All language subtitles for S H S01E03 - The Naval Treaty

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Original subtitles

SHERLOCK HOLMES

Joseph! Ajuda-me! Joseph! Ajuda-me!

Que grande desgra�a... ru�na...

Meu Deus... Inglaterra... o Tratado... um traidor levou...

A vergonha... que Deus me perdoe...

O TRATADO NAVAL

Holmes! Holmes!

Holmes!

Holmes! Holmes!

Veio em m� altura, Watson.

Sirva-se de rap� do chinelo Persa. J� lhe dou atenc�o.

Se isto continuar azul, fica tudo na mesma,

se ficar vermelho, � a vida de um homem.

E pronto...

Sra. Hudson!

Sra. Hudson!

Chame o Billy, por favor,

e pe�a-lhe para enviar estes telegramas sem demora.

Sente-se, Watson.

Um crimezito vulgar.

Calculo que me traga algo mais interessante?

� um instigador do crime, n�o �, Watson? Qual � o problema?

Recebi uma carta de um antigo colega de escola.

Achei que era melhor l�-la.

Percy Phelps... aluno brilhante, arrecadou todos os pr�mios escolares.

Partiu para grandes voos em Cambridge.

Admito que me esquecera completamente dele at� receber isto.

Caro Watson, acredito que se recorde do Phelps ''lnocente'',

que estava na terceira classe quando voc� andava na quinta.

� poss�vel que lhe tenha chegado aos ouvidos

que atrav�s da influ�ncia do meu tio consegui um bom cargo

no Minist�rio dos Neg�cios Estrangeiros...

O tio dele � o Lorde Holdhurst.

... e que ocupava uma posi��o respeitosa e de confian�a,

at� que um terr�vel infort�nio me atingiu, minando a minha carreira.

Os seus relacionamentos com ricos s� o prejudicaram na escola.

Para n�s, era estimulante persegui-lo pelo p�tio do recreio

e bater-lhe nas canelas com uma estaca.

"Acha que pode trazer-me o seu amigo, Sr. Holmes, para falar comigo?"

- N�o nos diz muito. - Quase nada.

Mas a letra � interessante. Pertence a uma senhora.

N�o, certamente que pertence a um homem!

N�o, a uma mulher.

Ao pegar num caso,

� sempre importante saber

que um cliente est� em contacto directo com algu�m,

que, para o bem e para o mal, tem uma natureza excepcional.

Est� interessado?

Deveras.

Se est� pronto, partamos de imediato para Briarbrae House, Woing.

Os meus doentes...

Se os seus casos s�o mais interessantes que o meu...

la dizer que os meus doentes arranjam-se muito bem por 1 ou 2 dias.

- � a altura do ano mais fraca. - Excelente.

Visitemos ent�o este diplomata envolvido em t�o grave caso

e a dama a quem dita as suas cartas.

Sra. Hudson! �gua quente!

Rose, leva-me estas? Obrigado.

- Sr. Sherlock Holmes? - O meu colega e amigo, Dr. Watson.

Dr. Watson. Alegra-me que tenha vindo.

O Percy tem passado a manh� a perguntar por si.

Pobre amigo.

Vejo que n�o pertence � fam�lia.

Claro. Pelo monograma J.H.

Por momentos pensei que tivesse feito algo extraordin�rio.

Chamo-me Joseph Harrison

e uma vez que o Percy est� comprometido com a minha irm�, Annie,

serei pelo menos parente por afinidade.

Ir� encontr�-la no quarto dele. Tem cuidado dele nos �ltimos dois meses.

Rose... a casa.

Oi�a, eles chegaram.

- Quer que saia? - N�o, n�o.

Caro Watson, nunca o teria reconhecido com esse bigode

e atrevo-me a dizer que n�o estaria preparado para mo jurar.

De modo nenhum. Continua o mesmo inocente de sempre.

Calculo que este seja o seu famoso amigo.

Sr. Sherlock Holmes, o Sr. Percy Phelps.

- E eu sou a Mna. Harrison. - Minha noiva e minha enfermeira.

Sentem-se, por favor.

Mostrei a carta que me enviou ao Holmes.

- Sim, esperava que o fizesse. - N�o continha muitos pormenores.

Vou ent�o directo ao assunto.

Trabalho como escriv�o no Minist�rio dos Neg�cios Estrangeiros.

