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Original subtitles

CONTE�DO ORIGINAL NETFLIX

Martin Luther King, soldado da paz.

Jackie Robinson, pioneiro com coragem para romper barreiras.

Vamos conhecer essas e outras hist�rias inspiradoras

da Hist�ria Afro-americana.

Como a de George Washington Carver,

um homem que viu infinitos potenciais num mero amendoim.

S�rio?

Voc� se aprofundou e s� lembrou disso?

S� leio o roteiro, cara.

A Hist�ria Negra vai al�m disso.

A Hist�ria Negra � t�o rica, que precisamos cont�-la,

pois as pessoas n�o sabem.

Vamos contar as hist�rias desconhecidas!

Sabiam que o escravo Robert Smalls

foi crucial na vit�ria da Uni�o?

LEIL�O DE ESCRAVOS

Isso a�!

E que a primeira negra no espa�o,

Mae Jemison, realizou seu sonho ao se recusar a desistir?

Al�, NASA? Sou negra e quero virar astronauta.

Ou que, em 1909, Matthew Henson,

foi o primeiro homem a pisar no Polo Norte?

Polo Norte, cara!

O topo do mundo!

Que frio. Vamos.

Vamos descobrir isso e muito mais no meu guia da Hist�ria Negra.

� o Guia da Hist�ria Negra do Kevin Hart

Hist�ria Negra!

CASA DE KEVIN...

T�PICA TARDE DE DOMINGO

Riley!

O que aconteceu?

Joguei um prato na TV.

Viu o Nick Cannon?

Por isso jogou?

Porque ele n�o presta.

N�o. Eu estava vendo 12 Anos de Escravid�o.

Coisa s�ria. Estou entendendo.

Cad� seu amigo?

O tal de Jake?

� Jeremy.

-Por que estava a�? -Prefiro n�o comentar.

"Prefiro n�o comentar"?

-O que voc� fez? -Fiquei com raiva.

Ela fez tetinha em mim.

-O qu�? -Torci o mamilo dele.

Nesta casa, � proibido tocar em mamilos.

Voc� sabe.

Mamilos est�o seguros aqui.

Cansei de ver negros sendo chicoteados por brancos.

Entendo. Escravid�o foi horr�vel.

-Foi pior que isso. -�ramos como animais, papai!

-Eu sei. -Roubaram nossa dignidade.

Agora quer roubar nossa pipoca?

Riley!

O clima racial est� tenso.

Est� falando aqui ou no pa�s?

Os dois.

Posso conversar a s�s com Riley?

-Jebediah? -Jeremy.

Sinta-se em casa.

Vamos conversar.

N�o se torce mamilos alheios.

Assim voc� vai presa.

Vamos. Certo.

Riley, escute seu pai.

Sei que est� com raiva.

Eu sabia sobre a escravid�o,

mas v�-la � horr�vel demais.

E muito... vergonhoso.

Filha, sei como se sente.

Mas a Hist�ria Negra n�o se resume a chicotadas.

-� mesmo? -Pode crer!

H� casos inspiradores de negros que mostraram coragem, intelig�ncia e criatividade diante desses horrores.

H� muitos her�is negros.

Harriet Tubman. 1,52m. Sammy Davis Jr. 1,65m.

Prince. 1,57m.

Por que fala as alturas deles?

Por nada.

Mas para cada Harriet Tubman,

h� v�rios her�is esquecidos que nunca s�o reconhecidos.

Quer saber?

Tome.

Veja.

LIVRO DA HIST�RIA NEGRA

O que � isso?

-O que � isso? -Est� sem bateria.

N�o tem bateria! Devolva!

� um livro!

Filha, escute a hist�ria do Henry "Caixa" Brown.

Foi um escravo que fugiu numa caixa que enviou � Filad�lfia.

Veja s�.

Ele est� aqui.

Que doideira.

Doido de caixa!

Foi um trocadilho.

Entenda o contexto.

Em 1850,

donos de planta��es diziam que escravos eram felizes e bem cuidados.

Diga isso aos cem mil

que arriscaram tudo pela Ferrovia Subterr�nea.

Sei o que est� pensando.

Como eles escavaram t�neis sem ningu�m perceber?

-Sim. -� uma met�fora.

N�o era uma ferrovia de verdade.

Era uma rede de rotas clandestinas e ref�gios criada no S�c. 19

por abolicionistas e escravos livres.

Como a grande Harriet Tubman,

que foi 13 vezes ao Sul para libertar mais de 70 pessoas.

Esse povo corajoso deu nomes b�blicos a marcos pelo caminho.

O Rio Ohio era conhecido como Rio Jord�o,

e o Canad� era a Terra Prometida.

Sim, milhares de escravos foram para o Grande Norte Branco.

O que explica negros fant�sticos

como Willie O'Ree,

o primeiro negro na NHL.

E Drake!

Mas nem todos usaram a Ferrovia Subterr�nea.

Alguns foram engenhosos na fuga.

Como Henry Brown.

A mulher e a filha dele foram vendidas,

e ele nunca mais as viu.

Ele transformou isso em determina��o

para fugir como pudesse.

Certo. 70kg de cigarro para a Filad�lfia.

Coloque na carro�a.

Pode me ajudar, senhor?

Hil�rio!

Certo.

CIGARROS. DESTINO: FILAD�LFIA.

CORREIOS DOS ESTADOS UNIDOS

Logo esses cigarros estar�o livres.

O qu�? Est�o ruins?

N�o, s�o cigarros de qualidade.

S�o livres de cobran�a?

N�o, precisa pagar.

Isso n�o � livre.

Isto � um golpe?

Esque�a.

Brown teve ajuda de um sapateiro branco chamado Samuel Smith.

Obrigado!

Disponha.

Est� lembrando de mim?

CUIDADO. FR�GIL.

Certo. 107kg.

Para a Filad�lfia.

S�o porcelanas chinesas fr�geis.

Senhor, somos os correios dos Estados Unidos.

O melhor do mundo.

Eu prometo

que tomaremos muito cuidado com sua encomenda.

Cuidado, man�! Deixe eu guiar!

Desculpe.

Vamos! Ande!

De dentro da caixa,

Henry escreveu um di�rio.

AI! NOSSA!

Ap�s 26 horas, a caixa chegou � Filad�lfia.

Ele chegou a um grupo abolicionista.

Quando saiu da caixa, suas primeiras palavras foram:

Como est�o, senhores?

