All language subtitles for 2007 - A Casa de Alice

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Original subtitles

e até pendura.

O que?

. . . . . . . .

Todo mundo com papel aí, com a caneta na mão? Já pegou a caneta, já pegou o

papel? Dá uma nota aí, minha amiga, a nota, ó. 3, 5, 4, 5,

12, 12.

Olha o telefone.

Peraí, carinhos, peraí.

12, 12.

3, 5, 4, 5, 1, 2.

Mas liga mesmo, hein? Liga que agora é a hora.

Oi, gente.

Bom dia. Bom dia.

Conseguiu não, mãe? Não.

Bom dia, filho.

Bom dia, mãe.

Caralho.

Mãe.

Está fumando muito.

Apaga aí, direto.

É. Tem razão. Está uma diminuída.

Lucas, o Júnior já acordou?

Edwin, quem é?

Quem? Quem?

Acho que não tem casa, né?

E aí?

Vai entrando, vai entrando.

Oi.

Senta aqui.

Não, não precisa não. Queria conversar com você.

Particular. Ah, é?

Vamos lá pra área.

Particular.

Pode ser o sério.

Tá aí. Tão bom quando você vem aqui.

Um homem demais nessa casa, sabia?

Só reclamação.

Fala, você tá com a carinha frita?

Tô gostando de um cara.

Vai me dizer que você voltou com aquele chatinho.

Não.

Se é casado, ele é bem mais velho que eu.

Ai, Thaís, sai dessa, sem crenca.

Vejo um menino da tua idade.

Eu sei.

Mas eu tô apaixonada por ele.

Tem alguma coisa pra ele largar outro e ficar só comigo?

Tem jeito?

Tem.

Mãe!

Mãe! Tô indo, espera um pouquinho.

Ainda tem aquele perfume fora nos pés?

Acho que tem, deixa eu ver.

Hum, olha que delícia.

Bom, né?

Você é poderoso, veio da Bahia.

Chama a senhora nos pés. Você vai usar.

E o gato vai ficar de joelhos nos teus pés, implorando o teu amor.

Tá rindo, é?

Espera só pra ver, depois você me conta.

Agora, ó, tá aí. Tem que usar.

Deixa jogado no armário, que daí nem Jesus Cristo dá jeito.

Obrigada.

Ô, Lucas, onde eu posso ir em frente ao quarto?

Tinha um cara lá, velho, não sei quem era, só de cuequinha em frente ao

ó.

Era você, né? Fazendo muco, fazendo força lá. Na hora que eu passei, eu

maior susto, velho.

Tava lá... Mas é porque ele é o bonitão da escola, o pegador, o fortão, né? Não

precisa pegar pra falar.

Obrigado.

Sogrinha, devagar, hein?

Tem uma meia lá na minha gaveta.

Já não pediu pra lavar a meia na mão?

Sua carteira está lá em cima.

Então, isso mesmo que você falou.

Hoje mesmo eu estava no ônibus, tinha um loirão tão bonito, o olho dele era da

cor daquela toalha ali.

E começou a me olhar, foi chegando, chegando, se encostando.

Cortei logo, porque eu não sou de ficar dando mole assim, né?

Homem é tudo igual, outro cachorro.

Ó.

Você trouxe essa sainha?

Não serve mais em mim, porque eu emagreci muito.

Como você é mais cheinha, de repente fica boa, quer?

Eu usava com uma camisetinha vermelha, ficava um charme, se você tiver.

É aqui da tua loja? Não, isso é Glamis, minha filha, veio de fora, é outra

coisa.

Obrigada.

Pronto, terminei.

Ai, mexeu, dá uma olhada na tua mão.

Mas essa unha aqui tá tão ruída, quer que eu dê um jeito?

Por favor, né, ô pitangui das unhas.

Aliás, eu adorei esse esmalte japonês que você me arrumou, viu?

Então vê se para de roer a unha, né?

Ó, faço uma propaganda tua por aí, viu?

Olha até pro Nilson.

Ele diz que vem aí qualquer dia, vai sair mais cedo da loja e vem.

Teu marido tem uma loja de revenda de carro, não é isso? Uma mega revendedora,

show de bola.

