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O CARDEAL
- Bom, Dia, excel�ncia. - Bom, Dia, monsenhor.
- Alfeo! - Stefano.
Surpreendeu todo o mundo com sua vinda.
Acham que quero roubar o espet�culo.
Que voc� ajudou construir.
Pensei que n�o te veria at� a cerim�nia em San Pedro.
N�o irei.
Esta noite saio para Vars�via para encontrar com o cardeal Sopieha
e n�o voltarei at� voc� ir para a Am�rica.
Pensei aproveitar a oportunidade para dizer
Bem, nada em particular.
S� para voc� dar uma olhada, na nossa velha escola
e depois sair o mais discreto poss�vel.
Estou contente por ter decidido esquecer o protocolo.
Ficaria contrariado de n�o v�-lo.
- Especialmente como a coisa est�. - Sim.
A Pol�nia parece o pr�ximo objetivo de Hitler.
Mais uma vez, uma guerra pode nos separar.
Que Deus te aben�oe, Stefano.
Padre Fermoyle.
Sua Excel�ncia.
Hoje � um dia de gl�ria, Stefano
Mas n�o gosto de pensar o quanto podemos demorar em nos ver novamente.
N�o sei quando retorno a Roma
mas talvez voc� possa ir � Boston ou Nova York.
� poss�vel. Quando a guerra acabar.
� prov�vel que viaje mais com o meu novo cargo no Vaticano
do que quando era reitor do semin�rio.
Mas voc� sim voltar� para Roma.
A maioria dos p�rocos da Am�rica n�o t�m essa oportunidade.
N�o ser� como a maioria dos p�rocos.
Eu li o seu �ltimos cap�tulos.
e, como sempre, achei fant�sticos, mas, como sempre,
isso n�o te impede de escrever
muitas p�ginas de notas como as p�ginas do manuscrito.
- Deve terminar este livro, Stefano. - Pretendo isso.
S� espero que n�o me mandem longe de uma biblioteca decente.
Arrumar� uma, mesmo na Am�rica.
Ao longo dos anos
tive muito poucos alunos com o seu talento.
N�o s� no n�vel educacional.
Observo como trata o povo.
Ainda tenho observado como me trata.
Se tem notado, � que n�o fui muito inteligente.
Sou extremamente observador.
S�rio, Stefano, espero muito de voc�.
Tem uma mente refinada e uma forma de aprender sobre a vida
que � em fim, romano.
Sua Excel�ncia n�o podia ter escolhido um elogio melhor.
Mas tamb�m tem uma din�mica s� descrit�vel como americano.
� uma boa mistura.
Precisamos dessa din�mica aqui.
Precisamos dela agora, nesta guerra
se � que o Kaiser e seus s�cios ser�o derrotados algum dia.
Acha que acontecer� assim? Que a Am�rica se unir� aos aliados?
Como italiano, assim espero, mas
� dif�cil prever que far� uma na��o.
Mesmo para um membro do corpo diplom�tico do Vaticano?
No momento ainda sou um professor
e prevejo s� sobre meus alunos.
Conhece o anel que uso?
Esse tamb�m foi desenhado por Dolcettiano
na �poca de ouro de Floren�a.
Tr�s vezes em outros tantos s�culos
chegou a vez dos bispos da fam�lia Quarenghi,
mas a morte do meu irm�o
acabou com a tradi��o.
Quero que pegue este anel, Stefano.
N�o poderia.
Um anel de bispo?
N�o � para agora.
Para quando chegar o dia.
Guarde-o para ent�o.
L� est�! Steve!
- Est� a v�-lo? - Steve!
Tudo bem, padre. Passe.
Florrie.
Oi, Frank.
Monie!
Realmente esta � a minha irm�?
Percebe algo diferente?
Como sacerdote devo dizer "n�o"
mas tamb�m n�o devo mentir.
Onde est� o papai?
Fiquei sabendo que o clero viaja de gra�a no carro do Dennis Fermoyle.
Isso � verdade?
Que diabos voc� disse?
Steve!
Oi, papai.
Olha para ele.
Mais fino que uma vara nesse bom terno italiano.
Mas n�o se preocupe, logo afrouxaremos esse engomado colarinho romano.
Papai j� falou com o seu velho amigo, bispo Monaghan.
"N�o d� moleza para o meu garoto", disse papai
"N�o � bom para o seu car�ter."
Nunca disse tal coisa.
Fiz ele prometer n�o te nomear bispo no primeiro dia.
Mas voc� ser�, hei, Steve?
N�o poder� evitar.
� praticamente chegar a cardeal sem ser bispo antes.
E agora todos pagando.
N�o sou pol�tico cuidando dos seus.
Seu pai n�o faz favores �s custas da cidade de Boston.
Bem como colar o novo gesso e a madeira com o antigo.
Todo mundo comenta, Corny.
O que disse?
Que fez a construtora Cornelius J. Deegan,
sem cobrar, como doa��o para a par�quia.
Bem dito, monsenhor
mas deixe-me dar alguns cart�es meus para a pr�xima vez.
Recordar�o melhor do nome se v�em por escrito.
Obrigado.
Tentarei que cheguem aos bolsos adequados.
Fa�a.
Esquecia de mencionar a nossa campanha para o novo aquecimento.
J� mencionou.
Sem d�vida enviar� uma lista dos doares,
ent�o vou doar o que � esperado de um cavalheiro papal.
N�o sei se sabia, Stephen, O Papa me mandou uma condecora��o.
A Ordem de Malta.
Sim, meu pai me disse por carta.
Sim? E como vai o velho Din?
Me atrevo dizer que est� explodindo de orgulho de voc�.
Lhe d� um abra�o por mim, certo?
E diga que sinto saudades dos velhos tempos,
quando ainda n�o era rico o suficiente para ser o queridinho desta par�quia.
Repare na quantia, ande.
Claro que fazer coletas � necess�rio numa par�quia.
Se a sua grande prepara��o n�o inclui lidar com milion�rios
o que est�o ensinando ent�o?
Me especializei em hist�ria eclesi�stica
na �poca da Reforma que a ela conduziu
o que implicava aprender alem�o e italiano, claro.
Alem�o e italiano, hein?
Sim, realmente trabalho num livro sobre as causas da Reforma
e claro, sobre o Conc�lio de Trento e a Contra-Reforma.
O Conc�lio de Trento, hein?
Sim, penso que o clero da �poca
demorou reconhecer o crescimento do nacionalismo
e o desenvolvimento do pensamento cient�fico, e que isso precipitou a Reforma.
Bem, como foi isso, hein?
Bom, nada � t�o simples, claro, mas
N�o concordo, padre.
Deixe-me dar um exemplo.
Estamos em 1917, e estamos na cidade de Boston.
Boston, n�o Roma.
Entende a diferen�a.
Esta � a Igreja de St. John
e voc� � o novo sacerdote.
S�o fatos muito simples. Entende?
Sim, monsenhor.
Bem, n�o acho que durante sua elegante educa��o
conduzisse um carro de leite.
- N�o. - Eu sim, quando jovem
e aprendi a distinguir um bom cavalo de corrida a 10 quadras de dist�ncia.
Est� entendendo, padre?
O que queria como sacerdote era um cavalo de corrida, padre.
N�o precisamos de cavalos de corrida em St. John.
O monsenhor
� um elemento completo, certo?
Sim, ele � um administrador.
Por isso o chamam "Monsenhor-D�lar".
N�o encontrar� ningu�m assim em Roma.
- N�o. - Ent�o, o que quer ser?
Historiador e diplomata como o seu amigo romano
o bispo Quarenghi.
Ou um bom sacerdote, como Bill Monaghan?
As duas coisas.
Mas se tivesse que escolher s� uma?
Um bom sacerdote.
O melhor sacerdote de todo o mundo?
O melhor sacerdote de todo o mundo.
E como espera ser
se j� est� incorrendo no pecado da soberba s� em pensar?
Frank, quer parar de fazer barulho?
N�o se cansa de
tocar nesses cinemas de Scully Square
sabe Deus at� que hora da noite?
N�o se preocupe comigo, papai. Durmo muito bem durante o dia.
Steve, ou�a isso, � novo.
O jantar est� pronto.
N�o esperamos a Mona?
Deve estar chegando da biblioteca.
Da biblioteca?
� l� que disse que ia?
O que quer dizer, Florrie?
Que � mais prov�vel que saiu com o Ikie Rampbell.
N�o chama Ikie, � Benny.
Ikie, Benny Qual a diferen�a?
Tem muitos cat�licos na par�quia
para andar por a� com um farrapo judeu.
N�o � farrapo.
Est� estudando para ser dentista!
Continua sendo judeu.
Estou farta de fazer tudo sozinha
enquanto ela est� por a� com seu namorado deslumbrante.
Prefere n�o ter namorado?
Vagabunda!
Quer subir com a Mona, Steve?
Sempre teve jeito com ela.
Sim, fala com a Mona, Steve.
Vou falar com Florrie.
Monie?
Sou eu, Steve.
Monie.
Me d� um abra�o.
Lembra dos abra�os de urso que voc� me dava
quando descia a Crescent Hill nos meus patins?
Antes de ir, te ensinava como me rodear com os bra�os
e te dizia:
"Aconte�a o que acontecer, segure firme."
E voc� dizia, "Me agarrarei, Steve."
O que devo fazer?
Estou apaixonada pelo Benny.
Quero casar com ele.
Ele j� pediu?
Sim.
Pedi para esperar.
N�o vai esperar para sempre.
N�o importa a diferen�a de f�?
S� se voc� se importa, Steve.
Se importa?
Gostaria de conhecer o Benny.
Traz ele � reitoria um dia?
Estou contente que est� de volta.
Tudo ser� resolvido.
Estou feliz que voc� esteja em casa.
- Padre, fiz uma aposta. - Sobre o qu�?
Chick disse que s� os cat�licos podem ir para o c�u.
Todo o mundo sabe que os protestantes n�o podem.
Por que os protestantes n�o podem ir para o c�u?
Algu�m tem uma resposta para isso?
- Padre! - Padre!
Por que n�o s�o cat�licos.
O que diz aos outros?
Est� certo!
Est�o todos enganados.
A Igreja Cat�lica ensina que qualquer um
seja protestante mu�ulmano ou judeu
quem faz a vontade de Deus, segundo sua consci�ncia, pode ir para o c�u.
Ent�o, para que serve toda essa confus�o de ser cat�lico?
Sim, padre, para que serve?
Continuaremos no pr�ximo domingo.
J� tivemos o suficiente por hoje.
Steve.
Este � o Benny. Benny Rampbell.
- Prazer, Benny. - Muito prazer, padre.
Boa pergunta da crian�a, n�o �?
Alguma vez pensou tornar-se cat�lico?
Voc� v�
os meus pais nem gostam da id�ia de me casar com uma cat�lica.
N�o poder�amos nos casar e depois tentar nos converter?
N�o.
Para casar com voc�, Mona teria que receber uma dispensa especial
e voc� teria que assinar um juramento de n�o interferir na sua religi�o
e de educar seus filhos como cat�licos.
