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Assim como a sede de poder que anima nossos inimigos surge do seu passado,
o desejo indom�vel de liberdade de nossos aliados nasce de suas tradi��es.
Para compreender a sua luta imortal, devemos conhecer o passado que os criou.
Portanto, no filme que ver�,
foi feito uso livre de grava��es que ilustram este contexto hist�rico.
O restante filme foi obtido de notici�rios,
filmes das Na��es Unidas e material capturado do inimigo.
O Departamento de Guerra elaborou todos os mapas e diagramas.
Devido � sua dura��o, este filme ser� exibido em duas partes.
PORQUE � QUE COMBATEMOS
UMA S�RIE DE SETE FILMES INFORMATIVOS
A BATALHA DA R�SSIA PARTE I
FILME INFORMATIVO N� 5 DIVIS�O DE SERVI�OS ESPECIAIS
"A hist�ria desconhece maior demonstra��o de coragem
do que a apresentada pelo povo da R�ssia Sovi�tica..."
HENRY L. STIMSON, SECRET�RIO DE GUERRA
"N�s e nossos aliados reconhecemos uma eterna d�vida de gratid�o
para com os ex�rcitos e o povo da Uni�o Sovi�tica."
FRANK KNOX, SECRET�RIO DA MARINHA
"A valentia e o agressivo esp�rito de luta
dos soldados russos recebem a admira��o do ex�rcito americano."
GEORGE C. MARSHALL, CHEFE DO ESTADO MAIOR, EUA
"Uno-me � admira��o pela defesa heroica e hist�rica
da Uni�o Sovi�tica."
ERNEST J. KING, COMANDANTE DA FROTA AMERICANA
... a ESCALA E GRANDEZA do (Russo) esfor�o fazem dela
o MAIOR FEITO MILITAR EM TODA A HIST�RIA.
GENERAL DOUGLAS MACARTHUR,
COMANDANTE DA �REA DO SUDOESTE PAC�FICO
Este � um filme sobre essa escala e grandeza.
Um filme sobre esse feito militar.
� um filme sobre um povo,
que, para sempre, desfez a lenda da invencibilidade nazi.
� um filme sobre vit�ria e derrota.
Vit�ria alem�.
E derrota alem�.
Esta � a Batalha da R�ssia.
A batalha que se disputa h� s�culos,
que preenche as p�ginas da Hist�ria russa.
INVAS�O DOS CAVALEIROS ALEM�ES
1242.
A alem� Ordem dos Cavaleiros Teut�nicos invadira o Noroeste da R�ssia,
ocupando a velha cidade de Pskov.
Sob a lideran�a do Gr�o-mestre, von Bock,
amea�aram escravizar a popula��o da �rea.
Incluindo a capital, Novgorod.
Na hora do perigo,
o povo russo procurou a lideran�a do seu pr�ncipe, Alexander Nevsky.
E a 5 de abril de 1242, no Lago Peipus,
os russos enfrentaram a pot�ncia das for�as alem�s.
N�o estavam t�o bem equipados ou organizados.
Pela R�ssia!
Mas traziam nos cora��es uma coragem ardente.
Uma chama t�o forte que derrubou o ex�rcito alem�o.
"QUEM VIER PELA ESPADA, MORRER� PELA ESPADA."
ALEXANDER NEVSKY
Esta vit�ria preenche uma p�gina brilhante da Hist�ria russa.
Em 1704, outro ex�rcito conquistador marcha pela R�ssia,
desta vez com o sueco Carlos XII.
Os russos voltaram a lutar pelo seu pa�s.
Liderados por Pedro, o Grande, e ap�s cinco longos anos de guerra,
derrotaram os suecos na hist�rica batalha de Poltava.
Ao ataque!
O ex�rcito invasor sueco foi esmagado e para sempre afastado da R�ssia.
1812.
Napole�o e o seu ex�rcito triunfavam por toda a Europa
e marchavam sobre Moscovo.
O ex�rcito conquistador entrou na cidade, mas esta estava em chamas.
Mesmo nesse tempo, terra russa era queimada quando invadida.
O invasor foi outra vez obrigado
a iniciar o longo caminho de sa�da da R�ssia.
1914.
E outro ex�rcito alem�o,
desta vez com Kaiser Wilhelm, quis conquistar a R�ssia.
O povo russo, desta feita, e sob o regime do Czar,
n�o s� enfrentava as armas alem�s,
mas tamb�m opress�o e corrup��o no pr�prio pa�s.
E apenas a queda da Alemanha Imperial
salvou a R�ssia de perder a Ucr�nia e a Crimeia,
que os alem�es tinham ocupado em 1918.
Sim, ao longo de 700 anos, o povo russo teve de combater
para defender o seu pa�s de conquistadores.
Porqu�?
Porqu� todas estas tentativas de conquistar a R�ssia?
HIST�RIA DA R�SSIA
Talvez a pr�pria R�ssia possa dar a resposta.
Aqui est�. Um sexto da superf�cie terrestre,
dando quase meia volta ao mundo de Este a Oeste.
E estende-se para Sul desde o P�lo Norte at� � fronteira com a �ndia.
Um pa�s de 23 milh�es de quil�metros quadrados.
� o triplo do tamanho do nosso pa�s.
� toda a Am�rica do Norte, com 2,5 milh�es de km2 de sobra.
O sol nunca se p�e na R�ssia.
LENINEGRADO
Quando anoitece na fronteira ocidental, virada para a Europa,
o Sol j� nasce a Leste, na fronteira para o Pac�fico.
Esta � a R�ssia, ou Uni�o das Rep�blicas Socialistas Sovi�ticas.
Nas suas montanhas h� veios ricos de ouro e prata.
Sob o ch�o encontram-se enormes dep�sitos de cobre,
estanho, mangan�s e n�quel, cr�mio e r�dio,
enxofre e magn�sio.
A R�ssia � rica em materiais.
As florestas cobrem milh�es de hectares.
Um quarto das reservas de madeira mundiais s�o da R�ssia.
173 600 000 TONELADAS
E como combust�vel h� o carv�o, �s toneladas.
E, mais importante, h� tamb�m petr�leo.
213 milh�es de barris por ano.
Ouro negro a jorrar da Terra,
cont�m 55 % do petr�leo mundial.
O que mais? Ferro?
Mais do que 10 mil milh�es de toneladas.
D� para fazer muito a�o.
Sim, a R�ssia � rica.
1 370 400 000 HECTARES
As suas quintas cobrem milh�es de hectares.
A rica terra negra, al�m de dar petr�leo e carv�o,
faz tamb�m crescer de tudo, de girass�is a l�tus.
