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A 15 de outubro �s 11:45, o embaixador dos Estados Unidos em Fran�a
apresentou-se no Pal�cio do Eliseu
para entregar nas m�os do Presidente da Rep�blica
uma carta pessoal do presidente dos Estados Unidos.
" Caro Presidente: Devido � excepcional gravidade do assunto,
" acho ser meu dever dirigir-me a si pessoalmente
" sem fazer uso dos meios diplom�ticos habituais.
" Pelas revela��es de um alto membro dos Servi�os Secretos Sovi�ticos
" a quem foi concedido asilo pol�tico nos Estados Unidos,
" fomos informados da exist�ncia em Fran�a
" de uma vasta rede de espionagem que trabalha para a Uni�o Sovi�tica.
" Estes membros pertencem a um c�rculo dirigente do seu governo
" e exercem as mais altas responsabilidades
" pol�ticas, militares e econ�micas.
" Meus servi�os est�o � sua disposi��o
" para fornecer os dados necess�rios
para neutralizar esta amea�a contra a seguran�a da Fran�a e do mundo livre."
O Sr. Presidente da Rep�blica vai receb�-lo.
Paris, aeroporto de Orly, 15 de setembro, 16:20.
Senhor e senhora Vlassov, voo 302, Moscou.
Porta n�mero 3.
Uma garrafa de brandy, por favor.
Obrigado.
Sr. Vlassov, passageiro do voo 302 com destino a Moscou,
tenha a bondade de se apresentar na porta n�3 para embarque imediato.
Sr. Alexei Vlassov.
Conselheiro-adjunto da Embaixada da URSS.
Sim, em Paris.
Pediu-nos prote��o.
Est� acompanhado pela mulher que est� na sala de embarque.
O Sr. Vlassov teme que levem a sua mulher � for�a.
Informa-se os passageiros do voo 302 com destino a Moscou
que o mesmo est� atrasado uma hora.
Pede-se aos senhores passageiros que se dirijam ao bar
onde ser�o servidas as bebidas que desejarem.
Senhora, pode fazer o favor de me entregar o seu passaporte?
Tranquilize-se, um representante do Minist�rio dos Assuntos Exteriores
est� chegando.
O Primeiro-secret�rio da nossa embaixada tamb�m est� a caminho.
Informamos os passageiros do voo 302 com destino a Moscou
que a partida ser� feita com duas horas de atraso
devido � demora da chegada do avi�o.
Um almo�o ser� servido aos senhores passageiros.
Garbon, diretor do aeroporto. Meu adjunto.
Os membros da Embaixada Sovi�tica j� est�o na sala de confer�ncias.
O Coronel Vlassov teve um comportamento
s� justificado pelo seu estado de sa�de.
� um homem esgotado.
Voltava para Moscou de baixa de sa�de.
Se Vlassov quiser ficar na Fran�a, temos excelentes especialistas.
A Sra. Vlassov est� aqui.
Protestamos sobre o seu tratamento � Sra. Vlassov,
foi-lhe retirado o passaporte diplom�tico.
Foi-lhe pedido. Se a Sra. Vlassov desejar abandonar este pa�s,
� livre de o fazer a qualquer momento.
E � isso mesmo que vamos perguntar-lhe. Com licen�a.
Quer fazer o favor de entrar? N�o, s� a Sra. Vlassov.
Sente-se, por favor.
A senhora deseja apanhar o avi�o para Moscou?
Pode falar sem receio.
Onde est� o meu marido?
Quero ver o meu marido.
Sr. Vlassov, por favor.
Coronel Vlassov, ainda h� tempo para refletir
N�o lhes devo explica��es.
Senhores, recordo-vos que se n�o falarem franc�s, s� devem usar o ingl�s.
Alexei, o que est� havendo?
O que significa?
O que devo fazer?
Senhora, pe�o mais uma vez que s� fale em franc�s ou ingl�s.
Tatiana, eu nunca mais vou voltar a Moscou. Fica comigo, por favor.
N�o tem nada a temer, asseguro-te que nos v�o proteger.
E os nossos filhos?
O Ivan tem 20 anos, o Grigori tem 18, s�o homens feitos.
Volto para casa.
Senhores, pe�o-vos mais uma vez
que me levem � embaixada dos Estados Unidos.
Claro que ir� aos americanos. Mas oi�a-me primeiro, senhor conselheiro,
o senhor � o coronel Vlassov do KGB.
H� meses que o vig�amos.
N�o o podemos deixar ir e ficar de m�os a abanar.
N�o somos uma ag�ncia de viagens para lhe dar carona e tchau.
Coronel Vlassov, colabora conosco ou lhe devolveremos � Moscow.
� certo que pedi a sua prote��o, mas agora pe�o-lhe que me conduza � embaixada dos Estados Unidos.
Ele n�o falar�.
Sr. Diretor, temos 48 horas � nossa frente.
A noite passada, n�o dormiu nada,
tamb�m n�o dormir� muito nesta.
Amanh� n�o estar� t�o fresco, creia-me.
Sim?
� o Lefevre. Desculpe o inc�modo, mas quero que oi�a algu�m.
Avance.
Conte-nos a sua hist�ria.
Acabo de o fazer.
Repita. Diga primeiro o seu nome.
Chamo-me Jeannine Santelli, sou vendedora no Aeroporto de Orly.
Esta manh�, por volta das onze horas,
o cavalheiro pediu-me uma garrafa de conhaque.
- Conto tudo? - Claro.
Ao pagar, deixou-me uma nota de 100 francos com um papel dobrado dentro.
Depois, sem dar tempo, precipitou-se para o posto de pol�cia.
Vou ler a mensagem, senhor diretor.
" Telefone imediatamente ao 2657460.
� a Embaixada dos Estados Unidos e diga que Alexei Vlassov pede asilo."
E ela telefonou, claro.
- Sim, senhor diretor. - Bem.
J� perdeu as 48 horas que tinha.
A Embaixada dos Estados Unidos vai cair-nos em cima.
A menos que o senhor engane a embaixada.
Deixe comigo.
Com cautela, por favor.
D�-me o nome dos seus contatos franceses e n�o falaremos mais.
Insisto que me leve � Embaixada dos Estados Unidos.
Coronel Vlassov, vamos lev�-lo � embaixada.
Para a embaixada sovi�tica.
N�o acho que seja capaz de ir para a frente com isto.
