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Original subtitles

UMA S�RIE ORIGINAL NETFLIX

Di�rio de bordo.

Dez dias de navega��o.

Dez dias e j� foram assassinadas tr�s pessoas

neste maldito barco.

Agora s� podemos seguir em frente.

Mas, se por acaso n�o chegar ao porto com vida,

quero deixar registo do que aconteceu aqui,

para que se tomem as medidas adequadas.

Come�ou tudo no dia da partida.

Todos chegaram ao barco convencidos de que seria a melhor viagem da sua vida.

Como estavam enganados!

LINHA DE BUENOS AIRES

- Est�s nervosa? - Um pouco.

E tu?

Um pouco, tamb�m.

Presumo que aconte�a nas viagens s� de ida.

Olha! Ali est�!

Cuidado!

N�o se mexa, por favor.

- Estou bem. - De certeza?

- Sim. - Deixem-me passar.

Por favor, ajude-me. V�o-me matar.

O qu�?

Se me encontrarem, matam-me.

Vou chamar a Pol�cia.

N�o. A Pol�cia, n�o! S� preciso de embarcar.

Os bilhetes est�o esgotados!

- Carol! - V�o para o carro.

- Temos de nos ajudar umas �s outras. - Eva!

Est� cheio de guardas. � imposs�vel.

- Por favor, imploro-lhe. - N�o chore, por favor.

Ele vai-me matar.

H� forma de a ajudarmos.

N�o compreendo.

- Est�o loucas, meninas. - Cala-te, Francisca, por favor.

Ela e a sua obsess�o em ajudar!

- Porque o permitiu, menina? - N�o permiti.

A Francisca tem raz�o. Um dia, metes-nos em problemas s�rios.

Um dia? Hoje. Esse dia � hoje.

O ALBATROZ

Bom dia. Em que porto desembarcam?

Rio de Janeiro.

- Algo a declarar na bagagem? - Desculpe?

N�o. Nada.

- Boa viagem. - Obrigada.

Muito obrigada.

Detetive Varela.

Encarregado da seguran�a do barco.

Porque � que este ba� n�o foi com o resto das malas?

N�o sei se sabe, mas vai haver um casamento a bordo.

O Sr. Fernando F�bregas, o armador.

Sim.

Claro que sei.

A minha irm� � a noiva.

- Sim. - Desculpe, menina.

- Parab�ns pelo casamento. - Muito obrigada.

Boa viagem.

- Obrigada. - Obrigada.

Se me permite, menina, esta � a maior loucura da sua vida.

N�o sei como o farei.

Brasil.

- Vai correr tudo bem. - Sim.

Vamos.

Que maravilha!

Bem-vindos a bordo.

Bem-vindas a bordo do B�rbara de Braganza.

O prazer � nosso.

- Boa viagem. - Um copo de champanhe de boas-vindas?

Sim, eu preciso.

Sobrinhas!

Tio Pedro. N�o sabe como me alegro que tenha vindo.

Como perderia o casamento de uma das minhas sobrinhas preferidas?

Tenho duas.

- Como est�, tio? - E voc�s?

Bem.

N�o nos habitu�mos a estar sem ele.

Quero o bolo de framboesa, Francisca. J� sabes.

Esta viagem h� de ser uma celebra��o

em mem�ria do vosso pai.

� isso mesmo, tio.

- Temos de olhar em frente. - Claro.

Era o que ele quereria.

- Tem a chave do camarote? - Sim. J� me instalei.

E, se acharem bem, encontramo-nos logo

para ver o barco zarpar. - Perfeito.

Claro, tio. At� logo.

Ent�o, em frente. Em frente.

- Seremos presas. - O que te disse?

- Que n�o me queria ouvir. - Ent�o porque est�s a falar?

Desculpe.

Sabe se o Sr. F�bregas demora a receber-nos?

N�o se preocupe, Menina Villanueva. Avisei que chegou.

Eva.

Est� um homem a olhar para n�s.

Aqui t�m. O camarote 130.

� um dos melhores. Um dos camareiros acompanha-as.

N�o se preocupe, Agust�n. Eu encarrego-me.

