All language subtitles for 30 Notti Con il Mio Ex 2025

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Original subtitles

SEM NOÇÃO

- Melhore o preço. - Eu sempre melhoro.

- Mais um pouco. - Não posso.

- Por favor. - Você é um chorão.

- Só um pouquinho. - Um pouquinho?

- Por favor! - Não me peça isso.

- Melhore o preço. - Todo dia eu melhoro.

- Eu compro sempre. - Chega!

- Melhore o preço. - Já estou de saco cheio.

- Mas é muito cedo. - Pancho.

Peça para o Turbo deixar em 3,50. Por favor.

- Não se preocupe. - Eu sou cliente.

Vamos conversar. Eu...

Eu te ligo quando estiver para fechar.

Agora não. Tchau.

Se você deixar três vezes, eu faço por quatro.

Cinco! Aceite. Vá trabalhar. Onde você consegue cinco?

Vamos conversar à noite. Um beijo. Tchau.

- E aí, Turbo? - Tudo bem.

- A chata da Marta quer 3,5. - Pode fazer.

Me faça um favor. Ligue para o Careca

e pergunte quando me devolverá o dinheiro que emprestei a ele.

- Eu? - Estou pedindo um favor.

Já vai?

Se eu te contar aonde vou...

você não vai acreditar.

Como você bem sabe, a psiquiatria moderna

tende cada vez mais à reinserção social.

Não posso falar agora.

O mercado está muito agitado.

Se te derem seis,

aceite.

- Mil desculpas. - Sem problema.

Eu acho que a Andrea está em condições de sair.

Mas, como ela não tem uma rede familiar,

a minha sugestão é que ela faça uma espécie de ponte

entre a internação aqui no centro

e a reinserção na sociedade com vocês, na sua casa.

Seria um mês. Só isso.

Acredito que depois ela possa ir para o apartamento

de um irmão dela. Pode ser?

Sim, pode ser.

A Ema me contou o plano da senhora.

Eu não me considero...

Como posso dizer? Indicado...

para realizar esse plano.

Estou passando por um momento muito delicado na minha vida,

com muito...

Só um minutinho, por favor.

Eu não posso falar agora, te ligo em 17 minutos.

Assim, a comunicação fica difícil.

Com todo o respeito, doutora,

nem duas horas a levo para morar lá em casa, muito menos um mês.

A senhora acha mesmo saudável, terapeuticamente falando,

que ela volte a morar comigo, que sou ex-marido dela?

Nós nos separamos há seis anos.

Faz três que não a vejo.

Nós dois tivemos uma relação...

muito...

Não quero ter outra recaída.

Olhe, Turbo, no momento, não podemos considerar

o que é ideal, perfeito.

Estamos considerando o que é possível.

Para ela, estar num lugar que conhece,

com seus entes queridos, com a filha,

o vínculo mais profundo dela,

isso vale ouro para ela agora.

São 30 dias. Só isso.

Ela pontua?

Como?

Quando ela fala...

pontua?

Sim, eu diria que sim.

- Em que condições ela está? - Não entendi.

Desculpe. Eu quis dizer...

O diagnóstico, qual é?

O diagnóstico?

Não gosto muito de diagnósticos, mas, se você precisa de um nome,

eu diria que a Andrea tem um quadro psicótico

com oscilações de humor.

É o que alguns chamariam de Transtorno Esquizoafetivo,

cujos sintomas são bem complexos,

como delírios e alucinações,

hipersexualidade, quando se sente angustiada,

certa inadequação...

E quer que a leve para minha casa?

Perdão. Entende?

Fique tranquilo, ela sairá daqui com a medicação adequada

e com a contenção de vocês.

Eu sei que faz três anos que você não a vê.

Quer vê-la agora?

Loba?

HOJE

Turbo!

Você veio.

A Ema me pediu.

A Ema.

Como você está?

Ótima.

Você soube o que sua psiquiatra pretende fazer?

Sim.

Eu gostei da ideia.

Sou a favor.

Mas não sei se vou conseguir.

Eu tenho que pensar um pouco.

Tudo bem. Por mim, tudo bem.

Disseram que está bem melhor.

Estou melhor.

Fico muito feliz por você, Loba.

Eu sei.

O que você escreve nesse caderno?

Escrevo canções, não sou mais tão violenta. Quer café?

A Ema disse que parou de fumar. Fico muito feliz.

Meus parabéns. Acho ótimo que tenha que pensar.

É uma ideia louca. Eu também teria que pensar,

porque também tenho muito medo, mas quero te agradecer

por vir ter vindo aqui.

Perdão.

Pense bem.

Não tenho que ser irritante, não tenho que ser dramática

e não tenho que falar muito de mim.

Vai ser difícil.

Vamos conversar.

Te incomoda se eu pedir um abraço?

Não quero ser irritante, mas não te vejo há quatro anos.

A propósito, como você envelheceu!

Eu acho muito bom que você pense.

Eu estava mesmo escrevendo sobre meus medos, e vou superar.

E quero agradecer muito por você ter vindo.

Se não quiser me abraçar, tem seus motivos,

mas muito obrigada

por ter vindo.

Por que eu não te daria um abraço?

Venha, me abrace.

Pronto. Viu?

Vai ficar tudo bem.

Vamos conversar.

Ema, não sei se vou conseguir, não acho uma boa decisão.

Não acha uma boa decisão?

Por favor, não chore.

Acha uma má decisão eu chorar, pai?

Por favor, entenda. Não é fácil. Tenho meus motivos...

Não, não te entendo!

Faz três anos que eu cuido da mamãe sozinha.

Não te pedi nada, preciso de 30 dias, só isso.

Ema.

- Ema! - O quê? O que você quer?

Não vejo problema no que está pensando em fazer com sua mãe.

Eu tive uma ideia. Me diga o que acha.

Sua mãe pode ficar aqui o tempo que precisar...

e eu me mudo.

Você não entendeu nada.

Você disse que ainda seríamos uma família mesmo separados.

Não se preocupe.

Da mamãe, eu me encarrego.

Eu fico arrasado em ver a Ema assim.

Pare com isso! Não se meta em problemas.

Eu sabia que não devia te contar.

Já me contou. Mas por que você faria isso?

Pela Ema, é a mãe dela.

Eu sei. Mas por que na sua casa?

Porque tenho um quarto vazio, ela pode ficar lá.

Eu adoro a Loba,

mas vai se meter em problemas. Suba dois pesos.

Ela não tem ninguém na vida.

A família dela é um caos.

O que está fazendo aqui?

Trinta dias.

Nem um dia a mais,

nem um dia a menos.

Obrigada, pai. Obrigada.

Eu sei que é só por mim.

Mas vai fazer muito bem a você também.

- Como foi a aula? - Boa. Tudo tranquilo.

30 NOITES COM A MINHA EX

Não quero que se aproximem.

Não quero me emocionar, não quero falar em público.

Tudo bem.

- Mas vamos sentir sua falta. - Te amamos.

Por favor, fique mais um dia.

Tudo bem. Esperem.

Diga o que você sente.

Sinto...

- Quer que seja sincera? - Sim.

Sinto muito amor por você, Liliana.

Eu também te adoro, Loba.

Eu também gosto muito de você.

Você, não. Não gosto de você.

- Nunca gostei. - Por quê?

Acontece. Nem de você.

E sinto muito...

- Eu te adoro, Elias. - Eu também te amo, Loba.

Vou sentir mais saudade a cada dia.

Venha.

Venha, quero falar com você.

Oi.

- O que foi? - Não é nada.

