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AGOSTO DE 1998
Estava de férias com um amigo.
6 MESES APÓS O DESAPARECIMENTO
Fui de Calgary a Curaçao numa viagem de mergulho.
O local que escolhemos era o melhor.
Íamos sempre para lá, Porto Marie.
Porto Marie é mais virado para locais.
Temos de saber onde fica
e temos de querer ir para lá.
Se virmos mais de meia dúzia de pessoas, é uma sorte.
O recife é ótimo.
A água é quente.
Tem boa visibilidade.
Tem muita vida marinha.
Tínhamos saído da água.
Estávamos a lavar o equipamento na área de lavagem.
Olhei para a praia e vi três pessoas na nossa direção.
Era um tipo, uma rapariga no meio
e outra pessoa que parecia ser da ilha.
Quando se aproximaram,
ela veio ter comigo.
Ela estava em boa forma, bronzeada e era fumadora.
Vi uma tatuagem que parecia…
OMOPLATA ESQUERDA
… o Diabo da Tasmânia.
E ela ia dizer-me algo
quando a pessoa que estava no interior se aproximou.
Eu olhei para ele.
Ele olhou fixamente para mim.
Não disse nada.
E afastou-a.
Se ele não tivesse olhado assim, eu teria esquecido tudo.
Mas não consigo.
Penso nisso todos os dias.
Não passa um dia em que não pense:
"Se tivesse tido mais dez segundos, o que teria feito?"
O DESAPARECIMENTO DE AMY BRADLEY
17 DE ABRIL DE 1998 24 DIAS APÓS O DESAPARECIMENTO
Duas semanas e meia após o desaparecimento da Amy,
decidimos voltar a Curaçao para uma conferência de imprensa.
O objetivo desta conferência de imprensa
é não só dizer às pessoas o que aconteceu e como nos sentimos,
mas também tentar encontrar a Amy e lançar um pedido.
Pedimos ao capitão do navio
para notificar os passageiros de que ela estava desaparecida.
E ele disse que não o podia fazer porque perturbaria os passageiros.
Voltámos a Curaçao porque senti que tinha de fazer algo.
Quem foi o membro da família que viu a Amy viva pela última vez?
Fui eu.
O senhor?
É muito difícil falar da última vez que a vi.
- Não acredita que ela caiu borda fora? - Nem pensar.
Qual era a cor da roupa dela?
Tinha um top branco.
Um relógio e brincos prateados.
Estava bêbada?
Ela tinha estado a beber. Todos no navio tinham estado a beber.
Verificámos a conta do bar. Bebeu sete cervejas a partir das 18h00.
Tento conter os meus sentimentos.
PAI DE AMY
Porquê?
Não sei. Acho que… Apesar de ela ter 23 anos,
ainda a tentava proteger.
E, por vezes, acho que não fiz o suficiente.
Fiquei em casa a gerir os telefonemas.
Achei que não conseguia ir a Curaçao
e voltar para casa sem ela pela segunda vez.
Não me lembro de comer. Não me lembro de tomar banho.
Não me lembro de dormir.
Esperava e rezava que alguém ligasse com informações.
A recompensa subiu para 260 mil dólares.
Aumentou, e ainda estamos a tentar juntar mais dinheiro
de colegas, amigos e família.
Se alguém a tiver, por favor, liberte-a.
Deixem-na algures a meio da noite, vendada.
Não faremos perguntas.
Podem permanecer anónimos.
Só a queremos de volta.
Após a conferência de imprensa,
estávamos numa área exterior da receção
a pendurar panfletos, a falar com autoridades, jornalistas.
E vimos um cavalheiro a aproximar-se.
Ele apresentou-se.
Chamava-se Deshi e era taxista.
E tinha um dos panfletos da Amy na mão.
Ele disse: "É o pai da rapariga desaparecida?"
Eu respondi que sim.
Ele puxou-me para o lado e disse:
"Quero que saiba que a sua filha não caiu do navio.
A sua filha não saltou do navio,
não foi atirada do navio,
está nesta ilha e espero que a encontre."
O meu coração acelerou.
E ele disse: "Ela abordou o meu táxi.
Parecia um pouco desorientada.
Nunca esquecerei os olhos verdes dela."
E ele disse que ela usava um top branco com calças de ganga,
que era o que ela tinha por baixo da blusa amarela
e as calças que faltavam.
