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-Tem Chesters? -Sim.
Um maço, por favor.
-Adeus. -Tenha um bom dia.
Hoje chegaste cedo. É muito cedo.
Socorro! Roubaram-me!
O meu dinheiro! Ladrões! Ladrões!
ESTE FILME FOI INTEGRALMENTE RODADO EM CENÁRIOS NATURAIS.
Toureia muito bem.
Não é nada mau.
Está bem. Nunca esteve tão bem.
Ei, miúdo, já chega. Por hoje está feito.
Cuidado, Juan, cuidado.
Está cansada. É muito tempo.
Está cada dia melhor. Pode chegar longe.
Vaca... vaca...
Novilha...
Vaca...
Bem, Juan, bem. Ouve o que te digo. Contigo não estamos a perder tempo.
-Foi muito bom, Juan. -Boa, rapaz. Muito bem!
-O teu irmãozinho... -Tens medo, Ramón?
O que achas, Manolo? Não gostaste?
Isto a mim emociona-me.
Vais fazer-te toureiro. Gostei muito.
Bem, rapaziada. Chegou a hora de pagar.
Tenho que ser sempre eu a pagar.
-Não vais tourear mais? -Não, hoje não. Noutro dia.
-O que achaste desta novilha? -Está muito toureada.
-Vamos, passa, passa. -Despachem-se.
Cuidado com o autocarro.
-O que aprendeste, Juan? -Já são muitos anos.
Quando éramos miúdos era diferente.
Não é que não goste, mas a mim os touros deixam-me frio.
-Eu fico com uma coisa aqui. -Eu não respiro com a emoção.
-Isso é uma estupidez. -Juro. Não é mentira.
Ninguém tem que gostar. Não precisam de ser iguais.
Chato, vamos escorregar?
Cuidado, cuidado, cuidado!
-Estás doido. -E depois?
-O que vais fazer da vida? -Está sempre na brincadeira.
Não te quero ver com estes vândalos. Vai para casa, senão mato-te.
Espera até o teu pai saber disto!
Chato... Chato!
Estou a ir... estou a ir!
-E o Juan? -Foi trabalhar há um bocado.
-Bom dia. -Olá.
Vamos, Juanita.
Viste o meu filho, Miguel?
Não, não o vi.
Esta noite não dormiu em casa. Este filho mata-me. Virgem santíssima.
-O que te queria ela? -Perguntou-me pelo filho.
Saíste com ele muito tempo, certo?
Aonde vais?
Não me chateies. Despacha-te para não te atrasares.
Quando vais trazer esse amigo teu para dormir cá outra vez?
Gostas do Manolo?
Qualquer dia vem.
-Quanto é? -28.50.
Tome.
-Fique com o troco. -Obrigado.
Visi! Visi!
Ouve, espera. Quando vais sair comigo?
-Deixa-me. Estou muito cansada. -Mas, mulher...
Não te lembras do que me prometeste?
É que agora tenho muito que fazer. A sério.
Liga-me qualquer dia, está bem?
Ouve. Quando tiver dinheiro, ligo-te.
-Até logo, mãe. -Adeus.
Vou trabalhar.
-Olá, Ramón. -Já estava na hora, não?
-Olá Chato. -Mais tempo e crescia-me a barba.
Pois claro. Vai dar uma volta!
-Vai tu, paspalho! -Para com isso.
Estou aqui há duas horas.
Podes seguir.
Vê onde pões os pés. Cuidado!
Põe aqui as caixas.
Outra.
Vá. Segue.
Então, figura?
-A ver quando me alugam outra bezerra. -Quando tivermos com quê.
Não querem.
Esperamos um bocado e depois piramo-nos.
Não está a correr bem.
É bonita, não é?
Mãezinha, é linda.
Como estás?
Olá, linda.
Viste aquela mulher?
Que dia que estamos a ter, Manolo...
Vamos.
