All language subtitles for Trainwreck.The.Cult.Of.American.Apparel.2025.1080p.NF.WEB-DL.DDP5.1.Atmos.H.264-FLUX

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Original subtitles

Eu estava de folga.

Era por volta das 22h, 23h.

Meu celular tocou, e era meu chefe, que comandava a empresa toda.

Eu atendi,

e ele simplesmente disse: "Eu te odeio."

S� ficou falando: "Eu te odeio, porra!"

Depois desligou.

E foi isso.

Ele me ligou no meio da noite s� pra dizer que me odiava.

SOCORRO

Era s� mais um dia na American Apparel.

Uma marca nova de vestu�rio surgiu nas cidades dos EUA: American Apparel.

- American Apparel. - American Apparel.

Uma das marcas de vestu�rio mais descolada e com crescimento mais r�pido do pa�s.

Era legal porque era bem diferente, e eu gostava disso.

As lojas da American Apparel abriram em 11 pa�ses,

com um faturamento de US$ 300 milh�es.

Nossa, quero fazer parte disso.

Era uma seita no mundo da moda.

E a�?

E o Dov era o l�der.

Eu odiei!

Ele tinha uma certa aura.

S�o camisetas bonitas, confort�veis e produzidas de forma �tica.

Pode tirar com jeitinho.

As propagandas beiravam a pornografia.

A moda sempre teve um apelo sexual inerente.

A marca virou minha vida.

Eu tinha uma assistente, e o diretor me ligava e mandava mensagem.

Eu me senti o rei da ind�stria da moda.

Curti cada segundo daquilo,

at� que n�o deu mais.

O Dov era imprevis�vel.

Seu idiota!

Ele pressionava as pessoas at� n�o poder mais.

Voc� n�o � capaz! N�o � forte o suficiente!

A� veio a crise.

Eis uma empresa que n�o anda bem das pernas: American Apparel.

Aqui, um desastre total. D� seus pulos.

As coisas foram ficando cada vez mais loucas.

Vazou um v�deo dele

correndo literalmente pelado com duas funcion�rias ao fundo.

"� s�rio uma porra dessas?"

Trabalhar nessa empresa foi uma experi�ncia profundamente devastadora.

� muito errado.

Parem todos de trabalhar.

A American Apparel virou um �cone mete�rico.

Levaram essa empresa direto pro buraco.

Eu provavelmente vou ter que fazer terapia at� morrer.

Eu preciso dar o fora daqui. Isso � loucura.

DESASTRE TOTAL

A SEITA DA AMERICAN APPAREL

Querem que eu apare�a,

mas nem deu tempo de come�ar a tomar Ozempic.

Foi em meados de 2000.

As botas da Ugg estavam em alta,

o Facebook era novidade

e as pessoas estavam indignadas com a falha no figurino da Janet Jackson.

Um dia, estava voltando pra casa de transporte p�blico,

e comprei a revista City Weekly.

No fundo, tinha uma propaganda de marca de vestu�rio

que dizia "abra agora", com uma garota de pernas abertas.

Eu falei: "Meu Deus, moda � isso."

A marca se chamava American Apparel.

Dizia que estavam selecionando pessoas para trabalharem l�, ent�o eu fui.

Sempre gostei de moda.

Foi algo natural.

Mas, desde crian�a, tive dificuldades cognitivas.

Vivia me candidatando a vagas de moda, mas nunca me chamavam.

Ent�o, pra me sustentar, trabalhei com telefone er�tico.

Oi, seu lindo. Aqui � a�

Tilly McEloise. Como voc� est�?

ESTAMOS CONTRATANDO

Quando cheguei na entrevista, pensei: "N�o v�o me chamar de novo.

Vou morrer trabalhando como operador de telefone er�tico."

Ent�o eu entrei,

e tinha uma garota sentada no camarim.

Entreguei meu curr�culo, que era basicamente uma folha em branco,

e, ela meio que o deixou de lado,

me olhou de cima a baixo e falou: "O que voc� quer fazer aqui?"

E eu respondi: "Acho que no comercial."

Ela falou: "�timo. Voc� pode ser o gerente comercial regional.

J� pode come�ar?"

E eu respondi: "Bacana."

CONHE�AM JONNY.

"Vamos nessa."

Uma marca nova de vestu�rio, American Apparel,

surgiu nas cidades dos EUA.

As lojas se multiplicaram da noite pro dia.

Abriu uma loja da American Apparel no meu bairro.

Fiz a entrevista e entreguei o curr�culo,

mas s� queriam ver se eu me encaixava.

CONHE�AM CARSON.

Eu acho que me contrataram com base no meu bi�tipo.

Sou bem alto e magro,

e era essa imagem que eles veiculavam nas propagandas.

Eu tinha piercings no nariz, cabelo curto e �culos espalhafatosos.

CONHE�AM EJ

Eu queria passar uma vibe de entregadora de bicicleta hipster.

Em vez de dizer: "Voc� � experiente." Ela falou: "� isso que buscamos.

Voc� tem nosso estilo."

S� estavam contratando pessoas fora do padr�o.

Parecia o clube dos diferent�es.

Inclusive, um dos lemas era:

"Se vir algu�m furtando, avise que estamos contratando."

As roupas da American Apparel n�o cabiam no meu bolso,

ent�o, eu e minha amiga as furt�vamos.

Fui at� com uma camisa furtada da marca para a entrevista.

O gerente veio, deu uma olhada no meu look, tirou uma foto

e disse: "Pode come�ar segunda."

CONHE�AM MICHELLE.

Eu me senti escolhida.

Como se eu fosse descolada a ponto de trabalhar na American Apparel.

