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Oi, Amélia. Sou eu. Como ela acordou?
Ainda está muito catarrada.
Meu Deus do céu.
Ainda? Calma, Juventino.
Como calma, Amélia? A Amélia está colocando os pulmões para fora. Você
fique calmo?
Não precisa ser grosso, Juventino. Eu estou aqui te ajudando.
Desculpe, Amélia. Eu não quis te ofender.
Tudo bem, Juventino. Faz o seguinte. Cuida dela.
E se precisar de alguma coisa, me telefone.
Que cara de enterro é essa?
Que cara de chegar, mocinha?
Você sabe que horas são?
Anda por cima desse jeito.
Trabalho, seu jovem divino. Meu dia começou ontem.
Sabe quem estava trabalhando? Nem me conta que eu não quero saber de
Vai melhorar sua cara, vai. Se é que tem jeito, né?
Quem fala o bonitinho, mas o ordinário.
Bom dia, seu jovem divino. Boa tarde, né, mocinho? Boa tarde.
Obrigado.
O que eu te disse?
O que eu te falei, Asdro? Foi contigo. Fez fé com a tua cara.
Sei não, Raimundo. Sei não.
Ai, que acanjo. Eu tô te falando, rapaz. Eu quero ser mico de circo só saindo
entregar os pontos.
Não é assim não, Raimundo. Isso é muito mais complicado.
Complicado o quê? Que complicado, ajuda.
Vai que é barbada.
Olha, ainda por cima, o pai dela é cheio de erva. O sujeito tem que falar de 20
mil contos. Sabe, João, o que é isso?
20 mil contos?
Consegui o número da Terezinha. Você vai telefonar pra ela agora mesmo.
O que é isso? Que pressa. Depois eu ligo. Não precisa agora.
Eu ainda estou ocupado com o trabalho. Não pode falar. Por tua conta, esse
encontro não sai nunca.
Mano, por favor.
Alô? Bom dia.
A Terezinha, por favor.
Quem deseja?
Diga que é o Asdrubal.
Asdrubal? É isso mesmo.
Asdrubal. Só um minuto.
Alô? Alô, quem é?
É o Asdrubal, o da festa.
Nossa, que rápido.
Terezinha, Terezinha, quem sabe que, sei lá, assim, um encontro, um sorvete
amanhã? Que tá hoje?
Hoje?
Tá, tudo bem, tá bom, tá ótimo, pode ser hoje.
Às cinco no Epitácio.
Tá certo, às cinco no Epitácio.
Tá bom, perfeito então, Terezinha. Até lá. Tá, Terezinha, até logo.
Raimundo, você me faz passar por cada uma, Raimundo. Pelo amor de Deus. Para
esse viadinho, Raimundo.
Eu não te disse, animal.
Mulher quando cisma é batata. Essa aí já tá no papo. Veremos, né, Raimundo.
Veremos. Ó, se o negócio der certo, você vai me arranjar um emprego lá. Hum, com
velho, hein?
Ó, o seu teu, ó. Do peito, hein? Calma, Raimundo. Eu nem conheço a pequena
ainda. Calma. Tem que ser um emprego bacana, hein?
Em charia não interessa. Tá bom, Raimundo. Tá bom.
Apicelos. . . .
Grande, Eusébio! Grande, Orozimbo!
Rapaz, tenho novidades.
Novidades? Vamos aonde?
Desembucha logo, Orozimbo. Sabe de que ando? Qual o verão, sabe? Não sei sim. E
o que é?
Ando querendo me casar.
Casar? Sim.
Casar? Olha, Orozimbo, eu não sou de dar palpite, mas abra o olho.
Namorar é uma coisa, casar é outra.
Ah, Eusébio, o que você está a dizer com inveja?
Se é assim que tu pensas, não está mais aqui quem falou.
Vamos?
Meus parabéns, Orozimbo.
Muitas felicidades.
Olha, isso é que é paixão. Noivou e casou em dois palitos.
Você tirou sorte grande, ouvira.
Casou -se com o melhor marido do Rio de Janeiro.
Eu sei.
Foi por isso mesmo que eu me casou.
Uma foto com os padrinhos?
Olha como o Linhares já olhava pro decote da sua tria Judite. Ele é sempre
aperto. Quem diria que ia se casar com a durona da Judite?
Aliás, já marcaram o batizado do mais novo. E o namoro começou aí, no dia do
nosso casamento. Vou pegar um vinhozinho. Por mim não precisa, já é
tarde que nada, Eusébio. Vai fazer o que em casa? Vou dormir.
Ah, deixa de cerimônia bêbada. Até parece que não se acostumou ainda.
Amor, serve uma taça pra gente.
Já está.
Assim que eu encontrar o saca roda.
Nós usamos na segunda -feira.
Aí eu deixei aqui em cima.
Sabe de uma coisa?
De tanto que tu vens aqui, às vezes eu penso que eu tenho dois maridos.
No duro.
Que piada infame, Elvira.
Ih, ficou da cor do vinho. Vermelhinho, vermelhinho. Eusébio é um tímido.
Ih, é hoje.
