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Eu uso esse escritório para escrever
e às vezes falo com clientes online aqui.
Essas são algumas fotos de infância de nós duas
com nossos chapéus de caubói no Texas.
- Talvez não dê para cobrir tudo. - Certo, certo.
Tudo bem.
Vamos respirar aqui.
- Certo, tudo bem. - Que fofo.
"Meu nome é Sonora Rose Thomas.
No dia 6 de dezembro de 1991,
minha única irmã, minha irmã mais velha, Eliza Hope Thomas, foi morta.
Eu tinha 13 anos."
Na cena do crime.
"No momento em que minha irmã foi morta,
eu estava dormindo profundamente a seis quarteirões de distância.
Se meu pai não estivesse fora naquela noite,
eu estaria com minha irmã e teria sido a quinta vítima.
Passei muitos anos desejando ter estado lá.
Hoje posso dizer que estou feliz por estar viva.
Agora eu sei que essa vida ainda tem beleza,
mas nem sempre soube disso.
Esse livro é a história da minha vida.
Dizem que esses assassinatos abalaram a inocência da pequena cidade de Austin.
Eles continuam a devastar, intrigar e fascinar muitos.
Como a irmã que sobreviveu, alterno entre a repulsa pelo fascínio contínuo
e a admiração pelo fato de o público continuar horrorizado
com um acontecimento que moldou todos os aspectos da minha vida.
Em uma das primeiras entrevistas gravadas em vídeo com minha mãe,
poucos dias após os assassinatos,
posso ser vista ao fundo, hiperventilando,
enquanto minha mãe, aflita, conversava com o repórter
e mostrava para ele o quarto da minha irmã."
Ela sempre prendia o cabelo bem alto usando presilhas
e lavava bem o rosto à noite.
Eu ainda consigo vê-la.
"Embora os repórteres não pudessem estar no funeral coletivo das garotas,
uma equipe de filmagem abriu a porta da igreja
para registrar as poucas imagens que conseguiram.
É por isso que eu quase nunca retornava as mensagens telefônicas
deixadas por repórteres.
Na época que eu era caloura na faculdade,
uma repórter foi ao meu dormitório para me entrevistar.
Essa entrevista foi muito mais difícil do que eu imaginava.
Uma simples pergunta como: 'Como era sua irmã?'
Me dava um branco.
'Ela amava animais, não é?'
A entrevistadora me cutucou.
De repente, percebi que aquela mulher sabia mais sobre minha irmã do que eu.
As memórias vivem porque falamos sobre elas,
mas minha família não falava sobre a Eliza,
então minhas memórias ficaram adormecidas.
Escrevi cinco páginas no meu diário no dia seguinte àquela entrevista.
A entrevistadora fez essas lembranças despertarem em mim
e eu não queria mais esquecê-las.
Mesmo assim, eu tive que lidar com a vergonha de ter esquecido."
Qual é a vergonha de ter esquecido?
É que me sinto mal.
De alguma forma é meu trabalho mantê-la viva através da minha memória.
NÓS NÃO ESQUECEREMOS
OS ASSASSINATOS DA LOJA DE IOGURTE
Aqui é o Robert. Oi, Shannon. Como está?
Estou muito bem.
Vamos dar uma entrevista hoje para o programa 48 Hours.
Não quero que pensem que sou um vagabundo.
Muitas pessoas têm ideias preconcebidas e coisas assim.
Quanto mais eu puder fazer para eliminar essas ideias, melhor.
Qual será o tema que você vai levar para o programa 48 Hours?
Sobre o que você vai falar?
A questão fundamental.
As coisas que eu quero que você diga...
são, principalmente,
as suas esperanças
e o que planeja fazer com seu tempo.
Como você planeja passar o resto da sua vida.
Então eu quero que você seja positivo nesse sentido.
JOE SAWYER ADVOGADO DO ROBERT SPRINGSTEEN
O que não faremos, de forma alguma, é discutir os fatos do caso.
Então você precisa ter cuidado ao falar sobre coisas como:
"Não é verdade que você confessou?" "Sim."
Então eu quero que você fale sobre o porquê
e o processo que levou você a confessar.
E que você nunca imaginou que isso poderia levá-lo ao corredor da morte.
Você quer que eu use jaqueta preta e calça preta
ou jaqueta azul e calça preta?
Eu nem me daria ao trabalho de usar jaqueta.
Eu acho que se você usar camisa, calça,
meias escuras e sapatos, você vai ficar ótimo.
Certo.
JOHN JONES DETETIVE PRINCIPAL
Eu disse que a cor era horrível, não disse?
Só usei uma vez.
É, foram quatro garotas.
Sem dúvida estão mortas.
Por qual motivo? Certamente não devia haver muito dinheiro lá.
O preço da vida parece estar cada vez mais barato.
Eu fui na loja Sheplers e comprei essa camisa.
Foi a primeira vez que a usei e prometi, conversando com as famílias,
que só usaria aquela camisa de novo
quando o caso estivesse resolvido.
Eu não a usei desde então
e ela está pendurada no closet há 30 anos.
Essa é a caixa.
Esse era o cartaz que estava em todos os outdoors da cidade.
Nas confissões orais
há um gráfico que, na verdade,
precisa ser montado.
São duas folhas de 28x36cm
e listamos todas as confissões, fossem elas orais,
escritas ou contando vantagem.
Há seis escritas e provavelmente umas 40 verbais.
Eu não era o melhor interrogador.
Era mais a pessoa que ajudava com as provas e tudo mais.
