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Dom Clemente...
lamentamos n�o poder esper�-lo no barrac�o de Manuel Cardoso,
porque os pestilentos est�o chegando.
Aqui, aberto na churrasqueira,
deixo este livro como sinal para que nele
voc� encontre nossas rotas no meio do croqui imagin�rio que desenhei.
Velho Silva, n�o demore. S� temos provis�es para seis dias.
At� breve. Em nome de Deus.
CONSULADO DA COL�MBIA MANAUS, BRASIL
O c�nsul j� o aguarda. Entre.
Obrigado.
- Bom dia. - Bom dia.
Entre.
Sente-se.
Obrigado.
O senhor �...
Clemente Silva.
E o que posso fazer pelo senhor?
Estas s�o as mem�rias do poeta Arturo Cova.
Ele me pediu para entreg�-las pessoalmente ao senhor.
O mundo deve conhecer o inferno que se vive
nos seringais do territ�rio amaz�nico.
E onde est� Cova?
Ele ainda est� na selva, em algum lugar perto da casa Arana.
Antes de me apaixonar por uma mulher,
joguei meu cora��o ao acaso
e a viol�ncia me venceu.
A VORAGEM
O casamento � daqui um m�s, Alicia. E olha esse cabelo todo despenteado.
Por favor, endireite-se.
10 DE JULHO DE 1911
Por que n�o se arruma voc�? Quer tanto o casamento, mam�e!
Quando estiver casada e com dois filhos, voc� vai deixar de ser t�o insolente.
A Col�mbia deve ser respeitada!
Voc�s ouviram isso?
Alicia! Alicia, aonde voc� vai?
LOJA DE CHOCOLATES
Alicia!
Senhorita...
Sinto muito.
Desculpe. Tratarei de consertar isso.
Tudo bem. � um favor que me faz.
Arturo Cova, advogado, poeta e servidor.
Mas o que voc� fez, pelo amor de Deus?
O vestido! Temos que lav�-lo.
- Precisa p�r sal. Que trag�dia! - Sinto muito, senhora.
Mam�e! Trag�dia � ter que usar este vestido.
� prefer�vel lutar na guerra contra o Peru a ir para o altar.
N�o acha, Sr. Cova?
Claro. O casamento � como ir para o pelot�o de fuzilamento,
mas sem a alegria de morrer de uma vez.
O que est� dizendo? Venha, Alicia. Vamos.
Vamos, tenho que lavar esse vestido...
- Alicia... - Como pode dizer isso?
Amigos, hoje vou me casar!
Olha que vestido bonito.
Felizmente, o general Gamboa enfrentou o ataque dos peruanos.
Ai! Chegaram os Guti�rrez.
Onde?
Mas lutar por uma zona onde s� h� um monte de �ndios maltrapilhos
n�o � um exagero?
Est�o defendendo a p�tria.
O que diria se levassem um sobrinho seu
para fazer parte das tropas que est�o reunindo?
J� s�o 1.200 alistados.
L� est� o poeta.
- A Europa n�o � meu destino agora. - Pois deveria pensar nisso.
E l� est� seu futuro marido.
Algum de voc�s vai se alistar na guerra iminente com o Peru?
N�o. Para mim, as guerras s�o absurdas.
Por qu�?
Porque eu me interesso pelas musas.
N�o gosto desse homem, por mais que seja um poeta ilustre.
Vamos.
"Perseguindo o perfume de um retiro risonho,
a borboleta fugaz voa pela montanha
e naqueles ares deixa um rastro sutil
com suas p�talas t�nues de safiras mutantes."
A av� dos nossos filhos ainda est� brava por causa do vestido?
Av�?
Em que poema tivemos filhos, Sr. Cova?
No que escreverei para voc� n�o se casar com o velho.
N�o creio que o senhor bar�o possa lhe dar herdeiros
que garantam a t�o almejada fortuna para sua m�e.
Alicia, preciso avis�-la.
Duvido muito que o velho... Desculpe.
Que o noivo sobreviva � lua de mel.
Nesse caso, eu seria uma vi�va feliz.
Seu poema,
em meio a tempos dif�ceis de guerra que se aproximam,
foi um b�lsamo para meu esp�rito.
N�o tem nada para consolar este corpo
que logo ser� vendido �quele velho?
Vamos embora, Alicia!
Voc� poderia ter mais respeito pelo homem que logo ser� seu marido?
