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Original subtitles

Legendas: Fred Cipriano

sU-Boots - de volta � guerra -

MADRID, NOVEMBRO, 1934

O JOGADOR DE XADREZ

Baseado no livro "El jugador de ajedrez"

Escrito e adaptado por JULIO CASTEDO

Com licen�a.

Qual deles � o campe�o invicto?

Voc� n�o fez sua li��o de casa.

Voc� est� prestes a testemunhar um momento hist�rico.

Sim, claro.

Moreno, o campe�o,

� aquele que parece que est� ganhando a partida.

Est� jogando com de branco.

Ele s� precisa de um empate para manter o t�tulo.

Parece que encurralou o nerd.

O desafiante,

Diego Padilla.

Merda!

Ent�o n�o estou no lugar certo.

Estou do lado do perdedor.

Isso � o que todos pensam.

Padilla sabe que Moreno s� precisa de um empate.

Mas tamb�m sabe que o campe�o

vai tentar a vit�ria.

E que sua ambi��o tamb�m ser� seu t�mulo.

Isso � ruim para o nerd.

�s vezes voc� tem que fazer sacrif�cios.

Padilla vai ganhar?

Mate em seis movimentos.

Vamos fazer um brinde.

Obrigado. Aqui.

Ao campe�o.

De onde voc� �, Marianne?

Pensei que ele seria o entrevistado.

Diego � o melhor jogador do mundo.

Um g�nio.

� tudo o que precisa saber.

Exagerei?

O que acha da situa��o atual em seu pa�s?

N�o sou um pol�tico.

Nem os pol�ticos me interessam.

Mas voc� deve ter uma opini�o sobre o que est� acontecendo.

Os mineiros nas Ast�rias, Catalunha...

Sou apenas um jogador de xadrez.

Desculpe por desapont�-la.

Pessoas apol�ticas, como voc�, s�o �teis pros conservadores.

Voc� os ajuda a alcan�ar o poder.

Se est� tentando despertar minha consci�ncia pol�tica,

voc� n�o ter� sucesso.

Vamos tomar outra rodada.

Vamos.

- Dois daiquiris. - Sim senhor.

Voc� vai assust�-la.

N�o se preocupe, vou embora.

N�o, eu vou embora.

Voc�? N�o gostou da Marianne?

E voc� n�o?

Claro, por que n�o gostaria?

Mas eu me apaixono a cada semana.

E ela est� interessada em voc�.

Isso � imposs�vel.

Pare de fingir que � mais chato do que realmente �.

V� l� e diga a ela

algo interessante.

Um dia voc� pode at� me agradecer.

E Javier?

Ele teve que sair.

� um homem muito ocupado.

Por que veio trabalhar na Espanha?

Nunca h� apenas uma raz�o para mudar de vida.

Estava fugindo de alguma coisa?

Talvez o que eu tinha n�o era bom para mim.

Al�m disso,

eu gosto do seu pa�s.

Esse n�o � o costume aqui.

Vamos, n�o gosto de ser rejeitada.

O que voc� est� dizendo?

Estou falando de direitos b�sicos.

Quais direitos? Voc�s s�o comunistas!

Querem trazer o comunismo pra Espanha

e n�o sabem o que isso significa.

- Cavalheiros, por favor. - Seu fascista de merda!

N�o quero nenhuma discuss�o, principalmente sobre pol�tica.

Vamos para um outro lugar.

Pose para a foto.

MAR�O 1936

Fa�a-nos sair bem na foto.

- Sem tremido. - Fiquem im�veis.

A� est�.

- Parab�ns. - Obrigado.

Como est�o as coisas?

Muito mal.

As coisas est�o prestes a explodir.

- Os militares entrar�o? - Quem vai saber.

PROIBIDO PASSAR! DEFENDAMOS MADRID!

NOVEMBRO, 1936

Empurre!

- Quem �? - Sou eu.

- Tudo bem? - Nada ainda.

Vamos, um pouco mais!

Vamos!

Vamos!

Aqui est�!

� uma menina, t�o saud�vel e forte quanto a m�e.

Sua afilhada.

Como voc� est�?

Bem.

Ela � bonita.

Xeque-mate.

ABRIL, 1940

Ofere�o a voc� um empate.

- Voc� tem certeza? - Sim.

Sim, Major.

A situa��o permite um empate.

Ent�o, eu estou honrado.

Um empate.

Compreenda meu entusiasmo, Padilla.

� a primeira vez que empatamos.

H� quanto tempo temos jogado? Mais de 6 meses?

