All language subtitles for A.Musa.de.Bonnard.2023.1080p.WEB-DL.EAC3.AAC.DUAL.5.1-stream-5-subtitle-subrip

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Original subtitles

Você costuma pegar garotas na rua?

Podia responder, pelo menos.

O que você faz na vida?

Trabalho para Trousselier.

O fabricante de flores artificiais?

Isso.

Não me pergunta o que eu faço lá?

O que você faz na Trousselier?

Adivinha.

Os seios, por favor.

Seus seios, por favor.

Como assim?

Se quer ser modelo, vai ter que mostrar os seios.

Nunca disse que queria ser modelo. Você me perguntou se queria posar.

E você disse que sim.

Mas eu não disse que mostraria meus seios!

O que está fazendo?

-Preciso ir para casa. -Eu não terminei.

Estou cheia de ficar parada, sem me mexer por horas. Obrigada!

Me ajuda!

Fiz sem pensar. Me desculpe.

Sinto muito.

O que está acontecendo?

Eu já volto.

O que está havendo?

Tudo bem?

Sou asmática.

É falso.

Eu mesma fiz para você.

-Sou eu? -É.

Eu nem sei seu nome.

Marthe.

Marthe?

Marthe é um nome bonito!

Marthe do quê?

De Meligny.

De Meligny!

Sou de origem italiana.

Aristocrata.

Pode ser.

Operária na Trousselier, então falida.

E você?

Eu?

Pierre.

Pierre Bonnard.

O mais francês possível.

Média burguesia.

Aspirante a pintor.

-Decepcionada? -Não.

Bonnard rima com apaixonar.

Você sempre quis fazer isso?

-O quê? -Pintar.

Comecei fazendo Direito para agradar a meu pai.

Fiz até o juramento.

Mas fui colado na prova de Administração Fiscal.

Felizmente.

Como você faz?

Faço o quê?

Para comer?

Tem que comer, pagar o aluguel.

Como você consegue?

A patinha se preocupa em saber como faço para comer.

Quem é ela?

Minha irmã, Andrée.

Ela é bonita.

Tem sorte em ter uma irmã.

Tenho um irmão também. Você não?

Não tenho ninguém.

Minha mãe morreu no parto.

Meu pai morreu de tristeza depois.

Sou sozinha no mundo.

Então você é mais livre do que eu.

Por que são sempre mulheres que posam nuas e não homens?

Porque são homens que pintam, não mulheres.

Venha. Vamos. Estou com fome.

Quer morar comigo?

Pierre? Pierre!

Espera!

Então?

Então o quê?

Quer morar comigo?

Isso não é meio rápido?

A vida também passa rápido.

Nós mal nos conhecemos.

Dormimos juntos.

Não é motivo.

Espera.

Você sonha com um casamento burguês,

um vestido branco com véu, uma coroa de flores de laranjeira

e filhos logo depois? É isso?

É muito pouco para mim.

Ah, senhor Pierre!

O Thadée está?

Olá, senhora.

Coloco prato para mais alguém, senhor Pierre?

Vem cá.

Quem é?

Misia.

Ela toca bem.

É muito talentosa.

O pai dela é Godebski, o escultor.

Ela é linda.

O cara de barba preta é Sérusier.

Ao lado, Vallotton.

O gordinho é Signac.

O ruivo, Vuillard.

São meus amigos. Os Nabis.

Nabis? O que significa?

Significa "profetas" em hebreu.

Decidimos revolucionar a pintura moderna.

Só isso?

Fica para jantar. Lautrec está aqui.

Essa é a Marthe.

Boa noite.

A Misia vai ficar furiosa se você não ficar.

Marthe,

esse é o Thadée, marido da Misia.

É graças a ele que posso comer e pagar o aluguel.

Diga a ela que ganho o bastante, até para dois.

Fique aqui. Já volto.

Quem é?

Misia.

Foi você que a pintou?

Foi.

Você dorme com ela?

O Thadée já lhe falou sobre os independentes?

Querido, não diga de novo

que só está passando com qualquer uma. Vou me ofender.

Queridos!

Pelo biombo. Eu arredondei.

Como a chuva. Cai quando deve.

Viu, Marthe?

BECO MELIGNY

-Quem é? -Sou eu, Maria!

Abra!

Onde você estava?

-Não me deixa entrar? -Viu a hora?

E como é que eu faço?

-Quem é, mamãe? -Adivinhe. Sua irmã!

Maria, onde você estava?

-Conheci uma pessoa. -Uma pessoa? Quem?

Um homem bom.

-Um pintor. -Um pintor? Na sua idade?

Ele quis que eu posasse.

Ele pagou, pelo menos?

Vai vê-lo de novo?

Acabou.

Não posso viver sem você.

Vem.

Quero que pare de trabalhar.

Quero você só para mim.

Quero você inteira.

Vem!

Vem, Pierre!

E cachorros?

-Gostaria de ter cachorros? -Adoro cachorros.

Então, esquecemos os filhos,

e teremos cachorros.

Bassets, sobretudo.

Adoro bassets.

