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Original subtitles

UMA SÉRIE ORIGINAL NETFLIX

DIA DOIS, 9H00

Três linhas.

MINISTRO-CHEFE DO TERRITÓRIO DE DELI

Sim, e não é negociável.

Eu já te ligo.

Isto aconteceu ontem à noite.

Um crime hediondo em Deli Sul.

O meu contacto na Central mandou isto.

- Já apanharam alguém? - Ainda não.

- E a tal Deepika? - Está no Safdarjung.

Céus!

Manda lá a Ira.

Diz-lhe para se inteirar e para me ligar.

Está bem, pai.

Senhora, está enganada.

Os proprietários moram perto, mas os nossos autocarros não operam aqui.

Circulam por aqui,

mas os proprietários moram nos arredores de Deli.

E os motoristas não se afastam dos autocarros.

Chamou os proprietários errados.

Procure aqui nas redondezas.

É aí que encontrará os motoristas locais.

Os proprietários moram longe.

Fale com o Sr. Sirish. Os dele são quase todos brancos.

- Tem o número dele? - Devia ter.

Tente este.

Está desligado.

- Sim, Ira? - Estou no hospital.

Foi uma violação coletiva.

Também foi gravemente agredida com uma barra de ferro.

Foi monstruoso.

Ela está em estado crítico e não sabem se sobreviverá.

- A comunicação social está aí? - Sim. Um punhado deles.

Faça uma conferência de imprensa.

Informe o público do máximo possível.

Explique os pormenores, o que aconteceu, como e quando.

- O que se passa? - Está cá uma procuradora.

Não sei porquê. A imprensa está frenética.

Só vou falar alguns minutos.

Posso dizer que, ontem à noite, na nossa cidade,

foi cometido um crime monstruoso.

As vítimas, um rapaz e uma rapariga,

foram atacados num autocarro em andamento.

Estiveram envolvidos seis homens.

Sim?

Está cá uma procuradora.

Está a falar com a imprensa.

- Há câmaras de televisão? - Sim, senhora.

Vai buscar uma TV.

Quem é a procuradora?

- Não sei, mas está cá muita gente. - Ocupa-te da Deepika.

Fica com ela e certifica-te de que a imprensa não vai lá.

Sim, senhora.

A vítima do sexo feminino foi violada. Está em estado crítico.

Para piorar, foi molestada com uma barra de ferro.

Isto chegou há momentos do Hospital Safdarjung.

Um incidente medonho em Deli, num autocarro em andamento.

Polícia de Deli, é uma vergonha!

- Como souberam tão depressa? - Não sei.

Ninguém veio cá, tirando os que vieram apresentar queixas.

Sim?

- Prashant? - Sim, Vinod.

- O que se passa na Central? - Está tudo bem.

- Preciso de um favor. - Claro.

Se souber de algo sobre este caso, avise-me imediatamente. Entendido?

- Claro. Tudo o que quiser. - Ótimo, obrigado.

- Sim, querida. - Mãe.

- Estás a trabalhar no caso da violação? - Sim.

- Estás bem? - Sim, estou ótima.

Não vejas as notícias. Estão a empolar o assunto.

A empolar?

Aconteceu num autocarro em plena luz do dia.

Durante o dia? Chandni, não acredites em tudo o que vês e ouves.

Está tudo sob controlo.

Como podes dizer isso?

Mesmo que metade disso seja verdade, não está sob controlo.

Chandni, o mundo está exatamente como estava há 24 horas.

O problema é esse, mãe.

- Está lá? - Harish, há novidades?

Sim, há um tal de Sirish que tem muitos autocarros.

"Sirish". Esse nome já surgiu antes.

Um dos autocarros dele desapareceu.

O motorista chama-se Jai Singh. Verifica.

Certo. O autocarro desaparecido tem a porta no canto?

Sim.

Certo. Qual é a rota dele?

É um autocarro escolar. Apanha os miúdos de manhã e trá-los à tarde.

- Um autocarro escolar? - Prestação de serviços.

Depois de levar os miúdos, vai à NIC.

A empresa chamada "New Index Consultancy". Leva os funcionários para o trabalho.

E depois fica a maior parte do dia no estacionamento da empresa?