Hoje voc� jogou de forma muito diferente do que 6 meses atr�s.

Gra�as a voc�, professor.

De qualquer forma, espero venc�-lo algum dia.

Tudo pode acontecer.

N�o vamos sonhar com o imposs�vel.

Padilla.

Gostaria que jogasse novamente no campeonato nacional.

Para nos representar perante o mundo

e ganhar pr�mios para a Espanha.

Eu ficaria honrado, Major.

Sei que voc� vai nos orgulhar.

H� apenas um problema burocr�tico, mas resolveremos.

E me d� um ma�o.

Ok, at� amanh�.

- Parab�ns pelo seu empate. - Obrigado, Juanita.

Ent�o voc� teve um empate com o Major Hernandez.

As not�cias correm r�pido.

Aquele fascista teria que renascer

para conseguir empatar com voc�.

N�o tente me enganar. Voc� o deixou empatar.

Voc� � quem sabe.

Mas eu o humilharia toda as vezes.

Sem chance para o inimigo.

- Hernandez n�o � uma m� pessoa. - N�o com voc�.

Vamos, vou te pagar uma ta�a de vinho.

Obrigado, Paco.

Mais tarde, n�s vamos para a loja do Martin.

Isso � arriscado.

Temos que fazer algo, as coisas n�o podem continuar assim.

Pessoas importantes estar�o l�. Por que voc� n�o vem?

Javier, desista. Voc� sabe oque eu penso.

A loja � segura.

E precisamos de pessoas como voc�.

Pessoas sem registro que os militares n�o suspeitar�o.

A guerra acabou. Ponha isso na sua cabe�a.

Voc� n�o vai fazer nada?

As pessoas s� falam bobagens nessas reuni�es.

Ficam fantasiando sobre a R�ssia

e a revolu��o do proletariado. E n�o sou comunista.

Nem eu.

Mas a oposi��o ao fascismo deve estar unida.

H� tamb�m socialistas, anarquistas, liberais...

Trata-se de uma causa comum.

Eu gostaria de poder te ajudar

e ver essa sociedade livre que voc� fala.

Mas tenho medo de perder a nossa chance antes da guerra.

N�o � igual a 1934, a luta � muito diferente agora.

Algumas pessoas s� querem se vingar.

H� todos os tipos de pessoas, eu sei.

Mas o objetivo comum � restaurar a democracia.

E quanto mais pessoas formos,

mais f�cil ser� expulsar os extremistas.

Voc� � muito idealista.

Ao apol�tico.

Ao teimoso.

Este...

� o Rei.

Como ele � muito velho,

ele s� pode dar um passo a cada vez.

Mas quando ele est� no comando,

ele pode ir aonde quiser.

Esta � a Torre.

� muito, muito forte.

E este...

� meu favorito. O Cavalo.

O �nico que pode saltar sobre as outras pe�as.

Todos elas?

Todos elas. Veja.

Margaux, iremos para o parque?

Vamos deixar papai pensar em algumas novas jogadas.

Diga adeus ao papai.

- Adeus! - E em franc�s?

- Au revoir, papa. - Adeus.

Seja gentil com a mam�e.

Te vejo em breve.

Meu querido Pierre. Preciso de sua ajuda, por favor.

Ache um emprego para mim na Fran�a.

N�o consigo mais ficar nesse pa�s louco.

Diego ainda est� trabalhando para os fascistas por migalhas

e n�o consigo encontrar trabalho.

Por favor me ajude.

Se eu conseguir um trabalho na Fran�a,

Posso convencer o meu marido a vir comigo.

�s vezes acho que estou fazendo Marianne infeliz.

N�o seja bobo.

Ela te ama, mesmo que voc� ainda n�o acredite.

Tenho medo de pensar que ela estaria melhor com Pierre.

Por que diz isso?

Ela ainda escreve para ele.

Isso � normal, eles s�o bons amigos.

Talvez eu n�o esteja � altura das expectativas dela.

Isso � bobagem.

N�o se torture.

Ela continua me pedindo para mudar para a Fran�a.

Isso n�o me espanta. Isso aqui � uma ratoeira.

S� h� espa�o para pessoas que pensam como elas,

ou c�nicos que podem fingir o dia todo.

Sabia que prenderam o Julian?

N�o, eu n�o sabia. Do que eles o acusam?

N�o de mais. Contrabando.

Ir�o solt�-lo ir.

Teriam que prender metade de Madri.

Talvez voc� possa intervir.

Com o Major Hernandez?

N�o � um bom momento.