O ch� que o povo bebe em grandes quantidades
e o tabaco que fumam.
Aqui tamb�m cresce algod�o.
3 800 000 fardos por ano.
E a��car.
E nos pastos, os animais para alimenta��o engordam,
e d�o l� para a roupa.
Nas plan�cies quentes,
os campos de cereais estendem-se at� perder de vista.
Milho, aveia, l�pulo, centeio,
e n�o esque�amos o trigo, um ter�o do melhor no mundo.
Sim, a R�ssia � muito rica.
N�o tem s� os materiais puros e os produtos do solo,
a R�ssia � tamb�m o povo.
193 milh�es de pessoas.
Pessoas de todas as ra�as, cores e cren�as.
Pessoas das muitas rep�blicas
que constituem a Uni�o Sovi�tica.
Pessoas que falam mais de 100 l�nguas diferentes,
mas cidad�s do mesmo pa�s.
Sejam os grandes russos,
descendentes dos primeiros colonos desta vasta �rea.
Durante mil anos, a maioria da popula��o era composta por cossacos,
os famosos cavaleiros das pradarias do Vale do Rio Don.
R.S.S. DA UCR�NIA
Ou do Sudoeste, da Ucr�nia.
Nesta regi�o f�rtil da Uni�o Sovi�tica
vivem os pequenos russos, ou ucranianos.
E, al�m deles, os moldavos, bessar�bios.
Ou, se vierem do Sul, entre o Mar C�spio e o Mar Negro...
L�, encontramos os arm�nios, os georgianos,
os inguches,
duros como os picos da Cordilheira do C�ucaso.
Quer sejam usbeques, turquemenos, tajiques,
das fronteiras com a P�rsia e a �ndia...
R.S.S. DO CAZAQUIST�O
... ou mong�is...
... basqu�rios, t�rtaros, buriates, iacutos,
e muito para l� dos Montes Urais.
Ou os povos da terra gelada, de ca�adores,
ou colonos como os lap�es.
Quer sejam pioneiros das terras selvagens do Norte,
ou venham de uma grande cidade como a capital, Moscovo,
onde os antigos edif�cios de uma civiliza��o antiga
se erguem perante as estruturas da civiliza��o moderna,
onde a velha carruagem russa compete com a limusina moderna.
Quer sejam oper�rios ou soldados,
trolhas ou pol�cias de tr�nsito,
marinheiros ou rebitadores,
crian�as de escola ou agricultores,
enfermeiras ou engenheiros,
lavadores de janelas ou vendedoras de balc�o,
donas de casa ou trabalhadores dos correios,
anunciadores de r�dio ou hospedeiras de bordo,
cientistas ou dactil�grafas, m�sicos ou bailarinas...
Fa�am o que fizerem, ou onde quer que vivam,
todos t�m algo comum: o amor pela sua terra.
UNI�O DE REP�BLICAS SOCIALISTAS SOVI�TICAS
Esta � a R�ssia.
Em tamanho, o maior pa�s do mundo.
Materiais puros, ilimitados.
Popula��o, 193 milh�es.
S�o as tr�s raz�es para todos os conquistadores
quererem a R�ssia.
E foi por isto que o candidato moderno a conquistador escreveu:
"Quanto a novos territ�rios, temos de pensar na R�ssia.
O pr�prio destino aponta para ela."
ADOLF HITLER
Como vimos, o esp�rito agressivo da Alemanha
passou de gera��o em gera��o.
E agora, na Alemanha de Hitler, o sonho era a conquista do mundo.
Para tal sonho, s� havia uma resposta:
seguran�a coletiva.
E com este objetivo, em 1934,
a Uni�o Sovi�tica entrou na Liga das Na��es.
Muitas vezes, antes da Liga,
os representantes solicitavam acordos
de apoio coletivo a qualquer na��o que sofresse um ataque.
A na��o que represento entrou na Liga
no interesse da manuten��o da paz indivis�vel.
21 DE SETEMBRO DE 1938
A Liga das Na��es ainda tem for�a
para impedir ataques com a sua a��o conjunta.
N�o h� negocia��o ou compromisso.
Enquanto membros da Liga pediam em v�o
que a for�a coletiva impedisse a agress�o,
o mundo viu outros membros,
Alemanha, It�lia e Jap�o, retirarem-se da Liga
para seguirem o caminho da agress�o.
Manch�ria.
Eti�pia.
Depois, Hitler invadiu a �ustria, Checoslov�quia,
e em 1939, a Pol�nia.
O primeiro passo a caminho da R�ssia.
Mas a sua marcha para Leste foi interrompida pela Fran�a,
e pelo Reino Unido, declarando guerra.
Os Alem�es foram obrigados a virarem-se para Oeste,
e em 1940, como vimos,
derrubaram a �ltima oposi��o no Oeste da Europa.
E enquanto os nazis tentavam, sem sucesso, derrubar os brit�nicos,
os generais alem�es j� planeavam o rein�cio da Blitz Oriental.
O caminho para a R�ssia estava aberto.
Mas antes desse ataque, era necess�ria cautela.
A Sudeste da Alemanha est�o a Hungria, Rom�nia,
Bulg�ria, Jugosl�via e Gr�cia.
E a Hungria tinha campos ricos em cereais,
demasiado bons para h�ngaros, havendo soldados alem�es
com bom apetite.
A Hungria tinha bauxite, de onde sai o alum�nio.
E alum�nio faz avi�es.
E a Hungria tinha um ex�rcito. N�o treinado para a guerra, como o alem�o,
mas bom para atirar �s armas russas.
A Rom�nia tinha cereais e petr�leo.
E Hitler precisava de todas as gotas para a sua m�quina de guerra.
A Rom�nia tamb�m tinha homens, mais escravos,
mais carne para canh�o no ataque � R�ssia.
E o mais importante,
a Rom�nia e a Hungria tinham fronteiras com a R�ssia,
e Hitler queria essas fronteiras nas m�os dos generais alem�es.
A Bulg�ria n�o tinha uma fronteira com a R�ssia,
mas tinha bases no Mar Negro.
Bases para submarinos alem�es atacarem os barcos russos.
Na primavera de 1941, os governos reacion�rios da Hungria,
sob a ditadura do Almirante Horthy, e a Rom�nia,
governada pelo jovem Rei Miguel I,
um joguete nas m�os do fantoche de Hitler,
General Antonescu, e a Bulg�ria, governada pelo Rei Boris,
sempre um disc�pulo do imperialismo alem�o,
todos eles venderam o seu pa�s a Hitler.
