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FAZENDA ZUBIETA
Que porcaria...
Antonio...
Sr. Cova.
A Alicia, voc� a viu?
Nenhuma mensagem?
N�o a vi porque ela estava chorando com a porta fechada.
Mas a menina Griselda enviou aquela mala de roupas.
Estavam arrumando as malas. Ela disse que viriam para c� hoje.
Deixei tr�s cavalos l� para voc�s.
E o que dizem de mim?
Griselda diz que voc� enche a cabe�a do Fidel com hist�rias.
Voc�s sabiam do meu bra�o?
O que aconteceu? Foi derrubado por um animal.
Um ferimento, mas j� passou.
E onde est� minha morena?
- Sua espingarda? - Sim.
Atr�s, nas lonas, com minha sela. V� busc�-la.
J� vou busc�-la.
- Tchau, rapaz bonito. - Tchau, senhorita.
Boa tarde.
Vim buscar a espingarda e a sela do Sr. Cova.
Est�o ali.
Entregue a ele.
� para hoje.
A VORAGEM
Sobre a debandada dos touros...
o que voc� sabe?
Eu? Rapaz, o que vou saber?
Descubra.
- Sim. - O culpado vai morrer.
Bom dia, estimado poeta.
Como vai?
Se ele estava se barbeando � porque sabia que Alicia vinha.
Talvez sim, talvez n�o,
mas Alicia saberia se comportar.
Se Alicia estava me procurando, era por amor.
Provavelmente, ela viria me reconquistar.
Eu queria consult�-lo sobre um assunto, desculpe incomod�-lo.
� que Clarita est� de olho em mim.
E voc� gosta dela?
Bem, era por isso que eu queria consultar voc�.
� que h� uns 15 dias ela deu em cima de mim, sabe?
Disse: "Esse moreno t�o bonito me provoca como ningu�m."
Foi o que ela me disse.
E o que voc� respondeu?
Nada, fiquei com vergonha.
Mas depois ela me disse para darmos um jeito no velho Zubieta
e fugirmos para longe.
Ela disse isso?
Mas como assim? Para qu�?
Para saber onde ele enterrou o ouro.
N�o.
Essas s�o ideias do Barrera.
N�o se deixe enganar.
Essa Clarita � uma cobra.
Sim! Eu tamb�m pensava isso.
Sr. Franco,
n�o pode pegar esses touros.
Esses touros pertencem ao Sr. Barrera.
N�o, senhor.
Aqui na savana, os touros s�o de quem os pega primeiro.
Ficou claro?
Covarde.
Dom Fidel, vai deixar que ele nos tire todos os touros?
Deixe.
Do outro lado do p�ntano est� o maior rebanho de touros.
Saia da�, o touro vai mat�-lo!
Cuidado!
N�o! Ele o pegou!
Vou � frente avisar,
para que abram espa�o e preparem as can��es.
A aguardente e a mortalha para quem quiser.
Mill�n procurou tanto a morte que finalmente a encontrou.
Eu j� digo que nesta savana cabem muitas sepulturas.
Temos que cuidar para que os outros sejam os mortos e n�s, os coveiros.
Eu os avisei.
Eu disse que se os c�es agitassem a la�ada,
que se entregassem ao diabo.
Porque � para o inferno que v�o.
E l� est� Mill�n.
O touro foi mais forte.
Poeta, por pouco voc� n�o vira hist�ria.
Se Mill�n n�o vencesse a corrida contra o touro,
voc� estaria morto.
Essa la�ada de touros fica para outro dia, poeta.
Vamos.
Na hora certa.
Sr. Barrera, viemos assim que pudemos.
Nos perdemos.
Ao que parece, foi um enforcamento.
Arturo Cova, Fidel Franco e seu bando de assassinos criminosos.
H� dias que queriam se apoderar dos tesouros do nosso amigo Zubieta.
Aproveitaram que est�vamos todos nas tendas, j� � noite...
E o enforcaram.
Que horror!
Secret�rio, vamos tomar o depoimento de todos.
Temos que nos livrar do cad�ver.
Voc� est� cert�ssimo, senhor juiz.
Fa�am o que t�m que fazer.
- Sr. Intendente! - Parado!
Fidel! Fidel!
Eu o conhe�o.
