All language subtitles for Novela_Por_Amor_Capítulo_17_Completo

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Original subtitles

Eu achei que a Eduarda não aprovou muito o trabalho da Márcia para o apartamento

dela. Eu também notei isso.

E acho que a Márcia também percebeu que a Eduarda não consegue esconder o

sentimento. É, ainda não aprendeu a ser hipócrita, né?

Exatamente. Mas agora convivendo com a Branca, ela vai aprender rapidinho.

Como vai, Helena?

Flávia? Tudo bem?

Quanta honra.

Com licença.

Aposto como você não veio almoçar.

Eu não almoço nunca.

Por isso tanta elegância.

Rafael é muito fino.

É um lorde, como diz o Rodrigo.

Eu não sabia que meu filho tinha uma opinião tão definida a meu respeito. Ele

sempre tão fechado.

Seu filho é um contestador. Eu adoro jovens assim.

Você toma um café com a gente?

Não, obrigada.

Bom, eu acho que estamos chamando lá fora.

Não, Flávia. Fica à vontade. Termina seu almoço.

Eu vou com o Rafael até o estúdio.

Eu prometo que não demora.

Um beijo, Flávia. Você está linda como sempre.

Um beijo.

Até já.

Vê minha conta, por favor.

Não quer que pendure?

Não, resolvi pagar tudo à vista.

Mas você sempre pagou por mês.

Eu não quero mais ter crédito aqui.

Débito, então, menos ainda.

O que está acontecendo com você, Helena?

A massa andou enchendo o vídeo de vocês, né?

Não foi a massa que me encheu.

Agora levanta da minha mesa e traz a minha conta, por favor.

Vocês estão se metendo na minha vida particular.

O problema meu e da marca é só de nós dois e de mais ninguém.

E o meu restaurante também não tem nada a ver com a história.

Eu não tenho nada contra o seu restaurante.

Só não gosto mais do dono.

Agora traz a minha conta.

Eu acho melhor a gente deixar esse mergulho pra outro dia. Ah, não.

É só meio horinho, eu prometo. Até briguei com o Franco por sua causa. Vai

querer fugir agora?

Você brigou com o Franco por minha causa?

É. Ele disse que queria vir me buscar de carro por causa do tempo. Eu falei que

já tinha ligado pra você e que só ia voltar com você.

Ele ficou marado.

Eu acho que você podia me deixar fora dela.

Quer dizer, o cara vai ficar me odiando.

E o que é pior, de graça?

De graça?

De graça não. Você me fez gostar de você.

Quer dizer, achar que você é uma boa companhia, esse seu tipo fechadão.

É isso que me atrai em você, sabia?

Você é o tipo em que se pode confiar.

Ou não?

É, eu acho que pode.

O que acontece se chover?

Bom, dependendo da chuva, a gente não decola.

E qual é o problema se a gente não conseguir decolar? A gente pode ir

amanhã. Não, pelo amor de Deus, tá maluco? Eu tenho voo hoje, final de

sei eu.

Não se cala, né?

Tem sempre alguém na minha frente, né?

Você sabe que eu era um cara responsável até te conhecer?

Mas é mais divertido subverter.

Mas isso não é comigo.

Não é possível. Nada.

Ninguém tirou você do bom caminho.

Eu tento andar direito.

Mas eu não sou um insano.

Mas sua mãe deve adorar você, né?

Ela gosta.

Só não gosta da minha profissão. Eu preferi que eu fosse médico.

Ah, médico não. Nem pensar.

Já basta um na minha vida. Acho uma ótima profissão.

Mas eu jamais me casaria com um médico.

Ai, anda comandante.

É só meia horinha, eu prometo. Depois a gente decola, tá?

É muito bonito isso.

Quem é, hein? É da Márcia, nossa vizinha aqui. Tem muito talento. A gente vai

promover uma exposição individual do trabalho dela.

Ah, eu quero que você me avise. Eu gostaria de ter uma peça dela lá no meu

consultório. Essa aí tá à venda, se você quiser.

Mas eu não vou te desfocar?

Não. Eu fico muito feliz que você compre.

A Márcia é uma batalhadora.

Se você gostou mesmo, o preço tá ótimo, hein? Dois mil reais.

Tá bom, eu fico com ela.

Bom, vamos lá, Rafael? Você não quer sentar?

