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Trouxe-te comida.
Estás a dormir? Pati?
Estás nisto há três semanas.
Só fumas e não comes. Vê se atinas!
Mas que raio?
- Para de ter pena de ti mesma. - Para de limpar o que eu sujei!
O mundo não para por decidires ficar deitada na cama.
É assim que queres viver agora?
E aquele curso de sonho do qual não paravas de falar?
Como queiras. Que se lixe! Deixa-te ficar aí nessa melancolia.
Todos se vão esquecer de ti, incluindo os miúdos.
Dormiste bem?
Voltei ao trabalho.
Vens tarde, fechamos amanhã.
Olhem só quem apareceu. O que contas?
É o que se vê.
Vim aqui para me divertir, mas isto também parece deprimente.
- Onde está o Jaca? - Saiu para pescar há uma semana.
Pati,
estão a perguntar por ti.
- Quem? - Não sei, mas já estiveram cá ontem.
- Diz-lhes que não estou. - Diz tu.
Olá. Agata Rulewska.
Sou o Marek. Ligámos, mas o tem o telemóvel desligado.
Sim. De que se trata?
Podemos sentar-nos e conversar?
Quer beber alguma coisa? Café?
Há um mês, passámos um fim de semana com a Natalka e o Natanek.
Foi por vossa causa que não os vi?
Tornámo-nos muito chegados.
Chegados? Em dois fins de semana? Não se habituem.
Vou recuperá-los.
Menina Patrycja, o Natanek faz anos no sábado.
Eu sei quando ele faz anos.
Queremos dar uma festa e convidá-la.
Para que é esta treta toda? Foram enviados pela Makowska ou quê?
O centro não sabe que a contactámos.
A Natalka pediu-nos para o fazermos. Os miúdos querem que vá.
Fizeram um convite.
A morada está do outro lado.
Venha, por favor. Poderá vê-los sem a Makowska.
Vou pensar no assunto. Tenho muito trabalho.
Sim. Não a atrapalhamos mais.
Venha, por favor.
Adeus.
- Vamos nadar, Maja. - Sinto-me muito melhor.
Que dia bom.
Aquela senhora já não bebe mais.
Ou será que o preservativo se rompeu?
Posso dar-te boleia. Abrimos ao meio-dia no último dia.
Não é preciso.
Já arranjaste trabalho?
Vou trabalhar com o Jacek no barco de pesca.
- Eu levo-te. - Não é preciso.
Mas podes ir comigo à festa de anos do Natanek.
Só não sei o que farei quando vir os ladrões de crianças.
E se eu te agarrar?
Não matarás ninguém porque vou segurar-te a noite toda.
Deixa-me em paz! Larga!
- Calma... - Seu tolo!
- Desculpe, que estação é esta? - Sopot.
- Com licença. - Cuidado!
Tem bom aspeto.
Rega com vinho branco. Terás um molho incrível. Muito bem.
- O que estás a fazer? - Não consigo abrir isto.
Calma, querida. Olha. Tem uma alavanca. Pronto!
Oiçam todos, por favor.
Não se inibam de fazer perguntas. Eu explico tudo.
Ajudo-vos a ligar a chaleira ou a usar o moinho de especiarias.
Não hesitem. Perguntem-me tudo.
- Já chega de regar. - O quê?
Para de deitar azeite. O que temos aqui?
O que aconteceu?
Meus queridos, para a próxima aula, preparem o que fazem de melhor.
Aqui estão os panfletos.
Vou escolher os melhores de vocês para participarem numa oficina.
O bacalhau até nem estava mau.
Quando foi a última menstruação?
Não me lembro. Merda...
- Presumo que não foi planeado. - Parece que planeei alguma coisa?
Há algo que possa fazer?
Na Polónia? Legalmente, não.
Filho da puta! São todos iguais!
Fugiu como o teu pai depois de me engravidar!
Pensasses nisso antes.
Olha quem fala. Veremos como te vais sair daqui a uns anos.
Onde estão os cigarros?
Onde puseste os meus cigarros, idiota? Sua ladra!
Cuide-se bem. O primeiro trimestre é delicado.
Obrigada, doutora.
- Adeus. - Adeus.
- Para onde me levas, Sony? - Já vais ver. É surpresa.
