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O grande respeito que tenho por sua lideran�a, senhor Presidente...
Nesta guerra pouco compreendida e desconhecida...
a primeira guerra do s�culo XXI.
N�o se conhece bem, n�o se entendeu bem...
� dif�cil para as pessoas compreenderem-na...
e eu sei que com certa seguran�a, que com o tempo...
suas contribui��es ser�o lembradas na hist�ria.
SEM FINAL A VISTA
OBRIGADO EUA
Condenamos com veem�ncia a a��o criminosa das for�as dos EUA.
Lamentamos esta cat�strofe pelo mal.
Exigimos a execu��o dos Wahabi infi�is
que recebem apoio dos EUA.
T�m sido presos
e admitida a sua culpabilidade frente aos presentes.
Exigimos sua execu��o
No dia 1� de maio de 2003, o presidente George W. Bush...
declarou um fim nas principais opera��es de combate no Iraque e disse...
"Na guerra do Iraque, os EUA e nossos aliados prevalecemos".
Quatro anos depois, ap�s 3.000 mortes ...
e 20.000 feridos americanos, o Iraque mergulhou no caos.
Bagd� sofre de dez a quinze bombardeios por dia...
ASSESSOR IRAQUIANO NA OCUPA��O
...talvez 50 mortos em servi�o...
mas acho que isso � muito subestimado.
Provavelmente, s� nos chega um ter�o do que acontece na realidade.
Milh�es de iraquianos perderam acesso � �gua pot�vel...
tratamento de esgotos e eletricidade desde a invas�o.
Bagd�, uma cidade com seis milh�es de habitantes...
est� submetida ao toque de recolher desde mar�o de 2006.
Mais de tr�s milh�es de iraquianos tem fugido para pa�ses vizinhos.
Estima-se que o n�mero de mortes civis ultrapasse 600.000.
Os que morrem t�m sorte...
JORNALISTA IRAQUIANO NOS EUA
mas os que vivem, s�o mortos em vida.
O oeste e o norte do Iraque est� controlado pelos insurgentes.
GERENTE EM BAGD�
O resto do Iraque est� controlado pelas mil�cias.
Os dois grupos mu�ulmanos principais, a maioria chi�ta e a minoria sunita...
est�o cada vez mais revoltados.
Os executaram por serem sunitas.
Viv�amos juntos at� hoje.
� um atentado iraniano contra n�s. Um atentado iraniano.
Somos mu�ulmanos. Como isso � poss�vel?
Dizem que s�o o Ex�rcito de Mahdi.
Isso � o que faz esse ex�rcito?
Olhem o que tem conseguido.
Abram o caix�o, vejam seu rosto.
De janeiro de 2003 a janeiro de 2005...
fui presidente do Conselho Nacional de Intelig�ncia.
Escrevemos a primera estimativa nacional do estado de insurg�ncia no Iraque.
Eram not�cias ruins.
Apresentava situa��es ruins, piores e p�ssimas.
O presidente o taxou de conting�ncias e seu porta voz...
o taxou de inseguran�a e oposi��o ao governo.
O que me deu a entender foi que o presidente n�o o hav�a lido.
Esta � a hist�ria da invasi�n do Iraque pelos EUA.
Na qual muitas pessoas tentaram salvar uma na��o.
O 11 de setembro de 2001 era um lindo dia fresco e ensolarado.
Estava voltando da barbearia do Pent�gono...
DIRETOR DE POL�TICA ESTRAT�GICA
...passei pelo meu escrit�rio e dei uma olhadela na tela da televis�o...
e v� uma das torres g�meas em chamas.
C�MARA DE SEGURAN�A DO PENT�GONO
N�o ouv�mos o avi�o se aproximar, ao menos, eu n�o o escutei.
De repente, foi como se o mundo virasse de cabe�a pra baixo.
V� aquela bola de fogo e, devo dizer...
que, ao v�-la, falei para mim mesmo: Vou morrer hoje.
O avi�o tinha vindo direto sobre nossa se��o de escrit�rios.
O escrit�rio de contabilidade do ex�rcito...
onde morreram 38 empregados do ex�rcito, estava bem abaixo de n�s...
e o novo centro de comando da marinha estava dois andares abaixo de n�s.
Todos foram mortos nessas duas se��es.
Isto foi algo que Osama Bin Laden teve que orquestrar...
porque ele foi o �nico terrorista em que eu pod�a pensar...
que poder�a ter coordenado algo assim.
Voc� teve esse pensamento imediatamente?
Imediatamente.
Um m�s depois do 11 de setembro, os EUA entrou no Afeganist�o...
em busca da Al Qaeda e de Osama Bin Laden.
Mas mesmo antes da guerra do Afeganist�o, alguns altos funcion�rios...
estavam perseguindo outro alvo...
um que n�o tinha nada a ver com os ataques do 11 de setembro.
Quando o pent�gono foi atacado, eu estava no pr�dio.
ESPECIALISTA EM IRAQUE INTELIG�NCIA DE DEFESA
E ent�o eu suponho que o seguinte que aconteceu...
foi que nos designaram para buscar de imediato qualquer relac�o...
entre Saddam e Al Qaeda.
Fui falar diretamente com o grupo de anti-terrorismo...
com o analista chefe do Iraque.
N�s dois nos reunimos alguns dias...
e analisamos todas as informa��es hist�ricas que pod�amos encontrar.
Qual foi sua conclus�o?
Conclu�mos que n�o hav�a rela��o.
Seu regime ajuda e protege terroristas, incluindo membros da Al Qaeda.
Vigiamos a participa��o do Iraque em atividades terroristas.
O que quero ressaltar hoje...
� o nexo potencialmente muito mais sinistro entre o Iraque...
e a rede terrorista da Al Qaeda.
N�o queremos que de fuma�a de pistola se passe a nuvem at�mica.
ESCRITOR
O Iraque est� cheio de desempregados...
Colocaram esses desempregados em barcos...
os dar�o armas qu�micas biol�gicas...
e os mandar�o rapidamente at� os barcos...
para atacar a costa leste dos EUA.
� um mundo fant�stico.
N�o sei o que estava fumando essa gente...
mas deve ter sido de boa qualidade.
O c�rculo de pol�tica exterior de George W. Bush...
Cheney, Rumsfeld E Wolfowitz...
levaram a administra��o ao caminho da guerra com o Iraque.
Condolezza Rice os acompanhou.
Colin Powell e Richard Armitage...
os �nicos altos funcion�rios com experi�ncia em combate...
expressaram suas preocupa��es, mas apoiaram a administra��o em p�blico.
HIST�RIA
Os assessores de Bush estavam envolvidos com Saddam Hussein...
desde que ele invadiu o Iran em 1980...
em uma brutal guerra que matou quase um milh�o de pessoas.
O Iraque usou armas qu�micas...
contra militares e civis iranianos inocentes.
Saddam investiu bilh�es de d�lares...
em programas de armas biol�gicas, qu�micas e nucleares...
ao mesmo tempo em que assassinava 300.000 de seus pr�prios cidad�os.
Mas a administra��o de Reagan, temendo o Iran...
assistiu Saddam com intelig�ncia militar e ajuda econ�mica.
Donald Rumsfeld encontrou-se com Saddam em 1983.
Colin Powell foi o assessor de seguran�a nacional de Reagan...
de 1987 a 1989.
Os anos 80 se resumiram em um horr�vel ainda que revelador documento...
ESCRITORA E CATEDR�TICA
...do departamento de estado de 1987...
que dizia que direitos humanos e armas qu�micas lado a lado, v�rgula...
nossos intereses se equiparam aqueles do Iraque.
A guerra entre Iran e Iraque � suspensa em 1988.
PRIMEIRA GUERRA DO GOLFO
Em 1990, Saddam invade o Kuwait.
Uma coalis�o comandada pelos EUA o expulsa em uma guerra...
planejada por Dick Cheney, o ent�o secret�rio de defesa...
Paul Wolfowitz, o ent�o sub-secret�rio de defesa para pol�tica...
e Colin Powell, o ent�o presidente do Estado Maior conjunto.
Bush senior incita os iraquianos a um golpe de estado contra Saddam.
H� outra forma de deter o derramamento de sangue...
que o ex�rcito e o povo iraquiano...
persiga a justi�a com suas m�os...
e for�em o ditador Saddam Hussein a dar um passo atr�s.
Mas quando os chi�tas do sul do Iraque se sublevam...
a administra��o deixa que Saddam os reprima.
14 das 18 prov�ncias iraquianas...
EMBAIXADOR DO IRAQUE NA ONU
...eram controladas pelos rebeldes...
quando o general Schwartzkopf permitiu a Saddam Hussein...
usar os helic�pteros de combate...
para massacrar os rebeldes, homens, mulheres e crian�as.
O armist�cio de 1991 exige que o Iraque se desarme...
mas Saddam se nega.
Como resulta a economia do Iraque entra em colapso...
pelo embargo da ONU que entra em vigor em 1993...
e que continua durante a administrac�o de Clinton.
A elite favorecida por Saddam continua rica...
mas os iraquianos comuns se precipitam em uma pobreza extrema...
e muitos se convertem ao fundamentalismo isl�mico.
Em 1993, quando George Bush senior visita o Kuwait...
Saddam tenta assassin�-lo.
Sete anos mais tarde, seu filho � eleito presidente dos EUA.
Quando se v� os mesmos arquitetos destas pol�ticas...
por um lado, falando sobre...
consertar o que deu errado em 1991...
terminar o servi�o...
era tentador dizer: talvez eles tenham aprendido algo.
Saddam Hussein e seus filhos devem deixar o Iraque em 48 horas.
Uma negativa resultar� em conflito militar...
cujo in�cio n�s decidiremos.
DECRETO PRESIDENCIAL DE SEGURAN�A NACIONAL N�MERO 24
Se quiser se datar o come�o do desastre do p�s-guerra do Iraque...
ter�a que ser em 20 de janeiro de 2003...
quando Bush assinou sim, pelo que eu sei...
JORNALISTA E ESCRITOR
...nenhuma discuss�o real na Casa Blanca ou na administra��o...
o decreto presidencial de seguran�a nacional n�mero 24...
que deu o controle do Iraque ao Pent�gono ap�s a guerra.
Este documento fez de Donald Rumsfeld...
o principal agente no p�s-guerra do Iraque.
Esta guerra foi concebida por um reduzido n�mero de perssoas...
DIRETOR DO GRUPO DE CRISE INTERNACIONAL
...da administra�� de Bush.
Eles tinham uma vis�o muito ing�nua do que era o Iraque...
e do que os iraquianos fariam ao cair o regime.
Ao formular sua opini�o sobre o Iraque ap�s a queda de Saddam...
a administra��o se apoiou em um homem chamado Ahmed Chalabi.
Desde 1992, Chalabi hav�a sido presidente...
do Congreso Nacional Iraquiano, o CNI.
Amplamente visto com desconfian�a...
j� que Chalabi hav�a sido condenado na Jordania por fraude banc�ria.
A intelig�ncia considerou sua informa��o pouco confi�vel...
ou at� mesmo fraudulenta.
No melhor dos casos, eram mentirosos...
e no pior dos casos, eram incitadores.
Se ele era uma fonte do CNI...
os analistas o receb�am c�ticos.
Mas n�o era assim para os criadores de pol�ticas.
Chalabi asegurou que a p�s-guerra do Iraque...
ser�a pr�-estadounidense e f�cil de estabilizar...
em especial, se o pr�prio Chalabi estivese no comando.
