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CLUBE DA LUA
O que sabem os riquinhos? Esses esnobes e almofadinhas.
O que sabem de tango? De compasso?
Aqui est� a eleg�ncia Que postura, que silhueta
Que porte, que arrog�ncia Que classe para dan�ar
Assim se dan�a o tango Enquanto eu desenho o oito
Com estes arabescos Eu sou como um pintor
Agora uma corrida Uma volta, uma sentada
Assim que se dan�a o tango Um tango da minha flor
Olha o passarinho!
Olhe!
PAU DE SEBO
Vamos amor! Suba, suba! Sobe, sobe, que voc� consegue!
Vamos, n�o ca�a!
Nicol�s! Por favor, Nicol�s!
Bem, bem, bem...
Muito obrigado, queridos amigos.
Fortes aplausos pra nosso querido amigo
Alberto Castillo, o doutor em tango. Vamos!
Bem, bem, bem... Fortes e grandes aplausos.
Forte e grande como a Lua de Avellaneda,
nossa t�o querida institui��o!
Que siga o baile!
Por favor, senhores. Rapazes, parem a m�sica.
Senhoras e senhores, temos um probleminha,
Luisita Maldonado est� para dar a luz.
Tem algum m�dico no sal�o?
Com licen�a, com licen�a.
Abram caminho!
Fortes aplausos para o doutor do tango!
Que noite, queridos amigos! Que noite!
Uma noite que s� poderia acontecer no nosso amado clube!
Vamos dar as boas-vindas ao nosso novo s�cio, o querido...
Rom�n! O que disse?
Rom�n Alberto, ao qual desejamos que sua vida seja uma eterna lua cheia.
M�sica, maestro!
Um momento... um momento,
Senhoras e senhores. Um momento, por favor.
Senhoras e senhores, nosso querido presidente, fundador,
e j� quase compatriota, Don Aquiles Vizca�no Puertas, me anuncia que
o Lua tem a honra de entregar o primeiro cart�o de s�cio vital�cio
ao nosso amado Romancito!
Desde aquela long�nqua noite, em que tr�s galegos
rec�m chegados da Espanha decidiram...
E fortes aplausos para Don Aquiles,
e para o Doctor Castillo,
para nosso amado clube, para o grande Romanzinho,
e para a m�e que o pariu! M�sica, maestro!
Rom�n, Rom�n!
Rom�n!
Ei! N�o corra!
Te disse pra n�o correr. Mas que idiota. Voc� est� bem?
E essas po�as na quadra?
- Quando consertar�o as goteiras? - Quando pagar suas mensalidades.
Qualquer dia um garoto vai se machucar.
O que voc� quer?
A Cristina pediu pra voc� ir l�. Aconteceu algo com uma garota.
Fique aqui e termine de secar estas po�as.
- Vai discutir meu caso? - Quando acertar as mensalidades.
Todo tempo livre estou aqui.
E se pago o clube, como dou de comer � minha filha?
N�o tem dinheiro pra ela, mas tem pra essa merda no bra�o?
Corte uma pata do drag�o e d� � menina pra comer.
N�o pode haver s� velhos na dire��o de um clube como este.
Eu quero participar.
Quer participar? Coloque as mensalidades em dia.
- Ol�, papai. - Oi, meu amor.
- Como est�? - Bem.
- Passou a tosse? - Sim.
- O que houve? - Nada, n�o sei.
N�s est�vamos alongando. N�o olhe.
Fizemos isto e ela caiu.
Desmaiou, n�o sei.
Mas essa garotinha n�o � s�cia do clube.
N�o �.
- N�o olhe, n�o olhe. - Por qu�?
- Talvez seja um pouco de... - H�?
- Um pouco de... - Ela te mordeu?
N�o, n�o. Acho que ela est� com fome.
Mas, Cristina...
N�o somos uma institui��o de caridade...
Eu sei, eu sei...
Ela � amiga da sua filha. Sua filha a trouxe.
Ela mora do outro lado do rio. Ela aparece sempre.
Fica com uma carinha assim... Deixei ela dan�ar e ocorreu isso...
Ol�, querida.
- Qual o seu nome? - Dalma.
Olhe, Emilio.
Temos visita.
Gosta de bife � milanesa?
Prepare uma milanesa. Espere...
E de alfajor, voc� gosta?
Prefiro a milanesa.
Pare de ser sovina, hein?
- Milanesa com fritas, meio � cavalo! - Tamb�m gosto de milanesa.
Na sua idade, era meu prato favorito.
Minha m�e �s vezes fazia pra mim.
Olhe, isto � um clube.
� frequentado por s�cios, que pagam mensalidade.
Entende?
Eu adoraria que voc� frequentasse, mas...
Mas n�o � poss�vel.
Eu estava dizendo pra sua amiguinha...
Acho �timo que voc� traga uma amiga ao clube.
� que � um pouco injusto com os outros s�cios,
porque...
O qu� foi? N�o me olhe assim... Eu n�o sou um...
Eu trabalho de gra�a aqui.
Eu dirijo um t�xi por doze, quatorze horas
e o tempo livre passo aqui.
E n�s n�o ganhamos nada.
N�o, n�o. N�o me olhem deste jeito.
Fale da globaliza��o,
do crescimento sustent�vel... A garotada adora.
Que coisa! Nandito, pare!
O babaca ligou?
Coma sua milanesa, j� volto.
- Como vamos resolver isso? - N�o sei.
� preciso descobrir.
O que est� fazendo?
Pintando os jogadores com as cores do clube.
Do que ri? Com os problemas que temos e voc� pintando o tot�?
� um detalhe, parceiro.
- Deus est� nos detalhes. - Que bom pra ele.
Sim, senhorita. Preciso falar com meu advogado.
Graciela Fern�ndez.
Sim, Fern�ndez. Ainda sou Fern�ndez.
- At� que o advogado... - Ei, Graciela...
Como que advogado? Meu advogado, seu chefe.
Ele n�o me conhece?
Diga a ele pra atender, que n�o seja um babaca como meu ex-marido.
- Me d� isto. - Pare.
Eu n�o a insultei, senhorita.
Eu n�o te chamei babaca!
Nem chamei seu chefe de babaca, falei do meu ex-marido!
- N�o a insultei, idiota! - Me d� isso.
- Por qu�? - Voc� est� muito nervosa.
N�o, eu n�o estou nervosa... veja!
� a irmandade dos babacas agora?
Desculpe, ela est� um pouco nervosa.
Diga que o dentista n�o quer mais atender o Bruno.
Pe�a pra dizer ao advogado do babaca
que o dentista n�o quer mais atender nosso filho.
- Que n�mero voc� discou? - Como que n�mero?
Ela est� se fazendo de boba.
Al�...
Com o Dr. Pellegrini, senhorita!
O qu�?
Ah... me desculpe, querida.
N�o meu amor, � que...
A situa��o tem muita merda junta...
N�mero errado. Voc� viu?
Eu sempre disse para mim nestas privatiza��es houve fraude.
O que foi agora?
Meu filho precisar tirar o aparelho e o dentista n�o quer atender mais.
- E o plano de sa�de? - Que plano?
Faz seis meses que o pai sumiu, n�o d� um centavo pro filho.
O plano n�o pago, voc� quer dizer. Cuidado, meu amor!
Ponha este aviso onde se veja bem.
O que est� fazendo, Amadeo?
Pintando os jogadores com as cores do clube.
Esse � um santo. Passa o dia na vagabundagem.
D� pra ver que voc� n�o tem a quem atazanar na vida, hein?
N�o � como meu ex.
Que est� pouco se fodendo se o filho tem problemas dentais.
Mas pagou pelos novos peitos da putinha. Acredita?
Eu queria que o Bruno os explodisse, com seus dentes deformados.
- Voc� vai dar aula de franc�s? - Sim, por qu�?
J� disse o poeta: "N�o aceite a derrota mesmo quando derrotado".
- N�o estou derrotada. Quem disse? - Eu n�o, foi o poeta.
O Don Aquiles.
- Ol�. - Oi, Don Aquiles!
- Gracielita, como vai? - Muito bem, muito bem.
Estou vindo da companhia de energia.
- Vamos ao escrit�rio que te conto. - Foi sozinho?
Eles admitiram que havia um erro na fatura.
Que homem! N�o quer casar comigo?
Cometo o erro de novo.
Rapazes, tem uma corrida para o centro. Quem vai querer?
- Estou devendo o telefone. - Pode ir, estou ocupado nisso.
- Maca, quer vir comigo? - N�o, vou ficar aqui com a Dalma.
Fique aqui, depois te busco, t�?
- Amadeo! - Sim.
Como voc� est�?
- Preciso de um favor, pode ser? - Sim, pode falar.
Ele n�o pode te fazer trabalhar dobrado em dias de treinamento.
O que quer que eu fa�a? � o meu emprego.
Eu sei, mas me deixe falar com o cara.
- Ele tem de entender. - N�o, deixa isso pra l�.
Voc� � o nosso principal jogador, estamos perto da final.
- O que custa pra ele? - Que que eu perca meu emprego?
Ol�, de p� a turma.
- Ol�. - Boa noite, senhorita.
- O que foi? Est� com febre? - N�o, � uma tosse seca.
- Deu a ela o...? - N�o sobrou, mas ir� melhorar.
Amanh� te levo ao m�dico, t�, amor?
- Mas o papai disse... - Amanh� vai ao m�dico.
Um m�dico por causa de uma tosse?
Vou pedir ao meu primo para v�-la.
- Certo? - Est� bem.
- Pode me ajudar? - Sim.
N�o diga a ele que atrasamos a obra social... ele vai contar a sua m�e...
Sabe que me sinto um pouquinho... nua.
- Bem... - Bem o qu�?
N�o vai olhar meus peitos como fazia na �poca de namorados?
Nessa �poca, voc� pedia para eu te olhar nos olhos...
Rom�n Maldonado, encantado.
Como foi seu dia?
Mais ou menos, mas dizem que amanh� vai chover.
E o seu?
- Vai voltar tarde da reuni�o? - N�o sei, por qu�?
- Da� podemos conversar. - Ah, sim. Se eu voltar cedo.
Viram que o C�rdenas morreu?
- Quem? O do quiosque? - N�o, o do estacionamento.
A mulher dele n�o morreu semana passada?
N�o, a que morre foi a Ercilia.
Ningu�m nasceu para compensar?
Sobre o cobrador: o sobrinho de Resias esteve aqui.
- Da casa de ferragem? - A ferragem � para l�.
Ele tem um probleminha...
- Est� me procurando? - Ele � manco.
- Mas parece honesto. - Sim.
- Isso � �timo pra cobrador. - Honesto e manco. Perfeito.
G�s, 240. Seguro social, 310.
E com a luz morre 720.
Eu insisto, apague as luzes nos intervalos do basquete.
Sim, mas ningu�m d� bola.
Quero apresentar a voc�s a a nova professora de dan�a, Cristina.
- Oi... Eu s� estava aqui... - Bem-vinda.
- Bem-vinda, muito, muito bem-vinda. - Muito obrigada.
Pagaram as aulas de dan�a?
Sim, todas as meninas pagaram.
- Bom, muito bom. - Sim.
Ismael me disse que gostaria de fazer parte da dire��o.
Acho que outro jovem n�o faria mal, al�m de mim, claro.
Ismael n�o paga mensalidades h� seis meses.
Mas, cada minuto livre que ele tem, est� trabalhando no clube.
Como eu sempre digo: "O essencial � invis�vel".
- "Aos olhos." - Ao que mais seria?
Eu adoro o Ismael, mas a dire��o tem que dar o exemplo.