Vou cozinhar para você.

Eu cozinho muito bem.

Cozido, galinha,

morcela.

Eu poderia matar um porco.

Vamos perder!

A estação de trem é por aqui, não por lá!

Você não tem nenhum senso de orientação!

O homem tem sempre que ter razão.

Você queria colher amoras!

Não, você é que queria!

Mentiroso.

Para! Não é engraçado!

Não é nada engraçado. Estou cheia.

Olha meu vestido! Meu melhor vestido. Está todo manchado.

Marthe.

O que foi?

Veja.

Vem.

Vem! Que covarde.

Viu? Não tem ninguém.

Vem. Não seja estraga-prazeres!

Segura isto.

Você é doida!

CASA PARA ALUGAR

"Sempre tenho esse sonho estranho e penetrante,

de uma mulher desconhecida

que eu amo e que me ama,

e que não é a mesma toda vez,

nem também uma outra,

e ela me ama e me entende..."

Vem ver.

"Pois ela me entende

e meu coração transparente, só para ela, infelizmente,

cessa de ser um problema. Só por ela.

E a umidade da minha testa pálida,

só ela sabe refrescá-la, chorando."

A porta.

Beba.

Pare de besteira!

Também trouxe mel. Vai adoçar o mal.

Tem notícias?

Por que não disse antes?

O que ela diz?

Ele a instalou num apartamento que dá para uma praça,

onde ela pode ir com a menina.

Tem um banheiro com banheira.

Ela está aprendendo inglês, mas é difícil.

Ele a visita quando pode.

Ele nunca vai divorciar.

-Ela acha que está grávida de novo. -Isso é bom.

Vai ser outra menina.

Não tão bom.

Você fez melhor?

Faça um esforço ou vou chamar um médico.

-Isso vai custar caro. -É problema meu!

Minhas duas filhas vivendo como prostitutas!

Toma.

Tenho que ir. Estou atrasada.

Você acabou de chegar.

É um dia importante. Não posso deixar de ir.

A sopa está no fogão.

Comprei carne. Coma logo ou vai estragar.

Também comprei queijo para você.

Quando você volta?

E se eu morrer?

Como você vai saber?

Eu nem sei onde você mora.

Não recomece!

Não está contente com tudo o que faço por você?

Se sente tanta falta, levo você para Saint-Amand!

Como quiser.

-O que está fazendo? É uma mania! -O quê?

Chegar atrasada. O que está escondendo de nós?

Teve um acidente no trem.

De novo? Invente outra coisa na próxima.

Rápido. Pierre está esperando. Tem muita gente.

O que foi agora?

Não posso.

Não pode o quê?

Essa gente toda. Não consigo.

Marthe!

Pierre precisa de apoio.

Se tem alguém que conta para ele, é você.

Não é a hora de fugir.

Pierre me ama pela vida que temos. O resto é coisa dele.

Mas você tem que fazer um esforço.

Diga a ele que voltei de carroça.

Marthe! A elite de Paris está aqui.

Pierre vai ser julgado, admirado ou demolido.

Não pode abandoná-lo assim.

Imagine o que dirão: "É essa mocinha que mostra a bunda.

Que bom ver a cara dela!"

Ninguém quer saber quem é você.

Vamos!

Nunca se perguntou por que Pierre só pinta meu corpo?

Por que meu rosto está sempre desfocado?

Você existe através dos olhos de um pintor.

É só o que importa.

Então me deixe isso, pelo menos.

Então?

-Ela foi embora. -Como assim?

Essa garota é totalmente louca!

Ela diz qualquer coisa e é doida.

Marthe de Meligny! Por que não Joana D'Arc?

-O que eu digo ao Pierre? -Ganhe tempo.

Daqui a pouco eu vou lá.

Misia! A Marthe não está com você?

Ela foi embora.

Que pena! Pierre está ganhando tudo.

Obsceno!

Bravo!

É uma vergonha!

Você celebra nosso sexo com muita simplicidade.

É raro. Obrigada, senhor.

Obrigado.

Cadê a Marthe?

-Foi embora. -Como assim?

-Aconteceu algo? -Não. Ela foi para casa. Só isso.

É um triunfo.

Pierre, está na hora de abrir seus olhos.

Ela está complicando sua vida. Está arruinando.

Seu lugar não é no campo, é aqui,

com seus verdadeiros amigos e oportunidades.

Não pode deixar sua sorte passar por uma paixão sem importância.

Por que não?

Por favor, senhoras e senhores!

Estou te vendo!

Eu te vi.

Te amo, Pierre!

Te amo!

Pierre!

Pierre.

Pierre.

Por que ainda se recusa a ter um filho?

Não recomeça.

Recomeça o quê?

Achei que tínhamos concordado sobre isso.

Concordado sobre o quê?

Que não fomos feitos para viver como burgueses.

Eu quero um filho, Pierre. Por favor.

Não, não e não.

Não quero filhos, muito menos tudo que vem com eles.

Babá, empregada em período integral.

Nada que me afaste do meu trabalho.

Por que uma babá e uma empregada o afastariam do trabalho?

