All language subtitles for Let There Be Light 1946

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Original subtitles

CERCA DE 20% DAS BAIXAS NO EXÉRCITO AMERICANO DURANTE A II GUERRA MUNDIAL

FORAM DE ORDEM NEUROPSIQUIÁTRICA.

OS MÉTODOS ESPECIAIS DE TRATAMENTO MOSTRADOS NESTE FILME, TAIS COMO HIPNOSE

E NARCOSSÍNTESE, FORAM BASTANTE EFICAZES EM CASOS AGUDOS,

TAL COMO A NEUROSE DE GUERRA. NÃO SE PODE ESPERAR A MESMA EFICÁCIA

QUANDO LIDAMOS COM NEUROSES EM TEMPO DE PAZ, QUE GERALMENTE SÃO DE ORDEM CRÓNICA.

NENHUMA CENA FOI ENCENADA.

AS CÂMARAS LIMITARAM-SE A GRAVAR O QUE OCORREU NUM HOSPITAL DO EXÉRCITO.

As armas estão em silêncio agora.

Os documentos de paz foram assinados.

E os oceanos da Terra estão cheios de navios a regressar a casa.

Em lugares longínquos, homens sonharam com este momento.

Mas para alguns homens, o momento é muito diferente do sonho.

Aqui estão salvados humanos,

o resultado final de tudo o que metal e fogo podem fazer

para agredir a carne mortal.

Alguns usam as insígnias da sua dor,

as muletas, as ligaduras, as talas...

Outros não mostram sinais exteriores, mas também estão feridos.

Este hospital é um dos muitos para o cuidado e tratamento

do soldado com psiconeurose.

Estas são as casualidades do espírito,

a mente perturbada, homens com danos emocionais.

Nascidos e criados em paz, educados a odiar a guerra,

foram atirados subitamente para situações inesperadas e terríveis.

Todo o homem tem um ponto de rutura,

e estes, no cumprimento das suas obrigações como soldados,

foram forçados para lá dos limites da resistência humana.

À vontade, homens.

Em nome do comandante e pessoal

do Mason General Hospital,

quero dar as boas-vindas a todos vós

no vosso regresso aos Estados Unidos.

Não precisam de ficar preocupados com a presença destas câmaras,

dado que estão a fazer o registo fotográfico

da vossa recuperação neste hospital

desde a data de internamento até à data da alta.

Aqui estão homens que tremem, homens que não conseguem dormir,

homens com dores que não são menos reais por serem de origem mental.

Homens sem memória.

Paralisados, por uma paralisia comandada pela mente.

Apesar de terem sintomas diferentes, há coisas que têm em comum,

um medo incessante e apreensão, uma sensação de catástrofe iminente,

uma sensação de desespero e completa solidão.

MASON GENERAL HOSPITAL REGISTO

Pode dizer-me o seu apelido?

Meishner, senhor.

Como se escreve isso?

- M-E-I-S-H... - M-E-I-S-H...

- Pode dizer-me o seu apelido? - Wulliver.

Como se escreve isso?

Os psiquiatras ouvem as histórias

dos homens, que as relatam da melhor forma que conseguem.

Os nomes e lugares são diferentes.

As circunstâncias são diferentes.

Mas em todas as histórias há um ponto em comum...

... a morte, e o medo da morte.

E depois de seres ferido o que aconteceu?

As mesmas coisas, mas pior?

Parece que os meus nervos pioram.

Pioram.

Estes aviões, incomodam-me.

Quase fui morto por um deles.

Quase morreste.

Onde estavas na altura?

Saint-Lo, creio. Algures por lá.

Não me lembro.

O que fazias quando os aviões vieram?

Estava num buraco.

Sabes onde estás?

Penso que estou nos Estados Unidos. Disseram-me que eu ia voltar.

Mas disseram-me que eu ia morrer.

No hospital eu mal comia.

Mas eu estava doente, e mal comia.

Eles disseram-me que eu ia morrer se não comesse, fosse como fosse.

Disseram-me que não se importavam se eu morria ou não.

Vamos assegurar-nos que não morras.

Não vais morrer.

Eu perdi o meu último amigo lá, o pequeno Norman.

Ele era o segundo batedor, eu era o primeiro.

Era tudo confuso lá em cima. Estavam a bombardear-nos.

Bom, isso deixou-te nervoso?

Eu devia...

Sou o primeiro batedor, e devia ir à frente.

Ele saiu e eu fui logo atrás dele, e ele foi atingido.

E ele disse, "Dutch, fui atingido."

Arrastou-se para os meus pés e eu comecei a chamar o médico.

E voltei atrás para tentar buscar o médico e não havia nenhum.

Comecei a ir ter com ele novamente e eles não me deixaram ir.

E ele era o último dos rapazes que inicialmente estavam comigo.

Eu e ele éramos os últimos que restavam do grupo inicial.

E quando foram bombardeados, como te sentiste?

Não sei.

Eu... depois do Norman ser atingido, ser morto,

bem... Eu estava bem quando andávamos, ou a atacar ou algo assim.

Mas quando fomos cercados, comecei a pensar nele ali deitado.

E o que te acontecia quando pensavas nele?

O que é que sentias?

Eu não queria saber do que me acontecia.

Queres dizer, não querias voltar a combater?

Sim, senhor, eu queria voltar. Eu queria ficar lá.

Eu queria continuar por ele e todos os outros,

O Norm, o John e o Stryker, o Tex e o Pop...

E como te sentes agora?

Sinto-me bem.

Como te tens sentido?

Bem, relativamente bem, senhor.