O rapaz provou o seu comprometimento com o clube.
- Ele parece otimista. - E tem projetos para uns 2 ou 3 anos.
Otimista demais, hein?
Quando come�a a conhecer tudo isso, se apaixona.
"A secretaria municipal de finan�as, em conformidade
com as diretrizes para o semestre bl�, bl�...
ao verificar que o clube social e esportivo Lua de Avellaneda
n�o apresentou os balancetes
dos anos de 88, 89, 90, 91... 2003.
se tornou pass�vel... pare!
�s san��es previstas no cap�tulo...
O importante: "Em aten��o a isso..."
Pare!
"...por esta raz�o deve pagar a quantia de 40 mil pesos,
de multa por n�o..." Eu n�o entendi...
N�s somos isentos de impostos, ou n�o?
� por que n�o emprestamos
o clube pro com�cio deles? Jogue esse papel fora!
N�o, n�o. N�o � cobran�a de impostos.
� uma multa porque n�o apresentamos os balancetes dos �ltimos anos.
N�o! Que fliperama? N�o tenho!
Mas a prefeitura pode ter se enganado, n�o?
O que eles v�o nos tirar? As goteiras? Jogue fora.
Se eles enviaram, temos que enfrentar.
Dever�amos falar com Alejandro, a ajuda de um vereador...
� o secret�rio de governo? O que Alejandro faz na prefeitura?
Eu n�o sei, ele est� l� dentro.
Conhe�o Alejandro h� d�cadas. � uma perda de tempo.
Deixe isso comigo. Eu tamb�m o conhe�o h� d�cadas.
Amanh� falo com ele. Se n�o me ouvir, eu o encho de porrada.
Deixe comigo.
Est� bem, fique calmo. Eu vou.
Rom�n, fique calmo, voc� sabe como ele �.
A� vem ele.
Don Aquiles! Que bom ver v�-lo. Jovem como sempre, hein?
Desculpe a demora, estamos tendo um dia cheio.
E Ver�, Maca, Dar�o?
- Todos Bem. - Bem?
Isso n�o � imposto, Don Aquiles.
� uma multa enviada pela prefeitura
por n�o haver apresentado os balancetes por 15 anos.
Que papo-furado. Que balancetes s�o esses?
Entram 1000, saem 1200. S� temos d�vidas.
O que voc� acabou de dizer � um balan�o.
Como vamos pagar 40 mil pesos?
Se n�o conseguimos nem consertar o telhado.
Esse conserto vai custar 58 pesos.
Ah, sim...
E o que far�o, tomar o clube?
D�vida � d�vida, cedo ou tarde tem de ser paga.
N�o � brincadeira.
E voc� diz assim,
t�o tranquilamente?
� isso que voc� se tornou?
N�o seja rid�culo.
O �nico rid�culo aqui � voc�. Sempre foi assim!
Sempre negociar, ser flex�vel, mudar as coisas por dentro.
Voc� mudou em algo? Me diga.
- O que est� dizendo? Voc� sempre foi assim.
Rom�n, voc� acha que � o �nico que tem preocupa��es sociais?
Voc� acha que � o �nico que sofre pelo clube?
Tamb�m me importo com o clube.
Veja aqui...
minha carteirinha.
Eu a levo comigo, est� com a sua?
N�o sei, n�o tenho, perdi, me roubaram.
- O que tem a ver? - O qu�?
Para mim, isso � um tesouro. Voc� tem a sua? Eu tenho a minha.
Para mim, o clube � um s�mbolo de outra �poca, mas � um um s�mbolo!
N�o, n�o � s�mbolo de outra �poca! � uma realidade atual.
Com 392 jovens que v�o diariamente fazer atividades.
Tamb�m me importo com eles, por isso estou aqui.
Tamb�m sei que s�o a �nica esperan�a que nos resta.
Por isso estou aqui, Rom�n!
- Voc� sempre foi assim. - Por isso estou aqui.
- N�o vamos brigar. - N�o estamos brigando, Don Aquiles.
Isso deve ser um engano.
Veja se pode nos ajudar
e por favor,
vamos parar esse papo de que "os jovens s�o a �nica esperan�a"...
Somos crescidos.
Soa mal.
Com licen�a. Voc� viu a professora Battaglia?
- N�o. - N�o?
- No bar da esquina. - Obrigado.
- Meu amor. - Ol�.
Ol�.
Eu te trouxe...
o xarope para a tosse.
- Sim, me d�. - Est� indo pra casa depois?
Sim, depois vou sim.
Quer se sentar?
- N�o. Vou me atrasar. Eu estava... - Mesmo, fique.
N�o.
N�o.
Isso, vamos, vamos. Mobilidade.
Muito bem, Dar�o!
Vamos, muito bem.
Falta, cara, falta!
- Amadeo, voc� n�o viu? - Falta de ataque.
Que falta de ataque?! N�o est� olhando?!
Chega. Fim de jogo!
Cristina! Esperem um pouquinho.
- Mulher agora? Estamos treinando. - Como assim?
Espere, Cristina!
Depois n�s � que vamos ter de te aguentar.
Cristina!
Cristina!
Como vai, do�ura?
Que surpresa!
- O que estava fazendo? - Treinando umas estrat�gias.
Escute, eu queria falar com voc�.
- Est� ocupada agora? - Estava indo pra casa.
Voc� gosta de comida �tnica?
Eu conhe�o um restaurante escoc�s fabuloso.
Vai haver um festival nacional de dan�a.
Liguei para saber como �, e j� me enviaram as inscri��es.
Acho que vai ser �timo pra sua turma, n�o?
N�o pode beber �lcool aqui.
N�o tem problema, me escute.
- Quer um pouco? - N�o, n�o.
- Voc� n�o bebe? - N�o... sim.
�s vezes, mas aqui n�o pode.
Posso te ajudar com as inscri��es.
Sim, n�o. Acho que as garotas ainda n�o est�o preparadas pra...
Um festival, voc� disse?
Acho que ainda n�o est�o preparadas. E se n�o vencermos...
Perdemos, qual o problema?
O problema � se vencemos, pois a� vamos ao internacional.
Sim.
Tamb�m h� um festival internacional?
Eu n�o sei. Precisamos descobrir.
Se n�o vencemos,
pelo menos se divertem, conhecem lugares.
Vi voc�s dan�ando,
se as garotas causarem o mesmo efeito nos jurados,
venceremos o pr�mio Nobel.
Onde viu a dan�a? Sempre fecho a porta do sal�o.
� imposs�vel ter visto, sempre fecho a porta.
Sim, eu a vi.
Porque...
eu estava trocando a tramela da porta.
Ah, a tramela da porta...
Estava quebrada, mas eu consertei.
- Voc� consertou? - Sim.
E tinha um furinho no vidro
bem no meio, algo assim.
E eu coloquei o olho e...
vi voc� dan�ar,
e fiquei meio fascinado,
de como voc� fazia com a m�o.
� porque � uma posi��o assim...
Sim, assim.
Assim.
Como n�o vamos vencer?
Est� solteira h� muito tempo?
S� perguntando.
N�o te vejo no telefone, voc� n�o recebe liga��es,
Eu te convidei a sair e sa�mos. Voc� � solteira.
N�o.
Sim, h� 3 meses, e estou �tima sozinha.
- Por que coloca a m�o na barriga? - Qu�?
- Voc� fica colocando a m�o... - Eu n�o sei.
Apenas coloco, n�o tem motivo.
Mulheres fazem isso quando est�o gr�vidas...
N�o, n�o tem nada a ver.
Por que est� �tima sozinha?
Teve problemas s�rios? Estava gr�vida?
Pare com isso, voc� � meio sem no��o, n�?
Quem � voc�, Sherlock Holmes? Por que, por qu�?
Isso � assunto meu...
- Nunca uma mina te ferrou? - Quem? A mim?
A M�nica.
- Isso n�o me interessa... - Ela estava totalmente louca.
Est� bem, n�o quero saber.
- E a Silvia, tamb�m. - � problema seu, n�o quero saber.
- Do que ri? - Me lembrei da Adriana.
Mais uma.
Como aquela puta me ferrou!
Est� vendo?
N�o sei, mas...
Depois de sofrer tanto...
n�o acha que � certo dizer: "Estou �tima sozinha"?
Voc� n�o acha que est� "�timo sozinho"?
N�o.
Desculpe, era s� brincadeira.
O �nibus.
N�o quer ir pra minha casa?
Tchau.
- Ah, voc� me assustou. - Me desculpe.
� duas da manh�. Onde estava?
Trabalhei at� tarde.
Meu est�mago est� p�ssimo.
- N�o se sente bem? - N�o.
Aqui, pegue um anti�cido.
Por favor, Rom�n, precisamos conversar.
Papai!
Sim, amor, j� vou. Dorme, j� vou.
Eu n�o sei o que aconteceu.
Talvez eu esteja num momento fr�gil.
N�s n�o estamos bem.
- N�o � para tanto... - N�o, n�o estamos bem.
Pense nisso, n�o estamos bem.
Sim, e agora vamos piorar.
H� quanto tempo n�o me d� aten��o?
H� quanto tempo quero conversar?
Voc� deveria ter me contado que era algo assim...
Queria o qu�?
"Querido, me d� um minuto que quero falar do meu amante?"
Pare, as crian�as v�o escutar.
Eu n�o queria que voc� descobrisse assim.
Nem sei o que eu queria.
Talvez seja algo passageiro.
E que...
� s�rio?
Eu n�o sei, n�o tenho certeza.
O que seria "s�rio"?
Se foram pra cama, isso daria um toque de seriedade � situa��o.
Que diferen�a faz se fomos pra cama?
� s� um cara que se apaixonou por mim,
ele diz que me ama.
E acredito, olhos nos olhos dele e ele treme ao dizer isso!
- As pessoas tremem... - Sim, eu sei que podem tremer.
Vejamos, como tremem?
- N�s trememos! - Me mostre como voc� treme.
- Estou vendo... - Veja o que voc� me faz fazer!
Ele treme.
E ele fica ansioso e usa perfume para me ver.
- Claro, perfume � importante. - � muito importante.
Claro.
Ir pra cama n�o � importante. Usar perfume �.
- Pode me ouvir, por favor? - Estou ouvindo, Ver�nica.
Estou ouvindo.
Quando vai consertar este vidro? Chove na garagem.
Na pr�xima semana, o vidreiro vir� e pe�o um or�amento.
- Me d� um beijo. - O qu�?
Sim, n�o um beijinho de despedida matinal.
- Um beij�o. - O que foi, ficou louca?
Acaba de me falar do vidro e agora quer um beijo...
Vamos.
Vamos fazer algo, vamos?
Vamos descobrir coisas um do outro como antes
- Sim. - Sim?
Eu sei que � dif�cil.
Vinte anos com a mesma pessoa.
Quem dera fosse sempre a mesma pessoa...
Pobre mina!
Sim.
Que vida de merda!
De quem?
A M�xima, essa atriz,
sofreu um ataque de estresse e antecipou as f�rias.
Ah,voc� me assustou!
Dizem que � de Wilde.
� da floricultura?
Sim, gostaria de mandar flores.
Quais flores voc�s t�m por
cinco pesos?
E essas sementes crescem r�pido?
- Bom dia. - Bom dia.
Tem um tempo que eu n�o compro perfume
Gostaria de saber se ainda fabricam um que eu usava, da Calvin Klein.
Sim, senhor. Temos v�rias fragr�ncias.
Espere, mais ou menos quanto custam?
A partir de 67 pesos.
E os que chegam a 67, partem de quanto?