Não quero ser um pai ruim. Só isso.

Então me deixe ser uma boa mãe.

Posso cuidar de uma criança sozinha.

Não cuido bem dos cachorros?

Está zangada comigo?

Estou.

Zangada mesmo?

Estou.

Então não me ama mais?

Não.

Quer dizer, depende.

Depende do quê?

De como você me ama.

Certo.

A patinha precisa de provas?

Pierre.

Estou aqui.

Estou aqui.

Eu já volto.

Olha para mim.

Olha para mim.

Devia ter me chamado antes.

Vou prescrever

um tratamento.

Você terá que fazer um tratamento.

Hidroterapia funciona muito bem em seu caso.

Hidroterapia? O que é isso?

Um banho diário de uma hora, no mínimo.

Eu me banho no Sena todo dia.

No inverno eu aconselho a banheira.

E fora isso,

um tratamento termal duas vezes por ano.

Tchau, doutor.

Obrigado.

Sua esposa

tem o coração fraco.

A coitada não vai viver muito.

Fique preparado.

Sinto muito.

Marthe!

Está com fome?

Vou esquentar o jantar!

Você é louco. É uma loucura.

Deve ter custado uma fortuna.

Vendi duas telas em Bernheim.

AGOSTO DE 1914

O que foi? Por que está me olhando assim?

Por que você não quer fazer esse tratamento?

Meu tratamento é você!

Bourboule é um lugar ótimo.

Vuillard mandou a mãe dele ano passado.

Você podia ir com ela.

Com a mãe de Vuillard? Muito obrigada.

Ela é uma mulher incrível.

-Ela tem 100 anos! -70.

Quer se livrar de mim?

Acha que não entendi?

O que vai fazer em Paris toda semana?

Você sabe o que eu faço.

Estou pintando painéis decorativos no apartamento da Misia.

O novo marido dela está me pagando uma fortuna.

Já estávamos cheios de Paris!

Você disse que nunca mais íamos pôr os pés lá.

Mas você está sempre lá e ainda quer me mandar a Bourboule.

Eu não. O médico.

E o que faz com a Misia quando o marido não está? Joga dominó?

Ou bola de gude?

Admita que tem nojo de meus pulmões doentes, minhas olheiras, minha pele.

-Do que está falando? -Você não toca mais em mim.

Não toca mais em mim!

Nem aliança, nem coroa, muito menos filho. O que faço?

Abro caminho?

Um dia vou embora e nunca mais vai ouvir falar de mim.

Pierre! Marthe!

Somos nós!

Ei, amigos!

Levamos duas horas para chegar.

E quem remou o tempo todo? Eu!

É culpa minha se machuquei as costas?

Minha adorada Marthe, como é bom ver você.

-Sempre linda. -Obrigada, Claude!

Achei que nunca iríamos sair de Giverny.

Claude inventou de dar três voltas no lago.

Para se inspirar.

O frango!

Ainda está morno.

Mais um minuto no forno e está bom.

Cuidado. O molho está no prato

com as batatas.

-Preparou a salada? -E um pudim.

Você é perfeita!

Vamos?

Como assim, agora?

Agora, é claro.

Aonde vão?

-E o almoço? -Depois.

Depois não reclame se come frio e tem dor de estômago!

Aqui estão os queridinhos!

Ali!

Ali estão.

Eu as descobri por acaso.

Espero que não tenha vindo à toa.

Vou lhe dizer num minuto.

Hydrocharis morsus-ranae.

É a mais comum, com a lutea.

E aquela é a alba.

Sim, é ela!

Veja aquela azul.

Nymphaea caerulea,

a mais rara.

Você tem sorte, meu amigo.

Tem essas espécies em meio natural perto de casa,

enquanto eu tenho que cultivar gastando muito lá no Sul.

É coisa boa.

Claude pegou na adega só para você.

Ele disse: "Este é para Marthe.

Ela vai ficar corada de novo."

Qual é o problema, Marthe?

Brigaram de novo?

Pierre está me traindo, Alice.

Tem certeza?

Ele vai para Paris 3-4 dias por semana.

Estou preocupada.

Preocupada com o quê?

Todas nós passamos por isso.

Quer que eu lhe diga o que acho?

Pierre nunca vai deixar você.

Veja onde ele chegou desde que estão juntos.

Você é a estrela da sorte dele.

Eles chegaram!

Já conheceu o novo marido da Misia?

O Levantin?

Ele tem uma fama terrível.

Dizem que o pai ficou rico

vendendo dentes falsos a um sultão.

Marthe, as batatas!

Delicioso!

Que lindo!

Misia, pegue a molheira, por gentileza.

O frango!

Eu e Misia temos um projeto,

com alguns poucos amigos escolhidos a dedo...

Como é o nome do jovem compositor por quem está obcecada, querida?

Ravel.

Ravel, isso.

Pensamos em ir de navio visitar Constantinopla, onde eu nasci,

depois seguir

pela costa Palestina até o Cairo.

Quero mostrar a Misia as grandes pirâmides do Egito.