Correto. Depois de trazer os miúdos à tarde,

faz o mesmo à noite.

Depois termina o serviço.

O mais importante é onde estaciona durante a noite.

Ficas a dever-me à grande.

Estaciona no bairro Ravi Dass.

Espera.

Bairro Ravi Dass, em RK Puram.

- É perto da paragem de Munirka, não é? - Sim.

O autocarro devia estar agora na NIC?

Devia estar, mas não está.

- E ninguém sabe onde está. - Vamos descobrir.

- Se souberes de algo, avisa-me. - Claro.

Vem cá jantar um dia destes.

- Se for paneer bhurji, vou. - Combinado.

Um dos autocarros deste tal Sirish desapareceu.

E corresponde à nossa descrição.

A minha fonte confirmou. E o motorista chama-se Jai Singh.

É usado como autocarro escolar de manhã e à tarde.

Depois, numa empresa chamada NIC.

Devíamos verificar no estacionamento da NIC.

- E na escola. - Hoje é feriado.

Então, para onde poderia ter ido?

Lallu, contacta a NIC.

Sim, senhor.

Este tal Jai Singh está em RK Puram?

Pelo menos, é lá que estaciona durante a noite.

Envie uma unidade à paisana a RK Puram e encontrem o Jai Singh.

É para já.

Um dos funcionários de limpeza do autocarro está desaparecido.

Não consigo encontrá-lo.

- Como se chama? - Alok Kumar.

- Tem o número dele? - Sim.

- Está aqui. - Ligue-lhe.

- Está desligado. - Dê-me o número.

Há 350 autocarros brancos

registados na Direção de Transportes,

bem como os nomes dos proprietários, muitos dos quais aparecem várias vezes.

Pomos mais agentes a trabalhar nisto?

Nem pensar.

Não quero recrutas nisto. Demasiadas fugas de informação.

Use apenas subinspetores e oficiais superiores.

Se houver dúvidas sobre um proprietário, tragam-no cá. Interrogamo-lo aqui.

É o comissário. Sim, senhor.

Então, o que quer que eu faça?

MINISTRO DO INTERIOR

Veja como aconteceu.

Num autocarro em andamento, numa estrada principal. Que mais posso dizer?

Como Ministro do Interior e pai de uma rapariga,

certamente não tolerará esta falha de policiamento.

O que quer que eu faça? Que dissolva toda a Polícia de Deli?

Não.

Não estou contra a Polícia no geral.

Só contra a liderança.

Se estivessem sob o meu controlo, isto não teria acontecido.

Não é o que pensa o vice-governador.

E o senhor?

Acho que estão a fazer o melhor que podem.

SUBINSPETOR

ANOS DE SERVIÇO: 2

SUBINSPETOR

ANOS DE SERVIÇO: 7

Onde posso encontrar o Jai Singh?

Não sei.

- Quem é você? - Sou primo dele, de Jonpur.

Já não o vejo há tempo.

Onde posso encontrar o motorista Jai Singh?

Quem é o senhor?

Um amigo. Ele é boa pessoa. Emprestou-me dinheiro, quando precisei.

Só lho queria devolver.

Ele foi para casa do irmão, em Mehrauli, ontem à noite.

- Como se chama o irmão dele? - Não sei.

Amigo.

- Em Mehrauli, onde? - Não sei.

Sartaj, entra.

Como estás?

Este é o Sartaj, um ex-colega dos tempos do banco.

Agora, é rico, tem uma frota de autocarros.

- Pode dar-nos muitas informações. - Ao seu serviço.

- Ele conhece os autocarros. - Melhor do que qualquer outra coisa.

Obrigada por ter vindo.

Temos muitas perguntas sem resposta.

Bhupy, desde quando usas óculos?

Há imenso tempo. Já não nos vemos há séculos.

Faz uma coisa. Desenha um círculo na parede.

Olha para lá de longe. Não pisques os olhos.

Deixa que os teus olhos lacrimejem e se limpem.

Faz isso cinco vezes por dia e deixarás de precisar de óculos.

Os teus tratamentos caseiros não funcionam aqui.

Akash, entre.

- Descansou? - Um pouco. O tio ainda está a dormir.

