All language subtitles for Matices_S01E05[_8292]_Legendas12.POR

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Original subtitles

Esta série aborda temas que podem ferir suscetibilidades.

Aconselha-se discrição.

Posso?

Não se pode fumar aqui.

Sim.

Pode ao menos dizer-me como está a minha mulher?

Está bem.

- Está bem… - Com ela…

Com ela falarei depois.

Gostaria de estar presente.

Isso não é possível.

Seria por si.

Conheço muito bem a minha mulher.

Sei que está perturbada e que se acalmaria comigo lá, só isso.

Separámos-vos a todos por razões óbvias.

Sim, claro.

Porque encontraram as nossas impressões no punhal.

Não é verdade? E então?

Acha que nos pusemos em fila indiana e demos punhaladas ao doutor?

A sério? É essa a sua teoria?

Qual é a sua?

É muito claro.

Um de nós conseguiu que puséssemos as impressões no punhal.

Depois matou o doutor e saiu impune.

Mais nada. É de caras.

E suspeita de alguém em concreto?

Sabe de quem não suspeito?

Do Sr. Torre, por exemplo. Um maricas de primeira.

Bem, como toda a gente da comunidade dele,

é cão que ladra e não morde.

E depois há… a Sra. Peão.

Essa não faria mal a uma mosca.

Mas essas são as únicas pessoas que ameaçaram ou agrediram o doutor.

Exatamente.

O que lhe diz isso?

Não podem ser eles, é demasiado previsível.

Eu punha-os de parte.

Agora…

A doutora…

Ali Babá…

Ela tem conhecimentos médicos.

Pode ter posto um anestésico no vinho para nos drogar.

E quem melhor que ela para o esfaquear?

Refere-se à Dra. Sayyid, o Bispo?

Sim, a moura mal-encarada. E ainda há o Cavalo.

O Cavalo… Se ele se passar, tudo pode acontecer.

Quem diria…

Quem diria o quê?

Oiça, eu lamento o que aconteceu ao doutor.

A sério.

Mas, de certa forma, ele pôs-se a jeito, não?

Quer dizer, prometeu uma cura milagrosa a pessoas malucas e desesperadas.

O senhor também aqui está.

Estou pela minha mulher.

Pois, a maluca é ela, claro.

Agradecia que, tanto quanto possível,

falasse com mais respeito da minha mulher.

A minha mulher está só deprimida.

Ela não é como o resto destes malucos, que deviam ficar fechados a sete chaves.

E algo me diz

que também escondem alguma coisa.

E o senhor? Não esconde nada?

Eu?

O que haveria de esconder? Sou um livro aberto.

Tal como a minha mulher.

Desde o início que nós mostrámos que estávamos aqui

para superar a morte da nossa filha.

Mais nada.

EPISÓDIO CINCO SR. E SRA. POLAN

Chama-se Gina.

Foi há um ano.

- Lamento imenso. - O meu marido não me deixou ir abaixo.

Tentámos superar juntos, mas… precisávamos de ajuda.

Foi a senhora que decidiu contactar o Dr. Marlow?

Uns amigos falaram-me dele.

Disseram-me que era muito caro, mas o dinheiro não é problema.

Quando começaram o tratamento…

Desculpe. Importa-se?

Não.

Claro que não.

O que estava a dizer?

Quando começaram o tratamento, sentiram alguma melhoria?

Não.

Mas já o esperávamos.

Nas sessões com a Dra. Marlow,

ela deixou claro que o mais importante era a cerimónia.

Observem os vossos copos.

Apreciem a cor dos vossos vinhos.

São parecidos, não são? Mas, se olharem com atenção,

o tom reflete que o vinho da nossa Rainha é mais vivo.

Muito mais jovem.

Agora…

Digam-me a que cheira.

Cheira a vinho. Barato.

O meu não.

Ambos os vinhos foram envelhecidos na mesma barrica.

A que foi utilizada para o vinho do Rei

foi utilizada mais tarde para envelhecer o vinho da Rainha.

Fechem os olhos.

Por favor.

Feche os olhos.

O que se passa?

Não confiava nele.

Mesmo que não confiasse no método do doutor, não tinha nada a perder.

Depois do que tinha visto,

era evidente que o tratamento envolvia remexer coisas dentro de nós.

Foi por isso que veio, não?

Não.

Eu só não queria ver a minha mulher a sofrer, percebe?

Uma coisa é o doutor ter jeito para nos fazer sentir mal como a merda

e outra muito diferente é isso servir de alguma coisa.

Porque concordou então?

É casado?

Não. Claro que não.

Se fosse, perceberia.

