All language subtitles for Amy.Bradley.Is.Missing.S01E03.1080p.WEB.h264-GRACE

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Original subtitles

Cuidado. Pelo menos, não estão mil graus aqui em cima.

As duas malas da Amy estão ali.

E as coisas dela estão em caixas naqueles cantos.

É a mala que levou?

Ela levou esta mala

e esta.

Quando foi a última vez que a abriram?

Há cerca de 20 anos.

Temos as coisas todas dela,

até a carteira com trocos e a escova de dentes.

Isto foi o que ela vestiu no jantar.

Ela devia ter voltado para casa e ficado com as coisas.

TEMOS SAUDADES TUAS JARDIM DA AMY

Após o desaparecimento da Amy, foi duro ver o pai a tentar manter a mãe à tona.

Antes disso, não sei se alguma vez vi o meu pai a ir abaixo.

Antes do desaparecimento da Amy, a vida era boa,

era tudo ótimo, estava tudo a correr bem.

E, de repente, puxaram-nos o tapete,

e ficou tudo num impasse.

Deixei de ir à escola durante algum tempo, voltei para casa.

Pareceu um período deprimente

onde faltava uma das pessoas mais importantes da minha vida.

Perdemos muitos anos da nossa vida…

… à procura, mas não vamos parar.

Eu não tenho filhos

e faço 48 anos em dezembro.

Inconscientemente, devo admitir que ver os meus pais perderem um filho

foi tão traumático para mim que não estou disposto

a colocar-me em posição de passar por isso.

Alguém sabe algo.

Alguém viu algo. Alguém ouviu algo.

Alguém disse algo a alguém.

Um agente do FBI disse-nos:

"Mantenham-se atentos.

Ninguém consegue guardar um segredo a vida inteira."

O DESAPARECIMENTO DE AMY BRADLEY

ABRIL DE 2017 19 ANOS APÓS O DESAPARECIMENTO

Segunda mensagem.

Olá, chamo-me Amica Douglas.

Sou filha do Alister Douglas.

Não sou muito boa nisto, mas…

Adorava falar convosco.

Sei o que estão a passar.

Se fosse eu nessa situação, gostava de receber informações

sobre o porquê de a minha filha não estar comigo.

Não podia acreditar.

Não podia acreditar. De todas as pessoas…

Procurar o nosso número, fazer esse esforço e ligar…

Era a filha do Alister Douglas.

Nasci em Grenada.

Eu e o meu pai éramos iguaizinhos.

Eu dizia: "Sou uma menina do papá. Ele fez-me assim."

Levou-me em muitas aventuras divertidas, à praia, a comer fora,

a vê-lo tocar com a banda.

Mas, ao crescer, só importava a música dele.

E ele estava constantemente ausente, a tocar em cruzeiros.

Quando ele e a minha mãe se divorciaram,

eu devia ter um ou dois anos.

Depois, quando cresci,

a minha mãe disse: "Aconteceu algo num cruzeiro em que o teu pai estava.

Se pesquisares o nome dele, deves encontrar isto sobre ele."

Eu não era nascida na altura, mas a minha mãe disse-me

que, uma noite, quando ele voltou do cruzeiro,

tudo mudou.

A minha mãe estava só a tentar conversar com ele.

Ela tinha estado em casa sozinha durante meses.

Depois, viu o marido voltar para casa,

chateado e a dizer-lhe muitas coisas dolorosas.

É muito estranho

que desrespeitasse a mulher grávida assim.

E é assustador.

Depois a minha mãe viu que ele voltou para casa com uma mala.

A minha mãe abriu a mala

e viu fotografias.

Eram fotos de mulheres.

Todas caucasianas.

Creio que foi isso que me levantou suspeitas.

Há muitas questões envolvidas.

Quando pergunto ao meu pai o que aconteceu à Amy,

a reação dele é estranha.

Ele fica chateado quando falo nisso.

Para mim, a história dele tem muitas lacunas.

E é isso que torna isto tão enervante.

Quero que isto acabe. Quero respostas.

Estou, Amica?

Olá, papá!

AMY DECIDIU LIGAR A ALISTER E PERGUNTAR-LHE SOBRE O CASO DE AMY.

Não sei, quero dizer…

Não quero falar nisso outra vez.

Não fiz nada de mal.

Diz-me, o que devo fazer?

Não me importo que ligues a fazeres perguntas.