A American Apparel est� bem em alta agora

por venderem looks b�sicos, mas elegantes.

Entrar na American Apparel era diferente de qualquer outra loja.

N�o era a mesma coisa que entrar na Gap ou na J. Crew.

Era provocante e descolada.

Somos uma loja b�sica.

As pessoas usam nossas roupas para criarem um estilo pr�prio.

O maior apelo da American Apparel era ser o oposto das outras marcas.

Foi na �poca

em que os filhos das celebridades come�aram a ficar famosos.

The Simple Life fazia sucesso,

e s� tinha logos cafonas pra todo lado.

A American Apparel era muito simples.

S� o b�sico, sem logotipo, e em todas as cores poss�veis.

Era que nem inseto, que � atra�do pela luz.

Ela te atra�a.

Acabamos de reformar a loja, a deixamos enorme.

Quando comecei a trabalhar l�,

eu ficava zanzando pela loja, vestindo os manequins, organizando a loja.

Olha que cores mais lindas!

E ouvia as pessoas sussurrando:

"Meu Deus, ficou um arraso!

Vou mandar uma foto pro Dov."

E eu pensei: "Quem � Dov?"

- Est� pronto? - Estou.

Acho que n�s nunca chegamos l�.

Como seres humanos, somos condicionados a sempre fazer melhor na pr�xima vez.

As coisas evoluem, mudam.

A ind�stria t�xtil precisa ser reinventada.

Eu comando a American Apparel instintiva e impulsivamente.

Tento quebrar todas as barreiras.

E a�?

CONHE�AM DOV.

Dov Charney, o extravagante empres�rio de LA que nasceu no Canad�.

Charney jura que est� numa miss�o pra acabar com o modelo explorador

dentro da pr�pria ind�stria t�xtil.

A ideia basicamente �:

s�o camisetas bonitas, confort�veis e produzidas de forma �tica.

Ele vendia produtos norte-americanos sem explora��o de m�o de obra,

e eu achava isso o m�ximo.

N�o era s� por ser descolada,

tamb�m tinha um significado por tr�s.

Voc� est� tenso. Relaxa.

Relaxem, estamos na Calif�rnia.

Dov Charney � o maior fabricante de camisetas dos Estados Unidos.

Ele paga mais do que o sal�rio m�nimo aos funcion�rios.

Nos �ltimos 30 anos, essa m�o de obra foi subestimada.

� um trabalho bem dif�cil.

Na American Apparel, tudo era feito nos EUA.

Ningu�m mais fazia isso.

E as pessoas s� criticavam: "Nunca v�o ser bem-sucedidos assim.

N�o � um modelo sustent�vel, � muito caro."

E ele defendia isso com unhas e dentes.

N�s fazemos todas as etapas.

Hoje, tenho que competir com a China e eu s� digo: "Cai dentro."

Aqui � assim.

O Dov era entusiasta da imigra��o e falava: "Pra que temos fronteiras?"

Defendo uma pol�tica de imigra��o livre.

As pessoas deviam poder morar onde quisessem no mundo.

E essa mentalidade era importante pra mim.

Pensei: "Tem muita coisa boa nessa empresa."

- Qual � o segredo do sucesso? - Paix�o.

- E mais nada? - E mais nada.

Meu Deus, a primeira vez que o Dov foi � loja, eu fiquei t�o empolgado.

Algu�m falou: "O Dov est� chegando, preparem-se."

Todos ficaram em polvorosa.

Dava pra ouvir e sentir a presen�a dele antes mesmo de ele chegar.

Podemos dar uma exagerada.

As noites de segunda s�o importantes porque chegam v�rios carregamentos.

A ideia � trazer pe�a � tona, tipo uma jaqueta jeans, e destac�-la.

Quando ele chegou, eu o achei muito sexy.

- Como � seu nome? - Kayla.

Kayla, beleza. Oi.

Ele fez um discurso motivacional, tipo:

"Vamos dominar o mundo. Voc�s est�o dentro ou fora dessa?"

Como se fosse um espet�culo, coisa que eu adoro.

J� te disseram que � acelerado?

S� todo dia.

J� nasci ligado no 220.

FABRICADO NOS EUA O APELO DA AMERICAN APPAREL

A vida do Dov girava em torno da American Apparel.

Ele quase n�o dormia

nem parava pra comer.

Ele enviava o n�mero dele e dizia: "Pode ligar a qualquer hora do dia ou da noite."

E esperava o mesmo dos funcion�rios.

Sabe por que ele n�o atende?

- S�o 4h. - N�o � por isso.

Ele n�o atende nem �s 13h.

Comecei a ficar at� tarde, a n�o ter folga.

Se algu�m s� trabalhasse 40 horas, era porque tinha ficado doente

e faltando alguns dias. Ningu�m trabalhava t�o pouco assim.

Em quest�o de duas semanas, al�m das 80 horas que eu j� trabalhava,

tinha mais 120 horas extras.

Cheguei a fazer um turno de 36 horas.

Nem o Financeiro acreditou. Tiveram que verificar as imagens.

Passar o dia todo com aquelas pessoas

acabava proporcionando uma aproxima��o maior entre n�s.

E comecei a me dar conta que n�o era s� eu que fazia terapia.

Todos n�s temos vulnerabilidades,

m�es parecidas com a minha, com problemas de sa�de mental,

e eu pensava: "Que loucura."

Antes de trabalhar na American Apparel, eu era dependente qu�mico,

e trabalhar l� me deu sentido.

Me fez me sentir fazer parte de algo.

Todos s�o m�rmons na minha cidade, e cresci nesse ambiente.

Esse � o meu passado.

