa pronta rápido.

- Muito bem. - E fala-me papelada.

Se tiveres de assinar, aviso.

- Estamos com os irmãos. - Eu sei.

Eva, podes falar com o Ivar? Ele está muito preocupado.

Podias ajudá-lo a entender que não estou chateada.

Dar-te-á mais ouvidos a ti.

Adeus. Limpa também debaixo dos tapetes.

Não me esqueço.

Gosto do teu cabelo.

- Gosto de mulheres de cabelo curto. - Eu também.

- Adeus! - Diz olá ao Zac.

Muito bem. Onde está o aspirador? É melhor por mãos à obra!

Querias que lhe dissesse que passaste cá a noite?

- Claro! - O que iria parecer?

Achas que ela não passou a noite com muitos homens?

- É diferente... - A diferença é ela ser uma pega!

Pensei que isto era uma relação!

Temos uma relação ótima.

Mas o meu divórcio não está finalizado. O nosso momento vai chegar.

- Prometo. - Quando?

Nunca comi borrego fumado. É delicioso.

- Na verdade, é veado. - Veado? Desculpem.

Foste tu que o caçaste, Axel?

- Não. - Fui eu.

Tu caçaste-o?

Tu e uma caçadeira, parece perigoso.

Muito bem. Vamos fazer um brinde.

Mårten...

- Raimat. - Pedimos isso juntos, lembras-te?

- Saúde! - Saúde!

Sr. Zac!

Eu um brinde à Rut, por um jantar fantástico.

Estava delicioso.

Obrigado, Rut. Saúde.

Diz-me, Gottfrid...

Já tinham vindo a nossa casa?

Não. Pelo menos, a esta não.

Entregámos lenha há 30 anos.

Serviram-nos café na cozinha.

Quando estávamos a caminho... Ontem, vimos uma foto antiga.

Do Gottfrid, do Ivar e mais duas crianças.

Eram o irmão e irmã deles.

Sabias que tinham outros irmãos?

Não.

Eles vivem nos EUA.

Bem, a Victoria morreu, mas o Sven vive em Nova Iorque.

Estou a ver.

Porque não usas o dinheiro para ir a Nova Iorque?

Dinheiro?

Que dinheiro?

O Ivar ganhou a lotaria.

- Quanto? - Quanto, Ivar?

Foi pouco dinheiro.

- Um milhão? - Não.

Foi pouco.

- Foram 214 685 coroas. - Parabéns, Ivar.

Saúde, Ivar! Faria de ti um bom capitalista, certo?

Não diria tanto, mas não é boa ideia?

Se fosse meu irmão, apanhava o Concorde para Nova Iorque.

Isso são o Gottfrid e o Ivar que decidem.

Foi apenas uma sugestão.

Não foi uma boa ideia?

O que achas, Henning?

Não achas boa ideia?

Mårten... passa-me o sal.

Muito bem...

A família...

Os laços de sangue são fortes.

A família é o mais importante.

Claro que deviam ir. Vão à procura desse irmão...

Desse pai.

Quero que saibas que tenho pensado muito em ti, Fanny.

Acho que nenhum de nós imagina o que é

não saber quem é o nosso pai...

O vazio e a dor.

Lembro-me quando o meu pai faleceu.

Não que o conhecesse... Mas, pelo menos, sabia quem ele era.

Isso lembra-me de Jesus e José.

Aos 12 anos, Jesus desapareceu.

Esteve desaparecido três dias.

Encontraram-no num templo.

E José disse:

"Porque o fizeste, porque nos preocupaste?"

E Jesus respondeu:

"Porque ficaste preocupado?

Não sabias que devia estar onde está o meu pai?"

Imagina, Mårten,

que não sabias quem era o teu pai.

Até podes ter irmãos e irmãs.

Podias...

Sim.

Se todos já terminaram, vamos servir a sobremesa.

Morangos da nossa horta

e chantilly com leite da nossa vaca.

E o Mårten ordenhou... apanhou os morangos.

Também sabes apanhar morangos?

Caças veados e apanhas morangos. Isso é que é versatilidade!

- Olá. - Olá.

- Como foi o jantar? - Terrível.

- Não fomos convidados. - Fica contente por isso.

Não se trata disso...

- Nunca ninguém nos convida. - Foi um jantar de família.

- Nós não somos da família? - Não somos família imediata.

- Foi por causa da Eva. - Sabes bem que isso é treta!

Teria a Fanny de um lado e a Eva do outro?

Não, isso não seria bom.

Devias ter visto o decote dela...

Ia até aqui.

E a forma como olhou para mim... Meu Deus!

Ela é muito madura. Vou convidá-la para dançar.

Vais?

Não tens coragem. Além disso, não terias hipótese.

Há muitos insetos e animais na água...

- Tais como? - Ratos e pulgas.

Não, estamos na Suécia. É tudo limpo!

- Mas pode ser perigoso. - Socorro!

Anda cá.

Não!

Não me quero molhar!

Não...

Estava a brincar, não vi nada.

Olha para ti! Estragaste um sutiã caro.

- Um pouco de água não o estraga. - Não são duradouros, apenas bonitos.

- Quero coisas práticas. - És um caso perdido.

Isso foi quando achei que estávamos a comer borrego fumado.

- E quando falaste do dinheiro. - São 214 648 coroas.

Foi embaraçoso. Porque falaste no assunto?

Não seria bom se fossem aos EUA?

Claro que deviam ir ver o irmão.