Assim o plano era, em ess�ncia...
ficar uns tr�s ou quatro meses...
instaurar um governo composto de exilados...
com Ahmed Chalabi encabe�ando...
e, logo, em agosto ou setembro de 2003...
come�ar uma dr�stica redu��o das tropas.
Larry Di Rita nos comunicou em uma circular...
que a fins de agosto de 2003...
ANTIGO PORTA-VOZ DE DEFESA
...s� restar�am no Iraque de 25.000 a 30.000 soldados.
Escutei-o dizer em um quarto cheio de pessoas...
e me voltei aos meus colegas...
e lhes disse: "N�o sabe o que diz.
"� fisicamente imposs�vel".
O projeto Futuro do Iraque do departamento de estado...
um estudo de 13 volumes sobre a p�s-guerra do Iraque...
foi ignorado pelo Pent�gono.
Houveram muitos estudos no departamento de estado
DIRETOR DO PROGRAMA DE SEGURAN�A NACIONAL
Hav�a toneladas de volumes sobre como dever�amos faz�-lo.
Quase nada se integrou...
na id�ia do Pent�gono.
A frustra��o do secrret�rio...
CHEFE DO ESTADO MAIOR DE COLIN POWELL
...n�o sem a minha, cresceram...
ao ver nosso cuidadoso planejamento, nosso planejamento detalhado...
totalmente descartado...
e as pessoas que o haviam realizado...
totalmente descartadas...
para que aquelas mais leais...
alinhadas as vis�es do partido republicano...
pudessem ser nomeadas para posi��es chave no Iraque.
A GUERRA
Neste momento, as for�as da coalis�o e as dos EUA...
est�o come�ando as opera��es militares...
para desarmar o Iraque, libertar seu povo...
e defender o mundo de um grande perigo.
Juntei-me a marinha porque cr�a...
ser um trabalho importante e pensava...
que n�o ser�a feliz na vida...
TENENTE DA MARINHA
...sabendo que outros hav�am lutado por minha liberdade.
Alistei-me no ex�rcito para...
ESPECIALISTA, POL�CIA MILITAR DOS EUA
...apoiar meu pa�s...
e pensei que era algo positivo.
Foi uma honra...
ARTILHEIRO DOS EUA
...sair para ajudar meus companheiros soldados...
a fazer o que eles nos disseram para ir e fazer l�...
talvez derrotar um ditador do poder...
reestabelecer a democrac�a.
Desejava que come�asse a guerra porque era...
o �nico raio de esperan�a que tinha...
e quando aconteceu, estava muito emocionado.
As coisas acontecer�am devagar...
mas iriam rumo � um futuro melhor.
Obrigado, senhor Bush.
N�s gostamos de Bush!
N�o, n�o a Saddam! Sim, sim a Bush!
Olhem o que tem feito,
olhem o que tem feito ao Iraque!
Era um lugar confuso, tumultuado, barulhento, assustador e sem esperan�a...
tudo isso misturado.
Eu veria crian�as com balaclavas que diziam "FBI"...
JORNALISTA EM BAGD� DESDE 15 DE ABRIL DE 2003
...e me erguiriam os polegares.
E outros meninos jovens...
possivelmente, fedayines em vestimentas civis...
me encaravam...
e me avaliavam...
e sempre como se estivessem olhando a placa do carro.
Os iraquianos estavam esperando para ver...
JORNALISTA E ESCRITOR EM BAGD� DESDE JULHO DE 2003
...no que isso os iria ajudar.
A presen�a dos EUA ainda n�o hav�a sido recha�ada pelos iraquianos.
N�o a Saddam, n�o a Saddam!
V� pessoas recebendo as tropas da coalis�o...
porque pensamos que tudo estava planejado, preparado.
Vamos l�.
Durante a Segunda Guerra Mundial, os EUA...
come�aram a planejar a ocupa��o da Alemanha...
dois anos antes...
mas a administra��o de Bush n�o criou a organiza��o...
que se encarregar�a da ocupa��o do Iraque...
at� 60 dias antes da invas�o.
A ORHA, o escrit�rio para a reconstru��o...
e ajuda humanit�ria...
reportava-se diretamente ao secret�rio de defesa Rumsfeld.
Me chamaram do escrit�rio do secret�rio de defesa no fim de janeiro.
Quer�am que me encarregasse...
ADMINISTRADOR DA ORHA
...de assuntos humanit�rios, reconstru��o...
Jay Garner, general aposentado do ex�rcito, foi escolhido para dirigir a ORHA.
Na primeira Guerra do Golfo, hav�a comandado 22.000 soldados...
em opera��es humanit�rias...
na zona curda do norte do Iraque.
Desta vez, se encarregar�a de todo o pa�s.
Achava-se preparado para comandar o Iraque?
N�o creio que estiv�ssemos despreparados...
Uma tarefa assim... poder�a levar anos para preparar uma empreitada dessa.
Ningu�m tinha anos.
Ligaram no meu celular...
DE BAGD� PARA OS EUA
... algu�m do departamento de estado...
dizendo que Rich Armitage me procurava...
e gostaria que eu regressasse a Washington imediatamente.
A embaixadora Barbara Bodine foi encarregada de Bagd�...
apenas tr�s semanas antes da guerra.
Era funcion�ria diplom�tica de carreira com experi�ncia...
que hav�a servido no Yemen, Iraque...
e que hav�a sido ref�m no Kuwait por cinco meses...
ap�s a invas�o de Saddam em 1990.
Ela foi um dos poucos funcion�rios especialistas em Oriente M�dio do departamento de estado...
que o Pent�gono permitiu no Iraque.
Ela era um dos poucos que poder�imos ter l�. Achei que hav�an se equivocado...
SUBSECRET�RIO DE ESTADO
Acreditaram que como mulher, ser�a f�cil de lidar...
Mas Barbara era das mais duras no servi�o.
Em 2003, o coronel Paul Hughes...
tinha trabalhado no Pent�gono por 6 anos...
em trabalhos de planifica��o e estrat�gia...
para funcion�rios especialistas em Defesa.
Acabei sendo destinado...
ao escrit�rio de reconstru��o e ajuda humanit�ria...
sob o comando de Jay Garner.
Eu era seu diretor de pol�tica estrat�gica.
A ORHA come�ou a trabalhar no Pent�gono 50 dias antes da invas�o.
Nos deram um complexo de escrit�rios...
que se encontrava desocupado por dois anos...
n�o hav�a computadores, havia pessoas vindo todo dia...
e perguntavam: "Onde devo me sentar?".
Eles n�o tinham pessoal.
Nem sequer hav�a um secret�rio.
S� houve uma reuni�o na Universidade de Defesa Nacional...
e creio que a opini�o un�nime...
das pessoas que assistiram esta reuni�o...
com os que eu logo falei...
foi: "Isto � uma loucura".
Foi nossa primeira reuni�o...
e n�o est�vamos tendo qualquer confian�a em nosso primeiro encontro...
porque, b�sicamente...
tudo que fizemosmos foi nos conhecermos.
N�o estava nada estructurado.
N�o hav�a planos. Absolutamente nenhum.
Em 16 de mar�o, a ORHA voou para o Kuwait.
Tivemos 167 pessoas que voaram conosco.
167 pessoas que se essencialmente se tornaram...
o governo de um pa�s de 25 milh�es.
BAGD�, 9 DE ABRIL DE 2003
Ap�s a queda de Bagd�...
n�o sab�amos o que iria acontecer...
e era �bvio que n�o hav�a nada planejado.
O que nos contavam...
era que n�s embarcar�amos...
um ou dois meses depois de, b�sicamente, conquistar o Iraque.
Quando as tropas dos EUA entraram na capital, iniciaram-se os saques.
No Kuwait...
est�vamos t�o grudados � televis�o como os todos os outros.
Nos demos conta de que reinava a desordem...
e o caos no Iraque.
Os americanos n�o faziam nada.
Eles paravam nas interse��es...
mas n�o desciam dos ve�culos...
ou dos tanques para fazer nada.
Passava o tempo e n�o v�amos nenhum progresso.
O �nico progresso foi a liberdade descontrolada.
Os saqueadores quer�am alcan�ar todos os edificios do governo...
e tamb�m de empresas privadas.
O saque foi devido em parte ao n�vel das tropas...
e a sensa��o que Rumsfeld transmitiu a seus comandantes...
e estes aos seus subordinados...
de que n�o est�vamos ali para governar o Iraque...
sen�o para eliminar o regime e sair.
N�o estamos sob a lei marcial.
COMANDANTE DAS FOR�AS ALIADAS
N�o foi ordenado ao general McKiernan...
que se estabelecesse a lei marcial.
Nunca se declarou a lei marcial.
Estamos em um processo de transi��o, sinceramente...
h� uma lei civil no Iraque, mas n�o h�...
Contam que n�s abrimos as duas primeiras cortes hoje...
ou seja, quando se come�a do nada...
Com a lei marcial...
que a quarta Conven��o de Genebra hav�a autorizado...
talvez tiv�ssemos tido um pouco mais de mais seguran�a.
Somos uma divis�o de marines...
poder�amos haver detido os saques...
se nos tivessem ordenado.
O grande mist�rio da p�s-guerra iraquiana...
� porque em um m�s ap�s a queda de Bagd�...
EDITOR NACIONAL
...os EUA n�o fizeram nada...
para controlar os saques, porque de certa forma...
tudo come�ou a ser problema desde ent�o...
come�ando desde aquele primeiro m�s.
As pessoas no Conselho de Seguran�a Nacional...
o secret�rio de Powell, eu e outros...
o diretor da CIA, expressamos nossas preocupa��es pelos saques.
Voc� expressou alguma coisa relacionada ao presidente Bush?
Eu estava no encontro em que meu chefe se reportou.
Conte-nos o que disse o senhor Powell neste encontro...
Essa n�o � nossa maneira de atuar.
Nossos conselhos ao presidente...
geralmente s�o mantidos privados da imprensa.
Desde Washington se diz�a...
que n�o nos isolar�amos...
que n�o deter�amos os saques...
que n�o far�amos trabalho de pol�cia...
n�o � o que viemos fazer. Eu acho...
Haviam ordens expl�citas de Washington...
para n�o interferir nos saques?
Sim.
Os saques de Bagd� logo se transformaram
em uma destrui��o da cidade em grande escala, violenta e organizada.
Hospitais, escrit�rios governamentais, universidades, minist�rios...
A autoridade provis�ria estimou as perdas nos saques...
em 12 bilh�es de d�lares.
Era o mesmo que o or�amento p�blico do Iraque no per�odo 2003-2004.
Comprei um jornal hoje e n�o pude acreditar.
L� oito manchetes que diziam...
"Caos! Viol�ncia! Sem descanso!".
Soa como se o mundo estivesse desabando...
Imaginem o quarto donde est�vamos sentados...
e s� se v� paredes de cimento, tudo se foi.
Falamos de pessoas que v�m com caminh�es industriais...
e levam partes de uma central el�trica.
Comparem com nossas cidades...
quando ocorrem dist�rbios, problemas e saques.
Isso acaba!
N�o eram roubos nas lojas.
Eram pessoas reduzindo muros a areia...
para levar uma viga.
As imagens que se v�m na televis�o...
s�o as mesmas repetidas...
e � a mesma imagem de algu�m...
que sai de um pr�dio com um jarro.
Creio que esse foi o dia em que perdemos os iraquianos.
E voc� pensa: "C�us! Haviam tantos jarros?".