Vai sab�-lo dentro de um minuto.
Est� a cometer um erro profissional.
Sei.
Entendo perfeitamente, Sr. Ministro,
mas permita-me insistir mais uma vez que os assuntos estrangeiros
n�o t�m nada a ver com os imperativos da nossa miss�o.
O Vlassov � um peso pesado.
Sim, com certeza.
Sim, resigno-me, mas n�o concordo.
" Embaixada da Uni�o Sovi�tica"
Isto � um assass�nio.
N�o, � um suic�dio.
O que quer saber exatamente?
- Tavel, onde est�? - Em frente � Embaixada Sovi�tica.
Regresse imediatamente.
- Mas. - Volte imediatamente!
Sr. Vlassov, chamo-me O'Brien, sou da Embaixada Americana.
Se me tivesse ligado 3 minutos mais tarde, ele tinha falado.
N�o teria conseguido grande coisa, Tavel.
Sabe bem que a Fran�a n�o gosta de fazer pactos com traidores.
" Alf�ndega da B�lgica"
Chegamos, Sr. Vlassov.
Um cigarro americano?
- � muito suave para o meu gosto. - � uma quest�o de h�bito.
Seu avi�o sai dentro de meia-hora.
Chegar� a Washington �s 14:30 locais.
- Boa viagem e boa sorte. - Obrigado.
�s 14:30 hora local, o Coronel Vlassov chega a Washington num voo especial.
� conduzido a Langley, a 20 minutos da Casa Branca,
onde se situa a sede da CIA.
� o maior edif�cio governamental a seguir ao Pent�gono.
Estendem-se por um total de 50 hectares
e custaram ao contribuinte americano 46 milh�es de d�lares.
A CIA tem cerca de 20.000 agentes no estrangeiro.
Na sua sede, trabalham 10.000 funcion�rios,
entre investigadores, especialistas em electr�nica, economistas,
psic�logos, cientistas at�micos, cirurgi�es, m�dicos, pilotos,
especialistas em decifrar mensagens, em jurisprud�ncia isl�mica,
em constru��o naval chinesa, em pol�tica, em metalurgia,
em judo, em qu�mica, em f�sica e em microfilmes.
200.000 publica��es comunistas por m�s s�o traduzidas para ingl�s.
At� as mais inocentes: Mapas de estradas, hor�rios de trens,
listas telef�nicas, relat�rios de reuni�es m�dicas, etc.
Todo este conjunto de informa��es � imediatamente classificado.
24 horas por dia, peritos em todas as l�nguas do mundo
escutam as emiss�es de r�dio estrangeiras e analisam-nas.
M�quinas de tradu��o a 30.000 palavras por hora,
um laborat�rio de microfilmes,
m�quinas de duplica��o de alta velocidade,
40 milh�es de tarjetas perfuradas,
tudo isto deu � CIA o arquivo mais completo do mundo.
Por �ltimo, uma das suas actividades mais secretas,
s�o as chamadas opera��es dos " Servi�os Clandestinos".
Frequentemente, servem para apoiar os governos de alguns pa�ses,
para fomentar rebeli�es noutros e, por vezes, derrubar governos.
O " New York Times" estima que o or�amento anual da CIA.
Seja de mil milh�es de d�lares por ano.
Mas h� um homem que acredita que a informa��o n�o tem pre�o.
Esse homem � Allan Davis.
� o " Sr. CIA".
� o diretor desta grande organiza��o
chamada de "Estado dentro de um Estado".
E � neste edif�cio central que Vlassov tem de passar no seu primeiro teste:
O detector de mentiras.
- Dir� toda a verdade? - Sim.
- Que idade tem? - 50 anos.
Nasci no dia 11 de julho de 1922 em Leninegrado.
- Quando chegou a Washington? - H� 3 dias atr�s.
- Quando decidiu escolher a liberdade? - A liberdade � um conceito pessoal.
Responda � pergunta sem coment�rios.
- Gosta dos seus filhos? - Gosto.
J� teve rela��es sexuais com uma garota menor?
N�o.
J� quis ter rela��es sexuais com uma garota menor?
N�o!
J� teve alguma rela��o homossexual?
N�o.
Vamos na pergunta 388. Disse sempre a verdade at� agora?
Sim.
N�o! N�o porque as suas perguntas t�m sido est�pidas e obscenas.
Limite-se a responder " Sim" ou " N�o".
Pediu asilo pol�tico aos EUA?
Sim.
Tenciona actuar contra os interesses dos Estados Unidos?
N�o! Minha inten��o n�o � contra os Estados Unidos,
� uma rebeli�o contra os tiranos que dirigem o meu pa�s.
Amo o meu pa�s. Mais uma vez, s� sim ou n�o.
- H� quanto tempo est� casado? - H� 21 anos.
Ainda mant�m rela��es sexuais com a Sra. Vlassov?
Nestas circunst�ncias, � um tanto dif�cil.
Quando foi a �ltima vez que fez amor com a sua mulher?
Oi�a! Sou o coronel Alexei Vlassov do KGB!
Abandonei a minha fam�lia, arrisquei a minha vida,
viajei 8.000 quil�metros porque tenho revela��es importantes
a fazer aos Estados Unidos,
n�o foi para vir aqui revelar pormenores da minha vida privada
a um bando de frustrados sexuais!
Continuemos, Sr. Vlassov.
Quando foi infiel � sua mulher pela �ltima vez?
Como provavelmente j� sabem,
foi h� um m�s atr�s
com uma das suas compatriotas.
Obrigada.
Sra. Lee, como cidad� americana, contamos com a sua lealdade.
Meu marido � que � americano, sou italiana.
Onde � que conheceu o Sr. Vlassov?
Em Paris, numa recep��o na embaixada brit�nica.
- Quem o apresentou? - Ningu�m.
Olhei para ele, ele olhou para mim e sa�mos juntos.
Seu marido n�o estava l�?
Eu e o meu marido n�o nos vemos muito Ele n�o estava l�.
- Para onde foi com o Sr. Vlassov? - Para o meu hotel.
Que impress�o � que ele lhe causou?
Uma impress�o e tanto.
J� n�o h� muitos homens como ele.
� pena!
Estamos falando do Coronel Vlassov do KGB,
um dos melhores especialistas russos em espionagem.
Tudo quanto possa ter ouvido, pode ser de capital interesse para n�s.
Sinceramente, n�o acho que haja nada que vos interesse.