Deixa comigo, amor.
Eu já vou, amor.
Só vou terminar de tirar a mão. Boa noite, Eusébio. A gente se vê amanhã.
Boa noite.
Exatamente assim.
Jura?
Mentira.
Mas o que foi que eu fiz, criatura? Eu não fiz nada.
Quem é desse jeito é gentil.
O que aconteceu?
Você estava tão alegre. Ah, foi um caso sério. Faz uma marcação tremenda. Não dá
uma folga. Desconfia até de pó. Não seja boba. Reaja.
Mas reagir como?
De um jeito.
Como é que você tem essa coragem?
Ah, todos já chegaram.
Tem negócios do teu marido?
Evidente. Eu não acredito. Tenha tanta paciência, mas eu não acredito. Por quê?
Porque nenhuma mulher pode gostar do mesmo homem por mais de dois anos. Que
horror.
E já é muito, hein?
É isso mesmo. É batata, minha filha.
Pronto? Alô, amor? Vou me atrasar um pouquinho pro jantar.
Estou ocupadíssimo.
Uma simulação, meu filho.
Vai demorar muito?
Não, não muito. Coisa de uma, duas horas no máximo.
Não tem problema.
Eu atraso um pouco o jantar.
Beijo. Um beijo.
Meu amor, eu vou precisar fazer uma viagem.
E eu?
Você fica, eu vou para o meu set.
Passa -me pra onde vão?
Todo dia a mesma coisa. Não espera nem o marido chegar.
Não respeita nem a hora da avinaria.
Já vai!
Papai, mamãe, esse é o Asdrubal.
Prazer, Seixas. Como vai, doutor Seixas? Prazer, Maria de Moura. Como vai,
senhora?
Vamos jantar?
Entre, Eusébio. A porta está aberta.
Estou terminando de pintar as unhas.
O Rosimbo ligou e avisou que vai se atrasar.
É uma situação meio esquisita, Elvira.
O quê?
Há limites para um amigo.
Afinal de contas, amigo não é marido.
Não é mole, Eusébio.
Eu não deveria estar aqui sozinho com você. Isso não está certo, não está
direito. Qual é o problema, Eusébio? É a vinhança, Elvira.
Nada mais delicado que a reputação de uma mulher.
Quanta bobagem.
Eu vou ter que espaçar as minhas visitas.
Nem pense nisso.
Você quer saber de uma coisa?
Eu não tenho que dar a satisfação da minha vida a ninguém.
Eu quero que a vizinhança vá tomar banho.
Vá para o inferno. Vá para o diabo que acarregue.
Puxa o seu seclero aqui para mim.
Anda, Eusébio, puxa.
Parece que viu o som do som.
Obrigada, Amélia.
Como é que eu estou sentada?
Estou morto de fome. Já vou servir o jantar.
Onde está o Zébio? Ele acabou de chegar.
Deve ter ido ao toalete.
Confio mais em Leocádico e meus irmãos.
Bom jantar a todos.
Bom jantar.
O que foi, meu anjo?
Aconteceu alguma coisa?
Nada não, Terezinha, deixa pra lá.
Um assunto meio chato.
Já sei, não gostou da minha família.
Não, não é nada disso, Terezinha.
Problema no emprego.
Meu chefe me persegue.
Mas por quê?
Porque eu não sou puxa -sapo, Terezinha. Eu digo o que eu tenho de dizer e
pronto.
Pois faz, muito bem.
E se ele se fizer de besta contigo, mete -lhe a mão na cara.
Mas o emprego?
Deixa comigo.
Fome você não passa.
Quero só ver a cara dele, vai ficar louco de raiva.
Terezinha garante o negócio, não se dispute.
Bom dia, doutor Madeira.
Que brincadeira é essa?
Isso aqui virou a caica da mãe Joana agora?
Por quê?
Só porque o Mengão ganhou do seu bacalhau?
Só arranca isso da parede agora.
Isso aqui virou palhaçada agora?
Quem é o palhaço aqui?
Hein?
Quem é o palhaço aqui?
Você tá me estranhando? O único palhaço que tem aqui é você, seu cretino.
Eu sou homem, sua mula.
Me respeita que eu sou o seu patrão. É patrão, mas não é um pra me encarar. É
não é?
Nogueira! Sai daqui! Sai daqui, puxada!
Você tá demitido.
Demitido? Então vamos lá pra fora que eu vou encher tua cara de morrada. Vamos!
Calma, rapaz!
Nenhuma mulher pode gostar do mesmo homem por mais de dois anos.
Se algum dia tu me traires, eu te mato. Eu juro que eu te mato.
Eu não te quero de conversinha com homem nenhum.
Se precisar de alguma coisa, chamo o Leocádio.
Alô? Leocádio, sou eu, Marlene.
Oi, como vai, Marlene?
Tudo bem.
Eu queria um favorzinho teu.
Pois não, pois não.
Quer dar um pulinho aqui em casa?
Aconteceu alguma coisa? Não, só queria conversar contigo.
Tudo bem, eu passo aí na hora do almoço.
Que bom que você veio.
