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Original subtitles

Você vai cair de boca

Você tá marcado em outra grande conselha.

Por aqui na casa...

é brasileiro para mim. Ah, Eduardo.

Sabe pedir hoje?

É só uma semana.

É só para acompanhar os turistas, dar uma de guia.

O dinheiro é bom?

Claro, 800 dólares, mas tem que ir agora para o aeroporto.

Então você me empresta o carro. Tá legal.

O que é isso?

Visto a setembro deste ano para uma produção de ouro estimada em 21

governo conseguiu controlar apenas 11 toneladas. Isso quer dizer que 10

toneladas de ouro foram contrabandeadas para o exterior ou comercializadas

ilegalmente dentro do próprio país.

Apesar do Departamento Nacional de Produção Mineral ter aberto várias

fiscalização na bacia do rio Tapajós, é praticamente impossível o controle sobre

essa região.

porque são mais de 100 áreas de garimpo espalhadas em extensões de 300

quilômetros. Toda essa área é de difícil acesso.

Esses dados foram divulgados pelo Ministério das Minas e Energias.

Obrigado por assistir.

Doutor Liberato, é verdade que o senhor comprou uma área maior que o Sarif?

Ora, meu filho.

Quer dizer que o senhor concorda no projeto Carajás virar uma multinacional?

Eu não concordo com nada, meu senhor. Essas palavras são suas.

Doutor Liberato, por favor. O senhor afirmou que não voltava mais ao Brasil.

agora está aí. O que isso quer dizer?

Algum problema no seu garimpo em Mato Grosso, não? Isso não é uma boa recepção

para um brasileiro que volta depois de tanto tempo fora, não?

Onde está a nossa famosa... Além do mais, o garimpo não é meu.

Eu não tenho nada a declarar.

O seu garimpo fica localizado em uma região considerada de segurança nacional

exatamente por causa do contrabando. Foi por isso que o senhor voltou?

Isso são apenas suposições.

Eu não tenho nada a declarar.

Doutor Liberato, o senhor confirma que o seu apelido é Mr. Bolt?

Quem me dera, meu filho, assim eu podia comprar a língua de vocês.

Nós estamos sabendo que o senhor tem uma reunião importantíssima em Brasília com

altos funcionários do governo.

Então, acho que o povo brasileiro quer saber se isso é o senhor mesmo ou se é

algum interesse multinacional.

Eu não tenho nada a declarar. Eu vou -me embora.

Vocês estão se excedendo.

Estão se excedendo.

Não sabe usar a liberdade que foi dada no Brasil?

É, reclamaram, né?

Isso é uma loucura. Esse homem é absolutamente louco. Eu só queria saber

ele pagou para ser absolvido. Olha, é mais um ladrão que voltou.

Música Música

É incrível o progresso brasileiro nesses últimos anos.

É que construíram aquele prédio.

Qual? Aquele prédio.

E esconderam a favela que tem ali atrás.

Aquele ali? É.

Quer estragar meu dia, rapaz?

Vai montar essa roupa, vem tomar um banho de piscina.

Não, não posso, eu tenho um compromisso.

Está combinado, hein? Às cinco, no mesmo escritório. Está, cinco horas.

O abacaxi surpresa.

Viva o Brasil.

Precisa aparecer em casa, hein? Sem as surpresas.

Que bom te ver, sua anjinha.

Viva o Brasil.

Viva!

Brasil, meu Brasil brasileiro. Meu mulato e doneiro.

Terra de Sambitanteiro. Mais abacaxi.

Fernando, sou amigo do Eduardo.

Desculpe o atraso. Sério, sério.

Esse trânsito no fim do ano fica infernal.

O senhor é gamaciano.

Tá, tá, senta, senta. Senta então, meu filho.

Já temos tudo preparado pra você e vamos ao que interessa.

Quando eu me lembro que o Eduardo resolveu sair do Rio na última semana do

ano... O senhor fique tranquilo, fique tranquilo. Não é a primeira vez que isso

acontece. Já substituí ele várias vezes. Ainda bem. E esse dinheiro vai entrar

numa boa hora.

Então vai lendo aí, vai.

Que sorte, seu Fernando.

Uma estrela internacional, escola de samba e festas cariocas.

Era tudo que eu queria.

Tá bom, mas olha, você vai fazer o possível e não chegar atrasado, hein?

Porque o doutor Liberato já telefonou da reunião.