A irmã faleceu, e nunca mais a viram.

Já te ocorreu que podem não querer?

Acho que têm de ser incentivados. Acho uma ótima ideia.

Homens como eles nunca foram a Gotemburgo.

E têm sido felizes.

Está na hora de viajarem.

Aposto que estão na cama.

E chateados contigo por falares no dinheiro.

- Tantos insetos! - Estamos na Suécia, lembras-te?

Ivar...

... disseste à Fanny que és pai dela?

Ou não?

Claro que sim.

Estou desconfiado.

Primeiro, o dinheiro...

Escondeste-o durante seis meses.

Nem acredito que fizeste algo assim.

Como posso ter a certeza que contaste à Fanny que és pai dela?

Tens de lhe contar.

Ela não pode ter a mínima dúvida.

Vai dizer-lhe: "Sou teu pai."

Caso contrário, digo-lhe eu.

Nem te atrevas!

Bem, bem...

Não é nada contigo.

Tu...

Os nossos morangos são muito mais doces

e saborosos do que aqueles... morangos "apanhados à mão"!

Apanhados à mão?

Que outra forma há de apanhar morangos?

Olá, Henning.

Meu Deus, assustaste-me.

Rut.

Tantas flores bonitas!

Sim.

- Queres um café? - Não.

- Chá? - Não, queria...

- Bolo de amêndoa? - Não.

Fui eu que o fiz.

Não, queria falar contigo.

- Falar? - Sim.

É... sobre o Axel.

- Estou a ver. - E sobre mim e...

Tenho aqui esta carta.

"Querido Axel,

é difícil escrever esta carta, mas aqui vai."

Estou grávida...

... e tu és o pai.

Deve ter acontecido naquela vez que fomos a Mullsjö juntos.

Sei que amas a Rut.

Quero ter o bebé, mas não quero estragar o teu casamento."

É da Alice...

A mãe da Fanny.

Da Alice?

"Não contes.

Será o nosso segredo."

O Axel é o pai da Fanny.

Há quanto tempo a tens?

Há 30 anos.

Trinta anos?

- Abri-a por engano. - O Axel sabe há 30 anos?

Não, descobriu o ano passado.

Eu tenho-a há 30 anos... Foi um erro.

Porque não lhe disseste?

Não consegui.

Sinceramente, não estou surpreendido.

O Axel não quer contar ao Mårten. Ele não sabe.

- E a Fanny? - Ela descobriu o ano passado.

Tinha de saber assim que chegasse.

O que queres que faça?

Porque casaste com ele?

Sabes como ele é...

Não sei!

Rut, Rut...

Rut...

Vai ficar tudo bem. Vamos resolver isto.

Vem aí o Ivar.

- Adorei o jantar. - Obrigada.

Bem, Ivar, já não vinhas cá há algum tempo.

Não...

Senta-te.

O tempo de abril...

Sim.

Pronto... Bem...

Queria falar sobre uma coisa.

Sabes, há 30 anos... E mais alguns.

Um pouco mais do que isso...

Andava com a Alice.

Com a Alice?

A mãe da Fanny.

Namorámos algum tempo. Depois, ela foi embora.

Então...

Eu sou...

... o pai da Fanny.

Sim.

Achei melhor contar...

... porque quero...

Como hei de dizer isto? Quero fazer a coisa certa.

Nem sabia que ela existia.

E queria saber

se podes falar com ela.

O que achas?

Não contes a ninguém.

- Ninguém tem nada que ver com isto. - Ótimo.

Achei por bem reconstruir a casa.

Fazer uma casa de banho enorme com jacuzzi.

- Com o quê? - Tu e o Ivar deviam comprar um.

O Ivar...

Chegou ao ponto de achar que provocou o incêndio.

Estou sempre a dizer-lhe

que os circuitos elétricos velhos podem fazer curto-circuito.

A culpa não é dele.

- Não. - Mas ele...

Mas ele parece querer sentir a culpa.

E quando falo com ele sobre irmos aos EUA, ele age...

- Falaram sobre isso? - Sim.

Mas não consigo convencê-lo.

- Achas que é boa ideia? - Claro que quero conhecer os EUA.

Claro que quero!

- Já o consideraste? - Seria algo...

De vez em quando.

Mas é impossível convencê-lo.

Nem sequer vai a Gotemburgo.

- Queres ir? - Quero

Sempre quis ir à América.

Gottfrid...

Alguma vez tiveste namorada?

Uma vez, falaste de uma Lena, lembras-te?

Isso foi há muito tempo.

As coisas não funcionaram.

- Esta noite, Zac e eu fazemos o jantar. - Que bom.

Não temos de voltar a comer as almôndegas do Ivar.

Vou de motorizada ao minimercado.

- Queres boleia? - Não.

Prefiro caminhar.

- E essa perna? - Não há problema.

Vai com cuidado.

Olá!

Pensei que me ias atropelar.

Foi assustador voltar a ver essa velharia.

- É verdade. - Ainda funciona?

- É tudo o que me resta. - Ia agora falar contigo.

Ias?

A Rut foi falar comigo. Ela tem uma carta...

- Não tens de te preocupar. - Sabes o que diz.

- Depois, apareceu o Ivar. - Eu resolvo, prometo.

Não te preocupes. Com o tempo, tudo se irá resolver.

Sim.

- Achei que era meu dever... - Eu entendo.

Mas de certeza que tudo se resolverá.

- O tempo cura tudo. - É o que dizem.