Por que está chorando?

Está emocionada, está se despedindo deles,

com quem conviveu esse tempo todo.

- É natural chorar, é saudável. - Sim, eu sei.

Mas são essas situações

que me deixam apavorado.

Mas o que te assusta? Vê-la chorar?

Não, me assusta toda a situação.

Mas vai ter que tomar uma decisão.

Ou a leva ou a deixa.

Te amo, Loba.

Desculpe por chorar, mas é que...

são situações difíceis de controlar,

eu fiquei muito apegada a essas pessoas.

O que foi?

Vamos?

Tudo bem. Vamos.

Pode levar?

Loba!

E aí, Turbo? Olhe só o que eu soube.

O Careca foi para...

Largue o telefone, filho da puta!

Qual é seu problema com as putas e os filhos?

Machista filho da puta!

Vá chupar o pau do seu tio!

Vá chupar o pau do seu pai!

Que obsessão com a prostituição, com os filhos, não entendo.

É um modo de falar, Loba.

Um modo de falar que me tira do sério.

Mas ele tinha razão, você dirige olhando o celular.

Você nunca olha pelos retrovisores.

Fica o tempo todo concentrado em outra coisa.

Vamos.

Não pode ser!

Calma, faltam 40 metros.

Espere.

Oi, mãe!

Oi!

Entre.

Bem-vinda, mamãe!

Pode entrar, Loba!

Você ainda tem essa coleção de carrinhos?

O quê?

Vou levar suas coisas para o quarto.

Desde quando moram aqui?

Desde que foi para o Tibete. Lembra?

Sim. O Tibete, os lamas.

Como podia esquecer?

Cuidado.

Merda! Não faça isso.

Loba.

Coloque de volta ali.

Você caiu!

Vamos. Vou mostrar o seu quarto.

- Por aqui? - Sim.

Venha, Loba!

Entre.

Eu vou dormir aqui?

Sim, a Ema arrumou tudo

para você ficar confortável. Por quê?

Se você ficar na minha casa, vai dormir no quarto principal.

Loba!

- É brincadeira. - Bom...

fique à vontade.

- Nos vemos depois. - Sim, obrigada.

De nada.

Estive pensando numa coisa.

Eu escrevi isto

para que sua reinserção nesta casa

seja o mais agradável possível.

- Leia. - O que é?

Um protocolo de convivência.

São coisas que você não pode fazer neste apartamento.

Por favor, leia.

- "Não fazer ruídos incômodos." - É muito importante.

"Não quebrar ou jogar coisas." Acha que eu faria isso?

Quem você acha que eu sou? Acha que eu faria isso?

Veja como um guia.

Não leve ao pé da letra. Isso é importante.

Se você quiser...

pode colar aqui.

E vai lendo.

- Pode ser? - Sim.

- Tudo bem. - Muito bem.

Fique à vontade.

E vamos comer, sim?

Sim. Obrigada.

De nada.

Conte direito.

Ela era novinha, tinha seis anos,

mas era um evento na escola! Coitadinha!

Você cantou tão bonito, que, quando a música terminou,

eu me empolguei e disse: "Aplaudam! Outra vez!"

- E você fazia... - Eu estava no 1° ano, mãe!

Fiquei com vergonha, ficaram me enchendo.

Mas sabe por que ficaram enchendo você?

Porque eram invejosos, porque sua voz é impressionante.

Você leva jeito para cantar pornodécimas, como eu.

O que são "pornodécimas"?

São estrofes de dez versos que devem rimar de certa forma.

O Elias cria a melodia, e eu canto.

Eu adoro rimar vulgaridades.

"Pornodécimas"?

Calma, não vou cantar nenhuma.

Não tenho que ser irritante, falar de mim mesma,

nem dizer todas as palavras que vejo. Estou bem.

Eu gostaria de fazer um brinde.

A você, filha, que cozinhou para todos nós.

- Ema, ficou uma delícia. - Obrigada.

A você.

Loba.

E ao pedido da Liliana...

a que você vai se reinserir

e, em um mês,

vai estar morando sozinha.

- Saúde! - Saúde.

Eu não sei se quero morar sozinha.

Não, fique tranquila, eu vou estar sempre com você.

Como vai no trabalho, Turbo? Tudo bem?

Sim, trabalho de 9h a 18h, todo os dias.

Você não imagina como está estressado.

Sempre foi bem estressado,

mas eu tinha um método para fazer essa turbina parar.

Não sei se quero saber qual era o método para parar a turbina...

Você já é grande, pode saber.

O método se chamava "turbocal".

- Não... - Já entendi.

E tinha um método mais manual, que era o "mastur..."

- Já chega, mãe. - Já chega.

Já deu. O jantar acabou.

Eu estou muito feliz em estar com vocês dois aqui.

Eu também estou muito feliz que esteja aqui.

Eu senti muito a sua falta, sabia?

Eu também.

Você está linda. Muito linda. É sério.

- Você acha mesmo? - Acho!

Mamãe, por favor,

quero que o papai escute uma pornodécima.

- Não. - Por favor.

Não, eu não quero, porque a palavra "pornodécima"

- me apavora. Me passe a faca. - Sempre foi muito conservador.

- Eu não sou conservador. - Você é muito conservador.

Para você, só homens podem dizer palavrão,

mas a Liliana disse que minhas pornodécimas

podem ser uma fonte de renda,

e é minha maneira de me expressar,

de falar das minhas coisas, mas também faço rimas normais.

Bom, quero aproveitar que estou com os dois juntos

para contar que estou namorando.

- Como ele é? - É chef.

Bom, é quase chef, está estudando,

trabalha no restaurante do tio.

Ele é demais.

Por que não tinha me contado?

- Estou contando agora, papai. - Como ele se chama?

O apelido dele é Pássaro.

Não comece a zoar com isso.

- Você nem me deixou falar. - Mas eu te conheço.

Pássaro é o apelido dele, mas o nome dele...

- Não acredito! - Por que está chorando? Calma.

Ela está só namorando, não vai se casar.

Não estou chorando por isso, e sim pelo flan.

É impressionante.

Esse flan é impressionante!

Quero agradecer pelo esforço que vão fazer nesses 40 dias...

Trinta dias.

- O que eu disse? - Quarenta.

Bom, vamos tirar uma foto em família?

- Sim, claro. - Sim?

- Mamãe? - Sim.

Venha.

Outra vez do começo. Vamos.

Tenho um problema mental Magoo quem me ama

Sou uma louca que fere Porque faço tudo errado

Meu problema é mental E a quem não gosta de mim

E a todos que me temem Eu digo sempre

"Vão trepar!"

Loba!

Abaixe! Desligue isso, por favor!

Você pediu permissão à Ema?

- Venha. Venha aqui. - O que é isso?

- Loba. - Estou ensaiando com a banda.

- Venha. - Com que banda?

- Eles. - É um vizinho?

- Sabe que horas são? - Não. Que horas são?

São 3h.

Não acredito! O tempo passou voando!

Um minutinho, por favor. Com licença.

- Por quê? - Leu o protocolo que te dei?

Não, não tive tempo. Por quê?

O artigo número cinco diz:

- "Não fazer ruídos incômodos." - Não.

Isso não é ruído incômodo, é uma canção que estão compondo.

- Agora? - Quero que os conheça.

- Não quero conhecer ninguém. - Olhe.

Tito, Eli, Rober, Marcel, Vale, ele é Turbo, o pai da Ema.

- Olá, Turbo. - É o pai da Ema.

- Cumprimente-os. - Olá.