� possivel que houvessem tantos jarros em todo o pa�s?
� quando se fez claro...
que esta liberta��o n�o tinha nada a ver com os iraquianos.
Se acreditava que os EUA...
incitaram os saques, ou que era seu desejo.
JORNALISTA EM BAGD� DESDE ABRIL DE 2003
A destrui��o de nosso pa�s...
Como eles puderam deixar isso acontecer?
Mesmo sendo sunita ou chi�ta...
os saques te enraiveciam.
Fizemos uma lista de 20 lugares...
que cr�amos dev�am ser protegidos...
por sua hist�ria, cultura, arte ou religi�o.
N�s a fornecemos...
mas n�o surtiu nenhum efeito.
O Minist�rio do Petr�leo foi a �nica instala��o protegida pelos EUA.
N�o se protegeu nenhum dos lugares da lista da ORHA.
O Museu Nacional do Iraque em Bagd�...
o n�mero um da lista da ORHA...
continha alguns dos objetos mais importantes...
das civiliza��es antigas.
O museu nunca foi protegido.
� propriedade de nosso pa�s,
e o tesouro de 7.000 anos de civiliza��o.
Porque permitem isso?
A Biblioteca Nacional e o Arquivo Nacional do Iraque...
que continham milhares de manuscritos antigos foram incendiados.
Tudo o que se escreve ou se escreveu...
era guardado nesta biblioteca.
Agora, j� n�o temos patrim�nio nacional.
Faz tr�s d�as, eu e o doutor Jabar Khalil...
presidente do Conselho de Antiguidades, e eu...
fomos ao quartel general dos marines no Hotel Palestine.
Esperamos mais de quatro horas...
at� que nos recebeu um coronel.
Naquele dia, ele nos prometeu que mandar�a carros blindados...
para proteger os restos do museu.
Isso foi h� tr�s d�as, ningu�m veio.
Tentar taxar o fato desta infeliz...
atividade...
como defeitos de um plano de guerra...
me parece um exagero.
Voc�s n�o receberam avisos de acad�micos entre outros...
sobre o perigo para aquele museu? N�o lhe foi pedido...
fornecer mais seguran�a e prote��o...
nas fases iniciais da opera��o?
N�o � do meu conhecimento...
N�o podem dizer que os saques...
os pegaram de surpresa.
Creio que n�o queriam saber deles.
N�o queriam ouvir sobre eles.
Nos meses antes da invas�o...
o debate sobre quantos soldados seriam enviados ao Iraque...
se mantinha privado...
aos l�deres militares e Donald Rumsfeld.
Rumsfeld e seu subsecret�rio, Paul Wolfowitz...
cr�am que uma for�a de menos de 100.000 soldados...
ser�a suficiente...
para a invas�o e ocupa��o do Iraque.
Um m�s antes da invas�o...
a disputa sobre as tropas veio � tona...
quando o Chefe de Estado Maior do ex�rcito, Eric Shinseki...
testemunhou perante o Comit� de Servi�os Armados do Senado...
ignorando a press�o de Rumsfeld e de Wolfowitz.
General Shinseki...
pode nos dar alguma id�ia da magnitude...
de for�as do ex�rcito necess�ria para a ocupa��o do Iraque?
Ao redor de v�rias centenas de milhares de soldados...
provavelmente poder�am ser necess�rias.
A rea��o foi imediata.
O que est� razoavelmente claro aqu�...
� que a id�ia de levar centenas de milhares de soldados...
creio, sai da l�gica.
� inconceb�vel que se necessitem mais for�as...
para estabilizar o Iraque ap�s a queda de Saddam...
do que para levar a cabo a pr�pria guerra...
e assegurar a rendi��o das for�as de Saddam...
e seu ex�rcito. Dif�cil de imaginar.
Dif�cil de imaginar.
Qualquer um que tenha alguma experi�ncia...
nas interven��es nos anos 90 sabia que � exatamente o contr�rio.
S�o necess�rios tantos soldados a cada mil habitantes...
simplesmente para proporcionar um m�nimo de seguran�a.
Mas Paul Wolfowitz n�o o podia imaginava.
Paul Wolfowitz se negou a ser entrevistado para este document�rio.
Falamos de hostilidades posteriores...
controle sobre uma grande parte da geografia...
com um tipo de tens�o �tnica...
que poder�a ocasionar problemas...
e por isso se requer muita presen�a de for�as de terra.
O general Shinseki tinha raz�o?
TREINADOR DO NOVO EX�RCITO DO IRAQUE
Foi pedida sua melhor opini�o militar...
e ele tem mais experi�ncia que eu.
Foi comandante de nossas for�as na B�snia...
o fez por mais de um ano... Sabe do que fala.
O secret�rio Powell e eu...
discut�amos para mandar mais tropas...
e conseguimos algo, mas no final...
n�o foi suficiente.
Rumsfeld acabou enviando 160.000 soldados ao Iraque.
Creio que a guerra ser�a diferente...
se houvesse...
uma lideran�a que entendesse...
primeiro, o que � estar na zona do combate...
que tivesse servido nas for�as armadas...
e, segundo, que tivesse habilidade de comando...
para fazer que isto funcionar.
Os altos funcion�rios...
que desautorizaram o ex�rcito e o departamento de estado...
n�o tinham experi�ncia em reconstru��o p�s-guerra...
e pouca ou quase nenhuma experi�ncia militar.
Cheney evitou o servi�o militar no Vietnam...
com cinco adiamentos de incorpora��o.
Rumsfeld foi piloto dos marines em 1950, mas nunca combateu.
Wolfowitz e Rice nunca haviam servido no ex�rcito.
Bush evitou ir ao Vietnam...
alistando-se na Guarda Nacional A�rea do Texas.
Tampouco tinha experi�ncia em pol�tica exterior antes de ser presidente.
O olh�vamos e...
aqueles que t�m experi�ncia militar...
e coment�vamos com freq��ncia...
esta coisa n�o parece bem.
No meio de abril de 2003, com os saques ainda sem controle...
Rumsfeld cancelou o desembarque da primeira divis�o de cavalaria...
uma for�a de 16.000 soldados.
Isto nos chocou. Como pode cancelar essa divis�o?
Se essa divis�o tivesse seguido para o Iraque...
ter�amos podido estabilizar o Iraque...
somente com nossa presen�a.
Em 19 de abril, a ORHA entrou finalmente no Iraque...
para come�ar as opera��es de p�s-guerra.
Dos 20 minist�rios que quer�amos reutilizar...
16 haviam sido destru�dos...
por causa dos saques.
Est�vamos come�ando do zero.
N�o haviam mesas, cadeiras...
m�quinas de escrever...
Onde receberemos os iraquianos para come�ar a trabalhar?
N�o haviam sido deixadas quaisquer estruturas...
estruturas f�sicas ou burocr�ticas.
Tive que encontrar as pessoas...
perguntando por a�: "Conhece fulano...?
"Conhece algu�m do Minist�rio da Sa�de?
"Conhece algu�m do Interior?
"Conhece algu�m da Educa��o?".
Dentro do pr�prio grupo, havia...
creio que cinco que sabiam alguma coisa de �rabe.
N�o t�nhamos listas de telefones...
n�o tivemos telefone por algum tempo...
assim suponho que estas listas n�o eram t�o importantes.
N�o t�nhamos informa��o nem onde ir...
n�o sab�amos a quem contatar.
N�o � a melhor forma...
N�o � a melhor forma de come�ar uma ocupa��o.
Seguiu-se um sentimento de desordem...
do qual o Iraque nunca se recuperou.
Pessoas armadas tomaram o controle...
eram iraquianos com armas.
O V�CUO
Os tiroteios que eu v�...
n�o eram americanos sendo atacados...
mas iraquianos atirando em iraquianos.
�a de autom�vel pela rua e de repente...
come�ava uma onda de disparos sobre sua cabe�a...
e voc� est� no meio destes caras...
disparando uns nos outros.
As ruas eram um caos...
As pessoas matavam e n�o acontecia nada...
n�o hav�a pol�cia de servi�o.
Logo antes da invas�o...
Saddam hav�a soltado 100.000 prisioneiros...
delinq�entes comuns, das pris�es.
Em fevereiro de 2003...
me convidaram a informar ao painel de assesores...
que assessorava Rumsfeld...
sobre assuntos de pol�ticas de defesa.
Disse-lhes que...
DIRETOR, JUSTI�A CRIMINAL INTERNACIONAL
...baseando-nos em nossa experi�ncia...
e na hist�ria do Iraque...
era muito prov�vel que se EUA intervisse...
e capturasse Bagd�...
enfrentar�amos dist�rbios civis massivos.
Suger� que necesit�ssemos 2500 for�as policiais montadas...
uns 4.000 policiais civis nas ruas...
e equipes de assessores judiciais e oficiais de justi�a.
Ao final, concordaram que era uma boa id�ia...
mas que n�o hav�a tempo, talvez para a pr�xima guerra.
Antes da guerra, o dep�sito de cad�veres de Bagd�...
receb�a um assassinato ao m�s.
Em um m�s, chegavam uns 25 por dia.
Estupros, �s vezes pela primeira vez...
estupros e assassinatos.
Sequestravam meninas iraquianas.
As mulheres iraquianas desaparec�am nas ruas...
deixaram de ir a escola, de dirigir.
Os americanos n�o atuavam como pol�cia.
N�o conheciam as ruas, n�o falavam o idioma...
n�o tinham int�rpretes suficientes...
n�o tinham informa��o sobre o que acontecia...
desse modo era uma batalha campal...
voc� podia sentir que hav�a um v�cuo aqui.
Bem r�pido, a mesquita preencheu esse vazio...
que levou os EUA...
a eliminar Saddam e n�o deixar nada no seu lugar.
Nos bairros chi�tas, logo estabeleceram o controle...
em especial, os cl�rigos associados a Muqtada al-Sadr.
Muqtada al-Sadr era o filho de um famoso cl�rigo chi�ta...
e come�ou sua ascens�o ao poder baseando-se na rede de seu pai...
de mesquitas e organiza��es beneficentes.
Como foi dito, o peque�o Sat�n partiu,
e o grande Sat�n j� chegou.
A sa�da da ocupa��o e sua retirada
� a vit�ria do Iraque e dos iraquianos.
Apenas uns poucos dias depois dos EUA entrarem em Bagd�...
ele assassinou um l�der chi�ta pr�-americano.
Ent�o come�ou a criar uma milicia fortemente armada, o Ex�rcito de Mahdi...
que tomou o controle do gueto chi�ta de Bagd�...
e quase todo o sul do Iraque.
Se nos houv�ssemos ocupado dos assuntos de vigil�ncia...
se n�o tivessem havido saques...
n�o haver�am pessoas formando mil�cias sect�rias...
como fonte de seguran�a nos bairros.
A ORHA se esfor�ou em lembrar ao ex�rcito iraquiano...
que se ocupasse da seguran�a.
O comando central do ex�rcito, CENTCOM, apoiou esta medida.
O CENTCOM incluiu em seu plano...
a reinstaura��o do ex�rcito iraquiano.
O usaram para selar as fronteiras...
para trazer seguran�a est�tica...
e para ajudar a reconstruir sua pr�pria na��o.
Mas em 23 de abril de 2003, Jay Garner recebeu uma chamada.
Rumsfeld me chamou e disse...
"Estou gostando de tudo lo que est� acontecendo.
"Est�o fazendo um grande trabalho.
"Estou contente de que esteja em Bagd�, e ainda...
