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Original subtitles

Há sítios que servem sandes de ovo que não têm uma fila de uma hora.

Nunca provaste nada assim.

- Digo-te, vale a pena esperar. - Certo.

- Tenho um pedido para o Will. - Eu sou o Will!

- Aqui tens. - Quê?

- Obrigado. - Bom apetite.

- Bom dia. - Deixa-me uma boa crítica.

Furaste a fila.

Podes crer!

- Brilhante! - Há sempre maneira de contornar.

- À nossa. - À nossa.

Ficamos na fila ou...

- Sim. - Certo.

Faz parte.

É bom. Obrigado.

Adoras uma fila, não é?

Que vamos fazer? É uma loja de artigos usados.

Isto não é uma fila. É uma invasão à espera de acontecer.

É dia da venda ao peso.

Eles abrem, nós entramos e agarramos o que conseguirmos.

Céus. Estou a ficar stressado. Porque vamos fazer isto?

- Tem calma. - Céus. Está a acontecer.

Aquele tipo passou à frente!

Entrem!

- Meu Deus! Aqui. - Muito bem.

- É só pegar? - É só pegar!

- É assim? Estou a ir bem? - Estás a ir bem.

- Está a acontecer? - Sim, é perfeito.

Isto é fixe? Esta merda é fixe?

- Não sei. - Eu também não!

Estou tão stressado. Isto é fixe?

- Isto é fixe? - Não, isso é bege.

Que merda é esta? Um fato de banho? Que nojo! Céus!

- Meu Deus! - Que foi?

- Uma t-shirt da tournée da Britney. - Isso é bom?

É da tournée do Oops! ...I Did It Again, de 2000!

Então? Baza, cabrão.

- Isto é tão sexy e nojento. - Tão incrível.

- Vamos sair daqui? - Não.

- Estamos só a começar. Vá lá! - Certo.

Isto é uma mina de ouro.

Vamos ter tantos percevejos.

É na boa. Já tive. Não são assim tão maus.

Queres pôr música?

Sim. Que te apetece ouvir?

- Que tal a Ari Lennox? - Sim.

Estás a curtir esse anúncio.

Não é um anúncio... É a Annie Lennox.

- Eu disse Ari Lennox. - Ari Lennox?

Sim.

- Isso é uma pessoa? - Sim.

Não fazia ideia.

Pensei que tinhas dito "Annie Lennox" mal e não queria ser condescendente.

- Não sabia dessa Ari Lennox. - Agora, temos a Ari Lennox

- e é muito boa. - Ainda bem.

Que será que a Annie acha?

- Ena! - Sim.

- Olha só. - Muito fixe, não é?

Foi por isto que vim do Colorado para cá.

Sim.

Olá.

Eu só...

Divorciei-me recentemente. Sabes? Muito recentemente e...

Só quero dizer que não estou pronto para uma relação séria, ainda.

Só saímos algumas vezes.

Sim. Claro. Ótimo. Não devia ter dito isto.

Ao dizê-lo, pensei: "Isso é estúpido. Não digas." Mas eu...

Gosto muito de ti. Só quero que tudo esteja claro. Sabes?

- Meu Deus! É o Machine Gun Kelly? - Não sei.

Nunca o vi sem a Megan Fox a morder-lhe os mamilos no tapete vermelho.

É tão sexy. É literalmente o tipo mais sexy da Terra.

Aquele tipo é o mais sexy da Terra? Depois de mim, obviamente.

O que é que não vês? Permite-te vê-lo.

Não, eu percebo. Só não acho que faça o meu tipo.

Gosto mais de tipos mais bem constituídos.

Como o "Stone Cold" Steve Austin. Sabes o que quero dizer?

É esse o meu tipo.

Não. Ele é grunge. É talentoso. É músico. Tipo...

Parece um cadáver com tatuagens.

Parece algo saído de um museu do holocausto.

Uma corrida até lá abaixo?

Estava a brincar. Eu morreria.

Vá lá. Vamos.

AMIZADE PLATÓNICA

- Quem estás a ouvir? - A Ari Lennox.

Ena. Mudou mesmo de estilo.

Sabes, estás a pensar na Annie Lennox,

que é um erro muito comum em pessoas da tua idade.

Refiro-me a pessoas muito idosas.