-Fizeste uma bela sesta. -Não prego olho desde Ocalle.
Não bebesses tanto café.
Mantém-te atento.
Se vieres que vão sair ou acontecer alguma coisa, assobia com força.
Tranquilo. Vocês a olhar para cá. E despachem-se.
Olá, boneca.
-O que bebemos, Currí? -Para já, vinho.
-Justo! Meia de tinto. -Certo! Meia de tinto.
Vá, dois copos.
-Aborrecida? -Isso não é mau.
Tu não sais daqui?
-Por alguma razão. -Imagino.
-Se quiseres, vou-me embora. -Por mim...
O que vais fazer mais logo?
Dia 21 de Julho...
Que data tão desgraçada.
Para o casal Gómez...
Também para a sua criada.
Às mãos de um malvado
Também a morte encontrou.
Senhor Félix López Robledo
Que o crime confessou.
José María Zarago
Este foi o criminoso
Esta é a sua declaração,
Que agora vos contamos.
Para roubar um brilhante
De muitíssimo valor
E uma carta duma dama
Quatro pessoas matou.
Os que foram assassinados...
Vamos ver o que trazem aí.
O que lhe parece isto?
Serve?
Vamos para dentro.
A novilha!
-Olha para ela! -Lá vai disto!
Bem bonita, certo?
Faz-te a ela, Juan!
-Olé! -Vamos lá, rapaz.
-Olé! -Vamos ver de que és feito.
Olé!
Sim, senhor. É isso.
Cala-te.
Não é por ser meu irmão, mas é bom.
Vais metê-la num bolso! Força!
-Vai colhê-lo. -Não o agoires.
-Olé! -Sim, senhor.
Isto emociona-te, Manolo?
Então e isto, Julián? E isto?
Está muito bem. Muito bem.
Tenho belos clientes. Muito bons.
Boa tarde, Don Esteban.
-Acho que essa vaca está corrida, Tato. -Está cansada. Deve ser do calor.
-Don Esteban. -O que foi, rapaz?
-Tem um momento para falar? -Claro, o que queres?
O Don Esteban deixou-me mal.
-Disse-me que não. -Sim, já vimos isso.
E que vais fazer agora?
Agora não sei.
Mas não deixas o mercado, pois não?
Tenho que comer e levar dinheiro para casa.
Porque não vais tourear para fora? Para a América.
Porque não. Porque tenho que o fazer aqui.
-Consigo. Tenho a certeza. -Eu também.
-Já chega. Calem-se. -Não há nada como acreditar tanto.
-A América é mais fácil. -Nem por isso.
-Têm de tudo, homem. -Isso é o que eles dizem.
-Não viste? -E tu sabes o quê?
Morram!
-Para que andar vão? -Para o último.
Eu vou para o quarto.
Agora!
Larga-o. Já chega.
Olha, olha... Aqui, tourinho.
Olha! Olha, olha, olha...
Passa. Aqui, vamos.
Tens uma rica vida.
Como são os americanos?
Vulgares, miúdo. Vulgares.
São muito desconfiados.
Dá-lhes brilho.
Estás muito janota.
Como vai a tua vida?
Isso, rapaz.
Hoje vens comigo.
Toma.
Depois, homem. Vão ver-nos.
Toma.
-Olá. -Olá, Antonio.
O que se passa?
-Muito bem! -Juan!
Juan!
Já vou, Antonio.
-O que foi, Antonio? -Falei de ti a um tipo.
Pode fazer-se alguma coisa?
-Queres um cigarro? -Agora não. Estou estafado.
Não custa nada experimentar. Mas vais ter que pagar o café.
Está bem.
Se calhar dão-me uma oportunidade esta tarde.
Esteve aqui o teu irmão há 5 minutos. Estava à tua procura.
O que disse? Falou de tourear esta tarde?
Não, não disse nada disso.
Só perguntou por ti. Foi-se embora por ali.
-De certeza que não disse nada? -Não, acho que não.
