Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Croatian
Czech
Danish
Dutch
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
French
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Portuguese (Portugal)
Punjabi
Quechua
Romanian
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
Esta é uma apresentação rara de Gavaznha, exibida no Festival Internacional de Cinema de Teerã
em novembro de 1974, e desde então sujeita a várias formas de censura.
A censura pré-revolucionária impôs alterações ao filme,
incluindo um final completamente novo.
O diretor Masoud Kimiai foi obrigado a adicionar novas falas
para enfatizar que um dos dois personagens principais
era um assaltante de banco e não um guerrilheiro urbano.
Nas legendas, o diálogo imposto pela censura aparece entre parênteses.
Esta cópia apresenta o final original do filme.
Este DCP foi produzido a partir de um telecine, versão quase completa do filme de Masoud Kimiai.
Algumas cenas muito danificadas foram substituídas utilizando uma cópia preservada pela NFA do Irã.
No entanto, ainda há uma série de cortes repentinos
devido ao mau estado da cópia,
especialmente no final de cada rolo.
O filme continua proibido no Irã.
Um filme de: Masoud Kimiai
Behrouz Vossoughi em "O Cervo"
Faramarz Gharibian
Parviz Fannizadeh
Apresentando: Nosrat Partovi
Montagem: Abbas Ganjavi
Cartazes de "O Cervo" por: Morteza Momayyez
Música: Esfandiar Monfaredzadeh
Direção de fotografia: Ne'mat Haghighi
Produzido por: Mehdi Misaghiyeh
Roteiro e direção de: Masoud Kimiai
[Essa é a última vez que te ajudo num assalto, entendeu?]
[Daqui para frente me deixa fora disso! Depois eu mando a sua parte.]
ESCOLA ESTADUAL BADER
- Pode chamar o Sr. Ali? - Qual Sr. Ali?
O zelador.
Claro.
Pois não, senhor? Estava me procurando?
- Olá, Sr. Ali - Olá, senhor...
O que o senhor quer?
Sou o Ghodrat, amigo do Seyed.
Não se lembra? Meu pai não me deixava voltar para casa no verão.
E a gente dormia no telhado da sala dos repetentes com o Seyed!
Como vai, meu filho? Não te reconheci.
Entra, vem!
Você está machucado? Está sangrando!
- O Aslani ainda é o diretor da escola? - Não, já mudaram várias vezes.
Vem, entra
Você está muito ferido. Pelo menos coma alguma coisa.
Não é nada, está tranquilo.
É um ferimento antigo. Estou procurando o Seyed.
Onde ele está?
Você não o vê desde os tempos da escola?
Não, faz uns 7 ou 8 anos.
Ele ainda é encrenqueiro?
Ainda gosta de mandar em todo mundo?
Puxa vida!
Isso já faz muito tempo.
Eu e outros antigos colegas...
ainda temos admiração por ele.
- Onde posso achá-lo? - Vá até o trabalho dele.
E onde ele trabalha?
Vá até Lalezar. Teatro Jameh-dar.
Você vai encontrar ele lá. É só perguntar.
Obrigado, Sr. Ali. Vou procurá-lo.
Se cuida.
Se o vir, diz a ele vir me visitar.
Para onde vai aquela mulher?
Não pegue mais passageiros. Eu pago a mais.
Claro, senhor.
Está tudo bem?
Sim, não é nada.
Para aqui.
Nossa programação vai começar em breve.
Onde encontro o Seyed Rasoul, senhora?
- Quem é Seyed Rasoul? - Um tipo alto, forte.
Disseram que eu poderia encontrar ele aqui.
Chamam ele de Seyed.
Aqui só tem um Seyed, e é quem está falando no microfone.
Nossa programação acaba de começar, venham logo!
A nova comédia musical: "A Raiva de Hitler" ou "O Criado Malcriado".
Hoje à noite e todas as noites, corram! Corram, todas as noite!
Rápido, senhores, rápido!
Posso te ajudar, irmão?
Seyed!
Eu mesmo. O que foi? O que posso fazer por você?
Seyed!
Sou eu, Ghodrat!
Escola Bader!
Não se lembra de mim?
Ghodrat!
Isso!
É você mesmo!
Seu desgraçado, só aparece depois de 10 anos?
Olha os óculos dele.
Sinta-se em casa!
Por que está todo ensanguentado? Entrou em briga?
É você mesmo...
O que aconteceu? Por que está tão acabado?
Posso ficar uns dias com você?
Por que você ficou assim?
Você também mudou.
Não me pergunta nada. Posso ficar um tempo com você?
Meu humilde barraco é seu.
Me leva até lá!
Vamos!
Conta, por que você escolheu teatro?
Nunca imaginei isso.
Meu amigo, não me pergunte nada. Não tenho clima para explicar.
Tudo bem, mas você era o mais correto entre nós.
Não entendo isso.
Você tem uma memória e tanto.
Agora me conta você, por quê?
Falta muito?
- Alguém viu a gente entrar? - Fica tranquilo!
Senta aqui.
Não se preocupa com nada.
Seria melhor ninguém saber que estou aqui.
Estou preocupado com você.
Quer que eu chame um médico? Tem uma farmácia ali na viela.
Não, não se incomode!
Você ainda está sangrando. Vai ficar fraco.
Deixa eu ver.
Tira isso.
Isso é um ferimento e tanto!
Está bem feio. Não foi faca...
Fala, foi tiro?
Não quero me intrometer.
Mas me conta, como isso aconteceu?
Tá sendo procurado?
Eu não estou sozinho aqui.
Sim, eu percebi.
- Quem é ela? - O nome dela é Faati
Ela já foi apaixonada por mim.
Ficou do meu lado.
Hoje em dia ela não gosta mais de mim.
Quer dizer, ela ainda não se decidiu.
Acha que estaria desistindo se fosse embora.
Ela ainda acha que sou um sujeito incrível!
Ela atua no teatro.
Às vezes canta também, no palco ela é Naima.
Toma isso. Está limpo.
Quando a Faati chegar, ela sabe melhor como cuidar do ferimento.
Então, Ghodrat...
ela me ajuda em tudo.
Veste isso e vamos dar um jeito nesse machucado.
Faati pode ajudar, ela vai cuidar melhor de você.
Afinal, você terminou os estudos?
Não, estraguei tudo. Tive que sair de casa.
E sua mãe, como está?
Ela ainda fica brava quando você joga gamão?
Você é meu camarada!
Cada coisa que você lembra!
Uns 4 ou 5 anos atrás...
ela faleceu.
Que Deus a tenha.
Dói... mas a gente sobrevive.
E o tonto do Asghar, o que anda fazendo?
Tem visto ele?
Asghar?
Qual Asghar?
Morava em Saqqa Khaneh, o pai fazia picles.
Puxa, como você lembra disso tudo?
Ele era louco pela minha irmãzinha Maryam. Lembra dela?
Lembro sim, lembro muito bem.
Ela vivia fazendo tranças no cabelo.
Ele vivia atrás da Maryam.
E o que a gente fez? Batemos nele por uma hora!
Ficou uma semana sem conseguir sentar.
A Maryam riu por dois dias seguidos.
Maryam... O que ela anda fazendo agora?
Tem cinco filhos.
Nunca imaginei que a gente fosse se reencontrar assim.
Assim como?
Não finge que não entende.
Eu também vi muita coisa. Mas não me perdi.
Já levei muita pancada na vida. Mas ainda assim, não me perdi.
Mas Seyed, quando te vi... eu desabei.
Que droga você tem usado?
De tudo. Tudo.
Faz quanto tempo?
Uns sete anos.
O que eu posso dizer? Ainda mais para você!
Você fazia qualquer menino virar um homem.
Naquela época, eu não chegava aos seus pés.
Aluno brilhante, voluntário para tudo...
Vou fazer um chá e depois vou chamar a Faati.
Quem te colocou nas drogas?