O meu tio � o Lorde Holdhurst. Ao tornar-se Ministro incumbiu-me...

...de delicadas miss�es de confianca que sempre realizei com sucesso.

- N�o duvido, caro amigo. - Pe�o-lhe que prossiga, Sr. Phelps.

H� quase 10 semanas... foi na noite de 23 de Maio...

...chamou-me � sua sala particular.

Percy, meu jovem sobrinho.

- Boa noite, tio. - J� soube do Tratado Naval,

que acabou de ser assinado entre Inglaterra e It�lia?

- Li rumores na imprensa. - Profundamente lament�vel

e � de suma import�ncia que n�o se saiba mais nada.

As Embaixadas Francesa ou Russa pagariam uma fortuna

para saber o seu conte�do.

Este � o original. N�o deveria sair do meu gabinete,

se n�o fosse absolutamente necess�rio ser copiado.

Leve-o de imediato para o seu escrit�rio e feche-o � chave.

Deixe-se ficar quando os outros sa�rem,

para que possa fazer o seu trabalho sem recear ser observado.

Quando tiver terminado, volte a guardar tanto o original

como o rascunho na sua secret�ria

e entregue-mos em m�o amanh� de manh�.

Tenha extrema cautela, sobrinho.

Fique descansado, tio.

Este Tratado... pode ser mais espec�fico quanto � sua natureza?

Em tra�os largos, define a posi��o da Gr�-Bretanha,

no seio da Tripla Alian�a,

caso a frota francesa ganhe vantagem sobre a lt�lia no Mediterr�neo.

Regressei de imediato ao meu escrit�rio,

onde encontrei um colega,

o Sr. Charles Gorot, que ainda trabalhava.

Ol�, meu velho.

- O que queria o tio? - Dar-me os parab�ns pelo noivado.

Espl�ndido!

Mais nada?

Um conflito pesqueiro que quer que copie.

J� n�o est� a bracos com aquela quest�o b�lgara, est�?

� extremamente longa,

cansativa e por hoje j� estou exausto.

Vai fazer ser�o novamente?

- S�o s� umas coisinhas... - Devia abrandar um pouco, meu velho.

A ambi��o � algo muito louv�vel,

mas n�o ignore a bela Mna. Harrison,

ou ainda lha roubam.

- Ela n�o olharia para si, Charles. - N�o me refiro a mim, meu caro.

Estou satisfeito com a minha Daphne.

- Boa noite. - Boa noite.

Certificou-se de que ele sa�ra antes de comecar a trabalhar?

Com certeza. Copiei o mais r�pido que consegui,

porque sabia que o Joseph...

...o irm�o da minha noiva... - Encontr�mo-lo no jardim.

...estava na cidade e voltava para Woing no comboio das 23 horas.

Queria apanh�-lo, se fosse poss�vel.

- Mas era um documento longo... - Escrito em franc�s.

Por volta das 21 horas sentia-me sonolento

e mal tinha comecado.

Pensei que um caf� me despertaria, de modo que chamei o porteiro,

que fica de servi�o a noite toda num cub�culo ao fundo das escadas.

Para meu espanto, foi uma mulher que respondeu ao meu chamado.

Desculpe... Chamei o Sr. Tangey...

Sou a mulher dele, senhor. Fa�o as limpezas no edif�cio.

Queria pedir-lhe uma ch�vena de caf�.

Eu vou pedir-lhe, meu senhor.

Esta mulher...

...nunca a vira antes no edif�cio? - Nunca.

O caf� tardava a chegar,

por isso desci para investigar.

- Deixando a sala desprotegida? - Sim.

Encontrei o Tangey adormecido...

Sr. Phelps.

Lamento, cavalheiro.

Devo ter adormecido por um segundo.

O seu caf�...

Mas se est� aqui em baixo, quem est� a tocar a sineta?

Sineta? Sineta de quem?

� a sineta da sala em que est� a trabalhar.

Correu escadas acima...

E o documento desaparecera da sua secret�ria?

Sim...

N�o, Deus meu!

N�o se cruzou com ningu�m no corredor?

Ningu�m. N�o havia ningu�m na sala, no corredor,

parecia tudo exactamente na mesma como eu deixara!

O Percy fez um rascunho do edif�cio, Sr. Holmes,

que achou que daria jeito... - Sim, � de extrema import�ncia!

Sim, acho que o percebi.