Aconteceu alguma coisa?
Aconteceu. Estou me sentindo muito só.
Queria que você me fizesse companhia. Eu achei que fosse ser uma coisa rápida.
Vamos fazer o seguinte.
Eu tenho um compromisso agora. Volto daqui a meia hora, quarenta minutos.
Leocádio? Sou eu, Marlene.
Você vai me desculpar. Houve um contratempo. Eu não pude ir. Mas eu
noite com a minha noiva. Com a tua noiva, não.
Por que não?
Porque eu quero só você.
E ninguém mais.
Compreendeu?
Compreendi. Não me faça ser mais clara.
Pelo amor de Deus.
Não, não, não. Sai daqui, seu madeiro inútil. O senhor está demitido.
Além de tudo, é Botafogo.
Dona Marlene?
Volto logo. Milhões de beijos. Amor, Rafael.
Ai, que caralho.
Meu certo, meu melhor. Num impulso ao físico, você me pediu. Meti a mão na
Resultado? Fiquei sem emprego. Mas fez muito bem. Qual o problema?
O problema é que eu devo três meses de aluguel.
Deixa por minha conta.
Casa Loba.
Casa logo, resolve tua vida e me arranja um tal emprego.
Vamos ver, Raimundo. Vamos ver, tá? Vamos ver, não.
O negócio é pra já.
Desgraçado! Desgraçado!
Desgraçado! Desgraçado! Desgraçado! Desgraçado! Desgraçado! Desgraçado!
Desgraçado! Desgraçado! Desgraçado!
Desgraçado!
Desgraçado!
Eu também, meu amor.
Mas eu não traio o meu melhor amigo.
Nunca!
Eu prefiro meter uma bala na cabeça e atrair o meu melhor amigo.
Sua múmia!
Seu imbecil!
Diga lá, meu amigo.
Por último, eu prefiro conversar em outro lugar.
Tenta um pouco.
O que foi, querido?
Que mistério é esse?
É um assunto meio delicado.
Desembucha.
Bom, tu sabes que sou teu amigo do peito, não sabes?
Claro, e qual é a novidade?
O caso é o seguinte.
Tens confiança na tua mulher.
Perdentes? Por quê?
Porque eu tenho sabido de uns rumores bem desagradáveis.
Como assim, querido? Que rumores?
Por exemplo, eu sei de fonte limpa que a tua mulher tem um caso.
Olha, Eusébio, o que você está fazendo é uma condição muito séria.
Seríssima. Você tem certeza do que está dizendo?
Tenho.
Infelizmente. Eu vou sair daqui.
Eusébio, olha nos meus olhos.
O que eu chamo de certeza é o seguinte.
Você viu... Ah, o pirâmide tá aí. Você olhou pelo buraco da fechadura? Não,
Isso não é horóscopo.
Ah, isso não. Mas é o que todo mundo diz.
Ah, é o que todo mundo diz. É!
Mas você viu?
Não.
Então se você não viu... Você cai na sua boca e põe o filho aqui pra fora antes
que eu te bata, cara!
Seu cachorro indecente!
Vai!
Alô? Oi, Amélia. Juventino. Novidade?
O médico passou mais penicilina.
Peraí. Mais penicilina?
Mas o médico tá pensando o quê? Que eu sou a casa da moeda? Quatro dias.
Sete dias.
Impossível. Mas ela precisa tomar.
Eu sei que ela precisa tomar, Amélia. Eu sei.
Você conseguiu o adiantamento?
Não, não consegui adiantamento nenhum.
Se você precisar, eu posso empenhar a minha aliança. Não precisa empenhar a
aliança nenhuma, Amélia.
Alguma vez deixei de dar alguma coisa pra Amélia? Claro que não.
Eu tenho que desligar agora.
Qualquer coisa, me liga.
Tinha azeitona?
Não, disse que está sem fome, pediu outro uísque. Que desperdício, hein?
Pensar de um sujeito, não consegue dar conta nem de uma empada.
Quando um homem perde a fome assim, ou é dinheiro ou é mulher.
Dinheiro não é, porque não estava se afogando no uísque.
Eu nunca vi, mas dizem que ele tem uma noiva.
Costumava vir aqui depois do pedido com o Dr. Rafael e com a mulher do Dr.
Rafael.
Sabe o que me fez?
O teu amigo?
O cachorro do Leocádio?
Me agarrou à força.
Me beijou na boca.
Me violentou.
E agora anda atrás de mim como um cão.
Leocádio!
Rafael?
Cachorro! Desgraçado! Traidor!
Trata bem da minha filha, rapaz. Tu estás feito na vida.
Nem precisa pedir, doutor Seixas. Não precisa nem pedir.
Com certeza.
Fique à vontade, meu filho.
O que foi, amigo?
Não viu que eu estava conversando com o meu sogro?
Preciso de uma grana.
Quanto? Umas 500 pratas. 500 pratas? São 30 dias do Edmil. Faça as contas.
Como é que eu vou conseguir esse dinheiro agora?
Olha, eu vou te dar o que eu tenho, tá?
Não é porque você vai parar de dar dinheiro pra esse sujeito.
