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Ripada por: RINPEL
" RÔMULO E REMO"
Vinte anos depois em 753 A.C.
durante os ritos pagãos de Lupercais,
Amúlio, tirano de Alba Longa,
celebrava o seu casamento vindouro de seu protegido Curtius
com Júlia, a filha do poderoso rei dos Sabinos.
Veja! Por que há tantas pessoas aqui hoje?
São os festejos do deus Pã. A ele devemos os frutos da terra.
Tem razão, lá está um.
Ela não é linda?
Sim, ela é.
Mas não esqueça porque viemos aqui.
Como ousa se recusar a fazer uma oferenda? Não quer uma boa colheita ano que vem?
Mas que colheita? Não tenho nem um pequeno pedaço de terra!
- E aqueles animas, me dê... - Não!
Eles lhe trarão as bênçãos do deus Pã.
- E do rei Amúlio. - Não! Meus animais não!
Vamos, meu filhos. A cerimônia está prestes a começar.
Não...
O que vou fazer agora?
Por todos os deuses! Aquela é Réia Sílvia!
- Réia Sílvia? - Sim, a Guardiã Vestal do templo de Marte.
Aí vem o rei Amúlio!
Celebramos esse auspicioso rito.
Aceite nossas oferendas.
Que seja feito o sacrifício!
Para mim! Para mim!
É verdade que a multidão quer ser açoitada com o couro do animal sacrificado?
Sim, dizem que traz prosperidade.
Assim como boa sorte e amor.
- Parecem ter enlouquecido! - É como se o sangue os empolgasse.
Pare! Por que está fugindo? Não quer ser abençoada pelo deus Pã?
Não!
Solte-a ou eu te mato!
Venha.
Aquelas chicotadas são tortura inútil.
Não deveriam ser vistas por olhos lindos como os seus.
- Meu nome é Rômulo, qual o seu? - Como ousa me tocar?
- Vejo que gosta de brigar. - Seu...
Não bata na cabeça do meu irmão.
- Ele ficou encantado com a sua beleza. - Isso mesmo, eu juro.
Júlia!
Procurei por você em toda parte. Por que fugiu?
- Alguém a desrespeitou? - Não.
Esses dois... esses dois pastores
me ajudaram a sair das cavernas dos Lupercais.
Dê-lhes uma recompensa. Eles merecem.
Você ouviu. Faça o que sua senhora mandou.
- Seu porco! Como ousa falar assim comigo? - Pare, Curtius!
Como quiser.
Se têm coragem e não só insolência,
porque não participam da corrida de obstáculos em chamas?
Eu estarei lá.
- Qual o nome da sua senhora? - Júlia, filha de Tácio, rei dos Sabinos.
Pelos deuses! Ela é filha de um rei!
- Poderia ter estragado todo o nosso plano! - Sim, eu sei.
Durante a minha corrida à noite, os guardas estarão distraídos e será fácil para você.
Eu concordo, mas não podemos perder tempo se queremos que o plano dê certo.
Muito bem, vamos.
Remo!
- Por que está aqui, Tarpéia? - Por que tenho que esperar no acampamento?
- Posso ser mais útil aqui. - Isso não é trabalho para mulher!
Por que não, Remo? Tarpéia monta e luta como um homem.
Tudo está pronto. Por favor, não fique com raiva de mim, Remo.
Não gosto quando desobedecem minhas ordens.
Só vim porque queria ficar perto de você.
Isso não é necessário.
O que está fazendo aqui? Está louco?
Você sabe o que fariam com um homem encontrado na tenda da deusa Vesta!
Estou aqui para agradecer a deusa.
Há anos eu procuro você.
Fui nas festas do seu pai Numitor, no ano da Lua Dupla.
Você era apenas uma garota. Tente lembrar.
Faltavam dois desses.
Não faltavam?
Há anos atrás faltavam.
Eu encontrei dois meninos.
Criados por uma loba.
Eles têm medalhas como essas que está usando.
Você falou que ele têm!
- Quer dizer que estão vivos? - Eu os criei como meus próprios filhos.
E hoje eles estão aqui.
Um é alto, de tez escura.
- Seus olhos são de um azul profundo. - Sim.
Rômulo é alto.
E ele tem olhos azuis.
- Como você sabia? - Ele passou por mim hoje.
- Ele tem exatamente os mesmos olhos. - Mas você nunca o viu antes!
Os mesmos olhos de quem?
Os de um deus.
Depressa, você tem que ir agora!
Falaremos sobre isso novamente.
O fogo sagrado está apagando.
Da minha tenda eu o vi diminuir.
Por isso eu vim.