"Ela disse que precisava de um telefone,
eu apontei na direção dos telefones,
e a Amy foi para o outro lado."
Foi a primeira indicação de que ela está viva…
… e anda por aí.
Ele disse: "Tem de ir a um sítio chamado Coral Cliffs, uma estância.
Tem de ir a um sítio chamado Kadushi Cliffs."
E ele disse: "Quando for a esses sítios,
olhe à volta, não fale com ninguém, limite-se a olhar, a observar."
Conhecemos um tipo chamado John Mentar da polícia portuária.
Em abril de 1998, a família veio ver se conseguíamos descobrir algo.
O taxista tinha a certeza de que tinha visto a Amy Bradley
e de que ela tinha saído do navio.
Isso tocou-me.
Como não conheciam assim tão bem a ilha, fui com eles.
Ele disse que era perigoso e que tinha de ir connosco.
Não podiam ir lá sozinhos.
Os locais iam atacá-los ou enganá-los.
Como polícia, não há problema, mas sozinhos, não.
Disseram-nos que aqueles sítios
pertenciam e eram controlados por vários grupos mafiosos.
Alguns deles tinham acesso ao mar.
Era possível entrar e sair
sem haver controlo das autoridades e esse tipo de coisas.
Em alguns locais onde procurámos havia pistas de aterragem improvisadas
que podiam ter sido usadas para tráfico de droga ou até sexual.
Curaçao é uma ilha linda,
mas os crimes aqui são relacionados com droga,
não estamos longe da Venezuela.
Também temos prostituição na ilha.
E, por vezes, tráfico sexual.
Ela pode ter sido atraída para fora do navio.
Talvez alguém a tenha convencido.
Fomos por uma estrada em particular e…
… chegámos a um ferro-velho.
Carros velhos, barracas…
Entrámos numa das barracas
e houve algo que me chamou a atenção, um pacote de Tic Tacs em cima da cama.
Pensei logo: "A Amy esteve aqui?" Ela adorava aquilo.
"Talvez a tenham trazido para aqui.
Alguém a tirou do navio e a trouxe para aqui."
Era esse o meu estado mental.
Lembro-me de passar
por espinheiros.
No fundo, íamos num caminho de terra com 1,5 m de largura,
com espinhos de 5 a 10 cm a raspar em ambos os lados dos veículos
à uma da manhã.
E ouvi distintamente,
o que me pareceu óbvio, a voz da Amy a dizer "Brad!"
no que me pareceu um veículo a passar por nós.
E passei-me.
Virei-me e perguntei a todos se tinham ouvido aquilo.
E eles ouviram.
Por isso, demos a volta…
… seguimo-los pelas colinas e pelos bairros
à espera que o tipo parasse e ela estivesse no carro.
Aí, o carro parou.
Afinal, era um velhote sozinho.
Brad!
Diz adeus, Brad.
Eu sei como é quando a Amy me chama, e foi muito distinto.
Vem aí um carro!
Nunca tive tanta certeza de nada na vida como aquilo que ouvi e o que era.
- Adeus, Brad! - Amy!
Não a encontrámos em lado nenhum.
Mas, com isto, sei que continua algures por aí.
Temos o taxista que disse que a viu.
Isso muda mesmo tudo.
Temos de dar o nosso melhor para encontrar
outros indivíduos que a possam ter visto,
para tentar que o público ou alguém relate informações.
O próximo caso envolve um mistério num cruzeiro.
O mistério de uma passageira que desapareceu.
Contactámos o America's Most Wanted.
Ela é a nossa vida, o nosso coração, uma de nós.
Queríamos mostrar a cara da Amy.
… pode ter reaparecido a centenas de quilómetros.
5 DE DEZEMBRO 9 MESES APÓS O DESAPARECIMENTO
Ir para um paraíso tropical para relaxar.
Era o que a família Bradley queria.
Estava a dar o America's Most Wanted
O foco era uma rapariga desaparecida num cruzeiro,
na ilha de Curaçao.
Amy Bradley tem uma tatuagem do Diabo da Tasmânia
com uma bola de basquetebol na omoplata esquerda.
Mostraram uma foto dos Bradley numas escadas ou assim.
Assim que vi a foto, pensei: "Estão a gozar?"
