All language subtitles for drsfgrdfgrfdrfdt

af Afrikaans
ak Akan
sq Albanian
am Amharic
ar Arabic
hy Armenian
az Azerbaijani
eu Basque
be Belarusian
bem Bemba
bn Bengali
bh Bihari
bs Bosnian
br Breton
bg Bulgarian
km Cambodian
ca Catalan
ceb Cebuano
chr Cherokee
ny Chichewa
zh-CN Chinese (Simplified)
zh-TW Chinese (Traditional)
co Corsican
hr Croatian
cs Czech
da Danish
nl Dutch
en English
eo Esperanto
et Estonian
ee Ewe
fo Faroese
tl Filipino
fi Finnish
fr French
fy Frisian
gaa Ga
gl Galician
ka Georgian
de German
el Greek
gn Guarani
gu Gujarati
ht Haitian Creole
ha Hausa
haw Hawaiian
iw Hebrew
hi Hindi
hmn Hmong
hu Hungarian
is Icelandic
ig Igbo
id Indonesian
ia Interlingua
ga Irish
it Italian
ja Japanese
jw Javanese
kn Kannada
kk Kazakh
rw Kinyarwanda
rn Kirundi
kg Kongo
ko Korean
kri Krio (Sierra Leone)
ku Kurdish
ckb Kurdish (Soranî)
ky Kyrgyz
lo Laothian
la Latin
lv Latvian
ln Lingala
lt Lithuanian
loz Lozi
lg Luganda
ach Luo
lb Luxembourgish
mk Macedonian
mg Malagasy
ms Malay
ml Malayalam
mt Maltese
mi Maori
mr Marathi
mfe Mauritian Creole
mo Moldavian
mn Mongolian
my Myanmar (Burmese)
sr-ME Montenegrin
ne Nepali
pcm Nigerian Pidgin
nso Northern Sotho
no Norwegian
nn Norwegian (Nynorsk)
oc Occitan
or Oriya
om Oromo
ps Pashto
fa Persian
pl Polish
pt-BR Portuguese (Brazil) Download
pt Portuguese (Portugal)
pa Punjabi
qu Quechua
ro Romanian
rm Romansh
nyn Runyakitara
ru Russian
sm Samoan
gd Scots Gaelic
sr Serbian
sh Serbo-Croatian
st Sesotho
tn Setswana
crs Seychellois Creole
sn Shona
sd Sindhi
si Sinhalese
sk Slovak
sl Slovenian
so Somali
es Spanish
es-419 Spanish (Latin American)
su Sundanese
sw Swahili
sv Swedish
tg Tajik
ta Tamil
tt Tatar
te Telugu
th Thai
ti Tigrinya
to Tonga
lua Tshiluba
tum Tumbuka
tr Turkish
tk Turkmen
tw Twi
ug Uighur
uk Ukrainian
ur Urdu
uz Uzbek
vi Vietnamese
cy Welsh
wo Wolof
xh Xhosa
yi Yiddish
yo Yoruba
zu Zulu

Original subtitles

- Sim? - Olá, boa tarde.

Rita Millán?

Vou já!

- Olá. - Olá.

Boa tarde.

Venho da parte do Jesús Millán.

Quem raio és tu?

Sou o Jan Sorell da Ulysses Chest.

Quero lá saber, ele que a meta no cu.

- É importante o que tenho de... - Saia! Não quero ouvir.

Rita...

O seu pai faleceu.

Lamento.

É o último desejo do seu pai.

Vim de muito longe para lho entregar, por favor.

Entra.

Espere aqui. Um segundo.

O que é?

Antes de morrer, ele contratou-me para lhe entregar isto.

- Abra, por favor. - Não, não, abra você.

Como queira.

Aquilo que vai ver é uma questão pessoal do seu pai.

A Rita não tem qualquer responsabilidade.

Se lho trouxemos, foi por julgar que a poderá ajudar.

- Sabemos imenso a seu... - Abra-a de vez.

O que é?

Um vídeo.

Vou deixá-la a vê-lo.

Não.

Fica.

Tem a certeza?

Bom...

Do fundo do meu coração...

Por favor, perdoa-me.

É a verdade.

Sabes, atormenta-me...

...nunca ter sido tão feliz como quando estava contigo.

Nem sequer com a tua mãe.

Tinhas tanto medo de estar sozinha!

Mas, para ser sincero, eu é que devia tê-lo evitado.

Quem me dera tê-lo feito.

Perdoa-me.