Consegui! Estou aqui!

Nossa, que sagaz.

Foi mediano. Eu faria melhor.

� mesmo?

Est� brincando?

Minha piada faria Henry cair da caixa.

Por exemplo, eu diria:

Algu�m assinou o recibo?

Estou pensando fora da caixa!

Escrevam em caixa alta! Quem me empurrou na escada?

S�rio, quem foi?

Eles precisam morrer!

Estou detonando!

Prefiro a fala de Henry.

Tem uma eleg�ncia sutil.

Qual �?

Os abolicionistas gargalharam na encena��o.

Tenho prefer�ncias.

Enfim, o plano de Henry funcionou.

Ele ficou livre, e imagine o que fizeram quando souberam.

Henry "Caixa" Brown foi o inventor da fuga em caixas.

Por isso n�o falamos de Otis "Envelope" Evans.

O que ele fez na liberdade?

Ele se deu bem dando palestras na regi�o de Boston.

E conheceu Frederick Douglass,

que o inspirou a escrever um livro de sucesso.

Mas, em 1850,

aprovaram a "Lei do Escravo Fugitivo",

que incentivava ca�adores a capturar escravos,

-mesmo em Estados livres. -Oi?

Ele n�o queria correr perigo e se mudou para Londres.

Escute s�. Ele virou um m�gico de sucesso l�.

Gosto de m�gica!

Ele come�ou contando sua hist�ria de fuga.

Mas ele aprendeu m�gica para incrementar os shows.

Contemplem!

Levitei minha bela assistente, Marjorie!

Faz o neg�cio com a caixa!

-Sim! -Acalmem-se.

Vou terminar a m�gica.

Menos conversa, mais caixa!

Agrade�o a empolga��o,

mas sentar na caixa n�o � um truque, entenderam?

� um show de m�gica.

Estou fazendo m�gica!

Mas voc� n�o est� na caixa, e n�o gosto disso!

-Sim! -Caixa!

-Caixa! -Caixa!

Tudo bem.

D� para acreditar?

Henry Brown tinha coragem, engenhosidade e talento.

Mas plateias s�o dif�ceis.

Talvez por isso,�Frederick Douglass nunca fez m�gica.

O que nos traz ao Intervalo da Hist�ria Negra.

Muitos o conhecem, mas ainda podem se surpreender.

Escravo de nascen�a em Maryland em 1818,

Frederick Douglass foi o abolicionista e intelectual

mais importante da �poca.

Ele escapou da servid�o

se disfar�ando de marinheiro e pegando trem � Filad�lfia.

Avante, Eagles!

Ele desceu do trem um homem livre.

Ele afirmou ter vivido mais no primeiro dia livre

do que num ano como escravo.

Sua primeira autobiografia,

A Narrativa Da Vida De Frederick Douglass,

foi bem recebido e virou�best-seller.

O mundo foi surpreendido,

acelerando o movimento abolicionista.

Para tentar mudar a postura para com negros,

ele tirou mais de 160 retratos diferentes.

Ficando atr�s de Abraham Lincoln

como americano mais fotografado no S�c. 19.

Mas ele nunca sorria,

porque ele queria combater a imagem de escravos felizes da �poca.

Mas s� consigo pensar

que se ele tivesse se visto num especial da Netflix,

ele teria gostado!

Acabei de contar a incr�vel hist�ria de Henry "Caixa" Brown,

com uma encena��o bem produzida.

Est� entendendo melhor?

Quase. Entendo de injusti�a.

-Fiquei com uma cama pequena. -Voc� � sortuda e n�o sabe.

Sabe quem � Robert Smalls?

N�o.

N�o?

Pois deveria.

Em 1839, Robert Smalls nasceu como escravo,

mas ele virou um dos maiores her�is da Guerra Civil.

O contexto era o seguinte:

os EUA eram um pa�s h� apenas 85 anos

quando entrou em guerra interna. Por qu�?

Podemos resumir em uma palavra: escravid�o.

A economia do Sul se montava em trabalho escravo.

Nossos ancestrais eram negociados como gado.

L�deres sulistas temiam que o candidato Abraham Lincoln

seria anti-escravocrata.

Ele foi eleito em 6 de novembro de 1860.

Antes da tomada de posse em mar�o de 1861,

sete Estados sulistas se separaram

e formaram a na��o dos Estados Confederados da Am�rica.

A Guerra Civil foi o conflito mais sangrento da nossa hist�ria.

Quase um milh�o de soldados morreram,

incluindo 179 mil soldados negros.

Esses homens de coragem morreram pela maior causa:

a liberdade do seu povo.

Mas no come�o da guerra,

a Uni�o n�o permitia negros nas For�as Armadas.

Isso mudou quando Lincoln reverteu a decis�o em 1862.

Adivinhe quem ajudou a convenc�-lo?

Robert Smalls.

Como um escravo jovem da Carolina do Sul conheceu o presidente

e o convenceu de que negros deviam lutar pela liberdade?

� uma hist�ria e tanto!

Preste aten��o!

Robert era um escravo de Charleston, Carolina do Sul,

onde havia sido alugado

para transportar algod�o no barco Planter,

onde ele fazia velas e ficou apaixonado pelo mar.

Sou o rei do mundo!

Eu disse "rei"? Era "escravo".

Sou o escravo do mundo!

Com a separa��o do Sul,

o Planter virou uma canhoneira.

Em 12 de abril de 1861, a Marinha Confederada

atacou o Forte Sumter,

usado pelo Ex�rcito da Uni�o,

come�ando a Guerra Civil.

Smalls j� era t�o qualificado

que virou condutor,

ou piloto, do Planter.

Ele conhecia o porto como ningu�m,

e adorava conduzir o Planter.

Mesmo que n�o quisesse preservar o estilo de vida sulista.

Fogo!

-Maldi��o, erramos! -Opa.

Bati num peixe-boi. Foi mal!

O capit�o era C.J. Relyea...

Smalls!

...que n�o sabia dos planos de Smalls.

�s 3h de 13 de maio de 1862,

o Planter ficou sozinho,

e Smalls agiu.

Disfar�ado de capit�o,

ele fugiu do porto de Charleston.

Uma hora e meia depois,

ele chegou ao primeiro posto Confederado.

Ele copiou os movimentos do capit�o para enganar os vigias.

Capit�o Relyea?

O que faz aqui a esta hora?

O que foi? O gato comeu sua l�ngua?