Ele é um dos nossos melhores clientes este mês.

Eu tenho a impressão... que ele simpatizou muito com você.

Entendo. Que é isso, Fernanda?

Não como dessa fruta.

Não sei.

Só em tempo de guerra.

Olha, Marciano, nós precisamos vender o Rio muito bem.

Mostrar as suas belezas. Curtir muito o luxo desta cidade.

Muito o luxo.

Bom, agora vamos andando.

Você atrasou para chegar aqui, hein? Mas não pode atrasar para chegar ao Doutor

Liberato, não.

Veja o porquê eu não admito atrasos.

Pode deixar, Doutor Liberato. Agora... O senhor pode ficar tranquilo.

Fala nisso. Qual é a cotação do dólar hoje?

220 cruzeiros.

E o salário mínimo?

Na base dos 85, 90 dólares.

Suficientemente mínimo para garantir o seu investimento.

Qual é a distância exatamente do garimpo ao porto mais próximo?

Aproximadamente uns 1 .200 quilômetros.

Quer dizer que nós temos que continuar fazendo nossas operações de avião?

É, mais viável.

Peraí.

Que beleza.

Olha a nossa frota.

Aliás, por falar nisso, aquela repórterzinha petulante lá do aeroporto,

mesmo o nome dela?

Vera Moreira. Vera Moreira, repórter da televisão.

Nós temos informações seguras de que ela está preparando uma reportagem denúncia

contra o senhor.

Nós temos que acabar com essa imprensa marrom, hein? Não pode ser isso, não.

Temos que acabar com essa, essa denúncia.

Temos que tomar uma atitude contra ela. Já estamos cuidando de tudo.

Hoje à noite o senhor vai encontrar os rapazes na casa da dona Solange.

Momento.

Deve ser o Marciano.

Vamos lá, Marciano. Entra, rapaz.

Entra, vem logo.

Pô, cansei de trabalhar, Aristides.

Acabou a reunião.

Vem logo, rapaz, olha aí. Puxa, que bom você veio, viu?

Tudo bem, bom? Deixe -me te chamar porque... Eu estou querendo...

Arejar um pouco a cabeça.

Querendo ir a uma festa.

Nada de trabalho.

O Aristides aí tem mulher e filhos.

Não pode me acompanhar nesses programas.

Doutor Liberato, o carro está pronto na garagem.

Ô, Marcelo, que mulheres mais esquisitas.

Não são mulheres, são travestis.

É mesmo?

Nosso último grande produto de exportação.

Daqui vou direto para o Guarulhos Bulon e para a Vila Burguesa. Se você não me

interessa, eu não ia acreditar.

Como esse país mudou nesses 20 anos?

Mudou? Mas mudou para melhor, doutor.

É, curioso.

Parece impossível, mas são homens.

Curioso.

Vem, fogo aí.

Como vai? Como é que tá a praça? Quem é esse bofe do mestre?

Ah,

vamos embora, vamos.

Enganado.

Ah, que vida, que vida. Marchiano!

Olá, maravilha.

Solange.

Encantadora, como sempre.

Marceno, meu amigo.

Olá, tudo bem?

Tenho um futuro promissor.

Disse, eu tenho certeza.

Doutor Liberato. Oh, Saraiva.

Quanto tempo. Sempre um garotão, hein?

Conhece? Comendador Coelho.

Oh, Coelho. Muito prazer.

Vamos conhecer... Como vai?

Vamos conhecer os outros rapazes.

Conhece?

Prazer.

Não bebo.

Foi bom você chegar.

Eu já não consigo mais conter o pessoal.

Os dois rapazes que o Edson mandou estão ali.

Ótimo serviço.

Vamos lá. Eu vou apresentá -los. Vamos?

Ramon. Eu sou Garcia.

Garcia. Ele que é Ramon. Ramon.

Garcia.

Bom, com licença, rapazes. Fiquem à vontade.

Tem toda.

Agora a responsabilidade toda de vocês.

Bem, o trabalho não é muito fácil.

Mas eu tenho a impressão que nós dois resolveremos o assunto. Vamos conversar

sobre isso.

Mas não aqui.

Vamos a um lugar mais acústico. Vamos.

É, vamos.

Vem.

Trabalha para o Liberato?

Não.

Trabalho numa firma de relações públicas.

Conheci o doutor Liberato ontem.

Por que quer?