Não te vais arrepender. Há muito para beber e fumar.
É ao virar da esquina.
Anda ver o que preparei para ti!
E as meninas!
Quero denunciar um crime.
Alguém caiu das escadas outra vez?
Quero falar com uma mulher.
Cichy... Morada?
Agora seria rua 4A Wczasowa, apartamento 4.
Apartamento 4?
Pode dizer.
Fui violada.
Fez um exame forense?
- Olá. - Olá.
Há que recolher amostras biológicas. Há sinais de luta? Arranhões?
Não. Foi há um mês, portanto...
Porque esperou até agora?
Porra! Voltou a desligar-se. Quando é que o substituem?
Não faço ideia. Seja como for, dou-lhe uma recomendação.
- A tua internet funciona? - Sim.
Conte-me tudo, desde o início.
Merda de computador...
Estou a ouvir.
Tresandas a peixe.
É solha. Frita.
Parece peixe cru.
- Cru e selvagem... - Onde estiveste?
- Como correu a escola? - Não sei...
Todos são mestres da culinária. A gaja principal também é excêntrica.
Mas gostou do bacalhau.
Vês? Já sabem quão boa és.
Vai haver a oportunidade de ganhar uma oficina de culinária.
Vais participar?
Não sei, se aquela solha me escolher...
- Mas vou esperar sentada. - É isto?
Oficina de culinária.
Queria dizer-te, mas...
PATRYCJA CICHY. GRAVIDEZ INTRAUTERINA, FETO ÚNICO.
Vou ser pai?
Não!
Vai ser bom vê-los fora do centro.
Mas porquê na casa destes ladrões?
Porque já estás contra eles?
Querem tirar-me os miúdos.
São teus irmãos. Conseguimos que funcione.
Levamos os miúdos aos fins de semana, visitamo-los.
Podemos levá-los e visitá-los aos fins de semana? Poupa-me.
Achas que vivem sozinhos numa casa tão grande?
Acho que sim. Não vivem como nós.
- Pati. - Olá, minorca!
- Olá, entrem. - Olá, Kris.
- Olá. - Entrem.
Que bela coroa que aí tens!
- Pati! - Comprei um ursinho! Que elegante!
- Olá. - Olá.
- Olá. - Boa tarde.
Esta é a Patrycja, irmã do Natanek e da Natalia.
Também a vais adotar?
- Krystian, certo? - Sim.
As crianças falam muito de si.
- Olá. - Um bolo! Agora temos dois!
- Comprei o que eles gostam. - Não se desperdiça.
- O quarto do Natanek é lá em cima? - Fique à vontade.
- Quer beber alguma coisa? - Obrigado, mas vou conduzir.
- Referia-me a café ou chá. - Nesse caso, pode ser.
Anda ver o meu quarto.
Que mansão que aqui tens.
Uma cama de princesa.
Porque vestiste collants?
Uso-os sempre para as minhas pernas ficarem bonitas. Porquê? Não gostas?
- Parecem fiambre. - Tu é que pareces fiambre!
Tenho o Sims novo no computador.
O Kris também tem um computador. Ele pode instalar-te coisas.
Este é só meu.
Quando ficaste tão mesquinha? Só "eu" e "meu".
Não há mais? Está bem.
Ela é uma boa amiga.
- Uma amiga incrível. - Mamã, como está?
- Queres mais sumo, Natalia? - Não, obrigada.
Querido, e tu?
Temos uma tradição de família nos aniversários, certo?
- A sério, qual é? - Uma luta com a última fatia.
Não quero fazer isso, Pati.
- Vá lá, tu primeiro. - Pati, a sério, não quero.
- Eu ataco primeiro. - Não faças isso, Pati.
Vá lá!
Natalka, querida, não fiques assim. A nódoa vai sair, a sério! Não...
Todas as tradições acabam, não é?
Porque ficaste tão chateada?
Da última vez, ficámos cobertas de bolo, lembras-te?
Desculpa, não te queria deixar constrangida.
Mas viste as caras deles?
Eles não ligaram.
E tudo bem porque vou levar-vos e vamos viver com o Kris.
- Quero um quarto só para mim. - Arranja-se.
Este é o meu quarto e quero ficar aqui.
Já prometeste levar-nos de volta e depois?