Começou com uma briga perto do túmulo do Imam Zade.
É uma longa história.
Ué, não tem gás?
Numa briga, enfiei a faca no ombro de um filho da mãe.
Peguei mais de um ano de prisão.
Me comportei bem lá dentro.
Então me cortaram 10 meses da pena.
Eu fiz um amigo por lá.
Perguntei quanto tempo faltava para ele sair.
Disse que ainda tinha mais 5 anos.
Eu perguntei: por que está aqui?
Ele disse que foi por briga.
Ele e mais uns caras.
Reza, esse era o nome dele
Falei: Reza, amigo. E tudo isso só por uma briga?
Ele disse que tinha mais uma coisa.
Perguntei: o quê?
Ele disse: "só um homícidio".
Esse chá é de primeira!
Resumindo, ajudei ele a largar a droga.
Sem ajuda de médico, nem remédio nenhum.
E foi aí que cheirei uma ou duas vezes.
Maldita seja essa coisa!
Tinha um faxineiro que vendia droga.
Ele levava droga para a cadeia dentro do próprio traseiro!
Enrolava tudo em plástico e escondia no rabo.
Ele era tipo um atravessador, sabe?
Quando saí da cadeia, me vi cercado pela pior espécie de gente.
Meu pai vivia enfurnado na escola o tempo todo.
Ter eu por perto era bom para eles.
Foram só algumas festas para eu me viciar.
Eu não tinha nem um tostão.
Me disseram que a cada novo usuário,
me dariam heroína de graça.
Quer um?
Eu me sentia muito sozinho.
Era difícil para um cara sociável como eu.
Eu não tinha amigos.
Todos os meus amigos viraram oficiais ou funcionários públicos.
Aqueles colegas que eu ajudava nos estudos
todos me viraram as costas.
Por coincidência, o guarda da cela era um colega de turma.
Nunca mostrou amizade, agia como se não me conhecesse.
Me evitava o tempo todo. Fugia assim que me via.
Eu brigava com os garotos do bairro Haj Amir por ele .
Era um rapaz bonito, as garotas gostavam dele.
A gente ia junto para a academia.
Aí minha mãe morreu, e comecei a me sentir arrasado.
E perdi uma briga pela primeira vez, ali em Lalezar.
Não tinha desculpa para perder aquela luta.
Nós dois estávamos sozinhos, e o cara era bem magro.
E percebi que eu merecia aquilo.
Aí deixei tudo desandar.
Fiquei feito um trapo velho.
Temos muita coisa para conversar.
Muito trabalho pela frente.
Vou procurar a Faati. Toma seu chá, já volto.
Ohhh...
Pai! Papai!
Você acreditou no Deus Todo-Poderoso e invisível!
Pode ver que meu Deus...
teu Deus...
o Deus do Faraó...
faz tudo com propósito.
Ora, querido irmão Ramsés, como vai?
Parece que está preso, e por quê?
Sempre quis ver meu irmão.
Mas lamento ver que, após tanto tempo,
você tenha virado um assassino.
Por que você o matou?
Era meu pai. Por que você matou ele?
Chega. Não precisa me dar sermão.
Porque sou um maldito, que desde o nascimento...
sempre odiei todo mundo ao meu redor.
Todo mundo se afastou de mim.
Tudo por causa dos videntes do palácio do meu pai,
previram que eu o mataria um dia.
O que você esperava de mim, Ramsés?
Que eu continuasse puro e casto?
Não! Desde que me entendo por gente quero me vingar, até do meu pai.
De todos, até do meu pai.
E agora, matar meu pai foi o primeiro passo.
E logo vai chegar a sua vez.
Vem, Ali. Vamos fumar.
- Ei, Abbas, aquilo que estava sussurrando... - Do que você está falando?
Ficou me falando merda no meio da cena.
Me encostando toda hora, desgraçado!
Não se leva tão a sério assim!
Essa aí acha que ganhou quatro prêmios Tony.
Seu merda! Quantas vezes tenho que falar?
Filho da puta!
Se eu te dou um tapa na frente de todo mundo...
nunca mais vai ter coragem de fazer essas coisas.
Chega! Isso não tem fim!
Se fosse para acontecer alguma coisa entre nós, já teria acontecido.
Até um cachorro tem mais bom senso que você.
Se eu te denunciar para o gerente...
você vai ser despedido!
Já começou a encher o saco de novo?!
Cuidado com a boca!
Se você fosse homem de verdade, eu saberia o que fazer contigo.
Não liga para ele, isso não está certo.
Se acha homem, é?
Se todo homem fosse igual a você, não restava nenhum nesse mundo.
E você? Não é meu marido?
Diz alguma coisa para esse corno aí que não me deixa em paz.
O corno é quem dorme contigo toda noite.
Deixa ela em paz! Não se engane pela minha aparência.
Posso te pendurar pelas bolas.
Olha como ele ficou valente!
Eu arrebentava ele e deixava jogado no chão.
Filho da puta!
- Levanta - Que foi?
- Me larga! Me larga! - O que você está fazendo?
Eu vou acabar com ele!
Sete e meia da manhã,
o policial Johnny Dollar recebe uma ligação...
avisando sobre um grande roubo na rua 95, em Nova York.
Johnny pede ao major George, seu assistente, que faça um relatório.
- Major George! - Sim, senhor!
- Relatório! - Sim, senhor!
Major George! Vá até o bloco 770, na rua 95.
Me solta!
Quem você pensa que é?
Vai agora mesmo!
Senhor! Senhor! Está murcho, isso não vai muito longe.
Espera, Abbas! Me escuta, por favor!
Me larga.
Me escuta. Eu estou ferrado, Abbas.
Escuta, Abbas. Eu te imploro, por favor!
Deixa eu te dar uns tapas na frente da Faati. Ela está se trocando agora.
Deixa eu bancar o homem diante dela.
Uma vez só, só uma vez.
Eu te dou duas semanas de salário. Te trago drogas.
Só deixa eu te bater na frente dela.
Esquece qualquer besteira que eu falei.
Ouvi dizer que você é um bom homem.
Por favor, vem aqui só um instante. Vem, por favor, eu te imploro.
Filho da puta! Vai à merda!
Vai, some daqui!
Vamos, ele não vai mais mexer com você!
Como criou coragem para enfrentar ele?
Eu também sei me portar como homem de vez em quando.
Passe primeiro em Niroye Havai, amigo.
- Onde fica? - Continua dirigindo, eu te aviso.
A gente gasta todo o salário com táxis. Por que não vamos de ônibus?
Vai voltar lá de novo?
Vou.
Você não tem dinheiro, né?
Não tem mais nada?
Não, acabou.
Passei a noite toda em agonia.
-E se ele não te der nada? - Eu me viro.
Eu devo 200 tomans para ele.
Vida de merda!
Estou cansado dessa vida de cão, miserável...
vida que não vale nada!
Não começa com isso de novo!
- Fica aqui. Eu já volto. - Não demora!
Tá bom, espera aqui.
- Olá, Asghar. - Você de novo?
- Por favor, Sr. Asghar - Entra.
Estou sofrendo demais.
Meus braços e pernas doem.
Só aparece quando fica sem drogas.
Tem dinheiro?
Sei que te devo uns 200 tomans, mas estou no fundo do poço.
Eu vou te pagar, mas agora não tenho nem um centavo!
Já não te falei para não voltar aqui?
Já disse que não vendo mais em porção pequena,
e você insiste em vir.
Está sozinho?
Não tem ninguém, só a Faati.
Só mais uma vez, Sr. Asghar.
Te pago no começo do mês que vem.
Quem é esse, Asghar?
- Asghar, quem é? - Ninguém, só um pobre coitado.
O chá está fervendo.
Quando foi na casa do Akbare, seis policiais te seguiram.
Olha a merda que você arrumou.
Já falei que não estou nada bem.