Gostava que te pusesses no meu lugar

e percebesses como me sinto. - Amica,

chamaram logo o FBI.

E depois ele disse-me que estavam à procura

da rapariga com quem me viram a dançar.

Toda a gente que lhe limpou o quarto

ou serviu bebidas ficou de castigo.

Quando perceberam que não estávamos envolvidos, continuámos a trabalhar.

E eu continuei a trabalhar no cruzeiro durante dois anos.

Porque ouço que foste visto com ela na praia, meses depois?

Qual praia? Em que praia me viram? Eu não gosto de praias.

Amica…

Dançámos na discoteca, como danço com muita gente.

- Então, não sabes se ela saiu do barco? - Eu não fiz nada.

Como saberia? Deixei-a na discoteca à uma

e fui para o quarto. Como saberia se saiu do barco?

Sou um rapazinho de Grenada que nunca teve uma experiência destas.

Estava ali sentado. Chamaram o meu nome. Interrogaram-me sobre algo que não sabia.

A mamã encontrou uma mala com fotos de mulheres caucasianas

que trouxeste para casa, sabes?

- Que mulheres… - Levantou muitas questões, papá.

E qual das fotos era dela?

- Não sei. - Eu tinha muitas fotos.

Sim, porquê?

É difícil ter esta conversa contigo porque te chateias sempre.

Tirava fotos com toda a gente. Como banda, as pessoas querem tirar fotos connosco.

Se me acontecesse, como te sentirias?

Se desaparecesses, faria tudo o que pudesse para te encontrar.

Percebo que a família dela esteja à procura estes anos todos.

Eu percebo, mas não tive nada que ver com isso.

Nada.

Nada.

É como um puzzle que não se consegue montar.

Faltam muitas peças.

Quando falei com os Bradley, foi emotivo.

Tudo o que diziam me emocionava.

Eu tenho uma filha. Estaria a enlouquecer.

Não descansaria até saber o que se passa.

Tem de haver algo dentro dela, creio eu,

para se esforçar para nos encontrar e tentar ajudar.

Quero paz para todos.

Gostava de os poder ajudar a obter respostas.

Se tivéssemos provas, alguém teria sido preso.

Mas o Alister comportou-se de forma suspeita, sem dúvida.

As jovens viram a Amy e o Alister Douglas juntos,

a subir para a discoteca pelo elevador,

depois de a discoteca fechar.

Essa linha temporal faz sentido.

Sabemos que o Alister esteve no quarto por volta das 03h35.

Mas, depois disso, a linha temporal não pode ser confirmada.

A fechadura registava a entrada dos passageiros no quarto,

mas não a saída, claro.

Não conseguimos saber quando o Alister Douglas saiu do quarto.

Duas jovens viram a Amy e o Alister Douglas juntos.

Mas não sabemos se a hora está certa.

A Lori Renick viu o Alister Douglas com a Amy

a subir no elevador de vidro para a discoteca por volta das 05h30.

Uns minutos depois, voltaram para o quarto,

mas esqueceram-se das chaves.

Então, bateram à porta,

e a mãe de uma delas abriu a porta e deixou-as entrar.

Portanto, não há registo da entrada

da hora em que disseram.

Não encontro provas de terem entrevistado a mãe

que as deixou entrar no quarto às 05h30 ou 06h00

para confirmar.

O facto de o Alister Douglas não estar nos EUA dificulta muito.

Não temos jurisdição.

Não podemos ir para outro país

sem autorização, claro, e dizer: "Posso falar com o vosso cidadão?"

Lembro-me de que ele era muito simpático e muito tranquilo.

Era um bom tipo.

Não tinha ideias más sobre ele nem experiências más com ele.

Ele estava no sítio errado, à hora errada, a dançar com a miúda errada.

E contou-lhes o que sabia.

Ninguém pensou que ele seria capaz de fazer algo errado ou mau.

É surpreendente como poucas pessoas percebem os perigos de um cruzeiro.

Mas aquilo que aconteceu à Amy Bradley e à família acontece mesmo.

Não sei que tipo de verificação de antecedentes fazem

à tripulação contratada,

pois são contratados em países onde o processo de recrutamento

pode ser incrivelmente diferente do que estamos habituados nos EUA.

Há histórias atrás de histórias

de desaparecimentos, mortes suspeitas, agressões sexuais.

Quando algo acontece, suspeito que ligam logo ao departamento jurídico.

