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De volta ao nosso programa.
O prazer é meu, Cristiane, poder falar com você mais uma vez e falar com o povo
americano.
Bem, isso é uma coisa boa, porque eu queria lhe perguntar, em primeiro lugar,
como é que você se sente levar um tapa na cara com 50 % de sobretaxa de um
país do mundo, que é os Estados Unidos?
Olha, Cristiane, para mim foi uma surpresa.
Não só o valor da taxação, mas como é que foi anunciado.
Eu penso que falta um pouco de multilateralismo na cabeça do presidente
E ele sabe que um problema desse se resolve numa mesa de negociação.
O que eu estreio de fato?
Nós estávamos negociando com os Estados Unidos há alguns meses. O meu ministro
das Relações Exteriores, o meu vice -presidente da República, que é ministro
Indústria e Comércio, estávamos negociando.
Dia 16 de março, nós mandamos uma proposta para o governo americano,
dez reuniões, mandamos uma proposta dia 16 de maio, dizendo o que a gente queria
e o que era possível acordar.
Olha, para nossa surpresa, ao invés de uma resposta à carta que nós mandamos,
nós recebemos a notícia publicada, sabe, no site do Presidente da República, que
não foi uma carta enviada diplomaticamente como a gente costuma
Eu achei que foi um erro muito grande, um equívoco, porque a carta que o
Presidente Trump fez está cheia de inverdades.
Primeiro, ele estava sabendo que aqui no Brasil a justiça é independente. O
Presidente da República não manda na justiça.
A segunda é que o déficit comercial não é verdade.
Os Estados Unidos, nos últimos 15 anos, teve um superávit de 410 bilhões de
dólares com relação ao Brasil.
E terceiro, se a gente vai cobrar o imposto das big techs, é um problema do
governo brasileiro. Olha, se a gente cobrar uma taxa...
e eles não se contentarem, se estabelece uma negociação entre o governo, é assim
que funciona o multilateralismo. É assim que funciona o comércio mundial.
É assim que o Brasil age. O que não pode é o presidente Trump esquecer que ele
foi eleito para ser presidente dos Estados Unidos e não foi eleito para ser
imperador do mundo.
Seria muito melhor... se estabelecer uma negociação e fazer um acordo possível,
porque nós somos dois países que temos uma reunião muito boa há 201 anos.
Então ele está quebrando todo e qualquer protocolo, toda e qualquer liturgia que
deve exigir o relacionamento entre dois chefes de Estado. Foi muito
desagradável, nós estamos tentando conversar com as pessoas, agora nós
também preparando a nossa resposta.
O que eu tenho dito publicamente é que nós vamos utilizar...
todas as palavras no dicionário tentando negociar. Se não der negociação, você
pode ter certeza que a gente vai recorrer à OMC, ou podemos recorrer
poderemos juntar um grupo de países e recorrer, ou poderemos utilizar a lei da
reciprocidade que foi acabada de aprovar pelo Congresso Brasileiro. É assim que
vai ser. Eu lamento, lamento.
que dois países que têm uma relação histórica de 201 anos precisem estar
brigando na justiça porque um presidente não respeita a soberania do outro.
Sr. Presidente, deixa eu levantar algumas questões que o Trump falou.
Em primeiro lugar, falando sobre... Você acabou de
mencionar.
O Procurador -Geral da República, da AGU, disse que, de acordo com os dados
Estados Unidos, o Messias escreveu que tem um superávit com o seu país que era
,4 bilhão no último ano. De acordo com os seus números, chega a... quase 30
bilhões, fazendo que o Brasil é o terceiro maior contribuidor para o
mundial dos Estados Unidos.
Quando você inclui os bens e serviços, e como você diz, nos últimos 15 anos, os
Estados Unidos têm um superávit de 410 bilhões.
Nessa questão do comércio, que o Trump gosta de dizer, a América está sendo
explorada pelos seus... Por que ele tem essa ideia?
Por que ele acha que tem um déficit com esses países todos e com o Brasil?
Ou por falta de conhecimento ou por falta de assessoria.