Você sabe que aqui em casa tem muita gente importante.

Aquele ali que está rindo, por exemplo.

Deputado Saraiva.

Velho conhecido. E é da oposição, hein?

O outro, doutor Coelho.

Além de comendador, é crítico literário.

Gente de muito respeito, não é? Para ninguém botar defeito, melhor estraga.

Bem, mas onde nós estamos?

No banheiro.

No banheiro?

No banheiro é sempre o melhor lugar para uma conversa íntima.

Bem, tudo já foi pesquisado.

Podemos até fazer negócios.

Ah, você pode fazer parte da minha equipe de colaboradores.

Ah, não. Você pode me responder amanhã.

Recolhendo provas, fazendo gravações.

Ela está exorbitando de sua profissão.

Gostei. Gostei desse ângulo.

Me favorece.

Temos que resolver esse problema definitivamente.

Esta operação exige um sigilo absoluto.

Senhores, é chegada a hora.

Vamos empurrar a carrocinha. Que a pipoca está quente.

Empurra, empurra, empurra a carrocinha, empurra minha gente que a pipoca está

quentinha.

A novidade da casa.

Boa mijada, viu?

Vocês são a própria da casa.

Maravilhoso.

Tchau, tchau.

Sim, vem cá, meu bem, vem cá.

Quem é?

Nós.

Oi. Fiz que tá com a gente, não pergunta nada, tá?

O que que houve? Pintou sujeira? Olha, tem uma batida na esquina e nós estamos

sem documento.

Não estão dando colher de chá, entendeu?

Maior sujeira. Tirar você daqui, só se for lá pra casa.

Tudo bem.

Vamos nessa.

Obrigado.

O que o senhor quer aqui?

Vera, eu preciso falar urgente com você.

Com o que? Eu não te conheço.

Espera aí. Espera aí.

Vera.

Vera.

É importante.

Dá uma olhada nesse envelope.

Eu preciso falar com você.

Olha,

eu trabalho numa companhia de turismo.

Mas é claro que eu estava no aeroporto.

O que eu estou querendo explicar para você é que eu não trabalho para o doutor

Liberato. Nunca vi ele antes.

Entendeu? A agência pediu um dia no aeroporto.

Só isso.

Ele não é meu amigo.

Você vai me contar essa história de novo. No começo agora.

Que festa, poeta, e como é que isso aqui chegou na tua mão?

Foi uma festa na casa de uma tal Solange, a amiga do doutor Liberato. Eu

se você sabe, mas esse tal de Liberato é um canalho da pior categoria.

Aliás, que emprego foram te arrumar, hein?

Relações públicas do Liberato, é ótimo isso.

E que relações incríveis que arrumaram pra ele também, né?

Afinal de contas, você não... Você não devolveu o envelope, né?

O que isso quer dizer? Eu não estou entendendo.

Por que essa desconfiança comigo?

Afinal de contas, estou tentando te ajudar.

Porque há mais de um ano, eu estou fazendo levantamentos sobre a vida desse

homem. Aqui, fora do Brasil.

E ele sabe, com as informações que eu tenho hoje, é só uma questão de tempo de

colocá -lo outra vez na cadeia.

E as fotos?

Ué, você não viu?

É um relatório da minha vida.

É um susto que ele quer me pregar.

Ou então... Quem sabe, está querendo me dar uma surra.

Ou então me matar.

O que você acha?

Não podemos perder nem mais um minuto.

Sua vida corre pedido.

Eu sinto isso.

Mas, escuta, eu não posso sair daqui desse jeito.

Quer dizer, sair pra onde?

Eu tenho uma viagem pra Brasília já à noite. Tá tudo em cima. Eu não posso

aqui. O que eu faço?

Eu tenho que me arrumar? Eu tenho um lugar seguro para te levar.

Arrume a sua mala agora.

E vamos logo embora.

Sua filha da puta!

Mas pode -se crer, você não vai se arrepender de ter confiado em mim, viu?

Eu sei que não.

Rio, Rio de Janeiro, quantas coisas devo te dizer.

Nomes que não esqueço.

Amores que amadurecem o seu perfume.

Tu és a ofuscante vitrina de uma sombria noite.

A garganta coberta de águas marinhas e ouro de um corpo abandonado.

És a porta delirante de uma casa vazia. És o antigo pecado. A salamandra cruel

intacta no braseiro das longas dores do teu povo.