Me pediu para me juntar � Falange,

para que eu possa jogar o torneio espanhol de xadrez.

E eu disse que n�o.

Voc� ousou dizer n�o!

Venha jantar esta noite.

Voc� pode ver a menina e alegrar a Marianne.

Hoje � noite eu n�o posso.

Outra reuni�o.

Temos que fazer algo, Diego.

E tem que ser voc�.

Voc� j� se exp�s demais, Javier.

A guerra foi longa e as fam�lias est�o arruinadas.

- N�o haver� uma revolu��o. - N�o posso desistir.

E ficar submisso. N�o quero viver assim.

S� estou preocupado com voc�.

Se for pego, poder� ser executado.

Tenho que ir.

A prop�sito, pode levar uma mensagem a Marianne por mim?

Diga.

Nada importante.

Se � verdade o que disse sobre ela se cansar de voc�,

Diga a ela que ainda sou solteiro.

- At� amanh�, Don Juan. - Te vejo amanh�.

E aquela garotinha que era t�o loira e bonita quanto voc�,

disse a seu pai que n�o podia dormir, porque estava assustada.

E seu pai disse:

"Se voc� sonhar com o papai, nada de mal acontecer� a voc�".

E assim ela fez. E nunca mais dormiu com medo outra vez.

Eu te amo.

Boa noite.

Ela j� est� dormindo.

Ela perguntou sobre voc� a tarde toda.

Pelo menos uma das minhas duas mulheres se preocupa comigo.

Voc� ver� quando ela tiver 15 anos.

O que vai acontecer?

Ela n�o vai mais dar aten��o a voc�.

Veremos se n�o.

Al�m disso,

eu sempre a terei

Pensei que fossemos amigos.

N�o compreendo.

Eu n�o te tratei bem?

Claro que sim.

Comigo e com minha fam�lia.

Ent�o, por que escondeu sua amizade

com Javier Sanchez Medina de mim?

Com Javier?

Ele � um amigo de inf�ncia.

E um revolucion�rio.

Um vermelho!

Eu n�o sei do que voc� est� falando.

Ganhar de mim no xadrez n�o te d� o direito

de insultar minha intelig�ncia.

Seu amigo morreu ontem em uma incurs�o.

Tentou fugir e foi baleado.

Agora eles estar�o em algum escrit�rio fazendo as conex�es.

Mais cedo ou mais tarde, eles ir�o atr�s de voc�.

E n�o poderei ajud�-lo.

A prop�sito,

voc� e eu n�o nos vimos hoje.

MAIO, 1940

O sacrif�cio da Rainha.

� uma honra, Sr. Padilla,

te-lo aqui em nossa federa��o.

O que posso fazer por voc�?

Preciso trabalhar.

Jogando.

Ensinando. Qualquer coisa.

Voc� pode ver que n�o estamos passando por um bom momento.

A metade da Europa est� em guerra

e a outra metade,

esperando.

Eu aceito qualquer coisa.

Me desculpe, mestre.

Talvez quando as coisas mudarem.

Ent�o, nesse caso, n�o ocuparrei mais o seu tempo.

Foi um prazer.

Aqui na federa��o

estudamos muito suas jogadas.

Obrigado.

Adeus.

Vamos pegar a mam�e no trabalho e fazer uma surpresa?

- Sim. - Sim?

HITLER INVADE A HOLANDA

Jornal Le Petit, por favor.

Obrigado.

Bom dia.

- Bom dia. - Um buqu� de rosas, por favor.

Ol�!

Ol� docinho.

Ol�.

Pensei que n�o chegaria.

Mudei de trajeto depois da escola.

Fui ao caf� com algumas amigas no Place des Abbesses.

Al�m disso, n�o h� nada de mais em voc�s dois me esperando.

Isso faz voc� querer me ver mais.

Quais s�o essas rosas?

N�s fomos passear esta manh�

e eu os comprei para voc�.

Eu estava com Pierre.

Em uma cafeteria.

Ele veio me buscar depois da escola.

Agradeci-lhe por me conseguir o trabalho.

Coloque-os em um vaso.

Eles murcham rapidamente sem �gua.

AGOSTO, 1940

Pare!

Voc� vai tirar nossa fotografia.

Sente-se para a foto.

Venha aqui.

Muito bom, sim.

Sim.

PRECISA-SE DE EMPREGADO

- Bom dia senhor. - Bom dia.

Como posso ajud�-lo?

Eu vi o aviso l� fora.

Estou procurando trabalho.

Ah, o aviso.

O garoto que trabalhava pra mim desapareceu durante a noite.