- Mas a minha cabeça... - Eu sei. Tem fome?

- Bhupendra. - Sim, senhora.

Acha que nos pode ajudar com a rota do autocarro?

- Talvez. - Agora.

- Claro. - Venha.

Mostre-me aqui.

Entrámos no autocarro aqui e...

Eles largaram-nos aqui.

Pelo meio, passámos no Malai Mandir.

O Malai Mandir fica aqui.

Depois, seguiram em frente e depois havia um viaduto.

- Quantas vezes viraram? - Três ou quatro.

- Iam depressa? - Bastante depressa.

- Quanto tempo durou o ataque? - Trinta ou 40 minutos.

- E atacaram passado quanto tempo? - Dez minutos.

Acho que viraram algures e deram duas voltas.

Do ponto de recolha até ao ponto de largada,

à noite, demora 20 minutos.

E só viram uma vez.

Mas ele diz que viraram três ou quatro vezes e demoraram 45 minutos.

Passaram pelo Malai Mandir uma ou duas vezes?

Uma. Na verdade, foram duas. Tem razão.

Imagine que vos recolheram aqui, às 21h20,

e vos deixaram aqui, por volta das 22h05.

Durante este tempo, passaram ao lado destes hotéis,

cujas câmaras terão gravado, se estiverem viradas para a estrada.

- Rakesh. - Vou dizer ao Jairaj.

Muito bem.

Venha.

Há mais pormenores do exterior do autocarro?

O autocarro tinhas linhas pintadas?

Uma linha azul ou verde ao longo da carroçaria?

Se era azul, é a diesel. Se era verde, é a gás natural.

- A sério? - Não consegui ver, estava escuro.

- Mas havia algo escrito. - Podia ser o proprietário ou a marca.

Podia ser. Mas, quando terminou,

quando nos arrastaram para a parte de trás para nos largar, a porta não abriu.

Até tentaram com a barra, mas...

A porta de trás estava encravada ou trancada.

Que tipo de autocarros só têm entrada pela frente?

Tinha de ser um autocarro de linha azul.

Os de linha azul foram convertidos para gás natural.

E a maioria faz serviço para as escolas.

E, quando os converteram, selaram a porta de trás

para os miúdos não saírem por trás.

Eram os que tinham carroçaria deluxe, com janelas mais amplas e escurecidas.

O autocarro desaparecido é um autocarro escolar.

Mal posso esperar para sair desta cidade maldita, deste país. Estou farta.

Sabes qual é o problema?

Este é o único caso que foi denunciado.

Imagina quantos não são.

Parece que a Polícia chegou e esperou duas horas no local,

enquanto eles gelavam e sangravam, até os levarem.

Não acredites nisso. Não faz sentido.

Nem todos os polícias são tão bons como a tua mãe, Chandu.

Conheço agentes suficientes para te dizer que não faz sentido.

Até os que só pensam neles. Se há uma vítima a sangrar, eles levam-na

para se livrarem dela depressa.

Não importa. Os crimes aconteceram. Ninguém discorda disso.

Mesmo agora, quando entro num carro, não consigo olhar para o motorista.

No mês passado, estava a sair do Metro e vi um tipo.

Tinha a mão esticada para tocar no meu peito.

Tinha a mão assim, para tocar,

para me tocar, quando eu passasse.

Não consegui evitar que as pessoas me empurrassem

e ele agarrou-me quando passei por ele.

Olhei para trás e ele estava a sorrir, como um demónio.

Depois, a porta fechou-se e ele estava lá dentro.

Só me apetecia arrancar-lhe aquele sorriso ao murro.

Há um protesto na esquadra de Vasant Vihar em nome da vítima.

- Vamos. - O quê, agora?

COMISSÁRIO DA POLÍCIA (CP)

ANOS DE SERVIÇO: 32

Começaram a juntar-se cidadãos no exterior da esquadra

e do Hospital Safdarjung, a exigir justiça e responsabilização.

Sim.

Olá, fala Poonam, da N-TV.

Sim, Poonam, em que posso ajudar?

Gostaria de o ter no meu programa, esta semana.

Obrigado pelo convite, Poonam,

mas não creio que tenha tempo, por causa deste caso.

