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Original subtitles

STRAIGHT

Continua no controle

jogada curta, rápida, procurando bloqueios.

Mas não tem, que o parem.

Imediatamente fizeram com o wide receiver.

Por enquanto o placar é 34-0

E ainda no primeiro quarto, lá no estádio.

Bem, finalmente, vamos lá!

Abriu-se um espaço, oportunidade importante.

Grande jogada.

Obrigado. E você?

Não, ainda tenho. O jogo ficou bom, não é?

Gostei da decoração.

E do tapete.

Obrigado.

Essa foi a única coisa que eu comprei.

O resto é do apartamento.

Passou muito perto. Caramba!

Caramba! Ufa!

Quase entrou.

Quase completou a jogada, não é?

E você, torce por quem na NFL?

Eu torço pelo River.

Me desculpe! Achei que gostava de futebol americano.

Sim, também.

Gosto dos 49 pelo meu pai, mas...

Os Packers estão indo muito bem nesta temporada, não é?

Sim.

Quer pipoca?

Não, obrigado.

Bem, na conversa você disse que torcia pelo Cruz Azul, não é?

Aí contrário às sanções, o exemplo...

De acordo com as regras, terá que abandonar a jogada.

Bem, e aí?

Após isso ele conseguiu 9 jardas com este avanço.

E aí o quê?

Deixou seu time na segunda, termina avançando.

Está tudo bem, não é?

Sim, sim, está tudo bem.

Atenção...

- E agora? - Assim completo.

- Passou muito perto, caramba! - E agora?

Mas perdeu muita concentração.

Concordo, vamos ver a repetição.

Já tinha feito isso antes?

Sim, sim, sim.

- Terceira oportunidade. - Dois, três. Dois, três.

Bem.

E só para comentar que...

E aí...?

Vão fazer um intervalo, eles pediram.

Foi solicitado pela equipe novamente para o treinador...

conversar com o center deste jogo.

Mais uma vez

reclamou dos castigos, e imediatamente...

E aí?

veio essa jogada que evitou continuar avançando.

- Não é possível! - O quê?

Quem é?

Desculpa, desculpa, desculpa.

Não faça isso conosco.

- Vai atender? - Estão condenados a perder!

Sim, não vou demorar. Não vou demorar.

Acho que não. Relaxe! Relaxe! Falta muito.

E realmente...

Oi, amor.

E correndo o que sobra deste segundo quarto.

Sim, sim, me desculpe, sou desorganizado, mesmo.

Você nem imagina o quanto estou trabalhando.

O que é isso? Eles não param.

Porque tinha muitas defensivas...

Sim, sim, sim, sim. Vejo você amanhã.

Amor, preciso desligar, a minha chefe está me vendo.

Eu também te amo.

Beijos.

Pronto!

- Tudo bem? - Sim, sim.

- Acabei caindo. - Espere, vou ajudá-lo.

Não, não, não, está tudo bem.

Três jardas maravilhosas.

O jogo está bom?

Hmm, sim... sim.

Dando uma segunda oportunidade para seu time.

Quem era?

Para avançar, usando tempo para a ofensiva, treze...

- Minha namorada. - ...o restante para finalizar a jogada.

Ah!

Procura, procura. Continua sem achar.

Ela é legal?

Então ele joga e coloca de novo...

- Sim. - ...terceira oportunidade...

Sim, ela é bem legal mesmo.

Nossa, que ótimo, então ela não vai se importar.

Para bloquear o lance e ninguém... Não achou ninguém.

Cara...

acho que não é uma boa ideia.

Podemos fazer sexo a três.

O que foi? As mulheres gostam de sexo diferente.

Os homens vivem assistindo pornô de lésbicas...

Não, cara, não, numa boa, não fico à vontade.

Ei, pare.

O que o faz ficar à vontade?

Não sei. Futebol americano.

Ótimo.

Agora você vai conhecer "os packers".

Cale a boca, babaca.

Porta principal, aberta.

Oi.

Oi.

- O que foi que caiu? - Cerveja, meu amor.

- O que você trouxe? Comida? - Sim.

Tortas de tamal com molho verde.

Com certeza ainda não tomou café, não é?

Tortas de tamal?

O que foi?

Vendem do lado de fora do instituto de Nutrição.

- Amor! - Amor!

Massa e dumpling.

Oba!

Obrigado. Quero ver, me dê. Me dê.

Eu sei que você é muito chatinho,

nunca andou de metrô e bebe champanha no jantar.

Claro que andei de metrô.

Jura? Qual?

- Bem... - Nova Iorque não conta.

- Quem disse? - Eu.

Olha só. Você arrumou a máquina.

Sim, sim, finalmente.

Tem shoyu zero sódio?

Espere, não sei.

Há quanto tempo não vai ao supermercado?

Também não sei, amor.

Ah, lembrei. Voltando ao assunto da torta de tamal.

Acho muito bizarro, Elia.

Tipo aquela pizza de chilaquil.

- Não me chame de Elia. - Sabia que existem tortas de chilaquil.

- O que é isso? - Onde foi que eu vi? Acho que no Facebook.

Isso ficou verde, desculpa, preto.

Mas sendo bem sincero também soube que existem

- as quesabirrias. - Por que continua guardando isso?

Quesabirrias. Essas eu gostaria. Não vou negar!

Amor, você falou que não iria mais comprar comida congelada.

Eli, você parece minha mãe. Que saco.

O que você disse?

O que foi?

Você gosta de pizza de chilaquil.

Sou sua mãe.

É verdade, sou sua mãe.

Pergunto se já tomou café, foi ao supermercado,

se tem shoyu zero sódio. Exatamente, sou sua mãe.

Eli.

Ai, o casaco. Me desculpe.

Prometo não bagunçar mais nada.

- Eu guardo, sem problema. - Não agirei mais como mãe, prometo.

- Faça o que bem entender. - Ótimo.

- Se comer ou não, tanto faz. - Obrigado.

- Bem... não, coma, pode ser? - Combinado.

Mas não vou falar nada.

- Ótimo. - Combinado.

Combinado.

Não, não, não... você sabe que detesto cócegas.

Não, por favor.

Não, não, para começar a se comportar bem.

Pare, vou acabar com você.

Viu só no que dá tanta bagunça?

Me solte! Vou acabar com sua raça.

Jura, que medo, hein?

Deu amor, deu.

Está pronta?

Deu.

- Detesto você. - Amo você.

Venha.

Vamos ver.

Vamos mimar a bióloga, ela merece, não é?

Venha, por aqui.

Sim, sente-se.

- Deu? - As mãos aqui. Aqui.

Foi um dia ruim no laboratório, não é?

- Como sabe? - Eu conheço você.

O meu supervisor me odeia.

Ninguém odeia você.

Odeia sim, não tive nenhum avanço nas últimas três semanas.

Esse cara odeia mulher.

Se continuar assim, não vou terminar meu doutorado.

Você sabe quantas vagas tem no país para o que estou fazendo?

Amor, relaxe.

Até a Barbie Cientista pode ter um dia ruim às vezes, não é?

- Hoje tive que sacrificar a Britney. - A Britney?

Sim, não me chame disso.

Chamar como: Britney ou Barbie?

Estou brincando.

O doutor Green insiste em não colocar nomes nos ratinhos.

Mas eu adoro.

- São lindos. - Ah, a Britney é sua nova ratinha.