Mas � medida que eu crescia, comecei a questionar a igreja,

e muitas pessoas do meu bairro n�o gostaram nada disso.

Quando eu tinha uns 17 anos, fugi de casa

atr�s de algo de diferente.

E a American Apparel virou esse algo de diferente que eu buscava.

As propagandas da American Apparel quebravam todos os tabus

que t�nhamos na �poca.

A marca de vestu�rio American Apparel foi criticada pela sua �ltima campanha.

E esta n�o � a primeira propaganda pol�mica da marca.

As propagandas beiravam a pornografia.

A moda sempre teve um apelo sexual inerente.

Ent�o n�o faz o menor sentido come�ar a ter medo de sexo agora.

O Dov parecia achava modelos dentre as consumidoras.

Ele chegava e dizia: "Voc� � gata, divertida."

E a levava para um ensaio.

O Charney est� sempre de olho em perfis como o desta mulher, Natasha.

Ele diz que a viu na rua

e desceu da limusine pra oferecer trabalho.

- Isso � verdade? - Totalmente.

Voc� pensou: "Quem � esse tarado?"

Fiquei passada. Pensei: "Quem � esse? De onde saiu?"

Ela ficou desconfiada, mas fez o ensaio e agora trabalha pra American Apparel.

As mulheres n�o usavam maquiagem,

n�o posavam de forma ensaiada.

Vamos at� aqui. As estrias aparecerem d� um toque legal.

Sacou?

Passava a ideia de que a beleza n�o era padr�o,

que n�o precisava ser t�o magra, nem usar megahair e maquiagem.

"Poderia ser eu."

Gosto muito do fato de eles colocarem o nome da pessoa.

Contarem um pouco da hist�ria dela.

Algumas eram bem sugestivas, mas foi uma sacada genial.

- Esta modelo trabalha aqui? - Sim, l� embaixo.

O interessante do Dov Charney e da American Apparel

era a mistura da rebeldia com o idealismo.

O sexo sem o idealismo � s� putaria,

mas o idealismo sem o sexo tamb�m n�o tem gra�a.

O Dov era a personifica��o desse contraste,

e a empresa passou a crescer muito r�pido.

N�o precisa sair pra almo�ar agora.

Entra mais cedo e sai mais tarde. N�o pode ficar perdendo tempo.

Era extremamente competitivo.

Parecia que, se voc� n�o se destacasse,

o Dov colocaria outro no seu lugar em dois tempos.

J� pedi um milh�o de vezes. Acho que vai rolar.

O Dov verbalizava tudo sem filtro.

Tipo: "Est� errado."

Voc� est� errada. N�o tem nada.

E isso chamava minha aten��o porque era o contr�rio de onde eu vim.

Tira essas merdas da loja.

Ent�o, eu acreditei naquilo.

"� assim que se torna um adulto bem-sucedido,

confrontando as pessoas."

Sai do cargo mais baixo para gerente em seis meses,

e a loja n�o era pequena.

Mas eu ainda sentia que precisava provar meu valor.

Deve ter mais alguma forma de contribuir para a empresa.

O pilar da marca American Apparel

� o modelo inovador de produ��o pr�pria sem explora��o de m�o de obra.

Nossos produtos s�o fabricados e etiquetados

na nossa f�brica de 74.000m� no centro de Los Angeles,

a maior f�brica t�xtil dos Estados Unidos.

Tudo acontecia l�.

O marketing, o design, todas as roupas eram feitas l�.

Ap�s terminar a faculdade, pensei:

"Se o objetivo do ensino superior � arranjar um emprego melhor,

por que n�o parar de estudar e me candidatar pra trabalhar na f�brica?"

Sinalizei meu interesse para o RH e fui contratada.

Arranjar um emprego na f�brica foi um grande marco pra mim.

Era onde tudo acontecia, e isso era muito empolgante.

Tipo: "� isso que eu fa�o agora."

Olha, aqui tem um monte de gente

costurando tudo dia e noite.

Hola!

Assim que pisava na f�brica,

voc� j� sabia que fazia parte do grupo seleto do Dov

e recebia um kit de boas-vindas,

que era composto por uma c�mera da Leica, um Blackberry novo,

uma c�pia do As 48 Leis do Poder, um livro de estrat�gias de sucesso,

e um massageador el�trico da Hitachi.

Fiquei com o Blackberry, com a c�mera,

o massageador, � claro,

e joguei o livro fora.

Eu s� queria saber de sexo, drogas e camisetas.

S� tinha putaria nas lojas, na f�brica e o escambau.

Todo mundo se pegava,

e era comum ver funcion�rios mandando ver nas escadas.

�ramos jovens e cheios de tes�o.

O clima era de que o sexo estava liberado.

Quero dizer, era tudo parte da revolu��o.

Apesar da queda nos lucros da ind�stria varejista,

as vendas da American Apparel aumentaram.

Subi r�pido de cargo e passei a ter muitas responsabilidades.

Al�?

Aos 25 anos, eu tinha dois celulares,

e o diretor me ligava e mandava mensagem.

Tipo: "Caramba, estou mesmo fazendo coisas de adulto."

Este � o escrit�rio de Rela��es P�blicas.

Fui subindo de cargo at� assumir

a parte de m�dia de moda e inser��es publicit�rias.

As vantagens de ser o varejista que mais cresce nos Estados Unidos.

Eu estava longe de casa, fazendo algo de �til e sendo promovido.

Foi tipo: "Olha s� pra mim agora, pai. N�o preciso de voc�s.

Tenho 21 anos.

Sou gerente de v�rias lojas, sou respons�vel por v�rios funcion�rios.