- Certamente compreenderá. - Sim, senhor.

Mas é por causa do caso.

Talvez pudesse dizer-nos o que está a fazer para resolver o crime.

Lamento. Não posso falar sobre um caso em investigação.

Senhor, neste momento, a Polícia de Deli precisa de uma voz.

Eu mando um oficial superior.

Seria melhor se viesse o senhor.

Quem me dera poder, mas não posso.

- Mas, senhor... - Obrigado, Poonam. Tenho de ir.

Os médicos dizem que ela tem hemorragias e ferimentos

no rosto e no abdómen. Mas as buscas...

- Sim. - As coisas estão a ficar interessantes.

Esta procuradora na TV trabalha para o ministro-chefe.

Como é que a comunicação social soube?

Não faço ideia.

Talvez por uma enfermeira ou auxiliar do hospital.

Já havia muita gente envolvida antes de me chamarem.

Precisa de alguma coisa?

Sim. Dá-me autorização para despesas específicas?

Sim, claro. Gaste com cuidado.

- Mas apanhe estes tipos rapidamente. - Certo.

Parece ser do interesse de todos

que eles sejam rapidamente apanhados.

Ainda bem que não são miúdos ricos.

Queremos justiça!

Os estudantes arranjaram uma atividade extracurricular.

Vão ficar ali fora, ao sol, por uma causa.

Com sorte, aparecem na televisão ou atrapalham-nos.

Como fizeram cartazes tão depressa?

Para.

- Este autocarro já passou antes? - Sim.

Volta para trás.

Isso. Para aí.

Sim, Jairaj.

Uma câmara mostra um autocarro branco

a passar duas vezes em 20 minutos. A primeira vez foi às...

- 21h34. - 21h34.

- E depois? - 21h53.

Às 21h53.

Grava o vídeo no telemóvel e envia-mo por WhatsApp.

É para já.

Põe o vídeo na primeira passagem do autocarro.

Akash, veja.

- Pode ser este. - Venha.

- Vamos. - Sartaj, vai também.

Encontramo-nos no Aerodrome. Eu envio-te a morada.

- Certo. - Senhora, mais uma coisa.

O revisor falou para os passageiros de forma estranha.

Nunca tinha ouvido nada assim.

- Foi por isso que reparámos no autocarro. - "Forma estranha"?

"Dwarka!"

Mal posso esperar para demonstrar isso em tribunal. Obrigada.

- Rakesh. - Sim, senhora?

Podem ir. Eu ligo, se precisar de vocês.

Vamos pelas traseiras, para evitar esta loucura.

Sim, Prashant, diz.

A Central não está agradada com vocês aí.

Podem suspender agentes.

Dá a entender que estás a trabalhar muito neste caso.

Só os precavidos sobrevivem ao desastre. Percebeste?

Eu vou ficar bem.

A minha subcomissária está a supervisionar o caso.

Se ela aí continuar.

Eles sabem que a Vartika tomou conta do caso. Pode ser a primeira a ir.

- A sério? - Sim.

- Mandaste as amostras do hospital? - Sim.

Só estou à espera destas. Levo-as diretamente para o laboratório.

Vão analisá-las antes de as devolverem?

Sim.

Senhor, trabalho em cenários de crime como este há 15 anos.

É a primeira vez que vejo uma equipa científica

numa delas. É reconfortante.

É o que uma subcomissária furiosa consegue fazer.

Foi ela que puxou os cordelinhos, ou foi o senhor?

- Cobrei um favor. - Incrível.

Se fosse eu a chamá-los, nem ligariam.

Se andares nisto tanto tempo como eu, deverás favores

e dever-te-ão favores até morreres.

Tens de manter um bom registo deles.

Sim, senhor.

Mas o que faz aqui? Tem a sua esquadra para cuidar.

Sim, tenho.

Mas devo um favor à subcomissária.

Sim, diz.

Um vizinho deu-nos o número do autocarro do Jai Singh. É 9094.

Disseram-nos que ele estava com o irmão em Mehrauli,

mas não confirmámos. Desapareceram.

- Encontrem-nos. - Sim, senhor.

