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A FUGA
-Senhora, acalme-se! -Solte-me!
Al�?
Al�?
Al�?
Al�?
Quem era?
N�o sei. Desligaram.
Acha que era a sua esposa?
Anivers�rio de Vittorio.
Eu vi Andrea de novo.
4 de Setembro. Fui ver o Dr. Borghi.
Creio que n�o voltarei l�.
3 de Dezembro.
Ela continua a ligar.
N�o vai desistir.
Meu pai me pediu outro empr�stimo.
Sinto-me estranha.
N�o tenho vontade de nada.
Fim de semana no barco do meu pai.
Andrea e eu... sozinhos.
Um momento maravilhoso.
� um pouco dif�cil cozinhar a bordo.
E fazer amor, tamb�m.
Mas fizemos de qualquer maneira.
Eu gostaria de ser uma boa esposa.
Serei capaz?
Cr� em Deus Pai Todo Poderoso
-criador do c�u e da terra? -Sim.
O batismo de Vittorio.
Eu queria cham�-lo de Federico
mas Andrea insistiu em Vittorio.
Era o nome de seu pai
e ele o venera muito
mesmo que ele mal o conhe�a.
Seu pai morreu quando ele tinha apenas 6 anos.
Se eu tiver uma menina, vou cham�-la de Paola
Dessa forma, ela ter� minhas iniciais.
Vittorio, eu o batizo em nome do Pai...
do Filho e do Esp�rito Santo.
Hoje fiz desenhos para os tecidos de minha m�e.
Ficaram lindos.
Eu quero que paguem muito mais do que as outras vezes.
� incr�vel como tudo sempre d� certo para minha m�e.
At� a tecelagem est� indo bem.
Parecia uma brincadeira...
um de seus passatempos...
mas isso j� dura 2 anos...
e h� mais de vinte funcion�rios.
Hoje, Andrea levou-me para visitar a usina termonuclear de Latina
onde ele trabalha. Foi muito interessante
embora, eu entendesse muito pouco de suas explica��es.
Engenheiro, Pieri. Minha esposa.
-Prazer em conhec�-la. -Ol�.
-Ol�. -Eu vim dar uma olhada.
-Prossiga. -Obrigada.
Como pode ver, esse � o cora��o da usina.
Sob este plano, h� um reator nuclear
que � fechado em uma esfera de a�o com um di�metro de 70 p�s...
cerca de 20 metros.
No interior da esfera h� uma estrutura de grafite
e dentro, o combust�vel, ou seja, o ur�nio.
O que est�o fazendo agora?
Preparam a troca de barras do ur�nio empobrecido.
Estas s�o as c�lulas de manuten��o.
Com esses bra�os mec�nicos, podemos realizar reparos
ou modifica��o do combust�vel
ou outras partes remov�veis do reator.
Isso � perigoso?
Por que? Est� com medo?
� tudo muito radioativo, mas h� 60 cm. de vidro nos protegendo.
-Vamos indo? -Sim, talvez seja melhor.
DEIXE A SALA IMEDIATAMENTE SE AS LUZES PRINCIPAIS APAGAREM OU A SIRENE SOAR
N�O � PERMITIDO MAIS DE 2 HORAS POR DIA NESTE ANDAR
RISCO DE RADIA��O ZONA PROIBIDA
Nesta piscina, as barras de ur�nio j� usadas est�o imersas
que no entanto ainda s�o altamente radioativas.
Permanecem aqui por cem dias.
A �gua serve como tela para a radia��o.
Aqui tamb�m � perigoso?
Bem, se voc� ca�sse na �gua sem d�vida, se contaminaria.
Isto �?
Depois de um tempo, poderia ficar cega
ou est�ril.
As consequ�ncias mais graves podem ser c�ncer, leucemia
basicamente, a destrui��o total dos tecidos.
Os peixes chegaram! O que devo fazer? Coloc�-los no ch�o?
Sim!
Andrea, venha me dar uma m�o!
Piera, coloco um pouco de �leo?
N�o, pelo amor de Deus!
Esse peixe j� � gorduroso o bastante.
Fim de semana na casa de minha m�e em Porto Ercole.
Eu, Andrea, minha m�e e Alberto.
Alberto � o novo caso da minha m�e.
Andrea, nem � preciso dizer. N�o o suporta.
Quantos voc� cozinhou?
Ser�o suficientes para todos?
Conhece a hist�ria do salmonete e da tainha?
N�o.
Ent�o... em alto mar, uma salmonela encontra uma tainha.
-� de tarde... -Alberto, por favor...
� uma conversa entre peixes!
Sabe que n�o gosto de suas piadas sujas!
-Mas por que sujas? -Eu conhe�o suas piadas, pare!
� f�cil julgar!
O que voc� sabe da vida da minha m�e?
Com tudo o que o papai a fez passar!
Ela sente-se jovem, e ela �.
No fundo, Alberto � um bom sujeito.
Talvez n�o seja muito inteligente.
N�o � muito inteligente?
Quer dizer um grande idiota!
Claro que nem todos podem ser professores!
Por outro lado, o que minha m�e faria...
com um professor?
Exatamente!
O que voc� tem contra o Alberto?
Eu n�o gosto do jeito que ele olha para voc�.
Est� com ci�mes?
Ci�mes? Daquele idiota?
Ele � um cara bonito, n�o pode negar.
Lembrem-se que est�o em lugar p�blico!
Voc� pegou alguma coisa?
Espere!
Viu?
Viu como o Alberto � bom?
Boa habilidade, com essas bombas!
O importante � peg�-los.
Mas para pegar esses dois peixes, eles mataram centenas de outros
larvas, ovos, peixes menores...
Est�o despovoando o mar!
N�o fa�a disso uma trag�dia, por favor.
� uma trag�dia!
N�o � poss�vel que n�o perceba?
Claro que percebo.
Mas se algo me faz feliz hoje, eu aproveito.
Mesmo que amanh� eu possa me arrepender.
6 de abril.
Vittorio est� de cama com gripe.
Como ele est�?
A febre diminuiu, ele adormeceu.
Quem pediu todos esses rem�dios?
Vamos para l�.
O Dr. Baglioni e o Dr. Serventi estiveram aqui.
Sua m�e chamou um m�dico.
