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Informo que nenhuma evidência influenciou a minha decisão.
Por isso, estou ciente da minha responsabilidade
diante de Deus e da História.
E digo com toda sinceridade
que o Príncipe Don Juan Carlos de Borbón y Borbón,
que vem de uma dinastia que reina na Espanha há séculos,
já demonstrou sua lealdade
aos princípios e às instituições do regime.
Ele está vinculado ao Exército
e em várias situações provou seu caráter.
Ao reunir as condições citadas pelo Artigo 11 da Constituição,
decidi nomeá-lo em nossa pátria como meu sucessor.
Jura demonstrar lealdade
à Sua Excelência, o Chefe de Estado,
e fidelidade aos princípios do Movimento Nacional
e demais leis fundamentais do reino?
Sim. Juro lealdade ao Chefe de Estado
e aos princípios do Movimento Nacional
e demais leis fundamentais do reino.
Chamem uma ambulância! Uma ambulância!
Uma ambulância! Rápido!
Um médico!
Vamos orar pelo descanso eterno
da nossa irmã
Eulalia Román.
Pai nosso que estais no Céu,
santificado seja o Vosso nome,
venha a nós o Vosso reino,
seja feita a Vossa vontade,
assim na Terra como no Céu.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje.
Perdoai as nossas ofensas,
assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.
No fim, a Lali conseguiu o que queria.
Ela se juntou ao namorado.
Meus tios, não sei... Envelheceram uns 20 anos.
Foi muito difícil.
Foram meses muito difíceis.
E a gráfica ia mal com as dívidas do Justo.
O AUGE DA CONSTRUÇÃO E A CRISE DA MORADIA SOCIAL
APROVADO O PROJETO DAS MORADIAS SOCIAIS
EMPRESÁRIO NEBOT VAI CONSTRUIR MIL MORADIAS
- Como está? - Bem.
E você, como está?
Vamos levantar este país de uma vez.
Tudo bem?
Bem-vindos ao Círculo Equestre.
Um lugar que, para muitos de nós,
é como uma segunda casa.
Vocês vêm aqui para falar.
Para propor, para negociar,
para comer, beber, rir...
mas, sobretudo, para prosperar e ser solidários.
Sim, senhores. Solidários.
E antes que o Dom Marcelo pense que viramos comunistas...
Seremos solidários com os empresários espanhóis.
Pessoas que querem aprender com nossa experiência,
e para quem dizemos: "Estamos orgulhosos e encantados
de facilitar o caminho para que a Espanha seja rica".
Bravo!
Como o conheci?
Acho que foi no clube de polo.
Não sei como ele chegou lá,
mas sempre ficou claro que era um cara experiente.
Disse que tinha viajado pela Inglaterra, pela França,
pela Alemanha, e que entendia da Bolsa, de investimentos,
de economia.
Mas ele tinha uma ideia muito clara
do valor dele.
Isso me conquistou.
- Foi fantástico. - Tudo bem?
Obrigado.
Pai, quero apresentar um amigo.
- Justo Gil. - É um prazer conhecê-lo.
- Adorei seu discurso, Sr. Nebot. - O Justo veio aprender.
De que empresa você é?
Nenhuma. Sou autônomo. Trabalho para vários locais.
Ele esteve na Inglaterra.
- Inglaterra? - Sim. Em Londres, senhor.
E o que foi fazer lá?
Fui até a sede da General Eletric
para estudar a demanda por duchas e interfones.
São o nosso futuro.
Não sou eu quem diz isso, são as vendas.
Eu adoraria conversar sobre meus produtos.
Os espanhóis são tradicionais com os itens de casa.
- Nebot? Ótimo discurso. - Sim. Obrigado.
Tem razão,
mas os interfones venderiam muito
para todas essas casas que deseja construir.
Claro, mas sempre trabalhamos com as mesmas pessoas.
Mas não há ninguém no meu segmento.
Acredite.