- Elia, onde você vai? Amor... - Sim, é muito fofa.

Amor, estou arrumando a mesa.

Não, amor, sempre comemos na mesa, por favor.

Vamos lá, já entendi. A Britney é a nova ratinha, não é?

- Sente-se... - Por que não podemos comer ali?

Porque não dá. Estou arrumando a mesa.

Espere, vou pegar água.

Tudo bem.

Voltando, então a Britney é a nova ratinha.

Sim, a nova ratinha.

Mas tive que sacrificá-la porque desenvolveu leucemia.

Asfixia com CO2. Que nem a Rihanna.

Só que a Rihanna aguentou um pouquinho mais.

Que bom que aguentou, não é?

Mas o que você está me contando não é tão ruim assim.

É o que acontece ao tentar desenvolver

uma vacina contra o câncer, meu amor.

Eli, me ouça.

Todo mundo sabe que você é uma bióloga incrível.

Só teve um dia ruim.

O ambiente no laboratório é muito pesado.

Também tem isso.

Quem é?

Hein?

Nada, amor, trabalho.

Vamos lá.

Sabe quem vai se casar?

A Sandra e o Benny. Em León. Mandaram o convite hoje.

O convite é para nós dois.

- Eli... - Férias.

- Amor... - Não daria mesmo?

Não daria.

Mas na segunda você ficou no escritório a noite inteira.

Amor, estou trabalhando até nos fins de semana.

- Gostou? - Do quê?

Dos jeans. Comprei ontem.

Ah. Gostei, gostei. São confortáveis?

Segunda rodada?

Segunda rodada.

Talvez tudo isso seja uma bobagem, não é?

Talvez.

Vou botar música.

- Ar-condicionado, ligado. - Não, não era essa.

- Sistema desconectado. - Uau.

Me desculpe, ainda não aprendi a usar essa porcaria.

Tanto faz...

Como foi sua semana?

Igual a todas minhas semanas.

Isto é, tudo bem? Provas, coisas do tipo.

- Talvez. - Talvez.

Então aproveite, porque de repente, sem perceber,

você vai ter que trabalhar das 7 da manhã à meia-noite.

Num banco de investimentos gringo na Torre Mayor.

Não, eu sou muito lerdo.

Puxa.

Inteligente e gosta de rock.

Não, não, não. Nada disso.

Os financeiros não são tão inteligentes.

As pessoas inteligentes não ficam ricas.

- Olhe só para a Elia. - Quem?

Elia.

Minha namorada.

Passa horas trabalhando, mapeando proteínas e sei lá o que mais.

E ganha menos do que o porteiro do prédio.

- Nossa... - Nós, financeiros

somos suficientemente espertos para perceber que vendemos

produtos imaginários.

Mas não tão espertos para perceber que

são imaginários.

Entendeu?

Claro.

Imagino você.

Sentadinho no seu escritório.

De frente para o Anjo da Independência.

Pensando como atrair mauricinhos para conseguir dinheiro.

Com essa gravatinha azul...

Entendi o sarcasmo.

Na verdade,

minha vista é uma parede com um cartaz escrito "sucesso".

Divido o escritório com quatro caras e um deles sempre conta

que era o galã do segundo grau

e agora tem uma barriga enorme, desse tamanho.

Outro é um vietnamita que mal e mal fala espanhol,

sabe dez palavras e três delas são:

"Mas que droga, cara".

Bem, são quatro.

Quero experimentar.

Hmm, que delícia!

Termine.

Esse emprego pagou o apartamento?

Não, não, eu alugo.

Talvez algum dia, vou ter que trabalhar muito.

Não sei, só assim vou conseguir comprar um,

como todo mundo faz.

E... o que mais posso contar?

Não sei.

Por exemplo, os RCBs,"Reverse Convertible".

É um bônus vinculado à evolução das ações...

É muito entediante, não é?

Não, não, não, eu curto mais Bitcoin.

- Prefiro segurança. - Segurança.

O Bitcoin é um produto muito mais instável,

mas entendo que você ache o mundo digital mais seguro.

Millenials.

Você não é Centennial?

E o que você é?

Boomer?

Espere, quero terminar de lhe contar sobre os RCBs.

É incrível como dá para vincular uma nota praticamente

a qualquer coisa que possa flutuar.

Por exemplo, o preço do euro, dólar, yuan, o clima,

percentagens de lances, até aquele jogo que assistimos da outra vez.

Certamente alguém apostou para ver que time...

Claro.

Sua vida é muito chata.

E aí?

O quê?

Vai me oferecer outra coisa ou...?

Continuaremos bebendo cerveja?

Você só vem para beber, não é?

Como eu ainda não posso comprar.

Como assim “não pode comprar”?

- Quantos anos você tem? - 17.

17?

Bem, 22.

Não, não banque o engraçadinho.

Me mostre sua identidade.

22... 22. 22 e 3/4.

Você não tinha 29?

- 32. - Como?

Achei que tinha 29.

Sim, menti.

Também não me chamo Pepe.

Meu nome é Roberto.

Todo mundo me chama de Rob. Prazer.

Prazer, Cris.

Puxa, seu nome não é: "já vou chupar, versátil 69"?

Só para sua mãe.

"Já vou chupar, versátil 69. Argentino".

Nisso eu não minto.

Sim, não mentiu nisso, nem em outras coisas.

Me desculpe por mentir no nome.

Mas que coisa essa questão dos nomes, não é?

E da idade também.

Tanto faz. Não é uma diferença tão grande, não é? Quantos anos?

Dez anos de diferença?

É como se eu saísse com um moleque...

Não fale assim, não precisa. Não precisa.

Doze.

E 3/4.

Bem, tanto faz.

Posso começar a chupar?

Vim fantasiado de lenhador para ficar à vontade.

Escolheu música sadomasoquista?

Não, espere, espere.

Era modo aleatório. Não fui eu que coloquei.

Aliás, não é assim que se bebe gim, sabia?

Agora sim, deu. Vou embora. Cansei.

- O quê? - Nada, está tudo bem.

Não, não, não, não, espere. Fique calmo.

- Está tudo bem, numa boa. - Não aconteceu nada, Cris.

Exatamente, está tudo bem. Eu sou muito otário.

Não, não, não. Você não é otário você não é.

Então?

Vem cá.

Venha.

Na semana passada, após ter ido embora,

você conseguiu viver sua vida normal?

Sim.

Você não?

Bem, é que eu...

vou botar música.

É que eu... me senti...

Me senti meio esquisito, sabia?

Me senti mal.

Porcaria de internet!

Sim, sim. Após você ir embora foi tipo...

Tipo quando você toma

quatro doses daquelesmezcales saborizados

e está curtindo muito, se sente bem,

e de repente

bebe a quinta e, opa!

Recebe uma porrada,

entendeu?

O que está fazendo?

Por que me conta isso se...

se nem sequer terminou a bebida...?

- Estou falando sério. - Tudo bem.

- Passou mal e daí? - Passei mal,

me deitei e fiquei com náusea.

Náusea?

Ficou com nojo de mim?

É claro que não fiquei com nojo. Foi psicossomático.

Psico o quê? Mas quanta besteira.

Por que não fala: "foi ruim para cacete" e pronto?

- Foi ruim para cacete. Pronto! - Pronto, isso aí!

Fique calmo.

Isso vai passar.

Isso não acontece quando beijo a Elia.

Só o que faltava!

Cris, estou sendo sincero com você.