Nicol�s V�zquez. Primeiro-oficial do B�rbara de Braganza.

S�o as meninas Villanueva.

Sim. Sou a Carolina.

- Ela � a minha irm�, Eva. - Muito prazer.

� um prazer t�-las a bordo.

- Entusiasmadas com a viagem? - Sim, muito.

N�o durmo h� dias.

E acho que n�o dormirei mais alguns. Vamos.

O Sr. Fernando pediu-me que trate do vosso alojamento.

Acabaram de embarcar.

� um milagre que flutue.

Deus tem pouco a ver com isto.

� um milagre de engenharia. S�o 313 metros de comprimento.

J� viram a Torre Eiffel?

Imaginem-na deitada sobre o mar.

Uma velocidade m�xima de 32 n�s,

gra�as a 200 000 cavalos de pot�ncia que as quatro turbinas nos d�o.

- Fant�stico. - E 1650 passageiros.

1651.

Os camarotes de primeira t�m �gua quente.

Os len��is e as toalhas s�o do melhor algod�o eg�pcio.

Todas as manh�s, o camarote e a casa de banho s�o limpos.

- E aqui... - Oficial! Desculpe.

Tenho de ir � casa de banho.

Claro, por favor.

Desculpem.

- Instalem-se e bem-vindas. - Muito obrigada.

Desculpem.

Queria lembrar

que o jantar de gala � �s 21 horas.

- Obrigada. - Obrigada.

Desculpe.

Est� bem?

Sim.

Obrigada.

N�o sei como lhes agradecer

pelo que fizeram por mim. Salvaram-me.

N�o tem de nos agradecer.

Mas o meu noivo � o dono do barco. Tenho de o avisar.

N�o.

Obrigar-me-�o a sair, menina.

Esperem que o barco zarpe.

Pe�o-vos. N�o deixem que me levem para terra.

Quanto mais tarde o avisar, maior ser� o problema.

- Francisca, por favor. - Eva!

A Francisca tem raz�o.

Algum senso, por fim.

N�o devia ter permitido isto.

Nem vais ouvir o que aconteceu?

Como se chama?

Luisa Castro Berm�dez.

Tem documentos?

N�o trouxe nada, menina.

- Fugi com a roupa que tenho. - Tenha calma. N�o � um interrogat�rio.

�, sim.

De quem foge?

Se n�o confia em n�s, n�o temos motivo para confiar em si.

Fujo do meu noivo.

Querem que me case com ele, mas n�o o amo.

Como? N�o estamos no s�culo passado. Pode recusar.

E recusei. Por isso � que ele me quer matar.

Diz que se n�o me casar com ele, n�o me caso com mais ningu�m.

Se ele me encontrar,

mata-me.

Porque n�o chamou a Pol�cia?

� um homem poderoso.

Quero ir para longe daqui e viver em paz.

Imploro-vos, por favor. N�o digam nada

at� estarmos em alto-mar e n�o vos incomodo mais.

- O pai ajud�-la-ia. - N�o fa�as isso, Eva.

N�o fales no pai para me convencer.

Lamento, mas as coisas t�m de ser bem feitas.

Carol, por favor.

N�o contes ao Fernando.

Sim, diga.

Vou j�.

Sim. Eu vou j�!

Sim, obrigado.

J� chegaram?

- M� hora? - N�o, de todo.

Queria muito ver-te.

Como est�s? Gostas do camarote? Entrem.

S� quer�amos vir cumprimentar-te, n�o te quer�amos incomodar.

- Deves estar ocupado. - Tu nunca me incomodas.

Passa-se algo?

N�o.

Est�s nervosa por causa da viagem? Do casamento?

N�o.

- Queria contar-te... - Sim.

� meia-noite, no conv�s superior.

Junto ao bote salva-vidas n�mero seis.

� meia-noite.

J� embarcaram todos os convidados.

Dei ordem para que n�o lhes falte nada.

Estes s�o os camarotes, caso os queiras cumprimentar.

Sim.

Teremos tempo de nos ver ao jantar.

- Obrigada por tratares de tudo. - Tudo por ti.

O que me querias contar?

Nada.

