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Breno, meu amor, você chegou.
Você tá aqui. Me ajuda, me tira daqui.
Bom dia, Domioka.
Bora lá naquela cachoeira secreta que você falou? Eu tô presa. Eu preciso de
ajuda. Tá um dia lindo.
Vamos aproveitar.
Você pode escrever mais tarde.
Aquele cara, ele é doido.
Breno, você tá me ouvindo?
Qual é a graça de ir sozinho?
Você é minha ratinha.
Você é minha ratinha. Me tira daqui.
Te amo, pequeno.
Não, não, não.
Me tira daqui, por favor.
Você é minha ratinha.
Com quem você está falando?
A gente precisa conversar sobre ontem à noite.
Queria falar sobre confiança.
Queria falar sobre cuidado.
Não que você tenha algum por mim, mesmo depois de eu ter feito tudo por você.
Mas a culpa foi minha.
Eu me deixei envolver, né, Clarice?
Eu que te deixei soltar, né? Não foi você.
Mas agora eu vou ter que te ensinar um pouquinho sobre disciplina.
Quebra.
O quê?
Quebra os cigarros.
Eu não consigo parar de fumar de uma hora pra outra. Vai ser melhor pra você.
Meu amor, tudo que eu tô fazendo é pelo seu bem.
Você pode ser alguém muito melhor do que você é agora.
Tá bom, minha tia?
Faz por você.
Obrigado.
Eu tô preocupado faz um tempo.
E aí a gente resolveu ligar.
Ela desapareceu. Do nada.
Não respondi as nossas ligações. Já tinha quase duas semanas.
E foi quando o cara que se diz noivo dela atendeu e não deixou ela falar com
gente. E ela... Ela gritou, ela parecia estar muito acuada, como se ela
tivesse... É uma questão do que exatamente?
Nome da envolvida?
Clarice Manhães.
Nome da mãe?
Helena. Helena Manhães.
Pode deixar, Ivan. Libera eles e manda o boletim para averiguar. A gente entra
em contato assim que tiver novidade, tá bom?
Desculpa, acho que o senhor não está entendendo. Isso aqui é um caso de
urgência.
Rapaz, você sabe quanta gente some no Rio de Janeiro?
Não são nem nove da manhã e só hoje eu já cuidei de um homicídio, violência
doméstica e não sei quantos assaltos.
Vocês já fizeram a parte de vocês, tá? Agora deixa a polícia fazer a dela. Não,
delegado. Dá licença. Vamos lá, por favor, Ivan.
Traz o boletim.
É um cara meio malfadinho, cabelo curto, que é tão... Não, ele não era meu
amigo, não.
Não sei, talvez a minha mãe saiba.
Mãe! Oi. Eles estão procurando um menino que estava no meu aniversário, de
cabelo meio lambidinho.
Você falou que ele estava com a mãe, né? Uma cadeirante. Vocês estão falando do
Théo, que é filho da Patrícia.
É? Você conhece? Claro, um menino ótimo. Do estudante de medicina. Você tem o
endereço deles, o contato? Eu sei que eles continuam morando em Copa.
Coitados, eles perderam tudo depois do falecimento do pai dele.
A única coisa que eles conseguiram manter foi o sobrenome, Avelar
Agora a gente tem sobrenome.
Você ouviu o que ele falou da medicina?
A gente vai na faculdade, eu sei.
O que você está fazendo?
Zena?
Aqui é o Aquino.
Delegado, nossa, há quanto tempo a gente não se fala desde o... Desde que você
livrou a cara do deputado Hélio Portela.
Não tenho culpa se eu sou uma ótima advogada.
Pois é. Nós recebemos uma denúncia.
Referente a sua filha.
Denúncia?
Ai, vai, me fala. Que merda a Clarice fez?
Não, não fez nada. Pelo contrário.
Nós recebemos a informação de que ela está desaparecida.
Desaparecida? Quem que falou isso?
Dois jovens.
Um rapaz e uma moça. Mais ou menos da mesma idade dela.
E os dois aí não devem ser levados a sério. Esse Breno é ex -namorado da
Clarice. Levou um pé na bunda, veio aqui na minha porta, sabe? Não aceita o fim
do namoro.
E essa garota Laura, péssima companhia.
A Clarice tá ótima longe deles.
Tem certeza disso?
Absoluta. Aquino, minha filha, ela tá em Teresópolis. Ela tá com um namorado
novo, é isso?