Ao descobrir o roubo, o que foi que fez?

Percebi logo que o ladr�o entrara pela porta lateral...

- Esta aqui... - Sim, naturalmente.

T�-lo-ia encontrado se tivesse vindo pelo outro lado.

E tem a certeza que ele n�o poderia estar escondido na sala,

ou no corredor? - Completamente imposs�vel.

Todas as outras portas estavam trancadas.

Regulamentos r�gidos do Minist�rio dos Neg�cios Estrangeiros.

N�o havia nenhum esconderijo.

Nem um rato se teria conseguido esconder.

Eu e o Tangey corremos escada abaixo at� Charles Street.

A porta l� de baixo estava fechada, mas destrancada.

Estava escuro, chovia.

N�o se via vivalma,

mas lembro-me perfeitamente do Big Ben bater as 21:45.

Um quarto para as 22?

� um facto de extrema import�ncia.

Eles entraram por aqui... Est� a ver, Holmes?

Encontr�mos um pol�cia na esquina,

mas n�o vira ningu�m abandonar o edif�cio no �ltimo quarto de hora,

excepto a mulher do porteiro. Corremos at� Whitehall.

Estava entupido de tr�nsito... Pessoas de um lado para o outro...

...desejosas apenas de encontrar um lugar ou um abrigo,

numa noite t�o chuvosa.

Nenhum vagabundo que pudesse dizer quem passara?

- Nada. - Chovera a noite toda?

Desde cerca das 19 horas.

O encadear dos acontecimentos � extremamente interessante.

E foi ent�o que voltou para o Minist�rio?

Viu se o intruso deixara marcas,

pegadas lamacentas, pontas de cigarro,

uma luva ca�da... um gancho de cabelo.

N�o havia nada.

Excepto o facto palp�vel,

da mulher do porteiro ter sa�do a correr do pr�dio 10 minutos antes!

O que fez a seguir, Sr. Phelps?

O pol�cia avisou a Scotland Yard.

Foi ent�o...

...que pela primeira vez me dei conta do horror da situac�o.

Tivera tantas esperan�as de recuperar o Tratado...

...nem me atrevia a pensar.

O Watson lhe dir� que eu era um estudante nervoso e sens�vel,

faz parte do meu modo de ser.

Pensei no meu tio...

...nos seus colegas de Gabinete...

...a vergonha que lhes traria...

...e a mim mesmo...

...a todos quanto conhecia.

Quem diria que fora v�tima de um incidente?

N�o h� lugar para...

...incidentes nos c�rculos diplom�ticos!

Estava arruinado...

...vergonhosamente e irremediavelmente...

...arruinado.

Calma, velho amigo...

Pronto...

Pronto, est� tudo bem.

Deixe-o respirar.

- A investiga��o est� conclu�da? - Adiada.

Pobre Percy. Que esfor�o terr�vel.

A carreira em perigo.

Parece n�o ter afectado a devoc�o da sua irm�.

H� quanto tempo conhece o Sr. Phelps?

Conheceram-se em Northumberland, no Inverno.

O Percy viajava em trabalho pela nossa regi�o.

- Foi amor � primeira vista. - A sua fam�lia aprovou a rela��o?

Sem d�vida, Sr. Holmes,

sobretudo ao saberem do parentesco de Percy com Lorde Holdhurst.

O meu pai � ferreiro e um grande apoiante do Partido Conservador.

Ela veio conhecer a fam�lia de Percy e voc� veio como acompanhante?

Correcto. Mesmo antes deles partirem para a Am�rica.

O casamento est� previsto para Setembro,

se o pobre homem recuperar.

Calculo que esperava que a visita fosse breve

e foi ent�o que se deu o incidente.

Posso perguntar-lhe qual � a sua profiss�o,

que lhe permita passar o Ver�o em Woing?

Como primog�nito, Sr. Holmes, espero herdar o neg�cio do meu pai.

Tamb�m negoceio em t�tulos e ac��es,

que me proporcionam uma certa independ�ncia.

Perd�o se a pergunta o ofendeu.

Na noite de 23 de Maio,

combinara encontrar-se com o Sr. Phelps em Waterloo,

para apanharem o comboio das 23 horas juntos?

N�o, talvez fosse essa a sua inten��o.

Sabia que eu estaria em Londres a jantar com o meu corrector,

mas n�o tinha combinado nada com ele.