Por ti.

Provem os vinhos.

Quando terminar a contagem decrescente, quero que pensem no momento

em que o comportamento da Gina começou a mudar.

Três.

Dois.

Um.

- Gina! - Puta!

No início pensámos que era a adolescência,

que nos estava a desafiar.

Gina, não…

Acalma-te.

Mas ficou violenta.

- Já chega. - Larga-me!

Gina, não…

Nunca a tinha visto assim.

Foi aí que decidiram pô-la num colégio interno em Inglaterra.

Como sabe isso?

Está tudo no relatório.

Estávamos assoberbados. Não sabíamos o que fazer.

Pensámos que a disciplina lhe iria fazer bem.

Afinal foi pior a emenda que o soneto.

Eu não me apercebi…

Ela não estava preparada. Insisti em enviá-la para algum lado.

Quando nem a minha mulher concordava.

Mas o colégio não vos informou de que a vossa filha não estava bem

e que estava a piorar?

Não faça isso.

- Já sei por onde vai. - Por onde?

Depois do que aconteceu com a Gina,

a raiva e a impotência levaram-nos a culpar o mundo inteiro.

A todos menos a nós.

Ao colégio, aos professores, aos outros alunos…

Mas, se esta merda de terapia serviu para algo, foi para uma coisa.

Uma coisa apenas.

Aceitar a minha parte da culpa.

Não posso responsabilizar uma instituição

só por não saberem o que raio se passava na cabeça de uma criança…

Mas e o senhor? Pode ser responsabilizado, não?

Eu devia ter percebido. Não sabia nada dela.

Devia ter-me apercebido. Sou mãe dela.

Não sabia nada da sua filha?

As meninas lá não tinham telemóveis nem acesso à Internet.

Proibiam-vos de falar?

Não. Podíamos enviar cartas.

- Cartas? - Sim.

O colégio considerava prejudicial a utilização de algumas tecnologias.

Tivemos de assinar um contrato.

Deve pensar que sou uma mãe horrível.

Não. Só uma mãe desesperada.

Não reparou em nada estranho nas cartas dela?

Ela nunca respondeu… às cartas que eu enviei.

Queria pensar que…

Que era porque estava com as amigas e com as suas coisas.

Não por continuar zangada por a ter posto lá.

Também não a podiam visitar?

Sim, homem.

Uma vez por semestre.

"O Dia dos Pais."

Nessa ocasião…

A Gina sabia que íamos.

Ela sabia.

Estão com vontade de ver a vossa filha?

Sim.

O que veem?

Onde estão agora?

Estamos no corredor do colégio da Gina.

Vamos visitá-la ao quarto.

Gina?

Gina?

Gina?

O que se passa?

A porta não abre.

Gina!

A porta estava aberta.

Agora também está.

Basta querer abri-la.

Não consigo.

Não há nada a temer.

Abra.

Não…

Não consigo.

Não vai fazer nada?

Gina!

Gina, não!

Gina! Não…

Gina!

Ajuda!

A minha filha…

A minha filha matou-se.

Não…

Deve ter sido muito doloroso ter de recordar algo assim.

Não foi recordar. Recordo a minha filha todos os dias.

O doutor fez-me reviver o momento.

Não lhe parece uma terapia cruel?

Foi duro, sim.

Mas foi muito mais consciente.

Deve ter sido muito intenso para despertarem os dois tão… afetados.

Não disse que ambos despertámos.

Muito bem.

Respire.

Isso.

Portou-se muito bem.

Porque é que ele não despertou?

Só uma dor muito profunda

é que desperta uma pessoa de um transe destes.

Ele enganou-me!

O cabão sabia muito bem o que ia acontecer e enganou-me.

Passaram pela mesma experiência e reagiram de formas diferentes.

Está a insinuar que me estou a cagar para a minha filha se ter suicidado?

Tinha algo contra mim desde o início. Desde o primeiro momento.

Queria humilhar-me à frente da minha mulher.

Ele fingia ser sensível, compassivo…

Mas era um grande filho da puta.

Sabe que esse tipo de afirmações sobre a vítima não o fazem parecer bem.

Não fui eu.

Não o matei. Estou-me a cagar para o que pensa sobre mim.

E o que pensa a sua mulher?

Cada um lida com a morte à sua maneira.

Ele sempre foi mais forte do que eu,

mas não por ser insensível.

Claro.

O que aconteceu depois com o Sr. Polan?

O doutor guiou-o pelo seu próprio processo.

Agora quero que vá um pouco mais atrás no tempo.

Ao seu primeiro casamento.

Não.

Viemos cá para superar a morte da nossa filha.