Tá na melhor fase da vida dela, Costinho.
Tá bom, tá bom.
Desculpa incomodar, mas eu tinha que conferir. Tá, muito obrigada pela sua
preocupação, mas não é necessário. Tchau, delegado.
Eu não consigo me concentrar com você e com essa arma.
Sinto muito.
É mais um privilégio que você perdeu.
Cadê o roteiro, Théo?
Cadê o arquivo do roteiro?
Eu apaguei.
Você o quê? Não estava me convencendo.
Théo.
Théo. Eu já tinha terminado, Théo. Eu já tinha passado da metade. Você estava
amando o filme. Eu nunca gostei dessa coisa do gringo.
Nos últimos tempos eu tenho sentido que... Que não sei, parece que você tá
alma.
E não tá mais se entregando como antes.
As cenas tão piorando.
Você não tá colocando o seu coração, sabe?
E eu não gosto.
Sinto que você... Só quer entregar e terminar logo, sabe?
É difícil ser criativa quando você tá sendo ameaçado o tempo todo.
Não adianta você escrever qualquer bosta para me conquistar.
Eu não quero assim.
Você não quer tanto ir embora?
Para você ir?
Ou você se apaixona por mim?
Ou me apaixona pelo seu roteiro?
Ratinha, eu tava pensando sobre o seu roteiro, e talvez o problema dele não
o gringo, e sim a forma como ela dizia antes.
Talvez se ela se encontrar ao invés de se perder, fique muito melhor.
Vai certinho agora?
Que tipo de pessoa hoje em dia não tem rede social?
Gente esquisita querendo se esconder.
Se não fosse esse cara passar em primeiro lugar em medicina, a gente não
ele nunca.
Você faz medicina?
Último período.
Você conhece o Theo Avelar Guimarães?
Aham.
Ali tá escrito Necrotela. Tem alguma coisa a ver? Ele é monitor do
de patologia e cuida dos corpos pra aula de anatomia.
Você tem algum contato? Você é próximo?
Cara, pra ser bem sincera, eu nem sabia que esse menino existia. Se não fosse
aquela história lá.
Aquela fofoca daquela garota.
Que história?
A galera fala que ele foi violento com uma mina.
Drogou ela, tipo, uma parada bem pesada, assim. Ela até largou a faculdade.
Na época eu não dei muita bola. Ele é mó mosca morta. Achei que... Achei que
pudessem estar inventando, que a menina pudesse estar exagerando.
Enfim.
Você lembra o nome dela?
Era... Celine... Cirille.
Cirille. Cirille. Tá bom.
Valeu. Nada.
Oi, gente.
Como vocês sabem, eu fiz medicina.
É ela?
Tá, vai, boa. Vou mandar mensagem. O que é que eu falo?
Sei lá.
Pede pra ligar.
Boa noite.
Desculpa incomodar.
Você conhece Theo Avelar Guimarães?
O que foi?
Eu tô com fome. Cadê a comida?
Tá aqui.
Você não tá falando sério.
Me dói fazer isso, Clarice.
Mas você precisa aprender a respeitar as regras.
E a valorizar tudo o que eu fiz. Eu tô com fome, porra!
Tu realmente achou que eu ia aceitar essas mensagens e ia ficar aqui?
Parado.
Recebendo esse monte de merda sem fazer nada.
Só quero que você saiba que eu vou te achar.
E quando eu te achar, eu vou acabar com você.
Tá me entendendo?
Eu não tô brincando, não.
Eu conheço o Breno. Ele não vai parar.
Ele vai parar.
Assim que você mandar uma mensagem pra ele terminando de beijo.
Eu não vou fazer isso.
Eu não quero fazer isso.
O que você vai fazer? Vai me matar?
Não vou te matar, Clarice.
Quem vai te matar é o Breno.
Ele não fala o meu nome na mensagem?
Ele mandou pra você.
Quem você acha que vai ser o suspeito?
E houve essa questão de falar o quanto seu namorado era possessivo.
E como ele só ficava atrás da gente.
Você não pode fazer isso.
Poder eu posso.
Mas a escolha é sua, Clarice.
Você
não
gosta de nada que te prenda. Eu não gosto de idealizar nada.
Miguel!
O que está rolando?
Oi, Clara.
A árvore está com uma praga. A gente vai ter que botar ela abaixo.
Mas ela está tão bonita ainda.