- Estiveste no estrangeiro. - Sim, senhor.

Onde?

Estivemos em França, mas depois fomos para a Alemanha.

- Onde? - França para a Alemanha.

E em que companhia estavas?

Estava com o Quartel do Destacamento, Divisão do 50º Batalhão, Transportes.

És um Soldado de 1ª classe.

De momento, senhor.

- Tiveste de ir ao hospital. - Senhor?

- Tiveste de ir ao hospital. - Duas vezes, senhor.

Diz no teu registo do estrangeiro

que tinhas dores de cabeça, e crises de choro.

Sim, senhor.

Penso que na sua profissão se chama nostalgia.

- Por outras palavras, saudades. - Sim, senhor.

Foi provocado quando, pouco antes da guerra,

recebi uma fotografia da minha namorada.

Sim?

- Desculpe, não consigo continuar. - Não faz mal.

- Griffith? - Sim, senhor?

Entra a senta-te um minuto.

Uma manifestação de emoção não faz mal.

Não estou a fazer de propósito, senhor. Por favor, acredite.

Claro que não estás, eu acredito em ti.

Uma manifestação de emoção é, por vezes, muito benéfica.

Espero que sim, senhor.

Claro, ajuda a deitar cá para fora.

Não estarias aqui,

não terias voltado como paciente,

se não houvesse algo a perturbar-te.

Sim, senhor.

Desculpe.

Bom, dizes que recebeste uma carta da tua...

- Uma carta não, senhor. Uma fotografia. - Uma fotografia.

Bom, e agora?

Bom, senhor, para ser totalmente honesto,

estou muito apaixonado pela minha namorada.

Ela é a pessoa que me fez sentir que tinha valor...

... no sentido em que, pela nossa entreajuda,

conseguimos ultrapassar tantos obstáculos.

O que aconteceu?

Bom, quando eu estava a combater...

Podes falar mais alto?

- Mal consigo ouvir-te. - Sim, senhor.

Na altura, estava preocupado que o meu irmão...

Ele foi morto em Guadalcanal.

- O que era ele, um fuzileiro? - Sim.

Bom, reparei nesta história

que tiveste uma visão do teu irmão.

Que... Diz-me algo sobre isso.

O que aconteceu?

Penso que foi um sonho.

Bom, descreve o sonho. O que viste no sonho?

Sonhei que estava em casa, o meu irmão estava em casa,

e o meu outro irmão também. Estávamos todos em casa.

- Estavam todos em casa. - Sentados à mesa.

Estávamos todos contentes, e ríamos, sabe, falávamos.

Só a olhar uns para os outros.

E acabou assim.

E podias ver estas imagens claramente.

- Era como num sonho, entende? - Sim.

E aquilo de Mindanao que me contavas?

Bom, em Mindanao, depois de receber a notícia,

admito que estava assustado.

Estavas assustado.

Não sei.

Às vezes queria que algo acontecesse,

depois dizia, "Bom, algo aconteceu mesmo."

Que queres dizer com "algo aconteceu"?

Queres dizer que querias ser ferido e enviado de volta?

- É isso? - Não.

- Que queres dizer com isso? - Quero dizer que queria que...

... sabe, estava revoltado e cansado de tudo,

Não me apetecia viver.

Depois mudei de ideias, e pensava nos meus pais,

e seria muito pior se algo me acontecesse.

E eu ficava de guarda, junto à metralhadora, de vigia.

Depois ouvia um pequeno barulho e era impulsivo, disparava.

Provavelmente nem era nada. Era um animal ou algo.

Qualquer barulho te perturbava, e disparavas.

Na altura, sim.

Estás preocupado com alguma coisa agora?

Não sei.

- Estás confuso? - Mais ou menos.

Que alfinete é esse na tua camisa?

A minha Heart.

Por que as tapas?

- Não estás orgulhoso delas? - Sim, senhor.

Recebeste uma Purple Heart e fitas de campanha.

Sim, senhor.

Bom, por que as tapas?

Quer dizer, deve haver uma razão para fazeres isso.

Bom, o que aconteceu lá?

Envolvemo-nos num combate e...

Estava na casa lá, tinha saído do serviço de vigia.

E era sexta-feira 13, e eu esforcei-me todo o dia.

A patrulha veio da cidade, a patrulha...

... e eles dispararam com uma Panzerfaust através da parede.

- Bom... - E depois?

Eu estava deitado no sofá

e mesmo antes de acontecer senti tremores,

por isso deitei-me no chão.

Quando me voltei a levantar, o sofá estava todo desfeito.

Por outras palavras, quase morreste, é isso?

Certo.

Deve ter passado mesmo por cima da minha cabeça.

Tens consciência, quer dizer, entendes

que não és o mesmo rapaz que eras quando foste?

Sentes-te mudado?

Sim, senhor.

De que forma?

Ando mais sobressaltado.

E com as pessoas?

Eu costumava...

Costumava divertir-me sempre.

Costumava sair.

Já não gosto de fazer nada.

Quanto tempo estiveste fora?

Onze meses.

Estiveste envolvido em algum combate?

Só no segundo mês, senhor.

Tentei manter a minha mente ocupada de todas as formas,

lendo, indo ao ginásio, indo...

... saindo com os companheiros e tentando ser extrovertido,

tentando distrair-me.

Mas pareceu-me que ia piorando cada vez mais.

E ao fim de um tempo desenvolvi... Com o medo da loucura,

comecei a criar medos, de diferentes tipos.

Alguma vez tiveste dores idênticas antes de...