Tenho poder."

E como se sentiu?

Eu me senti o rei da ind�stria da moda.

N�o importa se trabalh�vamos na f�brica ou nas lojas,

sempre que receb�amos uma gratifica��o, uma promo��o ou os sal�rios mudavam,

s� receb�amos ao assinar um acordo de media��o que dizia:

"Recentemente me ofereceram um aumento,

o que significa que n�o posso processar o Dov

nem posso falar nada de negativo sobre a empresa."

Talvez tenha sido ing�nua, mas pensei: "N�o vai dar nada. Eu assino."

Como empresa, t�nhamos reuni�es semanais.

Todas as lojas participavam, independentemente de onde estivessem.

�s vezes, tentava entrar e dizia que havia muitos participantes.

Eu pensava: "Como isso � poss�vel?"

Mas eram centenas de pessoas.

Estamos passando a limpa aqui.

Precisam resolver os problemas dessas lojas.

Se a sua loja n�o tivesse um bom desempenho,

a reuni�o semanal era bem assustadora,

porque corria o risco de o Dov chamar sua aten��o.

Acorda pra vida, porra!

Eu ficava ansiosa e com medo ao mesmo tempo.

Isso mesmo, voc� � um babaca.

Era divertido e assustador.

Tinha umas coisas diferentes, tipo o bobo da semana.

Ele sempre chamava algu�m de "bobo da semana".

"Michelle, voc� � a boba da semana! Voc� est� me fodendo!"

Tipo: "Meu Deus�"

Era humilhante saber que centenas de pessoas estavam ouvindo

que voc� era a boba da semana

numa empresa multimilion�ria.

Era desconfort�vel. "Eu sei que n�o � pra rir,

porque ele est� gritando com algu�m que respeito e gosto."

Mas, em seguida, ele j� emendava com algo bem engra�ado,

ent�o era estranho, desafiador e confuso.

Eu pensava: "Eu odeio esse cara ou o acho engra�ado?"

Nessa �poca, apesar de eu ainda trabalhar nas lojas

e ganhar US$ 9 d�lares por hora,

tinha a sensa��o de que, se tivesse uma ideia,

tudo era poss�vel na American Apparel.

Apresentei uma ideia de marketing e, de repente, estava num voo pra LA.

Passei o dia viajando, cheguei � f�brica �s 23h,

ouvi o Dov divagando sobre os neg�cios

e pensei: "O que esse cara ainda faz na f�brica?"

"Passei o dia todo viajando. Onde eu fico?"

Ele olhou pra mim e disse: "Por que n�o fica na minha casa?"

D� s� uma olhada nessa casa em Silver Lake.

� a Casa Garbutt, situada acima do Reservat�rio de Silver Lake,

uma casa hist�rica que pertence a Dov Charney.

Fica no alto, num condom�nio fechado.

Voc� entra, e a casa � toda de m�rmore bege.

� deslumbrante.

O Jonny Makeup tamb�m estava morando l�.

Meus amigos perguntavam: "Por que mora com seu chefe?"

E eu: "Por que n�o?

Por que n�o morar com seu chefe,

tendo a chance de morar numa casa grande e linda?"

A porta est� sempre aberta, e tem garotas pra todo lado

fazendo o caf� da manh� e passeando com o cachorro dele.

Sei l�, lembrava um pouco a Mans�o da Playboy.

Era tipo a Mans�o da Playboy, s� que pros hipsters.

N�o se sabia ao certo qual era a rela��o das garotas com o Dov,

porque se a porta dele estivesse fechada, ningu�m podia entrar.

N�o era segredo pra ningu�m que o Dov dormia com funcion�rias.

Sou um jovem solteiro.

Voc� se apaixona, sabe? "Prazer em conhec�-la.

Voc� � a mulher da minha vida, a joia mais rara do mundo,

mas, infelizmente, n�o rola

porque voc� trabalha pra mim ou pra algu�m e seria inapropriado."

O cora��o manda, obedece quem tem ju�zo.

Sa� da casa do Dov depois que meu gerente da f�brica avisou:

"Olha, se voc� continuar na casa dele, vai virar uma 'dovete'."

Dovete era uma mulher que�

Elas n�o t�m um cargo.

Talvez sejam as namoradas do Dov.

Talvez s� viajem com ele, mas fa�am todas as vontades dele.

E elas passar a ter essa responsabilidade com base na apar�ncia delas.

Todo mundo tinha medo das dovetes.

Era tipo um esquadr�o da morte.

Uma garota aparecia na minha mesa

com uma blusa transparente e sem nada por baixo

e me dava ordens.

E eu perguntava: "Com licen�a. Quem � voc�?"

"O Dov mandou voc� fazer isso."

� importante ter mulheres por perto, e � f�cil se apaixonar por elas.

Fazer o qu�? Sacou?

- N�o �, Carla? - �.

- Pois �. - Voc� trabalha assim.

De Los Angeles a T�quio, em apenas tr�s anos,

as lojas da American Apparel abriram em 11 pa�ses ao redor do mundo

com um faturamento de US$ 300 milh�es no ano passado.

Tinha outdoor por toda parte.

Na traseira do �nibus,

nos pontos de �nibus. N�o passava batido.

Kendra, meu amor!

E tinha a quest�o dos famosos.

Estou toda de American Apparel.

Cri�vamos roupas personalizadas para estrelas do pop em turn�,

como a Rihanna, a Britney Spears.

E, meu Deus, a Beyonc� sempre aparecia tarde da noite.

Fech�vamos a loja s� pra ela.

Era incr�vel.

Sua empresa � bem-sucedida. Cogitou entrar no mercado de a��es?