E vocês são meus convidados. O que dizem?

Claude, o almoço está servido.

Não aguento o calor.

Você tem que ver as pirâmides, Edouard!

Com certeza!

E minha querida ficaria tão contente,

tão feliz em estar com seus antigos amigos.

O que vocês estão tramando?

Alfred está propondo nos levar num cruzeiro pelo Egito.

É mesmo? Não dizem que nessas pirâmides

há múmias capazes de lançar um feitiço?

E aranhas, Alice!

Aranhas do tamanho do punho e venenosas!

Não é, Alfred?

Claude!

O frango vai esfriar!

Ele não virá.

-Quer que eu vá buscá-lo? -Não!

Não corra esse risco.

Quando ele está concentrado fica ríspido.

Então, Misia...

Coxa? Asa? Peito?

Uma coxa. A parte de cima.

Obrigada.

Alfred?

Não muitas batatas, Marthe.

Pierre, peito, como sempre?

Edouard, uma asa?

Quem quer vinho?

Eu quero vinho.

Vamos beber ao nosso reencontro!

Ao nosso reencontro.

Saúde.

Eu lhe disse que o Thadée teve que vender Villeneuve?

Na hora, me partiu o coração,

mas era de outra vida.

Não devemos nos apegar às coisas.

Você teria gostado de Villeneuve.

Era uma casa tão animada.

Eu e Vuillard estávamos sempre lá.

Também tinha Lautrec, Renoir, Vallotton...

Satie compunha para mim.

Verlaine.

Verlaine escreveu um soneto para mim, eu acho.

E Thadée roubou por ciúmes.

-A alta sociedade estava sempre lá. -Eram amigos.

Poetas, saltimbancos,

pessoas amantes do absoluto e da liberdade,

que só viviam para a arte,

se divertiam e festejavam.

E todos eram apaixonados por você.

Pois

você era

um milagre e...

o raio de sol que todos esperavam

nesta terra tão dura e dolorosa.

Com licença...

Como ocupa seus dias aqui,

minha querida?

Não sente falta de Paris?

Nem um pouco.

E você? Seus concertos?

Meus concertos?

Meus concertos são coisa do passado. Não é, Alfred?

Outra noite eu cruzei com Diaghilev.

Ele deve montar algo do Debussy na Ópera. Um balé.

Ele precisa de alguém para o cenário. Falei do seu sucesso.

Ele ficou entusiasmado.

Quero pedir uma explicação.

Uma explicação? Que explicação?

Você dormiu com ele?

Com Diaghilev?

Não. Com Vuillard!

Mas como quer que eu saiba?

Admita! Diga a verdade!

Espere voltarmos para casa. Não faça como na casa dos Noailles!

Quando você vai parar?

Pelo amor de Deus, quando vai parar de me atormentar?

Eu lhe dei tudo! O que mais quer?

Quer me enlouquecer?

Mas com quem dormi durante esses anos todos?

Pode fazer um relatório preciso ao Alfred?

E, aliás, eu dormi com você?

Pare com essa besteira, meu amigo. Não funciona comigo.

Muito menos suas doenças imaginárias.

Seu suposto coraçãozinho bate rápido demais?

Até parece!

Quando vai admitir que é histérico?

Como ousa?

Isso mesmo. Histérico!

Sua suposta doença vem da cabeça e tudo o que você inventa.

Você parece uma pobre coitada,

que só tem a asma para resguardar o marido. É ridículo.

Você ganhou.

O que eu disse de mal?

Ela é uma monstra.

Estou lhe dizendo. Uma monstra.

Eu me casei com uma monstra!

Me deixe ir me redimir.

Marthe!

Me perdoa!

Marthe!

O que está fazendo?

Me deixa em paz!

Saia daí!

Eu não queria magoá-la.

Não viu que eu só estava provocando o Alfred?

Uma briguinha boba de casal que não lhe dizia respeito.

Me deixe em paz! Eu sei o que pensa de mim.

O que eu penso de você? Não penso nada!

Pensa. Você pensa que sou uma mentirosa.

Uma chata que mantém Pierre em casa, em vez de se divertir tanto na sua!

De jeito nenhum!

De jeito nenhum!

Marthe! O que está fazendo?

Parece que não suporta eu ter conhecido Pierre antes de você.

Ele praticamente viveu conosco.

Nossa cumplicidade é normal. Não tira nada de você.

Vocês devem ter se divertido!

Na época em que todo mundo dormia com todo mundo.

Não saia daqui. Volto para buscá-la.

Não chegue perto de mim!

É seu ciúme falando, Marthe.

É como o Alfred. E não tem nada pior do que o ciúme.

Devo lembrar você de que também fui musa do Pierre?

Que ele me pintou antes de pintar você?

Isso não lhe dá direito nenhum!

Exceto o de ser amiga dele?

Amiga dele?

Quem quer uma amiga como você?

Talvez seja a mulher mais rica e adulada de Paris,

mas eu não ia querer uma amiga como você.

Por que diz isso? O que foi que eu lhe fiz?

Fez com que a detestasse e as pessoas como você!