És Sodoma.

Sim. Sodoma deslumbrante, com um fundo sombrio de veludo verde, rodeada de

crespa sombra, de águas ilimitadas.

Dorme nos braços da desconhecida primavera de um planeta selvagem.

E o chaneiro?

A água é a tua bandeira.

Agita suas cores, sopra e sua no vento cidade naia de negra de claridade sem

fim. De fervente sombra, de pedra com espuma é o teu tecido. O lúcido balanço

tua rede marinha, o azul movimento dos teus pés arenosos.

Ah, Rio.

Rio de Janeiro.

Os gigantes salpicaram a tua estátua com pontos de pimenta do reino.

Deixaram na tua boca o ambos do mar.

Nadadeiras perturbadoramente indolentes.

Promotórios da fertilidade.

Tetas da água, declives de granito, lábios de ouro e entre a pedra quebrada,

marinho iluminando espumas estreladas.

De quem eram aqueles versos que você estava dizendo lá em casa?

Gostou, é?

Gostei. Pablo Neruda. Ah.

Ele era incrível.

É.

Estranho.

Estou sentindo uma sensação de saudade.

Como se você não fosse voltar mais.

Você pensa que eu vou te deixar sumir, é?

Quando eu chegar de Brasília, te ligo. Juro?

É.

Não sei, é uma coisa que fica batendo aqui dentro.

Vai ali e finge que tá chegando pra eu não ficar com essa sensação de que você

não vai voltar mais.

Vai!

Vai! Luís, peraí.

Eu não disse que eu voltava?

Marciano! Você não sabe como eu senti falta sua.

Eu tava morta de saudade de você.

Pronto, agora pode viajar.

Me esperem.

Por favor,

qual é a diferença maior entre o homem americano e o brasileiro?

Vem cá,

já que você está dando uma entrevista, eu só tenho uma pergunta para fazer.

Ela usa calcinha?

Tem.

Usa, usa.

Que cor?

Black. Because black is beautiful.

O que ela está achando do Brasil?

Para de enfiar a voz do Brasil.

Fantástico.

Maravilhoso. Está curtindo demais.

Sacanagem.

É que...

Caros amigos, é com grande alegria que apresentamos para vocês, brasileiros de

bom gosto, a nossa grife internacional latino, que desde seu lançamento nas

grandes capitais do mundo, vem obtendo mais estrondoso sucesso.

Por isso posso lhes dizer de boca cheia, todo mundo merece latino para o

lançamento do nosso produto aqui no Brasil.

Trouxemos para vocês a estrela internacional, Linda Lamar!

Brasileiro é deslumbrado mesmo, né? Com tanta princesa, para que importar essa

gringa? Ah, eu acho ela ótima.

Uma graça.

É, há quem goste. Mas só porque fala inglês também, né?

Mas que mau humor isso é.

Você está sempre sozinha?

Sempre.

Agora tem um marido aí também, se você quiser.

Essa gringa, viu?

Calma, Dante. Que calma, pô. Se empolgou com esse crioulo, não tá fazendo o que

tem que fazer, pô.

A moça foi atrás.

Tomou caipinha.

Comiu feijoada.

Sentou no latino, ouviu o samba e você quer que ela fique sóbria. Peraí, peraí,

pô. Tô pagando, tô pagando.

Não vou perder essa mulher com um crioulo desse, pô.

Pega leve, Dante.

Pega leve, senão você vai acabar dando bexame aqui dentro.

Caguei, Marcelo, caguei.

Olha lá. Tem cara de assaltante, traficante, sei lá o quê.

E olha, até legal.

Essa mulher tá tirando farra com a minha cara.

Porra, qual é? Qual é?

Linda.

Linda, come on.

Eu quero sambar.

Mas que sambar, minha? Eu tô te pagando pra trabalhar, gringo.

Qual é a coroa? Vai cortar dela?

Olha aqui. A coroa é a puta que te pariu, tá?

Come on, come on.

Linda, come on.

Esse coroa vai acabar levando uma bolacha.

Falhaço.

Ei,

gringa.

Ei.

Ei, meu chapa.

Qual é a do poroa? É marido dela?

Marido? Não, só empresário.

Eu bem saquei.

Tem cara de otário mesmo.

Vai nessa.

Mas eu estou a pé.

Você está de carro?

Não, eu estou de carona com ele.

Então vamos.