- Há uma Ari Lennox? - Há uma Ari Lennox, agora!

Temos de lidar com isso.

É normal este ardor no couro cabeludo?

É só a dignidade a abandonar o teu corpo.

- Disseste que não ias gozar. - Que hei de fazer?

Um adulto a oxigenar o cabelo. É ridículo.

Não volto a pedir-te favores relacionados com cabelo.

É por causa de uma miúda?

Não. Não há nenhuma miúda.

Isto é apenas um novo capítulo, um novo eu.

É, tipo, a minha versão de fazer uma franja.

- Não sei. - Vai ficar fixe.

Vais ver e dizer: "Por acaso, está fixe."

E o Kirk Friedkin?

Tenho uma entrevista na próxima semana.

- A sério? - Sim!

E pesquisei por quanto tempo a cetamina aparece num teste de drogas. Tranquilo.

Boa. Se precisares de um fornecedor de xixi limpo, eu conheço um tipo.

- Ena! - Olá.

- Parece um salão de cabeleireiro. Olá. - Olá. Como estás?

Do que se estão a rir?

Nada! Céus! Absolutamente nada. Uma piada parva.

- Não, diz lá. - Não! Não, não.

Como foi o teu dia, amor? Estás giro.

O trabalho foi bom. Sim. E como foi na casa aberta?

Não consegui ir hoje. Houve uma emergência capilar.

- Vou ser platinado, mano! - Sim, mano. Vamos platinar!

Vamos até Bondi apanhar umas ondas.

Vamos a Northcott ou Lennox Head.

- Apanhar ondas, mano. - Sim!

Estás a ver? Vamos a Byron.

- Vá lá. - Boa.

Fixe. Muito bem.

Cuidado com os tubarões, parceiro.

- Sim, parceiro. - Sim.

Aqui tens.

Obrigada.

Um pouco estranho, aquilo há pouco, não?

- O quê? - Com o Will.

Que queres dizer? Tens de ser mais específico.

Vá lá. Estavas a acariciar o cabelo de um homem na nossa cozinha.

Que mal tem uma mulher ajudar um amigo a mudar de visual?

É um pouco íntimo, não achas?

Quero dizer, ele estava sem camisa, por isso...

Mas estava a usar um saco do lixo.

Sabias que eu adorava mudanças de visual quando casámos.

Sim. Bom, se isso é verdade, porque nunca me fizeste uma?

Porque tu não precisas.

Porque não estás a ter uma crise de meia-idade. Graças a Deus.

Porque és perfeito tal como és.

- És tão giro. - Está bem.

Bem, o nosso Honda Odyssey também é perfeito como é,

e eles acrescentam novas opções todos os anos.

Que se passa?

Não sei. Quero dizer... Não é nada.

Só parecia que estavam a divertir-se imenso.

Aquilo foi trabalho árduo.

Divertido é dormir oito horas.

- Certo. - Vá lá. São nove da noite.

Vamos arrasar.

Tinha-me esquecido de como podem ser irritantes, juntos.

É como se a amizade deles excluísse toda a gente, incluindo eu.

Toda a gente precisa de amigos fora do casamento.

Ninguém obtém tudo o que precisa de uma só pessoa.

E só porque ela gosta de conviver com este tipo,

não significa que não te ame.

Sim. E, para que conste, eu sei que não têm um caso.

Não é como se a Sylvia me traísse.

Não. A Sylvia nunca o faria. Há apenas um frisson entre os dois

que os faz vestirem disfarces e namoriscarem.

É normal. Todos o fazem. Nós estamos a fazê-lo agora.

- Estamos? - Sim.

Só que eu nunca faria sexo contigo.

És a minha opção para casar. Para pinar, curiosamente, é a Vanessa.

- E matarias o Albert? - Obviamente.

Para que fique claro, sei que o Will e a Sylvia não andam a pinar.

Mas quase parece

que lhes dá pica o facto de que poderiam andar a pinar.

Isso já não sei.

E eu não posso dizer nada.

Porque, se disser, parecerá chunga que o meu cérebro vá por aí.

Só receio que estejas a ter daquelas falhas cerebrais

em que se fica obcecado com algo como um Roomba preso num canto.

Mas poderiam andar a pinar.

E ela saber que eu sei que podem andar a pinar

e não posso dizer nada é mesmo marado.