Se o senhor visse as maravilhas que uma ducha pode fazer,
- iria logo instalar uma. - Como se chama mesmo?
- Justo Gil, senhor. - Justo...
aqui há muitos empresários que adorariam falar com você.
Obrigado.
Viu só?
Se não é comunista,
o que faz com livros soviéticos?
- Não são soviéticos. - Ivan Goncharov não é soviético?
Sergei Aksakov?
Nikolái Ogariov?
São autores russos do século XIX.
Gosto de literatura russa, mas não sou comunista.
Nunca vi tortura na Delegacia de Vía Laietana.
Nunca.
Claro que, de vez em quando, havia algumas surras.
Mas como em qualquer delegacia, não é?
E o delegado Revuelta não gostava de violência.
Mas nos pressionavam
para acabar com os anarquistas, comunistas...
E não se consegue isso com beijos e abraços.
Quem sabe um dia.
Com licença, delegado.
Mateo, tem uma moça perguntando de você.
Que moça?
Carmen Román?
Ainda não localizamos o golpista.
Eu sei, mas meu tio está insistindo.
Eu já disse que não precisa vir aqui toda semana.
Quando o encontrarmos, serei o primeiro a dizer.
Minha família só quer garantir que isso seja prioridade.
Escute, Carmen.
Barcelona está cheia de golpistas.
De golpistas, de pivetes, de gente sem vergonha.
E nós já avisamos que vai demorar.
- Ele pode estar em outro lugar. - Onde?
Não sei. Madri, Hong Kong, Toulouse, Buenos Aires.
Não há como saber.
Faça o que puder. É só o que peço, por favor.
- Escute, Carmen... - Não. Escute você.
Desde que a Lali morreu, meu tio só pensa em prender o Justo.
É como se devesse isso a ela.
Carmen, dou a minha palavra que estou fazendo de tudo.
Então faça mais que isso.
As casas populares saíram na imprensa.
Por isso tome cuidado com quem se aproxima de você.
- Com que se aproxima de mim? - Seu amigo não morou em Londres!
Ele não disse que morou lá. Disse que já foi para lá.
Ele foi a países que estão na nossa frente.
- Onde o conheceu? No Babel? - O que tem o Babel?
- Ele é outro amigo íntimo? - O quê?
- Não faço mais isso. - Tem certeza?
Tenho.
Não foi isso que o Dr. Bosch disse.
Ele me ligou hoje cedo.
Disse que você teve uma recaída.
Não é verdade.
Se a terapia não funcionasse,
ficamos de fazer um tratamento radical.
Foi sem importância. Já estou curado.
- Vamos falar com o Bosch. - Eu juro!
Ele não me levava a sério.
Sabe como é. O filho...
Ele gostava mais do motorista e de outros do que de mim,
mas isso mudou quando o Justo apareceu.
De repente, comecei a me sentir mais seguro.
Mais confiante.
Ele me fez acreditar em mim.
GRÁFICA ROMÁN
Antes de mais nada,
sinto muito pela Lali e pelo que aconteceu.
Por que está aqui?
Não ligo se o seu tio aparecer. Posso explicar tudo.
Explicar o quê?
Eu precisava curar a minha mãe, mas não tinha dinheiro.
Vou chamar a polícia.
Não.
Não, não, não. Vou devolver tudo, Carme.
Veja. Aqui tem dez mil pesetas.
Pode contar, se quiser.
Você roubou 65 mil.
E vou devolver até o último centavo.
Você vai ser preso, Justo.
Então chame a polícia. Pode chamar.
Chame. Pronto.
Só peço uma oportunidade para consertar o que fiz.
- Não dá para consertar isso. - Claro que dá.
Tenho planos para nós, Carme.
- Do que está falando? - Eu me sinto mal, Carme.
Fiquei muito mal porque falhei com você.
Você me roubou e agora se sente mal?
Penso nisso todos os dias.
Não acredito em você.