N�o quero imaginar o que aconteceria se ele a visse flertando com esse homem.
Melhor assim, que ele saiba que n�o � o �nico que pode me desejar.
- Ele poderia ser meu av�. - Mas n�o �, Alicia.
Onde voc� estava?
Servindo de musa para um poeta.
Musa para um poeta?
Algo assim.
Espero que n�o seja um impedimento para o casamento com que tanto sonharam.
Tenha respeito!
Perd�o.
Antecipemos o casamento...
e vamos prender esse infame.
"Antigamente...
Sim, lembro-me,
minha vida era um banquete em que os cora��es se abriam,
onde todos os vinhos corriam.
Uma noite, sentei a beleza em meus joelhos
e a achei amarga, e a injuriei.
Armei-me contra a justi�a.
Fugi.
�, bruxas, �, mis�ria, �, �dio,
a voc�s foi confiado meu tesouro.
Consegui dissipar em meu esp�rito toda a esperan�a humana.
Sobre toda alegria para estrangul�-la, dei o salto surdo da fera indomada.
Invoquei os carrascos para morder, enquanto morria a coronha de seus fuzis.
Invoquei as pragas para me afogar com areia, com sangue.
A desgra�a foi meu Deus.
Deitei-me na lama, sequei ao ar o crime
e fiz boas travessuras da loucura."
Vou seguir os passos de Rimbaud.
Voc� vai para a �frica?
Melhor ainda.
Para o Orinoco, para o Amazonas...
e n�o voltarei at� que meus bolsos estejam cheios de ouro.
E raptarei minha amada
e a farei muito feliz.
Alicia foi um amor f�cil.
Ela se entregou sem hesitar,
esperan�osa no amor que buscava em mim.
"Na montanha h� vaga-lumes...
e minha jangada que rega
vai apagando os c�us sobre a �gua estelar."
Depois que me casar, n�o voltarei a ouvir seus poemas.
Minha desgra�a se op�e ao seu futuro.
Eu morrerei sozinha.
N�o posso abandon�-la.
- Vamos fugir. - Para onde?
Para longe, onde for.
Para o Orinoco, o Amazonas, a �frica. Vamos fugir!
- Voc� est� louco. - Sim.
Aceite minha sorte, mas me d� seu amor.
Atr�s daquela �ltima colina
est�o as savanas de Meta e Casanare.
� para l� que vamos.
Alicia, por favor, suba no cavalo, que a tarde est� caindo.
N�o suporto essa sela. Minha perna est� dormente.
Quando chegarmos � pousada, tentarei troc�-la.
Mas suba, por favor.
N�o!
Tome.
Voc� est� muito quente.
Vou buscar algumas ervas.
Obrigada.
N�o se preocupe, n�o vamos sair daqui at� voc� melhorar.
Sr. Cova!
Sr. Cova!
Sr. Cova!
"Grande esc�ndalo."
"Savanas, �nico para�so."
Cuidado, os escorpi�es picam.
Cuidado, posso picar voc�.
Alicia, acha que estamos fugindo de um fantasma
cujo poder n�s atribu�mos a ele?
- N�o seria melhor voltar? - Voltar?
Voc� fala tanto nisso que acho que se cansou de mim.
Por que voc� me trouxe aqui?
A ideia foi sua.
- N�o quero nada com voc�. - Alicia...
Vou procurar uma alma caridosa que me ajude.
- Alicia, calma. - Seu canalha!
Acalme-se, Alicia.
Eu vou embora.
N�o quero nada com voc�. Nem Casanare nem voc� valem a pena.
O que est� fazendo prova que nunca me amou!
Nunca! Acha que n�o sei das suas persegui��es �quela mo�a l�?
Tanta dissimula��o para seduzi-la.
Se � assim agora, como ser� depois?
Com voc�, nem no c�u!
Vossa merc�!
Quase n�o consegui chegar!
Vossa merc�, me concede dois minutinhos para uma palavra?
Sim.
Meu padrinho, o prefeito, mandou notific�-lo.
- Isso n�o � para mim. - Como n�o?
N�o s�o voc�s que estavam l� na pousada da Sra. Tulia?
Sim, com certeza.
Vou a Villavicencio como intendente, ela � minha esposa.
Intendente? Porque est�o mandando notificar a popula��o.
� preciso notificar as autoridades, com tantos telegramas chegando,
e como sou o novo comiss�rio...