Obrigado pelo seu tempo, Sr. Harrison. Quer que...

E quer? O quarto do doente.

Perd�o, Sr. Holmes.

J� estou mais calmo gra�as � medica��o do Dr. Watson.

V� com calma com ele, Holmes.

Resta-nos apenas a quest�o da mulher do porteiro, Sr. Phelps.

Sim, claro.

Se bem me recordo, pouco depois de voltarmos ao meu escrit�rio,

chegou o Inspector Forbes da Yard

para cheio de energia tomar conta do caso.

Cham�mos um cabriol�

e em meia hora est�vamos na casa de Tangey, em Brixton.

A porta foi aberta pela filha mais velha.

- O que deseja? - A sua m�e est�?

Ainda n�o chegou. Trabalha � noite nas limpezas.

Esperamos por ela se n�o se importa. Aqui?

Voltem para onde estavam e fechem a porta.

Ap�s cerca de 10 minutos ouvimos a porta da frente

e aqui cometemos um erro crasso pelo qual me recrimino.

M�e, est�o dois homens na saleta que querem falar consigo...

Meu Deus...

Se n�o � o Sr. Phelps do Minist�rio!

Quem pensava que �ramos quando fugiu de n�s?

Pensei que fossem os oficiais de dilig�ncias.

Tivemos problemas com um comerciante.

Temos raz�es para crer que roubou um documento importante do Minist�rio

e que correu para c� para se desfazer dele.

Aconselho-a a voltar connosco para a Scotland Yard para ser revistada.

Largue-me! N�o roubei documento nenhum!

N�o sei o que procuram!

Sr. Phelps!

Examinou a cozinha de fio a pavio?

Sim, n�o havia sinal dos documentos.

Veio uma carruagem e fomos os tr�s para a Scotland Yard.

Esperei com o cora��o ao p� da boca,

at� que a mulher pol�cia voltou com o seu relat�rio.

- N�o encontraram nada? - N�o me lembro bem.

Julgo que um pol�cia me conduziu at� Waterloo...

...onde por mera sorte encontrei o Dr. Ferrier,

que vive perto de n�s e ia apanhar o pr�ximo comboio.

O comboio que tomou seria ent�o...

O das 23:40, creio.

O Dr. Ferrier teve a amabilidade de me escoltar

e bem a tempo, porque tive um ataque na esta��o

e antes de chegar a casa estava � beira da loucura.

- O seu irm�o j� tinha regressado? - J�.

Fiquei surpreendida, mas n�o alarmada, por ele ter chegado s�.

O Percy costumava ficar a fazer ser�o e sabia que havia mais um comboio.

Por isso, fui deitar-me.

- E pouco depois da meia-noite... - Fui acordada...

...por um barulho assustador na entrada.

- Joseph? - Sim. Tragam-no aqui para dentro.

O seu irm�o estava a dormir c� em baixo, neste quarto?

Sim.

A minha fam�lia aproveitou a estadia na Am�rica,

para redecorar os quartos do andar superior.

Via-se que o pobre Percy iria passar por uma enfermidade prolongada.

O Joseph passou para o meu quarto e isto tornou-se no quarto do doente,

para mim.

� um quarto muito agrad�vel.

H� nove semanas que aqui estou, assaltado por del�rios.

Se n�o fosse a Mna. Harrison

e os cuidados do Doutor, n�o estaria agora a falar convosco.

Cuidou de mim durante o dia

e contratou uma enfermeira para olhar por mim � noite,

pois nos ataques de loucura era capaz de tudo.

S� nos �ltimos dias � que gradualmente recuperei a raz�o.

Telegrafei ao Inspector Forbes, que me disse n�o ter qualquer pista.

Por isso, em desespero de causa recorri a si, Sr. Holmes.

S� mais uma pergunta de import�ncia vital, Sr. Phelps,

disse a algu�m que estava incumbido desta tarefa especial?

- A ningu�m. - Nem � Mna. Harrison, por exemplo?

N�o. N�o regressei a Woing,

desde que fui incumbido da tarefa e a executei.

Que bela que � uma rosa.

N�o h� nada em que a dedu��o seja t�o importante

quanto na religi�o.

Pode ser transformada em ci�ncia exacta pelo raciocinador.

A nossa mais importante confian�a na bondade da Provid�ncia

parece residir nas flores. S� a bondade n�s surpreende,

e por isso volto a repetir,

que muito h� a esperar...