Era a rapariga que estava na praia em Curaçau. A sério.
DEZEMBRO DE 1998 - AGOSTO DE 1998
As tatuagens e os piercings eram iguais.
Tenho a certeza, não é quase a certeza, é a certeza.
Falei com o FBI.
Contei em pormenor a história do meu avistamento
e de quem estava com ela na altura.
Um dos dois homens olhou para mim
e era grande.
Tinha um rosto muito distinto.
Vi o mesmo rosto no America's Most Wanted.
A Amy estava com dois homens,
e o que consegui identificar era o Alister Douglas.
Temos uma testemunha a dizer que viu a Amy na praia com uns indivíduos.
Essa testemunha identificou um deles como sendo o Alister Douglas,
o líder da banda do cruzeiro.
E temos o taxista a dizer que viu e falou com a Amy.
Não conseguimos confirmar os avistamentos, mas temos de questionar.
Se a Amy ainda estava viva em Curaçao,
saiu do navio?
Ou foi traficada?
Se a Amy foi raptada ou levada do navio,
teriam tido dificuldade.
Ela é uma lutadora.
Amy Bradley!
A Amy era forte, muito atlética.
Se alguém a tirou do barco, a Amy resistiu.
Sim! Duas grandes jogadas no lixo.
Sem dúvida que acho que se teria defendido.
Ela era uma estrela do basquetebol.
A Amy foi a primeira mulher a receber uma bolsa completa para Longwood.
Era muito forte, mental e fisicamente.
Mas, embora a Amy fosse forte, não era grande.
Podem tê-la enfiado dentro de algo,
disfarçado de bagagem e retirado do navio.
A Amy era pequenina.
E ela bebia. Ela gostava de festa.
Ela conseguia beber muito.
Ela aguentava o álcool.
Estamos a pensar: "Terá conhecido a pessoa errada?
Alguém lhe pagou uma bebida?"
Não sei. Isso podia ter acontecido?
Acho que ela era muito mais complicada,
tinha mais texturas e camadas do que as pessoas compreendem.
A Amy sempre soube quem era.
Eu não recebi um carro quando fiz 16 anos.
Na faculdade, ela estava pronta para partilhá-lo com todos.
UNIVERSIDADE DE LONGWOOD
A melhor recordação que tenho da Amy
foi quando se assumiu comigo.
Quando ela me disse que era gay, perguntei: "Então, e eu?"
E ela disse: "Não fazes o meu género, Sarah."
Isso ainda me faz rir. Eu tinha 17 ou 18 anos.
"Porquê? Qual é o meu problema?"
Em Longwood, começou a evoluir
um sentimento entre nós as duas.
Uma noite, ela beijou-me, e foi o meu sinal.
No terceiro ano, éramos colegas de quarto.
Estávamos na casa de banho
e ela disse: "Ajudas-me a contar aos meus pais? Vens comigo?"
Lembro-me da viagem até casa com ela.
Ela estava assustada
porque nunca quis desiludir os pais.
Nunca vi ninguém tão próximo da família como a Amy era.
Amy!
Os Bradley são uma família muito especial.
Amam com muita força.
Acho que não faltaram a um evento ou atividade desportiva
em que eles participaram.
Ela contou aos pais sobre nós especificamente,
e eles não ficaram felizes.
Ficaram surpreendidos e desiludidos.
O pai dela escreveu-me uma carta e foi muito claro sobre o que sentia.
Foi uma carta de três páginas
a realçar tudo o que o desiludiu.
Era a vida da Amy, não era…
Não era o que escolheríamos para ela,
mas era a vida dela, e amávamo-la incondicionalmente.
Lembro-me de escrever isso na carta.
Isso colocou muito stress e tensão em nós.
Acho que todas bebíamos muito na faculdade.
Mas acho que a Amy o usava como ferramenta
para entorpecer alguns desses sentimentos.
E acho que ela carregava um peso
que nem todas carregávamos.
Acho que pesou muito nela
que os pais ainda o estivessem a processar e não percebessem bem.
Como pais, receávamos que, em 1995,
esses sentimentos não fossem bem recebidos
pela população em geral.
Eram os anos 90, por amor de Deus!
Era tabu.
É difícil para um pai dizer:
"Tenho uma filha gay." Mas eles amavam-na na mesma.
Desde o início, a família Bradley foi muito sincera.