Você é um boneco? Não acena quando cumprimenta?

- Não. - Então fale com eles.

Queridos amigos do centro de saúde...

- Ele é seu amigo? - Boa noite.

- Oi. - Oi.

Levando em conta a hora,

este evento está finalizado. Muito obrigado.

Como assim "finalizado", se acabamos de começar? Olhe!

Fizemos uma estrofe, só falta esta, e terminamos.

- Vá descansar. - Uma hora.

- Não dá. Até às 4h? Não. - Uma hora, e acabamos a canção.

Escute o que estou dizendo. Puta que o pariu!

- Puta merda! - Loba!

Quem está enchendo o saco a esta hora?

Loba, espere!

O que está acontecendo, Sr. Martino?

- Olhe como o Fofinho está. - Ele é cardíaco.

Além disso, não dá para fazer uma festinha dessas às 3h!

Eu peço mil desculpas. Em um minuto, estará resolvido.

Olá, tudo bem?

Você deve ser a alteradinha que estava cantando!

- Por que fala em diminutivo? - Falei em diminutivo?

- Acho que ouvi "alteradinha". - Eu disse isso?

Bom, Adriana... Loba, por favor.

Em 52 segundos, eu resolvo.

Sabe, Sr. Martino?

Nós nos levantamos às 7h porque somos trabalhadores.

O senhor não tem mais idade para fazer barulho a esta hora.

Exatamente. Por favor, a esta hora, um senhor de idade,

parece mentira.

Por favor! Eu vou pedir...

Mil desculpas.

Adriana.

Boa noite.

Esteban.

- Boa noite. - Adriana.

Foi uma desinteligência. Não vai mais acontecer.

Que gente louca!

- Que energia mais pesada! - Loba.

Eu gostaria

que sua estadia neste apartamento

fosse boa para todos.

Sim, eu também gostaria.

- Leia o protocolo. - Sim.

- E siga as regras. - Tem razão. Desculpe.

Neste edifício,

eu moro com...

- vizinhos. - Vizinhos, eu sei.

Se ficar cantando às 3h, as pessoas vão ficar zangadas.

Perfeito. Já entendi.

- Perfeito. Perdão. - Por favor.

O que está acontecendo?

- Venha. Venha se despedir. - Boa noite.

- Se despeça. - De quem quer que me despeça?

Da minha família! Como assim, de quem?

Tito, Rober, Eli, Marcel, Vale, nós temos que nos despedir.

Depois eu explico tudo. Se despeça. Se despeça.

Aonde você vai?

Jorge, Nacho, Nacha, Maca...

Boa noite.

O que ele disse? Esqueceu todos os nomes.

- Quem é Jorge? - Sei lá. Tchau.

Tchau.

Bom. Desculpem. Amanhã no mesmo horário, então.

- No mesmo horário, não! - Não.

Não. Depois nós combinamos.

- No mesmo horário, claro. - Até amanhã.

- Tchau! - Tchau. Um beijo.

Tchau, querida.

Sempre lembro a primeira vez que me trouxe ao museu

para ver este quadro.

Eu tinha cinco anos,

você me pegou na escola e me trouxe.

E depois fomos tomar sorvete com cobertura

onde minha avó te levava.

Sim, esse ritual de museu e sorvete era da sua avó.

Ver esse quadro me acalma muito. Não sei por quê.

Acho que por isso venho todos esses anos aqui.

Bom, até que...

Também me acalma.

Passaria horas admirando.

Vim várias vezes sem você.

Quero tomar sorvete hoje.

- Com cobertura? - Sim.

Vamos.

Eu estava pensando em viajar com o Pássaro.

Poderíamos ir para o Norte, tipo Salta, Tucumán, Jujuy.

Seria o máximo, não?

Pegamos a moto

e vamos para lá.

Depois podemos ir a Machu Picchu,

viajar pelo Peru, pela Bolívia, toda essa parte do norte.

Mamãe!

O que você está fazendo?

Estou vendo se tem alguma coisa interessante aqui.

- Mãe, por favor. - Às vezes acho.

- Isto é útil! - Para quê, mãe?

Olhe só! Tome. Segure. Vamos levar várias coisas.

- Para quê? - Olhe.

Mãe...

Pare...

Mamãe...

O quê?

Mamãe!

Não, proponha três vezes mais.

Nesse valor, posso conseguir uns 4%.

Oi, tudo bem? Não muito mais que isso.

Sabe por quê? A situação está... Um minuto.

Que merda é essa?

Ema!

Em um segundo, eu deixo tudo limpo e...

Loba! O que são essas coisas todas?

Maravilhas.

Encontrei na rua, e estamos limpando.

Quando estiver tudo limpo, vamos guardar em algum lugar.

Falta espaço para minhas coisas, mas relaxe, eu vou guardar.

Por que você trouxe um mictório?

Porque vou personalizar.

Um mictório usado?

Por que um mictório?

Por que trouxe um mictório para cá?

- Está no protocolo! - Não está no protocolo.

- Está no protocolo. - Não está.

- A ordem está no protocolo! - Não está no protocolo!

Leia o protocolo... Puta merda! O que é isso?

O que é isso?

- O que é isso? - Outra maravilha.

Não falo mais com você.

- Ema... - Eu...

Tire todas essas coisas daqui, inclusive o cão.

Está estressado, coitado. Me dá uma tristeza!

Que nojo! Fala sério!

De onde você tirou isso tudo?

- Fora! - Se maltratá-lo, denuncio você.

- Olhe o que ele fez! - Ele fez cocô.

Cocô. Você não faz cocô?

- Sim, mas não na cozinha. - Ele também faz cocô.

Feijão, vá um pouco para lá.

- Como você o chamou? - Feijão.

- Parece um caroço de feijão. - O que deu para ele comer?

Empanada.

- E cachorro come empanada? - Empanada. Você não come?

- Eu dei empanada a ele. - Tire isso daqui. Vou vomitar.

Tire isso daqui. Ema, tire isso daqui.

- Que fedor! Jogue isso fora! - Vou levá-lo para o Pássaro.

Que Pássaro?

Como assim, que Pássaro? O namorado dela.

Não sabe quem é o Pássaro?

Você tem que escutá-la mais, ser um pai melhor.

Quer me ensinar a ser um pai melhor?

Já chega!

Jogue isso fora, Loba, por favor!

O Pássaro me disse que quer conhecer vocês.

Se quiserem, hoje podemos jantar no restaurante onde trabalha.

Hoje à noite? Vou ver. Se eu puder, vou.

- Ótimo, vamos. - Tenho que ver se vou puder.

Eu mando o endereço. Nos vemos lá às 20h30.

- Sim. - Ótimo.

Vou levar o cachorro, você vai ao supermercado.

- Sim, eu vou ao supermercado. - Ótimo. Tchau.

- Vou agora. - Vamos. Vamos.

- Aonde? - Ao supermercado.

- Não, eu vou sozinho. - Por quê?

Porque é rápido, vou num pé e volto no outro.

Não, mas eu preciso sair, preciso ver gente.

Eu tenho que me reinserir.

Juan? O que foi?

Como?

Não, essa grana não é para depositar. Não faça nada.

Tudo bem, Loba?

Sim.

Então, vamos?

Vamos.

- Olá. - Olá.

- Como vai? Como você está? - Bem.

Que bom!

Olá!

- Olá! - Como vocês estão?

- Tudo bem. - Oi.

Não me apresentei naquele dia. Sou a Adriana.

- Como vai? - Qual é o seu nome?

Andrea Lobato, mas me chamam de Loba.