- Roomba. - Pois.

Sabes que mais? Talvez seja por minha culpa que me sinto tão excluído.

- Nunca fiz um esforço com o Will. - Esquece lá isso.

Devia convidá-lo para o jogo dos Dodgers, amanhã.

Eu não faria isso. É um evento da empresa.

Sim. Quero dizer, quão divertido seria? Apenas convivermos.

Eu estou nesta sala? Consegues ouvir-me?

Sim. Estou a ouvir-te.

O Will é amigo da Sylvia, não teu. E não há motivo para preocupação.

Tens razão.

O marido da Sylvia convidou-me para um jogo de basebol.

Merda.

Será uma cena de marido ciumento?

Não sei. Tens passado muito tempo com a Sylvia, não é?

Sim. Talvez dez a 15 % do meu tempo livre.

Certo. E, provavelmente, cem por cento do dela.

Ela é esposa, tem filhos e isso. São coisas que dão trabalho.

E depois, sem ofensa, mas entras tu em cena...

De certeza que ele não ficou feliz.

- Sim. Vai dar-te uma tareia. - Não me vai bater.

- Não. Sim, meu. Vai arrear-te. - Não.

Muito sinceramente, ele é só um tipo meio aborrecido.

Se houvesse um filme da Pixar sobre um copo de água, ele seria o protagonista.

- Estou a ver. - O copinho de água aborrecido.

Não sei, Will. Quando conheço alguém aborrecido, faço perguntas.

Tipo: "Qual é a primeira área que visitas no zoo?"

- A qual vais tu primeiro? - À dos camarões.

Quê?

Estavas a pintar o cabelo

durante a reunião de marketing com a sede da Johnny 66?

- Isso foi esta manhã? - Foi, pois.

Não, fiz isto ontem.

Eu só... negligenciei isso.

Sabes que é tua função estar nestas chamadas, certo?

- O Omar teve de se fazer passar por ti. - Sim. E foi uma...

Foi uma reunião muito aborrecida. Não sei como conseguem.

Fui buscar esta peça para a máquina das latas.

A máquina das latas? O Omar que faça isso.

Não tenho carta de condução, então...

Olha, és o mestre cervejeiro, certo?

Eles querem falar com o mestre cervejeiro.

Sabes que mais? Eu concordei em avançar com esta merda da Johnny 66.

Não concordei em estar numa série de conferências aborrecidas e isso.

Está bem.

E esta... Não quero ir a um jogo de basebol, de todo.

Vou com uma data de advogados para um camarote de advogados?

Isso é um dia mau.

O Charlie convidou-te para um jogo de basebol? Ele não me disse.

Sim. Bem, eu só acho que vai ser tão confrangedor, certo?

Não... Não vai ser confrangedor.

Vais só ao jogo com ele e os colegas de trabalho, é na boa.

- Vocês já conviveram. - Nós nunca convivemos.

E daquela vez em que foram buscar a piza?

Isso não foi conviver. Fomos buscar piza juntos. Só isso.

Perguntou se eu tinha visto The Staircase.

Eu menti, disse que sim, e depois tivemos uma conversa esquisita e falsa

na qual eu fingi ter visto The Staircase o tempo todo.

Eu só... É estranho ele convidar-me, não é?

Não. Não é nada estranho.

Pronto, tenho de ir. Adeus.

É estranhíssimo.

Bem te disse que o Charlie iria ter ciúmes.

Não, estamos casados há tanto tempo,

ele nem se lembra que costumava sentir essas coisas em relação a mim.

Tipo, tens ciúmes do teu sofá?

Tenho. Porque está sempre sentado.

Escuta.

Quando se ama alguém

e essa pessoa passa o tempo todo a divertir-se com outra pessoa, temos...

Qual é a palavra que procuro?

Pois, ciúmes!

Desculpa?

Que foi?

Sabes que mais? Talvez eu diga algo ao Charlie, só para dissipar dúvidas.

- Devias. - Sim.

Sentimo-nos sempre melhor quando falamos sobre as coisas.

E um dos pontos fortes do nosso casamento é a comunicação.

- Dia de jogo! Que bom. - Sim.

- Quê? - Quê?

- Tu... - Nada. Diverte-te.

- Certo. - Certo.