O que fazem as suas " Mata Hari" para sacar informa��es?
" Querido, quantos carros blindados t�m entre Kiev e Moscou?"
Ou: " Ivan, querido, fala-me dos seus m�sseis e depois fazemos amor."
Sra. Lee, por favor, isto � s�rio.
Ele falou-lhe das actividades dele?
Sabe o que dizemos em It�lia?
" Se quer saber sobre o trabalho de um homem, fala com a mulher dele.
E se quer saber sobre a mulher dele, fala com a amante dele."
Quando um homem quer fazer amor, n�o fala de m�sseis. Faz amor.
E depois dorme e ressona.
Na Am�rica n�o � assim?
Estamos prontos.
Interrogat�rio a Alexei Vlassov.
Assunto: A sua miss�o a Praga a 25 de agosto de 1968
durante a insurrei��o checoslovaca.
Sr. Vlassov, quem autorizou a sua miss�o em Praga?
O Coronel Makarov,
era o diretor da se��o chamada "Democracias Populares".
Em que data recebeu essas ordens?
Na �ltima semana de agosto de 1968, n�o me recordo da data exata.
Sr. Vlassov, por que � que o escolheram para essa miss�o?
Tinha trabalhado muito com o nosso especialista na Checoslov�quia.
O Coronel Makarov era o chefe da se��o nessa altura?
Exatamente.
Tem a certeza que o Coronel Makarov
dirigia a se��o " Democracias Populares" em agosto de 1968?
N�o, tem raz�o, era o Kenedetski que dirigia essa se��o.
Ent�o como explica que tenha sido o Makarov a assinar essa miss�o?
O Kenedetski estava de f�rias na Crimeia
e o Makarov substitu�a-o na sua aus�ncia.
Fale-nos da sua viagem a Praga.
Nada de especial, apanhei o avi�o em Damasco e aterrei em Praga.
N�o fez escalas, Sr. Vlassov?
Sim, fiz escala em Nic�sia.
Mais nenhuma?
Tem raz�o mais uma vez.
O avi�o teve uma avaria t�cnica, segundo me confirmaram depois
e tivemos de aterrar em S�fia.
E depois o que houve?
Encontrei-me com o Dubrovin
que estava l� desde o in�cio dos acontecimentos.
Tem a certeza que n�o est� enganado sobre o Dubrovin?
Absoluta. Ele veio ao meu encontro
e sa�mos juntos do aeroporto no carro dele.
Nikolai Adrianovich Dubrovin.
N�o, claro que n�o. Estou falando de Mikail Andreivich Dubrovin
que � 15 anos mais novo que o outro.
Desculpe, Sr. Vlassov.
O senhor encontrou-se com Mikail Andreivich Dubrovin.
Continue.
Ele p�s-me a par da situa��o.
J� t�nhamos restabelecido a ordem, s� faltava liquidar as �ltimas sequelas.
O que quer dizer com "liquidar as �ltimas sequelas"?
Eliminar a resist�ncia e restabelecer o Socialismo Democr�tico.
Restabelecer o Socialismo Democr�tico com tanques russos?
Sim, os mesmos tanques russos
que devolveram a liberdade aos checos em 1945
quando esmagaram o ex�rcito fascista de Hitler.
Sr. Vlassov, tamb�m foi o ex�rcito fascista de Hitler
que esmagaram em 1968?
Por vezes, o mesmo rem�dio cura doen�as diferentes.
O problema da Checoslov�quia em 1968 era de ordem estrat�gica.
Era a nova fronteira do nosso socialismo.
T�nhamos pago por ela com 20 milh�es de mortes na guerra.
Voc�s tamb�m defenderam as suas fronteiras
e desembarcaram na Ba�a dos Porcos para defender o seu modo de vida.
Todos temos telhados de vidro.
Sr. Vlassov, se a sua nova fronteira era t�o perfeita, por que est� aqui hoje?
Estou aqui por culpa de Stefan Paulovich Ivanov.
N�o pe�am informa��es �s suas m�quinas,
n�o est� nos seus arquivos.
� um sapateiro que trabalha num bloco de apartamentos
onde eu vivo em Moscou.
Perdeu dois filhos durante a guerra.
Um em Estalinegrado e o outro num submarino.
Uma noite, quando regressava a casa, vi uma luz acesa.
O Stefan estava inclinado sobre um sapato velho
a tentar remend�-lo para o poder usar de novo.
Enquanto o observava,
comecei a pensar como tinha dispendido a minha vida.
A moldar, a manipular, a humilhar homens
para fazer deles homens melhores.
Para aquele sapateiro, 50 anos de revolu��o n�o tinham mudado nada.
Que podia eu fazer?
No meu pa�s, n�o se combate o sistema de dentro.
� por isso que estou aqui.
Cavalheiros, o Vlassov est� a mentir.
A pergunta-chave era a 390,
o porqu� da sua presen�a nos Estados Unidos.
Tem inten��o de agir contra os interesses dos Estados Unidos?
N�o.
Minha a��o n�o � contra os Estados Unidos,
� contra os tiranos que governam o meu pa�s.
Eis a sua mentira, senhores.
O Vlassov mente.
N�o foi o amor � p�tria russa que o trouxe a Washington.
Nem a sua compaix�o pelos sapateiros russos.
Veremos a verdadeira raz�o.
Moscou, 1 de maio de 1964.
Na Pra�a Vermelha, uma grande multid�o aplaude o desfile militar.
Nikita Krushov ocupou o seu lugar na tribuna de honra
rodeado de oficiais militares e membros proeminentes do partido.
De acordo com o protocolo, o marechal Radian Marinoski, ministro da defesa,
� o �ltimo a chegar � tribuna.
Reconhecemos o marechal Gresko,
o Boroshilov, o marechal Marinoski, o Kruschov,
o primeiro-ministro da Alemanha Oriental Stroje, Suslov, Brezhnev,
a ministra dos assuntos culturais Katerina Krusheva,
Ivan Kruglov, Kavaniev, Kirov, Karashin, Nijenski,
o Coronel Alexei Vlassov e Ribosnki.
O Kirov esteve ao lado do Kruschov durante 15 anos.
O Vlassov casou-se com a sua irm� Tatiana
e sobre r�pido na hierarquia devido a esse casamento.
Com toda a gente no seu lugar, a parada come�a.
Os alunos da Academia Militar.