Isso n�o � tratar ambas as partes precisamente iguais?
Seria hip�crita fazer isso.
Acontece que acreditamos que a nossa Igreja � a verdadeira.
Se estiver certo, ent�o suas regras fazem sentido.
Fico feliz que pensa assim.
E se estiver certo, ent�o seria estupidez n�o se converter.
Faria isso, Benny?
Steve, estou apaixonado pela sua irm�.
Quero casar com ela.
E se me tornar cat�lico ficaria mais f�cil
vou tentar.
Benny, te amo!
- Steve, voc� conseguiu! - Ainda n�o.
Ter� que se esfor�ar.
Nada comigo de catecismo.
Estou at� o pesco�o do que chamaria de "p�rfida escurid�o".
Tentaremos acender a luz.
Mas o Darwin n�o passou uma rasteira na G�nesis?
Houve em n�s, tamb�m passou na f� judaica.
Se fosse um bom judeu, n�o estaria aqui.
N�o vejo como algu�m pode enquadrar Ad�o e Eva com a evolu��o.
Por que n�o?
Boa tarde, monsenhor.
- Padre. Benny. - Boa tarde, senhor.
- Como vai? - Bem, acho.
Sigam. N�o se incomodem comigo.
O padre Fermoyle perguntava "Por que n�o?".
Porque se excluem mutuamente.
N�o se distingue o que � essencial na B�blia.
O que afeta a f�
dos nomes e detalhes que n�o deve tomar literalmente.
O dogma � que houve dois primeiros pais
dos quais descende a humanidade.
A verdade que permanece
com a evolu��o ou n�o, � o m�todo escolhido por Deus para cri�-los.
Trabalhei num problema semelhante que surgiu quando
Cop�rnico e Galileu
descobriram suas mec�nicas do universo.
O que � isso?
Um livro que estou escrevendo
no meu tempo livre.
Peguei um compromisso a esse respeito do bispo Quarenghi, meu professor.
Por que n�o disse logo?
Ou seja, � aquele que esclarece tudo.
A B�blia n�o ensina como funcionam os c�us
mas como ir para o c�u.
Bonita frase, padre
mas, n�o est� saindo um pouco do ensino regular?
- Benny � um osso duro de roer. - N�o tem nada de dif�cil.
Eventualmente, Benny, tudo vem a ser
f�.
Devemos ter f�.
Infelizmente n�o parece contagiosa.
O que h� l� fora?
O que �, padre Lyons?
Parece um milagre!
Sangue saindo da est�tua. Goteja do cora��o.
Aquela garota l�, Elena, uma dos novos imigrantes italianos
ontem esfaquearam o seu marido.
Estava moribundo ao chegar no hospital.
Veio aqui, pediu � Santa M�e para salv�-lo
e acendeu uma vela frente � est�tua
e ao voltar ao hospital
seu marido estava sentado na cama pedindo um prato de macarr�o.
Vai l�, corra.
Falem em italiano, mas por Deus, saiam da igreja.
Filhos da milagrosa M�e do c�u
Oremos.
Enfeitemos com flores a Sant�ssima Virgem.
Enfeitemos com flores
de suas litanias.
Senhor, tende piedade de n�s.
Senhor, tende piedade de n�s. Cristo, nos ou�a.
- Sant�ssima Trindade, um s� Deus. - Tenha piedade de n�s.
- Filho de Deus, Redentor do mundo. - Tenha piedade de n�s.
- Esp�rito Santo - Tenha piedade de n�s
Sem d�vida, tem boa m�o com eles.
Santa M�e de Deus.
Rogai por n�s.
O milagre do vazamento da tubula��o
cortesia da Construtora Cornelius J. Deegan.
Pensei que era um esfor�o especial para me converter.
Grande decep��o ter� essa gente quando descobrir a verdade.
Talvez n�o descubram.
N�o dir�?
N�o � minha obriga��o contar.
Venha j�!
Vou informar o monsenhor Monaghan.
Ele informar� o escrit�rio do cardeal Glennon.
No final ser� o cardeal quem decide o que dizer a eles.
E o que acha que ser�?
Acho que reparar�o a tubula��o e deixar�o a coisa acalmar.
Mas se n�o lhes disser a verdade, estar� cometendo uma fraude.
Qual � a verdade?
Que a tubula��o goteja.
Isso � s� um fato, Benny.
Como o sol � o centro do sistema solar.
Os fatos s�o s� uma pequena parte de uma verdade maior.
A f�, n�o �?
A f�, sim.
As pessoas v�em o sangue brotar do cora��o de uma est�tua.
Acreditam que Deus fez.
- Mas Ele n�o fez. - Sim.
Deus � a causa primeira de tudo.
Ele fez o gotejamento do tubo.
Com toda essa ferrugem, passaram muito tempo trabalhando o truque.
Toda a eternidade.
- Frank. - Bonita festa.
O que acha?
J� conhe�o os Flynns, Foleys, Flahertys
Deegans, Doogans, Donovan
O'Connors, O'Neals, McMahons, e todo o cl� O'Toole.
Parece uma can��o do Frank.
Depois dos irlandeses, os alem�es ser�o uma brisa.
Tomaremos a guerra com calma.
Pode me ajudar com um probleminha.
De que lado est� Deus?
Ou seja, � ingl�s, franc�s, alem�o
ou � americano?
Tem que escolher, � claro. Todos o querem.
- Feliz? - Mais que em toda minha vida.
O que acha de conhecer os Rampbells?
Gostaria.
Mam�e, papai
quero apresentar o irm�o de Mona, o padre Steve.
- Muito prazer, Sra. e Sr. Rampbell. - Ol�.
Tenho pena, nada � t�o solit�rio como estar entre estranhos.
N�o s�o t�o estranhos, padre.
H� v�rios homens com os quais fiz neg�cios durante anos
inclusive com seu pai.
Claro, nunca fui convidado �s suas casas.
Nem eles para a sua.
Nem eu � eles. � verdade.
Esperem, um pouco de sil�ncio.
Proponho um brinde
por Mona Fermoyle e seu soldado.
A� est�o.
Para quem ainda n�o conhece
o rapaz se chama Benny Rampbell.
Mas que n�o se choquem com seu nome.
Sei de boa fonte
que logo se converter� num bom nome cat�lico.
E quando acontecer, isso tamb�m sei de fonte segura
esse mesmo bom nome cat�lico passar� a ser o de Mona.
O que acham?
Colocam um "O" na frente
e fazemos a todo o cl� irlandeses honor�rios.
J� sabemos a resposta.
Deus � irland�s.
Vamos, mam�e, papai
Perdoe-me, padre, porque pequei.
Uma semana houve desde a �ltima confiss�o.
Estes s�o os meus pecados.
Sim?
Dormi com um homem.
Est� comprometida com este homem?
Sim.
N�o podia ter esperado at� se casar?
Steve, n�o o convenceu.
Benny n�o vai tornar-se cat�lico.
Pensei que
se fizessemos amor
Achei que poderia faz�-lo mudar de id�ia.
- Steve, estou muito infeliz. - Monie
Por favor, me ajude.
Concordar� em educar seus filhos como cat�licos?
N�o.
Disse que n�o � justo.
N�o se casar� comigo se n�o aceit�-lo como �.
Ent�o n�o pode se casar.
Benny diz para deixarmos a religi�o de lado e
nos casarmos com um juiz.
Isso n�o seria um casamento. Viveriam em pecado mortal.
O que mais posso fazer?
Porque acha que vim aqui?
Quero saber o que fazer.
Por mais dif�cil que seja, deve deix�-lo.
� s� isso que pode dizer?
Deve acabar com essas rela��es il�citas imediatamente.
- Steve - "Padre."
Sou eu.
E sou sacerdote.
O que fez � imoral, baixo.
N�o foi baixo!
Sou apaixonada por ele.
Isso � pecado?
Se n�o est� subordinado a um amor superior, o amor de Deus, sim.
Steve, disse que me agarrasse.
Estou tentando me agarrar.
Me ajude.
Por favor, me ajude.
Benny logo ir� para o estrangeiro. Pode ser por muito tempo.
Um prov�rbio italiano diz:
"O amor faz passar o tempo, o tempo faz passar o amor."
Por este e por todos os pecados cometidos, pe�o perd�o.
Como penit�ncia, tr�s ros�rios e fazer um bom ato de contri��o.
Meu Deus, sinto ter te ofendido
e a firme resolu��o de n�o voltar a pecar.
Isso n�o posso fazer!
Voc� precisa.
- N�o devia ter vindo! - Mona!
O cardeal Glennon te ver� agora, padre.
Boa tarde, padre Fermoyle.
Emin�ncia
Tiro o meu anel para tocar Bach.
Pratico uma hora todos os dias. Meu pessoal me anima.
Podem odiar a m�sica e gostam ouvindo o que fa�o.
Ou viram que quanto mais bato no piano, menos bato neles.
Podem estar certos.
N�o diria isso, toca muito bem.
As Varia��es Goldberg s�o muito dif�ceis para um amador.
Mas Sua Emin�ncia n�o estava tocando a Fantasia Crom�tica?
Se me cumprimenta como m�sico, devo saber se conhece m�sica.
N�o � coloc�-lo numa armadilha, est� longe da minha inten��o.
N�o?
N�o, � pela minha infernal fraqueza por bajula��es.
Voc� v�, Fermoyle, sou um vaidoso incorrig�vel
n�o do meu charme pessoal
mas de certas conquistas
fora do meu of�cio de sacerdote.
Por causa deste defeito devo estar sempre em guarda.
N�o s� pela minha alma, mas pela sua.
Eu li o seu livro.
N�o sou historiador, mas parece um amplo exame do tema.
Obrigado.
Porque o enviou para mim?
Porque o bispo Quarenghi gostou muito e pensou
- Quarenghi? O do Vaticano? - Sim.
Pensou que o pr�ximo passo seria conseguir sua impress�o para publicar.
Quarenghi leu o seu livro?
Sim. Na verdade me ajudou em grande parte.
Era muito amigo do bispo Quarenghi?
Foi meu professor. Eu o admiro muito.
Est� na Secretaria do Estado, se n�o me engano?
Sim, � assistente do cardeal Giacobbi.
Giacobbi, cuja paix�o principal na vida � proteger o Santo Padre
do contaminante contato com os n�o-italianos.
Cardeal Giacobbi teria uma boa raz�o para gostar do seu livro.
N�o entendo
Porque � de uma �poca em que o hemisf�rio ocidental
n�o tinha import�ncia eclesi�stica.
Diga-me, por que escreveu?
- Por qu�? - Sim, por que raz�o?
- O que esperava obter com ele? - N�o esperava receber nada
Fama?
- N�o - Admira��o em Roma?
O assunto me interessava
Um cargo no Vaticano, na Secretaria do Estado
perto dos seus amigos italianos?
Me pareceu um campo abandonado
Vamos, analise seus motivos. Voc� � um padre ambicioso.
Reconhe�o todos os sintomas.
Se acha bom demais para o trabalho paroquial.
Nunca disse isso.