REVOLTA NA BULG�RIA COM 1200 DETEN��ES
Agora, amea�ados pela revolta do povo,
ficaram felizes com a prote��o do ex�rcito de Hitler.
Assim, em mar�o de 1941, ex�rcitos alem�es ocuparam a Hungria,
Rom�nia e Bulg�ria.
Ainda sobravam a Jugosl�via e a Gr�cia.
Enquanto fossem territ�rio n�o ocupado,
eram uma poss�vel rota para um contra-ataque dos Aliados.
Numa das reuni�es,
Hitler deu ao seu fantoche, Mussolini, a miss�o de invadir a Gr�cia.
O fantoche ficou encantado,
queria mostrar ao povo que tamb�m era um conquistador.
Mas enganou-se.
Talvez as fardas os tenham enganado.
Algo os enganou, pois ap�s as legi�es fascistas entrarem de uma vez
neste territ�rio grego,
os gregos, numa brilhante campanha nas montanhas,
repeliram os italianos e invadiram a Alb�nia.
Hitler ficou enfurecido.
O falhan�o do seu fantoche na prote��o do flanco a Sul
atrasavam o ataque � R�ssia.
Enviou um ultimato final.
NAZIS NA GR�CIA
Para os jugoslavos e gregos, era rendi��o ou morte.
Mas jugoslavos e gregos descendem e uma longa linhagem de lutadores.
A escravid�o nazi n�o lhes agradava.
Na madrugada de 6 de abril
bombas alem�s disseram aos jugoslavos que estavam em guerra com a Alemanha.
Nazis e italianos lan�aram um forte e coordenado ataque,
de todas as bases,
apoiados por um bombardeamento a�reo sem oposi��o.
A conclus�o era inevit�vel.
A resist�ncia foi forte,
mas o ex�rcito jugoslavo foi cortado em pequenos segmentos e capturado.
A guerra na Gr�cia tamb�m come�ou a 6 de abril.
Apesar da forte resist�ncia dos gregos...
3 DIVIS�ES GREGAS
... e dos ingleses, que foram ajudar,
os alem�es, muito superiores em n�meros e equipamento,
for�aram a passagem pelo Rio Vistriza,
Monte Olimpo, a famosa passagem das Term�pilas,
e, no fim de abril, a su�stica voava sobre a antiga cidade de Atenas.
A conquista dos Balc�s estava agora completa.
Todas as for�as nazis podiam ser libertadas sobre a R�ssia.
N�o havia tempo a perder, mas o tempo era uma arma da R�ssia.
As suas ind�strias recentes que, tal como as nossas,
foram feitas para a paz, converteram-se para a guerra.
Em vez de a�o para ferramentas, faziam a�o para muni��es e armas.
Sabiam que a sua ind�stria nunca produziria o suficiente
para a tit�nica luta, mas produziriam o poss�vel.
Ao mesmo tempo, o ex�rcito come�ou a crescer.
Cada vez mais homens eram chamados para serem treinados, endurecidos,
e preparados para defender o seu pa�s.
Com a conquista dos Balc�s,
os nazi tinham uma frente s�lida do Mar Negro ao B�ltico,
mas os russos tinham constru�do uma almofada,
para absorver parte do eventual ataque nazi.
Mas onde seria?
Quando veio o ataque, foi de cinco dire��es diferentes.
E mais um extra do Norte, s� para dar sorte.
22 DE JUNHO DE 1941
Este foi o grande dia.
Irrompeu uma tempestade: quase 200 divis�es do Eixo,
mais de 2 milh�es de homens, atacaram uma frente de 3200 km,
do Mar Branco ao Mar Negro.
O objetivo, aniquilar o Ex�rcito Vermelho,
numa decisiva batalha na fronteira.
A ofensiva come�ou em toda a frente,
mas concentrou-se em tr�s objetivos principais:
Leninegrado, Moscovo e Kiev, a capital da Ucr�nia.
No primeiro m�s, as for�as de von Kluge
chegaram a 200 km de Leninegrado.
E os finlandeses de Mannerheim, apoiados pelos alem�es,
entraram pelo Norte para rodear a cidade.
No centro, o ex�rcito de von Bock entrou 800 km no territ�rio sovi�tico.
As cidades russas foram ocupadas pelos invasores.
E a 17 de julho capturaram o primeiro objetivo principal,
Smolensk, considerada a chave para Moscovo.
Entretanto, no Sul,
as for�as de von Rundstedt fazem um corte profundo na Ucr�nia.
Esta era a Blitzkrieg no seu melhor.
O mundo deu mais seis semanas � R�ssia e os alem�es emitiram um comunicado.
"A situa��o no Leste est� resolvida.
Smolensk � a �ltima paragem at� Moscovo!"
ALTO COMANDO ALEM�O
Mas ent�o, aconteceu algo estranho.
Desde que o ex�rcito alem�o iniciara a sua carreira na Blitz,
esmagando at� � submiss�o um pa�s europeu ap�s o outro,
esse mesmo ex�rcito alem�o enfrentou um pa�s...
... que n�o se submeteu.
Apesar do ex�rcito de Hitler entrar cada vez mais
na Uni�o Sovi�tica,
e de a 15 de outubro estar praticamente � sombra do Kremlin,
apesar do governo sovi�tico
e as miss�es estrangeiras irem para Kuibyshev,
1200 km a Leste,
apesar do discurso triunfante de Hitler:
"Posso dizer que este inimigo est� subjugado e n�o se levantar�",
apesar do facto de, em dezembro, 1300 km2 de territ�rio russo,
uma �rea equivalente ao centro-oeste dos Estados Unidos,
ter ca�do perante o invasor...
Sim, apesar da R�ssia perder a sua melhor �rea de agricultura,
as suas f�bricas mais desenvolvidas,
milh�es de pessoas, milhares de tanques e avi�es,
apesar de tudo isso, as seis semanas alongaram-se para seis meses,
e a temida Blitz nazi balbuciara,
trope�ara e, finalmente, morrera.
O que aconteceu? Tentemos analis�-lo.
Primeiro, nesta luta tit�nica, al�m dos dois ex�rcitos
havia dois m�todos
e duas estrat�gias em confronto.
A alem� baseava-se na experimentada Keil und Kessel,
a manobra de perfura��o e cerco.
Uma lan�a entrava profundamente em territ�rio inimigo,
ao encontro de outra lan�a no caminho.
Na armadilha criada,
a v�tima era dividida at� � aniquila��o.
O plano alem�o em todas as campanhas
era procurar uma batalha decisiva no momento da invas�o.