Obrigado.
Chato! Chato!
-Até logo. -Adeus, Chato.
Já consegui. Esta tarde vou ver o tal empresário.
Vou contigo, para ver quanto ele pede.
-Quanto tens? -Nada... Pouco.
Vamos ver. Talvez se satisfaça por me ver.
Não sei.
São 12.50, senhor.
É assim que funciona, filho.
Se mo derem, eu trato de tudo. Trato de tudo.
Mas você não o viu tourear?
Pode perguntar em Martos. Toureou lá muitas capeas.
É verdade, Don Félix. O rapaz é bom. A sério. Sabe o que faz.
Sim, eu sei que o miúdo é bom. Mas sem dinheiro...
Sem dinheiro não posso fazer nada.
Se me derem 2 mil pesetas...
podemos começar a tratar disto. De outra forma...
E depois?
Homem, não queiras tudo a correr. Não é preciso ter tanta pressa.
Mas eu consigo. Talvez até só com mil pesetas.
Então, o que vão fazer?
Vamos, Antonio.
Por ser para vocês, faço-o só por 500.
Vamos.
Ainda tivemos que pagar o café. Que gente!
O tipo estava a brincar connosco.
Vi logo que não havia nada a fazer.
Ainda por cima deu-nos a volta. Nem nos deixava falar.
-Queres dançar? -Enfim...
Mas quem julgas que és?
Ficas a saber que daqui não levas nada.
Vá, menino. Vai para casa da mamã.
Queres dançar, boneca?
-Então... -Viste aquela miúda?
Desgraçada. Não ficas cansada?
-O que foi, Paco? -Nada. Só lhe pedi para dançar.
Se fizeres como eu, consegues as miúdas que quiseres.
Tu?
Queres mais alguma coisa? Aproveita que estou um mãos largas.
Ainda tenho 3 mil, e vou gastá-las contigo.
-Queres dançar? -Não, não me apetece.
-Vem lá. -Já disse que não.
Não sabes dançar?
Bem...
-O meu batom está borrado? -Sim.
Limpa-mo.
É verdade que ainda tens 3 mil?
Vamos ao bar. Pago eu.
O que vais fazer agora?
Se as coisas correrem bem...
No teu lugar, não estaria preocupada.
-Depois não te vais lembrar de nada. -É o que vamos ver.
O que vão tomar?
Tomem o que quiserem. A mim não me apetece.
Não fiques assim. Bebe alguma coisa, homem.
-Bem, uma cerveja. -Boa.
Duas garrafas.
É tudo uma questão de dinheiro. Sem isso, não se pode fazer nada.
Eu estou no meu melhor momento, Ramón.
Para me dedicar a tourear! Para tourear mais que qualquer outro!
-Temos que fazer alguma coisa. -Fazer o quê?
É igual ao Don Esteban.
Só se querem encher de dinheiro.
Dissemos-lhe para me ver tourear. Que perguntasse por mim em Martos.
A qualquer pessoa!
Mas disse que não.
E de quanto precisas?
Não sei. Nem eles sabem.
-Eu posso emprestar-te. -Tu?
-Mais um copo. -Podes fazer alguma coisa, Ramón.
-Tens amigos. -Que amigos? Temos que o fazer nós.
E temos que estar todos de acordo.
Mas não sei se o Julián, ou o Manolo, ou tu, se querem correr o risco.
Eu não me importo. Nada. E fazê-lo pelo Juan, pode ser benéfico.
Mas o que vão fazer?
''Vão'', não. Vamos. Isso em primeiro lugar.
E em segundo, o que vamos fazer é muito fácil.
-Tu não queres debutar? -Sim.
Um par de tardes a correr bem, um pouco de sorte como até agora, e já está.
Chama o Julián.
Manolo! Manolo!
Aqui, estou aqui.
Olá, Manolo.
Espere, tome.
Amanhã outra vez.