Pelo amor da sua esposa e filhos, só mais uma vez, por favor.
Se eu não consigo nem ficar de pé, como vou ganhar dinheiro para te pagar?
Juro por Deus que volto com dinheiro da próxima vez.
Você acha que eu ia te prejudicar?
Desgraçado, sem vergonha, imbecil, viciado de merda,
não prometeu que ia trazer clientes da escola para mim?
Disse "meu pai é zelador lá, posso me enturmar com os alunos".
E os levou para outros traficantes, para o Nasser e Gholam.
Toda vez que eles te viram as costas, você vem aqui implorar.
- Por favor! - Some daqui!
Sei que você pode acabar comigo mas por favor, não faça isso.
Me escuta!
Tenha paciência, por favor.
Você sempre vem aqui mendigando. Cai fora.
- Sempre arrumo cliente para você. - Papai!
Juro pela sua filha que não posso mais entrar na escola.
Eu vou conseguir mais clientes.
- Olha essa menina linda. - Não encosta suas mãos sujas nela.
- Como é seu nome, querida? - Parvaneh.
Que nome bonito!
Cuida da menina! Vai com a sua mãe.
Asghar!
O taxímetro está rodando...
Por favor, arranja alguma coisa, te imploro.
Não tenho nada, cai fora antes que eu te arrebente.
Sr. Asghar, por favor. Te imploro... por favor...
Não estou bem.
Pelo amor de Deus.
Eu já disse que não posso. Que sujeito teimoso!
Juro pelo livro sagrado que minha vida acabou.
Olha, nem levanto mais a mão.
Sr. Asghar!
A Faati está me esperando lá fora.
Se eu sair de mãos abanando,
ela vai se decepcionar comigo.
Seu inútil...
Para de implorar, filho da puta. Seu merda, inútil...
Escuta o que estou dizendo, por favor.
Me escute, por favor. Deixa eu beijar sua mão.
Não encosta na minha mão!
Te imploro. Não vou soltar seus pés.
Me dá qualquer coisa, comprimido, ópio, qualquer porcaria.
Qualquer coisa que tiver.
Arrasta esse corpo podre daqui.
Foi você, desgraçado, que me fez virar esse cadáver ambulante!
Não estou pedindo demais.
Antes, ninguém tinha coragem de me dizer "não".
Teve uma época em que eu batia em brutamontes piores que você.
Olha o que sobrou de mim agora.
Que Deus te amaldiçoe.
Cara de pau! Deseja que Deus me amaldiçoe?
Deixa ele, Asghar! Não mata ele!
Acha que consegue me vencer?
Corno, filho da puta, some daqui.
Não me toca! Não me toca!
Não se atreva a me bater de novo.
Disse que sou seu servo, seu escravo
e você continua me tratando assim.
Pelo amor da sua família.
Fiz o que pude.
Me ajuda, por favor!
Faça de mim seu servo.
Você é do sangue de Hussein.
Me ajuda!
Já ouvi esse lamento muitas vezes.
Para com isso ou arrebento sua cabeça.
Não, não, por favor, não faz isso!
Eu tenho um negócio para tocar...
Mamãe mandou, papai.
Ela mandou dar isso para esse homem.
Que Deus realize seus desejos se me curar esta noite.
Da próxima vez, eu não volto de mãos vazias
Eu simplesmente não consigo mais fazer isso com os jovens.
Asghar, aja como um homem de verdade.
Você sabe. Eu sempre te apoiei.
Lembra?
Dá isso para ele.
Você é uma boa menina, deixa eu te dar um beijo.
Deixa a menina ir. Já falei para soltar ela.
Vamos!
Volta para dentro!
Fora! Fora!
Sai daqui. Não quero mais problemas.
Deixa eu fumar um pouco aqui, rapidinho.
Vai fazer essa merda em outro lugar.
O que aconteceu? O que aconteceu com seu rosto?
Não se preocupe, não é nada.
Escuta, Faati, tenho um convidado. Ele vai ficar uns dias com a gente.
- Quem é? - Um amigo, você não conhece.
Da época da escola. Ele vai se abrigar lá em casa.
- Vai dar droga para ele? - Claro que não.
Ele não é desses.
Fiquei muito envergonhado quando o vi.
Nunca deixei ninguém intimidar ele,
e ninguém se atrevia a mexer com a irmã dele.
Sempre estava ao lado dele quando ele perdia,
e quando ganhava, deixava ele sozinho.
Por que está me contando isso agora?
Nada, só não me faça passar vergonha na frente dele.
Faati, se comporta direitinho por alguns dias, por favor.
Ainda conto com você.
Não temos nada para jantar.
Tudo bem, a gente compra algo no caminho.
Estou com vontade de beber hoje à noite.
Para de fingir para mim, sua vadia...
Conheço cada detalhe da sua vida de merda.
Sei de onde você veio e o que faz.
- Que indecência! Que vergonha! - Ah sério?
Já não engana mais ninguém, sabemos o que você faz.
Todos sabem como seu cafetão te usa para ganhar dinheiro.
Parem de trocar gentilezas a essa hora, por favor.
- Que barraco é esse? - Ela não para de me encher a paciência.
Volta pro seu buraco, puta.
Todo mundo sabe por que seu marido se divorciou de você.
Se você tivesse um homem, eu o pendurava pelas bolas.
Olha essa galinha achando que é galo Tem coragem, por acaso?
Vai à merda, seu cafetão filho da puta!
É melhor cuidar da sua piranha,
que se enrola com os homem do bairro!
Estou de saco cheio deste lugar. É barulho o dia inteiro.
E aqui está nosso querido Ghodrat. Me dê isso.
Oi, tudo bem?
Oi, bem-vindo.
Seyed falou muito de você.
Fica à vontade, a casa é sua também.
Como conseguiu dormir com esse barulho?
Devia estar muito cansado.
Eles não têm culpa, senhora.
Se fossem educados, não brigariam tanto.
Oh, querido...
Eles não têm com o que se entreter.
Essa é a diversão deles depois do jantar.
Vem, senta aqui.
Hoje quero tomar umas com você. Só nós dois.
Faati, querida. Traz os curativos.
Vamos ver o que fazer com as feridas desse velho amigo.
Aposto que não vai conseguir tomar isso. É ruim demais!
Vou só tirar a maquiagem e já vou.
Tanto tempo que não bebemos juntos.
Meus primeiros goles foram com você.
Sim, eu lembro. Velhos tempos...
Não gosto nada do meu papel nessa peça.
Falta arte.
O ator com quem contraceno não sabe atuar.
Como posso fazer drama
se ele atua feito um palhaço?
Por que não faz o mesmo?
Seja engraçadinha também.
Todas as bebidas alcoólicas ficaram mais caras
Tudo que é tóxico está caro. É difícil de produzir.
Queria uma pequena geladeira.
Isso não se resolve com um simples curativo.
Deveria ir a um médico o quanto antes.
O que causou esse ferimento?
Foi um acidente.
Deixe eu passar uma pomada.
Aqui está nosso arak.
Estavam falando de uma geladeira.
Sim, seria ótimo se tivéssemos uma, mesmo que fosse pequena.
Bom, não é difícil conseguir uma.
Por que não se juntam com os vizinhos e compram uma?
Do que você está falando? Você é de outro planeta?
Primeiro, como ia arrumar gelo para todo mundo?
Além disso, ia sair briga para decidir onde colocar a geladeira.
Verdade?
E antes de tudo, a gente tem algo para colocar dentro da geladeira?
É como dizem: os pobres vivem sempre no topo... do fundo.
Bem dito, bem dito.
Topo do fundo...
Genial!
Quase poético.
Que banquete!
Arak, iogurte e outras coisinhas.
Não seja tímido. Vamos comer.
Não é muita coisa, mas vamos dividir como irmãos.
Também não há muito para beber, mas dá para matar a sede.
Sim, irmão, sim.
Obrigado, senhora. Vamos jantar.