Assine para que o prefeito veja que cumpri minha obriga��o.
Tem uma caneta?
Como eu teria uma caneta!
N�o, mas pelo outro caminho passam pessoas sofisticadas como voc�s,
e talvez tenham uma, n�o?
De qualquer forma, a noite est� ficando escura e fria.
� melhor nos protegermos
antes que a chuva nos leve para o rio.
Ofere�a-me uma bebidinha e me conte sua vida.
Prazer. Meu nome � Pepe Murillo Nieto,
e por ter um nome ruim, me chamam de "El Pipa".
Alicia!
Alicia, pegue tudo, vamos embora.
Alicia...
- Alicia, acorde! - O que aconteceu?
Aquele filho da puta roubou meu cavalo. Vamos embora.
"A gentil calentana, vibrante e submissa,
de cabelos que cheiram a murta florida,
quando dan�a bambuco, o riso se entristece
e o sussurro de suas saias com babados se alegra."
- Arturo Cova! - "O povo..."
Voc� � o poeta, n�o?
� poeta...
Mas eu sou general!
Sou o general G�mez y Roca.
N�o s� isso,
mas tamb�m tenho uma ordem
para lev�-lo preso por roubar mo�as.
Voc� n�o tem pena?
Onde est� a Srta. Carranza?
Eu n�o roubei ningu�m, meu general. Ela est� descansando.
Descansando...
Vamos l�, um gole.
A festa come�ou.
Mas o que � esta maravilha?
Uma digna irm� das nove musas.
N�o me toque.
Calma. Calma, poeta.
N�o seja ego�sta com os amigos.
N�o me toque.
Vamos, calma.
Al�m disso, sou amigo dos pais dela,
e se voc� pretende lev�-la para terras distantes,
ela pode morrer por l�.
Eu quero me responsabilizar por todo este corpinho de delito.
E, se n�o deixar, eu o levo preso.
Lembra-se de quando era crian�a e se sentava no meu colo? Venha.
- Solte-me! - Venha...
Arturo!
Arturo! Arturo, filho!
Pronto.
Calma, calma. Sou eu, sou eu.
Dom Rafo!
Vamos embora daqui, agora. Pegue as malas e vamos embora.
- Vamos. - Meu sapato.
Arturo, o que vai fazer com isso?
Arturo, filho, n�o desperdice as balas.
Voc� acha que esse bichinho est� perto,
mas, na verdade, est� a uns cem metros.
S�o fen�menos da natureza.
Chamam essa cobra de jiboia.
Claro, essa � pequena.
Voc� gosta?
� linda.
Ou�a, filho...
Por que voc� trouxe essa garota para c�?
Voc� gosta dela?
Ainda gosto,
mas ela est� me irritando.
Pelo menos, se fosse um pouco mais ousada,
menos teimosa e caprichosa.
Louvado seja Deus!
E sua m�e sant�ssima! Venham logo!
Tiana querida.
- Que alegria a ver. - Dom Rafo, o que me trouxe?
Veja, trouxe este casal de jovens: Arturo e Alicia.
- Que parentes bonitos trouxe. - Finalmente chegamos.
Venham, entrem, voc�s devem estar cansados.
- Obrigada. - Agora, sim, chegamos.
Alicia...
olha o tamanho desta jiboia.
A fazenda est� � sua disposi��o.
Ora, Rafo, pensei que voc� n�o ia voltar.
N�o diga que esqueceu o caderno de novo.
N�o venha com essa, ou vamos brigar.
Cuidado, que eu trouxe. Ei, voc� � muito valente, n�o?
- J� lhe trouxeram caf�? - N�o se incomode.
Tiana...
Vamos, traga caf�.
Espere um pouquinho. J� venho, Dom Rafo.
E esses diamantes s�o legais?
- Voc� trouxe para vender? - N�o.
- Eu troco por essa m�quina. - Cuidado, essa � boa negociante.
Estamos juntando para deixar a terra.
Para onde voc�s v�o?
Para os seringais.
Narciso Barrera veio buscar gente para Vichada.
L� d�o comida e pagam bem.
O dif�cil � convencer o Fidel, que ama mais as vacas do que a mulher.
Ele n�o se decide a deixar esta terra. Que vestido bonito!
E essas botas...
Voc� mesma cortou esse vestido?
- N�o, senhora. - Obrigado.
Mas sei um pouco de costura.
- Voc� me ensina? - Com prazer.