Minha m�e, para n�o ficar atr�s, chamou outro.
Eles estiveram aqui todo o santo dia.
N�o fizeram nada al�m de discutir entre si.
Em uma coisa, no entanto, eles concordaram.
Ao dizer que...
Eu n�o sou uma boa m�e.
E talvez estejam certos.
Voc� pensa o mesmo, n�o �?
O que uma "boa m�e" significa?
As pessoas acreditam que uma boa m�e
� aquela que vive apenas para seus filhos
e esquece de ser uma boa esposa.
Eu te amo como voc� �.
N�o quero que me esque�a pelo Vittorio.
Eu preciso de voc� mais do que ele.
Todos cuidamos dele
enquanto tudo que tenho � voc�.
Voc� nunca me disse essas coisas.
Eu nunca tive a oportunidade.
Ent�o encontre a oportunidade, sempre!
Preciso ouvir todos os dias que voc� me ama.
Senhora!
O menino acordou.
Est� lhe chamando.
Volto j�.
Diga adeus ao papai.
-Adeus! -Adeus!
-Des�a as escadas. -Um...
-Isso! -Dois...
E pule.
-Quatro... -Quatro...
Cinco...
-Oi, pai. -Oi, vov�!
-Cumprimente a senhora. -Ol�!
-Que belo rapazinho! -Bom garoto.
V�, v� com a Giuseppina! V�!
E voc�? Por que est� aqui?
Andrea foi a Bruxelas para um congresso.
Eu queria acompanh�-lo, at� pedi.
"Mas o que voc� est� fazendo?" Ele disse.
"� um congresso nuclear. Ficaria entediada."
Depois disse que n�o confia em deixar Vittorio com a nova governanta.
-Entendo. -Mas a verdade �...
que talvez meu marido tenha um pouco de vergonha de mim.
Pensa que sou muito ignorante para estar com ele e seus colegas.
Mas a mulher ignorante � cheia de charme!
-Certo? -Posso ser um pouco ignorante
mas n�o tanto quanto ele pensa!
Mas o que fazem aqui? Para onde v�o?
-� Madrid. -� Madrid para neg�cios.
Se der certo, comprarei um carro para voc�.
Como o que voc� deu a Luciana?
Como o de Luciana, tudo bem.
-Promete? -Prometo.
-Tchau, pai. -Tchau.
-Adeus. -Adeus, tenha uma boa viagem.
Lindo!
Fico feliz que voc� os tenha feito.
E n�o digo isso por orgulho materno.
Mas se outro funcion�rio os tivesse me enviado
eu teria que pagar muito mais!
Isso n�o quer dizer que seus tecidos sejam mais baratos!
Luisa! Voc� conhece Luisa Crivelli?
-Minha filha. -Ol�.
� um prazer!
Muito bonito.
Deve sentir-se lisonjeada pelo fato dela gostar de seus projetos.
Normalmente, Luisa n�o gosta de nada.
Pode n�o ser culpa minha.
Preciso de tecidos para o apartamento de uma cliente.
Piera, eu n�o mencionei que Luisa trabalha com decora��o de interiores?
N�o.
Por que n�o me ajuda? Voc� tem ideias novas.
� muito talentosa.
Em compensa��o, pouca vontade de trabalhar.
Isso ela herdou do pai.
-M�e! -N�o � nenhum segredo, querida!
Com licen�a, senhora?
-S�o 148,750. -Viu? Eu estava certa.
-Tem certeza? -Absoluta!
-Quanto voc� disse? -148.750.
-Fa�a 145.000. -N�o, prefiro ser precisa.
Sen�o, eu teria que pagar s� numa outra hora.
-Tome. -Bom dia.
Eu falei s�rio. Ligue-me e marcamos um hor�rio.
-Adeus. -Adeus, Luisa.
At� breve.
Tchau.
Uma mulher interessante.
At� a sua proposta me parece interessante.
Pensarei nisso seriamente.
Ainda que seja para contradizer minha m�e
e principalmente Andrea
que me considera uma garota mimada, in�til.
20 de Dezembro.
Papai cumpriu a promessa. Deu-me um carro novo.
Sa� para test�-lo.
150 por hora.
A governanta ficou com medo. Queria sair.
Isso irritou-me.
Podemos tolerar qualquer coisa...
mas nunca diga que n�o sabemos dirigir.
Al�m disso, eu dirijo muito bem.
Eu n�o entendo seu pai!
Em vez de comprar um carro, � melhor que pague os milh�es que lhe deve.
Por que se importa? Afinal, � o meu dinheiro.
Claro, n�o poderia ser meu.
Meu pai era fazendeiro
e a �nica terra que ele possui � a do cemit�rio onde est� enterrado.
Ou�a, n�o vamos come�ar com a ret�rica habitual dos fazendeiros pobres.
Meu pai est� ciente, ele deve pagar caro...
porque n�o v�o trabalhar na f�brica.
E n�o vamos come�ar com a ret�rica sobre os pais pobres.
Se seu pai, em vez de comprar casacos de pele para suas amantes...
Fa�a-me um favor! Que amantes e que casacos de pele?
Eu vi a Luciana na outra noite com um casaco de vison.
Coitadinha, ela j� o tem h� tr�s anos.
Mas esse era novo! Eu n�o sou t�o idiota quanto voc� pensa.
-Um casaco de pele... -Onde voc� a viu?
Na outra noite no Hilton.
O que voc� estava fazendo no Hilton?
Fui encontrar alguns colegas americanos.
Voc� n�o me contou!
Eu tenho uma vida dupla
como o Dr. Jekyll.
-Como era o casaco? -Novo.
-Bonito? -Muito bonito.
Voc� nunca sonharia em me dar um casaco de pele.
Como? N�o penso em outra coisa. S� estou pesquisando um de Marta.
Engra�adinho!
Se tiv�ssemos que sobreviver apenas com o seu sal�rio
eu andaria nua, meu bem!
Voc� ficaria �tima.
Voc� � um c�nico.
�s vezes me pergunto por que me casei com voc�.
E o que responde a si mesmo?
� melhor n�o lhe dizer.
Entre!
Senhora, a sua m�e chegou com o advogado Spina.
Diga que j� vamos.
-Enquanto isso, sirva aperitivos. -Est� bem.