Eu não quero mais maus presságios.
Vejo a eterna sombra da hostilidade nos seus olhos.
Mas houve um tempo em que não estava aí.
- Depois que Numitor morreu... - Depois que você o matou!
Ele era um fraco!
Ele não foi feito para governar.
Além do mais, tantos anos já se passaram.
Você se consagrou para Vesta.
Para recusar meu amor.
Diante de você estão os resultados.
Uma mulher solitária...
E um rei solitário.
Perdoe-me Amúlio, mas os jogos não podem começar sem a sua presença.
Magnífico.
- Curtius. - Como será?
Bem!
Pare onde está.
O que faz aqui, mulher?
Seja gentil com uma mulher que prefere um guerreiro corajoso a uma corrida boba.
- Serei gentil como você merece. - É mesmo?
Me dê uma chance para provar.
O que está havendo?
- Quem é aquele no cavalo branco? - Rômulo, apenas o filho de um pastor.
- O que é isso? - Ladrões.
Roubaram todos os cavalos!
Princesa, onde está?
Júlia!
Vão atrás deles! Eles precisam ser pegos. Quero a cabeça dos ladrões!
Remo, conseguimos de novo.
O fruto roubado por Amúlio voltou às árvores.
- Onde está Rômulo? - Ficou para trás.
Ele está levando uma carga frágil como ovos.
- Como assim? - A Sabina loura era mais bela que cavalos.
Francamente, eu não o culpo.
Os deuses os obnubilaram.
Temos agora dois inimigos e não um.
O rei dos Sabinos vai querer o nosso couro.
Remo, venha! Seu pai está gravemente ferido! Depressa!
- Eu imploro! Me solte! - Para onde iria? Não conhece o caminho.
É melhor parar antes que o cavalo se machuque.
E não tente fugir, eu corro mais rápido que você.
Júlia!
Não! Me solte!
Teimosa e orgulhosa.
Remo.
Chegou o fim.
A flecha...
...estava envenenada.
A luz é ruim.
Onde está Rômulo?
Não escuto a voz dele.
Ele está aqui do meu lado.
- Estamos com você, pai. - Por favor...
Não chorem por mim.
Eu os enganei todos esses anos.
O que está dizendo, pai?
Pai...
A alegria que sinto ao ouvi-lo falar essa palavra...
me impediu de contar a verdade.
Mas agora preciso falar.
Não sou seu pai de verdade.
Eu os encontrei na caverna de uma loba.
Vocês são filhos de um deus
com Réia Sílvia.
Vamos esperar aqui até parar a chuva.
Não fique com medo. Eu não mordo.
Já não bastavam os cavalos que seus amigos roubaram?
Você vale mais do que todos os cavalos.
E você é mais bonita que um cavalo.
Mas eu estava falando do resgate.
Seu pai é um rei. Até Amúlio Ihe paga tributos.
Mas desta vez, ele é quem vai pagar.
Dispa-se e seque-se.
Senão vai pegar uma gripe.
Os senhores de Alba Longa ou os Sabinos são todos iguais.
Ladrões que roubam de outros ladrões.
Usam uma coroa, mas são ladrões ainda assim.
- Quer um pouco? - Não estou com sede.
Vai esquentá-la.
Você acha que o que está fazendo é honesto?
Essa cabana é do Neumar, um amigo meu.
Não estou falando do vinho.
Eu preciso sobreviver.
E o meu jeito não é o pior.
Roubar?
Éramos apenas pastores e tão pobres que tínhamos sorte quando comíamos.
Éramos tão pacíficos que beijávamos a mão de quem nos açoitava.
Mas agora as coisas mudaram. Somos muitos.
Todos homens desesperados, tentando reaver o que nos foi tirado.
Sacrificando a vida dos outros?
Pode-se morrer de fome também.
Poderiam encontrar um trabalho honesto em Alba Longa.
Sim, poderíamos.
Mas temos outro problema, amamos a liberdade.
E o lugar onde nascemos, as montanhas, os rios, os vales.
Nossa terra.
Não é preciso ser ladrão só porque quer a liberdade.
Pode ser livre em qualquer cidade que tenha lei
e que seja respeitada por todos.
Talvez.
Se essa cidade existisse, mas Alba Longa não é assim.
A chuva parou.
Lá está ele. É o cavalo dele.
Silêncio!
Pegue esse cavalo, ladrão!
- E corte-o em pedaços! - Não, Curtius!
Você é um estrangeiro como eu nessas terras.
Você não tem escolha. Ele deve ser levado ao rei Amúlio, a decisão é dele.
É a segunda vez que se põe entre mim e esse ladrão!