Aqui vai.

Ora, grande colher de chifre!

Era apenas um muco alojado no meu es�fago.

� uma pena, senhor.

Minha garganta tamb�m est� ruim.

Quer uma pastilha, senhor?

N�o precisa se incomodar.

N�o � inc�modo.

Amarro numa corda e jogo para voc�.

Espere.

N�o, eu insisto.

-� sabor de pera. -N�o gosto.

Tenho de lim�o com mel.

De menta?

J� chega!

Senhor...

Odeio pastilhas.

Passar bem, senhor!

SS Planter, passagem liberada.

Depois de passar, come�ava o est�gio dois.

Um encontro com outros escravos e suas fam�lias,

incluindo sua mulher e filho.

Obrigado, Capit�o Relyea.

Capit�o Relyea? Filho, � o seu pai.

Obrigado, papai!

Com os escravos a bordo,

Smalls passou mais tr�s postos.

Ao amanhecer,

ele seguiu ao norte do porto e encontrou um bloqueio da Uni�o.

Mas quando o capit�o da Uni�o viu um barco Confederado,

ele ficou apreensivo.

Fogo!

Mandei colocar isso no mastro!

Desculpe, cara. Estou curtindo o tecido.

Levante logo, idiota!

Dormi em�serapilheira a vida toda!

Agora, Giles!

Estou pelado.

Pouco importa!

A Uni�o viu o sinal da rendi��o e cessou fogo.

Minutos depois, todos que estavam no Planter se tornaram livres.

Meus parab�ns.

Voc�s est�o livres.

Obrigado.

Al�m da nossa liberdade,

espero que o Planter seja �til

para lutar pelos que ficaram.

Pode deixar.

Eu te amo, Capit�o Relyea.

Verdade. Eu te amo, papai.

O menino era burro?

Ele confundiu o pai por causa do chap�u?

Um pequeno disfarce por ser muito eficaz.

Veja s�.

Est� vendo?

Clark Kent.

Superman. Viu a liga��o?

S�o personagens de gibis.

O que vimos foi uma encena��o de com�dia.

O lance do chap�u era piada.

Entendi.

-Mas a hist�ria era verdade? -Total.

Ou�a mais.

A hist�ria s� melhora.

Quando ele entregou o barco,

o governo o pagou US$ 1500,

que daria uns US$ 35.000 hoje.

� uma daquelas c�meras r�pidas.

S� precisamos ficar parados por 12 minutos.

Smalls virou uma celebridade.

Ele foi convidado � Casa Branca por Abraham Lincoln,

onde ele defendeu que negros deveriam poder lutar

nas For�as Armadas dos EUA.

N�o sei que negros arriscariam a vida para lutar contra a escravid�o.

Com todo o respeito, senhor...

Te peguei direitinho!

Ele se tornou um capit�o condecorado da Marinha,

onde conduziu o USS Planter em muitas vit�rias,

como defendendo o Forte Sumter depois de retomado pela Uni�o.

Toma!

Depois da guerra, ele virou empres�rio na Filad�lfia,

e voltou para Carolina do Sul,

onde foi eleito para o Congresso em 1874 e serviu cinco mandatos.

E a melhor parte:

em 1865, ele comprou a mans�o do seu ex-dono,

onde criou sua fam�lia.

E deixou a vi�va do ex-dono morar com eles.

Por isso, todos deveriam conhecer Robert Smalls.

Nossa! Por que n�o tem filme sobre ele? Pois �! E como n�o sou o protagonista?

Por que voc� � baixinho?

Confesse. As hist�rias s�o boas.

Dariam um bom seriado.

Sim. Lembra daquela minha ideia

em que voc� � motorista na Inglaterra antiga?

Downton T�xi? Sim, o canal adorou.

The Rock ser� a condessa vi�va.

-Ser� um sucesso. -Contou que eu criei?

N�o.

Eu n�o faria isso.

Sen�o n�o receberia elogios.

Roubou meu reconhecimento?

Exatamente.

O mundo � assim, filha.

O famoso fica reconhecido, e quem trabalha mesmo se lasca.

Como Matthew Henson.

-Voc� roubou dele tamb�m? -N�o.

Ele foi o primeiro humano a pisar no Polo Norte.

Mas o reconhecimento ficou com o l�der da expedi��o,

-Robert Peary . -Entendo a dor dele.

No in�cio do S�c. 20, a explora��o polar era coisa de brancos ricos

ou de brancos financiados por outros brancos ricos.

Mas convenhamos,

eles n�o faziam o percurso sozinhos.

O trabalho ficava com assistentes,

como os esquim�s e o dur�o�Matthew Henson,

o primeiro explorador �rtico negro.

Ele era um �timo navegador que falava a l�ngua esquim�.

Era o bra�o direito de Peary.

Fracassando duas vezes na tentativa de ser o primeiro,

Peary, Henson e quatro esquim�s tentaram novamente em 1909.

Mas nessa expedi��o, quem liderou foi Henson.

Montando um percurso a p� em condi��es extremas.

Com a b�ssola enlouquecida,

Henson ficou no caminho certo

observando as marcas do vento na neve.

Quando Henson chegou,

Peary estava atr�s, doente e arrastado por tren�s.

Chegamos!

Polo Norte, cara!

O topo do mundo!

Que frio. Vamos.

Cad� o Almirante Peary?

Verdade. Temos que esper�-los.

45 MINUTOS DEPOIS...

Almirante Peary,

de acordo com meus c�lculos, chegamos!

Conseguimos!

Isso!

N�o � �timo?

Henson foi o primeiro homem a chegar ao Polo Norte.

Bem, isso pede uma celebra��o.

Serei o primeiro a fazer ch� no Polo Norte.

N�o precisa, senhor. J� cuidei disso.

Ent�o serei o primeiro a comer uma rosquinha no Polo Norte!

Est� muito bom.

Ent�o eu serei o primeiro

a celebrar esta ocasi�o

com um soneto dedicado � minha esposa.

Feito, senhor.

Ela vai adorar.

Falei v�rias vezes como a neve lembra a pele dela.

Ela vai querer fazer beb�s.

Caramba, ficou bom.

Eu tento.

Peary n�o queria que Henson levasse o m�rito.

Ent�o ele quis confirmar os c�lculos.

Espere um instante!

De acordo com meus c�lculos,

o Polo Norte fica bem...

aqui!

Consegui! Sou o primeiro homem no Polo Norte!