Quem � o advogado Spina?
Alberto, o advogado.
Muito engra�ado!
Sonhei de novo que perdia o trem.
Passei o resto da noite acordada.
Eu olhava para Andrea que dormia ao meu lado
ele parecia um estranho.
Eu gostaria de ter dois quartos
e dormir sozinha.
N�o, n�o, n�o se preocupe, querido, tudo ficar� bem.
Sim, claro.
-Ol�. -Ol�.
Piera chegou.
N�o, n�o sei.
Ou�a, seu pai est� perguntando se voc� tamb�m sabia.
De qu�?
N�o, ela n�o sabe de nada, o que eu lhe disse?
Voc� realmente acredita que toda Roma est� falando sobre isso?
Querido, n�o se preocupe.
H� muitos peixes no mar.
N�o exagere!
O tempo � o melhor rem�dio, acredite.
E tente se animar.
Venha me ver, se quiser.
Se n�o nos ajudarmos Em momentos dif�ceis...
Um beijo, querido.
Sabe da �ltima?
Luciana fugiu.
N�o � a primeira vez.
� verdade. Mas desta vez ela n�o fugiu de m�os vazias.
Ela levou tudo.
Peles, joias e at� talheres.
Pobrezinho.
D� para imaginar a condi��o dele, as coisas que sempre repete.
"Est� tudo acabado", "a vida n�o tem mais sentido".
"Eu vou me matar, vou me matar!"
Tudo para come�ar novamente em um m�s.
O que voc� tem?
Por que a pergunta?
Parece um pouco para baixo.
Algo errado?
Ou�a, m�e...
Fale!
O que �?
Al�?
Oi, querida.
Claro que eu sei.
Nada disso. N�o � verdade que ela fugiu, foi Paolo quem a expulsou.
Ela estava dormindo com o motorista.
Um rapaz bonito, concordo...
mas tenha alguma dignidade, por Deus!
Ao menos n�o seja pega.
N�o, n�o � que eu defenda meu marido.
Eu conhe�o melhor do que ningu�m os defeitos dele, se quer saber.
Mas que carreira arruinada?
Como se n�o soubesse o que ele est� fazendo em Madrid!
N�o, garanto que est� enganada. A verdade � que Paolo � um covarde.
N�o, n�o...
N�o do meu ponto de vista.
N�o pelo que eu me lembro.
Voc� deveria saber melhor que eu, certo?
Certo, isso foi h� dez anos.
Piera, � a Maria Claudia.
Maria Claudia est� me perguntando como vai com o seu marido?
Por que?
Para saber. Ela � uma amiga.
Sua! Eu n�o tenho amigas putas.
Ouviu isso?
Queira desculp�-la, ela anda muito tensa.
Eu acho que Andrea a ignora.
Quem dera tivesse um amante!
Mas ela n�o faz o tipo, eu a conhe�o.
No fundo, acredito que seja frigida.
Claro que n�o herdou isso da m�e!
-Bom dia, senhora. -Bom dia.
Que bela casa!
D� para ver toda a Roma daqui.
Esta � Jean, uma das minhas colaboradoras.
� a Sra. Fabbri, que eu havia mencionado
sobre os projetos de tecido para a casa em Olgiata..
-Mas a Sra. Fabbri nos traiu. -Prazer em conhec�-la.
Vamos nos tratar formalmente, pode ser?
-Venha ver o terra�o. -Adoraria.
Jean, minha querida, pe�a a Augusta que nos prepare um ch�.
Que maravilha!
Sempre sonhei em ter uma casa assim.
Pode vir quando quiser.
Moro sozinha e tenho poucos amigos.
Sim, tenho meu trabalho
mas �s vezes n�o � suficiente.
Espero que nos tornemos amigas.
Eu tamb�m.
Luisa!
-A Augusta saiu. -E o que tem?
Fa�a o ch� voc� mesma.
Voc� sempre reclama que Augusta n�o sabe como faz�-lo.
Vai logo!
Ela � muito boa...
E � de grande ajuda
mas �s vezes ele age como uma tonta e me d� nos nervos.
E voc�, n�o fez mais nenhum trabalho?
Sabe como �! Eu tinha muitas outras coisas para fazer...
� uma pena...
Porque voc� tem talento.
Gostaria muito de trabalhar com voc�.
-L� est� a vov�. -Vov�, vov�!
-Oi, querido. -Oi, vov�.
Impress�o minha ou est� sem governanta de novo?
Voc� adivinhou.
E claro, seu filho diz...
que a culpa � minha se as governantas n�o permanecem.
No entanto, dou todas a liberdade que elas querem.
Talvez o erro seja esse. Dar-lhes muita independ�ncia.
Algumas pessoas precisam ser direcionadas, guiadas.
Vai Vittorio, pode ir.
Isso � exatamente o que eu n�o quero fazer.
Eu sou a que precisa ser guiada.
Andrea deixa-me com muitas responsabilidades.
A verdadeira falha de Andrea, se � que pode chamar assim
� dedicar-se ao trabalho, que o absorve totalmente
de um trabalho ao qual, aqueles que n�o forem como ele
sentem-se completamente alheios.
Claro que se casar com um advogado, um empres�rio
pode se interessar no seu trabalho, falar sobre o assunto, discuti-lo
mas como pode falar sobre �tomos e fiss�es nucleares?
Isso � t�o verdade.
Voc� sempre entende.
� porque eu amo e me importo com voc�.
Mas voc� � jovem, inteligente
Por que n�o se ocupa com algo? Por que n�o trabalha?
Sim, estou pensando nisso.
Conheci uma tal de Crivelli.
Trabalha com decora��o de im�veis.
Ela � muito simp�tica.
Sugeriu que eu trabalhasse com ela.
Andrea n�o quer porque ele diz
que uma mulher deve pensar apenas na casa e nos filhos.
Inacredit�vel!
Andrea, que trabalha com o avan�o no campo cient�fico
tem ideias sobre o casamento de algu�m do s�culo XIX.
Tenho vergonha de dizer que sou sua m�e!
Passei uma semana em Porto Ercole na casa de minha m�e.
Eu precisava ficar sozinha.
S�bado de manh� uma surpresa.
Luisa chegou.
Fiquei feliz em v�-la.