- Estou aqui como representante do seu pai! - Não tem nada a ver com isso.
Não podemos arriscar a aliança entre o rei Amúlio e o meu povo.
Corra Neumar! Avise Remo!
Vá atrás dele! Não o deixe escapar!
Vá, Neumar!
Remo.
Um deus...
Sou filho de um deus e Réia Sílvia.
- Fáustulo não era meu pai. - O que está dizendo?
Eu já sabia há muito tempo.
Algo diferente corre nas minhas veias. Algo superior aos outros!
Alba Longa é minha e Amúlio está sentado no meu trono!
Eu sou o verdadeiro rei daquela cidade.
Vou matar Amúlio e mudar suas leis. Alba Longa será a maior cidade do mundo!
Maior que Tebas, maior que Nínive.
Se pelo menos tivesse homens de verdade, ao invés desses pastores sem viço!
Sérbio e Sulpício talvez, mas os outros...
Remo!
Não, sei, mas olhem para ele! Vamos ver.
O que pode ser?
Remo!
Vim da minha cabana no vale.
Rômulo foi pego pelos homens de Amúlio e por Curtius, o Sabino.
Aquele louco! Como pode ter sido tão tolo! Onde está?
Ele se defendeu o melhor que pode, mas eram muitos.
Agora todos estaremos em apuros.
Vão encontrar nosso esconderijo e logo vão atacar. Por causa daquela mulher!
Rômulo não é covarde.
Não falará nem se for queimado vivo.
E agora, ladrão de ovelhas? Vai falar?
Diga onde estão seus amigos e sua vida será poupada.
Onde estão os chacais que tiveram a audácia de desafiar Amúlio?
Não seja teimoso, pastorzinho.
Minha paciência está acabando.
Estou esperando! Você resolveu não falar?
Em dois dias as Ianças Sabinas agirão com as minhas forças.
E nenhum de vocês vai escapar! E você vai morrer antes do resto!
Quando for tarde demais, você vai se arrepender da sua língua muda.
Como eu o odiei... A crueldade e indecência dessas pessoas...
Gostaria de nunca ter vindo para essa cidade.
Eu me sinto como se fosse prisioneira aqui.
Mesmo que eu fugisse e voltasse para o meu pai,
nada ficaria resolvido.
É tarde demais para voltar.
Quando chegamos em Alba Longa você era tão diferente.
Foi o jovem pastor que a fez mudar de opinião?
Cale-se! Não diga isso!
Júlia!
Vamos assistir a um espetáculo. Cortesia de Amúlio.
Seu amigo pastor deve ser uma presa fácil para os ursos.
Tenho certeza que vai gostar de vê-lo despedaçado pela fera.
Você não me agradeceu por salvá-la, Júlia.
- Você sabia que seu pai estava vindo? - Meu pai?
Sim, os sentinelas de Amúlio disseram que ele já partiu.
Viu? Ele deseja que nos casemos logo.
Amúlio não tem herdeiros.
Portanto, o reino dele será meu.
Eu me tornei indispensável... para ele.
Boa sorte.
Por que acha que Tácio me deu a sua mão com tanto entusiasmo?
Não sei as razões do meu pai.
Mas não sou apaixonada por você, Curtius. E você sabe disso.
Não tem problema, Júlia.
Mas vai aprender, eu prometo,
quando tudo estiver concluído,
de acordo com a vontade dos deuses.
Animada, minha querida? Você está prestes a ser vingada.
Pegue! Depressa! Suba pela corda!
- O tempo está acabando! - Certo.
Subam rápido! O mais rápido possível, Caio.
Todas essas preparações são inúteis.
Teremos sorte se conseguirmos os pedaços dele!
Amúlio gosta de um show.
Se o urso não pegar Rômulo, vamos fazer cócegas nele com a ponta da espada.
Incitem o animal com as espadas! O prisioneiro não pode sobreviver!
Misericórdia! Salve a vida do prisioneiro!
Ele é filho de um deus, não pode ser morto! Imploro para que respeite o destino!
Essa mulher enlouqueceu! Livrem-se dela!
Vamos continuar, o prisioneiro deve morrer.
Amúlio, você matou o meu pai e agora quer matar meu filho!
Eu sobrevivi pois os deuses assim quiseram. Não negue isso, Amúlio!
- Chame os arqueiros, rápido! - Eu imploro, não mate meu filho!
Poupe-o! Poupe-o!
Vou matá-lo com minhas próprias mãos.
Já chega disso!
Já chega dessa matança!
Preparar arqueiros! Atirem!
Remo!
- O coração está batendo, está viva. - A cidade está em chamas.