Voc� sabe como s�o os jovens.

Voc� � judeu?

N�o, sou espanhol.

Minha esposa � francesa.

Ah, espanhol.

Isso � �timo.

Sou um grande admirador do general Franco.

Ele faz um excelente servi�o ao seu pa�s.

Espero que voc� n�o seja um daqueles comunistas

que cruzaram ilegalmente a fronteira.

N�o senhor.

Mas mesmo que eu fosse, isso n�o seria da sua conta.

Bom dia, senhores.

Por favor, fiquem a vontade.

Gostou desse?

V� em frente e toque.

N�o brinquem na mesa.

Podemos ir ao Campo de Marte amanh�.

Tenho certeza que ser� um lindo dia.

Pode ser.

N�o parece muito entusiasmado. Algo errado?

Digamos...

Eu estou surpreso.

Se refere aos alem�es?

O que eles fizeram agora?

Me refiro a voc�.

Eu?

Fiz algo que te incomodou?

Sua dupla moral.

N�o tenho dupla moral.

Sim, voc� tem.

Como o vendedor do antiquario que me perguntou

se eu era comunista ou judeu.

Ou como as meninas nos terra�os

flertando com os alem�es.

Voc�s foram invadidos e agem como se nada tivesse acontecido.

Voc� me pediu para sair da Espanha

porque n�o poderia viver sob um regime fascista.

E agora parece � vontade entre os nazistas.

Voc� est� muito errado.

N�s franceses odiamos os nazistas

e temos envergonha desta situa��o.

Mas n�o h� nada que possamos fazer.

�s vezes n�o h� nada que se possa fazer.

Me desculpe se n�o sou t�o corajosa quanto voc� pensava.

Abra a porta!

Abra, � a pol�cia!

Boa noite senhor.

O espanhol Diego Padillo mora neste domic�lio?

Sim, eu sou Diego Padilla.

Me mostre seus documentos.

N�o os tenho comigo. Eles est�o no quarto.

V� busc�-los.

Um momento.

Venha conosco.

H� algum um problema?

Voc� deve nos acompanhar at� a prefeitura. Vamos.

Espere, o que � isso? Ele n�o fez nada de errado.

� uma verifica��o rotineira de documentos.

Eu voltarei em breve.

N�o se preocupe, meus documentos est�o em ordem.

RELAT�RIO POLICIAL

Coloque seus pertences na mesa.

O rel�gio e o anel tamb�m.

Dispa-se.

- Bom dia, Sophie. - Bom dia.

O Sr. Pierre Boileau est� aqui.

Ok.

� melhor me esperar aqui, Marianne.

Sr. Lambert...

Por favor, espere aqui.

Nome, nacionalidade, profiss�o.

Diego Padilla, espanhol.

Jogador de xadrez.

Com que m�o voc� joga?

Com a direita.

Jogar xadrez n�o � uma profiss�o.

Tamb�m trabalhei como gerente em um armaz�m.

Por que deixou o seu pa�s?

Minha esposa � francesa. Ela queria trabalhar aqui.

Voc� � um espi�o?

N�o.

Diga a ele que n�o sou espi�o!

Por favor!

Diga � ele!

Por favor!

Por favor!

Por favor!

Tudo certo?

Precisaremos dispor de dinheiro, sabe como essas coisas s�o.

Mas tudo est� arranjado.

Obrigada.

Obrigada.

Podemos ir?

Trouxemos um prisioneiro.

E ent�o a m�e esquilo diz � sua filhote:

"N�o suba nesta �rvore. Ela � muito alta."

"Voc� pode cair."

Quando o papai vai voltar?

Em breve, filhinha.

Vamos dormir.

Boa noite.

Continue.

Voc� � espanhol, n�o �?

Sim.

Somos os �nicos espanh�is aqui.

Os demais s�o franceses,

acusados de serem espi�es ou sabotadores.

De onde voc� �?

Madrid.

Sou de Toledo.

Eu estava na mil�cia popular. E voc�?

Me desculpe.

Eu fa�o muitas perguntas.

� que n�o falo com algu�m j� h� muito tempo...

Quer um pouco?

Obrigado.

Quando tudo estava perdido, me escondi nas montanhas.

Ent�o vim para a Fran�a lutar contra os nazistas, mas...

me pegaram logo em seguida.

N�o lutou o bastante?

Parece que voc� tamb�m n�o.

Por que te prenderam?

N�o sei.

N�o conseguiria dizer nada depois da surra que tomou.

Meu nome � Pablo.

Diego.

