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Zulu
Que voos tem para a Am�rica do Sul, exceto Brasil?
Na v�spera de Natal, s� temos Rio de Janeiro.
No dia de Natal, temos Buenos Aires.
- �s 23h, com escala em Frankfurt. - S�?
S�.
Dois para Buenos Aires.
- Qual � a data de regresso? - � s� de ida.
- Rom�ntico? - Depende do tempo que tiver.
- Nome do outro passageiro? - Pode ficar em branco?
Imposs�vel.
N�o posso vender o bilhete sem nome e n�mero de passaporte.
AP7620119.
Ol�, porque ligas t�o cedo?
Ol�. Como assim, cedo?
J� fui � igreja e j� cozinhei beterrabas para o borche.
- Vais adorar. - N�o posso ir.
Filho, n�o comeces. J� passaram cinco anos!
J� disse, estamos a fechar um neg�cio importante com Taiwan.
- Tenho de l� ir. - E o teu pai? A tua irm�?
Est� bem. Mando a tua prenda pelo correio.
Chega a� antes do Natal.
Lembra-te de ir levant�-la, pois deves estar no trabalho.
Obrigado, m�e.
De vez em quando, podias ligar-nos.
Agora que o pediste, n�o ser� espont�neo.
Credo, n�o sejas parvalh�o.
- J� me basta um em casa. - Manda cumprimentos ao pai.
Ainda est� a dormir.
- Adeus, m�e. - Espera, ouve!
A tia Marlena quer o teu quadro, aquele da igreja,
que fizeste na escola. - Eu sei.
- Na faculdade. - Pode ficar com ele.
- Deixa-me dormir. Adoro-te. - Adeus.
- Bom dia. - Para mim, n�o.
- De certeza que n�o � aspirina? - Ou queres ou n�o.
Calma. No outro dia, venderam-me uma merda qualquer.
N�o compres merda. Liga-me.
Dois mil.
Est�o a chegar as elei��es.
Andam a revistar-nos, da cabe�a aos p�s. Malditos protestantes...
Tem de ser tudo transparente!
Em breve, v�o pedir faturas do supermercado. Foda-se!
Eu arranjo-te uma, se precisares muito.
N�o, obrigado. Estou bem.
- Adeus. - Cumprimenta o Presidente, Vice.
N�o me chames "Vice".
- Passas por aqui mais tarde? - Tenta, mas n�o vais snifar tudo.
Mais baixo! Muito bem!
At� ao peito! Dois! Isso mesmo!
Vamos l�, desce e sobe. Tr�s! Incr�vel! Outra vez!
- For�a! Para cima! - Vai-te foder!
- Descansa e passamos �s pernas. - Vou foder a tua m�e!
- Queres matar-me? - Vai.
Dez minutos. Tenho de falar. Vai fazer algo, n�o sei...
Olha para o espelho ou vai beber um batido de prote�nas.
Desaparece daqui! Dez minutos!
Em 15 anos, safei-me.
Dez bombas no carro, mas aquele cabr�o vai matar-me!
Obrigado.
O que se passa?
Preciso de uma pausa. Vou viajar tr�s semanas.
Leva-me contigo, vou enlouquecer com estes marretas.
- N�o vou a lado nenhum h� dois anos. - Eu nunca fui.
- Porque precisas de produto? - Press�o pr�-f�rias.
Ando a meio g�s. Quando voltar, terei perdido clientes.
Malditos reis da paranoia. Mesmo limpos, temos ar de quem snifa.
S�o neg�cios, n�o � filosofia.
Muito bem.
Amanh�, tenho um quilo, quando passarem a fronteira.
- Amanh�? Juras? - Tamb�m me queres matar?
N�o me chateies! Vai fazer exerc�cio!
Vai para aquela m�quina e mexe-te! Num instante, � amanh�.
Est� bem, at� amanh�.
E aquele hipster assinou?
- Estou a tratar disso. - Continua.
Tem de estar tudo pronto antes de ires de viagem.
S�o cinco milh�es de d�lares.
Percebes? S� pela propriedade.
- Est� bem. - N�o faria isto sem ti.
N�o sei nada de clubes de hipsters? Esse � o teu departamento.
V� l�! N�o tens 60 anos!
Porra...
Foda-se!
- Intervalos de 20 minutos. - Desaparece! Agora!
Liga-me amanh� para te dar o produto.
Kuba!
Vai ter com o Stryj ao Dream. Leva-os at� �quele falhado.
- Tem mesmo de ser? - N�o! Faz o que quiseres!
DESPEDIDA DE SOLTEIRA
- V� l�, querida! - � a minha vez!