Temos que fugir imediatamente.
Temos que sair o mais rápido possível.
Vamos tentar alcançar seu pai nas montanhas. Ele vai deter essa rebelião do pastor.
- Solte-me! Não me toque! - Você pertence a mim!
É a minha vontade e a de seu pai, Rei Tácio!
Deixe-a em paz!
Não!
Tobias! Tobias!
Mãe.
Fale conosco, mãe.
Nós destruímos a cidade. Vamos voltar e construir uma maior e melhor.
Não.
Aqui não.
Essa cidade foi destruída com violência.
Está escrito,
vocês vão fundar uma cidade imortal.
além das colinas do fogo.
No vale das sete colinas.
Fiquem juntos...
em harmonia.
Sempre.
Mãe!
Saiam todos! Levem apenas comida. Precisamos abandonar a cidade. Depressa!
Vamos!
Júlia!
Você está livre.
A viagem pode ser longa e difícil e seu pai pode nos seguir.
Eu vou com você.
Meu rei! Alba Longa está em chamas.
E sua filha foi levada pelos rebeldes.
Cinco sóis já se puseram desde então.
Quando a vi ser sequestrada, levada com violência,
já estavam longe.
Alba Longa foi com eles.
Meus ferimentos são prova da minha resistência.
Eles vão pagar por isso, aqueles miseráveis.
Vou persegui-los sem descanso até destruir todos!
Não apenas queimaram a cidade, mas ofenderam o rei dos Sabinos!
Nenhum irá sobreviver!
Vamos cobrar a destruição de Alba Longa!
Em frente!
- Mexam-se! - Não seja tão duro.
Estão viajando há dias sem descanso. Estão cansados.
Você tem um coração gentil, meu irmão.
Mas temos uma longa viagem adiante e apenas começamos. Não esqueça isso.
Parem a caravana! Desatrelem os cavalos!
Podem descansar até o pôr-do-sol.
Vamos parar aqui. Amarrem os cavalos nas carroças!
Parem os cavalos. Vamos descansar um pouco aqui!
Os homens da caravana estão cansados, meu rei. Estão desatrelando as carroças.
Pegue os melhores homens e vão atrás da caravana imediatamente.
Economizem vinho, o caminho é longo.
Parece cansada. Por que não descansa?
Você se arrependeu?
As carroças não são confortáveis, mas não importa.
Rômulo, o que há do outro lado do pântano?
Ouvi dizer que ninguém nunca conseguiu atravessar.
É verdade.
Mas acredito na profecia de minha mãe.
Depois do pântano e da colina de fogo,
encontraremos um vale,
cercado por sete colinas, com um rio.
Lá construiremos nossa cidade.
Lá construiremos nossos lares.
Os sentinelas relataram que viram muitos pássaros subindo ao céu.
Podem ser apenas alguns animais, mas eu acho que é cavalaria.
Remo! Você ouviu isso?
Sim.
- Poderiam ser os Sabinos? - Não sei. Vou investigar.
- Você leva a caravana. - Não, eu vou.
É melhor você ficar aqui. Tenho um coração muito gentil, você mesmo disse, lembra?
Tudo bem, mas o que fizer, faça rápido.
Não arrume encrenca!
Gillards, vamos!
Se for o meu pai, eu sou um risco para vocês.
Talvez sim, talvez não.
Você não acha?
Você pode valer algo como refém. Esse é o único motivo pelo qual está viva.
Você vai me afogar no pântano.
Você odeia ser irmão por ter um coração.
Vocês dois nem pareceriam irmãos se não fosse pela aparência.
Vocês têm sonhos diferentes.
O que o atormenta?
Rômulo está diferente desde que a conheceu.
Mas ele não é um comandante nato.
Quando éramos garotos, eu fazia uma espada de um graveto e ele uma flauta.
Eu sonhava em comandar homens.
Ele ficava feliz com uma mulher ao seu lado.
Talvez ele esteja certo.
Mulheres não gostam de soldados.
Mulheres gostam de homens que são homens.
Poeta ou soldado, não importa.
- Os rastros são novos. - O que você encontrou, soldado?
Esses rastros foram deixados pela caravana, não há dúvida.
Eu acho que sei para onde estão indo.
Vejam isso.
Essa é a floresta onde estamos agora.
Esse é o pântano a nossa frente.
E mais adiante está a Montanha Sagrada que vomita fogo.
E depois?
Ninguém nunca conseguiu passar dessa fronteira.
Mas vamos segui-los aonde forem!
Ouça.
- Naquela direção, Rômulo. - Cavalos e homens.
- Sim. - E bem perto.
Vamos.