...das flores.

Tem perspectivas de resolver este mist�rio, Sr. Holmes?

Mist�rio?

Seria absurdo negar

que o caso � obscuro e complexo.

- V� alguma pista? - Deu-me sete,

mas tenho de test�-las,

at� que possa pronunciar-me sobre a sua validade.

Suspeita de algu�m?

Suspeito... de mim mesmo.

- Como? - Por tirar conclus�es precipitadas.

Ent�o volte para Londres e teste as suas conclus�es.

Um s�bio conselho, Mna. Harrison.

Sr. Phelps, n�o alimente falsas esperan�as.

O caso � muito complexo

e eu n�o fa�o milagres.

Pirralho.

Qual a sua opini�o sobre a Mna. Harrison?

Ou muito me engano, ou � boa pessoa.

- Acho que foi um pouco rude com ela. - Fui?

Estava apenas a proteger o seu amado.

Talvez demasiado?

N�o cr� com certeza que ela tem algo a ver com o caso?

O crime mais dif�cil de desvendar, Watson, � o que n�o tem um prop�sito.

Este tem, mas quem � que lucra com ele?

Temos o Embaixador Franc�s... o Russo...

...e quem quer que o venda a qualquer um deles.

E Lorde Holdhurst. N�o � totalmente despropositado,

um estadista encontrar-se numa posi��o,

em que n�o lamente ver tal documento destru�do acidentalmente.

N�o um estadista com a carreira respeit�vel de Lorde Holdhurst?

George!

Para o Minist�rio dos Neg�cios Estrangeiros.

Entrada de Charles Street.

George, quero que me fa�a um favor.

Encontre-me o cabriol� que l� deixou um passageiro,

�s 21:30 da noite de 23 de Maio.

Gorot...

...um nome franc�s. - Huguenote, mais especificamente,

mas sou t�o ingl�s quanto o senhor, Sr. Holmes.

Estou sob algum tipo de suspeita devido ao meu nome?

Nada disso. O Holmes tem uma av� francesa.

Eu apressar-me-ia a partir,

se n�o quisesse esbarrar com o Inspector Forbes.

Combin�mos encontrar-nos aqui com ele dentro de cinco minutos.

Sim, j� fui interrogado por ele.

Seguirei o seu conselho.

- Boa noite a ambos. - Boa noite.

Boa noite.

Nada de passagens secretas...

...janelas a uns bons nove metros acima do solo,

trancadas pelo interior.

A carpete elimina qualquer hip�tese da exist�ncia de um al�ap�o.

Quem quer que tenha tocado a sineta deve ter vindo logo at� � mesa.

Mas porqu� toc�-la?

O ladr�o ter-se-� arrependido?

Ou seria algu�m que o acompanhava e que ter� tentado impedir o crime?

Ou ter� sido...

Inspector Forbes, creio.

Sr. Holmes, sou um homem muito ocupado.

Tenho mais casos para al�m deste.

Mas nenhum t�o importante para o interesse nacional. Arrisco.

Permita que lhe apresente o meu amigo e colega, Dr. Watson.

O que deseja de mim, Holmes? Conheco os seus m�todos.

Usa as nossas informa��es,

soluciona o caso e faz-nos cair em descr�dito.

Pelo contr�rio, nos �ltimos 53 casos, o meu nome apareceu apenas em 4

e a pol�cia ficou com os louros por 49.

N�o o culpo por n�o o saber. E jovem

e inexperiente, mas se quer continuar a trabalhar,

vai colaborar comigo e n�o agir contra mim!

Que dilig�ncias levou a cabo?

Tangey, o porteiro, segundo soubemos,

saiu da Guarda com boas refer�ncias.

J� a mulher n�o � flor que se cheire. Bebe.

E o secret�rio, Gorot?

Tem sido vigiado estas nove semanas. N�o temos nada contra ele.

J� formou alguma teoria quanto � raz�o da sineta ter tocado?

N�o. Devo confessar que me ultrapassa.

Quem quer que tenha sido tinha sangue frio,

para dar o alarme dessa maneira. - Sim, foi uma atitude muito estranha.

Muito obrigado, Inspector,

e se conseguir entregar-lhe este ladr�o, receber� not�cias minhas.

Venha, Watson.

Posso perguntar onde v�o?

