All language subtitles for Sem Seu Sangue (2019)-eng

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Original subtitles

Nem todas as coisas do mundo s�o l�gicas.

Elas acontecem como t�m que ser.

Do jeito que d�.

O cora��o quer o que quer. Ou ent�o, n�o se importa.

Ent�o, gente, como eu dizia,

os autores modernos estavam preocupados em substituir os antigos valores.

Usavam sempre o progresso,

a sensa��o de instabilidade, de transitoriedade,

a cria��o e a investiga��o pessoal...

o livre exame e o futuro.

-Bom dia!

Estamos na p�gina 12.

Ei, gente! Presta aten��o aqui.

Est�vamos falando da inclina��o do Modernismo

para tudo aquilo que � novo, que est� por vir.

Mas a gente sabe que toda regra tem a sua exce��o.

Na literatura n�o � diferente.

Manuel Bandeira, por exemplo,

ele mantinha uma rela��o muito forte com os poetas rom�nticos.

Talvez por causa da rela��o com sua pr�pria enfermidade.

O Bandeira sofria de tuberculose.

Algu�m sabe me dizer

a diferen�a entre o Manuel Bandeira e um dos poetas rom�nticos?

-Silvia, conhece o poema "Pneumot�rax"?

Algu�m?

Gente, � um dos poemas mais famosos do Bandeira.

Estamos precisando ler poesia brasileira nesta turma, hein?

Artur?

Quer falar alguma coisa?

Ent�o l� pra gente a� o poema da p�gina 12, por favor.

"Eu fa�o versos como quem chora

De desalento

De desencanto

Fecho meu livro

Se por agora n�o tens motivo nenhum de pranto

Meu verso � sangue

Vol�pia ardente

Tristeza esparsa

Remorso v�o

D�i-me nas veias

Amargo e quente

Cai gota a gota do cora��o

E nestes versos de ang�stia rouca

Assim dos l�bios a vida corre

Deixando um acre sabor na boca.

Eu fa�o versos como quem morre."

Ningu�m sabia nada sobre ele.

Nunca quis saber.

Tinha sido expulso de todas as escolas por onde passou.

Ele n�o se importava.

Qual � seu nome?

- Qu�? -Seu nome?

Silvia.

Silvia.

O meu � Artur.

Eu sei.

Voc� t� indo para onde?

Sei l�.

Nunca falava nada sobre a doen�a.

Mas, aos poucos, fui entendendo.

Hemofilia se trata.

� s� tomar as inje��es.

� s� n�o se machucar.

Filho!

- Voc� volta hoje? - N�o sei.

Tchau.

Tenta sair.

S� tenta.

Fraca.

Bora! Bora!

Depois diz que n�o joga!

Ah, n�o tem como, n�o.

De vez em quando, me vem � cabe�a a ideia daquelas inje��es.

Ele odiava o tratamento.

Ele odiava n�o ser livre.

Essa certeza do destino curto,

depois de um tempo,

come�ou a me irritar.

Olha para a c�mera. Isso. Pode empurrar ele.

T� �timo.

Ótimo.

OK.

Mais uma.

OK.

Ótimo.

Isso. Por cima do ombro.

Bom.

Obrigada por esse encontro.

Eu queria muito te conhecer.

� um prazer para mim, linda.

Ele era a pessoa da fam�lia de quem eu mais gostava.

Sabe,

quando crian�a, a gente ca�a no pau.

S� eu levava bronca, � claro.

Eu era saud�vel, e ele n�o.

Eu achava a doen�a linda.

Queria para mim.

Engra�ado, n�?

Ele falava muito de voc�.

Sabe, faz uns dois anos que a gente n�o se via.

Muito tempo mesmo.

E, ainda assim,

eu acho que ele devia ter se despedido.

O �ltimo e-mail que ele me mandou tem uns dois meses.

Deixa eu ver se acho.

Aqui.

Lia.

Estamos prontos. Vamos?

Me d� mais cinco minutinhos.

Eu tive um sonho com ele esses dias.

Eu sonhei que eu estava numa floresta escura,

densa, era uma floresta que eu n�o conhecia.

Podia ser qualquer lugar do mundo.

Ou at� fora dele, n�o sei.

Mas o fato � que eu estava totalmente sozinha.

Eu chamei pelo meu pai, pela minha m�e,

pelo meu irm�o

e nada.

At� que eu chamei por ele.

Gritei o nome dele desesperada.

Ningu�m respondeu.

Mas eu sabia que ele estava l�.

Eu estava l� para encontrar ele.

A�, de repente, apareceu uma sombra.