- Os rastros desapareceram na água. - Não adianta continuar, é perda de tempo.
- Sabinos. - Parece uma patrulha.
- Precisamos avisar os outros. - Cuidado, Rômulo!
Rápido, eles não podem fugir!
- Boa pontaria, Rômulo. - Vamos rápido ou todos virão.
Não se incomode, Tarpéia.
Ele não chegará a nenhum lugar com aquela Sabina bonita.
Júlia escolheu outro.
Júlia!
Da próxima vez que sair, avise alguém. Há muitos perigos na floresta.
Me deixe em paz. Você é o único perigo.
Você se acha um líder, mas não é! É um ladrão.
Ladrão de beijo?
Eu poderia Ihe fazer mal e deixá-la para os abutres depois.
Você está corajoso pois sabe que estou só. Não falaria assim se Rômulo estivesse aqui.
- Meu irmão. - Sim, Rômulo.
Você só serve para dormir com aquele Sabino estúpido que se veste como guerreiro.
Eu posso vendê-la de volta para ele, se eu não matá-lo antes.
Remo.
Remo.
Desde que saímos de Alba Longa você mal falou comigo.
Você está me evitando. Está apaixonado pela garota Sabina, não é?
Cale-se!
- Já chega de conversa de mulher. - Tenho olhos, posso ver.
Você é igual o seu irmão, vocês dois ficam em cima dela como cachorros.
Rápido, Remo! Precisamos avançar com as carroças. Os Sabinos estão bem atrás de nós.
Dê o alarme! Rápido, Rômulo!
Montem seus cavalos! Peguem suas coisas e encham as carroças! Rápido!
Vão!
O que estão fazendo aí? Subam na carroça.
Eles vão tentar passar pelo vale,
mas Plastino vai conseguir detê-los.
Ordene o ataque.
Mas nossa patrulha já estão na frente da caravana agora.
Se algum tentar fugir, vão nos encontrar do outro lado da Montanha de Fogo.
Vamos pegar cada um desses traidores.
Mas se a caravana já está condenada,
por que devemos arriscar os perigos da montanha?
Seria melhor esperar aqui.
Seu conselho não vem da sabedoria, Curtius. Vem do medo.
Todos devem saber como um rei Sabino se vinga de uma afronta.
Não é só por causa da minha família. Há algo mais misterioso e importante em jogo.
Esse rei Tácio...
Ou os rebeldes.
Está escrito.
Empurrem as carroças!
Depressa! Mais rápido!
Em frente! Movam seus cavalos!
Rômulo! Remo! Vejam!
Uma ponte!
Estão vendo?
Só aguenta algumas pessoas de cada vez.
Sim, teremos que deixar as carroças para trás. Abandonem as carroças!
Peguem armas e comida e entrem na marcha. Depressa!
Temos que atravessar a ponte. Desçam das carroças. Depressa!
Depressa, atravessem a ponte.
Os Sabinos estão bem atrás de nós. Andem!
- Não vamos conseguir, estão perto demais. - Vamos enfrentá-los aqui em batalha.
- Eles acabariam conosco. - Nós faremos Curtius lembrar de nós.
- Que vai fazer você? - Venha comigo.
Eles chegaram! Está pronto, Rômulo?
Espere!
Deixe que cheguem mais perto.
Avançar!
Está funcionando!
Sim, mas o resto vai nos atacar.
- Aqui estão. - Teremos que fugir.
- Vamos embora. - Não esperem mais! Venham comigo.
Depressa! Atravessem a ponte! Vamos!
Não!
Ele nos salvou.
Infelizmente, isso não é o suficiente para detê-los. Precisamos ir rápido.
Um dia nos encontraremos novamente, meu amigo.
Não vamos nos enganar, amigos. Chegou a hora de enfrentarmos a realidade.
Os grupos de umbros, os camponeses de Martina,
e acima de tudo os idosos... Estão prestes a desistir.
Um dos motivos é acreditarem cada vez menos na sua profecia. Quanto tempo duraremos?
- Com essas condições? - O tempo que quiserem os deuses.
Não podemos continuar cegamente assim.
O sacrifício feito por Públio e sua inteligência nos salvaram
- quando atravessamos a ponte, mas amanhã... - Agora não é hora de reclamar.
Quando saímos de Alba Longa, todos sabíamos que enfrentaríamos o desconhecido.
Agora só temos que aumentar a distância da cavalaria Sabina
para termos tempo de prepararmos nossa primeira defesa, na terra que será nossa.
Eu sei, você é sincero, Rômulo e suas palavras vêm do coração.
