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ANNIE A VIRGEM DE SAINT-TROPEZ
Eu não sei falar inglês.
Você pode me dizer onde o Sr. Radley mora, por favor?
Ah, o americano mora logo nessa direção.
- Obrigada. - De nada.
- Olá. - Ah, olá.
Entre, Annie. Fico feliz que você conseguiu vir.
Teve dificuldades para encontrar o lugar?
Tenho que dizer, Sr. Radley, seus livros ilustrados são incríveis.
Só que, como cartógrafo, você é péssimo.
Bom, ninguém pode ter tudo. Ah, e a propósito, me chame de Mark, ok?
Ok, Mark.
Que mudança.
Você está bem diferente de ontem.
Hum, por que não se serve de uma bebida
enquanto eu pego as fotos que tirei de você?
Tudo bem, obrigada.
Interessada em leitura, né? Você gosta dos meus livros?
Ah, sim. Esse aqui não é um dos seus best-sellers?
Ah, não é de se admirar, com todas essas garotas lindas nele.
Essa é minha especialidade. Dá uma olhada.
Posso usar algumas delas no meu capítulo sobre Saint-Tropez.
Nunca imaginei que eu pudesse parecer assim.
E me senti tão à vontade sendo fotografada desse jeito.
- Qual você mais gostou? - Eu gostei de todas.
Você é muito bonita.
Você acha mesmo que eu sou bonita o bastante pra colocar no seu livro?
Ah, com certeza você é.
Mas me diga, querida, honestamente agora...
quando você está assim, na frente de estranhos e tudo mais...
você nunca se sente um pouco constrangida?
Por quê? Por que eu deveria? É natural.
Eu sei, mas você nunca fica um pouco inibida?
Não, estou acostumada a fazer isso.
Bom, mas, hm...
como você se sente com tantos, hm...
com tantos homens ao seu redor?
Às vezes isso causa problemas.
Muitos homens acham que, quando me veem nua...
podem ir pra cama comigo.
E você tem algo contra dormir com homens?
Não sei, eu nunca tentei.
Ah, qual é, quer dizer que você é virgem?
Quantos anos você tem?
Bom, eu tenho 18 anos.
Você é uma daquelas que espera até o casamento?
Não, só nunca encontrei um homem que eu quisesse conhecer.
Bom, é melhor se apressar, depois dos 18 já é considerada velha, sabia?
Agora vamos falar sério por um minuto.
Lembra que eu te disse que vou ao Brasil na semana que vem
para começar meu novo livro...
sobre mulheres latino-americanas?
Sim, o que tem?
Acabei de ter uma ideia.
Que tal você ir comigo?
Eu pago todas as suas despesas
e você terá total liberdade para fazer o que quiser,
e sem obrigações.
Você está falando sério mesmo?
Eu, no Brasil?
Eu simplesmente não consigo acreditar! Nós estamos mesmo no Brasil.
Bom, é melhor acreditar, Annie, porque isso não é um sonho, sabe?
Mas parece um sonho.
É, o único problema agora é se
os agentes da alfândega brasileira
vão me cobrar imposto de importação quando te virem.
Bom, se eles cobrassem, você pagaria?
Hm...
Bom, não tenho certeza, talvez eu te deixasse num leilão.
Sua guia turística, senhor.
Ah, que maravilha! Você chegou bem na hora.
Todas as guias turísticas usam uniformes como esse?
Tá calor aqui, Mark. Por quê? Você não gostou?
Não, pelo contrário.
Vamos, eu tenho uma surpresa pra você.
- O que é? - Bem aqui.
- Um carro! - O que me diz sobre isso?
Ah, é ótimo!
Por gentileza...
Eu aluguei ele por todo o tempo que vamos ficar aqui.
Pra onde vamos?
Achei que você fosse a guia.
Ah, Mark, o Rio é tão empolgante.
Sim, igual a você.
Nunca vi nada tão bonito.