- Loba. - A Loba!

Perdão pelo transtorno naquela noite, mil desculpas.

- Não se preocupe, por favor. - Não, esqueça, já passou.

A Loba é sua namorada?

Não, ela é a mãe da Ema.

O quê?

É que eu não tinha entendido, mas agora já entendi.

Conte comigo para o que precisar.

É sério. Se precisar, é só tocar minha campainha.

Espere, não estou entendendo a situação.

Como assim? Eu não preciso de nada.

Não, eu falei com a Ema. Sabemos pelo que passaram.

- Nós sabemos. - E o que você faz da vida?

- Sou trabalhadora sexual. - O quê?

Vulgarmente conhecida como prostituta.

De vez em quando, faço bico em filmes pornográficos,

muito de vez em quando, quando aparece.

Pensei que fosse cantora, como estava cantando aquele dia.

Pensou certo, porque, na verdade, eu canto,

mas para abrir a garganta, sou especialista em boquete.

O que eu faço é...

Não, não faça isso!

- Não, Loba, por favor. Loba. - Por favor! Que ordinária!

Mas você faz boquete?

Precisa fazer.

Se quiser, toque minha campainha e eu te dou umas dicas.

- Não. - São exercícios muito fáceis.

- Faz em casa. - Para tudo, tem um limite.

- Desculpe. - Tem limite.

Como pode fazer isso? Do que você está rindo?

O que você fez foi muito violento.

Não. Violento é outra coisa.

Violento é te olharem e fazerem...

Isso é violento! Quer saber?

Quando eu percebo que têm pena de mim, ou lástima,

eu viro uma fera.

Esta noite será muito importante para nós dois.

Vamos conhecer o namorado da Ema.

- Sim. - Precisamos ser pontuais.

Vamos sair de casa...

às 20h.

- Pontuais. - Ótimo.

Loba!

Que horas são?

- São 20h. - Não. 20h02.

O que foi? Estou feia? Por que está me olhando assim?

O que foi? Quer que me troque? É só falar, e me troco.

Não, você está...

linda.

- Mas... - O quê?

Não me leve a mal, é só uma sugestão.

Sim, claro. Pode falar o que quiser.

Para mim,

a boca, menos.

É verdade!

Eu passei muito.

- Posso? - Sim.

Estou muito nervosa.

Estou com muito medo de estragar tudo.

Me ajuda?

É claro.

Fique tranquila.

Se você quiser, podemos fazer uma coisa.

Se, por acaso, você der um fora...

eu te olho...

e faço assim.

- E você... - Adorei. Ótimo.

- Pode ser assim? - Sim.

É uma noite importante.

Vamos?

- Calma, mãe, você está linda. - Obrigada, meu amor.

- Está maravilhosa, Loba. - Obrigada, meu amor.

- Ficou até pálido! - Lá vem ele.

- Papai, cuidado. - O quê?

- Nem abri a boca. - Disfarça.

- Oi. - Oi.

- Como vai? - Ariel, muito prazer.

- Oi. Como vai? - Como vai?

- Oi. - Oi, meu amor.

Para mim, é um grande prazer recebê-los aqui e conhecê-los.

O prazer é nosso, queremos agradecer muito pelo convite.

O que está escrito na camiseta?

- "Lubrifique-se com margarina." - Adorei!

- Aliás, eu quero uma. - É sério?

Eu tenho um monte. Nós fazemos no centro de saúde.

Tenho uma que diz: "Melhor pequeno do que mole."

Tem outra que diz...

Acho que é minha favorita: "Entra e enfia a mandioca."

Outra é: "Se está lendo isto, me chupa",

"Se está lendo isto, me lambe", "Se está lendo isto, me toca."

A frase é sempre a mesma, só muda o final.

Adorei!

Adorei sua mãe, achei muito engraçada.

- Viu só? - Você também.

Eu também adorei você, é sério.

Vocês formam um lindo casal.

Devem trepar muito bem.

- A conta, por favor. Já vou. - Mas...

- Por quê? - Vou nessa.

- As coisas só vão piorar. - Não.

- Peça a conta. - Sente.

- Pai, sente. - Sente.

Por que não escolhem um vinho e a entrada?

Eu vou ficar indo e vindo, estou na cozinha.

- Qualquer coisa, me chamem. - Obrigado.

- Muito gentil. - Já volto.

Tudo bem. Muito obrigado.

Muito gentil.

Ele é uma ótima pessoa, sabe?

É lindo.

- O que foi? - O que você disse?

- Calma, mamãe. - "Chupa", "lambe", "toca"?

Por favor, se situe, Loba, diante da Ema,

vai espantar o Pássaro.

Mas são frases de camiseta!

E eu disse com amor, são as camisetas que fazemos.

- Fiz o sinal, como combinamos. - Você fez?

- Três vezes. - Eu não vi. Perdão.

- Não queria te incomodar. - Não.

- Não quero te incomodar. - Tudo bem.

- Perdão. - Loba, lembra que conversamos?

Não falo mais o resto da noite. Vou parecer invisível.

- Pronto. Invisível. - Tudo bem.

O quê?

O Careca!

- Virem! - O que foi?

- É o Careca. - O quê? Quem?

O Careca.

Eu emprestei dinheiro a ele da financeira, como amigo,

e não me devolveu.

E como vai te devolver, se nunca foi seu amigo?

Esse cara nunca foi seu amigo! Eu o odeio!

- Não, por favor. - Calma, mãe.

- Não faça escândalo. - Não.

Hoje é a noite da Ema e do Pássaro.

- Ema e o namorado. - Ema e o namorado.

- Vamos nos comportar. - Sim.

Vamos pedir a comida

e passar uma noite em paz.

- Está bem? - Sim.

Muito obrigada. Você não tem um tio para me apresentar?

- Bom, vamos. Depois eu te ligo. - Tchau.

- Tchau. - Tchau.

- Mamãe... - Muito importante.

Vamos passar do lado do Careca

e vamos ignorá-lo.

- Tudo bem. - Combinado.

Vamos. Um, dois, três.

Turbo.

Já sei que você andou me procurando.

Foi mal.

Tive uns problemas, mas vou te pagar.

Que estranho nos encontrarmos num restaurante

para que me diga que vai devolver o dinheiro

que te emprestei.

- Oi, Ema. - Oi.

Olá, Loba. Que surpresa!

Para esta família, também é uma surpresa

- pelo seu vacilo com o Turbo. - Pare.

- Do que está rindo, meu amor? - Eu não estava rindo.

Eu juro que vi você rir. Como se chama?

- Vanina. - Vanina?

O que você está fazendo com esse brocha?

-Por favor, -Não vou permitir isso.

Não permito essa falta de respeito.

- Quem é você... - Espere. Com licença.

Deixe comigo. O que você não vai permitir?

- Loba, pare. - O que você não vai permitir?

Não bastou você ter tentado me meter a pica durante 15 anos?

E agora descubro que embolsou 20 mil pesos do Turbo,

quando você e eu sabemos

que, um dia depois de me separar,

você me chamou para sair? Ou não se lembra?

Nem uma semana foi capaz de esperar!

Não. Não, não, não.

- Não, não, não! - O que a Loba disse é verdade?

Falso. O que ela disse é totalmente falso.

E por que você pergunta a ele? Pergunte a mim!

Durante 15 anos, você tentou me meter a pica!

Quinze malditos anos querendo me comer, careca brocha!

Tem um pegador na área, senhores!

- Mãe! - Com essa sua cara

de que tem pau pequeno, nem em mil anos.

Boa noite. Bom apetite.

