All language subtitles for My.Mom.Jayne.A.Film.By.Mariska.Hargitay.2025.2160p.WEB.H265-CapedLilacJackdawOfGallantry-Portuguese

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Original subtitles

H� uma hora, um grande grupo entrou pela porta dos artistas.

Foi Jayne Mansfield.

E aqui est� ela, a magn�fica Jayne Mansfield.

Sinto-me como a M�e Gansa. Tenho tantos filhos.

Como se chamam? Quem � este?

Este � o Miklos.

Ol�, Miklos.

- E... - Maria.

Como? Como te chamas?

- E este pequenote? - Como �?

Zolie.

- Como? - Zolie!

Arranja o teu programa!

Como te chamas, querida?

Maria.

Maria.

Creio que, se t�m filhos,

a vossa prioridade ser� sempre os filhos.

Quer sejam uma estrela de cinema ou lavem pratos.

Se algo me afetar a carreira,

se tiver um acidente de carro,

se ficar ferida, perder as pernas...

Se acontecer algum infort�nio horr�vel,

nunca faltar� nada aos meus filhos.

TEMOS SAUDADES TUAS, MAM�

NOVA IORQUE

Tinha tr�s anos quando a minha m�e morreu.

E n�o tenho mem�rias s�lidas dela.

Recordo-me que, um dia, estava a comer uma ta�a de cereais.

E lembro-me de ela afagar-me o cabelo.

Mas n�o sei se aconteceu mesmo ou se foi algo que inventei

porque queria que tivesse acontecido.

Depois da morte dela,

um momento que me marcou

foi quando encontrei o meu �lbum de beb�.

Os meus irm�os tinham um...

Mickey Jr. �LBUM DE BEB�

... mas quando fui ver o meu, estava basicamente em branco.

Logo, al�m de n�o me recordar dela,

penso que isso me fez sentir um maior sentimento de perda.

Como que um buraco no cora��o.

Ao crescer, o meu pai dizia-me:

"N�o leias livros sobre a tua m�e.

"N�o os leias. N�o precisas de l�-los."

Ele disse que s� tinham mentiras e porcarias sensacionalistas.

Coisas que n�o queria que eu tivesse de lidar.

Por isso, fiz o que me mandou e nunca li os livros.

A dada altura, comecei a sentir muita vergonha

pelo estatuto dela como sex symbol

e todas as decis�es associadas.

Como tal, afastei-me ainda mais da ideia minha m�e.

Mas com a carreira,

comecei a receber cartas de gente

que sabia que era a filha de Jayne Mansfield.

Ou a conheciam, tinham interagido com ela ou tinham uma foto.

E... foi assoberbante.

"Querida Sra. Hargitay, tenho um programa

"de Os Homens Preferem as Loiras, em que a sua m�e entrou."

"Era um amigo dos seus pais."

"Ol�, Mariska.

"A Jayne era nossa vizinha e tocava violino todas as tardes."

"Sra. Hargitay, deveria ficar com estas recorda��es da sua m�e.

"Incluem o an�ncio do seu nascimento e outras coisas."

Anunciam com grande alegria o nascimento da filha Mariska Magdolno

Guardei tudo o que me enviaram.

Penso que foi ent�o que tudo come�ou.

A minha m�e tornou-se um pensamento constante.

Durante a pandemia, at� dei uma festa de anivers�rio para ela.

Para a menina Jayne

N�o h� muita gente a dar festas para m�es falecidas,

mas foi algo com o seu encanto.

Foi por volta desse per�odo que comecei a pensar

que queria conhec�-la na realidade.

N�o como Jayne Mansfield, a sex symbol,

simplesmente como a Jayne.

Jayne, a minha m�e.

O meu pai, que foi a minha �ncora,

morreu em 2006.

E havia tantas coisas que nunca cheguei a perguntar.

Tal como nunca falei com os meus irm�os

sobre as experi�ncias deles.

Mas quero compreend�-la agora.

Porque � uma parte da minha vida e uma parte de mim mesma

que sempre senti estar trancada � chave.

Zoltan Hargitay O MEU IRM�O

- Gosto da parte de cima. - Foi personalizada.

Preparada?

Vou estar ali, cuidado.

Jayne Marie Mansfield A MINHA IRM�

Como fazia a Danmama.

Era como nos beijava.

Est�s pronto?

Mickey Hargitay Jr. O MEU IRM�O

Pronto. Tudo a postos?

Bom...

- Mais seria dif�cil. - Mais seria...

N�o sei como raio me convenceste a fazer isto.

Quero fazer de ti uma grande estrela.

- Com esses olhinhos azuis. - Isso n�o vai acontecer.

Ent�o...

- Aqui estamos. - Tudo bem?

Estamos, sim senhora. Estamos aqui.

H� muito tempo que esperava por este dia.

E, para come�ar,

queria agradecer por aceitares fazer isto.

E agora sou eu quem est� nervosa...

Porque sei que n�o gostas

de falar sobre este t�pico.

Veremos onde vai dar, como te sentes

e podes parar quando quiseres.

Obrigado, Marish. Obrigado pelo convite.

� mesmo uma honra.

Qualquer coisa, sabes que podes contar comigo.

Obrigada.

Primeiro, gostaria de falar um pouco sobre a nossa inf�ncia.

Porque voc�s t�m muitas recorda��es e eu tenho inveja disso.

Eu n�o tenho recorda��es.

Bem, tu...

Podes cortar por um segundo?

Penso que, mais do que as mem�rias,

� mais como se me recordasse de uma ess�ncia.

Tipo, a subtileza da pessoa, se � que isso faz sentido.

Lembro-me da presen�a dela

e lembro-me de alguns sentimentos daquela altura.

Tenho de ir a fundo para os encontrar,

mas o sentimento geral

daqueles primeiros tempos era positivo.

Na altura, viv�amos nos Texas.

�ramos s� n�s as duas.

Jayne Marie 3 ANOS

Consigo visualiz�-la.

M�e 19 ANOS

Porque era t�o nova.

O meu pai

chamava-se Paul Mansfield.

E, naquele tempo, eles eram casados.

Quando eu era pequena, lembro-me que ela costumava ver

todas as estrelas de cinema e ia ao cinema a toda a hora.

Partilhava isso comigo.

Ela tinha os seus �dolos.

E ela queria ser uma daquelas estrelas.

Paul Mansfield era um texano muito paroquiano

e o estrelato n�o lhe dizia nada.

Mas ela estava empenhada.

Ela investiu em aulas de teatro.

Ela tinha um forte desejo de ser uma grande atriz.

E estava totalmente determinada em vingar esse esfor�o.

Portanto, ela decidiu: "Vou para a Calif�rnia. Vou faz�-lo."

O Paul Mansfield foi connosco.

Mas ele percebeu

que ela n�o queria ir embora.

Como tal, ele partiu, e eu e ela fic�mos l�.

No in�cio, ela fazia tudo e qualquer coisa.

Ela era modelo.

Ensinava dan�a.

Vendia doces no Wilton Theater.

Tudo para que reparassem nela.

E, pronto, levava-me com ela para toda a parte.

Tenho muitas lembran�as daqueles tempos.

Porque a tinha s� para mim.

Mas, depois, um agente reparou nela e arranjou-lhe umas audi��es.

Se estiver bem informado, quando se mudou,

fez um teste para o papel de Joana D'Arc.

N�o fiz um teste para esse papel.

Recitei um solil�quio de Joana D'Arc para Milton Lewis,

o diretor de casting da Paramount Studios,

para poder fazer uma audi��o.

E ele julgou que eu estava a desperdi�ar o meu talento evidente,

como lhe chamou.

Ele pintou-me o cabelo,

apertou-me o vestido e este foi o resultado.

Na �poca, viv�amos num apartamento em Los Angeles,

com dificuldades.