Uma sombra fugindo.

No in�cio, eu n�o entendi que era ele.

No in�cio, eu pensei em fugir tamb�m.

Mas a� aquela coisa se aproximou

e eu congelei.

N�o era exatamente ele.

Era uma esp�cie de monstro, mas era ele.

A mand�bula ia aumentando de tamanho

e a pele ia mudando de cor, cada hora uma cor diferente.

E os olhos...

Os olhos eram uma mistura de raiva

e tristeza.

Eram assustadores.

Parecia que eles iam se incendiar a qualquer momento.

Eu acordei tendo certeza de que era real.

Ele te disse alguma coisa?

Como assim?

Ele n�o te disse nada? Ele devia ter algo pra te falar.

Tenho que ir.

Voc� precisa de alguma coisa, Silvia?

N�o.

Tchau.

Lembra da Diana, filha?

-A cachorra do seu tio.

Eles est�o mudando para um apartamento menor, agora que seu primo vai casar.

Perguntaram se ela podia ficar aqui.

Tem mais espa�o.

Silvia, vou precisar que voc� abra a boca um pouquinho, por favor.

Abra a boca um pouquinho. T� �timo.

Muito bem.

Vou colocar essa "pecinha" aqui na sua boca, s� pra ela ficar aberta.

Agora eu vou introduzir o aparelho

com uma "camerazinha" na ponta

pra ver como est� o seu est�mago, t� bom? Voc� n�o vai sentir nada.

Fica tranquila, filha.

Silvia.

Vamos na emerg�ncia?

Algu�m precisa descobrir o que est� acontecendo, pelo amor de Deus!

Calma.

Amanh� vamos em outro m�dico. Vai ficar tudo bem.

Voc� tem o n�mero do seu pai a�?

Eu vou pegar sua pasta.

Achei.

Bom dia. Marcelo?

Oi, Marcelo.

Eu sou secret�ria aqui da escola da Silvia, da sua filha. Tudo bem?

Olha, eu vou pedir para voc� vir peg�-la. �, imediatamente.

Ela n�o est� em condi��o de assistir aula hoje.

T� bom, obrigada. A gente fica aguardando.

Voc� est� vendo como ela est�? Ela est� completamente prostrada,

ela n�o tem vontade de fazer nada, ela n�o come!

Eu sei. Eu sei que � delicado,

mas eu achei que hoje em dia esses rem�dios fossem mais eficazes,

que ela fosse apresentar uma melhora mais r�pida.

T�, mas qual progn�stico voc� d� pra gente?

A gente t� precisando de um horizonte.

E at� l� a gente faz o qu�?

Filha, a gente vai viajar.

Para onde?

Por qu�?

Foi uma ideia do Dr. Ruy, que eu e sua m�e resolvemos levar em conta.

Ela j� avisou os clientes dela, eu posso trabalhar remotamente.

Para onde?

A gente vai alugar a casa onde o Claudio passou as f�rias, ano passado.

Fica numa ilha no Sul do estado.

O dono � um parente dele.

Um desses caras bem exc�ntricos que passa mais tempo fora do Brasil.

A menos que voc� se oponha.

N�o.

Eu quero.

Voc� vai ver, � um lugar fant�stico.

Eu sonhei

que respirava dentro d'�gua.

E andava tamb�m.

Ia andando sem parar

pra dentro do oceano.

E n�o tinha fim.

N�o tinha nada tamb�m.

Nem um peixe,

nem uma paisagem,

nem voc�.

O oceano era nada.

Acordei cansado.

- T� legal a casa, n�? - �. � legal, sim.

Voc� t� a�?

Acho que a su�te � l� em cima.

Marcelo, onde que voc� p�e o ar-condicionado?

Vem c� ver.

Nem pra ter TV a cabo.

Nem fala se tem.

A ILHA M��GICA

"Ningu�m ousaria encar�-los, pois eram cad�veres andando � luz do dia."

"E ela come�ou uma dan�a no ritmo do que se foi."

- Silvia.

-T� acordada? -Qu�?

Abre aqui pra mim, filha.

Bom dia.

Que foi?

Seus rem�dios.

Seu pai marcou um passeio de barco pra gente.

A gente vai sair 09h l� do cais.

Vamos?

O caf� t� pronto.

T� te esperando.

Voc� quer ter filhos?

Se forem seus...

Voc� n�o me conhece.

Oi.

Voc� quer fazer uma tatuagem, uma tattoo de hena?

Como? Voc� nem tem as coisas.

Voc� n�o tem nada para fazer uma tatuagem.