"o presidente nomeou Jerry Bremer...
" como o enviado presidencial".
ADMINISTRADOR, AUTORIDADE PROVIS�RIA
Bremer era um antigo funcion�rio diplom�tico.
Como os demais funcion�rios no Iraque...
Bremer n�o falava �rabe...
n�o tinha experi�ncia no Oriente Pr�ximo...
ou em reconstru��o p�s-guerra...
e nunca hav�a servido no ex�rcito.
Ap�s a chegada de Bremer, a ORHA se retirar�a progressivamente...
e a Autoridade Provis�ria da Coalici�n, a CPA...
tomar�a seu lugar.
Queremos fazer uma retirada muito eficaz e eficiente...
BREMER CHEGA A BAGD�
...e bem organizada.
O general Garner e eu nos comprometemos a trabalhar em equipe.
Tem feito um grande trabalho.
O informamos de tudo...
passou um dia vendo que fazia cada um...
e, logo, tomou o comando.
Voltei pra casa em 3, 4 ou 5 de junho.
A INSURG�NCIA DE BREMER
Entre 1 de maio e 10 de maio, quando saiu para o Iraque...
Bremer trabalhou no Pent�gono...
e entrevistou com freq��ncia Rumsfeld, Wolfowitz...
e o subsecret�rio Doug Feith.
Bremer tamb�m trabalhou com Walter Slocombe...
antigo subsecret�rio de Defesa...
a quem Rumsfeld encomendou a pol�tica p�s-guerra...
para o ex�rcito iraquiano.
Me ligaram em meados de maio de 2003.
Achou em algum momento...
que era um pouco tarde para pensar nisso?
ASSESSOR PARA DEFESA E SEGURAN�A NACIONAL
Sim.
Disse isso a eles?
N�o.
Como Bremer...
Slocombe n�o hav�a servido no ex�rcito...
n�o hav�a ido ao Iraque...
n�o tinha experi�ncia em reconstru��o p�s-guerra...
e n�o falava �rabe.
Nos primeiros 10 dias de trabalho de Bremer...
ainda em Washington...
tomou tr�s decis�es pol�ticas fat�dicas.
A primeira foi suspender a forma��o...
de um governo provis�rio iraquiano...
ainda que Jay Garner houvesse trabalhado para estabelec�-lo.
Jay Garner estava favor�vel...
a forma��o un governo iraquiano...
mas desistiu no caminho para Bagd�...
e n�o creio que o general Garner o soubesse...
nem eu tamb�m.
Esper�vamos, e poder�a dizer que nos prometeram...
que haver�a um governo soberano...
quase imediatamente.
"Eu mando e todos me obedecer�o. Isso � tudo.
"Entendido?".
Assim foi como...
L. Paul Bremer se apresentou.
Muito leal e zeloso de sua miss�o...
para perceber que sua s�bita exclus�o dos iraquianos...
do processo de tomada de decis�es...
foi um erro catastr�fico.
L. Paul Bremer se negou a ser entrevistado para este document�rio.
Em maio de 2003 conseguimos a ocupa��o legal do Iraque.
Naquele momento o disse, e agora acredito...
que foi um erro.
Queremos que as tropas americanas...
saiam completamente do Iraque...
e que deixem o povo iraquiano governar o Iraque.
A rea��o contra suas duas decis�es seguintes...
ser�a bem pior.
Desbaazifica��o.
Instauro hoje uma comiss�o iraquiana para a desbaazifica��o...
para que a estrutura e a influ�ncia...
do partido Baaz sejam eliminadas para sempre.
Sua segunda decis�o...
sua primeira ordem formal como cabe�a da CPA...
eliminou uns 50.000 membros do partido Baaz...
que Saddam hav�a usado para governar o Iraque.
Para a maior�a, a ordem de Bremer significou o desemprego permanente.
Tamb�m paralizou o governo iraquiano...
o sistema educacional e a economia...
ao eliminar funcion�rios experientes...
que se filiaram ao partido...
apenas para sobreviver ao regime de Saddam.
A embaixadora Robin Raphel...
me disso: "Voc� viu isso?".
Eu disse: "Que houve?".
"Desbaazifica��o".
O l� por alto e disse...
"Creio que n�o poderemos faz�-lo".
Disse: "Acho que tem que falar com Jerry".
Fomos v�-lo e disse...
"Deixe-nos tratar disso...
"telefonar para Rumsfeld...
"para convenc�-lo".
Ele disse: "N�o tenho essa flexibilidade.
"Tenho ordens a cumprir".
Terminou a discuss�o.
Talvez tenha vindo falar comigo em algum momento...
n�o me lembro, de verdade que n�o.
N�o se lembra o que estas pessoas disseram...
- "s�o de 30 a 50.000 pessoas"? - Pode ser que sim.
"Meu Deus, o que voc� fazia?"
Eu s�...
Eu estava trabalhando 20 horas por dia naquele per�odo.
N�o era a �nica coisa que tinha que fazer...
nos meus primeiros cinco dias no cargo.
Bremer nomeou Ahmed Chalabi...
chefe da comiss�o de desbaazifica��o.
Chalabi usou a posi��o para eliminar rivais pol�ticos.
A desbaazifica��o foi t�o profunda...
que no pudemos por em marcha o governo...
de maneira eficaz...
nem com rapidez...
e haviam muitos baazistas sem direito a voto.
O que n�s pedimos?!
Trabalho! Trabalho!
Havia pessoas tiradas de seus empregos...
ainda que fossem apenas profissionais...
CATEDR�TICO DE HIST�RIA ANTIGO ASSESDOR DE BUSH
...engenheiros, diretores.
Os tecnocratas, a intelig�ncia...
os bibliotec�rios da escola.
Serem conquistados e perderem seu emprego...
n�o ter meios para manter sua fam�lia...
foi uma experi�ncia incrivelmente humilhante.
Mas foi a terceira decis�o de Bremer no entanto...
a que foi mais explosiva.
Dissolver o ex�rcito iraquiano e os servi�os de intelig�ncia...
as institu��es mais importantes do Iraque.
A segunda ordem a CPA...
dissolveu o ex�rcito iraquiano, a Guarda Republicana...
a Guarda Republicana Especial e a pol�cia secreta.
Do dia pra noite, Bremer desempregou...
e enfureceu meio milh�o de homens armados...
o que equivaler�a a despedir mais de cinco milh�es...
nos Estados Unidos.
No lugar de ajudar a prevenir a revolta, estes hombres...
criaram uma.
MANIFESTA��ES DE ANTIGOS SOLDADOS IRAQUIANOS.
N�o posso acreditar que fizeram isso.
Centenas de milhares de fam�lias depend�am do ex�rcito.
Elas n�o tinham renda, n�o tinham provedores.
Temos fome, n�o h� p�o, comida, dinheiro, queremos trabalhar.
Crian�as, mulheres, esposas, irm�s, padres...
deixaram de comer porque no hav�a dinheiro suficiente.
O �ndice oficial de desemprego � de 27%.
Estou certo de que � muito maior.
Dir�a que entre 40% e 50%.
N�o � de se estranhar que muitas destas pessoas...
quase todos que t�m treinamento militar...
j� que o servi�o militar � obligat�rio no Iraque...
ou eram militares da ativa...
se juntaram a insurg�ncia...
com fins de alimentar suas fam�lias...
e de ganhar um pouco de orgulho.
Ao dissolver o ex�rcito iraquiano...
Bremer desfazia uma pol�tica...
apoiada tanto pelo ex�rcito dos EUA como pela ORHA.
Paul Hughes tinha uma equipe...
que procurava o ex�rcito iraquiano...
e encontrava muitos soldados...
e j� hav�a encontrado muitos...
porque quer�amos reinstaur�-lo.
Ao alistarem-se, os soldados tinham que assinar...
ou preencher um question�rio...
sobre quem eram, em que unidade estavam, que faziam...
que habilidades tinham...
que equipamento militar tinham em casa...
muit�ssima informa��o...
que hav�a sido �til para n�s.
Eu estava coletando tudo isso.
Mas a equipe de assessores de Defesa...
que tinha que lidar com os soldados iraquianos...
a cargo de Walter Slocombe...
hav�a ficado em Washington e nunca visitara o Iraque.
Disse: "N�o vejo porque temos que ir.
"Posso me preparar muito melhor aqui em Washington".
Eu os ped� mais uma vez...
quando falava com eles de Bagd�...
que tinham que vir...
porque hav�a pessoas esperando-os...
e, em particular, um homem...
para que tomasse decis�es a as pusesse em marcha.
Na sua aus�ncia, me deixaram a tarefa...
de ter que lidar com o ex�rcito iraquiano...
apenas para manter o contato.
O ex�rcito iraquiano estava al� plantado...
esperando uma retirada...
esperavam o que cr�am que aconteceria...
que algu�m viria...
e lhes diria: "Este � o plano, e voc�s s�o essenciais.
"Precisamos de voc�s".
Ningu�m nunca o fez.
Quando a guerra acabou...
ao terminarem os ataques principais...
j� n�o restavam unidades que funcionavam...
todos haviam ido pra casa.
Os generais voltavam...
com divis�es completas dizendo: "Estes s�o os meus".
Um dos oficiais iraquianos...
ao final da segunda ou da terceira reuni�o...
quando o caos reinava em Bagd�, disse...
"Coronel Paul, posso ter 10.000 policiais militares...
"� sua disposi��o em uma semana se precisar".
Transmit� isso de volta ao pessoal de Bernie Kerik...
mas nada foi feito.
Em seu lugar, Bremer ordenou a dissolu��o do ex�rcito.
Cinco dias depois desta ordem...
est�vamos nos despedindo de Jay Garner...
porque iria deixar o Iraque para sempre no dia seguinte.
�amos em dois ve�culos na estrada...
saindo da Zona Verde...
quando foram emboscados e dois soldados foram mortos.
Na minha opini�o, esse foi o come�o da revolta.
Vamos, vamos, vamos! Vamos, vamos, vamos!
Meus colegas e eu nos sent�vamos no balc�o...
ou no telhado do Pal�cio da Rep�blica � noite...
e v�amos as tra�antes por toda Bagd�.
V�amos as cusparadas de diferentes cores subir...
indicando aonde se dirigiam...
os comboios dos EUA de certas composi��es...
e como os revoltosos os segu�am.
O Iraque possu�a 10 grandes dep�sitos de armas
e muitos mais armaz�ns de muni��o sem vigil�ncia.
N�o haviam soldados americanos suficientes para vigi�-los.
Eles sab�am onde estava a muni��o...
sab�am como chegar �s armas e como us�-las...
e, pretendia dizer-lhes para irem embora v�o porque elas n�o existem?
O senso comum n�o o recomendar�a.
Hav�a armaz�ns de muni��o enormes...
sem vigil�ncia durante semanas...
ou inclusive meses depois de acabarem os combates principais.
V�a como os revoltosos...
tiravam m�sseis, morteiros e bombas...
destes alojamentos armazenados pelos iraquianos...
e escondidos em qualquer lugar.
Ent�o voc� ia aos brit�nicos ou aos americanos, quem fosse...
com seu pequeno receptor GPS...
"Caras...
"encontramos 18.000 milh�es de toneladas de bombas...
"e h� um grupo de iraquianos com AK-47's...
"levando-as.
"N�o creio que seja a melhor id�ia. Est�o localizadas aqu�".
E te diziam...
"N�o h� pessoal suficiente para cobr�r isso".