Ainda mais desde que se casou com Alfred!

Pare com essas besteiras e me dê sua mão.

A primeira vez que fui a sua casa,

quando a ouvi tocar piano, fiquei maravilhada.

Eu a admirei.

Teria dado tudo para ter uma amiga como você. Tudo!

Estão vamos ser amigas!

Aceite que eu tenha defeitos, como todo mundo.

Agora vamos.

Defeitos?

Você dá as costas a seus dons!

Você se menospreza!

Digamos de forma mais prosaica, eu nunca consegui um contrato.

Se eu fosse homem, tudo teria sido diferente. Sabe bem disso.

Não, Misia. Você sacrificou tudo por dinheiro e coisas mundanas.

Até o homem que amava. Pare de mentir para si mesma.

Víbora!

Essa garota é louca!

Sempre disse que era louca. É uma mentirosa!

E histérica!

Uma intrigueira que pôs as garras no pobre Pierre

e o afastou dos amigos!

É culpa minha

se o Thadée me empurrou para os braços desse homem

e eu me apaixonei?

Claro. Você é a vítima.

Thadée estava falido, Marthe!

Não tive escolha.

Era isso ou a rua.

Não.

Isso ou se dedicar ao piano de forma séria.

AGOSTO DE 1918

Oh, não!

Passamos a noite perto dela.

De manhãzinha ela abriu os olhos e sussurrou seu nome.

Maria.

Perdão.

Perdão.

Não pude vir antes.

Perdão.

Queria ter conhecido vocês em outras circunstâncias.

E trazido presentes.

Da próxima vez.

Cadê o Adolphe?

Ele foi buscar o coveiro.

Vamos enterrá-la antes de partir.

Eu lhe trouxe o dinheiro.

Eu lhe devolvo assim que puder.

Não precisa.

É dinheiro do pintor?

Seu marido é rico e famoso mesmo, tia?

E graças a ele está sempre tão elegante?

-Me mostra. Quanto tem? -Chega!

Vão brincar no pátio.

Pegue o que quiser. Vou rescindir o contrato.

Vamos para o sul. Dizem que é mais seguro.

E você?

Pierre escapou da mobilização. Mas foi enviado à linha de frente.

Queriam pintar a guerra. Como na época de Napoleão!

Desde que voltou, ele não é mais o mesmo.

Não quer voltar para o campo.

Tivemos que alugar um estúdio na Rua Lepic.

Espero que ele vá ao enterro.

Adolphe gostaria de conhecê-lo.

As meninas também.

Vai estar aqui amanhã quando forem colocá-la no caixão?

Às 9h?

Inferno!

Voltei a pé. Estavam bombardeando

perto da Escola Militar. Tive que me proteger.

Já lhe disse. É loucura ficar Paris.

Você não ouviu nada?

Um pouco.

Quem é ela? Eu a conheço?

Não.

É aluna de Belas-Artes.

Fique calma, ela tem um noivo!

Um americano.

Ela ia encontrá-lo, mas os navios estão bloqueados.

O que acha?

Do quê?

Do quadro. O que acha?

Nada mal.

Como assim?

Se quer competir com seus colegas cubistas, deu errado.

Mas se decidiu ser fiel a si mesmo,

está muito bom.

Amanhã eu vou ao hospital, tratar os pulmões.

Você terá que se virar para o almoço.

Ele escapou sozinho.

Safado.

Cheguei!

Faça como se eu não existisse. Estou acostumada.

Minha nossa!

Sinto muito. Eu devia ter imaginado.

-Vocês se conhecem? -Nos cruzamos na escada.

Então você é "A Indolente"?

Me desculpe. Vai parecer ridículo, mas preciso lhe dizer.

Seu marido a transformou num mito, senhora.

Um mito?

É famosa nas Belas-Artes.

O mito tem que voltar para suas panelas.

Não achei praticamente nada. Não tem carne,

só algumas batatas, dois ovos.

e um pedaço de queijo.

Quer compartilhar da nossa modesta refeição?

Como é seu nome mesmo?

Renée.

É que vêm tantas aqui.

Não seja boba!

Não ouça. Ela é ciumenta.

E não deveria ser?

Por que não convida Renée à Roulotte?

Gostaria de ir para o campo, senhorita?

Com a guerra se eternizando, é melhor não ficar e morrer de fome.

O que acha, Pierre?

É por sua conta e risco.

Então é aqui!

Pierre, mostre a Renée o quarto dela enquanto procuro algo para comer.

Eu reconheço tudo.

Tudo.

O terraço.

Estou no meio de tudo o que deu sentido à minha vida.

Não se engane, Renée. Pierre e eu temos uma vida comum.

O que é aquilo?

Os túmulos de Ubu e Poucette, meus queridos.

Meus cãezinhos.

Onde colocou minha manta?

No armário, primeira gaveta à esquerda!

Dobrada e passada, como sempre.

Pierre me disse que você tem origem italiana.

Eu também.

Eu nasci em Roma. Passei a infância lá.

-E você? -Eu? Sim.