Ela � a �nica pessoa que consigo suportar agora.
Luisa n�o conhecia o Argentario.
Fomos a um passeio de barco com Vincenzo.
Paramos em Cala Piccola para pescar
com as bombas, naturalmente.
Voltamos para casa com uma fome de le�o.
Luisa � t�o agrad�vel, que parece que a conhe�o h� anos.
Sinto-me bem com ela.
Fizemos grandes planos para o futuro.
Infelizmente, todos chegaram no s�bado � tarde
e adeus paz.
� noite fomos ao "Streghe", para variar.
Luisa n�o queria ir.
Ela n�o gosta de grandes multid�es.
Eu a entendo completamente.
Papai me disse que lhe ofereceram uma posi��o de ger�ncia na BRS...
e que voc� recusou.
O que isso tem a ver com o seu pai?
� verdade ou n�o?
� verdade.
E por que n�o aceitou?
Porque � um trabalho que n�o me interessa.
Teria que abandonar minha pesquisa, cuidar da administra��o
de problemas exclusivamente comerciais.
Mas � verdade que ganharia o triplo do que ganha agora?
Talvez, eu n�o sei.
Se seu pai diz...
Certo, � o meu dinheiro afinal de contas.
Por isso casei-me com voc�, porque � rica!
Sim, sei que n�o � verdade.
Que se casou comigo porque me amava.
Mas �s vezes ele parece t�o...
desinteressado de tudo que � pr�tico.
� justific�vel. Ele � cientista.
Ele ama o trabalho, � natural.
Eu queria que ele s� me amasse.
Voc� mesma disse que ele casou porque a amava.
Mas n�o tenho certeza.
N�o tenho mesmo.
E voc�?
Voc� o ama?
N�o sei.
�s vezes, parece que n�o.
A verdade � que imaginava que o casamento seria bem diferente.
Imaginava uma uni�o... mais completa.
Sentindo-se uma s� pessoa.
Bem...
Por que voc� nunca se casou?
Quem disse que n�o?
Voc� � casada?
Eu era.
Mas � uma longa hist�ria.
Quem sabe um dia eu lhe conte.
Sabe o que vou fazer?
Vou ficar e dormir com voc�.
N�o vou me render a ele.
Fique se quiser, mas ou�a, n�o acho que seja uma boa ideia...
n�o por mim, mas...
Sabe, ele � seu marido e a ama.
Ele � jovem.
Acha que devo ir at� ele?
Sim.
Sim, � melhor.
Ele nem veio me procurar.
Por que ele procuraria por voc� no meu quarto.
Sim, voc� tem raz�o.
Se soubesse como a invejo.
Voc� � sempre t�o serena
t�o calma, equilibrada.
Eu amo voc�, sabia?
Tchau!
Tchau!
Boa Noite!
Volte para o seu lugar!
A sua neurose tamb�m � revelada pelos sonhos.
Sonhos em que corre atr�s do trem sem alcan��-lo
podem significar...
que deseja fazer uma viagem em seu inconsciente
para se conhecer melhor
mas n�o consegue.
Mas no �ltimo sonho eu consegui pegar o trem.
Sim, mas...
o trem torna-se um bonde
como se ele temesse longas jornadas.
Por que nos sonhos minha m�e age como uma estranha?
E por que ela n�o me deixou sentar ao seu lado.
Tem certeza que n�o sabe
que n�o consegue encontrar a resposta?
Talvez porque minha m�e...
Sempre manteve-se distante
mesmo quando crian�a.
Por semanas me tortura com seus sil�ncios.
Vou acabar odiando voc�.
Eu n�o voltarei.
Talvez seja isso que seu inconsciente quer
mas n�o voc�.
Quando tento ajud�-la a crescer
porque n�o � mais uma garota mimada
sua parte doente se op�e.
Quanto tempo vai levar?
Pode levar meses
at� anos.
Sinto que n�o vou conseguir.
N�o contei a ningu�m que vou ao Dr. Borghi.
Se Andrea soubesse!
Tudo � t�o claro para ele.
Tudo � racional.
Enquanto eu tateio na escurid�o.
Por favor, gostaria de falar com o Dr. Borghi.
� o professor Fabbri, Andrea Fabbri.
Al�, doutor? Desculpe incomod�-lo. Sou Andrea Fabbri.
Colocando alguns pap�is de minha esposa em ordem
descobri que ela era sua paciente.
N�o exatamente.
Ela veio ver-me algumas vezes, e sempre de maneira casual.
Sim, ela agendava consultas, depois as cancelava.
A �ltima vez que a vi foi...
Uma semana antes da desgra�a.
Mas eu... n�o sei se posso ajud�-lo.
Claro, pelo que li nos jornais...
Sim, entendo seu desejo, mas n�o sei o que posso fazer.
Espere, deixe-me ver.
Voc� quer vir aqui amanh� de manh�?
Se realmente n�o pode...
Eu vou at� a�.
Usina nuclear.
Est� bem.
Estarei esperando, doutor.
FIM DA PRIMEIRA PARTE
SEGUNDA PARTE
Piera Fabbri, 26 anos, nascida em Roma, filha �nica.
Os pais s�o separados.
Adolesc�ncia em um ambiente inadequado.
Casada h� cerca de quatro anos, tem um filho.
Apresenta sinais de ansiedade e epis�dios ocasionais de depress�o.
Na primeira sess�o conta com riqueza de detalhes
seu encontro com o marido.
Foi em Porto Santo Stefano
cinco anos atr�s...
no final do ver�o.
Piera!
M�e!
-Este � o Ghedini. -Muito prazer.
E seu amigo, Andrea Fabbri.
Prazer.
-Tome. -Obrigada.
Piera!
N�o demore!
� seu?
Eu pare�o um cara que tem 7 milh�es para gastar em um carro?
-Tem. -Obrigado!
Mas infelizmente, n�o sou.
O que voc� faz?
Adivinhe!
-Arquiteto? -N�o.
-Piloto? -N�o.
-Balconista, ent�o. -Por qu�?
S� um palpite.
N�o sei... parece muito distinto.
Ficaria bem em uma loja
onde vendem tecidos ou bolsas e malas para damas!
Voc� est� abrindo novos horizontes para mim.
Escute...
Em que trabalha seu amigo?