Vou ao por�o certificar-me de que est� tudo em ordem.

- Precisam de algo? - N�o, nada. Est� tudo bem.

- De certeza que n�o se passa nada? - N�o. O que se passaria?

N�o te preocupes.

At� logo.

- Obrigada. - Espero n�o me arrepender.

Ent�o?

Esperaremos at� estarmos em alto-mar para contar.

- Assim, n�o a devolver�o ao porto. - Obrigada, menina.

Agrade�a � minha irm�. � dif�cil contrari�-la.

Obrigada. Salvaram-me a vida.

O que est� claro � que esta rapariga n�o pode ficar aqui.

Vir� para o nosso camarote.

Assim, n�o correm o risco de ser apanhadas com uma clandestina.

Obrigada, Francisca.

Espera.

Leva uma c�pia da chave.

Ter�s de vir aqui v�rias vezes.

- Bom dia. - Bom dia, Sr. Fernando.

Disseram-me que guardaram as caixas da minha noiva e da irm�.

Sim, senhor.

Aqui est�o.

Perfeito, obrigado.

Levem as malas aos seus camarotes.

Sim, senhor.

Rumo ao Brasil.

Rumo ao Brasil.

- Capit�o. - Capit�o.

O que diz o boletim meteorol�gico?

C�u limpo nos tr�s primeiros dias.

Com rajadas de vento de nordeste de for�a quatro.

As m�nimas ser�o de 21 �C e...

Um albatroz!

� raro v�-los aqui.

� um mau press�gio.

N�o quero supersti��es.

Mandem tir�-lo dali e consertem o vidro.

Temos de zarpar.

Sim, capit�o.

- Sente-se bem, capit�o? - Sim. Estou bem.

Agora sim, partimos.

Pensei que este momento nunca chegaria.

Vai ser uma grande viagem. Temos de desfrutar.

- Espero que tenha raz�o, tio. - Tenho, sobrinha. Tenho.

Dizem que depois da tempestade chega a bonan�a.

Bem, juro pelos bolos da Francisca

que a tempestade j� passou.

Quem diria?

Pensar que, quando te conheci,

eras um maltrapilho que andava por essas ruas de quinta categoria.

Olha para ti agora.

Este maltrapilho nunca lhe poder� agradecer o suficiente.

Vamos zarpar.

Devagar para a frente!

DEVAGAR

Devagar para a frente!

Esta noite, n�o h� luz

No candeeiro do mar

Esta noite, n�o h� luz

Porque n�o tem g�s

Porque n�o tem g�s

Porque n�o tem g�s

Esta noite, n�o h� luz

No candeeiro do mar

Dizem que vais Para La Gomera

Dizem que vais Mas n�o me levas contigo

Mas n�o me levas contigo

Dizem que vais Para La Gomera

Dizem que vais Para La Gomera

Dizem que vais Mas n�o me levas contigo

Virgem da Candel�ria

A mais bonita

A mais bonita

Ela tem o seu manto

- Come�amos bem. - Cala-te, Ver�nica.

N�o, m�e. N�o me calo. Mordo a l�ngua h� uma hora.

Se trazer a clandestina foi ideia delas, pois que lidem com ela.

S� vejo duas camas aqui. Como vamos dormir?

� f�cil. Voc�s dormem nesta e eu naquela.

Posso dormir em qualquer s�tio. N�o quero causar problemas.

� tarde para isso, n�o achas?

Compreendo, mas n�o sabes o que significa para mim recome�ar.

Mas aqui nem todas vamos recome�ar.

Vamos ter a mesma vida.

Aqui, no Brasil ou na China. Serviremos os nossos patr�es.

� um trabalho digno como outro qualquer.

Se te parece digno, f�-lo.

O que te disse, filha? Cala-te.

Ajuda-me a desfazer as malas.

Carolina!

Natalia! Que susto me deste!

N�o est�s com o meu irm�o?

Ele est� no por�o, a garantir que o barco n�o se afunda.

Habitua-te. O meu irm�o Fernando � sempre assim. Primeiro � o trabalho.

Ainda vais a tempo de fugir e n�o cometer a loucura de te casares com ele.