Toca aqui, Oota!

Senhor, est� muito nublado para usar um sextante.

"Senhor, est� muito nublado para usar um sextante."

Matthew, n�o seja invejoso.

Quando voc� era o primeiro, eu fiquei feliz.

N�o foi, Oota?

� o qu�?

O que importa � a ci�ncia, n�o o reconhecimento.

Obrigado.

Muito obrigado.

Eu declaro o Polo Norte o pa�s Peary!

PEARY � O PRIMEIRO HOMEM NO POLO NORTE!

Sua fam�lia j� experimentou rosquinhas da Kresnick?

Devemos contar que passamos o ver�o aqui h� anos?

N�o at� descontarmos o cheque.

Am�m, irm�o.

Como fazemos o recheio? � segredo da Kresnick.

-Est� vendo o padr�o? -Sim.

Negros n�o s�o reconhecidos pelos seus feitos.

Mas agora talvez sejam.

A Hist�ria pode recuperar o atraso.

Como Robert Johnson.

Ele nem era famoso quando morreu

com 27 anos em 1938. Mas agora?

Os maiores roqueiros o consideram o pioneiro do rock and roll.

Grande coisa!

Tenho o recorde do Guitar Hero no modo intermedi�rio.

A plateia virtual me adorou!

Enquanto voc� fingia, Robert Jonhson detonava de verdade.

Ele foi o deus inventor do rock, ouviu?

Nos anos 60, �cones estudavam os �lbuns dele.

Jimi Hendrix, Keith Richards, Jimmy Page.

Eric Clapton o idolatrava.

O gordo de South Park?

N�o! Robert Johnson foi um percursor do rock. Ele se apresentava em clubes de blues pelo Sul.

Johnson deixou duas fotos e 29 m�sicas quando morreu aos 27 anos.

Embora sua vida seja um mist�rio,

sabemos que cresceu em Robinsoville, Mississippi,

onde outra lenda do blues, Son House, viu seu talento

e o incentivou a largar o campo para se dedicar � m�sica.

Sua t�cnica�era t�o impressionante

que dizem que ele vendeu a alma ao diabo.

A lenda do encontro dele com o Diabo cresceu

numa encruzilhada perto de Clarkdsale, Mississipi.

O que deseja, humano?

Quero ser o maior violonista em Mississipi.

Pode me ajudar?

Somente eu posso te transformar no melhor violonista do mundo.

-Mas precisa me dar algo. -Qualquer coisa!

Quero sua alma para sempre!

Parece justo!

Vamos come�ar. Pegue seu viol�o.

Vou te mostrar alguns acordes.

Como assim?

Veio para a aula, n�o?

N�o.

Engano meu. Pensei que tivesse visto o panfleto.

AULAS DE VIOL�O COM TIM OZO

Qual �, cara? Isso n�o � justo.

-Fizemos um acordo. -Certo.

Se assistir �s minhas aulas e ensaiar,

voc� vai melhorar.

Vou te mostrar uma coisa que vai te impressionar.

Pode ser voc� daqui a 10 anos.

Quer saber?

Vou continuar aprendendo sozinho.

Certo, como fez isso?

Isso? Posso te ensinar, mas quero minha alma de volta.

Feito.

E 20 pratas.

Tem troco para 50?

N�o!

Escute este acorde. � sol maior com s�tima.

Est� ouvindo?

-Estamos fazendo um som! -� isso a�.

-N�o gosto da escala maior. -Certo.

Conhece m�sicas sab�ticas?

M�sicas para tocar no domingo?

O disco lan�ado no Texas nos anos 30 n�o teve divulga��o,

mas foi relan�ado na onda de blues

dos anos 60, e impressionou todo mundo.

O que � um disco?

� uma playlist que voc� pode segurar.

Que viagem!

-� feito com cera derretida. -Eca

A moral da hist�ria

� que ele n�o fez tetinha no diabo.

Jeremy � o diabo?

Exatamente!

Espere. Quem � Jeremy?

O babaquinha na sala?

N�o. Vamos esclarecer isso.

Quem tem mamilo n�o � o diabo.

O qu�?

Estou confuso.

Me perdi. Calma.

N�o. Lembrei.

Escute. O importante � sentir orgulho da sua hist�ria.

Robert Johnson prova que pode ser incr�vel.

E ningu�m vai saber at� eu morrer.

Robert Johnson e os outros sa�ram do nada, mas realizaram grandes feitos.

Voc� tamb�m pode realizar.

-Nascendo um g�nio da m�sica? -N�o.

Trabalhando pesado e sem se abater.

Droga.

Como Mae Jemison, a primeira astronauta negra.

Em 12 de setembro de 1992,

a Dr. Mae Jemison realizou seu sonho e entrou para a Hist�ria

como especialista do �nibus espacial Endeavour.

Ela nasceu em 1956, em Decatur, Alabama.

Ela era uma aluna brilhante,

mas os professores n�o apoiavam seu interesse cient�fico.

Ainda eram os anos 60,

quando meninos estudavam a tabela peri�dica

e meninas arrumavam a mesa.

Sabe por que te chamei depois da aula?

Achei isso na sua cadeira.

Meu microsc�pio! Tinha perdido!

Obrigada.

� isso que � suborno?

N�o quero dinheiro.

Sei que Ci�ncias parece descolada,

mas � uma disciplina perigosa.

Claro, fazer vulc�es com bicarbonato de s�dio parece inofensivo,

mas quando acordar, estar� no espa�o

sem cozinha para preparar a torta do marido.

E marido sem torta � carrancudo.

Ir para o espa�o parece incr�vel.

Eu adoraria fazer isso.

N�o adoraria.

� um truque do seu c�rebro feminino.

Nunca confie no c�rebro.

Eu n�o confio.

N�o diga que posso ser designer se me esfor�ar.

E esque�a a igualdade salarial.

Aguente at� o Valium das 16h, Cheryl.

Calma. Cad� voc�?

Mae entrou aos 16 anos na Stanford e se formou em Engenharia Qu�mica.

Depois em Medicina na Cornell.

Estudou dan�a�com Alvin Ailey,

passou dois anos no Corpo de Paz,

e, inspirada na Tenente Uhura de Star Trek,

ela audaciosamente foi aonde nenhuma negra havia ido.

-NASA. -Al�, NASA?

Sou negra e quero virar astronauta.

Al�?

Que errado.