Ele brigou no emprego porque quis.
Mas Terezinha é meu amigo.
Além do mais, a gente sempre dividiu todas as contas, né?
Olha, faz o seguinte.
Me ajuda a conseguir um emprego pra ele com seu pai.
Faça o que for de contínuo.
Agora guarda esse dinheiro.
Anda, vai no balcão.
Bom dia. Bom dia, dona Dinha. Bom dia, dona... Bom dia. Obrigado.
Bom dia.
Dona
Dinha.
Pois não, senhora?
Há quantos dias que eu lhe entreguei e sobrou apenas isto?
Onde se gastou tanto dinheiro?
Com os mantimentos.
Mas todos os recibos das despesas estão aí.
Mas pra que se comprou tanta coisa?
A casa tem muitos empregados, dona Terezinha. Empregados?
Esse tipo de comida não é para os empregados.
É para os patrões.
É que na casa dos seus pais a mesma comida que eles comiam era servida para
empregados. Mas agora a patroa sou eu.
Desculpe, dona Terezinha.
Pode ir.
Depois conversamos.
Com licença.
Os criados me dão dois carinhos.
Terezinha, me diga uma coisa.
Por que todas as criadas são pretas?
Claro. Você pensa que eu sou boba.
Pois sim.
Criada branquinha não me entra aqui. Mas criatura.
Sim, senhor.
Só preta. E olha lá, hein.
Alô? Jandira. Oi, mamãe.
Como é, minha filha? Tudo bem?
Ai, mamãe, se eu soubesse que era tão bom, eu já tinha me casado há mais
Bensa de Deus, minha filha.
Outra coisa, seu marido já está trabalhando?
Ai, sabe o que é, mamãe? É que eu me sinto tão feliz, tão feliz, que até
que o Ronaldo tem emprego. Pois é, minha filha, mas infelizmente não se pode
viver só de amor.
Mamãe, eu estou pensando em fazer uma reunião íntima aqui mesmo. O Asdrubal
é de grandes festas, mas eu não quero que passem em branco.
Terezinha, você já reparou no corpinho dessa menina?
Reparei, sim.
Ah, fantástico.
Onde é que o senhor pensa que vai?
Eu tenho uma encomenda para o Asdrubal.
Tudo bem, mas a entrada dos empregados é pela porta de serviço.
Ele está logo ali.
E tem mais.
Não é Asdrubal.
É doutor Asdrubal.
Mariana, acompanhe esse senhor até o seu patrão.
Mas entrem pela cozinha.
Sim, senhora.
Por favor.
Com licença, doutora Trubel. Seu Raymond tem uma encomenda para o senhor.
Tá bom, obrigado.
Com licença.
Quieta aí, Raymond.
Que vida chata. Ai, mundo, que vida chata, meu Deus do céu.
Vida chata? Com uma mulher dessa dentro de casa? Tens em casa o material de
primeira, droga.
O que é isso? Perdeu o juízo? Tá falando com Terezinha?
Terezinha, seu animal.
Zola, tô falando da sua criada aí.
A Mariana?
A própria.
Ah, mas é preta. E daí?
Você é um burro, rapaz.
Preta, roxa, verde bandeira, azul marinho. Mas que corpinho.
Que perfeito.
Já entregou a encomenda? Já fez o que tinha que fazer?
Ou veio buscar mais alguma coisinha?
Não, doutora.
Então faça o favor de se retirar.
Com licença.
O senhor aceita um café com bolo?
Aceito sim, obrigada.
Seu amigo já foi?
Já sim, ele acabou de sair.
Posso? Por favor.
O senhor deseja mais alguma coisa?
Não.
Por enquanto, não.
Amor!
Meu filho, o teu emprego?
O teu emprego?
O teu, ora.
Quantos dias te deram de licença?
Meu anjo, antes disso.
Mas acontece o seguinte, na véspera do casamento eu me despedi.
Mas por quê?
Eu briguei lá.
Mas nós vamos viver de quê? De brisa?
E por que você não me contou?
Ah, meu anjo.
Você tá fazendo um bicho de sete cabeças.
Afinal de contas, teu pai é rico e ele... Mas nós não vamos viver às custas
papai. O que que é?
Papai é duro na queda.
Além disso, eu tenho meu brilho.
Posso pedir a qualquer um.
Menos a papai.
Para. Tá bom assim, não tá?
Hum?
Confessa.
Hein? Para, amor.
Para. Não, pescoço não.
Pescoço não.
Inconcebível.
Jandira. Eu falo sério, meu amor.
Acabou -se o meu dinheiro.
O único jeito é recorrer ao teu pai. Ao meu pai nunca.
Nem morto, ouviu? Nem morto.
Tira isso da cabeça. Mas o que que tem?
Um homem que não sabe como gastar o dinheiro, dar fortunas às mães.
Por que que não daria algum a própria filha? Esqueça o meu pai.
Eu não vou mendigar nada com a minha família.
Arranja outro emprego.
Emprego que o papai até arranja.
Dinheiro aqui não.
Muito bem.
Já vi que vou ter que me virar.
