All language subtitles for Marcial Maciel - The Wolf of God (2025)

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Original subtitles

JACKSONVILLE, FL�RIDA 30 DE JANEIRO DE 2008

Boa noite, bem-vindos � CNN em espanhol.

Hoje vamos falar sobre Marcial Maciel,

fundador dos Legion�rios de Cristo, que morreu aos 87 anos.

Esta � a fam�lia do Padre Maciel.

Reunidos aqui hoje, cerca de 12 a 15 mil pessoas,

que querem se despedir.

No mundo inteiro, nos 40 pa�ses onde a Legi�o est� presente

est� acontecendo o mesmo.

O Padre Maciel morreu como um cat�lico.

N�s sabemos que ele recebia a Comunh�o e a Confiss�o quase todo dia.

Diz a hist�ria que, nos dias em que ele estava morrendo,

os Legion�rios de Cristo queriam que ele estivesse em paz e fosse para o C�u.

E, para isso, voc� precisa se confessar.

Mas, evidentemente, ele n�o sabia por onde come�ar,

e n�o tinha nenhuma inten��o de confessar para quem estava l�

o que ele fez na vida.

Ele era um homem que...

havia perdido a f�.

Acho que at� podemos questionar se ele j� teve f�.

Ele estava espumando pela boca

com a raiva que sentiu

quando pediram para ele falar sobre todas as atrocidades que cometeu.

Ent�o, os Legion�rios confirmaram as suspeitas

de que Marcial Maciel estava possu�do.

PAPA FRANCISCO CONDENA MACIEL: "ELE � UM HOMEM MUITO DOENTE"

Quando Marcial Maciel morreu, os Legion�rios de Cristo

tinham uma renda anual de quase 600 milh�es de d�lares.

Isso � o dobro do or�amento anual do Estado do Vaticano.

Os Legion�rios de Cristo e o Regnum Christi

s�o hoje uma realidade em mais de 20 pa�ses no mundo.

Temos dezenas de milhares de pupilos e estudantes.

Os Legion�rios de Cristo criaram uma s�rie de institui��es educacionais,

e assim diversificaram os investimentos.

Isso significa imigrar para um para�so fiscal.

Essa organiza��o � uma m�quina de dinheiro.

� uma seita t�o enganadora quanto voc� possa imaginar.

Talvez mais do que possamos imaginar.

Voc� pode ver, voc� pode sentir, os Legion�rios est�o presentes!

O poder de Marcial Maciel

estava diretamente ligado aos la�os dele com o Vaticano.

Isso era principalmente

por causa da quantidade de dinheiro que os Legion�rios de Cristo traziam,

e ouso dizer que ainda trazem,

para a figura de Maciel ser intoc�vel.

Eu quero dar as boas-vindas ao Padre Marcial Maciel.

Infelizmente ele conseguiu enganar muita gente,

apesar de que algumas pessoas poderiam saber ou suspeitar de algo.

Marcial Maciel era um homem de muitas faces.

Ele fingia ser agente da CIA.

Com outros, ele era especialista em educa��o.

Ele era muito charmoso com as mulheres,

e ele seduzia os homens para prop�sitos sexuais.

Ele mudava de nome, se disfar�ava.

Ele era um camale�o.

Uma das identidades que assumiu foi de homem de fam�lia,

aparecendo com a filha dele sem revelar que era filha dele.

As coisas aconteciam na frente de todo mundo.

Os abusos sexuais dele, o v�cio em drogas...

Acho que eu percebi que houve dois momentos

onde ele definitivamente estava sob o efeito de alguma subst�ncia.

Eu sabia que ele era viciado em morfina, sabia que era viciado.

Os Legion�rios de Cristo reconheceram

que Marcial Maciel abusou sexualmente

de pelo menos 60 menores.

Ele abusou de adolescentes,

pessoas mais velhas,

dos pr�prios filhos...

Um dos maiores prazeres era t�-los � merc� dele.

V�-los humilhados,

e depois jog�-los fora.

Maciel quebrou

cada uma das regras que ele dizia acreditar.

Acho que, ao longo do s�culo XX,

Maciel foi o maior criminoso da Igreja Cat�lica.

E igualmente, quem mais arrecadou para ela.

Acho que a grande pergunta �:

Como � poss�vel

que um homem que tenha cometido tantos crimes e atrocidades

por mais de 70 anos

possa ter morrido na maior impunidade?