N�o se sente desperdi�ado aqui?
Seu talento para as l�nguas
os estudos, a diplomacia
Tudo isso � desperdi�ado em St. John. N�o? Admita.
N�o, Emin�ncia.
- A verdade. - Servirei onde quiser me enviar.
Padre Fermoyle, acha valer mais
que um simples p�roco?
Diga-me a verdade.
Claro que sim.
Queria a verdade, Emin�ncia.
A ambi��o � um mal em qualquer homem. Num sacerdote pode ser fatal.
Mas na sua idade ainda pode ser curada.
Come�aremos seu tratamento imediatamente.
Clima frio, dieta simples.
Stonebury. Perfeito.
Stonebury ser� seu sanat�rio espiritual.
Agora � sacerdote de Stonebury.
A par�quia se chama San Pedro. N�o pretendia ironizar.
Ajudar� o padre Halley.
Um homem verdadeiramente not�vel.
Como pastor � um fracasso total, mas
como indiv�duo carece de vaidade e
ambi��o.
Com ele pode aprender humildade.
Adeus, padre Fermoyle.
Steve!
Onde estava? E o papai e os outros?
Tentei te encontrar antes de sair de St. John.
- O que est� havendo? - Viu a Mona?
- N�o. - Te deixou alguma mensagem?
- N�o - Se foi.
Esta noite n�o voltou para casa. N�o sabemos onde est�.
Com Benny?
N�o, seu regimento partiu ontem.
Se souber de algo, me diga.
Telefone para Stonebury.
Me chame! Diga para mam�e e o papai n�o se preocuparem.
- Padre Fermoyle? - Sim.
Bonjour, padre.
Suba.
O padre Halley me mandou busc�-lo.
Sou Hercule Menton.
Prazer, Hercule.
Padre Halley?
Padre Fermoyle.
Desculpe n�o ter te recebido.
Fiquei feliz que algu�m me recebeu. Obrigado.
- Fez um bom fogo. - Sim, ia fazer o ch�.
�timo. Vou tirar isso.
- Deixa eu te ajudar com seu casaco. - Obrigado.
N�o estou acostumado com companhia.
Teria que pedir um sacerdote.
Tenho medo que Sua Emin�ncia j� tenha feito muitos favores.
Al�m disso, aqui s� tem renda para manter s� um sacerdote
muito menos dois.
Bem, agora que est� aqui, as coisas v�o melhorar.
Fiz uma coleta muito boa no domingo.
Um capital para San Pedro.
Um d�lar e 85 centavos.
Amanh� compraremos caf� para comemorar
sua chegada com alegria.
O que tem?
Nada.
Deveria estar na cama.
N�o, vai passar. Sempre passa.
- Padre, est� doente. - N�o!
Sente.
Com um pouco de p�o e ch� e ficarei bem.
- Quer um pouco de peixe? - N�o, obrigado. Isso � suficiente.
Sempre como ao meio-dia.
- Mas se quiser o peixe? - N�o, obrigado.
Pela manh� te mostrarei a par�quia.
Por que n�o descansa amanh�? Me arrumo s�zinho.
Aben�oa-nos, Senhor
e aben�oa os alimentos que vamos receber
por Cristo, nosso Senhor
am�m.
Padre, insisto que coma o peixe.
Deve estar com fome depois da sua longa viagem.
Padre Fermoyle!
- Bom dia, Hercule. - Bom dia, padre.
- Como est�? - Vamos, entre!
Minha filha, Lalage.
- Ol�, padre. - Ol�, Lalage.
- Bem-vindo � L'Enclume. - Obrigado.
- Como est� o padre Halley? - Acho que n�o muito bem.
Fico feliz que tenham enviado algu�m para te ajudar.
E esta � minha esposa, Adele.
Quer comer conosco?
N�o se preocupe, tem bastante.
N�o, obrigado. Acho que devo voltar ao padre Halley.
Espere
O padre Halley precisa uma refei��o quente.
Com isso vai se sentir melhor.
Desde quando tem essas tonturas?
Faz muito tempo?
O que o m�dico disse?
Bem
- Foi a um m�dico, n�o �? - Sim.
N�o soube diagnosticar.
Disse que teria que passar uma semana no hospital para an�lises.
Ent�o?
N�o podemos pagar.
A diocese sim pode.
N�o, n�o pe�a.
Est� doente.
Sua Emin�ncia n�o deve saber que estou doente.
O cardeal Glennon? Por que n�o?
Veja,
ele me deu minha primeira par�quia
San Anselmo, em Stowe.
Era uma pequena igreja com uma grande hipoteca.
N�o pude liquid�-la.
Me mandou para Needham.
Uma pr�spera par�quia.
Havia dinheiro no banco.
E endividei Needham.
Sua Emin�ncia me deu uma advert�ncia.
Depois me enviou para
Malden, Ipsfield
cada vez num lugar menos favor�vel.
Agora j� n�o resta mais favor.
Est� decepcionado comigo.
N�o deve saber
que fracassei novamente.
Padre Fermoyle, seu irm�o ligou na loja
e disse para voltar para Boston o mais r�pido poss�vel.
Mona
O que querem?
Falar com nossa irm�.
Pois n�o parece que ela quer falar com voc�s.
Mona, por favor!
O que querem?
Queremos que volte para casa.
Por qu�?
Est� partindo o cora��o deles, Mona.
Venha para casa, por favor.
Est� bem, irei para casa.
Acha que a mam�e se importar� se levar o Ramon?
Ele passou muito tempo na cadeia e ainda n�o aprendeu a ler.
Mas pode dizer que � cat�lico. � latino, � claro, mas
Mona, ou�a.
- Benny n�o ficar� fora - Cale-se!
O que est� tentando fazer?
Come�aremos de novo. Encontraremos uma maneira para se casar.
Prometo que farei tudo que puder
Por que n�o me deixa em paz? O que quer de mim?
S� quero que seja feliz.
Isso � tudo?
N�o vai me perdoar tamb�m?
N�o � o que os sacerdotes mais gostam de fazer?
- Steve n�o � seu inimigo, Mona. - Deus te perdoar�.
Ouvir� ent�o a minha confiss�o, padre?
Ficarei feliz em ouvir sua confiss�o na hora certa
Aben�oe-me, padre, pois pequei.
- Monie, n�o fa�a isso. - Farei o que me der vontade!
Estou farta.
Parei, parei com voc� e sua
piedosa, com�dia e hip�crita religi�o.
E tamb�m parei com o seu Deus.
Da pr�xima vez que falar com Ele, diga isso.
Venha, querido, vamos dan�ar.
N�o � culpa sua.
Sim, �, sim.
- Lalage! - Ol�, padre.
Quem fez tudo isso?
Disse para cuidar do padre Halley na sua aus�ncia. Foi o que fiz.
- O m�dico est� com ele. - Que m�dico?
O Dr. Carter. Ele veio de Lynchburgh.
�s vezes trabalho no seu consult�rio.
Agora que voc� voltou, � melhor eu ir para casa.
Foi muito gentil ajudar tanto.
� muito pouco comparado com o que ele fez.
O padre Halley?
Quando era crian�a, minha av� morreu.
Era muito velha, muito temerosa
muito religiosa.
O padre Halley tamb�m estava doente, mas ficou com ela noite e dia
rezou com ela, ajudou ela morrer em paz.
Voltarei para preparar o jantar.
Doutor?
Padre Fermoyle?
Acho que o seu pastor est� muito doente.
O que �?
A doen�a? Posso dizer qual �, mas pouco mais posso fazer.
� chamada esclerose m�ltipla.
N�o sabemos suas causas e n�o tem cura.
� um colapso de todo o sistema nervoso.
Podem se desenvolver lenta ou rapidamente.
Mas sempre na mesma dire��o.
Quanto tem avan�ado no padre Halley?
Quase at� o final.
Sempre teve essa falta de energia?
Acho que sim, mas n�o sei desde quando.
� muito poss�vel que esteja morrendo em toda sua vida adulta.
� inclusive surpreendente que pudesse trabalhar.
- O que podemos fazer por ele? - Precisar� cuidados constantes.
Deveria ficar hospitalizado ou num lar de idosos.
Se morrer�, que morra como pastor, em sua cama e sua par�quia.
Assim pode ser mais dif�cil para voc� do que para ele.
Obrigado.
D� isso conforme indicado.
- Esse rem�dio � muito caro? - Sim.
E quanto mais dure o tratamento, mais custar�.
COMPRAMOS REL�GIOS VELHOS DE OURO, PRATA, ETC.
Nunca � agrad�vel ver algu�m morrer.
Perdoe-me pelo que estou demorando.
N�o lhe incomoda nada disso?
N�o, � a natureza e nada mais.
Que estranho.
O que � estranho?
Que uma garota jovem e atraente
passe seus dias e noites assim.
Voc� � sacerdote.
E deve entender o que � querer ser �til.
Veja, tamb�m tenho voca��o.
Fui aceita nas Geraldines.
Geraldines?
A congrega��o das enfermeiras.
Sei, lidam com os incur�veis.
Dos incur�veis e dos moribundos.
E essa � a vida que voc� quer?
� a vida para que eu nasci.
Alguma vez viu este anel?
Sim, era meu.
Como o conseguiu?
- Um presente. - De quem?
De um amigo.
Onde o encontrou, Emin�ncia?
Numa "boca" como dizem no submundo, o "pescaram".
Um dos objetos recuperados foi este anel.
A pol�cia pensou que fora roubado de um bispo,
mas os g�meos Karaghousian
alegaram ter comprado de um tal padre Fermoyle.
Nunca tivemos um padre que trabalhava com a m�fia.
Mas suponho que durante a sua estada em Roma, fez muitos contatos interessantes.
N�o tinha escolha, Emin�ncia.
Para subsistir no semin�rio
tinha que vender �pio na Pra�a de S�o Pedro.
- N�o tem medo de mim, certo? - N�o.
Por que n�o? A maioria tem.
Talvez seja porque lembra o meu pai.
�s vezes o chamam de "bagunceiro berrador".
Mas s� o seu rugido � feroz.
Tem sorte de ter um filho
que n�o o teme.
Ent�o, o anel
Por que o vendeu?
- Precisava de dinheiro. - Por qu�?
Por raz�es pessoais, Emin�ncia.
N�o h� "raz�es pessoais" entre um padre e seu arcebispo.
Precisava para as despesas m�dicas do padre Halley.
- Est� doente? - Ele est� morrendo, Emin�ncia.
- Por que n�o fui informado? - Ele n�o queria que soubesse.
Padre O'Brien, tragam o carro.
Ned?
Emin�ncia!
- Larry. - Como vai, Larry?
Importunando a todos, como sempre.
J� me conhece, Ned.
Voltei a falhar novamente.
N�o, eu falhei com voc�.
Quem mais poderia aguentar um velho tolo como eu?
N�o � uma coisa dessas.
Vamos, Larry
para de alimentar a sua febre de ouro
sempre dissemos que iria lev�-lo ao topo
Ao topo de uma montanha de vaidade mundana.