Annie?
Annie?
- Posso ajudá-la? - Sim, posso ver algumas de suas joias, por favor?
Certamente. Por favor, sente-se.
Ah, são lindas! O que são?
São pedras preciosas brasileiras.
E esta é uma criação exclusiva
feita com esmeraldas de minas brasileiras.
Ah, são magníficas.
Annie, eu estava te procurando. Por que saiu correndo?
Acho que você me deve uma coisa.
- Ah, é mesmo? - Uhum.
Tá bom, o que te faz pensar isso?
Lembra? Sua guia turística?
Ah, não diga mais nada.
Vocês mulheres são como elefantes, nunca esquecem.
Vocês não têm algo um pouco maior?
Sim, nós temos, mas a diferença de preço é bastante considerável.
O preço não importa.
A única coisa que importa é se eu gosto.
- Você não concorda? - Ahm, é, é.
Absolutamente.
Qual deles eu posso ficar, Mark?
- Bom, o que você tiver gostado. - Todos eles.
Bom, já que eu sei o quanto você adoraria jantar hoje à noite...
acho que deveria comprar este aqui.
E, rapaz, o próximo livro que eu escrever é melhor que seja um best-seller.
Vai ser, eu tenho certeza disso.
Te peguei! Pra mim já deu.
Ai, droga! Esqueci completamente.
O quê?
O Roberto, ele tá esperando a gente.
Combinamos de sair pra tomar um drinque juntos.
Quem é Roberto?
Um cara legal. Um jovem editor brasileiro que conheci em Paris.
Ele é super divertido, você vai gostar dele, Annie.
- E então, o que você tá achando do Rio? - Achei fabuloso.
Gostariam de ver algo que a maioria dos turistas não tem a chance de ver?
Claro, o que você tem em mente?
Ah, que tal uma macumba?
Um tipo especial de ritual praticado por várias pessoas no Brasil.
Macumba? Por que é tão especial?
Bom, porque é meio misteriosa, quase como vodu.
Vai ter um ritual hoje, se tiverem interesse.
Você realmente acredita nesse tipo de coisa?
Sabe... sim, eu acredito.
E talvez você também acredite depois que vir.
Quem é ela? O que ela tá fazendo?
Ela é uma médium que acabou de receber um espírito.
Bom, é possível falar com ela?
Benção.
O meu amigo aqui quer saber se vai dar certo entre eles dois.
Nunca.
Sinto muito. Negativo.
O quê?
Eu perguntei se poderia haver amor entre você e a Annie.
Ela disse que nunca.
Ei, pessoal!
Nosso ilustre amigo gentilmente nos ofereceu um pouco de entretenimento.
Com vocês, Mark Radley. E o microfone é seu.
Obrigado.
Senhoras e senhores, para o seu prazer e o meu, uma surpresa
que acho que vocês vão gostar.
Gostaria de levar todos vocês a uma viagem especial
ao parque de diversões da Europa...
Saint-Tropez, onde o biquíni é tão antiquado quanto um cinto de castidade
e onde eu conheci a Annie.
Roberto, a luz, por favor.
Situada na costa mediterrânea da França,
Saint-Tropez é um dos resorts mais populares da Europa
e, com certeza, uma de suas atrações mais fantásticas.
Pessoas do mundo inteiro se reúnem lá
para viver mais próximas da natureza,
mas ainda assim, cercadas por todos os confortos da civilização moderna.
ESCRITÓRIO DE VENDAS
Em Saint-Tropez, a lei vigente é: “se é a sua praia, bebê, então vá em frente.”
Essa atitude sem julgamentos permite que todos
levem uma vida saudável e despreocupada,
aproveitando o ar limpo e puro, longe de qualquer poluição.
Além de sua paisagens magníficas,
Saint-Tropez tem coisas mais importantes a oferecer:
a ausência de formalidades, sem horários rígidos
e total liberdade na escolha das roupas.