"O que fazemos? Como encobrimos isto? Como fazemos isto desaparecer?"

Acho que as pessoas se esquecem de que, quando entramos num cruzeiro,

estamos basicamente noutro país.

Podemos ser um cidadão americano

e pode parecer a Main Street, nos EUA,

mas não é.

O xerife daquela cidade,

o chefe daquela pequena aldeia flutuante, é o capitão.

E o capitão é um empregado de uma empresa multimilionária.

O que está em jogo é dinheiro.

É o lucro acima das pessoas.

O lucro acima da proteção.

Como funcionário orgulhoso da Royal Caribbean, partiu-me o coração

sermos acusados de infrações,

de não fazermos bem o nosso trabalho ou de não querer saber.

Tínhamos um negócio para gerir.

E foi um acontecimento muito inesperado.

Concluí que as teorias da conspiração

sobre a Amy Bradley são tretas.

Acho que ela saltou ou caiu.

E acho que estão a agarrar-se ao impossível.

É uma família que não enfrenta a realidade,

que não consegue aceitar que a filha desapareceu

e procura alguém para culpar.

A capa mostra a Chandra Levy,

a Molly Bish, a Jill Berman e aqui está a Amy.

Vinte e seis anos à procura da Amy todos os dias.

É um objetivo de vida.

Duas cadeiras e depois a varanda.

Havia o convés Sun e depois o Compass.

A ilha era aqui. E esta era a área de procura.

Nos meus momentos tranquilos, penso: "O que nos escapou?"

Procuramos uma pista e alguém que tenha algo,

mas que não sabe o que fazer com isso ou que tem medo.

Porque sei que alguém sabe algo.

Por favor, dêem-nos aquilo de que precisamos.

O que tem na mão?

ANTIGA NAMORADA DE AMY

É…

É uma mensagem numa garrafa que ela me enviou em fevereiro de 1998.

É uma das coisas mais pessoais.

E estou incrivelmente relutante em partilhá-la

com alguém.

Não posso… Isto não pode…

Porque não começamos do início?

Está bem.

Conhecemo-nos numa prova de basquetebol.

Eu tinha 14 anos, era tímida, introvertida e insegura.

E vi uma pessoa muito confiante, ruidosa

e brincalhona a fazer lançamentos ousados.

Ela não conseguia fazer um lançamento simples, tinha de ser com estilo.

Pensei: "Quem é aquela?"

Estávamos ambas na equipa de viagem.

Ficávamos em hotéis, jogávamos o dia inteiro.

Rapidamente, tornámo-nos amigas próximas.

Dávamo-nos bem em níveis diferentes.

Íamos à casa uma da outra.

E começou a surgir uma dinâmica.

Pensei: "Quem é esta pessoa com quem andas?"

Fui dormir em casa dela.

Não conseguia dormir. Tinha o coração acelerado.

Estava claramente a apaixonar-me por ela.

Depois fomos para faculdades diferentes e ambas nos assumimos na faculdade.

Mas só soubemos no final do curso.

Fomos a um bar gay,

passámos a noite juntas, dançámos e metemos a conversa em dia.

Ela foi deixar-me à porta de casa.

Inclinámo-nos as duas.

Nunca tinha sido beijada assim.

Acho que ficámos uma hora aos beijos naquele carro.

E pareceu… Finalmente!

Foi mágico.

Eu tinha acabado de arranjar emprego na Universidade do Kentucky

e preparava-me para ir embora.

Mas ambas sabíamos que queríamos estar juntas

e que íamos namorar à distância.

Ela vinha ao fim de semana.

E eu estava muito apaixonada por ela.

JANEIRO DE 1998

Mas, em janeiro de 1998, ela ligou-me.

Queria contar-me que tinha beijado alguém.

Tinham estado a beber.

E ela disse-me que não significou nada,

que a ajudou a confirmar o que sentia por mim.

E eu disse: "Amy, preciso de tempo para processar isto."

Como eu não lhe devolvia os telefonemas, começou a escrever-me cartas

e uma mensagem numa garrafa.

"Mollie, magoei-te mais do que podes esquecer.

Não te peço que esqueças, pois isso nunca vai acontecer.

Só quero pedir se consegues encontrar espaço no teu coração para me perdoar.

Mollie, perdoas-me?

Tenho sido insensível, imatura e egoísta.

Não gostei da pessoa que fui e não me orgulho da forma como agi.