Mas eu me cuido, viu, meu bem? Não vacilo, não.

Aliás...

Sabe o que eu estou fazendo agora?

Estou depilando a perseguida de umas formas diferentes.

Sabe o que eu estou falando, né?

Então, aí um dia eu faço uma forma de coração, depois eu tiro tudo e fico

apeladinha igual criança.

O meu só adora ficar tarado.

É, eu também, graças a Deus. Lá em casa não tem problema nem de cama nem de

grana.

Pronto, deu um jeito aqui melhor que deu, Carmen. Ótimo.

Você não quer encomendar um dos meus produtos pra me ajudar?

Quero. Eu quero aquele defumador lá chama cliente, que do Nilson acabou, e

aquele sabonetinho de leite que eu gosto. Tá bom.

Tá?

Tchau, Rosi.

Tchau.

Será que foi o tal do Nilson que deu esse carro pra ela?

É.

A mulher tem tudo, Rui.

Um momentinho, por favor.

Filhão, Lucas.

Avisa lá em casa que eu não vou jantar, não. Vou trabalhar até mais tarde.

Alô, filhote.

Esse é meu mais velho. Vai ser tenente.

Nem só esse?

Não, mais dois.

Fora a sogra lá em casa, né?

Família dá trabalho, não dá não, cara? Você dá.

Também não deixa faltar nada, né?

Minha mulher cuida de tudo.

É.

Bom trabalho.

Amaral, já é, rapaz?

Quem me dera, rapaz. Tem que dar duro, viu?

Mas também chega em casa, tá tudo bonitinho.

Tudo na mesa, quentinho.

Mulher perfumadinha.

Tem que cuidar do que é da gente.

Senão ninguém cuida.

É, com certeza.

Sargentinho de merda.

Mocorongo do caralho.

O que foi?

Nada, velho. O mano é do quartel. Tá de marcação comigo.

O que você tá estudando aí?

Não sei.

Então senta pra estudar.

Você vai dormir.

Lucas.

Quem você acha mais gatinha, a Vanessinha ou a Thaís?

A Vanessinha, lógico. A Thaís é muito chata.

O que foi?

Tá pegando a Vanessinha?

Eu tô.

É? E aí?

Comeu? Ainda não.

Pegou nos peitos?

Só em cima da camiseta, sabe?

Ficou de pau duro?

Não, não.

Normal.

Chega aí, mano.

Deixa eu te dar um bisujo.

Próxima vez que você estiver com ela, comece fazendo um carinho aqui no cabelo

dela.

Descobre a orelhinha dela.

Comece a beijar o pescocinho dela.

E aí com a mão você vem por dentro da camiseta dela.

Pega no biquinho do peito dela.

Se o biquinho do peito dela estiver durinho, já é.

Rola pra dentro.

Você vai ficar brava se ela não deixar?

Ela não vai ficar brava.

Ela vai estar com tanto tesão quanto você.

Você já fez isso?

Lógico que já.

Várias vezes.

Oi, filho.

É? Sua chave não está no quadro, não?

Não, esqueci no quarto.

Seu pai tem casa?

Não.

Eu não acredito. Não acredito. Esse mundo é pequenininho. Você pensa que é

grande? Não é nada. É pequenininho.

Que vinho.

Quer dizer que você é o famoso Nilson que a Carmen tanto fala?

O próprio.

É, olha só, viu?

Paixão da minha infância, você.

Olha só, que surpresa boa, viu?

É. E onde você tá? Casou? Tem filhos, né?

É, eu tô bem, casei. Eu tenho três filhos, homens. O mais velho, ó, tem 21

Nossa, que bonito, família boa. E você?

Eu? Tem filhos? Não, não, filhos eu não tenho.

E seu Mário, como é que tá seu Mário?

Dona Jacira, nossa, Dona Jacira. Essa não gostava de mim.

A dona Jacira não ia com a minha cara. Não, não é assim, também não é assim.

Não, como não era assim? Implicância.

Implicância? Não, opa, ela não gostava não.

Mas como é que ela tá? Tá bem, de saúde?

Ah, ano passado ela teve um probleminha no coração, ficou 15 dias na UTI, mas

agora tá bem.