- Bujas... - Mas que raio?
Voltamos daqui a uma hora. Este tipo n�o entra.
O Jacek fez uma despedida de solteira para a filha, ontem.
Ainda me d�i a pila.
N�o admira! Voc�s passaram a noite a foder a amiga.
- Verdade. Ela apaixonou-se por n�s. - Foda-se...
Devias ter ido, Kuba.
N�o tens de ser sempre o bom da fita.
Importam-se de n�o fumar no carro?
Qual � o teu problema?
N�o fumem.
- Deixa-te de manias. - Para onde �? Tenho 30 minutos.
- Rua Wilcza... - N�mero 6.
Isso, Rua Wilcza, 6.
Vejo que gostas de m�sica.
- Quanto � que isto gasta? - Uns 15 litros em cidade.
- � fixe, mas vistoso. Quanto custa? - N�o tens dinheiro para ele.
- Mais de cem mil? - Mais.
- Em dinheiro? - N�o, em tapetes.
- O qu�? - O que achas?
Seu...
- Vais connosco. - Para que � isso?
- Nunca vou convosco. - �s um simples motorista?
Ia s� lev�-los. Posso esperar 15 minutos.
- O Jacek disse que est�vamos juntos. - Disse mesmo?
Podes crer que sim!
Tenho de te fazer um broche?
- E se ele n�o tiver nada? - � melhor que tenha.
Como lhe chamam?
- Pajda. - Que treta de nome.
Tudo bem, Pajda?
Estamos quites. Liga ao Sikor, ele diz-te.
J� paguei tudo. Limpei a d�vida.
Limpa como este ch�o? Podemos comer neste ch�o?
J� n�o vendo nem consumo. Tenho um emprego legal num bar.
- Pergunta... - Perguntei se podemos comer no ch�o!
- O qu�? - Vai comer no cu!
Liga ao Sikor, ele diz-te.
Que monte de merda...
- Eu n�o tenho... - Fica quieto, cabr�o!
V� na bolsa de cintura.
Juro que n�o snifo. Liga ao Sikor...
Ent�o?
- Tenho um emprego... - Duas notas de cem.
� tudo...
� tudo o que tenho.
Cala-te, cabr�o!
- Bra�os. - Bra�os?
N�o, os bra�os n�o...
Cala-te.
Kuba...
Vai ver o outro quarto.
Por favor, Deus...
Ent�o?
Vamos. �s muito sens�vel. Ainda tens pesadelos.
- A noite � uma crian�a. - Ent�o, vai � procura do Sikor!
- Do Sikor? - Sim.
- Deve-te dinheiro? - Deve a toda a gente.
- As d�vidas dele aumentaram. - E disse que aquele tinha dinheiro?
Tem andado confuso.
- Era fixe. - Toda a gente era fixe.
Uma hora!
Custaram-me uma hora. Posso dizer o pre�o exato.
Queres uma indemniza��o?
Quanto � que queres? Cinco? Dez? N�o tens nada, a s�rio?
Ent�o, vende o carro!
- Tudo bem? - Ol�, Pazina.
Tenho not�cias boas. Tens tempo?
- Vamos comer qualquer coisa. - Fixe. No PKP, daqui a uma hora.
E se ela estiver l�?
Medricas.
- Est�s a ouvir? - O qu�?
Apanhei-te!
N�o tenhas medo. Entra.
- Vai l� ver. - E tu?
- Eu espero l� em baixo. - Como?
Vai, eu espero l� em baixo. Leva a lanterna.
- Depois, acordei. - Porra.
Acreditas nos sonhos prof�ticos?
N�o, mas foi estranho.
J� te disse que ando com uma pessoa?
- N�o. - Nunca perguntas.
Ele chama-se Adam.
Muito bem. Quem � o Adam?
� um pouco mais velho.
Divorciado.
Tem uma filha, a Marika.
� paciente e sabe ouvir.
� boa pessoa, um tipo excelente.
- E tem muito para ouvir. - Vai-te lixar.
Como � o Natal?
- Este Natal? - N�o, o das Testemunhas de Jeov�.
Tu percebes.
A Paulina, idiota.
N�o sei dela. Nunca mais a vi.
- Espero que nunca mais vejas. - Vou estar fora um tempo.
O qu�?
Tretas! Tu? Ires embora? Deixa-te disso.
Obrigada.
Como? Para onde?
Estou?
- Podemos encontrar-nos? - Quem fala?
Porra, � o Bartek! O Sikor. H� tanto tempo...
- D�-me cinco minutos. - Vamos brindar?