Mas mesmo se não formos detidos pelas Ianças dos sabinos, outra coisa vai nos deter.
Fome, doenças...
Você fala como um abutre!
Escutem, todos!
Nosso destino está diante de nós.
Só precisamos esticar o braço e pegá-lo.
Se alguém aqui se recusar a sacrificar tudo,
então ele é um serviçal, um escravo.
Remo, um bom líder não fala assim.
Queremos uma cidade nossa, assim como você.
Mas se todos morreremos nessa corrida,
o que iremos construir?
Uma cidade de cadáveres?
É verdade que você é quem está nos liderando.
Nós concordamos, mas você é um homem ambicioso.
- E muitas vezes cruel. - Cale-se, seu velho!
Não deveria ter feito isso, Remo!
Eu sei o que deve e não deve ser feito.
Fique fora disso, Rômulo. Só há um líder aqui: Eu.
Você decidiu isso sozinho.
O último desejo de nossa mãe foi que vivêssemos unidos
e construíssemos uma cidade juntos.
Os deuses me escolheram e eles me ajudarão!
Se está tentando me provocar, não vai conseguir. Nunca lutaria com meu irmão.
Os deuses indicarão quem vai nos liderar.
É tolice não consultá-los primeiro.
Amanhã, ao nascer do sol, quando as fogueiras estiverem apagadas,
os abutres no céu serão contados.
Vocês ficarão separados por pelo menos 5 quilômetros.
Quem contar o maior número de abutres será o rei.
Com a proteção dos deuses.
Que seja, então.
Rômulo.
Perdoe-o, Rômulo.
Mas...
- Eu acho que ele falou assim de exaustão. - Estamos todos cansados.
Mas se lutarmos entre nós, nunca atingiremos o nosso objetivo.
Tenha paciência com ele.
Você precisa descansar.
Você é a criatura mais gentil e linda que já vi, Júlia.
Quatro pretas e oito brancas.
- Os deuses decidiram. - Rômulo é o nosso rei!
Longa vida ao Rômulo!
Que a decisão dos deuses seja respeitada.
- Mas você sempre estará ao meu lado. - Não quero sua generosidade.
Eu conheço sua gentileza e estou cansado dela, Rômulo.
Eu não aceito esse veredito, todo esse empreendimento foi idéia minha.
E eu serei o líder no final.
Não serão aves estúpidas, mas a espada que vai decidir quem será o líder!
- Mostre sua coragem. - Não insulte os deuses, Remo!
Eles já indicaram o que desejam.
Eu já Ihe disse antes e vou repetir: nunca lutarei com você.
- Por que você é um covarde! - Não! Não puxe a espada, Rômulo.
Ele é seu irmão. Não respeitando o veredito dos deuses,
em um teste com que você concordou de livre e espontânea vontade,
você cometeu um grande sacrilégio.
Ninguém o aceitaria como líder agora, será que não entende?
Sim, eu entendo.
Vocês esqueceram as expedições que comandei?
Você, Acílio, esqueceu que já salvei sua vida? E a sua, Goda!
E agora querem me abandonar.
Eu estou pronto para segui-lo, mas não contra seu próprio irmão.
Eu também o seguirei.
Muito bem, nosso caminhos se separam aqui.
Você é o seu próprio mestre. Quem quiser, pode seguir.
- Dividir a caravana? - Claro! Dividir a caravana é uma boa idéia!
Como dois rastros confundiremos os Sabinos.
E quem chegar primeiro fundará a cidade.
E finalmente seremos um povo.
O destino está sempre com o mais forte, Rômulo. Lembre-se disso.
Vou sentir sua falta.
Não se preocupe, nos encontraremos de novo.
- Adeus, Rômulo. - Vá em paz.
Por favor, não tenha raiva porque decidi seguir seu irmão.
- Eu devo minha vida a ele. - Vá Acílio.
Nós nos encontraremos no vale das sete colinas.
Que os deuses o ouçam.
Eu prometo cuidar do seu irmão, não se preocupe.
Obrigado, meu amigo.
Por favor, não chore, Éstia. Não vamos ficar separadas para sempre.
- Logo nos encontraremos de novo, você verá. - Eu não aguentaria ficar sem Acílio.
Eu o amo e vou com ele.
Se você realmente o ama, fará bem em segui-lo.
- Adeus, Júlia. - Adeus, Acílio.
Cuide dela.
Os deuses cuidarão de você.
Vamos, Éstia.
- Adeus! - Que os deuses...
Os que decidiram ir com Remo estão loucos!
- Vão pegar o caminho da montanha. - É o mais curto, mas o mais perigoso.
Essa montanha é sagrada para o deus de Hades.