S� entro nas condi��es ideais. Quero fazer isso do meu jeito.

N�o quero ningu�m ditando regras sobre nossas campanhas publicit�rias

ou nosso posicionamento pol�tico.

Se isso acontecer, garanto que vai valorizar.

A American Apparel vai abrir o capital.

Ap�s um aporte milion�rio de uma grande empresa de investimentos,

Charney planeja continuar a expandir.

Quando a American Apparel abriu o capital,

o Dov criou um conselho bem acolhedor.

Era composto por ele e mais quatro,

sendo dois deles amigos pessoais do Dov.

Um era Robert Greene, o autor de As 48 Leis do Poder.

O Dov era diretor-executivo e presidente.

N�o havia diretor de opera��es

nem de tecnologia.

Fico sempre animado quando atravesso a f�brica.

No The Wall Street Journal, ele chamou de "fracassado"

o primeiro diretor financeiro contratado

e depois se desculpou. Esse diretor pediu demiss�o.

O estilo de gest�o do Dov era basicamente

pressionar as pessoas at� n�o poder mais e coloc�-las umas contra as outras.

O Dov te ligava

e te induzia a dedurar algu�m que estava ouvindo a liga��o.

A pessoa dizia:

"A Michelle n�o est� indo bem. Ela pisou na bola feio."

E o Dov falava: "A Michelle est� ouvindo. Michelle, voc� � uma idiota!"

Seu idiota!

Rolava uma cultura pesada de dedo-duro.

Quem dedurava os outros, se dava bem.

Eu j� pedi umas tr�s vezes pra ela me enviar essas fotos.

Parecia uma disputa pela aten��o dele

e todos queriam ser os queridinhos do chefe.

E, no fim, s� criou um ambiente ca�tico em que as pessoas se odiavam.

Sua internet j� voltou?

Uma vez, questionei uma gerente

por causa do p�ssimo trabalho dela em determinada situa��o.

Ela caiu no choro.

Eu me lembro de sair da reuni�o com o est�mago embrulhando.

Mas eu tinha um objetivo claro

e via no Dov o modelo de sucesso

que eu achava que queria pra mim

e tentava agir da mesma forma que ele.

O que mais?

O Dov usava qualquer pretexto pra dizer que ia prejudic�-lo

e demitia a pessoa do nada.

Vamos nos concentrar em assegurar�

Quem demitimos, Kirk?

- O qu�? - Quem demitimos?

Mas ele sempre defendeu isso como sendo o segredo pro sucesso.

Quando a American Apparel abriu o capital,

o Dov usou todo o dinheiro da empresa pra abrir mais lojas.

Halifax. Toronto.

- Londres. - Nova York. Woodbury.

Savannah. Miami.

Pequim.

Mas a� veio a crise.

Boa noite. J� dava sinais, mas agora � oficial:

entramos em crise.

Muitas lojas famosas come�aram a ter dificuldades,

mas a American Apparel continuou expandindo.

Em 2008, me lembro de ouvir citarem a crise,

e eu perguntar: "Teve uma crise em 2008?"

Em 2008, a American Apparel estava abrindo cinco lojas numa cidade

e indo para outro pa�s.

N�o existia crise.

Preciso de mais gente no comercial.

Se ficar puxado pra empresa, eu viajo com eles.

O cara s� queria saber de esbanjar.

Quantas pessoas voc� conhece que, em outras crises,

passaram por dificuldades, mas insistiram e subiram de patamar?

Dentro da empresa,

ningu�m dizia ao Dov o que ele n�o queria ouvir.

Vem aqui!

Porque havia muitos jovens

com o visual que ele gostava, mas sem muita experi�ncia.

Dizer "n�o" pro Dov

era a coisa mais surreal e assustadora de todas.

Algu�m como o Dov n�o sabe o que � um "n�o".

N�o seria mais barato terceirizar?

A m�o de obra direta�

� s� observar a nova lei de imigra��o,

em que o Dov arranjou briga com o governo dos EUA.

Estamos apertando o cerco dos empregadores que usam funcion�rios ilegais.

Em 2009, a Imigra��o e o Controle de Fronteiras, ou ICE,

realizou uma auditoria na American Apparel

e encontrou cerca de 1.500 funcion�rios com documentos falsos.

E a American Apparel teve que demiti-los.

A opera��o da ICE gerou um impacto financeiro consider�vel,

porque, num momento de forte expans�o da empresa�

Parem todos de trabalhar.

�ele foi obrigado a demitir�

Parem todos de trabalhar.

�e a reestruturar o quadro de funcion�rios�

Precisamos de mais funcion�rios�

�pra atender � demanda.

O Dov ficou abalado por muito tempo.

�e pra manter a seguran�a da empresa.

Achou que era uma tentativa deliberada de sabotar a empresa dele.

O momento era de muita tens�o financeira,

com uma sequ�ncia de decis�es equivocadas,

mas, em vez de assumir a responsabilidade,

ele come�ou a culpar os outros e a procurar culpados.

Edmonton, um desastre total. Aqui, um desastre total, t� bom?

D� seus pulos e resolva.

Se ele estivesse de mau humor e voc� cruzasse o caminho dele,

sobrava pra voc�.

Naquele momento, eu me senti parcialmente respons�vel

pela empresa estar mal das pernas.

Isso acabou desencadeando um instinto de predador nele.

Ele dizia: "Ele n�o sabe o que faz." E foi pra cima de mim.

Quero que diga: "Desculpa, senhor,

pela minha equipe ter fodido a porra toda."

Voc� me deve uma!

Vou fazer voc� trabalhar as horas que n�o trabalhou!