E foi ent�o que, de repente,

ela come�ou a receber propostas.

N�O SOU O CRIMINOSO

�s bera, Al. Sempre ser�s.

E vim para te dar a provar do teu veneno.

Quem ligou?

Ray Borden.

- Tem a certeza? - Absoluta.

Ele disse-me o nome. Al�m disso, foi muito rude.

Est�vamos na conversa

e diz-me que est� louca pelo John Facenda.

John Facenda?

O rep�rter da televis�o, tem um programa.

�s 23h, por 15 minutos.

NOVA IORQUE 1955

Quando � que te deste conta do que se estava a passar?

Devo ter come�ado a notar por volta dos cinco ou seis anos.

Ela tinha 22 anos e estava na Broadway.

O GRANDE SUCESSO DE ROCK HUNTER

ELENCO

Essa pe�a, O Grande Sucesso de Rock Hunter,

foi o que a lan�ou.

JAYNE MANSFIELD A LOIRA BURRA MAIS INTELIGENTE DE BROADWAY

Eu lembro-me. Viv�amos no Hotel Plaza.

Uma vez, era P�scoa, est�vamos s� n�s e ela disse:

"Tenho uma surpresa para ti. Vai � casa de banho."

Vou l�, abro a porta e vejo centenas de pintainhos.

Lembro-me de me sentar no ch�o a rir � gargalhada.

D�-me vontade de chorar.

Consigo recordar-me dela a abra�ar-me, a sorrir e a rir.

Quando a minha m�e morreu, aos 34 anos,

a nossa fam�lia teve de lidar com muitos problemas.

Um desses problemas foi o facto de que n�o tinha um testamento.

Por isso, o Estado vendeu os bens dela para saldar as d�vidas.

Devido a isso, eu e os meus irm�os s� pudemos ficar com meia d�zia de coisas.

Tenho os sapatos de beb�.

Meu Deus!

- E foram usados. - Sim, adoro-os.

Vejam estes sapatinhos.

- S�o lindos. - Para verem.

- Fabulosos. - Sim.

Fa�o isto, em grande parte, para recuperar o que perdemos.

Mesmo objetos f�sicos.

Portanto, decidi, por fim, vasculhar pelo armaz�m da fam�lia,

porque desde 1969 que ningu�m voltou a abrir as caixas.

MANSFIELD DE DALLAS UMA ESTRELA

N�O O CONSEGUE EVITAR

Gostava que os meus irm�os estivessem presentes para isto.

FOTOGRAFIAS

Jesus!

� ela com o Paul Mansfield.

Algu�m o recortou.

Caramba.

Muitas fotos est�o assim.

Quem � que ela recortou?

N�o me lembro de ter isto.

� o pai.

Mickey.

O que te lembras da altura?

Sei que ele n�o tinha superado a morte quando nos conhecemos.

Porque ela faleceu a 29 de junho de 1967

e eu e o Mickey cas�mo-nos em abril de 1968.

Guardamo-las sempre.

Quando amamos algu�m, � imposs�vel o cora��o esquecer.

Seja quem for, tenham feito o que fizeram, nada disso importa.

Se amarmos algu�m verdadeiramente, nunca saem do cora��o.

Vamos l�, amiguinho.

O Mickey veio da Hungria.

Aos 20 anos, ele era campe�o de patinagem de velocidade.

Esteve na sele��o nacional de futebol.

Era tamb�m um bailarino de ad�gio.

Ele veio para os Estados Unidos com sete d�lares no bolso.

E trabalhou como apanhador no circo.

E isto foi antes de come�ar a treinar para ser fisiculturista.

Ele foi Mr. Indianapolis, Mr. Indiana,

Mr. Midwest America.

E Mr. Universo.

O Mickey costumava dizer:

"Quem sonha sempre alcan�a."

Era como ele era.

Depois de ser coroado Mr. Universo,

arranjou um trabalho em palco

numa produ��o de Mae West em Nova Iorque.

E uma noite,

Jayne Mansfield estava na plateia.

Depois do espet�culo, eles encontraram-se.

E esse foi o in�cio

de um bom tempo na vida deles.

Foi amor � primeira vista com o Mickey. Estou convencida disso.

E ele era um homem muito am�vel.

Via-se a felicidade na cara dela.

CASADOS DE FRESCO

O casamento foi um grande evento.

Sim, fiquei contente.

As coisas j� tinham mudado t�o radicalmente.

Jayne Mansfield e Mickey Hargitay

acabaram de sair deste avi�o da American Airlines.

Est� reunida uma grande multid�o.

Jayne Mansfield abandonou por completo o anonimato

e � uma das estrelas atuais mais mediatizadas.

Hoje, ela assinou um contrato de cinema a longo prazo da 20th Century Fox.

De momento, � tamb�m a mulher mais fotografada do estrelato.

Sra. Mansfield, em 1954, que n�o foi h� muito tempo,

estava a vender doces num cinema.

Como explica esta sua ascens�o mete�rica � fama?

Ora, Joyce,

o que eu fiz foi o seguinte:

aproveitei a publicidade pinup que fiz para p�r o p� na porta,

por assim dizer.

Porque o pinup n�o era a minha ambi��o.

Gosta de fazer isso?

� um meio para atingir um fim.

N�o sei se diria que gosto,

mas julguei ser vantajoso

p�r-me numa posi��o onde pudesse projetar-me

para obter o que realmente queria.

Daqui Rita Marlowe,

estrela do palco, do ecr� e agora da televis�o ao vivo.

Acho que � de muito mau gosto.

- O qu�? - Dizeres que a amas � minha frente!

Jayne, est�s a gostar da Base A�rea Goose?

Adoro todo o lugar com homens em alerta.

Ela n�o est� a brincar. O radar n�o para de tocar.

GLOBOS DE OURO ESTA NOITE

Estou no lar de Jayne Mansfield e do marido Mickey Hargitay.

- Que tal uma visita guiada? - Claro!

- Que tal a sala? - Eu mostro a sala.

Aquela placa ali em cima, Jayne. O que �?

� o nosso escudo, J e M de Jayne e Mickey.

Glenn Holse pintou-o, n�o foi?

Sim, ela tamb�m pintou o mural no piano,

os cupidos atr�s.

- T�m tr�s filhos. - Sim.

- Este � o Mickey Jr. - Ol�, Mickey Jr.

- Lamento a ordem. - Muito prazer.

Jayne Marie, a nossa menina.

Com muito gosto.

E este � o mais novinho, Zoltan Anthony.

Do que te lembras daqueles tempos?

Lembro-me que ela brincava connosco

na piscina.

A piscina tinha forma de cora��o.

E era gigantesca.

- E isso era normal para ti. - Era.

Tamb�m t�nhamos muitos animais.

Ela adorava animais.

Lembras-te do ocelote? T�nhamos um ocelote.

Numa grande jaula. Na "selva", nas traseiras.

- Tivemos um zoo em casa na inf�ncia? - Tivemos um zoo.

Digo "tivemos", mas n�o me lembro.

Sim.

Bolas, isto �... O que deves ter sentido ao v�-los...

Grandiosidade � dizer pouco.

Isso alguma vez assentou?

� dif�cil porque, em crian�as,

n�o sabemos nada sobre o mundo, n�o temos padr�es nem normas.

- Pois. - N�s simplesmente...

"Isto � o que �. A vida � assim. A minha vida � assim."

N�o sabemos mais.

Mas senti-me amado e senti-me protegido.

E isso foi o que teve o maior impacto.

Lembro-me que ela foi ao meu quarto para me dar as boas noites.

E...

... voltou passados uns dez minutos

e ela deu-me um... um abra�o maravilhoso.

Mas eu tinha o olho aberto ao n�vel...

Eu fingi estar a dormir e adormeci imediatamente a seguir.

Sim.