F�sico.
Seu f�sico n�o � nada mal. Quis dizer qual � o trabalho dele?
Ele � f�sico.
Um professor de f�sica.
-Professor? -Um bom rapaz.
Desapontada?
N�o, mas...
-Eu n�o teria adivinhado. -Por que n�o?
Porque meu professor de f�sica era...
-Era diferente, voc� sabe. -Voc� teve professores?
Eu n�o teria adivinhado.
Ver� que sou sempre cheia de surpresas!
�timo, ent�o nos divertiremos.
-E aquela bandeira? -Panam�.
-Panam�? -Para os impostos, entende?
Chega! � muito rom�ntico.
-Outro... -Ent�o colocamos algum rock.
N�o, esse n�o.
Esse � divertido.
Ei, ainda n�o foram para a cama?
Acho que � cedo para isso. Nos conhecemos hoje.
N�o confie em pessoas s�rias.
�s vezes s�o muito mais perigosas que os patetas.
-Mas eles s�o muito mais divertidos. -Voc� acha?
Vamos, para cama crian�a.
-Ent�o, boa noite. -Boa noite.
-At� amanh�. -Seu pai ligou...
Ele quer vir para Porto Ercole amanh�.
-Como assim? -Ele disse que se sente sozinho.
Nome, sobrenome, local e data de nascimento.
Piera Fabbri.
Nascida em Roma em 25 de mar�o de 1939.
Aproxime-se.
Casada?
N�o... sim!
Profiss�o?
Dona de casa.
Dona de casa.
Dispa-se!
Dispa-se!
Dispa-se!
Outra vez, outra e outra!
De acordo com as associa��es feitas pela paciente
em v�rios est�gios do sonho
parece que existe nela
um desejo reprimido desde a inf�ncia
de ser amada pelo pai
imitando o tipo de mulher que ele sai.
A supervisora e o pai rigoroso
representa sua consciencializa��o interna...
que, ao puni-la, alivia seu sentimento de culpa.
Al�m disso, emerge da din�mica do pr�prio sonho
aspectos claros do masoquismo.
3 de mar�o. Ela contou-me um fato sintom�tico.
Um epis�dio veio � minha mente
que aconteceu em Paris durante a nossa lua de mel.
Est�vamos sentados em um caf� no Bois de Boulogne.
Lembro que fazia muito calor.
Envi�vamos cart�es postais para os amigos.
Eu escrevia os endere�os e sauda��es
e passava ao meu marido para assin�-los.
De repente, ele percebeu que eram cart�es postais pornogr�ficos.
Todos.
Andrea riu
e eu n�o consegui explicar como isso aconteceu.
Estava certa de ter comprado cart�es postais com vistas de Paris.
Quem voc� acha que trocou os cart�es postais?
N�o sei, talvez Andrea tenha os comprado secretamente
para me pregar uma pe�a.
Voc� n�o poderia t�-los comprado por curiosidade?
N�o. Eu odeio essas coisas.
Mesmo que n�o acredite em mim.
Eu devia ter 5 ou 6 anos quando vi minha m�e com um oficial americano.
E ent�o? Continue.
Como voc� se sentiu?
Tive medo que minha m�e me deixasse.
Quando dirijo � noite
sempre lembro-me da vez que levei Renato ao hospital.
Quem � Renato?
Era meu colega de escola.
N�s �ramos muito amigos.
Quem sabe ter�amos nos casado, n�o sei.
Durante um jogo de pesca submarina
ele foi atacado por um tubar�o.
N�s o levamos ao hospital em Grosseto.
Ficamos l� a noite toda enquanto eles o operavam.
Borghetti na ortopedia!
Eu tamb�m, quando dei � luz
sofri muito.
Estava sozinha.
Minha m�e tinha ido esquiar.
E depois, eu senti...
Uma esp�cie de �dio contra o meu marido
que n�o percebeu o quanto eu sofri.
Doutor!
Ent�o, doutor?
N�o havia nada que pud�ssemos fazer.
Ele perdeu muito sangue. Fizemos tudo o que foi...
-Dr. Pisani, ala 3! -Todo o poss�vel!
Vamos.
-Dr. Pisani, ala 3!
Voc� disse que quando era crian�a, colocaram-na em um col�gio interno.
Quantos anos voc� tinha?
Dos 9 aos 15.
Lembra-se de algo desta �poca?
O que est� pensando?
N�o insista, por favor!
Talvez tenha medo de lembrar.
Como sabe que estou com medo?
N�o, eu n�o sei.
Apenas tento entender porque n�o quer se lembrar.
Eu me lembro...
Sim, lembro-me de uma de minhas colegas do col�gio.
Ela se levantava � noite...
Ficava na frente do espelho...
e o beijava.
Mas por que me faz dizer estas coisas?
Quem sabe como voc� ir� me julgar!
N�o estou aqui para julg�-la
mas para entend�-la.
Sim, mas me incomoda mesmo assim.
Todos sempre me julgam
e o meu marido acima de tudo.
At� as bab�s e as empregadas me julgam.
� por isso que sou obrigada a demiti-las.
Quando eu era crian�a, tinha uma governanta que me amava muito.
Observe que sempre regressa em seu problema central.
A busca por um profundo afeto.
Sim, mas agora tenho meu trabalho.
Qual trabalho?
Decora��o de interiores. Trabalho com uma amiga.
N�s nos damos muito bem. Com ela nunca fico entediada.
Ela faz todas as coisas que eu gosto
e que gostaria que Andrea fizesse.
Ela diz que eu sou muito inteligente e talentosa.
Ela me entende e n�o me julga.
-Andrea n�o gosta dela. -Por qu�?
Porque ele tem ci�mes das pessoas ao meu redor.
At� do Alberto ele n�o gostava.
Quem � Alberto?
Um amigo da minha m�e.
Que tipo de amigo?
N�o seja ing�nuo. Voc� entendeu muito bem.
� o seu amante. Minha m�e � jovem. Eu lhe disse, certo?
Claro, ela nunca teve muita sorte em escolher seus amantes.
Alberto ent�o...
Um malandro convencido de que � irresist�vel.
Ele at� tentou comigo uma vez.
Eu tentei me defender...
Gritei.
De repente, minha m�e apareceu e repreendeu-me.