Porque o débito do ano passado foi de 7 bilhões de dólares para o Brasil.
E nós continuamos achando que os Estados Unidos continuam sendo um parceiro
muito relevante para o Brasil.
Nós tivemos um fluxo na balança comercial de 87 bilhões.
Os Estados Unidos exportou para o Brasil 47 bilhões e nós exportamos para os
Estados Unidos 40 bilhões.
Que são produtos que muitas vezes são empresas que levam o produto para lá e
trazem o produto para cá. É uma coisa complicada que eu acho que vai ser
resolvida na hora que os empresários americanos e os empresários brasileiros
sentarem numa mesa e negociar para mostrar, não apenas ao presidente do
mas ao presidente dos Estados Unidos, de que a taxação foi equivocada, foi mal
pensada e foi avisada no momento equivocado quando a gente estava numa
negociação. Não é possível aceitar, sabe, que um país...
acha que pode habitar as regras para outro país sem sentar numa mesa de
conversação.
Bem, presidente,
uma segunda questão que você também mencionou é uma questão política.
Aparentemente, o presidente Trump está dizendo que ele discorda com a
investigação e o processo no tribunal do seu predecessor, o presidente
Bolsonaro.
Aqui que está o que o Trump disse.
Isso é nada mais, nada menos do que um ataque sobre um oponente político, que
sei muito que aconteceu comigo. Dez vezes eu fui acusado de coisas.
Qual é a sua resposta para esse comentário do presidente Trump?
A minha resposta, Cristiane, é que o poder judiciário brasileiro é
O presidente da República não tem influência no poder judiciário.
Eu indico o ministro da Suprema Corte, ele é referendado pelo Senado ou não,
toma posse e vai cuidar da nossa Constituição.
Veja só, o Bolsonaro está sendo julgado não é porque ele é oposição.
O que é importante lembrar é que eu perdi três eleições nesse país.
É importante lembrar que a quinta eleição que eu disputo, sabe, também já
quatro eleições. Eu e a minha sucessora Dilma Rousseff, vai para cinco eleições
que nós ganhamos.
E nunca houve ninguém nesse país que tentasse estabelecer a tentativa de
como o Bolsonaro fez.
O Bolsonaro não está julgado pessoalmente, ele está julgado pelos
cometeu. Ele tentou dar um golpe, tentou derrubar a democracia, ameaçou
sigilosamente a morte do Alckmin, a minha e a do presidente do Tribunal
Eleitoral Brasileiro.
Ele está sendo julgado por isso. E ontem o procurador -geral fez a denúncia. Ele
certamente será condenado. Eu queria dizer uma coisa, Cristiane, para o povo
americano. Se o Trump fosse brasileiro e ele tivesse feito aqui o que foi feito
no Capitólio, ele também estaria sendo julgado. E possivelmente, se tivesse
ferido a Constituição de acordo com os ministros, ele também poderia ser preso.
Bem, nesse momento, eu tenho que dizer, presidente, que o presidente Bolsonaro
nega todas essas acusações, mas na maior parte, o seu filho, Eduardo, que é
membro do Congresso, ele está nos Estados Unidos fazendo lobby
para sanções contra o Brasil.
E ele queria também sanções contra o presidente do Supremo.
E agora o Trump está querendo não só sanções no Supremo, mas agora sobre o
brasileiro com 50 % de tarifa. Os seus opositores têm sido fortes. O Bolsonaro
está tentando obter esse resultado. Eles querem que você abandone as acusações
contra ele.
Veja, primeiro não é o presidente Lula que acusa.
É o Ministério Público que faz a acusação.
E que julgue a Suprema Corte. O Lula não tem nada a ver com isso. É importante,
Cristiano, lembrar que eu fui julgado por essa mesma corte.
É importante lembrar que eu perdi três eleições nesse país e nunca criei nenhum
problema. Perdi as eleições e me preparei para ganhar outra.
O que não dá é para você não levar em conta que você teve um período na
presidência da República, um cidadão que contava 11 mentiras por dia, que
instigava o ódio.