Boroshilov, Marinoski e Krushov sa�dam.
A Academia Pol�tica de Lenine.
Brezhnev, Futzeva e Nikolen observam.
Representando a marinha sovi�tica, os marinheiros da frota do B�ltico.
Unidades blindadas.
A metragem do filme foi reduzida porque o desfile militar durou horas.
Ao meio, o marechal Budion.
Agora come�a o desfile da popula��o moscovita.
� interessante notar que o operador de c�mara sovi�tico,
cumprindo certamente as ordens recebidas,
nunca falha a cara de Vlassov quando filma os l�deres militares e do partido.
Flores para Kruschov.
Para Kirov e tamb�m para Vlassov.
O Vlassov converte-se numa personagem cada vez mais importante
na equipe de Kruschov.
Estas imagens demonstram aquilo a que os inimigos de Kruschov
chamam de culto de personalidade.
Isto foi a 1 de maio de 1964.
Alguns meses mais tarde, em Outubro, d�-se a queda de Kruschov
que foi substitu�do por Brezhnev.
Observem esta curta-metragem do Congresso do Partido Comunista.
Desta vez, domina Brezhnev
rodeado pela sua equipe e pelos l�deres do partido.
N�o procurem o Kirov, ele desapareceu com o Kruschov.
Claro que o nosso amigo Vlassov tamb�m perdeu o seu lugar ao sol.
Apercebemo-nos da sua presen�a ao fundo,
no meio da multid�o, de volta ao seu uniforme de coronel.
Foi o princ�pio do fim.
Em 1966, � destacado para a embaixada sovi�tica em Ancara
como adido cultural adjunto.
Foi a� que prestamos aten��o ao Vlassov,
atrav�s dos nossos colegas brit�nicos.
Passo a palavra ao Sr. Boyle, dos servi�os secretos brit�nicos.
Quando o vi pela primeira vez, estava na Turquia.
Pareceu-me um tipo digno de interesse.
Adivinhava-se algo. Vulner�vel nele
e aconteceram alguns encontros como este, sempre fortuitos.
Entendia-me bem com ele.
Sempre me pareceu um homem amargo e desiludido.
Disso n�o h� d�vida.
N�o estava totalmente convencido
que a sua f� comunista estava debilitada,
mas era um contato poss�vel.
Seja como for, achei que era melhor deixar o fruto amadurecer na �rvore.
E passei todas as informa��es aos seus servi�os,
incluindo esta fotografia.
E � tudo. Obrigado.
Depois de Ancara, serviu tr�s anos em Moscou.
Depois foi mandado para Paris
como segundo-secret�rio da embaixada sovi�tica.
Depois de Ancara, a sua vida privada deteriora-se.
Em Paris, perdoam-lhe algumas indiscri��es.
Mas depois desta, � chamado de novo a Moscou.
J� tem 50 anos, n�o chegou a general,
e sabe que se reformar� como coronel,
se � que n�o o espera uma san��o mais grave � sua chegada a Moscou.
Suas viagens ao Oeste, d�o-lhe uma sensa��o de uma exist�ncia mais f�cil,
mais livre, mais alegre, bem melhor que a vida de um coronel reformado
e decide mudar de campo.
Esta � a verdadeira raz�o para o Coronel Vlassov estar agora entre n�s.
Acho que o Sr. Vlassov � um grande embusteiro.
Claro que sim, caso contr�rio, seria inquietante.
Claro que sim.
O Vlassov � um tanto paranoico, mas nesta profiss�o, todos o somos.
Ele quer salvar a pele a qualquer pre�o, nem que seja vivendo como traidor.
O que esperava,
que ele confessasse o ressentimento de n�o ter subido na carreira?
N�o, tem de procurar uma raz�o mais nobre.
Ent�o, inventa esta hist�ria de tiranos e falsos sapateiros.
Gosto das mentiras dele, soam a verdadeiras.
- Parte esta noite? - Sim.
Tenho de estar em Londres de manh�.
Mant�m-me ao corrente?
Claro, se ele decidir falar, ser� o primeiro a saber.
- Sou o Allan Davis. - Sei.
Ser� uma honra t�-lo como h�spede durante os pr�ximos seis meses.
Faremos o poss�vel para que seja uma estada agrad�vel.
Obrigado.
Pode seguir.
Chamo-me Kate Cross. Venho fazer-lhe companhia.
N�o me diga.
Posso ser a sua governanta, sua secret�ria, sua amiga, � s� escolher.
Quanto � que eles lhe pagam por estes servi�os especiais?
Muito.
Instalo-me no seu quarto ou no das visitas?
Acho que ficar� melhor no das visitas.
Se quiser mudar de governanta, n�o h� problema, eu n�o me incomodo.
N�o h� problema, est� perfeita.
Noutra circunst�ncia qualquer, estaria deleitado de prazer.
Ent�o qual � o problema?
N�o gosto de actuar em p�blico.
A Uni�o Sovi�tica e os seus sat�lites
s�o uma amea�a para a seguran�a do Ocidente.
Para evitar esse perigo, levantaram uma muralha
que consiste numa alian�a militar das 14 na��es
na sua esfera de influ�ncia. A essa alian�a chamam-lhe NATO.
Gra�as a ela, mant�m-se uma coexist�ncia pac�fica
que at� agora se mant�m,
mas deixem-me dizer-vos que se n�o actuarem depressa,
dentro de dois anos n�o haver� mais NATO.
Foram minados.
Todas as decis�es secretas da NATO
estavam na minha secret�ria pouco depois de terem sido tomadas.
E isto � poss�vel
porque as nossas fontes est�o no Estado-Maior da Alian�a.
Disse no Estado-Maior.
- Tem os nomes? - De muitos deles.
Todos menos os ingleses, n�o tenho nada de l�.
Quanto � Fran�a embora j� n�o fa�a parte da NATO,
continua a ser a chave da defesa da Europa
e tenho dois nomes e provas irrefut�veis que os confirmam.
Seu ponto fraco � a Alemanha Ocidental.
De l�, tenho uma lista de nomes.
Algures perto de Munique, 5 de outubro, 7 da manh�.
Tenho de lhe dizer que informei as altas esferas do governo
da sua reuni�o com o General Streilitz.
O qu�?
Dei ordens para interromper todas as comunica��es durante dois dias.
Enviei um emiss�rio para que a reuni�o fosse secreta e disse-o a Bona.