Nem que seja só um bocadinho.

Amo-te.

Agora e sempre.

Adeus, meu amor.

Suicidou-se?

Sim.

Como?

Enforcou-se.

Quando saímos.

Volto já.

Merda, merda!

Rita!

Rita!

Rita, que se passa?

Rita!

Porque me mostraste aquele vídeo?

Se já o tinhas visto, porque mo mostraste?

É o meu trabalho.

Além disso, também sei o que é arruinar a vida a alguém.

Sabes?

A vida de quem?

Não interessa.

Mas...

- O meu pai era um monstro. - Imagino que sim.

E vivia consumido pelo remorso, pela culpa...

...a sua obsessão.

Mas aquilo que ele mais receava...

...era deixar de existir para ti.

Pois eu acho que para que o perdão seja sincero,

é preciso pedi-lo frente a frente,

de olhos nos olhos.

Dentro de cada um de nós

há uma janela com vista para o inferno.

Um inferno...

...onde os acontecimentos que marcaram o nosso destino

estão gravadas na nossa memória,

como que marcadas a ferro.

Mas ainda há uma tortura pior:

quando nos apercebemos de que tudo o que fizemos aos outros,

na realidade...

...o fizemos a nós mesmos.

Passei 20 anos diante desta janela.

Enfrentando o meu próprio adversário.

.

Max, olá, olá, olá!

Vamos.

Anda lá, Max, estamos atrasados.

Cuidado com a cabeça.

Manda-a entrar.

Entre.

A Sra Rita Millán, primeira consulta.

Obrigada.

Bom dia, Rita.

Bom dia.

Que a traz cá?

Ora bem...

Para ser sincera... é algo...

Não sei por onde começar.

É sobre o meu marido.

Certo, pode falar-me disso, mas estamos aqui para falar de si, está bem?

- Sim, claro. - Diga lá então.

Eu e o meu marido conhecemo-nos há cinco anos.

Foram cinco anos felizes.

E corria tudo muito bem, até que há uns dias...

de repente, tudo se...

...desmoronou.

Descobri que anda obcecado com outra mulher.

Já antes de me conhecer.

Conhecemo-nos na Suíça, porque ele trabalha muito, para o seu trabalho.

- Tem uma empresa. - Desculpe, Rita, mas...

Combinámos que falaríamos de si.

Diz que o seu marido anda obcecado com outra mulher.

O que sente quanto a isso?

Ele nem sequer me engana com ela.

Mas está...

Não consegue tirá-la da cabeça, é como um ideal.

O Jan...

É o nome do meu marido.

O Jan é uma pessoa muito sensível.

Dissimula-o muito bem.

Mas sei que está obcecado por ela.

Até agora, não me tinha apercebido.

Sou tão estúpida!

É como se essa mulher tivesse deixado um vazio.

Dentro dele.

Bom...

Como é o Jan?

Não íamos falar de mim?

Sim, mas preciso de saber como o descreve, para perceber de onde vêm os sentimentos.

Claro.

Bom...

O Jan é...

É um homem muito atraente. Sempre foi muito atraente.

É forte, alto, assim...

E tem uns olhos azuis, verdes, lindos.

Rita, porque veio cá?

Refiro-me à consulta.

Como estava a dizer...

Voltámos da Suíça há pouco tempo.

Lá, era tudo perfeito, mas agora chegámos aqui e...

Tudo mudou.

Não me toca há semanas e quase não falamos.

Já não sei o que fazer.

Já lhe perguntei mil vezes o que há, mas ele não me responde.

Mas eu sei o que ele tem.

Porque...

quando estávamos a fazer a mudança,

abri uma caixa...

...e encontrei umas cartas que a mulher lhe escreveu.

Também havia fotografias. E desenhos.

Lindas!

Dela, nua.

Todo um mundo.

Eu quero recuperá-lo.

Portanto contratei um detective privado

para encontrar a mulher e ver como ela é.

É por isso que estou aqui.

O quê?

Saia, por favor.

O detective contou-me que és uma mulher feliz e bem casada.

- Carmen, chama a segurança. - Sei que não mantêm contacto.

- Saia daqui, por favor. - Tu não sabes nada das cartas...

- Não tenho nada contra ti. - Sai.

- Só quero que me ajudes a... - Sai, por favor!

- Não consigo continuar assim. - Fora.

Liga-me.

Olá!

Olá!

Nico.

Nico?

Olá?

Está cá alguém?

Surpresa!

Que vem a ser isto?