Precisamos de uma imagem melhor do autocarro para mostrar ao Akash.

Há algo no Akash que me incomoda.

Como assim?

Não sei. Tenho um mau pressentimento.

Eles destruíram a rapariga.

Pior do que a morte.

Já vimos muitos casos, mas estes canalhas passaram todos os limites.

Vamos resolver este caso. Temos de apanhar aqueles canalhas.

Passa.

- Tem algo escrito? - Sim.

O que é?

Consigo obter uma imagem mais nítida.

A câmara é de alta resolução.

Esta é a imagem original. Não há mais nítido do que isto.

Um minuto. Com licença.

Veja.

Viagens Sirish.

Mandem mais agentes à paisana para o bairro Ravi Dass

para deterem o Jai Singh. Jai Singh!

Fala da Direção de Transportes? É da Polícia de Deli.

Precisamos de saber quantos autocarros com "Viagens Sirish"

estão registados na capital. Estou a falar com quem?

Tragam todos os condutores de autocarros com "Viagens Sirish".

E quem é este Sirish?

Ele está em linha, a procurar o Jai Singh.

- Parece ser este o autocarro. - Veja aqui! Veja!

Estão a ver? A jante da roda esquerda não tem tampa.

Pronto, passem estes pormenores

às equipas no bairro Ravi Dass.

O autocarro tem "Viagens Sirish" escrito,

a porta de trás está trancada e há uma estátua de Shiva.

- E... - Falta a tampa da jante da roda esquerda.

Falta a tampa da jante.

- Vamos ao bairro Ravi Dass. - O quê?

- Vai lá pessoalmente? - Claro.

É o nosso homem e quero estar lá quando o apanharmos.

A Polícia de Deli esteve lá duas horas e não fez nada.

A rapariga e o rapaz estavam lá caídos.

Pode ter sido neste banco que foram atacados.

Não sei onde vão buscar estes disparates.

As notícias estão a ficar descontroladas e os boatos proliferam.

A opinião pública está contra si.

Devia fazer uma conferência de imprensa para dissipar os boatos.

A subcomissária pode fazê-lo. Ela conhece os pormenores no terreno.

Está bem. Boa sorte.

Obrigado, senhor ministro.

O mesmo autocarro onde ontem um homem e uma mulher entraram

e onde ela foi vítima de violação coletiva.

Sim, havia seis pessoas, e o motorista também estava presente.

- Sim. - Vartika, os noticiários

estão a disseminar boatos, o que não ajuda nada.

Devia fazer uma conferência de imprensa assim que houver algum desenvolvimento.

Conhece os pormenores no terreno

e acho que seria útil se o ouvissem de si.

Não há problema. Farei isso esta tarde.

Ótimo. E acho que devia divulgar o vídeo

do autocarro. Deixar que o encontrem. - Não creio que seja boa ideia.

Porquê? Não é uma prova, apenas uma imagem, certo?

Mas, se os perpetradores descobrirem que vimos o autocarro,

vão tentar escondê-lo ou queimá-lo.

Se a população encontrar o autocarro, vai contaminá-lo

antes de lhe deitarmos a mão.

O caso acabará por ruir ainda antes de começar.

Garanto-lhe que antes do final da tarde

teremos o autocarro e o primeiro detido.

Até lá, não quero divulgar isto.

Se conseguirmos escondê-lo, devíamos fazê-lo.

Certo, não revele nada. Esteja preparada, caso a ataquem.

- Tudo bem. Estou preparada. - Ótimo.

E soube que a subcomissária anda por aí de fato de treino. É verdade?

Sim. Passei a noite em claro.

- Boa sorte. - Com licença.

Certo.

O Sr. Sirish confirmou

que o autocarro 9094 e o motorista, o Jai Singh, estão desaparecidos.

Ele confirma que a jante esquerda do autocarro do Jai Singh não tem tampa.

- Diz-lhe. - É verdade, senhor.

Mandei-o para o alfaiate. Ficará pronto daqui a poucos dias.

E, quando o usares, podemos sair, está bem?

ONDE TE METESTE? NÃO RESPONDES ÀS MINHAS CHAMADAS?

Quando é que isto vai terminar? Vai ficar tudo bem, em breve.