O que saiu da sua boca eu prefiro n�o dizer.
E depois ficamos mais de um ano sem trocar uma �nica palavra.
E o seu marido?
Conte-me sobre o seu relacionamento com ele.
Com Andrea, fomos para a cama antes de nos casarmos.
Ele sempre se comportou bem, porque disse a ele
que nunca estive com outra pessoa.
Fui eu quem quis.
Vamos, estou entediada.
Voc� se importa?
Vamos para sua casa.
Tem medo de se comprometer?
Assim que voltei para casa, senti a necessidade de tomar um banho.
Eu me senti... meio suja.
E fui para a cama com o prazer de um animal que retorna ao seu ninho.
Decidi que n�o veria Andrea novamente
e me envergonhava a ideia de ver minha m�e novamente
meu pai, meus amigos...
Tudo que eu amava at� ent�o.
No dia seguinte, seguindo o conselho da minha m�e
fui ficar com meu pai em Madri.
At� l� a mesma vida de sempre.
A mesma atmosfera das pessoas
que se esfor�am para acreditar que est�o se divertindo.
As mesmas cenas de ci�mes entre meu pai e Luciana
os mesmos almo�o de neg�cios
neg�cios de bilh�es que nunca s�o concretizam.
E assim, ap�s um m�s, fiquei mais deprimida e triste.
Voltei para Roma e casei com Andrea.
Seu pai e sua m�e j� estavam separados?
Sim. Eles sempre discutiam.
Nossa casa tornou-se um inferno.
No final, eles se convenceram
e separaram-se legalmente.
Eu fiquei com minha m�e.
Sem d�vida, a separa��o dos seus pais...
provocou um forte trauma psicol�gico em voc�
do qual nem percebeu.
� como se trouxesse de volta uma ferida que n�o se curou
e devemos descobrir o porqu�.
Estou sozinha.
Entre.
Sinto muito pelo atraso, mas fiquei sem combust�vel e...
e ent�o eu tive que pegar um t�xi.
Voc� tamb�m n�o sabe mentir.
Por que n�o diz que n�o queria vir?
� isso mesmo.
Afinal, o que venho fazer aqui? Perder tempo e dinheiro.
-Voc� cobra muito dinheiro. -E eu n�o vendo nada.
Parece muito bem hoje. O que fez?
Eu mudei meu penteado.
Ah, o cabelo! Claro.
Luisa me aconselhou. Ela levou-me ao seu cabeleireiro.
E eu tamb�m mudei de costureira.
Sempre pelo conselho de Luisa?
Sim. Ela quer que eu use roupas mais simples.
Por favor.
Encontrei meu pai na costureira de Luisa
com a sua nova amiga.
Fingi que n�o os vi.
Pobrezinho.
Ele n�o ceder� � velhice.
Ou�a, esta Luisa...
n�o � a garota com quem voc� trabalha?
�.
Meu marido n�o a suporta.
Por qu�?
Sabe, n�o � f�cil de explicar.
Meu marido n�o costuma me perguntar onde estive ou quem eu vi
mas com Luisa... � diferente.
Na outra noite, por exemplo...
Eu estava tomando banho.
Luisa estava presente.
Eles lhe ofereceram um novo emprego e ela veio me perguntar...
sobre desenhos para tecidos.
Luisa segurava meu roup�o quando Andrea chegou.
N�o sei como dizer...
mas senti vergonha de estar nua.
E ele entrou, me abra�ou e Me beijou na frente dela.
Estranho! Ele nunca � t�o expansivo
ainda mais na presen�a de estranhos.
Luisa foi embora.
Era �bvio que ela estava sofrendo.
Por que acha que sua amiga sofreu, ao v�-la beijando seu marido?
Porque acredito que ela est� apaixonada por mim.
Por que acha isso?
Minha m�e disse que ela gosta de mulheres.
Esque�a sua m�e por enquanto. O que voc� pensa disso?
N�o sei.
Comigo ela sempre se comportou como uma amiga e s�.
E se ela se comportasse...
de uma outra maneira...
como voc� reagiria?
Sei l�. Como vou saber?
Al�m disso, n�o acho que seja verdade.
� a imagina��o da minha m�e.
Ela n�o vem mais.
Liga para marcar um hor�rio
depois o desmarca.
3 de novembro. Ela voltou.
N�o tenho me sentido bem.
Tranquei-me em casa e desliguei o telefone.
N�o queria ver nem ouvir ningu�m.
Sabe de uma coisa, doutor?
Meu marido e eu nos separamos.
� mesmo?
Quando?
H� tr�s semanas.
-Esta � sua esposa? -Sim.
Voc� tem um casamento feliz?
O que voc� acha?
Uma fam�lia feliz.
Ideias de outra �poca.
N�o, tamb�m de hoje.
Contanto que sejam pessoas maduras.
Olha, estou cansada de ser considerada imatura e infantil!
Sou adulta, independente e n�o preciso de ningu�m!
Tem certeza?
N�o sei.
Talvez minha m�e estivesse certa.
O meu casamento foi um erro.
Andrea n�o era o homem certo para mim, admito.
Ele me amava.
Mas eu nunca senti por ele...
Desejo, paix�o!
E por outros?
Por quem? O que quer dizer?
Voc� est� casada h� cinco anos.
Eu diria que as coisas entre voc� e seu marido...
nunca foram muito importantes para voc�.
Eu nunca disse isso.
Foi essa a impress�o.
E eu gostaria de saber
se durante a sua vida de casada, n�o havia outro homem?
-N�o. -E antes?
N�o.
Eu me casei...
Bem, quero dizer...
Andrea foi o primeiro homem.
Sim, isso voc� j� disse.
Mas deve ter havido algum pretendente, um namorico...
como dizem.
-Sim, claro. -Muito bem.
E nestes casos voc� sentiu...
emo��o, prazer...
Enfim...
Sentiu desejo?
N�o.
Voc� acha que eu sou uma mulher fr�gida?
N�o, n�o existe mulheres fr�gidas
mas mulheres sexualmente imaturas.
Chamamos de "psicossexualidade"
ou seja, que s� se atinge a verdadeira maturidade
em um relacionamento amoroso com outra pessoa...
Em que h� uma completa uni�o psicol�gica e f�sica.