E o Hector Polanco entendia de interrogatório.
Detetive de homicídios há cinco anos,
Polanco nunca teve um caso de assassinato sem solução.
Descobriremos a verdade e chegaremos a uma conclusão positiva,
isso eu posso garantir.
Ele era o cara.
Ele tinha reputação na área de homicídios
por resolver casos difíceis.
A entrevista com o Shawn Smith.
Buddha Shawn Smith.
Ele foi entrevistado pelo Sargento Polanco,
que conseguiu arrancar uma confissão dele.
Ficamos contentes com isso.
Até levei a camisa para a delegacia.
Chamamos a secretária de homicídios.
Ela digitou a acusação do grande júri para ele
e as pessoas que ele disse que estavam com ele.
Nos sentimos bem com isso.
MEU NOME É SHAWN PEARSON SMITH
A ELIZA VEIO FOI A PORTA E NOS DEIXOU ENTRAR
Chamamos a SWAT porque iríamos lá e prenderíamos todas essas pessoas.
Então tudo desmoronou.
O triste é que o Hector realmente é um bom detetive.
Ele é um detetive muito bom,
mas não usa esse fato corretamente.
Já o vi obter confissões
de alguém que não teve nada a ver com o caso,
mas o Hector consegue te assustar e te fazer confessar.
Ele consegue.
Contanto que ele consiga uma confissão, ele não se importa.
INTERROGATÓRIO EM VÍDEO SILÊNCIO, POR FAVOR
Você pergunta: "Por que alguém confessaria se não fez nada?"
Você consegue entrar na cabeça de alguém muito facilmente se souber como.
E a maioria dos detetives sabe.
"Se eu te mantiver aqui tempo suficiente...
vou fazer você assinar aquela confissão antes de ir embora."
Você pensa: "Não tem como isso acontecer. Não tem nenhuma chance."
Está enganado.
Quer que eu prove?
- Tipo isso. - Vão ter que vir tirá-la da cadeia.
Os policiais podem te mentir
e o Hector era muito bom nisso.
"A garota número dois foi em direção à porta dos fundos.
Acho que foi porque ela estava amarrada só na frente."
Quando eu conversei com o Buddha Shawn Smith, ele disse:
"O Hector me convenceu de que eu fiz isso."
Ele convenceu o Shawn de que tínhamos tudo gravado em vídeo,
de que o Shawn apareceu
nas câmeras no posto Chevron do outro lado da rua.
Tinha um pouco de verdade nisso.
Havia mesmo um posto do outro lado da rua
e tinha uma câmera, mas não havia ninguém lá.
Essa foi uma das primeiras confissões.
Outra confissão foi a de Alex Briones.
MEU NOME É ALEX BRIONES
Ele disse que as queimou.
Eu olhei a confissão dele
e ele disse que roubou US$ 1.200, US$ 1.300, algo assim.
E eu disse: "Isso está errado."
Então o Hector me perguntou: "Quanto foi roubado?"
Eu não contei a ele e nem ao Huck.
Essa era uma daquelas coisas que não se conta,
informações que só o suspeito e nós temos.
Era um teste para saber se ele estava mentindo.
VALOR EXATO DE DINHEIRO ROUBADO
Era difícil enfrentar o Hector,
mas o Huck e eu nos apoiamos e dissemos:
"Não conseguimos."
O Hector Polanco estragou tudo nesse caso.
Não sei se o que ele fez poderá ser desfeito.
Não sei quanto tempo perdemos
por nada.
SEDE DA POLÍCIA
Quero que vocês ouçam isso.
É isso que vai motivar todos.
Não esqueceremos
Os sonhos que você nunca realizará
Houve uma reformulação na força-tarefa.
O Sargento Hector Polanco, supervisor da força-tarefa,
foi transferido em meio a alegações de que ele forçou um suspeito a confessar.
Isso não afetará a investigação.
Ele está lá para auxiliar os detetives.
Nada mudará em relação à investigação.
Você tem uma teoria?
- Vocês todos têm uma teoria sobre... - Esse caso?
Não tenho porque ainda não sabemos a motivação.
E quando não sabemos a motivação, podemos nos perder.
Se prendermos essas pessoas...
CORRESPONDENTE DO 48 HOURS
eu...
vou perguntar o motivo, pois na verdade também estou curioso.
Quero saber o porquê pois preciso contar às famílias.
O que eu provavelmente direi é o seguinte: "Olhem, rapazes..."
Ou moças, quem quer que seja.
"Em alguns minutos,
eu terei que sair, acordar essas famílias de novo
e tentar dar a elas uma boa notícia no meio da noite, para variar.
O que vocês querem que eu diga a elas?"
ESCRITÓRIO DO PROGRAMA 48 HOURS NOVA YORK, NOVA YORK
Que sujeira. Olhe o estado do meu escritório.
Não tenho muita coisa aqui. Você viu o John, certo?
Eu não sei por que o John tirou essa foto, mas ela está aqui há muito tempo.
Aqui está o John Jones ao lado de um touro.
É uma foto bem estranha.
Aqui está a Victoria Gotti, filha do John Gotti.
Esse é o Matt Baker, um pastor que foi condenado pelo assassinato da esposa.
Tudo isso dá 30 anos
de experiência cobrindo casos.
Depois de trabalhar nessas histórias, como a do John,
depois de trabalhar nessas histórias por tantos anos,
você conhece o caso, conhece a vida deles.
Isso não é um trabalho para mim.
Essa é a minha vida.