Quero agradecer por me dar esta par�quia.
A mais pobre da diocese.
Para mim era rica,
e depois me enviou o padre Fermoyle.
Um vaidoso e ambicioso cachorro romano.
� muito parecido como voc� era, Larry.
- Isso � um golpe mortal! - N�o.
Refiro-me � sua bondade.
Vai deixar ele tomar o meu lugar aqui?
Ser� um bom pastor, sei.
As pessoas j� gostam dele.
Excelente id�ia. Obrigado, Ned.
Me far� um �ltimo favor?
O que quiser.
Me daria a Extrema Un��o?
Ser� uma grande honra para mim, Ned.
Logo acabar�, eu espero.
Sua tarefa ser� fechar a igreja.
Envie todos os arquivos ao reitor de Averill.
Mas, Emin�ncia
A mantive aberta s� por ele.
- Mas voc� disse que - Dei gra�as pela id�ia.
Acontece que tenho outra para voc�.
Esse povo precisa uma igreja.
Haver� missa aos domingos. O resto ser� em Averill.
Uma vez por semana n�o basta.
Precisa aprender que quando tomo uma decis�o
n�o gosto de argumentos intermin�veis, sen�o, n�o ser�
meu secret�rio.
- Tem certeza que � o mesmo cara? - Claro.
E agora, temos o orgulho de apresentar
Bobby e suas Adora-Belles.
E agora, senhoras e senhores, apresento o
tigre do tango:
Ram�n Gongaro e sua parceira.
N�o � a Mona.
Vamos.
- Onde est� a Mona? - N�o sei.
Onde est�?
- Faz cinco meses que n�o a vejo. - Onde a viu pela �ltima vez?
- Em Albany. Deixou de atuar l�. - Quer dizer que l� a abandonou.
- N�o, n�o, eu disse - O que disse?
Disse que iria pagar.
- Pagaria o qu�? - O aborto, mas recusou-se
�timo, a nossa �nica pista e tem que derrub�-lo.
O que est� havendo a�?
� nosso amigo, guarda. Acho que n�o est� muito bem.
Voc� sabe, a noite est� fria
e tem que beber para se aquecer.
- Chamo um t�xi para o seu amigo? - � muito gentil, guarda.
- Onde ela est�? - 5 Stanhope Lane, acho.
Uma tarefa nobre e solit�ria �, preservar a lei e a ordem numa noite como esta.
Obrigado, guarda.
Sou Ram�n.
- O que quer? - Onde est� Mona?
Segundo andar, na parte de tr�s.
Quem s�o seus amigos?
Segundo andar, na parte de tr�s.
Mona, sou o Steve!
Coloque seus bra�os em volta de mim, aguente
Sou o Dr. Parks.
- Voc� � o marido? - N�o.
N�o tem marido.
� a nossa irm�.
Sua irm� tem dias em trabalho de parto.
Ela perdeu muito sangue.
Por que n�o recebeu assist�ncia m�dica?
Porque n�o sab�amos onde estava.
Sua bacia � muito estreita.
A cabe�a da crian�a � maior que o habitual. Um parto normal � imposs�vel.
Pode fazer uma cesariana?
� tarde demais para isso. Mas podemos salv�-la.
Preciso da sua permiss�o para fazer uma craneonomia fetal.
- Uma craneonomia? - Sim.
Temos que esmagar a cabe�a da crian�a.
Quer matar a crian�a?
N�o pode deixar a Mona morrer.
Imagino que isso seja uma esp�cie de escr�pulo religioso.
� um mandamento. "N�o matar�s."
E est� certo matar a Mona?
Se a Mona morrer seria por
n�o cometer um homic�dio para salv�-la, morreria naturalmente.
Mas o beb�
Estar�amos pegando um filho de Deus
vivo, com uma alma.
E matando-a deliberadamente.
N�o permitirei que matem a Mona.
Desculpem, mas n�o h� muito tempo. Voc� � da fam�lia?
N�o.
Quem tem a �ltima palavra?
Ele.
N�o posso te autorizar cometer um assassinato.
Posso v�-la?
Tem que ser r�pido, a menos que queira perder os dois.
Monie, voc� pode me ouvir?
Ou�o
Mona, repita comigo:
Meu Deus, sinto ter Te ofendido.
O
fendido.
Meu Deus
Deus
O, meu Deus
Padre, tem que ir agora.
Steve!
"Feliz anivers�rio
Feliz anivers�rio, Regina
Feliz anivers�rio".
para voc�
- Feliz anivers�rio. Que grande garota! - Apague as velas.
Experimente.
Assopre a outra. Assopre.
Duas, mais uma.
Suba.
O padre Callaghan te preparou uma mala. Compre o que faltar em Roma.
Roma?
Sim, o Papa morreu esta manh�.
O que o capit�o disse?
Perdemos tr�s dias. Amanh� podemos recuperar um se acalmar.
Ter� que fazer mais que isso.
Isso � tudo que me mant�m vivo
� o pensamento de
chegar a tempo de votar para o novo Papa.
Passar tudo o que estou passando
e voltar a chegar tarde
- Onde est� meu ba�? - Prometeram enviar.
- O que est� havendo? - Nada.
Agora deveria ter fuma�a, branca ou preta.
Esta vota��o est� demorando muito.
Pode ser negra. Talvez ainda n�o tenha maioria.
O que prefere, padre Fermoyle?
Quem se importa se houver empate?
A Igreja americana tem direito de participar.
� branca, � branca!
Sim, Emin�ncia, j� vou.
Est� agitad�ssimo.
Ah, Stephen, que bom que voc� veio. Sente.
O que fez neste belo dia romano?
Sua reuni�o privada deve ter ido muito bem.
Como � o novo Papa?
Espanta a calma que ele tem.
Um homem que fizeram cardeal a s� oito meses.
Propus um novo procedimento para o pr�ximo conclave.
O que est� havendo quando ele morre?
- Deve ter sido delicado. - Achei muito objetivo.
Expliquei que n�o importa a rapidez que fa�am os barcos
10 dias ainda � muito pouco para vir dos Estados Unidos a Roma.
Concordou que fossem 15 dias.
Parab�ns, � um grande feito.
Mas n�o o �nico que consegui hoje.
Antes que eu esque�a
seu anel de bispo.
Um dia desses vai precisar.
Aparentemente o Santo Padre est� realmente interessado na Am�rica.
Indiquei que n�o tem civ�s
nossos na Secretaria do Estado.
A partir da� n�o foi dif�cil convenc�-lo
que o Vaticano custaria funcionar sem os seus servi�os.
Seria um prelado dom�stico, Monsenhor Fermoyle,
com direito de usar batina roxa e pelerine.
Stephen?
O que est� havendo?
N�o � f�cil de explicar.
O qu�?
Fala, homem!
N�o posso aceitar um posto aqui.
Aceitar?
- N�o � uma escolha. - Neste caso, sim.
Tenho que deixar o sacerd�cio.
Isso � imposs�vel. N�o faz sentido.
- N�o pode decidir de repente - N�o � repentino.
Faz anos que me proponho.
Se te digo agora � porque
mais oportuno imposs�vel!
Faz uma hora, a pedido do Papa, o cardeal Giacobbi enumerava suas virtudes.
Com seus preconceitos anti-americanos, o que armar� com isso!
Far� retroceder uma d�cada todo o hemisf�rio.
Lamento muito o embara�o que isso possa causar, mas � dif�cil pensar
N�o quero ouvir o que pensa! Agora ou nunca!
Vai! Est� ouvindo? Vai!
Acabou a conversa. Pode se retirar. V�!
Sim?
Emin�ncia
Nem sequer deu detalhes por que quer deixar o sacerd�cio.
Deveria ter feito. N�o tive chance.
Se voc� pensou bastante Posso me sentar?
- Por favor, Emin�ncia. - Por que n�o disse antes?
N�o sei.
N�o tinha certeza no que pensava.
Posso saber o que est� por tr�s da sua extraordin�ria decis�o.
N�o tenho certeza de poder saber entre umas e outras raz�es
e perceber qual foi.
Para come�ar, n�o acho que nasci para ser padre.
N�o foi minha id�ia.
Meus pais decidiram quando eu era um beb�.
N�o me lembro de um momento onde n�o era algo estabelecido.
como o meu pai que sa�a para ganhar o sustento
e minha m�e que cuidava da casa e das crian�as. Ningu�m nunca questionou.
Nem eu.
Guardavam um d�lar por semana para a minha educa��o,
um d�lar por semana do sal�rio de um mec�nico.
Quando eu tinha sete anos, meu irm�o me chamava "O Cardeal".
Esta manh� eu teria dito que era um profeta em potencial.
Minha d�vida era se tinha a for�a para ser um bom padre
para renunciar o que devia renunciar
viver sem a suavidade de uma mulher.
Por outro lado, estava a escol�stica.
Gostava de meus cursos, me faziam bem.
Enquanto tudo era teoria e n�o houvesse pr�tica
pensava estar no meu lugar.
Mas ent�o veio o momento de estar sozinho
em que devia agir como o ungido de Deus
responder a perguntas de pessoas sobre o certo e o errado
tomar decis�es por eles.
E um dia foi a minha irm� que precisava da minha ajuda.
Descobri que n�o poderia ajudar
porque o que precisava era de um homem, um amigo, um irm�o,
e tudo que pude ser foi um juiz com um c�digo de leis.
Finalmente, chegou um momento que a minha posi��o de padre presumia que ela devia morrer.
Sei que fiz o que tinha que fazer,
o que tinha que fazer como sacerdote, como um agente da lei de Deus
mas n�o pude fazer o que um leigo teria feito,
fingir desconhecer a lei.
N�o estou desafiando as leis,
o que n�o quero � ser quem as faz cumprir.
N�o, pela irm� de ningu�m.
N�o quero o poder sobre a vida dos outros.
N�o posso afrontar essa responsabilidade.
Nisso se reduz a coisa.
Me sento no confession�rio para ouvir os pecados de algu�m
e sou eu quem treme de medo.
N�o sei o que ser� de mim.
Devo descobrir o que mais eu posso fazer.
Mas acho, rezo
para que haja outro tipo de vida para mim.
Uma vida para a qual fui feito
e que me deixe dormir � noite.
Steve
pedirei que fa�a uma coisa para mim
porque acho que tem uma id�ia equivocada de si mesmo.
Acho que vejo o seu problema com mais objetividade que voc�.
N�o importa como a coisa aconteceu, estava destinado a ser sacerdote.
Pedirei para adiar a sua decis�o.
Como seu bispo, posso fazer algo.
Raramente � feito, mas posso te dar uma licen�a do sacerdocio ativo.
Vou dizer ao Giacobbi
que � por motivos de sa�de. E �.
A sa�de da sua alma.
O sacerd�cio n�o � algo que p�e e tira
como a batina.
Faz parte de um.
Pense nisso, Steve.
Pegue um ou dois anos.
Se depois desse tempo continuar pensando o mesmo
farei tudo que puder para te dispensar dos seus votos.
Mas
se quiser continuar sendo padre
certamente convencerei o Papa para manter o seu posto.