Cumpri o meu dever, mas o senhor � o chefe da CIA,
quer uma reuni�o secreta como General Streilitz,
comandante das for�as alem�s, e a minha obriga��o � informar o governo.
Daqui a menos de uma hora, vai poder inform�-los que o General Streilitz
� um agente sovi�tico.
E n�o � o �nico.
O Vlassov?
Davis, em 40 anos de espionagem, aprendi que tudo � poss�vel.
Mas o General Streilitz? O Horst Felsen? � meu ajudante h� mais de 10 anos.
N�o posso crer!
Suic�dio! Talvez seja melhor assim, evitamos o esc�ndalo.
�timo, nada de esc�ndalos! Mas isto n�o acaba aqui.
O que pensa fazer quanto ao Felsen?
O Felsen est� de f�rias.
No Chimsee, um lago no sul da Alemanha,
8 de outubro, 8:30 da manh�.
O corpo de Horst Felsen foi recuperado durante o dia 9 de outubro.
Londres, 10 de Outubro, 11:30 da manh�.
- Bom dia. - Ol�, Philip.
Desculpe o atraso. O tr�nsito estava horr�vel.
Quer tomar algo?
- Um Martini muito seco. - Outro copo de Xerez, por favor.
Assustei-os?
N�o, � um costume ingl�s, s�o muito discretos.
Nunca ouvem a conversa de um agente do MI6,
sobretudo se � um membro do seu pr�prio clube.
Sabem que �?
N�o. Sabem que sou filho do Sir Alfred Boyle, que o Sir Frances � meu av�
e que o meu bras�o lhes infunde o maior respeito.
- Sa�de. - Sa�de.
Como vai o Vlassov?
Est� em plena forma, fala pelos cotovelos.
Fico feliz em sab�-lo.
Quando souber o que ele me disse hoje, n�o se vai alegrar tanto.
M�s not�cias?
Acabo de chegar da Alemanha. Acertaram em cheio.
E os franceses n�o est�o melhor, embora estejam de fora.
Como deixaram a NATO,
livraram-nos das complica��es que trazem os traidores.
Deixei o assunto na m�o do governo.
Entreguei uma carta pessoal ao presidente.
N�o sejamos muito severos com os franceses,
estamos todos no mesmo barco.
Numa palavra, todos queremos dar ca�a aos traidores
mas incomoda-nos que nos digam: "o seu pa�s est� podre".
Almo�amos?
- Acho que o pa�s est� podre. - Que pa�s? Refere-se ao nosso?
Minist�rio dos Neg�cios Estrangeiros, Jonathan Leane e George Burguer.
Munique, 15 de Outubro �s 10 horas.
Bom dia, Berthon.
Pobre Felsen. Nem sequer teve um funeral s� para ele.
Conhecia a fam�lia?
Passei com eles alguns fins-de-semana.
Tinham uma casa num lago. O lugar ideal para fugir de tudo.
- N�o o puseram ao corrente de tudo. - O que quer dizer com isso?
O Felsen afogou-se no lago.
Com alguma ajuda, certamente.
Acho que os alem�es prepararam esta com�dia para evitar esc�ndalos.
O Felsen? Um agente sovi�tico?
Para qu� esta fantochada?
Um avi�o militar despenha-se,
um acidente rotineiro,
sete v�timas mais o cad�ver do Felsen, oito caix�es. Sem esc�ndalos.
O Felsen estava na lista do Vlassov?
Agora v� como foi est�pido abandonarem a NATO,
ningu�m vos informa de nada.
Sim, estava na lista.
Vejo tr�s possibilidades.
Um: O Felsen � descoberto e suicida-se.
Dois: O Felsen suicida-se por ordem dos alem�es para abafar o caso.
Tr�s: O Felsen � morto pelos russos com medo que ele fale.
Sim, o Vlassov fez um trabalho excelente.
Come�o a encontrar " Felsens" para onde quer que olhe.
No seu pa�s tamb�m?
No Minist�rio dos Neg�cios Estrangeiros.
O Lean e o Burguer.
Fui indiscreto, n�o fui?
N�o me denuncie, ainda n�o podemos actuar.
� uma excelente ocasi�o
para fundar o Mercado Comum dos Servi�os Secretos.
Como v�o as coisas no seu pa�s?
O Presidente da Rep�blica convocou-me para esta tarde,
vai dar-me em m�o os nomes dos suspeitos.
Todos os Servi�os Secretos
vieram prestar homenagem ao cad�ver do Felsen.
Sabe, uma �nica bomba
e decapitava a espionagem ocidental durante o qu�? Uns 20 anos?
Paris, resid�ncia do Presidente da Rep�blica,
15 de outubro, 17:30.
O Sr. Presidente da Republica vai receb�-lo.
Eis as duas prendas do Vlassov.
O governo encarregou-me da seguran�a deste departamento
at� ao final da investiga��o do caso Berthon.
Isto para dizer que a minha presen�a aqui � provis�ria
e que conto com a sua ajuda nesta tarefa desagrad�vel.
O Deval tem como fun��o conseguir os relat�rios t�cnicos
sobre as interfer�ncias nas transmiss�es
dos nossos submarinos at�micos.
Apreciamos as suas informa��es sobre as vendas de armas em �frica.
Quando v�o ter lugar?
- Dentro de oito dias. - Perfeito.
Para o nosso pr�ximo encontro, o Sirius entra em contato consigo.
- Surpreendente, n�o �? - Nem por isso.
� o seu �ltimo ato.
O princ�pio est� aqui.
Sob a ocupa��o alem�, o Berthon trabalhou para a propaganda nazi.
Com a liberta��o, foi processado.
" Lucien Berthon julgado por alta trai��o ter� de responder pelos seus ato"
" Lucien Berthon acusado de colaborar com os nazis"
Para toda a gente, era claro.
" Lucien Berthon fala"
" O pr�-nazi Berthon arrisca a cabe�a"
No �ltimo minuto, Berthon apresenta um testemunho-milagre.
Gribowski.
Ele declara que o acusado fazia parte da sua organiza��o.
Tudo o que fez, foi a favor da Resist�ncia.
" Golpe de teatro no tribunal. Gribowski iliba Berthon"
Tr�s anos mais tarde,
descobrimos que o Gribowski era um agente sovi�tico.
Conclus�o?
Sr. Diretor,
se o senhor fosse o Gribowski,
o que diria ao Berthon?