A Virginia falou comigo ontem, já deve ter passado pra você o que eu achei de

toda a história.

E você aparecendo por aqui, o assunto deve ser o mesmo.

É que eu pretendo ser mais objetivo do que ela foi.

Afinal de contas, ela é tua irmã e, como ela mesma diz, Muito mais que irmã, tua

amiga.

Minha melhor amiga.

Eu não tenho nada a ver com os seus romances.

Nunca me meti na sua vida particular, mas... Desta vez é diferente.

Estão em jogo os meus interesses.

Os interesses da minha família.

Não cria tritos com a Branca.

Pelo menos até o final do contrato com o Arnaldo. Estabelecendo as bases desse

negócio que nós vamos ter juntos.

Eu sei que você pode estar pensando que a Branca é uma chantageista, que quer

controlar a tua vida, a vida do atiro, como ela faz com a Isabel. E você tem

razão, é isso mesmo. Está certo.

Só que é assim que se joga.

É assim que ela joga.

E quando a Branca se aborrece, ela joga muito pesado.

Você provavelmente não deve saber disso, mas o Arnaldo já teve dois sócios.

anteriormente que foram afastados da empresa por perseguição direta da

E um dele, por causa dessa perseguição, se suicidou.

Meu Deus!

E eu pensando que ela foi apenas egoísta e a minha filha está lá, na casa dela.

Abra mão desse romance com a Tílio.

Pelo menos até a Branca esfriar um pouco.

Você sabe que é a primeira vez na vida que me pedem pra eu abrir mão de uma

coisa que eu não tenho?

Rafael, acredita, eu não tenho nada com o Atílio.

Claro que sentimos atração um pelo outro, mas tudo que existiu até agora

nós foi um beijo.

Um beijo super tumultuado, mais nada.

Pois então parem desse beijo.

Vai ser melhor pra você, pra mim, pra Eduarda e até mesmo pro Atílio.

Tudo que você tá me falando, Rafael, só pode chegar a uma conclusão.

Essa mulher, a branca, é um monstro.

As mulheres são mais eficientes do que os homens em vários ramos de negócios.

Antigamente, eles esnobavam a gente porque nos achavam incompetentes. Agora,

hoje, eles nos evitam com medo da concorrência.

A minha mãe diz sempre que as mulheres são mais sérias, mais corretas nos

negócios. Ela está certa.

E a gente vai ter uma coisa a nosso favor.

Instinto maternal.

Isso ajuda muito nos negócios também. Sabe por quê?

Porque os homens são carentes.

Alô?

Oi, me chama o doutor Arnaldo.

Quem é? É a mulher dele.

Ah, é?

Sabe até que horas eu fiquei ontem aqui preparando esse relatório?

Hum, sim.

Até oito horas da noite.

Enquanto isso, eu tenho certeza que vocês estavam jantando tranquilamente

suas famílias. Não importa.

Estamos abrindo a reunião agora, com o prazo praticamente explorado, e vocês

querem mais tempo para deliberar.

Marcelo, é um direito que nós temos.

Mais uma semana?

É. O artículo foi ontem para lá. Deve estar voltando com a minuta do contrato.

Ele ligou? Até agora, não.

Eu vou dizer o que para os homens lá?

São milhões de dólares. Mas é por isso mesmo, Marcelo. Vocês estão tomando

decisões, têm o nosso conhecimento.

E envolvendo um grande volume de dinheiro. É isso.

Vocês não têm atendido os relatórios? Sim, mas queremos participar mais das

decisões. Tem mais autonomia, gente.

O Conselho tem autonomia e nós somos o Conselho.

Peraí, só um minutinho. Quem é que é a Paula?

Eu já não falei que eu não atendo o telefone quando estou em reunião?

Desculpa, doutor Arnaldo, a dona Branca insiste.

Exatamente, pelo amor de Deus. E não me chama pra mais ninguém, a não ser o

Atilio.

Passa pra minha sala.

Vamos lá, vamos lá.

Eu vou falar da autonomia. Sim, o seu conceito foi ter mais autonomia, sim.

É uma reunião importante, né, Branca?

Mas vai, fala.

Posso te ajudar em alguma coisa?

Eu quero saber se o Atílio deu notícia depois daquele telefonema que ele deu lá

pra casa ontem de noite.