Nunca na vida.

Alguma vez foste nervoso antes na vida?

Não, senhor. Nunca. Era uma homem seguro.

Há barulhos que te incomodem particularmente?

Só tremo um pouco, mas não é grave.

Bom, penso que fiquei cansado de viver. Digamos assim.

Tenho dificuldades em adormecer, sim.

Sonho com a guerra, entende?

Eu fugi porque vejo

tantos dos meus amigos mortos, e pensei que era o próximo.

Há um limite para o que um homem suporta ali, entende?

Nota de internamento.

Poole, P-O-O-L-E...

vírgula Walter L, T/5.

Diagnóstico de transferência.

RESUMO, DIAGNÓSTICO

EXAMES REALIZADOS

Ataque de ansiedade, grave.

Sintomas ativos em remissão.

Nesta primeira noite de volta aos Estados Unidos,

quem conseguir pode fazer uma chamada de longa distância sem custos.

Depois de meses e anos de silêncio,

ouvem-se vozes familiares de novo.

Depois cada homem cria para si um pequeno lar

que será seu nas próximas oito a dez semanas.

Agora, na escuridão da enfermaria,

emergem as formas originadas na escuridão,

o terror das coisas meio lembradas.

Sonhos de guerra,

a tortura da incerteza, do medo e da solidão.

O dia começa com uma inspeção matinal à enfermaria.

O oficial médico responsável verifica as condições de cada homem.

A psiquiatria moderna não diferencia entre a mente e o corpo.

As doenças físicas têm, muitas vezes, causas psíquicas,

Tal como doenças psíquicas podem ter bases físicas.

Possibilidades de perturbações orgânicas no cérebro

são analisadas através do eletroencefalógrafo.

O teste de Rorschach.

As coisas que a imaginação do doente vê nos cartões

dá pistas importantes sobre a sua personalidade.

Isto parece o desenho de duas mulheres...

... em pé numa rocha a acenar.

Este homem, que sofre de histeria de conversão,

necessita de tratamento imediato.

Fisicamente saudável, a sua paralisia é tão real

como se fosse causada por lesão vertebral.

Mas é totalmente psicológica.

Bom, vamos sentá-lo no meio da cama aqui.

Sinto-me muito bem.

Isso é bom. Agora sente-se ali.

Bom, agora pode chegar-se para lá só um pouco, para podermos falar?

- Sim, senhor. - Então, o que o incomoda?

Parece perturbado.

- São só nervos. - Nervos?

Sim. Faz-me vacilar desta forma.

Estou a ver. Há quanto tempo ocorre?

Desde sexta-feira.

- Sexta. - À noite.

Veio repentinamente ou gradualmente?

- Repentinamente, senhor. - Como?

Bom, começou à tarde com crises de choro.

E senti algo esquisito nos ombros, aqui.

As costas incomodavam-me.

Comecei a chorar, perdi o controlo das pernas e braços.

Qual a razão das crises de choro?

Não sei, senhor.

Aconteceu algo em casa que o aborrecesse?

Bom, a minha mãe está doente.

- Está doente? - Sim, senhor.

Isso preocupa-o muito?

Bastante.

Bom, isto tem alguma coisa a ver com a doença da sua mãe?

Alguma razão para ter essa reação?

Não, senhor, não que saiba.

A não ser que a doença da minha mãe tenha causado isto.

- Tento aguentar-me, mas magoa. - Entendo.

- Tem andado a guardar estas coisas em si. - Sim, senhor.

- Não consegue controlar isto? - Não, senhor.

Bom, agora temos de o ajudar a conseguir, claro.

Vamos tirar o casaco.

Tire isso.

Certo, agora deite-se na cama.

Sapatos?

Não, vamos deixar os sapatos para que possa andar.

Vamos conseguir que ande. Vamos até aqui.

É isso. Muito bem.

Muito bem. Agora fique quieto.

Quieto. Muito bem.

Tudo isto vai passar com este medicamento.

Sem problema nenhum.

O método aqui aplicado é eficaz em certos tipos de casos agudos.

Uma injeção intravenosa de amital de sódio induz um estado semelhante à hipnose.

Que grande que isso é.

- Importa-se que olhe para aqui? - Olhe para aí.

Não há nada para ver aqui. Mas vai falar comigo entretanto.

- Sim, senhor. - Já está.

Agora não vai sentir grande coisa.

Vai sentir-se um pouco zonzo.

O uso deste fármaco serve um duplo propósito.

Tal como a hipnose, é um atalho para a mente inconsciente.

Tal como um cirurgião procura com sonda uma bala,

o psiquiatra explora as regiões submersas da mente,

tentando localizar e trazer para a superfície

o conflito emocional que provoca a aflição no paciente.

O segundo propósito deste fármaco é remover, através de sugestão,

os sintomas que impedem a recuperação do doente.

Agora fala-me um pouco sobre o que estás a pensar.

O que pensas agora.

Nada em particular.

Bom, vamos voltar. Vamos voltar a sexta-feira.

- Sexta-feira? - Sim, pensa nisso.

Sexta. A minha mãe discute comigo.

- A tua mãe discute contigo. - Sim.

Por que discute ela?

Com qualquer coisinha.

Se te sentas na cadeira errada, ou algo assim.

Não gosta do que lhe trazemos da loja.

Depois acalma-se.

Sempre tentaste agradar-lhe?

- Sim. - Sempre tentaste agradar-lhe.

Costumava limpar a casa com ela quando era pequeno.

Bom, por que achas que ela discute assim?

Porque está doente?