Ao telefone, n�o. N�o demora. Faz isso por mim.
Daqui a 30 minutos.
- Onde? - Tu sabes.
Febre natal�cia.
- Vais ao Bethlehem mais logo? - Sim.
Queres encher a cabe�a?
Tenho de falar com o Maluch.
H� quanto tempo, meu.
- Elegante como sempre. - J� passou muito tempo.
- Est� tudo bem? - N�o est� mau.
Boa! C'um cara�as! Uma sucata com 300 cavalos?
- 360. - Caramba!
- O que se passa? - Muito bem.
Tenho uma cena muito boa, mesmo da boa.
- Ent�o, vende. - N�o posso. Ando muito ocupado.
Como somos amigos, vendo-te a um pre�o �timo.
- Eu tenho o meu. - Cobro metade do que o Jacek cobra.
Meu, � pura! N�o � 40%, � mesmo pura.
Sem cortes. Confirma.
Porque � cor-de-rosa?
� a melhor das melhores.
90% pura. Veio dentro de cer�micas e ficou manchada.
- Onde arranjaste? - Arranjei, n�o estou a mentir.
- Conheces o Pajda? - Conhe�o.
O cabr�o deve-me 30 mil. � a paga por emprestar a falhados.
- Sikor, sai de Vars�via. Hoje. - O qu�?
Nunca nos encontr�mos. Nunca fal�mos.
Sai de Vars�via. Acredita em mim.
Meu, espera. N�o v�s que estou lixado?
D�-me uma ajudinha, pelos velhos tempos.
� pelos velhos tempos que te estou a ajudar.
Quem te apresentou ao Jacek?
Tens este carro gra�as a mim!
Foda-se!
Ol�!
- Pazina, vou para a pista! - Est� bem, Dawid!
- Queres alguma coisa? - N�o, obrigado.
J� sei, est�s a trabalhar.
J� n�o trabalho aqui. N�o tenho de estar s�bria.
Tamb�m n�o trabalho aqui. Estou a ganhar dinheiro.
Coelho... vais ver o Maluch?
- Daqui a pouco. Deixa-o divertir-se. - Daqui a pouco, n�o te perceber�.
- Ainda bem. - Vais amea��-lo?
Alguma vez ameacei algu�m?
O que querias dizer com ires embora?
Conto-te depois.
Ol�!
Que ataque!
- Como est�s, ap�s a festa? - Qual?
- De Natal, do escrit�rio. - �tima!
Kuba, meu salvador, meu anjo, diz-me que tens algo.
Juro que anda tudo seco. Tens algo?
Salva-me! Imploro-te!
Beija-me!
Merda, dei azar.
N�o te vires!
Se te meteres em merda, n�o te vou safar.
Kuba!
Estava mesmo agora a falar em ti.
Senta-te.
Ol�, sou a Julka.
- Julka, d�s-nos licen�a? - Claro.
Julka, vai. Desculpa, mas temos de falar.
Eu trato disto e depois podemos...
Desculpa.
Vamos diretos ao assunto. N�o gostamos de perder tempo.
Para a semana, tenho 30 mil para ti.
Assin�mos contrato com uma marca de u�sque.
Sei que � apenas uma parte, mas � perfeito para o Natal.
- � um quinto do que me deves. - Eu sei.
A Passagem de Ano ser� incr�vel! Vem metade da cidade.
J� clicaram que vinham.
O que foi?
Ent�o?
Se o cliente for bom e comprar muito, mas de repente tiver mais gastos,
posso dar-lhe cr�dito como um banco.
Mas at� os bancos se enganam, percebes?
Eu sei. Kuba, eu sei. Somos ambos homens de neg�cios.
Sou todo ouvidos.
Gosto desta discoteca.
Eu tamb�m! A cidade inteira adora!
Com a tua d�vida, compramos uma parte.
Espera l�. O qu�?
Sei que estou em d�vida, mas isto parece-te uma Heaven Disco
na porra de Poughkeepsie?
Deves-nos muito dinheiro, mesmo para um milion�rio.
Eu pago os cem mil.
- 150 mil. - 150 mil! Em seis presta��es.
E podem lavar dinheiro aqui.
At� certo valor. Os impostos arrasam tudo.
Que se lixem os impostos! S�o assassinos!
E ainda se questionam porque n�o h� estrelas Michelin na Pol�nia.
- Kuba... - Podes ficar como gerente.
N�o vamos transformar isto numa hist�ria de gangsters.
Pensa nisto como uma ajuda.
Espera.
O que foi?
O que se passa, Janusz? O que aconteceu?