Mas por dentro está toda podre.
Pode cair a qualquer momento.
Oi, Breno.
Eu sei que é difícil pra você entender.
Que parece que foi do nada, mas não foi.
A gente não tava bem.
Não adianta fingir que tava.
Nossa relação tava que nem aquela árvore, lembra?
Por fora ela parecia bem.
Mas por dentro ela tava podre.
Sendo comida por uma praga.
Olhando de fora, ninguém diria, né?
Mas se a gente não cortar essa relação agora, ela vai morrer.
Vai cair.
E vai machucar quem estiver em volta.
Inclusive nós dois.
Lembrei, lembrei.
Laura, eu sou onde a Clarice está.
Estou indo aclarar agora.
Cirile?
Oi, eu sou a Laura.
Quem te contou?
Foi uma aluna do último ano.
Ela comentou que você saiu da faculdade, né?
Teoricamente, por causa dessa treta contada. Tudo que eu conto dessa
mentira, né?
Ninguém quer saber a verdade?
Não, não é. Desculpa.
Ninguém nunca escuta a mulher nessas horas.
Eu tive que ouvir que eu era a maluca, queria ser uma atenção, piranha
vingativa.
Eu tô aqui pra te ouvir, Cirilha. Eu tô achando que o Théo não bate muito bem da
cabeça e talvez ele seja até meio, não sei, agressivo. Isso eu não tenho a
dúvida.
Eu te contei, né, da Clarice, minha melhor amiga.
Ela começou a namorar esse cara, tipo, do nada.
Ela tá super estranha.
Tá tudo estranho, na real.
Bom que alguém se preocupe.
E aí, desde então, ela tá meio punida.
Parou de responder todo mundo. Está ignorando geral. Me ignorando,
Não faz sentido.
Posso te contar o que aconteceu?
O que você vai fazer com isso?
Preciso da sua história para convencer a polícia que o Théo não é uma pessoa
legal. Que a Clarice provavelmente está em perigo com ele.
Eu preciso tentar.
Não sei, vai que junta nas histórias. Eles fazem alguma coisa.
Por favor.
Eu... Eu fiz uma brincadeira.
Numa aula de anatomia.
Eu... Tentei a unha de um cadáver.
Uma piada. Bobagem.
Só que... Quando até eu vi... Ele surtou.
Enfim.
Se tivesse acabado por aí...
Naquela noite ele me procurou na festa do centro acadêmico.
Ele veio se desculpar.
Oi.
Oi.
Acho que eu peguei pesado consigo.
Queria conversar.
Sinceramente, eu ia ser uma babaca se eu não aceitasse a desculpa dele.
Ele veio tudo fofo, tudo educado.
Se tem uma coisa que meus mortos me ensinaram, é que a vida é frágil.
E inimizade são anomalias.
Aí eu chamei ele para dançar.
Depois disso, eu comecei a ver tudo rodando.
Depois...
Eu não lembro de mais nada.
Eu apaguei.
Aquela caipirinha que ele me deu foi a única coisa que eu tomei a noite
Eu tenho certeza que aquele filho da puta bateu com o meu inimigo.
Alguém te ajudou você voltar pra casa como aquele dia?
Sabe o que eu descobri aquela noite?
Que acordar de um apagão assim...
É horrível, horrível.
Mas acordar num lugar lindo, que parece um cadáver,
num saco de necrotério, sufocada, sem ar, é muito, muito
pior.
Breno!
Laura, é seu dia clarista.
Tô indo pra lá agora.
Não, não, não, não, não, não.
Breno, me atende, pelo amor de Deus. Não vai sozinho. Volta pra casa. Eu acabei
de falar com a Cirilio. O senhor é perigoso. Ele é doente da cabeça. Pelo
de Deus, não vai.
Alô? Oi, Helena, Helena.
É a Laura, eu tô precisando falar da Clarice.
Menina, é só hora de ligar pra casa das pessoas.
Eu sei, desculpa, só que é urgente, o Breno tá tentando ir atrás dela. Acabei
falar com a menina e a gente precisa entender onde que ela tá. Você sabe onde
que ela tá?
Para, para de perturbar minha filha, minha família.
Eu vou denunciar vocês pra polícia, hein?
Porra!
Sai de perto de mim!
Me dá essa arma, Clarice. Você não manda assim em mim!
Você vai atirar?
Vai?