Obrigado.

Ningu�m acha que tenho a idade que tenho.

Vou fazer 100 para o ano.

Chamo-o Rusty ou Ray?

- Rusty. - �?

O que quiser, desde que n�o me chame tarde para jantar.

E em que ano � que a conheceu?

Em 1957.

Ela queria ajuda com as cartas dos f�s,

mas tornei-me o assessor de imprensa.

Eu atendia as chamadas,

agendava as coisas e isso tudo.

Tratava da publicidade. Sabem, o neg�cio da publicidade.

Era conhecida por inaugurar lojas.

Mas era mais que isso.

Ela estava em exibi��o.

Em frente dos f�s.

Ela dizia:

"Nunca rejeitem algu�m que quer o meu aut�grafo,

"porque, sem eles, n�o estaria aqui."

Pergunto-me se a publicidade n�o se sobrep�e � sua arte.

Aparece em p�blico t�o regularmente

em fotos e jornais como nos filmes.

Eu digo-lhe Robert.

Existem duas coisas importantes na vida de uma atriz.

A mais importante � ser uma boa atriz,

ser uma estrela brilhante.

� excecionalmente importante.

A outra � ser conhecida.

Sophia Loren "Concede" Vit�ria a Jayne Mansfield

Jayne Mansfield Demonstra Boas Pr�ticas

A HIST�RIA DE JAYNE MANSFIELD

Permitam-me dizer que, caso estivesse c�...

Ent�o, aquilo que faziam juntos teve um grande sucesso.

Sim, sem d�vida.

E digo-vos, ela contava todos os artigos.

Ela era meticulosa.

Pois claro.

"Que � feito deste? E daquele?"

Ela mantinha um registo de tudo?

Tudinho.

Ol�, Jayne.

J� sabia isso, quando film�mos aquele filme...

O Grande Sucesso de Rock Hunter.

Sim, um filme giro.

- Foste o ator mais giro com que filmei. - E o mais velho tamb�m.

Sabes, tu �s... E j� disse isto a v�rias pessoas.

N�o �s a loira burra que finges ser.

Creio que as pessoas merecem saber que �s uma pessoa

inteligente, sentimental e compassiva.

E isto aqui � s� uma m�scara

sem qualquer base na pessoa que realmente �s.

�s muito gentil. Obrigada.

Acho que est�s a par disso.

Isto � uma esp�cie de atua��o, n�o � assim?

V�, �...

Muitos n�o sabem disso.

Penso que � assim:

o p�blico paga bem nas bilheteiras para ver uma certa faceta minha,

e...

E fazes valer o dinheirinho.

Acho que tudo faz parte do papel que represento como atriz.

Podia falar mais sobre o papel que ela representava, aquela personagem?

De onde acha que aquilo veio?

Foram os est�dios.

MELHOR QUE MARILYN MONROE

Como tal,

ela copiou a Marilyn Monroe.

Sou eu. Mesmo ali, na praia.

O PECADO MORA AO LADO

Tinha o cabelo mais longo. Reparaste?

Rock Huntington, eu sei, eu...

Irresist�vel, mas porque n�o bebes champanhe primeiro,

meu tigr�o?

Portanto, sempre tive uma rela��o muito complicada com aquela voz,

porque n�o percebia

o que era aquilo e costumava irritar-me.

Acho que a Jayne tamb�m n�o gostava,

mas foi o que lhe deu tanto sucesso, pelo que ela n�o ia...

Se abre portas, tem de ser.

- Que mais t�m em casa? - Temos um ocelote.

E uma main�.

- Ocelote, como um tigre beb�? - Sim.

"Tenho um ocelote e uma main�.

"E tamb�m temos um elefante e..."

� a voz dela.

Mas n�o falava sempre assim.

Era... quase como uma personagem.

Era, sim.

Era Jayne, a personagem.

Ela discutia com voc�s o que fazia?

Bom, n�o havia uma conversa porque era a nossa vida normal.

Mas ela n�o tinha aqueles ares esquisitos em casa.

Prendia o cabelo, deitava-se ao sol,

sem maquilhagem nem nada disso em casa.

L�, ela era pura e simplesmente Jayne.

Tinha um grande sentido de humor.

Havia interfones por toda a casa

e quando uma amiga ia l� de visita,

ela gritava pelos comunicadores e fazia ru�dos esquisitos.

Mas era tamb�m muito eloquente.

Ela falava franc�s, italiano, espanhol, h�ngaro.

E ela queria que f�ssemos expostos

a mais.

Ela levava-me ao Hospital Walter Reed

para visitar os soldados regressados da guerra.

Ela tinha imensa compaix�o por eles.

E ela queria mostrar-me o outro lado da vida.

Est�o ali deitados... E est�o sozinhos.

N�o t�m ningu�m a seu lado para dizer "adoro-te".

Houve uma pessoa em particular...

Afetou-me imenso porque perdeu a perna, entendem?

Aquilo que me comoveu mais n�o foi eles...

Nenhum deles...

Do orgulho daquilo que fizeram.

N�o sentem qualquer amargura, percebem?

Aquilo n�o era uma faceta a fingir ser algu�m que n�o era.

Era o seu "eu" genu�no.

Queria saber como � que te sentias,

sabendo como ela realmente era

e como era t�o diferente em p�blico.

N�o achava natural. N�o achava correto.

Portanto, acho que tentava ignorar quando ouvia...

... a voz p�blica.

Porque eu sabia que era muito, muito inteligente.

Eu tocar violino, e agora piano,

talvez o relembre de uma famosa hist�ria sobre o Dr. Samuel Johnson.

Um dia, viu um cachorro a caminhar sobre as patas traseiras e disse:

"A surpresa n�o � n�o andar na perfei��o, � conseguir faz�-lo."

Isso apenas demonstra

que n�o s� sei tocar violino e piano,

como tamb�m sei quem � o Dr. Samuel Johnson.

Vera Peers A MINHA AV� ("DANMAMA")

Julgo que a ensinou a cantar e a dan�ar, Sra. Peers.

Ensinei, sim, Ralph.

E quando se tornou maior, ela teve li��es de piano e violino.

Ali�s, foi Phillip Williams da SMU quem ensinou a Jaynie.

E ele tinha esperan�a de v�-la no Carnegie Hall.

Tal era o talento dela.

Sabes por que motivo o piano e o violino

acabaram por n�o ter tanto relevo na carreira que ela escolheu?

N�o sei, n�o posso falar por ela.

Mas sei que o objetivo dela

era tornar-se uma atriz a s�rio.

Ela disse-me isso desde o in�cio.

E ela empenhou-se.

N�o � da minha conta,

mas posso contar-lhe o que fiz a um tipo que adorava?

OS N�UFRAGOS DO AUTOCARRO 1957

Parti-lhe uma cadeira na cabe�a quando o apanhei a beijar uma qualquer.

Aposto que n�o repetiu a gracinha.

N�o sei, n�o voltei a v�-lo depois disso.

Mas est� casado. Casado e feliz.

E eu ganho a vida.

Acredite, partir uma cadeira na cabe�a de um homem faz milagres.

O tipo de milagres que viram a vida do avesso.

Porque n�o entrou em mais pap�is como este?

Porque n�o era o que recebia.

Ela fazia o que era preciso.

Marilyn Monroe falece ap�s uma vida maravilhosa e tr�gica

com uns dram�ticos 36 anos.

O seu corpo famoso � levado do lar em Hollywood,

onde foi encontrada junto a um frasco de sopor�feros.

A sex symbol que adorava ser,

a loira burra que n�o era.

A atriz com uma ambi��o desvalorizada para representar.

A m�e admirava muito a Marilyn.

Mas penso que lhe caiu a ficha

de que aquela personagem, a loira, que ela representava,

era uma jaula.