Pode ir, eu já comi um pouco no teatro.
Tenho medo de ligar o rádio, e os vizinhos virem reclamar.
Sente-se aqui. Vou trocar de roupa.
- Vire-se, por favor. - Sim, senhora.
Toma, abre isso aqui, irmão.
É tão bom ter você aqui!
Obrigado.
Quando me dá vontade de chorar...
percebo que ainda estou vivo.
Um brinde aos velhos tempos.
Você sempre foi mais vivo do que todos nós.
Desde que tomei meus últimos goles com você,
nunca mais bebi nem uma gota.
Já se passaram uns sete, oito anos.
Não sei ao certo.
A emoção desta noite, você...
Um brinde aos velhos tempos.
Quando você foi embora, não percebi o que estava perdendo.
Agora que você voltou, eu entendo o que perdi.
Você ainda olha em silêncio, com o olhar fixo.
Ainda tem amor nos olhos.
E tenho certeza que ainda não sabe mentir.
Como uma pomba no meu ombro.
Que bom que voltou!
Não aceito nenhuma desculpa!
E também não aceito fiador nenhum.
Aqui não é instituição de caridade.
Quem estiver com o aluguel atrasado,
tem um dia para quitar a dívida.
Senão, eu boto para fora. Jogo tudo na rua.
Você, Zeynab, três meses de atraso.
Juro por Deus, eu quito minha dívida até o fim do mês, senhor.
Kazem não está aqui. Foi procurar trabalho
"Kazem não está aqui".
Os maridos sempre somem quando eu apareço.
Não conto nem com Deus, nem com os homens.
Suplicar não vai adiantar.
Tenho que ficar implorando para estes mendigos.
Fica quieto e vai sentar, moleque!
Mohammad Ali khan, sai daí!
Dizem que esse pátio tá sempre sujo.
O que foi agora, já está gritando de novo?
Quando vai ao banheiro sempre fica uma hora lá dentro!
Ninguém dá um jeito nesse sujeito?
Vão arrumar um lugar para dormir.
Amanhã, nem que sacrifiquem seus filhos
vou jogar tudo na rua.
A essa hora da manhã,
olha a confusão que ele causa!
Vocês vão ver!
Vou deixar todo mundo sem teto!
Se não fosse a esposa do Morteza flertando com ele,
seríamos despejados em menos de uma hora!
Seyed!
Sai daí. Para de se esconder.
Vai lá, faz teu teatrinho de sempre.
Ele não vai desistir.
Eu sei que você está aí!
Já falei para sair! Você não me engana, sai daí!
Tá bom, já vou. Calma.
Sai logo ou eu vou aí te buscar!
Esse desgraçado adora me ouvir implorar.
Briga com a mulher porque ela não o satisfaz mais,
aí vem aqui e desconta na gente.
Ei, estou falando com você, idiota!
Já falei que estou indo.
Oi, Asghar.
Sr. Asghar.
Eu vou pagar, irmão. Não amanhã, mas em breve.
Por que nos humilha logo de manhã cedo?
Digo a você o mesmo que disse aos outros:
Se não pagar amanhã, te coloco na rua.
- Sr. Asghar, amanhã... - Cala a boca!
Que idiota!
Ignorante metido a besta.
Parece até um cão raivoso!
Acha que ninguém sabe das aventuras com a filha da Garbanzan e a mulher do Morteza.
Meu irmão. Vou visitar meu pai na escola.
Precisa de algo, Faati? A gente se vê depois.
Até mais!
Até logo.
Capaz do traficante ter mandado ele visitar o pai.
Por favor, aconselha o Seyed.
Você gosta dele?
Já gostei.
Agora somos mais como irmãos.
Só isso.
A vida foi dura com ele.
Ontem à noite, quando foi ver o traficante,
voltou todo machucado e abalado.
Parecia que tinham batido nele.
No começo, nem cobravam pelas drogas.
Só queriam que ele trouxesse novos clientes.
Aí ele começou a enganar os jovens.
Ele era como o vento e os meninos como folhas no outono.
Como um lobo entre o rebanho.
Está acontecendo algo aqui?
Sim, vem um pretendente para uma das meninas.
Dizem que o tipo trabalha no bazar.
Parece que é de classe média.
Deus, ajude os jovens a ter uma vida feliz!
Os vizinhos estão ajudando com a cerimônia.
Pobre garota.
Ela merece uma vida melhor que essa.
Talvez o pai dela até a venda.
Ela é pura, como uma flor. Você a viu?
Me lembro de um tipo com uma arma de chumbinho.
No verão, ele caçava os pobres pardais.
Seyed diz que o pai dele era um grande atirador.
Mesmo assim, destruiu sua arma.
Às vezes eu me pergunto se ainda é o mesmo homem.
Ainda existem coisas belas no mundo.
Tentei convencê-lo a não trazer miséria para a vida dos jovens.
E agora são cruéis com ele.
Só vendem droga ruim para ele. Então está sempre mal.
Assim, tem que comprar mais, o que significa mais dinheiro.
E eu não tenho como ajudar.
Eu não estaria pedindo dinheiro se houvesse outra forma.
Você não disse que não viria mais?
Preciso de dinheiro. Estou no meu limite.
Meu salário nem cobre as despesas.
Mal consigo dar conta da minha vida.
Tenho visita em casa e preciso de dinheiro para recebê-lo direito.
Estive com ele. Parecia ter levado uma facada.
Pode acabar te trazendo problemas.
Vai me ajudar ou não?
O aluguel está atrasado. Não tenho dinheiro para os remédios.
Estou devendo para os colegas do teatro.
Tenho um hóspede e a Faati não me ajuda mais.
Em resumo: Estou ferrado. É isso!
Você só me envergonha!
É impossível lidar com você.
Só nos resta esperar que você morra.
Não podia ter ficado só mais uns dias na reabilitação?
O que eu posso fazer? Sou um servo de Deus.
Servo de Deus não pode usar droga? Qual o problema?
Tem muita gente como eu.
Todos acham que só estão cansados do dia.
Mas estão todos drogados.
Aqui. Fica com isso.
O que é isso?
É um manuscrito antigo. Você consegue um bom dinheiro com ele.
Não venda por qualquer coisa.
Foi escrito por Zaker-o-Nae'm Neyshabouri.
É uma herança da família.
Fazer o quê? Já vendi tudo por você.
Agora isso também vai embora.
Vende e torra tudo em heroína mesmo.
Eu vou te pagar, meu bom homem.
Ashi-Mashi, passarinho meu,
não se achegue ao meu telhado.
Se chover, vais te molhar,
se nevar, serás bolinha de neve no chão gelado.
Na tinta da casa logo abaixo vais despencar.
Quem te pega? O zelador.
Quem te mata? O açougueiro.
Quem te cozinha? O cozinheiro.
E quem te come?? O doutor sábio.
Tragam elas aqui, agora!
Que Deus nos ajude! O que está acontecendo aqui?
Vai mesmo manter todas essas ovelhas aqui, Sr. Asghar?
Sério mesmo?
Elas pagam mais aluguel que todos vocês juntos.
Mas elas vão trazer um monte de doenças por aqui.
Olha o que aquele desgraçado está fazendo!
A culpa é nossa por não termos resistido a ele.
O que você pode fazer, afinal? Isso aqui não é um hotel.
Se não gostar, pode ir embora.
Isto aqui não é curral para guardar essas ovelhas.
É nossa casa. A gente mora aqui.
Seyed, diz alguma coisa. Você também mora aqui.
Pare! O que você está fazendo?
Que diabo é isso? O que você está fazendo, Sr. Asghar?
Sr. Asghar, isso aqui não é um curral para guardar essas ovelhas.
O que está fazendo? O que é isso?
São ovelhas... ovelhas!
- Sério mesmo? - Algum problema?
Paguem os aluguéis!
Não pode resolver as coisas desse jeito.