- Para isso comprei a m�quina. - Eu ensino.
Veja os tecidos que tenho.
Barrera me trouxe quando veio nos visitar.
E deu para Tiana tamb�m.
Traga o seu para que o Dom Rafo veja.
Que tecido delicado!
S�o cortes de seda pura, Dom Rafo.
O de Barrera � desgastado.
Veja a f�brica em Vichada para onde ele quer nos levar.
Diga-me com imparcialidade...
essas constru��es n�o s�o uma preciosidade?
E esta fotografia... primorosa.
Barrera distribuiu por toda parte.
Pelo que parece, Barrera as deixou deslumbradas.
Mas l� vivem mil homens, e cada um ganha uma libra por dia.
Imagina quanto dinheiro vou ganhar fazendo assados,
mais o que o Fidel ganha?
Barrera diz que uma oportunidade dessas n�o aparece de novo na vida.
Tiana, traga algo de comer para os brancos que chegaram de longe.
J� volto, Dom Rafo.
- Como voc� se chama? - Meu nome � Alicia.
Alicia. Venha c�, menina Alicia! Solte um pouco essa roupa.
N�s duas vamos ficar nesse quarto.
A mala. Est� aqui.
- Qual � a sua? - Esta.
Venha, por aqui.
Bem-vinda.
Venha, vou tirar sua foto. Venha por aqui.
Bem-vindos!
Vou lev�-la. Voc�s j� separaram as camas?
Cuidado porque ela � muito magrinha.
O que acham?
- Isso fica bem em mim? - Tudo fica bem em voc�.
Fiquei aqui fofocando e minhas cachapas v�o queimar. Ora!
- Est� bonita, n�o? - Quanto custa esta espora?
Dois pesos. Essa veio da Europa.
Dois pesos? Com dois pesos eu compro duas mulas.
Voc� trouxe quinina.
E tamb�m os comprimidos para febre.
Quanto custa o fio?
Leve por dez pesos.
N�o deixa por cinco?
N�o, leve por nove.
Tiana, aqui est� a erva.
Venha, eu preparo a �gua para voc�.
Ela est� gr�vida, menina?
Claro que est� gr�vida!
Esta manh� tivemos a visita do alcarav�o.
� preciso cuidar dela,
para que essa criatura n�o morra de susto.
Vamos matar uma galinha, para que com o caldo
essa passarinha gr�vida ganhe for�as nas entranhas.
- Seu marido sabe? - Nem eu sabia.
N�o, ele n�o sabe.
Sou um empecilho para o Arturo.
Eu nem deveria estar aqui.
Meus pais ainda devem estar me procurando.
Fique tranquila, menina. Deixe o beb� nascer,
e vai ver como voc� e seu marido v�o ficar unidos.
Vai, Tiana.
Sim, a �gua.
Quer saber? Arrume tudo, eu levo para voc�.
Como assim? Quem disse?
Barrera quer que levemos sua mercadoria.
- N�o me diga. E por qu�? - Por concorr�ncia.
O que est� pensando, infeliz?
O velho n�o est� sozinho!
Olhe, forasteiro, acima de mim s� est� meu chap�u.
E por maior que seja a terra, ela est� abaixo dos meus p�s.
Eu n�o estou me metendo com voc�,
mas, se quiser, tamb�m me meto.
- Arturo! - O que est� acontecendo?
- Dona Griselda. - O que voc� quer?
- J� est�vamos indo, Dona Griselda. - Muito bem.
Com licen�a.
- Arturo, para com isso. - Sim.
Ora, n�o vai receber o patr�o?
Ele que venha.
O que aconteceu aqui, Griselda?
- Fidel! - Ora, Dom Rafo!
- Fidel! - Prazer em v�-lo.
Que alegria!
- Como vai? - Bem.
Mulher...
Que visitas s�o essas?
Dom Rafo trouxe um homem e uma mulher.
Fidel!
Arturo Cova, a seu servi�o. Alicia, minha esposa.
Muito prazer. Alicia.
Alicia, Fidel Franco. Bem-vindos, podem contar comigo.
Se s�o amigos do Dom Rafael,
podem ficar � vontade, homem.
Posso ajudar?
Dom Rafo comentou que o senhor foi militar.
Sim, mas isso foi em outros tempos.
Quando era jovem, fui estudar em Bogot�.
Entrei para o ex�rcito e fui designado para a guarni��o de Arauca.