É, o Arnaldo me contou.

Não, não ligou pra cá, não. Nós ligamos pra Buenos Aires, no hotel.

Acontece que ele não ficou onde a gente fez reserva.

Portanto, não sabemos onde ele está. Aliás, ninguém sabe.

Tá bom, olha, qualquer coisa você liga pra mim, tá? Eu tô no celular.

Obrigada.

Pra um homem teimoso, uma teimosa mulher.

Eduarda!

Oi, César.

Como vai?

Vi você e não resisti.

Quanto tempo.

Pois é, quanto tempo.

Deixa eu te apresentar, essa é a Branca, minha sogra. Ai, sogra não, pelo amor

de Deus, que é uma palavra pesadíssima. Eu prefiro que você diga, olha, é mãe do

meu marido. Como vai? Prazer, tudo bem? Tudo bem.

Eu e o César crescemos juntos, somos amigos de infância. Os pais dele eram

vizinhos dos meus... da minha mãe.

Estão lá na Tijuca, né? Bom, seu pai nasceu na Tijuca, na casa em que eu e

pais moramos hoje.

É, moramos assim um tempinho na Tijuca.

Bom, meu avô era dono de praticamente toda a Tijuca.

É, nós crescemos juntos, né, César?

Sou muito mais velho que você, mãe. Não, nem tanto.

O César é médico obstetra. Não me diga. Com essa carinha deve deixar todas as

mães apaixonadas.

Só me interessa pelos bebês.

Vou falar nisso.

Como é, nada? Nada ainda?

Não, ainda não.

Ai, desculpa. Perdão.

Essa aqui é a Anitta.

Essa aqui é a Boada.

Tem uma foto sua no consultório dele.

Ah, é?

Foto antiga.

A Anitta também tá fazendo medicina, né? O último ano.

Obstetrícia também?

Não, pediatria.

Ah, que lindo.

Forma um maravilhoso par.

Ele bota no mundo e você cria.

Como tá sua mãe?

Tá ótima. E os seus pais?

Vão bem também.

Gosta de comida japonesa também, né?

Adoro, adoro.

Eu também, sabe? Eu gosto de tudo que é oriental, sabe? Um dos meus sonhos é

conhecer o Japão.

Olha, você já foi ao Japão, não foi, Branca? Não, não, não. Muito longe. Fui

a metade e voltei.

Vem cá, vocês não querem se sentar com a gente?

Não, não, muito obrigada. A gente já tá de saída, né? Vamos.

Vamos. Bom, foi um prazer encontrar você depois de tanto tempo.

Estive no seu casamento, mas a gente não se falou.

Tava muito bonito.

Ah, obrigada.

Desculpa, a gente... Eu interrompi o almoço de vocês, perdão. Não, já

Tchau.

Tchau. Vamos ver se a gente se encontra, se a gente se fala.

Mata a saudade daqueles tempos, né?

Aparece lá em casa.

Meus pais sempre falam em você.

Ah, claro. Vou aparecer.

Desculpa. Prazer. Tchau, prazer. Tchau.

Sai do trânsito, César.

Desculpa. Fazia tempo que eu não falava com ela.

César, por que você não falou que era meu namorado?

Eu posso te garantir que ela não ia se matar com a notícia.

Tia, desculpa. Vamos embora.

Que par... Meu Deus.

Olha, eu já sabia, mas eu jamais imaginei que você ficasse tão

frente dela.

Está com ciúmes?

Ciúmes?

Não.

Eu estou com pena, César.

Ela mal sabe que você existe.

Bonito o rapaz.

É.

Os olhinhos dele brilhavam enquanto falava com você.

Ah. Fomos muito amigos.

É, dá pra notar.

Você nunca me contou a viagem a Veneza.

Como é que é? Gostou?

Muito. A minha mãe é tão, nossa, vidrada na cidade. Acho que por ela até morava

lá. Ah, duvido. Logo ia enjoar. O que é bom é você ter visita em lugares

bonitos. Que até a beleza enjoa.

Quando você tem ela todo dia na sua janela.

Quem sabe Veneza tem algum significado especial pra sua mãe.

Um grande amor.

Eu acho que deve ter um romance na parada. Porque minha mãe, pra namorar,

mas ela tá sozinha agora.