Estou sendo sincero com você.

- Eu sou sua chacota. - Nem sei o que isso significa, cara!

Estamos conversando há um bom tempo e você só se afasta.

Não estou me afastando. Só estou sendo sincero.

- Não, não está sendo sincero. - Foi assim que me senti.

- Desabafe tudo. - Estou desabafando, cara.

- Não, precisa falar! - Silêncio, os vizinhos.

O que mais você quer que eu diga?

- Que gosta de mim. - Gosto de você.

- Muito bem. - O que mais? O que mais?

- Que ficou duro. - Sim, também fiquei duro.

- Ótimo! - É isso aí!

Pronto, desabafou! Por quê? Por que guarda tudo?

Por que guarda tudo?

- Deu? - Deu.

Ficou duro.

- Está tudo perdido? - Não.

Bem, vamos lá, não estou nem aí para a Elvira.

- Seu nome é Elia. - Sim, Elia, desculpa!

Não estou nem aí para seus assuntos,

sua náusea.

Venha.

Cris.

Você não devia estar com um rapaz da sua idade?

Um rapaz da minha idade?

Com um apartamento assim?

Sem roomies,

que me sirva gim fino antes de transar.

Se conhecer alguém assim, dê meu número para ele.

Continue. Gostei de ver você.

- Sim? - Sim.

Te amo.

Do que você gosta?

Com mais força?

Essa transa está uma delícia.

- Mesmo? - Sim.

- Me desculpe, desculpa. - Não, o que está fazendo?

- Gosto assim, com força. - Ok.

- Amor, o que está fazendo? - O que foi?

O que está fazendo?

- Achei que queria experimentar. - Não, não, não.

- Tudo bem? Vamos continuar assim. - Tudo bem.

- Espere. - Não, não, não. Não se mexa.

Não se mexa. Fique aí! Fique aí!

- Tudo bem. - Aí, aí.

São 9hr. Acorde!

Venha.

Te amo.

Eu também.

Ouça. Espere, espere. Antes de eu esquecer.

Confirmou nossa presença no casamento da Sandra e do Benny?

Não sei. Não me lembro. Por quê?

Porque a reserva no hotel Cantares

não é reembolsável.

Quatro noites?

Vou trabalhar muito para estar disponível.

- Quatro noites. - Sim, amor.

A não ser que o doutor Green ou seu supervisor não autorizem.

Vou mandar o doutor Green à merda.

Amor, isso é incrível.

Obrigada.

Te amo.

Eu também.

A Sandra e o Benny vão morar em San Luis depois de se casar.

Vão morar na casa dos pais do Benny para economizar dinheiro,

enquanto ela termina o mestrado.

Estão namorando há um ano.

E já são uma família de quatro.

E você e eu nem sequer moramos juntos.

Eli...

Daqui a pouco vamos fazer 40.

Amor...

não exagere.

Faltam séculos para termos 40. Séculos.

Não, não faltam séculos.

O tempo passa muito rápido.

Você já tem fios brancos. Vi um da outra vez.

Sei, como foi seu dia no laboratório?

Ah, como sempre.

Hoje o meu supervisor...

- Mal. - Sinceramente ele me detesta.

E se a gente sair hoje? Não saímos quase nunca.

Sim.

Sim, sim.

Isso é cortesia da casa?

Só para os amigos.

Quer experimentar?

- O que é isso? - Arsênico.

Ofereça um para a moça lá de trás que

está rindo que nem uma bruxa.

- Bem, tim-tim, meu amor. - Obrigada.

O quê?

- Não brindamos direito! - O que foi?

- O quê? - Ah, já entendi.

Não disse nada.

- Eli. - Tudo bem, "só para amigos".

- Amor, faz favor. - Gostou de você.

Você está muito popular hoje.

Hmmm?

Convide-o.

- Quem? - O Cris, ele está escrevendo.

Não, não, não, não, meu amor.

Não, não, esse cara, só gosta de futebol.

Nada a ver.

Mas me conte. Está tudo bem no laboratório?

- Foi um dia ruim? - Não, sou muito chata.

- Eli, me conte. - Não, tudo isso é muito chato.

Me conte.

O meu supervisor me odeia, é um fato.

O meu supervisor me odeia.

Hoje morreram mais dois ratos no laboratório,

e nem sequer tive tempo de lhes dar nome.

E ele vai achar que não estou trabalhando o suficiente.

Não vai achar isso.

Não, pior ainda, vai achar que sou muito burra.

Ninguém vai falar isso.

Não, ele acha que todas as mulheres são burras.

Os homens não entendem como as mulheres são

estereotipadas como "mandonas, histéricas ou burras".

Após a Celia ter sido demitida sou a única mulher do laboratório, sabia?

Todo o resto são homens.

Bem, e o Patrício.

Patrício.

Patrício do meu laboratório. Gay.

Eu já desconfiava.

Que estranho. Achei que paquerava comigo.

Mas ele é gay.

Isto é, acho incrível. Mas por que achou isso?

Não sei.

O que achou incrível?

Ah, não sei porque...

E por que não?

Gostei do arsênico.

Você acabou de falar de não estereotipar.

E depois fala que acha incrível ele ser gay.

Eu não estou estereotipando.

Não, eu só estou dizendo que sinto muito orgulho dele.

Por quê?

Ele apresentou seu namorado ao doutor Green.

Ah, você acha "fofinho"?

Bonitinho, não é? Pato, o gay do laboratório.

- Obrigado. - Você conhece a Elia?

Ela trabalha num laboratório.

É uma cientista brilhante. Brilhante!

Nos orgulhamos muito dela.

Parabéns.

Vamos conversar.

Eu não disse isso.

- Por que está a fim de brigar? - Não quero brigar.

- Você quer brigar, sim. - Não quero brigar.

Vamos lá, eu só acho que

hoje em dia é um ótimo momento para ser gay, só isso.

Entendeu? Há uns dias

jantei com o Pato e seu namorado

e eles se amam, se dão...

- Que bom! Que ótimo! - Sim.

Eles vão morar juntos em breve.

Uau!

Eu acho que me dou melhor com gays.

Jura?

Então você se daria melhor comigo se eu fosse gay?

Por quê? Quer me contar alguma coisa?

Sou gay.

Sim, eu sei.

Sempre arrumadinho.

E penteadinho.

Você adora aqueles filmes da Pixar e até chora.

Mais alguma coisa?

Sr. Incrível, gostou da dose?

Você é mais tipo Wally do que Sr. Incrível.

É verdade.

Você chora nos filmes da Pixar?

Gosto deles.

Mais alguma coisa?

Sim, sim.

Uma casa, dois filhos e um Golden retriever.

Para viagem?

- Pipo. - Pipo?

"Pipo", quero que o nosso cachorro se chame Pipo.

Mas que não solte pelo.

E os nossos filhos?

Nico.

E “Espe”?

Pelo Nico e Esperança.

O azul,

agora o azul está jogando no seu campo.

Linderos de Aria, levando a bola pelo lado direito.

É assim que se joga.

Manotas, como você está?

Tudo ótimo, na verdade...

Sabia que...

- estão jogando com calma... - Batatinha?

na hora de pegar a bola

na minha... opinião eles vêm jogar aqui e

precisam jogar com mais dinâmica.

O problema é que estão fazendo muitas pausas.

Obrigado.

Quem está jogando?

Argh, é um time da Segunda Divisão.