Voc� n�o quer mais nada?

Essa cachorra me deixa tenso.

Parece que t� sempre escondendo alguma coisa.

Todos os bichos escondem.

Silvia,

eu sei que sou maluco,

mas algumas sensa��es s�o certezas.

Voc� n�o concorda?

Voc� entende de cachorro?

N�o sei o que ela tem.

Ela t� estranha.

Ela t� esperando.

Vou encomendar uma casinha.

Casinha? Como assim?

Para os filhotes, u�.

Tem um cara aqui na ilha que faz essas paradas assim.

Um moleque.

Que paradas?

Uns objetos, assim, estramb�licos de madeira.

Bem bacana tudo.

"Matchau", "matchaus"...

Eu n�o sei falar o nome dele.

Ele entende.

� gringo.

Ele mora onde?

Na Praia do Breu.

Sozinho?

�.

S� ele mesmo.

O pessoal da ilha n�o d� muita confian�a pra ele, n�o.

Ainda mais depois do que aconteceu.

Como assim "depois do que aconteceu"?

Hein?

Ele e a m�e

vieram da Fran�a para c� tem uns dois anos.

Bem alegres os dois.

Vieram com um projeto de construir um eco resort no Breu.

Ningu�m gostava muito deles.

Esse povo da ilha � bem religioso

e eles gostavam de andar pelado, essas coisas assim.

"Gostavam"? Foram proibidos?

N�o.

� que ela morreu.

Ela era son�mbula.

O filho viveu com aqueles olh�es e ouvidos em estado de alerta,

vigiando o tempo todo.

At� que uma noite ele ficou trabalhando at� tarde na oficina.

Quando voltou, foi at� o quarto da m�e

e viu...

Viu a cama vazia.

Ela n�o estava l�.

A�, naquela noite, o Matthieu ouviu um barulho, uma porrada.

E ele achou estranho, porque ali nunca teve pedra, nunca teve nada.

A� veio o capit�o do barco chorando, dizendo que n�o foi culpa dele,

que n�o tinha como ele ver.

O mar estava turvo, sabe? Tinha chovido de madrugada.

-N�o tinha como ele ver. -N�o tinha como ele ver o qu�?

Quando eles tiraram o corpo da �gua...

estava todo esmagado.

S� sobrou o cabelo.

Hoje acordei cheio de raiva.

Queria chutar as coisas.

Quebrar a cadeira em cima de algu�m,

gritar com a minha irm�.

Acabei fazendo a minha m�e chorar.

S� de voc� que eu n�o sinto raiva.

Dem�nia.

Ol�.

Pra que serve isso?

N�o sei.

Gosto de ver as partes montadas. � s� isso.

Tentei trabalhar com cer�mica tamb�m.

Um tempo atr�s.

Acabei parando.

Ficavam muito...

N�o sei, figurativas.

Quer?

� seu.

Posso ver seu livro?

-Eu conhe�o esses lugares. -Verdade?

Meu av� passou a vida l�.

Depois que ele morreu, eu fui conhecer a fazenda.

Eu tamb�m tenho algu�m que morreu.

Esse n�o � um bom livro.

Quem s�o?

Trabalhavam na obra aqui.

Falei para eles irem para suas casas, quando acabou.

Uma semana depois, voltaram.

Eu n�o sabia mais o que dizer.

Obrigada.

Os caras est�o l� ainda?

Est�o.

Cheguei a procurar trampo l� quando a obra come�ou,

a grana era curta.

Dizem que eles faziam tudo por ela.

Parecia at� que estavam enfeiti�ados.

Ela era meio...

diferente.

Como foi no Haiti?

Tem certeza que quer ficar vendo isso?

Voc� deve ter coisas mais interessantes para fazer.

� seu av�?

Parece voc�.

Um canalha.

M�dico, feiticeiro...

No fundo, um grande propriet�rio.

Um selvagem como o resto da fam�lia.

Morreu s�, internado num manic�mio.

Rodeado por livros como o seu.

Ele podia ser um canalha,

mas o que aprendeu era de verdade.

N�o �?

N�o tem nada de decente aqui, Silvia.

-� melhor voc� ir. -E a sua m�e?

Voc� sabe o que aconteceu com ela.

Sonhei que respirava dentro d´�gua.

O oceano n�o era nada.

Mas tinha voc�.

Ela era muito feliz.

Ele foi transformado no deus Krishna.

Ela se transformou em Radha.

A verdadeira Radha que viveu h� milhares de anos tamb�m era uma garota do campo.

O amor do deus a transformou numa deusa.