- É Carnaval, sou uma morta. - Carnaval?

- Tenho muitas... - Amanhã.

- Amanhã é Carnaval? - Esqueceste-te? É amanhã.

- Mãe, estou a praticar mortes... - Deixa ver.

Esta é a minha preferida.

Depois esta...

Esta, esta...! Deram comida ao John Silver?

- Sim. - Sim? Mudaram-lhe a água?

Não...

- Também... - Anna, Anna...

Anna, já chega.

- Vai tirar isso, vamos jantar. - Mas, Mãe...!

- Mais baixo, o Max está a dormir. - Está bem.

- Que tal o dia, Violeta? - Correu bem.

- De certeza? - Sim.

Assustaram-me mesmo.

- O Max teve cá uma tarde! - Então?

A chorar, a gritar...

- Trabalhas esta noite? - Não.

- Que é isso? - O quê?

Isto.

Isto? Não é nada.

- Relatórios. - Vais trabalhar esta noite...

- Vou tomar um duche antes do jantar. - Sim.

Que é o jantar?

Ravioli.

- Tudo para a água! - Sim, tudo na água!

- Está gelada! - Não sejas mariquinhas!

- Anda, Jan! - Hector, tu também!

Anda lá!

Para a água, Hector!

Nico.

Vou lá num instante.

- Espera, espera. - Eu vou.

Não, ele parou.

Calou-se.

Nico...

Nico!

Nico!

Nico!

Porra, Nico!

A sério, Nico?

- A tua irmã? - Está a dormir.

Um rapaz trouxe a tua mochila.

Deixaste-a na praia ontem.

- Está bem. - Está ali.

Se eu digo que vou à loja, é porque vou à loja!

Vou fazer outra coisa.

Senão, está tudo de férias menos eu.

Não me inscrevi para isto!

Que se passa contigo, Laura?

Está com uma ressaca horrível. Vá, passa aí o ketchup.

Não é desculpa.

A vossa mãe trabalhou a manhã toda

enquanto vocês as duas dormiam. - E tu estiveste a ver?

- Não me respondas. - Só perguntei.

Laura, não sejas impertinente.

- ''Impertinente''. - Queres uma estalada?

Esquece.

Tem cuidado!

- Meninas! - Vamos comer, porra!

Pega nisso e come.

Eu como.

Violeta, que fazes?

- Sabe a pinha. - Come lá, vá!

- Mãe! - Estou fartinho disto, porra!

Parecem crianças!

Laura, que se passa?

- Laura! - Ela é uma puta!

- O que é que tu... - Uma puta!

Chega! Chegaram a isto?

Sabem que mais? Vamos embora!

- Para onde? - Para casa, ver a corrida. Vamos!

- Vou ficar. - Cala-te! Pega nas tuas coisas.

Violeta, por favor...

Vá lá!

Que fazes?

Puta!

- Laura! - Porra, pá! Violeta!

Violeta!

Violeta!

Porra!

Violeta!

Violeta!

- Violeta! - Que se passa?

Violeta! Não estou a brincar, vamos.

- Vamos para casa. - Eu não vou.

Não me faças irritar. Este tipo é um vadio.

Passa aqui os Verões a engatar e a descartar raparigas.

Vá, vamos.

Pai, por favor.

Dá-me o capacete. Que te fiz eu?

- Ouça.. - Cuidado, imbecil.

Calma.

- Sai da moto. - Não.

- Violeta, sai da moto! - Ouça...

E diz ao namorado da tua irmã

que não volte a tocar-me, senão dou-lhe uma coça valente.

Ele não é namorado dela.

- Sai da moto! - Estás a magoar-me!

- Chega! - Mas que raio...?

Põe o capacete!

Violeta!

Violeta!

Então?

Fruta e chouriço?

Sra Millán, deixou uma pasta no meu consultório.

Pode recolhê-la amanhã às 16h, no Café Del Centre, junto à clínica.

Obrigada.

- Olá. - Viva.

- Como estás? - Bem. Aqui está a pasta.

Por favor, não voltes a incomodar-me.

Espera.

Dá-me dois minutos.

Senta-te um bocadinho, e não volto a incomodar-te.

- Dois minutos? - Sim.

Quero que saibas que o Jan é uma pessoa maravilhosa.

Chega a ser complicado, mas é maravilhoso.

Quando foi para os Estados Unidos,

criou uma empresa chamada Ulysses.

É uma empresa para últimos desejos.