Bom, ela não tenta controlar o seu temperamento.

Entendo.

- E o teu pai? - É um tipo porreiro.

- É um tipo porreiro, mesmo? - Fica exaltado.

Desde que a minha mãe está doente, tem ficado muito caro.

E ele perdeu muito peso por estar preocupado.

Entendo.

A minha mãe discute com ele, quer saber onde está o dinheiro.

Mas eu não me importo com isso, desde que tudo fique bem.

Bom, agora, estes espasmos, em que te fazem pensar?

Pensa por um minuto.

Não consigo evitar. Tenho estes espasmos.

E as pernas?

Conheces alguém que teve um problema semelhante com as pernas?

Não, senhor. Exceto...

- O que te fez pensar? Diz lá. - Exceto há uns anos...

... houve um rapaz,

a perna dele tinha um problema qualquer.

Ferido no joelho, mas hoje anda. Isso não me incomodou.

Foi semelhante à tua perna?

Não, ele não conseguia mesmo andar.

- Não conseguia mesmo andar? - Não.

O que pensas quando não consegues andar?

Queria conseguir andar.

Mas o que pensas disso?

O que te vem à cabeça quando vês que não consegues andar?

Penso que a minha mãe e o meu pai deviam estar bem.

Às vezes penso...

Espero que a guerra acabe em breve, e isso.

- Entendo. - Nada em particular.

E agora os tremores acabaram, não acabaram?

- Sim. - E as tuas pernas?

Estão boas e fortes.

- Estão bem. - Mexe-as. Vamos levantá-las.

Dantes conseguia levantá-las, mas não consigo andar.

E agora?

Estão bem.

Parecem-te bem agora, como se conseguisses andar, certo?

Dedos dormentes.

Os dedos estão dormentes, mas está a passar, certo?

Sim. Bolas.

- Consegues levantá-las bem, certo? - Sim.

Agora vais conseguir andar, não vais?

Não sei.

Bom, vais, não vais?

- Sim, senhor. - Muito bem.

Eu vou andar.

- Eu gosto de andar. - Adoras andar.

Sempre gostaste muito de andar.

E agora não consegues andar.

Agora vais levantar-te e andar, agora.

Muito bem, vamos sentar.

Senta-te no lado da cama. Muito bem.

Muito bem.

Vamos levantar agora.

Olha só. Está bem?

Muito bem, agora sai daqui. Vai à enfermeira sozinho.

Muito bem.

Vai à enfermeira.

Estás só um pouco zonzo. É do medicamento. Agora volta.

Volta aqui.

Abre os olhos. Muito bem.

- Não é bom? Não é maravilhoso? - Claro.

Muito bem, agora de novo.

Com cuidado. Não sei quanto tempo vou estar assim.

Vai ficar assim. Vai ficar porque

tratámos das tuas preocupações agora.

Muito bem, agora volta aqui e vou deixar-te ir dormir.

Quando acordares, vais continuar a andar bem.

- Que achas? - Obrigado, senhor.

Certo.

Muito bem, agora sobe para aqui para ires dormir.

Aí está. Agora vou meter-te a dormir já.

Quando acordares, vais estar tudo bem.

- Obrigado. - Muito bem. Dorme, Girardi.

O facto de ele conseguir andar agora

não significa que esteja curado da neurose.

Isso vai demorar algum tempo.

Mas foi aberto o caminho para continuar a terapia.

Agora começa uma nova forma de vida, muito diferente da anterior,

cujo propósito era matar e tentar não ser morto.

Estando agora num ambiente de paz e segurança,

em que toda a violência ficou para trás,

estão a construir, em vez de destruir.

Os homens têm escolha de terapia ocupacional.

Alguns encontram paz nos trabalhos mecânicos.

Alguns tipos de casos obtêm alívio em trabalhos de precisão,

que responde à necessidade interior de ordem e certeza.

Para filhos e filhas, sobrinhas e sobrinhos,

e filhos de vizinhos, são entregues cavalos de brincar aos montes.

Os desportos servem para mais que promover a forma física,

servem também para retirar os homens do seu isolamento emocional

e levá-los para uma atividade de grupo.

Um dos procedimentos mais importantes é a psicoterapia de grupo.

Aqui, guiado pelo psiquiatra,

o paciente aprende a compreender

algo sobre as causas básicas da sua angústia.

Pertencendo a um grupo também aprende a perceber

que os seus conflitos internos são, com variações, comuns a todos os homens.

Penso nisto desta forma.

Queremos que saiam do vosso sentimento de isolamento,

fazer com que sintam que são como as outras pessoas.

Para chegar a isso, temos de usar o conhecimento, por um lado,

e algo mais que temos de juntar,

e isso é uma experiência de segurança.

Pode dizer-se que é quase a essência

dos nossos métodos de tratamento,

o desenvolvimento do conhecimento de nós próprios,

com a segurança que isso traz.

Gostaria de ver se conseguimos ilustrar como a segurança pessoal

é originada na segurança na infância,

e como a segurança na infância é originada na segurança dos pais.

A minha ilustração, como criança,

sempre que tinha experiências

que me assustavam, nunca dizia aos meus pais.

Guardava-as para mim.

Quando estava sozinho, à noite, no meu quarto, eu rezava a Deus.

Se fizesse algo errado, de que me envergonhasse,

tinha vergonha de dizer aos meus pais

o que tinha feito.

Por isso guardava-o para mim.

E costumava...

Eu sei que costumava ter um medo constante que os meus pais soubessem o que pensava.

Bom, questiono-me se há alguns problemas das vossas mães

que vocês conheçam.