Nem sequer puxaram o autoclismo.
- N�s vamos embora. - Para onde?
- N�s vamos. - Esperem l�.
� um jogo de adivinhas. O que estavam a snifar?
Nada demais...
Merda, Kuba! Que porcaria!
� aqui que se trava a luta pelas almas dos jovens.
Olha para eles. Que idade ter�o?
- Carteiras. - Nem pensar...
Mostra-lhes o teu distintivo.
Carteiras, agora! Malditos drogados!
Primeiro, isto n�o � local
para onde alunos do secund�rio possam vir drogar-se.
Entendem?
� uma discoteca importante, com DJ da Alemanha, Londres e mais!
Percebem?
Se percebem, desapare�am daqui.
Desapare�am!
- Tenho a arma que pediste. - Est� bem.
- O Balon perguntou por ti. - O Balon?
- Manda-o bugiar! - Ele est� zangado.
Amanh�, prometo. Obrigado.
� sempre assim. H� sempre algo.
- Est�s com medo de algo? - N�o, porqu�?
- Porque precisas de uma arma? - Tu n�o usas uma?
Sei que tens a renda atrasada.
E haver� uma vota��o sobre a licen�a de �lcool.
- Vamos dar-te dois dias. - Dou-te mais dez mil
da caixa do bar, hoje. Mas por favor...
Imploro-te.
N�o me ligues, se n�o for para fazer neg�cio.
Pensava que est�vamos bem, que nos est�vamos a entender.
Quero aquele pol�cia de fora at� amanh�.
NEM ME CUMPRIMENTAS?
Tudo bem?
Levas-me ao Multibanco? N�o � longe.
A CHAMAR
Daqui a uma hora, nos Russos. Precisamos de ti, urgente.
- Qu�o urgente? - Apanh�mos o Sikor.
H� quanto tempo, Sikor! Vais a algum lado? Vamos falar.
- O que queres? - Vamos. N�o fa�as uma cena.
Desaparece!
N�o vais acreditar! Abre por amor de Deus!
Aquela merda engoliu o meu cart�o. Juro que engoliu.
O que fa�o agora?
Foda-se, n�o tenho dinheiro nem cart�o.
- Tenho dinheiro em casa. - 800.
- Eu tenho, a s�rio. - Entra.
Foda-se.
- Ent�o? - Tudo bem?
O Balon est� com uma bela moca.
Mostra o p�, deixa-nos voar. Ol�!
- Ol�. - A minha namorada mudou-se.
- N�o levou as coisas? - Da� esta confus�o.
- Suponho que n�o seja do meu. - N�o atendeste.
� de um tipo chamado Sikor. Foi barato, mas ele desapareceu.
- Queres? - N�o, obrigado.
- Como queiras. - E um jogo?
Onde est� o meu dinheiro? Onde o guardei?
- Quem o roubou? - Foi ele!
Foi o teu velhote!
Espera, meu, eu sei.
- Gastaste-o a comprar ao Sikor. - Cala-te!
- Quem pintou isto? - A minha ex, porqu�?
Onde est� o dinheiro?
- Lamento, rapazes. - Desaparece, estou a jogar.
Vale, pelo menos, dois mil. Quatro sacos e � teu.
- � quanto vale no Allegro. - Vendeste-o no Allegro?
Ainda n�o o enviei.
Meu, que cabar�!
Meu, mais dois.
Vale aquilo que me deves. N�o me voltes a ligar.
Boa noite.
Boa noite.
O que � isto?
Sikor.
Um maldito falhado.
Disseste que era teu amigo.
- N�o me envolvas num homic�dio? - Qual?
- Vamos deix�-lo no hospital. - Eles tratam dele.
- Verifica-lhe a pulsa��o, idiota! - O qu�?
Merda. Acho que fomos longe demais.
Vais guardar isto.
Onde � que o arranjou?
�s bom nisso. Ficas com uma boa parte.
- Algu�m vir� � procura. - Ningu�m o ligar� a ti. Ningu�m vem.
V�m sempre.
Ningu�m vir�, s� eu.
Isto n�o � neg�cio do Jacek. Ele n�o sabe de nada.
N�o me disse nada hoje.
Guarda-o num cacifo.
Espera at� precisares de um favor.
O cabr�o � pesado.
Maldito falhado.
- Bosque ou rio? - Eu vou para casa.
Espera l�.
Preciso de falar contigo em privado.
N�o vou convosco. Seria c�mplice.
Calma, n�o � sobre isto.
- H� dois meses que n�o durmo. - Vai ao m�dico.
N�o vou ao psic�logo como um maricas.