H� uma mulher em sua vida.

Algu�m chamada Marianne.

- Voc� deve realmente am�-la. - Como voc� sabe?

Voc� fala sobre ela nos seus sonhos.

Voc� tem filhos?

Uma garota de quatro anos.

O nome dela � Margaux.

Voc� � casado?

Minha esposa foi morta por uma granada.

N�o tivemos tempo para ter filhos.

- Sinto muito. - N�o.

O que fez aos nazistas para te prenderem aqui?

Eu n�o sei.

S�rio, n�o tenho ideia.

Nem sei que tipo de pris�o � essa.

Esta � a Central da SS de Paris.

Supostamente, n�s ter�amos informa��es que eles querem.

Nos torturar�o at� consiguir o que querem ou nos matar�o.

Somos inimigos do 3� Reich.

Vamos pra casa, querida.

E o papai?

Tenho certeza que ele sair� amanh�.

Madame... Madame!

Eu disse para n�o entrar.

Desculpe, senhor...

Est� tudo bem, Sophie. Nos deixe a s�s.

- Por favor, sente-se. - Sr. Lambert.

Ontem passei a tarde toda do lado de fora da pris�o

na chuva com a minha filha, porque voc� mentiu para n�s.

- Isso est� incorreto. - Incorreto?

� correto pegar dinheiro para subornar os alem�es?

Te dei todas as minhas economias e n�o tenho mais nada.

Me pediu para esperar pelo Diego porque ele iria ser libertado?

Isso tamb�m � correto?

Se voc� � homem,

honre seu acordo com o Pierre Boileau

e solte meu marido imediatamente.

As coisas n�o s�o t�o simples assim, senhora.

Especialmente com os alem�es.

Acredite, fiz tudo que estava ao meu alcance

para soltar o seu marido.

E isso me incomoda,

duvidar da minha palavra.

Um sargento nazista pegou o dinheiro e me disse

que o prisioneiro seria libertado ontem a tarde.

Liguei esta manh� para verificar.

Lamento ter que te informar,

mas seu marido foi...

Executado.

Sophie, venha aqui.

O prefeito me avisou. Vim imediatamente para te pegar.

A culpa foi minha.

Fui eu que o fiz vir para essa maldita cidade.

Ele n�o queria, eu o obriguei.

N�o, a culpa n�o � sua.

N�o � culpa de ningu�m, Marianne.

� essa guerra terr�vel.

O que vou dizer a Margaux?

N�o se preocupe com isso agora. N�o se preocupe com mais nada.

Eu cuidarei de voc�s duas.

Tivemos uma discuss�o.

No dia em que o levaram.

Seu �ltimo momento comigo foi uma maldita discuss�o!

Por favor, me leve pra casa.

Quero chorar pelo meu marido sozinha.

Robert Andrezowski.

Arthur Belvezet.

Alfred Thiebault.

Raoul Manesse.

Raoul Manesse.

Raoul Manesse.

Raoul Manesse!

Raoul Manesse?

Esse � o Raoul Manesse.

� ele.

Por favor, n�o atire!

Voc� � o Raoul Manesse?

Voc� deve obedecer a esses bastardos.

Onde eles os levam?

Ao pelot�o de fuzilamento.

Boa noite meu amor.

Boa noite. Vou sonhar com o papai.

Sim, eu sei, n�o paguei o aluguel.

Sinto muito. Me d� mais alguns dias.

�st� dif�cil para todos, madame.

Lamento o que aconteceu com o seu marido,

mas tamb�m tenho uma fam�lia para alimentar.

Por favor, me d� 2 ou 3 dias. Eu vou arranjar o dinheiro.

Ok, mais tr�s dias.

E nem um dia mais. Se n�o pode me pagar,

voc�s ter�o que sair.

Bernard Herbet.

Jacques Lecomte.

Charles Bardon.

Maxime Courdant.

Quando eu sair daqui, vou pra Am�rica do Sul.

Para o Chile ou a Argentina.

Pegarei um navio mercante para um lugar onde ningu�m me conhece.

Recome�arei minha vida longe desta Europa cheia de fan�ticos.

Vou montar um neg�cio.

Uma alfaiataria.

Meu pai me ensinou o of�cio e eu fui um bom aprendiz.

"Confec��es Merida".

O que voc� acha?

Vai dar tudo certo.

Voc� ver�.

Eu adorava o meu pai.

Foi ele quem me ensinou a jogar xadrez quando eu era pequeno.

Ele sempre me dizia:

"Voc� ser� um campe�o".