Temos fragr�ncias nacionais que s�o muito boas.
Esta Skittish est� vendendo bem, 32 pesos.
Espera, espera...
Ainda � muito pra mim.
Bem...
- Venha comigo ao anexo, por favor. - Claro.
Tenho aqui uma linha de imita��o que � muito boa.
Temos o Fashion Fantasy, que � uma fragr�ncia tipo Calvin Klein.
- Igual ao Calvin Klein? - Similar.
Vem de Taiwan.
Bom perfume. S� 22 pesos.
Caramba, ainda fica apertado.
Veja, essas s�o fragr�ncias artesanais feitas em nosso pa�s.
�timo, e ainda colaboramos.
Tem a fragr�ncia Mar del Plata, Mango Caribe, Ocean Splash.
- A Mar del Plata tem cheiro de qu�? - Mar�timo, fresco.
N�o, n�o, quero outra coisa.
Tem o Spice Tangerine, Ramas de Romero,
Semente de Cardamomo que � uma fragr�ncia
- mais new age, contempor�nea. - Essa, essa.
Se � nova, vou querer a Semente de Cardamomo.
�tima escolha. Perfeito.
Esses produtos, como n�o t�m gastos de marketing, embalagem,
nem uma embalagem chique,
custam poucos pesos.
E al�m disso, voc� ganha um sabonetinho de brinde.
Rom�n.
Por favor, preciso da sua ajuda.
Calma, vou prender este fio, pois se eu corto aqui...
Isso... N�o � nada, calma.
Abra a boca e fique quieto.
- Que foi? Voc� o machucou? - N�o, n�o.
N�o se queixe, Bruno! V� se queixar com seu pai
que te abandonou, entendeu?
O que diz? As mulheres ficam assim quando se separam?
� a verdade!
Que cheiro de mijo de gato � esse?
- Ai! Filho da... - O que foi?
Nada, eu me cortei com esta mer... Isto � um arame farpado.
Isso n�o me surpreende. Com o plano de sa�de de merda que temos.
Rom�n, quer saber?
Vou colocar um ponto final na rela��o com este bund�o...
Ele que enfie essa alian�a no rabo.
Ai, puta que pariu! Encolheu!
- Me empreste o alicate, Rom�n. - Espera.
O que fazem na minha oficina?
O que faz, animal!? O que faz com o moleque!?
N�o empurre! Eu estava quase tirando!
Deixa comigo. Fique calmo, Bruno, t�?
Com cuidado, hein?
- Que cheiro de funcho, n�o? - Tenho que sair.
Concentre-se.
- Espere um pouco. - Devagar.
Vou trocar de ferramentas.
Abra a boca porque um arame est� solto.
- Pronto, aqui est�. - O que � isso, idiota?
- � brincadeira! - O que est� fazendo?
Me d� a pin�a pequena, vamos.
Olhe, � tudo que tirei da sua boca.
- Alejandro! Que prazer v�-lo, querido! - Como vai?
4 a 1, 4 a 1...
A partida foi h� 20 anos, nem me recordava.
4 a 1, 4 a 1, 4 a 1!
- Voc� levou a bola embora, filho da puta. - E voc� ficou muito puto.
Aquele garoto � bom.
Sim. � o Dar�o, filho do Rom�n,
e de Ver�nica.
Talvez um dia a gente ganhe, n�o?
Como faremo pra pagar 2 mil pesos por m�s?
N�o foi f�cil, � um bom trato.
Os juros s�o bem baixos, em dois anos se livram disso.
Nos matamos por dois anos, e voltamos onde est�vamos h� dez.
Outubro de 98.
Foi a �ltima vez que emprestamos o clube pra um com�cio partid�rio.
- Desapareceram 72 cavaletes. - 76.
Aceitem os cavaletes como pagamento e pronto.
- O que colocou no caf�, Em�lio? - Coloquei piche.
Don Aquiles, por que n�o explica que � uma boa proposta?
Rapazes, sejamos razo�veis.
Como eles podem cobrar uma multa de 40 mil pesos?
N�o � poss�vel! � loucura!
- Ol�! - Ol�.
� um verdadeiro absurdo!
Estes caras definem qualquer quantia!
Bem, mas � assim no mundo todo.
Os veteranos das Malvinas tiveram seus campos desapropriados,
e depois o prefeito fez duas quadrinhas no lugar.
Vai ser assim?
- E da�? - Como e da�?
- O que isso tem a ver? - O que tem a ver o qu�?
- Qualquer um pode falar aqui? - Como qualquer um?
Ele n�o � qualquer um. O Ismael � da dire��o.
� s�rio?
Escute-me, Don Aquiles.
N�o temos mais nada para alugar. De onde vamos tirar 2 mil pesos?
Estamos sem alternativas.
Vamos fazer barulho.
Vamos chamar a imprensa, que coloquem uma c�mera escondida
e transmitam ao vivo essa merda que est�o nos fazendo.
- Estamos falando s�rio. - Por favor, � algo s�rio.
Vamos terminar essa conversa e que a dire��o discuta o problema.
Voc� est� fora da dire��o por ser um idiota.
E quando voc� levou a bola embora faltavam 15 minutos.
Perdiam de 4 a 1!
- Em 15 minutos dava pra virar. - 15 minutos n�o d� pra nada.
Terminem com esta partida de merda!
Alejandro, pense em algo para ajudar o clube.
N�s fazemos o que podemos, Rom�n.
- N�s quem? - O munic�pio.
N�o, o munic�pio somos n�s. Voc�s s�o voc�s.
Se voc� diz "voc�s" falando de "n�s", voc� diz "n�s" falando de "voc�s".
E assim ficamos, cada um de um lado.
At� que voc�s acabem conosco, ou que n�s acabemos com voc�s.
- Ei, o cheiro est� vindo de voc�! - Estou usando uma col�nia!
Escute, velho.
Voc� pode nos ajudar.
Ent�o agora eu posso ajudar?
E como quer que te ajude? Quer que eu engavete a multa?
Que exer�a alguma influ�ncia? Que ajeite por baixo dos panos?
Voc� fez isto a vida toda, sabe fazer isso.
Acha que as ma��s flutuavam antes de Newton?
Deixa de falar estupidez, bebum de merda!
Rom�n!
Bem...
- Quanto � o ch�? - Nada, nada, deixa.
Dois pesos.
Amadeo!
Amadeo...
- Ol�. - Ol�.
Obrigada pela pulseirinha, � linda.
Eu fiz com os arames do Bruno.
- Mesmo? - Sim.
Que impressionante!
- E o bote anda? - N�o, patina a embreagem.
Qu�?
� um bote, como n�o vai andar?
Voc� tem raz�o.
Imaginava algo mais rom�ntico para um primeiro encontro.
Por qu�?
Por que a paisagem � feia e n�o h� �rvores lindas?
Bem...
a fauna tamb�m n�o ajuda, n�?
Conhece o conto da vendedora de f�sforos?
Posso contar?
Tem que parar de remar um pouco.
Em um Ano Novo,
uma garota vendia caixas de f�sforos na rua.
- Aqui? - N�o, num lugar qualquer.
Ela vendia f�sforos na rua,
e estava quase congelando de frio na neve...
Ent�o n�o � aqui mesmo. Era s� o que nos faltava.
E ela tentou acender um f�sforo para se aquecer.
E ent�o ela acende...
e surge uma chama enorme...
como se fosse uma lareira aquecendo o corpo dela
e quando coloca os p�s para esquentar
o f�sforo apaga, ficou s� o palito.
Acende outro e aparece uma mesa enorme, com peru, marzip�...
H� anos que n�o como marzip�.
...sidra, todo esse tipo de coisas.
E assim ela acende outro, e outro...
at� que acendo o �ltimo,
e surge sua av�.
N�o sei por que a av� e n�o os pais. Ela n�o deve ter, mais triste ainda.
A av� surge e a garota pede que...
a leve embora, porque sabe que depois...
n�o vai sobrar nada
nem doces, nem peru, nem marzip�, nem aquecimento, nada.
Ent�o a av�...
a abra�a forte
e...
a leva pra longe de tudo aquilo.
Do frio,
da tristeza,
e de tudo que � horr�vel.
No dia seguinte,
pessoas caminhavam na rua,
e a encontram morta, cercada de f�sforos,
e um rapaz disse: "Ela deve ter tentando se aquecer".
E ningu�m pensou que ela havia encontrado a felicidade,
que ela estava no c�u, longe da tristeza, com a av� dela.
� um conto que...
me mexe muito comigo.
O que esse conto tem a ver comigo?
Eu n�o sei...
Voc� tamb�m mexe comigo, muito.
Voc� o tempo todo est� acendendo f�sforos.
Pra todo mundo, at� pras garotas da...
da aula de dan�a, pro Bruninho...
E...
queria te dizer que n�o me importo com o que falam de voc�,
eu acho voc�... muito valioso,
Te acho uma pessoa muito valiosa.
Por que me olha assim?
Quer mesmo saber?
Sim.
� que...
O qu�?
N�o, n�o, n�o...
Estou apaixonado por voc�.
Ah, n�o, n�o.
- Por que n�o? - N�o, n�o, tire isso da cabe�a.
N�o, n�o, tire isso da cabe�a.
N�o, n�o, Amadeo. Vamos cair na �gua.
Te olho e n�o sei o que me acontece.
Perguntei aos rapazes e eles tamb�m n�o sabem.
N�o, n�o, Amadeo. Vou cair na �gua.
N�o, n�o, � s�rio!
Rema, rema! Estou pedindo, pare com isso.
Reme, eu te ajudo, vamos.
Tem que tirar isso da cabe�a...
Mas n�o fique assim, voc� est� com raiva.
Ei...
- N�o vai mais falar comigo? - N�o vou.
E n�o me venha mais com esses contos, hein?
- Sabe o que aconteceu com a pentelha? - Que pentelha?
Essa dos f�sforos, a dinamarquesa. Morreu s�, congelada, faminta, louca.
Se acha que com estas historinhas vai me ajudar, ferrou tudo!
S� vai me fazer ficar mais apaixonado.
E te ver cada vez mais como a mulher mais bonita, terna
e mais doce do mundo,
Se n�o acontece o mesmo contigo, � uma merda que fa�a isso comigo.
O amor n�o � um f�sforo, querida! N�o � divers�o.
E voc� n�o aguenta o amor.
- Aguento sim. - N�o...
- Aguento. - Me mostre.
N�o, n�o, n�o...
- Vamos Cristina, aceite o amor. - N�o, j� me machucaram demais.
A mim tamb�m e n�o me importo!
Eu sofri muito, Amadeu. S�rio, eu sempre escolho mal.
E n�o se pode ser idiota ontem, hoje e amanh�.
Ontem, pode ser, certamente, hoje, n�o sei, amanh�, n�o.
De verdade, eu estou tentando... me levantar.
Devagar, com as aulas, com o clube, com as coisas.
Estou tentando tomar decis�es ra-cio-nais, ponto.
N�o tem nada a ver com voc�
nem com seu cabelo, nada.
- O que tem meu cabelo? - Nada, n�o tem nada com ele.
Pelo contr�rio, adoro seu cabelo. Saiba disso...
� tudo, n�o sei, a bebida...
Eu quero um cara est�vel, com um emprego, por exemplo.
A verdade � que voc� est� aqui e o cara que eu procuro est� l�!
Entende o que digo?
N�o quero me prender � solid�o de outro,
e ter que te mover do lugar.
N�o quero mais ser m�e! Quero algo sadio! Eu quero ser filha!
Ent�o, sejamos... adultos.
- Me devolva a pulseira! - N�o.