Agora, me diga uma coisa,

quando teve um problema, por exemplo, um problema moral?

Quando?

Nem perto, nem longe, nem nunca.

MARCIAL MACIEL: O LOBO DE DEUS

Marcial Maciel nasceu em 10 de mar�o de 1920,

em Cotija, Michoac�n, M�xico.

Ele s� estudou at� o 3o ano do ensino fundamental,

e foi possivelmente a �nica educa��o formal

que ele recebeu na vida.

Quanto ao contexto familiar dele,

Marcial Maciel � uma figura um pouco dissonante,

porque ele � afeminado.

Isso o levou a ser v�tima de bullying e agress�es

pelo pai e pelo irm�o,

e ficou muito apegado � m�e.

Um dia, o pai dele, que era muito...

era o t�pico mach�o, fazendeiro,

decidiu mand�-lo com os carreteiros para ele virar homem.

Junto de Maciel foi um amigo dele.

Anos depois, esse homem falou

sobre como os dois foram abusados pelos carreteiros.

E ele descreveu uma cena muito dram�tica do Maciel

que, chorando, disse ao amigo:

"Meu pai vai achar que eu provoquei eles.

Ele vai me matar."

Essa conting�ncia levou ele ao momento

onde ele decidiu entrar para o semin�rio.

Porque era o �nico jeito de escapar dessa pris�o.

Maciel procura um tio,

e pede para entrar no semin�rio dele.

Mas logo

ele teve uma vis�o.

E, nessa vis�o, ele viu muitos padres.

E ele interpreta a vis�o como um chamado divino

para come�ar uma congrega��o.

Isso vira um tipo de obsess�o para Maciel,

e ele come�a a recrutar homens jovens.

O bispo disse para ele que primeiro teria que aprender

e se tornar padre,

antes de come�ar esse grupo que ele queria fundar.

Algu�m chegar a um lugar e querer levar pessoas de l�

vai contra a pr�xis e contra a �tica cat�lica.

O bispo levou um tempo at� decidir expuls�-lo,

remover a fruta podre para n�o contaminar as outras.

Ent�o Maciel procurou um outro tio,

e a hist�ria se repete.

Maciel tentou formar a legi�o dele de novo,

e al�m disso ele foi pego na cama com um dos seminaristas,

ent�o Padre Valner mandou imediatamente expuls�-lo do semin�rio.

O estranho foi que o reitor nem o deixou se despedir dos colegas.

Ele foi expulso durante a noite.

O semin�rio de Montezuma

mandou uma carta

para v�rios semin�rios: "N�o recebam esse jovem."

Marcial Maciel, sabendo que n�o seria aceito em um semin�rio,

se volta para um terceiro tio bispo,

e entra em um acordo com o tio dele,

bispo Gonz�lez Arias, onde ele estudaria em casa.

Um fato que d� in�cio a uma longa lista

de irregularidades, anomalias.

O sonho que ele tinha com seu tio Rafael,

de come�ar a pr�pria congrega��o religiosa,

ele realiza em muito pouco tempo.

E o que chama a aten��o � que ele s� tinha 21 anos.

Maciel j� estava recrutando rapazes em El Baj�o

para a congrega��o dele.

Na �poca, eu era uma esp�cie de coordenador de mensagens

entre o capel�o e os membros dos Escoteiros.

Naquele dia, Padre Miguel me pediu para levar um recado at� eles,

e eu levei.

Eu voltei,

fui ao escrit�rio dele na par�quia

e vi dois homens vestidos de preto na sala dele.

No momento, um dos padres que estavam l� perguntou ao Padre Miguel:

"Ser� que ele aqui seria um bom candidato?"

E Maciel olha para mim e diz: "Veja,

eu estou juntando rapazes para um semin�rio na Cidade do M�xico,

onde eu tenho piscina,

campo de futebol, quadra de basquete...

Voc� quer vir?"

Eu falei: "Sim, eu quero."

"Certo, ent�o vamos falar com seu pai."

Padre Maciel falou com meu pai, que disse:

"Se puder esperar,

minha esposa vai fazer uma mala, e a� voc� pode lev�-lo."

ADAPTA��O | REVIS�O | SINCRONIA: QUER SE JUNTAR A N�S? | loschulosteam@gmail.com

N�s chegamos �s 22h.

Fomos levados imediatamente para um dormit�rio.

Foi a primeira vez que fiquei longe da minha fam�lia. Eu tinha 10 anos.