Mas n�o viveu pra testemunhar.

Morreu quando eu tinha 12 anos.

Agora eu s� quero ir pra casa e ficar com minha esposa.

E ver a minha filha crescer.

Pode ver que n�o sou um homem com grandes planos.

H� algo de estranho em voc�.

N�o consigo descobrir, mas acho que voc� � uma boa pessoa.

Muito bom para tempos como estes.

Diego Padilla.

Diego.

N�o lhes d� nenhuma satisfa��o.

Nome, nacionalidade, profiss�o.

Diego Padilla.

Espanhol.

Gerente de armaz�m.

Voc� n�o � um jogador de xadrez?

Pensei que n�o considerasse isso como profiss�o.

Jogue.

Parece que voc� ganhou.

Voc� ainda n�o perdeu.

Muito bem.

Vamos ver como.

Obrigado.

Voc� tem que ser forte, Marianne.

N�o pude sequer enterr�-lo.

Eu sei.

Pedi v�rias vezes o seu corpo �s autoridades,

mas o Coronel da SS, um homem chamado Maier, recusou.

Se eu insistir, vou acabar os irritando,

e acho que isso na� seja bom para n�s.

Estou muito grata por tudo o que est� fazendo.

N�o quero que continue assumindo riscos.

Farei qualquer coisa que voc� pedir, Marianne.

Confie em mim.

Preciso de dinheiro, Pierre.

N�o posso pagar o meu aluguel.

Farei algo melhor.

Queria lhe perguntar antes. Sei que ainda � recente,

mas eu gostaria que voc� e Margaux viessem e morar aqui.

Voc�s seriam minhas convidadas.

Quero que voc� tenha tudo o que precisa.

Voc� � muito bom para n�s.

Muito obrigado.

Mas n�o posso fazer isso.

Voc� tem raz�o.

� muito cedo.

Te vejo em breve.

Voc� estava certo.

Admito que voc� me surpreendeu.

Empate.

Leve esse homem para a cela.

Kauffman!

Sem viol�ncia.

- O que houve, voc� est� bem? - Sim.

N�o fizeram nada com voc�?

Me interrogaram outra vez.

N�o te torturaram?

Isso � estranho.

- N�o acredita em mim? - S� disse que � estranho.

N�o queria estar enganado sobre voc�.

Na verdade, queriam que eu jogasse xadrez.

Xadrez?

Voc� tem outro?

O rei move uma casa de cada vez.

Claro, porque ele tem gota.

O que eu n�o entendi sobre ontem � quanto o movimento do pe�o.

O pe�o s� avan�a se n�o houver outra pessa na sua frente.

Um pe�o fugitivo.

Camille Gerbaud.

Jean-Luc Phillip Moreau.

Marcel Gandriaux.

Trago o prisioneiro.

Anton Bruckner.

O maior escritor sinf�nico depois de Beethoven.

Aquele pequeno austr�aco tinha apenas um defeito.

Sua religiosidade.

Voc� � religioso?

N�o vou � igreja h� muito tempo.

N�o tenha medo de responder.

Esta � s� uma conversa entre dois homens civilizados.

Voc� acredita em Deus?

Sim, sou cat�lica.

Ent�o voc� acha...

que tem uma alma imortal

e se voc� agir de acordo com os mandamentos,

ser� eternamente recompensado no c�u.

A f� � dif�cil de explicar.

E ainda mais dif�cil de entender

quando um homem inteligente a tem.

N�o acredito em Deus.

N�o est� em seu ou em nenhum outro.

Acredito que os deuses foram inventados por homens primitivos,

intrigados pelos mist�rios da natureza

e que a B�blia deles,

t�o cheia de incesto,

milagres e assassinos,

� a maior fal�cia liter�ria de toda a Europa.

As pessoas s�o ignorantes e devem ser educadas,

mas n�o pela coer��o nojenta da moral judaica!

Por favor, sente-se.

N�o o trouixe aqui para ofender suas convic��es.

Voc� me deve uma revanche.

Permita-me o privil�gio de jogar de branco outra vez.

Xeque-mate.

Coloque as pe�as de volta.

Xeque-mate.

A partir de amanh�,

voc� me dar� li��es de teoria,

para evitar tal humilha��o.

De agora em diante, traga-o limpo e barbeado.

Sim senhor.

Tire a roupa dele.

Dispa-se!

Tire suas roupas!

- Mais r�pido! - Que fedor � esse?

- � a sua comida? - N�o.

Deve ser o bastardo espanhol.

Mais r�pido!

Precisamos lav�-lo.