Vem conosco. Vamos nessa.

Então vamos nessa.

A noite é uma criança.

Ei, qual é a grande ideia de qualquer jeito?

O que você está fazendo?

Sai, linda, por favor, tô te chamando. Pra fora. Sai. Vamos.

Você tá me encostando. Você fez um contrato comigo, gringa. Eu vou te

Quem você pensa que é?

Você sabe o que eu acho?

Você é um pedaço de carvão. É o que você é.

Pare.

E olha lá.

Fica

quietinho

aí para não levar umas bolachas.

O otário vai morrer com a boca cheia de formiga.

Iranha!

Pode me deixar daqui a três esquinas, tá? Ah, é? Tá bom. Você que pensa.

Não, não, não. Você vai pra nossa casa. Tá bom. Considere -se raptado. Não é,

meu amor?

Lógico, você vai conosco, cara.

Já estou me considerando raptado. Ah, assim que é bom. Então relaxa e

Vocês moram longe?

Não, perto.

Logo ali.

O Lulu não morde? Não, é manso.

Poxa.

Obrigada.

Tem certeza

que ele não morde?

Ele pode ser dócil, mas que assusta, assusta, hein?

Como é o nome dele?

Ótimo.

Ótimo. É.

Como a música. É, mas ele tá mais pra samba canção, né, amor?

Vem cá.

Você não tá afim de uma bebida?

Um realce?

Ou um banho de piscina?

Os três.

Eu quero tudo que eu não tenho direito.

Não é?

Eu também.

Está comigo mesmo.

Ei, fique à vontade.

Posso ficar à vontade?

Por favor.

Muito à vontade.

Acabou o recreio. Olha os drinks.

A nós!

Três mais, vamos.

Olha isso.

uma coisa. Você larga tudo que estiver fazendo e corre pro hotel.

A linda está tendo um ataque.

Olha, você usa toda a sua diplomacia, mas resolve o caso seja como for.

Escuta uma coisa.

Eu quero sair desse fucking país.

Eu quero matar o Dante, você sabe?

Posso te ajudar?

Sim.

Você pode me dar um milhão de dólares de cocaína.

Mil dólares de cocaína?

Sim.

Eu não trato desse assunto.

Eu preciso cheirar.

Mas tem uma amiga minha que pode resolver esse problema.

Minha nave espacial. Minha nave Colúmbia.

Vai ser discreto assim na puta que pariu, hein?

Qual é?

Gostou? Olha aí. Primeiro você vai me explicar como é que arranjou esse carro.

Ah, é que o Eduardo foi passar o fim do ano em Angra e deixou o carro comigo.

Tô te procurando há horas.

Já fui a Lagoa, fui a Glória, fui até Niterói.

Niterói.

Entra aí que eu te conto tudo.

Estou com mil dólares.

Mil? E uma maluca aí quer que eu compre de cocaína.

Deve dar umas cinquenta gramas, né?

É, por aí.

Pela qualidade, pela quantidade, estou achando que o melhor lance é subir no

morro.

Você sabe que eu não gosto desse negócio.

Não dá para fazer a transação sem me comprometer?

Pode ser.

Podemos tentar.

Eu vou querer a minha comissão.

Ih, pó.

Não gosta desse negócio de porra?

Ih, fica de lado, não. O pessoal lá é gente fina. Corta essa.

Você vai ver.

Eu sempre subo o morro. Não tem problema.

Tá legal.

Eu tô sabendo.

Foi eu que te pedi pra ir lá.

Conhecendo?

Não sei não, mais ou menos. Não estou te conhecendo. Tu já me viu aqui?

Bom, agora estou recordando. Tudo bem, meu irmão. Devagar. Pois é, o negócio é

seguinte. Devagar, devagar. Nós estamos a fim de falar com o Sabará. Falar com o

Sabará. Conhece?

Pô, meu irmão. Tudo bem, tudo bem. Sabará, tudo bem. E a do cara aí?

O cara aqui é meu amigo. Gente fina. Está comigo. Pode ficar tranquilo.

Então, tudo bem. Sua cabeça é o seu guia. Está chegada. Tudo limpo. Vamos

Vamos lá? Deixa a moça na frente.

É isso aí. Vai devagar, devagar.

Aqui não é asfalto, não. Vai devagar.

Como é que é?

Como é que tá?

Tudo bem, tá sumida, hein, boneca? Pois é, sabará.

