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Como é que vai estar a mãe, né?
Com a Amélia o novo deu pra dormir um pouco.
A mulher fica o tempo todo me apalpando.
Acordo que ela mexeu no meu pau.
Balança pra cá, balança pra lá. Que que é isso, Tânia?
Tá esquecendo que tá de sonda.
Se quiser, pode fazer xixi na calça também.
Então a gente coloca uma fralda nele, né?
Sabe muito bem que não deu a hora pra limpar o meu pau.
É. É o momento do meu trabalho, ficar metendo a mão nessa coisinha mole aí.
Obrigado.
Olá. Acabei de passar um café, você aceita?
Aceito. Entra aí.
Não repara na bagunça não, viu?
Prazer, Michel.
Prazer, Elisa.
Eu moro no apartamento aqui em cima.
Agente vizinho.
É, eu sei.
Bem -vindo.
Senta aí.
E aí?
Tô bem.
Cafézinho, cafézinho.
Foi bem difícil te encontrar aqui, sabia?
Está tudo muito caro.
É sorte que eu fiquei amigo da proprietária.
Aí eu negociei direto com ela.
Sim.
É.
Nesses tempos é do graça da Deus o meu ser próprio.
É.
E o cara da ambulância?
Está bem?
É, meu marido.
Ele tá doente já há muito tempo.
Você tá precisando descontrair um pouco.
Eu canto, sabia?
Canto, componho, faço batida.
Sou MC.
Vou botar uma aqui pra senhora ouvir.
Senhora não, Michel.
Pelo amor de Deus.
Coincidência, eu também trabalho com música.
Eu sou professora de flauta.
Eu dou aula aqui perto, na Lapa.
Na UFRJ. Se quiser, você pode me passar seu contato. A gente marca uma
visitação.
Professora?
Eu fui assaltado aqui embaixo, na Lapa. Estou sem celular.
Sabia que eu tenho interesse em aprender a tocar um instrumento de verdade?
Porque eu só faço a batida aqui no computador, boto a voz em cima,
baia e já vai no flow.
E desculpa pelo senhor.
Agora eu fiquei bem encabulado de mostrar pra uma professora de música.
Mas você merece.
Tá maluco, moleque? Nós tamo no céu.
Legal.
Legal.
Gostou? Gostei.
Então vou deixar rolando aí.
Quer uma cervejinha?
Pode ser uma.
Aí, vê se tá gelada.
Tá. Tá?
Fuma um?
Só cigarro normal.
Se seu marido tivesse fumado mais desse aqui, ele não ia ficar tão mal.
Enfermeira!
Enfermeira!
Bom dia, bom dia.
Bom dia.
Esse é o Michel, ele veio aqui na nossa aula como ouvinte.
Aí posso ver se eu tenho o dono natural?
Acho
que
eu vou ficar no programa e escutar tudo.
Alguém quer tocar um trecho de Boas -Vindas?
Quero dizer que pode contar comigo nesse momento.
Obrigada.
Tô bem.
Eu via nos olhos dele todo dia um pedido de morte.
Acho que ele tá melhor agora.
Tinha um movimento de mulheres todo dia na tua porta.
É, eu tô numa fase bem boa.
Um amigo meu falou que se transa bem mais aqui no centro ou no sul do Rio.
Por causa das praias.
Ela se amarrou em mim.
Às vezes me deixa um presente.
Não vejo nada demais nisso.
Quem é que morava antes do céu?
Dona Ló.
Madureira, conhece?
Oi, gata.
Eu vi o anúncio de um velho dos consultores que sabe meter.
Você?
Amém. Tá de sacanagem.
Pra tu é de graça. Eu tô brincando.
Vem cá, vem cá, vem cá.
Vem cá, tem uns amigos meus aqui. Vem cá, vem cá, vem cá. Aí, galera.
Tem a Elisa.
Oi, tudo bom? Mora aqui no primeiro andar, gente boa.
Olá.
Leandro. Prazer, Elisa.
Elisa Alfredo. Ah, obrigado.
Senta aí, Elisa.
Pô, tu não vai acreditar.
Tamo indo pro Sana.
Ficar um mês lá.
Vamos visitar umas cachoeiras, fazer um som.
Eu e os moleques.
Um dos chapas da banda não vai poder ir, eu vou... substituir ele na segunda
voz. Esse cara tem luz.
Tá amarradão, moleque.
Bacana.
Delícia. Tudo bem, calado.
Aí, tamo indo pro baile de Madureira, bora?
Baile? É, bora com isso.
Tanto tempo que eu não vou no baile.
Tá aí mais um motivo, pô. Ô, tem até bichos que vão dançar lá, eles tiram
É, bora, tu vai te amarrar.
É? É?
Eu vou então.
Aí.
Cadê a sacola?
Só o tempinho pra eu trocar de roupa e já volto. Vai fechando o baseado aí, ué.
É o poder.
Aceitam porque dói menos.
De longe falam alto, mas de perto tão pequeno. Se afogam no próprio veneno.
ingênuo. Se a cara bruta, se arrala o medo.
E eu cobro quem me der.
É o poder, a honra de quem caiu. Que a luta de assustar todos são os meus
irmãos.
Depois não vem dizer que a mãe me deu.
Eu vou te mostrar a falta, garoto.
Eu também vou te mostrar a tua.
É muito gente fina, Lisa.
Dá -me uma ligada?
Felizmente não vai dar, não.
Os chapas vão passar as dez pra me pegar.
Só vou jogar uma água no corpo e pegar de trato.
Mas se tivesse aquele macarrão absurdo, eu ia.
Você me passa a receita depois.
O terceiro não saiu do meu quarto.
Quando eu voltar, eu vou querer te ver.
Não confia muito também não, porque eu não passo de um vadio.
Um vadio adorável.
Vou capuzar no macarrão.
É tesão.
Já vi que vai botar outro puto no meu lugar, né?
Você vai ser sempre o meu preferido.
Não vai pra casa, não?
Fica aqui mais um pouco.
Vou te agradar, viu?
Tô indo.
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