Sinto que há um oceano entre nós,

como se eu estivesse numa ilha deserta à espera que me salves.

Uma mensagem numa garrafa é a minha única esperança.

Tenho saudades tuas, Mollie. Salva-me, por favor.

Encalhada, Amy."

Tinham passado anos. Como se aproximava o vigésimo aniversário,

era uma forma ótima de espalhar informação,

de mostrar que o FBI ainda tinha o caso aberto,

que pedíamos, reuníamos e adoraríamos receber informação.

Como tinham passado tantos anos, fiz fotos de progressão de idade da Amy

porque eu também não pareço como era quando me licenciei.

Ela podia ter um penteado diferente, cabelo comprido ou curto, e envelheceu.

Se tiver alguma informação, por ser um passageiro

ou um tripulante, pedimos que fale.

O mínimo pormenor pode ajudar-nos a descobrir o que aconteceu à Amy.

24 DE MARÇO DE 1998

Em 1998, não havia muita internet.

As coisas mudaram bastante.

Olá! Bem-vindos ao meu canal.

Hoje vamos falar de um caso de desaparecimento por resolver.

Amy Lynn Bradley.

- Amy Bradley. - Amy Lynn Bradley.

Um dos maiores mistérios no mar.

Não acredito que ela tivesse saltado intencionalmente.

Primeiro, mesmo que tenha caído do barco,

estavam tão perto que ela podia ter nadado.

Por mais perturbador que seja, é possível

que a Amy Lynn Bradley tenha sido traficada do navio.

- Os navios têm tantos armários e… - Sim.

… pequenos cantos e recantos para esconder alguém.

Ele era empregado do cruzeiro e tinha acesso a áreas restritas.

Talvez os membros da Blue Orchid trabalhassem para uma operação nefasta.

Talvez a tripulação toda estivesse envolvida.

Acho que ela foi marcada.

Se tiver alguma informação que leve à recuperação

ou identificação de Amy Lynn Bradley, entre em contacto com o FBI.

SYDNEY, AUSTRÁLIA

Soube do caso da Amy em 2014.

Os fóruns de discussão de crimes reais só estavam a começar a sério nessa altura.

Eu tinha um grande interesse em crimes reais.

Estava a pesquisar e a procurar tudo sobre a Amy.

Artigos, tópicos de detetives online, fóruns de discussão…

Fiquei chocado por nunca ter ouvido falar do caso

e por a Amy nunca ter sido encontrada.

A história da Amy comoveu-me muito e senti mesmo que tinha de haver

um recurso essencial

onde a informação toda do caso pudesse ser publicada.

Quando isso não acontece, estes casos, muitas vezes, são esquecidos.

Foi por isso que, em 2018, criei o amybradleyismissing.com.

Tem fotografias, avistamentos,

muitas ligações arquivadas, todas as dicas, pistas e teorias.

Obviamente, num caso desta magnitude, a especulação é de loucos.

Era ali que eu estava quando vi a Amy.

Trabalhava em telecomunicações.

Sou especialista em redes e telecomunicações. É o que faço.

Um dia, a Iva disse-me: "Este tipo, o Anthony Willis,

criou este site."

Aí, o Anthony e a Iva criaram uma amizade.

Depois, começámos a pensar: "Esperem lá, temos um site.

Temos dados que vêm desse site.

Temos um localizador de IP nesse site.

Porque não começamos a extrair os dados?"

O melhor do meu site é que posso aceder aos dados analíticos.

Consigo encontrar cada IP que visitou o meu site.

Depois, posso… O que se faz é copiar e colar esses IP

num leitor de IP, que nos dá a geolocalização geral de onde vem o IP.

O Anthony começou a enviar-me informações, os dados.

Eu comecei a filtrar os dados.

Procurávamos padrões.

A origem dos IP.

Para mim, o que foi chocante

foi a quantidade de IP de Bridgetown, Barbados.

O último avistamento dela

foi em Barbados.

Começámos a tirar fotos à família da Amy

e a carregar essa informação.

Comecei a extrair todos os IP.

Diz-nos quantas vezes aquele IP visitou o site.

Diz-nos a que páginas foi e quanto tempo ficou naquela página.

Por que razão, nos aniversários,

nos feriados, no Natal, alguém continuava a visitar o site?

AÇÃO DE GRAÇAS 15 VISITAS

Entravam e ficavam no Dia de Ação de Graças,

no Natal

e aniversários.