Eu ligo para eles, ligo para o John Jones para saber como ele está
e continuo me atualizando sobre o caso dele.
Essa foi a primeira vez que estive lá.
Olá?
- Oi. - Oi, papai.
São três décadas.
Imagine só.
Ele é uma parte importante da minha vida.
- Essa é a... - Oi, eu sou a Erin.
Ainda não tinha me apresentado.
- Sou da CBS News. Muito prazer. - O prazer é meu.
Só tome cuidado com o que você divulga e com o que diz.
- Com certeza. - Porque eu escuto vocês.
E às vezes vocês falam demais.
Sentem-se todos.
Essa é a Andrea.
Essa é a Christina. Christina, vire-se e dê oi.
Oi.
Ela fez bem o que eu disse.
Aquela é minha esposa, a Yolanda.
É a mãe dessas duas crianças.
Então, Sra. Freeman,
a senhora acha a cidade foi duramente atingida por esses assassinatos?
Essa cidade foi duramente atingida por muitos assassinatos
e houve muitos, muitos outros além desses.
Eu acho que essa cidade foi duramente atingida por muitos assassinatos.
Acho que sempre que um acontece, é difícil, porque afeta alguém.
Você acha que deram mais ênfase a esse caso
pelo fato das vítimas serem jovens, brancas e de classe média?
Mais do que a outros assassinatos?
Sim, tem muita experiência por trás desses fios brancos.
Todo mundo está apreensivo,
pelo menos na nossa administração,
porque não querem ser retratados
como se estivessem fazendo tudo isso só porque as vítimas eram caucasianas.
Na verdade, acho que o assassinato de qualquer jovem
transcende as barreiras raciais.
- Papai? - Sim, querida?
- Veja. - Sim, estou vendo.
Eu estou vendo.
A cidade de Austin ainda aguarda que a justiça seja feita.
A polícia de Austin obteve cerca de 2 mil pistas,
mas até agora nada foi resolvido.
Então hoje a comunidade empresarial de Austin aumentou a recompensa.
O valor a ser pago por informações foi quadruplicado para US$ 100 mil.
Estamos aqui com um apelo.
Nos dê informações que levem à prisão e à condenação
da pessoa que assassinou as garotas
e nós lhe daremos US$ 100 mil por essas informações.
Pode ser por telefone ou vindo até aqui. Você tem 17 anos, certo?
Podemos ir até ela, se for mais fácil.
Nós pedíamos todo tipo de pista e recebíamos todo tipo de pista.
Você já viu o arquivo desse caso da loja de iogurte?
Meu Deus, é enorme.
Enorme.
Tenho dificuldade até em explicar o que aconteceu
porque as pessoas começaram a ligar.
O que conseguiu?
As pessoas ligavam e diziam:
"Eu conheço esse cara, o nome dele é..."
Onde, especificamente, essa pessoa estava se escondendo?
Era esse tipo de prova que davam:
"Esse é o cara."
Obrigado por ligar.
E o que tinha que fazer?
Encontrar o cara.
Tinha que investigá-lo.
Sim, ele é um cara psicótico que gosta de matar mulheres.
Muitas vezes diziam:
"Eu ouvi..." Ou: "Acho que vi..."
Mas nosso trabalho era extrair qualquer informação útil daquilo que chegava.
Irmandade Ariana,
tatuagens, luxo.
Ele usava heroína.
Tínhamos muitas anotações.
E nessa época, no setor de homicídios, tinha seis policiais.
Não é muito.
Depois que recebemos todos aqueles arquivos,
nós os separamos
em bom, mais ou menos e ruim.
Havia três caminhos: bom, mais ou menos e ruim.
Tem mais três pessoas vindo hoje à tarde.
Trabalho aqui, trabalho ali.
Sem parar, não tinha fim.
Pilhas e mais pilhas que ficavam cada vez maior.
Há 342 pessoas listadas como suspeitas.
Estamos analisando páginas e páginas de suspeitos aqui.
É fora do comum.
Muito fora do comum.
Isso é o que acho que aconteceu naquela noite.
Acho que entraram lá para roubar dinheiro.
Tentaram incendiar o lugar para esconder os rastros e fugir.
É isso que eu acho. Essa é a minha teoria.
Algum tipo de ritual satânico
semelhante a um culto.
Uma tribo, pessoas de preto.
Grupos de supremacia branca.
Um esquema de lavagem de dinheiro.
E os vampiros, o ocultismo,
a revolta nos cemitérios.
Eles saem, dançam e tiram fotos em lápides.
Os rumores se espalharam rapidamente por Austin.
Havia várias teorias sobre coisas satânicas, isso e aquilo.
Eles tinham muito para investigar.
Isso aqui são lembrancinhas.
Mas se não mataram ninguém,
tenho certeza que matarão nos próximos cinco anos.
Eles começam a perseguir góticos, metaleiros...
pessoas que vestiam preto, pessoas em boates e adolescentes.
Perguntaram se eu fazia bruxaria
e se eu sabia algo sobre os assassinatos.
Meus amigos foram alvos
e equipes da SWAT invadiram as casas deles.
A coisa logo ficou complicada.
Todos os dias.
Abra a porta. É a polícia!
Polícia! Somos da polícia.
Abaixe-se. Deite-se no chão.
Para o chão!
Somos da polícia!
Bingo. Esses ossos.
Eles pegaram um monte de livros e levaram isso.
Esse é o crânio que me enviaram pela FedEx.
É só de plástico,
camurça e tem cabelo colado. Isso foi rolado na terra.