Nunca. Por nada do mundo.

Se o Fernando est� ocupado, anda connosco.

Beberemos um mart�ni no bar antes do jantar.

Agrade�o-vos muito.

Mas ainda tenho de me preparar para o jantar desta noite.

Como queiras.

Sabes onde estamos.

Posso tirar-lhe uma foto?

- Uma foto? - Sim.

- Aqui? - Perfeito.

O que se passa, Eva?

Lamento por tudo, tio.

A tua irm� � livre de fazer o que quiser na vida.

� certo que, ap�s a morte do teu pai, eu teria gostado

que ela liderasse a empresa comigo, mas...

Podia ter continuado sozinho.

Para mim, n�o tinha sentido sem o teu pai e sem a tua irm�.

Ainda bem que a vendi.

- Entendo a decis�o da tua irm�. - Eu n�o, para dizer a verdade.

Dir-me-�s a verdade quando te apaixonares.

Se algum dia o fizer, n�o penso renunciar a mim mesma.

Agora tiro eu a tua fotografia. Sorri.

Sorri mais. Sorri, isso. Sorri!

Assim mesmo.

A tua irm� n�o renunciou a nada.

Simplesmente mudou de neg�cio.

N�o � cal�ado,

mas � obviamente um bom neg�cio.

Qui�� seja o melhor para todos. Quem sabe?

A Carolina � inteligente.

N�o � como tu, mas...

Vou-me preparar

para o jantar do capit�o.

Em frente.

Dimas, por favor. N�o v�s a senhora?

Desculpe.

- Obrigada. - Desculpe.

Conhecemo-nos?

Duvido.

N�o, tem raz�o. Lembrar-me-ia.

Sebasti�n de la Cuesta. Com quem tenho o prazer de falar?

- Ver�nica de Garc�a. - Ver�nica. Gosto do seu nome.

� um nome lindo.

Significa "mulher vitoriosa", em grego. Berenike. "Mulher vitoriosa."

� assim?

- N�o. - � a primeira viagem de barco?

Vamos ao conv�s.

� belo ver a terra afastar-se cada vez mais.

� um espet�culo. Tem de o ver.

Somos n�s que nos movemos.

A terra n�o se mexe.

A terra mexe-se para onde quiser.

Tem raz�o. Quis impressionar uma mulher inteligente.

Boa tarde.

Espero voltar a v�-la.

Odeio v�-la partir, mas adoro ver como caminha.

N�o comeces a escrever agora.

N�o.

N�o penses muito. Decerto acabar�s o romance antes de chegarmos ao Rio.

Espero que sim.

N�o consigo escrever desde que o pai morreu.

- Abres, por favor? - Sim.

Boa noite, Eva.

Creio que n�o devias ir jantar.

- Porqu�? - As outras passageiras v�o invejar-te

e n�o querer�o viajar nos meus barcos.

Que exagerado!

Como est�s, Ver�nica? Pensava que a tua m�e estava aqui.

Ela tinha coisas a fazer.

Muito bem.

Falta-te algo.

� a ins�gnia dos engenheiros.

Era do nosso pai.

Sei que gostaria que ficasses com ela.

Ser� uma honra. Obrigado �s duas.

Vamos?

Ver�nica.

- A tua m�e precisa que a ajudes. - Sim, arrumo isto e vou.

Sr. Zalaca�n.

Os anjos ca�ram do C�u! Esta � mesmo a minha mesa, Alfonso?

N�o se ofendam. S� quero confirmar a minha sorte.

Quem diz que a melhor mesa � a do capit�o, engana-se.

Nunca pensei que este momento chegasse.

Que bom ver-vos c�, depois de tudo por que pass�mos.

Foram tempos dif�ceis, mas as pessoas come�am a viver ap�s a guerra.

Este barco � prova disso. N�o imaginam como estava.

- Puro lixo. - Sr. F�bregas.

Muito prazer.

Com licen�a.

� meia-noite. N�o se esque�a.

Muito prazer. Obrigado.

Queridas sobrinhas. A meu lado.

A meu lado para poderem exibir o vosso tio.

Doutor!