Falaram com os investigadores sobre as relações dela
e os desafios que enfrentava.
Quando fomos ver o quarto, fazer as buscas e tudo isso,
quando vimos os sapatos e uma mesinha encostados à varanda,
tivemos de considerar a possibilidade de suicídio.
Fizemos muitas entrevistas a inúmeros amigos e familiares,
bem como fora dessa bolha íntima,
para compreender melhor o estado de espírito da Amy,
o espaço mental da vítima.
Acredito que devíamos analisar todas as possibilidades.
A ideia de suicídio... Eu pensei nisso.
Mas também pensei:
"Bolas! A Amy adorava viver.
Não quereria não estar aqui."
Eu não acredito que a Amy se suicidou.
Não posso acreditar nisso.
Quando fizeram a viagem,
ela estava entusiasmada com a vida.
Tinha acabado de arranjar emprego.
Tinha arranjado um cão e um apartamento com o qual estávamos todos entusiasmados,
pois a Amy teria um espaço onde podíamos estar.
No segundo dia, ligaram para casa e estavam a divertir-se muito.
Ela parecia tão feliz.
Ela e o Brad tinham ido às compras. "Vemo-nos quando voltar para casa.
Estou ansiosa por te contar tudo da viagem. Comprei-te um presente."
Para mim, não é alguém que se quer suicidar.
A Amy era uma pessoa muito confiante e muito feliz.
Sentia mesmo que a vida estava a avançar.
Eu acredito profundamente que ela não se suicidou,
mas a porta continua aberta para qualquer possibilidade ou cenário.
Se não fossem os avistamentos, pensaria de forma diferente? Talvez.
Chamo-me Bill Hefner. Vivo em Fallon, Nevada.
Estive 20 anos na Marinha.
JANEIRO DE 1999 10 MESES APÓS O DESAPARECIMENTO
Estava no USS Chandler.
O meu navio atracou em Curaçau.
Acho que ficámos só uma noite.
Quando saí naquela noite, estava muito longe do porto.
E parei num bar onde não devia estar.
Vi o hotel por cima e parecia ter um bar em baixo.
Parei ali e vi um tipo
com uma .38 no cinto que disse: "Aonde vais?"
Respondi que ia beber uma cerveja, e ele deixou-me entrar.
Quando entrei, desceram quatro pessoas, dois rapazes e duas raparigas.
E reparei que eles tinham armas.
Eu sentei-me com as raparigas, os rapazes foram para o bar.
Era uma rapariga branca e uma hispânica.
A rapariga branca era pequena, morena
e tinha tatuagens.
Aí, uma das raparigas levantou-se e foi ao bar.
Eu devia ter saído nessa altura
porque foi quando a outra rapariga disse:
Estão a deter-me contra a minha vontade. Preciso de ajuda.
Devo-lhes 200 dólares e não consigo obter a minha liberdade."
Era o meu 18.º ano na Marinha.
Ouvi todo o tipo de histórias de prostitutas…
Singapura, Tailândia…
Já tinha ouvido aquilo.
E foi aí que ela disse, com um sotaque sulista:
"Chamo-me Amy Bradley."
Pronunciou "Bradley",
não muito sulista, mas com sotaque.
E depois disse-me que tinha saído do navio sozinha
à procura de droga.
Disse: "Eu e o meu irmão estávamos a festejar,
e fui a terra buscar droga. Agora estou aqui presa com estes tipos."
Ela estava a tentar ser discreta, ao falar comigo.
Não queria que os rapazes ou a rapariga soubessem que me tinha contado.
Quando a outra voltou, ela calou-se.
Não sabia o que tinha acontecido.
Não lhe dei muita credibilidade e fui embora.
Sabia que havia um tipo armado à porta. Não queria causar problemas.
Só em 2001,
três ou quatro anos depois, é que me lembrei
e pensei: "Caraças!"
23 DE JULHO DESAPARECIDA
Vi a foto e liguei os pontos.
Chegou uma pista de um soldado da Marinha,
mas surgiu anos depois de ele ter estado na ilha.
Na altura, não o denunciou porque era militar,
e isso era malvisto.
Na altura, os agentes tentaram confirmar ou pelo menos ver se o bordel
tinha algum tipo de ligação.
Mas a informação… Falamos de anos mais tarde.