Nossa, é o que, é uma devoradora de homens? Não, uma devoradora não, mas...

acha certo as pessoas estarem permanentemente apaixonadas. Então ela

dado muito bem com o Atilio nesse encontro em Veneza, porque o Atilio

um namorador. E ele, inclusive, gosta de namorar todas ao mesmo tempo.

Eles se deram muito bem.

Eu achei até que ia rolar alguma coisa. Ah, ia rolar. Não chegou a rolar? Não.

Eu não posso garantir 100%, mas eu acho que não.

Também não desgrudava dele.

Mas teve um lance, um estresse oriente que balançou a minha dor.

A pena.

Que não rolou ainda.

Mas vai rolar.

Vamos queimar nossas calorias.

Vamos.

Bom,

agora a gente pode ir embora, né? Senão eu chego atrasado.

Isso é pior que médico, hein?

O trânsito é exatamente assim. O melhor da festa toca o bip e pronto. Ele tem

que ir embora pro hospital atender alguém.

Então o senhor tá acostumado?

Mais ou menos.

Eu prefiro homens que são donos do seu tempo, livres, sem relógio.

Bom, eu acho então que você devia procurar alguém igual você.

Rico, com uma boa vida e que não quisesse absolutamente nada.

Bom,

eu vou me trocar.

Não demora, tá?

Boa tarde, Helena.

Como vai?

Olá.

Você já almoçou?

Não, mas eu como alguma coisa mais tarde.

Vai almoçar agora, meu bem, que eu tô aqui com meu cunhado conversando um

assunto particular.

Tinha que preparar um orçamento pra Belo Horizonte. Você preparou? Tá em cima da

mesa. Põe no correio, que o homem não quer via faixa. Ele quer original

assinado. Tudo bem.

Obrigada. Tchau. Tchau.

Olha, Rafael, você tem uma coisa que eu tenho horror.

É ser comandada por quem quer que seja.

Pode até não acontecer nada entre eu e o Atílio.

O que tiver que ser, será. Mas não há de ser a branca que vai impedir.

Porque não está dando muito valor à sua família.

Porque se a branca influenciar o Arnaldo e ela o influencia em tudo que faz, eu

vou perder esse negócio.

E eu repito, esse negócio é de fundamental importância para mim, para a

e para os nossos filhos.

Vamos ver se eu estou entendendo bem essa história. O que essa mulher quer?

quer que eu assine um documento dizendo que eu não vou ter um romance com a

Tílio?

Peraí, não, não. Agora quem fala sou eu. É isso que ela quer?

Que diabo ela tem a ver com a minha vida?

Eu não estou atrás dele, eu não estou atrás de homem nenhum. Eu odeio esse

de confusão. É por isso mesmo que eu nunca me meti com homens casados.

É, mas ele vivia com a Isabel.

Ah, vivia?

Não é o que eu estou sabendo.

Porque quando nós nos encontramos em Veneza, ele estava sozinho. E pelo que

pude ver, estava muito feliz.

Ele estava muito disponível.

Tão disponível que se eu tivesse facilitado, nós teríamos começado um

mesmo. A Branca não gosta de você. Será que você nunca percebeu? Percebi. Sempre

percebi. Por isso eu nunca frequentei a casa dela.

E sabe por que ela não gosta de mim? Você sabe?

Porque eu sempre amei os homens que eu tive. E eu nunca fiquei com nenhum

nem por um minuto tem amor.

E ela vive aquele casamento hipócrita infeliz dela com o Arnaldo, quando todo

mundo sabe que ela é apaixonada pelo Atílio.

Olha, você pode ficar com raiva de mim, Rafael.

Mas eu só posso te garantir uma coisa.

Eu não vou correr atrás do Atílio, mas eu também não vou fugir dele.

Se tiver que ser, será.

E olha, estamos conversados, tá?

Você faz mesmo questão de botar mais um nome no seu caderninho, não é?

Você deve estar mesmo numa situação crítica para tentar me atingir dessa

maneira.

Eu vou fazer de conta que eu não ouvi, tá?

Tá, tá bom. Então, obrigado pela sua atenção e tenha uma boa tarde. Olha,

que vocês estão parecendo, você e a vizinha?

Aqueles pais que procuram uma mocinha que não presta e pedem para ela ficar

longe do filhinho querido deles.