Boa tarde, é sobre uma avaliação.
Um relógio.
Ontem.
Tem um J e um I gravados no verso.
Quanto?
Mas é um relógio de 1930, foi presente em casamento.
Como não importa? Isso é um absurdo.
Olha aqui, se eu quisesse fazer uma doação, tinha que ir da Cruz Vermelha.
Senhor, senhor. Sim? Aqui está sua mesa.
Ah, tá ok.
Obrigado. Aqui no corredor?
Não, não. De jeito nenhum, meu senhor.
Eu fiz uma reserva de uma mesa pra seis pessoas no fundo do restaurante.
Justamente porque é mais reservado.
Senhora, aqui está sua reserva. Ela realmente foi feita pra seis pessoas,
sem a solicitação de um local específico.
Asdrubal, faço alguma coisa? O que que há, Terezinha? Essa mesa aqui tá ótima.
Tá ótima pra... Você que se acostumou com qualquer coisa. Pois eu não aceito.
não aceito e pronto.
Perdão, deixe -me explicar, dona Terezinha. Dona Tereza, Juventino.
Dona Tereza Seixas. Pois não, dona Tereza Seixas.
Nós vamos resolver, não é, Mocir?
Perfeitamente. Mas enquanto arrumamos uma mesa lá no fundo, eu pedi -lhe para
ela sentar por uns instantes aqui na mesa do presidente.
Presidente? Que presidente?
O presidente, dona Tereza. O Juscelino era essa. É, o Juscelino?
Juscelino.
É exatamente nessa mesa que ele prefere sentar quando vem aqui. Exatamente
nessa.
E eu posso saber o porquê?
Porque, segundo ele, daqui ele tem uma visão total do ambiente.
Ele pode ver e ser visto por todos. Ele pode observar melhor o seu povo. É um
visionário. Está vendo, meu anjo?
É muito mais fácil agradar o presidente do que agradar você.
Está bem.
Esperamos aqui, então.
Obrigado, dona Tereza.
Por favor.
Obrigado.
Com licença.
Com licença.
Obrigado.
Só não sei como ela acreditou nessa história.
Nem eu. Acho que ela não sabe nem quem é outro ser lindo. Fico imaginando o
presidente sentado naquela mesinha, sem vergonha. Pelo amor do santo Cristo, que
mulherzinha difícil.
Isso aí que merecia uma bela pneumonia.
Isola. Ô, senhor, que ventinho.
O que é isso?
Onde você vai assim, nessa hora?
Vou dar um jeito nessa situação.
E olha, hoje teremos visita pro jantar.
Olha, um golpe genial.
A vida!
Portela, imagina aquela pequena usando duas pétalas em panela. A irmã é um
espetáculo. É coisa de fechar o comércio.
Uma teteia, Portela. Uma teteia.
Predileto. Obrigado, inventino.
Inventino, inventino, por favor.
Não sei onde traz, né, seu Pinho?
É que essa bebida é meio besta.
Pode não, doutor. Obrigado.
Ô, Juventino, a pimentinha, por favor. Dedinho de moça? Não.
Traz a moça inteira. Olha, Ronaldo, é que eu vou ficar te devendo. Mas isso
já tem muito.
Que cara de teu é essa, Jandira?
Ah, deixa pra lá.
Ronaldo já começou a colocar as asinhas de fora?
Como assim, Laurinha? Não entendi.
Ai, bandeira.
Só vai ter pra acreditar nesse malandro?
Isso é culpa do papai que te mimou a vida toda.
Ele arranjou outra?
Claro que não.
Só anda muito esquisito.
Esquisito? É. Não te procura mais?
Não. Nesse ponto eu não tenho do que reclamar. Então o que é, meu Deus?
A novidade é que ele pediu demissão e agora só fala na fortuna do papai. Você
comentou com a mamãe sobre isso?
Claro que não, né, Laurinha?
Tudo que eu comento com a mamãe ela corre e conta pro papai?
Você só vai ficar sabendo disso. Eu não posso nem imaginar o que pode acontecer.
Jandira, preste atenção.
Você não precisa deste homem pra nada.
O que é o Ronaldo?
Um borra -bota.
Se você não estiver satisfeita, troque de marido.
Vai ter uma fila de homens no Rio de Janeiro atrás de você.
Mas eu amo o Ronaldo.
Mas já já isso passa.
Passa? Por quê? Porque ninguém ama ninguém por mais de dois anos.
Isso, sete bolos.
Ótimo, você pode reservar pra mim?
Juventino, Souza com Z, de Araújo.
Não, não, eu vou incluir na minha conta esse retorno no final do mês.
Como não pode?
Mas você tem que entender que... Mas é uma emergência, eu sou cliente antigo.
Então vá plantar batata.
Juventino, sua cara está pior que a minha. O que houve?
Nada não, doutor Feb. Nada não. Claro que houve. Fala, homem.
É, esmenda minha esposa e conta com a saúde meia balada, mas já, já, melhor.
Como não tem esposa, felizmente não tem esse tipo de problema.
Ou melhor, infelizmente.