Sabia que estavam vindo
e isso foi algo que a polícia não entendeu.
Meu nome estava em uma lista restrita e o FBI estava na livraria Europa.
Tinha livros sobre desvio sexual
e ocultismo.
Se alguém entrasse naquela seção,
uma pessoa do FBI mostrava um distintivo
e perguntava: "Você conhece..." Sete nomes ou algo assim.
E meu nome era um deles.
Então eu consegui um crânio.
Coloquei numa caixa com outros ossos.
Pensei: "Encontrem!"
Talvez eles percebessem que aquilo era loucura.
Mas não sabia que trariam a equipe do 48 Hours junto.
Ela supostamente comanda uma rede de adoradores do diabo.
Dezenas deles têm dito à polícia de Austin
que Clair cometeu os assassinatos da loja de iogurte
ou sabe quem cometeu.
Esse crime foi terrível
e as pessoas estão ligando para a polícia e dando seu nome.
Por quê?
ONTEM À NOITE BLOCO 2800 DA RUA RIO GRANDE
A mídia entrou na minha casa contra minha vontade,
tirou coisas do meu closet,
e mexeu em tudo dentro da minha casa.
E dentro dessa casa há grande quantidade
de pornografia e material de sadomasoquismo.
Muita coisa que você descreveria
como uma cena macabra.
Fui exposta e presa nua.
Depois eles cortaram para um comercial
e voltaram:
"Não foi nada, é só uma esquisitona."
E depois botaram isso na televisão repetidamente por 30 anos.
Era só um sinal
de como estavam desesperados.
Estavam envolvendo qualquer um que fosse um pouco diferente.
Algumas críticas graves estão sendo feitas ao Departamento de Polícia de Austin
e elas vêm das famílias das vítimas dos assassinatos na loja de iogurte.
Eles querem dizer que esgotaram todas as pistas e que fizeram tudo o que podiam.
Querem nos varrer para debaixo do tapete.
ONTEM EM NORTH AUSTIN
Com o passar do tempo,
nosso relacionamento com as famílias chegou a um ponto
em que eu tive que me afastar.
O que realmente me irritou
foi que eles não pediram ajuda.
Eles queriam resolver tudo sozinhos.
Eles não foram honestos comigo.
Ele começou a fazer perguntas.
Perguntas atrás de perguntas.
Queria saber isso, queria saber aquilo.
Que droga, eu não ia contar a ele.
Disseram: "Não podemos dar essa informação, pois pode vazar."
Eu disse: "Se vazar, quem acha que terá contado?
Acha que vou fazer algo que para prejudicar as investigações?
São malucos.
Querem que eu confie em vocês,
mas não confiam em mim?"
Ele me perguntou: "O que fizeram com a minha filha?"
Eu disse: "Ela levou um tiro na cabeça."
"Ela estava nua?"
Eu perguntei: "Bob, onde quer chegar com tudo isso?"
"Só quero saber se a estupraram."
"Bob, pare já.
Não quero mais falar com você sobre isso.
É ruim para você e também para mim.
Você não precisa saber de tudo, eu juro."
Eu não ia contar todos os detalhes para ele.
Ele não precisava saber daquilo.
Eu queria não saber.
Chegou um ponto em que eles falavam uma coisa
e eu pensava: "Será que acredito nisso ou estão dizendo isso para me despistar?"
Eu precisava saber algo sólido.
O departamento de polícia devia estar do nosso lado.
Você precisa confiar neles. O que mais você tem?
Nunca houve nada parecido antes nem desde então.
E eles não sabiam o que fazer.
Houve uma interrupção na investigação do caso da loja de iogurte.
Uma confissão foi recebida, de acordo com as notícias que ouvimos.
É a interrupção que todos esperávamos.
Há 321 dias,
quatro adolescentes foram assassinadas em uma loja de iogurte em North Austin.
Essa noite, pela 1ª vez, eles nomearam três homens
para serem interrogados pelos assassinatos.
Eles são acusados de sequestro e estupro
sem relação com os crimes da loja de iogurte.
Mas, durante o interrogatório, Saavedra teria confessado
os assassinatos.
Saavedra, também conhecido como O Exterminador do Futuro,
apontou outros dois homens envolvidos,
um deles chamado Alberto Cortez,
que tem muita semelhança com o homem que foi visto
sentado do lado de fora da loja de iogurtes
em dezembro, quando os assassinatos ocorreram.
É um dia que esperamos ansiosamente,
mas também um dia que tememos.
O fim pode estar próximo, mas isso nunca acabará.
Talvez tenhamos um pouco de consolo se esses forem os caras.
Espero que tenha acabado.
Espero que seja o fim e que eles provem
tudo o que esse homem confessou.
Espero que eles possam provar sem sombra de dúvida
que eles foram os culpados,
que não haja engano e que eles sejam punidos.
MÃE DA JENNIFER E DA SARAH
Pois não quero que a pessoa errada pague. Quero que seja a pessoa certa.
"Quando chegamos à loja de iogurte, me deparei com quatro garotas lá.
A primeira foi a única que consegui amarrar com as cordas.
Então tirei as roupas dela e as usei para amarrar as outras,
sempre batendo nelas para que ficassem quietas
até ficarem inconscientes."
Se forem acusados, serão julgados no México
por causa do processo de extradição.
Incomoda que eles não respondam às acusações aqui
e que não exista pena de morte no México?
Isso me incomoda.
Incomoda você?
Isso não me incomoda.
Marie, por que você diz que isso te incomoda?
Eu quero vê-los.