É o auge da alegria de viver, o que nos lembra que
a família que se despe unida permanece unida.
Como podem ver, só existe um problema,
e é: onde carregar o dinheiro quando for ao supermercado?
Claro que, ao chegar lá pela primeira vez,
você pode se sentir envergonhado...
mas depois de meia hora, tudo parece bem natural.
Tudo o que você precisa fazer é observar os jovens
colocando em prática o velho ditado:
“Em corpo são, mente sã.”
Saint-Tropez é o caldeirão cultural do mundo,
um lugar de encontros internacionais e amizades...
um paraíso sem preconceitos, sem discriminação religiosa ou étnica.
A única coisa importante é se divertir ao sol, de forma saudável.
Como vocês sabem, o contato com a natureza
ajuda a desenvolver a beleza interior,
a única e verdadeira beleza, que é muito mais importante
do que a beleza exterior.
É fácil entender por que tantas dessas pessoas
economizam o ano inteiro para juntar o suficiente
para passar algumas semanas de diversão em Saint-Tropez.
A fantástica Saint-Tropez, onde os nervos e tensões relaxam,
onde a força e a tranquilidade são restauradas para sair
e enfrentar os problemas da vida.
Saint-Tropez é... bom, vamos encarar os fatos:
um mundo dos sonhos.
E uma experiência inesquecível.
É, mas onde estavam você e a Annie?
O Mark estava por trás das câmeras,
e eu estava fazendo compras de vestidos pra minha viagem ao Brasil.
Obrigado. Agora estou aberto a quaisquer perguntas...
ou comentários que vocês tiverem.
Ah, isso eu entendi! Com certeza resolve
aquele velho dilema de “não tenho nada pra vestir”.
Ei, lá estão eles.
Oi, Annie.
- Que ideia maravilhosa vir pra essa praia. - Valeu, Mark.
Ah, queria que você ficasse.
A gente nunca se divertiu tanto assim.
Ainda não acabou.
Ei, esperem por mim!
- Bebidas geladas pra todo mundo! - Quem está com sede?
Olha o que a gente achou.
Cocos fresquinhos!
A gente devia dar um nome especial pra essa praia.
O Roberto sugeriu que chamássemos de Saint-Tropez Brasil.
Nada mal.
Quem quer um ovo? Estão cozidos.
Preciso de algo pra beber. Estou morrendo de sede.
- Eu primeiro. - Tá bom, mas eu sou a próxima.
- Aqui. - Valeu.
- Passa pra June, ela adora. - E quem não gosta?
- Xandra, você quer um pouco? - Uhum.
Ei, June, eu também quero um pouco.
- Você quer tudo. - E por que não?
Ei, deixa um pouco pra mim, Annie.
Posso pegar uma dessas bananas?
Se não for suficiente, a gente corta mais.
Você quer uma?
Valeu. Me dá uma também.
Toma. Vou pegar outra.
Tudo bem agora, Annie, ou você ainda tá com fome?
Annie, você provou isso?
Não, vou comer depois. Agora estou empanturrada.
- Eu vou te pegar! - Não!
- Sim, senhora! - Não, por favor, Mark, isso é grudento!
Não!
Refrescante, né?
Vamos nessa!
Ei, cuidado!
Annie! Boa garota!
Ei, Mark!
Atenção!
Isso aí, querida, joga pra ela!
Tá alto demais pra mim!
- Peguei! - Ei, você tá ficando boa nisso!
- Você já esteve no Brasil antes? - Não.
Quer dizer que nunca viu um carnaval?
Não, mas eu realmente adoraria. Deve ser estupendo.
O carnaval daqui é simplesmente incrível. É fabuloso, Annie!
- Ah, Annie... - O quê?
O carnaval do Rio...
são quatro dias contínuos de felicidade,
de música, dança e alegria.
É inacreditável!
Ah, Annie, você tem que ver,
todas as pessoas dançando nas ruas
e as escolas de samba desfilando pelas avenidas
com suas fantasias espetaculares.