" Eu salvo-te, mas voc� trabalhas para mim."
Durante a passagem do Vlassov pela nossa sede,
foi o Berthon que me sugeriu a ideia
de o levar � frente da embaixada sovi�tica para o fazer falar.
O que pensa disto, Sr. Diretor?
Que o vejo no lugar do Berthon.
Sr. Diretor, para evitar qualquer malentendido
sobre o meu comportamento neste assunto,
acho que � bom que me defina.
Sou casado h� 23 anos e tenho 4 filhos.
Um casamento feliz e sem complica��es.
Minha mulher � do campo.
� filha de um viticultor de Bord�us.
Durante 23 anos foi uma dona de casa admir�vel
e s� se ocupou da casa e dos 4 filhos.
N�o sabe nada, absolutamente nada, relacionado com os Servi�os Secretos.
Pois se hoje me tivesse convocado para me dizer:
" Tavel, a sua mulher � uma agente sovi�tica h� 23 anos",
eu responderia imediatamente: "� muito poss�vel".
E s� depois do resultado do inqu�rito e no caso de ter sido negativo,
me permitiria pensar que era de todo absurdo suspeitar da minha mulher.
Quando me deram a escolher entre a presid�ncia da c�mara de St. L�
e a reorganiza��o deste servi�o, devia ter escolhido a c�mara.
Vou deix�-lo, Tavel,
vai ter muito trabalho.
Sou o comiss�rio Tavel, agrade�o-lhe que tenha vindo, Sr. Deval.
De nada. Tenho um encontro com o Sr. Debecourt.
Ele vai receb�-lo dentro de instantes.
Lamentamos muito ter de sujeit�-lo a esta prova.
Que prova?
Ser� muito curta. Sente-se, por favor.
Acho que � prefer�vel deix�-lo sozinho.
Encontramo-nos logo depois.
Pode come�ar.
O Sr. Debecourt espera-nos.
Entre.
Sente-se, por favor.
Sr. Deval, � evidente que se n�o fosse um alto funcion�rio
da nossa Defesa Nacional,
a vida privada da sua filha s� lhe interessaria a ela
e este filme n�o nos teria sido enviado pelos nossos colegas alem�es.
H� dois anos que os seus colegas, como lhes chama,
tentam a todo o custo chantagear-me.
Oi�a, Sr. Deval, a sua filha faz estas coisas em Hamburgo.
Oferece aos alem�es a possibilidade de recrutar
o n�mero 3 da nossa Defesa Nacional.
Teria feito o mesmo.
E � nesta altura, Sr. Deval, que recorre ao Berthon. N�o � verdade?
Sim, eu conhecia-o.
Era natural, n�o �?
O que n�o � t�o natural � que tenha contatado com ele de forma privada.
Porque aqui n�o temos registro de tal interven��o.
O que teriam feito no meu lugar? Uma confer�ncia de imprensa?
O Berthon prometeu-me abafar o assunto e f�-lo.
O que poderia ter sido melhor? Sim, sabemolo agora.
O Berthon interveio junto do Felsen que montou a opera��o alem� contra si
e as coisas n�o ficam por a�.
" Ao meu amigo Horst Felsen. Berthon"
O Felsen e o Berthon tinham la�os muito estreitos.
- Sim, e depois? - E depois?
O que � que o Berthon lhe pediu em troca?
O Berthon?
Absolutamente nada! � uma brincadeira? Chame-o imediatamente!
O Deval tem como fun��o obter os relat�rios t�cnicos
sobre as interfer�ncias nas transmiss�es
dos nossos submarinos at�micos.
Apreciamos as suas informa��es sobre a venda de armas em �frica.
" O mist�rio do caso Lucien Berthon"
" Por que � que ele foi suspenso?"
" Explique-nos, senhor. Ministro do Interior".
" Responda, Lucien Berthon"
" O caso Berthon cria problemas ao servi�o de contra-espionagem franc�s"
" No Minist�rio do Interior, sil�ncio total sobre o caso Berthon"
" Berthon falar� esta noite"
Nosso conviado, Lucien Berthon, chefe da contra-espionagem francesa,
cujo cargo � ficar calado, agora est� pronto para falar.
Pode ligar, fazer perguntas e ele responder�.
"Foi vingan�a pol�tica o que te aconteceu?"
Nada me aconteceu.
"Pensei que foste suspenso."
Est� equivocado.
Ainda n�o houve nenhuma san��o.
"Perguntarei diferente."
"Essa entrevista foi aprovada pelo seu Minist�rio?"
Ligue para 2830 e pergunte ao Ministro.
"N�o incomodarei. Voc� j� me respondeu."
Ainda pode tentar. Pr�xima chamada.
Est� no ar Sr. Slimane.
"N�o esteve um tempo em Lyons? Durante a guerra na Arg�lia?"
Sim.
"Voc� conduzia interrogat�rios?"
Sim.
"Sou Yaced Slimane."
"De seu escrit�rio fui levado ao hospital."
"Lembra de mim?"
N�o lembro, Lyons foi h� 15 anos.
"Lembro perfeitamente."
Isso n�o � uma pergunta? Tem alguma a fazer?
"Sem perguntas."
Pr�xima pergunta.
"Algum contato pessoal com agentes sovi�ticos?"
Claro, sempre que prendo algum.
Agora com Gilles Delarue, nosso rep�rter em Londres.
"Recebemos agora documento que liga nosso debate com not�cias recentes."
Prossiga Londres.
Ap�s onda de suicidios na Alemanha, ap�s caso Berthon na Fran�a,
Inglaterra tem seu pr�prio escandalo de espionagem.
Explodiu esta noite.
Dois altos oficiais consulares, Burger e Lane, desertaram para o Leste.
Intelig�ncia brit�nica tenta rastre�-los at� Moscow.
Investiga��o semelhante ocorre em Paris.
Intelig�ncias brit�nica e fancesa suspeitavam de Burger e Lane.
Estavam prestes a serem presos.
A grande pergunta �: Quem os teria avisado?
Gilles Delarue, de Londres.
Minha pergunta � simples: O que acha o senhor?
Se o que ouvimos � verdade.
Duvida?
N�o disse isso.
Caso Burger e Lane tenham sido avisados por um agente secreto
franc�s ou brit�nico, isso torna mais de mil pessoas suspeitas.
Aguardemos as investiga��es.
Esperamos ent�o que nos traga os resultados.