Entrevistar Lorde Holdhurst,

o Ministro dos Neg�cios Estrangeiros

e muito possivelmente o pr�ximo Primeiro-Ministro.

Boa noite, Inspector.

N�o posso fingir que ignoro os motivos da sua visita, Sr. Holmes,

mas posso saber no interesse de quem?

No interesse do Sr. Percy Phelps.

O meu desafortunado sobrinho.

Deve compreender que a nossa liga��o me impede de proteg�-lo.

Sim, mas e se o documento for encontrado, Lorde Holdhurst?

Naturalmente, o caso mudava de figura.

Lorde Holdhurst, foi nesta sala

que deu as directrizes para a c�pia do documento?

Foi.

E n�o falou disso a ningu�m sem ser ao seu sobrinho? Tem a certeza?

- Absoluta. - Nesse caso, se mais ningu�m sabia,

h�-de concordar

que a presen�a do lar�pio na sala do seu sobrinho

foi obra do acaso. Viu a oportunidade e aproveitou-a.

Isso j� n�o s�o contas do meu ros�rio, Sr. Holmes.

H� um ponto de suma import�ncia.

Receava,

segundo percebi, que graves consequ�ncias se seguissem,

se os pormenores deste Tratado se tornassem do dom�nio p�blico.

Consequ�ncias grav�ssimas.

- Ocorreram? - Ainda n�o.

Digamos que o Tratado caiu nas m�os do Minist�rio

dos Neg�cios Estrangeiros Russo,

ou Franc�s, por esta altura j� teria tido not�cias?

Com certeza.

Uma vez que passaram quase 10 semanas,

n�o � descabido pensar

que, por qualquer motivo, o Tratado n�o lhes chegou �s m�os.

Mas, Holmes, � pouco cred�vel que o lar�pio tenha roubado o Tratado

para emoldur�-lo e pendur�-lo na parede.

Talvez espere por uma oferta melhor, Watson,

ou talvez tenha adoecido subitamente.

Um dist�rbio mental repentino, talvez.

Eu n�o disse isso.

Lorde Holdhurst, j� lhe tom�mos muito do seu precioso tempo.

Bom homem.

Pesadas responsabilidades.

Mas tem de lutar para manter a sua posi��o

e est� longe de ser rico.

Reparou com certeza que as suas botas tinham levado solas novas?

Verdade?

Hoje n�o farei mais nada, sem ter os resultados relativos ao cabriol�.

Est� bem?

N�o quero roub�-lo mais ao seu trabalho, Watson,

mas ficar-lhe-ia muito agradecido se me acompanhasse amanh� a Woing.

O mesmo comboio que tom�mos hoje.

Sim, claro.

Boa noite, Holmes.

N�o, n�o quero. Esta noite dormirei sem rem�dios

e s�. - Mas Percy...

O Sr. Holmes deu-me novo alento e sinto que estou a melhorar.

Em Setembro temos uma cerim�nia na igreja, meu amor,

e tenciono comparecer.

- Dispensou a enfermeira. - Finalmente.

Confia demasiado no famoso detective.

V�s � que lhe dais for�as, n�o um simples detective.

E v�s, irm�o, sem o vosso apoio...

Ser� poss�vel que esteja no centro de uma conspira��o monstruosa,

em que a minha vida e a minha honra s�o os alvos?

Tanto quanto sei, n�o tenho inimigos no mundo.

Sem d�vida que teve a sua cota parte de azar, meu caro.

Acho que encontrei o local onde o ladr�o escalou o muro.

Fica na direcc�o da estrada.

Acha que isto foi feito a noite passada? Parece mais antigo.

Daqui n�o levamos nada.

Porque ter� o intruso escolhido a janela que d� para o p�tio?

Este lado da casa seria mais f�cil...

- � mais vis�vel do p�tio. - Sim, claro.

J� passou por esta situa��o?

N�o tem pratas na casa, nem nada que atraia os ladr�es?

Nada de valor.

- Descobriram algo em Londres? - Fal�mos com o Inspector Forbes,

com o seu tio.

O Holmes tratou de uma ou duas coisas.

- N�o perderam a esperan�a? - De modo nenhum.

- Deus o aben�oe por isso. - Se formos corajosos

e pacientes, a verdade vir� ao de cima.

Mna. Harrison, pe�o-lhe que fique neste quarto o resto do dia.

� de import�ncia vital. Esta noite, quando se for deitar,

tranque aquela porta por dentro e guarde a chave.