- Adeus. - Adeus.

Se isto vai acontecer, promete-me que vais relaxar.

Claro que vou relaxar.

Historicamente, passas-te um pouco em momentos como este.

De que estás a falar? Vim ver um jogo de basebol.

Certo.

- Olá. Como vai isso? - Will! Amigalhaço!

- Peço imensa desculpa. - Não. Céus. Estás bem?

Aqui tens.

- Secção seis. - Certo. Sim, é bom ver-te.

Sim.

Desculpem não trazer a camisola. E também não percebo peva de desporto,

têm de me explicar o que acontece.

As regras e isso.

Bem, a única regra do basebol dos Dodgers é que tens de comer um cachorro.

Aqui tens.

Apanha a puta da bola, Vivas!

- Tens de dar uma dentada num destes. - Eu estou bem.

- Vá lá. Tens de provar. - Estou bem.

Tem de ser. É o objetivo da modalidade.

Estou bem.

- Nunca comeste um cachorro à Dodger? - Nunca comi.

- Vais comer. - Tudo bem. Não chega...

- Não chega para mim. - Partilhamos.

- Não é preciso. - Sim. Como em A Dama e o Vagabundo.

Isso. Vá, façam-no.

- Isso. Morde aí. - Charlie, não. Charlie, não é normal.

Fá-lo!

Vão querer uma foto. É demasiado fofo.

Eu trato disso. Não se mexam. Esperem.

Não. Esperem. Tenho de ajustar o foco. A ajustar...

- Ele é um ótimo fotógrafo. - Certo.

Vou trocar a lente. Muito bem.

É preciso profundidade de campo. Boa profundidade de campo.

Cá vamos nós. Aguentem. Cá vai.

Cá está. Olhem só.

- Vai ficar lindo com um filtro sépia. - Muito bom.

Vou só tirar uma rapidamente, para enviar à Sylvia.

- Sim, vamos tirar outra. - Podes tirar uma foto?

- Muito bem. - Obrigado. Vamos a isso. Cá vai.

Isto está em vídeo? Olha, acho que o bloqueei.

Desculpa.

Pronto, já está. Sim.

- Está? Digam "cachorro". - Não perdeu o jeito.

Cachorro.

- Toma. - Muito bem. Obrigado. Que bela foto.

O Charlie diz que és dono de um bar.

Sim. Sou coproprietário de um bar.

- Sim? Onde é? - No bairro das artes. O Lucky Penny.

Lucky Penny? Meu, já lá estive. É um sítio bem fixe.

Charlie, não disseste que o namorado da tua mulher é o dono do Lucky Penny.

- Como? - O namorado da tua mulher.

É o que lhe chamamos.

Não, eu nunca...

Vamos lá, vamos! Três saídas fáceis.

- Então? - Olá.

Estás a gostar do jogo?

Sim. É mais divertido do que pensava.

Olha, desculpa os meus colegas. Eu...

- Eu... - Não te preocupes.

E só para que saibas, eu ando com alguém.

- A sério? Ótimo. - Sim.

- Fico feliz. - Obrigado.

É a primeira pessoa com que me envolvo desde o divórcio, por isso...

- Boa. Voltaste à carga. - Sim.

Ela é muito mais nova que eu, por isso, há alguma desconexão.

- Pensava que o Free Willy era um rapper. - Sim.

Mas, a sério, pensava mesmo.

Não te preocupes com isso. Apenas...

Se gostas dela e se estão a divertir, sabes, vejam no que dá.

- Obrigado. - Sim.

Muito bom conselho. Agradeço.

Eu percebo. Também tendo a pensar demasiado.

Sim?

E arrasto o amigo da minha mulher para um evento de trabalho.

- Bebi muita cerveja. - Sim, também eu.

- Precisas de um boné dos Dodgers. - Sim.

Adoraria gastar 90 dólares num boné que vou usar uma vez.

Sabes, acho que já percebi.

Podem embebedar-se ao longo do dia

e comer comida mexicana de equipamento de proteção. O basebol é divertido.

Sim. Agora, estás a perceber. Estás a começar a atinar.

Cerveja fresca!

Queres outra cerveja?

Adoraria.

Este é o melhor encontro em que já estive.

Tratais-me como um rei, meu bom senhor.

Claro.