- Boa noite. - Boa noite. Bom apetite.

- Boa noite, bom apetite. - Boa noite.

Boa noite. Bom apetite.

Boa noite. Bom apetite.

Boa noite.

- Bom, eu vou dormir. - Bom...

- Eu também. - Durmam bem, boa noite.

- Boa noite, meu amor. - Um beijo.

Loba.

- Podemos conversar um minuto? - Agora?

- Sim, agora. - Por favor, estou esgotada.

- Vai ser só um minuto. - Meus olhos estão fechando.

- Só um minuto, por favor. - Olhe a minha cara!

Loba.

Eu preciso da sua máxima atenção.

Você lembra o que conversamos durante o jantar?

- Que era a noite da Ema e do... - Pássaro.

E o que houve logo depois?

Você fez um escândalo com o Careca.

Você parou com ele.

Passamos, ele disse "Turbo", e você parou.

Se não tivesse parado, eu não teria dito nada.

E o que você fez antes?

Como pode dizer, na frente da menina e do Pássaro,

que devem trepar bem?

- Que menina? - Que menina? Nossa filha.

- Ela já tem 20 anos, Turbo. - Eu sei, mas...

Eu só disse que devem trepar bem.

Não sei que conotação essa palavra tem para você.

- Bom... - Para mim, é um ato

de amor, de liberdade...

- Cresceu. - O quê?

- O pênis. - Que pênis?

Esse pênis na parede.

- Que pênis? - O pênis.

- Qual? - Aquele.

Que pênis?

Aquilo não é um pênis. Por favor, se concentre.

Não tem pênis aqui, não tem nenhum outro pênis aqui.

É só uma mancha que apareceu faz um tempo,

redonda, circular.

Isso mesmo. E dentro do círculo? Não vê uma pica?

Está crescendo, me fazendo mal, tem que consertar.

Loba, eu imploro, pelo amor de Deus.

Escândalos em público me fazem muito mal,

no supermercado, no restaurante. Eu fico todo suado.

Tudo bem. Desculpe. Eu não sabia disso.

Perdão.

Perdão, não vou fazer mais isso.

Desculpe. Acontece que...

estava empolgada para conhecer o namorado da minha filha.

Quando fico empolgada, fico muito nervosa.

Eu sei.

Quando fico muito nervosa, digo o que não devo, mas acabou.

Eu já entendi. Não vou fazer mais isso.

- Perdão. - Por favor.

- Perdão. - Por favor.

Vai ficar tudo bem, Loba, eu juro.

Você vai se reinserir, vai ter uma vida normal...

Tomara.

Já deu?

- O quê? - Já deu?

- Nossa conversa? - Sim.

- Sim, acabou. - Ótimo. Obrigada.

Vou descansar.

- Loba? - Como você está?

Bem. Por quê? O que foi?

Eu estou muito angustiada.

- Calma, Loba, descanse. - Muito angustiada.

Eu entendo. Foi uma noite muito difícil para todos. Descanse.

Posso te pedir um favor? Não me leve a mal.

O que você quer?

Você pode me falar umas besteiras?

O quê?

Me diga umas besteiras, assim, vou conseguir dormir.

Alô? Você está aí?

Para onde vai esta conversa?

Eu vou te ajudar. Por exemplo,

se você me disser: "A sua boca é tão linda",

já serve.

Ou...

"A sua voz é tão linda."

Também já serve.

Se não se importar, se quiser ir um pouco além:

"Os seus peitos são tão lindos!"

Sinto que vou dormir como um anjinho.

Pode ser?

Boa noite, Loba.

- Estou pedindo como ser humano. - Boa noite, Loba.

É que eu estou muito angustiada.

Boa noite, Loba.

Boa noite.

"Às vezes, até presencio as sessões de tortura

em que ensinam, com doçura, uma atividade aos loucos.

Acho que muito poucos sabem lidar com a loucura."

- O que você escreveu é lindo. - Não exagere!

E você me entende?

Sim.

Mas sente que entende minha sensibilidade

ou que herdou mais o coração do seu pai?

Mamãe!

O quê?

- Você está vendo esta mancha? - Estou vendo.

E não vê um pênis?

Não.

Mas vê que está crescendo?

Sim, está crescendo.

Sim, está crescendo,

e a pica dentro da mancha também está crescendo.

E isso está me fazendo mal.

Então eu preciso, e acho que você pode me ajudar,

- de uma ferramenta... - Não.

Aqui atrás tem um cano furado.

- E eu posso consertar. - Mamãe, não!

Vou sair, volto em duas horas, e vemos isso, sim?

Cuidado.

- Oi, Renê. Como vai? - Senhora, como vai?

- Bem. Sabe do que eu preciso? - Do quê?

Tomara que possa me ajudar. Uma marreta.

Uma marreta?

Sim, claro, tenho várias e de diferentes tamanhos.

Qualquer uma.

Ótimo. Venha comigo para escolher a que preferir.

E a convivência, como vai?

A Loba é como uma montanha-russa.

Mas, quando ela está bem,

eu me empolgo.

Se empolga?

- Como assim? - Não.

Me empolga...

vê-la bem, que esteja bem.

Se beijaram.

- Por favor. - Se beijaram!

Ainda é apaixonado pela Loba. Tenho certeza.

Pense, você não ficou com mais ninguém.

Me deixe, cuide da sua vida, da sua mulher, dos seus filhos.

Da minha vida, cuido eu.

Marquei minhas férias, vou ficar fora um mês.

- Quanto? - Um mês, já te disse, um mês.

- Oi, meu amor. O que foi? - Onde você está, pai?

- No bar perto de casa. Por quê? - Está perto?

Em quanto tempo pode chegar aqui?

O que aconteceu?

- Olhe pela janela. - O que...

- Depois eu te ligo! - O que aconteceu?

- Calma, senhora. - Concentre-se.

Concentre-se, por favor. Calma.

- Um degrau de cada vez. - Devagar.

Não olhe para baixo, que é pior.

É pior! Por favor, não olhe para baixo.

Calma, já desceu.

Já desceu. Calma. Calma.

- Você tem um sedativo? - Um sedativo?

Licença!

O que aconteceu?

- Cuidado. - O que aconteceu?

- Não sei! - Onde está a sua mãe?

- O que aconteceu? - Uma desinteligência.

O que você quer dizer com "uma desinteligência"?

Sabe o que é uma desinteligência?

Que você more aqui, porque está louca!

- Cuidado. - Isso é uma desinteligência!

- Não vou permitir isso. - É uma louca.

- Não fale assim da minha mãe! - Não!

Eu vou entrar com ações legais e criminais!

Eu não estou nem aí para o que você vai fazer!

- Por favor! - Renê!

Renê, o que aconteceu?

A senhora me pediu uma marreta, e não perguntei para o que era.

Ela arrebentou o encanamento central,

a parte elétrica pegou fogo.

Ele arrumou a maior confusão, senhor!

Loba!

Você está zangada?

Você está zangada?

Eu só queria tirar a pica da sua parede, foi um acidente,

e a primeira coisa que faz

é me enfiar no centro de saúde mental.

Já sei que sou descartável para você.

Talvez você tenha razão, e não consiga me reinserir.

Por favor, não se faça de vítima.

Não quero falar com um coração feito de números.

Não estou a fim.

O que você disse?

Você não é mais o mesmo. Só sabe falar de números.

Por mais que raspe, atrás de algo positivo, não tem.

Você só pensa nisso.

- O que foi que você disse? - Você ouviu muito bem.

Que só tenho números no coração?