Um �nico golpe deve destruir o inimigo, sem pensar em perdas,
um golpe gigantesco e destrutivo.
ADOLF HITLER
Lembrem-se das campanhas que j� viram nestes filmes.
Pol�nia: os polacos concentraram-se na fronteira.
A Blitz entrou e acabou em 18 dias com a Pol�nia.
Fran�a.
As for�as aliadas na fronteira. Com a entrada em Sedan,
a quest�o da Fran�a foi resolvida.
Os Balc�s.
Os jugoslavos acorreram � fronteira.
Ap�s a entrada, a Jugosl�via desapareceu em 12 dias.
Os alem�es planearam a mesma Blitz contra os russos.
Mas os russos desenvolveram uma estrat�gia,
uma que tirou proveito do seu vasto territ�rio.
A estrat�gia russa era uma defesa em profundidade,
linha ap�s linha, a caminho do interior.
Quando a lan�a nazi atacou a primeira dobrou com ela,
at� se tornar parte da segunda.
A lan�a voltava a atacar e voltava-se a perder um segmento,
mas a linha dobrava novamente at� se tornar parte da terceira.
Quanto mais os alem�es entravam no solo russo,
mais forte era a oposi��o.
At� que encontraram uma parede inquebr�vel,
e n�o puderam dar o tal golpe final
com que contavam.
Resultado: os alem�es conquistaram territ�rio, mas perderam a campanha.
A t�tica dos russos manteve a maior parte do ex�rcito intacto
e tornou a longa guerra inevit�vel em vez da decis�o r�pida
que os alem�es queriam.
Mas outras t�ticas russas despistaram os alem�es.
A Alemanha desenvolvera a Blitz, a guerra mecanizada,
ex�rcitos sobre rodas, gigantes que esmagavam tudo pela frente.
Os russos fizeram-nos sair das fortalezas viajantes.
Usaram as cidades como fortes
e fizeram a Blitz persegui-los pelos becos.
Quanto mais uma cidade era bombardeada,
mais intransit�vel era para os panzers alem�es.
Tornaram os nomes destas cidades russas t�o familiares para n�s
como os das cidades pr�ximas.
Rostov,
Kharkov,
Kiev,
Kursk,
Smolensk.
Cidade ap�s cidade, no caminho da Blitz nazi.
O Ex�rcito Vermelho
deu grande import�ncia estrat�gica �s cidades.
Odessa,
palco de um cerco de mais de dois meses,
aguentou toda a invas�o nazi da Crimeia.
Sevastopol,
resistiu a todas as tentativas de entrada alem�.
Aqui, durante uns longos oito meses e meio,
os russos lutaram,
cent�metro a cent�metro,
impedindo os alem�es de chegar � grande base naval do Mar Negro.
E finalmente, quando os alem�es entraram na cidade,
os distritos foram defendidos, rua a rua.
As ruas, casa a casa.
As casas, quarto a quarto.
Os russos sabiam que as cidades seriam demolidas.
O objetivo n�o era salvar cidades, era destruir alem�es.
Um pre�o alto a pagar por uma c�pia do Mein Kampf.
Os alem�es foram obrigados a sair dos seus casulos,
a lutar e a morrer.
Em combate direto, o que julgavam ter abolido.
Os alem�es esqueceram outra coisa.
Ignoraram as pessoas. Generais podem ganhar campanhas,
mas as pessoas ganham guerras.
E no fatal 22 de junho,
quando os russos souberam da invas�o do seu pa�s,
os rostos fechados testemunhavam a determina��o
para lutar e morrer, sem nunca se renderem.
Sabiam que n�o era uma quest�o de quem ocupava a terra,
sabiam que era uma quest�o de vida ou morte.
J. STALIN 22 DE JUNHO DE 1941
Esta n�o � uma guerra comum.
� a guerra de todo o povo da R�ssia,
n�o s� para eliminar o perigo sobre as nossas cabe�as,
mas para ajudar toda a gente sob a opress�o do fascismo.
Assim, o alarme foi espalhado para toda a parte
e de todas as cidades e aldeias russas, homens responderam � chamada.
A partir de agora s� uma coisa interessava, a vit�ria.
A guerra total significava mobiliza��o total.
N�o era uma guerra s� para soldados, era para todos.
Novos ou velhos, homens ou mulheres, n�o importava.
A idade n�o era um fator.
Se tinham 12 anos, havia trabalho para essa idade.
O sexo n�o importava.
Quem podia com uma arma, era soldado.
Quem virava um torno, era soldado.
Quem arava os campos, era soldado.
Quem conduzisse uma locomotiva, pilotasse um barco
ou guiasse um trator, era um soldado.
Tudo o que fizessem era parte da guerra.
Nada que o inimigo pudesse usar ficava para tr�s,
nem um metro de cabo ou um quilo de ferro,
nem um hectare de trigo ou uma cabe�a de gado.
E os homens de idade vigiavam os campos,
preparados para dar o sinal para queimar ao avistar o inimigo.
Terra queimada.
O que n�o pode ser levado deve ser destru�do.
Isso significa que f�bricas e po�os de petr�leo foram consumidos pelo fogo.
A barragem gigante de Pietrestorch,
na qual fora depositada n�o apenas a�o e cimento,
mas tamb�m cinco longos anos de trabalho e suor russo,
para levar o milagre da eletricidade �s quintas e pessoas da Ucr�nia.
Agora, em vez de deixarem a corrente cair para o inimigo,
destroem-na.
Terra queimada. A terra em que tinham vivido e trabalhado,
as suas florestas, os seus campos e quintas.
Entregam-nos �s chamas, mas n�o aos invasores.
Essa era a terra queimada.
E para a a��o atr�s das linhas alem�s foi formado um novo ex�rcito,
um ex�rcito sem fardas cuja casa era a floresta,
e cuja frente era a linha recuada do inimigo.
Um ex�rcito de guerrilha.
Um m�nimo de gl�ria e um m�ximo de determina��o.
Os seus feitos foram pouco reportados.
Vejam bem estes rostos.
N�o voltar�o a v�-los entre prisioneiros de guerra,
nem ir�o ler os seus nomes em campas de her�is.
No futuro deles h� apenas a corda da forca,
mas ficaram para tr�s e continuaram a lutar.
O seu �nico objetivo era a destrui��o: de linhas de comunica��o,
de mantimentos, de invasores.
As suas armas eram dinamite e o terror da surpresa.
N�o pediram piedade, e n�o a deram.
Este � o ex�rcito de guerrilha.
Esta, a terra queimada.
Este, o Ex�rcito Vermelho.
Estes, os seus l�deres.