E é nessa hora que o filho fica mais atraído, porque não há nada nesse mundo

mais importante, mais tentador do que o fruto proibido.

Você não imagina como o artilho me seduz, ainda mais a partir de agora.

Não, não, eu fico pensando, meu Deus, que homem é esse?

Esse homem deve ser sensacional para todo mundo gostar tanto dele. Não, ele

ser uma coisa.

Isso aumenta ainda mais a minha vontade de experimentar.

Você fala.

Você fala como uma mulher, como uma mulherzinha que não pode ver homem na

que logo ataca.

Eu prefiro ser a mulherzinha que ataca do que a mulherzinha que não ataca e não

deixa ninguém atacar como a branca.

Uma vez a Milena me disse que a mãe, a branca, quando fazia dieta para

emagrecer, ela proibia todo mundo em casa de comer doce de massa.

É, não comia e não deixava ninguém comer.

Egoísmo puro.

Eu não, eu sou generosa.

Eu sou muito generosa. Sabe que eu até abri mão uma vez de um namorado, porque

tinha uma amiga que eu percebi que gostava dele muito mais do que eu.

Você não sabe com quem você está lidando.

Meu Deus do céu, que medo que vocês têm dessa mulher.

Ela que peça ao atilho para entrar num convento, então.

E não a mim, que odeio qualquer tipo de prisão.

Você está pagando para ver.

Pois então você vai ver.

É uma ameaça?

Entenda como você quiser.

Depois eu mando um portador buscar a perta e trazer o cheque.

Obrigada, Milose.

Problemas familiares?

Não, quer dizer, mais ou menos.

Nada de grave.

De repente, meu cunhado fica pensando que é meu marido também.

Ele ficou com essa peça da Márcia, vai me dar um tempo.

Ai, esses telefones virem ocupados.

E essa situação da Eduarda também me deixa que eu não sei nem o que fazer,

Agora, por qualquer coisa, a Eduarda rompe relações comigo.

Ela foi criada super protegida. Nós já cansamos de conversar sobre isso.

Eu sei. Foi o pai ausente.

Problemas de saúde quando criança.

Uma adolescência difícil, com poucos amigos.

Você sabe que eu sempre impliquei com jovens que têm poucos amigos?

Eu não sei se é porque eu tive muitos, mas eu acho que a gente tem que crescer

com muita gente em volta.

Pobre, rico, branco, negro, tudo.

Você criou a Eduarda numa redoma.

Você sabe que eu me lembro que uma vez eu estava na sua casa?

A Eduarda tinha 17 anos.

Tinha dormido na casa de uma amiga e estava falando com você no telefone.

E você disse para ela, eu me lembro muito bem, como se fosse hoje, que se

tomasse banho na casa da amiga, não usasse a mesma toalha dos irmãos.

A menina tinha dois ou três irmãos carrapazes em casa.

Jura que fiz isso?

Juro. E eu fiquei boba. Eu queria perguntar por quê.

Queria saber o que podia acontecer se ela usasse a mesma toalha dos rapazes.

Só que eu não tinha liberdade com você. A gente tinha se conhecido há pouco

tempo. Que coisa mais neurótica. Eu era muito maluca. Que maluquice é essa?

Não, não.

Sério. Até aumentou a minha dor de cabeça.

Larga isso. Vai dar uma volta. Vai ao cinema.

Sei lá. Eu cuido dessas coisas pra você. Vai.

Espera aí.

Finalmente. Espera aí.

Catarina? Oi. Sou eu, Helena.

Catarina, você me faz um favor?

Eu esqueci de avisar a Tadinha pra não sair antes do menino do supermercado

chegar pras compras do mês.

É, ela me pediu pra dar um pulo na casa do irmão, mas eu disse pra ela esperar

as compras chegarem primeiro.

É. Não, só receber.

Quando eu chegar, eu guardo tudo, tá?

Tudo bem.

Pode deixar o mesmo do recado. Um beijo, tchau.

Ô mãe, eu tô saindo!

Demorou, hein?

Ah, tava ajudando a mãe na cozinha, né? Teria sal de manhã e não voltou até

agora. E o seu pai?

Tá dormindo.

Também falou que ele foi dormir uma pilete ontem.

Eu vi, ele bebeu muito.

Então, quer dizer que ele vai nem sair, né?

Só que foi direto pro hospital.