- Hidroxizina. - N�o faz nada.
� como se...
algo me estivesse a atirar
de um lado para o outro. � no est�mago.
Nada ajuda.
Tenho os olhos fechados, mas n�o consigo dormir.
� como se algo...
estivesse a comer o meu est�mago por dentro.
- Flunitrazepam. - S� merda.
N�o, a s�rio. A velha droga da viola��o.
As farm�cias j� n�o vendem, mas procuro. Ajuda.
- Preciso muito. - Nota-se.
Obrigado.
- O que � assim t�o interessante? - Belo carro,
mas um pouco vistoso. Boas jantes. Quanto � que d�?
- Compra a Top Gear e v�. - Desculpa?
Vamos l�! Tenho de ir.
- Porqu�? - A minha mi�da est� � espera no bar.
- Qual? - A minha,
a Beatka. - Beatka?
CHAMADAS N�O ATENDIDAS
Meu Deus, Sant�ssima Trindade, que venha a chuva.
Deus Todo-Poderoso, envie chuva,
chuva poderosa, como nunca choveu antes.
Como um bombardeamento, como um ataque a�reo.
Envie chuva para inundar esta cidade.
Depressa, antes que toquem os alarmes.
Deixe que a �gua inunde tudo.
�gua escura, suja e fria.
Deixe que inunde as casas, as ruas,
os cruzamentos. Que inunde o Pal�cio da Cultura.
Que a �gua do V�stula transborde por ambas as margens,
que inunde os restaurantes e as discotecas,
as esta��es de televis�o, as empresas de publicidade.
Que inunde igrejas e centros comerciais.
Todos os bares de Mazowiecka e o Bethlehem.
Que nos afogue a n�s e a todos os que conhecemos.
Afunde esta cidade, ou andarei por aqui um milh�o de anos.
Inunda-nos, Deus, porque n�o merecemos mais nada.
Porque somos incapazes de pensar ou amar.
Porque n�o queremos. Porque vagueamos por uma floresta,
b�bedos com palavras, ensurdecidos pelo barulho,
cegos pelas luzes.
Deus, ouve as minhas preces,
embora n�o tenha nada para oferecer em troca.
Em nome do Pai, do Filho e do Esp�rito Santo.
Tem de dormir mais, Sr. Kuba.
- Vamos? - Sem pressa.
- Vai passar o Natal sozinha? - Vou.
Sou demasiado velha para viajar pelo mundo a visitar a fam�lia.
- Viajou antes? - N�o, nunca.
Deve viajar mais do que eu vou � igreja.
- Estou farto. - Imposs�vel.
- J� deve ter visto o mundo todo. - Sobretudo hot�is.
- S�o todos iguais. - A s�rio?
Na Austr�lia, a �gua corre ao contr�rio.
Agora, est� a gozar comigo.
N�o, mas fiz-lhe as compras.
Quantas vezes tenho de dizer que n�o posso retribuir o favor?
� terr�vel.
- O que � isso? - Estou, Kuba?
Espere um pouco.
- Estava a pensar no teu sonho. - E?
- Foi s� um sonho, n�o te preocupes. - Eu sei.
N�o durmo, sinto-me esquisita.
Toma um Xanax.
Desculpa.
Desculpa por te incomodar.
- Sou um monstro. - N�o te elogies.
- Ligo-te depois. Adeus. - Adeus.
Obrigada.
Era a sua namorada a ligar?
Desculpe. Sou velha e metedi�a.
- Sra. Maria, vamos. - Obrigada.
- Vou estar fora um tempo. - Com algu�m especial?
Ainda n�o sei.
Como sempre, se houver correio ou algu�m perguntar...
Eu sei. Quando parte?
Talvez possa trazer a sua namorada. Fiz um bolo de Natal.
- N�o sei. - Fui eu que fiz.
H� quanto tempo, Dario!
- Est�s com bom ar. - Est�s a mentir.
- S� a verdade nos libertar�. - Eu sei, minto.
- D�o-te merda, ficas assim. - Vamos.
- Ao Sopot. - O qu�?
Preciso de ver o mar. Leva-me a TriCity, ao Sopot.
Est� bem, n�o � longe.
Para onde est�s a olhar?
Tenho m�s not�cias. O Palec e os outros... H� um problema.
Tamb�m tenho m�s not�cias.
Hoje, vais foder at� a pila te cair.
- O Sopot est� cheio de jovens. - Claro, tu � que sabes.
A velha Vars�via � minha.
Calma, eu trato dela amanh�.
Vamos.
Legendas: Joaquim C.
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