Porque se você não me ama, eu tô pronto pra morrer.
Atira!
Atira!
Abre essa porta!
Abre essa porta agora!
Não, não, não, não!
Senta, porra!
Eu não quero ouvir um pio, entendeu?
Vem aqui.
Você não cansa de me desapontar, né, Clarice?
Já vê que eu vou ter muito trabalho pra te endireitar ainda.
Eu tenho muita pena de você, Theo.
Sou eu que tenho pena de você, Clarice.
Você tem alguém que te ama?
E que você não consegue valorizar.
Você acha que você me ama?
Você acha que isso é amor?
Isso é doença.
Isso é qualquer coisa.
Menos amor.
Mas... Você está enxergando as coisas errado.
Eu não estou.
Eu não estou.
Eu sei o que eu sinto.
E eu amo o Breno.
O Breno.
Não você.
O Breno.
O homem que vive brigando com você.
Que não quer saber quem você é.
De verdade.
Você nunca teve namorada, né, Théo?
Porque não parece.
Você não sabe se relacionar, né?
Eu e o Breno, a gente briga.
Mas a gente se entende depois.
A gente se ama.
Você não me conhece. Nem você me conhece!
E você não sabe de porra nenhuma que se passa entre eu e o meu namorado!
Você é um coitado.
Eu tenho nojo de você.
Eu tenho nojo.
Você sabe, né?
Você sabe que você não bate bem.
Eu tenho nojo de você.
Eu tenho nojo.
Com quem você tá falando?
Ratinha, eu tava pensando sobre o seu roteiro, né?
Eu acho que o problema não é o gringo, e sim a forma como ela vivia antes dele.
Talvez se ela se encontrar ao invés de se perder, tudo...
É isso aí.
Noite devagar?
É.
Depois do final de semana os hospedos vão embora e a gente fica nessa
Fica claro?
Pode crer.
Obrigado.
Oi, dona Helena. Sou eu, Théo.
Ah, oi, Théo.
Clarice tá aí com você?
Não. Eu vim pro restaurante e ela ficou no chalé.
Falar com ela.
Tá difícil falar com vocês, pô.
É, afinal, lá no chalé é muito ruim mesmo. Mas eu aviso ela que se ligou e
retorna. Pode ser?
Tá tudo bem?
Não, não tá tudo bem. Melhor falar logo, olha.
Eu tô preocupada com ela.
Tô indo atrás dela, tô obcecado por encontrá -la. A última dele foi ligar
polícia e pedir pra irem atrás de vocês.
Ele ligou pra gente também.
Falou um bando de besteira.
É um tosco ele.
Será que não é melhor vocês voltarem?
Ele foi bastante agressivo comigo aqui.
Fica calma.
Tá, dona Helena.
Sua filha tá em segurança comigo.
Tá bom, querido. Tá bom.
Depois a gente se fala.
Até já.
Eu tô com fome. Cadê a comida?
Eu tô com fome, porra!
Senta a porra!
Eu não quero ouvir um pio.
Você não cansa de me desapontar, né, Clarice?
Já vê que eu vou ter muito trabalho pra te endireitar ainda. Porque qualquer
coisa, menos amor.
Clarice, você não tá enxergando as coisas direito.
Eu tô. Não tá? Eu tenho muita pena de você, Teo.
Olha pra mim, Clarice.
Clarice, olha pra mim.
Olha pra mim que eu tô mandando.
Você tá olhando pro seu futuro.
Eu sou o homem que se ilumina com o teu brilho, Clarice.
Comigo, você vai ser tudo o que você pode ser.
Mas é uma pena, meu amor, que...
Agora, agora, você vai dormir.
Quem é?
Quem tá aí?
Filho da puta!
Você fez com ela, seu desgastado!
Olha isso!
Olha isso!
Como?
Como?
Como?
Cadê a chave, porra?
Cadê a chave?
Cadê a chave, porra?
sabe de porra nenhuma que se faça entre eu e o meu namorado. Eu tenho nojo de
você. Nojo.
Nojo. Nojo. Nojo.
Nojo. Nojo.
Nojo. Nojo.
Nojo.
E eu amo o Breno.
O Breno.
Não pode ser.
Você sabe que você não bate bem.
Não, Júlia.
Serei feliz, bem feliz.
Não sei porquê
Bate feliz
Quando
te vejo
E os meus olhos
ficam sorrindo
Seguindo Mas mesmo assim
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