- Que bom v�-lo. - N�o sei se a tua irm� concorda.

Desde que n�o tenha uma seringa, n�o penso fugir.

Recordo-a debaixo da cama, a chorar.

Que bom que aceitou vir.

� um al�vio pensar que cuida de todos os passageiros.

Espero que n�o seja preciso.

Quer dizer que est�o todos de boa sa�de.

Desculpe. Confundi o camarote.

Por isso � que n�o o conseguia abrir.

A Ver�nica j� devia estar c�. Aonde se meteu a mi�da?

Antes de jantarmos,

gostaria de fazer um brinde � pessoa que foi o maior exemplo para mim.

Ia ser o melhor sogro do mundo,

mas o seu falecimento privou-me dessa sorte.

Carlos Villanueva, o pai da minha noiva.

Um homem empenhado em preservar, em tempos t�o dif�ceis,

valores como a lealdade,

o amor � fam�lia,

a honra e a liberdade.

E agora que vamos come�ar uma vida nova no Brasil,

a sua aus�ncia sente-se mais.

Por ti, Carlos.

Para que, onde estejas, guies os nossos passos

e que possamos ter vidas justas e em paz.

Ao Carlos!

- Ao Carlos! - Ao Carlos!

Ningu�m compreende o que sofro

Canto, pois n�o posso chorar mais

Carolina.

Casares-te � uma decis�o precipitada. Tenho um bote para fugirmos.

Tenho uns dias para pensar, at� chegarmos ao equador.

E, sobretudo, noites.

- Devias aproveitar para assentar. - O que achas que fa�o?

E, se n�o te despachares, ainda assento antes de ti.

Refiro-me � Eva. Imagino que estejas livre, esta noite.

Se n�o fosse a tua reputa��o, aceitaria.

- Mas n�o sou t�o incauta. - Que pena.

Se te aproximares dela, meto-te no teu bote e deixo-te � deriva.

- Queres dan�ar? - Claro.

As vezes que me viste chorar

Por perder o teu amor

Procurei-te aonde quer que v�

E n�o te consigo encontrar

Para que quero outros beijos Se os teus l�bios

J� n�o me querem beijar?

E tu

Quem sabe por onde andar�s?

Quem sabe que aventuras ter�s?

Est�s t�o longe de mim

De mim

Somos os mais aborrecidos do barco.

Gostavas de estar l� em baixo?

Gostava de estar com a Clara.

Se abrires a janela, podes ouvi-la cantar.

Ouve, n�o devia ter falado no mau press�gio.

O capit�o n�o gostou.

Parecia preocupado.

N�o te preocupes. O capit�o n�o te culpa.

� a primeira viagem depois de muito tempo. � normal estar preocupado.

Ele est� triste.

Sente falta da mulher.

Mas n�o podemos fazer nada.

Espero que a viagem sirva para ele o superar.

Que tal a primeira noite a bordo?

Foi boa.

Posso perguntar o que faz aqui, t�o s� e t�o tarde?

- Procurava a Estrela Polar. - N�o a encontrar� a�.

Tem de olhar para esta zona.

Ali.

� uma daquelas.

A verdade � que nunca vi tantas estrelas juntas.

N�o? Mas garanto-lhe que continuar�o ali amanh� e depois de amanh�.

Porque n�o bebemos um copo de champanhe? Decerto tamb�m seria a primeira vez.

- N�o. - N�o?

Quero dizer, sim. Seria a primeira vez. Mas prefiro ficar aqui.

Claro. Eu tamb�m.

Quem quer estar ali em baixo com essa gente chata e r�gida?

- E o senhor n�o �? - N�o.

Eu sou a exce��o.

Se vier, mostro-lhe.

Cuidado, n�o se queime no cachimbo.

Adorava, mas a minha m�e n�o se sente bem. Est� no camarote.

N�o me diga que deixou a sua m�e sozinha.

V�.

N�o o interpreto como uma recusa. Beberemos champanhe noutra altura.

Claro.

Fernando.

- Tenho de te contar uma coisa. - O rel�gio parou.

- Como? - O meu rel�gio. Que horas s�o?

N�o sei.