Olhem para esse malandro. � o ladr�o dos engenhos.
� o mesmo que queimou o rebanho dos Bernal. Agora ele vai pagar.
N�o se engane, sen�o eu te mostro.
N�o v� que o Sr. Intendente e eu somos amigos?
N�s nos conhecemos por parentesco.
Al�m disso, sou pajem da dona Alicia.
Sr. Intendente, � que...
Uns �ndios me levaram para um morichal
e me despiram todo, me deixaram assim.
O Sr. Intendente � quem est� me libertando agora.
Al�m disso, a dona Alicia precisa de mim.
Se o levarmos conosco, v�o acabar castrando-o.
Que o castrem.
Como assim, me castrem? Sr. Intendente, espere!
Espere! N�o me deixe assim! Sr. Intendente, espere!
Minha menina, est� na hora.
Olha, Barrera diz que vai ser como um pai para seu filho.
N�o porque ele queira algo com voc�, o que n�o seria errado.
� para que voc� n�o pense que est� sozinha.
N�o preciso que Barrera seja um pai para meu beb�.
Al�m disso, estou sozinha faz tempo.
Vamos ficar bem.
Voc� n�o est� sozinha.
V�o embora r�pido, v�o ser pegos!
O que aconteceu?
O velho Zubieta.
Ele est� enterrado e n�s estamos nos consolando com a vela.
Eles o enforcaram, e Barrera disse ao juiz que voc�s s�o os respons�veis.
Quero dizer que saiu tudo errado.
O juiz fez todos assinarem uma declara��o
e saiu escoltado por Barrera.
Enterraram Zubieta debaixo da mangueira grande,
sem lhe colocar sand�lias novas,
sem arrumar a mand�bula dele com um len�o,
sem rezar ao santo Deus e dan�ar por ele por nove noites.
Tiana...
e Alicia?
Elas foram embora, poeta, foram embora.
A menina Griselda a levou. N�o consegui convenc�-las do contr�rio.
Isso era previs�vel.
Elas sa�ram fugidas.
Outras mulheres vir�o, poeta.
Antonio, nos vemos ao amanhecer no Morichal del Tigre.
Poeta, siga-me.
Espere um pouco, patr�o.
E n�o v�o me deixar um cavalo ou algo assim?
N�o v� fazer loucuras, rapaz louco.
Lembre que tem uma m�e que o ama e que espera por voc�.
E onde vou encontr�-la?
Vou com o Mauco para l�, para Orocu�,
para ver como est�o as coisas por l�.
Um filho sempre vai saber encontrar quem o deu � luz.
O cora��o vai me guiar, filho.
"Encantadora e simples, carregada de tristeza,
entre folhagens ocultas da pomba torcaz..."
"Enternece selvas com seu lamento suave,
bicando murta e sementes de agraz...
Canta ao vislumbre da manh� suave, e nas tardes, ao reflexo fugaz."
"Na copa do Gu�imaro que domina o cume,
quando as colinas se enchem de sil�ncio e paz..."
Gosta do poeta?
N�o sei.
Ainda o estou conhecendo.
Talvez um dia seja meu poeta favorito.
H� outros para escolher?
Talvez.
Nem pense nisso.
Cova!
Cova, saia, que botei fogo neste rancho!
Cova!
- O que voc� est� fazendo? - Vamos!
O que voc� est� fazendo? O que aconteceu?
Corra!
O que minha perseveran�a faria contra a sorte?
Deus me abandonou e o amor fugiu.
Muito bem!
Muito bem, Fidel! Muito bem!
Muito bem!
Queime! Queime tudo!
Tudo acabou! Muito bem!
Queime tudo! Queime, Fidel!
No cavalo castanho Em que vim passear
Nas ondas do Rio Cusiana �s margens de praias brancas
Naquela �gua cristalina Foi onde o coloquei para beber
Finalmente! Vichada para todos!
Terras sem homens para homens sem terras!
Viva!
Viva Vichada e os benditos seringais, parente!
Viva!
Acho que o melhor � juntarmos todas as armas em um �nico barril.
N�o queremos, com tanta alegria, provocar uma desgra�a.
Isso, isso!
Esse seringal est� sempre t�o longe. Barrera promete tanta coisa, n�o?
Temos que ter paci�ncia.