Não, a minha mãe nunca contou aos filhos

os seus problemas.

Bom, isso será o mesmo que aconteceu convosco.

Ela não contou os problemas dela e vocês não contaram os vossos.

Contaram os vossos problemas a Deus

e ela, provavelmente, fez o mesmo.

Provavelmente, nem desabafou com o vosso pai.

Por outras palavras, o tipo de métodos que usaram

para aliviarem a vossa ansiedade, presumivelmente,

foi o que aprenderam e sentiram em vossa casa na mesma situação.

Penso que foi tudo causado pelas condições económicas no mundo.

Quer dizer, as pessoas tentam competir entre si, tentam ter um emprego melhor.

Tentam acompanhar o custo de vida.

Coisas como essas provocam muitas discussões em casa.

A mãe e o pai discutem sobre os preços da comida,

e isso reflete-se nos filhos, coisas dessas.

Assim, penso que essa foi uma das causas.

Foi pior não ter comida suficiente para comer

- ou as discussões entre eles? - Bom, ambos. Quer dizer...

O que foi pior?

Penso que as discussões.

Claro que foram. Claro que sim.

- Porque não me lembro da comida. - Aí está.

Nem te lembras da comida, e da falta dela.

Penso na minha própria infância, em que,

vindo de uma família moderada...

... moderada no sentido de termos alguma segurança.

O que aconteceu foi que nos disseram que...

... quer dizer, a mim, aos meus irmãos e irmãs,

que não podíamos brincar com quem quiséssemos,

a menos que os pais deles, por sua vez,

tivessem o equivalente ao que os nossos pais tinham.

Assim, fomos mantidos num círculo pequeno, muito pequeno.

Mas, percebi que houve um forte desejo

de minha parte para sair deste meio,

e conseguir brincar com o Tom, o Dick e o Harry.

O que concluo é isto:

a tua mãe não se sentiu superior.

Sentiu-se inferior, quando tentou que tivesses a ideia

que eras melhor que as outras crianças,

por isso, agora, certas experiências no exército

revelaram isso mais claramente,

porque foste atirado para cá com o Tom e o Dick e o Harry,

e tens de dar-te com eles.

Não é preciso estar no exército. Não é preciso estar na guerra.

Este tipo de problemas sempre aconteceram

permanentemente ao longo dos séculos.

Ias dizer algo.

Eu não falei até ter sete anos.

- Verdade? - Sim, senhor. E gaguejava muito.

Aos 14 e 15, não conseguia ler na escola.

Hoje consigo falar.

Consegues explicar como começaste a falar,

como ultrapassaste isso?

Durante a guerra, a primeira palavra que falei...

O Pai Natal trouxe-me uma arma de guerra e o meu irmão partiu-a.

- Isso foi na I Guerra Mundial, sim? - E então eu...

O Pai Natal trouxe-te uma arma e o teu irmão partiu-a.

Quando fui buscar a minha arma, disse:

"Alguém partiu a minha arma." Foi a primeira coisa que disse.

Ficaste zangado porque alguém partiu a tua arma.

Foi assim que comecei a falar.

Diria que todos esses sintomas,

como não conseguir falar, gaguejar, etc.,

têm uma raiva e ressentimento escondidos

nas partes mais íntimas da personalidade.

Podem dizer desta forma.

Debaixo do "não consigo" encontramos o "não faço".

Eu gaguejei em Okinawa, também gaguejei por três semanas.

E logo que vim para aqui, já aqui estou há um mês, parei de gaguejar.

Paraste de gaguejar completamente desde que chegaste.

- Sim, senhor. - Isso é bom.

Não sei se isso é um elogio aos médicos

ou um elogio à tua saúde fundamental.

Deve-se ao meu ser fundamental.

Sem elogio aos médicos, então.

- Não, senhor. - Muito bem.

Alguns pacientes necessitam de terapia especial.

A Hipnose é muitas vezes eficaz em certas neuroses de guerra, tal como a amnésia.

Este homem nem se lembra do seu nome.

O rebentamento de uma granada em Okinawa apagou a sua memória.

A experiência foi insuportável para a sua mente consciente, que a rejeitou,

e com ela, todo o seu passado.

Através da sugestão hipnótica,

os psiquiatras irão tentar evocar as suas memórias.

Relaxa completamente, e pensa em ir dormir.

Muito bem, agora olha-me nos olhos,

olha-me nos olhos, e fixa-te nos meus olhos.

Pensa apenas em adormecer.

Vais adormecer profundamente enquanto avançamos.

Vais adormecer profundamente enquanto avançamos.

Agora entrelaça as mãos à frente.

Entrelaça-as bem.

Ficam mais apertadas, e apertadas, e apertadas,

e enquanto apertam, adormeces.

Enquanto apertam, adormeces,

os teus olhos estão a ficar pesados. As tuas mãos estão bem fechadas.

Estão bem fechadas.

Não consegues largar.

Bem apertadas. Não consegues largar.

Quando estalar os dedos vais conseguir largar.

Quando estalar os dedos vais conseguir largar,

e depois ficas com mais sono, e os teus olhos ficam pesados.

Agora, os teus olhos estão a ficar mais pesados. Entras num sono profundo.

Entras num sono profundo. Sono profundo, a dormir profundamente.

Os teus olhos agora fecham bem.

Vais para um sono muito profundo.

Profundamente relaxado, a dormir profundamente. A dormir profundamente.

Agora estás num sono profundo. Não tens medo, ou ansiedade.

Sem medo, sem ansiedade. Estás num sono profundo.