Sim, e não é só isso.

Você tem um coração duro e frio como uma pedra.

Você desiste de primeira, não gosta de lutar.

Pronto?

Acabou? Já passou? Me leva ao centro de saúde?

O que aconteceu? Você perdeu a memória?

Esqueceu o que vivemos juntos, as vezes que te banquei?

Durante dez anos, eu criei a Ema sozinho

por causa dos seus problemas, mas sempre apoiei você.

Eu te ofereço minha casa para que se recupere

depois de seis anos de termos nos separado.

Você bota fogo no edifício

e me diz que só tenho números no coração?

Quem perdeu a memória?

Esqueceu que, nos primeiros 12 anos, cuidei da Ema sozinha?

Você não saía da bolsa!

Esqueceu que esse tempo todo eu estava bem,

e só depois as coisas ficaram complicadas para mim?

Porque sou uma paciente psiquiátrica,

e você não está sabendo disso agora!

Sempre soube!

E tive que me ausentar porque tive problemas que juro

que jamais queria ter tido na vida!

Você não a criou sozinho! Nós dois a criamos!

Só o que eu fiz desde que te conheci foi te amar.

Como nunca

amei na minha vida.

Mas não dá.

Entre mim e você, é difícil,

eu tentei, mas nunca consegui que as coisas dessem certo.

Por acaso, eu não te amei?

Você pensa isso mesmo?

Você não pode ver todo o esforço que fiz durante toda minha vida

para que você e eu ficássemos bem?

Não pense que é fácil ser como eu sou!

Não pense isso.

É muito difícil acompanhar alguém como você!

Muito mais difícil é ser eu!

Perdão.

Vamos nos perdoar.

Vai ficar tudo bem.

Eu te prometi.

Falta pouco, Loba.

Vamos para casa.

Espera.

Estou angustiada.

- Não, Loba, aqui não. - Não.

- Aqui não, Loba. - Me deixe dirigir.

Por favor. Eu preciso.

Eu preciso dirigir, eu preciso sentir,

preciso dirigir.

Me deixe dirigir, por favor.

Devagar, Loba.

Um pouco mais devagar, Loba, por favor.

Menos, menos, menos, menos.

Por favor, Loba, freie. Freie, Loba, por favor!

Mais devagar.

Loba!

Por favor, era só o que faltava!

- Isso não está acontecendo. - Fique tranquilo.

- Como vou ficar tranquilo? - Confie em mim.

Loba, por que você é assim?

- Boa noite. - Boa noite.

Está ciente da loucura que acaba de fazer?

Sim.

- Documento e habilitação. - Não, desculpe, delegado.

Policial.

Sim, desculpe, policial, mas é que...

estamos com um problema bastante grave.

Meu marido está com um problema psiquiátrico,

quase desesperador, vou levá-lo ao centro de saúde mental.

Entendo. Documento e habilitação.

Não, não está entendendo.

Meu marido está tendo um surto!

Ele está tendo um surto.

Estou com a rola roxa de tanto xoxotar com a Sheila.

O que ele disse?

Estou com a rola roxa de tanto xoxotar com a Sheila.

Que xota que a Sheila tem! Eu adoro xoxotar.

Ai, a xota da Sheila!

Ai, a xota da Sheila!

Quero a xota da Sheila!

Ele quer a xota da Sheila! Eu tenho que ir!

Liberada, podem ir.

Vão, estão liberados.

Estou liberando um homem com surto psicótico.

A xota da Sheila!

Eu nem percebi. Eu fiz sem pensar.

A cara que ele fez!

Nunca mais vou esquecer a cara do policial.

- E tem mais. - Já voltaram? Por quê?

- Sim. Já vou te explicar. - O que aconteceu?

Já voltamos, e com uma história daquelas!

Não exagere.

- Pare com isso. - Não sabe o que o seu pai fez!

Eu vou contar para ela.

Olhe, fique tranquilo, amanhã vão consertar isso.

Mas eu sempre estive tranquilo. Por que está dizendo isso?

- Seu pai ficou louco! - Bom, mas foi uma situação...

Alô. Espera.

Quem é Elias?

Vim direto te visitar.

Faz duas horas que eu estou viajando.

Mas quero que saiba que eu tenho um apartamento.

Se tiver problema com seu irmão ou alguém, fique na minha casa.

Eu não estou preparado para morar sozinho.

- Vou precisar de você. - Obrigada, Eli.

Que lindo!

É sério, parabéns pelo seu gesto.

Mas por que você não ligou?

Veio à minha casa às 23h só para dizer isso?

- Não? - Sim.

Vim por isso e por amor.

Por amor?

Sei que você não a tratou bem. Está na cara que você é frio.

Bom...

Tivemos uma noite...

- Linda. - Difícil.

Então...

Eu vou dormir, nós vamos dormir.

Então, Elias, querido,

nos vemos quando Deus quiser.

- Boa viagem, Elias. - Desculpe.

Eu preciso pedir um favor a vocês dois.

- Qual? - Eu estou com muita fome.

Não como nada desde às 10h. Posso dormir aqui?

- Não. - Sim.

- Não. - Como não?

- Não. - Sim.

O apartamento é amplo,

mas não tem outro quarto, não tem lugar.

Tem lugar, sim. O sofá é um lugar para dormir.

- Não. Está no protocolo. - Não está no protocolo.

- Está no protocolo! - Não está no protocolo!

Então acabo de colocar no protocolo:

nenhum desconhecido pode ficar no meu aparamento.

- Tudo bem? - Eu quero ficar aqui e...

Me sinto bem.

- Me sinto bem. - Pronto, decidido.

- Venha aqui. - É claro que vai dormir aqui.

Por que não ficaria? Já está decidido.

É uma questão de solidariedade.

- Podem ajudar um ao outro. - Obrigado.

- Vou preparar alguma coisa. - Obrigado.

O que foi?

Boa noite.

Boa noite, durma bem.

Vou te cobrir, você é meio friorento.

- Te amo. - Eu também.

- Tomamos café juntos amanhã? - Claro que sim.

- Croissant, como antes. - Tudo bem. Eu te acordo.

- De manteiga, não esqueça. - Tudo bem, descanse.

Tchau. Até amanhã.

Turbo?

Turbo?

Puta merda! O que foi agora?

Eu tenho que ir embora.

- Para onde? - Para o centro de saúde mental.

- Por quê? - Não me sinto bem aqui.

- E por que você não foi antes? - Antes me sentia bem.

Você não pode entrar assim no meu quarto.

Sim. Desculpe, Sr. Turbo.

São 4h30.

Em duas, três horas, você vai.

Não, Sr. Turbo, preciso ir agora.

Tenho que fazer umas coisas inadiáveis.

Pode me dar três mil pesos para ir embora?

Converta tudo para dólar, eu mantenho o preço.

Tudo bem.

Depois eu te ligo.

Turbo. Podemos conversar? Um minuto, por favor.

Eu não tenho nada para falar com você.

- Quero esclarecer os fatos. - É?

Primeiro, me devolva a grana que me deve.

Sim.

O que a Loba disse no restaurante não aconteceu.

- Não ligou para ela? - Eu juro que não.

Minha namorada brigou comigo, eu ligo, ela não atende.

Estou pouco me lixando para sua vida amorosa, Careca.

- Nunca mais ligue para mim. - Turbo.

Turbo!

Olá.

- Olá, como vai? - Como vai?

Bem-vindo. Fique à vontade.

Vamos, por favor, bem-vindo à minha sala de estar.

- Saúde. - Saúde.