Quando alguém está a morrer e quer dizer algo a um ente querido,

contacta a Ulysses que entrega essa mensagem

sob a forma de um objecto, um vídeo, uma carta...

Sempre achei que ele criara a Ulysses para preencher um vazio.

E agora sei que esse vazio tem que ver contigo.

Só lhe peço que se encontre com ele uma vez.

Se se encontrarem e conversarem, o plano dele deixará de ter importância.

- Percebes aonde quero chegar? - Não.

Desculpa é que... Rita, mas não percebo. Pedes-me que me encontre com o Jan?

Não. Quero dizer... Não é encontrarem-se de propósito.

Podiam encontrar-se por acaso. Eu estaria num bar e...

- Sim, certo. - ...num sítio qualquer e tu aparecias.

Desculpa, eu estou bem. Não voltes a incomodar-me.

Vou andando, já passaram dois minutos. Já chega.

A tua família sabe do vício?

Sabes que posso fazer queixa de ti só por teres dito isso?

Eu só quero um encontro.

Que lhe dês uma hora, só isso.

Dizes que está bem, mas não estás.

Uma hora da tua vida. Que importância tem?

Não faço isto por mim, faço-o por ele.

E fazia-te bem a ti.

Conta-me uma coisa...

O quê?

Não sei.

Está bem.

Esta história passou-se no Equador há muito tempo.

É sobre um casal apaixonado que morreu muito jovem.

- Como sabes? - O quê?

Que estavam apaixonados.

Os esqueletos foram encontrados recentemente.

Estavam abraçados.

Como morreram?

Era um amor proibido.

Ele era um jovem pagão,

e ela era a filha de um chefe tribal.

Foram descobertos e ele foi dado como escravo a outra tribo.

Ela ficou destroçada.

Um dia, fugiu.

Procuraram-na por todo o lado até que a encontraram.

Estava no bosque...

a morrer...

de olhos postos no céu...

...a repetir o nome do seu amado.

Foi a última palavra dela.

Quando ele a viu morta, pediu para ser enterrado vivo com ela.

Pegou-lhe no braço,

pôs a mão no rosto dela,

cobriu-a com a perna...

...e enrolou-se nela.

Para a proteger com o seu amor infinito.

Cobriram-lhes os corpos com folhagem e com conchas.

E depois com pedras.

Sabes porquê?

Porquê?

Para que as suas almas nunca escapassem.

E para que eles ficassem juntos para sempre.

São tão naturais. Se eu os tivesse agora...

Aqui, estariam pendurados na mesa.

Ela chegou.

Está a olhar para mim.

Violeta?

Olá.

Sabes quem sou?

O Jan.

Pensei que nunca mais te veria.

Obrigada.

Eu também.

Como estás?

Estou muito bem.

Muito bem.

Estive fora muitos anos, mas agora regressei.

Vivi no estrangeiro, mas voltei às minhas raízes.

- Está tudo bem? - Acho que sim.

- Amor, não pediste a minha cerveja. - Sim.

- Violeta... - Olá.

- Esta é a Rita. - Sou a Rita, a mulher dele.

Olá.

Muito gosto.

E de onde se conhecem?

Bom... De há muitos anos.

Então são amigos?

E se fosses almoçar lá a casa?

Não?

Acabámos de chegar e não conhecemos ninguém.

Obrigada, mas é complicado.

Tenho dois filhos.

Dois filhos pequenos.

E...

E tenho de ir, lembrei-me agora de que tenho uma reunião.

E o teu chá?

Esqueci-me.

Adeus.

Gostei de te ver.

Gostava que fosse um menino.

Sabes o que adoro pensar?

O quê?

É a imagem da felicidade.

O quê?

Vais ensiná-lo a usar as mãos,

a construir coisas, a arranjá-las.

Tem piada dizeres isso.

Porquê?

É do que sinto mais falta com o meu pai.

Quantos anos tinhas quando ele te deixou?

Dez.

O meu pai era um cabrão.

Deixa que te diga uma coisa...

Jan Sorell...

Ganhaste.

Quando eu era pequena,

tínhamos uma árvore junto à casa.

Eu deitava-me junto a ela quando estava triste.

Sabia-me bem.

É como me sinto agora.

Sinto que te amarei sempre.

Sempre, sempre.

Está?

- Há aqui alguém para falar contigo. - Está bem.

Mãe, fiz crepes.

- Quantos fizeste? - Quatro.

Quatro, fantástico!

Um para o Pai, um para mim, um para o Max e um para ti.

Fantástico!

- Porque te adoro. - Eu também.