Ela dan�ava para expressar o amor dela por ele.

Com suas m�os e olhos, ela diz:

"Oh, Krishna,

voc� � bonito como a nuvem na montanha.

Seus olhos s�o como a flor de l�tus.

Oh, Krishna,

quero estar sempre na sua presen�a.

Oh, Krishna..."

Est� tendo outra.

"Nem todas as coisas do mundo s�o l�gicas.

O cora��o quer o que quer. Ou ent�o, n�o se importa."

Vou tirar voc� da�.

Vou te trazer de volta.

Atrav�s da neblina acumulada,

o jaguar faz suas rondas matinais.

Percebem que ele ainda n�o est� faminto.

At� para os jamais ca�ados

a cautela � o melhor caminho para manter-se vivo.

Percep��o de cada movimento, cada som, cada odor.

Como o principal predador aqui,

o felino n�o precisa dormir escondido ou com um olho aberto.

Com o calor pesado da tarde,

a vig�lia enfraquecida entre os pensamentos

e sonhos confundem os sentidos.

Quem sabe com o que o jaguar pode sonhar?

O que est� esperando?

Voc� sabe o que eu quero.

-E que precisa me ajudar. -N�o.

A gente n�o precisa.

Ainda d� para voltar atr�s.

Voc� n�o quer revirar esse inferno.

N�o tem inferno nenhum.

Ainda.

AP�S O RITUAL, OUVI SOBRE O SACRIF͍CIO ZUMBIS

COISAS QUE N�O ENTENDI.

ESTAVAM TODOS EM TRANSE.

A POSSESS�O

OS RITUAIS

Eles precisam dormir aqui dentro hoje.

T� bom, filha. Como quiser.

Ele vai voltar.

T� tudo bem?

Uhum.

Estamos de volta ao local do acidente,

que gerou 80 km de engarrafamento na estrada Rio-Santos.

Eu converso agora com o motorista Claudio,

que vai falar um pouco pra gente do que aconteceu.

Sr. Claudio, o que fez o seu caminh�o parar?

Ent�o, eu trabalho 24 horas, seis vezes por semana,

a aplica��o de servi�o � prec�ria.

E eu vou levar no m�nimo umas duas horas para retirar esse caminh�o.

O que eu vou falar para o meu patr�o?

Silvia, voc� precisa comer alguma coisa.

O que aconteceu exatamente?

�, eu transportando a minha carga

quando, de repente, avistei algo em minha frente.

Acendi os far�is, buzinei, quando dei por mim, o caminh�o parou.

N�o ia e nem voltava.

O que o senhor ouviu exatamente?

Lu�s?

Diminui um pouco a TV.

...carca�as de animais.

Muitos animais mortos.

Era o tronco, cabe�a, pele...

Enfim, um fedor de carne insuport�vel.

E o senhor tem ideia do que pode ter causado esse acidente?

Olha, eu creio que acidente n�o foi. Entendeu?

E t�o pouco foi causado por algum animal.

Muito obrigado, Sr. Claudio. Voltamos aos est�dios.

Essa noite aconteceu...

A gente est� tentando mapear toda essa �rea.

Para tentar descobrir de onde vem.

Silvia.

Voc� viu um deles?

Eles n�o voltaram para casa desde ontem.

Por favor.

Diz que viu um deles.

Diz que est� tudo bem com os meus garotos.

Por favor.

Andr�?

Andr�?

- Boa noite. - Boa noite.

Vim para avis�-los de um toque de recolher aqui na ilha.

A partir das dez da noite,

menores de idade n�o v�o poder circular nas ruas.

Mas por qu�? O que est� acontecendo?

Na verdade, a gente t� recebendo algumas den�ncias

e no momento n�o posso dar mais informa��es.

OK. Obrigado.

Cuidado.

Por favor, toma cuidado hoje.

...h� mais de um milh�o de anos,

os le�es reinam soberanos no topo da cadeia alimentar.

Vou l� reservar o barco.

-Vou tentar. -Vai.

Que horas eu marco? Duas?

Ah, o quanto antes. A gente se arruma.

Nenhuma presa � grande ou �gil demais.

Neste recanto isolado da ��frica,

todos os seres vivem sob o julgo desses majestosos felinos.

A leoa, ca�adora implac�vel,

� capaz de calcular de forma invis�vel e precisa

o seu posicionamento diante da presa.

O le�o, com seu porte imponente e poderoso rugido,

pode ser ouvido a oito quil�metros de dist�ncia.

N�o � por acaso que, aos olhos humanos,

estes dois s�o considerados rei e rainha do mundo animal.

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