Pois, apesar de tudo, eu agradeço a Deus todos os dias por ter a minha.
Pois, você que é feliz, Juventino, nem todo mundo tem a sorte de amar a mulher
certa.
Você. Você.
Você pode ser um bico de bezerro quando vai lá, mas pelo amor de Deus, seja
discreto. Eu não sou dedo duro, mas não quero nem posso perder meu emprego por
sua causa.
Meu amigo, ganhar dinheiro é que nem ganhar mulher. Quem não arrisca, não
petite. O que tem a ver com você com esse papo furado? Seu Juventino, essa
é boa pra trabalhar, mas não se pode receber gorjeta. Como é que alguém vive
de salário? Você sabe que eu vivi minha vida toda.
Tudo bem, seu Juventino.
Você sabe o que era chão?
Chão? Pois é.
Se eu não fosse tão cabeçadura, ainda saberia.
Doutor Portela, vai jantar agora?
Não, Juventino. Eu tenho um compromisso hoje à noite e ainda tenho que passar em
casa. É, hoje o jantar é por conta de Jandira.
Jandira?
Minha mulher, Juventino. Casei.
Você, Ronaldo?
Quem diria, hein?
Ai, foi ótimo.
Obrigado, Paulo. Tem sempre.
Obrigado, voltem sempre.
Isso aqui é para você, Juventino, ter resolvido aquela situação.
Doutor, eu não posso aceitar.
Imagina, Juventino, o que é isso? Deixa de bobagem, faça o que é tão. Não, não,
infelizmente aqui não podemos aceitar, Gugeta. Eu sei, mas eu faço o que é tão
não tem... Gugeta?
Gugeta?
Gugeta? Gugeta?
Gugeta? Gugeta?
Que o papai custou muito o dinheiro.
Muito.
Belezinha.
Vamos embora.
Obrigado, Juventino.
Volta em centro.
Dia puxado, hein, Sr. Juventino?
Puxado é não ter trabalho, Matheus. Isso que é puxado.
Sr. Juventino, eu espero que o senhor não se ofenda.
Mas eu queria lhe falar sobre um serviço. Matheus.
Mocê, eu já disse que eu não quero saber o que você faz. Deixa de fazer fora
dessa casa. Essa coisa é grande. Seu Juventino é recepção de um embaixador. A
grana é preta. Eu sei o quanto é difícil para o senhor, depois de tanto tempo
trabalhando no mesmo lugar.
Mas eu só estou lhe falando isso.
Porque eu sei da sua necessidade.
Eu não posso perder meu emprego. Vamos, homem.
Se não for pelo senhor, que seja pela sua esposa.
Está certo, Mocê.
Seja o que Deus quiser, pode contar comigo.
Mas não quero tocar nesse dinheiro, hein?
Prefiro receber de outro jeito.
É a próxima onde vê tiro.
Bom jantar, doutor Portela. Ronaldo.
Eu não quero tocar nesse dinheiro, Mocê.
E paga em penicilina.
Penicilina.
Vamos entrando, Portela. Vamos entrando.
Obrigado. Fique à vontade.
Portela, essa é a Jandira.
Minha mulher.
Muito prazer.
Muito prazer.
Satisfação.
Então, Portela, não é o que eu te dizia?
Linda, não é?
Realmente é uma das senhoras mais bonitas que eu já vi em toda a minha
Meu amor, eu vou sair pra comprar cigarro.
Faz companhia ao Portela.
Vou tirar a mesa.
Juro que eu não podia imaginar que você fosse tão linda.
Isso. Deus, tá louco?
Chama o meu marido, hein? Chama o seu marido.
Amor! Chama, chama o seu marido.
Amor! Amor, que isso?
Solta -me, se para!
Olha que palhaçada é essa? Vamos acabar logo com isso? O seu marido me pediu
dinheiro por você?
O quê?
É isso mesmo.
O teu marido te vendeu. Te vendeu pra mim por cem contos. Cem contos por uma
hora por você.
Eu trouxe dinheiro.
Aqui o cheque.
Tá vendo bem?
É seu.
Volta me ser feliz.
Jandira, preste atenção.
O que é o Ronaldo?
Um borra -botas.
Tudo bem.
Pode me beijar.
Me beija? Vem.
Boa noite, boa noite.
Portela.
Você pode voltar quando quiser, viu?
E ó, você de graça.
Agora você, meu marido.
Tô apagando.
Alô? Tá sim, quem deseja?
Um momentinho.
Eusébio, telefone.
Eusébio?
Eusébio, acorda.
Telefone. Quem é?
Não quis dizer, não.
Voz de homem ou de mulher?
De mulher.
Alô?
Eusébio me encontre às 14 horas na garagem do seu trabalho.
Sem falta.
Elvira? Elvira?
Elvira?
Alô. Alô, boa tarde. O Eusébio se encontra?
Quem deseja? É o Orozimbo.
Orozimbo. Você tá fugindo de mim, é isso? Vai embora daqui que eu não quero
conversa. Quer conversa? Sim, senhor. Olha, cavaleiro, o Eusébio saiu. Saiu?