O que que houve lá embaixo?

O asfalto tá quente?

Tá, tá pelando.

Vieram respirar a brisa fresca do morro.

Pode chegar.

Amanhã a senhora vai me dar licença que eu vou atender meus amigos.

Tudo bem, meu filho, fica com Deus.

Pode chegar.

Rapaziada, fica frio, hein.

E aí?

Tudo bem? Tudo em cima.

E o malandro aí, gente fina? Malandro é marciano.

Qual é a de vocês?

Queremos fazer uma compra.

Diga lá.

Só que dessa vez é do branco.

Diga claro, qual é a quantidade?

Mil dólares.

Quanto é que dá no nosso dinheiro?

Equivale a 220 mil cruzeiros.

Porra! Mas só isso?

Pô, Zabará, mas é em dólar.

Eu vou servir vocês.

Sabia que você não ia deixar a gente assim na mão.

Cascão, traz bagulho.

Coisa fina.

Cuidado aí.

Manera.

Passa o tom pra cá, malandro.

É.

É.

Por favor, muchacha, faça um canudinho.

Já está em cima.

Olha aí,

rapaziada. Vamos embora.

Vamos embora.

Passe na frente, Vigino.

Passe na frente, Marcelo. Entra dentro do mato.

... ... ... ... ...

Muita calma, muita calma. Não precisa se afobar. E agora, Sabará, como é que a

gente vai sair dessa?

Bom, vocês vão por aqui, contornando aqui pelo morro, que nós vamos pelo

lado. Boa sorte pra você. Pra você também.

Até mais ver.

Vai com a gente mesmo, compadre. Vamos lá.

Olha aí, malandragem. Vai passando esse bagulho pra cá. Isso aí, com calminha,

hein? Vamos lá, rapaz. Vamos lá, esse bagulho. Deixa de fazer figuração. Se

vamos lá.

Vamos lá.

Vai pra lá. Vai pra lá, pô.

Uma coisa, hein? Se começar devassou, vai amanhecer com a boca cheia de

Eu vou dar uma corra na tua amiga numa night.

Meu cabelo!

Sai daí! Te mando, cara! Te mando!

Esse notário! O bicho branco aqui tá do bom.

Vamos ver.

Esse branco aqui tá do bom, meu irmão. Esse branco é do bom, meu irmão. Esse

branco é do bom. Fica de cascoada aí, rapaz!

Esse papai é do bom, meu irmão. Esse papai é do bom, meu irmão.

Como é que a gente saiu vivo dessa, hein?

Chegar no hotel agora, sem os mil dólares e sem a cocaína da linda

Lamar, eu vou ter que provar a ela que cocô de pombo não é suspiro.

Que fatalidade.

Esta emissora tem o pesar de anunciar a morte trágica da repórter.

A gente ainda não completamente esclarecido. Do avião bimotor que a

para um garimpo clandestino nas proximidades da fronteira entre Mato

Rondônia.

Vera Moreira morreu. Ainda ontem, Vera Moreira foi ao ar às 21 horas

apresentando como era de seu estilo mais um grande furo de reportagem.

Vamos ver a seguir o último trabalho desta grande profissional.

Escuta, será que você podia repetir aqui pra gente aquilo que você me contou há

pouco, não?

Posso sim, senhora.

Como é que é essa história do campo de pouso de avião que tem aqui perto?

Eu e mais meu compadre Cícero abrimos uma clareira lá na mata pro avião do seu

doutor. É?

E que seu doutor é esse? Você sabe qual é o nome dele, não?

Seu doutor?

Sei não.

É lá do sul.

Ô Severino, você não sabe que aqui...

Aqui é proibido ter campo de pouso de avião, você sabe, sem autorização do

governo? Isso aqui é uma área de garimpo, é proibido, você não sabe disso

Vixe santa, sei não senhora.

É, mas é proibido sim.

Vamos combinar um negócio?

Quem sabe amanhã você leva a gente lá no campo de pouso do seu doutor?

Ah, amanhã de manhã nós vai.

Tá bom.

Vera Moreira, numa reportagem denúncia contra os contrabandistas de ouro que

sangram as divisas do país.

Tchau, não some não, hein? Me liga, hein?

Juíza.

Olá, Marciano.

Vem aqui.

Não dólar, não cocaína.

É verdade.

É verdade.

Não, é verdade, eu juro a você, é verdade. Eu fui roubado, fui roubado.