E foi por volta dessa altura

que ela me revelou

que ela queria inverter essa imagem.

Sra. Mansfield,

h� alguma pergunta que n�o gosta que lhe fa�am?

Sim, n�o aprecio muito quando perguntam as minhas medidas

porque isso � algo que j� me perguntaram

e n�o gosto que me perguntem isso.

Julgo que o meu corpo foi difundido

muito mais que o meu intelecto.

E gostaria de mudar isso.

NOVA "MANSFIELD" EM EXIBI��O

Jayne, � mais uma loira bonita, mas burra.

Voc� procura aten��o medi�tica.

O que pensa desta sua imagem?

Bom, n�o corresponde � realidade.

No in�cio, fui bastante cooperativa com a publicidade.

E n�o tenho sido ultimamente

por causa do �mpeto atual

e da trajet�ria que a minha carreira tomou.

A "Nova" Jayne Mansfield Quer Mostrar o Que Vale

Jayne, acab�mos de falar informalmente, sem ensaiar.

Mas preocupa-me... N�o seriamente, claro.

Mas o que � isto da "nova" Jayne Mansfield?

- Isto � a s�rio? - Sim, muito a s�rio.

Tive a sorte de ter sido apresentada como modelo por v�rios anos.

Sim, teria de concordar.

Pe�o desculpa. L� se vai a minha nova imagem.

Mas como vais mudar?

� como esconder um elefante. Entendes?

N�o correu mal.

H� sempre um limite intranspon�vel...

V�s, � esse o problema.

Penso que � algo que j� foi feito e quero ser eu mesma.

H� anos que sou outra pessoa e quero ser eu pr�pria.

Isto do violino � a s�rio?

Vou s� tocar alguns compassos, pode ser?

- �s uma boa violinista? - Sei tocar.

Tenho de afrouxar. O arco est� muito tenso.

- Eu diria... - Qual � a gra�a?

Bom, n�o te estiques.

Que importa? Beija-me.

Voltamos em seguida,

mas fiquem com uma mensagem de Moving David Wise.

Talvez at� mais que a representa��o,

a m�sica dela � para mim um s�mbolo

da Jayne que h� tanto anseio conhecer.

Como tal, h� uns anos, procurei um violino

que julgava ser dela.

E suspeito que provavelmente n�o era dela.

Tamb�m entrei em contacto com a pessoa que comprou a casa da minha m�e

dez anos ap�s a morte dela.

O cantor e compositor Engelbert Humperdinck.

Ele vendeu a casa em 2002 e, depois disso, foi demolida.

Mas ele guardou algumas coisas, incluindo o piano da minha m�e.

H� anos que esperava que estivesse disposto a desfazer-se dele.

Ol�, John. Fala a Mariska.

Mariska, Deus do c�u!

Ainda te d�s com a Louise?

Sim.

Ela partilhou comigo

que o Engelbert queria vender o piano,

mas h� um m�s que n�o tenho not�cias dela.

Deixa-me ver se consigo falar com ela.

John, isso seria estupendo.

Muito obrigada.

A pergunta que me passa constantemente pela cabe�a �:

"Achas que podia ter seguido outro caminho?"

Ela era uma mi�da de 21 anos quando entrou no ramo.

E foi moldada por toda a gente ao seu redor.

Mas, infelizmente, estava cercada por m� gente,

� exce��o do Mickey.

Tenho uma pergunta.

Enquanto vasculhava pelas fotos no armaz�m,

encontrei isto.

Encontrei todas estas fotos.

� o Mickey.

Lembro-me de ir ter com ela e v�-la a recortar fotografias.

Ela deu alguma raz�o?

N�o me recordo. Dava-lhe espa�o se estivesse de mau-humor.

Quero tanto saber o que aconteceu.

Pergunto-me quando � que as coisas se complicaram entre eles.

Sabes o que aconteceu?

Sei que houve desentendimentos

sobre a educa��o dos filhos.

ADORO-TE JAYNE

Mas al�m disso, a carreira dela n�o estava a ir bem.

FOX REJEITA MANSFIELD

... receia pela carreira.

Ent�o, ela regressou aos pap�is de loiras burras.

LERAM SOBRE ELA NA PLAYBOY...

Penso que n�o foi f�cil para ela.

Mas penso que tamb�m n�o foi f�cil para o Mickey.

Ela viu-se completamente consumida pelo negativismo.

Porque ela n�o estava a fazer o tipo de trabalho com que sonhava.

E suspeito que se deixou abater...

... pela depress�o.

Deixamos de ser n�s mesmos quando deprimimos.

Mas o Mickey disse que as coisas come�aram a ficar

mesmo muito dif�ceis,

porque a Jayne...

A Jayne gostava realmente de atuar.

Gostava de atuar.

E conheceu mais gente.

Conheceu outros homens, entendes?

E o casamento desfez-se.

Penso que o Mickey se sentiu profundamente magoado pela Jayne.

Acho que ela...

Ela deu um tiro no p� quando se divorciou dele.

JAYNE MANSFIELD DIVORCIADA

O Mickey era a influ�ncia mais positiva na vida dela.

E, embora se sentisse muito magoado,

ele amava-a.

Sempre a amou,

mesmo depois do div�rcio.

O que aconteceu depois do div�rcio?

Ela voltou para o Mickey v�rias vezes depois do sucedido.

E estiveram juntos novamente, durante alguns meses.

JAYNE CHAMA MICKEY

Foi pela altura que esteve gr�vida de ti.

OUTUBRO DE 1963

Jayne e Mickey, bem-vindos � Calif�rnia. Como � regressar a casa?

Bem, � excelente.

� fant�stico. Verdadeiramente.

N�o voltava a casa desde mar�o passado.

Tenho estado um pouco por todo o mundo.

Filmei para Estranho Encontro,

na Jugosl�via e em Roma.

E volt�mos pelo Mickey,

para ele continuar a trabalhar para a televis�o

e para ter um beb�.

Pois �.

Em janeiro, ou no fim de dezembro, vamos ter um quarto filho.

BEB� N�MERO QUATRO

Eu sou a Beb� N�mero Quatro.

E pela altura que j� era nascida,

penso que havia muita como��o na nossa vida.

Portanto, aquilo que retiro, ao olhar para as fotografias,

� que parece que ela n�o me pega muito.

Como se estivesse focada noutra coisa

e tinha de lidar com isso.

Por causa disso, n�o sei se criei esse v�nculo com ela.

A s�rio que n�o sei.

S�o os meus filhos.

Gostaria de falar sobre eles?

Este � o Miklos.

O Zoltan.

A Maria Magdanela.

Posso perguntar algo sobre o meu nome?

- Sim. - A minha certid�o diz Mariska Magdolna.

- Sim. - N�o �?

Mas voc�s tratavam-me por Maria.

Exatamente.

O teu nome era Maria, no come�o.

- Sempre foi Maria? - Sim. No come�o.

Chama-me Maria no Merv Griffin Show.

Como te chamas, querida?

O meu nome � Maria.

Maureen?

Esta � a Maria.

Ela tinha uma grande mania por causa do teu nome.

Est�vamos num s�tio qualquer,

ela estava a ser entrevistada

e o rep�rter disse:

"Como est� a pequena Mariska?"

A Jayne responde: "O nome dela � Maria. Quer que soletre?

"M-A-R-I-A. Maria."

Disse que o meu marido j� vinha.

Ele saiu por um minuto.

Se calhar, voltou. Podemos cham�-lo?

Matt!

Mais vale trazer o pessoal todo. Matt Cimber!

Viva, Matt!

Matt Cimber O TERCEIRO MARIDO DA MINHA M�E

Jayne Mansfield.

N�o a conhe�o. Como est�?

Tenho mem�ria dele a entrar na nossa vida

e de me sentir sobretudo desolado, estilo: "Onde est� o meu pai?"