Então me deixe mostrar.
Estou em um negócio...
que, se der certo, vai mudar a minha vida.
E, se quiser, vai mudar a sua.
Não vê que minha vida já mudou?
Só peço algumas semanas, Carme.
Algumas semanas.
Se eu não resolver, me entrego à polícia.
Vá embora.
Hong Kong.
É o que a polícia acha. Ou Buenos Aires.
Buenos Aires...
Até parece!
O sem-vergonha está aqui. Sei disso.
- Como você sabe? - Sabendo!
O policial pediu paciência.
Não me importo.
Na segunda, volte à delegacia.
- Mas, tio... - Tio nada.
Se não quiser ir...
eu mesmo vou.
Você quer sobreviver? Crescer?
Claro que sim.
Então traga algo sério, algo político.
Você só traz putas, bichas e babacas que leem em russo.
Sabe como sou pressionado?
Há um mês, resolvi o caso da Diagonal.
Um mês.
Onde acha que estamos?
Aqui não é a Andaluzia, precisa dar seu sangue.
Sinto muito.
Vai sentir quando nos expulsarem daqui.
Você e eu.
Oi.
- Oi. - Você viu o Quim Nebot?
- O que vai beber? - Sou o Justo Gil.
- Vim aqui outro dia. - O que vai beber?
Uma cerveja.
Silvio.
- Mais dois gins-tônicas. - Dois?
O que foi?
Não se lembra de mim?
Não?
Eu estava com o Quim.
Conversei muito com ele uma noite dessas.
Lá fora.
Sim! Você é...
Você é...
o cara que ele conheceu no clube de polo?
Justo Gil.
- Seu blazer era meio velho. - O meu?
Hoje está melhor, mas não abotoe o último botão.
É... Sei lá.
- Onde você mora, Justo? - Eu...
Por aí.
Quem mora por aí não joga polo.
Nem vêm ao Babel.
O Quim e eu somos amigos.
Não. Olha só.
Quando ele chamar você para lá...
aí sim serão amigos de verdade.
Atenção! Atenção!
Vai ter festa no sábado!
Naquela noite, o Justo me deu um sermão.
Sobre o meu pai, sobre a empresa.
Que a empresa não ia bem,
que eu precisava fazer alguma coisa como herdeiro.
- Seu pai está falindo, Quim. - Falindo?
É. As moradias sociais são a última chance dele.
Se ele estragar tudo, acabou.
Como você sabe?
Tenho um amigo na Receita que me conta tudo.
A empresa dele está mal há 17 meses.
Mas não diga nada ao seu pai.
Então por que me contou?
Para você fazer alguma coisa! Você pode ajudar.
Ajudar? Como?
Mostrando os bons investimentos.
Ele tem assessores.
Os mesmos que estão acabando com ele.
Não me importo com a empresa. Que afunde!
Não acredito que não se importa.
Mesmo que não se importe,
você também afundaria com ela, Quim.
Não poderia mais ter essa vida
e fazer o que você faz.
Acha que ainda gostariam de você?
Viemos aqui para nos divertir, não para encher os outros.
Só estamos conversando.
Acho que você não sabe dançar.
- Até que não dança mal. - Ele parece um caipira.
Você está com inveja.
Inveja do quê?
Fala sério!
O Xavi desconfiou dele desde o início.
Ficou muito implicante.
Eu achei que fosse ciúme,
porque o Xavi e eu tínhamos nossos assuntos.
- Você trabalhou em Londres? - Não trabalhei, só estudei.
- Fui me atualizar. - Sobre o quê?
Complementos eletrônicos industriais.
Parece muito técnico,
mas vou atrás de tecnologia para as empresas.
- Vai atrás de tecnologia? - Isso.
O futebol procura o novo Cruyff,
eu procuro a nova Xerox, o novo rádio, a lavadora do futuro.
- Que interessante! - Se eu contasse...
Por que não conta?
