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Original subtitles

- O que fazes aqui? - Raptaram os miúdos.

- Quem? - Os cabrões dos Regrawskis!

Mas eles têm a guarda. Ajudaste-os a adotar os miúdos.

Ninguém me disse que se mudariam para o Canadá ou onde fosse.

- Levas-me a Varsóvia? - Agora?

Quando havia de ser? Vão partir.

O Krystian não vai contigo.

- Que faz ela aqui? - Não o arrastes para a tua merda.

- Já lhe estragaste muito a vida. - Podes não me ajudar?

Vou para a cama.

Acalma-te, Pati. Falamos amanhã.

O que estás a fazer? Para!

Para!

Foda-se!

Porque fizeste isso, idiota?

Queres morrer? Eu devolvo-te o carro.

A sério. Vou deixá-lo na esquadra.

A polícia emitiu um relatório após os motins entre os hooligans

de Iskra Zbiczno e Polonia Wielun.

Uma rapariga de 20 anos ficou ferida numa explosão.

- Onde é que... - A polícia...

Pronto...

Estou? Tive um acidente.

E o bebé precisa de ajuda.

Obozin.

Não sei. Seis meses, talvez...

Ajudem-nos...

Eu levo-o.

- Houve mais alguém envolvido? - Não.

Vou levar o bebé à ambulância e vamos ao hospital.

Temos de instalar a cadeirinha. Aguarde aqui.

Pupilas reativas.

Protege o assento.

- Parâmetros, IV, líquidos. - O que se passa?

Temos um bebé acidentado. Vamos levá-lo para as urgências.

- E a condutora? - A mãe. Vou buscá-la.

Ainda agora estava aqui.

- Estou? Pati? - Tive um acidente.

- Que acidente? - Um acidente.

Que acidente? Onde estás?

- Perto de Starogard Gdanski. - Mas onde exatamente?

Não sei. Perto de Starogard. Ajudas-me uma última vez? Por favor.

Não vês que está a tentar meter-te noutra alhada?

Estou a falar contigo, meu!

Se saíres, nunca mais voltes.

Estás a ver mal o filme. A casa é minha.

Quando voltares, já me fui embora.

- Como queiras. Vou trabalhar. - Achas que sou burra?

Inspetor.

Encontraram o carro com o bebé.

Despistou-se perto de Starogard.

- E o bebé? - Está nas urgências.

- E a condutora? - Fugiu. Foi ela que ligou ao 112.

- Temos o número de onde ligou? - Em breve teremos.

O Malinowski está a confirmar.

Está bem. Trata disso.

PARA KRYSTIAN: NA PARAGEM À SAÍDA DE DABROWKA

E então?

É um pré-pago. Número não registado.

Tenho este número.

O instinto diz-me que pode ser ela.

Porque está este frio de merda?

Olha. É a puta? Estará viva?

Não sei, toca-lhe com um pau. Com o teu pequenino.

Toca tu. Olha para ela. Pergunta quanto é um broche.

- Para, meu. É uma puta qualquer. - Dá para pinar.

Olá, inspetor. Quer um café?

Olá. Procuramos a Patrycja. Ela está em casa?

Teria de verificar. Wieska!

O que se passa, amor?

A Pati está em casa?

O que se passa?

Ela dormiu cá esta noite?

Ela tem saído à noite, ultimamente, por isso, não fica muito em casa.

Ou volta de manhã... Seja como for, ela não está cá.

- Aconteceu algo? - Só temos de saber onde está.

- Claro. - Pode estar em casa do Krystian.

Talvez esteja com ele, têm tido altos e baixos.

- Ligue-nos quando ela voltar, sim? - Claro.

Claro.

- Adeus. - Adeus.

Adeus.

Não sabia que havia um bebé lá dentro.

Se estivesse a chorar ou se me tivessem avisado...

Os bebés daquela idade estão sempre a chorar.

E estava tudo tão silencioso.

- Sabes que te vão encontrar. - Eu sei.

Só quero ver os miúdos antes de me prenderem.

Para saberem que não os abandonei.

Em que te meteste?

Eu sei que fiz merda.

Fiz merda da grossa.

- A que horas é que ele saiu? - Não sei. Estava a dormir.

Ele vai trabalhar quando ainda está escuro.

- Onde trabalha? - Nos barcos de pesca.

Se estava a dormir, como sabe que não saiu de noite?

Sei porque fizemos sexo à noite.

Já ouvi isso de outra rapariga.

Vocês as duas andam a conspirar ou quê?

Ele já não anda com a Pati.

Ele está comigo.

Toma.

Toma, põe o boné.

Posso usar o teu telemóvel?

- A quem queres ligar? - Aos Rulewskis.

Eu atendo.

Estou?

Enganaste-me.

Não é o que pensas.

Queres apagar-me da vida deles? Não vais conseguir, ouviste?

Tenho uma irmã em Toronto. O Marek achou emprego.

Íamos convidar-te assim que nos instalássemos.

Se me querem convidar, porque estão a fugir?

Temos de ir já. Não queria complicar-te a vida ou...