Algumas pessoas economizam o ano inteiro só pra pagar suas fantasias de carnaval,
mas todos acham que vale a pena.
O carnaval não para, continua dia e noite
e, impressionantemente, ninguém parece se cansar.
É como uma vibração coletiva!
Todo mundo transborda felicidade.
As preocupações e dificuldades são esquecidas,
e todos amam a todos, se misturam com todos.
Ah, e não há barreiras, não há ricos ou pobres,
não há brancos ou negros.
É uma aplicação rítmica e pulsante dos três Ls:
viver, rir e amar.
Só uma coisa importa: se divertir.
Você esquece de tudo quando ouve a música e...
e se deixa levar pela alegria contagiante,
pela empolgação e por todos os encantos que o Rio tem a oferecer.
Annie, você tem que tentar voltar no ano que vem pro carnaval,
você ia simplesmente amar. - Espero que eu consiga.
Ei, vamos voltar.
Essa é a praia central. Bonita, né?
Quilômetros e quilômetros de areia fininha.
- Então, o que você achou do Rio? - Eu nem sei como descrever.
É como estar no paraíso e todas as pessoas são anjos.
Falando em pessoas, aqui é muito cheio, não acha?
Não sei. Eu acho que tem espaço pra todo mundo.
Não, qual é. Vamos procurar um lugar mais tranquilo.
Deve haver praias lindas fora do Rio.
Sim, mas não sabemos como chegar lá.
Não, mas não se preocupe, vamos descobrir.
Ah, essa que é uma praia de verdade.
Mas não tem ninguém aqui, Mark. Está deserta.
Não era isso que a gente queria?
Vamos nos trocar e experimentar a água.
Que cenário perfeito.
Não é ótimo aqui?
Você tinha razão.
Valeu a pena vir aqui.
Essa é a praia mais bonita que eu acho que já vi.
Ah, por que você não tira isso? Vamos fazer no estilo de Saint-Tropez.
Prefiro não.
Ora, você fez isso em Saint-Tropez e fez na ilha.
Por que não agora? Não tem ninguém aqui.
É justamente por isso, Mark.
Eu só me sinto confortável quando tem outras pessoas
ao meu redor fazendo a mesma coisa.
- Mas isso é ridículo! - Não é, Mark.
Ficou tímida de repente?
- Deixa eu te ajudar. - Ai, por favor, eu disse que não!
Você gosta de provocar, não é?
Acho que sim. Então, por que não?
Por que não? Mas eu também sei brincar.
Me deixa em paz!
Você está em paz. Em paz comigo.
Não, para, Mark!
Para com isso!
Eu disse pra me deixar em paz!
- Estou cansado dos seus joguinhos. - Você é igual a todos os outros!
Você acha que só porque olha pra mim pode me ter.
Eu posso te ter se eu quiser.
Mas eu não quero!
Como você sabe que não quer?
Você não sabe o gosto de uma maçã até dar uma mordida nela.
- Fica longe de mim! - Não tenha medo.
Eu não vou te machucar.
Não!
Não! Não!
Não, por favor!
Não!
Gritar não vai adiantar. Tudo tem sua hora,
e a sua hora é agora. - Não!
Não!
Acho que você só tem medo de sexo
e precisa de alguém que te mostre o contrário.
Não você... não você, seu desgraçado!
Me deixa em paz!
Não, eu te quero.
Não, por favor!
"Mark...
você abusou da minha confiança em você.
Eu não quero te ver. Estou me mudando para outro hotel.
Por favor, não me procure.
Deixei seu carro na frente do hotel."
- O quê que há? O que você quer? - Nada não, meu irmão.
Deixa pra lá!
Por favor, senhorita, o que houve? Por favor, o que houve?
Desculpe, eu não entendo. Você fala inglês?
Ahm, está tudo bem agora?
Sim.