De repente, mais parec�amos italianos, tipo...

"Tu chamas-me mama e chamas a ele papa."

E eu: "Que caralho?"

- Est�s a ver? Foi mesmo bizarro. - A s�rio?

E depois, a vida em fam�lia come�ou a virar para o torto.

Discutiam como gatos-do-mato. Sempre.

O Matt tinha mau feitio.

Mas a Jayne nunca aceitava terem vantagem sobre ela.

Dizia sempre: "Est� tudo bem."

Cheguei a perguntar-lhe.

"Temos as nossas desaven�as, mas n�s estamos bem."

Mas, sabes, ela aparecia com n�doas negras.

Porque se casou com ele?

Porque ele era um realizador.

Mas isso n�o fez nada para ajudar a carreira dela.

As coisas mudaram para ela nos anos 60.

T�DIO COM JAYNE MANSFIELD

Ent�o, ela virou-se para os clubes noturnos.

Olhando para a sua atua��o, o que � que envolve?

Canto, dan�o um pouco,

conto piadas, basicamente divirto-me.

N�o sou nenhuma Judy Garland no que toca ao canto.

N�o sou uma Cyd Charisse no que toca � dan�a.

Sou uma entertainer.

Foi ent�o que se meteu no �lcool.

Idem para os comprimidos.

Desse modo, tomei a iniciativa de esconder o bourbon em casa e...

... livrar-me dos comprimidos, essas coisas.

Eu era a cuidadora dela.

A meu ver, o Matt foi a pior coisa que lhe aconteceu.

A �nica coisa boa entre eles era o Tony.

Agora, apresentamos um novo beb�,

cuja m�e � a estrela Jayne Mansfield.

Que especial.

Portanto, vamos aos bastidores para conhecer o novo rebento.

O meu pai, Matt, nunca falou sobre ela.

Penso que � um tanto lament�vel,

porque eu nunca perguntei e n�o sei dizer porqu�.

Mas o teu pai e a nossa m�e...

Ouvi certas coisas que tenho muito...

- Receio de discutir contigo. - Bom...

- Coisas muito graves. - Pois.

- Sobre a rela��o deles. - Certamente. Claro.

Mas...

N�o sei que coisas graves aconteceram.

N�o sei se quero saber.

Porque n�o quero carregar isso comigo.

N�o sei que bem � que isso far�.

PEN ARGYL, PENSILV�NIA

11 de abril de 1936.

Herbert W. Palmer, de 32 anos,

advogado de Phillipsburg e natural de Pen Argyl, Pensilv�nia,

morre subitamente no seu autom�vel

ao conduzir por Morris Street Hill, em Phillipsburg,

na noite de s�bado.

Ao subir o monte, caiu para o lado.

A mulher parou o carro imediatamente.

O m�dico declarou o Sr. Palmer morto, v�tima de um enfarte do mioc�rdio.

Ele deixou uma mulher, a Sra. Vera Palmer,

e uma filha, Vera Jayne.

A minha m�e 3 ANOS

Acho que � por a� que devo come�ar

na busca pela nossa m�e.

Esta menina pequena que perdeu o pai

quando tinha tr�s anos,

tendo estado no carro com ele.

Vou come�ar a busca pela Jayne a�.

Come�amos com essa grande dor.

Dou o primeiro passo: "Conhe�o esta foto."

V�, ela alguma vez falou sobre a inf�ncia?

N�o, nunca falou sobre a inf�ncia.

Mas sei que perdeu o pai.

Foi algo que suportou a vida inteira.

Vi-a a chorar v�rias vezes ao olhar para fotos dele.

N�o conhecem a hist�ria inteira.

S� sabem aquilo que veem.

Ela nem sempre fazia escolhas acertadas com os homens.

Mas sabes uma coisa?

Acredito que os sofrimentos dela come�aram todos com a morte do pai.

Ela passou o resto da vida � procura de um pai.

Era uma mi�da em busca de um pai.

JULHO DE 1966

Assim, em 1966,

A Jayne decidiu, por fim, divorciar-se do Matt Cimber.

Jayne Mansfield Quer Novo Div�rcio

Foi durante esse per�odo

que come�ou uma rela��o com o advogado de div�rcio,

um homem chamado Sam Brody.

Sam Brody ADVOGADO DE DIV�RCIO DA MINHA M�E

N�o gostava nada dele. Havia muita viol�ncia.

Certa manh�, fui ao quarto da m�e

e lembro-me de que ela estava de �culos de sol.

E eu fiquei um pouco, sabes...

Surpreendido por aquilo.

Era um menino. Porque estava a m�e com �culos de sol?

Mas, a dada altura, acabou por tir�-los e tinha os olhos negros.

Lembro-me de como isso me afetou.

Sabia que era um homem mau. Soube imediatamente.

Foi... Ela pensava que n�o tinha muito.

Mas...

O Meu Pai ENTREVISTA DE 1989

Ela n�o conseguia ver uma coisa: que se tinha a si mesma.

E quando uma pessoa se perde a si mesma, pronto...

... perde-se tudo.

Eu tentei dizer-lhe que se tinha a si.

Que isso era a coisa mais importante.

Ela tinha-me a mim e ela sabia isso.

Mas, por vezes, isso n�o era suficiente.

JUNHO DE 1967

Houve uma noite, em 1967.

A Jayne estava em Nova Iorque com o Sam Brody

e ligou ao Mickey para ir � cidade.

Naquele tempo, eu e o Mickey est�vamos numa rela��o.

Por isso, fomos juntos.

E ela estava com m� apar�ncia, mas n�o estava em si.

E ela e o Mickey foram jantar fora,

porque ele estava a tentar ajud�-la com o Sam.

Foi ent�o que, duas semanas mais tarde,

ela viajou para Biloxi, no Mississ�pi, para um programa.

E tinha um voo agendado para Nova Orle�es � meia-noite.

Tu, o Mickey e o Zolie estavam no carro com a Jayne,

mais o condutor e o Sam Brody.

E foi quando aquilo ocorreu.

Quero dizer uma coisa, mas n�o vou falar sobre isso,

porque foram os �ltimos momentos da vida dela.

Custa tanto.

A minha m�e...

Sim...

Portanto...

A m�e estava a discutir com a pessoa no banco da frente.

Era o Sam.

Ela queria afastar-se do Sam.

E lembro-me que se mudou para o banco de tr�s.

E foi a um posto de gasolina.

Acho que ligou ao pai, porque ele disse...

... que ela lhe tinha ligado.

Falei com ela uma hora antes.

Ela disse-me ao telefone:

"Falta mais uma hora de viagem.

"Hora e meia.

"� tarde.

"Vou deitar os mi�dos no banco de tr�s

"e deix�-los dormir."

Depois ela mudou-se para o banco da frente do carro.

Tantas vezes me questionei porque ela simplesmente

n�o ficou no banco de tr�s connosco.

Mas recordo-me dela a tranquilizar-me.

A dizer que eu ia ficar bem.

Passados 20 minutos, meia hora, tanto faz,

ouvi-a gritar t�o alto.

E foi tudo. Caiu o sil�ncio.

As minhas m�os e bra�os estavam todos encrustados.

A pele parecia que n�o se movia

porque estava ensanguentada.

E olhei para cima e vi a minha...

Pareceu-me ver a minha m�e no banco da frente.

Era uma senhora loira.

Ela virou a cabe�a e olhou para n�s,

mas n�o era a minha m�e.

Era algu�m que nos tinha encontrado na berma da estrada.

Recordas-te do que aconteceu depois de te levarem?

Adormeci.

Est�vamos a caminho do hospital.

Mas eu acordei, a certa altura.

Fiquei a olhar em redor e n�o te conseguia encontrar.

E perguntei: "A Maria?"

E eles: "Quem � a Maria?"

