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Entra, Pati. Fica à vontade.
O Franek está na universidade. Só volta no Natal.
Nessa altura já não vou estar cá.
Eu trago o resto.
Não te preocupes, eu trago.
- Deixa o homem fazer exercício. - Claro.
- Almoças connosco? - Não, como em casa dos Rulewskis,
que vão adotar os putos.
Dão-me graxa para não os difamar em tribunal.
Se gostam dos miúdos, porque não? Vão ficar perto e em boas mãos.
- Muito obrigada, Sr. Rysio. - Aqui tens.
A propósito, ainda limpo a casa deles.
- Dos Sobotkas? - Sim, podes vir comigo.
Claro, nunca recuso dinheiro extra.
- Está bem. Diverte-te. - Obrigada.
- Não sei, está muito rijo? - Parece borracha.
Mas está bom. Puseste sal, certo?
- Um pouco. - Não devias.
- Marinaste? - Não.
Então é isso.
Um dia, faço-vos boeuf bourguignon. Derrete-se na boca.
Fica a marinar em vinho tinto durante 12 horas.
Eu gosto.
Até gostas de piza de micro-ondas que é do mais nojento de sempre.
Porque não fazemos um churrasco juntos?
- Também aprendia algo. - Eu alinho.
A carne não é má. Ainda temos dentes, não é?
- Posso ter andado stressada. - Porquê?
- Amanhã é um grande dia. - O que há amanhã? Escapou-me algo?
A audiência no tribunal.
É verdade, a audiência. Ainda não sei o que vou dizer.
- Se tu... - Não estava a pedir conselho.
Não a ti.
Come, se gostas tanto.
- Adeus, minhas pestes. - Adeus, Pati.
Não queres passar cá a noite? O quarto de hóspedes está pronto.
Não posso. Desculpem. Tenho o turno da noite.
- Estás em Wejherowo às 11 horas? - Posso ir buscar-te.
Não é preciso. Eu desenrasco-me, como sempre.
Preciso de um cigarro.
Nunca te via na época alta e agora vejo-te todos os dias.
Não gosto da época alta. Há muita gente.
Como foi o casamento?
Como qualquer outro.
São todos iguais.
Posso pagar-te um café ou uma cerveja, um dia destes?
- Talvez. - Fixe.
Peço desculpa, uma era Coca-Cola Zero.
- E é. - Qual delas?
- Esta. - Tens a certeza?
Não sei. É algum concurso? Bebe e diz-me.
Pensei que tinhas deixado de beber.
- Queres ir fumar? - Agora?
Vamos.
Encontraram o corpo. Apareceu em Kuźnica.
Foi uma sorte não ser aqui.
- Eles andam a chatear-te? - Ainda não.
Ainda bem.
E tu? Estás em casa da Wieśka?
Pode dizer-se que sim.
- Estás bem por lá? - Já estive melhor.
Seria fixe ter-te de volta.
Seria fixe porquê?
Porque estamos nisto juntos.
É por isso que não posso voltar, percebes?
Mas eu já não bebo e...
Não, Krystian.
Pati! Também preciso de uma pausa.
Cuida-te.
Olá, marujo! Como se está no mar?
Bem, mas há muito vento.
A família Rulewski está registada no sistema de adoção há um ano.
Estabeleceram uma ligação próxima com Natalia e Natan Cichy.
As visitas ao fim de semana fortaleceram os laços.
O bem-estar mental das crianças melhorou muito.
Há vários sintomas visíveis, como a enurese noturna do Natan.
Obrigada.
O tribunal ouvirá agora a meia-irmã adulta de Natalia e Natan,
a menina Patrycja Cichy.
- O que eu penso, certo? - Certo.
O que eu penso não importa.
A única coisa que importa é o que o Natan e a Natalka pensam.
Mas se a Meritíssima pergunta, eu falo.
Fiquei a conhecer melhor os Rulewskis...
... e acho que farão os possíveis para fazerem os miúdos felizes.
Muito obrigada. Estou muito feliz. Obrigada.
Vens buscá-los connosco?
Vão sem mim. Preciso de desanuviar.
E beber um copo. Não posso fazê-lo convosco, certo?
Mas estou aliviada.
Nunca pensei que me sentisse assim.
Cuida dos miúdos, está bem?
Pati, hoje não vais ajudar, só vais dar problemas.
Não te preocupes.
Hoje vou fazer magia como uma bruxa na vassoura.
Sim, claro.
Entra.
Foi uma noite louca, não?
Ainda tresandas a álcool.
- Tive de desanuviar. - E desanuviaste?
Quando é a escola?
- Não sei, não vou. - De que raio estás a falar?
Tens os miúdos tratados, um emprego e uma cama em minha casa.
Acaba a escola, luta por ti. Não haverá melhor altura.
- Pareces uma mãe a falar. - Não como a tua, aposto.