- Pronto. Vemo-nos na igreja. - Sim, no domingo.

Adeus.

Eva, não encomendaste duas caixas de caramelos na semana passada?

- Sim. - E onde estão?

Desculpa, esqueci-me.

Eu vou procurar.

- Per-Ove? - Sim?

- Posso sair durante umas horas? - Aonde vais?

- Falar com o Ragnar. - Outra vez?

Preciso de falar com ele. Não me consigo concentrar.

Não consigo trabalhar. Só penso no que ele contou à Fanny.

Que só estava lá para limpar.

Sabes porque disse isso?

Suponho que tenha sido porque o divórcio ainda não é final.

O que acontece quando for?

Vamos casar-nos.

- Ele disse isso? - Por acaso, disse!

E já tinha bebido muito?

Para!

Com o Mårten, as coisas já estavam mal, mas isto ainda é pior!

O Mårten... Preciso de um homem a sério.

- Ela está a vir. - Quem?

A Fanny.

É agora. Vou fazer-lhe uma oferta que não pode recusar.

Vou oferecer-lhe o meu corpo e a minha alma.

Tens esfregões?

Não tens coragem.

- Olá! - Olá!

- O jantar de ontem foi bom. - Eu só comprei o vinho.

Compraste o vinho? Qual?

Raimat...

Bem, tu caçaste o veado e apanhaste os morangos.

Vou fazer bouillabaisse.

Tens peixe fresco?

Não.

Aposto que sabes pescar, Mårten.

Mas não devo conseguir apanhar nenhum até hoje à noite.

- Peixe congelado serve? - Sim.

Vou ver o que temos.

Qual foi o maior peixe que já pescaste?

- Na sexta, há um baile. - A sério? Parece divertido.

Os Berth Idoffs vão tocar. São como o Sten & Stanley...

Mas os Berth Idoffs são...

Sim, são incríveis.

Que tipo de baile é?

É ao ar livre.

Mas que tipo de dança se dança? Assim, assim, ou...?

É um baile normal, danças o que quiseres.

E como é que tu danças?

Eu danço normalmente.

Acho eu...

Pensei que, se não tivesses ocupada e quisesses vir comigo...

Ainda bem que vieste. O Mårten diz que há um baile na sexta.

Ótimo. O que achas que vista?

Podes ir assim.

Não estás bem?

- É ao ar livre. - Espero que não chova.

- Vamos na mesma. - Não vai chover.

- Tenho bacalhau, escamudo e arinca. - Levo os três.

E açafrão e mexilhões.

- Na sexta, vens, Per-Ove? - Talvez...

Claro que vens. Gostas de dançar, certo?

Deixa o meu irmão em paz!

E não temos bacalhau, escamudo nem arinca.

Na verdade, não temos nada para pessoas como vocês!

Não são bem-vindos aqui. Estou farta de ralé.

Chegas com manias da cidade, a pedir beringela e bouillabaisse!

Eu sei o que é bouillabaisse, mas não temos comida chique.

Terão de se contentar com salsichas e almôndegas como os outros.

Vai fazer joguinhos sujos com esse idiota para outro sítio.

- Cala-te! - São pervertidos, pascácio!

Com eles, nunca fiando!

Olha para o cabelo oleoso e longo dele e o penteado à rapaz dela.

Boa sorte a distinguir quem é o homem e quem é a mulher!

Não está calor cá dentro?

Vamos à outra loja.

Até sexta.

No meu sonho, estavas lá

Numa canção de amor Levada pelos ventos

Eu vi um desejo

No teu olhar

E vi que, quando chegaste,

Foste parada e virada

Houve um carinho

No teu olhar

Fica comigo, fica um pouco

Dá-me a tua mão por um segundo

Sempre que te vejo

Parece um sonho E imploro-te

Fica um pouco, dorme no meu braço

A brisa é calma e a noite é quente

A vida é íntima

Quando estás por perto

- Raios, não apontes! - Vais convidá-la para dançar?

Calma, estou na boa.

Corpo e alma...

- Corpo e alma! - Cala-te!

Ela está a dançar com o Ragnar.

Ragnar!

Ela não está a dançar com ele, está a segurá-lo.

Olá.

- Sabes dançar o swing? - O quê?

Sabes dançar o swing?

Fixe.

Também tenho um, mas o meu é maior.

- Já convidaste a Fanny para dançar? - Não, não sei... Ela...

Tens de convidá-la agora, ou terás de me convidar a mim.

Ela...

Não.

O Ragnar só gira numa direção, sinto-me enjoada.

- Como estão? - Bem. O Mårten quer dançar.

Se te convidasse para dançar, o que dizias?

- Ele aceitava. - Queres dançar?

- Eu fico com o casaco. - Obrigado.

Bem, Mårten, escolhe. Queres dançar assim ou assim?

Bem, eu não...

- Danças bem. - Obrigado.

- Estava bom. - Aonde vais?

Vou ver a Lucky. Não deve faltar muito para parir o potro.

- Agora? - Sim.

Mas íamos dançar.

- Porque haveríamos de fazer isso? - Porquê?

Porque o Mårten levou a Fanny ao baile. Temos de ficar de olho nele.

Ainda não te caiu a ficha? Não entendes?

Sabes o que se passa, mas ainda não disseste nada ao Mårten.

Porque é que ainda não lhe contaste?

Devias ter-lhe contado há um ano.

E queres ir ver a Lucky!

És inacreditável!

Estás a planear ficar aqui sentado?