Como tal, volt�mos para tr�s.

Estavas presa debaixo do banco do pendura.

Com um traumatismo.

E...

Gra�as a Deus.

Gra�as a Deus que o Zolie acordou.

JAYNE MANSFIELD MORRE EM ACIDENTE

ATRIZ, ADVOGADO, CONDUTOR MORTOS

FILHOS SOBREVIVEM NO BANCO TRASEIRO

VIVEMOS PARA TE AMAR MAIS CADA DIA

Depois de tudo aquilo...

FILHA FERIDA DE MANSFIELD

... o Mickey ligou.

E ele disse para ir ter ao hospital.

Mickey Jr. 8 ANOS

Zolie 6 ANOS

Eu 3 ANOS

Quando Deus levou a Jayne,

eu sonhei com ela.

Est�vamos num... Est�vamos num campo de futebol.

E havia um palco.

E uma limusina apareceu no campo.

As portas da limusina abrem

e ela atravessa aquele campo por completo.

Ela vem ter comigo e diz:

"Fico t�o tranquila por cuidares dos meus filhos.

"Est�s a fazer um �timo trabalho."

Foi s� um sonho,

mas teve muito significado.

Significou muito para mim. Foi a coisa mais disparatada.

Mas acredito que o Mickey e eu lhes demos um lar com muito amor.

A nossa fam�lia tentou construir uma nova vida.

A Jayne Marie foi viver com o tio dela,

o Tony foi viver com o pai dele

e n�s mud�mo-nos para outra casa.

Essas s�o as primeiras lembran�as de que me recordo.

Lembro-me de comer � volta da mesa na cozinha.

Fazia um jogo � mesa.

Se n�o quisesse comer algo, o meu pai comia-o �s escondidas.

Riamo-nos com fulgor. Foram os melhores tempos.

Mas, quando vinha o ver�o,

a minha fam�lia ia � Europa.

E, �s vezes, enviavam-me sozinha para a casa da minha av�.

Vera Peers A MINHA AV� ("DANMAMA")

E costumava sentir-me triste

porque fazia-me sentir isolada do resto da minha fam�lia.

Certa vez, quando tinha 12 anos,

estava l� com ela.

Estava a falar sobre o meu pai com a minha rever�ncia habitual.

E ela olhou para mim com uma express�o anormal

e disse: "Eu sou tudo o que tens."

Sabia que as palavras escondiam algo,

mas n�o sabia o qu�.

Ent�o, quando tinha 21 anos,

um tipo chamado Sabin Gray,

chefe do clube de f�s da Jayne Mansfield,

ligou-me insistentemente a convidar-me ao clube.

Ele dizia: "Vamos fazer uma festa de Dia de S. Valentim."

E o Sabin foi muito insistente:

"Era muito especial para n�s se viesse."

E l� cedi: "Est� bem."

Quando l� cheguei,

tinham p�steres dos filmes dela nas paredes

e cartazes em tamanho real,

todo o tipo de coisas que tinha colecionado.

Foi um tanto bizarro para mim.

Mas mais tarde, passados alguns anos,

quando tinha 25 anos,

fui novamente convidada � casa do Sabin.

E est�vamos a s�s.

� ent�o que ele se vira para mim e diz:

"Queres ver uma foto do Nelson?"

E eu perguntei: "Quem � o Nelson?"

Foi ent�o que...

Acho que ficou branco que nem cal

e como que p�lido que nem um fantasma.

Ele olhou para mim, em p�nico, e disse:

"Bem, n�o deve ser verdade. Provavelmente."

E eu: "O que n�o � verdade?"

Fomos a uma salinha e ele pegou num livro.

Abriu-o numa p�gina e mostrou-ma.

E eu, tipo... N�o podia acreditar no que estava a ver.

Porque parecia ser eu, mas como homem.

E foi como se...

Foi como se o ch�o tivesse cedido debaixo dos meus p�s.

Foi como...

Se o meu mundo tivesse perdido o fundo.

Como se o meu firmamento tivesse ru�do.

Como se a minha vida tivesse sido alterada permanentemente.

Depois disso, fiz-me � estrada para ir ver o meu pai.

Entrei na casa dele.

Estava completamente desfeita em l�grimas, e...

Eu disse:

"Porque n�o me contaste que n�o �s o meu pai?

"Mentiste-me."

E ele...

... respondeu com: "O que � que est�s a dizer?

"Eu amo-te. �s a minha filha.

"Onde ouviste isso? � tudo mentira."

E ele ficou mais enervado que eu,

mais convincente que eu.

Eu estava a sentir imensa dor,

mas percebi que a dor dele era quase pior do que a minha.

Como tal, decidi nunca mais falar sobre o assunto.

E n�o voltar a discutir o tema com ele.

E foi o que fiz.

Mas o facto

� que tive uma sequ�ncia de maus anos depois disso.

N�o contei a ningu�m.

Deitava-me todas as noites a chorar porque me sentia

perdida.

Passei por uma crise de identidade.

Eu era a Mariska ou a Maria?

Eu era h�ngara ou italiana?

Era a filha de quem? A que fam�lia pertencia?

E s� para piorar,

nasci de um caso extraconjugal,

como se n�o passasse de um erro pecaminoso e ileg�timo.

Fiquei t�o...

... furiosa com a minha m�e.

Por me abandonar no meio desta confus�o.

E por magoar o meu pai.

E por me fazer sentir t�o sozinha e desconectada.

Ent�o, para eu sobreviver,

eu cortei, reneguei

a parte de mim mesma que era a filha da minha m�e.

Mas foi ent�o que percebi que existia esta outra pessoa.

Quem era essa pessoa?

Ele n�o sabia de mim?

Nunca tinha pensado em mim?

Ele deveria saber. Porque n�o me assumiu?

Ele era um entertainer.

Desse modo, cinco anos mais tarde, agora com 30 anos,

eu e uma amiga fomos a Atlantic City

e assistimos ao espet�culo dele.

E, depois do espet�culo,

ele foi ter comigo e disse-lhe:

"Ol�, Nelson. Chamo-me Mariska Hargitay.

"Creio que conheceu a minha m�e."

E ele olhou para mim

e, basicamente, desfez-se em l�grimas.

Ele agarrou a minha orelha.

E exclamou: "H� 30 anos que esperava por este momento."

E acho que fic�mos a p� at� �s cinco da manh�,

s� a conversar.

Ele explicou que eu tinha duas irm�s.

E contou-me toda a hist�ria.

Isso foi h� 30 anos.

E desde ent�o que guardei segredo.

E aqui estamos.

Aqui estamos.

Fiquei a p�...

... a noite inteira, a noite passada,

a pensar como tu e eu temos estado a viver com este segredo.

- Desde os meus 25 anos. - Sim.

Esperei muito tempo para ter isto.

Agrade�o a tua paci�ncia.

Est�s a gozar?

Quando vim para Vegas, em 1965, um cronista perguntou-me:

"Voc� � o tal Nelson Sardelli

"que teve um caso com Jayne Mansfield?"

Eu respondi: "Voc� vai fazer-me um favor."

E ele: "Que favor?"

"Veja o meu espet�culo.

"Se for uma bosta, crucifique-me.

"Ponha um fim � minha carreira.

"Mas n�o mencione a nossa rela��o."

Nelson Sardelli. Um forte aplauso.

MAR�O DE 1963

Era o in�cio da minha carreira

e tinha realizado um espet�culo em Atlanta.

Naquela noite em particular, tinha decidido ir dar um passeio.

Subitamente, vi um grande alvoro�o a formar-se em frente do clube.

E entrei.

A empregada veio a correr.

E ela: "A Jayne Mansfield est� c�!"

Eu abordei a Jayne.

E a Jayne olhou para mim e falou em italiano.

Disse-me ela: "Buona sera."