- ...deste jogo. - É o Cruz Azul.

- Exatamente. - Como assim Segunda Divisão?

Que porra é essa?

Assistem na América do Sul.

Estão nos vendo. Corra, corra.

Pela privada.

- Sem dúvida alguma, sem dúvida. - Tem alguma coisa mais forte?

Nossa! A minha cerveja não é suficiente?

Não sei. Amanhã é sábado, não vamos fazer nada.

Acho que tenho bastantes coisas:

não sei, uísque, mezcal.

Me mostre!

Os famosos mezcales saborizados do Roberto.

Deixe-me ver...

Joga a bola lateralmente.

Veja só, tenho champanha, já experimentou?

Como eu sou bobo! É claro que já experimentou, não é?

Na Argentina certamente bebem muito champanha.

Como conseguiu se livrar da sua namorada todo o fim de semana?

Não fale assim, cara.

Ninguém se livrou de ninguém.

Ela queria visitar sua mãe.

Por que comprei champanha?

Não gostam de pão?

Sim?

Beba esses dois.

- Dois para mim? - Dois para você.

Mesmo?

Aqui está o primeiro.

Foi quase gol, mas que droga.

- Por enquanto fez uma... - Eu falei.

Times de Segunda Divisão.

O que é isso? Um relógio?

- Não. - O quê?

Você é a única pessoa do mundo que conheço que usa relógio.

- ...com o mezcal porque este aqui... - É a idade, não é?

- A idade. - A idade.

Quero ver. Consegue baixar música? O que ele faz?

- Ha, ha, ha, ha. - Ha, ha, ha, ha.

Espere, estou com as garrafas na mão.

Está com as garrafas.

Cris! Cris! Não, não, não.

Não, cara, vamos...

...beber isso aqui antes.

Pode ser?

Precisa ficar bêbado para eu chupar você?

Beba toda a garrafa então, para ver se fica com tesão.

Cris, melhor nem começar.

Melhor você nem começar.

Após dois meses acho tudo isso...

Essa aqui.

Vamos lá...

Já sei. Já sei, tive uma ideia.

Por que não

conversamos

até o ponteiro pequeno, que é esse aqui,

chegar às nove?

Tim-tim.

É aquele saborizado?

Não, na verdade eu gosto puro, um gole só.

Pelo jogo ou ir embora...

Foi você mesmo que disse.

Calma aí, Cris. Eu só quero beber numa boa.

Foi você mesmo que disse.

- Ele está tentando fazer alguma... - Mas que idiota!

Ainda não conseguiu engajar.

- Depois de um tempo você se acostuma. - A quê?

Não aguento mais esse jogo, Manotas.

A beber.

Caralho, está fazendo jogos de palavras?

Há mais de meia hora, sou argentino. Vale por dois.

Como assim? O quê... Você é um moleque de 15 anos?

Tenho 15 e 3/4.

Vão trocar algum jogador no segundo tempo.

Um pouco mais de energia,

dinâmica, engajamento.

E aí...

quais são seus planos para o fim de semana, isto é... além disto?

Há quanto tempo se importa comigo?

Ah, não, não, não, Eu só perguntei por...

Perguntar.

Curiosidade.

Quando você percebeu?

O quê?

Que gosta de transar com jovens universitários.

Não sei. Não sei.

Acho que eu sempre soube, mas não... entendia bem o que era.

Era seu pinto.

Nossa, hoje você se superou.

Eu acho que percebi no segundo ano.

- Do ensino médio? - Hmm.

Do ensino fundamental.

Nossa.

Está com calor? Não, não, não, espere, espere.

Tem ar-condicionado. Vou ligar e aí...

Já aprendi a usar.

Não.

Ar-condicionado.

Não, não, não.

Que saco!

Não! O técnico não explicou direito, falou que era o verde.

Mas que droga!

Lembra do primeiro homem pelo qual se apaixonou?

Espere, não saia assim, vai pegar friagem.

Ar ativado.

Friagem?

Ninguém fala "friagem".

Puxa.

Era um cara do terceiro ano.

Ervilha!

O chamávamos de "Ervilha".

- Ervilha? - Sim.

Ele era gostoso?

Não sei.

Bem, na verdade era gostoso, sim.

Tinha uma bunda enorme.

Jogávamos no mesmo time de fut... Mano!

O que está fazendo? Tire isso.

Bom, tudo bem...

descreva para mim.

Está falando sério?

Não, mentira.

Ele era grandão.

Tinha mais pelo com 15 do que eu com 25.

Era bom em tudo o que fazia.

Tinha seu próprio clube de fãs.

Puxa!

Eu era o presidente.

Ele não sabia.

Claro. Fazia tudo direito, nota 10.

Loiro.

Loiro é óbvio.

- Vocês transaram? - Não.

Não, ele era straight.

Straight?

Claro.

Falei que ia pegar friagem.

- Você está bem? - Sim.

Então...

O Ervilha era straight?

Sim.

Straight como você?

Straight como você? Como você?

Como você?

Straight como você?

Como você? Straight como você?

Esse não é seu martelinho, cara.

Com certeza ela já se casou.

Com certeza.

Que desperdício!

Quantas pessoas no mundo sabem que você faz isso?

Não sei.

Acho que só os caras que ficaram comigo.

Só se algum deles estava bêbado e não lembra mais.

E quantas pessoas da sua família?

Nossas chances de transar são cada vez menores, não é?

Responda.

Não sei, não sei...

Você sabe, sim, Cris.

- Não sei. - Sabe sim, Cris.

Claro que sabe.

Só que se você me contar,

não seria mais o Cris,

aquele rapaz bonitão que vai à faculdade,

- não usa relógio, que teve duas namoradas... - Seis.

para se transformar no Cris gay.

- Acho que não tem nada a ver. - É que...

não suportamos a ambiguidade.

Nossa sociedade obcecou-se em dicotomizar.

Se um cara straight se envolve com outro cara,

então ele já é gay.

Apesar de curtir muito passar a maior parte do tempo

com uma moça incrível.

Vendo por exemplo o Cruz Azul.

Não, não, não. Vai se ferrar!

Não dá para ter as duas coisas.

Você está exagerando.

Você não entendeu, Cris.

Não, não entendo.

Não entende por que a sociedade exige que você seja gay o tempo inteiro.

Bem, eu só sei que no meu caso, se os meus amigos

conhecessem você, não haveria nenhum problema.

Sim, sim, claro. Claro.

- E os seus também. - É claro.

Seria como... ter achado o grande ovo de Páscoa gay,

nesta caçada contra os gays. Quem poderia ser gay?

Esse bartender poderia ser gay.

O futebolista poderia ser. Nosso presidente

- poderia ser gay. - Eu poderia ser gay.

Todo mundo acha que ser gay é tipo ir ao... ao Japão.

- Japão? - Sim.

Sim, aquela viagem que você faz para descobrir quem você realmente é.

E como é que a outra metade do mundo vive.

Nossa, você foi muito corajoso indo ao Japão.

Era na Índia.

Índia, Japão, tanto faz!

Eles ficam apavorados,

se não estivessem apavorados,

não falariam: “como você é corajoso, por ter saído do armário.”

Por que seria corajoso sair do armário?

É como pular de paraquedas, velho.

É medo de morrer.

Não sei, Rob.

Antes os homens só podiam se casar num estado.

Sim, eu sei, aqui... mas... O que isso tem a ver?