- Talvez meia-noite. Porqu�? - Por nada.

Estou � espera de uma mensagem do Rio, � importante.

N�o pode esperar?

� s� um minuto.

- Vemo-nos logo, sim? - Est� bem.

Irei ao camarote trocar de sapatos.

Espero-te l�.

Capit�o, acaba de chegar o �ltimo boletim meteorol�gico. Sem altera��es.

Irei � ponte.

- N�o � preciso. S� o queria informar. - � uma ordem. Fica no meu lugar.

Bebe um copo, desfruta da festa.

Capit�o, sente-se bem?

Sim. Mas, desde que a Carmen morreu, n�o me divirto tanto nestas coisas.

Sei que compreendes isso, mais do que ningu�m.

N�o se preocupe.

Siboney

Amo-te

Morro pelo teu amor

Siboney

- Espera por algu�m? - Porque diz isso?

Est� aqui sozinho, a observar, como se n�o conhecesse ningu�m.

Sinceramente, n�o sei lidar com estas situa��es.

- Por isso, tento n�o atrapalhar. - Ent�o, n�o devia dan�ar.

Consigo, a coisa muda.

Que te amo

E que �s

Um tesouro para mim

Siboney

Com o embalo da tua palma Penso em ti

N�o achas que bebeste que chegue?

N�o, porque ainda te ou�o.

Porque n�o vais dormir antes de te envergonhares de novo?

Escuta a minha voz

� o que queres, n�o �?

Siboney

Se n�o vieres

O que �?

Achas que n�o vejo como olhas para ela?

Siboney

Dos meus sonhos

Espero por ti ansiosamente Na minha cabana

Siboney

Se n�o vieres

Morrerei de amor

Sente-se bem?

- Estou um pouco indisposta. - Est�?

Como?

Vamos apanhar um pouco de ar.

Os dois primeiros dias s�o os mais complicados.

At� o corpo se acostumar ao balan�o.

Amaldi�oo

� preciso ver para crer.

Se algu�m nos tivesse dito, h� um ano,

que estar�amos aqui, t�o calmos, rumo ao Brasil...

Calmos? Eu n�o estou.

Porque n�o tentas?

S� uma vez. Vais sentir-te melhor, ver�s.

O pior j� passou.

- E o tempo acabar� por apagar tudo. - Demorar� muito tempo.

E at� chegarmos ao Brasil, n�o respirarei bem.

Vou dan�ar.

O que fazes aqui?

Sente-se melhor?

J� dan��mos juntos, podias tratar-me por tu.

Claro, como queiras.

Tanta escurid�o impressiona-me.

Acabar�s por te apaixonar por ela.

H� quanto tempo navegas?

H� quase dez anos. N�o queria ser marinheiro.

Quando tinha 15 anos, roubava rel�gios no porto. Ou o que conseguisse.

- A s�rio? - Sim.

N�o me orgulho, mas tamb�m n�o tenho vergonha.

�ramos seis irm�os e n�o havia dinheiro.

- Roubei este rel�gio ao capit�o. - Ao deste barco?

Sim. E ele deu-me a escolher.

Ou me levava � esquadra, ou entrava na escola naval.

Vi a oportunidade e aproveitei.

E tu?

A tua irm� vai-se casar e viver no Brasil.

O que te espera?

Um homem.

Bem!

Sabia que n�o podias estar solteira.

N�o � o que pensas.

O homem que me interessa � um editor liter�rio.

Sou escritora e ele est� interessado em algo que escrevi.

Esta conversa fica cada vez mais interessante.

De que fala o teu romance?

De segundas oportunidades.

Est�s no s�tio perfeito. Aqui, todos procuram uma.

E j� escreveste algo antes?

Sim, bem...

� um livro de contos. Escrevi-o h� muito tempo

e n�o o quero recordar.

Uma mulher caiu � �gua!

Ponte de comando.

Homem ao mar. Bombordo.

Homem ao mar. Bombordo.

Aten��o aos motores!

Anotem a nossa posi��o! Sessenta graus a bombordo!

Sessenta graus a bombordo!

Tudo a estibordo e voltamos � posi��o.