Far� tudo isso, Steve
por mim e por voc�?
VIENA 1924
Devido as f�rias, n�o nos veremos por duas semanas.
Para a pr�xima aula quero que preparem uma conversa��o em ingl�s.
sobre uma viagem de carro de Viena a Salzburgo.
At� ent�o, "auf wiedersehen".
Espero que tenha umas boas f�rias.
Nos vemos em 14 dias.
- Tchau. - Obrigado, igualmente.
Obrigado.
Sim, Srta. Lederbohl?
Nada, tenha umas boas f�rias.
Obrigado.
Sr. Fermoyle, se importa se andar com voc�?
- Em absoluto. - Fazemos o mesmo trajeto.
Me fala da Am�rica.
- Em 25 palavras? Ou menos? - Ou mais.
Tenho toda a tarde. E a noite, se precisar.
- Quero estar preparada. - Para qu�?
Meu sonho � ir a Am�rica um dia.
onde o povo pensa no futuro, em vez de sempre no passado.
Por favor, me convide para um caf�.
Certo.
Onde gostaria de ir na Am�rica?
Primeiro � Nova York, � claro. Depois n�o decidi ainda.
- Onde acha que deveria ir? - Bem.
- De onde voc� �? - Boston.
Boston. Isso � Massakewsetts.
- Massachusetts. - Massachusetts.
Fala sobre Boston.
Assim de repente n�o sei o que dizer.
Nasci em Boston, cresci l�, com minha fam�lia.
Quando era crian�a �amos nadar no rio.
Pouco incentivo para visitar Boston.
Irei � Boston.
O que faz?
- Bem, eu ensino - N�o, digo quando n�o ensina.
Voc� sai? Vai ao teatro, a festas?
Que amigos voc� tem?
Tento descobrir parece que ningu�m sabe.
�s vezes acho que fica l� sentado sozinho no seu quarto em Stallburggasse.
Como voc� sabe onde moro?
Eu o segui.
Voc� � diferente dos outros homens.
Dos outros homens.
- Sabe esperar. - Esperar o qu�?
Esperar "quem".
O que far� nestas f�rias?
Acho que vou sentar l� sozinho no meu quarto em Stallburggasse.
- Quer saber de uma coisa? - Sim.
N�o irei permitir.
Antes da guerra uma garota n�o tinha escolha, s� casar.
Agora n�o h� homens suficientes.
As fam�lias perderam seu dinheiro.
A maioria das minhas amigas t�m emprego ou procuram um.
Todos dizem que tenho sorte de ter um jovem rico me querendo.
Sim? Se considera afortunada?
N�o tenho certeza.
Para mim, ter um emprego n�o significa ser mulher.
Acho que tem uma coisa que eu faria bem.
Uma coisa para a qual eu nasci.
Para amar um homem.
Am�-lo tanto que toda a minha vida seja faz�-lo feliz.
Se isso � verdade, ent�o deveria pensar.
Sendo isso toda a minha vida, � importante encontrar o homem certo.
- Tudo que fa�o � falar sobre eu mesma. - E de Viena.
E voc� da Am�rica.
Mas nunca de Stephen Fermoyle.
N�o h� muito a dizer.
Tenho um ano e meio na Europa. Ensinando, principalmente.
Primeiro em Mil�o, depois em Munique e agora em Viena.
Vou onde a Escola Internacional de Idiomas me manda.
Mas o que fazia antes? Eu digo, em Boston. O que fazia l�?
Por que veio para a Europa?
N�o temos que descer aqui?
O mosteiro foi fundado em 1410.
a igreja, constru�da com um rico estilo barroco.
entre 1721-1725.
Tem uma torre, talvez a mais bonita da �ustria.
Parece Baedeker.
S� tento ser impessoal.
O mais atraente do interior s�o os relevos no estuque do teto.
As pinturas do altar s�o de Schmidt of Krems.
O p�lpito foi esculpido pelo seu pai, Johann Schmidt.
- E as cadeiras do coro. - Sim, sei.
J� estive aqui antes.
- Sim? - V�rias vezes.
Por qu�?
Venho rezar.
Voc� � um homem estranho.
Sou padre, Annemarie.
Estou de licen�a tempor�ria.
Muito ocasionalmente, quando um sacerdote n�o tem certeza da sua voca��o.
d�o-lhe um tempo para refletir.
E quando o tempo expirar?
Devo decidir se continuo
ou solicito a dispensa dos meus votos, se puder conseguir.
Entretanto, continuo sujeito a esses votos.
Ser� mais dif�cil ficar comigo agora que me disse?
N�o mais do que antes, acho.
Porque se pensasse.
que estou influenciando direta ou indiretamente.
na sua decis�o.
Se for assim?
Seria Como voc� disse?
Uma carreira para a vida toda.
Annemarie!
Esta noite � indiscut�vel.
Tem que ver uma dan�a vienense e esta � a �ltima da temporada.
J� aluguei tudo o que precisa.
Olha.
Fraque.
Camisa de gala, gravata branca.
- Colete. - "Colete."
E uma capa.
E "Manschettenkn�pfe". Como se diz isso?
- Abotoaduras. - Abotoaduras. E isso?
Capas de bot�es.
E cartola.
- Boa noite, Kurt. - Boa noite.
- Est� linda esta noite. - Obrigado.
Apresento o Sr. Stephen Fermoyle.
Stephen, Kurt von Hartman.
- Herr von Hartman. - Sr. Fermoyle, prazer.
- � americano, n�o �? - Sim.
Ent�o est� acostumado emprestar seus tesouros para a pobre Europa.
Me concede essa dan�a? Annemarie?
Desculpe.
- Boa noite. - Boa noite.
Ouvi dizer que era americano.
� verdade que n�o � permitido beber.
nem mesmo cerveja ou vinho?
N�o est�o loucos fazendo esta proibi��o?
Obviamente, aqueles que votaram acham que qualquer meio vale.
para eliminar os males do alcoolismo. Com licen�a.
Sabe o que � essa proibi��o?
� como tentar eliminar os males de estupro.
aprovando uma lei que pro�be fazer amor.
Consegue imaginar a vida sem sexo?
Com licen�a.
- Perdoe-me, Stephen. - Por qu�?
Por deix�-lo sozinho.
Num baile tem que dan�ar.
Mas voc� n�o pode.
Parece muito simp�tico.
Kurt? Sim, �.
� ele que quer casar com voc�?
Sim, est� com ci�mes?
Sou um padre, Annemarie.
Mas tamb�m sou homem.
Homens podem mostrar seus sentimentos, mas um padre deve aprender ocult�-los.
N�o posso esconder mais.
Acho que estou apaixonado por voc�.
Sei que estou apaixonada por voc�.
N�o posso pedir para me beijar estando ainda casado com a Igreja.
Mas em Viena, at� para um casado.
� pecado n�o dan�ar uma valsa.
ROMA 1934
responda esta carta da Filad�lfia.
Diga que n�o ter� mais audi�ncias privadas pelo menos por seis semanas.
Bem-vindo ao Vaticano, padre Gillis.
Monsenhor Fermoyle.
Sua carta ao Papa me foi passada.
pelo assessor dos Assuntos Americanos.
Ele me receber�? O Santo Padre realmente me receber�?
Acho que n�o pude arranjar.
Mas sim para contar sua hist�ria ao cardeal Giacobbi.
� o melhor depois de uma audi�ncia privada com o Papa.
N�o sabia se receberia resposta.
Desde que enviei a carta at� chegar em Roma.
estive esperando uma chamada.
Vamos?
Sua Emin�ncia nos espera.
Fermoyle, entre, entre.
Ent�o este � o sacerdote americano que nos falou?
Voltarei quando terminarem.
N�o, fique. N�o demora, certo?
Monsenhor Fermoyle e o cardeal Quarenghi s�o velhos amigos.
Est� num ninho de diplomatas, padre.
Isso significa que se um de n�s diz exatamente o que pensa.
seria um lapso.
Sente. Por favor, diga-nos o que podemos fazer por voc�.
A par�quia do padre Gillis est� no estado da Ge�rgia, numa cidade chamada Lamar.
Sua congrega��o fez uma coleta para que pudesse vir aqui.
Sim, muito interessante.
S�o Judas, Emin�ncia, minha igreja se chama S�o Judas.
O padroeiro de causas perdidas.
N�o gostar�amos de perder essa causa.
Veja.
s� h� uma escola cat�lica nessa parte da Ge�rgia.
E, ent�o.
esta escola n�o aceita as crian�as da minha par�quia, porque s�o negros.
- Ent�o? - Ent�o, Emin�ncia.
isso � crist�o?
Vai contra os princ�pios crist�os que uma escola cat�lica.
n�o aceite uma crian�a pela cor.
Claro.
Mas temos as m�quinas necess�rias.
para aplica��o destes princ�pios.
Fiz o que devia fazer.
Fui ao decano do distrito, Monsenhor Whittle.
E disse que nunca deixaria entrar crian�as de cor naquela escola.
E o seu bispo?
Escrevi e ele n�o respondeu.
E ent�o decidiu que o seu �ltimo recurso.
seria vir a Roma para contar seus problemas ao Papa?
Desculpe, Emin�ncia.
Mas aconteceu uma coisa antes do padre Gillis decidir por vir.
Reduziram sua igreja �s cinzas.
Algumas pessoas da minha par�quia.
acreditaram que era hora de fazer algumas mudan�as.
Montaram um piquete em frente a escola branca.
Montaram o qu�?
Se manisfestaram diante da escola protestando contra a discriminan��o.
Depois recebi muitas chamadas.
e cartas an�nimas.
E uma noite, aqueles homens com capuzes brancos.
incendiaram minha igreja.
B�rbaros.
No entanto, n�o h� nenhum tributo para sua discri��o sacerdotal.
que sua preocupa��o por essa peculiar pol�tica local.
o tenha deixado sem igreja?
Pol�tica, meu caro Giacobbi?
A profana��o � uma quest�o moral, claro.
Falava das atividades do padre Gillis.
A discrimina��o tamb�m � uma quest�o moral.
N�o precisa me dizer.
que o preconceito de ra�a vai contra os ensinamentos de Cristo e sua igreja.
A quest�o � saber se � sensato usar m�todos.
que tendem a ser inflam�veis.
N�o estou certo se podemos nos permitir empregar m�todos que tendem a ser glaciais.
A verdade � que para a maioria dos n�o-brancos do mundo,
n�o h� prova mais cr�tica da nossa democracia.
A democracia, meu caro Fermoyle, nem � a forma de governo definitiva.
nem � necessariamente a melhor.
� simplesmente a doutrina favorita de um pa�s.
descoberto por um italiano que acreditava ir para outro lugar.
Sua Emin�ncia sugere um estimulante tema de discuss�o.
mas me refiro que o que se passa com a liberdade na Am�rica.
� importante para o resto do mundo.
Mas n�o � a sua estimada separa��o entre Igreja e Estado.
uma parte dessa liberdade?
N�o dizem sempre para n�o nos intrometer.
de nenhuma forma nos seus assuntos internos?