- Mas o Percy... - N�o diga a ningu�m. R�pido!

Prometa!

Porque est�s enfiada aqui dentro, Annie?

Vem para a rua. Ven�o-te ao croquet.

Tenho uma ligeira enxaqueca

e este quarto � deliciosamente fresco e tranquilizador, obrigado, Joseph.

Sr. Phelps, enquanto investigamos este caso menor,

n�o podemos esquecer-nos da nossa investiga��o principal.

Seria de grande ajuda se pudesse acompanhar-nos a Londres.

- Sente-se suficientemente forte? - Sim,

se acha que posso ajudar. Quer que passe a noite?

Estava prestes a propor-lhe isso.

Se o meu amigo nocturno vier visitar-me, n�o encontrar� ningu�m.

- E a Annie? - O Sr. Harrison cuida dela

e o meu amigo Watson cuidar� de si.

Est� pronto para partir dentro de uma hora?

Estamos nas suas m�os, Sr. Holmes.

H� uma ou duas quest�es que quero esclarecer

e a sua aus�ncia, Sr. Phelps, ir� ajudar-me.

Watson, ao chegar a Londres dirija-se logo a Baker Street

e fiquem l� at� que nos encontremos novamente.

E agora, deixo-os.

E nossa investiga��o em Londres?

Espero estar em Londres a tempo do pequeno-almo�o.

Ele � um homem verdadeiramente surpreendente, Watson.

Ainda c� est�?

- Como est� a sua enxaqueca? - Um pouco melhor.

O seu primeiro dia em nove semanas sem o inv�lido

e escolhe pass�-lo aqui.

Forca do h�bito.

- Janta esta noite? - N�o tenho apetite

e estou embrenhada na leitura. - Percebo.

Minha pobre irm�, como sofrestes.

O Sr. Holmes acaba de chegar, senhor.

Obrigado, Horace.

- Parece derrotado. - Sou for�ado a concordar consigo.

Tinha tantas esperan�as.

Holmes! Est� ferido!

� apenas um arranh�o, por ser desastrado.

Bom dia, Sr. Phelps.

Este caso � sem d�vida um dos mais obscuros que j� investiguei.

Tem sido uma experi�ncia extraordin�ria.

V� l�, Holmes. Essa ligadura sugere aventuras. O que se passou?

Depois do pequeno-almo�o. Meu caro Watson,

lembre-se que esta manh� respirei 48 ms do ar do Surrey.

N�o h� novidades relativamente ao cabriol�, calculo?

Bem, n�o se pode acertar sempre.

Sra. Hudson, chegou mesmo a tempo.

Acompanha-nos, Sr. Phelps? O que � isto?

- Frango de caril. - E isto?

- Presunto e ovos. - Os pratos s�o um pouco limitados,

mas sabe cozinhar pequenos-almo�os como uma boa escocesa.

O que vai comer, Sr. Phelps? Frango de caril,

ovos, ou serve-se sozinho? - Obrigado. N�o consigo comer.

Por favor. Tente o prato que est� � sua frente.

- Obrigado, mas n�o. - N�o se importa ent�o de me ajudar?

� o Tratado!

� o Tratado!

Meu Deus! � o Tratado!

Watson! Conhaque.

N�o deveria t�-lo apanhado assim de surpresa,

mas o Watson sabe que n�o resisto a uma pitada de dramatismo.

Deus o abencoe por salvar a minha honra!

Obrigado, Sra. Hudson.

Muito obrigado pela sua contribui��o.

Sinceramente, um pequeno-almo�o escoc�s.

Um pedacito de papel.

Pe�o-lhe, diga-me como o obteve,

onde estava?

Depois de nos separarmos, andei pelos campos

e passei uma tarde encantadora.

Fiquei por l� a tarde toda e ao anoitecer regressei � sua casa.

Trepei o muro

e atravessei o relvado,

at� chegar aos est�bulos, em frente � janela do seu quarto.

Os cortinados do seu quarto ainda n�o tinham sido fechados

e conseguia ver a Mna. Harrison a ler um livro,

� luz de um candeeiro.

Eram cerca das 22... 15 quando ela fechou o livro

e atravessou o quarto,

levando o candeeiro consigo,

mas tinha a certeza que ela fechara a porta � chave.

- Chave? - As instru��es que lhe dei

e que seguiu ao p� da letra.