Longe da minha m�e, do meu pai, dos meus irm�os.

Da minha casa.

Como � poss�vel um homem com pouco mais de 20 anos

ir para essas cidades pequenas

e pegar meninos de 9, 10, 11, 12 anos,

e os pais simplesmente os entregarem para ele?

Marcial Maciel j� estava decididamente tentando

formar a congrega��o religiosa dele,

ent�o ele come�a a procurar por doadores.

Ele era um mestre da atua��o.

Ele come�a a criar para si uma imagem de santo.

Logo fica claro que ele tinha uma grande habilidade

de seduzir pessoas de classe alta

para conseguir dinheiro.

Com um perfil muito espec�fico: Vi�vas mais velhas.

Uma das primeiras mulheres, uma muito importante,

� Talita Retes,

que d� um espa�o f�sico para ele.

Talita Retes era muito religiosa,

e Maciel era um homem atraente,

com um carisma tremendo.

Ent�o ele a convenceu facilmente

que ele estava empenhado em fundar uma congrega��o de mission�rios

para salvar a humanidade.

V�DEO INSTITUCIONAL

Ele reuniu 12 rapazes...

O n�mero n�o era coincid�ncia.

S�o 12 ap�stolos de Jesus, 12 tribos de Israel...

E com apoio e prote��o do tio dele Francisco Gonz�lez Arias

e da Talita Retes, ele funda a congrega��o

que ainda n�o se chamava Legion�rios de Cristo.

O que importa aqui � ver a forma portentosa

com a qual Deus d� cada passo para realizar a obra d'Ele,

atrav�s do instrumento que Ele escolheu,

que sou eu.

MISSA DE ORDENA��O 26 DE NOVEMBRO DE 1944

Maciel foi ordenado em 1944,

e a ordena��o sacerdotal agora finalmente d� a ele

a autoridade formal e oficial

para poder encabe�ar esse grupo,

que, pelas leis da Igreja, ainda n�o era uma congrega��o.

Era uma tentativa de congrega��o.

Havia um caminho para Maciel poder fund�-la.

NOTICI�RIO MEXICANO E.M.A.

EXTRA! NOVO PRESIDENTE DO M�XICO!

Com um recorde de informa��o cinematogr�fica,

o Notici�rio Mexicano EMA apresenta ao p�blico deste cinema

uma pr�via do ato hist�rico da posse presidencial.

O novo presidente do M�xico, o Sr. Miguel Alem�n Vald�z,

acompanhado pelos colaboradores, entra na c�mara oficial.

1 DE DEZEMBRO DE 1946

T�nhamos um novo presidente, um homem como Miguel Alem�n,

nosso primeiro presidente n�o-militar, o primeiro civil.

E ele tinha uma vis�o: Fazer neg�cios.

Maciel viu isso,

e come�ou a se envolver com pessoas com muito dinheiro

da �poca,

e acho que ele tamb�m come�a a entender

muitos mecanismos da burguesia mexicana.

A primeira empresa que Marcial Maciel cria

se chama Fuentes Brotantes.

E era uma empresa especialmente importante,

porque era, de certa forma, a semente

da qual derivariam um grande n�mero de propriedades

que depois seriam adquiridas e administradas pelos Legion�rios.

GRANDE HOTEL ONTANEDA ESPANHA

COL�GIO M�XIMO ROMA

INSTITUTO CUMBRES CIDADE DO M�XICO

UNIVERSIDADE AN�HUAC M�XICO

CENTRO NOVICIADO MONTERREY

UNIVERSIDADE MAYAB M�XICO

FACULDADE DE HUMANIDADES CONNECTICUT

Tem uma hist�ria onde Maciel

estava arrecadando dinheiro para comprar...

Para dar o pr�ximo passo, que era comprar a Vila Morones.

Ele pede a um homem rico, chamado Barroso,

para fazer um cheque de 50.000 pesos

e dar para ele.

Mas o acordo dele com esse rico

era s� encena��o.

Ele dava o cheque para Maciel, mas s� para pegar de volta depois.

S� para convencer os outros a doarem dinheiro.

Ent�o, com aquele cheque, todos come�aram a preencher cheques.

E dizem que arrecadaram dinheiro suficiente

para pagar um milh�o de pesos por aquela vila.

E em honra do Papa Eugenio Pacelli, Pio XII,

ele a nomeou "Vila Pacelli".