Agora senta-te na cadeira atrás de ti.

Inclina-te para trás.

A cabeça agora cai para a frente num sono profundo.

A cabeça cai para a frente.

Entras mais e mais no sono.

Quanto te esfregar o braço esquerdo ele vai ficar rijo como um ferro

e entras ainda mais no sono.

Cais num sono mais e mais profundo.

Rígido.

Não pode dobrar-se ou relaxar.

Quando tocar no cimo da tua cabeça o braço vai relaxar,

e o outro vai tornar-se rijo e vais adormecer mais.

Estarás num sono profundo.

E o sono é mais e mais profundo.

Quando tocar nesta mão, o meu dedo vai estar quente.

Não vais conseguir suportar.

O teu braço está rígido.

E agora, quando tocar na tua mão,

já não vais sentir qualquer dor lá. Vai estar normal.

Agora o braço está relaxado, e adormeces ainda mais.

Agora estás num sono profundo.

Vais voltar. Vais voltar agora.

Vais voltar para Okinawa.

Consegues falar.

Consegues lembrar-te de tudo.

Estás de volta a Okinawa. Diz-me o que vês.

Diz. Fala.

- Estou na área de baterias. - Estás na área de baterias.

Continua, diz o que se está a passar.

A obter missões de fogo.

Estás a obter missões de fogo.

Continua.

Agora vês tudo claramente.

Há granadas a serem atiradas a nós.

Estão a atirar-vos granadas. De onde?

- Japoneses. - Japoneses. Continua.

Sim. Continua.

Lembras-te de tudo agora. Está a vir tudo à memória.

Os japoneses estão a aproximar-se de nós.

Os japoneses estão a aproximar-se.

Continua.

Dizem para nos abrigarmos.

Quem disse para se abrigarem?

- O Comandante da bateria. - O Comandante da bateria. Continua.

Eles viram-nos.

Um dos rapazes ficou ferido.

Um dos rapazes ficou ferido.

Levaram-no.

Sim, continua. Lembras-te agora.

Conta. Está tudo bem agora, mas podes contar-me.

- Explosão. - Sim.

Agora lembras-te da explosão.

Muito bem, continua.

- Eles estão a levar-me. - Eles estão a levar-te.

- Quem te leva? - Não sei.

Para onde te levam?

Para o outro lado do campo.

Para o outro lado do campo. Continua.

- Põem-me numa maca. - Sim?

Sim? Continua.

Ainda atiram granadas.

- Sim, consegues ouvi-los? - Sim.

- Consegues vê-los? - Não.

Muito bem. Onde te levam agora?

Num camião.

Por que tens medo agora?

Não quero continuar com isto.

- Não queres continuar. - Não.

Queres esquecer.

Mais vais lembrar porque já passou.

Já passou.

Estás aqui agora.

Estás longe de Okinawa. Esqueceste.

Mas agora lembras-te de quem és.

- Quem és tu? - Dali.

Dali, é isso.

E o nome completo.

- Dominic Dali. - Dominic Dali. Está bem.

Sabes o nome da tua mãe?

- Isabel. - É isso.

Pai?

- Salvatore. - Muito bem.

Agora sabes quem são.

Muito bem, estás a voltar.

Vais guardar esta informação.

Vais lembrar-te de tudo.

Vais lembrar-te de Okinawa.

Vais lembrar-te das granadas e das bombas,

mas elas já foram embora.

Estás em paz, estás relaxado.

Não há medo, nem ansiedade.

Quando te acordar vais estar confortável, relaxado, sem dores ou incómodos.

Mas vais lembrar-te de tudo o que te disse,

de tudo o que lembraste.

Podes acordar agora.

Bom, como estás?

Muito bem.

Guiado pelo psiquiatra, ele consegue lembrar-se da sua experiência

na sua verdadeira perspetiva como algo que pertence ao passado,

que já não ameaça a sua segurança.

Agora, consegue lembrar.

Bom, Hofmeister, qual é o problema?

É difícil dizer.

Sim, parece ser difícil.

Há quanto tempo tens esse problema?

Começou...

... há um mês.

Onde estavas na altura?

Estava em França.

Estavas na França.

- Estiveste em algum combate? - Sim.

Talvez possamos ajudar-te a falar um pouco melhor,

e podes contar-me mais sobre o assunto depois.

Vamos deitar e ver se te podemos ajudar com isso.

Este homem não sofre de gaguez crónica.

Sofre de tensão de batalha que o medicamento vai tentar reduzir.

Como o homem que não conseguia andar e o homem que não se conseguia lembrar,

a sua doença é psíquica.

Fica confortável e relaxado.

Vou apenas dar-te um medicamento

que vai ajudar a soltar a tua língua.

E isto vai fazer-te sentir um pouco zonzo.

Diz-me, como te sentes agora?

Sentes-te bem?

- Alguma diferença no que sentes? - Bem, e de que forma.

É como o sétimo céu.

O que é isso?

- Fala-me disso. - Uau, consigo falar.

- É bom, não é? - Consigo falar!

- Isso é bom, rapaz. - Ouçam, eu consigo falar!

Oh, meu Deus, ouçam, eu consigo falar!

Santa mãe de Deus, ouçam!

Muito bem, está a voltar agora.

Com calma.

Ouçam, eu consigo falar!

Como sempre fizeste, não é?

Ouçam.

Oh, Deus, consigo falar!

Como sempre fizeste, Hofmeister.

Por que não te deixas levar agora?

- Bom! - Vamos acalmar agora.

Fala, mas um pouco menos agora.