Que abusava da democracia, achando que democracia é baderna, é de respeito aos
direitos humanos, de respeito às mulheres, de respeito aos negros, de
aos indígenas, de respeito aos sindicatos, de respeito à Suprema Corte.
Ou seja, começou a inventar que ele ia ser roubado, ele sabia que ele ia perder
as eleições.
Quando eu estava preso, a pesquisa dizia que eu ganharia as eleições dele.
Ora, e ele então vem com essa história de que foi roubado e foi tentado a um
golpe? e depois de forma covarde surgiu para os Estados Unidos antes de vir da
posse? Esse país aqui é um país que merece respeito.
E o presidente Trump tem que respeitar a soberania desse país.
A soberania da Suprema Corte, a soberania do Poder Legislativo, a
Poder Executivo, como eu respeito a soberania americana.
Ora, o presidente Trump tem o direito de taxar os produtos brasileiros de
qualquer outro país do mundo.
Mas seria muito mais correto a gente sentar numa mesa de negociação e na OMC
negociar? Porque a verdade no EICRU é essa. O presidente Trump está querendo
destruir a coisa mais sagrada que aconteceu depois da Segunda Guerra
que foi o multilateralismo. O multilateralismo permitiu que os estados
conviver em harmonia, sentados e tentar resolver os seus problemas negociando.
Não é a supremacia da força de um contra o outro.
Eu vou dizer para você uma coisa, a taxação tarifária não resolve nenhum
problema, pode criar muitos outros problemas.
E é importante lembrar que o tarifácio vai criar problemas também para o povo
americano, não é só para o povo brasileiro.
Eu aqui vou tentar resolver os meus problemas.
Nós estamos conversando com os empresários, estamos conversando com os
produtores agrícolas, estamos conversando com os pescadores, estamos
com os sindicatos. Nós vamos encontrar uma solução e vamos dar uma resposta,
pelo site.
numa carta oficial do presidente da República do Brasil ao presidente Trump,
para ele saber que respeito é muito bom, eu gosto de dar e gosto de receber.
Sim, você acabou de dizer que a sua resposta vai ser uma carta oficial
e não pela mídia, não pelas redes sociais. Então, deixa eu te perguntar,
você sabe, o presidente Trump ameaçou com tarifas de 50 % para a China, depois
voltou para trás e 50 % ou mais para a Colômbia, depois a Colômbia recuou,
aceitou e negociou mal.
aceitou os deportados de volta para a Colômbia. Os povos nos vários países não
querem provocar o Trump, porque será pior ainda enfrentar o Trump do que
chegar a um acordo.
Qual seria o seu plano econômico se você não concordar com o que o presidente
Trump está exigindo?
E se você for atingido pela tarifa de 50%, como é que você vai sobreviver? Que
mercado você vai buscar, presidente?
Ô, Cristiano, primeiro se eu responder para você qual é a minha estratégia, ela
não vai valer mais. Então, deixa eu lhe falar. Eu disse para você o que eu estou
discutindo. Eu só queria contar uma coisa para você, Cristiano. Em apenas
anos e meio de governo, eu criei...
379 novos mercados para os produtos brasileiros no mundo. E eu tenho viajado
muito. Tenho viajado. E vamos fazer um acordo com a União Europeia. Vamos fazer
acordo com os países do ASEAN.
Vamos fazer acordo na América Latina.
Vamos conversar com o México.
E nós vamos tentar procurar novos parceiros.
E não vamos deixar de levar em conta a importância que os Estados Unidos têm
para nós.
Eu jamais imaginei brigar com os Estados Unidos.
Você sabe, eu tive uma relação extraordinária com todos os presidentes,
Clinton, ao Bush, ao Obama, ao Biden, e eu espero ter uma boa relação com o
presidente Trump.
Agora, o que é importante ter em conta é que é preciso respeitar a soberania dos
países. É preciso respeitar as coisas que acontecem dentro de um país.
Falar em desmatamento no Brasil, o Brasil é o país que mais leva a sério a
questão do clima.