Quero todos nos postos, nem que tenham de os tirar da cama.

- Sim. - Parem os motores.

Com cuidado! Pouco a pouco!

Com calma.

Quem a viu cair?

Acompanhe-me.

- Est� certa do que viu? - Sim, estou certa.

- As luzes projetam uma sombra... - N�o, capit�o. Estou certa.

Era uma mulher. Ouvi-a gritar, antes de cair.

Tamb�m a ouvi. N�o vi porque estava de costas.

- J� soube. Sabem quem caiu? - Ainda n�o sabemos de nada.

- Se puder ajudar, estou � disposi��o. - Leve as pessoas para o sal�o.

- A tripula��o tem de trabalhar com calma. - Claro.

Ou�am, por favor!

Regressemos todos ao sal�o. Precisamos da vossa colabora��o.

Vamos entrar todos, ordeiramente.

Obrigado.

Preparem caf� e ch� para todos.

Viste a minha irm�?

Disse que ia ao camarote mudar de sapatos. N�o voltou?

N�o. Tenho de a encontrar.

Procuro a minha irm�. Foi para o camarote.

- Viste-a? - Sim, mas ia para a terceira classe.

- O que aconteceu? - Uma mulher caiu � �gua!

Meu Deus! Est�s aqui!

Est�s a tremer!

O que foi? O barco parou.

Caiu uma mulher � �gua e pensei que fosses tu.

Estou bem. Mas aconteceu uma coisa.

O que aconteceu?

A Luisa bateu-me e fugiu. Com cuidado.

Ela levou a chave do seu camarote.

A mulher caiu de perto do camarote.

N�o pode ser.

Carol, temos de contar o que aconteceu.

- Deixa-me explicar. - N�o, Carolina. Foste inconsciente.

Entrem.

Est� tudo uma confus�o. O que procurava ela aqui?

Confirmem que n�o falta nada de valor. Isto � inconceb�vel.

O noivo disse que a matava se ela n�o se casasse com ele.

Mat�-la? N�o percebo porque n�o nos disseram nada.

Se ela estava em perigo, deviam ter avisado, n�o acham?

Esper�vamos que o barco sa�sse do porto.

� claro que veio roubar.

Tudo o que lhes contou desse homem que a perseguia era mentira.

N�o era mentira. Estou certa.

N�o a conhecias. Como podes estar certa?

Houve aqui uma luta. Estava algu�m com ela. N�o veem?

A Luisa n�o caiu do barco. Algu�m a atirou.

- Eva. - Menina.

Com todo o respeito, nem sabemos quem � a mulher que caiu.

O Varela tem raz�o. N�o inventemos teorias absurdas.

- Absurdas? - Sim, tal como trazer uma clandestina.

Claro, ela � apenas isso. Uma clandestina.

Quem quer saber o que lhe aconteceu?

Essa mulher n�o � ningu�m, certo?

Arrumem isto.

Fizeste o suficiente por hoje.

H� novidades, capit�o?

Capit�o?

Sente-se bem?

N�o foi um acidente.

Como assim?

Aquela mulher n�o caiu ao mar por acidente.

Capit�o...

Quantas vezes tenho de dizer que consertem este maldito vidro?

- Acho que n�o falta nada. - Concordo.

Quer dizer que n�o veio roubar.

� claro que tudo o que nos disse do noivo n�o era verdade.

N�o sei o que queria.

Bem, h� algo que n�o vos disse.

Quando foram jantar, um homem tentou entrar.

O qu�? Como era?

N�o sei. N�o tive tempo para ver.

Tamb�m vos parece normal?

Ficamos sentadas como se n�o se tivesse passado nada.

O que queres que fa�amos?

Sei que a Luisa caiu e sei que a empurraram.

Ningu�m quer saber, mas eu penso averigu�-lo.

Ela caiu deste lugar.

Lamento.

A culpa foi minha.

N�o a devias ter trazido para o barco.

Mas j� sabes disso.

Ela veio no ba�, certo?

A rapariga.

Sim. Como sabias?

� o que eu teria feito.

Tenta dormir um pouco.

Legendas: Ana Braga

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