O papai é que faleceu e teve um infarto. Ah, não, que isso.

Puxa, gente boa toda a vida, seu Mário.

Ele gostava muito de você. Opa, esse gostava, gostava.

E eu também gostava dele.

Mas que bacana, é isso aí.

Você tá bonitona aí, minha carioquinha.

Bonitona mesmo.

Cega. Você usa lença, não, é? Uso.

É? Cadê?

Até que ele fez coisa.

Você não mudou nada, hein? Como não?

Continua safado. Não, safado. Não, porque ali está no pescoço? De jeito

Está perto do coração. Aqui era.

E mudei muito, viu?

Agora sou um cara casado.

Tenho responsabilidade.

O cara casado, você sabe, a gente é mais responsável.

A gente fica mais sério.

Essa tarde é minha.

Tô dobrando a porta, quem é que vai?

Tô dentro.

Tá dobrado. Tá dobrado.

É, minha flor, a senha vai cedo hoje?

A gente não vai no shopping?

Claro que vamos no shopping.

Espera o seu lindão aqui faturar esses patos. Ficar milionário.

Nós vamos torrar tudo no shopping.

Pega um refri lá com a moça, vai.

Pô, mas é isso que você tem pra fazer? Tá chegando, tá chegando. Sou eu? Tá

chegando.

Tá cansada, vó?

Um pouquinho.

Vamos lá pra frente, vamos?

Ei, batata, eu tô descendo, mano.

Onde é que você vai?

Vou sair.

Me liga amanhã à noite.

Boa. Lava isso aqui também.

Tchau.

A gente se pegava nos fundos da morracharia.

Ele me beijava todo, ficava todo cheio de graça. Uma loucura aquilo.

Você tinha quantos anos ali?

Eu tinha 17, 19.

Que bom.

Gente, olha o que a Rojo deixou aqui.

Que cosme da minha antidesorte e tesão. Lide.

Eu tenho que ficar com essa nota.

Cosme e Damião são os meus santos de devoção, ó.

Depois eu cubro aí o da Rose.

Mas aí, voltando ao assunto, você me contou pra um chope.

E aí?

Aí eu não sei o que eu faço.

Não vai, né, boba?

Não? Ah, tem que se valorizar.

Você faz o difícil, é.

Gente, eu não sou difícil.

Eu sou de carne e osso, que nem você.

Que nem todo mundo.

Passarmo. Homem adora isso.

O que é

aquilo? Gente, eu quero.

Oi, meninos.

Oi, mãe.

Oi, filha. Tudo bem?

Quer jantar?

Já comeu alguma coisa na rua?

Preciso te contar.

Mãe, tu colocou o vestido lá do avesso, não viu, não?

Pelo que eu não vi.

Que vergonha.

Peraí, peraí, eu vou trocar. Não, não, não, não, não, não, não, não, não, não,

não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não,

não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não,

não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não,

não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não,

não, não,

não Que sissinho?

Qual que sissinho, mãe? Filho da dona Terezinha. Lembra dele?

Ah, o da borracharia?

É, esse mesmo.

Ah, que isso.

Ele tá vivo ainda? Não tá preso, não? Aquele safado, sem vergonha? Não, ele

tá preso, não. Mas ele tá é rico, sabia?

Eu vou te contar já já. Deixa eu fazer um xixi rapidinho. Não, não, não. Agora

não. Agora você vai ficar aí.

Prende o xixi, me conta tudo até o fim. Tá bom.

Sabe a carne, aquela minha cliente que eu falo sempre, que tem um carrão

importado? Sim.

Importado. Lembra dela?

Lembro, lembro.

Então, ele é marido dela, mãe. Foi ele que deu aquele carro pra ela. Ele tá

rico, mãe.

Ai, daí.

É, se você não tivesse implicado tanto com ele, né? Ah, para com isso. Você

merece coisa melhor, né?

Ah, é, mereço. Sabe o que eu mereço, né?

Lindomar e aquele táxi caindo aos pedaços dele.

Ah, para com isso, menina.

É, só dá despesa.

Muito obrigado.

Escuta aqui, qual de vocês fez isso na tampa da privada de novo, hein?