� por isso que, ao contr�rio do que se acredita
a psican�lise cr� que o homem maduro deve ser monog�mico.
Mas eu n�o tenho arrependimentos.
Fiz tudo para fazer as coisas darem certo com Andrea.
Mas a verdade � que n�o nos entend�amos mais.
Voltando das f�rias, tivemos uma briga.
Foi a primeira vez...
mas tamb�m a �ltima.
Aonde vai?
Vamos para a minha m�e pegar a crian�a, n�o?
Andrea, esqueceu que estamos sem governanta?
A verdade � que o menino a incomoda.
Desde que ele nasceu, por uma raz�o ou outra
ele fica mais na casa da sua m�e e da minha do que na nossa.
Como sabe disso? Nunca est� em casa.
Se d� conta do efeito que isso ter� em Vittorio?
A falta de um ambiente familiar
de calor e afeto, resultar� em problemas para ele.
Por que? Por que ele carece de calor e afeto da sua m�e ou da minha?
Pelo menos na sua m�e ele respira um pouco de ar puro
enquanto na cidade...
De qualquer modo, assim que a nova governanta chegar
eu vou busc�-lo, n�o se preocupe.
Voc� fala comigo como se eu n�o amasse o meu filho.
Por que n�o responde?
O seu comportamento � irritante.
Come�a um discurso e depois o abandona.
A verdade � que voc� n�o tem coragem de dizer o que pensa.
Pode ser.
Logo depois, iniciamos as papeladas da separa��o.
Eu sei o que est� pensando, doutor
mas eu tive que me libertar daquele mundo de incompreens�o e desconfian�a.
A amizade de Luisa ajudou-me muito.
Ela tamb�m passou pela experi�ncia de um div�rcio.
O que deseja, senhora?
-Estou esperando algu�m, obrigada. -Certo.
O que v�o querer?
Dois ch�s Earl Grey e bolachas.
� aquele ch� perfumado que voc� bebeu na minha casa.
Agora que eu estava sozinha de novo
continuar vivendo no mesmo ambiente era insuport�vel para mim.
Luisa teve que ir para a Costa Amalfitana a trabalho.
Pediu que eu lhe ajudasse.
Partimos juntas como se fosse um feriado.
-Conhece o Ravello? -N�o. Vamos l�?
-� tarde, se voc� quiser. -Deve ser um encanto!
-E voc� j� esteve l�? -H� muito tempo atr�s!
Mas eu estava muito infeliz para um lugar t�o bonito.
E agora, est� feliz?
Devemos ir?
-Voc� os conhece? -Nunca os vi antes.
Tenho a sensa��o de que elas est�o querendo. Deixe comigo!
-Gar�om? -Por que est� olhando para eles?
-O que h� de mal nisso? -Pode me fazer um favor?
Daqueles senhores.
Veja.
Que idiotas!
Luisa!
Luisa!
O qu�?
-Voc� me faz um favor? -Qual?
Pode fechar o z�per, por favor?
Odeio esse vestido.
N�o � nada pr�tico.
Mas fica t�o bem em voc�.
Obrigada.
Al�?
Ah, sim!
Onde?
N�o sei, vou perguntar a minha amiga.
S�o os rapazes desta manh�.
Perguntam se vamos a Ravello com eles.
N�o, diga que n�o.
Tudo bem, vamos descer em 5 minutos.
No bar.
Quer saber de uma coisa?
Lamento n�o ter tido a coragem de...
De qu�?
Voc� sabe.
N�o � preciso que eu lhe diga.
Talvez...
talvez eu tivesse encontrado a felicidade.
Voc� n�o acha que algu�m pode encontrar a resposta
mesmo em um romance incomum?
Por que n�o?
Ela estava l�.
Esperando que eu me entregasse.
E eu n�o tive coragem.
Mas dentro de mim eu a queria desesperadamente.
Est� vendo?
Sou pior do que imagina.
Muito pior.
N�o. Voc� n�o pode fazer nada por mim.
Das profundezas de sua psique, sentimentos violentos de culpa emergem
e o medo de ser punida.
Formas e s�mbolos s�o muito primitivos
desprovida de humanidade e calor.
Algu�m tenta dar-lhe os olhos para ver
mas ela foge, assustada, porque tem medo de ver.
6 de janeiro.
Ela voltou.
Um estado agudo de depress�o.
Eu sei que n�o sou uma boa Esposa ou uma boa amante
nem uma boa m�e.
E uma p�ssima paciente, tamb�m.
Por que n�o me mandou embora no momento em que me tornei intrat�vel?
Um caso sem esperan�a.
Estas s�o suas suposi��es, n�o minha.
Voc� gosta de mim, doutor?
N�o, eu n�o lhe interesso.
Todos os meus pacientes me interessam.
E sinto um verdadeiro afeto por todos eles.
Afeto, como todo mundo.
Veja, na terapia...
voc� revive situa��es emocionais, afetivas
que j� viveu em outros momentos da sua vida.
Mesmo esse amor que voc� quer de mim.
No fundo, n�o � nada al�m do amor que talvez...
voc� nunca recebeu de seus entes queridos.
Eu n�o suporto ouvi-lo falar neste tom calmo e indiferente!
Minha vida � como o inferno, eu...
Eu n�o quero reviv�-la, eu quero esquecer.
� melhor lembrar.
Refa�a a estrada percorrida dia a dia, hora a hora...
se quiser encontrar o ponto em que se perdeu.
Muitas �reas de sua vida ainda est�o envoltas em trevas
uma escurid�o cheia de fantasmas.
Portanto, esta terapia...
deve ajud�-la a esclarecer tudo
porque voc� pode descobrir que o que acredita ser fantasmas...
n�o s�o nada mais que...
fatos ocorridos...
sentimentos...
seres humanos, coisas reais, portanto...
O que voc� pode e deve...
confrontar na realidade de hoje.
S� � preciso um pouco de coragem.
Enquanto for v�tima do medo
qualquer arbusto � noite pode parecer um monstro.
O que aconteceu com a sua amiga, Luisa?
Ela tornou-se mais um de seus fantasmas, n�o �?
Tem medo de responder?
N�o, n�o estou com medo.
N�o tenho medo de mais nada.
S� prefiro n�o lembrar.
Mas n�o consigo.