Já terminaste?

Devia ser tão óbvio como o nariz que tens na cara...

... que este assunto é mais complicado do que parece.

- É aí que quero chegar! - Deixa-me acabar!

Claro, fala à vontade. Força.

Não posso pensar só em mim, tenho de pensar na quinta.

Tenho de pensar... em ti.

Desde quando pensas em alguém para além de ti?

- Posso terminar? - Só pensas em ti.

- Nunca no Mårten ou em mim. - Falei com a Fanny.

Ela assegurou-me

de que consegue lidar com o Mårten.

Não vai acontecer nada entre eles.

Se não confias no teu próprio filho, devias ter deduzido

que a Fanny não se envolveria com o próprio irmão.

Achas que confio na Fanny? Ou no Mårten?

Ou, acima de tudo, em ti? Não confio nos homens.

São todos iguais. Mesmo que confiasse na Fanny, não confio no Mårten.

Afinal, é teu filho. É igualzinho a ti.

Os homens são todos iguais. Fica sabendo

que me arrependo de ter casado contigo. Não prestas!

Sabes bem o que se passa nesses bailes.

Nos carros... Mamas, uísque e tudo.

Depois, vão enrolar-se no... Exatamente como tu e a Alice!

Em 30 anos, não o esqueci. Sei o que fizeste.

Tu e o Mårten são iguais. Vê-se que é igualzinho a ti.

- O que estás a fazer? - O quê?

- O que estás a tentar fazer? - Nada...

Estás bêbado e tonto de dançar.

Mas, Fanny...

Queres beijar-me?

Sim, não, talvez. Não sei...

Está bem. Beija-me só aqui.

- É onde se beija uma irmã. - Exatamente!

O que queres dizer?

Por falar em irmãs, onde está a Vendela?

Em Gotemburgo, acho eu.

Porque falas nela? Queres falar do teu irmão?

- Não tenho um irmão? - Não?

Estás a gozar comigo?

Só estava a brincar.

Sabes de algo que eu deva saber?

Não. O que poderia saber?

Quer dizer, se há falatório... As pessoas falam...

- Sabes, falar... - Toda a gente fala disso.

- Toda a gente? - Sabes como este sítio é.

Não se falou de outra coisa durante a semana.

Só falta o Henning falar nisso na missa.

Como é que te faz sentir?

- É bom... - Bom?

É compreensível que queiram ver a família.

Mas eu não acredito.

Nem se atrevem a ir ao mercado em Ulricehamn.

O Gottfrid já nem vai à igreja.

Como achas que os ias convencer a ir aos EUA?

O que foi? Foi algo que eu disse?

Não, é demasiado complicado para explicar...

Mas de certeza que os convenço a iram aos EUA.

- Acho que não consegues. - Têm de ver o irmão.

- Queres apostar? - Se ganhar, o que ganho?

- O que é que ganho? - O que queres?

És tão bonita...

Queres um beijo?

Se ganhares...

- Já ganhei. - Não tenhas tanta certeza!

Vou convencê-los a irem aos EUA, ou não me chamo Fanny!

Bem, Ivar, estamos em Nova Iorque...

E Sven... Sven...

Olha...

Ivar! Alguma vez viste algo assim?

A TV não lhe faz justiça.

Fanny, obrigado por sugerires isto.

E tu também, Zac. Sven...

- É incrível. - Isto é que é rápido.

É incrível. Ivar...

Acreditas que estamos aqui? Estamos mesmo aqui.

Ivar, já viste os edifícios?

Quantos andares têm? Devem ser centenas...

É incrível...

Não, nunca imaginei isto.

Meu Deus... Tenho de perguntar.

Vives mesmo aqui?

Nossa Senhora...

É aqui que ele vive?

Bem, chegámos!

É humilde, mas não há nada como a nossa casa.

O que incomoda a mãe?

Nada.

Algo se passa. Comemos salsichas a semana toda.

Está bem, algo se passa.

O quê? Com a Vendela?

Se for, eu vou buscá-la.

Não tem nada que ver com a Vendela.

Então, o que se passa?

Tem que ver contigo.

Comigo?

Sei que sou problemático. Se é pelo jipe, eu pago.

É mais grave do que isso.

Se é sobre tu e a mãe...

Bem, não faças nada estúpido, pai.

Sou teu filho. Não sou um miúdo, fala comigo.

A sério.

Sven, isto é para ti.

Obrigado.

Vou ver o que é.

Bela caixa!

Põe-no na mesa.

Ele quer que o ponha na mesa.

- Mas, Ivar... - Vamos usá-los.

- Não aguentam. - Sim...

Como funciona?

Mas a questão é...

- Podes pô-lo ao pescoço. - Sim.

É suposto pô-lo ao pescoço e, depois...

Começamos já a beber?

Só um pouco.

Para. Está bom.

Segura bem, Gotte.

Aqui vai o primeiro Canta "hup fol-de-rol la la la la"

Aqui vai o primeiro Canta "hup fol-de-rol la la la la"

Quem não beber primeiro Nunca mais apagará a sede

Aqui vai o primeiro...

Canta "hup fol-de-rol la la!"

É saboroso!

É forte, não é?

Sven, traduz isto.

Esta bengala era do nosso pai.

Os amigos ofereceram-lha quando ele fez 50 anos.

Ele deu-ma porque eu precisava dela.

Gostava que ficasses com ela em memória do nosso pai.

Esta foi a prenda de 50 anos do seu pai.