Quero ver os miúdos.

Ligo-te quando chegarmos.

Não quero saber! Quero ver os miúdos! Ouviste?

Estou? Foda-se! Merda!

Quem era?

A tia Lena. Ela queria saber se o nosso avião não se atrasou.

Olá, pequenotes!

- Por fim! - Gostam de comida chinesa?

Vá, o papá trouxe almoço! Quem tem fome?

É para mim.

- O que se passa? - Olá.

A bófia anda a ver de ti. Onde estás?

O que disseste?

O que tu disseste, que estás no trabalho.

Num barco de pesca ou assim.

Ótimo.

- Quando voltas? - À noite. Não me ligues mais.

Krystian...

Anda. Temos de ir.

Porque é que todos me abandonam?

Eu não te abandonei, Pati. Tu é que me abandonaste. Anda.

Estou? Chegámos ao local onde ela ligou pela última vez.

Uma paragem de autocarro na estrada para Chojnice.

Encontrei um telemóvel!

Encontrámos um telemóvel. Deve ser dela.

Mas acho que não nos serve de muito.

Houve desenvolvimentos durante a noite.

- Olá. Bomba 2. - Olá.

O bebé ferido foi para o hospital.

Precisa de fatura?

O condutor que provocou o acidente abandonou o local.

- Só o recibo. - Café? Cachorro-quente?

Não, obrigado.

- Tem cartão de desconto? - Não, adeus.

Talvez esteja num Chrysler Voyager vermelho-escuro,

com matrícula GPU 1125. Caso tenha informações...

Amanhã o país estará nublado.

Temperatura: 14-17 graus Celsius. Possíveis aguaceiros.

O que estás a fazer?

Vamos por estradas secundárias, é mais seguro.

Apanha um táxi. Não passamos no meu carro.

Vai, Pati.

Ou será tarde. Vou dar a volta e tentar despistá-los.

Patrycja!

Tem cuidado contigo.

Para onde vamos?

Para o aeroporto, certo?

- Mas partidas ou chegadas? - Partidas.

- Vai voar para muito longe? - Toronto.

É muito longe.

- Então, porque não traz bagagem? - É intrometido, não é?

Peço desculpa. Só gosto de conversar.

A minha família tem a minha bagagem.

Estou?

Onde estás?

A caminho de casa.

A que horas chegas?

Disseste que não estarias aí.

Mas estou, à espera.

Não sei quando. Daqui a umas quatro horas. Não sei.

Está bem.

Tenho de desligar. Adeus.

Merda.

Desculpe. Sei que estava ao telefone, mas o alta-voz avariou e...

- Krystian Malek? - Sim.

- Está alguém consigo no carro? - Não. Estou sozinho.

Por favor, saia do carro. Tem de vir connosco.

Desculpe, a que horas há voo para Toronto?

- Refere-se à próxima ligação? - Sim.

A última de hoje é às 22h20, via Munique.

- Obrigada. - Obrigada.

- Onde está a Patrycja Cichy? - Não sei.

Ela estava consigo no carro. Apanhou-a perto de Starogard.

Onde está ela agora?

Eu estava em Varsóvia. Coisas pessoais. Ia agora para casa.

Já chega. Ouve bem, monte de esterco,

mais uma mentira e ficas em mais sarilhos.

Serás cúmplice.

De quê?

A Patrycja Cichy roubou um carro com um bebé e causou um acidente.

Não sabia disso.

Dás-me um cigarro?

Obrigada.

- Que horas são? - São 19h30.

Quanto tempo antes tem de se estar aqui?

É a minha primeira vez, estou stressada.

Duas horas, por precaução. Para onde vais?

Para Toronto. Via Munique. Obrigada pelo cigarro.

- Só podes fumar aqui. - O quê?

É proibido fumar fora desta área.

- Inspetor Maciej Molenda. - Kopeć.

Boa noite, Sr. Malek.

Ele não sabe de nada. Não sabe da Cichy.

Não fazia ideia do acidente.

Nadinha.

Vou dizer-lhe uma coisa que ainda não sabe.

- A sua amiga causou um acidente... - Não sei de acidente nenhum.

... onde morreu um bebé.

- Está a mentir. - Não estou.

Está, sim.

Hemorragia interna. Morreu no hospital.

Ligou a perguntar se podia ir buscá-la.

De onde?

Uma paragem de autocarro em Dabrowka.

Agora está a dizer a verdade. Onde está ela?

Natalka?

Desculpem.

Pati? Pati!

- Olá. - Vais voar connosco?

Desta vez, não.

Vai primeiro e depois contas-me.

Vou pensar no assunto.

Ouve.

Vai correr tudo bem.

Cuida do teu irmão, está bem?

E tu?

Tenho de ficar aqui. Eu fico bem.

Vais deixar-nos?

Não, nunca vos deixarei.

Lembrem-se de mim, sim? Mas esqueçam o passado.

Têm de ser felizes.

Tenho de ir.

Algeme-me lá fora, por favor.

Não!

Tradução: Carolina Belo Matias Iyuno

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