Já te pagaram o valor em atraso?

Não. Já passou um ano e está tudo na mesma.

Ele é terrível. Vou falar com ele.

Senhora, o autocarro.

Vão! Rakesh, pela esquerda.

Apanhem-no!

O que se passa?

Tem identificação?

- Sim. - Mostre.

Despache-se.

Jai Singh. Porque fugiu?

Vi gente a correr atrás de mim e fugi.

- O autocarro é seu? - Sou só o motorista.

Porquê? O que foi que eu fiz?

- Falamos na esquadra. - Diga-me o que se passou.

Tenha paciência.

Temos de levar o autocarro para lugar seguro, onde não o encontrem.

Que tal o Estádio Nehru? O administrador é meu amigo.

Perfeito.

Subhash, a equipa científica ainda está consigo?

Sim, estão a terminar.

Certo. Temos o autocarro.

Vou mandá-lo para o Estádio Nehru com a Vimla. Ninguém pode saber.

E não diga nada aos jornalistas.

Vá para lá com a equipa e certifique-se

de que só a sua equipa entra no autocarro.

Certo.

Vimla.

Sim.

Leva ao autocarro para o Estádio Nehru. A equipa científica estará lá.

Certifica-te de que ninguém sabe e que ninguém lhe toca.

Se for danificado por populares em fúria, estamos tramados.

Isto é divertido.

Ainda falta apanhar cinco. Não creio que vamos para casa esta noite.

Que seja. Mais importante do que isso, o que vamos comer?

- Banca do Ravi? - Não, demasiada gordura.

- Parece que agora usam óleo de coco. - Não me digas.

Vinod.

Na noite passada,

foram encontradas duas vítimas nesta zona.

Foram atacadas de forma brutal.

O caso está classificado como crime hediondo.

Senhora, em hindi.

A rapariga foi vítima de violação coletiva e o rapaz foi agredido.

Qual é o estado deles?

Não posso... Não estou autorizada...

Mas a investigação está em curso, estamos a fazer progressos

e esperamos resolver este caso em breve.

Estamos a fazer todos os possíveis para deter os agressores.

Só quero dizer uma coisa. Deixem a Polícia fazer o seu trabalho.

Assim que tivermos mais informações, informar-vos-emos.

Obrigado.

Olá, fala a Chandni. Deixe mensagem, por favor.

Bhupendra.

O telemóvel do Jai Singh. Obtém os registos de chamadas.

- Amanhã já os terei. - Precisamos deles hoje.

- Não sai até os termos. - Porquê hoje?

- Vou tentar. - Ouve.

Se fosse a ti, tratava disso já. Mãos à obra.

Sim.

Ela ainda está a dormir, a recuperar.

Não há novidades.

A família está bem. Eu estou aqui.

Certo, ótimo.

Escuta, temos um detido que vamos interrogar.

Se isso aí estiver calmo, vem cá.

Quero que vejas isto.

Certo. Vou verificar.

- Podemos fazer isto segundo as regras? - Como assim?

Cumprindo o protocolo, a forma correta.

Trata-se de justiça. O que tem o protocolo que ver com isto.?

Vamos tentar à minha maneira.

- Logo vemos. - Você é que manda.

O Akash?

Foi a casa buscar roupa com um agente. Voltará em breve.

O que aconteceu? Não fiz nada.

- O que esteve a fazer, hoje? - A trabalhar.

A sério? É feriado escolar e não foi à NIC. Onde esteve?

Que lei infringi? Não posso conduzir o autocarro?

Canalha, agora fazes tu as perguntas?

Não estou a perceber. Eu não fiz nada.

- Não fez nada? - Não.

Então, aceita ser identificado pela vítima do crime de ontem?

Nem pensar. Qual vítima? Quem é ele?

Então, recusa?

Primeiro, diga-me o que se passa.

Se recusar, isso poderá ser usado contra si.

Quer que registemos isso?

Sim, conduzo o autocarro 9094.

Levo os miúdos à escola e depois os funcionários da NIC, todos os dias.

- Onde esteve ontem à noite? - Com o meu irmão, em Mehrauli.

Fizemos uma festa, comemos frango e dormi lá.