Olha, Manolo, pensámos... Bem, vou contar-vos.
Manolo, quero ajudar o Juan a debutar.
Sabes que somos velhos amigos.
O homem não tem um tostão e já está há dois anos à espera.
Nós temos tido sorte, certo?
Com um par de trabalhos que corram bem... O que te parece?
Acho que o podemos ajudar.
E já sabemos...
Um toureiro não é uma coisa qualquer.
Acho que nos convém.
Não estou a ver a coisa, mas podem contar comigo para o que for preciso.
É que estão a pedir-lhe dinheiro para debutar, percebes?
Mas tínhamos concordado que tínhamos que parar com isto durante um tempo.
É só um par de vezes. Coisas fáceis. O Ramón trata do assunto.
-Bem, está bem. -Agradeço-te, Manolo.
Bem, para mim acabou.
Já estou cheio até aqui.
Eu não.
Não trabalho para ninguém. Trabalho para mim.
Se trabalhas para ti, põe-te na alheta! Connosco acabou, percebeste?!
Já não te servimos?!
Bem, calma. Não fiques assim. Porque não queres?
Porque somos nós que nos arriscamos, percebes?
Ele vai estar a tourear de salão, enquanto nós corremos o risco.
Tu também vens, não é Juan?
Desnaturado! O que seria de ti sem nós?
Vai embora.
Já te mandei embora!
Supondo que ele vem, que é só uma suposição,
vai ser tudo para a coisa dele, certo?
Se quiseres, vens, senão, ficas.
Não tenho que te dar explicações.
E comigo não falas assim, porque parto-te a boca.
Coisas fáceis?
Já estou a ficar farto. É o que for, percebes? O que for.
Está bem. Mas ele também vem. Também vem!
Não vou fazer figura de parvo.
Juan?
Está bem aqui.
Vá, Paco! Dá-lhe com força.
-Socorro! -Dá-lhe!
Chega. A carteira. Vamos!
Não temos nem para começar.
E o Julián?
Não veio.
O que foi?
Temos que fazer mais coisas.
Eu não, e agora ainda menos.
Foi muito rápido.
Agora não podes fazer nada porque vão apanhar-te.
Viste o jornal?
Daqui a um mês acaba a temporada.
Tu não percebes disto. São muitas coisas seguidas e apanham-nos.
-Se deixarmos passar tempo... -Estás a ver, Ramón?
Até eles o dizem. É muito.
Eu, para saberes, já acabei.
Então não conto com ninguém?
-Não. Isso não. -É a verdade.
Falta-nos pouco.
O que podemos conseguir com um par de trabalhos.
E como já estamos metidos nisto, vamos continuar. Pelo menos eu vou.
Acho que é melhor esperar.
É fácil.
Digo-te uma coisa que se pode fazer todas as noites.
-Consegue-se bastante. -Quantas pessoas precisas?
Precisas duma mulher que sirva para isso.
Vais tu e a Visi.
Se quiserem posso emprestá-la.
E este... A ver se acorda.
O que vamos fazer aqui, Ramón?
O seu tabaco, senhor.
São 24 pesetas.
Obrigado.
Toma um bocadinho. Está bom.
-Ainda por cima mata a sede. -Obrigada.
Ei! Deixem-me alguma coisa para beber.
Estes começam cedo.
Tu! Não estejas tão nervoso.
O Paco parecia um tonto. É mesmo inexperiente.
-Então, vamos ao banho ou não? -Tem calma, homem.
Ou tens medo da água?
Bem, vou pôr música.
Vamos ao banho?
-Vá, vamos. -Está bem.
-O que foi, Ramón? -Estou chateado com isto.
Principalmente com este idiota.
Parece feliz por as coisas terem corrido mal.
Visi! Visi! Vem ao banho!
E com este. Estamos a fazê-lo pelo irmão dele e nem se preocupa.
É por medo. Mais nada. Medo. Um medo nojento!