- Me d� a pulseira! - � minha, n�o vou dar!
Puta que pariu!
- O que foi? - Nada, me furou.
- Te furei, desculpa? - Me solta.
Desculpa? Me fa�a um favor. N�o fale mais comigo.
E enfie os f�sforos no cu.
Os anticiclones do Atl�ntico Sul e do Pac�fico Sul
afetam o nosso territ�rio...
O anticiclone do Atl�ntico Sul no ver�o...
Quem foi?
Chega! Sil�ncio! Sil�ncio! O que est� havendo?
Professora, n�o percebe que isso � uma enrola��o?
- Que importa os ventos da Patag�nia? - � muito importante.
Para qu�?
Pra economia.
Pra economia? N�o serve pra nada! Cai na real professora!
Se voc� prefere ser um ignorante, n�o perca mais tempo aprendendo.
E eu n�o perco meu tempo te ensinando. Retire-se!
Certo...
- Aonde vai? - N�o me mandou sair?
N�o fique nervosa assim.
Acha que n�o posso te ensinar nada? Acha que sabe tudo?
Posso contar o que vai acontecer no resto da sua vida. Ser� assim, idiota!
De como vai engravidar a namorada por achar
que � esperto demais pra usar camisinha.
Ou n�o?
De como vai ter um trabalho tedioso pra manter a fam�lia.
E no futuro, quando te pressionarem, vai pedir perd�o.
Comece a usar isto, que com esta cara de nabo
� s� o que te resta.
Voc� n�o sabe nada da minha vida.
Esque�a isso, vai ficar tudo bem.
- N�o. - Sim, sim.
E al�m disso, seu sal�rio n�o dava pra nada.
N�o sirvo nem pra ganhar dinheiro.
Sou imprest�vel total.
Quebrei o pau com os garotos que est�o mais perdidos que n�s.
- N�o � para tanto, Ver�nica. - Sim, � para tanto.
Lembra dos sonhos que t�nhamos?
O melhor casal, os melhores filhos, uma vida diferente...
E veja...
E nem como m�e...
A Macarena sente-se bem � com voc�.
Deixa disso...
Que cheiro de desinfetante tem neste bar!
O Dar�o n�o � pr�ximo de nenhum de n�s dois.
O que diz? Eu o vejo todos os dias. Ele est� jogando muito.
� s� isso e nada mais?
N�o sabe nada dele. Ele tem namorada? Sonhos?
N�o sabemos nada dele.
Tem que estudar, fazer algo da vida, ou vai ser um imprest�vel como n�s.
- Sebasti�n tem raz�o. - N�o me diga o nome!
Sebasti�n, o garoto em que dei um tapa.
Ah... sim.
Desculpe.
Voc� � o homem da minha vida, bobo.
- Quem, eu? - Sim, voc�.
N�o se nota.
Ah, n�o?
Nas reuni�es da faculdade,
quando voc� falava, eu mal podia respirar.
S�rio, n�o podia respirar de amor, de paix�o, de admira��o, tudo.
Vamos, Rom�n...
N�o gostaria de encontrar algu�m que te desperte tudo isso?
N�s dois merecemos.
Dorme, meu amor.
Dorme.
Que cheiro gostoso, papai.
Obrigado, filha.
- O que est� fazendo aqui? - Vamos, eu te levo.
N�o! � aqui pertinho.
- Eu sei, entre a�. - N�o, s�o s� duas quadras.
N�o seja teimoso, vamos, te deixo l�.
- E a�, est� tudo bem? - Tudo bem.
Legal.
Aconteceu algo?
N�o.
Quer dizer... sim.
N�o, nada, que...
Estive conversando com sua m�e e...
decidimos nos separar por um tempo.
N�o diga nada a Maca ainda...
Como?
Por qu�?
Bem, � dif�cil...
� problema nosso...
S�o 20 anos... sabe?
E da�?
Talvez seja algo tempor�rio.
N�o tenho certeza.
O importante � que a sua vida e da sua irm� continuem a mesma.
Por isso quis te trazer...
Porque a vida tem que continuar como sempre.
- Mas voc� nunca me traz. - Bem, a partir de agora...
Como todos os dias.
Deixa eu terminar de falar.
Falar o que se j� decidiram tudo? N�o h� nada pra falar.
Quero que entenda a situa��o.
- � o meu velho... - Como vai?
- Ol�. - Ol�, como vai?
Venho te levar pra partida e depois conversamos.
N�o, vamos fazer como sempre.
Dar�o, tenho que falar com voc� um minuto.
Quem � este man� ali?
� um garoto aqui de perto. Escuta...
N�o vou mais precisar de voc�.
Ei, cara.
- Esta cabine � uma sauna. - Vou te dar desconto.
- Quanto fica? - Setenta centavos.
Arrume um ventilador.
- Est� de brincadeira? - N�o, sabe o que �?
Seu sal�rio me custa caro e minhas contas n�o fecham.
Mas voc� me paga s� 300 pesos, gordo?!
As contas n�o fecham.
O Yucat�n trabalha pela metade.
Que merda � essa, faz um ano que trabalho aqui!
Que quer que eu fa�a?
Ent�o aceite os 150 pesos que vou pagar a este man�,
dou um chute no rabo dele
e pronto, voc� continua.
Mas eu n�o era como o seu segundo filho?
Veja meu lado tamb�m, n�o consigo aguentar.
Irm�o, eu nunca faltei um dia!
- N�o pode ser t�o filho da puta. - Sim, ele pode. Vamos.
N�o pode ser t�o filho da puta, gordo!
Acalme-se.
- Gordo de merda! - N�o, n�o.
- Gordo de merda! - Anda, bichona, chor�o.
Vai com o papai, vai!
Quem voc� chamou de chor�o? Seu monte de merda!
O que est� fazendo? Est� maluco?
Sim, estou maluco, venha, venha.
Chama a pol�cia.
Isso, chama. V� chamar a pol�cia.
Seu cag�o de merda!
Sim, estou louco, o que foi?
Todos os dias ser�o assim?
� a primeira vez que vejo uma cadeia por dentro.
No come�o � legal,
Depois de v�rias vezes, perde o encanto.
E depois voc� se cansa.
Eu j� estou cansado.
N�o vou arrumar um trampo f�cil assim.
Juntei para a passagem...
- um pouco mais. - Que passagem?
Rom�n Maldonado e filho.
Como nos velhos tempos, hein?
Quantas me deve?
- Vamos logo. - Abra.
Meu Deus, ficaram loucos?
- Voc� est� bem? - Sim, estou bem.
Eu tamb�m.
- Com licen�a, posso? - Sim, claro.
Entre!
- Como vai? - Bem, entre.
Sente-se... Quer um caf�?
Vou tomar banho, estou fedendo.
O que voc� faz pra estar cada dia mais linda?
Ah, por favor, me chamam de senhora at� pelo telefone.
Mas voc� parece uma menina.
Muito obrigada, mesmo...
- Eu n�o sabia a quem chamar. - Esque�a isso.
- Vou fazer um caf�, forte? - Para mim, bem fraco.
O que estavam conversando?
Voc� n�o ia tomar banho?
- Me diga. - O qu�?
N�o � ele, n�?
- Est� vendo... - Desculpe.
Ainda te falta bater o recorde.
- Que recorde? - O recorde do teu pai.
Ele conquistou a mina mais linda do bairro
e nem posso dizer:
"N�o sabe como ela era h� 20 anos." Porque continua linda.
E quando vamos conhec�-la?
- Quem? - Yanina, a namorada de Dar�o.
Como namorada? Voc� sabia?
- Claro. - E n�o me contaram?
M�e! A Yanina, que coisa.
Eles se preocupam com voc�.
Quem dera se preocupassem comigo.
Fique tranquilo, com voc� muita gente se preocupa.
Da pr�xima, te deixo preso.
Chega de bl�-bl�-bl�, vou tomar banho.
Que bl�-bl�-bl�? Ningu�m disse nada!
Por que nunca nos conta nada?
E voc�s que v�o se separar e n�o me contaram?
Quem te disse?
Eu disse a ele. Podemos falar disso depois?
Por que falar depois? Vamos falar agora.
N�o � hora pra isso.
- Ver�, estou indo. Tchau, Rom�n. - Tchau, obrigado.
N�o � hora, n�? Misturou tudo.
- Como misturou tudo? - O garoto indo embora, voc�s...
Como vai embora? Que brincadeira � essa? Para onde?
Bem...
Quero ir morar na Espanha, m�e.
Rom�n!
Ei, o que foi?
Sabia que o Dar�o vai pra Espanha?
Ele me contou h� pouco. Podemos falar disso depois?
E voc� n�o vai fazer nada?
Quer que eu fa�a o qu�? Estou pelado no chuveiro!
- Eu n�o vou permitir isso! - Eu j� decidi, j� decidi.
Voc� disse que estava juntando o dinheiro.
- Eu j� te contei. - Que estava juntando o dinheiro,
n�o que j� tinha decidido.
E que vou fazer aqui?
Por que n�o vem trabalhar comigo na prefeitura?
N�o precisa ir embora...
Dar�o n�o vai a lugar nenhum. Ele est� muito feliz aqui.
N�o � o momento de ser apol�tico.
- Eu fa�o pol�tica no clube. - Para 20 garotas que fazem dan�a.
Para mais de 300. Voc� sabe perfeitamente.
Deixa de conversa, Rom�n.
Voc� n�o imagina o que era seu velho h� 20 anos.
Lembra da assembleia para o refeit�rio?
Quanta gente tinha?
- 300, 500? - N�o sei, n�o sei.
O audit�rio estava lotado,
E ele ali falando diante de todos.
Falando, falando...
E eles o escutavam...
e escutavam...
Esse poder de ser ouvido.
Esse poder de mobilizar.
N�o � qualquer um que tem.
Lembra, Ver�?
Lembra ou n�o?
O que houve?
Cai fora.
O que seria se estiv�ssemos de acordo voc� e eu.
Cai fora, vai.
Dalma!
Dalma!
Gladys!
O cara do clube est� chamando a Dalma.
Dalma!
- Voc� vai a escola? - Sim.
Vai mesmo?
Como se chama sua escola?
Escola.
Agora sim, agora fico mais tranquilo.
Vamos bem, voc� e eu.
- Chegou a bab�. - Irm�o, que cagada fiz!
Entra, entra. Fique � vontade.
Sinta-se em casa.
Esquece do outro dia, t�?
De qu�?
Que me meteram em cana?
Que me separei, que Dar�o foi demitido, ou que ficaremos sem clube?
Bem... voc� j� esqueceu.
- N�o, n�o me esqueci, desculpe. - N�o, voc� tinha raz�o. Quer?
N�o vamos beber agora.
N�o tem um sorvete? Estou com vontade.
T� bem, se � o que voc� quer...
- Tem TV a cabo? - Sim, pirata, � �tima.
Tenho 80 canais e 100 anos de perd�o.
O Sr. J�lio Quintana, Acho que est� me esperando...
Sim, um momentinho, por favor.
Me acompanha?
Boa noite, madame.
N�o! Eu n�o sou madame, Eu sou senhorita.
N�o entendi nada! V� por que eu preciso aulas de franc�s?
- Encantado. - Encantada.
- J�lio. - Se diz, Jules.
Pare de humilha��o. Assim n�o vale, voc� joga com vantagem!
N�o � minha inten��o.
Obrigada.
Agrade�o muito por ter vindo, na empresa n�o ter�amos sossego.
Me deixam louco! Espero n�o ter sido inc�modo.
N�o, n�o, pelo contr�rio.