Bem, não sei bem o que tem a ver.

Às vezes sou meio lerdo.

De mão beijada para o goleiro.

Sim, faltou potência. Colocar melhor.

O Cruz Azul perdeu.

...uma perna menos habilidosa.

Posso abrir o champanha?

Sim.

O treinador que é frouxo porque não exige nada dos jogadores.

Cris, champanha não se guarda no congelador.

Coloquei na bancada com gelos à direita.

Viu só? É isso aí que eu quero.

Cada um cuida da sua vida.

Sem a pressão de precisar dar explicações.

Você só queria transar, jogar futebol,

tomar champanha.

Ei, ei, para de beber!

- Só mais um golinho. Só mais um. - Não, Cris.

Que nem o Sócrates.

- Sócrates? - Ou era o Hércules?

- Que assunto é esse? - Não, não, estou falando sério.

- Sim. - História da civilização,

a única aula que eu não peguei no sono.

Um milagre.

Não, não me enrole, otário.

- Estou falando sério. - Eu também estou falando sério.

História da civilização. Grécia antiga.

O rei filósofo queria transar com outro rei filósofo no banheiro.

- Fale baixo, os vizinhos... - Nas águas termais.

E de noite voltavam com as esposas, os filhos, os afazeres.

Você deveria ser grego.

E eu seria um bom filósofo, se fosse um pouco mais esperto.

Você é esperto, mas está bêbado.

Não, não, não estou bêbado. Estou ótimo, veja só!

Estou ótimo. Posso falar, fazer de tudo.

Você seria um bom grego, é muito inteligente.

Bastante inteligente.

Já falei que não sou tão inteligente.

Você é sim. Você é velho.

- Conquistou tudo. - Pare com a encheção de linguiça.

- Não fui eu que falei. - O quê?

Vai continuar com esse seu duplo sentido?

Mas que duplo sentido?

Cara...

acho que...

Acho que deu. Está na hora de você ir embora.

Sacou?

Venha.

Quem é você, minha mãe?

Todos deveriam ser como o Sócrates. Mas que droga!

Tudo bem, mano.

Estou falando sério, mano.

Você sabe o que fizeram com o Sócrates?

- Com quem? - O Sócrates,

o que os atenienses fizeram com ele.

- Nós não íamos transar? - Não sei, Cris.

Não, não, não. Acho que agora deu.

Você não quer?

Vamos ver,

o ponteiro pequeno diz que são...

Nem sequer saber ler as horas.

- Sobram algumas horas. - Deu.

Vai de Uber?

Você não quer ser gay, não é?

Não.

Na verdade, não.

Claro, entendo.

Eu também não.

- Mas sabe duma coisa? - Hmm?

Nas minhas piores

bebedeiras,

nas mais deprimentes,

eu só quero dançar.

Cara, os vizinhos certamente estão dormindo.

- Não quer dançar comigo? - Pare. Não.

- Não quer dançar? - Pare, Cris, por favor.

Bem, eu quero.

- O que está fazendo? - Eu quero.

- Eu quero dançar. - Cris.

Quero desfrutar.

Quero ter um dia...

Veja só, achei um cachorrinho. Me dê isso.

Quero ter um cachorrinho.

Tome cuidado, é um champanha muito bom.

- Quero que todo mundo... - Não chacoalhe.

...goste do meu cachorro.

O nome do cachorrinho é Lisa Mariah Carey.

Então eu saio para caminhar...

em Polanco

com a Lisa Mariah Carey.

Todo mundo olha para mim.

O cachorrinho e eu.

Às vezes o cachorrinho também cumprimenta,

às vezes late...

E às vezes canta.

Quer que eu cante?

Cantar músicas da Pixar, não é, cara?

Não sei.

Vamos ver.

Entenda, eu disse não!

Cara, os vizinhos.

Cara...

Cris, pare. Não sou dono do prédio, cara.

Cris.

Ai!

Você é muito macho não, é? Muito macho não, é?

Bicha, menina, você é veado, não é?

- Você é muito macho não, é? - Baixe o volume, cara.

Bicha, menina, você é veado, não é?

Você é muito macho não, é? Muito macho não, é?

Bicha, menina, você é veado, não é?

Você é muito macho não, é? Muito macho não, é?

Pule!

Bicha Quem não pular, quem não saltar

Bicha Quem não pular, fizer bagunça

Bicha Quem se contentou

Bicha Quem não se queixou

Bicha Quem nos tira a batata

Bicha Também quem o tapa

Bicha Quem não faz o que gostaria

Bicha Você nasce bicha, você morre bicha

Vamos brincar Acabar com a bicha

O que esse filho da puta quer? Ele vai chorar, ele vai chorar

Vamos brincar Acabar com a bicha

O que esse fofoqueiro quer? Ele vai chorar, ele vai chorar

Bicha

Bicha

Bicha

Bicha, bicha, bicha

Bicha, bicha, bicha...

Ar-condicionado, ativado.

- Porta principal, aberta. - Oi!

Eli!

- E aí, Ro? - E aí, Eli?

Amor. Desculpa pela... bagunça!

Não sabia que viria. Você não me avisou.

O café da manhã foi curto, não é? Sua mãe está bem?

Fiquei até tarde no escritório

- e aí o pessoal me chamou. - Não consegui escapar.

Claro, e aí beberam muito e caiu muita bebida no chão.

- Mas o que é isso? - Amor, eu falei para eles.

- Olhe só! - Falei que você não gostava de bagunça.

Que horror!

Pelo menos abram a janela, meu Deus!

Bem, pelo menos alguém acabou com o TOC do Roberto.

- Amor, espere, eu ajudo. - Não, não, não, está tudo bem.

Bem, e pelo menos tomaram café?

Hmmm, não, não, não. Não estou com fome.

Eu estou, com um pouco de fome.

- Mesmo? - Não, não, estamos com muita ressaca.

- Tudo bem, tudo bem. - Ok.

Acho que o Roberto falou sobre você.

Sim.

- Ele também fala muito sobre você. - Jura?

Sim.

- Rápido. - Me desculpe.

Que falta de educação.

- Elia. Prazer. - Tudo bem, Cris?

- Bem, Cris, era para você ir... - Amanhã.

Não, como assim amanhã? Você disse que era hoje.

Pare, não o incomode. Ele está com muita ressaca

após a rave que tiveram.

Claro, estou com muita ressaca após a rave que tivemos.

Me desculpe, Elia, por estar desse jeito.

Ah, não, não, está tudo bem.

O Ro precisa se divertir.

Sim, sim, sim.

Ontem bebemos como se tivéssemos vinte anos, não é?

Mas você não estava no escritório?

Sim, amor. Sim, sim, estava no escritório.

Ontem saí bem tarde, mas esse cara aqui é uma má companhia.

Não, não, não.

O Ro não fez nada que não quisesse fazer.

- Conte. - Sim, me conte.

- Eu... - Me conte.

Mezcal, mezcal. Um monte de mezcal, Eli.

Vou pedir um Uber para você, Onde está o meu celular?

Não, como assim vai pedir um Uber?

Estou preparando o café da manhã.

Eu não estou com fome, amor.

Nem ligue, fique aqui.

Tudo bem. Você merece novos amigos.

Eu também. E precisa tomar café.

O que vocês querem?

Omelete? Do que gostariam?

Froot Loops, você tem?

- Froot Loops? Sim, são deliciosos. - Está falando sério?