E agora, o Gottfrid quer que fique com ela. É sua.

Era do seu pai.

Obrigado, irmão!

Sim...

- Isto merece... - Outro shot.

- Vamos beber vinho ao jantar... - Pronto.

Não nos dês na cabeça. Serve-me outro.

Dá-me um...

Mais uma vez, meu irmão

Mais uma vez, meu amigo

- Saúde! - Saúde!

Aqui estão os mandriões.

- Sentados a pensar. - Alguém tem de o fazer.

Sim.

É bom ver-te, para variar, Eva.

Agora, é empregada de pessoas ricas.

- Vens buscar-me à noite, querido? - Claro, querida.

Dormiste bem?

Ver-vos faz uma pessoa ter pena da humanidade.

Ragnar...

Conduz com cuidado...

... querido.

Foi o cão, ou peidaste-te?

Aquele otário...

- Como será que estão? - Quem?

O Gottfrid e o Ivar.

Devem estar a tomar o pequeno-almoço.

Lá, deve ser de noite.

Como eu disse, a jantar.

É a única altura em que o Ivar abre a matraca.

Não é, Elvis?

Aqui vai o navio a vapor

Saúde!

- Devia ir ver o Gottfrid. - Porquê?

- Pode cair do telhado. - Está tão contente que voava.

- Queres ajuda? - Fica de olho na garrafa.

O Gotte já fez algumas coisas. Meu Deus...

Tentei convencê-lo a virmos cá.

Diz-lhe que tentei.

Passou a vida toda a tentar convencer o Gottfrid a vir cá.

Ainda bem que conseguiste.

Está contente por teres conseguido.

Onde está a Fanny?

Fanny...

Trazer-nos cá

foi a melhor coisa que já nos aconteceu.

Pensar que planeaste isto emociona-me.

E pensar que o Ivar não queria vir...

Tens sido incrível.

Ajudaste-me a convencer o Ivar.

Pronto.

Como será que estão?

Olha, perdi peso, Rut.

Nova Iorque...

É um sítio horrível, acontece muita coisa má.

- É ir longe demais. - Alvejam-se uns aos outros...

- É o que passa na TV. - Só vês as más notícias.

Vivi lá seis meses e não aconteceu nada.

- Nunca disseste que estiveste lá. - Ninguém perguntou.

Em Harlem.

A sério? Em Harlem?

Só vivem lá pessoas de cor, não podemos sair do carro...

Rut...

... gostava de te mostrar o mundo.

Estás livre em setembro?

Não!

Fecho a igreja. Ninguém vem à missa e não.

Sim...

O Axel não teria saudades tuas, pois não?

- Sim... - Aceita, Rut.

Não...

Eu pago.

- Não... - Sim.

- Estás louco. - Decide-te.

Amanhã, pode ser tarde demais.

Vá lá, Rut, aceita.

Imagina que aceitava. O que farias?

Fanny, podes perguntar ao Sven o que vamos visitar primeiro?

- O que vamos fazer hoje? - Andar de barco!

Vamos ver a Estátua da Liberdade!

- Aonde vamos? - Ver a Estátua da Liberdade.

Já a vimos muitas vezes na TV.

- Sim! - E vamos ter um jantar fantástico.

E vamos a um restaurante.

Não vamos a um restaurante há anos.

Gostam de comida indiana?

Qual foi a pergunta?

Se gostam de comida indiana.

Como assim, peles-vermelhas?

Não, os indianos que usam turbantes.

Sim.

Acho que nunca provaram.

- Eu adoro. - Bem...

Odeio comida indiana. Mas ele adora.

O que achas do café?

- Dá para regar as plantas. - É estranho.

Porque o café vem da América.

- O que disse ele? - Está a falar do café.

Tem um belo piano.

A minha esposa tocava muito bem.

Eu não toco. Ainda o afino duas vezes por ano.

É pena. Ninguém toca desde que ela faleceu.

- Não leves a faca à boca. - É bom, devias experimentar.

O Sven contou-nos que a Dot tocava piano,

que ele ainda o afina duas vezes por ano e que está triste...

Ele acha que é pena ninguém o tocar.

O Gottfrid sabe tocar piano.

O Gottfrid toca piano.

Que disparate. Em casa, toco órgão...

- Não tens de tocar nos pedais. - Fazes-me parecer um palhaço.

Gottfrid, porque não tocas para nós?

O Sven quer que toques para nós.

O Sven quer que eu toque?

- O quê? - O que quer que ele toque?

Algo sueco! A tua música preferida!

A tua música preferida.

Está bem.

O Sven quer ouvir-me tocar.

Bem, vou tocar.

- Vou arranjar-me. - E ocupar a casa de banho durante horas?

Para com isso...

Tens de ouvir o Gottfrid.

- Tenho? - Sim, tens.

Cuidado nas escadas.

As flores vão começar a desabrochar

Com luxúria e grande beleza

Consigo tocar-lhe?

É Nova Iorque.

O que achas, Ivar?

Olá! Sou eu!

Não! A sério? Que divertido! Ótimo!

Não, o Zac não se importa!

Tudo bem...

Está bem... Até daqui a dez minutos!

Adeus!

- Quem era? - O José. Ele vem connosco.

Como pudeste dizer que não me importo que ele venha?

- Não se vai calar sobre o nosso programa. - Nem vai tocar nesse assunto.

Ele não fala de mais nada!

O que tem?

- Podemos ir a outro sítio? - Ele chega daqui a dez minutos.