- Remo não deveria desafiá-lo. - Escolheu desafiar o deus e a si mesmo.
Não adianta olhar para trás.
Precisa esquecer.
Vamos marchar. Pegue o caminho da floresta.
- Por que está chorando? - Tudo o que aconteceu é culpa minha.
Se não tivesse me conhecido estaria lado a lado com seu irmão.
Eu os separei e agora estou com medo.
- Tenho medo por você. - Não é culpa sua.
Nascemos no mesmo dia, sob o mesmo signo,
mas com destinos diferentes.
Eu nunca quis ser o líder.
Poderíamos tomar as decisões juntos, mas Remo...
...só conhece uma lei: a força.
Rômulo, eu imploro, me deixe ir. Preciso deter o meu pai.
Não, Júlia. É tarde demais.
Seu futuro é meu.
Você é minha.
Eu não sei qual o fim da jornada,
mas nós o aceitaremos.
Sim, nós aceitaremos juntos.
Avancem! Não parem!
Vamos!
Suba.
Andem!
Não deixe os mantimentos caírem no chão.
- Vamos, pegue! - Quer morrer de fome?
Por aqui, vamos! Precisamos passar pelo topo da montanha!
Remo! Onde você está? Remo!
Tarpéia!
Tarpéia!
Tarpéia!
Me ajudem!
Me ajudem!
Remo!
Não!
Espere, Curtius!
Mas ela é a mulher do bando de ladrões. Eu a reconheço.
- Você não pretende poupá-la, não é? - Não.
Mas ela precisa nos dizer algo antes de morrer.
Onde estão os outros? Onde está minha filha?
- Fale! - Fale.
Para o seu próprio bem.
Por que eu deveria falar? O que vai me dar em troca?
Uma morte rápida e sem dor para você e seu companheiro.
Dê-nos a vida e uns cavalos e eu digo o que quer saber.
Ousa sugerir que devo barganhar com você quando sua vida depende de um gesto meu?
Se eu morrer, nunca encontrará sua filha e seus inimigos.
Prefere ser torturada?
Tente, Tácio.
Tente!
Muito bem. Eu prometo poupar a vida dos dois.
Dou minha palavra de honra.
Sua filha está com os outros. Com Rômulo.
Ela vive com as outras mulheres da caravana de igual para igual.
Foram pela floresta em volta daquela montanha que guarda o vale das sete colinas.
Precisamos atacá-los antes que se organizem e construam defesas.
- Peguem o caminho da floresta. - Vai mesmo deixá-los viver?
Eu dei minha palavra.
Eu sei que pelo que ela fez não merece viver.
Deixemos que os deuses a punam. Já aquele homem, ele já tem seu destino.
Como todos nós.
Rômulo! Júlia! Vejam!
Rômulo, é lindo!
Que os deuses sejam louvados!
O que foi? Não parece feliz.
Queria que Remo estivesse aqui.
Chegamos! Chegamos!
O que houve?
O que houve?
- Onde estou? - Acalme-se, você perdeu muito sangue.
Onde estão os outros? Acílio? Goda?
Somos os únicos sobreviventes.
Eles foram engolidos pela montanha. Os deuses estavam com raiva.
Mas você ainda está vivo, Remo.
Até mesmo Rômulo está perdido.
Os Sabinos vão destruí-lo antes de construir a cidade que é sua de direito.
- Você está errada. - Não.
Eu contei aos Sabinos para onde eles tinham ido, em troca da sua vida.
O que você disse?
O que você disse?
Não havia nada que eu pudesse fazer, não entende?
Chegaram quando ainda estava inconsciente e eu tinha que salvar sua vida!
Estamos sozinhos, mas vou cuidar de você.
Eu vou salvá-lo.
Você é louca!
Ninguém terá a minha cidade!
Eu serei rei, nem que tenha que matar meu irmão!
Remo, eu imploro, não vá! Não vá!
Nunca vou desistir! Nunca!
Escute, eu imploro.
Leia os sinais,
a resposta dos abutres,
a maldição da montanha de fogo!
Pense nos que morreram para segui-lo!
Para seguir seu sonho impossível!
Eu imploro, por favor não vá atrás dele. Eu imploro!
Escute, ninguém tem o poder de mudar o destino! Ninguém! Nem mesmo você.
O destino de outros, talvez, mas certamente não o meu!
Não, Remo!
Não, Remo! Não me deixe aqui! Não!
Eu imploro! Não vá embora!
Remo!
- Estique bem o braço e mire no alto. - Assim?
Isso mesmo.
Rápido, mulheres! Encham as trincheiras! Eles vão atacar a qualquer momento.