N�o foi f�cil, mas Mae se recusava a desistir.

-NASA. -Al�, NASA?

Est� falando s�rio?

N�o estamos aceitando curr�culos.

Tudo bem. Ficarei ligando at� que passem a aceitar.

-Certo. -Certo.

Acha que � brincadeira?

Vou ser astronauta.

Nada vai me impedir.

NASA acabou dando uma chance, e Mae virou astronauta.

Em 1992, ela virou a primeira negra a ir ao espa�o.

Como ela superou isso? Eu digo.

Ela se�desculpou ao amigo pela tetinha.

E deixou o pai dela assistir futebol em paz.

-Vou me desculpar. -Boa!

� minha menina.

E s� bastou uma hora de encena��es hist�ricas.

Vai.

Pode ir.

Vai.

Meu Deus!

Voc� est� bem?

John-Jerry te machucou?

Desculpe pela tetinha, Jeremy.

Voc� comeu o saco todo?

Eu entendo.

Seria impratic�vel

fazer tetinha em todo mundo que j� mereceu.

Entendido. Mas minha pergunta �:

voc� comeu?

S� tem o p� no fundo.

Eu estava com raiva, mas tenho do que me orgulhar.

Eram onduladas!

P� n�o � ondulado. Est� me entendendo?

Aprendi muito espiando voc�s.

Negros fizeram coisas incr�veis.

Sim, e voc� comeu um pacot�o de uma delas.

� verdade, filha.

Batatas chips foram inventadas por um negro.

Um negro chamado George Speck.

O que me lembra o que restou no saco.

Um "restinho"! Um restinho de babata.

Vamos ver uma encena��o c�mica de George Speck

criando a batata chip?

N�o vamos, n�o.

Ser� um show de fantoches.

Faltou grana. Sentem-se.

Agora!

George Speck nasceu em 1824

nas Montanhas Adirondack no Estado de Nova York.

George tinha sangue moicano e adorava ca�ar.

E adorava assar a ca�a.

Ele virou um bom chef,

que inovava pratos locais.

George desenvolveu suas habilidades

na Casa do Lago de Cary Moon,

um restaurante no Lago Saratoga,

destino de�nova-yorkinos ricos.

Um cliente habitual era um rico chato, Cornelius Vanderbilt.

Chef, venha logo aqui!

Certo dia, Vanderbilt s� recusava as batatas fritas,

-por estarem grossas demais. -Continuam grossas!

Aquele infeliz! Ele vai ver!

George ficou frustrado

e decidiu�cortar as batatas em tiras fin�ssimas

e fritando-as at� queimar.

Deliciosas!

George Crum, voc� � g�nio!

Obrigado, senhor. Mas me chamo Speck.

Certo, Crum!

O nome errado pegou.

Ele abriu seu restaurante, e havia batatas chips em toda mesa.

Agora � um lanche adorado no mundo todo.

Essa foi a hist�ria do lanche que voc� roubou.

Tenho mix de frutas secas.

Comi as de iogurte,

mas deixei as passas.

Riley.

Kevin, o que est� fazendo?

Estamos perdendo o jogo!

Algu�m vai comer essas passas?

Amo passas sujas.

Pare!

Voc� n�o sabe nada. N�o sei por que te ou�o. Ele n�o � o maior atleta negro da Hist�ria.

Vai desrespeitar Meadowlark Lemon?

Ele transformava �gua em confete. Michael Jordan n�o fazia isso.

Os Globetrotters n�o jogavam de verdade!

Mas o confete era de verdade.

-Certo. -Era ataque triplo.

-Enterrava. -Sim.

Driblava.

E fazia m�gica! Gosto de m�gica.

Eu sei, mas isso � diferente.

Adoro Meadowlark Lemon. N�o vou fingir que odeio.

Mas ele nem era o melhor dos Globetrotters!

-Vamos discutir de novo? -N�s...

Curly era o assistente.

Era o Scooby-Loo do time.

Quer falar sobre os maiores atletas negros?

Que tal Jordan?

Ou Ali? Joe Lewis?

Bem...

-Joe Lewis nunca fez m�gica. -Meu Deus...

Voc�s j� viram?

Nos anos 30, Joe Louis fez o maior truque da Hist�ria.

Ele foi o primeiro boxeador negro adorado pelos brancos

por socar a cara de brancos! Era um truque e tanto.

N�o posso negar.

Dizem que o Bombardeador Marrom foi o melhor,

mas, em 1936, ele foi nocauteado pelo alem�o Max Schmeling,

queridinho de Hitler.

Lewis est� recuando.

Schmeling avan�a e entra um overcut de direita!

Schmeling erra o uppercut e entra um direto.

Lewis caiu! Ele est� na lona!

Isso, querido!

-Schmeling derrota Lewis! -Chupa, EUA!

Mas a dancinha n�o durou muito.

Dois meses depois, em agosto de 1936,

Hitler presidiu as Olimp�adas,

onde Jesse Owens, negro americano,

venceu os alem�es e ganhou quatro ouros no atletismo.

Owens se aproxima da linha de chegada

e vence a prova! Desgra�a!

Isso deixou Hitler furioso. Claro, muita coisa deixava.

Gorjetas, mesas sujas, gente que n�o usa descanso de copo,

tr�nsito, canudos com curva,

gente que s� usa uma al�a da mochila,

amendoins, democracia e filhotinhos.

Eles soltam pelos no sof�,

e meus olhos ficam co�ando!

E Joe Louis voltava triunfante.

Ele pegou o t�tulo de peso-pesado nocauteando James Braddock em 1937.

Mas ele s� se proclamaria campe�o

ao vencer o �nico que o havia derrotado, Max Schmeling.

A revanche estava marcada.

Por que eu teria cautela no ringue

se Schmeling � dois anos mais velho,

e eu sou dois anos melhor em boxe?

Agora o contexto.

Em 1938, a Alemanha queria dominar o mundo de novo.

Ent�o a segunda parte do confronto n�o era s� uma partida de boxe.

Era a democracia contra o fascismo.

Hitler queria provar que a Alemanha era boa de luta.

Foi o maior evento esportivo do s�culo 20.

Setenta mil pessoas lotaram o Yankee Stadium para ver a luta.

E 70 milh�es ouviram no r�dio.

CINTUR�O MUNDIAL JOE LOUIS VS MAX SCHMELING

Detone-o com estes punhos arianos!

Se for preciso, acerte-o no saco.