Nós já diminuímos 50 % do desmatamento da Amazônia e o meu compromisso é, até
2030, ter desmatamento zero na Amazônia.
Aliás, eu espero que o presidente Trump venha na COP30, que vai ser no coração
da Amazônia.
Primeiro, para ele conhecer a Amazônia.
Segundo, para a gente saber se os líderes estão falando a verdade quando
que estão preocupados com o clima. Eu quero saber se as lideranças estão,
sabe... entendendo que os cientistas estão corretos, ou eles acham que é tudo
mentira, que não está acontecendo nada no planeta.
Porque é isso que tem que dizer.
Porque os países ricos prometeram, em Copenhague, em 2009, dar 100 bilhões de
dólares por ano para ajudar os países em desenvolvimento, os países pobres, e
até agora nada.
Agora essa dívida já está em 1 trilhão e 300 bilhões de dólares.
Então, Cristiano, o que eu acho?
É que eu nasci na minha vida política negociando.
Eu fui dirigente sindical, eu fiz muitas greves, eu fiz muitas assembleias, mas
tudo terminava numa mesa de negociação. É na mesa de negociação que a gente
resolve o problema, porque uma mesa de negociação é muito mais barato do que
guerra, é muito mais barato do que uma luta. Não só não se destrói nada, como a
gente não permite a morte de ninguém.
Esse país...
sabe, que está falando com você, que já é um país da paz.
Nós não temos contencioso no mundo com ninguém.
E não queremos ter contencioso.
Nós queremos resolver o problema numa mesa de negociação. Por isso é que nós
mandamos, dia 16 de maio, as propostas para o governo americano.
Bem, você fala e nos lembra muito bem que você foi um grande negociador. O
presidente Trump também. Ele gosta de se chamar de um grande negociador. Isso
certamente significa que os dois presidentes, ele e ele, deveriam ter uma
reunião para conseguir resolver isso.
Mas você é da esquerda progressista, ele é da direita e tudo isso.
Talvez a política de vocês dois não equivale. Tem alguma coisa que está
acontecendo entre vocês dois?
diz que o comércio do Brasil com os Estados Unidos representa 1 ,7 % do PIB
total do Brasil.
Então, não é que o Brasil não poderia sobreviver sem os Estados Unidos. É isso
que você disse aí para a mídia. Você acha, então, que o seu país e talvez
outros, como o BRICS e outros países, serão capazes...
A prova de Trump é estabelecer um comércio, um mercado separado,
dos Estados Unidos, para se protegerem contra essas tarifas unilaterais que os
Estados Unidos estão impondo?
Cristiano, deixa eu te dizer uma coisa muito sincera.
Eu não sou um presidente progressista, eu sou o presidente do Brasil.
Eu não vejo o Trump como presidente de direitos, eu vejo ele como presidente
Estados Unidos. Ele foi eleito.
Ele tem o respaldo do povo americano.
Então, não importa se eu gosto ou não gosto dele, se ele é de direita ou de
esquerda. O que importa é que ele é o presidente dos Estados Unidos. O que
importa é que eu sou o presidente do Brasil.
Nem os Estados Unidos tem outro, nem aqui no Brasil tem outro. Sou eu e ele.
Então, a melhor coisa do mundo é você estar em uma mesa para conversar.
Essa é a melhor coisa do mundo.
Até agora ele tem demonstrado que não tem interesse porque ele acha que ele
fazer das tarifas que ele quiser.
A segunda coisa, ninguém, ninguém...
quer romper com os Estados Unidos e ninguém quer precedir os Estados Unidos.
O que nós queremos é não ser refém dos Estados Unidos. O que nós queremos é ter
mais liberdade nas transações comerciais entre os países dos BRICS.
Tem gente que acha que quando a gente fala saber negócio nas moedas dos
que a gente está querendo romper com o dólar. É importante lembrar que em 2004,
Brasil e Argentina fizeram um acordo para que a gente fizesse negócio nas
moedas.