N�o pod�a crer, n�o era a resposta correta.
V� l� e tome conta delas para sua pr�pria seguran�a...
para dos cidad�os, por todos...
Isto � uma id�ia p�ssima.
Algu�m o advertiu que dissolver o ex�rcito assim...
impulsionar�a, e de fato impulsionou, o aumento massivo da revolta?
N�o nesses termos.
Ningu�m te disse isso?
N�o. N�o creio que seja verdade...
mas ningu�m o disse, ningu�m disse...
N�o acha que seja verdade?
N�o, n�o creio que seja verdade.
Muitos generais de alto posto...
vieram ao quartel general da ONU no Hotel Canal...
e foram muito claros sobre as conseq��ncias...
de emitir essa ordem...
e de marginalizar...
este poderoso segmento da sociedade...
que acabar�a em revolta.
Um diplomata liban�s chamado Hassan Salami...
disse a seu colega quando foram embora os generais...
ap�s uma das reuni�es...
"Vejo balas nos seus olhos".
"Vejo balas nos seus olhos".
Ainda mais surpreendente que a decis�o de dissolver o ex�rcito...
foi a maneira como foi tomada essa decis�o...
Em segredo, em apenas uma semana...
por um grupo de homens em Washington que nunca hav�am ido ao Iraque.
N�o se consultaram com os comandantes no Iraque...
nem com os chefes de Estado Maior conjuntos...
nem com a ORHA, o departamento de estado...
nem com a CIA nem o Conselho de Seguran�a Nacional...
nem sequer, como parece, com o presidente dos EUA.
Votamos a entrevistar Walter Slocombe e Paul Hughes...
para reconstruir os eventos...
que levaram a dissolu��o do ex�rcito.
Chamavam-se a si mesmos Reuni�o Militar Independente.
Esta reuni�o j� contava com 100.000 pessoas em 9 de maio...
J� tinham 100.000?
Sim, foi um esfor�o nacional.
Queria todas as c�pias...
todos os discos, e os deram-me...
e os levei comigo a ORHA.
Lhes disse: "Aqui est�o", e disse a Walt e a sua equipe...
"Tenho todas estas coisas. Elas est�o aqui esperando por voc�s".
Hughes acreditava estar em contato com oficiais iraquianos...
que estar�am preparados para reconstituir as unidades.
J� hav�a obtido 137.000 declara��es de alistamento.
N�o. N�o hav�a feito. Pode ser que tivesse...
Ningu�m poder�a ter obtido declara��es de 130.000. Ningu�m...
para nada, no caos que reinava naquele momento.
Tinham um sistema de correspond�ncia...
que cobr�a a �rea metropolitana de Bagd�...
de Mosul, de Basora e de Kirkuk.
N�o entendo...
Dada a dificuldade para fazer qualquer coisa...
no �mbito de opera��es e de organiza��o...
ningu�m tinha 137.000.
Walt n�o estaba l�.
Nunca se encontrou com aquelas pessoas, n�o tinha nem id�ia.
Voc� disse a Slocombe isso? Que isso estava acontecendo...?
Sim, ele sab�a. Ele e sua equipe sabiam.
Voc� j� hav�a feito...
uma recomenda��o ao embaixador Bremer...
e ele hav�a feito uma tentativa de recomenda��o...
ao secret�rio Rumsfeld...
sobre a dissolu��o do ex�rcito...
Sobre a emiss�o da ordem. No final emitiu, sim.
Sim, em 9 de maio.
- Sim. - Ok.
9 de maio foi a �ltima vez que conversei...
com Walt Slocombe.
Falamos por telefone antes que eu fosse embora.
Voc� alguma vez lhe disse...
"Estamos pensando em dissolver o ex�rcito iraquiano...
"e deter seus esfor�os de reform�-lo"?
Uma das coisas que fiz...
Disse isso alguma vez?
Com essas palavras, n�o.
A conversa foi: "Estou indo para l�.
"Me preocupa onde vou viver.
"Terei ve�culos a minha disposi��o?"
"Meus pr�prios cozinheiros?". Bla, bla, bla.
N�o se falava nada do ex�rcito iraquiano.
Eu o punha em dia sobre o assunto...
Ele n�o disse que j� hav�a...
chegado a conclus�o...
e hav�a recomendado a Bremer a dissolu��o do ex�rcito?
Claro que n�o, porque nesse caso...
eu haver�a ido ver Jay imediatamente.
Lhes ocorreu essa id�ia...
e a recomendaram a Rumsfeld...
sem falar com ningu�m no Iraque que foi respons�vel...
por estes assuntos?
Estava sujeito, e, precisamente, porque...
s� se hav�a pensado durante alguns dias...
porque Bremer iria ao Iraque e disse a Rumsfeld...
"Antes de fazer uma recomenda��o, falarei com o pessoal em terra".
Bremer chegou a Bagd� em 12 de maio.
Suas consultas com o pessoal em terra foram breves ou inexistentes.
Voc� se surpreendeu? Hav�am discutido isso com voc�?
N�o, ningu�m me disse nada...
foi uma grande surpresa.
- S�rio? - Sim.
Nunca telefonou para Garner e disse: "Queremos fazer isto...
"Isto te parece uma boa id�ia?".
Eu n�o acho que tenha feito.
N�o cr� que isso foi um erro?
N�o.
Qual foi sua rea��o? O que pensou?
Me pareceu uma p�ssima id�ia.
Pensei que dev�a fazer o contr�rio.
Os comandantes do ex�rcito tamb�m se opuseram � decis�o de Bremer.
John Abizaid e Dave McKiernan me diziam constantemente...
"Que tal nos apressarmos?
"Vamos trazer o ex�rcito de volta" "Vamos trazer o ex�rcito de volta".
Existe um n�mero muito grande de...
antigos soldados iraquianos sem emprego.
N�o apenas � preocupante pela seguran�a...
como tamb�m pela economia.
J� n�o t�m um soldo.
Ent�o se anuncia...
que o ex�rcito iraquiano foi dissolvido, fiquei sem palavras.
Nessa �poca, Walt Slocombe e sua equipe...
ainda n�o hav�am chegado ao Iraque.
O coronel Hughes era o respons�vel...
por tratar com o ex�rcito iraquiano...
porque ningu�m de seu grupo de assessoramento...
hav�a ido ainda ao Iraque, incluindo voc�.
N�o pensou que dever�a haver falado com ele a respeito?
- Falei muito com ele. - � engra�ado.
Ele disse que a ordem de dissolver o ex�rcito...
foi uma surpresa total para ele...
e que soube pela televis�o no aeroporto.
Isso �... Sim isso � ass�m...
surpreende, mas � imposs�vel.
Falei com ele... quando falei...
Eu...
Trabalhamos juntos diariamente enquanto estive l�.
- Chegou em 16 de maio. - 16 de maio?
Para uma visita rel�mpago de quatro dias pelo pa�s.
Ah.
Ent�o ele se foi e n�o regressou at� meados de junho.
- S�rio? - Correto.
Ele n�o te falou isso?
Jay Garner e Paul Hughes n�o foram os �nicos surpresos pela ordem.
Essa id�ia de dissolver todo o ex�rcito...
foi uma que veio como uma surpresa pra mim.
Vejo.
Qual foi sua rea��o?
Pensei que hav�amos criado um problema.
Hav�a muitos soldados desempregados.
O presidente tinha tomado outra decis�o...
que era manter ativos os batalh�es e for�as inferiores.
- Antes, sim. - Sim.
Em quest�o de uns poucos dias.
A maior�a de n�s foi pega um pouco de surpresa...
ou totalmente, com a dissolu��o do ex�rcito.
O secret�rio Powell soube da mesma maneira que eu.
Como?
Soubemos no dia...
que Jerry anunciou a dissolu��o.
- E Condoleezza Rice? - Que ela fale por si mesma.
Condoleezza Rice se negou a ser entrevistada para este document�rio.
Voc� tem alguma id�ia sobre quanto sab�a o presidente...
sobre estas decis�es de antem�o?
J� disse antes que n�o sei se Rumsfeld o hav�a informado ou n�o.
Nenhuma id�ia.
S� estive duas horas no escrit�rio...
um jovem polic�al militar veio e disse...
"Coronel Hughes, tem alguns oficiais iraquianos...
que querem falar com voc�".
Eu me dizia: "Oh, meu Deus".
"Que vou dizer a estes caras?".
Ao final decid� descer...
e encontr�-los no Pal�cio da Rep�blica.
O coronel Mirjan disse: "Que aconteceu?".
Respondi: "N�o sei o que aconteceu".
"N�o tenho nem id�ia de como veio isto".
Ele me disse: "Todos estes soldados j� n�o t�m recursos".
"J� n�o lhes chega dinheiro".
"O que v�o fazer agora?".
Ai, merda.
Em julho de 2003, os revoltosos come�am a espalhar explosivos por todo Iraque.
H� um grande aumento nas baixas dos soldados americanos.
Quantas vezes te falei isso?
- Merda! - Caralho!
Ai, minha orelha!
Tem que sair daqu�.
Alguns cr�em...
que existe a possibilidade de que nos ataquem.
Minha resposta � que se atrevam.
Eu estava no balde.
O balde � um ve�culo que n�o � blindado.
Se acontece algo, vai te alcan�ar.
Ningu�m quer ir al�.
Em 2003, apenas 1 de cada 8 ve�culos no Iraque tinha a blindagem apropriada.
A explos�o me acertou quase em cheio.
Ent�o, sa�...
Come�ei a ouvir tiroteios...
que se aproximavam... bang, bang. Come�amos a disparar.
Temos um pequeno problema com alguma resist�ncia...
vest�gios do antigo regime...
que usam t�ticas militares profissionais...
para atacar e matar nossos soldados, como nesta mesma manh�.
- N�o... - N�o acha...
que � uma campanha coordenada?
- N�o, n�o... - Que � uma guerrilha...
que entramos na fase de guerra de guerrilhas?
Por causa dessa explos�o...
sofr� uma les�o cerebral traum�tica profunda...
e perd� a percep��o da luz no olho direito.
Sofr� danos no olho esquerdo...
que ocasionaram uma mancha na retina...
mas lutamos, lutamos at� ouvirmos o cessar fogo.
Eu era artilheiro. Meu motorista perdeu as duas pernas...
e eu sa� voando do ve�culo...
e sofr� uma fratura no f�mur, quase perco o bra�o direito...
colapsei um pulm�o e tive feridas internas na cabe�a.
Desde ent�o, tenho procurado no dicion�rio...
algumas coisas, de que n�o me recordo muito...
mas uma era "guerra de guerrillas"...
a outra era "insurg�ncia", a outra era...
"guerra pouco convencional". Perd�o?
Atoleiro?
N�o, disso outra pessoa se encarrega...
eu n�o fa�o essas coisas.
Conhe�o um especialista em contra-revolta.
Estava no pal�cio onde a CPA tem seu quartel general...
e falava com um coronel do ex�rcito...
cuja cadeira ficava ao lado do escrit�rio de Bremer.
Usou a palavra "insurg�ncia" e o coronel do ex�rcito...
levantou a m�o e disse: "No Iraque n�o h� insurg�ncia.
"H� um alto n�vel de viol�ncia popular".
O problema de seguran�a...
progressivamente nos impediu de realizar nosso trabalho.
Tinha esperado estabelecer comiss�es de assessoramento nos bairros.
Tr�s diretores generais...
deram talvez a apresenta��o mais coerente sobre a estrutura...
e a organiza��o de uma cidade de 1.500 anos...
que se poder�a dar.