Vossa majestade. Às vossas ordens.

Muito obrigado, meu suserano.

Vossa alteza! Sente-se lá, porra.

Obrigado.

...número cinco, Freddie Freeman.

- Acordamo-lo? - Não. Ele faz sempre isso.

Sabes que mais? Foi divertido.

Aviso-te quando tivermos bilhetes?

Sim. Se não tiverem que fazer, podiam vir ao meu bar.

É muito perto daqui.

Bem preciso de uma bebida depois da catástrofe da sétima entrada.

- Perdi quatro mil dólares. - Não!

CERVEJARIA LUCKY PENNY

Meu, são incríveis.

Cada uma delas é, tipo, a melhor da classe,

Muito obrigado.

Sabes quem odeia todas?

A tua mulher.

- Ela odeia tanto cerveja. - Sim, pois é. Sim.

Mas adora vinho branco com gelo.

Sabes o que mais ela adora? Ela adora este bar.

- Sim? - Sim.

Vocês os dois andam sempre a tramar algo louco.

Sim.

Ela e eu não temos noites assim.

Não precisam. Não é por isso que ela te ama.

Sabes, tu és uma pila estável.

Eu... De que estás a falar?

Tu és um... És maduro e responsável. Sabes?

E proporcionas estabilidade.

Que tem isso a ver com a minha pila?

- É só uma expressão. - Sim. Não tem a ver com a pila.

- Sim. - Certo, é uma expressão conhecida?

- Sim. É... - Bem, deveria ser.

Desculpem. Estou fixe.

- Pronto. - Estou fixe.

Mas é uma expressão que significa que sou aborrecido?

Não! Não, eu creio que é uma expressão que significa

que és um homem adulto.

E isso é tudo menos aborrecido.

Sim, eu sou a pila estável lá em casa.

Olhem, vou mandar mensagem à Sylvia, a dizer que venha,

porque tem muito que andar para nos apanhar.

- Pois tem. Entretanto... - Sim.

...os cavalheiros apreciam proezas de habilidade e força?

Sim.

Há que escolher uma boa.

E assegurar que é altamente "atirável".

É assim que se faz.

Testa a tua força.

Viste? Isso foi incrível!

- Stewart! - De certeza que isto é legal?

Não! Acho que vais demasiado depressa.

- Não sei... - Stewart, larga!

- Não sei quando largar! - Agora!

Boa.

Foi com efeito.

- Força! Isso! - Tu consegues!

Sim!

Esperem.

Por acaso, há algo que sei fazer muito bem.

- A sério? - Sim.

Oh, Danny, meu rapaz

As gaitas, as gaitas chamam

De prado em prado

E pela encosta da montanha

O verão já se foi

E todas as rosas caem

És tu, és tu que tens de ir

E eu terei de esperar

Talentos secretos!

- Talentos secretos! - Talentos secretos!

Talentos secretos!

Que se passa?

A festa pode começar oficialmente.

Não sabia que tinhas casado com um tenor de concerto.

- Sim. - Que bela voz este homem tem.

Obrigado.

Eu sei todos os números primos até mil.

Querem ver isso?

Sim! Força!

Dois, três, cinco, sete, 11, 13, 17...

- ...19, 23, 41, 43, 40... Não! - Nós acreditamos!

- Mais números. - Talentos secretos!

Talentos secretos!

Eu sei o talento secreto do Will.

Ele sabe fazer a dança do Coyote Bar.

Não.

Mexe esse rabo!

Sim! Sou um coiote!

- Talentos secretos! - Certo, eu tenho um.

Preciso de silêncio!

Tem de estar tudo em silêncio para isto.

- Queres música? - Não. Eu só quero silêncio.

Tenho de me concentrar.

Bolas!

- Que porra está a acontecer? - O melhor dia da minha vida.

- Merda. - Raios!

Talentos secretos!

Talentos secretos!

Calma, esperem.

Ninguém perguntou, mas consigo desenhar um rinoceronte em 30 segundos.

Cinco, quatro, três, dois, um.

...983, 991, 997. Vitória!

Sim, foda-se!

Calma. Grande coisa. Parem. Calma!

Grande coisa. Eu consigo chupar a minha pila.

Desculpa?

A sério que consegues?

Seria agora que eu chupava.