Na cela!

Entre!

Retire-se!

Movendo o bispo, voc� coloca seu rei em risco.

Xeque-mate.

Como assim, xeque-mate?

Estamos s� come�ando.

� o xeque Pastor.

Ah bem.

Voc� joga pior do que minha filha de quatro anos.

Venha, jogue novamente.

Posso pedir um favor a voc�?

Continue.

Gostaria de provar minha inoc�ncia.

Se voc� quiser permanecer vivo,

fa�a o que lhe disser.

Neste pr�dio,

pessoas morrem todos os dias

por acusa��es menos graves que as suas.

N�o cometa o erro de pensar

que voc� tem o poder de mudar o curso dos eventos.

Pablo!

Pablo!

Pablo!

O que h� de errado com voc� hoje?

Perdeu a sua f�?

N�o acredita mais em Deus?

Abra a cela.

Voc�...

Morto!

Ao mover o seu cavalo voc� perde o centro do tabuleiro

e sua posi��o geral est� enfraquecida.

JULHO, 1941

A Alemanha est� em guerra com a R�ssia.

Foi a decis�o mais importante tomada pelo F�hrer,

mas n�o havia outra op��o com os russos.

O comunismo � a forma de governo mais irracional.

Voc� gostaria de um copo de conhaque?

N�o, obrigado.

Talvez voc� prefira outra coisa.

Gostaria de escrever para minha esposa e minha filha.

Voc� pode escrever para sua fam�lia uma vez por m�s.

Com os envelopes abertos para que eu possa inspecion�-los.

Mas n�o pe�a para que escrevam de volta.

Voc� n�o pode receber nenhuma correspond�ncia de fora.

Querida Marianne e Margaux.

Hoje faz um ano desde a minha pris�o.

19 de agosto de 1941

Pela primeira vez tenho permiss�o para escrever a voc�s.

Penso em voc�s duas o tempo todo.

A lembran�a do nosso amor

me d� for�a para continuar lutando.

5 DE NOVEMBRO DE 1942

�s vezes acho que Deus est� me testando,

porque ele se esqueceu de mim.

Mas prometo a voc�, que nada ou ningu�m,

nos manter� separados ou apagar� o nosso passado.

Feliz Natal!

N�o s� o passado que compartilhamos,

mas tamb�m o passado que nos privaram.

12 de julho de 1943

Venha comigo.

Vamos!

N�o te trouxe hoje aqui para jogar xadrez.

As coisas est�o mudando.

N�o � mais como h� quatro anos.

Os americanos chegaram na Normandia h� algum tempo

e est�o nos port�es de Paris.

O F�hrer decidiu executar todos os prisioneiros

e explodir este pr�dio.

Por�m, m�o estou disposto a te mandar para a morte.

Eu j� sabia h� muito tempo que voc� n�o � um espi�o.

Voc� sabia que eu era inocente.

Exatamente.

Mas sua vida valia muito pouco na rua.

Pode-se dizer que eu estava te protegendo.

Embora n�o saiba, mas voc� tem inimigos influentes.

N�o tenho inimigos na Fran�a.

Todos n�s temos inimigos.

Pierre Boileau, voc� o conhece?

Ele era amigo da minha esposa.

Ela, talvez...

mas ele n�o parece ser seu amigo.

Pierre Boileau te delatou como sendo um espi�o.

Por que n�o me soltou quando descobriu que era mentira?

Por ego�smo.

Eu achava a vida nessa pris�o t�o tediosa.

E a possibildide de jogar xadrez contra algu�m com seu talento

foi um al�vio extraordin�rio para mim.

- Essas cartas s�o minhas. - Sim.

Eles nunca sairam aqui.

Deixei voc� escrever para manter sua moral elevada,

mas elas nunca deixaram meu escrit�rio.

Pegue elas.

Reinke.

Liberte esse homem.

Espero que voc�...

entenda a exce��o que estou fazendo a voc�.

Saia daqui!

Marianne!

Marianne!

Por favor!

N�s n�o temos nada para dar.

V� embora.

N�o sou um mendigo.

Eu conhe�o voc�.

Voc� � aquele espanhol que foi preso por ser comunista.

A acusa��o era falsa.

� por isso que me soltaram.

N�o me importo se voc� � ou n�o � um comunista

Eles mataram meu marido por colaborar com a Resist�ncia.

Todos pensaram que voc� estava morto.

Voc� sabe onde est� minha esposa e filha?

Eles deixaram Paris dois anos atr�s.

Sabe para onde eles foram?