- É mesmo. - Porque são três da manhã.
Não importa. O Quim nos leva para casa, certo?
- Claro! - Não.
- Vamos. - Não, não.
- Vamos! - Já está tarde.
Eu bebi muito e vou começar a dizer besteira.
- Boa noite. - Boa noite.
- Vamos? - Vamos.
Não...
Quim, por favor.
As sessões são curtas, mas não invasivas.
É um procedimento muito meticuloso.
É mais seguro do que levar um choque.
E como isso vai ajudar na cura?
Posso mostrar estudos
da Associação Psiquiátrica Americana.
O que eles dizem?
Que os transtornos de conduta respondem bem a terapias assim.
- Elas devolvem o equilíbrio. - Já estou equilibrado.
Bom...
- a recaída da outra semana... - Não foi uma recaída.
Calma, Quim.
Estamos falando apenas de terapia eletroconvulsiva.
Pode nos deixar a sós, doutor?
Claro.
Não posso permitir que comentem.
É prejudicial a você, a mim e à empresa.
- Não vão comentar. - Vão, sim. Se dermos motivos.
- Pai, por favor... - Pare de ir ao Babel.
- Por quê? - Você sabe por quê.
É como quando seu tio parou de beber.
Se não quer beber, não frequente o bar.
O Babel não é o problema. Os filhos do Castellnou vão lá.
Os filhos do Castellnou não têm os seus problemas.
- Se eu contasse... - Contasse o quê?
- Me coloque no Conselho. - O quê?
- Quero me envolver na empresa. - Desde quando você se importa?
Sou seu herdeiro, não?
Pare de ir ao Babel, e lhe dou um projeto.
- Não. Quero o Conselho. - Não.
- Por quê? - Porque temos que ir com calma.
Primeiro o Babel.
Se quiser fazer parte do Conselho,
case-se.
E me dê um neto.
Um neto?
Você é meu herdeiro.
María del Carmen Román Busquets.
Nós vamos denunciá-la como responsável civil.
Fora daqui!
Pode parar.
Amanhã você vai de novo à delegacia.
E se resolvêssemos de outra forma?
- Outra forma? - Com um acordo.
Acordo com quem? Com o Justo?
Está me escondendo alguma coisa?
- Não. Só quis dizer que... - O quê?
- Que seria uma possibilidade. - Não, Carme.
Não é uma possibilidade.
Por quê?
Tudo isso foi por dinheiro. Se ele devolvesse...
poderíamos até pedir uma indenização pelos danos.
- Já disse que não. - Por quê?
Porque não é questão de dinheiro.
- Então é de quê? - De justiça.
Não quero que o Justo nos pague, quero que vá preso.
Quero passe por maus bocados, que sofra como eu sofri.
Mas, tio... você é católico.
Quero que ele morra. É isso que eu quero.
Não importa o que Deus prega.
Minha Lali era inocente e nunca machucou ninguém.
Ela está morta. E...
Meu tio estava piorando,
e eu não soube ajudá-lo.
Sei que é besteira,
mas, se eu voltasse atrás, faria tudo ao contrário.
Não pediria permissão a ele. Eu diria:
"Escute, tio. O Justo me deu isto.
Agora vamos superar isso". Entende?
Mas não tive coragem.
Para não o irritar ou...
para não o decepcionar.
Não tem contradição.
No comunismo científico, elas não são antagônicas.
É só uma teoria.
- É, mas está fundamentada. - Chega. Peguem logo.
- De onde você tirou isso? - O quê?
- Contradições não antagônicas. - De Bukharin.
Não, foi de Kamenev.
Marxismo.
Quem trouxe o gelo? Já está acabando.
O Tato e o Ángel.
Sinto muito!
- Então vá buscar mais. - Mas onde, em pleno sábado?
- Em Vallvidrera, no posto. - Então eu vou.
Não, não. Vá você.
Vamos ver se serve para alguma coisa.