Direita explosiva no queixo machuca Schmeling.

Joe Louis ataca sem parar no primeiro round.

V�rios socos na cabe�a.

Acerte-o no saco!

Um, dois, tr�s!

Um direto explode no queixo de Schmeling.

Est� acabado!

Levante, fracote!

Voc� vai ser expulso da ra�a pura!

O vencedor e ainda campe�o,

Joe Louis!

Na coletiva de imprensa,

Hitler arranjou milh�es de desculpas para a derrota.

As luzes piscavam demais!

E as cordas eram muito "cordadas"!

Jeremy reclamou depois da tetinha.

-Doeu demais! -J� chega.

Relaxe, Giraldo. Entendam uma coisa.

Joe Louis n�o foi s� um her�i negro. Foi um her�i americano.

Ele serviu no Ex�rcito e doou seu pr�mio para ajudar

a acabar com os nazistas.

-E o tal de Schmeling? -Boa pergunta.

Parece que ele n�o era um cara ruim.

Ele salvou dois garotos judeus ao escond�-los dos nazistas.

Quando Hitler bateu as botas,

Schmeling e Louis viraram amigos.

-Podemos falar da Beyonc�? -Ela ainda � jovem.

Mas escute s�.

N�o haveria Beyonc� sem Josephine Baker.

Era foi Beyonc� antes da Beyonc�, nos anos 20.

Ela foi a primeira diva, antes da Beyonc�.

Espere a�.

-Beyonc� foi primeira-dama? -N�o!

Escutem, pessoal.

Josephine Baker nasceu em Missouri em 1906.

Ela tinha 15 anos,

os loucos anos 20 come�avam

e o Renascimento do Harlem atra�a talentos negros na m�sica,

na literatura e nas artes.

Eles queriam as oportunidades de luxo de Nova York.

Josephine foi para Harlem

e foi contratada como dan�arina

na produ��o da Broadway "Shuffle Along",

o primeiro espet�culo escrito, dirigido e estrelado

por negros.

A marca registrada dela

era fazer gra�a fingindo dan�ar mal,

e depois impressionar a todos com passos energ�ticos.

O musical foi um sucesso entre todas as ra�as,

e lendas como George Gershiwn n�o poupavam elogios.

Al�m de revelar Josephine,

o show lan�ou a carreira do cantor Paul Robeson,

e do compositor Eubie Blake.

Enquanto adoravam a arte negra, os artistas eram desrespeitados.

Os artistas entravam pelos fundos onde se apresentavam.

At� o famoso Cotton Club, com seus artistas negros,

tinha a pol�tica de sacola marrom.

S� se apresentava quem fosse mais claro que uma sacola marrom.

Quando um ca�a-talentos ofereceu um trabalho em Paris,

Josephine aceitou.

L� ela se sentiu livre do racismo,

e logo virou uma estrela.

Pablo Picasso era f� dela,

e Ernest Hemingway a chamou de mulher mais incr�vel do mundo.

Mas os f�s n�o sabiam que ela era espi�,

que ajudou a destruir o Eixo na Segunda Guerra.

Em 1939, ela foi recrutada por Jacque Abtey,

chefe do Servi�o de Intelig�ncia franc�s,

para usar sua fama para pegar informa��es

sobre o fascismo na Europa.

Josephine queria ajudar a Fran�a,

onde tinha virado uma estrela.

Mas ser espi�o � perigoso.

Josephine treinou karat�...

Coma chul�, F�hrer!

...e tiro ao alvo.

PARAB�NS, AGORA � AGENTE SECRETA! XIU!

Ela estava pronta para ser espi�.

Ela se misturava entre militares

e chefes de estado, como Benito Mussolini,

que era grande f� dela.

Josephine Baker � fant�stica!

APLAUSOS VIGOROSOS

Ela usou seu charme para conseguir os planos do Eixo.

Ouvi agentes da Gestapo discutindo posi��o de tropas.

Est� tudo nesta partitura.

Mo�as de Camptown cantam esta m�sica Doo-da, doo-da

A pista de Camptown tem 5km Dia doo-da

Entendi.

A mo�a de Camptown � Hitler!

E ele quer invadir a Franca no Dia Doo-da.

-Quando � o Dia Doo-da? -Isso � a letra.

Usei tinta invis�vel.

� claro, eu sabia.

Conseguiu a localiza��o da nova f�brica de muni��o da It�lia?

Quase. Se esconda depressa.

Se d�p�cher!

Entrez.

Bonjour!

� o pr�prio Duce!

Josephine!

Voc� foi fantastico!

Aquela dan�a da banana.

Por que n�o me leva para a It�lia?

Sempre sonhei em me apresentar numa f�brica de muni��o novinha.

Voc�s t�m alguma?

Ora...

Que barulho foi esse?

� meu cachorrinho.

Ele � meio lento.

Ap�s a guerra, o presidente franc�s

lhe deu a Croix de Guerre, a Rosette de la R�sistance,

e a L�gion d'honneur,

um jeito pomposo de dizer que ela era durona!

Ela adotou 12 crian�as pelo mundo ao longo dos anos,

chamando-as de Tribo do Arco-�ris,

antecedendo a Angelina Jolie.

Ap�s a guerra, ela virou uma cantora reconhecida

e se apresentou nos EUA,

onde lutou por igualdade racial,

pedindo o fim da segrega��o em boates,

e foi a �nica palestrante mulher na Marcha sobre Washington,

onde Martin Luther King fez o discurso "Eu tenho um sonho".

Depois, em 1973, aos 67 anos,

ela retornou triunfante ao Carnegie Hall

para shows lotados.

Josephine foi hero�na de verdade.

Como contei a hist�ria dela, sou her�i por tabela.

Eu sou muito bom.

Aqui est�, querida.

-De novo? -Sim.

Tamb�m ganho?

-N�o! -S�rio, pai?

Pegue.

-Obrigado. -Tenho 75 na gaveta.

Pode emoldurar.

INTERVALO DA HIST�RIA NEGRA

A aviadora Bessie Coleman foi uma aventureira pioneira.

Em 1921, ela foi a primeira negra

a conseguir um brev�.

Filha de�meeiro texano,

ela ficou obcecada com avia��o aos 23 anos,

trabalhando na barbearia do irm�o em Chicago.

Como manicure,

ela ouvia os pilotos da Primeira Guerra que cortavam o cabelo.