Não tem de o fazer passar por isso.

A ele ou a si?

Não quero que ele sofra.

Oiça, para superar a morte da vossa filha,

a senhora e o seu marido têm de chegar ao mesmo destino por vias diferentes.

Ele tem de voltar a fazer esta viagem e a senhora tem de a testemunhar.

Olhe para mim, por favor.

Vou ser muito cuidadoso, prometo.

Não esperava que o doutor o fizesse recordar a sua primeira esposa.

Não.

Não se importou que ele se tenha metido na sua cabeça sem consentimento.

Três.

Dois.

Voltei a vê-la.

Voltei a vê-la.

Um.

Já está com ela.

Teresa…

Meu amor.

Cheiras a laranjeira.

És linda.

Quero passar o resto da minha vida contigo.

És a mulher da minha vida.

- Sim? - Sim.

Para ali?

Teresa…

Teresa, sim.

Conhecemo-nos quando éramos muito jovens.

Mas, desde o momento em que a vi, soube que seria a mulher da minha vida.

Queria passar todos os segundos com ela, casar, formar família…

E fizeram isso mesmo.

Formaram família, digo.

Segundo a sua ficha, tiveram uma filha.

A sua primeira filha.

É igual a ti.

Terá o mesmo nome que tu.

A sua filha, Teresa…

Tal como a mãe.

Pare, por favor.

É necessário.

Confie em mim, vai ficar tudo bem.

Diga-me: o que está a acontecer agora?

Estou a ver…

Somos felizes.

Não conseguia viver sem ela.

Foram 18 anos maravilhosos.

Nunca pensei que alguém pudesse ser feliz durante tanto tempo.

O que aconteceu depois?

Depois o doutor fez-me recordar o dia em que o meu mundo se desmoronou.

Ela estava mal há algum tempo,

mas não tínhamos dado importância.

Sim, sou eu.

Até que recebemos os resultados dos exames.

Cancro do pâncreas.

Vamos lutar…

Vamos lutar.

Já vimos…

Contratei os melhores especialistas para ser tratada em casa.

Era um tratamento muito agressivo.

Havia dias maus. Muito maus.

Anda, filha.

Mas também havia dias bons.

Sabe qual é a taxa de sobrevivência dos doentes com cancro do pâncreas?

É 11 %.

Céus…

Agarrámo-nos tanto a esse número.

Tornou-se o nosso número da sorte.

Mas ela foi um dos outros 89 %.

Amor…

Cheiras

a laranjeira…

Não quero viver sem ti.

Não vás.

Aguentou um mês.

Não… Não me deixes sozinho…

Pare.

Pare, por favor. Porque está a fazer isto?

Já pode voltar.

Amor, estás bem?

O que aconteceu?

O que aconteceu depois?

Mais nada.

Depois o doutor começou a tratar

a médica jihadista e o gordo borderline e mais não sei o quê.

Se lhe disser o que saiu dali…

Não é necessário.

Muito bem. Se já não precisa de mim, com licença…

Não terminei.

- E as análises? - Que análises?

Segundo isto, durante o processo que antecede a cerimónia,

foram realizados…

… testes genéticos.

Sim.

Sim, é verdade.

Queriam avaliar a nossa predisposição para doenças mentais, mas veio tudo bem.

Podem não ter encontrado nenhuma doença mental, mas descobriram…

… outra coisa.

A Sra. Polan não é apenas sua mulher.

Também é sua filha.

Surpresa.

Não é o que está a pensar.

- Claro que não. - Nunca lhe toquei quando era miúda.

Como adulta, podia tomar as suas decisões.

- Era sua filha. - Não é ninguém para me julgar!

Eu não.

Mas o juiz, sim.

O casamento entre um pai e uma filha é, não sei porquê, ilegal.

Pode dizer-me o que tem isto que ver com a morte do doutor?

O doutor sabia isto.

E suspeitava que soubesse.

Vou ser muito cuidadoso, prometo.

Foda-se, percebe que é um segredo que as pessoas matariam para esconder?

- Não matei ninguém. - Talvez não.

Diria o mesmo do seu marido?

Mesmo se o doutor soubesse, não podia dizer nada por causa do sigilo.

O sigilo tem exceções, como por exemplo em casos de abuso sexual.

Não abusei ninguém!

Se um psicanalista tiver a certeza de que um familiar abusou um doente,

tem o dever de comunicar às autoridades.

Não houve abuso nenhum!

Eu amo-a.

Não olhe para mim assim.

- Assim como? - Com pena.

- Não. - Sim.

E a sua pena só demonstra o seu desprezo.