- Mas para que isso tudo? - Eu cozinhei.

- Você cozinhou? - Sim, estou nessa desde às 10h.

- Onde você comprou? - Não.

Não!

Não, não me ofenda!

Eu não comprei em lugar nenhum.

Pesquisei receitas, fiz tudo.

Quero te agradecer.

Fiz isso tudo para você porque...

você fez um monte de coisas por mim nesse tempo.

Me recebeu na sua casa,

me deu carinho,

teve muita paciência comigo,

e não me deixa na mão.

Olhe essa carinha!

Sente. Vamos, sente.

Por qual quer começar? Está tudo delicioso.

Tudo isso que você disse...

que eu fiz por você...

foi pela Ema.

Eu fiz por você.

E também fiz por mim.

Isso não estava escrito em lugar nenhum.

Por você? Por quê?

Você queria muito me ver?

Não vamos cometer nenhum erro.

O que seria "cometer algum erro" para você?

Nós fazemos...

assim...

e sai faísca.

A vida toda, nós dois tivemos...

- muita pele. - Não! Por quê?

Por que você disse "pele"? Pelo amor de Deus.

Não. O que deu em você?

- Sempre tivemos muito tesão. - Bom...

Não pode ser? O que mudou nesse tempo?

Eu sumo, volto e encontro um cara que diz

"pele"?

- Não, o que eu quis dizer... - Não repita.

Isso tudo

me fascina.

Me...

Você está gaguejando!

Não pode ser. Não!

Você está... Você está gaguejando!

Que fofo!

Isso é tão excitante!

Onde está a comida árabe?

Sabe perfeitamente do que estou falando.

Mandaram pelo elevador,

e a terrorista da sua mulher, ou da sua ex, me roubou.

Não!

Aqui está minha comida árabe. Devolva!

Não podem entrar assim no meu apartamento!

- É meu. - Meu.

- É meu. - É nosso.

- Esse borek é meu. - O falafel é meu.

- Esse pão é meu. - A esfirra é minha.

- E isso também é meu. - E este borek também!

Você me roubou, e vou denunciar você.

O edifício está cheio de câmeras...

Vaca!

Em que este edifício se transformou!

É incrível.

Nunca mais me cumprimente, Sr. Martino.

- Por favor! - Mal-educados!

- Insolentes! - Drogados!

- Ladrões! - Terroristas!

Antissemitas!

Antissemitas!

Você tem um sedativo?

Não me peça sedativos. Não tenho mais sedativos.

Adriana, por favor!

O que é isso?

Loba!

- O que você fez? - Nada.

Me deixe explicar. Eu juro que ia cozinhar.

É sério. Cheguei a comprar tudo.

Mas, de repente, a porta do elevador abriu...

comida árabe.

Aquela comida toda me dizia: "Me pega, habiba! Me pega."

Parecia uma espécie de milagre, alguma coisa divina...

e não resisti.

Isso! Isso! Isso!

- Mamãe! - O que foi?

Papai!

Que vergonha! Ai, que vergonha!

Que nojo!

Que vergonha!

- Está tudo bem. - Como assim, idiota?

Está com fome, querida?

Querem um pouco do tabule que sobrou?

Não, até perdi o apetite, vamos.

Bom apetite. Tchau.

Não consigo acreditar.

- Que vergonha! - Relaxa.

Não foi nada.

Que vergonha!

- Bom dia. - Bom dia.

Está desenvolvendo, não?

Está, não?

Ainda falta, mas acho que vai vingar.

Tomou café da manhã?

Sim, fiz um cafezinho.

Você tomou café?

- Acabei de me levantar. - Claro.

Loba.

O que rolou ontem à noite...

foi muito lindo.

Mas eu não quero te confundir, nem quero me confundir.

Não. Não se preocupe. Eu não quero te confundir.

E não se preocupe tanto comigo. Não se preocupe.

Aliás, você, confuso, fica insuportável.

O que podemos fazer, se quiser, é antecipar tudo.

Eu falo com meu irmão,

me mudo para lá, e pronto.

Não tem nenhum problema. Junto minhas coisas e me mudo.

- Não... - Eu pedi para você ir embora?

Não? Então não entendi. O que...?

Eu estava tentando dividir com você a...

Não consigo falar, não sei por quê.

A situação que...

Desculpe, o que eu menos quero é...

Quando fala com seu irmão do apartamento, ele...

- O que ele diz? - Olha.

A única coisa que eu preciso neste momento da minha vida

é me cercar de gente clara.

Preciso de clareza.

Então, se você quer que eu vá embora, eu vou.

Se quiser que eu fique, eu posso ficar!

Pronto, não tem problema nenhum. O que você quer?

Para começar, não quero discutir.

Eu estava tentando criar

um clima de comunicação.

Não quero mais te escutar.

- Bom dia. - Oi, meu amor.

- O que aconteceu? - Discuti com sua mãe.

- Não! - Fique com ela.

Não a deixe sozinha.

Tchau.

Oi!

Mamãe?

Mamãe?

Mãe?

Mamãe?

- O que foi? - Você viu o meu remédio?

Não. Quer ajuda para procurar?

Onde será que eu deixei?

Tenho que tomar meu remédio urgentemente.

Onde foi que eu deixei?

Acho que deixei por aqui. Tenho que achar.

Quando foi a última vez que tomou?

Não sei, não me lembro, mas tem que...

Quem me roubou?

- Ninguém. - Quem pegou?

- Ninguém pegou, mãe. - Por que pegaram?

Não! Por que pegaram?

Por que pegaram? Sabem que eu tenho que tomar!

- Eu preciso. - Mãe.

Por que pegaram?

- Mãe. - Por que pegaram?

Onde está? Onde será que eu tinha guardado?

- Mãe. - Onde eu tinha guardado?

Mamãe.

Calma.

Eu estou aqui.

Mãe.

Olhe para mim. Me escute.

Eu tenho a receita do remédio no meu celular.

Vou à farmácia e volto em dez minutos, sim?

Sim?

Sim. Já volto.

Meu amor, o que foi?

Papai, não encontro a mamãe em lugar nenhum.

Já vou para aí.

- Vamos fazer uma coisa. - O quê?

Amor, você vai por ali, e eu vou por aqui, sim?

Sim.

- O que aconteceu com ela? - Não faço ideia.

- Chamaram alguém? - Eu a vi aqui.

- Quer que liguemos para alguém? - Você precisa de alguma coisa?

Com licença. Ela está comigo.

Com licença.

Loba.

Estou aqui, Loba.

Loba, olhe para mim, sou eu.

Vamos?

Bom, Andrea, me conte o que aconteceu.

Nós dormimos e...

eu me esqueci de tomar o remédio.

Dormiram?

Bom, transamos...

e, quando eu acordei e o vi na cama,

senti que ele queria acordar sozinho.

Você sentiu isso mesmo?

Ele queria acordar sozinho, ou você queria acordar sozinha?

Eu.

Depois tivemos uma conversa muito esquisita...

e...

liguei para meu irmão, ele disse que não posso morar com ele.

Então fui para a rua e...

não me lembro de mais nada.

Tudo bem se chamarmos o Turbo?

Turbo?

E então, o que houve, Turbo?

A Loba já te contou o que aconteceu.

Mas eu queria ouvir sua versão.

Para mim, foi um erro.

Fizemos o que não devíamos fazer e...

Então a percepção da Andrea está certa?

Tiveram uma relação sexual,

dormiram juntos,

e você acordou arrependido?

Não.

Então por que disse "fizemos o que não devíamos fazer"?