Pierre, mostra a Renée o quarto dela?

Pierre!

Acho que a última pessoa a dormir aqui foi Monet.

Claude Monet.

Ele veio com duas belas garrafas de vinho

comemorar algo de que não me lembro.

E ele ficou incapaz de voltar a Giverny.

Foi pouco antes da guerra.

Coitado.

Se soubesse que ia perder o filho, depois a esposa...

Obrigada. Obrigada por tudo.

Tem um cílio aqui.

Faça um pedido.

Vou deixar você se instalar.

Vou tentar achar algo para comermos.

-É fundo? -Pegue meus braços.

Vamos.

Segure em mim.

Tive um pesadelo.

Tire sua camisola. Vou lhe dar uma minha.

Tive... um pesadelo.

Eu estava sozinha...

numa...

barca

no rio,

e estava usando um vestido de noiva.

E quanto mais longe eu ia,

mais percebia que não sabia

onde estava indo e que estava perdida.

E, de repente,

ouvi um barulho,

alguém ou alguma coisa estava batendo.

Eu tive medo.

Tirei meu vestido,

mas a ponta da barca abriu

e uma mão me pegou pelo tornozelo.

Eu fui parar debaixo da água.

E meu vestido se fechou sobre mim.

Eu sentia a mão me puxando para o fundo.

E me debati.

Me debati!

Qual você prefere?

A morena? A loira? Qual você prefere?

Vai ter que escolher, Pierre!

O gato!

Renée!

O que está fazendo?

Aonde está indo?

O que houve?

O que eu fiz? Eu a magoei?

Não.

Não vá.

Eu suplico. Fica!

Estamos tão felizes aqui.

Você me devolveu o gosto pela vida.

Espera.

Espera.

Vou pegar o carro. Vamos conversar no carro.

Falar?

No carro?

Pierre, não sou uma criança que se acalma andando de carro.

Sou uma mulher e estou apaixonada por você.

O que aconteceu entre nós foi meu desejo.

Mas nunca me deixei enganar.

Nem por você, nem por Marthe.

Prefiro sair do jogo antes que seja tarde demais.

Do jogo?

Que jogo?

Espera, Renée.

Eu te amo.

Marthe também te ama.

Tenho certeza

de que ela te ama tanto quanto eu.

Não!

Marthe ama você acima de tudo.

E é ela que você ama.

Nunca vou ter outro papel

além da garota bonita que veio reacender a chama meio apagada.

Vou embora antes que seja tarde.

Vou tentar achar um navio para Nova York.

Não faça isso. Está enganada!

É você que eu amo!

Então prove!

O quê?

Que sou eu que você ama.

Prove.

Como?

Casa comigo.

Está brincando?

Viu?

Não vai sacrificar sua vida com a Marthe para ficar comigo.

Adeus.

Boa desculpa. A guerra mal acabou e vai passear com o sobrinho em Roma.

Não vou passear. Vou inaugurar um museu.

Vamos!

Vamos comigo.

Sem levar bagagem nenhuma?

Seu sobrinho sabe que eu existo?

Você nunca me apresentou à sua família.

Escreve para mim em Roulotte!

Me escreve!

Eu te amo!

Não sei...

Não funciona.

Aqui é um prédio respeitável.

Não queremos gente...

Vocês entendem.

Vocês querem filhos?

Assim que estivermos casados oficialmente.

Tantos casais apaixonados viveram aqui!

E tantas crianças!

Hoje em dia está quase vazio.

Tem um casal idoso no último andar,

mas nunca os vemos.

São tão velhos

que não sabemos se ainda estão aqui.

Para uma francesa, você fala bem italiano, senhorita.

Eu nasci aqui.

Eu e meus pais vivíamos neste bairro.

Esta casa pertencia à família Marcantonio Colonna.

O príncipe viveu aqui

no início do século passado.

E, depois, todos os descendentes dele.

Até que o último perdeu a esposa aqui,

nesta casa.

Da noite para o dia, ele deixou tudo e desapareceu.

Nunca mais ouvimos falar dele.

Uma primeira versão de "São Mateus e o Anjo"

foi recusada pelos proprietários,

julgada trivial demais.

O anjo, ambíguo, muito carnal,

estava deitado sobre um São Mateus meio rústico.

Com os pés sujos.

Este é muito mais dentro das regras.

É difícil imaginar como essa obra, na época,

mais do que o anjo, foi revolucionária em seu estilo.

Eu queria entender.

Entender o quê?

Como ele consegue ser tão verdadeiro.

Não tem nada a entender.

Caravaggio era um homem violento, briguento, profundamente imoral.

Ele não temia seu lado sombrio.

Sinto que esse discurso foi dirigido a mim.

Pode desenvolver?

Não está cansado de ser "o pintor da felicidade"?

Caravaggio era um criminoso.

Sou um anjo, se comparado.

Não pode atingir cumes assim sem correr riscos.

Posso me ver

matando alguém

para pintar uma obra-prima assim.

O que acha, querido?

Pierre!

Marthe, está em casa?

Pierre!