Voc� n�o trouxe a �ndia com quem se juntou?
N�o me fale nela, sen�o volto para busc�-la.
Quem n�o vejo por a� � o meu tenente. Onde o deixou?
N�o me fale nele, sen�o vou nadar para que n�o me alcance.
As coisas est�o ruins, Griselda?
Esse Fidel � bom para algumas coisas, mas para procurar fortuna...
Ele se apaixonou pelas plan�cies. Eu quero outra coisa.
Olha, minha filha. Menina Alicia, venha conhecer o Hel�.
- Prazer. - Como vai?
Ent�o, o que voc� decidiu? Porque o futuro � para os corajosos.
Viva o progressista Sr. Barrera e viva a expedi��o!
Epa! Viva!
Muitas vezes, para me livrar do inimigo,
tive que me achatar na lagoa, como um jacar�,
e sair sorrateiramente para respirar.
E quando eu sentia os c�es ali,
farejando em cima de mim, eu os agarrava e afundava,
e os estripava sem que os vaqueiros l� longe
vissem toda a agita��o que estavam fazendo.
� que voc� passou a vida toda aqui nas plan�cies.
Sim, toda a... N�o, eu vim para c� para as plan�cies
quando estava no auge da fazenda de San Emigdio.
E aquele velho mandingo
foi quem me agarrou pelo pesco�o,
me agarrou por um bra�o e mandou me matar.
Solte!
Vai ver s�!
E me levaram para l�,
para o Sul, para o rio, l�, para a ressaca do Yaguarapo.
Espere, n�o!
N�o, espere! N�o, eu n�o fiz nada!
N�o!
Justamente quando iam me matar, havia alguns �ndios l� pescando,
e, puxa vida, eles mandaram uma flecha nele.
Mataram o homem...
e foram eles que me libertaram.
Mas foram eles que me levaram tamb�m.
Agora tudo faz sentido.
E por que n�o ficou com eles?
� que eu fiquei com tudo.
Eu tenho aproximadamente...
20 anos como chefe da tribo origin�ria
l� na selva,
nos arredores de Vichada, In�rida, Vaup�s e Orinoco.
Isso me parece pura fantasia.
Continue me incomodando, primo, continue me incomodando,
que eu fa�o um feiti�o para a bruxa das plan�cies vir
e sugar sua alma.
N�o estou aqui para convencer ningu�m, os guahibos s�o fam�lia.
Com eles, queim�vamos os rebanhos dos s�libas
e tamb�m os engenhos que banham o Pauto.
Viu? Eu disse.
Ele � um ladr�o de engenhos.
- Quem � voc�? O que est� fazendo aqui? - Sr. Loaiza, desculpe.
Gostaria de saber quanto � a conta do meu filho.
- Um filho seu? - Sim, senhor.
- Quer compr�-lo? - Sim, senhor.
E j� lhe disseram que ele est� � venda?
N�o, senhor. � s� para eu fazer os c�lculos.
O nome dele � Luciano Silva.
Silva.
Que comiss�o pedem sobre essa quantia?
Comiss�o?
Naturalmente. N�o estamos vendendo pessoal.
Ao contr�rio, a empresa est� procurando gente.
O senhor poderia me dizer onde ele est� agora?
- Seu filho? - Sim, senhor.
Veja com quem voc� est� falando. Pergunte isso aos capatazes.
Mas, senhor...
Sr. Loaiza, n�o perca tempo com esse velho.
� um safado de El Encanto e Florida
que, em vez de picar �rvores,
gravava placas na casca com a ponta da faca.
D� para ver que voc�s nunca foram pais.
Como deve ter sido mulherengo esse velho atrevido
que se gaba de ter filhos!
Pare!
O que est� acontecendo a�?
Ningu�m estava nos procurando nem perseguindo. Todos nos haviam esquecido.
Mas quando Fidel me declarou que viraria um n�made,
n�o por receio da justi�a comum,
mas pelo perigo de que algum conselho de guerra
o punisse como desertor, decidimos ir para Vichada.
Vamos l�!
Olha, poeta...
O Pipa nos guiou pelas bananeiras silvestres de Macucuana.
- O que est� acontecendo? - Desculpe, senhor.
Este homem veio pedir um extrato do que deve � empresa.