Eu conhe�o mais uma palavra em franc�s.
Champanhe.
Vejamos, esta.
Diga em voz alta.
Esta?
N�o quer uma mais de cima?
- Dom Perignon. - Soa bem!
- N�o � doce demais? - N�o, mas um pouquinho salgada.
Os bons vinhos, a boa comida,
formam uma parte importante da boa vida...
- Vou provar esta merda. - Voc� n�o odiava lim�o?
Agora, gosto.
Deve ser a idade.
Como Maca reagiu?
Eu n�o disse nada pra ela.
Eu disse que ia cuidar de voc�, que estava gripado.
N�o, idiota. Como foi dizer isso?
Ela vai ficar preocupada.
Se voc� quiser, ligo pra ela e digo que a m�e tem um amante.
N�o seria m� ideia...
Para, para!
Que porcaria! Voc� babujou a colher toda!
Que babujei o qu�?
- Lambe minha cara, ent�o. - Ah! Minha nossa!
Que se foda.
Olha como s�o as mulheres,
a gente se preocupa e quando elas querem cair fora, n�o est�o nem ai.
Para uma mulher, quando passou, passou.
- E com zero culpa. - E at� com certo prazer, eu diria.
Nascemos para sofrer, irm�o.
Isso � que � felicidade.
Em duas semanas, chega um grupo de empres�rios franceses...
e quero impression�-los um pouco.
� um contrato milion�rio, sabe?
N�o quer mesmo uma mousse de salm�o pra acompanhar?
- Salm�o? - Sim.
- Sim. - Sim, claro que sim.
Uma mousse de salm�o para a senhorita, obrigado.
O que dizia?
Acho que tr�s ou quatro vezes por semana,
se voc� puder todos os dias seria muito melhor,
duas semanas talvez n�o d�.
E se voc� for comigo? Como int�rprete.
Eu te pagaria � parte, claro.
Eu adoraria.
- Mas n�o sei se animo. - Como n�o vai animar?
Seu franc�s � excelente, segundo minha humilde opini�o.
Obrigada.
Voc� � muito simp�tica.
Obrigada.
Voc� � uma bela mulher.
E vai salvar minha vida!
Obrigada.
E tive que encar�-lo, sabe?
Eu disse: "Olhe, Eduardo...
se est� t�o apaixonado por esta puta, fique com ela!"
Muito bem. E o que ele respondeu?
Nada, sumiu. H� seis meses n�o me manda um centavo.
Acabou.
N�o sei muito franc�s, mas lembro de um tango.
"Se nota com um olhar que n�o te amaram bem."
Sim.
- Quando come�amos? - Quando voc� quiser.
Amanh�.
- Amanh�. - Amanh�.
- Repita. - Amanh�.
N�o, amanh�.
Com licen�a.
Compra uma flor?
N�o pode ficar aqui.
- D� licen�a um minuto? - Aonde voc� vai?
- Espera, que vai fazer? - J� volto.
- Um pouco de romantismo? - N�o...
Romantismo.
Vou ligar para saber das crian�as.
O telefone foi cortado.
O qu�?
Dizem que por falta de pagamento, n�o sei, que v�o � merda.
- Liga do seu celular. - N�o, n�o.
S� posso receber chamadas.
Que merda. De quem voc� comprou isto? De um faquir?
Queria bem macio?
- Vou melhorar esse ambiente. - Tem controle remoto no banheiro?
� o �nico lugar da casa longe do aparelho.
N�o, tira isso, por favor!
- � Creedence! Vai te deixar maluco! - N�o preciso que me deixem maluco!
N�o vai tirar as cal�as?
- N�o. - Por qu�?
Estou bem assim. Depois acho que vou ao clube, vou ver.
Um pouco mais de len�ol.
Pode me dizer de onde vamos tirar 40 mil?
� preciso descobrir.
Vai me contar o que houve com Ver�nica?
N�o sei...
Est� sentindo? Que cheiro horr�vel � este?
Tem um bicho morto aqui?
Deve ser este perfume de anchova que voc� comprou!
� chul� desses t�nis podres.
J� deveria jogado fora.
Vai me contar ou n�o o que houve com sua mina?
E eu sei l�? Acho que bateu a idade...
quer romance, paix�o, sei l�...
- Meteu chifre em voc�? - N�o, cretino, n�o...
Conheceu um cara, sei l�...
Ela est� meio fascinada...
Mas ela trepou com ele?
- Que import�ncia faz? - Muita import�ncia!
Se ela trepou com ele, voc� se fodeu.
Sim, e se s� se apaixonou?
Dai voc� se fodeu tamb�m.
Se � a mesma coisa, que import�ncia faz?
- Vamos segui-los. - Est� louco?
- Por que n�o? - Para qu�?
Para criar confus�o, para peg�-los em flagrante.
Isso n�o serve para nada.
Acha mesmo?
Sabe o que ela me disse?
Que este cara...
treme...
e que ele a faz sentir coisas que eu j� n�o...
Sei l�, n�o sei.
- Ela trepou com ele, que filha da puta. - Bem, vou pro clube.
- N�o! Eu disse algo? - Ela n�o � uma filha da puta.
Ela n�o � filha da puta. Ela se sente s�.
Est� com d�vidas, insatisfeita. Eu n�o soube satisfaz�-la.
- N�o � filha da puta. - Por esse lado, pobrezinha...
Voc� est� pirando? Era "filha da puta", agora � "pobrezinha"!
- Voc� que est� pirando. - N�o falemos mais da Ver�nica.
Bem, est� bem. N�o vamos mais falar de minas.
Na verdade, ela fodem nossa cabe�a.
Chega, falamos mais.
Como a hist�rica da Cristina...
- O que houve com Cristina? - Nada que eu saiba.
Sa�mos algumas vezes...
A mina tudo bem, toda sedutora, toda sei l�...
E depois... n�o sei.
Que n�o sou o cara,
que precisa algo est�vel e confi�vel que a leve ao seu objetivo.
D� a ela o telefone do Angelito, est� vendendo um Falcon 79.
Vai levar onde ela quiser.
Isso me serviu para reavaliar um monte de coisas.
Porque estou numa boa aqui, hein?
Sei l�, n�o sei...
Tenho meu viol�o...
minha TV a cabo...
meu garoto.
N�o comece, vou pro clube...
- Sabia que ia me aporrinhar. - Voc� precisa de carinho.
Fecha a porta do banheiro pelo menos, puta que pariu!
Sra. Graciela?
- Sim. - Uma liga��o.
- Para mim? - Sim, para voc�.
- Al�? - � o J�lio.
- Al�? - O J�lio, j� esqueceu?
Onde voc� est�?
Estou falido, e n�o consigo me acostumar.
Juro que adorei voc�, mas n�o vou voltar.
- Me perdoe. - O qu�?
Esse cretino poderia ter me levado num self-service.
J� estavam quase cancelando meu cart�o por falta de uso...
Vou te devolver, Rom�n, te juro... n�o sei como, mas...
- mas vou te devolver. - N�o se preocupe.
Que idiota sou!
Que idiota, que idiota!
Como n�o me dei conta, era t�o �bvio!
Aonde me levaria como tradutora? Que imbecil eu sou!
Me faz lembrar daquela jornalista, como se chama?
Qual?
- Essa... a... - Onde ela trabalha?
Louise...
- N�o, trabalhava no jornal... - Clar�n?
N�o, n�o... aquela... Lane!
Lois Lane.
Ela tinha o Superman ao lado...
E n�o se dava conta que era s� tirar os �culos.
E ele estava ali.
Igual ao Superman,
que � outro cretino.
Ei, maluco.
Cara.
Ol�, quem �?
O que faz aqui Cristina?
Vou ver.
Entre... suba.
Amadeo, acorda.
Abra os olhos! A Cristina est� subindo.
- Que Cristina? - A Cristina, imbecil!
- O qu�? Por que abriu? - Ela tocou aqui.
A esta hora?
- Que me telefonasse... - O telefone est� cortado.
Passe o seu celular.
- Ol�, - Oi, como vai?
E a�?
Perdoe a hora. Eu queria falar com o Amadeo, ele est�?
Amadeo?
Amadeo!
Quem �?
Cristina.
Que Cristina?
Eu, a Cristina.
Bem...
N�o sei, ele n�o quer me ver.
D� pra ver que fiz merda com o que falei pra ele.
Olhe... posso deixar com voc�?
S�o dois an�is...
fiz com a pulseira que me deu, com os arames do Bruninho...
Me espere um segundo.
- Espera a�. - Certo.
Ela est� na porta, olha o que ela fez.
O que ela fez? O que � isso? A�! Me furei!
N�o seja cag�o, vai l�...
Vou te encher de porrada, saia j�!
Est� bem, j� vou.
Senhoras e senhores...
Do alto do pau de sebo,
setenta anos de hist�ria nos contemplam...
E hoje vamos demonstrar � comunidade inteira
que n�o estamos em decad�ncia.
Porque essa � uma palavra que temos que erradicar
do nosso vocabul�rio, reiterando palavras como...
Don Aquiles...
Desde aquele dia em que tr�s galeguinhos...
Bruninho, venha, venha.
Voc� sabe que a m�e n�o tem um tost�o.
Sabe que n�o � por sua culpa, nem por minha culpa.
� culpa do...?
- Meu pai. - Muito bem!
Tr�s coisas fundamentais: N�o pe�a nada,
n�o compre nada e n�o toque em nada, t�?
Certo, vamos, vamos nos divertir!
- E que vou fazer? - "E que vou fazer"?
Olha como os outros se divertem. Venha que eu te ensino.
Sobe, sobe!
Vamos, sobe, sobe!
Fazemos isto por amor ao clube!
Um, dois, e tr�s!
Chegou o momento de premiar na categoria minibasquete
o melhor companheiro. E o ganhador �...
Ramiro Cohen!
Quem paga um peso, pode pagar um peso e vinte.
Mas � vinte por cento, e isso � muito!
Mas temos que arrecadar, por isso estamos fazendo isto.
Eu estava discutindo com uns caras esse assunto do clube.
Eles est�o bem interessados em comprar as instala��es
para colocar um centro recreativo de jogos de azar.
- O qu�? Um cassino? - Se quer chamar de cassino...
- N�o � Las Vegas. - Voc� bebeu?
Quer vender o clube pra p�r um cassino?
Mas � a solu��o! V�o assumir todas as d�vidas.
E oferecem duzentos empregos para os s�cios do clube.
Estive falando com os comerciantes da regi�o
e eles ficaram bem contentes.
N�o pode fazer uma coisa assim, o estatuto diz claramente...
O estatuto diz que o clube ser� vendido se os s�cios quiserem.
E tamb�m diz que, em caso de venda, o dinheiro vai para caridade.
Mas os 200 empregos s�o para os s�cios.
Fa�amos uma Assembleia.
Enlouqueceu se acha que v�o dissolver o clube.
Convoque uma Assembleia e ou�a o que o pessoal quer.
As pessoas querem empregos.
Estou disposto a ajudar, mas se n�o me derem uma m�o...
E est� tirando o qu�?
Est� insinuando algo?
- N�o se ofenda. - Est� me chamando de trapaceiro?
Voc� n�o me conhece?
Chega, caralho!
N�o aguento mais voc�s dois.
Discutem pela bola, por Ver�nica e at� por uma foto rid�cula.
O clube n�o est� � venda.
Vamos salvar o trabalho de gente honrada, sen�o iremos � justi�a.
E se n�o serve a honradez, nem o trabalho, nem a justi�a...
colocaremos um advogado.
Vamos trabalhar.
Por isso jogou fora a carteirinha?