Olhe para nossas vidas.
Você está desperdiçando palavras.
Ele não entende nada.
Nenhum de vocês é homem de verdade.
Se eu fosse homem, enterrava ele aqui mesmo.
Ele está certo. Quer o dinheiro dele.
Não se meta. Você não pode se meter.
- Entra logo! - Cala a boca.
Faria o mesmo se fosse com a sua família?
Você está tornando nossa vida num inferno.
Por que não traz os outros parentes também?
Põe o resto ali.
Meu querido Sr. Asghar, você não devia deixá-las aqui.
Se não dissermos nada para esse canalha,
da próxima vez ele transforma isso aqui numa garagem.
Onde você vai?
Sempre me disse que eu era livre para ir embora.
O que eu tenho? Para onde eu poderia ir?
O Profeta disse para se trabalhar de dia e descansar à noite.
Eu trabalho de dia e de noite. Inclusive nos fins de semana.
Não aguento mais. E o que eu ganho com isso?
Miséria!
Cheiro de cigarro e suor. Gente se xingando.
Sempre com a esperança de que um dia tudo melhore.
Mas quando? Quando?
Ghodrat não é um estranho.
Uma noite sou Cleópatra, noutra, sou Julieta.
Uma noite sou a empregada, outra, a mulher do faraó.
E no fim do dia, só recebo 15 tomans.
E volto para essa casa cheia de merda de ovelha, galinha e criança.
Não há amor na minha vida, sem homem, sem trabalho, sem recompensa.
Sequer uma televisão.
Nem coragem para me beijar ele tem.
Quando a programação da TV começa, você está no teatro encenando.
E eu não tenho 250 tomans por mês para pagar por uma televisão...
apenas para ver futebol, meu bem.
Você só fala besteira.
E você responde com mais besteira!
Pior seria ter você e a televisão aqui juntos.
Pronto, era só o que me faltava!
Se estou rua atrás de amor, me chamam de indecente.
Como posso ser decente com essa vida?
Se eu não fosse decente, minhas coisas não caberiam nessa sacola.
Faz alguma coisa, homem!
Vou para a casa da minha irmã. Vou lavar a roupa por lá também.
- Adeus, Ghodrat. - Adeus.
Onde você conseguiu esse livro?
Meu pai me deu para vender.
Por quanto você vai vender?
Não sei. Quanto mais, melhor. Tanto faz para mim.
Seyed!
Você sabe que livro é esse?
Olha para você!
Olha ao seu redor!
Você era o melhor de nós!
Você era demais!
Me diga! Quem fez isso com você?
Seja honesto com você!
Você não deseja vingança por isso?
Você implora a quem trouxe miséria para sua vida.
Então, chora e pede para piorar tudo ainda mais.
Cadê aquela sua velha faca afiada?
Você os ajuda a mutilar os jovens que ainda são úteis para a sociedade.
Se meus olhos estão fechados, meus ouvidos não estão.
Agora me conta o que tem nessa bolsa.
Eu sei que você sabe. Sei o que quer de mim.
Mas ainda sou leal a você!
Você quer mesmo saber o que tem aqui dentro?
Tudo bem, então olha!
Sim, é tudo dinheiro roubado.
Mas com esse dinheiro dá...
para pagar o aluguel de todo mundo desse prédio por dois anos.
Dá para comprar aquele seu livro.
Dá para matar quem te deixou assim e pagar pelo sangue dele.
Mas roubar é diferente de se afundar na heroína e virar um viciado.
Levanta, homem! Levanta e se mexe!
Eu sei o que você quer. Vai lá, para de se fazer de cego!
Mas ainda é melhor que ser ladrão.
Nunca achei que você fosse do tipo que pega dinheiro da mulher.
Está me ouvindo? Quanto você ganha no teatro?
- Quanto é que você ganha? - Não interessa!
Não devo nada a ninguém, então não preciso ouvir suas baboseiras.
Ganho 7, 8 tomans. E daí?
Eu te pago o triplo. Agora você pode trabalhar para mim.
Não quero nada ilegal de você, nada contra suas crenças.
Nada! Sem roubo, sem assaltos, nada!
Então o que você quer de mim?
- O que você quer de mim? - Nada, Seyed!
Só quero que você volte a ser um homem.
Nada mais Apenas que você fique de pé.
Lembra quando socava a parede...
e ela afundava um centímetro?
Então faça isso de novo! Faz e olha!
Faz! Vai, faz!
Ghodrat! Eu também consigo!
Eu consigo, eu consigo!
Foi você quem disse para nunca deixar ninguém me intimidar.
Foi você quem me ajudou.
Foi você quem me disse para não ter medo.
Já deu. Chega.
Chega
Sim, eu também consigo.
Eu também consigo!
Ghodrat, minhas mãos não doem. Não sinto mais dor.
Eu consigo ficar de pé de novo.
Eu consigo...
Ghodrat, não me abandone.
Ghodrat.
Você era o líder da nossa turma.
Sempre vai ser o nosso líder.
Te amo, cara.
Te amo, meu amigo.
Ó meu senhor! Todo mundo espera sua queda.
Me perdoa pela sinceridade, por ser tão direto.
Todo mundo tem o direito de dizer o que pensa se quiser.
Ó grande faraó!
Preciso te dizer algo em particular.
Não confio em ninguém, nem no nosso ministro.
Pode se aproximar. Venha aqui e diga.
Tira suas mãos de mim! Cadê o gerente?
Que vergonha, seu babaca! Eu devia chamar o gerente.
Pare de me assediar!
Cansei, para mim chega!
Volte. Deveríamos estar ensaiando.
Eu estava ensaiando. Ele que está perturbando.
Estou cansada desse homem!
Alguém faz esse homem entender que...
Vamos! Chega de besteira!
Chega, seu imbecil!
Pode dizer a esse idiota para me deixar em paz?
Não toque nela! Está ouvindo?
Coloque-se no seu lugar!
Calma, homem. Se acalma.
Não encosta em mim. Vamos sair daqui.
Bebo isso...
à sua saúde...
e honra.
O que ele fez?
Nada.
Me fez sentir orgulhosa dele no palco.
Colocou um idiota em seu devido lugar.
À sua saúde!
Saúde!
Eu te amo.
Então, qual era a história?
Diziam que Ezzat Bocudo e Javad Lixo...
tiveram problemas com Mammad,
e Mammad queria intimidá-los.
Asghar, me escuta! Por favor, tenha piedade da gente.
Somos gente honesta.
Por favor, está destruindo minhas coisas.
- Me escuta. - O que você está fazendo?
Não está me ouvindo?
Por que age assim, seu desgraçado?
Expulsa a gente e não resolve nada.
Já disse que estou sem dinheiro. Falei sério.
Por favor, nos dê mais um tempo.
Eu vou te pagar.
Pelo menos não destrua tudo!
Asghar Agha! Por favor!
Por que você está quebrando tudo?
- Não faça isso! O que está fazendo? - Sai da frente!
Já mandei pagar o aluguel, mas parece que não entenderam.
Você não merece minha compaixão.
Te dei dez dias para sair. O aluguel do mês que vem vai dobrar.
Sr. Asghar! Me escuta. Sr. Asghar...
Por favor, não faça isso
Eu pagaria o aluguel se tivesse dinheiro!
- Me dá um tempo. - Escuta.
Pode me chamar de tirano, do que você quiser!
É isso que acontece se não pagarem! Entendido?
Na próxima, é a vez de todos vocês!
Homem! Você não é policial? Por favor, faça alguma coisa.
Estou fora de serviço. Mas ele quer o dinheiro e tem razão.
Olha o que ele está fazendo!
Homem... Desgraçado! Filho da mãe!
Dei todo o dinheiro que eu tinha!
Não tenho mais nada! O que quer que eu faça agora?
Você não entende? Eu preciso desse dinheiro!
Eu vendi um terreno para me virar até conseguir um emprego.