Cambada de cobardes!
É teu irmão e deixaste-o pendurado. Não tens vergonha?
O que aconteceu foi que o toureiro se acobardou.
Que culpa temos se se acobardou?
É muito bonito culpar os outros.
Tu podias tê-lo feito e tinha corrido bem.
Só que eles não conheciam o sítio. E ele não se acobardou.
És tão medroso como eles.
Ainda por cima... Ainda por cima não o ajudaste.
É que já foram muitas vezes. E apanham-nos. Ou eu acho que nos apanham.
-Não. Não é por isso. -Manolo, deixa-te de conversas.
Temos que nos atirar de cabeça.
O que não podemos é dizer, ''Sim, sim, sim.''
e depois ficar com medo e tudo e mais alguma coisa.
Não. Isso não pode ser!
Eu disse que faria o que pudesse.
Mas ele também tinha que dar o litro.
E digas o que disseres, ele acobardou-se.
Bem, já chega.
Vamos parar. Acabou-se a discussão.
Acabem com a discussão. Anda, Manolo, vamos dançar.
Olha para estes. Estão a dormir.
Dá vontade de descansar.
Dá espaço na manta, homem!
Anda, vamos dançar.
Depois. Deixa-me descansar.
-O vinho? -Está aí!
Que calor!
Parece sopa.
-Anda, vamos dançar. -Não
Passei a tarde à vossa procura.
Olá, toureiro. O que tens feito?
Olá, mano.
O que fizeste? Onde passaste a noite?
Olá, Juan.
Bebe um golo.
Não, agora não.
Deves ter tido um grande desgosto.
Bem, não vale a pena.
-Disseram alguma coisa? -Nada.
Não te preocupes.
O que te aconteceu ontem à noite, figura?
Acobardaste-te?
Tu não te metas nisto!
Vou matá-lo!
Está quieto. Parem com isso!
Larga-me!
-Ramón, o que é isto? -Quieta!
-Já te chega? -Vamos, Julián.
-Deixa-me! Cobarde! -Já chega. Chega!
Já chega!
-Vamos, Juan. -Desgraçado, javardo!
Vá... Já passou.
Quanto?
Para vocês...
Para vocês pode ficar em 20 mil.
-Vamos embora. -Eu eu trato de tudo.
Está tudo incluído.
Não temos isso tudo.
Então porque vieram?
Tudo incluído, certo?
A quadrilha, o novilho, os custos da praça,
impostos, seguro, arbítrios... Eu trato de tudo.
Tem muitos custos, rapazes.
-E a publicidade? -Também.
De acordo.
Então, nós só temos que alugar o traje.
E quando pode ser?
Podia ser...
Podia ser...
Daqui a três semanas. Sim, dia 15, se Deus quiser.
Isto se me trouxerem o dinheiro daqui a dois dias.
Senão, tenho que desistir. É preciso dar a vez aos que vêm atrás.
E agora, rapazes, tenho que trabalhar.
Boa sorte.
Vá, vamos.
-Podemos ver a praça? -Sim, com isto.
-Diz que vais da minha parte. -Muito obrigado.
-Quanto temos? -Com o último... umas 10 mil pesetas.
A vida está muito cara.
O teu empresário sou eu.
Se tiveres sorte vamos todos à América, sim, mano?
Claro, homem.
Temos que encontrar o dinheiro em algum lado.
Chapas, cala-te!
-Tens algum plano? -É muito guito.
Temos que fazer o da garagem, que preparámos há algum tempo.
Voltei a pensar nisso.
À americana. Lembram-se do cobrador?
Ainda melhor.
Temos que ter tudo previsto passo a passo.
Vou contar-vos o meu plano.
Já conhecem o sítio.
Vá, despacha-te.
Ou te calas, ou levas.
Olá!
Olá!
Cale-se!
Está agarrado, Chato! Está agarrado!
Ponham-no no chão. No chão!