Quando chegamos a essa grande mans�o, Vila Pacelli,

obviamente ficamos muito impressionados, porque era um quarteir�o inteiro.

Tinha tr�s grupos de constru��es,

um lago artificial com barcos a remo,

uma bela piscina...

VILA PACELLI

Tinha uma ponte que era uma r�plica da Ponte dos Suspiros em Veneza,

tinha cedros alt�ssimos,

um teatro!

Quadra de t�nis,

boliche,

est�bulos...

Era uma mans�o.

Na Vila Pacelli, �ramos 30 apost�licos,

ou seja, seminaristas mais jovens,

entre 10 e 13 a 14 anos.

A escola Madero 12 ainda era uma certa fraude,

porque prometeram a Juan Jos� Vaca uma piscina que ainda n�o existia,

mas na Vila Pacelli isso era realidade.

J� podiam oferecer aos rapazes um lugar id�lico, de sonhos,

para virarem padres.

Eu lembro que o �nico incidente que aconteceu naquela �poca

foi quando o Padre Ferreira

quis ver como eu lavava as minhas partes �ntimas.

Ele me levou ao quarto dele, me colocou na cama

e disse: "Vamos ver se voc� est� infectado."

Eu fiquei terrivelmente horrorizado

quando eu vi esse padre, que era meu reitor, meu confessor,

olhando meu membro viril

e me mostrando...

Ele me levou ao banheiro dele para me ensinar como lavar.

�s vezes...

ele ouvia minha confiss�o me colocando no colo dele.

Depois, refletindo sobre isso,

eu lembrei que sentia a ere��o dele.

O que vos fala � cidad�o mexicano, nascido em Altos de Jalisco, M�xico,

em 1939,

que, pelas origens da fam�lia e seus interesses,

gostava da ideia de seus filhos entrando para o servi�o da Igreja.

Eu cheguei � Vila Pacelli

em uma sexta, 3 de dezembro de 1948.

Eu tinha quase 10 anos.

A pessoa que atendeu a porta foi Juan Jos� Vaca Rodr�guez,

que chegou com uma lamparina,

porque fazia tanto sil�ncio e estava t�o escuro em Tlalpan

que a pessoa que abria a porta precisava andar por toda a propriedade.

Eu lembro de abrir a porta e encontrar um menino, quase da minha idade,

um pouco mais jovem,

e de repente o Padre Ferreira chega e diz:

"Olha, pegue nosso novo candidato

e mostre tudo para ele."

Ent�o mostrei a capela, o refeit�rio, as salas de estudos

e o dormit�rio.

E aquele primeiro encontro pareceu ter sido memor�vel para Pepe Barba.

�s 5h30: Acordar, se preparar.

�s 6h: Primeiras ora��es, todos para a capela.

Depois disso, a missa.

Depois das 7h: Caf� da manh�.

Sair para ter a primeira aula...

Prepara��o de aula �s 8h, durante uma hora.

E depois a primeira aula �s 9h.

Nosso programa, apesar de estarmos no M�xico,

era um programa espanhol.

O sistema human�stico, dos Jesu�tas de Comillas,

que treinaram em Cambridge e Oxford,

era como uma inspira��o para toda a Am�rica Latina.

Maciel teve um golpe de sorte,

um padre Jesu�ta, Padre Baeza,

veio ao M�xico

para oferecer vagas

na Universidade Pontif�cia Comillas.

Ele disse: "N�s, Jesu�tas, temos uma universidade �tima..."

Era uma universidade muito importante.

Era chamada de "Oxford Ib�rica".

E ele disse: "Podemos receber seminaristas mexicanos."

Ele tinha uma grande habilidade para seduzir pessoas

e, ao mesmo tempo,

uma grande habilidade para tirar vantagem

do que soci�logos chamam pomposamente de "janelas de oportunidade".

Ent�o Marcial Maciel diz:

"Essa � minha chance de pular do M�xico para a Espanha."

Era 1946, logo ap�s o fim da Segunda Guerra Mundial.

Milh�es de pessoas estavam mortas, e a Europa em ru�nas.

Tudo precisava ser reconstru�do.

E a Espanha permanecia como um reduto do fascismo.

MADRI, ESPANHA

O General Franco chega � avenida que tem o nome dele,

cercado por sua escolta.

E o povo de Madri, representando o sentimento espanhol,

oferece um tributo fervente.

Toda a cidade est� vibrando com exalta��o patri�tica.