Estamos prontos. Podemos nos defender.
Podemos repelir qualquer tipo de ataque. Finalmente temos força.
O que importa agora é abrir o primeiro fosso para a nova cidade.
Você deve fazer isso, Rômulo. É obrigação do rei.
Você nos guiou com sabedoria.
No topo da montanha seria muito longe do rio e a água é necessária a vida.
Você me surpreende Neumar. Fala como um rei.
Ele é jovem e todo jovem se sente como um rei.
Você pretende esperar para sempre o irmão que o abandonou?
Remo queria esse empreendimento. Temos que esperar por ele. Ele é meu irmão!
Devo minha vida a ele.
Não, Rômulo.
Dessa vez está errado.
Não foi só para salvar você que Remo decidiu atacar Alba Longa.
Foi porque seu pai, antes de morrer, disse algo a Remo que atiçou sua ambição.
As palavras criaram no coração dele a vontade de poder.
Foi por isso que ele atacou, não para salvá-lo. Você foi apenas uma desculpa.
Retire o que disse!
Me espanque até a morte, mas isso não vai mudar a verdade.
Rômulo!
- Os Sabinos! - Onde?
Na colina, são centenas!
- Eles nos superaram. - Ali também! Veja!
- Estamos cercados, não temos chance. - Só há uma coisa a fazer.
Lutar.
Eles têm dez vezes mais soldados do que nós.
Deixe-me ir até meu pai. Não se deve mais derramar sangue por mim.
Não, Júlia. Não é apenas por você. Vamos lutar pela nossa terra e futuro.
Esperava por esse momento. A caçada terminou.
- Divida os homens em grupos. - Certo.
Essa é a nossa chance. Quando atacarem, mostraremos quem somos.
Será um grande dia.
Com os deuses, subiremos os muros da cidade, com pedras já manchadas pela glória.
Os rebeldes cercaram o acampamento com trincheiras.
Será quase impossível passar pelas defesas.
- Você se preocupa demais, Curtius. - O que quer dizer com isso?
O caminho para o trono de Alba Longa e para o meu,
é bem mais fácil de percorrer tomando a mão de minha filha
do que arriscando a vida na batalha.
Suas palavras são ofensivas.
Mostre que estou errado. Tenha a honra de liderar o ataque.
Mas é suicídio, Tácio.
E além do mais, é para isso que você tem comandantes.
Nesse exército, quem decide é o rei Tácio. Lidere o ataque, Curtius!
Mas...
É a morte! É morte certa!
É melhor desistir de Júlia.
Melhor desistir de tudo.
Você não tem mais nada do que abrir mão. Não lembra de ter dito isso?
Em frente!
Chegou a hora. O destino é quem vai julgar.
Lancem! Depressa!
Agora!
Agora!
Sulpício.
Você venceu. Vá em frente.
Por que não dá o golpe?
Vou Ihe mostrar como morre um rei.
Não, Rômulo!
Pai.
Morava com essas pessoas pela minha vontade. Eu era livre.
Eu compartilhava as minhas esperanças e sonhos.
Foi minha própria escolha, pois o amo muito.
Nessa terra, consagrada pelo sangue do nosso povo,
vamos construir uma cidade e ninguém vai nos impedir.
Resolva, Tácio.
Que haja paz entre nós.
Em nome dos deuses imortais, eu, Rômulo, sou agora rei dessa cidade.
Esse fosso marca seus limites.
Quem passar desarmado é nosso amigo.
Quem estiver armado deve morrer.
- Essa é a lei! - Longa vida a Rômulo!
Meu irmão.
Esse é o fosso da minha cidade ou da sua?
Da nossa, meu irmão.
Nunca vou dividir nada com você!
Veja, já destruí sua cidade.
Não!
Vejam o seu rei rastejando no chão! Foi ele que escolheram para defendê-los?
Ele é fraco como a cidade que vai construir!
Levante-se, Rômulo.
Ou vou matá-lo onde está, como um verme.
Foi você que quis isso, Remo.
Ele desrespeitou a lei. Tem que matá-lo, Rômulo!
Rômulo, defenda sua cidade com a minha espada.
Remo.
Remo.
- Não chore por mim. - Remo!
Meu irmão!
Não foi você que decidiu nossos destino. Não podemos ir contra o destino.
Ninguém desafiará seu poder agora e a cidade que vai construir
será grandiosa como a cidade com a qual eu sonhei.
Remo!
Esse é o fim da lenda.
E o começo da história da maior cidade do mundo.
A cidade eterna, Roma.
legendas e autoração: Heraldo Medeiros - STUDIO MILLE
FiM
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