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BODAS DE SANGUE
Ol�! Chegamos.
Ol�!
Cristina, este � seu lugar.
Onde eu me sento?
Ant�nio, aqui. E voc�, aqui.
Ol�!
V� para o final.
-Ol�, garoto. -Ol�.
Onde s�o nossos camarins?
L� em cima.
-Vamos subir? -Vamos.
Algu�m teria uma aspirina?
Me d� logo, por favor.
Jos�?
-O qu�? -Onde est� a foto?
Aqui est�.
Pode me passar o espelho?
Quieto. N�o caia.
Tudo est� em seu lugar.
Vou pegar a maquiagem para voc�s.
Deixei uma esponjinha por a� outro dia.
Pegue emprestada de algu�m.
Se for maquiar os l�bios dele, vai precisar.. .
de uma lata inteira.
Assim esconde a cara de burro que ele tem.
� que somos muito parecidos por causa do nariz.
-O que est� fazendo? -Maquiando-o!
Estou horr�vel.
Ou�a, o viol�o est� meio tom acima.
Est� no tom de sempre!
Est� sempre meio tom acima! Ou�a!
Est� ouvindo?
Voc� que acha.
Outro dia, voc� colocou meio tom acima.
Que meio tom! Est� afinado com o diapas�o do Antonin!
As sobrancelhas n�o.
Mais uma vez.
Com chap�u mesmo?
Se tirar, vou pegar uma pneumonia.
To��n e Jos�, uma coisa por favor...
Vamos passar a parte solo da Cristina, depois do "p�s de deux".
As vozes: Despertem...
Isso a�... Voc� tamb�m, G�mez.
Isso.
� isso a�.
Despertem a noiva, despertem
Com o ramo verde do amor florido.
Com o ramo verde do amor florido.
Rode a ciranda, que rode
E em cada balc�o, ponham uma coroa.
Rode a ciranda, que rode
E em cada balc�o, ponham uma coroa.
Despertem a noiva, despertem
Despertem a noiva, despertem
Na manh� do casamento.
Na manh� do casamento...
Isto. Agora, To��n.
Eu sou demais!
Bem, eu chego a dan�ar,
praticamente por... eu sempre digo e � verdade, como sempre...
Porque o que eu queria mesmo era estudar,
mas n�o tinha como, ent�o tive que come�ar a trabalhar...
quando tinha onze anos.
Comecei como sineiro, em Camp�a.
Depois com 1 4 anos entrei no jornal ABC,
trabalhando na gr�fica.
Experimentei de tudo... Tentei lutar boxe,
Na primeira que levei, disse: "Vai bater na m�e. N�o quero mais."
Corri de bicicleta, experimentei de tudo.
Depois fui parar numa academia de dan�a por puro acaso.
Uma vizinha minha falou: "Por que n�o vai dan�ar?"
Eu dan�ava, como dan�am as crian�as, por farra.
Mas dan�ar mesmo, nada!
E entrei na academia da Professora "Palitos".
Depois de tr�s meses, conheci um negro chamado Harry Flemins
Que tinha um espet�culo...
de cabar�.
Pensei que fosse dan�ar flamenco...
Mas ele me deu uma roupa de mambo e um bong�.
E me apresentava com uma mo�a que chamavam de Princesa "Menet"
Dan�ando " mambo, que rico mambo".
E eu tocando bong� para ela. E assim foi.
Em seguida um amigo de Pilar L�pez me recomendou a ela.
Foi ent�o que percebi que...
Assim como o r�dio de casa, sem pintura...
tocava "Sidra el Gaitero", eu era igual, n�o tinha cultura alguma.
S� me dedicava a repetir os passos que me ensinavam.
Ent�o resolvi sair do bal� de Pilar L�pez e ficar...
Em Paris estudando.
Estudando dan�a, pintura contempor�nea...
Vendo outros espet�culos, e outras manifesta��es art�sticas.
Eu nunca tinha visto Vicente Escudero dan�ar.
Tinha visto s� uma ou duas fotos dele.
A�, Pilar me disse: "Voc� � igual a Vicente Escudero quando jovem."
Mas at� fisicamente. At� fisicamente!
As m�os grandes, os dedos afilados como uma ave de rapina.
O nariz, os �ngulos do rosto...
Mariemma, tamb�m de Valladolid � muito amiga dele.
Ficava assustada e dizia: "� igual a ele!"
E eu nunca tinha visto ele dan�ar, e nem pessoalmente!
Um dia...
ele me viu dan�ar... e olhou, olhou...