Seguindo sua pr�pria l�gica, � uma estupidez.
desafiar os mais profundos sentimentos e convic��es.
do povo de. Como se chama esse lugar?
- Ge�rgia, Emin�ncia. - Ge�rgia.
Padre Gillis, me permita dizer que a sua principal obriga��o n�o s�o.
as reformas pol�tica e sociais.
mas as almas mortais do seu rebanho.
Obrigado, Monsenhor, por me trazer o padre Gillis.
� sempre um prazer conhecer um irm�o.
Bem, vamos continuar com nosso trabalho.
N�o me lembro onde est�vamos.
� isso?
Esperava podermos convenc�-lo.
O que far� quando voltar?
Obrigado pela sua ajuda.
Irei l�, Alfeo.
Disse que podia contar com a minha ajuda e eu falhei.
Fez todo o poss�vel dentro dos limites das suas fun��es.
Em outra ocasi�o algu�m confiou na minha ajuda.
Fiz o poss�vel por ela dentro das minhas fun��es e n�o bastou.
Se cometeu um erro com sua irm�.
se era muito jovem para ser sacerdote e seu irm�o.
pagou faz muito tempo agora.
N�o tem por que buscar novas formas de se torturar.
Nunca mais quero sentir que � tarde para conseguir algo.
O que ganha seguindo o padre Gillis?
N�o sei, mas sei que tenho que fazer.
N�o acho que se surpreende se dizer.
que o Papa est� considerando torn�-lo bispo.
Ouvi um boato.
- N�o me diga que isso n�o importa. - Me importa muito.
Mas tamb�m o que ocorre com o padre Gillis.
Tentarei n�o comprometer a Santa S�.
N�o serei um emiss�rio oficial.
Ainda assim precisa a permiss�o do Santo Padre.
isso implica a do Giacobbi, infelizmente.
Acho que poderia passar pela sua cabe�a.
que pode me colocar em rid�culo na Ge�rgia?
Talvez.
E se falasse nessa linha?
Por que eu ia querer desacredit�-lo?
Para assim pensar que esta viagem reduziria minhas chances de me tornar bispo.
e poderia ser o incentivo necess�rio para me autorizar ir.
Que Deus me perdoe por te iniciar na diplomacia.
Muito bem, padre.
Tio Steve, que alegria de ver!
Regina, apresento um companheiro de viagem, o padre Ebeling.
Padre, me desculpe. Que horror!
N�o acho que apareceu t�o ruim para o padre Ebeling.
As melhores boas-vindas que j� recebi.
Venha.
Tio Steve!
Fico feliz que seja voc�, isto �, n�o ele.
� que voc� � muito mais bonito e mais jovem.
Com essa l�bia e seus olhos, ter� maridos para escolher.
- Algo a declarar? - Nada.
Obrigado, padre.
Sim, vou buscar as malas.
Steve!
Est� �timo, garoto! Como mantem a forma?
Rezando, Frank. E com um rigoroso controle de calorias.
- Como voc� vai? - Muito bem.
Sem dinheiro, mas estou "matando um" todas as noites.
Toco todas as noites num dos melhores bares clandestinos da cidade.
Espero poder te ouvir antes de retornar.
Quais s�o seus planos?
Esse � o problema. N�o deveria ir para Nova York.
Quem disse? O que sou, uma velhinha.
� que pego um trem esta tarde, n�o poderemos nem s� almo�ar.
Mas vale a pena.
N�o quero que gou seu dinheiro em bilhetes para voc� e a Regina.
- � s�rio que lamenta t�-la trazido? - Ela � encantadora. Cativante.
T�-la perto tem me ajudado aceitar a vontade de Deus.
Agora vejo o que Ele deu.
Desculpe.
Onde mora o padre Gillis?
- A�. - Obrigado.
- Monsenhor! - Padre Fermoyle de Boston, agora.
Entre.
Monsenhor Whittle, apresento o padre Fermoyle.
- Como vai? - Ol�.
O Xerife Dubrow.
O que o traz � Lamar, padre?
Sou amigo do padre Gillis.
Espero n�o interromper nada.
J� disse que vim dizer.
Neste estado h� lei contra os incendi�rios, ent�o tive que fazer o meu trabalho.
Quando padre Gillis entrou com uma queixa e apresentei as acusa��es.
Amanh� pode ir ao julgamento e testemunhar
a menos que possa fazer ele ter ju�zo.
� o seu garoto, n�o meu. Entende o que digo,?
Eu n�o. O que quer dizer?
Que tem problemas para todos. Para ele, para mim, para a Igreja.
- O que veio fazer aqui, padre? - J� disse que sou amigo do padre Gillis.
Ent�o como amigo podia falar para esse garoto t�o teimoso.
N�o � um garoto, monsenhor, � um sacerdote.
Pretende corrigir a minha terminologia, padre?
S� queria lembrar que somos todos irm�os.
Ent�o, meu irm�o ianque, quer dizer para este padre Gillis.
para n�o depor?
porque o povo por aqui, est� de mau humor.
Quer depor?
- Sim, padre. - �timo.
O padre Gillis vai ao julgamento amanh�.
Pois bem, essa � a gota que enche o copo.
Olha, voc� n�o sabe da situa��o por aqui.
Monsenhor, queimaram uma igreja.
Foram apresentadas den�ncias e tem que depor.
O que h� de estranho no procedimento ordin�rio da lei?
Reconhe�o um ianque.
Essa auto-retid�o moralista.
N�o testemunhar�, padre.
Retirar� a sua queixa.
Voc�.
Vai me dar o nome do seu superior, que informarei sobre voc�.
Foi enviado de Roma?
Vim extra-oficialmente.
Minha presen�a � confidencial.
Mas estou convencido.
que devemos permitir que o padre Gillis fa�a conforme pensa.
Como voc� disse, monsenhor.
Presumo que pode contar com o seu apoio em tudo o que fa�a.
- Sim, mas. - Ent�o falaremos dos detalhes.
da sua ajuda a caminho do povoado.
se voc� pode chegar perto.
Gostaria de achar um hotel.
� claro. Ser� um prazer.
Falarei com voc� depois.
N�o acredito que voc� veio. Pensei que ningu�m se importava.
Tem t�o pouca f�?
O hotel � do outro lado da pra�a.
A SEGREGA��O � LEI DE DEUS
Quem disse isso?
N�o � necess�rio que ningu�m me diga, padre. Est� na B�blia.
Tamb�m � lei de Deus queimar igrejas?
N�o temos nada a ver com isso, padre. Sou uma boa cat�lica.
S�o da sua congrega��o.
Tem que ver a situa��o, monsenhor. Somos a minoria aqui, tamb�m.
Tenho certeza que n�o permitiria a manifesta��o se soubesse.
Tentarei que terminem imediatamente.
Boa gente, posso falar um momento?
O que est� havendo l�?
Quer algo, senhor?
Preciso um quarto para algumas noites.
Acontece que n�o temos nenhum dispon�vel.
Me deu a impress�o que se intrometia, padre.
Me pareceu v�-lo dissolver a manifesta��o.
Para um padre cat�lico, dar conselhos aos membros da sua f� n�o � se intrometer.
Talvez pode n�o saber o que se passa nesta cidade:
alguns negros procurarm encrenca com os brancos.
- Um sacerdote negro. - Um sacerdote cat�lico negro.
Mais baixo que isso, n�o tem nada.
Talvez possa me recomendar um albergue de turismo?
Se for turista, saia antes que tenha que se lamentar.
N�o vai encontrar uma cama para esta noite. N�o nesta cidade.
N�o sei, Cecil. Talvez encontre uma cama no bairro de negros.
Sim, � verdade.
Talvez uma raposa daquelas de alca�uz poderia ter um lugarzinho para voc�.
O que acha, Cecil?
Parece que temos algum trabalho para essa noite.
Me ligue com o gabinete do xerife.
Vamos.
Como chamam isso? Isto �, o seu nome especial.
Crucifixo.
Sim, assim falou o negro quando o retiramos.
Tem que ver como ficou!
O cara queria beij�-lo enquanto fortalec�amos seu car�ter.
Mas n�o vamos aguentar mais bobeiras.
Sabe o que far� com essa figura de bronze, padre?
Vai cuspir nela.
E o que provaria isso.
que pode aterrorizar um simples padre at� ele profanar a imagem do Cristo?
Talvez com isso me basta.
Porque quando voltar para o norte dir� a todos que aqui n�o queremos nenhum amante dos negros.
Vamos, cuspa.
Disse para cuspir!
Vamos, experimente! Vamos, vamos!
Que tal um pouco de m�sica? Trouxe a gaita?
Garantido para curar cortes, micose, machucados, e.
chicotadas.
Quem � voc�?
Meu nome � Lafe.
Mora em Lamar?
A vida toda.
Voc� � cat�lico?
N�o.
E por que faz isso?
Tamb�m n�o � muito.
Acha que pode andar?
Posso tentar.
O levarei ao entroncamento. L� pegar� um trem para o norte.
Voltarei para Lamar.
Esta manh� come�a o julgamento.
Bem, voc� � um cara dur�o.
Meu carro est� do outro lado deste campo.
Sabia onde me encontrar.
� um dos da noite passada.
Sim, quando voc� come�a algo e n�o sabe como se sentir� depois.
- Ontem � noite. - Na fale. Toque.
- Stefano! - Alfeo.
Monsenhor Fermoyle.
Est�vamos ansiosos para falar com voc�, mas n�o teve como.
Voltei para a Europa num pequeno navio, Sua Emin�ncia.
Precisava de tempo para meditar.
Sua publicidade viaja mais r�pido.
Serviu para nos lembrar seu dom para o teatro.
Se eu o tivesse dirigido, teria montado de outra forma.
Quando o Quarenghi e eu discutimos sua viagem para a Am�rica.
eu tinha certeza que seria extra-oficial.
Tinha mais de 30 testemunhas daquele movimento de viol�ncia.
Alguns falaram. A imprensa descobriu imediatamente.
O que acho importante � o resultado:
um grupo de racistas condenados pelo testemunho de um negro, um padre negro.
Mas n�o por incendi�rios, mas por uma falta.
Conduta desordeira. Isso n�o importa.
Foi a primeira vez que se condenou brancos nessa parte do pa�s.
por negros.
E qual � o pre�o da vit�ria neste conflito?
Colocou o Vaticano numa pol�mica que muitos bispos do seu pa�s.
aconselhavam evitar.
Est�o se enganando. No final ter�o que enfrentar.
No final, � claro. Um lento processo de educa��o.
Entretanto, as crian�as que agora n�o recebem uma educa��o decente morrer�o de velhos.
antes que fa�am algo para ajud�-los.
N�o era minha inten��o envolver a Igreja.
Mas agora que aconteceu, acho que foi at� desej�vel.
Desej�vel para quem, monsenhor?
Por suas causas particulares ou para a Igreja?
Seu conceito de desej�vel.
inclui dividir pela metade a opini�o p�blica cat�lica na Am�rica?