O processo correu mal.
Não ligaste durante um mês.
Os miúdos são adoráveis.
Não são?
- Obrigada. - Adeus.
Adeus!
Querem adotá-los, certo?
Lamento pelo Witek.
Dissemos-lhes que havia essa possibilidade.
Não quis agir nas suas costas.
Nas minhas costas... Ninguém me pediu consentimento.
Eu criei-os.
Eu sei. Não vos quero separar.
- Mas faça como entender. - Assim farei.
Pense se tem mesmo hipótese de conseguir a custódia.
Para não ficarem no centro durante anos.
Aqui, será sempre bem-vinda.
Krystian?
Olha o que tenho aqui.
Um berço. Como novo.
- Ótimo. - Em segunda mão.
Boa.
- Estou? - Cuidado, vadia. Ouviste?
Tem cuidado.
Quem era?
Um esquema com trens de cozinha.
- Está tudo bem? - Sim...
- De certeza? - Sim.
Tive de interrogar o Wojciech Szlas. Acusou-o de violação.
Consegue provar a chamada de hoje?
Ligou de um número privado. Não é estúpido.
Patrycja, não temos nada. Não fez os exames
e não sabemos se tinha substâncias no sangue.
- Não acredita? - Não se trata de acreditar.
Não temos nada para a acusação.
- Se tivesse ido ao médico... - Mas não fui!
Alguma vez foi violada?
E se eu estivesse grávida?
Podia fazer um teste de paternidade para provar que o Szlas é o pai,
mas não provaria a violação. - Porquê?
Os adultos fazem sexo.
Deixa-te de tretas!
Para onde estás a olhar? Achas piada?
Um pouco de maquilhagem e fico como nova.
Não te mexas.
- Olá. - Olá.
O que quer o sacana do Sony contigo?
Nada, porquê?
O Jacek disse que ele perguntou onde vives.
Não sei, algo sobre a minha mãe dever-lhe dinheiro.
- Quanto? - Não importa.
Não lhe damos dinheiro.
Aquele tipo vai querer sempre mais.
Amanhã, levo-te à escola.
- Não é preciso. - Eu levo-te.
Ponto final.
Não fiquem parados. Toca a cortar! A água está a ferver.
Continua muito fino.
Isto é caldo? Está bem, junta a cenoura.
Deixa-me ver.
- É uma receita local? - Local? É minha.
Está bem.
Meus queridos! Dão-me a vossa atenção? Obrigada.
Meus queridos...
Tive de escolher cinco para participarem na oficina
com a chef do Bijoux de la Mer.
São o Mirosław Kliś,
a Kasia Wiśnierska, parabéns,
o Roman Budny, a Patrycja Cichy,
e a Ola Starosta.
Parabéns, meus queridos.
Olá!
- Olá, novidades? - A Patrycja está a viver contigo?
- Sim, o que tem? - Nada.
Tenho uma carta da polícia para ela.
Eu levo-lha.
Não, preciso que ela assine.
Não vai assinar, está em Sopot.
Tens o dobro do trabalho.
- Vá lá, eu assino. - Está bem.
Toma. Escreve aqui onde diz "nome".
- O meu nome ou o dela? - O teu.
Feito.
- Obrigado. - Obrigado.
- Até logo. - Adeus.
Até depois.
- És sempre assim? - Assim como?
Não falas à mesa.
Normalmente, nunca me calo.
Estás desconfortável comigo?
Não.
É estranho. Venho aqui, escaldo umas coisas,
cozinho e volto ao mundo real.
- Que tipo de mundo real? - Pobreza. Cobradores de dívidas.
Irmãos num orfanato e merdas que a minha mãe nos deixou.
Tens de tentar que este seja o mundo verdadeiro.
No avião, pomos a máscara de oxigénio antes de pormos aos miúdos.
Aí é que está. Nunca andei de avião.
Cuida de ti primeiro. Depois, cuida dos outros.
Preciso de um cigarro.
Krystian?
TRIBUNAL DISTRITAL DE WEJHEROWO
"APÓS INVESTIGAR O CASO DE WOJCIECH SZLAS,
O TRIBUNAL DECIDE QUE O ATO NÃO ACONTECEU."
Tradução: Carolina Belo Matias Iyuno
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