"Venha ver o meu espet�culo."

E l� fui.

Quando ela terminou,

vira-se: "Vamos no seu carro."

E eu: "Elecas!"

Onde estava o meu pai no meio de tudo isto?

Havia alguma fric��o familiar entre eles.

Tinham deixado de falar um com o outro.

Ent�o, estavam separados? O que houve com o meu pai...

Sim, tinham tido problemas.

Mas se sa�am juntos em p�blico...

Muito em p�blico.

�amos juntos a toda a parte.

E pass�mos a atuar juntos.

Depois, ela apresentou-me aos filhos.

E fui a Juarez para o div�rcio dela.

Estive l� com ela.

DIV�RCIO CONCEDIDO

Jayne Mansfield chega a El Paso

"Espera casar num futuro pr�ximo."

Depois disso, fomos fazer um filme

na Alemanha.

Depois, alug�mos um carro

e viaj�mos por toda a Europa.

Onde tiraram estas fotos?

Esta foi nos Alpes.

E onde foi esta?

Esta foi � entrada da It�lia.

Quando descobriste que estava gr�vida?

Na Alemanha.

N�o sabia isso. Isso �...

- Caramba. - Sim, sim.

"Dia do Pai, 1963.

"Para o Nelson.

"Este dia especial � agora mais especial para cada um de n�s.

"A semente do nosso amor eterno germina

"na forma de um rebento que um dia se tornar� um carvalho forte.

"Te amo, al di la, Jayne."

Al di la significa...

... "muito al�m", entendes?

"Querida mama,

"Estou a passar por, talvez, a maior prova��o da minha vida.

"Retic�ncia entre o Mickey e o Nelson.

"Tenho o amor de dois homens.

"Um profundo amor de ambos.

"Espero que Deus me indique a resposta dentro em breve,

"porque tenho estado muito deprimida."

JUNHO DE 1963

TR�S MESES DO NOVO RELACIONAMENTO

Ent�o, no final da nossa viagem,

fomos � Bas�lica de S. Pedro.

ROMA, IT�LIA

E diz ela: "Vamos trocar votos."

Foi bel�ssimo.

Depois, ela olha para mim:

"Nelson,

"se n�s estiv�ssemos casados

"e tivesse engravidado de um outro homem,

"aceitavas-me de volta?"

N�o pude acreditar.

"Como te atreves a fazer-me uma pergunta dessas?"

Percebes?

Apenas...

Tudo caiu por terra.

E n�o consegui aguentar mais.

Foi demasiado.

Disse-lhe: "Jayne, amanh�, volta para os EUA. Eu vou ficar.

"Depois disso, tu e eu n�o nos voltaremos a ver."

Sabias que ela carregava a tua filha?

Sabia.

Mariska, n�o o vou negar.

Reconhe�o agora que foi a maior vergonha da minha vida.

Estava errado.

Voltaram a falar novamente?

Sinto-me multo culpado

pela posi��o que tomei de nunca voltar a falar com ela,

porque muitas pessoas pagaram caro

pelo caso amoroso que vivemos.

Jayne e Mickey, bem-vindos de volta. Como � regressar a casa?

� fant�stico. Verdadeiramente.

N�o voltava a casa desde mar�o passado.

E volt�mos pelo Mickey,

para ele continuar a trabalhar para a televis�o

e para ter um beb�.

Pois �.

N�o consigo imaginar o que o teu pai sentiu.

Mas estou-lhe muito grato.

Porque nunca nos contactaste quando nasci?

Quando a tua m�e morreu,

a tua av� Vera queria que eu agitasse as �guas

e que te fosse reconhecer, ou assim.

Mas, por essa altura, o Mickey era o pai que conhecias.

E os teus irm�os

eram os teus �nicos irm�os.

O que iria eu alcan�ar que fosse ben�fico para ti?

E passado uns anos,

tive a oportunidade de falar com o Mickey Hargitay.

E disse-me ele:

"Nelson,

"ningu�m precisa de me dizer quem � o pai da minha filha."

Ao que eu respondi:

"N�o irei envergonh�-lo de qualquer maneira.

"Nunca."

Jayne Mansfield teve tr�s filhos

de Mickey Hargitay.

Miklos, espero ter pronunciado bem,

Zoltan e Mariska Hargitay

foram todos criados pelo pai

ap�s a morte da m�e.

- Muito prazer. - Igualmente.

- Mickey, � bom v�-lo. - Bom dia.

Obrigado.

Mariska, o que te contou o pai sobre a tua m�e?

Que coisas te contou ele?

Sinceramente, tudo o que vem � tona quando conversamos.

Falamos sobre tudo.

Pelo menos, � o que eu acho. Quando � relevante.

Antes de eu descobrir,

tu e o pai falaram sobre o Nelson?

Devem ter discutido o assunto.

Se o assunto viesse � baila, ele respondia:

"Eu sou o pai dela.

"Eu sou o pai dela." Ponto final.

E por muitas perguntas que eu tivesse sobre o t�pico,

queria dar ao Mickey o respeito

de ser a pessoa a pronunciar-se sobre o que ele realmente sabia.

Quando a Mariska nasceu,

eu e a m�e dela fomos � Hungria

e demos a not�cia aos meus pais.

A minha m�e queria muito dar-lhe o nome Mariska.

E � por isso que se chama assim. � uma h�ngara genu�na.

Foi um excelente pai.

E tinha o cora��o cheio de amor por ti.

Mas tamb�m penso que o Mickey era perfeitamente capaz

de engarrafar a sua dor.

Algo que suspeito que fazia muito com a Jayne.

Por isso, ele dizia: "A Mariska � a minha filha."

E proclamou isso at� ao dia da morte.

A VIDA SECRETA E TR�GICA DE JAYNE MANSFIELD

"Ela deu-me um toque. 'Chama aquele italiano.'

"Falei com o dono

"e Erwin n�o demorou a aproximar-se da mesa,

"com o italiano formoso atr�s dele.

"Ele apresentou o italiano como Nelson Sardelli,

"um artista que atuava num clube ao fundo da rua.

"Embora n�o tenham falado sobre muito,

"foi um primeiro encontro muito marcante para Jayne.

"'Aquele', anunciou ela ao sairmos do clube,

"'vai ser o pai do meu bambino,

"'do beb� italiano perfeito que eu sempre quis ter.'"

Que pensa que ela diria sobre o seu livro?

Ela teria tido v�rias reservas.

"Porque disseste isto? Devias ter omitido aquilo."

Cr� que a hist�ria do meu pai biol�gico

era sua para contar?

Aquilo que eu sabia, sim.

Quando a redigiu,

pensou no impacto que iria ter na minha fam�lia?

N�o.

Lamento se ficaram magoados com o livro.

Mas tudo era ver�dico, dentro do que eu sabia.

N�o era minha inten��o magoar-vos e pe�o desculpa se magoei.

Reivindicar a minha hist�ria.

Para mim, esse � o cerne da quest�o.

Passei 35 anos a tentar ocultar esta hist�ria.

Para honrar o meu pai.

Mas tamb�m vim a aperceber-me

de que, por vezes, ocultar a verdade n�o honra ningu�m.

E demorei muito tempo a perceber isso.

Tenho estado a pensar...

... nas nossas jornadas, as nossas vastas jornadas.

Pois.

Os altos e baixos, as dificuldades

e as alegrias, e as tristezas, e tudo.

E...

E eu diria que voc�s esperaram muito

por este dia.

Sim.

Lembro-me quando soube que tinha uma irm�.

Acho que foi nos primeiros anos do ensino m�dio.

�ramos uma fam�lia muito aberta,

mas havia uma gaveta trancada � chave na secret�ria dele.

A verdade

� que acabamos sempre por desvendar onde est� a verdade,

porque dan�amos em redor daquilo que n�o � a verdade.