Quero que eles vejam meu ódio por eles.
Eu...
eu os odeio.
Foi um interrogatório meio confuso.
As autoridades mexicanas os estavam conduzindo.
Eles enfim cederam e deram ao Huck
uma cópia da confissão escrita.
Foi até divertido. Eu fui ao México.
E tinha algumas inconsistências gritantes.
Primeiro, eles erraram o calibre da arma.
Segundo, disseram que jogaram gás branco por todo o lugar, que é querosene,
mas sabíamos que isso não aconteceu.
COMO E ONDE O INCÊNDIO COMEÇOU
Foi uma confissão muito bonita.
Um roteirista de Hollywood ficaria orgulhoso dela.
O problema é que não valia o papel em que foi escrita.
Mas quando as pessoas viram trechos, elas disseram: "Sim, eles confessaram".
Muita gente acredita que as pessoas não confessam coisas que não fizeram.
Pelo contrário, elas confessam, seja lá qual for o motivo.
Hoje, Porfirio Carlos Saavedra conteve as lágrimas
ao dizer que foi forçado a assinar uma declaração
afirmando que matou as quatro garotas na loja de iogurte em dezembro passado.
Saavedra me contou que a Polícia Federal colocou um saco em sua cabeça,
um pano em sua boca, algemou suas mãos,
deu-lhe socos e ameaçou machucar sua família
se ele não assinasse uma declaração que foi lida hoje no tribunal.
Porco peso pesado, em terceiro lugar, Sonora Thomas.
A verdade é que muitos pais de crianças que foram mortas
queriam que as pessoas soubessem
como é horrível o que eles estão passando.
Não gostou?
Gostaríamos de ficar com isso, de verdade.
Quando vejo as amigas delas, fico meio chocada,
porque elas cresceram e seguiram em frente,
mas as minhas filhas ainda são minhas garotinhas.
No começo, quando esses pais perderam suas filhas,
todos queriam falar com eles e eles estavam nos noticiários.
Mas com o tempo, deixou de ser notícia e os amigos deles começaram a dizer:
"Precisam continuar."
Não tem como seguirem em frente.
Quem conseguiria seguir em frente? Você perdeu sua filha.
Ou, no caso de Barbara, ela perdeu duas filhas.
A história precisa dessa atenção, senão ficará sem solução.
Passam-se meses,
depois anos
e chega um ponto em que nos dizem:
"Não temos muito mais o que fazer."
Quando cobrimos isso, de certa forma também estamos enfrentando nossos medos.
"Se aconteceu com essas pessoas, poderia acontecer comigo."
Não foi só o fato de quatro garotas terem sido mortas.
Foi como elas foram mortas.
Você vê um lado muito sombrio da humanidade.
Acho que faz parte do meu trabalho.
Você vai sentir isso.
E graças a Deus você sente a dor delas.
Eu até entendo as pessoas.
Se você não está nessa situação,
você não sabe a coisa certa a dizer, porque eu provavelmente não saberia.
Mas, para mim, algumas coisas que realmente me irritam são:
"Você tem tanta sorte de ter outro filho."
Qual filho vocês escolheriam?
Qual deles vocês estariam dispostas a perder?
Somos fascinados por esse crime sem solução,
mas se você entrevistar alguém que sobreviveu a ele,
acho que o fascínio desaparece bem rápido,
porque não é nada fascinante, é muito triste.
Acho que a história mais importante a ser contada
é dizer às pessoas
que esses eventos, como os assassinatos da loja de iogurte,
têm um impacto negativo na vida de muitas pessoas por décadas e décadas.
Isso não é algo que você simplesmente supera ou se recupera.
Essa história é mais importante do que quem cometeu o crime.
Como é para essas famílias voltar para casa e dormir naquela noite,
na noite seguinte, na próxima, na outra e nos anos seguintes,
sem que sua filha esteja viva?
Não ouvimos essas histórias porque as pessoas estão traumatizadas.
O programa 48 Hours me chamou para uma entrevista
pouco antes do crime completar 30 anos.
O produtor disse:
"Erin Moriarty tem boas lembranças da sua mãe."
Eu gosto de qualquer um que seja legal com a minha mãe.
Durante a entrevista, Erin Moriarty perguntou:
"Os pais das suas amigas ficaram mais protetores com você
após os assassinatos?"
Eu respondi que não tinha amigas.
Ninguém mais falava comigo.
"E seus pais ficaram mais protetores?"
Eu respondi que conversei com outras pessoas que também perderam seus irmãos
e todos diziam a mesma coisa:
"Quando você perde um irmão, você perde seus pais também."
Perdi meus pais naquele dia.
Minha mãe foi para o quarto dela e eu parei de ir à casa do meu pai.
Minha família nunca mais falou sobre minha irmã após a morte dela.
- Nunca mais? - Não.
E...
tenho medo de perder as lembranças.
Lembro que a casa da minha infância era silenciosa, solitária e vazia.
Lembro de voltar da escola e encontrar a correspondência
ainda na caixa de correio.
Minha mãe ainda estava na cama
e minha irmã estava morta.
Há uma espécie de tortura que não passa
pelo fato do caso não ter tido solução e ainda estar em aberto.
"Ajudou ouvir a Erin falar sobre as famílias de outras vítimas de crimes.
Foi aí que percebi que esse estranho gênero de séries policiais
não serve só para alimentar a curiosidade.
Também oferece uma saída para as vítimas contarem uma história
que ninguém quer ouvir."