Como chegas tarde hoje, deixei-o na mesa da cozinha,

para o caso de teres fome.

- Senão, como-o eu. - Obrigada!

- Adoro-te, adeus! - Adeus.

Vemo-nos logo.

Olá.

Olá.

Como estás?

- Bem. - Vá lá...

E os miúdos?

Estão a dormir.-

Como foi a universidade?

Como sempre.

Muitas hormonas.

E como foi o teu dia?

Foi estranho.

Estranho?

Encontrei um amigo que não via há anos.

- Quem? - O Jan.

Não o conheces, estava com a mulher.

E porque foi estranho?

Foi como se fôssemos desconhecidos.

Como assim?

Não sei.

Não, é que foi...

Foi o quê?

- Vio? - O quê?

Desculpa.

Nada, uma das minhas pacientes perturbou-me um bocado.

Quem?

De uma mulher cujo filhos e suicidou e...

...e ela acha que a culpa é dela. - Merda.

Sim, é uma merda.

Passa aí o tomate.

Queres jantar?

Não tenho fome.

Está aí muito amor.

Obrigada.

Estou exausta.

Vou para cima.

Violeta.

O que é?

Nada.

Tens a certeza?

Sim.

Podíamos ficar com um.

Viajamos de moto.

Só um, ele não nos estorvará.

Escolhe um.

Sim, óptimo. A chave estava no sítio, a casa é perfeita.

Agradece à minha avó. Vens amanhã à noite, sim?

Na aldeia, verás o hospital.

Há um grande castanheiro cheio de pardais.

É um hospital, verás... Sim.

Diego, diz à Mãe que lhe ligo quando puder, sim?

Obrigado.

Até amanhã.

O sol está a pôr-se.

Que pena a Lua ainda não se ter levantado.

Mas assim também é bonito.

A polícia ainda nos procura.

É bonito porque estou contigo.

- Vais amar-me sempre, não? - Sim.

Sempre.

Jan?

Jan!

Atenção...!

Colher na mão...

Colher no nariz...

E... voilà!

Uma colher voadora!

- Obrigado! - Mais, mais, mais!

- Obrigado, meu amor! - Faz outra vez!

Vamos comer. Anna, come.

Nico, a Laura ligou-me.

Disse que, se quisermos, leva os miúdos ao Port Aventura.

Sim! Quero ir!

No Carnaval!

- No Carnaval? - Sim, no Carnaval.

- Isso foi há duas semanas. - Eu sei, ainda estão a festejar.

Eu quero ir!

E o Max?

É muito pequeno, seria uma chatice para elas levarem-no.

Talvez possamos ir os quatro.

- Não, não, não... - Sim!

Eu não gosto de parques temáticos, já sabem.

Vão vocês, se quiserem.

Anna.

- Fiz-te uma pulseira na escola. - Não!

É violeta!

É tão bonita!

- Muito bem, princesa! - E um beijinho?

Agora come!

Vamos todos.

- Anda lá, Violeta. - Nico, não gosto. Sabes isso.

- Olha! - Fantástico!

Anna, larga a colher e come.

Lembras-te de te dizer que encontrei um velho amigo e a mulher?

Bom...

Eles convidaram-nos para almoçar. Recusei por causa dos miúdos,

mas como não vais estar aqui, talvez aceite e vá eu.

Será uma seca, mas...

- Ouve. - Pode ser uma ideia.

- Podíamos ir os dois. - O quê?

Peço aos meus pais que fiquem com o Max.

Os teus pais estão velhos. Não, não...

Podíamos fazer algo juntos.

Nico, não.

Vai ser uma seca, já te disse.

Eu gostava de ir, não sei...

Porquê?

Não conheço os teus amigos antigos. Max, o que preferes?

Ir para casa do Avô e da Avó ou ir ao Port Aventura?

A casa do Avô e da Avó, não é?

Olha!

Quer ir para casa dos avós, está decidido.

Nico, pára de insistir, por favor. Por favor.

- Eu e o Max dissemos que sim. - Mas eu digo que não.

E nós dizemos que sim.

Não.

Sim.

Raios, Nico.

- Não. - Vio, sim!

Nico!

- Não. - Sim.

Não!

- Sim. - Não.

Sim, raios!

Está bem.

Se quiseres...

...direi que vamos os dois.

Estaremos sozinhos.

Diz-lhes que venham cá eles. Eu faço um arroz.

Fantástico.

Max, come.

Anna, come!

Max, não chores.