- Pela foto, n�o? - N�o joguei fora, perdi.
- Oi meu amor, oi. - Oi.
Onde estava?
N�o, n�o beba.
S� um pouquinho, n�o faz mal.
- � s� para molhar os l�bios. - Eu te molho os l�bios.
Voc� tem um bom lugar?
- Voc� vai sentar onde? - Atr�s do tel�o.
N�o, ent�o o meu � um porcaria porque se v� somente o cen�rio.
Tamb�m queremos dar um pr�mio.
Fizemos uma vaquinha para o pr�mio do basquete,
como n�o arrecadamos muito, s� deu pra um pr�mio.
Melhor amigo, melhor desportista, melhor astral e pior h�lito,
o glorioso Amadeo Grimberg.
Eduardo.
- Ol�. - Ol�, como vai?
- Que surpresa. - E a�?
- Como est�? - Bem, muito bem.
Se tivesse dito, nos encontrar�amos num lugar mais tranquilo.
- � que o Bruninho me chamou. - Ah, o Bruninho te chamou?
Cuidado com a conta do telefone, filhinho,
que � a mam�e quem paga.
� uma brincadeira, n�o se zangue.
Estou feliz em te ver.
Veja como seu pai est� elegante.
Veja que gravata, e eu assim...
� que vamos num anivers�rio de 15 anos depois.
- Ah, mas o Bruno n�o poder� ir. - Vamos indo amorzinho.
Ah, sim meu amor. �... Bem...
Graciela, Heidi. Heidi, Graciela.
Est� lindo, n�o? Est� incr�vel.
Ent�o esta � a "Jeidi" da s�rie?
"Vovozinho me diga voc�".
Ela � simp�tica, n�o te disse?
- Nos vemos na quinta? - Claro...
A que horas? Onde?
- No Juizado, Graciela, na audi�ncia. - Ah...
Tchau campe�o, fique bem.
Tchau...
Tchau...
Sobe, sobe, sobe...
Oi, boa noite, que tal?
Como est�o? Eu sou Cristina,
a professora de dan�a do clube.
Preparamos este espet�culo com as meninas,
para que vejam um pouco do que fizemos durante o ano,
Bem, apesar que j� me anteciparam,
eu gostaria de dedicar ao Amadeo, meu amor.
Ele deve estar por a�...
n�o sei. Voc� est� por ai?
N�o.
Bem...
N�o est� por a� mesmo?
Talvez na mesa do fundo?
Amadeo?
Bem...
Podemos apagar as luzes?
Sim?
Bem, tchau, obrigada.
Duas garotas dan�ando juntas?
Sim, sim, porque me pareceu mais sexy, Don Aquiles.
Querida, isto � Andaluz!
Mas n�o me pediu m�sica espanhola, Don Aquiles?
Uma dan�a galiciana, aragonesa, n�o isto.
Bem, isto � assim, � assim, n�o sei, tem vida.
� assim. J� volto.
- Precisa jogar dentro da caixinha. - Sim.
- Esse � meu pai, essa � a Yanina. - Como vai?
- Como vai? - Bem e voc�?
- Encantado, encantado. - Igualmente.
- Tem um minuto? - Espere, s� um minuto.
Dar�o, como est� sua m�e?
- E voc�? - Eu o que?
Como voc� est�?
- Bem, estou �timo. - Tem certeza?
Sim, sim. Por qu�?
Por que n�o vai comigo?
- Eu? N�o. - Sim!
- N�o, eu n�o. - V� comigo, vamos!
Por que n�o? O que te prende aqui?
Como assim? Voc� est� louco?
- A Maca, tudo isto... - Tudo isto? Tudo isto o qu�?
Tem algum g�nio de basquete que voc� treina?
O clube fodeu sua vida.
O que fez da vida? O que conquistou?
Me desculpe...
- n�o queria dizer isso. - Eu entendo.
N�o, me desculpe.
Agora s�o outros tempos.
Poder� me ligar,
conversar pela internet.
N�o � como na �poca de Don Aquiles,
� diferente agora.
Agora emigram sabendo ler e escrever. � diferente.
Amadeo.
- O que faz aqui? - Nada, estava descansando.
- Venha. - Estou bem. Consigo sozinho.
- Venha que eu te ajudo. - Me deixa, posso sozinho.
- Venha. - Me deixa, posso sozinho.
Me deixa! Que saco...
O que foi? Por que fala assim comigo?
N�o h� nada, n�o enche o saco.
O qu�?
Nada, cai fora.
O que est� olhando? Cai fora!
Cai fora!
V� Cristina, ele esta b�bado.
Quem est� b�bado? O que est� olhando?
Por que est� me olhando?
Sim, estou te olhando, filho da puta!
- N�o pode me olhar. - N�o posso te olhar? Hein?
Me solta, me solta.
Preparei a dan�a pra voc� como uma idiota, imbecil!
Voc� est� doente! N�o posso te olhar?
- N�o pode olhar! - Ele est� b�bado.
Eu j� sei que ele est� b�bado! Que novidade!
N�o estou nada b�bado. Por que est� me olhando?
Voc� est� doente. Eu n�o queria estar com voc�.
N�o me olhe!
Voc� � um est�pido!
Como � que...?
Quem � que n�o aguenta o amor?
Ele est� b�bado, deixa ele.
Bem...
� tudo.
- Aqui tem mais um pacotinho. - Me d�.
As pessoas querem...
mas n�o podem.
- Vou deixa isto no cofre. - Aqui?
N�o vou levar para o banco para me roubarem.
Don Aquiles,
como era a hist�ria
dos galeguinhos? A que ia contar e te interromperam...
J� contei um monte de vezes, n�o?
- Mas � uma boa hist�ria. - Sim, conte novamente.
Conte! Conte! Est�o pedindo!
� uma hist�ria de galegos...
Tr�s galeguinhos, que voltavam de uma partida de futebol,
e a caminhonete que os levava estragou no meio do caminho.
J� contei isso outras vezes.
Mas � linda, conte.
Isso da caminhonete nunca ouvi.
Enquanto algu�m a consertava,
os outros tentavam jogar um pouquinho.
E aos poucos come�aram a se acostumar com a escurid�o,
e se enxergava perfeitamente,
perfeitamente.
E l� eles viram,
uma lua cheia...
ro�ando o horizonte,
enorme, amarela.
Na Gal�cia,
entre as montanhas
nunca se via assim com tanta luz.
No final da partida, pensamos que...
que seria bom ter um lugar assim,
sempre com luz, com lua permanente.
Parece bobagem.
E por que n�o poderia ser este mesmo lugar?
Que parecia ter magia, magia.
Neste campinho constru�ram o clube?
N�o, no final colocaram um mi...
- Minimax. - Minimax, sim.
N�o se viu mais a lua.
Mas fundamos nosso pr�prio clube.
Bem.
N�o sei como se faz para mudar.
� preciso descobrir.
Eu fa�o o que voc� quiser.
Fa�a o que voc� puder.
- O que houve? - Com vai, Rom�n?
N�o sei, parece que � um pequeno pr�-infarto,
Foi quando est�vamos tomando mate.
- Posso entrar? - Entre.
Don Aquiles.
Rom�n.
Que susto, n�o?
Pode abrir a janela um pouquinho?
N�o, n�o tem janelas aqui.
Quero ver a lua.
� que est� nublado, n�o d� pra ver agora.
Ent�o, n�o se preocupe,
porque hoje n�o morro.
Claro que n�o, homem!
Veio gente do clube?
Sim, claro. Todo mundo.
E minha m�e?
N�o a deixe s�. N�o v� me faltar agora.
N�o, claro que n�o.
Abra...
um pouco a janela.
- � que a lua ainda n�o saiu. - Melhor ainda.
Assim a vejo sair.
Sinto frio.
Aqui faz frio.
Ant�nia tinha raz�o...
O russo me disse:
"Venha comigo
at� a imigra��o."
E diria que era meu pai.
Imagine s�.
Eu, com oito anos, sozinho,
com meu irm�o Miguel.
Eu s� falava galego,
e com um pai russo...
Est�vamos aterrorizados.
O careca da alf�ndega nos olhou...
Olhou para o russo... e come�ou a rir.
E o russo tamb�m.
Nos deixou entrar por pena.
N�o pode abrir a janela?
Por favor abra, s� um pouquinho.
Se voc� vir o careca,
o agrade�a.
Esta mina vale ouro. Mudou minha vida,
Ontem foi minha primeira reuni�o.
- De qu�? - Dos Alco�licos An�nimos.
Que bom, cara! Est� vendo?
H� mulheres que valem muito. E voc� brigando comigo.
Es-pe-ta-cu-lar, Rom�n.
Sabia que sempre vai haver um dia melhor e outro pior?
Ou seja, aconte�a o que for, hoje vai ser um dia mediano.
Ah, �?
Essas coisas mudam a vida.
Tamb�m dizem que � preciso esfor�o essa felicidade.
- Te vejo bem. - Sim, estou assim...
Sshh, fale mais baixo.
Mas voc� est� bem, que bom, cara.
N�o posso, n�o alcan�o.
Vamos basquete.
Em nome do pai,
do filho
e do Espirito Santo, am�m.
Pai Nosso que est�s no c�u...
- O que est� fazendo? - A�, imbecil!
Como me assusta assim em um cemit�rio?
Est� roubando flores?
As que eu trouxe a Graciela tomou.
Hoje completo um m�s com Cris.
E vai dar flores de um t�mulo?
Que culpa eu tenho se Don Aquiles morreu logo no meu melhor momento?
Amadeo, est� louco? � uma falta de respeito.
Est� virando um profanador?
N�o escolhemos os momentos...
Um dia de cada vez.
Olha, tem que ter
serenidade para mudar as coisas que podemos mudar.
Sabedoria para aceitar...
as que n�o podemos mudar.
E coragem para mudar as que...
N�o, valor... valor para mudar...
N�o, como era?
Voltou a entornar, imbecil?
N�o, mas o importante � mudar, Rom�n.
Estou mudando muitas coisas, repensando muitas coisas.
Minha rela��o com o clube, por exemplo.
O que tem de repensar sobre isso?
Nada.
S� uma pergunta:
� t�o m� ideia o cassino ou uma oportunidade?
- Est� de zoa��o? - N�o, � s� uma pergunta...
Agora que...
que mudei, que estou com a mulher que amo,
que posso construir uma coisa mais est�vel, mais...
� errado querer melhorar?
Est� misturando as coisas, o que tem a ver?
N�o, tem a ver... Porque, sei l�...
Alejandro falou que serei o encarregado da manuten��o.
- Quando ele disse? Falou com ele? - Foi outro dia...
Sabe que eles v�o ganhar muito e v�o te jogar uma migalha?
Mas isso n�o posso mudar. Posso mudar minha vi.. � isso:
Sabedoria para reconhecer a diferen�a.
Voc� vai votar contra.
N�o posso continuar s� com bicos, Rom�n,
Quero come�ar uma vida nova... pela primeira vez na vida.
Quero cuidar do que tenho,
da Cristina...
Por favor, me ajude Rom�n.
Se voc� me ajudar, eu te ajudo
E como vai me ajudar?
N�o, n�o quero, vamos embora...
Vamos Rom�n, coragem!
Vamos logo, antes que chegue a pol�cia.
- N�o, eu n�o posso. - N�o, senhor!
Coragem, aposta a vida!
Tenho mais chances na loteria. Ela j� quase n�o me respeita.
- "Mulher, mulher, n�o se esque�a." - Eu sei a letra.
Comece, ent�o!