O que Marcial Maciel j� tinha

era a possibilidade de levar os seminaristas dele para Comillas,

mas ele precisava de duas coisas.

Primeira: Bolsas de estudo.

Porque uma coisa � n�o precisar pagar a mensalidade,

e outra s�o os custos de vida em uma universidade estrangeira.

A segunda coisa era como levar os meninos para a Espanha.

Bem, Alberto Mart�n Artajo, Min. De Rela��es Exteriores da �poca,

foi de certa forma a liga��o

que aproximou os Legion�rios do regime de Franco.

O Franquismo espanhol tinha inten��o

de focar a pol�tica externa para a Am�rica Latina,

e Alberto Mart�n Artajo consegue passagens para ele

no navio do Marqu�s de Comillas.

"Sr. Marqu�s, temos aqui o Padre Maciel,

que quer bolsas de estudo para Comillas."

E ele disse: "Bom, pode trazer nos navios da minha empresa

quantos alunos voc� quiser

para a Espanha, de gra�a."

E quando estava falando com o Marqu�s, eu pensei em falar:

"Sabe, Sr. Marqu�s,

eu ainda n�o tenho um lugar

para alojar meus rapazes."

Isso mostra o n�vel que Maciel estava alcan�ando

entre as maiores personalidades,

e isso continuou praticamente at� a morte dele.

Ele dizia muitas vezes

que n�o conseguia entender

como ele, sendo o Ministro de Rela��es Exteriores,

e da forma como ele era, com seu treinamento e personalidade,

como p�de...

Como p�de ter sido enganado t�o facilmente

por um padre de 26 anos.

Um grupo de cerca de 20 bolsistas dos legion�rios

embarcaram, junto de Maciel,

e l� eles come�aram a expandir a sua presen�a

com o apoio de Franco.

UNIVERSIDADE COMILLAS ESPANHA

O grupo chega em Comillas, e a mesma coisa que havia acontecido

nos semin�rios de Xalapa e Montezuma se repete.

Ou seja, Maciel come�a a roubar talentos.

Estudantes, seminaristas...

Maciel come�a a recrut�-los, porque ele precisa...

Ele levou jovens,

mas ainda precisava de uma estrutura de autoridades e professores

que j� estavam treinados.

Ent�o � um roubo grave, certo?

A quest�o � que, em pouco tempo,

os Jesu�tas de Comillas j� diziam: "N�o gostamos mais disso",

e come�aram a pressionar Maciel e os legion�rios para irem embora.

Mas ainda deixavam eles assistirem �s aulas em Comillas.

Ent�o foram para um lugar pr�ximo, a oito quil�metros, C�breces.

CIDADE DO M�XICO

Minha rela��o com Maciel aumentou progressivamente.

Foi devagar.

Devagar, porque percebi que Maciel era o fundador do grupo

que me tirou da minha cidade, da minha fam�lia,

e eu era um dos favoritos dele.

T�nhamos uma forma de apre�o,

pelo que significava ele ser o fundador do grupo.

Tamb�m come�amos a ver um certo carisma espiritual.

A forma como rezava a missa, ele se transfigurava.

Ele fazia de uma forma que, hoje, eu chamaria de teatral.

Marcial Maciel agora era padre.

E ele viajava,

recrutava voca��es

e captava recursos.

Ele era uma presen�a intermitente na Vila Pacelli.

Mas faltava acontecer uma coisa muito importante:

O Vaticano ainda precisava reconhecer o grupo

como uma congrega��o.

Maciel disse que estava rezando um dia,

e o Esp�rito Santo o chamou e disse:

"Hoje. Hoje.

Hoje � o dia de fundar a congrega��o."

N�o foi uma apari��o, n�o foi uma revela��o,

mas n�o foi s� uma simples luz.

Era uma mo��o do Esp�rito Santo,

porque eu sentia a necessidade urgente

de ver o Bispo de Cuernavaca,

e pedir a ele naquele dia,

naquele mesmo dia, para fazer a inaugura��o can�nica.

Ent�o, rapidamente, atendendo a este chamado,

ele vai at� Cuernavaca e convence o bispo

a celebrar a missa para iniciar a congrega��o.

E ele mudou o nome.

Era "Mission�rios do Sagrado Cora��o e Nossa Senhora das Dores".

Ele escolhe um nome que pega melhor,

uma marca: A Legi�o de Cristo.

Naquele momento, nasceu a crian�a.