Ele gritava: "Se n�o aguenta, pede penico, caralho."

Com sorte, at� o fim da noite, ou pede demiss�o, ou se rende.

Certo? Pede demiss�o ou se rende.

A� o jogo vai come�ar.

Vamos nessa. Pede demiss�o ou se rende.

Lembro que um cara levantou e foi embora.

Tamb�m me lembro do que aconteceu depois.

Todo mundo pensou: "Que fracassado.

� t�o fraco que n�o aguenta? Que pat�tico ele pedir demiss�o assim."

Voc� n�o � capaz, entendeu? Voc� n�o � forte o suficiente!

� dif�cil ver algu�m que voc� gosta sendo abusivo com outras pessoas.

Quero dizer, ele se acabava de gritar

e depois dizia: "Meu Deus, te assustei, amor?"

Com uma vozinha de crian�a.

O que era confuso, porque eu me sentia eternamente em d�vida com ele.

Ele era minha �nica op��o.

A essa altura, a empresa j� estava no vermelho.

E um assunto frequente no escrit�rio era:

"Quando esse barco vai afundar? O que vai ser o estopim?"

A American Apparel tinha uma r�dio-pe�o.

A f�brica toda se falava pelo AOL Messenger

e fic�vamos fofocando por l�.

E, um dia, eu estava no computador e algu�m me mandou um link

e falou: "J� viu isso?"

Voltamos ao assunto da mulher

que processou o diretor da American Apparel por ass�dio sexual.

Que porra � essa?

Espera. O qu�?

N�o quero manter isso em segredo,

especialmente quando sei que pode haver outras na mesma situa��o.

O empres�rio canadense de 42 anos

� acusado de ench�-la de liga��es e mensagens

exigindo que ela enviasse fotos sexualmente expl�citas.

As acusa��es que chegaram � minha mesa

me tiraram totalmente do s�rio.

Tenho duas filhas,

e isso me fez refletir

sobre o que elas poderiam passar

no ambiente de trabalho.

Inicialmente, uma mulher levou a outra.

Mas, ao investigarmos,

encontramos outras mulheres que disseram ter passado pela mesma coisa.

O diretor da famosa marca de roupas American Apparel

enfrenta outra acusa��o de ass�dio sexual.

Eu falei claramente pra ele parar. Falei: "N�o encosta em mim, por favor."

Charney diz que � s� um executivo pouco convencional

que sempre falou abertamente sobre ter rela��es sexuais

com suas funcion�rias.

J� assediou sexualmente alguma funcion�ria?

N�o.

Nosso maior desafio ao dar entrada nesses processos

era o fato de todas as mulheres terem assinado acordos.

Pra elas, era de praxe.

Mas o acordo basicamente dizia:

"Voc� n�o pode falar nada de ofensivo

sobre o Dov Charney ou a American Apparel."

E "as partes elegem a arbitragem para a resolu��o de quaisquer lit�gios

e renunciam ao direito de recorrer ao Judici�rio."

A empresa e o Dov Charney citam um acordo de confidencialidade.

Ela tinha 17 anos quando assinou.

A grande quest�o aqui �:

por que eles batem tanto na tecla da confidencialidade?

Na �poca, fiquei pensando nisso.

Em parte, eu sentia que precisava acreditar nas mulheres,

mas, ao mesmo tempo, o Dov era uma figura paterna pra mim.

E pensei: "Meu Deus, ser� que est�o tentando arrancar uma grana dele?"

Charney nunca foi condenado por assediar sexualmente uma funcion�ria.

E ele diz que nunca pagou um centavo nos processos contra ele.

Essas alega��es s�o desonestas.

Primeiro, s�o falsas.

Segundo, as autoras foram instru�das.

Terceiro, elas est�o exigindo um valor exorbitante.

E me sinto pronto pra encarar um teste do pol�grafo.

Eu nunca vi nada que indicasse que ele estivesse coagindo algu�m.

A empresa apresentou funcion�rias do alto-escal�o, todas mulheres,

que afirmam ter prazer em trabalhar paro Dov Charney.

� empolgante trabalhar com o Dov.

Acho o Dov um cara genial.

Ele � muito leal. Gosto de trabalhar pra ele.

"Por favor, gente, todo mundo sabe da sexualidade do ambiente de trabalho."

Eu acho que s� est�o atr�s da grana dele.

Chegou num ponto em que tudo virou uma grande piada.

Eu sou lindo, t� bom?

O sexo � lindo. As piranhas s�o lindas.

Se algum funcion�rio n�o gosta disso, ent�o me processa!

N�o me lembro de eu ter me sentido� envergonhada nem chateada.

Senti que voltamos ao trabalho normalmente.

Mais uma camisa, um rel�gio ou seja l� o que for.

Charney, o diretor da American Apparel, tenta se manter operando

ap�s perder de faturar US$ 86 milh�es,

fora o processo de ass�dio sexual de US$ 250 milh�es.

Depois disso, as coisas come�aram a ficar diferentes.

O Dov come�ou a ficar mais irritado e mais paranoico

sobre quem estava do lado dele ou n�o.

Foram quantas em Nova York?

J� deveria saber de cor. Idiota!

Passei de queridinho da empresa pra saco de pancada.

Eu estava sempre levando esporro por algo que eu n�o tinha feito.

Seu man� de loja barata!

J� n�o encar�vamos aquilo como piada

ou como s� sendo o jeit�o dele.

Voc�s s�o um lixo!

Era gritaria o tempo todo.

Eu vou te foder tamb�m! Vou te foder, caralho!

Ele surtava completamente.

Fazia buracos nas paredes.