Queres que lhe diga que não queremos estar com ele?

- Íamos dançar. - Sim, por isso não vamos falar.

Vá lá, não te armas em velha rabugenta.

- Como assim? - Pareces uma velha.

Não quero ir.

- Não vens? - Não.

Queres que vá sozinha?

- Vou sozinha? - Sim.

- Queres mesmo que vá sozinha? - Sim, vai sozinha!

Às vezes, és patético!

Olha, o meu homem melancólico. Pareces deprimido,

a tocar ao piano.

Quando vais aprender a tocar?

- São 4 horas. - Era pior se fossem 5 horas.

- Como vieste para casa? - A pé.

Meu Deus, és louca!

Já estive em Nova Iorque. Sei-me orientar na cidade.

A verdade é que me roubaram a carteira e não pude chamar um táxi.

Vamos ver uma coisa.

Qual é a primeira coisa em que pensas quando pensas em cabaré?

- No Mestre de Cerimónias. - Claro.

Mas qual é a segunda coisa em que pensas?

Na Liza Minnelli.

É certo que não te pareces com ela.

Muito obrigada!

Acho-me muito parecida com ela com o cabelo curto.

Vim a pé, a pensar na cidade e na Liza Minnelli.

Esse filme passa-se em Berlim.

- Mas ela cantou sobre Nova Iorque. - Nesse, não.

O West Side Story - Amor Sem Barreiras é sobre Nova Iorque.

- Mas a Liza Minnelli não entra nesse. - Pois não.

Estávamos a falar sobre isso, sabes...

Estávamos a falar disso, e ele elogiou o meu cabelo curto.

- Disse que eu parecia a Liza... - Quem?

Quem achas?

Do homem do elevador. De quem achas?

Posso dizer-te uma coisa?

Não devias sequer perguntar a opinião dele.

Não há ninguém com menos caráter.

Não tem princípios nenhuns, é um idiota de merda.

Fala o homem que teve um caso com ele há seis meses.

- Foi um erro. - Todos os teus casos são erros.

Não podemos ir ali ou acolá porque vive lá algum erro.

Tens erros em todo o lado.

Só resta a Quinta do anjo. Temos de nos mudar para Yxared.

Não há lá erros. Ou há?

Anima-te! Porque és tão aborrecido e pretensioso?

Passas seis horas na casa de banho a criar essa personagem misteriosa.

Se as pessoas soubessem como és aborrecido...!

Em todo o caso, falámos da Liza. Ouve-me!

Ele disse-me que pareço ela, e até é uma boa ideia.

A cena do Dietrich ardeu, só nos resta as tetas em balão

E como vamos mudar o programa, podemos incluir coisas da Liza.

Fanny, o que...

Porque falaram em mudar o espetáculo?

Falei do fiasco em Düsseldorf.

A sério?

Houve um fiasco em Düsseldorf.

- Düsseldorf foi um grande fiasco. - Não foi nada.

Só com sete pessoas no teatro, é um fiasco.

- Estavam 27 pessoas. - Então, 20 deviam estar na casa de banho.

Tenho razão ou tenho razão? Não pareço a Judy Garland?

Só preciso de mamas maiores.

Mas é a vida. Tu tens um nariz grande, eu tenho mamas pequenas.

- Algum problema com o vestido? - Estou a tentar parecer a Liza.

- Estou a tentar mostrar-te. - Estou a ver...

O que estamos a fazer em Nova Iorque?

- Boa pergunta. Eu sei o que faço aqui. - Eu também.

Estou aqui para ajudar a Fanny a voltar a fazer de heroína.

- Nunca pedi para vires comigo. - Claro, só presumiste que vinha.

Se não gostas, compra um bilhete para outro sítio.

Vai visitar um dos teus amigos de que tanto te gabas.

Comete outro erro.

Querida Fanny,

lamento fazer isto,

mas é a única forma.

Não consegui dizer-to na cara, seria demasiado doloroso.

Está na altura de nos separarmos.

Se calhar tomámo-nos como algo garantido.

Se calhar, não percebeste o que realmente quero.

Talvez não tenha sido claro.

Ontem à noite, tornou-se claro que não podemos continuar como irmãos.

Não está a funcionar.

Para mim, o jogo foi longe demais.

Amo-te e quero que sejas feliz.

É melhor eu partir.

Perdoa-me por partir assim, mas não havia outra forma.

Vou até Albuquerque visitar o Lester, o homem que conhecemos em Madrid.

Tens razão, o espetáculo está malfeito.

Cantamos as mesmas músicas uma e outra vez, é sempre o mesmo...

Menti sobre o concerto em Viena.

O Kurt deve ter-lhes falado de Düsseldorf, por isso cancelaram.

Não te preocupes comigo, mas pensa em mim de vez em quando.

Talvez nos voltemos a ver.

Amo-te, agora e sempre...

Zac.

Porquê complicar tanto as coisas?

Ele vai voltar.

Ele vai voltar, prometo.

- Desta vez, não. - Vai.

Há pessoas que são feitas umas para as outras, como tu e o Zac.

- É por isso que ele vai voltar. - Tu e eu fomos feitos um para o outro.

Sim, exatamente.

Porque nunca casaste? Terias sido um pai maravilhoso.

Assim como o Ivar.

Sim, claro...

Ele ainda não falou contigo?

Ele tentou, mas ainda não disse nada ao certo.

Então, tens de te chegar à frente e dizer:

"Sou tua filha, ou não?"