Alguns acreditam, querido irm�o.
que uma pol�tica clara do Vaticano sobre estas quest�es.
poderia impedir esta fratura.
Todos temos opini�es distintas, querido irm�o.
S� nos resta exp�-las ao Santo Padre.
e assim descobrir qual � a correta.
O que acha, Alfeo? O Papa achar� que fui indiscreto?
Bem, seu trabalho era assessorar sobre Assuntos Americanos.
n�o mergulhar de cabe�a neles.
N�o recomendo como a melhor maneira de se tornar um bispo.
Se provocou tanto barulho aqui, j� deve estar ciente.
Se n�o, agora � certo que vai.
E quando isso acontecer, logo saber� o resultado.
13 de mar�o de 1938,
Hitler entra em Viena.
�s 17:30h recebido com entusiasmo pela multid�o.
O cardeal Innitzer, arcebispo de Viena, l� a carta assinada por ele.
e os demais bispos austr�acos, que d� as boas-vindas ao Hitler na �ustria.
Prontamente reconhecemos que o movimento nacional-socialista.
constitui para o Reich alem�o, seu povo.
e especialmente, para as classes mais baixas.
uma conquista not�vel.
Os bispos transmitem suas ben��os e seus melhores votos.
para o futuro desses esfor�os.
No dia do plebiscito, para n�s, bispos.
� uma natural obriga��o nacional.
nos declarar alem�es e parte do Reich alem�o.
Esperamos de todos os fi�is cat�licos.
que saibam seu dever como povo.
Basta!
Conhece Viena, n�o �, bispo Fermoyle?
Sim, Emin�ncia.
Pedirei ao Santo Padre para mand�-lo l� imediatamente.
Sua fun��o oficial ser� fechar a nunciatura.
E a extra-oficial?
Ser� educativa.
Instruir um pr�ncipe da Igreja sobre as realidades do mundo moderno.
A primeira coisa que vimos na tela, Emin�ncia.
foram os sinos tocando enquanto Hitler entrava em Viena.
Acha que me pediram permiss�o?
� uma cortesia comum para os visitantes ilustres.
Aqui somos grandes companheiros.
Mas este visitante.
Olha, o Dr. Seyss-Inquart o ordenou como gesto amig�vel.
Era chanceler em delega��o e agora � do alto comissariado de Hitler.
Um cat�lico muito devoto. Her�i de guerra.
- Ch�? - Obrigado.
Entender� que n�o falo por mim.
- mas pela Santa S�. - Naturalmente.
Uma pitada de rum?
- N�o, acho. - S� um pouco.
- A��car? - N�o, obrigado.
O que mais irritou o Vaticano.
foi a declara��o exortando para votar "sim" no plebiscito.
Sim, entendo.
N�o deve sair daqui sem provar este strudel.
Pedi porque sei.
que os americanos mostrando grande interesse pelo strudel.
quando v�m � Viena.
Minha �nica preocupa��o, � claro, era a Igreja.
N�o tenho nada a ver com a pol�tica.
- Acha que aquela declara��o n�o era pol�tica? - � claro.
Sobre uma vota��o se a �ustria deveria fazer parte da Alemanha?
A �ustria � parte da Alemanha. Hitler declarou.
O plebiscito � uma mera formalidade.
Uma formalidade que o pr�prio Hitler parece considerar importante.
Precisamente. Hitler quer a �ustria. Muitos austr�acos querem Hitler.
Se a Igreja preside o casamento, receberemos melhor tratamento que se n�o fizermos.
Mas est� fazendo mais que presidir. Defendeu a uni�o.
Roma acredita que a Igreja ser� mais forte a longo prazo.
se adotarmos uma atitude mais cr�tica com o nacional socialismo.
do que demonstrou at� agora.
Roma tem id�ia de como Hitler reage �s cr�ticas?
Gostaria de ver cat�licos e cat�licas limpando cal�adas.
como muitos judeus?
H� princ�pios que n�o podemos transigir.
Os direitos da Igreja na vida familiar, a educa��o da nossa juventude.
Mas, Excel�ncia, o que acha que estou fazendo aqui?
Prote��o desses direitos!
Me deram garantias pessoais dos n�veis mais altos.
Devemos lembrar o que aconteceu na Alemanha.
A �ustria � outra quest�o. N�o se esque�a que este � um pa�s cat�lico.
� o pa�s onde ele nasceu, onde foi batizado.
- No entanto, o Vaticano acha. - Olha, Fermoyle.
sei que tem acontecido com o poder aqui.
Conhecer� alguns na recep��o do Dr. Seyss-Inquart hoje a noite.
Na �ustria temos uma tradi��o civilizada que os alem�es n�o t�m.
Por que ent�o tanta �nsia pela anexa��o?
Porque o nosso sangue � alem�o.
Isso � sempre dif�cil de entender por um n�o-alem�o. E mais ainda, por um americano.
Por que voc� diz?
Est�o acostumados com tantas misturas.
A uni�o de todo o povo alem�o �.
o que sonhamos h� mil anos.
Os alem�es e somos diferentes em muitos aspectos, sim,
mas o nosso sangue � o mesmo.
Concordo, Emin�ncia que � um conceito dif�cil de entender.
Ent�o, por que se preocupar na tentativa?
Por que n�o me diz o que o Santo Padre espera de mim?
Primeiro, gostaria de esclarecer.
que sua recomenda��o de votar "sim" foi puramente pessoal.
n�o vinculante para os cat�licos em quest�o de consci�ncia
e uma vez feita, n�o fazer mais declara��es sobre o plebiscito.
Instru��es muito f�ceis de obedecer.
N�o tenho nenhum desejo de fazer declara��es sobre a vota��o.
N�o sou um pol�tico.
Sua Emin�ncia, Theodor o cardeal Innitzer e Sua Excel�ncia o bispo Fermoyle.
General Albrecht Kraus. Bispo Fermoyle.
Frau Walter, posso apresentar o bispo Fermoyle?
Frau Clara Walter. Dr. Seyss-Inquart.
Sua Emin�ncia.
Este � Sua Excel�ncia Bispo Fermoyle.
Um americano lotado no Vaticano.
� uma honra.
Espero que diga a Sua Santidade o quanto Sua Emin�ncia � estimado aqui.
Hoje falei ao telefone com o F�hrer.
E ele disse:
"Toda a �ustria deve estar �s suas ordens, meu caro Seyss-Inquart.
menos o cardeal Innitzer."
Lembre-se que a sua autoridade vem de mim.
"mas a dele vem de Deus."
Herr Kurt von Hartman e Frau Annemarie von Hartman.
- Heil Hitler. - Heil Hitler.
Enfim fiz minha viagem � Am�rica.
Kurt foi a neg�cios faz dois anos e me levou com ele.
Mas n�o vimos Boston.
Acho que a maioria n�o faz. O que achou do que viu?
Realmente gostei. A maioria.
H� muitas coisas que queria ter aqui, para entrar na era moderna.
Agora acho que come�aremos consegu�-las.
Gra�as a Hitler?
Annemarie encontra m�ritos em Hitler.
que passam desapercebidos para observadores imparciais.
Mas voc� n�o concorda?
Como banqueiro tenho que saber algo de economia e.
tem que subir at� os 500 metros para encontrar boa neve t�o tarde.
O Zugspitze.
A se��o Ober-Inn, St. Christoph em Arlberg.
Isso est� se tornando mania de persegui��o.
N�o falar na frente do Reinhard, que tem 12 anos com a gente.
Acho que a melhor regra � n�o fazer exce��es.
Acho que o maior perigo dos nazistas, eu acredito.
� que devem continuar se expandindo ou desmoronam. Mais cedo ou mais tarde, isto significa a guerra.
Mas ele disse que a paz � o grande sonho da sua vida.
Enquanto isso constroem tanques e avi�es e se cerca de gangsters.
Alguns deles s�o ordin�rios, sei. Mas acho que precisamos da sua for�a.
Agora fazemos parte de um grande e poderoso pa�s.
- Quem pode ser? - N�o sei.
Desculpe.
A Gestapo!
Desculpem.
Kurt!
Sabe por que fez?
Sua av� paterna era judia.
Os nazistas sabiam.
E aparentemente estava meio louco de medo.
N�o se decidia em deixar o pa�s ou n�o.
Falou sobre tudo isso com seu advogado, mas n�o me contou.
- Como reagiria? - N�o tenho certeza.
Provavelmente ele tamb�m n�o tinha.
N�o foi justo n�o me contar. Como poderia te ajudar?
Estaria desesperado.
N�o acha que o que ele fez est� certo, n�o �?
Nada pode justificar o suic�dio.
Mas em alguns casos � mais f�cil de entender.
O estado mental daqueles que se sentem perseguidos acaba deformado.
e nada que eles fazem � compreens�vel para algu�m normal.
Emin�ncia.
Desculpe interromp�-lo, mas estava na �pera.
e achei que gostaria de ler isso na primeira oportunidade.
A corre��o que pediu da declara��o sobre o plebiscito.
Certamente quer enviar ao Vaticano.
Acho que vai cobrir todas as quest�es que discutimos.
- Quando publicar�? - Sua Excel�ncia est� brincando?
Os nazistas n�o deixar�o publicar nada que os fa�a perder votos.
Ent�o sugiro a leitura em todas as igrejas do pa�s no domingo.
� o dia do plebiscito.
N�o ir� muita gente � missa antes de votar?
- Poderia causar alvoro�os. - Rejeita a id�ia, ent�o?
A menos que recebermos uma ordem direta do Vaticano. Nesse caso obedecerei.
embora me pare�a imprudente.
Boa noite, monsenhor Fermoyle.
N�o me acompanhe, por favor. Vejo que est� muito ocupado.
Estamos preparando os documentos do arcebispo Cicognani para enviar.
Lembrando-me que em breve deixaremos de ter uma voz direta em Roma do nosso lado.
Boa noite.
Enquanto sua Emin�ncia estava aqui, esta Sra. chegou.
N�o teria vindo, mas n�o sabia a quem recorrer.
O que houve?
Est�o me seguindo, a Gestapo.
Me seguiram at� aqui. N�o sei o que querem, mas.
se me prendem, podem me fazer dizer o que querem, ou n�o?
Com drogas, torturas.
N�o acho que aguentaria muita dor.
- Stephen, n�o sei o que fazer nem onde ir. - Pode ficar aqui.
Padre Neidermoser? A irm� Wilhelmina est� acordada?
- Acho que sim. - Por favor, diga para vir aqui.
Conosco estar� a salvo.
- Desculpe. - N�o, estou feliz em ajudar.
Obrigado.
Entre.
- Me chamou, Excel�ncia? - Sim, irm�.
Quero que prepare um quarto para Frau von Hartmann.
Certamente.
A irm� Wilhelmina vai dar o que precisa.
Me acompanhe, Frau von Hartman.
Obrigado novamente.
Sua Emin�ncia foi o primeiro a votar esta manh�.
O r�dio anunciou �s 9:00h.
Sou madrugador. Gosto de rezar a missa das seis.
Anunciou que iria votar.
Transmiti a preocupa��o do Santo Padre.