Agora me diga, agora mesmo você ficou um pouco assustada?
- Sim, um pouco. - Ótimo.
Você está bem agora, só me diga o que está fazendo aqui.
Tá bom, eu...
eu vou te contar.
Eu me comportei como um idiota. O que vai acontecer com ela?
Ela vai ficar completamente perdida aqui e ela esqueceu o passaporte.
Você não tem nenhuma ideia de onde ela possa estar?
Não, esgotei minhas ideias.
Tentei vários hotéis, só que...
ela simplesmente desapareceu.
Talvez eu possa ligar pra alguns amigos do clube.
Talvez alguém do iate saiba onde ela está.
Ok, se puder, eu agradeço.
Sabe, eu preciso encontrá-la.
Preciso me desculpar com ela.
Sim, eu acho que você deveria...
mas qualquer homem naquela situação
teria tentado a mesma coisa, é normal.
Não. Ela confiava em mim, e eu traí completamente essa confiança.
E o que ela espera quando provoca os homens daquele jeito?
Mas, Roberto, essa é a Annie.
Agora percebo que as provocações dela não significavam nada.
Ela é realmente muito inocente.
Inocente? Ah, qual é!
Sim, e ela ainda é virgem.
Vou te dar um conselho de amigo:
é melhor você voltar pra esse rapaz.
Você não pode simplesmente ficar sozinha, não aqui no Brasil.
Eu prefiro morrer a voltar pra ele.
Sério? Bom, se você tá levando isso tão a sério...
então não vá, porque eu quero você viva.
E é assim que eu me sinto em relação a isso também.
É aqui que eu moro.
Eu até ofereceria pra você ficar comigo, mas não posso,
porque estou indo embora em algumas horas.
Você vai embora hoje?
Sim, e se quiser, eu te mostro o motivo...
pelo qual não posso adiar a viagem.
Ah, eu esqueci de te dizer,
você vai ter que relevar a bagunça de um solteirão. Digo, a desordem.
Bem-vinda à casa do Hugo! Fique à vontade.
Cuidado.
Eu poderia muito bem fazer isso, e gostar daqui...
e decidir ficar aqui.
Ah, não, você não pode.
- Você sabe que eu estou de partida. - Sim, eu sei. Não se preocupe.
A propósito, você ia me explicar o motivo da sua pressa.
Exatamente! Olha, vem cá.
Vou te mostrar algumas das fotos que eu fiz pra um grande concurso.
É muito importante que eu ganhe.
É promovido por uma revista internacional...
para as 12 melhores fotos amadoras
que ilustrem três aspectos do Brasil:
a cultura, o progresso e a beleza natural.
Eles estão oferecendo uma bolsa de estudos para o vencedor,
em qualquer universidade que ele escolher.
Só que o concurso...
bom, termina muito em breve, e eu ainda não tenho fotos boas o suficiente.
- Agora entende a minha pressa? - Claro que entendo.
- Me mostra o que você tem. - Espero que goste.
Essas aqui eu tirei sobre agricultura
e criação de gado nas terras dos imigrantes italianos,
nos estados de São Paulo e Paraná.
Sabe, eu adoraria viver no campo.
A criação de gado é um grande negócio e uma verdadeira ciência.
Ah, essas aqui foram de uma viagem que eu fiz pra visitar
uma tribo indígena no Mato Grosso.
Esse é o chuveiro deles.
E o supermercado deles é a própria natureza.
Nunca imaginei que o Brasil fosse tão bonito.
Você só viu uma pouquinho dele. Espera até eu terminar com o concurso.
Não vai demorar muito pra eu arrumar minhas coisas,
depois te levo de volta pro seu hotel.
- Você vai de avião? - Não, vou dirigindo.
Hugo, eu posso ir com você?
- Você tá falando sério? - Eu realmente adoraria...
se você não se importar.
Tá bom.
- Deixa eu dirigir, tá? - Você sabe como?
Claro!