O que foi, Catarina?

Tudo bem? A Lorena ligou e falou pra você não sair daí quando as compras não

chegarem. Ah, meu irmão tá me esperando no ponto do ônibus.

Ele ainda tá meio perto da cabeça do mundo, aluno. O que você me falou antes?

É.

Mas se você quiser, eu posso ficar com o chão esperando aí. Fica.

Que bonitinho. Fica, meu anjo.

Fica. Fica. Fica. Fica. Fica. Fica. Fica.

Fica.

Fica.

Para da tarde, mas eu não vou para a repartição.

Eu passei mal.

Bebeu mal.

Vem cá, eu falei uma besteira.

Não. Quer? Quer descer? Você deu um pouco. Como sempre, você bebe demais.

Dá isso aqui para ele, que é tiro e queda.

Vai, bebe isso aqui.

O que é isso?

Isso aí é um ovo cru com casca batido com gengibre, um pouco de limão e meio

copo de cerveja choca.

Pelo amor de Deus, tira isso daqui, vai.

Mas levanta de fundo. Mas eu prefiro não levantar.

Cadê algum vexame com o pessoal da repartição?

Não. Tá tudo bem.

Ai, mãe.

É sempre assim, viu, mãe? Toda vez que bebe, fica perguntando no outro dia o

ele fez, o que ele não fez.

É amnésia alcoólica. Seu pai era campeão nisso.

Também por desaforo quando ele perguntava e dizia que ele tinha feito

horrorosas.

Ah, aquela metida da sua secretária. Ligou aí pra saber se você ia, se você

ia. O que é que você disse?

Eu disse que eu não sabia, que você não tinha acordado ainda.

Por que você não falou que eu fui no dentista, no oculista, sei lá? Eu falei

verdade. Mas quem foi que mandou você falar a verdade?

Isso foi um ridículo dormindo até essa hora?

Ainda mais no meu primeiro dia de promoção. Você está querendo me

Siléia? A culpa agora é minha.

Pois também não tinha nada a ver com fazer festa.

Quem foi que pediu?

Ai, ai, ai.

Toma. Bebe esse tabu no rolo. Toma um banho frio e cala a boca que você fica

bonzinho logo.

Sobrou um monte de bobó.

Quer que eu esquente?

E é preciso falar mais alguma coisa pra elas não gostarem mais de você?

Não tem que falar nada.

Da nossa vida cuidamos nós.

Você quer dizer, da sua vida cuida você e eu da minha, não é isso?

Ou você acha que ainda formamos um casal? Ai meu Deus, lá vem você com essa

conversa. Olha o Wilson. Eu não tenho falado nada, não tenho tocado no

Aliás, em nenhum assunto.

Porque eu não quero prejudicar meu filho, ficando nervosa e estressada. Que

médico falou pra eu me cuidar. E eu tenho que me cuidar porque meu filho não

pai. E se eu morrer ou pirar, o coitado vai ficar aí, abandonado. Vai virar

menino de rua.

E tem mais. Eu liguei pro meu pai e pra minha mãe. Eles vêm pro Rio quando

chegar mais perto do bebê nascer. E eu, eu vou embora com eles.

Eu não quero meu filho aqui perto de você.

Pra dizer a verdade, se eu pudesse, ele não ficava na mesma cidade, no mesmo

país e no mesmo mundo que você.

Eu amei você, Wilson.

Pra que mentir, não é?

Oh, meu Deus.

Na verdade, eu acho que ainda amo.

Mas entre você e meu filho, eu prefiro ficar com ele, porque ele é muito mais

importante do que qualquer paixão. E eu faço o que qualquer mãe deve fazer.

Eu fico com ele.

Agora me deixa trabalhar.

Eu preciso cuidar de ganhar vida pra sustentar o meu criolinho que vem por

Eu tenho muito orgulho da minha cor, sabia disso?

Ô, Wilson, devia ver minha conta que eu tô atrasado.

Ô,

Lourenço, um cafezinho pra aquecer.

Obrigado, meu amor. Chegou na hora.

Por favor.

Será que a senhora pode apressar, Milena?

Por favor.

Meia hora pra trocar de roupa.

Cheguei.

Poxa, meia hora pra tomar banho, tirar o biquíni e botar sua roupa.

Mas seu compromisso não é só no fim do dia? Tem tempo, hein?