Foi por estas raz�es que os alem�es conquistaram territ�rio,
1300 km2 dele,
mas era apenas terra �rida, terra queimada.
Foi por estas raz�es que ap�s cinco meses e meio de Blitz,
e ap�s terem o objetivo � vista,
os alem�es foram detidos �s portas de Moscovo.
Foi por estas raz�es que, apesar de Hitler ter jurado
que, antes de dezembro, a su�stica voaria nas torres do Kremlin,
s� que dezembro tinha chegado
e n�o era a su�stica que voava sobre a capital russa.
N�o eram os conquistadores nazis
que marchavam nas ruas da antiga cidade.
Eram reservas frescas do Ex�rcito Vermelho.
Este foi o resultado da invas�o alem� da R�ssia
at� dezembro de 1941.
No filme seguinte, a segunda parte do "BATALHA DA R�SSIA",
ir�o ver n�o s� como os russos se defenderam
de toda a pot�ncia do ataque alem�o.
Tamb�m provaram que n�o h� ex�rcitos invenc�veis,
contra a determina��o de pessoas unidas e livres.
LIBERDADE
PORQUE � QUE COMBATEMOS
UMA S�RIE DE SETE FILMES INFORMATIVOS
A BATALHA DA R�SSIA PARTE II
FILME INFORMATIVO N� 5 DIVIS�O DE SERVI�OS ESPECIAIS
Na parte um do "Batalha da R�ssia",
viram a hist�rica defesa do povo da R�ssia
contra s�culos de invasores mal sucedidos.
Tamb�m viram que, ap�s cinco meses e meio de Blitz nazi...
MOSCOVO
... os russos pararam Hitler �s portas de Moscovo,
e como, apesar da previs�o de Hitler que, em dezembro de 1941,
a su�stica voaria nas torres do Kremlin,
Dezembro chegara,
e n�o era a su�stica que voava sobre a capital russa.
N�o eram os conquistadores nazis
quem marchava nas ruas da antiga cidade.
Eram reservas frescas do Ex�rcito Vermelho,
para ajudar as linhas da frente.
"QUE A CORAGEM DOS NOSSOS ANTEPASSADOS
VOS INSPIRE NA GUERRA."
J. STALIN
Os russos leram este apelo e sabiam o que significava.
Lembraram-se que na sua hist�ria
havia sempre a altura de contra-atacar.
"QUEM VIER PELA ESPADA, MORRER� PELA ESPADA."
Chegara a altura.
O velho aliado, o inverno russo, tinha coberto o territ�rio do pa�s.
Entretanto, nas igrejas da R�ssia,
homens de Deus rezavam pela vit�ria contra o invasor.
DEUS PIEDOSO... D�-NOS A VIT�RIA...
E F� NO INEVIT�VEL PODER DA LUZ SOBRE AS TREVAS,
DA JUSTI�A SOBRE O MAL E A FOR�A BRUTA...
DA CRUZ DE CRISTO SOBRE A SU�STICA FASCISTA... �MEN.
SERGEI, ARCEBISPO DE MOSCOVO 27 DE NOVEMBRO DE 1941
Na linha da frente,
os homens do Ex�rcito Vermelho ouviram a esperada ordem do dia.
"O mundo espera que destruam as hordas alem�s.
A vossa guerra � de liberta��o. � uma guerra justa.
Morte aos invasores alem�es!"
Ca�as preparados.
Bombardeiros preparados.
Paraquedistas preparados.
Artilharia em posi��o.
Tanques tripulados.
Cavalaria em posi��o.
Infantaria preparada.
Para l� daquelas colinas est� o inimigo.
Fogo!
- Fogo! - Fogo!
- Fogo! - Fogo!
Agora, eram os alem�es a lutar pela vida.
Pela primeira vez, os alem�es batiam em retirada.
Agora, os alem�es conheciam o terror das metralhadoras.
Aldeia ap�s aldeia, cidade ap�s cidade,
o Ex�rcito Vermelho varreu o pa�s,
que, durante dias e semanas estivera sob o jugo do inimigo.
�dos das caves, da floresta, e s� eles sabem de onde,
surgem os homens, mulheres e crian�as
que outrora chamaram esta cidade de casa.
Soldados e guerrilheiros encontram esposas e m�es.
Amigos reencontram-se.
H� A��o de Gra�as nas ruas. Nos seus cora��es.
E h� algo mais, que nunca ir�o esquecer.
As casas arruinadas,
as cidades em ru�nas, que outrora foram comunidades pr�speras.
Agora est�o esventradas, s�o fantasmas do que foram.
Nada foi poupado.
Este era um museu. A antiga casa de Pyotr Tchaikovsky,
um homem que comp�s m�sica para a R�ssia,
m�sica que serenava o cora��o do seu povo.
E ao encontrar esse cora��o, encontrou os de gente em todo o mundo.
O seu Concerto para Piano.
TCHAIKOWSKY CONCERTO N� 1
A Quinta Sinfonia.
A Sexta Sinfonia.
O seu trabalho era, � e sempre ser� inspira��o para incont�veis milh�es.
Mas apenas inspirou os nazis a fazer uma coisa, vandalismo.
E esta era a casa de Leo Tolstoy, o autor do romance imortal,
"Guerra e Paz".
A sua casa tamb�m era um museu, at� chegarem os alem�es.
E esta � a campa de Tolstoy.
Se os nazis enterrados por perto tivessem lido o seu livro,
conheceriam antecipadamente o seu destino.
Mas havia mortos que os nazis n�o enterraram, russos mortos.
N�o eram soldados e n�o morreram em combate.
N�o, n�o s�o manequins. S�o crian�as,
assassinadas em massa por ordens do Alto Comando.
E havia mais crian�as.
Talvez mais afortunadas, talvez menos.
Jovens raparigas, que deixaram de ser jovens.
A aten��o dos soldados nazis envelheceu-as rapidamente.
E quem resistia aos invasores encontrava isto.
Estas s�o as coisas que os russos n�o podem esquecer.
Estas s�o as coisas que os russos n�o v�o esquecer.
Estas s�o as raz�es pelas quais todos os russos d�o a vida
em prol de um juramento sagrado.
PELAS CIDADES E ALDEIAS QUEIMADAS;
PELAS MORTES DOS NOSSOS FILHOS E DAS NOSSAS M�ES;
PELA TORTURA E HUMILHA��O DO NOSSO POVO;
JURO VINGAR-ME DO INIMIGO...
JURO QUE PREFIRO MORRER A COMBATER O INIMIGO,
DO QUE ME RENDER, AO MEU POVO E AO MEU PA�S
AOS INVASORES FASCISTAS...