Prometeram que vou começar em duas semanas.
Até vendi meu sangue três vezes nos últimos três meses.
E esse desgraçado acha que somos escravos dele.
Que Deus te atormente!
Muitos acham que não existem mais gente ruim como Shimr.
Mas aqui está a mesma gente que lutou contra o Imam Hussein pela água.
Aqui estão as mesmas pessoas que cortaram a mão de Abolfazl.
Aqui estão os mesmos demônios que jogam fora minhas coisas.
Para onde devo ir com essa criança?
Oh, gente! Por favor, ajudem-me! O que devo fazer?
Não tem um homem aqui capaz de conter esse animal?
Não pagamos o aluguel, e daí? Por que ele grita assim?
Acha que não há lei neste país?
Quem diabos você acha que é?
Cale essa boca. Isso não é da sua conta.
Ah! Vai se ferrar!
Vadia!
Ele quer o dinheiro do aluguel!
Gritar vai resolver alguma coisa?
A gente só quer paz aqui!
Se tiver paciência, podemos resolver isso de uma vez por todas.
dizendo isso. Já se acostumaram.
Estão há três meses sem pagar. A lei está do meu lado!
Vocês não merecem compaixão nenhuma!
- Merecem o quê? - Entra!
- O que? - Anda, entra.
Ninguém entende nada com você aqui fora.
Acha ruim? Então arrume um emprego e me pague o que deve.
Só sabe ficar falando dos seus problemas.
Não nasci em berço de ouro.
Trabalhei duro para chegar onde cheguei.
Olhem só para ele! É um canalha!
Alguém tinha que dar uma lição nesse sujeito.
Aonde você vai? Vão te matar! Senta aí!
Eles que resolvam.
Deixa ele ir. Esse é o Seyed de sempre.
Seu desgraçado, não é muçulmano? Não vê que ele está desempregado?
Idiota, existe lei neste país.
Quem diabos é você para sair jogando fora as coisas dele?
Não deixe esse miserável fazer o que quiser.
Reza vai ser o próximo, depois Mammad e Maliheh.
Quem é você para falar? Olha só quem fala!
Não peça piedade a ele.
Até Shemr teria mostrado compaixão numa situação dessas.
Quem é você para falar de misericórdia?
Obrigado! Por favor, nos ajude!
Viciado maldito!
Acaba com ele!
Covardes!
Me ajudem!
Carne! Carne! Estão distribuindo carne!
Vamos lá!
Até quando vamos ter que te implorar?
Polícia! Chamem a polícia!
Quer polícia? Temos um aqui mesmo.
- Me dê, por favor! - Calma! Calma! Toma!
Toma, é seu!
Por favor, temos fome!
Calma, eu vou te dar! É tudo seu!
Por favor! Me dê isso!
Senhora, me dá, senhora!
Deus não vai te perdoar por isso.
Te desejo o pior!
Ó Deus! Por que eu?
Por que eu? Por que eu?
Você veio para cidade à toa. À toa.
Senta aí.
Juro! Eu falei com ele, e ele aceitou.
Disse que estava tudo certo.
Me escuta.
Viver numa cidade grande traz muitos problemas.
Não é como no vilarejo. Aqui está cheio de gente ruim.
Tem canalha só esperando para acabar com sua vida.
Vão te enganar, tomar o pouco que você tem.
E quando percebe, já é tarde demais.
Não há mais saída para você!
Não vai achar solução nenhuma.
Espera aqui até ele sair. Não deve demorar.
Oficial, por favor, diga para ele não cortar muito.
Levou anos para ficar desse jeito.
- É ele quem cria pombos? - Sim, senhor.
Oficial, me perdoe. Tenho certeza que o Sr. é generoso.
Juro que meus pássaros nunca mais vão voar.
Se voarem, o senhor pode cortar minha cabeça.
Recebemos ordem para acabar com eles.
Oficial, por Deus, são como filhos para mim!
Principalmente aquele da bundinha marrom.
– Por favor. – Para trás.
Pelos seus filhos, eu imploro.
Oficial, por favor! Me ajuda!
Juro que durmo o ano inteiro no telhado...
só para não os deixar voar.
Juro que vou deixar todos na gaiola.
Meu amigo deu comida e água e esqueceu a porta aberta.
Foi a última vez, eu cuido deles. Por favor, me ajuda.
– Não posso ajudar. – São só animais, por favor!
É pecado. Deus não vai te perdoar.
Você vai ver só!
Isso é só o começo.
Vão te deixar tão apavorado que vai se borrar...
só de ouvir meu nome.
Sem-vergonha!
Mentiroso desgraçado.
Eu te amo.
Voltem para casa!
Amo todos vocês.
Quem os soltou? Ninguém está vigiando?
Cadê o oficial Mohammad?
Juro por Deus que não fui eu, foi esse menino aí.
Que não voltem mais. Ou eu mato todos eles!
- Olá, oficial. - Olá.
- Você quem fez a denúncia? - Sim, senhor.
Ele mandou umas pessoas me baterem.
Oficial, ele está mentindo. Vem aqui, por favor.
Oficial, esse homem é um pilantra.
Fica perturbando todo mundo.
Por favor, olha para mim!
O senhor acha que um viciado como eu pode encarar um brutamontes desses?
Pede desculpas a ele ou vai ficar aqui.
Muito agradecido, oficial.
- Obrigado. - Está agradecido, é?
Vou quebrar sua outra perna, miserável.
- Sim, veremos - É, vamos ver, seu desgraçado.
Isso mesmo, parceiro.
Olha, Asghar. Se você retirar a queixa e perdoar, tudo se resolve.
Mas se não, quem sabe a gente ainda se esbarra por aí...
O tempo vai passar e um dia...
você vai dar de cara comigo e com meu canivete.
E eu vou contar para todo mundo a história da filha do Garbanzan.
Agora é com você!
É isso, irmão! Você quem decide.
Oficial!
Quero oferecer perdão. O que eu preciso fazer?
- Por que tem polícia aqui? - O que aconteceu?
Qual é a casa do Mohammad e do Ali?
- Qual delas é? - Ali, subindo as escadas.
De frente para a escada.
Isso não é da sua conta!
O que eu devia fazer? Perguntaram, eu respondi.
Mohammad Akbari! Mohammad Akbari!
Ele não está em casa. O que ele fez?
Precisamos falar com ele.
- Afastem-se! - Somos da lei!
- Você também! - Não o deixem fugir!
- Me solta! - Para aí!
Não resista.
Que diabos esse desgraçado fez?
Para onde estão levando esse coitado?
Me solta! Para onde estão me levando?
Anda logo!
O que foi que eu fiz?
O que esse homem fez?
Para onde estão levando ele?
Vi tudo pela janela.
Não se preocupe.
Eu vi eles levando o seu amigo.
Senta aqui.
Eu vi você saindo do quarto.
Não tenha medo.
Não tenha medo.
Talvez eles voltem.
Talvez voltem e revirem tudo.
Acho que é melhor você sair daqui.
Eles não vão voltar.
Me conta uma coisa.
Você roubou alguma coisa?
É contrabandista?
Que crime você cometeu?
Nunca te vi por aqui.
Você é amigo do Seyed?
Sou sim, amigo do Seyed.
Sou um criminoso. Estou machucado e me escondi aqui.
O coitado do Seyed não tem culpa alguma.
Estou muito mal.
Faz três dias que estou doente.
Tenho calafrios e febre.
Não posso sair daqui.
Tomara que não voltem e revirem tudo.
Não vão voltar.
Seu amigo fez certo em enfrentar aqueles idiotas.
Não tenha medo
Estou aqui.
Confio em você!
Mas não sei por quê.
Qual é o seu nome?
Pode conversar comigo. Eu escuto, eu respondo.
Mas não precisa saber meu nome.
Assim que escurecer, eu te ajudo a sair.