Deve ter sido eu, né?

E aí, Thaís? Toca a campainha e vai embora?

Já vou sair.

Ah, é? É, gente.

A gente mostrou minha sandália nova.

Ih, que linda. Tá toda bonita. Onde vai?

Segredo.

Adivinha.

Sente aqui.

Ah, já entendi tudo.

Tá dando certo, então, né? Claro.

Que bom.

Vou fazer de conta.

Tá bom.

Tchau. Tchau. Beijo, menina.

Beijo.

Vai, vai, conta o... O que é um pontinho azul no meio da mata?

Não sei.

É uma formiga de calça jeans.

Deixa eu ver uma.

O que é um pontinho vermelho na porta?

Uma saneta?

Não, idiota.

É um olho mágico com conjuntivite.

Ô, dá uma olhada.

O que é isso?

Peraí.

Deixa eu ver. Que louco essa lanterna.

Da hora, né?

Louco.

Onde é que você arrumou?

A mãe me deu.

Maneiro, né?

Chegando no presentinho da mamãe, velho?

Ih, não tem nada a ver, ó.

Juninho, por que você deixa a mãe ficar te pegando toda hora?

Eu não deixo ela ficar me pegando toda hora. Lógico que deixa.

Lógico que não.

Você tá viajando.

Essa não.

Você sabe como ele é com as coisas dele.

E no

sonho ela estava novamente com câncer. E o meu pai reunia toda a família para ir

no enterro dela.

Onde foi isso aqui?

Ah, foi excursão do colégio. Lá pra Campos do Jordão.

Esse pau tá aí do bondinho na cidade.

Esse é seu pai e essa é sua mãe.

Lucas, eu e Edinho.

Aí foi eu aprendendo a andar de bicicleta.

Foi o Lucas que me ensinou aqui no terreno.

Tinha seis anos.

Olha essa bagunça, seu lindo Omar Júnior.

Pode ficar com o truque.

Mas eu ia me convidar para um chope

de novo.

Pensando que é assim que eu vou dar essa moleza?

Vou não, minha amiga.

Fecha os olhos.

Eu não.

O que você vai fazer?

Fecha os olhos.

E você com essas brincadeiras?

Não acredita em mim?

Fecha os olhos.

Não vale abrir, não vai me enganar.

Cobre quando eu falar já.

Pronto.

Não gostou?

Gostei. É lindo.

Ah, então deixa eu colocar em você. Espera aí.

Vamos ver como é que fica no seu pescoço.

Espera aí.

Vamos lá, vamos ver aqui.

Depois de fazer minha unha, agora não estou conseguindo colocar aqui.

Aí, pronto.

Tá perdendo isso.

Louco esse teu tênis, né, moleque?

Louco, né?

É. Onde é que você arrumou?

Oi? Arrumando, velho.

Onde é que você arrumou, velho?

Arrumei, velho. Você gostou?

Gostei. O fundo era um pouquinho maior que você, né, mano?

Se liga.

É só conforto, velho. É conforto. De malandro do tênis.

Deixa eu ver essa lupa, moleque.

Pede licença, velho.

Juninho, como é que tá?

Normal. Tá estiloso? Tá. Ficou legal?

Já era, velho.

O que já era? O óculos é meu? Tira a mão, moleque. Essa lupa é minha agora.

Dá meu óculos, velho. Tira a mão, velho. O óculos é meu, velho. Tira a mão,

moleque. Dá meu óculos, velho. Tira a mão, moleque. O que foi, velho? Vocês

tomaram o seu cu, seu folgado. Seu fudeu.

Fuzão, folgado.

Olha essa boca, Edinho.

Mas o Edinho comeu tão pouco salada.

Quer que eu te sirva um pouco de cada coisa, ô Luca?

Meu nome é Lucas.

É Lucas, tem um S no final, pô.

Luca é nome de cachorro.

Lucas, quer que eu te sirva um pouco de cada coisa?

Quero.

Faz igual a do Luca, por favor.

Tá bom.

Quer mais?

Não.

Pão.

Pronto. Obrigado.

Oi, gente.

Oi. Oi.