E ele nunca na vida tinha dito a ningu�m que dan�ava bem,
a ningu�m, na vida dele.
bem, foi s� me ver...
E era como se ele fosse meu av� de verdade.
Era exatamente o neto que ele gostaria de ter.
Ele tinha um carinho por mim... mas um carinho...
Era um homem que sempre teve dignidade na sua vida art�stica.
Isso porque era um homem s�rio, e n�o brincavam com ele.
Sempre fez o que acreditava que tinha de fazer.
Nunca se vendeu... Nunca na vida.
E morreu com uma dignidade impressionante!
Eu tinha por ele o maior respeito, o maior carinho.
Ele nunca entrou em disputas com outros artistas...
Enfim, tudo.
Bem, quando eu morava em Paris,
mandei um cart�o postal para ele.
"Mestre, isso... e aquilo..."
E ele me escreveu uma carta dizendo...
que eu morava no mesmo apartamento em que ele tinha morado por 20 anos.
Em Paris, na rua d�s Boulanger, 36
� isso a�.
Mas n�o corra tanto, quando passar esta parte,
Fazemos uma aqui...
Mas n�o corra tanto, hein?
Vamos ver.
Todos aqui?
Vamos come�ar com esse passo.. .
Mas vejam...
Os quatro primeiros com o bra�o assim...
E os quatro seguintes por fora...
e por dentro.
Por fora... e por dentro.
E no final, aqui.
Deixar o bra�o aqui...
Por fora.
Vamos!
Ent�o, vamos...
Entenderam?
Vamos!
Um e dois...
Em cima!
Firme na cintura!
M�dio.. .
Um pouco assim no final.. .
Na cabe�a?
A cabe�a virada assim, depois, pra frente.
Um e dois...
Em cima...
Firme na cintura!
Que bagun�a. Perd�o.
Perdoem-me.
Que desastre!
Prontos?
Um e dois...
Em cima!
Bem, aqui est� bom.
Est� claro? Est� tudo claro?
A cabe�a.
Vamos ensaiar os dois �ltimos.
O do bra�o pra cima?
Sim. Um e dois.. .
Em cima!
Bom.
Um pouco melhor.
Vamos fazer esse...
Um, dois tr�s...
quatro, cinco, seis.. .
sete, oito, nove e dez.
Um, dois, tr�s.. .
quatro, cinco, seis.. .
sete, oito, nove e dez e pronto.
Vejam uma coisa...
Segure um pouco... N�o caia assim.
Ag�ente um pouco na cintura.
Vamos ver.
A cabe�a fica de perfil aqui.
e depois aqui de frente.. . e cai de frente.
-O bra�o sempre por fora? -Sim, sempre por fora.
-E esperamos? -N�o.
-Quantas vezes? -Quatro.
Um e dois...
Ag�ente aqui!
Isso!... Melhor!
Firme na cintura!
Deixem o corpo cair!
Estende!
Embaixo!
Estende tudo. A cabe�a!
Como dizia Vicente Escudero: com pureza.
Tem que saber colocar pureza.
-Faremos de novo? -Sim.
Bem, vamos ver...
Mexendo os pulsos?
Isso. Uma coisa... esperamos o compasso.
E ag�ente bem... Ag�ente bem...
e caia bem.
Ag�entando!
Bom, est� bem.
T� bom, t� bom, j� est� feito.
J� estava bom.
Vamos ver a diagonal.
Ritmo, por favor.
Por favor...
N�o deixe o corpo solto.. . ag�ente bem na cintura.
Vamos fazer um compasso cada um. Na diagonal.
V� saindo um, depois outro e outro.
Por favor. Os outros batam palmas.
N�o olhe para o ch�o!
N�o levante a sobrancelha!
Um pouco mais, um pouco mais.
Estenda-se, Lario, estenda-se!
Bom, bom...
-J� est�o aquecidos? -Sim.
Agora, trocamos de roupas e come�amos o ensaio.
-Com todo o figurino? Sim, com todo o figurino.
-Acabamos? -Sim.
De onde vens? -De Bollullo.
O que me tr�s? cinco "Duros"
Co�a aqui, co�a aqui que � seu!
Ai, meu Deus!
Como est� meu cabelo?
Horr�vel.
N�o ag�ento mais esses sapatos.
Parece que ficam cada vez menores.
Veja se est� suado!
-Claro que est�, acredita? -N�o � para menos.. .
-N�o, claro. -E o que eu deixei.
Meus p�s est�o doendo.
Esses sapatos...
-S�o novos? -N�o.
Mas, sempre me incomodam.