Ela teve que insistir, porque as escolas de avia��o

n�o aceitavam negras.

Ela se mudou para a Fran�a e conseguiu o brev�

de uma escola de prest�gio.

Depois ela foi � Alemanha se encontrar com Anthony Fokker,

que comandava a maior companhia a�rea da �poca.

Ela estudou pilotagem avan�ada e voltou aos EUA,

onde se tornou famosa em festivais.

E ela se recusava a se apresentar em espet�culos segredados.

Mesmo com dificuldades para alcan�ar seu sonho,

ela nunca se desanimou,

mesmo sendo parada por policiais perguntando de onde saiu o avi�o.

Nossa, arrancaram o bra�o dele!

Que droga. Apostei muita grana no jogo.

-D� para costurar? -N�o sei.

Sou a pessoa errada.

Pergunte isso � Vivien Thomas.

J� sei, ela era uma m�dica negra?

N�o, mocinha. Est� errada.

Ele foi um dos cirurgi�es mais respeitados da hist�ria,

mas ele n�o era m�dico.

Ele nem fez Medicina.

A hist�ria come�a em 1893, quando, acredite ou n�o,

o progresso nas cirurgias card�acas vinham de um negro,

Dr. Daniel Hale Williams.

Muitos n�o sabem disso. E dos vaqueiros negros.

A maioria dos m�dicos negros foram esquecidos.

E com as leis de Jim Crow,

ficou mais dif�cil para negros progredir na Medicina.

Nos anos 30,

cada vez menos negros entravam nas universidades brancas.

Uma exce��o era um garoto de Louisiana, Vivien Thomas.

Ele foi aceito na Univ. Vanderbilt,

mas saiu durante a Grande Depress�o,

quando acabaram suas economias.

Thomas come�ou a trabalhar com carpintaria,

trabalhando no campus at� ter dinheiro para voltar a estudar.

Foi quando ele viu uma vaga �rea t�cnica,

onde acabou entrando na vanguarda da cirurgia card�aca.

Seu chefe, Dr. Alfred Blalock, se impressionou

com o dom�nio t�cnico Thomas

e paix�o por inova��o.

O t�cnico logo ofuscaria os m�dicos ao redor.

Ele inventou um procedimento para curar um defeito cong�nito,

a S�ndrome do Beb� Azul.

Senhores, beb�s com esta s�ndrome

t�m um defeito cong�nito na parede do ventr�culo

e na v�lvula pulmonar, que impede o fluxo sangu�neo at� o pulm�o.

Como resultado,

sangue sem oxigena��o adequada corre pelo corpo,

causando a apar�ncia azulada dos beb�s.

Acredito ter encontrado a cura.

At� parece.

Digo aos pais que s� h� uma cura:

tinta!

Sempre arranco umas risadas.

A� eu digo: "Desculpe, seu filho vai morrer."

N�o mais!

Meu procedimento conectar� a art�ria subcl�via

� art�ria pulmonar, e ele funciona!

Acaba com minha piada.

Mas � uma boa ideia.

Me dediquei de cora��o...

N�o? Nada. Certo.

Mesmo sendo cirurgi�o prod�gio, que ensinava os m�dicos,

ele recebia sal�rio de t�cnico.

Not�cias das inova��es de Thomas e Blalock se espalharam,

ou, como divulgavam na imprensa,�Blalock!

A Univ. Johns Hopkins em Baltimore

chamou Blalock para ser cirurgi�o-chefe, e ele precisava de Thomas.

Mas Baltimore era segredada.

Os �nicos negros eram zeladores.

Viv, sei que est� chateado por n�o ter como pagar os estudos,

mas ser "m�dico" � importante?

� s� um t�tulo. Voc� ser� respeitado pelo seu trabalho aqui.

Algu�m chame um m�dico!

-Posso ajudar? -Sim.

Pegue um esfreg�o.

E ache um m�dico!

E devolva isso!

N�o sei onde encontrou, mas n�o s�o seus.

N�o d� para acreditar.

Parece que ele n�o vai pegar.

O Dr. Blalock passou a fazer os procedimentos

inventados por Thomas.

Mas ele n�o conseguiria sem sua arma secreta ao lado.

Serei um dos primeiros a operar o cora��o humano.

Por favor, aplaudam no final, caso o paciente morra.

-O qu�? -Nossa.

Mais anestesia.

Agora sim.

Primeiro, farei uma incis�o aqui.

Primeiro farei uma incis�o aqui?

Sim, agora...

Passando pela veia cava, e fazendo um corte na art�ria pulmonar,

seguimos para a...

Nossa, o que � isto tudo?

Art�ria subcl�via.

A art�ria subcl�via.

� preciso ter cuidado,

para n�o perfurar nada.

Caramba, que bagun�a.

Isso n�o � bom.

Certo, tudo bem.

Doutor, suas m�os!

Suas luvas ca�ram. Vou colocar outras.

Claro.

Vou colocar isso na boca. Prontinho.

� s� um intervalo.

� dif�cil tirar estas luvas.

Elas s�o apertadas!

Assim est� bem melhor.

Agora vamos fazer uns cortes!

Vamos l�, de cabe�a.

Achei a mina.

N�o, por favor.

N�o aplaudam.

Mas est�o certos, minhas m�os est�o fazendo um �timo trabalho.

Que nojo.

E cruzando a linha de chegada.

Voil�!

Consegui.

Sim, muito obrigado.

E para comemorar,

quero convid�-los para um coquetel na minha casa hoje.

Vai ter camar�o?

Nossa, que recupera��o r�pida!

Como est�o? �timo.

Muito obrigado.

Ele ainda... est� vivo. �timo trabalho.

Thomas passou a ensinar sua t�cnica para alunos

na Johns Hopkins,

com sal�rio de t�cnico, uma fra��o do que�Blalock recebia.

Ent�o ele descobriu um jeito de ajudar Thomas.

Viv Thomas, voc� tem o dom para cirurgia.

Suas suturas s�o divinas.

Voc� fecha um corte antes do sangue cair,

e ainda melhor, faz um�daiquiri espetacular!

Falaram "daiquiri"!

Obrigado, Dr. Blalock. Voc� � gentil.

A chave � uma incis�o no meio do morango.

Sim, em vez de insistir por sal�rios justos,

Blalock contratava Thomas como barman para suas festas.

Sabe, Viv,

odeio ganhar muito mais�que voc�.