Um deles sugeriu um plano...
para os grupos de assessoramento.
Hav�a idealizado uma democratiza��o local come�ando desde o povo.
Era um plano muito bonito.
E, o que aconteceu?
Foi assassinado.
O pa�s se descontrolava mais e mais...
todo o tempo, e creio que, de alguma maneira...
Bremer e seus ajudantes n�o sabiam...
qu�o mal estavam as coisas atr�s dos muros de conten��o.
A AUTORIDADE PROVIS�RIA DA COALIZ�O
Com sua sede no antigo Pal�cio da Rep�blica de Saddam...
o recinto da CPA, chamado Zona Verde...
estava protegido por 12 km de muros.
Hav�a filas enormes de iraquianos, engenheiros, funcion�rios...
JORNALISTA EM BAGD� DESDE ABRIL DE 2003
Pessoas que queriam ajudar, traduzir...
Em fila nas portas do pal�cio...
os faziam esperar e ningu�m os recebia.
Diziam-lhes que se fossem e n�o voltassem.
As pessoas tentavam uma, duas...
tr�s vezes e ent�o desistiam.
Odiava a Zona Verde.
Sa�a sempre que pod�a para encontrar-me com os iraquianos...
ir a seus lugares e escutar suas queixas...
e suas opini�es.
Voltava e logo dizia a Dan Senor...
"Temos um problema, n�o falamos com os iraquianos".
Dan Senor, o porta-voz de Bremer, n�o fala �rabe.
Quase nenhum alto posto da CPA falava �rabe.
Contavam-se cinco ou seis...
entre os 40, 50 ou 70 funcion�rios mais importantes.
T�nhamos especialistas regionais que hav�am servido no Iraque.
Mas como se tem documentado, muitos...
n�o participaram na fase inicial...
ap�s a invas�o do Iraque e a ocupa��o inicial...
assim essa habilidade se perdeu.
Como terminou sua estadia l�.
- Mm... - Entendo...
que � um tema dif�cil.
D�ga-nos o que quiser.
Mm...
Dir�a que terminou muito antes do que pensava...
e muito antes do que eu houvesse querido.
Eu gostar�a ter ficado...
e tentado dar tudo...
Dadas as frustra��es e as limita��es...
valia muito a pena ficar nesse lugar...
e tentar fazer o que quer�amos fazer.
Porque a despediram?
Eu sei porque. Me disseram.
Porque?
Era dif�cil de lidar...
e dava opini�es...
que iam contra a corrente da �poca em Bagd�.
Desde que Bremer veio, chegavam novas pessoas.
Rec�m graduados da escola... Voc� sabe...
Tinham apenas colado grau...
no outono... na primavera anterior.
Papai fez uma contribui��o para a campanha...
e o filho tem a oportunidade de vir...
e viver uma viagem cheia de divers�o e aventura.
Filhinhos de papai, assim os chamava...
e se sentavam em frente a porta de Bremer e n�o faziam nada.
Na minha casa...
GERENTE DE ONG E CATEDR�TICO
...na Zona Verde...
me encontrei com uma de minhas estudantes...
rec�m graduada.
perguntei o que ela fazia ali e me disse...
radiante de felicidade...
"Me pediram que fa�a...
"o plano de tr�fego para a cidade".
Perguntei-a se sabia algo de planejamento municipal...
e ela me disse que n�o.
Rec�m sa�da da escola...
e encarregada de algo muito complicado...
para n�o dizer mais, e vendo o tr�fego de Bagd�...
a necessidade � �bvia.
Quase todos os funcion�rios tinham contratos de tr�s meses.
T�o logo estabaleciam...
rela��es adequadas com os iraquianos...
em 90 dias, 100 dias, 120 dias, elas �am pra casa...
e n�o h� nada pior que isso para dirigir uma organiza��o.
Hav�a uma prefer�ncia...
ESPECIALISTA EM OR�AMENTO CATEDR�TICA
...muito clara do Pent�gono...
pelas empresas americanas fazerem o trabalho.
Houveram numerosos casos em que empreiteiros iraquianos...
propuseram fazer o mesmo trabalho...
por muito, muito, menos dinheiro...
que os empreiteiros dos EUA.
Ann e eu tivemos um enfoque diferente...
ao de muitas unidades da coaliz�o...
porque trabalhamos muito pr�ximos com os iraquianos.
Se �amos a reuni�es, era com americanos...
PRIMEIRO TENENTE - MARINHA EUA
...e iraquianos, e os iraquianos tinham a mesma voz que n�s.
Constru�amos nossos fortes...
junto aos do ex�rcito...
que usava uma grande construtora dos EUA, Parsons.
Desenh�vamos e constru�amos nossos fortes...
em uns cinco meses.
Quando nos fomos, os fortes de Parsons...
iniciados um ano antes de chegarmos...
ainda n�o estavam prontos.
Os fortes de Seth Moulton e Ann Gildroy custaram 200.000 d�lares.
Os de Parsons custaram 1,2 bilh�es de d�lares.
Os oficiais do ex�rcito com freq��ncia sa�am as ruas...
esbanjando a pequena quantia de fundos que tinham...
para uso imediato em, digamos, limpar as ruas...
realizar melhorias tempor�rias no sistema de drenagem...
Quando terminava...
essa pequena quantidade de dinheiro para fazer tudo isso...
tudo reca�a na CPA.
"Precisamos disto e disto...
"para estes projetos, e custar� tanto".
Desaparec�a, simplesmente desaparec�a.
"E meu pedido?"
"Que pedido?"
Isso n�o parava de se repetir.
Foram destinados 18 bilh�es de d�lares para a reconstru��o em outubro de 2003.
Os 18 bilh�es de d�lares que o Congresso prometeu...
foram mal empregados e mal gastos...
se � que se chegou a gast�-los.
Produziremos eletricidade suficiente...
para que em todo o Iraque haja...
servi�o el�trico nas 24 horas do dia...
essencial para suas esperan�as de futuro.
Hav�a fraude, corrup��o e desperd�cio.
Um ano depois, apenas 1 bilh�o de d�lares havia sido investido no Iraque.
As pessoas comuns t�m eletricidade...
apena duas ou tr�s horas por dia.
A �gua vem de vez em quando, a cada dois ou tr�s dias.
Passamos o inverno tremendo, envoltos em cobertores...
porque n�o temos combust�vel para funcionar os aquecedores.
Assim � a vida que vivemos.
Em maio de 2003...
as Na��es Unidas enviou seu melhor especialista...
em reconstru��o de p�s-guerra para ajudar na ocupa��o norte americana.
Era um diplomata brasileiro chamado S�rgio Vieira de Mello.
REPRESENTANTE ESPECIAL DA ONU
Ainda que n�o deixassem que a ONU fizesse nada importante...
Kofi Annan disse: "Enviarei o melhor".
"Se algu�m pode deixar bem a ONU...
"esse � S�rgio Vieira de Mello".
Eu pertenc�a a sua equipe, era seu...
ASSESSOR ESPECIAL DA ONU
...principal assessor pol�tico...
e fomos juntos a Bagd�.
Toda nossa equipe pol�tica falava �rabe...
e tinha experi�ncia trabalhando na regi�o e al�m.
Uma das melhores coisas que S�rgio fez...
em retrospectiva foi que...
ao ver que os EUA haviam se fechado...
na Zona Verde e n�o sa�a �s ruas do Iraque...
S�rgio criou uma estrutura no Iraque...
que era o contr�rio � da Zona Verde.
Chamou-a Anti-zona Verde.
Estou ouvindo os l�deres pol�ticos...
dizerem que nos reuniremos diariamente.
Discutimos v�rias vezes com os militares...
que vinham � ONU para falar com S�rgio Vieira de Mello...
e o ped�am que mediasse...
a disputa que eles tinham com a CPA.
V�a grandes filas por fora da Zona Verde...
mas ningu�m ouv�a suas queixas.
Ao contr�rio, o recinto da ONU era completamente aberto.
Se voc� quizesse se queixar, a ONU estava mais que disposta...
a te escutar, e S�rgio v�a como sua miss�o...
transmitir essas queixas a Bremer, ao mais alto n�vel...
com a esperan�a que fizessem algo...
antes que a revolta se agravasse.
Me encontro com ele com freq��ncia...
e compartilho meus conselhos e minha experi�ncia.
Enquanto Bremer obteve o que quer�a de S�rgio...
da ONU...
j� n�o teve mais tempo para as Na��es Unidas.
Ent�o, o que S�rgio viveu...
foram dois meses sendo utilizado, literalmente...
para chegar a certos segmentos da sociedade iraquiana...
e, no seu �ltimo m�s...
teve que ag�entar que nem o respondiam no telefone.
Assuntos como pol�ticas de deten��o...
encapuzar os prisioneiros, eram temas que S�rgio...
tratavav�rias vezes com Bremer e com o general S�nchez...
mas n�o interessavam a Bremer.
Os tr�s ou quatro meses cruciais ap�s a queda de Bagd�...
as duas coisas principais que faz�am os soldados dos EUA, eram...
buscar armas de destrui��o em massa e Saddam Hussein.
O processo dessas buscas...
arrombando portas � noite...
encurralando pessoas, levando-as a Abu Ghraib...
fazendo pris�es em massa, teve um efeito amargo.
Vamos! Em frente!
V�! V�!
Se era iraqu�ano em idade militar...
em uma zona de opera��es do ex�rcito dos EUA...
era muito prov�vel que te prendessem...
ou te internassem como poss�vel revoltoso.
Apenas por ser um homem em idade militar na zona de opera��es.
Em muitas ocasi�es, ao alijar...
ao iraquiano em idade militar de sua fam�lia...
levava o chefe da fam�lia.
N�o me resta mais ningu�m, juro pela vida de Maom�
n�o fez nada ruim.
Ai, meu filho, Amer!
N�o revolta somente ele, mas toda sua fam�lia...
porque pode ser que mantivesse n�o s� sua fam�lia mais pr�xima.
Sempre que ouviam os helic�pteros dos EUA...
ou os tanques dos EUA pelas ruas...
se levantavam imediatamente...
ainda que fosse as duas da manh�...
e se preparavam para a deten��o.
Porque para eles, inclusive hoje, � o normal.
Haviam ataques sobre os pr�prios soldados norte-americanos...
e eles respondiam a esses ataques...
saindo a procurar os revoltosos...
e ao fazerem isso...
�s vezes, prendiam pessoas equivocadamente.
Inclusive, �s vezes, matavam a pessoa errada.
Ap�s algu�m ser preso, costumava desaparecer...
no sistema carcer�rio militar dos EUA...
durante muito tempo sem deixar rastro.
Suas fam�lias n�o ficavam sabendo de nada.
O ex�rcito dos EUA n�o revela...
o n�mero de iraquianos presos ou detidos no Iraque desde 2003.
� dif�cil entender o que se sente ao ser ocupado.
Te apontam armas dos ve�culos.
Te fazem parar o carro.
Os iraquianos n�o entendiam as instru��es...
que lhes davam nos postos de controle.
Se se aproximavam, muito r�pido, os matavam.
Quase todas as unidades dos EUA como a que estive...
se esfor�avam muito em fazer o correto...
e n�o matar ou ferir ningu�m...
que n�o precisavam ou necesitavam matar ou ferir.
Mas n�o h� d�vida de que as guerras s�o ca�ticas...
e, esta no Iraque...
com esse n�vel de revolta...
� realmente pior.