Eles estão em casa. Veja, mestre. Estão aqui.

Estou sozinha. O Pierre não está.

Estava ficando preocupado!

Pensei que estivesse doente de novo.

Vuillard chegou de manhã e pegamos logo o barco.

Pierre está em Roma com o sobrinho,

que foi indicado à Escola Francesa, e vão inaugurar um museu.

É mesmo?

Não estamos incomodando, estamos?

Não. Mas não tenho nada para comer.

Trouxemos tudo!

Um pedaço de patê de coelho,

porco assado com Girolles,

alguns tomates da horta, uma alface,

o pudim que você adora.

E um bom Bordeaux para regar isso tudo.

Germain virá nos buscar à noite com o carro.

Minha amada Marthe, o que está fazendo?

Minha amada Marthe.

Pierre não falou dessa viagem.

Ele resolveu de repente.

Faça companhia a ele. Eu cuido do almoço.

Ele simplificou muito seu estilo.

Você acha?

Com o tempo, só pintamos o que é essencial.

A essência das coisas.

O que ele está fazendo em Roma?

Como eu disse, visitando o sobrinho.

Inaugurando um museu, visitando igrejas.

Sem você?

Você prefere comer dentro ou fora?

Estou indo!

O que prefere, mestre?

Fora!

Com essa luz, terei a alegria de ver seus olhos um pouco.

Espere. Fique!

Tem uma expressão no oriente para dizer a alguém que o amamos.

Dizem: "Enterre-me."

Para nunca ver o outro morrer antes.

Meu filho,

Jean, está morto e é uma coisa terrível.

Mas tem algo ainda pior que vim lhe dizer, Marthe.

Só a você.

Sinto falta da Alice.

Sinto falta dela todo dia.

Se soubesse como sinto falta dela.

Tem um saca-rolha?

Na gaveta da esquerda.

Pierre tem muita sorte em ter você.

Como eu tive muita sorte em ter a Alice.

Não sei se ele pensa como você.

Você vai ver.

Um dia ele vai entender.

Patê de coelho en croûte,

torresmo, linguiça com alho,

porco assado e pudim.

Quem diz melhor?

O vinho.

Esqueci o vinho!

O governo vai honrar minha obsessão por ninfeias!

O espaço no térreo da Orangerie será todo para elas.

Desde que soube, estou trabalhando em dobro.

O outono está chegando. Estão voltando para casa.

Não se preocupe, Pierre vai voltar ao que importa.

Ele sabe que seu trabalho está associado ao que sente por você.

Querido!

Vem para a cama?

Estou trabalhando, meu amor.

Mas quero ficar com você.

Você podia fazer um esforço.

Me deixe, por favor.

Quero terminar.

Que ideia esquisita.

O quê?

Estava tão bonito. Por que incluiu outro personagem?

Quem é?

Quem é o quê?

A mulher no primeiro plano. Quem é?

É a Marthe?

Olhe, não tenho nada contra ela, mas mesmo assim...

Estamos perto de nos casarmos...

Eu tenho que voltar, Renée.

Voltar?

Voltar para onde?

Para minha casa.

Tenho que voltar para minha casa.

Aqui não consigo trabalhar como quero.

Mas sua casa é aqui.

Não quer mais se casar comigo?

É daqui a três dias!

Sinto muito.

Sente muito?

Então era só uma brincadeira?

Você é um mentiroso.

Você não me ama. Nunca me amou.

Eu te amo, Renée.

-Não tem nada a ver. -Não, não ama.

Você me usou. Você e Marthe me usaram!

Vocês se divertiram à minha custa.

Eu fui sincero.

A Marthe também.

Sincera?

Marthe?

E se eu estivesse grávida?

Eu sustentaria você

e a criança.

Não lhe faltaria nada.

Vá para o inferno! Volte para ela!

Calma!

Detesto brigas domésticas.

Eu só queria ser sua esposa.

Eu queria ser...

sua, ficar com você, sermos uma família.

Queria que ficássemos como estamos, para sempre.

Eu cometi um erro.

Fui fraco.

Me perdoe.

Renée.

Não. Não toque em mim! Não toque em mim!

A patinha começou a pintar.

É uma porcaria.

Não.

É bom.

Muito bom, até.

Está dizendo isso para se redimir.

Não. Estou sendo sincero.

Com algumas aulas você pode ir bem longe.

Já é tarde. Vou fazer um café.

Não.

Eu vou.

Volte ao trabalho.

Acho que está na hora de oficializarmos nossa situação.

Que situação?

Quer ser casar comigo?

Ser oficialmente a Sra. Bonnard?

E sua família?

Minha família é você.

Maria Boursin...

Sem brincadeira!

Pode me criticar por muita coisa, mas isso...

Maria Boursin!

E o que mais? Tem 7 irmãos escondidos por aí?

Uma mãe dependente?

Querida!

Que caminho!

Que caminho você percorreu. Ainda estou abalada.

Quando vi seu convite, assinado por Marthe Solange,

levei alguns minutos para entender.

Mas ainda não tinha visto seu bilhete ao lado.

Adorável.