Oi, mãe.

Oi, filha. E você, querido?

Como tá, hein?

Bem.

A gente tava um trânsito em São Paulo hoje, campeão, sabia?

Impressionante essa cidade.

Lucas, meu filho, põe um pouquinho de salada pra sua mãe.

Paga o cigarro primeiro que eu ponho.

Todo mundo comendo, você entra fumando?

Ô mãe, você não esqueceu o prometido não, né?

O que eu te prometi?

Que ia comprar um discman pra mim antes do meu aniversário. Ai meu filho, pelo

amor de Deus, não fala em discman agora, não tá?

Cheguei, tô cansada.

Oi, família.

Cheguei na hora.

Vamos, pai.

Vamos.

Lágrima, hein?

Casa só a hora.

Esqueci a carteira.

Ah, dona Jacira, tem uma carteira por aí. Eu acho que ela ficou na calça

que eu coloquei pra lavar.

Achei no pé da tua cama.

Tá sempre perdendo essa carteira, né, Linomar?

Se tivesse dinheiro, garanto que não esqueci por aí.

Tá reclamando, não vai?

Serve uma saladinha pro seu querido.

Ei, campeão. Beleza?

É, beleza.

Bom? Bom.

Olha o domar.

Olha que lindo.

Gosto.

É, bonito.

Vagou? Vem.

Deixa pra amanhã, vai.

Eu cuido de você direitinho, tá bom?

Vem.

Do jeitinho que você gosta.

Dá um trato bem gostoso.

Tá?

É isso. Você raspou?

Não acredito, né?

Ridículo, né?

Apaga a luz, porra.

Cala a boca, moleque.

Ô, Luca.

Luca.

Oi.

Fala.

Ah, não sei.

Fala aqui o que foi, Juninho.

A Vanessinha falou pra mim que o papai tá de rolo com a Thaís.

Você sabia disso?

A mãe sabe?

Não sei.

Por que ela não falou antes?

Porque a gente não tem nada a ver com isso.

Isso é problema deles.

Mas você, você acha que eles vão ficar bem?

Não sei, eu sei que se eles se separarem eu vou ficar com meu pai.

Eu tô contigo.

O que foi? Você tá com medo?

Obrigado.

Então essa música mais delicada se espere no Jardim Jamaquara. É Luiz

Cintura Fina.

Eu vou marcar o oculista pra você.

Bom, médico, coisa nenhuma.

Sabe por que uma vez eu tava com o vestido do avesso?

E levanta esse rádio porque eu adoro essa música.

Eu tô muito bem.

Depois eu faço tudo nessa casa.

Eu lavo.

limpo, passa ferro. Eu faço tudo aqui.

E a senhora, hein?

O que é que estava dormindo na sala?

Por que não estava no quarto com seu marido?

Não estava na cama quente?

Hein?

coragem de olhar pra minha cara, essa fada!

É um vagabundo!

Ei! Deu essa costeira pra ele? Deu?

Deu? Gostou? Deu o cu também, sua puta?

Você quer ficar com esse velho broxa? Quer? Quer ficar com esse velho burro?

Então fica mais cedo. Sai da minha casa!

Toninho, eu tava toda emburrada perguntando por você hoje.

Ah, quer saber, Neide, eu já tô de saco cheio.

Tô me aguentando como posso.

Não era nem pra eu estar aqui hoje.

Só vi mesmo que eu preciso do dinheiro.

Sérgio, tá dando pra perceber?

Ninguém percebeu.

Hoje de manhã lá em casa foi... Me descontrolei, gritei...

A altura e a vizinhança não devem estar falando de outra coisa.

E você acha que eu estou ficando barriguda? Você acha que eu estou gorda?

Para com isso, Alice.

Oi, gente.

Oi, Karen.

Tudo bem? Vamos lá, Alice? Vamos.

Agora que eu reparei. Ficou linda em você a saia.

Caiu direitinho, né?

Vem cá, gostou do Nilson?

Gostei. Ele foi simpático?

Foi.

Você achou ele bonitão?

Ele é muito educado.

Ai, que gracinha.

Quem foi que te deu isso?

Marido que não foi, né?

Pior é que foi.