Entravam em Curaçao, em Barbados

e ficavam na página por 45 minutos ou assim.

Não fazia sentido.

Eis a minha teoria.

E é só isso.

Ou as pessoas envolvidas nisto são curiosas

e querem saber quão perto estão de serem apanhadas.

Ou é a Amy.

JARDIM DE AMY

Carregámos muitas fotos novas, coisas sentimentais.

Fotos do Miata dela e do cão.

Para o caso de ela as conseguir ver.

Esperemos que sim, e que saiba que continuamos a tentar e a pensar nela.

As páginas visitadas.

Porque vê aquela página

e porque gasta minutos nisso?

Porque volta a essas páginas?

Qual o interesse nessas páginas?

Talvez o faça porque quer recordar.

Quer reviver as memórias.

Quer ver como os pais envelheceram e o que o irmão está a fazer,

ou o que está a acontecer na vida deles.

Talvez a visite para garantir que continuam vivos.

Quando a Amy desapareceu, terá recebido uma ameaça a dizer:

"Se contares aos teus pais, matamo-los"?

Será que ela ainda acredita que a família pode correr perigo?

Acho que a ideia de estar presa contra a vontade

e de que vai ao site para ver as suas fotografias…

Tudo é possível.

Podemos rastrear as visitas ao site,

mas temos de passar por um processo legal para obter a informação do assinante.

Se for um cidadão estrangeiro e não for de um navio americano,

não obteremos qualquer informação sobre quem pode estar a visitar o site.

De certeza que já lhe perguntaram.

Por que razão a Amy não liga para casa ou manda um e-mail, se estiver viva?

Muito bem, então…

É uma boa pergunta.

Não percebo porque não terá contactado,

se tiver acesso a um computador.

Contudo, não sabemos o que viveu, o que passou.

Quando vi a Amy em Barbados,

algo que não me esqueço foi o homem dizer:

"É bom que estejas pronta para ir e não tentes fugir nem fazer nada,

pois estaremos lá fora à espera e a vigiar a noite toda."

A mulher disse: "Podemos parar e ver as crianças?"

"Sim, podemos parar e ver as crianças.

Vais colaborar e não tentar fugir?" E ela: "Sim."

Não sei que crianças iam ver.

Mas ela estava entusiasmada com isso.

Talvez fossem os filhos dela.

Muita coisa pode ter acontecido nesse período de tempo.

Não sabemos se tem filhos. Pode já ser mãe.

Não sabemos se houve ameaças à família dela.

Isso pode explicar porque não entrou em contacto.

Embora tenha sido vista em Curaçau, foi vista em Barbados.

Olho para estes avistamentos todos,

e as pessoas dizem: "Porque não vos ligou?"

Deve ser o que mais nos perguntam.

"Se ela está viva, porque não vos liga?"

Há muitas razões.

Talvez seja vítima da Síndrome de Estocolmo,

onde a pessoa cativa começa a identificar-se com os raptores.

Talvez esteja numa situação onde teve filhos.

Talvez a tenham ameaçado a ela ou aos filhos.

Não sabemos as respostas.

Mas isso dá-me esperança que ainda esteja algures por aí.

Pensar que tenho netos que não conheço…

Ainda estou na Terra, ainda estou aqui, por isso, se tiver

e conseguirmos localizar a Amy,

se ela tiver filhos e os localizarmos,

ficaria feliz.

Há aqui algumas coisas que são muito especiais.

Temos os pertences todos da Amy,

até…

… os trocos na carteira.

O não saber, como é que não os desgasta?

Não desgasta.

Trinta anos depois, ainda parecem esperançosos e otimistas.

Mas a esperança é uma faca de dois gumes.

E pergunto-me o que é melhor,

ter essa esperança, a crença de que ela vai voltar para casa,

ou obter o desfecho de que precisamos?

Se ela estiver a beber Mai Tais numa praia algures

e a encontrarmos feliz,

eu seria a pessoa mais feliz do mundo.

Mas não acho que seja… o final que teremos.

Dadas as circunstâncias,

o desaparecimento dela

um mês depois de me ter enviado esta carta

e o facto de ser uma mensagem numa garrafa,

a conveniência da metáfora

dá azo a mal-entendidos.

Pode sugerir suicídio,

mas eu não o vejo assim.

Para mim, li uma carta de amor.

É uma carta de amor.

Depois da mensagem na garrafa,

contactei-a e encontrámo-nos.