Não, não tenho “Fruti Lupis”.

“Fruti Lupis”!

Pare, sua namorada está preparando café da manhã.

Também não tenho ovos, Eli.

- Claro, com certeza. - Vamos ver.

Verdade, não tem ovos.

Não tem nada.

Se importam se a gente pedir alguma coisa para comer?

Rápido!

Não, claro que não nos importamos.

Na verdade, o Rob falou muito sobre você.

- Jura? - Falou que você era “CDF”, não é?

Não. Não, não, Eli, eu não disse isso. Não disse isso.

Mas eu sou “CDF”, qual é o problema?

Eu só disse que você estudava muito.

Estou terminando meu doutorado.

- Falta um ano. - Ah, que bom.

No quê?

- Genética. - Puxa, que legal.

- Tipo X-Men? - Exatamente.

Não, como assim "exatamente", Eli?

Não, não, não. Não tem nada a ver com X-Men.

Vamos lá.

Estudo a metilação no ácido desoxirribonucleico.

Nós queremos isolar os processos químicos que vinculam

o que está predisposto geneticamente

nos fatores ambientais.

Claro.

Criação versus natureza.

Exatamente.

- Ele é esperto. - Sim. Sim, muito esperto.

Não falei?

Eu falei que minha namorada era a...

a Barbie Cientista.

Bem, vamos começar o dia, não é? Vamos lá!

Sim, cromossomas são demais. E não me chame disso.

Desculpe, Elia... continuar falando sobre isso,

- mas é muito interessante. - Eu sei.

Se eu quisesse mudar a minha personalidade, por exemplo.

- Poderia? - A personalidade?

E aí, vocês vão...

Vocês vão ficar aqui conversando, numa boa?

Eu não tenho nada para fazer.

Eu também não tenho.

A Mimi e a Ilse terminaram a quimio.

Não controle.

Flans. Como é culto.

Nossa! Adorei ele!

Sim, sim, é um pentelho muito fofo.

Bem, vamos lá, quando falamos de coisas pouco precisas

como a personalidade, qualquer coisa no seu ambiente.

Estou falando do ambiente celular, isto é qualquer coisa

no seu DNA ou RNA, qualquer coisa,

pode afetar sua expressão genética, após algum tempo.

A influência da sua família, dos seus pais,

se você fuma ou bebe, tudo pode afetar.

Isso se chama epigenética.

- Coloque o casaco. - Veado.

- Veado! - O que você acha, Ro?

Do que a Elia explicou? O ambiente é muito importante

para questões genéticas. O que você acha?

Os Patriotas estão perdendo.

Elia, mais uma pergunta.

Se, por exemplo, o Ro

quisesse mudar muito algum aspecto da sua personalidade...

Hmmm.

Por exemplo. Sei lá,

ele levanta um dia de manhã e plim, plim, plim,

ele muda.

Seria possível?

Hmm...

Acho que o Ro está bem do jeito que ele é.

Sim, concordo totalmente,

mas seria possível?

Bem, acho que estamos bem presos à genética.

Isto é, podemos tentar nos opor, mas...

Claro.

Mas mudar a personalidade...

Eli, amor, você não me contou como está sua mãe?

- Então? Ela está bem? - Sim, tudo bem.

- Sim. - Elia,

ontem conversamos com o Ro sobre isso...

Sobre DNA?

- Jura? - Sim.

- Puxa, que legal! Adorei! - Também não foi...

Não, não, adoro quando acham o DNA interessante.

É incrível. A área de pesquisa é enorme.

Mas me conte uma coisa...

- Você é amigo do Ervilha? - Do Manuel.

Do Manuel, que... nós chamamos de Ervilha.

Um cara que a gente chamava de Ervillha no ensino médio.

- Nunca falei sobre ele. - Hmm.

- Sou estudante. - Você é estudante?

- Hmmm. - O que você estuda?

- História. - História?

Legal! O que está fazendo?

- Mestrado? - Como?

Quanto tempo falta para você terminar?

- Dois. - Dois anos?

Puxa, seu mestrado é longo, parece bem mocinho.

Sim, Sim. É verdade,

vivem pedindo a minha identidade.

Certamente também acontece com você.

- Não para ela ninguém pede. - Faz favor, não é Cris?

- Mas você é...? - Argentino.

- Argentino, sim. - Sim.

- Nem dá para perceber, né? - Estou há alguns anos aqui,

mas já falo com duplo sentido.

Jura? Nossa, duplo sentido,

caso não for banqueiro, é o paraíso.

Droga! Droga! Droga!

Que horas são? Que horas são?

- O quê? - Onde está o meu celular?

- Que horas são? - Não sei, veja no relógio.

- 13:30. - Como assim 13:30?

- Não é possível! - O quê?

Não é possível! Esqueci de que... recebi um e-mail da minha chefe,

ela me pediu para ir ao escritório às 14:00.

- Jura? - Sim, amor, juro.

Achei que podia ser uma coisa...

Achei que ia ficar pronto para entregar na segunda-feira.

Mas é que...

É que é uma coisa que... era para entregar na segunda,

mas precisa ficar pronta antes,

porque pelo fuso horário, as coisas...

- Não. - Bancos gringos, essas coisas .

- Não, amor, não. - Como assim “não”, amor?

- Diga que não pode. - Não posso dizer “não”,

e ainda menos agora que estou sendo avaliado.

- Mas é domingo. - Eu sei que é domingo, amor,

- eu sei que é domingo. - Odeio sua chefe.

Bem, isso eu falo amanhã...

mas hoje não vai dar porque estou sendo avaliado.

Bem, é isso,

sinto muito ter que ir embora.

Boa sorte.

Como assim?

O quê?

- Você ia para o... - Não.

Isso lhe incomoda?

- Sim. - Não!

Não, como assim “não”, Eli?

Não faz mal.

Sim, sim, sim. Vamos pedir um delivery para o café

Eu já tinha prometido.

Bem, seria mais almoço, não é? São 13:30.

- Você também usa relógio? - Hmmm.

Sim, eu não preciso ir ao laboratório.

A Ilse e a Mimí terminaram a quimio.

- Ivonne? - Morreu.

Hmm. Não controlou.

Sabe de uma coisa?

Que vá tudo à merda, tudo à merda.

essa merda de banco, à merda tudo.

- Vou cancelar. - Não!

Não vou, não vou mais!

- Mas como assim? - Vou ficar aqui, ponto final!

O que está fazendo, cara?

Eles podem me demitir se quiserem, à merda.

- Não. - Você pode chegar mais tarde.

Não vou chegar mais tarde.

- Não vou chegar tarde. - Você detesta chegar tarde.

Deu!

Tudo bem, você tem que ir trabalhar.

Vá, nós vamos ficar aqui.

Então está bem. Ok.

Sim.

Ótimo.

Então eu vou.

Sim.

Compre alguma coisa na volta, ouviu? Porque você fica muito chato.

- Ele fica chato, não é? - Fica.

Tudo bem.

- Tchau, amor. - Tchau. Te amo.

Te amo.

- Porta principal, aberta. - Tchau.

Ele trabalha muito, não é?

Sim, mas eu também, sabia?

- Mesmo? - Sim.

Desculpa. Vou colocar as calças.

Sim, somos workaholics.

- Há quanto tempo namoram? - Desde que comecei o mestrado.

- Puxa, um monte. - Ahã.