O Dombar anda puxando o meu saco, que é uma coisa.

Eu devo isso a você.

Por quê?

Sabe aquela depilação que você falou que fazia, que tirava tudinho, que ficava

lisinha? Então, fiz igual.

A gente passou a noite inteirinha na bagunça.

Viu?

Oi, Ivanildo. Tudo bom?

Tudo bem.

Sumida? É, pois é. Eu trabalho lá no salão.

Tá indo tarde.

E eu que tava achando que tu tava pegando a condução mais cedo pra Luíne,

mesma condição que eu.

Que isso, Ivanildo. Ao contrário, eu tô pegando a condução mais tarde.

Movimento lá, sabe?

Vamos tomar um sorvete ali?

Agora? É.

Saudade daquela cerveja que a gente tomava juntos.

Não, hoje não, Ivanildo. Estou cansada de chegar em casa mais cedo.

Outro dia.

Eu te ligo.

Tem meu celular?

Tem.

Tchau.

Um beijo.

Tchau.

Ah, vamos na sua casa.

Você tá sozinho, né? Mas obrigado.

Ah, então tá marcado.

Beijão. Tchau.

Ei,

Juninho. Se liga só esse aparelho, mano.

Naquela travessa que ninguém sabe onde apareceu.

É seu?

É, velho. Por quê? Venho da... Eu acho que é, velho.

É meu sim.

É seu?

É, por quê? Você não curte samba?

Põe aí o bagulho, velho. Escuta.

Naquela avenida... Escuta aí, ó.

O dia que você levar pra escola, você me pede que eu te empreste.

Mas depois você me devolve, falou?

E outra, não deixa a mãe ver, esconde da mãe, que ela vai encher meu saco.

Você escutou, velho? Você escutou? Não deixa a mãe ver.

Tudo

bom?

Põe na oito, põe na oito.

Acho que eu desliguei.

O

que

foi, Sr. Gabriel?

Não, Dona Elisa, eu estava esperando a senhora chegar.

Nós estamos mudando pra Mogi das Cruzes.

Eu vim em meu nome, da Adice, da Thaís.

Eu vim me despedir.

A Dona Alice... Desculpa qualquer coisa.

E aí, Juninho?

Firmeza?

Sufo.

É, hoje eu tô cansado, velho.

O que vocês tão vendo aí?

Sei lá.

Sabe por que tu tá acordado? Tava me esperando?

Tava.

Vai dormir então, velho.

Vai dormir, eu vou botar a bola na cama e já tô indo lá.

Bora. Vai pra cama, vai.

Bora.

Tu vai sozinho? Vou sozinho.

Bota o rosto um pouquinho pra cá.

Sim. Isso.

Então, doutor, como é que está a minha menina?

Não fique preocupada, não, mãe. Não vai ser nada sério.

É coisa da idade, olha isso.

Um momento.

Deixem aí, mãe, que eu tô vendo.

Desceram.

E aí, vó?

Aí, vó.

Foi no meu quarto para mim.

Só você mesmo.

Alô, hein?

Alô, hein?

Eu preciso que você me empreste dinheiro pra amanhã.

A mamãe perdeu o dinheiro dela, precisava comprar um remédio pra pressão

emprestei meu dinheiro pra ela.

Eu não tenho dinheiro pra condução.

Eu te falei, né?

Sua mãe saindo com o asilo mesmo.

Eu não quero falar sobre isso.

Eu quero saber se você pode me emprestar o dinheiro ou não.

Pra trabalhar.

Alguém tem que botar dinheiro nessa casa ali no mar. Alice, não me enche o saco,

tá?

Ô Toninho, bom dia.

Desculpa a hora.

Ai,

desculpa, tá?

Desculpa o atraso, tá?

O mamar agora resolveu me trazer ao trabalho todo dia.

E aí já viu, né? Eu atraso sempre.

Sume de mim, esse homem. Uma coisa, uma loucura.

Agora me conta.

O que eu posso fazer no caminho de casa até aqui?

Tá com a cara cansada?

Tá batida, que choro.

O Nilson.

Ficou todo um jeito essa noite, até de madrugada.

Já transou com o negão?