Dá-lhe, Juan!
Já vais ver, javardo!
Dá-lhe, Juan!
Para, Julián!
Quieto!
Deixem-me! Vou matá-lo!
Vou matá-lo! Larguem-me!
-Para quieto, Julián! -Vou matá-lo!
Larguem-me!
Larguem-me... larguem-me...
100, 200, 300, 400, 500,
600, 700, 800, 900, e 1,000.
100, 200, 300, 400, 500,
-600, 700, 800, 900, e 1,000. -Quanto é o total?
Catorze mil trezentas e vinte.
Nada mal.
-Precisamos de alguém para os cartéis. -Está bem.
Como vamos chamar a este tipo?
-Andam à nossa procura. -Já acabámos. Agora descansamos.
O nome é muito importante.
-E a publicidade diz muito. -Claro.
Temos que arranjar um nome que fique no ouvido.
Diz-me nomes de toureiros.
-De profissionais? -Tu vais ser profissional, certo?
Então...
Nacional, Chamaco...
El Litri,
-Luis Miguel. -Esse vale ouro.
Aparicio.
El Gallo.
-El Toledano. -Toledano, de Toledo, certo?
Podias chamar-te Juan, El de Martos.
Juan, El de Martos.
De Martos... El Martenho.
-É isso, El Martenho. -Grande nome, homem.
Já escolheram?
-Este. -Bem.
Mais um bocadinho.
Nem com calçadeira. Não sei como te vais mexer dentro disto, mano.
Habituo-me.
Pareces importante!
-E aonde vais agora? -Estão à minha espera.
Sim... Adeus, filha.
É mais difícil que o futebol.
Também ganham mais.
Deixa-te disso. Depende, não é?
Tu ganhas muito?
Bem, por agora...
-Como estás? -Olá, toureiro.
-Deves estar contente. -Sim.
-Então? -O quê?
-Anda. Acompanha-me. -Era o que te ia dizer.
Ia pedir-te que viesses comigo.
A melhor novilhada do século, senhores. A melhor novilhada. Tome.
-Tens muitos? -Só tenho um.
Conhecem-me desde sempre, mas nunca pensei que fizessem isto por mim.
Não sejas tonto. Isto convém-lhes.
Eu sei.
Mas há mais alguma coisa, Visi!
É verdade que me amas, Juan?
Ontem fui provar o traje.
Só pensas nisso?
Para mim é muito importante!
Penso nisto há muitos anos.
Desde que era pequeno.
Amanhã vai estar um dia bom.
Vem cá Juan!
Se estiver sol terei muito mais ânimo para triunfar.
Vem para o pé de mim, Juan.
E depois, o que vais fazer?
Se tiver sorte e triunfar, tiro-te desta vida.
Então amas-me um bocadinho, não é?
Claro que sim!
Vais ver que se tiver um dia bom, toda a gente me vai apoiar.
Tenho que colocar o coração nisto.
Amo-te.
Contigo é tudo tão diferente.
Amanhã vou deixar o público louco.
Vais ver.
Eu vou lá estar com ou outros.
Vou brindar-vos um novilho.
O primeiro da minha vida para vocês.
Amanhã à noite já serás famoso.
Isso não seria mau, Visi.
Vamos ver-nos outra vez como hoje.
Sim, mas mais tempo. Vamos estar juntos o dia todo.
Estou preocupado com a corrida.
Mas isto passa.
O que me dá mesmo medo é a outra coisa.
Eu sei.
Agora não me lembrava. Passou tudo.
Mas houve momentos em que tremia.
Amas-me muito? Diz-me.
Já sabes.
Mas diz-me. Gosto disso.
Amo-te muito, Visi. Amo-te.
A melhor do ano. A melhor novilhada do ano.
-A melhor novilhada temporada. -Não. Não gosto de touradas.
A melhor do século.
A melhor do ano.
-Tome um. Para domingo. -Deixa-me em paz.