O nome e o número de telefone dele?

Chama-se Dada, mas não tem telefone.

- Certo. E a morada? - Não sei.

Fizemos a festa no pátio dele e dormi lá.

A casa é pequena para todos.

Ele é porteiro na colónia.

- Quem mais lá estava? - O meu outro irmão, o Amar.

Onde esteve hoje?

Estive a dormir. Como foi feriado, fui à NIC,

depois almocei, estacionei na berma da estrada e adormeci.

O empregado de limpeza do autocarro?

Desapareceu.

Disse que o seu outro irmão, o Amar, também é motorista?

- Sim, é. - Onde está ele?

Não sei. Também desapareceu.

Não sabe onde está o seu irmão?

Ontem comeram frango e hoje ele está desaparecido?

- Não sei mesmo. - Não sabe mesmo?

- Deixe-me refrescar-lhe a memória. - Vinod.

Desde quando a jante não tem tampa?

Desde sempre. Passo a vida a dizer ao patrão para a meter.

Deixe-me ir. Estou inocente. Sou aleijado. Como poderia tê-lo feito.

Venham cá.

- Não está a resultar. - A história não bate certo.

Não sei. Temos gente em Ravi Dass a tentar encontrar o irmão dele.

- Vamos mantê-lo aqui. - Não se preocupe.

Podemos detê-lo por mais 20 horas.

Ele é deficiente. Não podemos continuar a fazer-lhe isto.

- O Akash? - Não.

Recusou ser identificado. Temos de fazer isto corretamente.

Sudhir, vem cá.

Sim, senhor?

O Jai Singh tem um irmão algures em Mehrauli.

Encontra-o. Mas primeiro vai a Ravi Dass para ver o que descobres. Discretamente.

Sim, senhor.

Eu vou com ele.

- Os registos de chamadas? - Estão prontos, ou não?

- Vão tê-los amanhã. - Tens uma hora, ou estás acabado.

Vais ser suspenso. Arranja-os.

Sim, diga.

O autocarro está limpo. Não encontramos nada.

Verifiquem bem. Tem de haver algo.

Mesmo que tivesse alguma coisa, foi bem limpo.

Não estão a procurar bem. Tenho a certeza de que foi ele.

Se não sabem fazer o trabalho, vou aí e faço-o.

Pelo amor de Deus, desfaçam esse autocarro e encontrem algo.

Certo.

- Podemos ir? - Esperem.

O tipo disse que estava sentado na quarta fila.

Ou seja, ali.

A rapariga foi arrastada para a parte de trás.

Ou seja, para aqui.

Talvez aqui.

Analisem bem estas duas filas.

- Gaurav. - Sim, senhor?

Conseguem retirar esta placa do chão?

Sim. Mas não temos ferramentas.

Devem ter uma chave de fendas.

Somos uma equipa científica, não mecânicos.

Tenho de ser eu a fazer tudo.

Se a subcomissária aqui aparecer, o sangue derramado será o nosso.

Vamos entrar.

Se este for o tipo errado, o certo já deve estar longe.

Todos sabemos que está a mentir. Diga-nos a verdade.

Já vos disse que estão enganados.

Falem com o meu irmão. Ele pode confirmar.

Disse que ele não tinha telefone.

Sim, mas podem levar-me até lá. Ficará tudo esclarecido.

Eu disse-vos.

Diga.

Encontrámos. Há sangue por todo o lado. É ele.

Ótimo.

- Os registos de chamadas. - Dá cá.

Isto é interessante.

Ontem à noite, às 21h16,

recebeu uma chamada de 13 segundos,

aqui em Hauz Khas.

Depois, às 22h04 e às 22h06,

recebeu duas chamadas de 51 e 25 segundos, aqui em Vasant Gaon.

Ontem à noite, o seu telemóvel esteve ativo na rota do autocarro.

Pode fugir ao sistema.

Pode fugir à Polícia.

Mas não pode fugir à sua fraca sorte.

Mentiu, ao afirmar que esteve com o seu irmão em Mehrauli.

Os registos de chamadas provam-no. E encontrámos sangue no autocarro.

Não, eu estava com o meu...

Legendas: Hernâni Azenha

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