Ele não consegue dizê-lo.

Não se decide a fazê-lo.

Terás de ser tu a descobrir..

- Hoje, é um dia difícil, Rut. - É?

Sabes, és tão bom nisto, os teus sermões são os melhores.

Toda a gente o diz. A igreja não está cheia,

mas estão cá 20 pessoas. Já fui ver.

Finalmente. Dissemos às e meia.

Já cá estou.

O Henning começa sempre a horas.

Então, o que foi?

O quê?

- Disseste que querias falar. - Sim, é...

É sobre a tua irmã.

Queres falar sobre a Vendela?

Não é sobre a Vendela...

É sobre a Fanny.

- Disseste que era sobre a minha irmã. - Exatamente...

Sabes,

há muito tempo que tento dizer-te isto...

Poucos anos antes de nasceres...

... a Alice e eu tivemos...

O quê?

Foi só uma vez.

Mas que raio?

A missa vai começar.

O que faria sem ti, Rut?

Seria igual.

- Para... - Não quero.

Para!

Não...

- Rut, por favor... - Não!

- É impossível. - Vai correr tudo bem...

Não haverá problema.

- Henning... - Rut...

Para!

A mãe sabe?

É estranho ele ainda não ter começado.

Não podes contar-me algo assim e fechares-te em copas.

Não entendes que te amo?

Eu amo-te.

Aqui não. Agora não. Noutra altura...

Por favor, Henning. Para.

O Axel e o Mårten, o meu filho, estão lá fora.

Senta-te e recompõe-te.

Eu saio primeiro.

Tu sais depois.

A Terra adornada com mantos verdejantes

Envia louvores para o Céu

Enquanto ventos leves Sopram flores perfumadas

Ivar, conta ao Sven.

A Fanny pode traduzir.

Bem, o vendedor porta-a-porta conheceu o chefe da polícia

e o chefe da polícia perguntou-lhe como estava tudo a correr.

Mas o vendedor achou que não era nada com ele e disse:

"Há dias em que não vendo nada

e há dias que vendo o dobro!"

- Traduz! - Não percebi a piada.

Não percebeste?

"Há dias que não vendo nada

e há dias que vendo o dobro."

O dobro de nada...

A das primaveras!

O Gottfrid quer que contes a das primaveras.

O vendedor ganhou algum dinheiro e apanhou o comboio para casa.

O comboio parou na estação e ficou lá muito tempo.

O vendedor fartou-se, virou-se para o maquinista

e perguntou se podia ir colher primaveras.

"Não há primaveras," disse o maquinista.

"Não importa," disse o vendedor, "Eu tenho sementes."

Deixa-me contar uma...

Porque não há bailarinas polacas?

Conta-lhe a piada das primaveras.

A das primaveras... Adoro essa.

Como estás, Gottfrid?

Bem.

Estamos a divertir-nos.

A das primaveras, conta essa.

Essa é a melhor...

Queres ir descansar um pouco?

Estou bem, não se passa nada.

Se estás cansado, vai descansar, Ivar.

Se estás demasiado cansado para contar a piada das primaveras...

Estávamos a divertir-nos tanto... Tanto...

Ele... Ele teve um ataque cardíaco.

Fomos ao hospital, e ele faleceu lá.

O Gottfrid faleceu.

Não...

Não.

- Como estás, Ivar? - Bem.

Levantem...

Estou a caminho daquela cidade

Onde os pecados andam na rua

E a árvore da vida resplandece

E onde as rosas nunca murcham

Aqui, as rosas nunca murcham

Não há frio que as destrua

Estou a caminho de uma cidade

Onde as rosas nunca murcham

Encontrámos dificuldades

E o diabo está cá para seduzir

Mas, na cidade, não há tentações

Onde as rosas nunca murcham

Aqui, as rosas nunca murcham

Não há frio que as destrua

Estou a caminho de uma cidade

Onde as rosas...

... nunca murcham...

Gottfrid...

... Alvar Pettersson.

Vieste, finalmente, à missa.

Não te interessavas muito pela religião

e a casa do Senhor.

Devias pensar: "Porque haveria de ir à missa?"

E é verdade. Porque haveria ele de cá vir?

Desculpe.

Porque haveria ele de cá vir?

Ele que personificava e encarnava

tudo o que são o cristianismo e o amor.

O Gottfrid...

... não obedecia a ordens ou decretos.

Ele obedecia ao coração.

Um coração puro e verdadeiro.

E cheio de amor pelo outro.

Um coração...

... que o guiou pela alegria e pela tristeza.

Um coração aberto ao milagre a que chamamos vida.

Eu vou buscá-lo.

És igual à tua mãe.

Ver-te deixa-me feliz.

O Gotte dava-me na cabeça por nunca dizer o que queria dizer.

E acho que ele tinha razão.

Acho que dizes o que é necessário.

A Alice e eu íamos casar.

O Erik achou

que eu não era o homem certo, mas ele estava errado.

E depois, ela foi embora.

Mas tu estás aqui.

E vás para onde fores, sei que existes,

e isso chega-me.

A última vez que vi o Gottfrid...

... foi há umas semanas, aqui,

quando veio a nossa casa jantar.

Foi aí que a Fanny teve a ideia de irmos aos EUA.

Foi muito importante para o Gottfrid.

E eu achei...

... que seria a oportunidade para...

Mas talvez esta seja a altura certa...

... para revelar um segredo...

... que eu, que nós, guardámos por muito tempo.