Dias antes de ela partir no cruzeiro.

Ela queria que eu conhecesse o cão que tinha adotado, Bailey,

e queria muito que visse o apartamento.

Eu soube, quando estava com ela, que íamos fazer com que resultasse.

E tínhamos planeado que nos veríamos

depois do cruzeiro na Páscoa.

Acho que ela nunca tinha feito um cruzeiro.

Estava incrivelmente entusiasmada.

Escreveu-me um postal.

Chegou depois de saber que ela tinha desaparecido.

Como sou fotógrafa, ela fez referência a tirar fotos

e disse: "Quem me dera que estivesses aqui."

Não consigo deixar de pensar em querer impedi-la de ir no cruzeiro.

Eu estava ali,

estava mesmo ali com ela naquele apartamento, mesmo antes.

É como se a visse. Consigo vê-la claramente.

Consigo cheirá-la.

Consigo senti-la.

Porque estamos a revivê-la, percebe?

Estamos a dar-lhe vida.

Hoje, passam 9758 dias

desde que procuramos a Amy.

Nunca desistiremos dela.

De manhã, quando acordamos, dizemos: "Talvez seja hoje."

E, quando vamos para a cama,

temos um beijinho especial para a Amy e dizemos: "Talvez seja amanhã."

Temos o carro dela guardado na garagem.

Está protegido do clima e limpo.

É dela, e ela… Ela adoraria poder voltar a entrar nele.

Estará imaculado quando ela chegar.

E aí poderá voltar a conduzi-lo.

Todos temos o pressentimento de que ela anda por aí.

A falta de desfecho ou o não saber permite-nos continuar a ter esperança.

Na verdade, prefiro assim

do que a conclusão de ter uma resposta.

O Ron Bradley esteve em minha casa, há um mês,

e disse: "Quando a Amy voltar para casa."

Às vezes, vejo-a no meu cérebro.

Penso nela em alguns locais.

Vejo-a muito a jogar basquetebol.

Vejo-a muito a beber um cerveja, a sair e a dançar.

O que será que ela pensaria

das nossas escolhas de vida e do que fizemos? E…

E depois há a esperança de que ela sabe o quanto todos tivemos saudades dela.

Eu e o Brad acabámos uns meses após o desaparecimento da Amy.

Acho que havia muita coisa a acontecer para todos.

Ainda os adoro.

Acho que a situação foi obviamente tão avassaladora

que eu provavelmente me afastei.

Acho que todos sentiram que não conseguiam lidar com mais nada.

Nunca mais será igual.

O caso da Amy Bradley é… Nunca o esqueceremos.

Não podemos. Há tantas perguntas.

Para um agente do FBI é muito frustrante, pois é o nosso trabalho.

Gostamos de resolver mistérios. Não gostamos de pontas soltas.

E este caso está cheio delas.

Acho que é essa…

… a luta.

Todos estes avistamentos,

eu queria desesperadamente que fossem verdade.

Qualquer cenário sobre o que pode ter acontecido

em torno do desaparecimento

tem dúvidas e possibilidades misturadas.

Mas, para mim e para fazer as pazes

com o facto de ela já não estar aqui,

a pessoa que eu amava, é…

A verdade é que estou a viver sem ela.

Isso não vai mudar.

Isso não muda.

Hoje, o caso da Amy é uma investigação aberta.

Se alguém souber algo… Estava naquele navio?

Viu ou ouviu alguma coisa? Já passaram muitos anos.

Talvez tenha anotado algo.

Seja o que for, essa informação pode ajudar.

Aconteceu algo à Amy.

Não sabemos o que foi, mas temos de ter respostas.

Se sabe algo,

por favor, dê-nos aquilo de que precisamos.

Por favor, faça isso por nós e pela Amy.

Amy!

Amy!

O FBI INTERROGOU ALISTER "YELLOW" DOUGLAS, QUE SE SUBMETEU A UM TESTE DO POLÍGRAFO.

O FBI LIBERTOU-O SEM PROVAS QUE O LIGASSEM AO DESAPARECIMENTO DE AMY.

EM 1999, OS BRADLEY PROCESSARAM A ROYAL CARIBBEAN.

NA ALTURA, A ROYAL CARIBBEAN DECLAROU TER AGIDO DE FORMA ADEQUADA

E SEMPRE RESPONSÁVEL. POR FIM, O PROCESSO FOI ARQUIVADO.

Legendas: Liliana Murilhas

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