Elas foram para Bordeaux,

com um homem chamado Pierre Boileau.

Sua esposa pensou que voc� estava morto.

Voc� vai atr�s delas, n�o �?

O que mais eu posso fazer?

Elas deixaram um endere�o.

Para encaminhar o correio.

Vou te preparar uma comida, � um longo caminho.

Obrigado.

Bom dia senhor.

Bom dia.

N�o est� muito quente para caminhar?

Estou me acostumando.

Estou andando deste Paris.

S�o cerca de 500 km a p�.

Voc� � espanhol, n�o �?

Percebi o seu sotaque.

Para onde est� indo?

Pro seu pa�s?

Para Bord�us.

S�o s� 40 quil�metros.

Vamos, suba.

Tamb�m estou indo pra Bord�us.

Por que est�o fazendo isso com elas?

S�o colaboradoras.

Est�o sendo punidas por se envolverem com alem�es.

A casa que est� procurando est� no final dessa estrada.

Obrigado, meu amigo.

Se voc� ficar em Bord�us, venha me ver.

Prometo lhe dar um pouco mais desse vinho.

- At� mais. - At� breve.

Bom dia. Quem � voc�?

Margaux, quem �?

Um mendigo.

Margaux, deixe-nos a s�s.

Adeus.

Ol�, Marianne.

Me disseram que estava morto.

Que os nazistas o tinham executado.

Onde esteve por todo esse tempo?

Na pris�o.

Desculpe, Diego.

N�o sei como reagir.

Por favor, me d� tempo para...

Margaux est� linda.

J� est� crescida.

Por causa da minha aparencia, ela achou que eu sou um mendigo.

Venha.

Vou te dar roupas limpas e voc� pode tomar banho.

Aqui.

Vou preparar algo pra voc� comer.

Obrigado.

Por favor, sente-se.

Diego, muito coisa aconteceu desde

a �ltima vez que nos vimos.

� muito dif�cil explicar.

Sabe por que eu fui preso?

Disseram que voc� foi acusado de ser comunista.

Nunca entendi por que te prenderam.

Algu�m me delatou com mentiras.

Algu�m influente.

Mas voc� n�o tinha inimigos.

Foi o que pensei, Marianne.

Que eu n�o tinha inimigos.

Voc� est� feliz com Pierre?

Ele me trata muito bem.

E ele � um bom pai para Margaux.

E Margaux?

Ela se lembra de mim?

Ela era muito pequena quando voc� foi preso.

Nos primeiros meses, ela perguntava muito sobre voc�

e eu n�o sabia o que dizer.

Ela deve percebeu que suas perguntas me entristeciam

e depois de um tempo... Ela parou de falar sobre voc�.

Talvez eu estivesse errada, mas...

Pensei que fosse melhor que ela esquecese voc�.

E se n�o havia nada em casa para lembr�-la de seu pai.

Cheguei a pensar que ainda tinha uma fam�lia.

As coisas n�o podem voltar a ser como eram.

Mudar assim de repente.

No come�o, tentei n�o tir�-lo da minha vida, mas...

Foram quatro anos.

E voc� estava morto.

N�o estou aqui para tirar Margaux de voc�,

mas n�o vou desistir dela.

Sei que agora n�o tenho nada para oferecer a ela,

mas as coisas podem mudar.

Ela est� feliz aqui.

E algum dia ela herdar� a fortuna de Pierre.

Por favor tente entender.

E com voc�...

Olhe para voc�, Diego.

Sinto muito.

Como se chama o teu cavalo?

N�o tem um nome.

Podemos dar um nome a ele?

- Qual? - Rocinante.

Rocinante.

Que nome estranho.

Voc� gosta dele?

Est� bom para um cavalo.

Tudo bem.

Voc� � mais bonito sem a barba

e a roupa do meu pai vestiu bem em voc�.

Voc� sabe como jogar xadrez?

N�o.

Mas eu sei como mover as pe�as e o que elas se chamam.

O cavalo pode pular,

e o rei, como � o mais velho,

s� pode mover uma casa por vez.

Sabe quem te ensinou isso?

N�o me lembro.

Sei isso desde que eu era pequena,

quando eu morava em Madri com meu papai.

Com o teu papai?

Agora, eu tenho que ir.

Mas talvez possamos nos ver outra vez.

Sim. Voc� poderia vir e brincar comigo.

Eu prometo.

Adeus, Margaux.

Adeus.

Seja gentil com a mam�e.

Acho que lembro de voc�.

Legendas: Fred Cipriano

sU-Boots - de volta � guerra -

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