Não a desprezo. Na verdade, considero-a…

É-me indiferente o que me considera.

Eu só queria que ele olhasse para mim como olhava para ela.

Eu odiava-a por não se aperceber de que precisava do meu pai.

Quando ela entrava numa divisão, eu desaparecia aos olhos dele.

A única coisa que me consumia mais do que a rejeição do meu pai era ela.

Quando a minha mãe morreu, eu…

- Eu senti-me… - Culpada?

Livre.

Isso tem uma explicação.

Segundo o relatório, o doutor suspeitava de que sofria de complexo de Electra.

O facto de ter nome muda o que sinto?

Foi nesse momento

que a relação com o seu pai

mudou.

Quando a minha mãe morreu, ele foi-se abaixo.

Passou quase um ano fechado em casa.

Antes tinha muita energia, vida, ambição,

mas, quando ela se foi, ele apagou-se.

Não aguentava vê-lo assim.

Precisava do amor dele.

Estava a morrer por amor.

A morrer pela lealdade à minha mãe.

Não sabia bem o que estava a fazer.

Mas, através dela, os nossos sofrimentos acabaram.

Ele voltou a sorrir.

E eu senti-me viva pela primeira vez.

Estava a conseguir o que sempre tinha querido: a atenção dele.

Adorava.

Idolatrava o seu pai.

Ele aproveitou para a abusar.

Ninguém me abusou.

Ele precisava de mim e eu dele.

Eu estava destroçado.

Deprimido.

E ela salvou-me.

Seduziu a sua filha para preencher o vazio da morte da sua mulher.

- A sua própria filha. - É minha mulher.

E está muito feliz assim.

Ela disse o contrário?

Disse que não era feliz? Não. Sabe porquê?

Porque estamos apaixonados.

Era sua filha e engravidou-a.

Tem filhos?

Ser mãe da Gina foi a melhor coisa que já me aconteceu.

Ao contrário da sua primeira mulher,

ela deu todo o seu amor e atenção à Gina e o senhor não suportou isso.

O que está a insinuar?

Eu gostava da minha filha.

Adorava a Gina. Não se atreva a insinuar o contrário.

E a Gina?

O amor da Gina era diferente, não era? Ela não o idolatrava.

Parece que a Gina gostava mais da mãe.

Sr. Polan…

Há muitos estudos que comprovam

que filhos fruto de incesto tendem a desenvolver problemas psiquiátricos.

A Gina era uma miúda normal.

Um bocado traquinas, só isso.

Ela não tinha problemas mentais.

Simplesmente descobriu tudo e não o conseguiu aceitar, só isso.

Fala-se muito do amor incondicional das mães

e pouco do dos filhos.

Filho da puta!

Gina!

Puta!

- Gina. - Não me toques.

Acalma-te.

- Não. - Acalma-te. Não.

- Solta-me! - Já chega.

- Acalma-te. - Solta-a, por favor.

Solta-a, por favor. Solta-a.

Larga-me! Não me toques! Porquê?

- Desculpa. - Não me toques!

Desculpa.

Podia ter-lhe mentido.

Mas pensei que seria a única pessoa capaz de me amar depois do que eu fiz.

Anda, filha.

É igual a ti. Terá o mesmo nome que tu.

Livrou-se dela e enviou-a para o colégio interno.

Não. Não foi assim.

Pensámos que era boa ideia

mandá-la para longe e criar alguma distância.

A vida continuou.

Sem termos sempre à nossa frente uma recordação constante…

Já chega.

Responderá perante o juiz.

Muitas mulheres demoram a perceber que foram vítimas de abuso.

Teresa…

Posso ajudá-la.

Eu amo o meu marido.

E se eu lhe dissesse que ele sabia o que se passava no colégio?

O quê?

Isto estava no relatório do seu marido.

É uma troca de emails entre o Sr. Polan e o colégio.

O colégio disse que a sua filha…

Que a sua filha não estava bem.

Depressão grave.

O psicólogo do colégio tratou-a durante meses, mas a Gina não melhorava.

O meu marido não sabia.

A direção recomendou-lhe tirá-la do colégio.

- Não. - Para a tratarem em casa.

- Não. - Por favor.

Leia a resposta dele.

"A Gina está numa idade difícil, há de lhe passar."

Pediu que suspendessem toda a correspondência desde o início.

Ofereceu um donativo para que isso ficasse entre eles.

Gina?

Gina?

- Filho da puta! - Deixa-me explicar…

Filho da puta!

Largue-o!

Filho da puta!

- Saia! - Filho da puta!

Já chega.

Tradução: Susana Loureiro

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