Eu sou ótima sobre rodas, você vai ver.
Você será meu piloto e eu serei sua motorista.
Combinado.
Ah, você lembrou dos cigarros. Boa ideia!
Não é pra isso que os assistentes servem?
Vamos!
Agora me mostra se você sabe nadar.
- Mas as ondas estão muito grandes aqui. - E daí? Que se dane!
Vem logo!
Tá muito gelada!
Te peguei!
- Te peguei! - Peguei você!
- Te peguei! - Peguei você!
Peguei você!
A maré tá subindo! Tá levando tudo!
- Olha! - Rápido, pegue o que puder!
Mais uma onda grande e a gente teria perdido tudo.
Ei, bem ali!
- Ei, você pegou? - Sim.
Ótimo.
- Falta mais um. - Eu pego.
- O que mais tá faltando? - Bom, eu não sei.
Vamos juntar tudo e conferir ali em cima. Tenta isso aí.
Agora eu sei como é se sentir náufraga.
Ooh, acho que peguei tudo. Demos sorte.
Agora o que vamos fazer?
Vamos estender pra secar. Com o sol quente desse jeito,
não deve demorar muito.
- Olha os nossos cigarros. - Ah, aposto que estão encharcados.
Vamos ver. Talvez não estejam.
Você é linda.
- Não, Hugo. Não faça isso. - O quê? Você não gosta de mim?
Gosto, mas não disso.
Você não gosta de ser beijada?
Por quê? O que há de errado?
Me diga.
Eu gostaria de te conhecer melhor.
Eu não gosto de falar sobre isso.
Nunca contei pra ninguém.
Mas... bom, com você é diferente.
É estranho.
Parece que quero falar sobre isso com você,
se não se importar de ouvir.
Ah, eu sou um bom ouvinte, Annie.
Eu tinha 17 anos. Meus pais não tinham muito dinheiro,
então eu trabalhava meio período numa loja de roupas.
Um dia, um homem comprou um vestido pra esposa,
e pediu pra entregar em casa, era o aniversário de 20 anos deles.
Estou tão feliz que você pôde vir mais cedo.
Minha esposa deve chegar a qualquer momento.
Agradeço se você puder ficar para garantir que o vestido sirva.
- Não quer se sentar um minuto? - Bom, se não for demorar muito.
- Posso te oferecer algo para beber? - Não, obrigada.
Que garota encantadora.
Sabia que eu gosto de garotas bonitas?
Elas me fazem sentir jovem de novo.
Me fazem sentir jovem e viril.
Você não acha que está quente aqui?
Não, acho que não.
Tire a roupa, vai se sentir mais confortável.
O quê?
Sim, tire suas coisas.
Eu falei sério. Gostaria de te ver nua.
Guarde suas piadas pra sua esposa! Estou indo embora!
Querida, eu não tenho esposa.
Comprei o vestido para você.
Você é um velho nojento!
Sinto muito por ter te enganado...
mas foi a maneira mais fácil de te trazer aqui.
Você deve estar maluco!
Não estou, não. Sei exatamente o que estou fazendo.
Você não é a primeira, entendeu? E não será a última.
Não! Socorro!
Alguém me ajuda! Socorro!
Grite o quanto quiser, não vai adiantar.
Ninguém pode te ouvir.
Vá em frente e grite! Grita, ouviu? Grita!
Eu gosto disso, gosto mesmo.
Isso te deixa mais sexy.
O que você quer de mim? Você é louco!
Nunca mais me chame disso!
Meu nome é Pierre. Diga Pierre.
Pierre.
Não tenha medo.
Não vou te machucar se você fizer o que eu mandar.
Mas se não fizer...
Agora levante-se e tire a roupa...
ou quer que eu te ajude, hein?
Não, fique onde está!
Vai logo! Tira a roupa!
Tira a blusa agora...
mas faça isso devagar.
Você me ouviu, não ouviu?