Diz-me, sabes por que não conseguias falar antes?

No que pensas agora?

Diz-me, o que pensas agora?

O que estava na tua mente quando não conseguias falar?

O que é que o fez parar?

Algo chegou e parou-o.

O que é agora? Pensa depressa, pensa bem.

Vamos voltar. Quando é que perdeste a fala

e sentiste dificuldade a falar?

Regressa rapidamente.

Acho que reparei nisso primeiro num barco.

- Num barco. - A pensar.

Começou primeiro com o "S".

E os camaradas riram de mim.

Não sei por que riram, até que um rapaz disse...

Bom, vamos começar com esse "S". Vamos voltar a esse "S" agora.

Em que pensavas na altura?

O que pensavas na altura?

- Agora? - Não, na altura.

- No barco? - Sim, com esse "S".

- Quando não conseguias dizer bem o "S". - "S".

- O bombordo. - Bombordo.

Bombordo do barco.

Que lado é esse?

- É o lado esquerdo. - Lado esquerdo, muito bem.

Sim, eu lembro-me.

Porque estávamos lá fora nessa tarde...

... e vimos os peixes.

E tínhamos uns peixes voadores.

E cheguei e disse...

Estava a dizer ao camarada debaixo de mim sobre o bomb...

... que tinha visto uns peixes voadores a bombordo.

Ele tentou falar-lhes dos peixes voadores,

e paralisou no som "S".

E os camaradas riram-se dele.

Pensa bem, "S".

O que é que o "S" lhe lembra? "S".

Ele lembra-se, é o som que ele teme.

Som de morto em combate.

O som de uma bomba German 88 altamente explosiva a chegar.

Agora é possível proceder aos métodos básicos do tratamento psiquiátrico,

à discussão e compreensão das causas escondidas do seu sintoma.

À medida que as semanas passam, a terapia começa a fazer efeito.

O choque e stress da guerra começam a passar.

Porque estes homens estão abençoados com o poder regenerativo natural da juventude.

Agora vivem menos no passado e mais no presente.

Às vezes pensam no futuro.

PEQUENA EMPRESA

Têm de deixar aparte os anos da guerra,

e as responsabilidades da paz têm de ser consideradas.

Um homem pode abrir uma estação de serviço ou uma loja de ferragens.

Ou pode comprar alguns hectares de terra e criar galinhas.

Até pode regressar à escola.

VOLTAR À VIDA CIVIL

Dia das visitas.

Agora os homens contactam o mundo exterior.

Estas são as pessoas a quem voltam,

cujas vidas estão ligadas às suas.

Sem a compreensão delas,

tudo o que foi alcançado nas últimas semanas pode ser destruído.

Com a sua compreensão, o seu regresso à vida pode ser rápido e seguro.

As sessões de psicoterapia de grupo continuam.

Os homens pensam em si em relação à sociedade.

Como irão adaptar-se ao padrão pós-guerra?

Como irá o mundo recebê-los?

Vocês tiveram oportunidade de estar em casa com as vossas famílias

desde que regressaram do estrangeiro.

Notaram alguma mudança

nos diversos membros da vossa família em relação a vós,

e as reações deles convosco?

Bom, percebi, após quatro anos de ausência,

que no segundo dia fiquei logo bastante relaxado,

e novamente amigo do meu pai.

Falámos sobre o velho bairro e as novas mudanças.

Não sei. Surpreendeu-me.

Achas que a tua família tem de ser ensinada

a lidar contigo quando voltares?

Não, claro que não.

Como queres ser tratado pela família?

Da mesma forma que era tratado antes de entrar ao serviço,

sem diferença.

Sem diferença?

Não.

Estava a falar com um homem e disse:

"O que pensas dos homens que voltam

num estado de ansiedade psiconeurótica?

E disse-lhe: "Como vês, não somos malucos de forma nenhuma."

E ele disse: "Bom, Mike, antes de vir aqui ver-vos,

a minha primeira impressão foi como em Bellevue".

Ele disse: "Os homens da última guerra estão completamente malucos.

Essa foi a minha impressão".

E questiono se, quer dizer,

a maioria das pessoas vai ser assim

quando sairmos daqui.

Essa é uma preocupação comum

entre os homens que serviram e desenvolveram condições nervosas

durante o seu tempo no exército,

e sobre o que as pessoas vão pensar deles.

Sem dúvida, vai haver gente lá fora...

... que não vão entender o problema,

que podem pensar que é um problema vergonhoso.

É por isso que temos um programa educativo,

para tentar educar o público a compreender.

Infelizmente, a maioria de vós

passou por situações terríveis no exército,

situações que os civis raramente enfrentam.

Na vida civil é possível evitar situações de grande stress.

Se um civil, o civil comum, fosse sujeito a situações semelhantes,

iria sem dúvida desenvolver o mesmo tipo de condição nervosa

que a maioria de vocês desenvolveu.

Todos nós temos o chamado ponto de rutura.

E o nosso inquérito lá fora mostrou que

os civis, na generalidade, eram mais nervosos que os soldados.

Em Park Avenue, por exemplo,

onde moram alguns dos mais ricos,

a maioria dos doentes são pessoas que sofrem de problemas nervosos.

E se o médico não lhes der um comprimido,

bom, eles saem e dizem: "Ele não é um bom médico."

Por isso dão-lhes comprimidos, e eles tomam-nos em casa.

Tomam estes comprimidos em casa porque os hospitais estão cheios.

Se os hospitais estivessem vazios, eles estavam num sanatório, ou assim.