Não era algo que pudesse ser corroborado e confirmado.
Porém, faz-nos pensar, pode ter havido tráfico?
Não o denunciei porque não queria ser apanhado e confinado ao navio.
Não queria que soubessem que fui ao bar ilegal.
Estava a dois anos da reforma.
Se tivesse sido apanhado, teria sido reformado num escalão inferior.
Portanto, não queria isso.
De certeza que a pessoa que viu era a Amy Lynn Bradley?
Ela disse que era.
E era parecida com a foto que vi.
Por isso, sim.
O FBI interrogou-me e fez-me um teste de polígrafo.
Pediram-me para identificar os homens.
A foto que me mostraram era do Yellow.
E disseram: "É o tipo que estava no bar?"
Eu não tinha a certeza, por isso…
Porque devem acreditar em si?
Não têm de acreditar, mas o FBI acreditou.
E fizeram-me um teste do polígrafo. Por isso…
Eu não tenho nada a ganhar.
Eu falei porque era a coisa certa a fazer.
Nada mais do que isso.
Eu e a Amy passámos o cruzeiro juntos.
Não sei no que se poderia ter metido para acabar nesse tipo de situação,
a dever dinheiro por drogas. Isso é…
Miller Lite e Marlboro Light, era o que ela consumia.
Sair de um navio para arranjar droga…
Nada disso fazia sentido para mim.
Mas, por outro lado, temos uma testemunha legítima.
Tudo se alinha.
Se estava a ser usada numa situação de bordel,
pensámos: "Bem, como foi lá parar?
O que aconteceu?
Como aconteceu?"
Revivemos o cruzeiro
vezes sem conta.
"Escapou-nos alguma coisa?"
Quando voltamos atrás e vemos as coisas que aconteceram antes do desaparecimento,
pensamos: "E isto? E aquilo?"
Para mim, o que se destaca mais
é a atenção que o empregado pareceu dar à Amy.
A dada altura, o empregado veio ter connosco,
olhou para mim e perguntou: "Onde está a Amy?
Queremos levá-la ao Carlos'n Charlie's."
Na altura, só sabia que era um bar em Aruba.
Quando disse à Amy, ela disse: "Não vamos sair do barco. Nem pensar."
Mais tarde, reparei num homem que estava uns pisos acima
e que fez contacto visual comigo algumas vezes.
Não percebi para onde ele estava a olhar.
Será que estava a olhar para a Amy ou para nós?
A dada altura, fiz assim.
"Posso ajudar?"
Baixei-me para pegar nas coisas e, quando olhei para cima, desapareceu.
Depois do jantar, disse à Amy: "Vamos buscar as nossas fotos."
Fomos à zona da galeria, onde estavam as fotos penduradas
para os passageiros comprarem.
O responsável reconheceu-a imediatamente e disse: "Está aqui."
Ele foi à procura, tirou algumas e espreitou por trás,
olhou novamente, procurou numa caixa e disse: "Eu meti-as ali.
Alguém do vosso grupo
veio aqui comprar aquelas fotos?"
Dissemos que não.
Não pensei muito nisso, mas disse-lhe:
"Pode imprimi-las novamente?" e ele disse: "Claro."
Quem estava a olhar para a Amy?
Porque a tentaram tirar do navio?
Porque desapareceram as fotos da Amy?
Alguém a viu, quis e levou.
MAIO DE 2001 3 ANOS APÓS O DESAPARECIMENTO
Assumi o caso em 2001.
Ao falar com os Bradley,
ouvia-se a dor na voz e o desespero para obterem respostas.
As pessoas fazem tudo pelos filhos. Eles farão tudo pela filha.
Estavam a fazer tudo o que podiam para resolver o mistério.
Verificámos embaixadas, hospitais, prisões…
Falámos com quem quisesse falar connosco
sobre o que se estava a passar naquela região do mundo.
Tínhamos uma linha telefónica, ligámos para os meios de comunicação
e contámos a história centenas de vezes.
Connosco, os pais de Amy, Iva e Ron Bradley.
Iva e Ron Bradley.
Iva e Ron Bradley.
Os pais nunca desistiram de procurá-la.
Lembro-me dos telefones a tocar durante a noite toda,
pessoas a ligar de vários sítios.
Nunca conseguiria explicar
como é não trazer um filho para casa.