É perto daqui, siga pela estrada.
- Dá uns 3km. - Você veio de carro?
- Devo ir agora? - Isso.
Certo.
Espere, vou com você.
Qual é o seu carro?
Parei lá em cima.
Espere, espere.
- A chave. Não pode ser. - Deixou lá dentro?
Não, estava comigo. Vou dar uma olhada.
Calma, vamos com o meu.
- Não. É melhor... - Vem, estamos com pressa.
- Vem. - Está bem.
- Felicidades, Quim! - Obrigado.
- O Xavi não gosta de mim? - O Xavi?
Não gosto de como ele me olha ou fala comigo.
Não ligue para ele. Ele é assim mesmo.
- Deve ter puxado ao pai. - Quem é?
Castellnou, o governador civil
e chefe provincial do Movimento.
Acho esse nome engraçado, porque nada se move por aqui.
E por falar em movimento...
falei com meu pai sobre a situação da empresa.
Não contou o que eu disse, contou?
Não, fique tranquilo.
Mas...
concordamos que preciso me envolver mais.
É sério?
Vou poder criar um projeto.
- E será com seus interfones. - Não!
Vou mostrar seu estudo de mercado aos assessores.
- Assessores? - Calma, vou tomar conta de tudo.
Se estiver tudo certo, vou defender você.
- E meu pai vai me apoiar. - Como você sabe?
Sabendo.
Muito obrigado, Quim.
De nada.
- Se tudo for como você diz... - A empresa vai se dar bem.
E você também, Justo.
Você também.
Cuidado!
Justo.
- Justo. - O quê?
- O Quim está esperando você. - Me esperando?
Isso.
Ele quer mostrar uma coisa.
Onde?
Bem ali.
Você vai ver.
Ele quer mostrar uma coisa.
Vai logo.
Vai lá.
Justo.
Sabe o que é isto?
- Não. - Prove.
A festa foi como qualquer outra,
não aconteceu nada de diferente,
mas, dias depois, meu pai me ligou
para dizer que tinha gostado do negócio dos interfones.
Pediu que o Justo e eu fôssemos falar com ele.
Finalmente meu pai prestou atenção em mim.
É isso mesmo.
É melhor, até que ele...
- María! Tudo bem? - Oi, Sr. Quim.
- Como você está? - Ótimo.
- Este é o Justo. - Oi, Sr. Justo. Tudo bem?
- Oi. - Prazer.
Ela está conosco há anos.
É. Desde que você era um remelento.
E o meu pai?
Está na sala. Estão cortando o cabelo dele.
Perfeito.
- Quer cerveja? - Quero.
Choveu muito nos vinhedos este ano.
- Eu notei. - Foi o mesmo com o Dom Carlos.
- Tiveram que trocar de uva. - Isso é uma bobagem.
E eu não vivo do vinho.
E os frutados ficaram fenomenais.
O que achou?
Perfeito, Martín. Obrigado.
- Foi um prazer, Dom Joaquín. - Caramba...
Que dia péssimo!
Isso vai ser fatal para os vinhedos.
- Pai. - Justo?
Desculpe... mas não conheço você.
- Como assim? - Sempre me confundem.
Você é o Justo. Justo Gil Tello.
Deve ser a sua roupa...
Onde você corta o cabelo, Justo?
É que as pessoas mudam muito sem a roupa de trabalho.
Ainda mais o almofadinha do Martín.
María, sirva algumas uvas novas quando o Sr. Tello voltar.
- Claro, senhor. - Até a semana que vem, Martín.
- Tchau. - Eu acompanho você, Martín.
- Tudo bem, filho? - Tudo, pai.
Preparamos os relatórios...
Escute, Justo... Justo!
O que está acontecendo? Em que você se meteu?
Nunca mais faça isso.
Entendeu?
Mas...
Não.
Meus assessores disseram que suas contas estão corretas.
- Quem ensinou você? - A vida, Sr. Nebot.