Portanto, mesmo em pequena, eu sabia.

N�o sei explicar. Havia ali alguma coisa.

Ent�o, um dia, eu destranco a fechadura

e abro a gaveta.

E encontro um envelope no fundo.

E era uma carta da tua av�, logo depois da morte da tua m�e.

E a carta dizia: "Querido Nelson..."

Pronto, vou contar da minha perspetiva com 11 anos.

Basicamente: "Querido Nelson,

"Sei que tem filhas.

"Devem ser boas filhas,

"mas existe uma crian�a incr�vel, que � sua.

"Ela � melhor que todas as suas outras filhas."

L� est�, sei que n�o dizia isso,

mas estava a ler a carta e esta dizia que ela era da nossa fam�lia.

Em seguida, fui a correr � cozinha com a carta na m�o,

a chorar baba e ranho e gritei: "O que � isto?"

Ele ficou muito s�rio e disse-me:

"Eu n�o conhe�o esta menina."

"Esta menina..." � agora que vou chorar.

"Esta menina j� tem um pai que a ama.

"Como eu te amo. Esta menina est� segura."

"E se ela est� segura, ela acabou de perder a m�e,

"n�o a podemos arrancar da fam�lia que ela tem."

Foi o que decidiram e foi essa a raz�o do sil�ncio.

E fez-me sentido.

Portanto, eu como que meti na algibeira.

E muitos anos mais tarde, conhecemo-nos.

Ainda me lembro. Era a tua festa de anos.

Eu e o pai est�vamos l�, a Katie Couric tamb�m,

e ela insistia: "Ent�o, de onde conhecem a Mariska?"

E n�s: "Somos amigos da fam�lia."

Ela ia dar uma volta, regressava: "N�o percebi bem."

Lembro-me de te ligar e...

"Precisamos de conversar."

Como � que vamos lidar com a colis�o dos nossos mundos

e como podemos controlar isso?

Mas eu... Isso foi algo t�o...

� muito duro.

Por eu n�o ter tido

a sensatez, acho, de dizer no momento:

"Isto n�o � algo que tenham de carregar."

Era t�o vital para mim,

era um desejo t�o pujante de honrar a mem�ria do Mickey.

Mas o facto

� que eu errei.

Porque voc�s tiveram de viver estes anos com este segredo

e foram imensamente generosas comigo.

Por isso, obrigada.

Tenho uma pergunta.

Como � que se sentem quanto ao facto

de estarmos a expor toda esta trama?

Ora, isto agora...

Est� no ar. N�o h� mais segredos.

Tudo isto que est� a acontecer...

Para mim, � como se...

... uma for�a maior e mais elevada

me estivesse a perdoar pelos erros que cometi.

N�o posso alterar o passado,

mas arrependo-me de ter sa�do da vida da tua m�e.

Porque sou da opini�o

de que certas coisas n�o lhe teriam acontecido.

Sim. � isso.

Mas sabes, queria dizer s� mais uma coisa.

Teria adorado ter tido uma �ltima conversa com o teu pai

antes de ter falecido.

Porque queria tamb�m estender-lhe um pedido de desculpas.

Porque tenho a certeza

que eu fui parte da raz�o por que sofreu tanto.

Obrigada por isso.

Bom, �...

Fico muito contente por ter a oportunidade para dizer estas coisas.

Tens 89 anos, podes dizer-lhe em breve.

Qual � o meu obitu�rio?

�s a melhor!

Em pessoa!

- �? - Claro.

Claro. N�o, porque...

- Meu Deus! - Meu Deus!

Meu Deus, tu �s de mais.

Muito bem.

- Eu ligo amanh�. - Est� bem.

Agora, estou a pensar regularmente

que perdemos a nossa m�e,

mas, ao realizarmos este filme,

estamos a dar-lhe nova vida.

Portanto, agora ela est� t�o presente de uma forma t�o maravilhosa.

Sim. Eu estava a perguntar � Alexa...

Perguntei: "Alexa, as almas morrem?"

E a Alexa... Queres ouvir? V�.

Alexa, a maquineta?

Alexa, as almas morrem?

De reginameredith.com, a alma n�o morre.

Ela regressa ao universo.

Regressa ao universo. A alma n�o morre.

Fiz uma coisa para ti

com algumas das coisas que estavam no armaz�m.

E queria entregar-te.

Organizaste isto tudo?

- Sou eu? - � tudo sobre ti.

C�us!

Caramba.

Pare�o a mulher de Grey Gardens: Do Luxo � Decad�ncia.

- Entendes a refer�ncia? - Sim.

Tamb�m encontrei alguns cart�es que escreveste � m�e.

"� mam� mais maravilhosa do mundo inteiro.

"Da tua adorada filha, Jayne Marie."

Quem diria que isto ainda andava por c�, depois de tantas d�cadas?

Deixa que te leia esta.

"Querida mam�,

"Adoro-te de manh� e adoro-te � noitinha,

"mas o que posso fazer quando n�o est�s � vistinha?

"Adoro-te quando brilha o sol ou brilha a lua.

"E se estiveres onde penso que est�s,

"Espero que n�o tenhas sa�do com o velho Jack Paar."

Est�s a brincar?

Est�s a gozar!

"Espero que n�o tenhas sa�do com o velho Jack Paar."

� dos teus melhores trabalhos.

Fico feliz por terem vindo hoje.

Detestaria fazer isto sem voc�s.

- Todas estas caixas? - Deus do c�u!

- Deixa-me... - Espera.

Os recortes de jornal!

"Tal como Marilyn."

Incr�vel.

Vou empurrar.

N�o pode ser.

Olha para isto. T�o querido.

Topa-me este Pai Natal! At� me assusta.

Que arrepiante.

Os mi�dos detestam o Pai Natal nesta idade.

- O que � aquilo na perna? - Um cobertor.

N�o, na perna.

C'um caralho.

O Mickey queria que te assustasse.

Ele encontrou-o na caixa. Ela caiu.

E ele filmou.

Voltaram a comportar-se como os meus maninhos.

Anda, vem!

Jesus Cristo!

� um Globo de Ouro.

Associa��o de Correspondentes Estrangeiros.

Vejam, peguem-lhe.

Jayne Mansfield.

Pr�mio de Estrelato Internacional. 21st Century Fox.

� monumental.

Sabes uma coisa? Podias juntar ao teu.

Pois �.

Adoraria, se deixarem.

Tu mereceste.

Meu Deus!

� nosso?

�. Feliz anivers�rio.

Peter Hermann O MEU MARIDO

Obrigada.

Obrigada, obrigada, obrigada.

N�o acredito que fizeste isto.

Passei a maior parte da vida a sentir vergonha da minha m�e.

Algu�m de que n�o tenho mem�ria.

Algu�m cuja voz n�o quis escutar.

Algu�m cuja carreira me inspirou a mudar de trajeto.

Algu�m que cometeu mais do que alguns pequenos erros

e me deixou desamparada com dor e segredos.

Mas, aos 60 anos, tenho outra perspetiva.

Pela primeira vez, eu revejo-me em ti.

A forma como sorris.

A forma como ris.

Tal como agora sinto por ti estes sentimentos maternais.

Tinhas 16 anos quando engravidaste.

Eras uma crian�a quando te lan�aste nesta carreira.

Entendo perfeitamente.

Entendo como te deves ter sentido magoada.

Em busca de algo que nunca encontraste.

Est� em apuros?

Mas tinhas tanto dentro de ti.

Vou antes que apare�a.

� essa pessoa quem agora vejo.

Vejo-te a ti, Jayne.

A minha m�e, Jayne.

Eu amo-te.

E tenho saudades.

Em Mem�ria Dos Meus Pais

VIVEMOS PARA TE AMAR MAIS CADA DIA

Legendas: Bruno Matos Para TransPerfect Media

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