UNIDADE DE CASOS DE HOMICÍDIOS ARQUIVADOS E PESSOAS DESAPARECIDAS
"Ao entrar na sala do detetive no Departamento de Polícia de Austin,
há quatro quadros de 20x25cm da minha irmã
e das outras garotas penduradas bem em frente à porta.
Abaixo delas, há uma maquete 3D da loja de iogurte.
Os detetives não se permitem esquecer.
Essas são as primeiras coisas que eles veem ao entrar na sala.
Fiquei triste ao perceber que isso ainda paira sobre eles tanto quanto sobre mim.
Saber disso me fez sentir uma afinidade com essas pessoas que nem conheço.
Se eu as encontrasse, queria abraçá-las e também pedir desculpas."
Pode ter uma pessoa por aí que não participou, mas sabe do crime
e todos os dias
olha para um assassino
que, até agora, está se safando.
Tem sido um caso difícil. Tem sido um caminho difícil para nós,
mas gosto de dizer que estamos nos esforçando ao máximo
para tentar resolvê-lo.
É tudo o que vivemos, respiramos e pensamos 24 horas por dia.
Queríamos fazer a coisa certa.
E parecia que, muitas vezes,
estávamos só lutando para manter o trem nos trilhos.
Sabemos tudo o que há para saber sobre o crime em si
e temos tudo pronto, menos alguém para acusar.
Quando as famílias sugeriram ao Huck e a mim:
"Acho que vocês deviam procurar um terapeuta.
Acho que precisam conversar com alguém."
Eu pensei:
"Quão fraco é meu psicológico para as famílias dizerem
que precisávamos conversar com alguém?"
Nós dois fizemos isso.
Foi quando eu fui diagnosticado com TEPT.
Não sabia o que era. Achei que só quem tinha isso
era quem havia ido para a guerra.
"Como resultado de um memorando importante que o Sr. Jones
recebeu de um superior essa semana,
ele não tem conseguido trabalhar normalmente.
Isso não é incomum nos casos de Transtorno de Estresse Pós-Traumático."
Essa é a Andrea.
Aquela é minha esposa, a Yolanda.
Estou ocupado demais para ficar cansado.
E...
Acho que chega em um ponto em que a mente se fecha, se desliga.
"Os sintomas de TEPT listados no Manual Diagnóstico de Transtornos Mentais são:
sonhos angustiantes recorrentes com o evento."
Sim.
"Sofrimento psicológico intenso diante da exposição a eventos
que simbolizam uma situação traumática,
como os aniversários do ocorrido."
Confere.
O detetive-chefe responsável pelo infame
caso da loja de iogurte de Austin foi transferido.
O Sargento John Jones está no caso dos assassinatos
de quatro garotas há dois anos e meio.
"Amplitude limitada de afeto,
como sentimentos amorosos
ou quaisquer sentimentos profundos e reais."
Nenhum relacionamento desde o divórcio.
"Dificuldade para adormecer ou manter o sono."
Confere.
"Irritabilidade."
Um pouco.
"Resposta exagerada a sustos."
Agora eu sei por que faz tempo que não leio isso.
Deixe eu pegar essas chaves e vamos até o cofre.
Vou lhe mostrar algumas recordações que ainda temos.
Esse é o nosso antigo cofre de arquivos
que mantém trancada todo tipo de história valiosa e tal.
E aqui está.
Esse é o anuário que aquela turma
dedicou a ela naquele ano.
Essa foi a homenagem a ela.
Bela foto.
Todas usávamos o cabelo assim.
É interessante porque a cápsula do tempo dela está começando a subir,
provavelmente porque não foi colocada corretamente no chão.
Mas com o tempo e com as mudanças na Terra,
ela está começando a subir, então isso me preocupa muito.
Não quero que ela caia nas mãos erradas e tal.
Temos uma placa aqui desse lado da árvore
e acho que havia algumas plantas, não sei bem.
Mas desse lado da árvore,
na verdade, há outra placa para ela.
E está escrito:
"Cápsula do tempo que preserva as lembranças de Amy Ayers,
uma vida que deveria ter sido poupada.
21 de fevereiro de 1992."
Foi feito um tempo depois.
Imagino que possam ser coisas do armário dela,
talvez alguns recortes de jornal.
Então isso é o que temos dela.
Boa tarde e bem-vindos à Burnett Middle School.
Estamos aqui hoje para uma homenagem especial em memória de Amy Ayers
nesse que seria seu aniversário de 14 anos.
FELIZ ANIVERSÁRIO, AMY AYERS
Foi nesse pátio e ao redor dele
que Amy e suas amigas costumavam se reunir todos os dias.
Elas riam e conversavam em momentos descontraídos
e depois se reuniram na tristeza.
Essa árvore, que dará flores brancas na primavera,
será um símbolo duradouro do amor de Amy pela vida.
Gosto de respostas
e agora não tenho muitas.
SHAWN AYERS IRMÃO DA AMY
O que tenho são perguntas.
Ajude-o.
Não há um dia que passe sem lembrarmos dela.
E quando fazemos algo com cavalos,
pensamos primeiro na Amy e ela é a última a sair da arena.
Deixe eu tentar de novo.
Nunca saberei.
Essa merda pode te enlouquecer.
Por que isso aconteceu?
Não há uma resposta boa o bastante.
Traga-o de volta.
Feito. Obrigado, Shawn.
Esse foi o Royal Bandit e o Sr. Music Man, Shawn Ayers, aqui no Texas.
Não há nada mais irritante do que perder uma vaca.
Pois quer dizer que a vaca venceu
e você não quer que a vaca vença.