E isso é o que nós queremos, ver possibilidade de fazer acordo nas nossas
sem precisar que você fique pendurado no dólar. Esse é um dado concreto. Ninguém
está pensando nem em criar uma nova moeda. Nós estamos querendo apenas fazer
acordo e negócio nas nossas moedas. E é importante lembrar, Cristiane, que
quando você fala dos BRICS, o BRICS é de esquerda, é importante lembrar que os
BRICS têm 10 presidentes do G20.
É importante lembrar que quatro presidentes do BRIC foram convidados
no Canadá.
Então é importante lembrar que nós representamos 40 % do comércio
sabe? E é importante lembrar que nós temos 25%, sabe, do
PIB mundial.
Além do que, nós temos praticamente metade da população.
E nós não queremos brigar com ninguém. O BRICS não foi criado para a gente
brigar com o norte, não. O BRICS foi criado para que a gente, os iguais,
disputam de formas iguais os seus problemas.
Eu, por exemplo, tenho interesse muito na África. Eu tenho interesse na América
Latina. O Brasil é um país importante na América Latina, importante para a
África. E nós queremos estreitar nossas relações.
E nós queremos comprar e vender o que for possível.
O Brasil é um país em busca de paz e tranquilidade. É assim que nós buscamos
na Ucrânia, é assim que nós buscamos paz em Gaza, é assim que nós queremos paz
no continente africano, sobretudo no Congo.
O Brasil não quer nem alimentar, nem participar de guerra. O Brasil quer paz
quer negociar.
É importante para o presidente Trump, com relação ao presidente Putin, você
acabou de falar de paz na Ucrânia e você falou com o presidente Putin quando
você visitou na desfile dos 80 anos do fim da Segunda Guerra, da vitória, você
sugeriu que você podia intermediar, mas também ver o presidente Trump.
tentando convencer o presidente Putin, tentou se apresentar como negociador,
mediador, e o presidente Putin nem respondeu ao Trump.
E o Trump está ficando muito frustrado com isso. Você também não teve muito
sucesso com o Putin para terminar com essa guerra.
O que nós podemos falar para o presidente Putin, para você, presidente,
qualquer outra pessoa que queira terminar com essa guerra?
Deixa eu te dizer o que deveria ser feito.
Eu vou te dizer o que eu penso que deveria ser feito.
Eu penso que era importante que se levasse em conta uma proposta
feita pelo Brasil e pela China na criação de um grupo de amigos.
Um grupo de amigos, escolhido pela ONU.
O secretário -geral da ONU escolhe um grupo de amigos, de pessoas que não
estejam envolvidas no conflito, vai à Rússia.
Ouve o Putin, vai ao Kremlin, ouve o Zelensky e faz uma proposta alternativa
àquilo que os dois querem.
Porque aquilo que os dois querem, aquilo que o Zelensky acha que é a única
condição para ele fazer um acordo, aquilo que o Putin acha que é a única
condição, não vai acontecer.
Essa guerra não vai ter vencedor. Então o que é importante é que tenha uma nova
proposta a ser feita. O problema é que não tem interlocução no mundo.
Você acha? Eu fiquei feliz quando eu vi o Trump falar que ia negociar essa
guerra da Ucrânia e da Ucrânia. Eu fiquei feliz.
Embora eu tenha divergência do Trump, eu fiquei feliz quando eu vi a notícia de
que ele estava disposto a ajudar a parar essa guerra.
Agora, essa semana, eu ouvi ele dizer que ele vai vender mais armas.
O mundo está muito estranho, Cristiano. Você veja o negócio. O mundo aumentou.
Os países da OTAN aumentaram em 5 % do PIB.
o seu orçamento para comprar armas.
E tem 733 milhões de pessoas que estão morrendo de fome. Tem outros bilhões que
não têm assistência médica. Tem outros bilhões que não têm água para beber.
Tem outros bilhões que não têm saneamento básico. Esse dinheiro que
carregado para comprar armas deveria estar sendo carregado para ajudar o
pobre a se desenvolver um pouco.