- Que legal! - Sim.

Certamente compartilham tudo, juntos há tanto tempo.

Ah...

- Sim. - Que bom.

Sim. Por quê?

Nada, não, vocês não têm segredos? Nada?

Bem... não.

Dá para ver que vocês se respeitam muito.

Sim, mas não moramos juntos, por exemplo.

Você acha estranho não morarmos juntos?

Sim, acho bem estranho.

- Sim. - Acha mesmo?

Acho, sim. Há quanto tempo estão juntos?

- Seis anos. - Seis anos?

- Isso. - Puxa, muito tempo.

- Sim, eu sei. - Estranho, bem estranho.

Estranho, muito tempo mesmo.

Mas, por quê?

Já tentei conversar com ele várias vezes e...

Mas talvez você consiga me explicar um pouco melhor.

Explicar melhor o quê?

Essa história... essa história de morar juntos.

Por que um homem de mais de 30 anos

pira quando sua namorada pede para morarem juntos?

Bem, acho que antes precisam

se conhecer melhor, não é? Para morar juntos.

Principalmente para...

para não ter surpresas, não é?

Não, é pelo... pelo...

É... pelo trabalho dele. Entendeu?

É o trabalho dele.

E... a chefe dele, ela o explora muito.

E...

a vida é assim mesmo.

- A vida é assim mesmo e... - A vida.

Relacionamentos são assim mesmo.

Relacionamentos longos, não é?

Precisamos aguentar os momentos difíceis

e saber que tudo passa.

Relacionamentos são assim mesmo.

São alianças, são paciência.

A gente aprende isso depois de um tempo.

Não é?

Você gosta muito dele, não é?

- Sim. - Sim, dá para ver.

Eu falo um monte, não repare.

Não, não, não se preocupe.

Estou indo.

Como assim?

Sim, sim, sim, sim.

- Vou... - Já vai embora?

- Sim. - Vou acompanhar você.

- Sim. - Sim.

Tchau, Pedro.

Pichardo, no centro, para fora.

- Está de carro? - O meu...

- carro está aqui perto. - Ah.

- Tudo bem, se cuide. - Tchau.

Oi, amor.

Você está linda.

Tudo bem?

Muito bem, e você? Como foi seu dia?

Muito bem. Você está lindo, amor!

E aí? Evitou a...

morte do Yuri?

Sim, evitei, sim.

Mas preciso lhe contar uma coisa importante.

Não é Yuri, é Belinda.

- Puxa, que boa notícia, não é? - Sim.

- A Adriana vai deixar o apartamento. - A Adriana?

- Hmm. - Por quê?

Porque...

Não sei, vai deixar a escola e voltar para Querétaro.

Mas tanto faz, é uma coisa boa, não é?

- Boa noite. - Boa noite.

- Querem ver o cardápio? - Obrigado.

- Obrigada. - Por favor.

Obrigado.

Aceita vinho, senhor?

Não, por enquanto não.

Bem, aceito um pouco, sim. Obrigado.

Você não entendeu?

Não, não, amor.

- O quê? - A Adriana vai sair do apartamento.

E o que você vai fazer?

Como assim o que vou fazer?

Amor, você não consegue pagar o apartamento sozinha.

- Exatamente. - Você já perguntou?

Talvez alguém no laboratório precise de uma roomie.

- Um aparta... - Vai sair em março.

Amor, exatamente, eu não me lembro muito bem,

mas o contrato termina em junho.

O que vai fazer de março a junho? É muito tempo.

Está fingindo que não entende?

Não, amor, não estou fingindo.

A Adriana está de sacanagem. Por que não conversa com ela?

Não entendo por que você está contente.

O seu contrato termina em março.

Não, Eli.

Não.

- Moço! - Pois não.

Como assim, “não”?

Não, não, não, nos desculpe. Pode voltar daqui a pouco?

Claro.

É ótimo. O momento é ótimo.

O momento é ótimo para quem?

Como assim para quem? Ela vai embora em março.

O seu contrato termina em março.

É... é uma péssima ideia.

Pronta para pedir, moça?

Eu quero o crepe dehuitlacoche, por favor.

Ótimo.

E para você?

Não sei, o que você sugere?

- Bem... - Você pode sugerir morar

com a namorada, não é?

Numa boa, depois de seis anos.

Tipo, não é obrigatório, mas...

Não seria absurdo.

Não é?

Traga o mesmo prato que eu pedi.

Com licença.

Moramos em bairros vizinhos.

Sei, se fôssemos de helicóptero,

- chegaríamos em dois minutos. - Exatamente.

A gente se vê duas ou três vezes por semana.

Se morássemos juntos, poderia vê-lo nem que fosse às 2 da manhã,

voltando das suas reuniões...

Amor, estou trabalhando muito.

Às vezes chego muito cansado e só quero dormir.

Faz parte da vida em casal.

Não sei se é a hora certa.

Então, quando será?

Elia, vim até aqui por você, no centro da cidade.

Não veio até aqui por mim.

Arrumou um emprego e valia a pena se mudar.

Mas por que você quer estragar as coisas?

Lembre-se de que foi você que quis

- morar com uma roomie. - Seis anos atrás.

Então morar juntos “estraga” as coisas?

Estou fazendo alguma coisa errada.

Estou fazendo alguma coisa muito errada. Obviamente.

Não está fazendo nada errado.

Todo mundo acha estranho.

Quem é todo mundo?

- Quem é todo mundo? - Shh.

A porta está fechada.

Quanto tempo vamos ficar assim, Ro?

A varanda está aberta.

Ro?

Me desculpe, Eli.

"Me desculpe", por quê?

Por que essa reação? Não estou entendendo.

Falar sobre morar juntos é quase...

um tabu. Um sacrilégio.

É... é... tipo...

- caminhar sobre... - Não achei que fosse tão importante.

Como assim?

Já conversamos três vezes sobre esse assunto em três anos.

E nessas três vezes...

Ou você é um sociopata

ou... tem alguma coisa errada e... você não quer me contar.

Nem sei por que você me suporta.

É o seu trabalho.

- É o banco. - Não, não...

não é o meu trabalho.

Você sabe que não me importo com trabalhar tanto.

Eu também sou assim.

- E estou feliz porque... - Você está feliz?

Por que está feliz, Eli?

Por que está feliz? Responda.

Porque te amo.

E por que me ama?

Eli, não sou um bom partido para você.

Ro, o amor...

O amor é...

É química e intuição.

- E... - E biologia.

E se quiser pode ser mágico, mas...

Não é... uma equação financeira que vale a pena ou não, é...

- É amor. - Eli...

- O que você quer... - É compreensão.

- E... - O que eu quero.

É paciência.

- É... - A culpa não é sua.

Você...

Você se incomodou com o assunto do apartamento, esqueça.

Se achar que ainda é cedo...

Me desculpe.

Me desculpe.

Fique tranquilo.

Qual é o valor do aluguel?

Não, não se preocupe.

- Me preocupo, sim. - Não, não se preocupe.

Não vamos mais falar disso.

Eli, estou estragado.

Eu amo você assim.

Não é possível.

É possível, sim.

Você não sente?

Mesmo estragado eu amo você.

Mesmo estragado.

Hmmm.

Nem sequer experimentou o crepe.

Não estou com fome.

- Colocou o alarme? - Sim.

07:30.

- Ro? - Hmm?

Acha que a Elia desconfie de nós?