Eu acredito, meu. Eu acredito.

Calcanhar. Ponta. Ponta.

Sim!

Boa!

E para baixo.

Sim!

Não. Também é boa atriz.

Will!

Devias ligar à Peyton e dizer-lhe para vir.

- Espera, quem é a Peyton? - Não.

Sabes, a nova namorada do Will.

Devíamos ir jantar os quatro.

Não seria divertido?

Namorada?

Nunca me disseste que tinhas namorada.

Não é nada.

Não o mencionei a ninguém, sinceramente.

Exceto ao Charlie, parece.

Espera, desculpa. Não era para contar?

Desculpa.

Não, espera. Sylvia, ainda não conheces a Peyton?

Não. Peyton? Que idade tem? Dezoito, 19?

- Não tem 18 anos. - Não, tem 25.

Dá-lhe.

Creio que te perguntei se andavas com alguém.

Quase não andamos, não valia a pena mencionar.

Mas eu fiz-te uma pergunta direta e tu negaste.

Portanto, tu mentiste-me.

- Não menti. - Um bocadinho.

Só não o disse, ainda. Não acho que seja mentira.

- É uma mentira. - Não sei.

Não sei o que comeste de manhã. Estás a mentir-me?

Bem, se me perguntasses e eu dissesse "torrada com Vegemite"

e tivesse comido cereais, isso faria de mim uma mentirosa.

É uma omissão material.

- Serias penalizado em tribunal. - Obrigada.

Porque mentirias sobre o pequeno-almoço?

E sobre ter uma namorada?

É uma boa pergunta. Porquê mentir?

Sim, apanhado.

- Que se está a passar? - Segredo!

Parece-me que é preciso uma "barbitragem".

Certo? É como uma arbitragem, mas num bar.

Gosto disso.

Peço ordem no bar!

Sim, adoro a Franklin e Bash.

Não, esperem.

A arbitragem não é numa sala de audiências,

então, não se pede ordem.

Estás a virar o júri contra mim, amor.

- Que estás a fazer? - Não há júri numa arbitragem.

Charlie, não é uma arbitragem, é uma "barbitragem".

Porque não compreendes?

A queixosa que declare a sua queixa.

A minha queixa é que o meu amigo me mentiu e disse a toda a gente

deste bar que tinha namorada, porque é um esquisitoide dos grandes.

Porque queres saber?

Porque é estranho.

Não disse a toda a gente.

Certo. Levantem a mão se sabiam da namorada antes de mim.

Obrigada.

Eu estava lá quando se conheceram. Houve uma ligação mágica.

Portanto, como argumento final,

pergunto ao arguido porque me mentiu descaradamente

sobre algo que achou poder partilhar tão facilmente

com um desconhecido como o meu marido.

- Conheço o Will há 15 anos. - Protesto indeferido.

Tu não és o juiz.

- E não há juiz numa arbitra... Certo. - É uma "barbitragem".

Eu fui obrigado a confirmar a existência da minha alegada namorada

ao marido da queixosa

quando confirmei que o marido da queixosa

dizia a todos os colegas de trabalho que eu era o teu namorado.

Apanhado!

- Quê? - Foi uma piada.

Não tem piada.

Bem, a malta do trabalho achou piada, certo?

Foi o Albert que se lembrou. É basicamente hilariante.

Certo. Então, explica-me lá essa comédia. Adoro uma boa piada.

Como é que surgiu?

Não sou eu que estou sob "barbitragem".

Parece que agora estás.

Eu nem entendo como é que isso vem à baila no trabalho.

Sei lá. Tu e o Will gostam de sair até tarde e fazer as vossas cenas.

"As nossas cenas"?

Mas isso não faz dele meu namorado.

É só uma alcunha. Não é assim tão grave.

Certo. Então, tu não vês problema,

mas falas tanto disso que já há alcunhas no trabalho.

Bem, quando chegas às 4 da manhã, tende a surgir.

Isso foi uma vez, amor. Foi a festa de divórcio dele.

- Exagerámos um pouco. Eu disse-te... - Para quem consumiu cetamina...

Cala-te!

- Quê? Que se passa? - Que disseste?

Falo de quando consumimos cetamina.

- Cala-te! - Sylvia, do que está ele a falar?

Consumi uma pequena quantidade de cetamina.