Tome um.
Miúdo, dás-me um?
O programa para a grande novilhada de domingo.
É a melhor novilhada do ano.
Já te conheço, miúdo.
Apanhem-no! Ladrão! Ladrão!
Agarrem-no! Agarrem-no!
Tens medo?
Sim. Estou a arriscar muito.
Mas agora sou capaz de tudo.
Tens tudo controlado, Juan.
Ouve o teu irmãozinho!
Não te podes queixar da publicidade.
-Não sabemos nada do Paco. -Não te preocupes.
Não lhe aconteceu nada. Ele está bem.
Ele conhece os esgotos melhor que as ratazanas.
Sim. Mas já cá devia estar.
Deve estar a lavar-se.
Dali sai-se todo porco.
Se triunfares temos que organizar uma campanha a sério.
Vamos a Martos quando fores um toureiro famoso?
Se calhar até dão o teu nome a uma praça.
Bem, pelo menos dão o teu nome a uma rua.
Temos que falar de como nos vamos organizar.
O que queres dizer?
Sim...
Acho que cada um deve ter um lugar na quadrilha.
Eu sou o empresário.
-E mais quê? -Merece sê-lo, certo?
E os outros? Um raio que nos parta?
Vai haver lugar para todos.
Eu vou conduzir a carrinha do Juan.
E ajudo-o a vestir o traje de luzes.
E se fracassar?
Deixa-te disso, Juan. Não pode acontecer.
Não estou tranquilo, Ramón. Não estou tranquilo.
Para mim aconteceu alguma coisa ao Paco.
A ele ninguém apanha. Sabe muito dos esgotos. Conhece-os como a palma da mão.
Pois, eu não estou tranquilo.
O Paco está?
Não, não veio cá a noite toda.
-Encontraste-o? -Não.
-Não percebo. -É preocupante.
-Não é razão para tanto. -Em casa dele não sabem nada.
Não apareceu o dia todo.
Não estou a gostar disto.
Dá-me um cigarro.
Vê lá se os compras.
-Temos que continuar a procurar. -É melhor se nos dividirmos.
Deixem-me descansar.
Vamos beber um copo de vinho e organizamo-nos.
-Com quem falaste? -Com o irmão dele.
-E o que te disse? -Que é a primeira vez que acontece.
Se calhar apanharam-no.
-Viste Paco? -Não, há alguns dias que não o vejo.
Não, não o vi.
-Sabes de quem estou a falar? -Sim, homem. Chama-se Paco, certo?
Antonio!
Antonio!
Paco!
-Não tem documento de identificação. -Quem saberá quem é...
Parece que o julgamento está atrasado.
O que queres, puto?
Pira-te.
Paco.
Paco.
Adeus.
Paco.
Coitadinho.
Estamos contigo. Sorte.
Ei, touro!
-Força, Juan. Coragem. -Vamos, rapaz.
Vais ver como se comporta.
Touro...
-Olé! -Força, Juan!
-Isso, rapaz. -Vai-te a ele!
Boa, homem!
Quem é o Juan, El Martenho?
Porquê?
É aquele!
Viste este par de bandarilhas?
O que achas?
Prendêmo-lo agora ou esperamos que acabe a corrida?
-Então? Não vai brindar a nós? -Não sejas burro.
Primeiro vai à presidência. Depois vem a nós.
Aí vem ele, malta.
Este novilho vai por vocês. E por ti, Visi.
Força, Juan.
Aprende a tourear, mamarracho!
-Viemos nós ao touros para isto. -Não se aguenta.
Tira-o. Tira-o!
Tira-o tu!
Sai daqui para fora, incompetente!
Dá-me isso.
Põe-te a andar!
Então, miúdo? Acaba com isto!
Valente, Juan. Valente! Não te acobardes!
Fora! Fora! Fora!
-Falhado! -Vai para casa, incompetente!
Vai para casa, faminto!
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