Uma ap�s outra, se tomavam decis�es a curto prazo...
que, no fim de 2003...
resultaram em um pa�s com uma revolta crescente.
SEDE DA ONU EM BAGD� 19 DE AGOSTO DE 2003
Em 19 de agosto de 2003, uma enorme bomba destruiu
a sede da ONU en Bagd� assassinando 22 pessoas.
Entre os mortos,
o enviado especial da ONU no Iraque, S�rgio Vieira de Mello.
Um caminh�o de fabrica��o Russa...
estacionou em frente � janela de S�rgio Vieira de Mello...
e detonou uma enorme quantidade de explosivos.
Toda a esquina sudoeste do edif�cio da ONU veio abaixo.
S�rgio permaneceu vivo debaixo dos escombros...
mais de tr�s horas esperando que o resgatassem.
Perdemos muitos colegas nesse dia...
e creio que foi o sinal de que algo dram�tico...
hav�a acontecido no pa�s e que a revolta hav�a se convertido...
em uma muito letal e organizada...
bandeira para uma grande luta...
contra as for�as da coaliz�o.
Em 2004, a rela��o entre o ex�rcito...
e o povo iraquiano ficou insustent�vel.
Aqui � onde esses merdinhas...
adoram atirar pedras em n�s...
Maldi��o!
A� est�! Mas n�o podemos usar for�a mortal.
N�o podemos usar for�a mortal.
Foda-se!
Foda-se voc�, merdinha!
V�em-se muitos civis que v�o trabalhar...
para os empreiteiros privados...
que se encarregam de grande parte da reconstru��o...
porque n�o temos soldados suficientes.
Existem mais de 45.000 empreiteiros privados do ex�rcito no Iraque,
mais do que em qualquer outra guerra dos EUA.
PARLAMENTO IRAQUIANO
T�m guardas especiais.
N�o sei quem s�o...
t�m permiss�o para disparar nas pessoas, por qualquer coisa...
Tenho visto multid�es de empreiteiros civis...
especialmente violentos...
e com pouca vis�o sobre o que fazem.
Segue um video caseiro de um empreiteiro militar privado no Iraque.
A m�sica � do original.
Saddam nos fez muitos estragos, certo.
� algo que n�o se esquece.
Mas o que tem se seguido � pior que Saddam.
Quando se cria um problema assim,
tem que consert�-lo ou partir.
N�o deveriam deix�-lo assim.
Conserte-o.
A qualquer momento, quando tiver uma oportunidade...
enfrentarei os Estados Unidos.
Com armas?
De qualquer forma, com ou sem armas.
J� enfrentou os americanos?
Talvez.
No in�cio de 2004, Faluya...
uma cidade de 350.000 habitantes a oeste de Bagd�...
havia se convertido no centro da revolta sunita.
Em 31 de mar�o de 2004...
quatro empreiteiros militares americanos foram assassinados...
e seus corpos foram arrastados pelas ruas de Faluya...
por multid�es jubilosas.
No come�o de 2004...
o Conselho de Intelig�ncia Nacional...
um poderoso comit� de 12 pessoas...
tido como cabe�a da comunidade de intelig�ncia dos EUA...
realizou v�rias avalia��es da revolta crescente ...
que foram apresentadas � Casa Branca...
e � altos funcion�rios do governo.
Registramos o crescimento da revolta.
Crescia e n�o se limitava � combatentes extrangeiros...
ou � baazistas desafetos.
O que chamamos revolta...
� um fato cheio de m�ltiplas facetas.
OFICIAL DA INTELIG�NCIA NACIONAL PARA O ORIENTE PR�XIMO
N�o apenas alguns rebeldes baazistas...
n�o somente uns extremistas extrangeiros...
como tamb�m mais bem refletia m�ltiplas motiva��es...
e frustra��es...
entre os pr�prios iraquianos.
...ao deteriorar-se a situa��o econ�mica...
ao debilitar-se a seguran�a pessoal do povo...
e ao crescer o ressentimento contra a ocupa��o dos EUA.
A CIA...
previu...
v�rios cen�rios...
nos quais a vida poder�a ser p�ssima, normal...
e melhor.
O presidente n�o hav�a lido...
nem sequer o resumo de uma p�gina que tanto nos custou...
porque reduzimos tudo a somente uma p�gina.
O presidente n�o leu nem o resumo?
Isso mesmo.
Eles somente...
imaginavam as condi��es.
Quantas pessoas no Iraque voc� estima...
ASSESSOR DA CPA PARA O IRAQUE
...que tenham participado em algum n�vel na revolta?
Em qualquer n�vel, se � apenas apoiando...
proporcionando abrigo...
possivelmente mais de 100.000 pessoas.
Mossul, Iraque. 9 de dezembro de 2004
Dois carros entraram no distrito de Yarmouk.
Haviam americanos dentro.
Todos morreram, todos.
Apesar da intensifica��o da revolta...
ainda n�o havia carros blindados suficientes...
para os soldados norte-americanos no Iraque.
N�o tivemos nem um carro blindado...
enquanto estivemos no Iraque em 2003.
Fomos ao Iraque em 2004...
com ve�culos sem blindagem...
e nos davam kits de blindagem no Kuwait...
que eram como pe�as em forma de portas sem janelas...
e um p�ra-brisa � prova de balas, isso era todo.
Se o seu ve�culo n�o houvesse sido blindado...
qual voc� acredita que haver�a sido o dano do explosivo?
Creio que haver�a sido mortal.
Porqu� n�s soldados temos que cavar em lix�es...
buscando pe�as de metal...
e cristais blindados para blindar nossos carros?
Porque esses recursos...
n�o est�o dispon�veis para n�s?
� uma quest�o de f�sica...
n�o de dinheiro.
N�o � uma quest�o, por parte do ex�rcito, de desejo...
� uma quest�o de produ��o e capacidade de resolver.
Existem f�bricas de autom�veis que fecham nos EUA.
N�o sou um especialista em f�bricas...
mas reutiliz�-las para produzir alguns carros blindados...
n�o dever�a ser dif�cil.
Voc� vai � guerra com o ex�rcito que tem...
e n�o o que gostar�a ter, ou desejar�a ter mais tarde.
AS COISAS DESMORONAM
Em novembro de 2004, o Pent�gono decidiu atacar Faluya...
para recuperar a cidade da revolta sunita.
Os 350.000 cidad�os de Faluya foram avisados que abandonassem a cidade.
A batalha destruiu 70% da cidade...
deixando 150.000 pessoas sem lar.
Apesar dos intensos combates, muitos revoltosos escapam.
40 marines s�o mortos.
Enquanto o ex�rcito dos EUA se preocupava com Faluya...
as mil�cias chi�tas se apoderavam do sul do Iraque.
N�o h� nem um ex�rcito nem uma multid�o...
de centenas de pessoas...
tentando superar ou mudar a situa��o.
Em agosto de 2004...
a cidade santa de Nayaf � tomada pelo Ex�rcito de Mahdi...
a mil�cia chi�ta liderada por Muqtada al-Sadr.
A divis�o de Seth enfrentou a mil�cia de Muqtada al-Sadr.
Essencialmente, o que nos informou a unidade do ex�rcito...
que substitu�mos foi...
que quase tudo em Nayaf era muito tranquilo.
Exceto os 3.000 homens da mil�cia...
que ocupam o centro da cidade.
As balas voavam, os morteiros ca�am.
Minha divis�o foi a primeira a chegar � delegacia de pol�cia.
Tomamos posi��es junto com a pol�cia do Iraque...
e a defendemos da mil�cia.
Mas foi at� fins de agosto...
que n�o fizemos uma incurs�o em grande escala...
� antiga cidade de Nayaf e a recuperamos.
Permitiu-se que Muqtada al-Sadr escapasse ileso.
Se a democracia n�o ajuda o povo iraquiano...
o povo dir�: "Ao inferno com esta democracia".
"Necessitamos de um homem forte".
E vejo que esse homem est� em off...
seu nome � Muqtada al-Sadr.
Acredito que n�o � a melhor escolha como futuro l�der do Iraque.
Voc� participou nas delibera��es...
sobre capturar ou matar a Muqtada al-Sadr?
Sim, participei.
Se o consider�vamos um tumultuador...
e uma fonte de problemas?
Sempre, quisemos prend�-lo.
Sob meu ponto de vista, tudo gira em torno do assunto da for�a das tropas.
O ex�rcito n�o devia se distanciar...
de sua miss�o principal...
para iniciar o que haver�a sido uma batalha curta...
ainda que dif�cil, e seguramente sangrenta...
e isso � o que se decidiu ao final.
Ap�s as elei��es no Iraque, em 15 de dezembro de 2005...
a Alian�a Iraquiana Unida...
com o partido de Muqtada al-Sadr como principal participante...
ocupou quase a metade das pastas no governo central do Iraque.
N�o � f�cil para um marine que algu�m...
Ele e sua mil�cia assassinaram alguns de meus amigos...
e v�-lo al�ar-se na pol�tica do Iraque...
� frustrante.
Outro grupo chi�ta da alianza de Sadr � o SCIRI...
o Conselho Supremo pela Revolu��o Isl�mica no Iraque.
Os l�deres do SCIRI viveram 20 anos no Iran...
e s�o, freq�entemente, pr�-iranianos.
Estes grupos chi�tas...
que �s vezes lutam contra eles mesmos...
se aliam politicamente contra os grupos sunitas.
O Ex�rcito de Mahdi de Muqtada al-Sadr...
continua os enfrentamentos com as for�as dos EUA.
O n�vel de atividade que se v� hoje...
de um ponto de vista militar diminuir�.
Creio que � o �ltimo alento da revolta, se me permitem.
Quando o secret�rio Rumsfeld e o vice-presidente Cheney...
comentaram que a revolta estava diminuindo...
que eram s� uns rebeldes...
voc� sab�a que a an�lise da intelig�ncia...
j� indicava que eles estavam errados?
Hav�a ido ao Iraque oito vezes...
conhecia os fatos sobre o terreno.
Eles ter�o que falar e ser�o julgados...
por suas palavras e a��es...
mas eu sab�a quais eram os fatos.
Dick Cheney y Donald Rumsfeld se negaram a ser entrevistados.
No in�cio de 2005, a administra��o pouco a pouco come�ou...
a corrigir alguns de seus erros.
Acelerou o treinamento do ex�rcito iraquiano...
e nomeou um diplomata musulmano...
Zalmay Khalilzad, como embaixador.
Em junho de 2006...
o embaixador Khalilzad enviou uma lista de problemas...
� Condoleezza Rice.
Os iraquianos da embaixada...
n�o diziam a suas fam�lias onde trabalhavam...
por medo de serem assassinados.
Eles perguntam o que acontecer� quando os americanos se forem.
Muitos se preparavam para seus pr�prios sequestros.
Seis meses mais tarde...
no dia depois que os republicanos perderam o controle do Congresso...
o presidente Bush anuncia a demiss�o de Rumsfeld.
O novo secret�rio de Defesa, Robert Gates...
� um pragm�tico que tem criticado a guerra privadamente.
Estou fazendo uma mudan�a na secretaria de Defesa...
para dar uma nova perspectiva sobre como conseguir algo...
que quase todos desejamos, que � a vit�ria.
O CAOS
Quando Rumsfeld � substitu�do...
o Iraque est� fora de controle.
O pa�s est� cada vez mais dominado por mil�cias...
revoltosos, criminosos e chefes militares.
As zonas mistas s�o purgadas em limpezas �tnicas.