Essa foi nossa �ltima pergunta.
Nosso tempo acabou. Amanh� o Presidente de Matra discutir� as elei��es de Le Mans.
Obrigado por ser novo convidado.
Correu tudo muito bem.
Concordo, obrigado.
Venha ao escrit�rio tomar um drink.
Ent�o estava aqui.
Passei a manh� te procurando.
Fui intimada pelo seu departamento.
O que perguntar�o a mim?
Perguntar�o sobre mim.
Como vivia, pessoas que via, se foi minha amante.
Basta dizer a verdade.
Isso n�o posso.
Seria divorciada.
Paramos de nos ver 5 anos atr�s. Direi que nos encontramos.
Eles sabem, n�o se preocupe. Isso n�o sair� dos registros internos.
Est� endere�ada ao Senhor e Sra. Walter.
Ele tamb�m tem que ir.
Caso n�o fa�a algo, minha vida ser� arruinada.
O que poderia fazer? N�o posso fazer nada.
Aquele papo do cara do Argel foi verdade?
Ele voltou para casa. Avisem o Ducorneau.
� um aut�ntico golpe de mestre.
Sim?
Sim, terminamos.
� um aut�ntico golpe de mestre.
Sim?
Sim, terminamos.
Estou? Sim, sou eu.
N�o fale, d�-me um n�mero onde o possa contatar.
Muito bem, telefono dentro de cinco minutos.
Estou?
O n�mero vigiado acaba de receber uma chamada.
N�o, deve suspeitar que o vigiam e cortou a conversa��o.
Tem de telefonar para o seu interlocutor para o 8330590.
A que morada corresponde o n�mero 8330590?
R�pido, � urgente.
Boa noite, Sr. Berthon.
Acabamos de o ouvir na r�dio. Foi muito bem.
Obrigado.
Meu telefone est� avariado, importam-se que fa�a uma chamada?
- Claro, entre. - Obrigado.
Obrigado. � do aeroporto Le Bourget.
� muito longe, n�o chegamos a tempo.
Lefevre? Ele acaba de receber uma chamada.
Deve ir ter um encontro. N�o o larguem. - Combinado.
Pol�cia. Ponha-me em contato com a sua central.
- Mas. - Fa�a o que lhe digo, por favor.
Aqui RE06.
RE06, escuto.
Tenho um cliente que � da pol�cia e quer falar convosco.
Oi�a-me bem. Na ponte de Bir Hakeim, na dire��o Bir Hakeim-Passy.
De acordo, eu espero na ponte de Bir Hakeim,
dire��o Bir Hakeim-Passy, com o motor a trabalhar, pronto a arrancar.
N�o � uma brincadeira? Fa�a o que lhe digo.
E sobretudo certifique-se que a porta de tr�s n�o est� trancada.
Ele acaba de entrar num t�xi estacionado em sentido inverso.
De que companhia?
G7.
Ligue para a G7.
Menina, fala da pol�cia.
Ent�o est�o sem carros?
Contacte imediatamente o t�xi
que acaba de apanhar um cliente na ponte Bir Hakeim.
Sim, n�o desligue.
DS26, DS26.
DS26... Deve ter desligado o microfone, fazem-no com frequ�ncia.
Insista, menina.
� o que estou fazendo.
DS26.
O que lhe pergunto?
Para onde se dirige, mas com discri��o.
Infelizmente, ele n�o abrir� o microfone at� ficar livre.
DS26.
Era um falso pol�cia?
Insista, menina!
DS26, DS26.
DS26, escuto.
Em que dire��o est�?
Estou livre, acabo de deixar um cliente junto do seu carro.
J� foi.
Obrigado, menina.
Esta noite correu mal.
- Boa noite, Berthon. - Boa noite.
Lamento que tenha sido um pouco sacrificado neste assunto, Berthon.
Come�o a entender.
O Vlassov denuncia o Burguer e o Leane.
Quis avis�-los mas sem que as suspeitas reca�ssem sobre si.
Foi por isso que me soprou os nomes deles no enterro do Felsen.
Assim, j� �ramos dois a poder faz�-lo.
Sim, mas na situa��o em que se encontra agora,
� evidente que n�o fui eu. Foi o senhor.
H� quanto tempo trabalha para os russos?
- 30 anos. - O filho de Sir Alfred.
Bela trai��o!
Por favor Deixemos a palavra trai��o para homens como o Vlassov,
n�o para mim.
Sou marxista desde os 19 anos,
� uma fidelidade muito longa.
- Por que � que quis falar comigo? - Para lhe oferecer uma sa�da.
- A mesma que o Leane e o Burguer? - Sim, a mesma.
N�o irei para Moscou.
O Berthon percebe certamente
que aqui n�o pode ficar, � a pris�o perp�tua.
E isso n�o lhe conv�m, n�o �?
"Berthon � traidor e leva toda a culpa."
Como se diz em franc�s: " pense melhor"?
- " Refl�chissez". - Claro.
Reflicta.
Langley, 15 de mar�o, 16:30.
O Berthon foi detido com um passaporte falso,
ficou ferido num acidente de autom�vel quando tentava fugir.
O que seria de n�s sem si, Vlassov?
13 suic�dios limparam a Alemanha,
o Berthon e o Deval ser�o julgados em Fran�a,
o Leane e o Burguer descobertos em Inglaterra.
Quem?
O Jonathan Leane e o George Burguer, Minist�rio dos Neg�cios Estrangeiros.
- N�o havia ingleses na minha lista. - Estavam na minha.
Mas n�o consegui que me dessem ouvidos no Minist�rio.
Servi-me de si para provar as minhas suspeitas e mostrar que tinha raz�o.
A estas horas, j� devem estar a caminho de Moscou.
Espero que tenham levado roupa quente.
Davis.
Est� bem, vou j�.
Venha comigo, isto pode interessar-lhe.
Se conseguirem completar a lista, a minha reclus�o terminar�?
Seis meses � muito tempo para um homem acostumado a ver o mundo.
Libert�-lo-�mos hoje, mas antes vou mostrar-lhe as nossas instala��es.
Este � o laborat�rio de an�lise de espectro.
Seu novo super-bombardeiro.
Sab�amos tudo dele menos uma coisa: O seu raio de a��o.
Trabalhamos durante um ano
e no fim demos com a solu��o.
Um cabide proveniente de um dos seus Tupolev de transporte.