Ao longo dos anos, eu me perguntei muito isso.
Como ela seria se fosse adulta?
BOB AYERS PAI DA AMY
E como ela seria se tivesse filhos?
Como a Angie.
É assim que a Amy teria sido.
A Angie é a cara dela
bem na minha frente.
FARMÁCIA
É uma empresa familiar,
independente
e temos um departamento de artigos esportivos para armas.
Somos todos uma família, consideramos isso uma família
e precisamos conhecer nossos pacientes e uns aos outros,
a vida uns dos outros.
Mas quando cheguei,
eles já sabiam
que eu tinha excesso de bagagem, por assim dizer,
e que teria que lidar com isso.
Fiquei triste pelo Shawn e a família dele.
Eles são vítimas desse crime
e estão tendo que implorar por respostas
do Departamento de Polícia de Austin.
Foi aí que comecei a ficar irritada.
Comecei a pensar: "Por que não estão contando nada a vocês?"
E a resposta foi: "Eles não precisam contar.
É assim que eles fazem.
É assim que tem sido."
Mas foi aí que mudei meu pensamento para:
"Não,
tem que ter alguém por aí que responda nossas perguntas e nos ajude."
De vez em quando, recebemos ligações de alguém sobre o caso.
Eu recebi uma ligação de uma detetive particular.
Ela disse: "Olhe, não quero ser invasiva,
mas minha cunhada me falou do caso.
Ajudei a solucionar o assassinato da minha melhor amiga em Dallas.
Acredito que eu poderia ajudar vocês."
É muito difícil se abrir com alguém
e deixar a pessoa entrar,
pois somos bem reservados.
Não foi a primeira vez que fomos contatados por um detetive particular,
mas a reação foi: "Acho que ela pode ajudar."
Tudo bem.
Vocês vão notar os sinos dos ventos por toda a casa.
Eles estão espalhados pelo meu quintal.
E cada sino representa um cliente.
Então quando eles tocam,
eu consigo ouvir. E vocês sabem como eu sou:
alguns me dizem certas coisas.
Quando estou trabalhando em um caso específico, eu consigo ouvi-los.
Esse vai representar a Amy.
Podem colocá-lo aqui, mesmo que não seja... ou ali.
- Vocês que sabem. - Onde você quer?
Cabe?
- Certo. Também pode colocar lá. - Vai bater.
Tudo bem. Só para vocês saberem, o seu está um pouco enrolado,
assim como seu caso.
- Desculpem. - Ficou lindo.
Quando eu estiver aqui trabalhando
ou passeando com os cachorros lá atrás,
vou conseguir ouvir a Amy.
- Eu adorei. - Muito legal.
Não é legal? Eu adoro fazer isso.
- Obrigada. - De nada.
Tudo bem, pessoal, vamos começar.
Então o que fazemos é ajudar famílias, certo?
E essa é a nossa família do caso da loja de iogurte.
A Angie tentou por sete anos
pressionar a polícia e o promotor
para obter informações que ajudassem no caso.
Então repassamos o que ela fez.
Ela chegou a um impasse e é aí que entramos.
Meu grupo se sente muito sortudo...
espero não chorar.
Eu sou chorona.
Por ter vocês aqui fazendo isso.
Então cuidado onde pisam e podem se sentar.
Vou começar com você, Catherine. Quer perguntar algo?
Gostaria de saber o que vocês pensam sobre todas as confissões obtidas.
Qual a sua opinião sobre as confissões falsas em geral?
A pessoa da loja de artigos para festa ao lado.
Será que ele não teria ouvido barulhos?
Duas pessoas foram vistas sentadas naquela cabine no final da noite.
Você sabe se alguém já tentou ver o que cabe no espaço físico?
A Sheila e eu trabalhamos em casos que envolvem ocultismo.
Ele contou a alguém que naquela noite viu o diabo sair daquela loja.
Acho que foi algum tipo de iniciação de uma gangue.
Peculato, lavagem de dinheiro e garantia estão no mesmo leque agora.
Tem as pessoas do riacho e as pessoas de preto.
Atrás, perto do telefone, tem uma cruz.
Você sabe ou ouviu algo sobre isso?
- Ele disse algo para as outras pessoas. - Detesto fazer isso. De joelhos.
Vocês estão nuas, são jovens e não sabem o que fazer.
Então vejam: Uma, duas, três e...
Se eu correr e você agarrar esse braço, eu posso girar.
A Amy tinha 13 anos e eles eram homens.
Um homem precisaria bater nela com uma gaveta de caixa registradora
ou só daria um soco?
Será que isso aponta para uma mulher?
Você tem toda a razão.
É muito frustrante não ter respostas.
Isso me consome às vezes.
Só quero fazer a coisa certa e encontrar as respostas para todos.
Não vejo nenhuma desordem aleatória na posição dos corpos.
Existe algum tipo de simbolismo quanto à posição dos quatro corpos?
Ótima observação.
É irritante e frustrante,
mas a quem mais posso pedir que me dê as respostas que procuro?
Cabeça, pernas.
Cabeça, pernas.
Cabeça, pernas. Cabeça, pernas.
Então esse é o nosso trabalho.
É refutá-lo, se pudermos.
- Podia ser. - Podia não ser nada.
Era de se supor que depois de 30 anos estaríamos muito mais avançados.
Houve tantas pessoas na delegacia
e no gabinete do promotor que entraram e saíram do caso.
E toda vez que há essa troca, é preciso recomeçar.