O que é essa unha, Carmen? Toda ruída.

Nossa, parece criança.

Assim você estraga o meu trabalho.

Ó, vou passar pimenta no teu dedo.

A gente não transa mais.

Vamos ficar até de madrugada discutindo.

É complicado, né?

Separar assim depois de tantos anos.

É.

Mas às vezes eu acho até melhor.

O quê?

Separar? É.

Alô?

Tudo?

Ô, rapaz, você acredita que eu tô num cliente?

Abraço.

Tchau, tchau.

Lucas, viu no Bekele naquela revista lá?

Peladinha, peladinha.

Tosa, né?

Tosa pra caralho.

Essa é gostosa mesmo, vale até uma punheta.

Bobo da corte.

Bobo da corte.

Trouxa.

Só uma punhetinha.

Oi, gente.

Oi, amor.

A vó tá ficando caduca mesmo, viu?

Tá querendo me matar, velho.

Salgou demais esse macarrão. Tá doido.

Olha lá.

Os dois tão lá na cozinha de novo.

Sua mãe e sua avó quando se juntam.

Saco, viu?

Desgruda essas duas.

Alô, amor.

Bom dia.

Eu faço um cálculo que acompanha o ciclo de fertilidade da mulher. E eu digo se

vai ser menino ou menina, mesmo antes de conceber. Pela data de nascimento da

futura mamãe, o primeiro filho. Pela data do filho mais novo, o próximo.

Se vai ser o mesmo sexo ou se vai mudar.

No caso de aborto e vírgula aborto, tem que informar também.

Se usou o DIU ou a vírgula no dia seguinte, aí não dá pra fazer a previsão

sexo dele.

Mas é o pessoal, a televisão já tá liberada, tá bom?

Quem fala?

Silvana. Para quem é a previsão?

Para mim mesmo. Já tem filhos, não?

Já. Qual é a data?

Dia 4, 6, 8 mil. É menino ou menina?

Menino. É homem e nasceu no dia 4 do ano de 2000, Catulinha. Sim.

Pela data de nascimento dele, o próximo vai ser menino. Para lembrar meu amor da

sua Michelle.

Também vai ser menina a Rosária de Pirituba, a Queira do Grajaú, a Rita de

Osasco, a Tainá de Osasco.

E a 11 dias lá de São Mateus, vocês vão ter o sexo vivido.

Quem tá na linha no telefone? Alô?

Oi, quem é?

É a Vânia de Guarulhos. Você quer saber pra quem, Vânia? Pra mim mesmo. Já tem

filhos? Tenho. Tá, graças a Deus.

Minha... 93.

Só quatro?

Vai demorar muito aí?

Oi, Carmen, tudo bem?

Não, não, já terminei.

Pode ir sentando lá.

Vamos,

Neide.

Depois a gente termina.

Nossa,

Carmen, hoje está muito ruída.

Essa aqui tá no sabugo.

Tá irritada com alguma coisa?

Tô, tô irritada.

Por quê?

Homem, né? Homem é tudo igual mesmo.

Já aconteceu alguma coisa?

Umas coisas que eu ouvi hoje de manhã.

O Nilson acha que eu sou idiota, que eu nasci ontem.

Sou trouxa, não.

Isso foi alguma coisa séria?

Não sei, não quero saber. Quero esquecer.

O que

é que você está me olhando? Vai, não tem o dia inteiro, não.

Alice, telefone.

Alô?

Ela disse que vai colocar um detetive atrás.

É por isso que eu acho melhor a gente dar um tempo de se ver.

Não quero magoar você.

Mas você precisa entender o meu lado.

Está tudo no nome dela. Não tem nada no meu nome.

Então é isso?

Quer dizer que a gente não vai mais se ver? Não, não é isso.

Calma, vai dar tudo certo.

Pede a conta.

Licinha, nós estamos conversando.

Me dá meu isqueiro.

Meu isqueiro, pede a conta.

Tá bom.

Mais um pouco?

Não, tá bom.

Obrigado.

Ô vó, você comprou mamão?

Não. O que você tá comendo nesse mamão, moleque?

Esse um caralho você comprou, velho?