Sabem...

Eu continuo.

É...

É difícil falar sobre uma pessoa que dignificou tanto para mim.

Há um ano, não conhecia o Gottfrid e o Ivar.

Mas, durante o último ano...

Mesmo que tenham sido só uns meses,

o Gottfrid e eu aproximámo-nos.

Eu sei que o Gottfrid gostaria...

Se ele estivesse aqui, diria para me calar.

Que a vida continua, para não ser tão sentimental.

Mas sei que ele gostaria que contasse o seu segredo.

Só o sei há um ano.

O Gottfrid não era só mais uma pessoa.

Ele era mesmo meu tio.

Eu encontrei o meu pai.

O Ivar.

Axel,

vou tentar perdoar-te...

Mas é algo que carrego há 30 anos, não vai ser fácil.

E mais uma coisa.

Há...

... outro homem.

E ele pediu-me para ir viajar com ele.

Eu senti-me tentada.

Mas prometi-te...

Que dia.

- Obrigada por teres vindo. - Tinha de vir.

Mas não vou ficar.

- Não vou ficar... - Amanhã, vou embora.

- Para onde? - Para Viena.

- Conseguimos o contrato? - Eu consegui.

Como assim? Sozinho?

Vou fazer um espetáculo novo.

Estou a falar com os Black Magic.

Os Black Magic?

Esses velhos gordos e nojentos. Eles nem sabem cantar.

- Mas dançam bem. - Quando não estão bêbados.

Fanny, já não há lugar para mim na tua vida.

Como assim?

Porque não me falaste do Ivar?

- Era complicado. - Mais uma razão para me contares.

Era tão complicado que nem eu sabia a verdade.

O Ivar é o teu pai?

- O Ivar é mesmo o teu pai? - Porque perguntas?

Não seria a minha aposta.

- Quem achavas que era? - O Axel.

- O que escrevi foi sincero. - Vamos esquecer essa carta.

Eu li-a, mas não imagino a vida sem ti.

A Quinta do Anjo, o Ivar, tudo... Sem ti aqui, nada importa!

- Eu amo-te. - E eu amo-te a ti.

Eu amo-te mesmo.

Amo-te a sério, entendes?

Não percebes? És a minha vida.

Acabaram os segredos?

Sim.

Acabaram os segredos.

Há uma coisa que podias fazer por mim.

- O quê? - Fazer a barba.

Podes fazer isso, não?

Não ficas bem de barba.

Tens a certeza sobre o Ivar?

Sim.

- E quanto a assinares isto? - Sim. Onde assino?

Sim...

Vou levar estes...

- O que estás a fazer? - A ver se fiz bem.

Claro... Não mudaste nada.

Para quieto para eu conseguir escrever.

O que é isto? Acordámos os 11 milhões.

Disseste que o preço baixou. Seis milhões chegam-me.

As pessoas dizem sempre que sou sovina.

- Mas nunca engano os meus. - Exatamente.

Vai lá. Tenho de me despedir do meu pai. E tenho um barco para apanhar.

Será que um dia te vou perceber, querida?

Espero que não.

- Vemo-nos no Natal. - Na casa nova?

Exatamente.

Ivar,

precisamos de lenha.

Se passar cá amanhã, tomamos café na cozinha.

Está bem, parece-me bem.

Daqui a 30 anos, passo lá para outro café.

- Traz o teu irmão. - Este jovem vai carregá-la.

Olha,

manda cumprimentos à Rut e agradece-lhe por cantar.

Assim farei.

Adeus.

Tudo de bom!

Deste-lhes o nosso itinerário e os nossos números, certo?

Está tudo pronto? Depois, ligamos e falamos.

Sim, está tratado.

Quanto tempo vai ficar?

Uma semana, dez dias.

Quero garantir que ele está bem.

Podes obrigá-lo a ir a Viena ver a nossa estreia?

Ele estará lá.

Garanto-te.

Estaremos lá os dois.

Ótimo.

O Sven disse-me que vão a Viena juntos. Dentro de umas semanas.

Se é o que o Sven diz...

Oferece-lhe daquele licor verde, e terão uma viagem alegre.

Não, nunca mais compro disso.

Vais ficar bem?

Fanny, minha querida...

... agora que o destino me deu uma filha, vou ficar bem.

E tu, conduz com cuidado. Isto é mercadoria valiosa.

Eu vou a conduzir, e ele também é valioso.

- Vemo-nos por aí! - Sem dúvida!

Em Viena!

Adeus por agora.

Muito obrigado. Ainda bem que veio cá.

Foi um prazer.

A si também.

Ivar?

Quando voltarmos, queremos a casa quente.

Está bem. Vou falar com os bombeiros para o fazer em condições.

Que verão este...

Espero que ela conduza com cuidado.

Bem, lá vai ela! A tua filha, a minha sobrinha favorita.

Sven...

... tenho de te ensinar sueco.

Ivar...

... não faço ideia do que estás a dizer.

Mas vamos entender-nos.

Eu ensino-te inglês.

Espero que não comece a chover.

NUNCA TE ESQUECEREI, FANNY

Tenho outro segredo.

Não. O que foi?

- Não sei há muito tempo... - O que foi?

Isto pode ser um choque...

Estou grávida.

A sério? Quem é o pai?

Boa pergunta.

Foi uma pergunta parva. Eu sou o pai, tu a condutora.

Agora, conduz, para chegarmos a Viena a horas.

Legendas: Joana Miranda

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