Porque quando o mundo pobre se desenvolver, quem vai ganhar dinheiro
países ricos que têm que exportar.
Mas nem essa compreensão eles têm.
Então eu acho que é importante entender, não tem interlocutor para resolver esse
problema da paz.
É preciso que a ONU assuma a coordenação. É preciso que a ONU assuma
coordenação. E é preciso que o Putin e os eleitos concordem com a coordenação,
com um grupo de países que façam a proposta alternativa ao que eles querem.
Porque senão essa guerra não vai ter fim.
E eu espero, sinceramente, que o presidente Trump...
Ao invés de alimentar mais armas, seja mais cuidadoso para tentar fazer a paz.
Ele tem força, ele pode.
A mesma coisa eu penso no presidente Xi Jinping.
Ele poderia ter mais influência na Rússia.
Então, se você não tiver interlocutor, essa guerra vai continuar.
É como Gaza.
O que está acontecendo em Gaza?
O Netanyahu não respeita ninguém, não respeita a decisão da ONU, não respeita
decisão dos Estados Unidos, não respeita nada.
O Netanyahu está predestinado a ficar no governo e para ficar no governo tem que
fazer guerra.
Tem que matar mulheres e crianças.
Esse mundo é o que nós queremos?
Os Estados Unidos fazem parte do Conselho de Segurança, a China faz parte
Conselho de Segurança, a Rússia faz parte do Conselho de Segurança, a
faz parte e a França.
Onde estão o Conselho de Segurança da Paz, o Conselho de Segurança da Ouro
Permanente, que não resolve esse problema?
Quem é aquele interlocutor?
Ninguém.
Todo dia eu vejo nos jornais, alguém pediu cesta a fogo. E no dia seguinte,
Netanyahu mata mais um monte de mulher e de criança.
Agora mesmo matou criança que estava pegando água.
Outro dia matou criança que estava buscando comida.
Ou seja, cadê a governança mundial que tem que interceder?
A governança mundial deveria ser feita pelos cinco membros do Conselho
Permanente da ONU. Que todos eles são produtores de armas e todos eles já
participaram de guerra.
Os Estados Unidos invadiram o Iraque sem decisão da ONU, a Inglaterra e a França
invadiram a Líbia sem decisão da ONU e o Putin invadiu a Ucrânia sem decisão da
ONU. E nessa guerra de Gaza não tem intelectual e em outras guerras da
Então, Cristiano, falta a governança mundial.
Falta governança. Acho que os cinco membros do Conselho de Segurança
reunir e dizer o seguinte, é preciso mudar o Conselho de Segurança porque nós
não estamos tendo competência de resolver os problemas.
Vamos criar uma outra governança.
Aí tem que entrar a representação da América Latina, da África, do Oriente
Médio, a Índia tem que entrar, a Alemanha tem que entrar, o Japão tem que
entrar. Vamos mudar para ver se a gente consegue estabelecer.
Pelo menos a esperança de que o mundo vai ter mais paz do que guerra.
Eu entendo.
Nós queremos a paz, não tem dúvida. Eu queria te perguntar, finalmente, o que
você vai dizer ao povo brasileiro quando você falar em rede nacional sobre a
crise da tarifa e que é a maior crise que já aconteceu em mais de uma década,
maior crise entre o Brasil e os Estados Unidos. O que você vai dizer ao povo
brasileiro sobre isso, presidente?
Olha, eu ainda não vejo crise, Cristiano.
Eu, sinceramente, eu acho que em negociação é assim.
Cada um fala o que quer, também cada um ouve o que quer.
É assim.
Como eu acho...
Que o Brasil deseja estar bem com os Estados Unidos, estar bem com a China,
estar bem com a Bolívia, estar bem com o Uruguai, com o Paraguai, estar bem com
a Argentina.
Eu não quero saber quem é o presidente desses países. Eu quero saber que se
tiver um presidente, foi eleito pelo povo e é com ele que eu quero negociar.
Se o presidente Trump estiver disposto a levar a sério as negociações entre
Brasil e Estados Unidos, eu estarei totalmente aberto e disposto a negociar
quem for necessário.