Desculpa, mas é o que é.
Acaba a escola. E, no fim, põe a loiça na máquina.
Olá.
É difícil acompanhá-la.
Um dia, vive com o seu noivo, no outro, vive com os seus amigos.
- Bom dia. - Bom dia.
É preciso incomodar as pessoas? Não há outra forma?
Esperava no carro, mas o Sr. Ryszard convidou-me para tomar café.
- Vamos à esquadra. - Para quê?
Esquece. Eu resolvo isto.
- Mas... - Já causei muitos problemas. Vamos?
Muito obrigado, senhor. Adeus.
- Adeus. - Adeus.
- Temos o corpo do Wojciech Szlas. - E então?
Deu à costa.
- Nem todos sabem nadar. - Vamos deixar-nos de tretas, sim?
Estão a jogar ao "polícia bom, polícia mau"?
As câmaras de vigilância de Sopot mostram-na lá no dia da morte dele.
Acontece.
Mas também encontrámos gravações anteriores.
Bem, apanharam-me.
Dou-vos os parabéns? Podem prender-me por vandalismo.
- Matou o Sony porque ele a violou. - De que está a falar?
Que violação? Veja os papéis. Não houve violação.
Voltou atrás porque não tinha provas.
A minha mãe morreu por causa dele.
Vi o carro dele em Sopot e furei os pneus. Só isso.
Talvez tenha sido o seu amante que matou o Szlas por a violar?
Pare com isso da violação. Não houve violação nenhuma. É burro ou surdo?
Quando voltei de Sopot, o pinga-amor comeu-me a noite toda.
Fiquei negra no rabo. Quer ver?
Está bem. Chega. Obrigado por hoje, Sra. Patrycja.
A minha mãe morreu porque não o prenderam.
A quem terá pagado para andar à solta pela cidade?
- Não interessa. Pode ir. - Obrigado.
Sabes que não fumamos aqui.
Hoje estive na esquadra.
Encontraram o corpo, mas não têm mais nada.
Lembras-te da nossa história?
Sim, voltaste para casa e dormimos a noite toda.
Não dormimos, pinámos.
Posso meter água no meu depoimento. Esqueci-me do que isso é.
A menos que voltes.
Aposto que ainda te lembras de algo.
Diz olá à Nossa Senhora do Teto.
Bom dia.
Vim pedir desculpa por aquela aula.
A minha irmã tinha desaparecido e tive de a ir procurar.
Tive um bom cozinheiro que desaparecia de vez em quando.
Quando voltava, dizia que a avó tinha morrido.
Pelos vistos, tinha umas 12.
E eu tenho uma irmã.
De que estás à espera? Pega no avental e vai trabalhar.
Obrigada.
Pati!
É aqui que te tornas chef profissional?
Uma chef profissional...
Para ter o meu próprio restaurante, tenho de aprender.
Vamos beber café ou trouxeste-o numa garrafa térmica?
- Vamos a isso. - Uma chef profissional. Vais ver...
Agora já sei porque serves às mesas.
Ai sim?
Para abrires um sítio, tens de conhecer os bastidores.
O barman a vender a própria bebida.
Quem recebe uma parte.
E por aí fora.
Quer dizer, isso é verdade. O que fazes?
Estudei construção marítima, mas trabalho na empresa do meu pai.
Fazemos móveis em Rumia.
Isso é que é falar.
Se precisar de cadeiras ou coisas para o meu sítio, ligo-te.
- Dás-me boleia? - Claro.
Tenho trabalhos de casa.
Tecnologia alimentar. Um livro desta grossura.
Bebe o café e vamos.
Belo carro que aqui tens.
É automático. Nunca conduzi nenhum.
- Podemos trocar. - Não, vá. Talvez para a próxima.
Também já estamos quase lá.
Chegámos.
Obrigada.
- Até logo. - Adeus.
Queres sair no sábado à noite?
Liga-me ou vai ter comigo ao Dryff. Não fico muito em casa.
Claro. Eu ligo-te.
Está bem. Adeus.
Merda...
Bom dia.
- Bom dia. - Bom dia.
A sopa está na panela. Come.
Obrigada.
Vais seguir as pisadas da tua família?
O quê?
Estás a ficar como a Julita.
Deixa-me em paz.
Estou a compensar o tempo perdido. Só isso.
Vens aos Sobotkas comigo?
Tenho turno da noite no Dryf, mas...
Mas posso ir.
Pati...
Pati, para de mandriar. O bar está cheio e tenho de mijar.
- Dá-me o teu telemóvel. - Para quê?
Não me atendem. Talvez atendam o teu.
Vá lá.
- Está bem, mas despacha-te. - Obrigada.
- Vá lá! - Espera um segundo.
- Estou? - Porque não me atendes?
És tu.
Desculpa, perdi o telemóvel, não o encontrava.