Você tá com medo de mim.
Sai pra onde?
Aliás, de mim não, de si. Ele recebeu uma ligação e saiu. Ah, sei.
Tá com medo dos seus próprios desejos. Afinal de contas, você é homem ou não é?
Olha! Tudo bem.
Obrigado. Eu disse pro seu marido que você tem um amante. Por nada. Assim que
ele voltar, eu digo que o senhor ligou. Imagina se ele soubesse que era a mim
que você percebeu.
E se ele tivesse acreditado?
E se ele tivesse me dado um tiro?
O sonho acabou. Tu vai ser minha agora.
Mariana? Quem deseja?
Um amigo.
Mariana, pra você.
Pra mim?
Alô?
Mariana, aqui é o Raimundo, o amigo do Osdrubal.
Ah, como vai, seu Raimundo?
Ninguém pode saber que eu liguei. Me fala o meu nome.
Ah, sim, senhor.
Mariana, me diz uma coisa.
Você desfilou no carnaval? Você mesma, naquela revista?
Ah, sou eu sim. Que vergonha.
Vergonha por quê? Você tá maravilha.
Olha, seu patrão também adorou, viu? Foi ele que me mostrou sua foto.
O doutor Adru?
O que foi que ele te... Está pensando.
Ah, obrigado.
Até logo.
Bom dia, patrão.
Patrão. Se eu fosse mesmo teu patrão, eu tinha te mandado embora há muito tempo.
Se é hora de chegar... Me conta, como é que anda a nossa rainha de Sabá?
Rainha de Sabá, irmão? Que história é essa?
Seu chofer me contou, a gente voou aqui no Carnaval.
Sua criadinha Mariana saiu chantejada assim, de rainha de Sabá.
Que isso.
Maravilha, né?
Deixa disso.
Para com isso, aqui é um caso sério. Sabe muito bem que meu sogro entra aí
hora. Para ficar com preconceito, bicho.
Sabe que a menina é preta?
Donazinha. Pois não?
Diga ao meu marido que eu não vou jantar.
Eu tomei um remédio pra dormir e vou me recolher mais cedo hoje.
Sim, senhora.
Boa noite.
Boa noite.
Donadinha, por que a senhora não aproveita e vai se deitar mais cedo
Eu termino o resto.
A senhora tem que trabalhar demais, não?
É.
Pode ser.
Meu coração Não sei porquê
Bate feliz E muito e
muito que te quero Tiras mais de mim
Vem, vem, vem
Vem sentir Doutora Osdrubal?
Dona Terezinha não estava se sentindo muito bem. Se recolheu mais cedo.
Alguma coisa grave?
Não, eu acho que não.
Quando o senhor quiser, Mariana lhe servirá o jantar.
Precisa não, Dona Dinha.
Eu não vou jantar.
Boa noite.
Boa noite, doutor.
Mariana. É, que susto.
Mariana, que jeito é esse?
Que jeito, dona Dinha? Mariana, eu não te trouxe pra cá pra você ficar me
armando confusão. Olha bem onde você está se metendo.
Ele é seu patrão.
Desculpa, dona Dinha. A senhora tem razão, não se preocupe. Eu sou
por você. Verá o que você faz, menina. Pode deixar, dona Dinha, que eu sei bem
onde é meu lugar.
Só vou servir jantar. Não, não vai servir jantar nenhum.
Você vai trancar as portas e depois vai dormir.
Escutou?
Dona Terezinha, a senhora já decidiu o cardápio pra hoje à noite?
Nada muito complicado, dona Dinha. Seu patrão tem um gosto muito simples.
Talvez uma carne assada com batatas coradas.
Ainda por cima vai trazer aquele pé rapado do Raimundo que nunca viu um
na vida.
Bom dia.
Bom dia.
Bom dia.
Parabéns, meu amor.
Obrigado. Senta.
Não, Terezinha, não vou poder ficar pro café. Eu tô atrasado. Eu demorei muito
dormir essa noite.
Não parece.
Tá com uma cara ótima.
Não vai me dar um beijo?
Bom trabalho.
Até a noite.
Até.
Um pouquinho mais para a Fernanda, por favor.
Estou preocupado com esse excesso de encontros, eu vi.
Uma hora o Rodimbo vai descobrir. Uma hora, Eusébio.
Eu sei o que estou fazendo.
Vamos dar um tempo. Não, nem pense nisso.
Vamos dar um tempo. Josébio, deixa comigo.
Vamos, levante. Eu preciso buscar minha filha na escola.
O que é isso?
Cheque. Cheque.
Leia, meu filho, leia em voz alta.
500 mil cruzeiros.
Para uma viagem a Paris e outros vícios.
Rapaz, vamos marcar já essa viagem. Não vai ter viagem nenhuma.
Você está louco? Não estou louco, não. Estou muito bem. E aproveito para
comunicar aos senhores que eu vou me desquitar de minha esposa, sua filha,
Terezinha. Cala a boca! E tu me casarei com minha criada, Mariana.
No Uruguai, no México ou no raio que eu passo.
Eu vou matar você, cachorro!