Então é isso. Você é uma verdadeira artista.

Se era isso que você queria mesmo, estou feliz por você.

Oi, Misia. Que gentileza você ter vindo.

Gentileza? Não. É normal!

Não somos velhas amigas, nós duas?

José Maria Sert, meu novo marido.

Ele também é pintor. Um grande pintor!

Olá, Marthe. Muito prazer.

E veja todos esses quadros!

Pierre.

Vou falar com ele. Você está muito ocupada. Nos vemos depois.

Pierre...

Meus queridos! Meus queridos!

É ela?

Deixe-me apresentá-la a Henri Dumont, um colecionador.

Lembra-se da garota de Montchaty?

Montchaty? Não. Por quê?

Uma aluna de Belas-Artes. Ela sempre posava para nós.

-A loirinha? -Isso.

Linda garota. Renée. Eu me lembro bem dela.

Pierre, lembra-se da garota de Montchaty que posava para você?

-Renée? Sim. -Sim.

Você não soube?

Ela se suicidou.

Em Roma. Foi encontrada na banheira mergulhada em sangue.

Pierre.

Pierre.

O que houve?

Renée está morta.

Eu a matei.

Eu a matei.

Quer ir embora?

Que que a gente vá embora?

-Agora? -Sim.

E sua exposição?

O que tem ela? Vai ficar aqui. Não vai fugir.

-Tem certeza? -Tenho.

Vamos para casa.

Venha.

Vamos para casa. O Pierre está cansado e eu também.

Vamos para casa. É o melhor a fazer.

Certo, Pierre?

LE CANNET, 1942

Marthe?

Está acordada?

Marthe.

Marthe.

A amendoeira,

aquela que pensávamos estar morta.

Acredita que está florindo? Em pleno mês de outubro.

Toma.

Você perdeu seus óculos de novo.

Sim? Sim?

Oi, Charles!

Sim, claro. Estou esperando você.

Até logo.

Marthe.

Marthe!

Marthe.

O que fiquei sabendo? Também é pintora, Sra. Bonnard?

Soube até que expôs em Paris.

Foi há muito tempo

É.

Na Galeria Druet.

Lembra-se?

Todos os nossos amigos foram.

Tchau, Sra. Bonnard.

Me enterre.

Me enterre.

Tchau.

O que ela quis dizer?

O que disse?

"Me enterre."

Ela disse: "Me enterre."

O senhor a ouviu, como eu.

O que ela quis dizer?

Não dê muita atenção ao que ela diz.

Ela não está mais aqui realmente.

Seja forte!

Meu tio, Pierre Bonnard.

Sr. Mantegazza.

O advogado de que falei outro dia, lá de Roma.

Entre.

Sr. Bonnard, é uma honra.

O cliente que mencionei ao Sr. Terrasse

encontrou isto

no apartamento que acabou de comprar em Roma.

De acordo com minhas pesquisas

foi nesse apartamento que acharam a Srta. Montchaty morta,

uns 20 anos atrás.

O apartamento estava à venda há muito tempo e foi leiloado.

O operário que ia começar as obras achou isto no fundo de um armário.

Antes de jogar fora, ele pensou em falar com o chefe,

que sendo um homem de gosto, decidiu alertar

o proprietário, que me ligou.

O quadro

não está assinado.

Mas como sou apreciador da sua obra,

eu reconheci imediatamente sua paleta.

Veja por si mesmo.

Minha nossa!

Eu tinha deixado em Roma.

Confesso que tinha me esquecido totalmente.

Sem assinatura não vale nada.

Mas, legalmente, isso nos é favorável.

Para encerrar esse capítulo, acho...

que o quadro lhe pertence.

Pierre!

Ela está aqui, Pierre!

Ela está aqui!

-Marthe. -Ela está aqui, Pierre!

Ela está aqui, Pierre!

Marthe,

É ela.

Calma.

Calma.

Quem?

Renée?

Ela está morta, Marthe.

Não podemos fazer nada, então pare com isso.

Se a culpa é de alguém,

ela é minha.

Marthe!

A amendoeira...

Está coberta de flores.

Isso é bom. Fique calmo.

E pensar que eu queria cortá-la.

Vou desenhá-la.

E depois vou pintá-la.

Para você.

Assim é melhor, não é?

O GUARDIÃO DAS CHAVES

Tio!

Por que não vai dormir lá em casa?

Madeleine está preocupada com você sozinho.

Madeleine está preocupada,

mas com o quê?

Não estou sofrendo.

Estou apenas furioso. E quero gritar!

Merda! Merda!

Merda e merda!

Isso está precisando muito de amarelo, não acha?

Pierre!

Vem, Pierre!

É, vem!

Vem!

Vem, Pierre!

Vamos!

PIERRE MORREU EM 1947, CINCO ANOS APÓS MARTHE.

ELES REPOUSAM NO CEMITÉRIO DE CANNET.

ELE PINTOU MAIS DE 2.000 QUADROS

E MARTHE ESTÁ, SE FOR ELA MESMO,

EM QUASE UM TERÇO DELES.

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