Não, essa porra é minha, moleque. E aí, pra que tá com o bagulho no chão, velho?

Não vai limpar não, vó. Deixa que esse moleque vai limpar. Não vou limpar. Não

vou limpar. Não vou limpar. Não vou limpar. Não vou limpar. Não vou limpar.

Não vou limpar. Não vou limpar.

Não vou limpar.

Não vou limpar.

Não vou limpar.

Não vou limpar.

Alice, te contou sobre ontem?

Contou.

E você não estava em casa, hein?

Graçado.

Se o pai fica em casa, é vagabundo.

Se tá na rua trabalhando, é pai ausente.

Pelado esse café.

Porta da rua, sem tia da casa.

Até foi levar um passageiro.

Um asilo ali na Lapa.

Lugar bonito.

Arborizado.

Cheio de flores.

Gostei. Você ia gostar também.

Lindomar, daqui eu não saio.

Esse apartamento é meu. Está no meu nome.

Não tô nada bem, viu?

Esqueci meu talão de cheque, quase bati num ônibus quando tava vindo pra cá.

Bom, pelo menos tô uns dias sem roer a unha, né?

Carmen, eu não tô achando aquele esmalte o teu, o bordô, mas tem esse aqui que é

lindo, ó.

Como esqueceu, Alice? Como esqueceu?

Não quero esse não, quero aquele.

O que que é? Tá ficando burra?

Olha aqui, Alice.

Eu venho aqui só pra te ajudar, tá?

Tem um monte de manicura nessa cidade.

Você fica esperta, que eu sumo daqui e você perde sua melhor cliente.

Ah, sei.

Que cabeça minha, né? Tava na outra bolsinha e eu nem vi.

E aí E aí E

aí E aí E aí

Vai abrir o salão hoje, não?

Menina, a Carmen morreu.

Que isso, Toninho?

Quando? Ontem.

Um ônibus atravessou o sinal vermelho e ela nem viu.

Pegou ela.

Morreu na hora, coitada.

Engraçado. Ontem ela não estava bem, né?

É.

Bom, a gente vai indo até o velório. Vamos?

Não, eu não vou até o velório, não, Toninho. Eu detesto enterro. Eu reago

ela em casa.

Ah, Neide.

Cada dia mais louca pelo Nilson.

Não sei como é que o Lindomar não desconfiou ainda.

Se bobear, largo tudo pra eu ficar com ele.

Essa história de vocês tá parecendo coisa de novela, hein?

Eu podia dizer que vou ao Paraguai com a tua irmã, falo pro Lindomar que vou

buscar uma muamba pra ajudar no orçamento e aproveito e tiro umas férias

casa.

Eu quero esse homem.

Só uns dias, mãe. Não demoro.

Mas por que essa pressa, Alice?

Essa roupa tá suja, eu lavo.

Vai amanhã.

O Edinho se leva até a rodoviária.

Não preciso de filho para me levar à rodoviária, mãe.

Não sei, pai.

A mãe tá sabendo disso daí?

Nem precisa falar, né?

E olha só o estado da sua avó.

A gente não tem condição de cuidar dela sozinho aqui.

Sua mãe foi lá pro Paraguai e deixou a bomba na nossa mão.

Quando sua mãe voltar...

Se ela não concordar, a gente traz sua avó de volta. Pronto? É simples?

O que tem que ser?

Quem que é o xodó da velha?

Ela te adora, cara.

Você falando é diferente.

Seu quarto dela vai ficar vago.

Pode ficar só pra você.

Não é uma boa?

Não é uma boa?

Vovó, para você. Eu tinha esquecido.

Não se preocupa não, tá? São só uns dois dias.

Vocês vão cuidar da sua vida se você tá liberado.

Nem acredito.

A vida inteira eu tentei te ligar.

Que voz linda, hein?

Olha... Você manda aqui no programa. Tô toda tremendo de nervoso.

Te acalma.

Meu coração disparou.

Te acalma, mulher. Com quem eu tô falando? Quem é a minha ouvinte?

É... Jacira Carlinhos.

Jacira Gomes.

Alô, o Nilson está?

Como viajou? Viajou para onde?

Bora?

Quando é que ele volta?

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