Estás nervoso?

Não te esqueças, se ela falar nisso...

Sabes...

- Olá! Entrem. - Olá, como estás?

- Obrigada pelo convite. - De nada.

Está bonito o teu cabelo.

Obrigada, tu também.

- Entrem... - Por aqui?

Sim, sempre em frente. Isto é a cozinha.

- Que bonita! - Sim.

Adoro!

Jan. Estive a pensar... Esta madeira para a nossa mesa?

A sério?

- Vamos comer no jardim. - Sim.

À esquerda.

- Que casa! - Sim!

- Adoro! - Sim, é bonita.

- Tens um gato? - Sim.

- O John Silver. - John Silver?

Olá, John Silver.

És tão lindo!

É um amor.

- Apresento-vos o Nico? - O teu marido?

- Sim, claro. - Nico!

- Olá. - Olá.

- Nico, Rita. - Muito gosto.

- Encantado. - Como estás?

- Bem, a cozinhar. - Que espectacular!

Bebem alguma coisa? Estamos a beber vinho branco.

Claro, o que estiverem a beber.

Também eras amiga da Rita?

Não, não era.

Conheci-a no outro dia.

Mas o Jan falou-me muito dela.

Mas eles não se viam há muito tempo, pois não?

- O Jan que te diga. - Olá.

Jan, amor, este é o Nico.

- Muito gosto. - Muito prazer.

Queres um copo de vinho?

Não, eu não bebo. Mas trouxemos uma garrafa.

Tens bom gosto para quem não bebe. Bebemo-lo com o arroz.

Um aperitivo?

- Está bem. - Óptimo.

Estás a ver?

Só falas dos que se vão? Porque não falas dos que ficam?

- Fazemo-lo por eles. - Sim?

- Analisamos... - Como?

Analisamos cada caso em profundidade.

Sabemos que nem todos estão preparados para ouvir certas coisas.

E se acharmos que a oferenda é benéfica para quem cá fica,

aceitamos o caso.

Fazemos o que podemos para os ajudar a aceitar a mensagem.

Não, não.

- Não o quê? - Não, nada.

Caraças, Ulysses... Então, voltaste para Ítaca?

Ítaca!

Que piada!

Qualquer aluno de MBA destruiria esse modelo de negócios.

Talvez. Sim, sim.

E olha como é próspero.

Melhor para ti. A criatividade é a chave.

Brindemos a isso que disseste.

- A criatividade é a chave. - A criatividade é a chave, para todos!

Então, conheceram-se em adolescentes?

Num parque de campismo.

Eu fui com os meus pais.

- E só se viram nesse Verão? - Sim.

Exacto.

E porque partiste? Por trabalho?

Por razões pessoais.

Nico, que fazes na vida?

Sou professor de Literatura Inglesa. Na Universidade Autónoma, de Barcelona.

E tu?

Agora não trabalho. Mas dantes era actriz porno.

Então? Estou a brincar!

Não, que fazia...?

- Escrevia para uma revista de tendências. - Revista de tendências.

Por falar em porno, aconteceu uma coisa incrível na universidade.

Todos os computadores estão em rede e têm uma câmara.

- Pois no Patatafrita... - Que é isso?

Patatafrita, desculpa, é o website dos alunos.

Nesse website, publicaram vídeos de sete professores a bater punhetas nos gabinetes.

Enquanto viam filmes porno.

Adoro!

E quem os gravou?

Acho que foi o reitor.

Organizou aquilo, foi uma armadilha.

Correram com cinco professores, quatro homens e uma mulher.

Sabem o que representa para a Universidade?

Cinco renúncias voluntárias?

- Redução de pessoal. - Vão todos levar no cu!

A vida privada é sagrada...

Achares que és um deus que pode controlar as vidas dos outros é...

É nojento.

Bom, há muita gente que se esfrega no emprego.

Pensa nisso.

Se pudesses observar qualquer pessoa, em qualquer altura...

Como seria? Seria tão divertido...

Se eles foram apanhados a bater uma e se demitiram...

Quantos suicídios haveria, por exemplo?

- Redução de pessoal! - Redução de pessoal!

Não, a Rita tem razão. Era o que eu dizia da Ulysses.

O quê?

Isso.

O mensageiro torna-se muito importante,

obtém uma posição de poder.

Justamente, o que pretendemos,

é que a pessoa possa entregar a mensagem enquanto está viva.

Insistimos para que o façam.

Mas não acontece muito.

Somos todos cobardes.