SANGUE POR SANGUE!
SANGUE POR SANGUE!
MORTE POR MORTE!
"Sangue por sangue. Morte por morte."
Foi por esta raz�o que os russos pressionaram,
cada vez mais em toda a frente de batalha, de Rostov a Leninegrado.
N�o era poss�vel parar a press�o russa.
E na primavera de 1942, esta �rea estava livre de alem�es.
MOSCOVO
Mas este n�o era o resultado importante,
n�o o retomar desta cidade ou daquela aldeia,
mas sim o estilha�ar da lenda da invencibilidade nazi.
Os ex�rcitos alem�es tamb�m batiam em retirada, podiam ser derrotados,
os soldados alem�es podiam ser capturados.
"Na frente europeia,
o maior desenvolvimento foi a ofensiva demolidora
do ex�rcito russo..."
PRESIDENTE FRANKLIN ROOSEVELT 29 DE ABRIL DE1942
Al�m da ofensiva demolidora,
houve outro fator que desfez a lenda da invencibilidade nazi.
Esse fator, que viver� para sempre na hist�ria desta guerra,
foi escrito pelo povo desta cidade.
Uma cidade chamada Leninegrado,
com o nome do l�der da Revolu��o Russa, Lenin,
e que antes disso se chamava Petrogrado,
em honra do seu fundador, Pedro, o Grande.
Uma cidade que, hoje, com a exce��o de Moscovo,
� o mais importante centro da Uni�o Sovi�tica
por as maiores ind�strias da R�ssia se centrarem aqui
e tamb�m por ser o principal porto da R�ssia no Mar B�ltico
e a base da sua frota b�ltica.
Aqui, como em toda a Uni�o Sovi�tica,
a ordem para o ataque chegou a 22 de junho.
Mas aqui, a cidade ficava a poucos quil�metros das linhas alem�s.
E enquanto o Ex�rcito Vermelho na frota b�ltica
ia ao encontro do inimigo, atr�s deles formava-se outro ex�rcito,
cujas armas eram p�s em vez de espingardas.
Um ex�rcito de homens, mulheres e crian�as.
Constru�am trincheiras, levantavam barricadas,
armavam defesas,
preparavam-se para o pior.
Sabiam que tamb�m estavam na linha da frente.
N�o se enganavam.
O batismo de fogo de Leninegrado n�o parou com a escurid�o.
Finalmente chega a manh�.
E o povo de Leninegrado cava para sair das ru�nas.
Aqui, s�o parecidos com o povo de Londres, Roterd�o ou Vars�via.
Como nessas cidades, havia casas arruinadas, museus,
e outros importantes objetivos militares,
como o Dumbo russo, do zool�gico de Leninegrado.
Mas havia uma diferen�a importante.
Os bombardeamentos pelo ar eram uma pequena parte
do que o povo de Leninegrado enfrentou.
LENINEGRADO
Em setembro, os nazis cercaram a cidade.
Anunciaram que estava condenada.
O comandante alem�o exigiu a rendi��o da cidade.
Ainda est� � espera da resposta.
Foi o cerco a Leninegrado,
um cerco que iria durar quase 17 meses.
Em Leninegrado, como em toda a R�ssia,
o inverno chegou cedo nesse ano.
Foi um inverno frio e duro, o mais rigoroso em anos.
Mas aqui, ao contr�rio do resto da R�ssia,
o inverno era um inimigo, n�o um aliado.
Aqui, as temperaturas negativas
s� significavam mais sofrimento e dificuldades.
Nas trincheiras �s portas da cidade, trincheiras de neve e gelo,
os defensores mant�m-se leais ao juramento de morrer se necess�rio,
e n�o recuar nem mais um passo.
O inimigo, apesar de todo o seu esfor�o,
foi parado �s portas da cidade.
Uma cidade que agora enfrenta doen�a, fome, indig�ncia.
N�o havia petr�leo para combust�vel, corrente para as linhas el�tricas.
Mas o povo desafiou os elementos,
e caminhou penosamente para os tornos e as bancadas.
Os canos congelaram, a �gua foi desligada,
por isso, cavaram buracos nas ruas at� terem �gua.
N�o havia comida,
e a cidade foi submetida a ra��es.
Um oper�rio fabril recebia 250 g de p�o por dia.
Todas as outras pessoas, crian�as ou adultos, apenas 125 g.
E para impedir que o tem�vel inimigo da doen�a atacasse as ruas da cidade,
um ex�rcito de mulheres trabalhou com p�s,
trabalhou com picaretas, todos os dias naquelas ruas,
limpando os escombros, os detritos, as fontes de contamina��o.
As bombas do ar n�o obrigavam os defensores de Leninegrado a render-se,
o inverno n�o o conseguiu,
a fome tamb�m n�o.
Ent�o, os alem�es decidiram bombarde�-los at� � rendi��o.
LENINEGRADO
Durante dias, armas de longo alcance lan�aram toneladas de explosivos
ao cora��o da cidade.
Quanto mais bombardeada era a cidade, mais o povo trabalhava.
Encobertos numa chuva de explosivos e isolados do resto da R�ssia,
apenas com as m�os para trabalhar, a sua determina��o nunca falhou.
Todos os dias morriam mais pessoas
de frio, doen�a,
fome.
Foi a hora mais negra de Leninegrado.
Ent�o, aconteceu um milagre.
A Oeste de Leninegrado est� o Mar B�ltico.
E a Nordeste est� o Lago Ladoga, com 11 300 km2 de �gua.
Os finlandeses e alem�es ocuparam uma das partes, at� esta zona,
e, no Sul, os alem�es controlavam o lago at� aqui.
Entre estes pontos havia uma margem ainda nas m�os da R�ssia.
Mas haviam quase 160 km entre esta margem
e a cidade sitiada.
Os 160 km, que eram de �guas livres, estavam agora cobertos de gelo.
E nesta superf�cie avan�aram tratores
e tren�s, a fazer a estrada sobre o lago.
Em breve, nesta estrada e do outro lado do lago,
viria um comboio de cami�es,
com comida, petr�leo, cereais
e combust�vel.
Cada cami�o trazia uma nova vida para o povo da cidade.
Tarde os alem�es descobriram que deixaram uma via de ajuda aberta.
Os avi�es bombardearam a estrada,
mas os cami�es continuaram a avan�ar, de dia e de noite.
A autoestrada do lago continuava aberta.
Em breve mais cami�es chegariam � cidade,
porque os russos instalavam agora carris sobre o gelo.