Linda...
mas eu já sabia que seria.
Agora, minha querida, você vai me obedecer, cada palavra...
ouviu? Cada palavra que eu mandar, você obedece.
Agora, chegue mais perto, escrava.
Tire a minha camisa.
Agora coloque seus braços ao meu redor e me beije.
Faça o que eu mando, rápido. Não gosto de esperar.
Você tem que obedecer ou vai morrer!
Sua vadiazinha!
Então, você me acha feio, não é?
Você é igual a todas as outras, mas eu mudei a opinião delas.
Mudei muitas coisas nelas e vou mudar você também!
Só faça o que eu mandar, senão... entendeu?
Primeiro, você tem que implorar pelo meu amor.
Vai logo, implore! Diz que me quer...
e que me ama. Diz que precisa de mim.
Implore!
Eu te quero. Eu preciso de você. Eu amo...
Bom, isso faz toda a diferença.
Pois, veja bem, eu não gosto de ter que forçar ninguém, mas...
está tudo bem, porque você me quer.
E porque você me ama, não vai sofrer nenhum mal.
Não! Não!
Não!
Ai, não! Não!
Me solta! Me solta!
Não!
Não! Me solta!
Eu não consigo! Não!
Passei muitas semanas tentando superar o choque...
e, desde então, não suporto ninguém que tenta se aproximar de mim.
Tente não pensar nisso,
mas agora que entendo como você se sente em relação a beijos,
vou esperar até que você me peça um. E isso é uma promessa.
Vou mandar meus beijos por correio aéreo
até que você esteja pronta para uma entrega especial.
O que acha?
Vamos.
Vamos explorar a ilha.
Você tem sorte de morar no Brasil.
Tudo aqui é como um tipo de sonho.
Sim, mas como um sonho...
que se tornou realidade,
especialmente depois que eu te conheci.
Hugo!
O que é isso?
Concorrência, hein?
Surpreso? Eu também sei tirar fotos.
Você já conheceu todo o Brasil?
Não, eu não viajo muito...
mas aquilo que vi nunca vou esquecer.
Sabe, eu te falei, Annie, como eu amo a natureza?
Ah, mas aqui no Brasil...
bom, a natureza realmente se supera.
Aqueles rios majestosos, aquela selva exuberante...
eles se combinam tão bem com a simplicidade do pescador.
Eles são simples, têm uma sabedoria na vida...
que nós, da cidade, perdemos há muito tempo.
Você não faz ideia de quanto tudo isso significa pra mim.
E quando a noite toma conta...
eu simplesmente fico tão romântico.
Você entende isso?
É por isso que a natureza e você me fascinam tanto.
Sim, eu entendo...
porque você também me fascina.
Eu te quero, Annie.
Boas notícias, Mark. Viram a Annie.
Ótimo. Onde ela está?
- Ela estava com um cara num buggy. - Que cara?
Não sei. Ninguém conhece ele.
- Onde eles estavam? - Estavam na estrada para Mangaratiba.
- Onde fica isso? - Umas 3 horas daqui.
- Pode me mostrar o caminho? - Claro.
Então vamos! Vamos com o meu carro, é mais rápido.
Ai, mal posso esperar pra ver a Amazônia.
Bom, tenha paciência. Em mais algumas horas estaremos lá.
Ei, você sabe remar uma canoa?
- Não, por quê? - Ah, achei que seria divertido.
Certo, assim que a gente fizer o check-in no hotel...
vou falar com o dono da empresa de táxi aéreo local.
Um amigo meu escreveu para ele pedindo
que nos leve até o coração da Amazônia. Tudo bem?
Claro. Enquanto você estiver com ele, vou dar uma volta por Belém.
Não se perca.
Bem-vindos a bordo da Rainha da Selva.
Entendi que você é fotógrafo,
então vou voar o mais baixo e devagar possível.
Tudo bem?
Não se preocupem, ele não é maluco de verdade.