Canonicamente, a congrega��o era algu�m.

Todo o grupo que estava flutuando l�,

seminaristas, novi�os e tudo mais,

agora eram algu�m.

Reconhecidos canonicamente pela Igreja.

Mas o que � importante nisso?

Que oficialmente, no dia seguinte,

ele recebeu uma carta do Vaticano dizendo:

"Suspendam.

Temos coisas para investigar,

porque existem reclama��es

sobre o comportamento nesses semin�rios

que levantam quest�es."

A FORMA DE RECRUTAR JOVENS

N�O PARECIA SEMPRE A RECOMEND�VEL

CONDUTA AMORAL

E aqui precisamos nos perguntar

se houve a comunica��o direta, como ele falou,

com o Esp�rito Santo,

ou se, de forma mais mundana e vulgar,

ele subornou de forma habilidosa os funcion�rios dos correios.

Ele identificou, ele sentiu astutamente

quem tinha acesso a informa��es importantes,

mesmo que estivesse em um n�vel menor na burocracia,

e, em troca, de suborno, eles adiantam informa��es para ele.

Isso � uma coisa que ele ia fazer durante toda a carreira.

Ele n�o tinha limites.

CIDADE DO M�XICO

Eu estava no terceiro grupo, certo?

O terceiro grupo escolhido por Maciel para ir � Espanha.

Fomos de �nibus da Cidade do M�xico at� Veracruz,

e bem cedo no outro dia embarcamos no navio Magallanes,

o navio do Marqu�s de Comillas.

Maciel j� estava voando na �poca.

Literalmente, ele ia de avi�o.

Mas era muito caro levar os meninos de avi�o.

N�s passamos tr�s dias em Havana,

e ent�o continuamos a viagem at� Nova York.

Eu lembro de uma lua gigante atr�s dos arranha-c�us.

E continuamos viajando at� a Espanha.

ESPANHA

Quando desembarcamos, Maciel j� estava l�.

De l�, fomos de �nibus at� a Universidade de Comillas.

Era um outono agrad�vel.

Um dia ensolarado, paisagem bonita,

campos abertos, planta��es, pastos...

Colinas, montanhas...

O cheiro era maravilhoso.

Era perto do mar.

Eu tinha orgulho por ser parte do grupo,

e por estar indo

para um dos melhores centros de aprendizado eclesi�stico.

Na �poca era o n�mero um da Espanha,

e um dos melhores da Europa.

Como eu estava t�o longe da minha fam�lia,

Maciel estava come�ando a virar uma figura paterna e materna para mim.

Ele n�o era s� uma figura de autoridade, como padre e fundador,

mas tamb�m substituiu meu pai como figura paterna.

Eu estava come�ando a sentir por ele

um amor e afeto especial.

Esse salto transatl�ntico

foi fundamental para os Legion�rios de Cristo,

porque permite a Maciel

o controle total sobre os seminaristas.

Porque eles estavam longe de suas fam�lias,

a milhares de quil�metros de suas fam�lias,

e iriam depender completamente de Maciel.

Maciel os fornecia comida,

abrigo, estudos, direcionamento espiritual,

e estava nas m�os de Maciel a possibilidade

de virarem padres ou n�o.

DEZEMBRO

� noite, ap�s terminarmos nossas ora��es noturnas,

t�nhamos que ficar em completo sil�ncio.

Eu estava na cama, tentando dormir,

quando um dos meus colegas me disse:

"Mon P�re quer ver voc�."

Era como cham�vamos o Padre Maciel, "Mon P�re",

que � "nosso pai" em franc�s.

Minha primeira impress�o foi...

muito especial.

"Por que ele me chamaria, nessas horas de sil�ncio absoluto,

para ir at� o quarto dele?"

Um quarto onde eu nunca tinha ido.

E Tarsicio disse:

"V� direto para a cama dele,

onde nosso pai est� aguardando voc�.

Mon P�re."

Eu abri a porta bem silenciosamente, bem cuidadosamente...

Com um certo medo,

eu via a escurid�o ao redor.

Com uma voz quebrada, quase como se sentisse dor,

ele diz: "Venha aqui. Venha aqui.

Venha aqui.

Sente-se aqui na minha cama."

AS OPINI�ES EXPRESSADAS NESTE PROGRAMA S�O PESSOAIS

E N�O REPRESENTAM AS OPINI�ES DA WARNER BROS. DISCOVERY INC.

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