Descobrimos que foi feito com os restos fundidos do material
de que s�o feitas as asas e a fuselagem.
Os nossos especialistas descobriram a composi��o deste metal
e assim calcularam o peso do avi�o e o seu raio de a��o.
Este � o departamento de luz e som.
Tamb�m devem ter um, claro. � prov�vel. O que �?
Chamamos-lhe o " �rg�o".
Quer dar-nos um concerto?
Vou p�r algo especial para o Sr. Vlassov.
Sente-se, Sr. Vlassov.
Deseja algo em especial, Sr. Davis?
Sim, mostre-nos como funciona.
O princ�pio � muito simples.
Nossas cordas vocais emitem uns 50 sons que formam a fala.
Separamos ou unimos os sons segundo a nossa conveni�ncia.
Tecnicamente, � bastante mais complicado.
A B�blia diz-nos que o primeiro agente secreto
se disfar�ou a si mesmo de serpente
para convencer a Eva a morder a ma��.
- Bela engenhoca, n�o �? - Muito. Temos uma igual.
Sei.
Agora vou apresentar-lhe um virtuoso da borracha e das tesouras. Sente-se.
Ele preparou-lhe um espet�culo. Sente-se.
- Lembra-se disto? - Claro.
� o Philip Boyle, dos servi�os secretos ingleses.
Vimo-nos algumas vezes na Turquia h� 3 ou 4 anos atr�s.
Est�vamos ambos em Ancara. Era um tipo �s direitas.
Sabia que ele nos deu o seu nome como futuro desertor?
Segundo o Boyle, esta fotografia foi tirada a 17 de julho de 1967 na Turquia,
perto da fronteira com a R�ssia. Aar�n, voc� � turco, n�o �?
Sou arm�nio, senhor, mas fui criado na Turquia.
- Reconhece esta zona em particular? - Claro.
Meus pais levavam-me aos domingos a ver o monte Ararat.
� um lugar sagrado para os arm�nios.
Veja-o ao fundo na foto. 5160 metros de altitude.
Foi para onde No� levou a arca.
Se ele soubesse que ia ser o pai da Marinha Sovi�tica,
teria escolhido outra montanha.
Esta fotografia foi tirada na Turquia em 1967?
Exatamente.
Ent�o vai achar a pr�xima fascinante.
Veremos uma amplia��o desta se��o.
Observem que o pico est� � esquerda.
A pr�xima, Tom.
O Ararat, visto do lado turco.
Agora, o pico est� � direita.
Nesse caso, a foto n�o foi tirada na Turquia, tal como disse.
Agora temos a fotografia oficial tirada pelos russos com o pico � esquerda.
Sua mem�ria est� um pouco desfocada, camarada.
N�o esteve com o Boyle na Turquia, esteve com ele na Uni�o Sovi�tica.
O que fazia o n�mero 2 dos servi�os secretos brit�nicos na Uni�o Sovi�tica?
Por que n�o pergunta ao Boyle?
� muito tarde para isso.
O Boyle desapareceu numa nuvem de vodka. J� est� em Moscou.
Acho que a resposta j� foi dada por si mesma.
Nos �ltimos 5 anos, o senhor e o Boyle
desenharam a maior opera��o secreta jamais vista.
E isso custou muitas vidas, camarada.
Continue, Tom.
O General Streilitz.
Nassau.
Adolf Stellenberg.
O Professor Manfred.
O Dr. Hess.
Fritz Benders.
Hans Feisbet.
Horst Felsen.
Deval.
E Lucien Berthon.
Fabricavam traidores onde s� havia lealdade.
O Boyle liquidava-os fazendo-nos crer que eram suic�dios.
Estraguei os seus planos juntando o Burguer e o Leane a essa lista.
O Boyle n�o o consegue contatar, previne os seus amigos
e tenta livrar-se do Berthon mas falha.
Entra em p�nico e foge.
Camarada Vlassov, ainda afirma que n�o veio prejudicar os interesses
dos Estados Unidos?
Acho que j� respondi a essa pergunta perante o seu detector de mentiras.
Pois j�.
Pediu asilo pol�tico aos Estados Unidos?
Sim.
E pretende agir contra os interesses dos Estados Unidos?
N�o.
Primeira mentira. E o detector reconhece-a.
Minha a��o n�o � dirigida contra os Estados Unidos,
mas contra os tiranos que governam o meu pa�s.
Segunda mentira, o pretexto patri�tico.
Julgava que ia passar,
porque nos tinha preparado uma falsa carreira fracassada.
E ao passar � segunda mentira, a primeira era uma consequ�ncia l�gica.
N�o conseguiu vencer a m�quina, camarada.
Fim da visita, pelo menos para si.
Faltam-lhe duas fotografias para completar o seu �lbum, Sr. Davis.
- Sim, quais? - Minha e a sua.
Sei.
Seis meses mais tarde,
algures na fronteira entre a Alemanha Federal e a Alemanha de Leste,
de madrugada.
" Est� saindo da Rep�blica Federal da Alemanha"
Bom dia, Berthon.
- Sente-se melhor? - Sim. Quase.
Agrade�o que me tenha autorizado a estar aqui.
- A� vem o nosso homem. - Seu homem.
Pensava que ia para a cadeira el�trica ou que apanhasse pelo menos 30 anos.
E vai trocar o Vlassov por um dos seus pilotos.
N�o � m� troca.
Um americano por um russo.
Mas n�o t�m o mesmo peso.
O Vlassov j� n�o tem qualquer valor para n�s.
Mas o piloto pode ajudar-nos a entender
como os russos conseguiram derrubar um avi�o de reconhecimento
a mais de 20.000 metros de altitude.
Desculpe.
Vou sentir a falta deles.
Vamos.
Verifique.
� ele.
Por que � que se demitiu?
Arrastaram-me na lama durante seis meses
e limpo da noite para o dia.
Serei sempre o homem do caso Berthon.
Vou deixar Paris.
E deixarei Washington.
Talvez escolha a Calif�rnia.
- F�rias? - For�adas.
Acabamos de entregar o futuro chefe do KGB.
N�o acho. � um homem acabado e ele sabe-o.
Receber� as medalhas da praxe e envelhecer� docemente.
Como?
A serpente provou o Para�so, j� n�o confiar�o mais nele.
E n�o ser� sem raz�o, n�o � verdade, Davis?
� uma boa pergunta.
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