Mulher, mulher, n�o se esque�a
Aquele que foi e cantou para voc�
E se ela estiver com o cara?
Melhor ainda. Confia, Rom�n. Coragem, vamos.
Mulher, mulher n�o se esque�a
Aquele que foi e cantou para voc�
Em noites de lua cheia
Junto � grade o seu amor
E ao evocar do trovador
A doce estrofe galante
Abrindo-se uma janela
Muito obrigada se ouviu
Parem, pode ser? Voc�s est�o loucos?
Desculpe, desculpe. Estragamos tudo, vamos.
Aposte na vida, linda! Apoie o amor!
Rom�n!
Sim meu amor, o qu�?
Ah, que lindo.
- Vamos pra sala. - N�o quero que a Maca nos ou�a.
- Quem teve a ideia da serenata? - Ideia do Amadeo.
- Que maravilha. - Eu gostei.
- Adorei faz�-la. - E eu adorei ouvi-la.
Que �timo.
Mas...
Eu n�o quero voltar ao mesmo de antes.
Eu quero uma mudan�a mais profunda...
Est� se sentindo mal?
- Estou tendo um pouco de n�useas. - Pegue este anti�cido.
- N�o, voc� s� tem uma. - Tenho outra cartela, pega.
Obrigada.
- � que... estou meio assim com... - N�o, n�o me diga o nome.
U�, voc� n�o era meu melhor amigo?
N�o sei quem te disse essa bobagem.
Se voc� n�o est� bem, precisa de apoio, claro.
- N�o � que n�o estou bem... - Prefiro que voc� n�o me conte nada.
� que...
Ningu�m me ensinou como come�ar uma rela��o aos 40,
Deveriam ensinar isso no col�gio, n�o os ventos da Patag�nia.
Voc� tamb�m... surge este cara e voc� come�a a tremer,
a vomitar, a perder o controle...
Parece o v�rus Ebola. E largou tudo nosso...
- Tudo o qu�? - A casa, as crian�as, tudo!
Mas � isso...
Eu estava apavorada que voc� n�o suportaria ao descobrir.
Que ia me matar, que ia mat�-lo. Imaginei coisas assim.
Algo mais...
Mas n�o, voc� n�o me matou, n�o correu sangue,
- Nem sequer me seguiu, n�o fez nada! - O que eu ia fazer?
A casa, as crian�as... As crian�as v�o embora.
- Dar�o j� se vai, disse algo a ele? - O que eu ia dizer?
Mas o que voc� quer dizer a ele? O que voc� quer fazer?
O que voc� quer, Rom�n?
Voc� percebe?
Cada vez queremos menos, por isso cada vez temos menos.
E queremos menos, temos menos...
At� que n�o queiramos nem tenhamos mais nada!
A casa est� caindo aos peda�os.
Eu quero algo mais.
Algo...
Eu sei que as coisas n�o sa�ram como n�s sonhamos.
Mas se fizer um balan�o das coisas boas e ruins...
Que balan�o? Minha vida n�o � um armaz�m.
Merda, como se abre isto?
Onde voc� andou nestes 22 anos? Nunca te vi vestida de odalisca.
Quem me empurrou a trabalhar com t�xi?
Quem me azucrinou com as contas, a casa, as crian�as, a roupa?
Este armaz�m fizemos juntos.
Eu n�o nunca tomei decis�es sozinho.
Eu n�o fracassei sozinho.
E se n�o for assim, se eu me acabei sozinho.
E se voc� n�o tiver feito nada pra me ajudar,
ent�o posso pensar que voc� � filha da puta.
Constru�mos tudo juntos,
n�o fui eu sozinho.
Me jogue um pau que n�o seja de sebo.
Que isso? Puta que pa...
- Louco, vai me matar de susto. - O que est� fazendo?
Nada, estou vendo quanto temos.
Que susto, idiota.
Quase morro, que faz aqui?
Voc�, o que faz aqui?
J� te disse, contando o dinheiro.
Estou sem um tost�o.
Estou desesperada.
N�o sei o que fazer. Me perdoa, j� vendi tudo.
Me perdoe, te pe�o, me perdoe.
- Calma. - N�o diga a ningu�m.
Rom�n,
- n�o diga ao Bruno, hein? - N�o, acalme-se.
Me promete? Olha pra mim.
N�o conta ao Bruno, te pe�o, por favor.
Acalme-se um pouco, vamos.
Te juro, eu ia devolver tudo.
Anotei tudo aqui, eu ia devolver, te juro.
Eu sei, acalme-se.
- Sou uma merda. - N�o. Me escute,
Me escute,
Eu sei quem � voc�.
Vamos, acalme-se.
- Quanto voc� precisa? - N�o, deixa pra l�.
Que cortem a luz, que importa. S� h� merda pra ver.
Por que n�o disse que est� dormindo no clube?
- Para qu�? - E ainda v�o te desalojar.
Sim, tem mais essa.
- D� pra acreditar neste cara? - Que cretino.
Cresceu no clube e agora convence todo mundo para vender.
O que me incomoda mais � a garotada.
O que eles v�o fazer agora?
E voc�?
Eu o qu�?
Voc� est� sempre pensando na garotada,
o que ser�o deles sem o clube.
E o que vai ser de voc� sem o clube?
Bem...
- Vamos dormir? - Vamos.
- At� amanh�. Descanse. - Voc� tamb�m.
O que acha?
- O qu�? - Como o pessoal votar�?
Eu n�o sei.
�s vezes fico pensando, o pessoal � t�o bund�o.
- Voc� est� dormindo bem no clube? - Sim.
Mais ou menos. � o clube.
N�o, porque...
Bem... n�o nada.
O Bruno est� com meus pais.
Se quiser dormir aqui, pode dormir na cama dele.
N�o, deixa, n�o se incomode. Obrigado.
- Estou bem. - Tem certeza?
Tchau.
Gosto muito de voc�.
- Quer que fa�amos algo? - Sim.
- Pelo clube, digo. - Sim, tamb�m.
Quer ficar e...
- e conversar? - Sim, se n�o te atrapalhar.
Digo, porque temos de pensar em algo, n�o?
Sim, n�o me atrapalha.
- N�o? - N�o.
Pensemos em algo.
Voc� � forte Rom�n.
- Voc� vai convenc�-los. - E o que eu fa�o?
N�o sei, fala com eles, e...
Que n�o nos derrotem, porque n�o somos uma merda.
N�o, n�o somos uma merda.
N�o, e o que vamos fazer?
Temos de lutar, � o que temos de fazer.
Sim.
Voc� tem que ser duro.
Estou um pouco nervoso.
- Com eles, idiota. - Sim, com eles tamb�m.
N�s somos boas pessoas, ou n�o?
- Sim, somos incr�veis. - Somos incr�veis.
Eu continuo na do cretino, sabe, n�?
E eu na da malandra.
Ent�o temos as coisas claras.
Emilio, faz meia hora que o pessoal est� esperando, vamos come�ar.
O Rom�n ainda n�o chegou, ele � a voz do clube.
Ah, vamos l�, velho.
Oi, Emilio.
Oi, como vai?
- Vim para votar, onde �? - Voc� � s�cia?
Acha que Rom�n teria tido dois filhos comigo se eu n�o fosse s�cia?
Emilio, vou come�ar.
Antes de tudo, gostaria de agradecer ao Sr. Bengoa.
Ao licenciado Santangelo...
Mas que Bengoa?
O que comprou a T�xtil Santa Marta para fech�-la?
Quem � voc�?
Meu pai, um do 78 que voc� demitiu, te manda uma mensagem:
V� pra a puta que te pariu!
N�o vou permitir que me diga isso!
J� era hora, velho! O que estavam fazendo?
- Ficamos agarrados... - Vamos!
Ainda que n�o estejamos todos,
eu gostaria de refrescar um pouquinho a proposta.
Bem... j� era hora.
Olha pra ele.
Desculpe, continue.
Estava dizendo que se trata de algo muito simples,
200 empregos para os s�cios do clube.
Concess�es para tr�s bares,
e dois restaurantes.
Ser� um impulso muito importante que acontecer�
para n�s, aqui em Avellaneda.
Esses 200 empregos ser�o um capital que ficar�...
O que est� olhando, menina?
- O nome dela � Dalma. - Dalma?
- Eu quero lembrar... - Levanta a m�o.
Rom�n tem a palavra.
Quero lembrar que para que isso ocorra � preciso dissolver o clube.
N�o, n�o tem que dissolver o clube.
O clube que Don Aquiles fundou j� n�o existe, o que penso...
J� sabemos o que voc� pensa. Quero saber o que pensam os s�cios.
Podem levantar a m�o quem quer vender?
- Quer que votemos agora? - N�o, n�o!
N�o estou dizendo pra votar.
S� quero saber o que pensam.
Levantem a m�o, n�o � vinculante.
O que � vinculante?
� s� pra saber como opinam.
Levantem a m�o quem for a favor de vender.
Um, dois, tr�s...
O Amadeo se equivocou. Que est� fazendo? Baixe a m�o.
N�o, n�o me equivoquei.
Est� maluco? Baixa a m�o!
Quarenta e tr�s a favor da venda.
� preciso encarar a realidade.
Rom�n, eu tinha um a�ougue em Mitre, se lembra?
Eu precisava vender 1200 quilos de carne por semana
pra estar tranquilo.
800 pelo menos, para n�o dizer que estava passando fome.
Sabe quantos estava vendendo? 500 por semana.
Isso n�o d� pra nada.
O a�ougue tinha o nome das minhas duas filhas.
Sabe qual o nome do a�ougue agora?
"A�ougue A Vaca que Ri"!
N�o acho nada engra�ado.
Quando as coisas n�o v�o bem, tem que vender.
Mas a carne que voc� vendia era sola de sapato.
Espere a�... olha o que est� dizendo.
"Quando conhecer, vai se apaixonar."
N�o �?
Sim.
E � mesmo.
Muito mesmo.
Fale, Andrea.
Eu tenho muita dificuldade para decidir, porque aqui,
minha m�e ganhou o primeiro pr�mio de fantasia de gueixa,
e s�o lembran�as que n�o posso apagar.
- Estamos mortos de fome! - Queremos propostas...
Fa�amos outra quermesse como j� fizemos.
Fizemos uma quermesse e n�o veio nem o papagaio.
Passei duas semanas comendo capa de pastel.
Vamos escutar a Teresa.
Quero dizer que est� discuss�o est� me fazendo muito mal.
Sim, estamos nos ferindo, machucando,
estamos nos agredindo sem necessidade alguma.
Isso me faz mal, me machuca.
- Ent�o cai fora! - Cala a boca, imbecil!
Digamos que possamos pagar a d�vida...
Com que dinheiro vamos consertar as goteiras, ou as vigas que caem?
Ou vamos esperar que o teto caia numa crian�a
para encarar a realidade?
O concreto � real.
Eu tenho uma contraproposta.
� algo que pensei com a Graciela...
Esta Assembleia foi convocada para discutir minha proposta.
O estatuto diz...
Estamos decidindo a vida do clube!
Estou pouco me fodendo para o que diz o estatuto
e muito menos o que voc� diz.
Somos poucos, h� goteira pra todo lado,
as paredes est�o caindo.
Mas foram erguidas por milhares de pessoas ao longo de 70 anos.
Por isso, voc� vai ter de me escutar.
Um segundo, um segundo. Garotos, venham.
Quero que eles testemunhem o que estamos por fazer.
N�o, isso � uma Assembleia e aqui n�o podem estar os s�cios menores.
Mas t�m idade suficiente pra enfrentar a realidade.
Conte a todos Alejandro. Quanto voc� vai levar desse cassino?