Acabamos por revivê-lo, sempre que o contamos,
ano…
A Amy é muito responsável, muito conscienciosa.
… após ano…
Se saísse mais de dez ou 15 minutos, teria deixado um bilhete.
… após ano.
Vamos para a cama todas as noites a pensar nela. Nunca nos sai da cabeça.
Sempre que o computador apitava,
corríamos para ver o que era o e-mail.
Alguns eram sobre tortura.
VIVA, MAS ESPANCADA E VIOLADA.
"Os pés da Amy foram cortados com lâminas para não conseguir fugir."
"A Amy está amarrada a uma árvore."
"A vossa filha foi atingida na cabeça com um machado
e está enterrada numa cova rasa na Venezuela.
Eis as coordenadas."
Nesse momento, respirávamos fundo
e íamos confirmar.
E percebíamos que não existiam essas coordenadas.
Era frustrante.
Um dia, recebemos um e-mail.
POSSÍVEL PISTA SOBRE AMY UM ANEXO
Em 2005, a família recebeu uma série de fotos,
alegadamente de um site
onde as pessoas se encontravam para sexo ou para se envolver com prostitutas.
Quando recebi o caso, tinha sido destacado para San Juan
e era o responsável desde Porto Rico,
às Índias Ocidentais até Trindade e Tobago.
É um viveiro de tráfico humano.
Há muita gente a passar por aquela área
e muito dinheiro a sair para locais indevidos.
Ver as fotos…
Foi terrível.
Foi…
É um pânico, é um nível de pânico…
Só conseguia pensar: "É a minha filha?"
É um conjunto de imagens inquietantes.
Doentias.
Quer dizer, sem dúvida que não é algo
em que a Amy quisesse participar.
Não sabemos como está a Amy atualmente.
Sete anos podem mudar a aparência de uma pessoa.
Todos as vimos.
O nariz, o queixo e o cabelo.
Fiquei sem fôlego.
Pensei:
"Pode ser a Amy."
É uma pista enorme e palpável.
O nosso trabalho é descobrir de onde veio, onde foi tirada.
ACOMPANHANTES DE DEZEMBRO
A fotografia estava
num site específico de prostituição nas Caraíbas e na Venezuela.
Os indivíduos nas fotografias são mulheres
e estão em trajes ousados.
O FBI fez uma análise forense à foto.
Temos várias fotos da Amy onde está de perfil
e onde está a olhar em frente.
Fizemos medições com a orelha.
Fizemos medições com o queixo.
Vimos o ombro, o braço.
Um analista forense viu a foto…
… e acreditou ser a Amy Bradley.
Foi como uma facada no coração.
Nunca pensei que ela não andasse por aí.
Nem o pai dela.
Nem o irmão dela.
Temos de chegar até ela.
A Amy Bradley desapareceu há sete anos.
Agora, a Iva e o Ron receberam uma foto por e-mail
de alguém que quer manter o anonimato.
Quero mostrar esta foto que pode muito bem ser a Amy Bradley
sete anos após o seu desaparecimento.
Vamos ver as características que os peritos realçaram?
O que eles fazem é medir coisas que não mudam com o tempo.
Aqui, podemos ver que as maçãs do rosto têm semelhanças.
Agora vejamos o queixo e até a linha capilar no centro da testa
que não muda.
Se repararmos, é muito semelhante.
Sabemos que a Amy tem quatro tatuagens.
A foto foi tirada de forma
a tapar todas essas áreas. Queremos ver…
Um dia, depois do trabalho,
estava a ver o Dr. Phil.
Estava a ver, quando apareceu um casal.
Mostraram uma foto de uma rapariga que desapareceu nas Caraíbas,
e eu não podia acreditar.
Disse: "É a rapariga que vi em Barbados."
Eu vi-a.
Eu vi-a.
MARÇO DE 2005 7 ANOS APÓS O DESAPARECIMENTO
Eu e o meu marido estávamos num cruzeiro.
Uma das paragens foi Bridgetown, Barbados.
Eu queria comprar recordações para a minha família.
Então, fomos a uma loja na baixa.
Estávamos a ver, e eu disse: "Não há aqui nada que eu queira."
Ele disse: "Está calor. Vamos voltar para o navio e comer."
E eu disse: "Está bem, mas primeiro tenho de ir à casa de banho."