E temos medo

de enfrentar aqueles que magoámos.

Bom, bom, bom...

Ou comemos sobremesa ou metemos uns cogumelos...

Ou então, vou-me embora.

- Sobremesa. - Vamos.

Muito obrigada.

- Gostaste? - Foi o melhor arroz...

com crosta...

...que já comi na vida.

O que é?

- Rita... - Viste?

O meu italiano... Porquê italiano?

Raios, estou mesmo bêbeda.

Encontrei.

- O quê? - Eu bem te disse!

- Cocktail. - Fantástico!

Já não há framboesas, pois não?

- Não as acabes. - Bagas.

Vou pôr a banda da Iris.

- Qual? - Aquela de que falei.

- Sim, põe lá. - A banda da Iris.

Adoro isto!

Dás-me uma passa?

Obrigada.

Que se foda!

Eu vou lá.

Um momento.

Nico.

- É a Anna. - A Claudia tem uma otite!

Uma otite?

Tenho o telefone lá em cima.

- Tenho sede. - Queres sumo?

- Que cheiro é este? - Que aconteceu?

A Claudia tem uma otite. O Jordi foi com ela ao hospital.

Estou farta de ligar, ninguém me atendeu.

Desculpa, o telefone está lá em cima.

- Ouve... - Almoçámos com uns amigos.

Laura?

Olá.

- És tu, Jan? - Sim.

- Como estás? - São o Jan e a Rita, a mulher dele.

Que faz ele aqui?

- Veio cá almoçar. - Já estávamos de partida.

Estavam?

Já se vão embora?

- Sim, não? - Sim.

- Vão? - Porquê?

Escapou-me alguma coisa?

Não querem incomodar-nos, está tudo bem.

Está bem...

Acompanho-vos à porta.

- Obrigado por tudo. - Não tens de quê.

Volto já.

- Que tal foi? - Diverti-me.

- Que fizeste? - Vio!

- Não o Dragon Khan... - Estás doida?

- Andei noutro que girava... - Podes explicar?

Explicas?

Jan!

Que fizeste ao cabelo?

Que estás a fazer?

Matilde?

Boa, boa, boa!

Vamos festejar!

Só se vive uma vez, vá!

Muito bem, meu amor. Muito bem!

À tua!

Querias vê-la feliz com o marido, querias vê-la dançar...

Querias que se risse... E conseguiste!

Jan, és maravilhoso!

Conseguiste!

Ela perdoou-te.

Rita...

Rita, pára, por favor.

Imagina que sou ela.

- Imagina que sou ela. - Rita, chega. Pára, pára!

Mas que tens?

Que estás a fazer?

Olá, sou o Jan.

Sou um místico.

Não falo.

Só olho pela janela.

Que tristeza de mundo, que tragédia.

Quero morrer.

Mas está tudo bem!

Que mais queres?

Queres estragar-lhe a vida, é?

Jan...

Por favor.

Esquece-a.

Chega!

Deixa-a em paz!

Porque não me deixas tu em paz? Porque não te calas?!

Cala-te!

- E eu? - E tu, o quê?

Estou aqui.

Olha para mim!

Que mais queres?

Olha para mim, porra!

- Estou a olhar para ti. - Sim, mas não me vês!

Não me vês!

Quem te julgas tu?

Achas que aquela mulher vai deixar o marido e os filhos pequenos por ti?

Por um pedaço de merda?

Um homem doente?

Tu não és nada, precisas de mim!

Achas que mais alguém faria isto por ti?

Há alguém nesta merda de planeta que fizesse o que faço por ti?

Ninguém!

- Porque sem mim, não és nada! - Não?

- Não! - E tu?

Olha para ti.

Rita!

Rita!

Fodia-te os planos, não? Fodia-te mesmo os planos!

Larga-me! Deixa-me em paz!

Que sou eu para ti?

Que sou eu? Sou um fardo?

Sou uma chata, é?

Sou uma merda da qual te queres livrar.

Larga-me, não me vou atirar.

Não te daria esse gosto, filho da puta!

Vou contar-lhe tudo.

Verás, vou contar-lhe a verdade.

- Coitada dela... - Rita, pára! Pára com isso.

Já chega.

Diz-me que me amas.

Diz que me amas, senão conto-lhe a verdade.

- Amo-te. - Diz que nunca me deixarás.

Nunca te deixarei.

Estou contigo, estou aqui.

Está bem?

- Amo-te. Amo-te tanto. - Sim, sim.

Amo-te, meu amor. Amo-te.