Por causa do que aconteceu.

Eu não me levantei arrependido de nada.

Sim, me levantei muito fragilizado,

cometi um erro, eu reconheço.

Me levantei

e me expressei mal,

utilizei uma palavra errada e...

Mas antes quero abrir um parêntese.

Com relação ao irmão dela,

que eu sempre achei um idiota,

eu sabia que não ia emprestar o apartamento,

eu me ofereci para alugar um apartamento a ela.

Eu disse três vezes, e parece que ela não...

- Ele sempre faz isso. Não. - Me deixe terminar.

- Por favor. - Sempre foi assim.

Você pergunta uma coisa, e ele sempre responde outra.

Ele tem dificuldade com as palavras,

não sabe se expressar, não para de falar,

e você tem que interpretar.

E nem sempre consigo.

E ele acha que resolve tudo com dinheiro.

- Não. - Mas quer saber?

Eu não preciso que me alugue um apartamento.

Meu amigo Elias vai me emprestar uma casa.

São essas coisas que não gosto. Assim, não dá.

Me lembra coisas que eu já vivi, a atitude dela me dá medo.

Medo? Quer falar das suas coisas que me dão medo?

Porque esse homem de 50 anos coleciona carrinhos!

Ninguém vai falar disso?

Por favor, podemos nos sentar e continuar conversando?

Por favor.

O que minha coleção de carros tem a ver com essa discussão?

Eu disse a ela, Liliana, quando a vi,

que ia ser muito difícil, e fui levando,

mas, quando acontecem coisas assim

- quanto à questão da loucura... - Não é de propósito.

- Sei que não é de propósito. - Ainda bem.

- Acontece que... Está ouvindo? - Estou.

- Acontece... - Precisava dizer.

Quando ela tem uma crise,

quando ela perde o controle, eu fico mal.

Está bem, mas o que você realmente sente?

Você sente que não pode controlá-la?

Ou que você perde o controle?

Eu fico muito angustiado.

Fico muito triste com o que vejo.

Dói muito não poder

estar, ajudar

alguém que você ama,

ou que amou muito.

Que amou

ou que ama?

O quê?

- O quê? - Ela te fez uma pergunta.

A pergunta foi para nós dois.

Não, ela perguntou a você.

Sim.

Turbo, você a amou ou a ama?

Não se deixa de amar alguém de um dia para o outro.

Nesses últimos anos...

eu perdi muitas coisas.

Do que está falando?

Eu te perdi.

Muito bem.

Tem uma coisa interessante aqui.

Porque, quando se escolhe alguém,

se aceita as coisas boas e as coisas ruins.

Turbo, eu acho que talvez

você não consiga aceitar a Andrea como ela é.

Eu a aceito, sim.

- Não. - Sim.

Não. Aceitar é outra coisa.

Eu...

Eu sou assim.

E sempre vou ser assim.

Tudo o que aconteceu pode acontecer de novo.

E se, em algum momento,

eu ficar com alguém,

eu gostaria que me amasse

não apesar de eu ser Andrea Lobato,

e sim porque sou

Andrea Lobato.

E pode ficar tranquilo, que eu...

nunca vou conseguir ficar com ninguém.

Não, de forma alguma.

Os dois estão em condições de ter outra pessoa.

Mas primeiro têm que se soltar,

têm que abrir espaço,

se separar.

Faz seis anos que estamos separados.

É verdade.

Começaram a se separar há seis anos,

mas hoje terminam de se separar.

Posso dizer mais uma coisa?

Quero que saibam que quem fala é alguém que pensou muito

sobre os vínculos e a saúde mental.

Não poder sair da loucura é um grande problema.

Mas não conseguir entrar na loucura

é outro grande problema.

- Não, espere. Espere. - O que foi?

Espere um minutinho.

Tenho que verificar. Toalhas, tenho.

Lençóis, tenho.

Não tenho panelas. Não posso cozinhar.

- Não posso cozinhar. - Calma. O Elias tem tudo.

Compramos o que for preciso.

Você é tão inteligente! Se precisar, compramos!

Turbo,

quero dizer o quanto te agradeço.

Você foi generoso, foi amoroso,

cuidou de mim de todas as formas que se pode cuidar de alguém.

Ficou longe quando eu precisava e perto quando era urgente.

Você cuidou de mim e do que eu mais amo no mundo,

nossa filha Ema.

Você me abriu as portas da sua casa e do seu coração.

Você teve paciência comigo, mas também foi firme.

Sei que a Ema e você vão ficar sempre perto de mim.

Eu também vou ficar perto.

Agora começa o melhor para mim,

e sei que também para você.

- E aí? - Pode levar essa.

- Mas olhem só! - Nossa!

Aplausos, por favor!

- Mas quem fez isso? - Foi o Pássaro que fez.

Eu quero fazer um brinde.

Sim, Sr. Turbo, eu gostaria...

- Não, não gostaria de nada. - Deixe-o falar, Loba.

Eu o conheço, gosta de enfeitar...

Mãe, ele te emprestou a casa.

Se não quiserem, não falo nada.

Mas já sabemos o que você vai dizer.

- Vai dizer que me ama muito. - Não vou dizer isso.

- Não? O que vai dizer? - Te amo muito, Loba.

Eu não sou tão bom com as palavras.

Mas quero te agradecer pelo trabalho maravilhoso

que fazem no centro de saúde.

A você, Liliana, meus parabéns.

A você, filha.

Sei o quanto você sofreu.

Se esforçou para que desse certo.

Te amo.

Eu também.

Estou muito orgulhoso

da filha que criamos juntos.

Te amo muito.

E te desejo o melhor.

Perdão, só quero dizer duas coisas.

- Sim. - Não acreditei em nada.

Faltou verdade, sinceridade, coração.

- Não me convenceu. - Tudo bem.

E, só para finalizar,

tenho que agradecer por tudo o que fez pela minha amada.

E você, Andrea,

saiba que te amo muito,

que estou bem feliz

que você volte a viver em sociedade.

Bom...

Vamos parar de bobagens.

Eu sinto

que o que vou buscar,

a partir de agora,

é...

equilíbrio.

Poder viver em equilíbrio, assim como...

todas as pessoas, mas, bom...

para mim, às vezes, é um pouco mais difícil que para os outros.

Mas a ideia é essa,

alcançar o equilíbrio.

- Saúde. - Saúde.

- Saúde. - Saúde.

Pássaro, corte a pizza.

Vamos, corte logo!

- Saúde. - Saúde.

Cuidado, tem duas caixas muito frágeis.

- São bem frágeis, cuidado. - Cuidado com essa caixa.

- Esta? - Essa mesmo. Cuidado.

Tudo resolvido, Loba.

- Deixe que eu levo. - Obrigada.

- Com licença. - Toda, claro.

Venho às 20h30 para jantarmos juntas?

Sim, meu amor.

- Te amo. Tchau. - Tchau.

- Tchau, pai. - Tchau. Depois te ligo.

- A gente se fala. - Sim.

- O quê? - O quê?

Não sei! Quer me dizer alguma coisa?

Queria te agradecer por tudo que vivemos juntos com a Ema

esse tempo todo, me fez muito bem.

Conte comigo sempre que precisar.

Eu sei.

Eu também quero te dizer uma coisa.

Obrigada pela ajuda, obrigada pelo amor.

Hoje começa o melhor. Uma nova página.

Estou confiante.

Me sinto uma boba! Dá para notar?

Se estiver cansado, se se sentir desolado,

pode entrar e meter a pica.

Bom, já chega.

Já chega. Pode ir.

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