Então, entrei ali
e não estava lá há três ou quatro minutos quando, de repente, ouvi pessoas a entrar.
Estavam a falar. E eu pensei: "Há homens na casa de banho."
Estava um homem à porta a falar.
Não me lembro de tudo o que disse, mas ouvi-o dizer: "Combinámos às 11h00.
É bom que estejas pronta."
Não sei o que era.
Talvez fosse um negócio de droga. Não sabia o que se passava.
De repente, os homens foram embora.
Eu abri a porta e vi uma jovem
junto aos lavatórios.
Ela tinha cabelo comprido e escuro, mas despenteado.
Tinha uma saia, uma saia direita e um top de alças.
Estava com um ar horrível, como se estivesse a chorar.
Aproximei-me para lavar as mãos e disse: "Olá!
Estás aqui de férias?" Ela abanou a cabeça que não.
"Vives aqui?" Ela abanou a cabeça, mas não falou.
Depois, perguntei como se chamava,
e ela respondeu: "Amy."
Percebi que tinha um sotaque sulista.
Então, perguntei: "De onde és?"
Ela falou tão baixo que percebi "Virgínia Ocidental".
Fiz um ar espantado e tentei animá-la.
"Vivo lá perto e tenho uma filha chamada Amy,
com a tua idade."
Quando eu disse isso,
ela avançou na minha direção, aproximou-se na minha cara
e empurrou-me contra a parede.
Eu congelei.
Comecei a falar muito depressa. "Prazer em conhecer.
Espero que te divirtas."
Ela limitou-se a olhar. Nunca se mexeu. Parecia congelada de costas para a porta.
Quando abri a porta, estava lá um um homem
a bloquear a saída.
Aí, fingi-me de turista burra.
Disse: "Desculpe, tenho de sair. Com licença."
E continuei a avançar.
Ela esteve sempre de costas para a porta enquanto eu saí.
Quando cheguei ao meu marido, ele disse: "Credo, estiveste ali muito tempo."
E eu disse-lhe: "Passa-se algo.
Estão a obrigar aquela rapariga a fazer algo que não quer fazer."
Saíram todos a segurar nos braços dela.
Fiquei ali a vê-los até desaparecerem.
O meu marido disse: "Não podes fazer nada, Judy."
Então, voltámos para o navio.
Lembro-me que fomos comer qualquer coisa.
O local onde estávamos sentados
tinha janelas e via-se Barbados.
Eu só conseguia pensar nela.
Durante semanas, só pensei nisso,
mas não sabia o que fazer. Não sabia quem ela era.
Só sabia que se chamava Amy, que tinha sotaque americano
e que disse ser de Virgínia Ocidental. Foi o que percebi.
Tentei esquecê-lo,
até ver aquilo no Dr. Phil.
Liguei ao FBI
e disse que era ela. Exatamente. Mostraram a foto, e era ela.
Era a mesma rapariga. Ela era assim.
Os nossos agentes em Barbados foram tentar perceber
se podia ter sido a Amy, se podia ter estado naquela casa de banho?
Falaram com aquelas pessoas.
Não havia câmaras ou imagens.
Tentaram seguir a pista o melhor possível, mas não deu em nada.
Analisámos tudo naquela foto, tudo o que pudesse ser identificado,
como mobília que tivesse marcas.
Analisámos a cama.
Poderíamos descobrir o fabricante?
Algo que nos pudesse dar uma pista para onde a foto tinha sido tirada.
Qualquer coisa tem importância,
mas as vítimas de tráfico humano podem ser muito difíceis de encontrar.
Sobreviventes, após serem salvos, já nos disseram que o traficante
disse que matavam a família inteira na terra natal
se não continuassem a fazer o que tinham de fazer.
CRUZEIROS AVISTAMENTOS
Lembro-me de chegarem pistas.
Nos grãos de areia que chegavam, podia haver algo
que resolvesse o mistério.
Mas, para serem pistas de investigação, era preciso mais.
Era preciso alguém que conhecesse a pessoa e fosse próximo da pessoa.
Primeira mensagem.
Olá, chamo-me Amica Douglas.
Sou filha do Alister Douglas.
Estava a pensar se podíamos falar sobre a Amy Bradley.
Não sou muito boa nisto, mas tenho informações.
Adorava falar consigo.
Legendas: Liliana Murilhas
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