Cheguei a v�-lo bater uma lata de lixo

tantas vezes no ch�o, que ficou parecendo uma latinha amassada.

Toma vergonha, seu idiota!

Ele chegava pertinho de voc� e se esbofetava.

Ele batia nele mesmo e dizia:

"Estou batendo em mim pra n�o te bater."

Chegava a ponto de sangrar.

Era tudo muito exagerado e surreal.

Ele nos deixava pensando: "Acho que meu chefe vai me matar."

Eu j� n�o me sentia seguro na casa dele,

por isso, fui embora.

ADAPTA��O | REVIS�O | SINCRONIA: QUER SE JUNTAR A N�S? | loschulosteam@gmail.com

Naquela �poca, s� conhecia pessoas que trabalhavam pra American Apparel,

todas as minhas roupas eram de l�, assim como o celular e o computador.

Eu estava t�o envolvido,

que nem conseguia enxergar nada fora daquela bolha.

Estava totalmente imerso.

Mande uma foto pra ele e depois se autoavalie.

Diga o que faltou e envie.

- Beleza. - T�? O nome dele � Carson.

N�o tem nem rel�gio com calculadora, ent�o vai � merda.

Errou comigo e me deixou na m�o.

Ouvi o Dov citar As 48 Leis do Poder � exaust�o durante anos.

Ent�o levei uma c�pia pra casa e fui dar uma lida.

Antes de conhecer o Dov, ouvi que ele era obcecado por esse livro,

e senti que, finalmente, eu deveria dar uma verificada.

"Nunca ensine o suficiente a ponto de n�o precisarem mais de voc�."

O Dov adora essa, tenho certeza.

"Mantenha as palavras vagas, mas cheias de promessas."

"Oriente os novos disc�pulos com rituais."

"Pe�a que se sacrifiquem por voc�."

"Vire o objeto do desejo oferecendo um prop�sito."

"Explore a car�ncia humana por f� e crie um s�quito devoto."

Como posso vender isso? Como v�o vender?

Eles n�o t�m o adesivo. O adesivo custa tr�s centavos.

"Mantenha as pessoas num estado cont�nuo de medo."

"Cultive certa imprevisibilidade."

Que loucura. Eu diria que morria de medo dele.

E ele executou isso com maestria.

� maligno. � uma forma de pensar bem manipuladora.

"Aprenda a manter as pessoas dependentes de voc�."

Talvez eu devesse ter lido o livro.

� o manual do l�der de seita. Voc� cria a fome

e depois vira o �nico capaz de saci�-la,

controlando a situa��o.

Nossa, agora tudo faz sentido.

Me d� vontade de chorar. � muito assustador.

Fui t�o facilmente convencido assim?

Basicamente, eu vim de outra seita.

Foi como se eu tivesse sido preparado desde crian�a como m�rmon,

pra sair dessa situa��o e entrar em outra id�ntica.

Quando percebi que o rei estava nu

e que essas eram as ferramentas usadas pra me manipular,

caiu a ficha: "Mas que porra eu t� fazendo?"

Tudo j� tinha ido pro brejo, mas eu morria de medo de pedir demiss�o

por causa das coisas que ele me dizia:

"Voc� nunca mais vai arranjar emprego nesta ind�stria nem nesta cidade.

Conhe�o todo mundo. Vou dizer que voc� � p�ssima."

Mas as coisas come�aram a complicar,

e nem sei o que causou isso.

Ele come�ou a mandar mensagens dizendo que eu acabei com a empresa.

"A culpa � toda sua e voc� � submissa."

"Voc� n�o tem paix�o, e acho isso inaceit�vel."

Ele mandou um e-mail pro advogado da empresa

com o diretor de vendas e eu copiados:

"A partir de segunda-feira, reduza o sal�rio da EJ em 25%."

E pronto. Na manh� seguinte, pedi demiss�o.

Comecei a ser firme

sobre coisas que achava absurdas.

Recebi 25 chamadas do Dov no fim de semana me dizendo pra ir l�.

Depois as dovetes e outras pessoas come�aram a me ligar.

"O Dov t� tentando te ligar." Falei: "N�o vou atender.

S� vou atender na segunda."

TCHAU, CARSON!

Fiz com que me mandassem embora,

porque sabia que, se eu pedisse demiss�o, ele n�o me pagaria nada.

Uma vez, passei o dia todo sem comer

e falei pra ele: "Dov, preciso de uma pausa."

Ele respondeu: "Vai pegar uma pizza. Volta em cinco minutos."

E eu falei: "Dov, preciso de uma refei��o de verdade, com legumes.

Preciso de um tempinho."

E o Dov ficou puto comigo.

Enquanto ele gritava comigo,

vi uma dovete�

levando um fil� e colocando o prato na frente dele.

Pensei: "� s�rio uma porra dessas?"

E eu perdi a paci�ncia com ele.

ADEUS, MICHELLE!

No dia seguinte, o advogado falou: "Acho melhor voc� sair da empresa."

Analisando a empresa,

ela tem menos de US$ 120 milh�es de valor de mercado.

Ele levou essa empresa pro fundo do po�o.

A verdade � que o conselho deve averiguar a quest�o a fundo.

Ap�s ter sido demitida pelo Dov, recebi uma liga��o

de um auditor independente contratado pelo conselho de administra��o,

e come�ou a ficar claro que eles queriam se livrar do Dov

e procuravam informa��es pra apoiar essa decis�o.

Se algu�m escreve um livro sobre passar por cima dos outros

pra chegar aonde precisa e voc� p�e essa pessoa no conselho,

claro que voc� vai se ferrar.