Cetamina?

- Sim. - Sabes que tens filhos, certo?

Por isso é que dormi até passar.

Na verdade... É mais ou menos... A culpa foi minha, na verdade.

Deste cetamina à Sylvia?

Em minha defesa, pensava que era cocaína.

Só para ver se percebi, essa é a tua defesa?

A defesa não tem mais argumentos.

Olha, vamos, amor. Vamos... Falamos sobre isto em casa.

Anda.

É melhor varrermos melhor estes vidros.

Sim.

Foda-se!

Céus!

Não!

- Não! - Meu Deus!

Merda!

É grave?

Não, não posso ver sangue.

Will, vai à casa de banho!

O que faço?

Estou em pânico. O que faço?

Estou em pânico! Deixo ficar ou tiro?

Não faças isso, é perigoso.

- Céus! - Eu tiraria.

Deixo ficar ou tiro?

- Não, céus, não. - Não tires.

- Vou tirar. - Não tires.

Pronto, eu seguro-te.

Preciso de um kit de primeiros socorros!

Façam pouco barulho, todos!

Omar.

- Sim? - Trazes-me toalhas limpas?

Sim.

Liguem para as emergências.

Eu ligo.

- Pode ser uma artéria. - Não!

Omar, essas toalhas?

Sei que estão por aqui.

Certo. Foda-se!

Está tudo bem.

Tenho muitas toalhas, não era preciso rasgar a camisa.

Dá-me as toalhas.

Devias erguer-te. Põe a cabeça entre as pernas, Will.

Não, levanta as pernas acima do coração.

Não me ouças. Faz o que ele disser.

Estou sempre errada.

- Vou sobreviver? - Vais ficar bem.

Sinto-me um pouco melhor.

- Pareces melhor. - Vou ficar bem?

- Sim. - Obrigado.

- Não olhes para isso. - É nojento.

Então, vão para 7655, Uplander Way?

Sim.

Merda!

Sei que é tarde. Não tinhas de vir.

É muito simpático da tua parte.

Tenho de te trazer arnica, para quando esses pontos saírem.

Eu sei.

Que se passa? Estás bem?

É só... É mesmo bom ter alguém a cuidar de mim.

Sabes, fizeste-me o jantar e...

Desculpa.

Se não notaste, ando meio à toa, neste momento,

e eu só... Peço desculpa.

- É só... - Olha.

Eu gosto de ti.

Obrigado.

Hora do queijinho.

Ótimo. Fixe.

Céus! Consegui novamente. Está perfeito.

- Queres saber o segredo? - Qual é?

Dois pacotes de aromatizante.

Certo?

- Está mesmo bom, porra. - Eu sei.

- Queres mais? - É mesmo saboroso. Sim.

Está muito bom. És boa nisto.

Isso é saboroso como o caraças.

- O teu cabelo está giro. - Obrigado.

- Combinamos. - Sim, é perfeito.

Como em Os Filhos da Terra.

Ou uma família mórmon.

É adorável. Nunca me senti menos judeu.

Mas vais pôr como estava, certo?

Não. Tenho recebido muitos elogios.

- A sério? - Sim.

Eu não recebo assim tantos.

Eu tenho recebido.

Desculpa, amor.

Desculpa não te falar da cetamina.

Eu... Foi um erro completo.

- Nem devia ter experimentado coca. Eu... - Eu sei.

É... Eu percebo.

Lembro-me de ter noites destas, quando nos conhecemos.

Eras tão louca, naquela altura.

É uma das tuas facetas pelas quais me apaixonei.

Adoro a nossa família. Adoro os nossos filhos.

E adoro esta casa minúscula, mas, para ser sincero...

...tenho saudades desse teu lado, e espero não o ter apagado.

Quê? Não. Não, tu não apagaste nada.

Tu és a melhor coisa que me aconteceu.

Sei que parece um pouco parvo,

mas tenho-me sentido meio excluído.

Peço desculpa se alguma vez te fiz sentir excluído.

A culpa é minha. Não voltará a acontecer.

Certo.

Não. Não é isso que vamos fazer hoje.

Naquele momento, fez sentido.

Qual momento?

Entrega especial.

Mas que porra...

Este é que é o teu.

Certo. Obrigado.

Legendas: Henrique Moreira

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