Quando lhe disse o saldo, ele tentou rasgar o livro.
Ele chamou o senhor de ladr�o e amea�ou nos esfaquear.
E quantos anos tem Luciano Silva, seu filho?
Ele acabou de completar a maioridade, senhor.
Est� disposto a comprar a sua conta e a do seu filho?
Sim, senhor.
Quanto voc� deve?
Que adiantamento recebeu pelo seu trabalho?
N�o sei, senhor.
Aceita me pagar cerca de 5.000 soles pelas duas contas?
Sim, claro. N�o tenho todo esse dinheiro agora,
mas, se quiser, posso lhe dar a casa que tenho em Pasto.
Larra�aga e Vega s�o meus colegas, posso lhe dar uma refer�ncia, se quiser.
Nem o aconselho a cumpriment�-los. Agora eles n�o querem ter amigos pobres.
Diga-me uma coisa, voc� n�o tem borracha para pagar?
N�o, senhor.
E n�o sabe quem s�o os seringueiros que me roubam?
N�o, senhor.
Se voc� me denunciar algum esconderijo, dividiremos o que houver l�.
Voc� n�o poderia conseguir em Caquet�?
Eu lhe daria alguns companheiros para assaltar os barracos.
Eu confio em voc�,
porque entendo que � um homem honrado
que saber� guardar meu segredo.
Sen�o, eu o trataria como a um safado,
eu recusaria vender seu filho e, tanto seu filho quanto voc�,
faria com que fossem enterrados nos seringais.
Lembre-se de que voc� n�o tem como me pagar
e que eu mesmo estou lhe dando os meios para ficar livre.
E eu lhe agrade�o, senhor,
mas n�o vou me comprometer sem saber se farei minha parte.
Posso ir a Caquet�, se o senhor quiser, estudar a regi�o,
abrir um caminho estrat�gico.
Muito bem pensado, e assim ser�.
Isso fica por sua conta e seu filho fica por minha conta.
Pe�a uma Winchester, mantimentos, uma b�ssola
e leve esse �ndio como carregador.
- Isso aumentaria minha conta, senhor. - N�o. Eu pago pelo selvagem.
S�o meus presentes de carnaval.
Loaiza!
Senhores, temos farinha e p�o suficientes.
N�o passaremos fome.
Vamos.
O passaporte que meu patr�o me deu deixava os capatazes morrendo de inveja.
Minhas faculdades me autorizavam a escolher at� 30 homens
e retir�-los das equipes que eu quisesse, a qualquer momento.
Eu podia circular por onde quisesse, e eles deviam me facilitar o necess�rio.
Em vez de me dirigir a Caquet�,
resolvi me desviar para a margem do Putumayo.
Sem me importar com as ordens do patr�o,
meu objetivo sempre foi encontrar Luciano.
Digo-lhe que est� enganado, senhor.
Quando o Sr. Arana souber, haver� consequ�ncias, ouviu?
Vai pagar as consequ�ncias, senhor.
Vai pagar as consequ�ncias.
O Sr. Arana n�o vai gostar disso, senhor.
Respire.
Respire fundo. Respire. Eu vou encontr�-lo.
DUAS SEMANAS DEPOIS
O que o Sr. Arana disse?
A resposta foi favor�vel,
mas voc� n�o pode escolher Luciano Silva.
CANAL DO MUCUCUAMA
Chegamos, poeta.
O av� diz que podemos ficar.
Pe�o-lhes, homens brancos, que entrem com respeito,
especialmente com a menina.
Deixem as armas tamb�m. Ali.
N�o pode entrar com armas, homem branco.
Calma.
Sentem-se, sentem-se.
Bem...
Voc�s n�o se preocupem.
Aqui, com a fam�lia, ningu�m vai persegui-los.
Podem ficar tranquilos.
Devo ter uns dois meses.
Achei que Griselda tinha lhe dito que eu estava gr�vida.
Talvez eu tenha esquecido,
com tanta pressa de viajar.
N�o se preocupe, todos n�s vamos cuidar desse anjinho
que cresce em seu ventre, Alicia.
Obrigada.
Voc� entendeu?
Ele vai cuidar.
Ainda bem que aquele covarde que a engravidou a amaldi�oou.
Acho que o melhor � que durmam juntas.
Diga-me uma coisa.