Agora o que é importante é o seguinte, a relação entre dois países não pode ser
assim. Eu me considero imperador, tomo uma decisão e publico no jornal.
Não é possível.
Isso não existe no multilateralismo, é feito a respeito.
O Brasil tem dono.
O dono do Brasil são 215 milhões de brasileiros, mulheres e crianças,
idosas, pessoas jovens, sabe, que querem construir esse país.
Estamos construindo esse país.
Quando eu cheguei na presidência, em 2023, esse país estava terra arrasada.
Esse país estava com desemprego, esse país estava com inflação, esse país não
tinha crescimento econômico, porque esse país, aliás, esse país estava isolado
do planeta Terra.
Ninguém queria vir aqui.
O Trump mesmo recebeu o Bolsonaro por 15 segundos.
Nem o Trump queria conversar com ele.
E agora o presidente Trump fazer uma carta para mim, colocamos como condição
negociação, não processou o Bolsonaro.
Aí, sinceramente, não dá nem para acreditar. Eu quando vi a carta pelos
eu pensei que era um material apócrifo.
E depois eu fui ver que era mesmo, estava uma coisa assinada pelo
Trump.
Então, pode ficar certo que o Brasil, no momento certo, vai dar resposta à carta
do presidente Trump. Pode ficar certo. E no pronunciamento eu vou falar com o
povo brasileiro sobre o que eu estou pensando.
E, sinceramente, pode estar certo. Pode estar certo. O Brasil não gosta
de encrenca.
O Brasil gosta de negociar e gosta de paz.
Os nossos empresários já estão fazendo uma reunião com o nosso governo e eu
tenho pedido aos empresários para conversar com os seus contrapartes nos
Unidos, porque está cheio de empresários também fazendo críticas à decisão do
governo americano.
No momento certo, eu então vou anunciar a resposta do que o Brasil vai fazer.
E pode ficar certo que eu farei com muito respeito aos Estados Unidos,
gente tem que admirar.
Estamos nos Estados Unidos, por ser a maior potência militar, a maior potência
econômica, a maior potência tecnológica, sabe?
E que precisa admitir o jeito de organização. Como é que você acha,
que eu vou aceitar um cidadão presidente da OTAN, que eu nem conheço, nem
conheço, nem sei quem é, da POP em São Paulo e Brasil?
É preciso que as pessoas respeitem.
Quando eu fui eleito a primeira vez, em 2003, um cidadão que era subsecretário
do Bush deu um palpite na economia brasileira e falou que não queria saber
sub e do sub.
Eu quero conversar com o presidente Bush.
E fui chamado para conversar com o Bush dia 10 de dezembro de 2003, quando ele
estava alucinado para fazer a guerra com o Iraque.
E convidou o Brasil para participar da guerra.
Eu disse para o presidente Bouchard, a guerra do Brasil é contra a fome no meu
país. Tem 54 milhões de pessoas passando fome. Eu não conheço Saddam Hussein,
nunca fui no Iraque, está a 14 mil quilômetros do meu país, eu não quero
Eu quero é fazer uma guerra contra a fome e vou acabar com a fome. E acabamos
com a fome no país.
Agora que eu voltei 15 anos depois, tinha 33 milhões de pessoas passando
Vou acabar com a fome este ano ainda, Cristiano.
Este ano.
Porque o meu lema aqui no Brasil é cuidar do Brasil, cuidar do povo
não é cuidar dos interesses dos outros.
É assim que eu acho que todos os presidentes deveriam funcionar.
E é assim que eu peço ao presidente Trump.
O Brasil é um aliado histórico dos Estados Unidos.
O Brasil preza a relação econômica entre o Brasil e os Estados Unidos.
Mas o Brasil não aceita a imposição.
O Brasil aceita negociação.
E que vença quem tiver razão.
É assim que eu vou tratar essa nossa relação, que eu tenho tempo ainda, até o
dia 1º de agosto, para dar a minha resposta.
E ela será dada da forma mais tranquila possível.
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