As milicias chi�tas se infiltraram na pol�cia...
usando-as para matan�as sect�rias.
Os sequestros e as mortes violentas...
chegam a v�rias centenas por dia.
Os sequestraram no mercado...
e os executaram.
Os executaram por serem sunitas.
Existem muitos tipos de milicia.
A mil�cia de Mahdi...
MINISTRA DE DIREITOS HUMANOS NO IRAQUE
...a mil�cia de Badr...
existem muitas mil�cias neste pa�s.
Todas s�o muito democr�ticas...
para prender e matar as pessoas.
A seguran�a � p�ssima em muitos bairros...
com a amea�a permanente de carros-bomba e explosivos caseiros.
Um carro-bomba explodiu bem al�.
Eu estava aqui, meu pai aqui e meu irm�o l�.
A explos�o matou meu irm�o.
e a todos ao seu redor.
Carros-bomba, explosivos caseiros, sequestros...
H� muitas formas de morrer.
Os sequestros, aut�nticas medidas de gangsters para conseguir dinheiro.
Sequestraram um garotinho em frente ao hotel...
um carro parou, apanhou o menino e foi embora.
Aos pais pedem um resgate...
que ter�o que conseguir em uma semana.
N�o s�o s� uns poucos sequestros, s�o centenas deles...
ASSESSOR DO MINISTRO DO INTERIOR DO IRAQUE
...voc� fica atordoado.
Onde os sequestraram?
Os levaram de suas lojas, os quatro.
Fomos ao escrit�rio de Sadr para pedir e rogar...
mas disseram que n�o foram eles.
H� uma avalanche de pessoas...
pedindo ajuda ou...
que logo deixam de pedir ajuda.
Para que denunciar � pol�cia? Um, n�o confiamos neles.
Dois, talvez eles tenham cometido os crimes.
Seus uniformes proliferavam por todos os lugares.
H� muitos saqueadores...
e gente que se faz passar por servi�os de seguran�a.
Agora voc� pode ver pessoas sendo presas por muitas fontes.
N�o sabem quem s�o.
Postos de controle falsos onde param as pessoas...
para comprovar sua identidade e ver se s�o chi�tas...
sunitas, curdos, �rabes, e logo...
os sequestram ou os matam ali mesmo.
Quando me despe�o de meu marido...
sempre acredito que n�o voltarei.
Ao final de 2006, Bagd� era uma anarquia.
O ex�rcito dos EUA controlava a Zona Verde...
e a zona do aeroporto de Bagd�.
As for�as de seguran�a do Iraque controlavam o leste e o sul.
As mil�cias sun�tas controlavam...
v�rios bairros sun�tas importantes.
O Ex�rcito de Mahdi de Muqtada al-Sadr dominava zonas extensas...
incluindo o enorme bairro chi�ta da cidade de Sadr.
A milicia chi�ta rival do SCIRI, a Brigada Badr...
controlava as zonas chi�tas ricas.
As organiza��es de bairro controlavan muitas zonas pequenas.
Zonas extensas permaneciam sem controle.
CONSEQ��NCIAS
De um estudo realizado...
pela catedr�tica de Harvard Linda Bilmas...
e o ganhador de um nobel Joseph Stiglitz...
no in�cio de 2007, EUA hav�a gastado 379 bilh�es de d�lares...
diretamente na guerra do Iraque.
As opera��es futuras s�o estimadas em uns 389 bilh�es de d�lares.
O custo do cuidado com os veteranos...
e a perda de produtividade dos que servem no Iraque...
custa 482 bilh�es de d�lares.
O custo da desmobiliza��o e substitui��o da equipe do ex�rcito...
que termina seis vezes mais r�pido que o normal...
� de 160 bilh�es de d�lares.
O aumento do pre�o do petr�leo devido � guerra...
tem custado aos EUA 450 bilh�es de d�lares.
No total, o custo econ�mico da guerra...
estima-se que alcan�ar� os 1,8 trilh�o de d�lares.
Estou sofrende de6...
dores de cabe�a p�s-traum�ticas...
e epilepsia p�s-traum�tica.
�s vezes, tenho m�s recorda��es do que aconteceu...
mas n�o me assustam.
Voc� se sente emocionalmente bem?
�s vezes, � um pouco...
�s vezes, sim. �s vezes, n�o.
Ainda tenho dificuldades em lidar com...
j� sabe...
o que nos aconteceu, a mim e a meu companheiro. �s vezes.
O grande custo a respeito � incapacita��o de veteranos...
� que essas centenas de milhares de pessoas...
retornam e ve�m que n�o podem trabalhar...
ou cumprir com um trabalho como antes...
porque n�o s�o as mesmas que antes.
Que temperaturas temos aqui?
Ontem chegamos a 48 graus.
- 48 graus? - Sim.
Esse � �ltimo contrato que assino com o governo.
Muitas das unidades fazem...
tr�s turnos de servi�o...
e alguns n�o v�em um final para isto.
Cr�em que voltar�o para seu quinto...
sexto, s�timo per�odo de servi�o antes que tudo acabe.
N�o temos tropas suficientes.
Como nos protegeremos ante um poss�vel conflito em Pyongyang...
COREA DO NORTE ANUNCIA TESTES NUCLEARES
...um poss�vel conflito com o Iran...
outros poss�veis conflitos no mundo...
se temos tudo comprometido...
para guardar o Iraque e no Afganist�o?
� curioso, mas o Iran...
AJUDANTE DO SECRET�RIO DE DEFESA DE CLINTON
...apesar de nossa reprova��o pelo regime iraniano...
� o maior benefici�rio da guerra do Iraque.
Eliminamos seu inimigo hist�rico...
e os pusemos na lideran�a do Golfo P�rsico.
Quando voc� tem uma guerra civil assim...
violenta e desagrad�vel...
sobre os 20% dos fornecedores mundiais de petr�leo...
que afetar� com seguran�a pa�ses vizinhos...
Iran, Ar�bia Saud�ta, Jord�nia, S�ria, talvez at� o Egito.
Se o Iraque se desintegra e se converte em um campo de guerra civil...
se parecer� cada vez mais com um pequeno Afeganist�o.
� onde se refugiar�o os terroristas de todo o mundo.
Se o Iraque volta a um regime isl�mico-fascista...
como os dos talib�s no Afeganist�o...
ent�o teremos voltado ao 10 de setembro de 2001...
s� que em maior escala...
e com bilh�es de d�lares de petr�leo � sua disposi��o.
Ao come�ar a reconstru��o...
brincamos...
que haviam 500 formas de faz�-la mal...
e duas ou tr�s de faz�-la bem...
o que n�o entend�amos...
� que �amos provar essas 500 formas primeiro.
Porque se cometeram esses erros?
N�o sei.
N�o tenho nem id�ia. � desconcertante.
O presidente Bush desapareceu em combate...
no planejamento da p�s-guerra.
Delegou ao seu vice-presidente e ao seu secret�rio de Defesa...
o controle dessas decis�es.
Porque na terra, se voc� fosse o presidente dos EUA...
usar�a a for�a militar para logo em seguida desentenderse com o ex�rcito...
sobre, essencialmente, o aspecto mais importante...
quer dizer, o per�odo posterior?
Quem mandava nesta guerra?
N�o quero repetir toda a lista.
O presidente, o vice-presidente...
o secret�rio de Defesa...
os que os rodeavam.
Voc� incluiria a Assessora de Seguran�a Nacional?
Claro.
O vice-presidente?
Sim.
Essa era a equipe interna...
que produziu o pensamento por tr�s da guerra.
Meu erro foi n�o encontrar um jeito de me envolver mais...
no processo de planejamento.
Vejo.
Para que a dissolu��o do ex�rcito...
n�o houvesse sido uma surpresa?
Poder�a ter brigado bastante...
e inclusive ido a ju�zo. Haver�a perdido, mas ter�a ido.
O sistema dever�a ser participativo...
e incluir as pessoas que estejam dispostas a dizer...
"Isto n�o tem sentido, senhor presidente".
"� uma id�ia ruim".
N�o creio que estes processos de tomada de decis�es...
existiram na administra��o de Bush.
Eu n�o pude sentir que participara...
em nenhum processo de tomada de decis�es.
A administra��o nunca pediu...
nenhuma pesquisa com a popula��o sobre o Iraque antes da guerra.
N�o interessava a ningu�m o que pensava a comunidade?
Creio que j� estava tudo decidido...
desde o come�o.
Qualquer an�lise que se fez...
sobre estes assuntos...
era ignorada pelos encarregados da tomada de decis�es.
O vice-presidente Cheney tem feito...
e toma as mesmas posi��es...
sobre a guerra que o secret�rio Rumsfeld.
Ainda tem sua total confian�a?
- Sim ele tem. - Espera que ele...?
A campanha terminou. Sim ele tem.
Permanecer� aqu� at� que voc� se v�?
Sim ele ir�.
Algumas noites n�o durmo muito bem...
quando me culpo por n�o pressionar mais...
que dever�a ter ido, bater na porta e dizer...
"Droga, escuta".
"Foi um erro. Temos que fazer alguma coisa para consert�-lo".
Mas nunca tive a oportunidade para fazer isto...
e tentar bater numa porta...
com um embaixador que, essencialmente, �...
o czar do Iraque.
Para um coronel tentar fazer isso...
N�o conseguir�a passar al�m da entrada.
Se o que eu falei se somar, ainda que seja o m�nimo...
� cr�tica � esta administra��o...
me sentirei bem.
N�o quero dizer que tenha sido efetivo sobre isto...
mas � que eu n�o posso continuar vivendo em paz assim.
Levaremos comida aos iraquianos...
e rem�dios...
e mantimentos...
e liberdade.
Olhem que contentes!
Soa como se nos fosse cair o c�u...
O general Garner e eu nos comprometemos a trabalhar em equipe.
QUEREMOS NOSSOS EMPREGOS E SAL�RIOS
Agora existem muitos antigos soldados iraquianos...
sem emprego.
Uma era "guerra de guerrilhas"...
a outra era "revolta", a outra era "guerra pouco convencional".
- Perd�o? - Atoleiro.
N�o, disso se encarrega outra pessoa...
eu n�o fa�o essas coisas.
Pr� dentro, Pr� dentro.
Escuto os l�deres pol�ticos.
�Ah!
Pr� baixo, pr� baixo, pr� baixo.
Algum dia no futuro, voltarei a olhar para o Iraque...
e gostarei de ver que conseguimos algo...
para poder olhar e dizer...
que eu tomei parte disso...
e que meu sofrimento e perdas t�m sentido.
Se a situa��o melhorar, deixarei o Iraque.
Irei, mas agora...
sou uma lutadora, toda minha vida.
N�o sairei ainda do Iraque.
N�o se pode mudar nada daqui...
porque est� fora de controle.
N�o tenho planos de futuro no Iraque.
N�o vejo luz ao final do t�nel ainda.
Isto � o que �.
Assim � como vivemos, assim o vemos...
assim o cheiramos e o sentimos.
Nesta situa��o n�o se pode dizer: "Vamos tentar isto...
"Isto ir� ajudar. Ou isto sim � que servir�". N�o � assim.
Est� me dizendo que isto � o melhor que pode fazer os EUA?
N�o.
N�o me diga isso, n�o diga aos marines...
que lutaram um m�s em Nayaf que...
N�o me diga que os marines que...
que ainda lutam a cada dia em Faluya...
que isto � o melhor que os EUA pode fazer.
Isto me enoja.
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