-O que acontece? -Estou muito nervosa.
-Por qu�? -Acha que tudo vai sair bem?
Sim!
Vai sair.
O Antonio tamb�m ficou nervoso... O passo n�o saiu.
Voc� est� em grande forma. E o joelho, sarou?
Faz um tempo que eu n�o sinto nada.
Outro dia me assustei durante o duelo, que vi voc�.. .
Sempre nesse momento faz um " crac".
Mas j� me acostumei, sabe...
J� acostumei com o barulho.
As navalhas.
Deixe-me ver.
Deixe ver a outra.
N�o, esta n�o.
Eu fico com esta.
Tome, Juan.
-Qual � a minha? -Cuidado, tem uma muito dura.
D� uma volta.
A� est� bem.
Alfinete?
Me ajuda? Depois eu te ajudo.
Feche pra mim, por favor.
-Bem, meninas... Merda! -Pra voc� tamb�m.
Obrigada.
Por favor. Por favor.
Sentados, por favor, nos lugares de onde v�o sair.
Para n�o.. .
terem que passar por tr�s.
Passem por tr�s s� os que precisarem.
Nem mais, nem menos.
N�o vou cortar. N�o vou cortar para nada.
Ou seja, vai ser direto. N�o vou interromper, est� bem?
Daniel, as coisas... as navalhas e tudo o mais.
Est� com a navalha?
Antonio, lhe dou a sua depois.
Entregue ao Jos� Luis.
Pronta, Pilar?
Sim.
Paco, m�sica, por favor.
Meu filho dorme...
Meu filho se cala...
Seu ber�o � de a�o
Sua colcha da Holanda
Nana menino, nana
Nana, menino... Nana.
Oh cavalo grande,
que n�o quis a �gua.
N�o venhas n�o entres
V� para a montanha.
Pelos vales cinzas, onde est�s.
onde a �gua est�.
Meu menino dorme,
Meu menino descansa.
Dorme, cravo
que o cavalo n�o quer beber.
Dorme, rosa,
que o cavalo se p�e a chorar.
Despertem a noiva, despertem.
Que despertem a noiva, despertem.
Com o ramo verde do amor florido.
Com o ramo verde do amor florido.
Rode a ciranda, que rode
E em cada balc�o ponham uma coroa.
Rode a ciranda, que rode
E em cada balc�o ponham uma coroa.
Despertem a noiva, despertem.
Que despertem a noiva, despertem.
A manh� do casamento.
A manh� do casamento.
A manh� do casamento...
Em um verde campo estendi meu len�o,
estendi meu len�o...
Ca�ram tr�s rosas, como tr�s estrelas,
como tr�s estrelas...
A carruagem da Infanta me custou muito dinheiro,
para levar os noivos que v�o se casar,
para levar os noivos que v�o se casar...
Levanta e n�o durmas mais,
Levanta e n�o durmas mais,
que amanh� est� pr�ximo,
que amanh� est� pr�ximo...
Cinta negra, cabelos negros,
como o daquela morena,
que com seus ci�mes
deixou sem sangue minhas veias.
Em tuas asas h� temores
de mo�a sem sorte,
que choram penas de amores, que choram penas de amores
sob a luz da lua.
sob a luz da lua.
Chap�u, ai, meu chap�u,
�s um tesouro gracioso
e tens um vigor de toureiro,
quando a levo �s touradas.
Te quero, porque em tuas asas,
chap�u de meu querer,
mant�ns guardado com gra�a
o beijo de uma mulher.
�s firme, como uma rocha,
h� em ti tal distin��o,
que pareces rei das carruagens
e da Virgem do Roc�o.
Em tuas asas primorosas
onde voam novamente teus lamentos...
de juras de amor, de juras de amor,
que depois se v�o ao vento.
Sob a luz do luar.
Chap�u, ai, meu chap�u,
�s um tesouro gracioso
e tem vigor de toureiro,
quando a levo �s touradas.
Te quero, porque em tuas asas,
chap�u de meu querer,
mant�ns guardado com gra�a,
o beijo de uma mulher.
Cantavam, cantavam os noivos e o casamento chegou.
Que brilhe a casa e encham de mel as amargas am�ndoas.
Cantavam, cantavam os noivos e a �gua trouxe o casamento.
Que brilhe a casa e encham de mel as amargas am�ndoas.
Prepare a mesa agora, prepare o vinho agora,
pois o noivo � um pombo
com o peito prateado e espera no campo
a luta do sangue derramado.
Girava a ciranda girava, girava,
girava a ciranda e a �gua passou.
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