Sr. Phelps, ela � uma senhora extraordin�ria,

sem a sua ajuda, agora n�o teria esse documento nas suas m�os.

Foi uma espera muito cansativa,

mas equipara-se � excita��o que um pescador sente,

quando se posiciona junto ao rio � espera do peixe gra�do.

Mas o que aconteceu? O que aconteceu?

Cerca das 2 da manh�...

... ouvi um leve ru�do de um trinco a ser corrido.

O que tenciona fazer comigo, Holmes?

J� tenho o que vim buscar.

Agora... desapare�a!

Joseph...

Deixou-o escapar?

Telegrafei todos os pormenores ao Inspector Forbes.

Se for suficientemente r�pido para apanhar o seu p�ssaro, �ptimo,

mas se, como perspicazmente suspeito, encontrar o ninho vazio,

melhor ainda para o Governo.

Por Lorde Holdhurst, por um lado,

e pelo Sr. Percy Phelps, por outro,

era bem melhor que o caso nunca fosse levado a tribunal.

Meu Deus! Diz-me que nas minhas 10 longas semanas de agonia,

os documentos roubados estiveram sempre no meu quarto?

E o Joseph... um tratante e um ladr�o!

Segundo percebi, perdera muito dinheiro com as ac��es

e escondeu o facto do pai,

um conservador de h�bitos rigorosos.

Sim, mas a felicidade da pr�pria irm�!

E a sua reputa��o, a sua sa�de!

Ele sabia que costumava fazer ser�o

e estava na cidade para jantar com o corrector, segundo me contou,

mas �s 21:30 estava despachado

e foi ao seu gabinete, entrando pela porta lateral.

Percy?

Ao n�o encontrar ningu�m, estando apenas a luz acesa

e vendo trabalho pendente, tocou a sineta.

Ao faz�-lo, viu o documento em cima da mesa.

Soube de imediato que o destino lhe colocara nas m�os

um documento oficial de grande import�ncia.

Voltou sozinho para Woking

e escondeu-o onde achou ser um local seguro,

com a intenc�o de ir busc�-lo um ou dois dias depois

e lev�-lo � Embaixada Francesa,

ou onde achasse que lhe ofereceriam mais dinheiro.

Seguiu-se o seu s�bito regresso.

Sem qualquer aviso pr�vio, foi expulso do seu quarto

e a partir dessa altura estavam l� sempre pelo menos duas pessoas,

impossibilitando-o de recuperar o seu tesouro.

Ansioso por recuper�-lo.

As minhas d�vidas transformaram-se em certezas,

quando o assalto foi feito na primeira noite,

em que a enfermeira contratada se encontrava ausente,

o que mostrava que o intruso estava familiarizado com os h�bitos da casa.

Tinha finalmente surgido a sua oportunidade,

mas trocou-lhe as voltas ao estar t�o desperto.

� verdade, n�o tomei os comprimidos para dormir.

Mas ele teve outra oportunidade quando veio a Londres.

Mantive a Mna. Harrison no quarto para obrig�-lo a agir.

Mas se j� sabia que os documentos estavam no quarto...

Pensei que talvez l� estivessem,

mas n�o me apetecia rasgar todas as coberturas � procura.

Ao permitir que ele me conduzisse ao esconderijo,

poupei-me a muito trabalho.

- E apanhou-o com a m�o na massa! - Sem d�vida.

Mas porque tentou entrar pela janela, podendo entrar pela porta?

Para parecer que fora um assaltante,

e se necess�rio fugir pelo p�tio.

A faca... acha que tinha intenc�es criminosas?

Meu caro amigo, s� lhe posso dizer

que o Sr. Joseph Harrison � um cavalheiro,

em quem dificilmente confiaria que tivesse piedade.

Creio que � a sua noiva, Sr. Phelps.

Annie!

Deixei-lhe um recado,

dizendo para vir para Londres assim que acordasse,

mas ainda n�o sabe nada sobre o crime do irm�o, Sr. Phelps.

Claro.

Meu caro Sr. Holmes, n�o tenho palavras para agradecer-lhe.

Vou descer de seguida e explicar-lhe tudo.

Percy! Adeus

e boa sorte!

Obrigado por me devolver a minha felicidade.

Est� uma jovem � porta, cavalheiro.

Sr. Holmes! �gua quente!

Obrigado.

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