Algum vizinho te viu vindo para cá?
Eles sabem que estou fugindo.
Mas não sabem que estou aqui.
Não estou bem.
Tente descansar.
Se não estiver à vontade, pode ir embora agora.
Mas eu aconselho que não vá.
Fique aqui por enquanto.
Pode contar comigo.
Vou te proteger o quanto puder.
Você também não está numa boa situação.
E eu não vou deixar te levarem.
Não sei o que você fez,
mas tenho certeza que foi...
por desespero, e não teve escolha.
Tem um cigarro?
Não fumo.
E o Seyed levou os que ele tinha.
Melhor você tirar um cochilo.
Escuta, irmão.
Vamos ser realistas.
Mais cedo ou mais tarde vão vir atrás de mim.
Se vierem de novo...
você vai ter problemas também.
Não vale a pena.
Perder sua vida por nada!
Hoje à noite eu vou sair daqui, nem que seja morto.
E é melhor você não ficar.
Escuta, amigo...
Leva alguma coisa minha de lembrança.
Eu não te conheço, nem você me conhece.
Mas de alguma forma, tem algo que liga nós dois.
Seja onde for que se esconda, não fique mais de dois dias.
Nem na casa do seu irmão.
Descansa. Vou ficar de olho pela janela.
Tem fome?
Me dá um pouco d'água. Estou queimando por dentro.
Boa noite para o Ghodrat, o homem mais leal do mundo.
Boa noite. Chegou tarde hoje.
Pelo jeito anda de mau humor ultimamente.
Estou tão cansada. Como você está?
Temos um convidado. É seu vizinho.
- O que ele está fazendo aqui? - Pega isso aqui.
O que ele está fazendo aqui?
Está bem à vontade. Dormiu como uma pedra.
É o Mohammad!
Está com uma cara péssima.
Quanto tempo ele está aqui? Aconteceu alguma coisa?
O teto do quarto dele caiu, foi isso?
Uns policiais invadiram a casa.
Queriam revistar o quarto dele.
Levaram o amigo dele. Então, ele fugiu e veio para cá.
Os vizinhos fingiram que não viram.
Ele entrou no quarto do nada.
Está doente.
Com febre e calafrios.
Isso pode trazer problemas para a gente.
Agora é tarde. É minha responsabilidade.
Ele contou o que fez?
Não. E é melhor assim.
Vamos dar um jeito. Temos de mantê-lo quieto.
Então acorda ele.
Ei, acorda!
Calma, amigo. Está tudo bem.
Olá, Seyed. Olá, senhora.
Te coloquei numa enrascada. Desculpe.
O que foi, Mohammad? Conta o que houve.
Não o assuste. Fique calmo e só fale, irmão.
Você parece acabado.
Já estamos nos acostumando a acalmar as pessoas.
Quer que eu o leve ao hospital? Se quiser, é só dizer.
O que podemos fazer por você?
Querida Faati... Seyed...
Ele estava aqui quando entrei.
É um dos nossos. Fale.
Tudo bem. A polícia invadiu a casa.
O Ali os segurou.
Você conhece o Ali, né?
Ele distraiu os policiais para eu poder fugir.
O que vai acontecer com ele?
Mas eles não vão me pegar.
Não vão me achar.
Não fique com tanto medo.
Aqui está seguro.
O que pretende fazer agora?
Só quero ir embora.
Mas não pela rua.
Ninguém do bairro pode saber.
Tem muito fofoqueiro por aqui.
Quer comer alguma coisa?
Ele não parece nada bem. Precisa de um médico, ou remédio.
Não, não, obrigado a todos. Só me ajudem a chegar no terraço.
Vou para a casa do meu amigo Reza Shiri.
Ele tem uma moto.
E já deve estar em casa.
Ele vai me ajudar.
Tem certeza de que é seguro?
Eles têm olhos em todo canto. Tem que tomar cuidado.
Sim, vou tomar cuidado.
Só preciso arrumar um remédio.
Sei que isso não é problema seu.
Tem gente demais aqui. Isso não é bom.
Devia comer alguma coisa. Está muito fraco, Mohammad.
Vai precisar de força para correr.
Você conhece o caminho até o telhado.
Mas antes precisa recuperar as forças.
Vamos, irmão. Fica aqui. Eu levo ele.
Fique de vigia enquanto vou até o telhado da casa do Haji.
O resto deixa comigo. Vou sair por lá.
Certo, vamos.
Vamos, irmão.
Vou te levar até o terraço, depois tem que tomar cuidado.
Já volto.
Até logo, Senhor Mohammad.
Quem sabe a gente se veja de novo, se Deus quiser.
Tomara que sim.
Vamos, Mohammad. Eu volto já.
Não vou demorar.
Viu sua foto no jornal?
Deixa eu ver.
Eles contaram tudo?
Vi esse jornal faz uns dois dias.
Fiquei pensando no que tem dentro daquela bolsa.
O Seyed sabe?
Ele não me disse nada.
Eu sabia que você sabia.
Mas Faati,
se estiver curiosa sobre o que tem na bolsa,
tenho de avisar que já mostrei ao Seyed.
Confio no Seyed como num santo.
Mesmo agora, estando daquele jeito.
Veja, ele ainda tem coragem.
Os ladrões foram presos, menos o homem da foto.
Ele conseguiu escapar.
Mas está bem doente.
Era um bom rapaz. Tão quieto e tímido.
Dizem que estudava à noite com o Ali.
Coitado...
Dizem que o Ali apanhou muito da polícia.
Você viu minha foto no jornal?
Sua foto?
Então ela já sabe.
Deixa eu ver.
Os ladrões foram presos, menos o homem da foto.
Então, agora que ela já sabe de tudo...
Quero que me diga por que foi roubar?
Você me acusa de ser um viciado inútil.
Você acabou comigo. Disse que sou um irresponsável.
Disse que eu era uma vergonha.
Nunca disse isso.
Só te lembrei de quem você era.
E agora se importa o bastante para querer saber
por que voltei machucado com uma bolsa de dinheiro.
Veja, amigo. Eu fiquei aqui e você foi embora.
Eu não tive estudo, você teve.
Eu fiquei sozinho. Você tinha todo mundo.
E daí?
No fim das contas, você é você e eu sou eu.
Você fez a coisa certa?
Se um homem santo rouba, ainda é roubo.
Sempre que eu falava algo diziam: “Cala a boca, você é analfabeto”.
Se eu não entendo, a culpa não é minha. Ninguém me ensinou.
Você é meu amigo e eu gosto de você.
Eu me sacrificaria por você, porque você é leal.
Mas pare de me culpar. Você não se saiu melhor do que eu.
Você viveu sua vida e eu vivi a minha.
No fim das contas, nós dois estragamos tudo.
Escute, meu camarada. Já é tarde demais para mim.
Existe uma diferença enorme entre roubar e viciar estudantes.
Você devia pegar esse traficante, mesmo sendo pequeno.
Se te baterem, tem que bater de volta.
E para quê?
Não posso lutar com todos eles. São muitos.
Você acha mesmo que adianta?
Vai acabar com todos os viciados?
Se começar por quem fornece, salva uma geração inteira.
Com o dinheiro que roubei poderia comprar roupas para os pobres.
Poderia comprar essa casa e dar a eles.
Você poderia comprar algo para agradar essa mulher por um único dia?
Ninguém tentou me impedir.
Se eu pudesse fazer algo para deixar a Faati feliz,
eu faria com prazer.
Fui levado a ser quem sou. Sem estudo, virei viciado.
Eu sou o analfabeto.
Não entendo quando me apunhala pelas costas.
Você acha que roubar é certo? Não, irmão. É crime, é crime.
Não tente me convencer do contrário.
Ghodrat, se eu fiquei fraco, não foi porque mereci.
Se não fosse o amor da Faati, eu já teria me matado há muito tempo.
O que você acha? Que gosto de viver assim?