A boa not�cia � que minhas calhas est�o sujas,

e eu te daria uma grana se fosse limpar.

Talvez um rato esteja preso nela.

S� Deus sabe.

Terra chamando Viv!

Terra chamando, volte aqui!

Voc� voltou.

O que me diz? Pode limpar para mim?

Claro, doutor.

� um homem decente.

Saia mais cedo.

Mas apesar de sofrer as humilha��es do sistema

que n�o o reconheceu pelo seu valor, Vivian continuou a inovar

e a treinar muitos cirurgi�es.

Finalmente, aos 66 anos,

ele recebeu um doutorado honor�rio

da Johns Hopkins.

E seus alunos colocaram um retrato ao lado de Blalock na recep��o.

� preciso lembrar do legado mais importante dele.

As incont�veis vidas que ele salvou.

S�o milhares de pessoas que n�o teriam passado da inf�ncia.

Elas puderam ter vidas longas e completas

gra�as aos esfor�os desse homem.

Touchdown!

Vantagem do Eagles.

N�o, me lasquei!

Como assim?

Por que n�o solta o telefone?

Apostei uma grana preta, e os agiotas v�o aparecer.

Agiotas? Voc� tem problema com jogo.

N�o, voc� � que tem.

Eu disse ser Kevin Hart.

-O qu�? -Pois �.

Ele n�o aceita minhas apostas porque devo um bocado.

-E usou meu nome? -Sim.

Certo. Vamos nos aprontar.

Isso a�. Vou me preparar para baixar o Willy Tillman.

� seu primo doido de Compton?

N�o, mas boa ideia.

Tillman foi o her�i que fez a linha Duro de Matar contra piratas Confederados.

Teve piratas aqui?

Chamavam de "cors�rios" na �poca.

Eles capturavam navios da Uni�o e os vendiam.

No come�o da Guerra Civil em 1861, o Sul n�o tinha uma Marinha.

Eles complementavam suas for�as com cors�rios,

piratas meio legalizados.

Os cors�rios�fizeram uma grana do jeito tradicional: roubando.

Eles vigiavam as rotas mar�timas,

embarcavam em navios mercantes e jogavam a tripula��o no mar.

Depois vendiam o navio num porto sulista,

onde um tribunal aprovava tudo.

O navio e a carga eram leiloados,

e os piratas, digo, cors�rios, ficavam com a maior parte.

Uma das embarca��es mais famosas

era o ex-navio negreiro Jefferson David.

Com dois meses no mar,

ele havia capturado nove navios da Uni�o. Os neg�cios iam bem at� encontrarem o SS Wearing.

Depois de capturado,

eles levaram o navio de volta para coletar a recompensa.

Mas eles tiveram uma surpresa.

Esse foi um dos primeiros casos de "mexeram com o negro errado".

William Tillman,

um homem livre de Delaware, era cozinheiro e tripulante.

E ele sabia que se os cors�rios voltassem para o Sul,

o c�u ficaria nublado com chance de correntes.

Willy n�o ia se entregar f�cil, ent�o s� esperou uma chance.

O capit�o era William Pastel.

Ele deixou Tillman a bordo para cozinhar.

Eles viajaram nove dias em dire��o ao Sul.

Viva a Confedera��o e os esp�lios de guerra.

Chegaremos em Charleston de manh�.

O que ser� do nosso cozinheiro,

Mestre Tillman?

Um bom cozinheiro vale um bom dinheiro...

no leil�o de escravos.

Boa, senhor. Excelente.

Uso repetido de "bom".

Bom cozinheiro. Bom pre�o.

Voc� � como Mark Twain.

Mestre liter�rio.

Voc� � hil�rio, senhor.

Ele gosta de trocadilhos.

Tecnicamente, s� foi repeti��o.

Tanto faz!

S� sei que amanh� ele ser� escravo.

E por mim, � tudo de bom.

Tillman bateu perna, se � que me entende.

Dez minutos depois, o navio era dele.

Vou tirar aquilo.

Eu, William Tillman,

homem livre, sou capit�o deste navio!

Cinco dias depois, em 21 de julho de 1861,

o Wearing chegou a Nova York.

Por acaso, a primeira grande batalha da guerra, em Bull Run,

aconteceu no mesmo dia.

E a Uni�o perdeu feio.

Ent�o as not�cias da fuga de Tillman

chegaram na hora em que o Norte precisava de motiva��o.

Tillman ficou famoso

e se apresentou no Museu do PT Barnum em Manhattan.

Ele chegou.

Voc� j� era, Kevin.

Nem pensar.

Acha que vou apanhar na frente dela? Observe.

Oi, galera.

Oi, pai!

Oi, Jeremy!

Se divertiu?

Sim. Sr. Hart contou uma hist�ria sobre surrar gente branca.

Bem...

Que maravilha.

-Certo. -� que...

ach�vamos que era o agiota do Lil Rel.

Quer saber? Acontece bastante.

Voc�s n�o querem baixar as armas?

Sim.

Certo.

O que acha de tomar sorvete?

Podemos botar granulado?

Claro.

� melhor do que um sandu�che surrado.

O que voc� disse?

O que ele disse?

Surrado, entendeu?

� a surra. Kevin, at� logo.

-At� logo. -Tchau, Riley.

Tchau, galera.

� uma piada simples, mas que faz voc� rir.

-Foi idiota. -N�o, a precis�o foi boa.

Achei que virar�amos hist�ria. Fiquei com medo.

J� entrou para a hist�ria, pai. Como assim? O que � isso?

Voc� � o menor comediante a lotar est�dios.

Todo mundo tem piada. Vou levar na boa. Sem problemas.

Mas e as hist�rias?

Voc� entendeu que a Hist�ria Negra � mais que escravid�o e opress�o?

Tivemos inova��o,

intelig�ncia, criatividade.

� isso que usamos para combater a opress�o.

� s� pensar na influ�ncia da Hist�ria Negra na cultura

do mundo todo.

A forma de falar, de se vestir.

A palavra "maneiro" remete � minha cultura.

Ser maneiro foi inventado por negros h� 100 anos.

Maneiro.

Antes, "maneiro" significava "pegar com as m�os".

Progredimos bastante desde Henry "Caixa" Brown.

Gra�as aos nossos ancestrais,

Barack Obama n�o entrou na Casa Branca dentro de uma caixa.

Est� orgulhosa da Hist�ria Negra, Riley?

Estou, pai. Obrigada.

� isso a�.

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