Dizem que é um dos melhores pilotos de selva da redondeza.
A propósito, meu nome é Cláudia.
- Olá, eu sou o Hugo. Essa é a Annie. - Olá.
É a sua primeira vez na selva?
Ah, não. Sabe, eu sempre venho pra cá nas férias.
Estudo em São Paulo,
mas meu pai tem uma grande plantação aqui na região.
Se quiser, podemos te deixar lá quando sobrevoarmos.
Não, obrigada. Chegadas horizontais são mais o meu estilo.
E você? Está aqui a trabalho ou de férias?
Trabalho, digamos assim.
Estão todos prontos?
Em poucos minutos vamos decolar.
O primeiro trecho leva cerca de três horas.
Durante esse tempo, vamos sobrevoar nada além da selva.
Vamos lá!
Aqui é onde o voo termina.
Todo mundo pra fora.
Você também, gatinha. Vamos, depressa.
Mexa-se!
E o nosso querido piloto brincalhão, não pense que vai ficar pra trás.
Vamos, palhaço!
Agora por aqui. E andem com calma.
Vamos vocês dois. Vamos!
Você me ouviu!
Continuem andando e façam o que eu mandar.
Sem gracinha.
Vamos! Você consegue andar mais rápido que isso.
- Senhorita Morningstar! - Fique longe!
Levanta! Não tenho tempo a perder.
Vamos! E depressa.
Eu acho que torci o tornozelo.
Levanta, estou mandando!
- Aqui, eu ajudo... - Cuida da sua vida!
Pra você onde está nos levando?
Pra encontrar uns amigos meus.
Por quê? O que a gente fez?
Você é bem curiosa.
Bom, digamos que meus amigos e eu precisamos de um avião.
Eu não vou dar meus aviões pra ninguém!
Você não tem muita escolha, velhote.
Meus amigos são homens desesperados,
com 2 milhões de dólares do dinheiro de outra pessoa.
Todos os policiais do Brasil estão atrás deles.
Eles não vão gostar nada se você disser não.
Deixa ela em paz, estou mandando!
O velhote cuida dela. Vamos!
Ele deve ser um daquela quadrilha que assaltou o Banco de Brasília.
Não importa quem eu sou.
Eu li sobre isso no jornal. Eles mataram dois seguranças e um cliente.
Se você não calar a boca...
vou te colocar nessa lista também!
Só continue andando!
Bom trabalho, Peter.
Algum problema?
Sim. Não contava com duas garotas
vindo junto para o passeio.
Meus parabéns.
Você tem bom gosto.
Eu já estava começando a esquecer
como uma mulher pode parecer boa para um cara.
Depois de quatro semanas na selva, você esquece muitas coisas,
mas lembra quando vê uma.
Haverá tempo suficiente pra pensar nos seus amigos depois, hmm?
Onde é um bom lugar seguro para deixá-los?
Por aqui. Andem logo!
Depressa! Não percam tempo!
Vamos!
Você ouviu pra se mexer!
Ei, você! Aonde pensa que vai, hein?
Me deixa em paz!
Não encosta em mim!
A durona precisa ser domada, hein?
Ok, tudo correu conforme o plano,
mas o que fazemos com esse pessoal?
Eles entraram em ação no último minuto.
Bom, quanto a ele...
façam qualquer coisa, mas eu sei o que vou fazer com a gostosa.
- Deixa ela em paz! - Não, por favor, não atire!
O que temos aqui? Você é o namorado...
ou tá só tentando bancar o cavalheiro, hein?
Você não grande o bastante, campeão.
Vem cá.
Hugo!
Annie!
Eu juro! Eu vou quebrar a cabeça de quem chegar perto de mim!
Me solta! Me larga!
Socorro!
- Ela parece doente. - Eu sou um bom médico.
Deixa eu checar seu coração.
Seu caso é grave.
- Não, não, não! - É melhor operarmos imediatamente.
Socorro!
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