Se soubesse da gravidez, a teria trazido na viagem?
- Claro que n�o. - Bem, a� est�.
E muito menos esperando um filho daquele infeliz covarde
que espero que o juiz coloque atr�s das grades.
Eu cuido dela.
Deixe-me ajudar a cuidar dela, j� foi dif�cil convenc�-la a vir.
A vida � um cansa�o eterno, n�o?
Veremos o que fazer quando a crian�a nascer.
Aqui, trouxe-lhes um lanchinho.
A quest�o � triste, intendente.
Bem, ent�o, nesse caso:
No domingo, fui � missa Na segunda-feira, a conquistei
Na ter�a-feira, a pedi em casamento Na quarta-feira, me casei
Na quinta-feira, ela me deixou Na sexta-feira, senti saudades dela
No s�bado, desisti E, no domingo, fui procurar outra
Porque sozinho N�o consigo me virar
Poeta!
S� o tempo cura as feridas do cora��o.
Das vi�vas e dos �rf�os, ele doma as feras.
E tamb�m tira tudo que voc� guarda a� dentro.
� preciso ficar de olho no Pipa.
A qualquer momento ele nos engana.
Sim, senhor.
N�o gosto que mintam para mim.
N�o havia outra op��o, menina.
Uma mulher gr�vida n�o � boa companhia para uma viagem.
Este lugar cheira a umidade.
N�o foi isso que nos prometeram, Griselda.
Ainda estamos na metade do caminho.
Por enquanto, temos que...
nos acomodar e amanh� vemos o que fazer.
Tenha paci�ncia.
Pelo menos sa�mos do inferno em que est�vamos.
Disseram que o Fidel e o poeta enforcaram o Zubieta.
Mataram-no com a ajuda da Clarita, que fugiu para n�o ser apanhada.
Arturo?
N�o acredito que ele seja capaz de fazer isso.
Voc� viu o que ele fez comigo. Aquele homem � louco.
O amor � realmente cruel e cego.
Voc� ainda est� apaixonada, porque carrega essa semente a� dentro.
Estou com sede.
Eu trago algo para voc� beber.
N�o saia daqui,
n�o conhecemos os camponeses que vieram conosco.
Voc� j� viu o que aconteceu no caminho.
Pipa!
Pipa!
Solte o pato, intendente.
Pipa! Pipa!
Diga que uma bala � muito mais r�pida. Diga que uma bala � muito mais r�pida!
Intendente, voc� tem outro pato? Tem outro pato?
Se tiver outro pato, tire-o,
pois o taita acredita que voc� matou o esp�rito que estava no pato.
Tire r�pido o outro pato...
CANAL ERE PUTUMAYO
O que voc� faz a�?
Calma, calma.
Vou provar que n�o sou um espi�o do patr�o.
N�o vou dizer nada.
Se meu sil�ncio lhe serve, diga-me onde est� Luciano Silva.
Silvita?
Silvita est� em Capa...
Em Capalurco?
Sobre o Rio Napo, com o pessoal de Mu�eiro.
Na mesma tarde, comecei a abrir a trilha
que vai do Canal Ere at� Tamboriaco.
Nessa travessia, levei seis meses.
RIO NAPO AMAZ�NIA PERUANA
Enviei um cart�o postal para El Encanto
avisando que Mu�eiro n�o apareceu.
Perguntaram por voc� e, em todo caso,
pediram que eu denunciasse Luciano Silva como preso.
Vou lhe dar um conselho:
volte l� e esclare�a as coisas.
Diga que estou sem provis�es,
que meu pessoal est� morrendo de febre.
D�-me isso.
Passe-me.
V�. Voc� est� livre.
V�, v�.
N�o, n�o, n�o...
N�o, n�o. J� arrancaram sua l�ngua, v�o te matar.
V�. N�o, n�o, n�o.
Tudo bem. Voc� sabe o que fizeram com sua comunidade. V�.
Voc� est� livre.
Corra.
Sim, v�.
Corra.
Quinze dias depois, voltei a El Encanto para me entregar.
Mais uma vez, voltei a ser o seringueiro Clemente Silva,
decr�pito e lament�vel.
Minhas esperan�as se foram com o tempo.
Luciano j� devia ser um homem feito e direito.
A VORAGEM
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