"Para os her�is de Leninegrado",
diz a inscri��o nesta locomotiva que inicia a sua viagem pioneira.
Desde a outra margem do lago, leva comida, medicamentos,
mantimentos de todo o tipo. Cruza o lago e dirige-se a Leninegrado.
Este � o primeiro de muitos comboios.
Al�m de levar mantimentos, os comboios recolhiam feridos,
mulheres doentes e crian�as enregeladas.
Todos os que precisavam de maior cuidado.
As viagens continuaram durante todo o inverno.
E durante o terr�vel inverno, os homens do Ex�rcito Vermelho,
�s portas da cidade, encontraram for�as n�o s� para defender, mas para atacar.
Vezes sem conta, lan�aram-se sobre o invasor.
Cent�metro a cent�metro, afastaram-nos da cidade.
Ent�o, chegou a primavera.
Primavera.
Fora de Leninegrado, a neve come�ou a derreter
e os corpos dos alem�es eram levados pela corrente das suas campas geladas.
Provas da tenacidade russa.
O calor da primavera faz-se sentir na superf�cie gelada do Lago Ladoga.
Mas os cami�es n�o param,
embora o gelo se derreta sob eles.
A primavera, como sempre, chega tamb�m � cidade.
Mas � mais do que uma nova esta��o para o povo de Leninegrado.
� uma nova vida. A cidade volta a respirar.
Pela primeira vez em meses, os el�tricos funcionaram.
No primeiro dia, cada homem, mulher
e crian�a pareciam ter que dar uma volta.
A vida tinha voltado.
Vida para as crian�as de Leninegrado
que n�o tinham sucumbido �s bombas nazis ou ao inverno.
Vida para as WACS russas, as mulheres do Ex�rcito Vermelho.
E para as WAVES russas, as mulheres da Frota Vermelha.
E aos marinheiros da frota,
os artistas da companhia de bailado foram oferecer entretenimento.
A primavera chegou, o ver�o est� a chegar,
e Leninegrado continua livre.
Alguns alem�es acabaram por entrar na cidade,
mas n�o da forma que esperavam.
Sim, aqui tamb�m foi desfeita a lenda da invencibilidade nazi,
contra a vontade de ferro e a coragem de um povo determinado.
Os cidad�os de Leninegrado provaram que generais podem ganhar campanhas,
mas que o povo ganha guerras.
No ver�o de 1942,
novos cartazes apareciam nas ruas de Moscovo.
Cartazes a dar as boas-vindas aos aliados,
cuja ajuda j� chegava aos portos russos.
Aliados, cuja amizade enviara medicamentos e comida,
e roupas quentes para os ajudar nas horas mais dif�ceis.
Apesar de tudo isto,
os l�deres do Ex�rcito Vermelho sabiam
que enfrentavam o inimigo mais forte de sempre, e que este podia voltar.
Mas, nesse ataque,
toda a for�a alem� se concentraria num objetivo.
O C�ucaso e seu petr�leo.
A Cordilheira do C�ucaso
� um dos maiores obst�culos militares do mundo.
Montanhas que se elevam at� aos 5500 metros de altitude,
com s� uma estrada a atravess�-lo.
GR�ZNI
E Baku, o maior po�o de petr�leo, fica no outro lado.
Para chegar a Baku, a �nica rota militar
era ao longo da costa do Mar C�spio.
Mas o mapa demonstra como esta rota de abastecimento seria perigosa.
Para a opera��o ser um sucesso para os alem�es,
era necess�rio controlar o centro de caminhos de ferro a Norte
e uma nova base de opera��es.
Esse centro era um porto do Rio Volga que conhecemos bem, Estalinegrado,
com o nome do atual l�der russo.
� o orgulho desta gera��o de russos,
pois era cidade deles, feita no seu tempo.
Capturando Estalinegrado, os nazis teriam uma base
para lan�ar um ataque flanqueado sobre Moscovo.
Num golpe, o ex�rcito russo a Sul ficaria isolado de potencial ajuda.
E a Norte, as f�bricas, quintas e os ex�rcitos russos
ficariam isolados do petr�leo do C�ucaso
e tamb�m dos mantimentos americanos e ingleses,
que chegavam � R�ssia atrav�s do Ir�o e Iraque.
O controlo alem�o da entrada do Volga e dos seus dois grandes portos,
Astrakhan e Estalinegrado, seriam um golpe fatal sobre a R�ssia.
O Volga � a art�ria vital que distribui os mantimentos.
Em maio, come�ou a ofensiva alem�
na frente de Kursk � Crimeia.
MAR DE AZOV
Em duas semanas, os nazis entraram na Pen�nsula de Querche,
mas s� dois meses depois
caiu a cidade de Sevastopol,
dando aos nazis o controlo completo da Crimeia,
e a rota Sul para os po�os de petr�leo do C�ucaso.
Depois, foram para Norte,
e avan�aram sobre o Rio Don, na �rea de Voronezh.
Espalharam-se para Sudeste at� ocuparem toda a �rea
do Rio Don at� Rostov.
Isto deixou-os em posi��o para atacar Estalinegrado.
A marcha para Sul continuou
e, no fim de agosto,
capturaram os po�os de petr�leo de Maikop,
destru�dos previamente pelos russos, claro.
Assim chegaram ao Norte do C�ucaso.
Os alem�es estavam a quil�metros do objetivo, os po�os de petr�leo de Baku.
Mas ainda faltavam duas barreiras:
as montanhas e a determina��o dos russos.
O povo do C�ucaso
juntou-se ao ex�rcito numa barreira impenetr�vel
contra toda a for�a do ataque.
A Norte, as lan�as nazis estavam a 30 km de Estalinegrado.
A cidade tornou-se o ponto central de toda a campanha.
Estalinegrado deve ser capturada, a qualquer custo.
Essas eram as ordens alem�s.
Fogo!
Armas alem�s, bombas alem�s,
despeda�aram a cidade.
A 20 de setembro,
os alem�es combatiam intensamente h� 30 dias,
em batalhas nos arredores da cidade.
No fim do m�s,
tinham conseguido entrar na sec��o Noroeste da cidade,
e ocupado parte do centro, incluindo a esta��o de comboios.
No �ltimo dia de setembro, Hitler anunciou
que a queda da cidade era uma quest�o de dias.
Uma vez mais, o mundo temeu pela derrota da R�ssia.
Mas uma vez mais, os alem�es ficariam no limiar da vit�ria,
e perderiam.
Iriam encontrar um fogo de f�ria como nunca antes.