Foram cinco anos frustrantes e dolorosos para a família
e os amigos de Eliza Thomas, Amy Ayers e Jennifer e Sarah Harbison.
Os detetives seguiram pista após pista,
mas, cinco anos depois, ainda não estão perto de solucionar o caso.
O programa News 36 soube que vários detetives de homicídios de Austin
foram designados para analisar esse caso de novo.
A polícia de Austin anunciou hoje
que reabrirá o infame caso de assassinato da loja de iogurte.
Há um pequeno grupo de detetives em Austin
encarregados de encontrar qualquer pista que possa desvendar esse caso.
Paul Johnson vem trabalhando para trazer novas pistas.
PAUL JOHNSON DETETIVE PRINCIPAL, 1997-2002
Naquela época,
as pessoas que haviam sido designadas para esse caso
haviam deixado a equipe.
Eu estava com um pé atrás em entrar nisso.
Todos os outros da equipe de homicídios também estavam com um pé atrás.
Os rumores eram de que havia problemas no caso da loja de iogurte.
Na investigação que já tinha ocorrido antes,
eles encontraram suspeitos que foram anunciados publicamente
e eles dissessem: "São eles."
E depois: "Bem, não são eles."
No dia seguinte, ele retirou a confissão.
Coisas assim só prejudicam o caso.
Quando o novo grupo assumiu,
Huck e eu fomos praticamente excluídos.
Parecia que estavam dizendo que nós tínhamos estragado tudo.
Eu pensei que sempre faríamos parte disso,
que seríamos conselheiros eméritos
e que eles perguntariam para nós: "O que vocês acham?"
Não acho que ele e eu devíamos ter sido retirados do caso.
Eles meio que me eliminaram completamente.
Não queriam que eu me envolvesse em nada,
porque eu tinha colocado tudo a perder.
Às vezes, tenho dificuldade de olhar as famílias nos olhos.
A resolução desse caso dependia de mim e de outras pessoas.
A única coisa que lamento em tudo isso é que perdemos o contato com as famílias.
Algumas pessoas acusaram John Jones de ser muito próximo das famílias
e ele usou isso para conseguir mais dinheiro,
para atrair mais pessoas, para conseguir um afastamento.
Para se destacarem, os novos detetives nos rebaixaram.
Pode parecer um pouco rude ou grosseiro,
mas eu não tinha um relacionamento próximo com as famílias
porque não queria me envolver demais emocionalmente
com as preocupações delas.
Aqui está a porta dos fundos.
Não sei se agora tem fechadura por fora.
Desconfiamos que os suspeitos
entraram pela frente durante o horário comercial
e destrancaram a porta dos fundos
para voltar depois do expediente
e entrar pela porta dos fundos.
Essa lixeira ficava um pouco mais perto daqui,
mas os fundos dos prédios são basicamente os mesmos.
Esse riacho parece um pouco maior
do que costumava ser,
mas as árvores estão 30 anos mais velhas,
então acho que isso é esperado.
Então comecei a analisar o caso.
Era muito grande.
Me deparei com cerca de 2 mil relatórios.
Havia 2 mil pistas diferentes.
E éramos só eu e o Ron Lara.
SARGENTO RON LARA
A Unidade de Casos Arquivados nasceu da força-tarefa do caso da loja de iogurte.
Ron Lara fazia parte da força-tarefa original criada para solucionar o caso.
O caso continua e ainda tem pistas chegando.
A ideia era trabalhar com uma de cada vez.
E quando avançávamos e dizíamos: "Esse não é o suspeito",
íamos para a próxima pista,
para a próxima, e para a próxima.
Então chegamos na pista de Maurice Pierce.
Devemos lembrar que o Maurice Pierce
foi preso cerca de 10 dias após os assassinatos na loja de iogurte
no shopping Northcross, que fica a dois quarteirões de distância,
com uma arma calibre 22.
E a pista de Maurice envolvia quatro pessoas:
o próprio Maurice Pierce, Robert Springsteen, Michael Scott
e Forrest Wellborn.
Quando comecei nesse caso,
pensei que o melhor que eu poderia fazer
seria descobrir mentalmente quem eu achava que tinha cometido o crime.
Mas nunca pensei que conseguiria provas para um julgamento.
E então quase da noite para o dia...
INTERROGATÓRIO DE ROBERT
toda a minha expectativa de como isso poderia acabar mudou.
Muito prazer.
RON LARA DETETIVE
Sente-se.
Lembra quais eram seus amigos naquela época?
O Forrest era um grande amigo meu.
- O Forrest? - O Forrest.
Conheci o Maurice através dele.
Você sabe o sobrenome do Maurice?
Não, não lembro do sobrenome dele nem do Forrest de cabeça.
Você não acha estranho, Sr. Springsteen,
que haja tantas inconsistências entre o que disse ao detetive
e o que está nos dizendo agora?
Pode ser.
Eu nunca estive na loja de iogurte. Nunca, jamais.
Gostaria que me colocassem no detector de mentiras
e me fizessem essas perguntas.
Continue tentando lembrar,
porque as lembranças estão voltando.
Imagens que você nunca esquecerá.
Rostos que você nunca esquecerá.
Você só precisa baixar a guarda,
abrir a porta, sair
e dizer: "Eu vi o Maurice fazer algo."
Mas você precisa ser bem explícito.
Ouvi alguém gritar, me virei e vi todo o caos.
Que caos?
Não mude a história, só me diga.
Deixe rolar.
O Maurice lá parado com uma arma na mão.
Legendas: Winicius Sturm
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