Tive um desentendimento com o capit�o e desertei.
Desde ent�o, vim com Griselda limpar este rancho
que n�o pretendo deixar por nada na vida. N�o �, Griselda?
O que mais aconteceu, mulher?
Vieram uns homens do Barrera para pegar as coisas do Dom Rafo.
� verdade. Como s�o atrevidos!
Mas o mocinho aqui os encarou e os enfrentou.
Fidel, viu a mulher por quem esse homem est� apaixonado,
toda elegante?
- Diga que vai me ensinar a costurar. - Vou ensin�-la a costurar.
E ela vai ficar comigo no quarto.
Voc� fica na rede na cabana.
E na terra que n�o vai abandonar por nada na vida.
Vem, menina.
M�e, viu o que acontece por contar tudo para todo mundo?
Barrera percebeu que tem mercadoria aqui e mandou roub�-la.
E o que tem de errado nisso? N�o v� que contar � vender?
Ande! Pegue isso e leve l� para fora.
Por que n�o me chamou, Fidel?
Vai chegar a hora, poeta.
Quem madruga comemora duas vezes, poeta, n�o se preocupe.
Vai ter tempo para la�ar.
Guarde a eguinha para mim.
Essa parece travessa, mas � d�cil...
assim como a pessoa.
E pegamos a esperta, m�e.
Mas vamos ver se ela derruba o filho da minha m�e.
Ora, esse condenado! O que voc� vai fazer?
O que voc� acha? Que esse cavalo te deu � luz?
- Vou dedicar a voc�, senhora. - Obrigada.
Ei, Antonio!
Senhores, peguem o potro de Antonio. O escuro.
Isso!
Calma, minha filha.
Escute, parente, n�o deixe esse animal matar meu filho.
Voc� est� exagerando.
N�o � o primeiro que ele doma, mulher.
M�e, a b�n��o.
Que Deus o proteja, meu filho.
Aos poucos, fui entendendo que n�o havia limite entre animais e homens.
Como centauros, eles se serviam mutuamente,
aceitando com coragem sua natureza selvagem,
sua paix�o, sua alma infantil.
Todos est�o indo embora.
Barrera perturbou tudo, Dom Rafo.
� verdade que a fazenda Zubieta est� de cabe�a para baixo?
N�o � nem sombra do que voc� conheceu.
L� n�o se pode nem viver, � melhor colocarem fogo naquilo.
E com a isca da pr�xima viagem aos seringais,
ningu�m est� pensando em trabalhar,
muito menos quando sabem que est�o prestes a ficar ricos.
- O que o tal Barrera promete? - O que acha?
L� n�o h� cavalos mansos, mas potros.
N�o h� vaqueiros, mas foli�es.
E, para completar, os �ndios guah�bos atacaram a propriedade dos Bernal.
O que far� com sua propriedade?
Defend�-la. Claro.
Com dez cavaleiros bem armados, n�o deixaremos um �ndio vivo.
Sai!
Poeta, seu caf�.
E todos?
Os homens est�o montando, as mulheres, tomando banho.
Veja o que resolvi usar hoje:
esta medalhinha que � aben�oada e milagrosa.
Para ver se o Antonio me leva com ele.
Para ele n�o me deixar nestas terras,
coloquei no caf� dele o cora��o de um passarinho chamado piapoco.
Voc� n�o! Meu Antonio, meu filho!
Com isso, quando ele estiver longe daqui
ao ouvir um passarinho cantar, vai ficar muito triste
e vir para c� ficar com a m�e.
E ele tamb�m quer ir para Vichada?
Quem sabe? Fidel n�o quer ir embora.
� a Griselda que est� obcecada com isso,
e como Antonio faz tudo que Fidel manda...
Dizem que o Barrera est� no p�ntano, que j� vem para c�.
Ele vem com frequ�ncia?
Bem, �s vezes ele vem e fala com a Griselda.
Ela diz para dar uma chance a ele, mas ela tem que tomar cuidado,
porque o patr�o Fidel � muito violento.
Ela sabe disso e tem medo dele, desde que aconteceu o caso de Arauca.
Algu�m soprou no ouvido dele que o capit�o estava atr�s da mulher.
Ele acordou de madrugada e, com duas facadas,
pronto, l� se foi o falecido.
Boa tarde.
Boa tarde.
� um prazer conhec�-la.
Meu nome � Narciso Barrera.
A VORAGEM
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