Sim, mas olha só como é que tá o tempo.

Tá testando. Daqui a pouco não dá pra recolar.

Tá bom, pronto, pronto, vambora. Anda, pronto, pronto, pronto, pronto.

Pra dentro, Sandrinha, vai chover já já, hein?

Tô indo, mãe. Só falta um pouquinho pra acabar.

Mas vem logo, hein?

Tá bom.

Ih, vai sair um pedaço que não tem tamanho.

E o Nando lá em Angra pra atender aquela moça.

Mas lá pode estar um lindo dia de sol.

Não, ele já foi ficar correndo porque ela ligou de lá de manhã dizendo que ia

chover. Não tem que pensar o pior.

A essa hora já está chegando por aí, Lídia.

Ah, eu não sei, não.

Ai, meu Deus, eu penso no doutor Ulisses, que nunca mais apareceu. E foi

Angra. Eu ouvi dizer que ele está vivo e que não quer aparecer porque ficou

deformado. Deus me livre, Fonseca. Eu nunca ouvi essa história, Fonseca. Um

vizinho meu que é enfermeiro no Hospital da Aeronáutica que me falou. Está vivo,

sim. Como Elvis Presley e o Carlos Gardel.

Sandrinha! Sandrinha!

Quantas vezes eu tenho que chamar, menina?

Oh, menina!

Meu pai!

Tenho uma surpresa pra vocês.

A grande surpresa que você me faria, você sabe qual é.

Mas essa, só com muita ajuda de Deus.

Você não tem o que reclamar, Lídia.

Ganhei um dinheiro extra por merecimento.

Menos mal.

Vamos entrar que vai chover. Vem, tá dentro os dois. Vocês vão pra casa que a

mãe de vocês deve estar preocupada, tá? Que vai chover. Vem, vem, Sandrinha.

Tchau, tchau.

Tchau, tchau. Tchau, Sandrinha.

Tchau.

Vamos logo que eu deixei uma freguesa no secador.

Com essa pressa perde toda a poesia, hein?

Primeiro pra você, que tá com pressa. Bom, desse jeito você gastou todo o

dinheiro extra que ganhou, hein?

Que dinheiro pra quê? Pra gastar.

Olha, se não te ver, eu posso trocar. Eu guardei a nota fiscal, tá?

Linda, mãe!

Então?

Deve ter custado muito caro. Ah, não fala em preço, Lídia.

É bonito, Orestes.

É linda.

Ai, Orestes, é delicada.

Muito obrigada.

Eu sempre tenho que ser a chata.

Acabou.

Vem para o Leandro.

Ele abre quando chegar.

Você não comprou nada para você?

Não.

Você sabe quantos pares de meia decente você tem? Três.

Sabe quantos cuecas? Quatro. Eu sempre compro, mas agora não sei o tempo.

Foi de Iroeta que você ganhou. Você podia ter comprado pelo menos para

meia dúzia.

Tá bom, Lídia. Eu compro no fim do mês, tá?

Eu vou descendo.

Obrigada, viu?

Muito bonita a minha.

Vou dar uma bem bonita pra ela.

Você está amassando tudo.

Vamos aproveitar essa oportunidade, Catarina. E o carro do mercado?

Tá, quando chegar a gente para.

Dona Helena?

É aqui mesmo, pode entrar.

Deixa eu ver as contas.

O

que

você está vendo aí?

Não, vó. A Helena ligou, pediu para alguém esperar o mercado e a Tadinha

está aí.

Algum problema, vó?

Então só vimos aí, esperando o mercado.

Então tá, o mercado já chegou.

Se a festa for pelo lado de fora, me pá.

Seu padre perguntou por você.

Olá, boa tarde. Boa tarde.

Me desculpa, peguei um engarrafamento enorme e atrasei, tá?

Já falo quase nada.

Desmarcou, tinha outro compromisso.

Se eu der esse telefone, ela vai que eu digo uma desculpada.

Pede para a Dona Simone aguardar cinco minutos, tá?

E o barrigão, tá?

Parece que vai ter trigênio. É, trigênio.

Mati, né? Vamos lá.

Me

ajuda

aqui.

Já, eu preciso trabalhar.

A noite a gente se fala, tá? Tá bom.

César.

Diz -me uma coisa só pra matar a minha curiosidade.