De qualquer forma,
negociaríamos com os fornecedores diretamente,
mas, para pagar seus serviços,
você trabalharia no escritório de Hospitalet.
- Por no mínimo dois anos. - Dois anos?
É uma boa oportunidade de você se estabilizar.
Eu estava pensando em receber por comissão.
Que tipo de comissão?
Dez por cento das vendas dos interfones.
Nem pense nisso. Aqui não é Londres.
Podemos chegar a um acordo que seja bom para todos.
Obviamente com as comissões de sempre...
Que tal dois milhões de pesetas e esquecer as comissões?
E quatro anos de contrato.
- Pode levar, María. - Sim, senhor.
- Obrigado por vir. - Não se iluda. Eu só vim...
Porque dei minha palavra que devolveria tudo.
Aqui tem mais dez mil pesetas.
Sábado que vem, dou mais 20 mil.
- No sábado? - Estou esperando um cheque.
Consegui um contrato fixo...
Não se resolve o que você fez com alguns cheques.
Então me diga o que preciso fazer.
Sabia que meu tio quer mover uma ação contra você?
E você?
Ele é empresário, o dinheiro vai acalmá-lo.
Você não o conhece.
Então me ajude a convencê-lo.
Nos vemos no sábado, certo?
No mesmo horário. Podemos jantar juntos.
Prefiro jantar em casa.
PARÓQUIA SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS
É aqui que você mora, Justo?
Belo bairro...
Eu não moro aqui.
Claro que não. Veio rezar na igreja, certo?
Vou contar ao Quim que você é uma farsa.
- Cuidado, Xavi. - Por quê?
Todos nós temos segredos.
Que medo... E qual é o meu, Justo?
Conte para quem quiser, para ver se levam você a sério.
Você só sabe mentir, enganar e manipular.
Pense bem, Xavi...
se você não sabe quem sou,
se tudo o que digo é mentira...
deveria tomar cuidado.
- Por quê? - Porque...
Posso ser bem pior do que você pensa.
Posso não ter escrúpulos.
Eu não ligaria de cortar esse seu pescoço,
que é o que fazemos quando alguém vem se intrometer.
Você sabe quem eu sou?
Pergunto o mesmo a você... Xavi Castellnou.
Está vendo aquilo ali?
São moradias para os imigrantes
que chegam na esperança de poder comer.
Pessoas que entrariam num bueiro para não tomar chuva.
São os apartamentos que seu pai faz.
Mas, se olhar para lá,
vai ver a vista linda do Mediterrâneo,
da Barcelona antiga, da cidade de Gaudí.
- São imóveis de luxo. - Que estão incompletos.
O que você quer, Justo?
O que eu quero?
O Xavi me contou onde você mora.
É verdade que você o ameaçou?
- Inacreditável! - Justo, não vou julgar você.
- Mas não gosto de mentiras. - Eu não menti.
Eu estava indo para a casa de uma garota que magoei.
Sempre levo dinheiro para ela.
Posso apresentá-la, e você pergunta o que quiser.
- Não precisa. - É a Carme, da gráfica...
Já disse que não precisa! Só queria falar com você.
- Não podemos ter segredos. - Não tenho segredos.
- Se não confia em mim... - Claro que confio, Justo!
- E agora? - Nada. Já resolvemos.
Vamos esquecer isso.
Sabe...
prometi ao meu pai que eu não iria mais ao Babel.
Ao Babel?
Ele acha que é um lugar de vícios.
Mas quero dar uma última festa.
Para comemorar nosso contrato.
- E o fim de uma época. - Que época?
De quando eu era um zé-ninguém.
Com sobrenome e dinheiro, mas um zé-ninguém.
Alguém nos informou
que estavam fumando baseados de haxixe.
Era isso que os bacanas fumavam.
Baseados de haxixe.
Se você vai a Paris, Londres ou até Perpignan,
parece que a Espanha continua na Idade Média.