Os investigadores acharam um servidor

de propriedade da empresa que o Charney usava

que continha e-mails, mensagens, v�deos sexuais expl�citos.

Muita informa��o prejudicial pra ele.

S�o meras alega��es, claro, mas existem v�deos

em que ele estava nu numa sala qualquer,

no apartamento dele ou num quarto de hotel,

com duas funcion�rias dele.

Estou dan�ando.

Ultrapassava todos os limites �ticos e potencialmente legais.

Novas evid�ncias indicam

que ele trocou mensagens impr�prias com funcion�rias.

"Sua bunda naquela foto t� pedindo uma homenagem."

"J� posso me gozar inteiro que nem um porco nojento?"

Isso passa muito do aceit�vel.

A empresa tem que fazer mudan�as bem radicais.

O controverso diretor executivo e fundador da American Apparel saiu.

A American Apparel demitiu Dov Charney.

O conselho da empresa o demitiu.

Isso a�, caralho. Ele merece ser demitido.

Acho que ele pensa que demiti-lo � ruim pra empresa,

mas n�s achamos que � a coisa certa.

At� recortei a manchete e o artigo e colei no meu di�rio,

de tanto que foi incr�vel e que eu queria me lembrar daquilo.

AMERICAN APPAREL DEMITE FUNDADOR

Quando ele foi demitido, foi um grande al�vio.

Mas, ao mesmo tempo, foi como perder minha fam�lia.

Foi muito dif�cil digerir.

Sim, teve ass�dio. Mas tamb�m teve momentos divertidos.

E por isso que � t�o complexo.

Acho que a sa�da do Dov Charney ocorreu

porque o conselho viu que as queixas eram reiteradas

e que, se o mantivessem, poderiam vir a haver mais.

As mulheres que o denunciaram foram bem corajosas.

Mas, como assinaram acordos extrajudiciais,

foram silenciadas.

Ent�o n�s t�nhamos que agir. N�o podia ficar por isso mesmo.

Minha cliente veio relatar a experi�ncia dela,

o que aconteceu com ela.

Fomos ao Capit�lio pra tentar mudar a lei

pra proibir os empregadores de exigir

que seus funcion�rios abdiquem dos pr�prios direitos.

Todo o meu tempo na empresa foi horr�vel.

Foi absoluta e terrivelmente desumano

trabalhar nessa empresa.

Eu precisei de quase oito anos pra processar, digerir e entender

tudo que esse homem tirou de mim.

O que me d� �dio � que ele tirou minha voz.

Adoraria contar os detalhes do que vivi naquela empresa,

mas n�o posso fazer isso.

Sabendo que ele era capaz de gritar

e, �s vezes, de ser fisicamente violento comigo,

comecei a achar que talvez ele fosse capaz

das coisas de que estava sendo acusado.

DOVE CHARNEY NEGOU TODAS AS ACUSA��ES CONTRA ELE.

DEVIDO AOS ACORDOS ASSINADOS PELAS DENUNCIANTES,

TODA QUEIXA FOI REJEITADA E SUBMETIDA A ARBITRAGEM CONFIDENCIAL.

CONTUDO, NO DECORRER DO PROCESSO,

ALEGA��ES DE FUNCION�RIAS VIERAM � TONA.

EIS OS IN�DITOS RELATOS NA VOZ DE ATRIZES.

Tinha 18 anos quando comecei a trabalhar na American Apparel.

O Dov me convidou pra Los Angeles pra um treinamento de uma semana

que aconteceu na casa dele.

Ele n�o me deixou voltar pra casa pra pegar uma mala.

Ele deixou claro que eu tinha que ficar na casa dele.

O Dov me convidou pra ir na casa dele

e, quando cheguei l�, ele estava s� de cueca.

O Dov me ofereceu um trabalho como modelo da American Apparel.

Quando cheguei, ele estava s� de toalha.

Fiquei sozinha com o Dov no quarto dele.

Ele me perguntou se eu era exibicionista ou voyeur.

Ele me arrastou pra dentro e me obrigou a fazer sexo oral nele.

E depois exigiu que eu fizesse sexo oral nele.

Ele tentou tirar fotos e me atacou,

me obrigando a praticar atos sexuais.

Exigiu que eu mostrasse os seios.

E, quando me recusei, ele ficou mais agressivo e violento.

Ele me levou pro quarto, subiu em cima de mim

e quase morri sufocada

quando ele me for�ou a praticar outro ato sexual.

- Ele tinha idade pra ser meu pai. - N�o me deixou sair.

E tentou me sodomizar.

Eu tinha 18 anos.

DOV CHARNEY NUNCA RESPONDEU �S ACUSA��ES DE ASS�DIO NA JUSTI�A

O Dov se safou de muita coisa

e provavelmente vai continuar se safando.

As pessoas s�o como animais, e ele � um predador.

Um tubar�o, uma cascavel ou algo assim.

E, por mais raiva que voc� tenha,

a cascavel e o tubar�o nunca v�o deixar de ser o que s�o.

Eles sempre v�o morder.

E � incrivelmente frustrante, porque�

por alguma raz�o, nossa sociedade

deixa esse tipo de gente continuar.

NOVE MESES AP�S DEMITIR DOV CHARNEY, A AMERICAN APPAREL DECLAROU FAL�NCIA.

CHARNEY CRIOU A LOS ANGELES APPAREL

E MAIS TARDE VIROU DIRETOR EXECUTIVO DE OUTRA GRANDE MARCA.

Se a American Apparel teve sucesso sendo uma extens�o de voc�,

que extens�o n�s teremos?

A mesma! N�o me arrependo de porra nenhuma.

Legendas: Othelo Sabbag

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