Você tem que acreditar em mim.

Eu disse

a você que não tratava desse assunto,

não tratava desse assunto. Fui lá e me roubaram na favela.

Você precisa conhecer uma favela. Eu vou te levar lá.

Muda de roupa que eu vou te mostrar o verdadeiro Rio. Você vai conhecer Rio,

Rio.

Muda de roupa que eu vou te mostrar.

Você vai entender tudo.

Calma! Tô indo!

Dá um tempo, porra!

Como é que é, rapaz? Vai dançar ou não vai? Tá da hora, cara! Vamos lá!

Vamos lá, estou esperando, olha lá.

Ok.

Obrigado.

Não, padre, eu não estou falando.

Felicite, sou eu.

Alguma notícia?

A mercadoria já chegou ao seu destino?

Não?

Mas como?

Continue tentando.

Não, não, não adianta ligar pra cá.

Vou ter que ir a uma festa.

É, inadiável.

Continue tentando. Ligo pra sua casa depois da meia -noite.

Presuntos na Baixada Fluminense. Mas o que é isso? Ramon Garcia morreram? É por

isso que a mercadoria não chegou.

ouvido essa vaca, hein?

Tô liberado.

Deputado, que prazer.

Que elegância.

Como vai essa força?

Liberado. Trocando tudo em dólares.

Como vai, senhora?

Se apostando na palestra nacional.

Ah, deputado.

Os paladinos ouviram falar de um rombo de 40 milhões de dólares.

Acho que casa de vocês é sempre cheia de surpresas e emoções.

Você gosta, né?

Muito. É uma pena que a linda Lamar não veio.

Eu soube que ela não deu entrevista a ninguém, nada.

Arrastei ela para conhecer a Baixada Fluminense e acho que ela ficou

atemorizada.

Acertaram o avião?

Será que esses putos não estão blefando?

Sei, sei.

Está bem, Aristides.

Aguardem dentro do bando na segunda -feira.

Não, não, claro que não.

Vou ficar no país.

Muito discreto, seu bolo.

Também o que você queria?

A comemoração da compra do nosso milésimo apartamento.

Você está feliz?

Lógico que ela está feliz.

Quanto mais você poderia comprar mil apartamentos sem nunca ter trabalhado?

É. O Brasil é o único país no mundo onde as putas gostam.

Os cafetões te apaixonam.

Os traficantes são viciados.

E o dólar no câmbio negro é mais baixo que no câmbio oficial.

Marcelo. O que você quer?

Vem comigo até ali.

Tira a mão de cima de mim.

Eu não falo com canalha.

Você vai gostar de saber.

Deu tudo errado.

O avião foi interceptado.

O ouro apreendido.

Você não passa nenhum texto.

Agora você tem que me ouvir.

Não quero saber de nada, seu crápula.

Tua amiga jornalista morreu à toa. Eu vou continuar o trabalho dela.

A vida é um jogo. Vou te pôr na cadeia.

Eu não perdi.

Assassino. Vou tentar outro golpe.

Longe daqui. Descanse enquanto não acabar com você.

Diz 500 cópias do relatório Vera Moreira. Você está bandido.

Leia os jornais amanhã.

Boa ontem.

Música

Aceita um espinho, bem.

Eu defendo o povo. Calma.

Ele é político, chefe.

Como é que você se chama?

Eu sou Hermes Júlio Saraiva, da oposição.

Eu não votei em você, seu fudido. Toma.

Cala a boca, porra.

Olha as boas.

Peguem a quatro.

Vamos lá, anda logo.

Baixa aí. Todo mundo no chão.

Seu povo se gosta.

Anda logo.

Senta aí.

Cadê o dono da casa?

Traz ele.

E a mulher também.

Chega.

Procura o copo lá com ele.

Está abrindo o copo. Vai lá.

Abre.

Abre, porra.

Abre.

Tira logo esse colar, porra.

Tira logo.

Piranha.

Piranha.

O que é isso?

E isso o preço é mais caro.

Rio de Janeiro, quando alguma vez para todos os teus filhos, não só para

desde o teu sorriso, espuma de naia de morena, então serei o teu poeta.

Chegarei com minha lira para cantar no teu aroma e dormirei na tua fita de

platina, na tua areia incomparável, na frescura azul do leque que abrirás no

sonho como as asas de uma gigantesca borboleta marinha.

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