Tá.

Você e a Eduarda já namoraram alguma vez ou foi só brincadeirinha de criança?

Eu achava que ia se casar quando crescesse.

Também não éramos tão crianças assim, né?

Não.

Namoro de adolescente.

Deve ter dado até pra dar uns beijinhos.

Claro, não é, Nia? Tu não beijou os seus namoradinhos aos 15 anos, não.

Beijei.

Beijei, sim.

Mas pelo que eu pude ver hoje, esses beijinhos não deixaram nenhuma marca

Já em você.

Falando bobagem, você queria o quê? Que ela pulasse o meu pescoço?

Menina séria, direita.

Tá muito bem casada, né?

Pois é.

E você vai ficar solteiro esperando uma chance, não é?

Divórcio ou viúveis?

Anitta, em vez de se formar em pediatria, você deveria consultar um

sabia? Você está cada vez mais infantil, tá?

Chegamos bem na hora do recreio.

Ótimo!

O que você está dizendo?

Felicidade é uma vida de acontecer, eu não posso.

Ô, meu amor, como é que você veio?

Não tem que me fiscalizar, não. Eu sou mãe que me convenço. Fiz muito bem de

vir. A gente acabou a reunião a meia hora, certo? Uma reunião quentíssima. E

como relaxam, hein?

Senta, meu amor, senta.

Se for a Laura, eu tenho certeza que eu vou continuar sendo preferida.

Daquele mato não sai coelho de jeito nenhum.

Eu não tenho essa pretensão. Você acha que eu tô muito velha pra aprender?

É isso, Meg. Primeiro que você não é velha nem pra pesca submarina. Segundo

tênis se joga até os 110 anos.

Ah, então eu tenho um longo caminho pela frente.

Você vai inventar mais essa agora, mãe?

Meu amor, é o esporte da moda. Eu não posso ser ultrapassada pelos

acontecimentos históricos, não é? Meg!

Meg, tenho ótimas notícias.

Olavo conseguiu a quadra da Mangueira pra fazer a sua festa. Ai, bárbaro. Você

vai fazer uma doação pra escola, não vai?

É claro.

Estivemos lá, menina.

O carnaval deles vai ser fantástico.

Dona Neuma e Dona Zica estão empolgadíssimas e loucas pra te

Quando você quiser.

Vou marcar um almoço no morro. Uma feijoada.

Ah, nesse lance eu quero ir, mãe. Olha, eu vou também.

Você também.

Não é, Léo?

Bom, pra falar a verdade, eu nunca fui a uma quadra.

Ah, Léo, você nunca viu um desfile?

Dá até vergonha dizer que não.

Pois então, você vai estrear no carnaval deste ano.

Está convidado pro camarote dos emergentes. E se duvidarem, formaremos

dentro da mangueira.

Helena, de hoje de manhã pra agora à noite, parece que eu vivi um século

de você.

Não dá pra esperar.

Pego você amanhã pra almoçarmos juntos.

Depois temos a tarde inteira para nós dois.

Não pode,

não.

Não, eu vou enfrentar o tempo desse sem você.

Que cuidado comigo.

É, estou responsável pela sua segurança, né?

Bom, e agora?

Agora a gente tem que esperar.

Aqui dentro?

É, a gente não tem outra opção?

Claro que a gente tem outra opção.

Agora o fuga, você acha que eu vou ficar aqui presa nessa sauna? Não, peraí,

mulher.

Peraí, está uma tempestade lá fora.

Que isso? Eu vou ficar aqui dentro do helicóptero, com meu pincel dentro do

aquário? Deixa eu sair, anda logo. Não tem medo de ter mensagem, não.

Peraí, menina. Tô com saudade de você de volta a minha volta.

É triste.

E aí o amor pode acontecer de novo pra

você.

Eu atiro e não deu sinal de vida até agora. Eu acho um desaforo um

viajar com o dinheiro da empresa e não dar satisfação a nós.

Ele sabe o que faz.

Isso é o que você pensa, meu filho. Muito dobrado.

Como é que ele não deixa nem o número do telefone do hotel que ele tá hospedado?

Olha, você sabe muito bem o que eu penso.

Se ele voltar antes da gente mandar, pra mim ele tá fora da empresa.

Tá me botando na rua, moleque?

Vem morrer.

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