Cris, durma.

E de mim?

Velho.

Por que gosta tanto conversar às 3 da manhã?

Hein?

Bem...

Eu só quero...

transar de novo.

O quê? Velho, velho. Espere, espere.

Diga-me...

o que você quer saber?

Se alguém sabe sobre você?

Não sei.

Pensei muito nisso.

Achei que sim.

E agora?

Agora acho que ninguém está nem aí para os outros.

As pessoas nos observam mais do que pensamos.

Acho que não.

Gostaria de vê-lo mais vezes.

Eu também.

Ficar assim.

Sempre.

Sempre?

Às vezes penso num futuro com você.

Um jeito para ficarmos juntos.

Sei.

Não disse nada.

Fique frio.

Não é imediatamente, agora.

Mas quem sabe algum dia.

A gente poder...

falar para os outros sobre nós.

Fiquei pensando no que você falou da outra vez.

Que...

ninguém sabia sobre mim

e contei para algumas pessoas.

Falou sobre mim?

Sobre você, sobre mim.

Contei sobre um cara

que eu gosto muito

e ele gosta de mim...

e...

ele me compra cerveja,

me faz rir.

Não gostou?

Coloque isso aqui!

Devolva!

O que eles disseram?

O meu roomie disse que ele nunca se apaixonaria por um homem

porque barba de homem incomoda.

A minha melhor amiga...

Bem, ela já desconfiava.

E depois...

nada.

Normal.

Ninguém me parabenizou, ficou chocado.

A Elia me propôs morar juntos.

Quem?

A Elia e eu.

Obviamente recusou, não é?

Por que seria tão óbvio?

Porque você é gay.

Não, Cris.

O quê? Você é bastante gay.

Não, estou falando sério, cara.

Não, você não pode morar com a Elia, não seja bobo.

Preciso decidir logo.

Olhe para mim! Você está considerando mesmo?

Estou.

Ro, se você morar com a Elia, nós...

Nós o que, cara?

“Nós o quê”?

Não vamos mais poder nos encontrar.

Você não entende?

Mas que merda!

Chega! Sou muito burro.

Por isso não queria falar sobre o futuro, não é?

Não queria falar sobre o que, velho?

- Ficou desse jeito no chuveiro. - Não, não,

Não, Cris, eu não fiquei...

Tentei lhe dar um beijo e você recusou,

- foi por isso? - Não, não foi por isso.

Você vai morar com a Elia?

Quer viver com a Elia? É isso que está acontecendo.

Foi isso que você disse.

E aí, o que vamos fazer?

Vai aproveitar a hora do almoço

para ir ao parque e me dar um beijo?

Irá ao meu apartamento com todos ou meus roomies?

- Como vai ser? Me explique! - Mas que droga!

Não, que droga, não!

Se for morar com a Elia, não haverá lugar para mim.

Não!

- Está brincando? - Ainda não sei se vou morar

com ela, é claro que isso é uma condição,

mas estamos conversando pela primeira vez.

É uma condição sim enfrentar a situação

e dizer “não”, querido.

Você não entende, velho, venha!

Não, não, o que é isso?

O que você acha? Que vai me vender amor?

Me dar um abraço e resolver tudo?

Não estou entendendo.

Volte, estou falando com você.

Ro, eu entendo perfeitamente.

Eu entendo perfeitamente.

Mas você só precisa...

ficar firme e dizer que não dá, só isso.

- É isso que eu preciso fazer? - Sim, como se fosse homem.

Nossa, obrigado por me dizer o que fazer.

Qual é o problema? Não curte estar comigo?

Faz favor!

- Faz favor! - Parece que você não curte.

Parece que não. Se for morar com ela

é porque comigo, na verdade...

não está nem aí para mim.

Velho, eu curto muito ficar com você.

Penso em você o tempo todo.

Como posso explicar?

Não sei, cara, não sei, não sei, estar com você é...

- É o quê? - É como fumar pedra.

- Você nem sabe fumar pedra. - Verdade, não sei, não sei.

Só sei que é viciante e não sou viciado,

então posso deixar quando eu bem entender.

Não é verdade. Não é bem assim.

Estar com você é...

Como explicar, cara.

Estar com você é como estar bêbado emocionalmente.

Quem é você? O Raça Negra da putaria?

Faz favor! Não faz a menor ideia do que está falando, Cris.

Ro, pare de falar bobagem.

Era você que queria conversar, Cris.

Por favor, não se comporte como uma criança.

Sim, me desculpe.

Desculpa, não consigo controlar minhas emoções que nem você.

Cris, numa boa, numa boa, cara.

Fiquei cansado, deu!

O que você acha? Que é muito inteligente?

Você acha que é o único que passou por isso?

Está me pedindo para jogar minha vida no lixo?

- Você não entende. - Não, não estou pedindo nada.

Você não entende

porque ainda não construiu nada, cara.

E não conseguir tudo o que quer, o tempo todo,

não significa que as coisas não estão dando certo.

É verdade, o sexo com você é um pouco melhor, cara.

- Só um pouco? - Sim, velho, só um pouco.

Já fui chupado por mulheres e não é a mesma coisa.

Não é a mesma coisa.

- Cale a boca, cale a boca! - Não, não cale minha boca.

- Está na cara! - Os vizinhos, cara.

Não estou nem aí para os vizinhos. Nem aí!

Por que está sempre preocupado com os outros?

Se importa com o que vão falar sobre você?

Por quê...?

Você é muito cagão.

Você é muito cagão, é isso que você é.

Não aguento mais.

Shh.

Tudo bem, não faz mal.

Está tudo bem.

Pronto.

Está tudo bem!

Vou ficar com você para sempre.

Ouviu?

Não entendo por que você me atura, cara.

Ei, olhe para mim!

Olhe para mim!

Aturo porque amo você, gosto de você,

e quero ficar com você para sempre.

Ouviu?

É você que compra minha cerveja.

Eu poderia ter contado.

Mas não contei.

Eu sei.

Obrigado.

Viu só...

Não sou tão ruim quanto você acha.

- Prometo que vou resolver. - Shh.

Eu sei.

Sei que vai resolver.

Porta principal, aberta.

Ro?

Ro?

Oi, Eli.

O que foi?

Por que toda essa urgência?

Preparei café... descafeinado.

- Como foi seu dia? - Bom.

A Belinda sobreviveu.

- O quê? - Sim.

E consegui provar o vínculo entre criança e expressão genética.

- Puxa, que boa notícia. - Sim.

Bem, na leucemia mieloide...

retroviralmente induzida em ratos.

Isso é incrível, Eli! Parabéns!

Você vai curar o câncer.

Você vai curar o câncer.

O que o doutor Green falou sobre sua tese?

O que você queria me contar?

Não sabe o que quero lhe contar?

Ahã!

Estive pensando no que...

conversamos semanas atrás.

Sobre o que você quer conversar?

Estou...

Por que está tão estranho?

Não estou estranho, Eli.

Só acho que já está na hora.

Do que você quer,

do que eu quero.

E do que realmente é bom para nós.

Você não acha?

Hmm.

Não ficar mais nesse chove não molha.

E...

você quer casar comigo?

- Eli. - Ro!

- Vem cá, amor. - Por que faz isso comigo?

- Aceita ou não aceita? - Aceito.

Onde coloco isso? Não sei.

Vem cá.

Te amo.

Vai dar tudo certo.

STRAIGHT

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