Amo-te.

Anda cá, deita-te.

Amo-te tanto...

- Toma lá. - Não.

Toma isto.

- Toma. - O que é?

- Toma lá. - Mas o que é?

Vais sentir-te melhor.

Toma.

Até ao fim.

Já te disse.

Claro.

Toma.

NOTÁRIO - FÉLIX PALOMAR

Derrotando o nosso próprio adversário.

Libertando-nos do cativeiro do silêncio,

onde vivemos, encurralados.

Entregarmo-nos a outro.

Vivendo noutro.

A morte também pode ser uma oferenda.

A oferenda da vida.

''Cara Matilde, contacte-nos quando quiser e resolveremos as suas dúvidas.

Olá, Nico.

Nico?

Os miúdos?

Não estão cá.

Foram dormir a casa dos meus pais.

Ela procurou-me.

Quem?

Laura.

Que queria?

Violeta.

Que se passa?

Não sei.

Não sabes?

Que significa isso?

Não combinámos que não teríamos segredos?

- Sim. - Dissemos:

a partir de agora, contaremos tudo um ao outro.

- Não foi, Violeta? - Sim.

- E então? - Estava só a tentar...

A tentar o quê? Fazer-me de parvo? Ver-me agir como um idiota?

- Era o que querias. - Ouve-me.

Agora queres falar!

Então fala, porra! Fala de vez, porra!

O que te diria ia fazer-te sofrer.

- É a última coisa que eu quero. - Tarde demais.

Quando te conheci, eu estava confusa, estava...

Perdida.

Nico, olha para mim, por favor.

Estava quase morta.

E pensei ter encontrado alguém que...

Temos de seguir em frente, não?

Temos de viver.

Tentei amar-te, Nico.

Prometo.

Mas não consegui.

Para ser sincera, não consigo amar.

Nem a ti, nem a ninguém.

Vio...

Estou vazia.

E estou farta.

Farta de fingir.

- Que queres dizer? - Funcionou...

...muito bem durante todos estes anos. Mas chega! Acabou-se!

Violeta, cala-te. Pára!

- Não. - Pára, Violeta!

- Não. - Pára! Enlouqueceste?

Sabes o que isto é? Sabes?

Sabes o que é? É Alprazolam.

E isto?

É Tranxilium 50mg, é heroína pura, Nico!

Pura!

Tomo-a todas as noites! Sim! Sim!

Sou louca!

Diagnostiquei-me como louca e prescrevi-me estas drogas.

Descontraem-me.

É um amnésico.

Tomo-o há anos.

Tomei-o até hoje.

Hoje decidi lembrar-me de tudo.

Quando só queria morrer.

E quando comecei a construir esta farsa à minha volta.

Ainda o amas?

Não sei.

Não sabes, Violeta?

Não sabes?

Que raio quer dizer siso?

Porra, Violeta!

Temos uma casa!

Temos dois filhos.

E agora acabou tudo,

porque um louco veio aqui a nossa casa, com a sua mulher...

...à procura de não sei quê.

Não percebo, Violeta!

Não entendo!

Talvez estejas mesmo louca, talvez seja isso.

Nico, lamento.

Perdoa-me.

Perdoa-me, se conseguires.

Violeta!

Violeta!

Aonde vais? Violeta?

Demasiada luz, não?

Jan...

Porque partiste?

Diz-me a verdade.

Por favor.

Não sei.

Não conseguia enfrentá-lo.

Tu...

Ser pai...

Eu não tive pai, tu sabes.

Eu sei.

Que significa isso?

Eu estava em guerra.

Comigo e com o mundo.

Durante dez anos.

E depois levei dez anos a...

começar a aceitar-me...

e...

...a conseguir voltar aqui.

Voltar?

Voltar agora?

Continuas a ser um cobarde.

Se não fosse a Rita, não teríamos voltado a ver-nos.

Não sabes tudo.

Que queres dizer?

Sem a Rita, não me ligarias nenhuma.

A pasta...

O café...

O almoço...

Fui eu.

Peço que me perdoes. Só isso.

Perdoa-me.

Larga-me!

Eu quis ter o bebé.

Eu sei.

Mas perdi-o.

Sabias?

- Não consegui amar mais ninguém. - Nem eu.

Jan...

Abraça-me.

Jan?

Jan?

A morte também pode ser uma oferenda.

A oferenda da vida.

Uma oferenda para ti.

E uma eternidade, onde eu existo.

Tradução SARA DAVID LOPES

Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.