Sim, claro. Ontem também não atendeste.
Fui a vossa casa, não estava lá ninguém.
Esqueci-me de te dizer. Passámos o fim de semana fora com os miúdos.
Os nossos amigos têm uma cabana na floresta, sem rede.
Não aguento mais, vá lá!
- Liga-me amanhã. - Claro.
Volta para o bar.
Foda-se...
A pé tão cedo?
Fiz direta. Durmo depois do trabalho.
Vives como uma traça. Cuida de ti ou bates a bota.
Claro, mãe.
Entra.
- Posso falar contigo? - Olá!
- Espera aqui. - Olá.
- Vamos viajar. - Está bem.
Tranca tudo e liga o alarme, sim? Como sempre.
Claro que sim.
Mais uma coisa. Pode vir aqui um segundo?
- Sim, claro. - Tenho aqui um problema...
Olha!
- Bom dia, Sra. Patrycja. - Bom dia.
Como correu o caso dos miúdos?
Foram adotados por uma família.
Graças a Deus. Talvez seja o melhor para eles.
Porquê o melhor?
O que foi? Conhece aquela família?
Não, mas as famílias adotivas são avaliadas.
Quis dizer que, ao menos, não é uma família disfuncional.
Não. Não era isso que queria dizer.
- Marysia! - Sim.
Marysia, temos de ir.
Bem, boa sorte.
- Olá. - Lembras-te das flores?
Claro.
Anda, Pati.
CLORO
- Bom dia. - Bom dia.
Desta vez, esperei cá fora.
O que foi agora?
Vou preparar o jantar.
Sra. Patrycja, queria dizer-lhe
que outras mulheres vieram ter connosco após a morte do Szlas.
Todas testemunharam que ele lhes deu um comprimido de violação.
Agora somos todas suspeitas no caso de homicídio?
Quero ajudá-la.
- Com o quê? - A obter justiça.
Foda-se.
O Szlas agiu como descreveu no seu depoimento.
- Nunca o inventaria. - Podia.
Ele não foi o primeiro.
A verdade ia trazer-lhe alívio.
Ficarei aliviada quando for à sua vida.
Avise-me se mudar de ideias.
PARA AGATA: PORQUE NÃO ME LIGASTE?
DANIEL: VAIS SAIR ESTA NOITE?
Olá, Kuba!
- Olá, Pati! - Olá!
- Olá! - Prazer em ver-te.
- Eu sei. - Trouxe amigos.
A sério?
E o noivo também.
Também. Marta!
Quero apresento-vos.
- Aqui está ela. - Olá.
És tu! Só fala de ti.
O que disse ele?
Que queres abrir um restaurante.
Quero, é verdade.
Ótimo. Que tipo de comida?
Cozida, frita...
Tailandesa ou italiana.
Sei o que queres dizer! Não te enerves!
- O que vamos beber? - Eu pago.
- Um shot para mim. - Dois.
Quero um Daiquiri.
Não temos rum nem lima. Posso sugerir outra coisa?
Não, estou bem, obrigada.
Essa é difícil.
Vai, Kuba, vai!
- Saúde! - Saúde!
Malta! Bom proveito!
Muito bem. Vamos sair daqui.
- Para onde? - Onde haja rum e lima.
Vamos pirar-nos daqui!
Vamos apanhar um táxi?
Uma limusina? Vamos a pé. Fica a cinco minutos daqui.
Vais conseguir, miúda!
- Esperem pelo meu sinal. - Sinal, certo?
Nove... cardinal.
Vamos a isto!
Muito bem.
A maldita mesa do álcool está ali.
Limas, limões, o que quiserem.
O que foi? Vamos divertir-nos!
De quem é esta casa?
Do cunhado da minha tia-avó.
Fica de olho na minha bebida. Tenho de fazer chichi.
Queres uma linha?
- Sim. Claro. - Vamos lá, então.
Vou mijar primeiro.
- O que se passa? - Pati?
O que fazes acordada?
Insónia. Porque não ligaste?
Não liguei?
Diz à tua nova mãe para atender o raio do telefone quando lhe ligo!
Esquece. Como estão as coisas na cabana?
Estamos num hotel. Em Varsóvia.
Porquê em Varsóvia?
Vamos para o Canadá amanhã!
Porque não quiseste ir connosco?
Natalka, o que estás a dizer?
Vais deixar-nos outra vez.
- Em que hotel? - Natalka, querida...
Natalka!
Vou para Varsóvia, levas-me?
- Quando? - Agora.
- Mal consigo ver. - Dá-me o carro.
Não, estás pior do que eu.
Dá-me o carro! Amanhã, devolvo-to!
- Cheiraste demasiado pó. - Cala-te, pá!
- Acalma-te. Foste longe demais. - Sabes que mais? Fode-te!
Tradução: Carolina Belo Matias Iyuno
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