Bora, Mariana! Corre que ele está armado!
Filho, o café vai esfriar. Já estou indo, meu anjo.
Eu levo, estou sendo vigiada. Não posso mais falar ao telefone.
Me encontre hoje mesmo, no horário do tempo, na Praia do Flamengo, 187,
apartamento 305.
Um beijo, eu vi.
Valeu, Tócio.
Será que eu gostaria?
Eu sei de tudo, canalha.
Calmarozinho. Estou calmizinho.
Só não mato aquela cretina, sabes por quê?
Porque a mãe da minha filha é sagrada.
Também não te mato.
Porque eu não quero que a minha filha tenha uma mãe triste.
Entendeu?
Então você deve estar se perguntando.
Que diabos estamos fazendo aqui, não é mesmo?
Veja o coração.
Cinco para as três.
Muito bem.
Essa mesma hora, às terças -feiras, a Elvira me trai com você, seu canalha.
E hoje, quinta, ela trai a ti.
A mim?
Sim, a ti.
Elvira,
olha ele naquela janela.
Sabes com quem?
Com o Linhares, nosso amigo.
Linhares? Com o Linhares, percebeste?
Olha só que cretina.
Essa tua mulher não presta, Orozinho.
Mas eu mato esse desgraçado. Minha mulher não, nossa mulher.
Se eu não matei, tu também não vais matar, Eusébio.
Tipia, tipia, dá uma olhadinha.
Sente o que eu tô sentindo.
Amigo, é pra essas coisas.
Tu não prestes a sua vadia.
Não ia falar sacanagem.
Fala sacanagem.
Vagabunda.
Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco.
Bendito sois vós entre as mulheres.
Bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores.
Agora e na hora de nossa morte. Amém.
Onde está a Diminha?
Como ela está?
Diminha!
Diminha!
Como ela está?
Cadê você, meu anjo?
É assim.
Esse negro não pode alguém morrer de pneumonia.
Se fosse trânsito, ia trabalhar uma pneumonia.
Essa penicilina é o conto do migalho.
O que é isso? O que é isso?
Você que conhece a média, eu mereço isso.
Para comigo.
Para de rezar. Para, pois eu sou mais.
A espelha está morta.
E a mulher está morta. Como calma, meu pai. Como calma. Porque não vou ter que
ficar viúvo. Aliás, sua mulher que mereceu morrer.
É a Leviana. O que você sabe de mim, juventude?
Leviana! Leviana!
Você está exagerando. Eu avisei para me soltar.
O que é isso?
Quase arrancou o lábio da minha mão.
Mas os dentes dele não são justiços. Sei lá, eu vou cuidar do inteiro.
Vai, meu filho, vai.
Eu queria ver vocês, viúvos. Eu juro que eu queria ver.
Um minutinho.
Juventino, seu cunhado.
Alô. Juventino, sou eu, Ismael. Fala, Ismael.
Juventino, a tua coroa tem que ser de orquídea.
Por que não?
Está meio puxado.
Puxado quanto?
Duzentas pratas. Quanto?
Duzentas pratas. Mas eu roubo.
Eu vou fazer o seguinte, Ismael.
A doença da tua imagem é que eu sou completamente endividado.
Só na farmácia eu tô devendo a alma.
Arranja uma coroa mais em conta, Ismael.
Orquídea é uma flor muito besta.
E qual é a dedicatória?
Põe assim... Asmênia, saudade eterna do teu
Juventino.
Chegou a minha hora.
Juventino, vem dar o último beijo na sua esposa.
Meu sogro, no caixão, de jeito nenhum.
Mas por quê?
Detesta ver gente morta.
Que absurdo. Mas, Juventino, é a sua esposa.
Por que não pintam os cadáveres?
Você só pode estar maluco. Cara, vá pro inferno!
Você que me defenda a morte, não ela.
Calma, gente.
Não é hora para confusão, pelo amor de Deus. Respeite afinada.
O enterro vai sair daqui?
Claro, e sairia de onde? Do Maracanã?
Nunca houve marido mais feliz do que eu.
Duvido.
Ismênia era o anjo dos anjos, a flor das flores.
Era tão séria que namorou comigo um ano, noivou dois e só topou beijo na boca
depois do casamento.
Ismênia teve o dor de mim até o último momento.
Nunca tomou injeção que não fosse no braço.
Isso é que era mulher 100%. O resto é
conversa fiada.
Por favor, pode pôr ali no canto, por favor.
O teu juventinho.
Bacana.
Bacana, Ismael.
A inesquecível Ismênia, em todo amor de Otázio.
Otázio.
Quem é Otázio?
Alguém conhece algum Otázio?
E o porquê?
Ismael, eu sou verdadeiro.
O cara que mandou isso gastou os tubos.
Mas porquê?
Calma, Juventino. Toma um cafezinho. Ah, por diabo que te carregue. Eu não
mereço isso.
Ismael, quem é Otávio Ismael?
Meu sogro, quem é Otávio?
Boa noite.
Você?
Você?
Como, Otávio?
Meu sogro, eu não mereço isso.
Mas eu vou atender ao seu pedido.
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