N�o percebem que estes caras querem roubar o clube?
Como roubaram tudo?
Estou te trazendo a solu��o e agora a culpa � minha?
N�o insulte o garoto ou vou te quebrar de porrada!
Logo agora que vamos ser campe�es?
Ol�, ol�, ol�, ol�, basquete, basquete!
� esse o seu sonho?
Voc� est� preocupado com isso.
Esse � o seu sonho.
Percebe Rom�n porque precisamos de trabalho?
Para que todos possamos voltar a sonhar grande.
N�o tr�s ou quatro que fazem muito barulho.
Todos!
Eu tenho um sonho.
Que te metam em cana e a todos os filhos da puta como voc�!
E que costurem seu cu com arame!
Fa�a algo, imbecil! Fa�a algo!
Voc� n�o queria vender?
Me soltem! Eu quero votar! Este � meu clube!
Voc� levou a bola, filho da puta.
Quero pedir desculpas por Amadeo.
Alejandro tem raz�o, assim o clube n�o consegue mais.
J� chegamos a ter oito mil s�cios, e hoje...
todo mundo sabe.
Isso � o que estou tentando dizer.
Cada vez, temos menos.
Cada vez queremos menos.
N�o d� para seguir assim.
Minha proposta, nossa proposta, perd�o.
� voltar a ter oito mil s�cios,
E para isso proponho que dobremos a mensalidade.
E quer que votemos isso agora?
Me deixe explicar, me deixe concluir.
Somos 60 s�cios ativos,
mais 200 menores,
e com os que n�o pagam d� um total de 392 s�cios.
Se fizermos um pequeno esfor�o
e em vez de cinco pesos colocarmos dez,
podemos conseguir que outras 300 pessoas venham de gra�a ao clube.
Se destas 300, conseguimos que 60, nada mais que 60,
tomem um pouco de amor pelo clube,
a ponto de se sacrificar e colocar mais dez pesos,
podemos ter outras 300 pessoas no clube, e seremos mil.
Se destas mil, cada um conseguir trazer uma s� pessoa mais,
em um ano, seremos duas mil.
Duas mil pessoas.
Ah... Mas, mas claro...
como n�o pensei nisso, n�o vi a estrat�gia, que idiota!
Juntos podemos porque somos bons...
� como o cara que manda os e-mails.
N�o? Para os amigos,
10 e-mails, e 10 amigos, e 100 e 100 mil e logo
somos 40 milh�es pedindo a Bush que n�o fa�a a guerra contra o Iraque.
A verdade � que Bush est� se fodendo para estes 40 milh�es.
Porque a realidade � um pouquinho mais complexa.
- E n�o se resolve nada com del�rios. - N�o � um del�rio!
- O clube foi formado assim! - � um del�rio!
E � totalmente ing�nuo e voc� � voluntarista.
E � at� perigoso, porque isso nos levaria ao desastre.
O clube se formou cercado de f�bricas,
com gente que tinha emprego, e que ganhava bem.
Hoje o bairro � um cemit�rio de concreto.
- As coisas mudaram! - Que mudem novamente!
Se j� foi feito, n�o � t�o dif�cil, se fez durante d�cadas.
As pessoas vinham ao clube
pra se encontrar com os amigos, a preocupar-se com o outro.
Vivia no clube. Vivia!
Ai est�, isso � viver, n�o sobreviver.
Como viver, est� � a chave.
Agora,
nos trazem uma mis�ria
e quer fiquemos contentes?
- Est�o nos comprando! - Sim!
Sim, est�o nos comprando o que nos resta para vender,
que � nossa capacidade de trabalho.
O que tem de mal nisso?
Bravo! Vamos votar!
Por favor,
Escutem, quero dizer algo a voc�s.
O clube est� criado, nos foi deixado,
agora n�s n�o podemos simplesmente manter o clube?
Mas � um bom neg�cio, velho.
- Bom neg�cio? - Bom neg�cio, sim.
E o que h� de mal em fazer bons neg�cios?
S�o os bons neg�cios que jogam um pa�s pra cima.
E n�o um romantismo, me perdoe, idiota, que nos levou a ru�na.
De que romantismo est� falando?
N�o se usa o romantismo h� anos, nem o idiota, nem o outro.
N�o sei o que nos levou � ru�na, mas n�o foi o romantismo.
Eu n�o estou dizendo: "N�o fa�amos neg�cios."
Digo: "Fa�amos n�s."
Dar aulas, ter uma horta, fabricar algo.
Por que n�o fabricamos algo? Se lembram de como era?
Eu lembro.
Eu chegava em casa e dizia a Ver�:
"Hoje fabriquei 100 geladeiras." O que digo agora?
Digo o qu�?
A banca ganhou,
o apostador perdeu. Como sempre.
Eu entendo totalmente a posi��o de Rom�n.
Mas acho que a de Alejandro, se ajustarmos um pouco,
pode resultar mais interessante, n�o?
Vamos pensar em Dalma, por favor.
Em Dalma, vamos pensar nela.
Que aqui, ainda que pare�a uma bobagem...
encontrou um lugar.
- N�o � nenhuma bobagem. - Sim, � uma bobagem,
Me desculpe, mas isso n�o � uma bobagem.
Mas o problema � que ter�amos de perder
uma oportunidade de trabalho para muitos
por uma crian�a que quer dan�ar bal�
como se fosse uma grande estrela.
Eu defendo o mesmo que voc�, que voc� e que muitos de voc�s,
mas racionalmente.
Os sonhos das 200 pessoas que est�o pra conseguir trabalho n�o contam?
Aqui h� 200 pessoas que t�m um clube,
mas que n�o o podem usar.
Porque n�o tem grana para sapatilhas.
Ou tem de conviver com as goteiras.
O que dizer a essa pessoas?
Ah, n�o pessoal, calma,
fiquem sem trabalho que Don Aquiles lhes sorri l� do c�u.
Temos que recuperar a dignidade.
A dignidade n�o se recupera jogando baralho,
nem fazendo pulseirinhas, nem piruetas no bal�.
A dignidade se recupera com trabalho.
Tem raz�o.
Tem raz�o.
Tem raz�o.
Tem raz�o.
N�o posso dizer nada, poque tem raz�o.
Deixa eu esclarecer s� uma coisa.
Aqui...
Dalma � um pouco mais do que uma grande estrela.
Aqui � feliz.
- Fale para a Assembleia. - Eles j� sabem.
J� sabem, mas que... que valor tem isso na sua racionalidade?
Que valor pode ter conhecer um cara como...
Don Aquiles?
Ou ser amigo de Emilio?
Certamente n�o tanto quanto o trabalho, como voc� diz.
Uma �ltima coisinha...
eu n�o sei quanto a voc�s,
mas eu n�o tenho que recuperar minha dignidade.
Porque ainda n�o a perdi.
Estive perto, reconhe�o, mas ainda n�o a perdi,
Porque l� fora, quando fui viver de bicos que n�o deram certo,
ou o liquidificador que queimou,
ou o toca-fitas que acabou me deixando entediado,
aqui no clube eu continuava sendo o mesmo.
E me sentia...
o melhor amigo, o mais admirado, o mais querido.
Igual a Dalma, e a todos n�s.
E isso deve ter algum valor.
N�o �?
Ultimamente aprendi muitas coisas � for�a, reconhe�o.
Aprendi que posso viver...
sem TV � cabo...
sem videocassete, sem ir ao cinema, sem plano de sa�de, sem seguran�a...
sem roupa nova, sem luz, sem g�s, sem perfumes...
mas n�o posso viver sem a admira��o da minha mulher,
e do meu filho, dos meus filhos.
Eu n�o posso.
N�o posso.
Vamos votar agora.
- Sim. - Vamos votar.
Quero dizer uma �ltima coisa,
200 postos de trabalho.
Bem...
temos...
26 votos para n�o vender
e 33 para vender.
Cad� o Rom�n?
Rom�n!
Roman, espera!
Espera Rom�n, espera!
Sou eu! Pare!
Mova-se voc� um pouquinho.
- S� sei at� aqui. - Continua, continua.
N�o, s� sei at� aqui.
Aprendi pela fon�tica, o resto � mais dif�cil.
E a�, Emilio?
- Saem as mollejas? - Sim, saem caras.
Conforme-se com cortes mais baratos.
Eu quero propor um brinde.
Que brindemos � viagem de Dar�o e Yanina.
Para isso, n�o brindo.
Eu n�o brindo a isso.
Vamos Emilio, eles est�o empolgados, n�o corte o barato deles.
Bem, est� bem, vamos brindar por outra coisa.
Brindemos porque consegui comprador para a casa.
Tamb�m n�o brindo a isso.
- O que h� com voc� Emilio? - Como o que h� comigo?
- Por que voc� veio? - Como para qu�?
Pra fazer o churrasco, como pediu.
Se quiser, vou embora.
Mas n�o vou festejar que todos partam.
Me trata como se eu fosse um traidor.
E como quer que te trate?
Vai pra Espanha, vende a casa, te trato como her�i?
N�o � t�o simples, Emilio.
Agora preciso passar na sua avalia��o?
Quase me matei, e 33 imbecis votaram pra acabar com tudo.
Quantas vezes quer que eu bata a testa na parede?
Me diga, quantas vezes?
- E os outros 26? - O qu�?
Quero dizer...
houve 26 pessoas que votaram contra.
N�o sei, que cuidem de si, como eu estou fazendo,
com minha mulher e meus filhos, nada mais.
� assim.
Est� bem Rom�n.
Se � o que voc� quer fazer, est� bem.
N�o � o que eu quero fazer, mas � assim.
Depois conversamos mais calmamente sobre isso.
N�o h� nada para conversar. J� est� definido.
Podemos brindar � minha gravidez, ent�o.
Voc� est� gr�vida?
De quem?
Parab�ns.
Venha logo!
Venham logo!
Voc�s v�o perder o avi�o!
Esta mala est� com defeito, Rom�n!
Na garagem, tem outra mala. Anda, v� l� buscar.
R�pido, que v�o perder o avi�o.
O que houve?
A sua mala � uma merda, isso que houve.
V� ajudar o Rom�n na garagem, por favor.
Dar�o, v� apagar as luzes.
Vamos?
Como se cria um clube novo?
� preciso descobrir.
Que gostoso.
Eu queria muito que super�ssemos as coisas.
Deixar para tr�s os rancores.
Por isto, quis te convidar a este restaurante, porque...
segundo minha humilde opini�o, � onde melhor se come.
Se come bem, mas vai te custar uma fortuna, hein?
- Estou sem um puto no bolso. - N�o se preocupe.
Estou sem cart�o de cr�dito.
N�o se preocupe, estou indo bem com as aulas de franc�s.
Al�m disso, se precisar de dinheiro, me pe�a.
Qualquer coisa te aviso, Graciela, mas, agora n�o preciso.
N�o, n�o quero que voc� passe necessidade de forma alguma.
Gar�om, outro creme brul�e.
Ah, e outra garrafa de Dom Perignon.
Temos de curtir a vida.
- Est� me fazendo passar vergonha. - Por que vergonha?
N�o, n�o, nada de vergonha.
- Me d� um cigarro. - N�o tenho mais, acabou.
Bem, espera, vou comprar.
Como assim vai comprar cigarros?
Sim, vou ali comprar, por que n�o?
Quero que seja uma noite memor�vel.
Para mim.
- Sa�de. - Sa�de.
- Senhor Eduardo? - Sim.
Telefone para o senhor.
- Para mim? - Sim, para o senhor.
Obrigado.
Al�?
Legendas: Troskim.
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