Tendo estado em algumas destas discussões,

como os outros homens, sei que aprendemos

o porquê de termos problemas nervosos. Alguns em combate,

e alguns sem estar em combate.

E penso... Tenho a certeza que compreendemos melhor

as nossas condições, e estou muito grato por estar aqui

no Mason General Hospital, como estão muitos camaradas.

Acontece que não conseguia andar.

E fizeram-me andar.

Não podia andar quando cheguei, estive aqui 24 horas e puseram-me a andar.

Estou muito grato por ter as minhas pernas de volta.

É a isto que quero chegar, eu sei que...

... quando sair daqui, e os outros homens também,

vamos dar o melhor para sermos o melhor possível.

E temos mais confiança para compreender esta situação nervosa

que nos aconteceu, e queremos mostrar às pessoas

que conseguimos fazer as coisas sozinhos lá fora,

quer tenhamos estado no hospital por nervos,

ou quer tenhamos perdido um braço ou uma perna,

que podemos ser tão bons como qualquer pessoa.

Tudo o que quero é que nos deem possibilidade de mostrar o que valemos,

como disseram que fariam.

Espero que cumpram a promessa. É o que espero.

Fazias questão de dizer ao teu empregador

que és psiconeurótico?

Bom, se ele for inteligente,

que a maioria dos empregadores são, que têm grandes empresas,

ele vai reagir

da mesma forma que qualquer ser humano.

Ele vai dizer: "É totalmente compreensível,

e o homem agora parece estar bem. Vou dar-lhe uma hipótese."

Mas podes deparar-te com empregadores

que não têm a mente tão aberta, nem são assim inteligentes.

Sim, senhor. E eu vou promover-me a eles.

E tu, Hofmeister? Tens planos em relação a emprego,

ou tens medo de arranjar emprego?

Não tenho medo nenhum. Tenho o meu emprego à minha espera.

Tens o teu emprego à tua espera.

Penso que se resuma a isto, não é,

que a maioria de vós sente

que deve ser honesto com o vosso empregador,

que não têm nada a esconder, nada que sentir vergonha?

- Não é essa a atitude geral? - Sim, senhor.

É assim que todos se sentem.

O vosso tempo no serviço não foi totalmente perdido.

Aprenderam muito por lá.

Por exemplo, muitos trabalhos e tarefas que aprenderam no serviço

com os quais não tinham tido qualquer contacto no passado.

Também aprenderam a trabalhar em grupo,

algo que todos os soldados aprendem a fazer muito cedo na sua carreira militar.

Isso vai ser uma mais-valia para vocês

no vosso futuro emprego civil.

Estas semanas passaram depressa.

A anteriormente estranha vida hospitalar tornou-se rotineira.

Às vezes um homem aprende algo novo.

Os rangers sempre quiseram tocar guitarra.

E agora os dias parecem longos.

Há o velho som saudável de queixumes no ar:

"Espinafres, espinafres novamente."

"E que tal um bom filme para variar?"

"E que tal meter gelado no refrigerante de gelado?"

Mais nenhum homem confinado às pausas solitárias consigo mesmo.

Está a sair da sua prisão, e indo para a vida,

a vida que o espera, oferecendo infinitas possibilidades

para alegria e tristeza.

Como é que um homem encontra a felicidade?

Há um segredo a descobrir?

Qual é o ingrediente secreto que dá alegria e sentido à vida?

Sabem na Bíblia onde se lê,

"O homem não vive apenas de pão"?

As crianças não crescem bem sem segurança e confiança.

Se não se tem isso na infância, ao crescer,

podem dizer: "Houve algo em falta durante todo esse tempo."

E a próxima pergunta é, como garantir isso?

E é preciso garanti-lo.

Nem todos os ensinamentos em todos os livros

são tão importantes para ultrapassar os estados nervosos

como encontrar alguém que se ame,

com quem se sintam seguros,

onde podem ter a sensação de serem aceites ou apreciados,

onde sentem que são valiosos,

e que são importantes para alguém.

Podem dizer que a "alimentação" que não tiveram,

o algo mais que "pão", quando eram pequenos,

ainda precisam de o obter.

Ainda precisam de ser "alimentados" com aceitação,

e encontrar a segurança.

Por outras palavras, o conhecimento sozinho não é suficiente.

Base, Sarge! Base!

Ninguém conseguiu.

- Levanta-te! - Levanta-te e dá a volta!

Passaram oito semanas.

E estes homens?

Estarão prontos para ter alta?

Recuperaram totalmente?

E o rapaz no campo direito?

Não me importava com o que me acontecia.

E o rapaz com o taco?

A trincheira estava coberta de terra.

Eu estive soterrado 29 horas até me encontrarem.

Está fora!

Fora! Joe, estás fora. Vá lá!

E o árbitro?

É difícil dizer as palavras.

Estás fora, vá lá! Anda bater.

E este miúdo?

Que se passa com ele?

Estarão suficientemente bem para ter alta?

Isso vão os médicos decidir na reunião de amanhã.

SALA DE ESPERA

A resposta é sim.

SALA DE REUNIÕES

Homens, esta é a vossa última formação militar.

Hoje regressam às vossas casas,

às vossas famílias e amigos.

Muitos de vocês esperam ansiosamente este dia.

Mas lembrem-se que quando reentrarem na vida civil,

nos vossos ombros cai muita da responsabilidade

para o mundo pós-guerra.

Que as vossas vidas como civis sejam tão dignas como os vossos registo de soldados.

Tenham saúde, felicidade e boa sorte.

Traduzido por: Sara Ferreira

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