Tudo o que viera antes,
as batalhas nas ruas de Kiev, Rostov, Odessa, Semistople,
foram prel�dios do que aconteceria em Estalinegrado.
Cada cent�metro da cidade era um ponto estrat�gico
e seria defendido como tal.
No fim de outubro, a neve cobria Estalinegrado.
Do ar, os alem�es tentavam for�ar a rendi��o
dos russos na cidade.
Ao mesmo tempo, continuava a batalha nas ruas.
Mas com a chegada de novembro,
os russos n�o defendiam a cidade cent�metro a cent�metro.
Reconquistavam-na.
E agora, com o mundo a falar em admira��o da Cidade de A�o,
o tel�grafo transmitiu not�cias empolgantes.
IANQUES ATERRAM EM �FRICA
Tropas americanas e inglesas ocuparam o Norte de �frica.
A Leste, o 8� Ex�rcito Brit�nico dirigia-se para Oeste,
em persegui��o do famoso Afrika Corps.
E, a Nordeste, o Ex�rcito Vermelho lan�ou o seu devastador contra-ataque.
Os alem�es aprendiam o significado das palavras
"opera��es combinadas".
Como se lan�ados por uma mola, os russos atacaram toda a frente.
Mais a Norte, os alem�es sentiram o impacto
da reconquista de Schlusselburg, que abriu o acesso a Leninegrado.
Pouco depois, outra ofensiva mais a Sul,
contornou a defesa dos alem�es em Rzhev
e caiu sobre Velikie Luki.
Ainda outro golpe russo caiu em Voronezh,
avan�ando de forma amea�adora sobre as linhas alem�s.
No Sul, os alem�es afastavam-se de Grozny,
em vez de se aproximarem, perante o ataque russo.
Em Estalinegrado, os alem�es encontrariam novos oponentes.
Reservas frescas chegaram das profundezas da Sib�ria,
onde se encontravam para prevenir problemas com os japoneses.
Agora, tinham sido transportados
para substituir os defensores de Estalinegrado.
E com a chegada das reservas, reuniam-se no Quartel General
os comandantes dos ex�rcitos.
MARECHAL VORONOFF
Estalinegrado era um pr�mio para os alem�es.
T. GENERAL RAKOSSOVSKY
Mas os russos queriam fazer dela uma armadilha.
Foram lan�ados dois ataques em simult�neo,
um do Norte, outro do Sul.
Os ex�rcitos alem�es a cercar Estalinegrado
iam ser cercados.
As duas lan�as encontraram-se.
Estes soldados do Norte endurecidos pelo combate
e os soldados do Sul,
emocionaram-se como crian�as ao encontrarem-se.
Sabiam que este encontro era a salva��o de Estalinegrado
e do seu pa�s.
E no Natal de 1942,
o povo da Uni�o Sovi�tica pode festejar com alegria no cora��o.
Receberam a oferta mais preciosa dos homens do seu ex�rcito,
a certeza da vit�ria final.
Tal como nas nossas cidades, este � o dia das crian�as em Moscovo.
E, este ano, o Natal � mais feliz.
Hoje, n�o h� bombeiros alem�es no ar.
1943
Em outros anos os russos, tal como n�s,
celebraram o Ano Novo.
Mas n�o desta vez.
As f�bricas trabalham tanto como em outras noites.
Chega o momento, � Ano Novo.
Feliz Ano Novo!
Uma felicita��o repetida na frente,
at� certo ponto.
Feliz Ano Novo! Fogo!
�s portas de Estalinegrado, o inverno gelado torna-se um inferno.
Aqui est� concentrado o mais novo equipamento russo.
Lan�a-chamas.
Tren�s armados,
usados para capturar campos a�reos no avan�o ex�rcito principal.
M�sseis, ou "katyusha", como lhes chamam os russos.
Todos os recursos do Ex�rcito Vermelho
foram lan�ados num ataque demolidor.
Era keil e kessle com vingan�a.
Os nazis sofriam o kessle, em vez dos russos.
E a 2 de fevereiro de 1943,
ap�s 162 dias dos combates mais pesados de toda a hist�ria,
foi dado o �ltimo tiro.
A paz chegou a Estalinegrado.
Nas ruas despeda�adas, nas ru�nas desfeitas,
as horr�veis evid�ncias da sua prova��o.
Os defensores da cidade recebem o ex�rcito salvador ao amanhecer.
Estalinegrado � livre.
Os nazis capitularam.
Os generais alem�es a quem Hitler ordenara
a tomada de Estalinegrado a qualquer pre�o,
e que lhe prometeram que a cidade seria dele,
esses generais, 24 deles, que se tinham coberto de gl�ria,
e de medalhas, nos campos da Pol�nia, Noruega e Fran�a,
tinham apenas o glorioso passado para os confortar.
Este � o Marechal de Campo von Paulus,
Comandante dos ex�rcitos alem�es em Estalinegrado.
Foi quem disse aos seus homens que, caso se rendessem,
mataria as suas fam�lias como vingan�a.
Perante os captores,
a express�o preocupada podia refletir o receio
de Hitler se vingar da mesma forma da sua fam�lia.
Sabia que, ao render-se, Hitler perdia n�o s� um marechal,
perdia um ex�rcito de 22 divis�es e 330 mil homens.
A estes homens foi prometido
que, como conquistadores, passariam o inverno na cidade.
Bem, era inverno, a cidade era Estalinegrado...
... e estes, os conquistadores.
E quando a primavera chegou � R�ssia,
o resultado do inverno era claro.
O invasor fora empurrado bem para tr�s
das linhas que ocupara um ano antes.
Tinham sido libertados 300 mil km2
de territ�rio russo.
E nesta campanha de inverno de 1942,
as pot�ncias do Eixo perderam 5090 avi�es, 9190 tanques,
20 360 canh�es, 30 705 metralhadoras,
mais de 500 mil espingardas, 17 milh�es de balas,
128 milh�es de cartuchos, muitos outros materiais,
e 1 193 525 homens,
800 mil dos quais estavam mortos.
Esta � a hist�ria de tentativa de conquista da R�ssia pela Alemanha.
Em 1941, tentaram capturar Moscovo e falharam.
Em 1942, tentaram capturar o C�ucaso e falharam.
Em 1943, e durante os anos que forem precisos,
ser�o sempre resistentes onde a sua for�a falhar,
e ser�o tamb�m atacados, atacados e atacados,
por estes povos unidos destas na��es unidas.
"... a vit�ria das democracias s� ser� completada com a derrota total
da Alemanha e Jap�o."
G.C. Marshall Chefe do Estado Maior
LIBERDADE
Legendas: Jo�o Chaves
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