Acha que eu enlouqueci?
Eu estou lúcido, sei bem o que está acontecendo.
Sinto dor.
Mas minha dor não é igual à sua.
Minha vida é mendigar por aí em troca de drogas.
Eu entendo o você diz Não é que eu não compreenda.
Tenho umas coisas para resolver. Volto em uma hora.
Quem está aí?
Olá, Sr. Asghar.
Oi. Entra!
Obrigado.
O que diabos você quer agora?
Arrumou novos clientes?
Sr. Asghar. Achei uns moleques novos.
Pode fazer a entrega?
Aliás, Sr. Asghar...
sabe quantos jovens eu transformei em viciados por sua causa?
Você está falando demais hoje.
É porque estou falando por todos eles também.
Isso é o que eu queria dizer.
Socorro!
O que houve?
Meu Deus! O que aconteceu, Asghar?
Asghar, quem fez isso com você? Quem te machucou?
Fala comigo, Asghar!
Quem te machucou?
Tem um pacote escondido ali.
Se livra dele ou você vai se ferrar também.
Rápido!
Meu Deus!
- À você! - Saúde!
Ghodrat,
se não estiver bem aqui, peço ao meu pai para te esconder.
Como mora na escola, ninguém vai desconfiar.
Não, Seyed.
Eu devia sair daqui.
Está arriscado demais.
Minha foto está nos jornais.
Bom, como quiser.
Você manda, eu só acompanho.
A Faati está dormindo?
Sim, por quê?
Dá para confiar nela?
Acho que sim. Ainda mais agora.
Você me conhece.
Quando eu digo que sim, é para valer.
Nem sei por que estou fazendo isso.
Eu entendo você.
É para te deixar mais tranquilo.
Olha.
Algumas horas atrás, eu matei o Asghar, o traficante de heroína.
Ele está morto?
Aquele homem já tinha matado, mais de cem como eu.
Você estava certo.
É isso mesmo, meu Deus.
Foi incrível.
Quero que entregue a bolsa em um endereço.
Precisa tomar muito cuidado.
Levarei sua mala aonde quiser. Irei com Faati.
Pode chamar atenção das pessoas.
Mas com Faati comigo não vão notar tanto.
Certo, vou te passar o endereço.
Todas as ruas estão bloqueadas!
Pare de resistir!
Se olhar ao redor,
vai ver que não tem como escapar!
Se você se entregar, sua pena será bem menor!
Temos que capturá-lo com vida.
Ele está escondido aqui já faz alguns dias.
Provavelmente não vai aguentar. Ele está ferido.
Tem que ser rápido.
Renda-se e você continuará vivo!
Se demorar muito, vai morrer à toa!
Se quiser se render, quebre uma das janelas!
Não vamos atirar!
Não perca a esperança.
Saia daqui! Ei... sai daqui!
Faati, não fique aqui. Vai para a casa da sua irmã.
Não vou te deixar, Seyed.
Estou preocupada com você. Só vou se você for também.
Não discuta comigo, vai. É sério.
Por que eu deveria ir? Você vai acabar se metendo em problemas.
- Eu disse para ir, então vá. - Eu disse que vou ficar, então vou ficar.
Vai para a casa da sua irmã, vai agora.
Não fique aqui.
- Olá! - Olá.
Eu moro aqui e sei que querem pegar aquele homem.
Se me deixar entrar, posso convencê-lo a sair.
É um ladrão, ou se rende ou vai morrer. Ninguém entra.
Mas eu sou amigo dele. Se me deixar, eu o tiro de lá.
Espera um pouco.
Tem um drogado aqui dizendo que pode convencê-lo.
É amigo dele. Ele quem o está escondendo.
Espera um pouco.
É amigo dele. Disse que sabe como fazê-lo se render.
Devíamos prendê-lo também.
Podemos deixá-lo entrar, talvez o convença.
Boa ideia. Dê a ordem.
Dois oficiais vão levar ele até o muro.
- Revistem-o antes. - Sim, senhor.
Levem-no até a casa e não o percam de vista.
- Obrigado, oficial. - Fiquem de olho nele.
Ei, você aí, escute com atenção!
E se ele nos passar a perna?
Oficial, meu amigo vai me ouvir.
Vou ficar no pátio e falar com ele.
Juro que quero ele vivo mais do que você.
Pode ir, mas não passe do pátio.
Vamos estar de olho.
Obrigado, oficial. Ele vai me ouvir.
Por favor, diga aos seus homens para não atirarem.
Ninguém atira! É o amigo dele entrando no pátio!
Ghodrat!
O que você está fazendo aqui, Seyed?
Calma.
Está tudo bem.
E se a gente saísse?
Vão te levar para a cadeia, mas pelo menos você vai viver.
Seyed, não se meta nisso!
Já te causei problemas demais.
Não se envolva.
Sai daqui!
Você me subestimou.
Meu corpo pode estar acabado, mas minha lealdade por você não.
Ou você sai, ou eu entro!
Seyed, para com essa loucura!
Sai daí! Volta!
Não perca a cabeça.
Quieto!
Não tenha medo.
Não é profundo.
Igual ao seu ferimento.
Fique onde está. Não se mexe.
Nem um centímetro.
Por que você fez isso? Isso não é da sua conta.
É grave?
Vivi o bastante para me ver levar um tiro.
Seyed, sai daqui!
Parece que você não entende. É a minha casa!
Sempre quis morrer de um jeito decente.
E esse é um jeito decente.
Estou pronto!
Melhor morrer por um tiro do que debaixo de uma ponte.
Não vou perder meu amigo leal por nada nesse mundo.
Meu grande amigo!
Você sempre será meu mestre.
Ashi-Mashi, passarinho meu,
Não se achegue ao meu telhado.
Se chover, vais te molhar,
Se nevar, serás bolinha de neve no chão gelado.
Na tinta da casa logo abaixo vais despencar.
Quem te pega? O zelador.
Quem te mata? O açougueiro.
Quem te cozinha? O cozinheiro.
E quem te come?? O doutor sábio.
NOTA DO TRADUTOR: Após o texto FIM, o filme continua.
FIM
Após a estreia no Festival de Cinema de Teerã, em novembro de 1974, a SAVAK, polícia secreta iraniana, prendeu o diretor Masoud Kimiai
e o obrigou a mudar o final do filme, incluindo falas que transformavam Ghodrat de guerrilheiro urbano em ladrão de bancos.
Esse final alternativo foi a única versão de "Gavaznha" vista pelos iranianos até a revolução de 1979.
Atire se eu atravessar aquele pátio.
Faça com que ele entenda que está arriscando a própria vida.
Você é um cavalheiro. Eu o trarei.
Ghodrat!
Está tudo bem!
Vem!
Por que você me entregou?
Ghodrat, o que está dizendo?
Não seja teimoso! Você não pode vencê-los!
Fui um tolo por confiar em você.
Me abri com você.
Você não via a hora de me entregar, né?
Seyed, sai do caminho dele!
- E se matarem ele? - É o que vão fazer.
O que está dizendo? Que eu te entreguei?
Quer dizer que eu, Seyed, te traí?
Assim, tão simples?
- Sim. - Não!
Eu disse que sim!
Por que?
Você é um traidor!
Não atirem!
Não atirem!
Então é isso, Ghodrat?
Por que você me entregou?
Eu não entreguei!
Por que... por que fala sem ter prova?
Talvez...
Talvez...
o Mohamed, que você escondeu, foi quem te entregou.
Se for homem,
então... fale a verdade.
Acredite em mim, Ghodrat.
Vou sair!
Você é meu parceiro.
Deixe-o falar com o seu amigo.
É grave?
Está tudo bem.
Espero sair logo...
e reparar o que fiz.
Vamos trabalhar juntos de forma honesta.
Você continua sendo meu amigo.
Meu corpo está acabado, mas minha amizade não, meu amigo.
Legendas: kephasmnc
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.