Mas isso vai mudar.
O que vai mudar?
- Tudo. - E como você sabe?
Ontem fui a uma reunião na universidade.
Uma reunião antifranquista, com certeza.
Quase isso.
Conseguiram uma gravação da Pasionaria. Veio de Moscou.
E distribuíram isto.
O que é isto?
O que é?
- O que está fazendo com isso? - Como assim?
- Sabe o que pode acontecer? - Você pode ser preso!
- Viu isso? - Quim...
- O que foi? - Quim, calma.
- Calma nada! - São só papéis inúteis.
Você viu? Guarde logo. Por que trouxe isso?
Tudo bem, já vou guardar.
Entrem.
Boa noite!
Onde está o pessoal?
Essa gentalha que temos que aguentar...
O pai dele resolve todos os problemas.
Já o seu...
Identifiquem-se, senhores Que vergonha!
O que é isso? É uma festa particular.
- Não o machuquem! - Ninguém se mexe!
Agora vão todos sair bem calminhos daqui.
- Andem! - Venham!
- Já para fora! Já para fora! - Vamos!
Todos bem calmos!
Venham!
- Um de cada vez, calma. - Andem.
Vamos.
Anda logo!
Venham, vamos!
Isso mesmo, podem ir com calma.
Com calma. Isso.
Andando.
- Calma, Tato. - Continuem andando.
Vamos!
Não participei daquela batida.
Eu estava de folga.
No outro dia, eu soube que a cadeia estava cheia
de filhinhos de papai. Tinha o filho do Nebot e outros.
Lembro que comecei a ler a lista
e, de repente,
vi o nome que menos esperava:
Justo Gil.
Caramba...
Justo Gil Tello?
Sou eu.
Calma. Os advogados do meu pai vão cuidar de tudo.
Só um burro para fumar haxixe sendo procurado.
- Eu sou procurado? - Para a frente, anda.
Foi uma fraude de 65 mil pesetas.
Sabe o mal que causou à família?
Não vai ler a denúncia?
- Eu... - Leia.
Leia logo!
É você ou não?
Não estou ouvindo.
Sim, sou eu, mas...
- O quê? - É... Sou eu.
Procuro você há mais de um ano.
Estou devolvendo o dinheiro, pergunte à Carme Román.
Diga isso ao juiz.
Sabe qual é a pena? Cinco anos, com certeza.
Não posso ser preso.
- Ninguém quer ser preso. - Você não entendeu.
Acabei de fechar um negócio.
- Deu outro golpe? - Juro que não. Eu juro.
Escute...
se me ajudar, podemos fazer um acordo.
Está me subornando?
Não. Não!
Não, não. Só estou dizendo que...
Cale a boca, Justo Gil.
Você é um filho da puta que ferra pessoas de bem.
Sabe o que fazemos com gente como você?
Gostamos de ver quando "comem" vocês.
- Conheço uma célula comunista. - Do que está falando?
Ontem, no Babel, tinha panfletos da Pasionaria vindos de Moscou.
Sei onde estão escondidos.
Estão com o Tato, que faz Direito na universidade.
Ele faz parte de uma célula.
É amigo do Toni e do Quim Nebot.
Eles organizam reuniões antifranquistas.
Todos eles conspiram contra o governo.
Continue.
Não sei muito mais...
mas, se quiser, posso ser seu informante.
- Meu informante? - Isso.
- Sabe o que um informante faz? - Não.
Não, mas aprendo rápido.
Não vou falar disso, certo?
Para terminar esse assunto do Justo...
Se ele foi alguém que apareceu na minha vida
e me fez mal?
Bom... Não.
Na verdade, ele me fez muito bem.
CAPITALISMO EM PEQUENAS EMPRESAS
O AUGE DA CONSTRUÇÃO E A CRISE DA MORADIA SOCIAL
APROVADO PROJETO DE MORADIAS SOCIAIS
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