Est� tudo diante dos meus olhos.
-Oi, Jean. -Oi.
Augusta me disse que Luisa saiu. Para onde ela foi?
N�o sei. Ela n�o me contou.
Vou esper�-la.
O que est� desenhando?
Uma lareira.
Para quem?
Para a Sra. Ruggieri.
Mas esse n�o vai servir. Eu expliquei tudo para Luisa.
Eu queria uma lareira embutida na estante...
nivelada com a parede
com um simples quadro de cobre ou bronze.
Voc� queria?
E quem � voc� para querer dar ordens?
Voc� realmente acha que se tornou a dona aqui?
Que todos devem obedec�-la?
Mas Jean, eu...
Voc� � soberba e arrogante mas n�o durar� muito.
Acha que a Luisa ama voc�?
Que voc� a controla?
Est� enganada!
Sofrer� assim como eu.
Ela ir� destru�-la, como me destruiu.
Jean, o que est� dizendo? Ficou maluca?
N�o d� ouvidos a ela, Piera.
Est� simplesmente b�bada.
Piera!
Levante-se!
E o que voc� far� agora?
Eu quero ser feliz.
Depende do que voc� considera felicidade.
Minha m�e � uma mulher feliz.
Eu quero viver como ela vive.
Quando algo est� mal, ela muda.
Casa, carro, cachorro e qualquer outra coisa.
Viu o seu marido de novo?
Sim, ele me ligou e insistiu para nos encontrarmos.
Falamos por um longo tempo ou melhor, ele falou.
Eu tamb�m tenho minha parcela de culpa.
Sou o primeiro a reconhecer isso.
Eu me esqueci de voc�.
S� pensava no trabalho.
Eu pensei que...
am�-la seria o suficiente, sem tentar entend�-la.
Mas voc� tamb�m cometeu erros.
Por que nunca me contou nada?
Voc� agiu como uma professora que nunca censura o seu aluno.
Voc� nunca diz: "Voc� est� errado"
"Tente entender", "estude"
e no final do ano, ele reprova.
N�o, eu n�o era a professora.
Eu era a aluna.
Piera...
Por que n�o tentamos viver juntos novamente?
Tudo deu errado, Andrea!
N�o somos os primeiros, se isso serve de consolo.
O que foi que deu errado?
Nada e tudo.
Coisas que n�o podem ser explicadas.
Eu n�o estava feliz com voc�
ou pelo menos n�o era mais.
Desde quando?
Eu sei o que est� pensando, mas n�o � isso.
A minha amizade com aquela pessoa, n�o tem nada a ver com isso.
"Aquela pessoa"! N�o tem nem coragem de pronunciar o nome dela.
Como as pessoas fazem com certas doen�as que elas temem...
ou se envergonham.
Quando eu disse ao telefone que seria in�til v�-lo
era porque sabia que acabar�amos dizendo coisas desagrad�veis.
Evidentemente, ainda n�o tenho sua experi�ncia.
N�o deixei muitas esposas nem muitas amantes.
Vai aprender, eu estou aprendendo.
Tarde demais, Andrea.
Talvez devesse ter come�ado antes.
-Voc� me despreza, n�o �? -Por que eu a desprezaria?
-Pensa que sou uma vadia. -Nunca chamei a chamei assim.
Mas � o que pensa.
Porque agora sabe que tenho amantes.
Que eu vou para a cama com todos.
-Por que eu n�o deveria, afinal? -Est� feliz agora?
Claro.
Feliz e infeliz como qualquer outro ser humano.
Caro Doutor, n�o sou uma boa paciente.
Quando voc� me pediu para dizer tudo o que passava pela minha cabe�a
e n�o ser cr�tica com meus pensamentos
eu desobedeci.
Eu s� lhe contei o que queria
e mantive em segredo o que queria esconder.
Mas nossas sess�es foram �teis para mim do mesmo jeito.
Entendi que nem voc� nem ningu�m pode fazer nada por mim.
N�o consegui encontrar nada que me mantenha ligada � vida.
Dr. Borghi veio v�-lo, Sr.
Como vai o senhor? Pode-se dizer que aqui...
-o futuro j� come�ou. -Mas l� fora...
-Exato. -H� o presente, infelizmente.
E esse ex-voto aqui?
S�o instrumentos que indicam a posi��o
das barras de controle nos reatores.
-Nunca fica confuso? -N�o, � mais simples do que parece.
Temperatura do grafite, do ur�nio e g�s
dentro do n�cleo do reator que s�o essenciais para a opera��o.
E o que s�o esses?
S�o instrumentos que indicam e registram...
a rea��o dos trocadores...
que s�o controlados a partir desta mesa.
Ol�.
E agora o que est� fazendo?
Verificando a temperatura de uma das turbinas.
-E n�o h� perigo, certo? -N�o, n�o.
Tudo foi previsto em caso de qualquer eventualidade conhecida.
Embora h� uma porcentagem de inc�gnita, como tudo na vida.
-Depois de voc�. -Obrigado.
Fale comigo sobre minha esposa, conte-me tudo o que sabe.
Infelizmente, n�o tenho muito o que contar.
Eu s� a vi algumas vezes, como disse ontem.
N�o pude ajud�-la muito.
Claro, o fracasso do casamento dos pais dela
sua vida, o comportamento que era t�o irregular
contribu�ram para sua neurose.
Ela n�o sabia amar e queria isso desesperadamente.
Voc�s, f�sicos, s�o melhores que n�s.
Conseguiram controlar a energia da mat�ria
e us�-la.
N�s, por outro lado, continuamos �s escuras.
Os homens s�o como crian�as brincando com navalhas.
O dia em que o homem for capaz de controlar seu subconsciente
assim como controla a consci�ncia
ser� o alvorecer de uma grande era...
compar�vel em import�ncia unicamente...
na que o homem tomou consci�ncia de si mesmo.
Voc� acha que...
a amizade com Luisa Crivelli
teve um efeito negativo na minha esposa?
Luisa Crivelli?
Ah, eu n�o sei...
Nunca ouvi esse nome.
Eu sei que ela n�o me contou a verdade.
Quem sabe, talvez ela tenha feito o certo.
Al�m disso, de que me serviria...
Saber a verdade.
Legenda por Cinecultz
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