Meu caro bispo, me disse para n�o fazer mais declara��es sobre o plebiscito.
E a noite passada, no final do discurso de campanha de Hitler, os sinos soaram novamente.
Voc� � que n�o entende isso dos sinos.
O que chamaria a aten��o � se n�o tocassem.
O r�dio disse que os padres de todo o pa�s est�o pedindo que as pessoas votem "sim".
E a grande not�cia � que ap�s depositar o seu voto.
Meu voto � puramente pessoal.
voc� fez a sauda��o nazista: "Heil Hitler".
Correto. Essas palavras passaram a fazer parte da l�ngua alem�.
S�o usadas em vez de "bom dia" ou "boa noite".
at�, lamento dizer, em vez de "Deus te aban�oe".
Mesmo sob essas circunst�ncias, foi um ato pol�tico partid�rio.
N�o estava fazendo uma declara��o. N�o desobedeci o Santo Padre.
Literalmente, talvez n�o.
O que tentei transmitir era um esp�rito, uma atitude geral
ao que, obviamente n�o prestou nenhuma aten��o.
Decidiu deliberadamente que o seu modo era melhor que o do Santo Padre.
Assim � como eu vejo e � assim como terei que informar.
Um momento, bispo.
Deve entender que n�o quero entrar na sua vida privada.
Tiraram no funeral do Kurt von Hartmann.
Posso perguntar como essa foto chegou at� a Sua Emin�ncia?
A pol�cia me deu.
Conheci Frau von Hartmann antes de se casar.
Estive aqui durante uma licen�a do sacerd�cio.
Uma licen�a?
Meu votos continuavam, claro. Faz muitos anos isso.
E agora a mesma mulher mora com voc� na nunciatura.
Est� com a irm� Wilhelmina, a governanta.
N�o insinuo que haja nada indecoroso,
mas deve avaliar o que os nazistas poderiam fazer com isso.
Dei asilo para Frau von Hartmann.
Da pol�cia, sei.
Mas ser� que o fato da pol�cia afirmar que tenha cometido um crime.
d� melhor imagem de propaganda para a Igreja?
N�o cometeu nenhum crime. Ningu�m a acusou de nada.
� melhor pensar a este respeito.
Existe provas claras que Kurt von Hartmann,
por raz�es compreens�veis, planejava deixar a �ustria.
Pode ser verdade, mas.
Queria levar muito dinheiro.
Isso � contra a lei a muitos anos, muito antes dos nazistas virem.
Isso n�o implica de modo algum a sua mulher.
Nem o fato que suas j�ias estavam inclu�das?
Incluidas em qu�?
Estavam costuradas com o dinheiro no forro de uma mala que encontraram no apartamento.
- N�o sabia. - N�o disse para voc�?
Disse que n�o sabia nada dos planos do seu marido.
E voc� aceitou. Bem, isso pode ser verdade.
Se for, certamente deveria aceitar a investiga��o para limpar o seu nome.
Basta dizer para cooperar com as autoridades.
- Sendo a Gestapo? - N�o quero este esc�ndalo.
N�o num momento em que estou completando.
uma delicada negocia��o para o futuro da Igreja na �ustria.
Tenho que pensar nisso. Vou falar com Frau von Hartmann.
Mas entende a import�ncia e a urg�ncia do problema?
E encontrar uma solu��o que n�o me ponha em evid�ncia nem minhas rela��es com o governo.
Sim, vou encontrar.
Acabam de dar os resultados do plebiscito.
11.807 votaram "n�o".
4.443.208 votaram "sim".
A porcentagem de "sim" � 99,73.
Obrigado, padre.
Uma maioria de 99 e tr�s quartos por cento.
Na Am�rica anunciam um sab�o com grau de 99,44 por cento de pureza.
Mas Hitler tem que ser ainda mais puro.
- Fechar� a nunciatura? - A �ustria n�o existe mais.
Nossas rela��es diplom�ticas s�o com a Alemanha atrav�s do n�ncio em Berlim.
A Gestapo diz que achou uma mala escondida no seu apartamento.
Com suas j�ias costuradas sob o forro, junto com o dinheiro.
O Kurt sempre guardava minhas j�ias no seu cofre.
Encontrei um jeito de tir�-la do pa�s.
N�o me deve nada, Stephen.
Devo-lhe muito.
Numa �poca que eu tinha esquecido como amar, voc� me ajudou a amar novamente.
E n�o me deu o seu amor, mas para Deus.
Para come�ar, era dele. Sempre foi.
Meu sempre foi seu.
Nunca amei outro homem que n�o fosse voc�.
Desculpe, Excel�ncia. O cardeal Innitzer ao telefone.
Essa noite quero uma testemunha do Vaticano comigo.
N�o s� para testemunhar, mas por que deve ser uma experi�ncia educativa.
Quero que informe que um n�o-romano pode praticar a diplomacia com �xito.
- Onde vamos? - Ver Adolf Hitler.
J� esperamos por mais de duas horas. Tem certeza de que o F�hrer est� ciente?
Tenho certeza que ele sabe, Emin�ncia. E estou certo que lamenta muito.
Obrigado.
Duas horas � muito tempo por mais ocupado que esteja.
mas pelo menos dever�amos encontr�-lo de bom humor.
A �ustria � o seu maior triunfo at� agora.
Cardeal Innitzer.
O bispo Fermoyle, n�o.
- O F�hrer quer falar com voc� sozinho. - Mas eu pedi especialmente.
- e me foi dito. - O F�hrer o espera!
- Desculpe, Excel�ncia. - Sim?
Quando voltar, falar� na Am�rica desses dias gloriosos.
como viu dois pa�ses alem�es se reunificarem pacificamente.
Falarei sobre o que vi.
Ser� igual quando libertamos nossos irm�os alem�es.
do Sudeste da Tchecoslov�quia.
E tamb�m aos do seu pa�s.
- Est� falando dos Estados Unidos? - Sim.
N�o desejamos conquistar o seu pa�s nem prejudicar o seu povo.
Nosso �nico objetivo � libertar seus cinco milh�es de alem�es.
Seu amigo deve ter dito algo que n�o devia.
Retirou todas as promessas que me fez. Todas.
Disse que vai haver uma guerra,
e que a Igreja deve juntar-se a servi�o da na��o.
como o ex�rcito.
Na �ustria tem que haver ainda mais controle que na Alemanha.
porque temos uma grande maioria cat�lica.
V�o retirar nossas escolas, e dissolver nossos grupos de jovens.
O casamento cat�lico deixar� de ter efeitos civis.
No final parou de gritar.
e perguntou se n�o achava que Deus Todo-Poderoso.
o havia escolhido para dirigir o povo alem�o ao seu destino.
N�o esperou por uma resposta.
E me lembrei o dia do plebiscito.
levantando a m�o numa sauda��o pag�.
n�o dizendo "Orai ao Senhor" mas "Heil Hitler".
Amados filhos da Juventude Cat�lica de Viena,
quanto perderam.
As organiza��es que acreditaram com grande idealismo, j� n�o existem.
e conseguimos Jesus Cristo, nosso guia e mestre.
s� ele pode nos fazer felizes agora e sempre.
Sil�ncio!
Retirem-se! Parem os alvoro�adores cat�licos!
Abaixo os sacerdotes! Abaixo os sacerdotes!
Salve o Santo Sacramento!
Leva para a cripta da catedral.
Nunca pensei que teria que usar.
Emin�ncia!
Oh, n�o. � s� um arranh�o.
Temos que tir�-lo daqui.
Com o passaporte do Vaticano, voc� � um dos poucos que podem deixar o pa�s,
pelo menos no momento. Devo contar a verdade sobre as promessas de Hitler.
N�o pode ficar aqui Emin�ncia, n�o � seguro.
Acho que j� n�o posso contar com ilus�es como a seguran�a.
Reze por mim.
Excel�ncia, aconteceu algo extraordin�rio.
- Frau von Hartman. - Sim?
A Gestapo veio para interrog�-la. Disse que n�o podiam entrar,
- que era solo de um estado soberano. - Sim, o que houve?
Frau von Hartman disse que sairia,
que n�o queria pedir asilo aqui.
Pedi-lhe para esperar at� o retorno de Sua Excel�ncia, mas.
N�o quis?
Frau von Hartman disse que mal tinha for�as
para fazer o que estava fazendo
e que n�o aguentaria se falasse com voc�.
Abra a porta!
N�o conseguia acreditar, Excel�ncia, ao me dizer quem tinha chegado.
Por que se deixou apanhar?
Porque de repente pareceu mais f�cil parar de resistir.
J� n�o importava.
Importa muito! Dois sabemos que � inocente.
De querer fugir da �ustria com dinheiro e j�ias? Sim. Disso sou inocente.
E com a ajuda certa, poderia provar. Mandei um advogado vir v�-la.
Valer� a pena tanto esfor�o? Eu duvido.
Tive tempo para pensar sobre a minha vida desde a morte do Kurt.
Quando eu era uma garota mimada me apaixonei por um jovem.
Um sacerdote.
O amava, penso que sim, eu o amava,
mas tamb�m era um desafio para a minha vaidade.
Queria tirar-lhe o sacerd�cio.
Queria tirar-lhe Deus.
- N�o nos permitem muito tempo. - Ent�o, deixe-me falar, por favor.
Quando perdi essa empreitada, estava decepcionada.
e me voltei para o Kurt, que teria sido bom.
se tivesse me tornado para ele a esposa que sonhava ser.
A mulher que s� existia para o seu homem.
Pobre Kurt.
Teria se conformado com menos, com muito menos, mas eu n�o lhe dei nada.
- Annemarie. - Deixe-me terminar.
Mesmo quando duas pessoas t�m muito pouco para compartilhar.
podem realizar um tipo de vida em comum.
At� que uma delas sente uma forte necessidade da outra.
Quando o Kurt sentiu essa necessidade, viu que n�o tinha onde conseguir.
Me amava muito para deixar o pa�s sem eu.
e n�o tinha a seguran�a necess�ria para me contar os seus planos.
Imagino como se sentiu.
ao ouvir minhas besteiras sobre a nova grande Alemanha.
S� por isso j� mere�o estar aqui.
Acha que o Kurt veria assim?
N�o.
Ele era muito bom. Ele n�o me desejaria nenhum mal.
Esse � um motivo para sair dessa. Para ele.
e tamb�m por mim, porque me importo com o que se passa com voc�.
Obrigado. Talvez consiga.
Chega. Acabou o tempo.
Tem que fazer. A raz�o mais importante � voc� mesma.
Porque n�o �
n�o uma formiga num formigueiro totalit�rio.
mas um ser humano, uma pessoa.
com uma alma concedida por Deus.
Andando!
Obrigado, Excel�ncia.
e adeus.
Tenho a honra de informar Sua Emin�ncia.
que o Santo Padre lhe ortorgar� o barrete dos cardeais.
num consist�rio semi-p�blico no Pal�cio Apost�lico do Vaticano.
quinta-feira �s 10:00h da manh�.
Obrigado.
Meus amigos.
queridos irm�os em Cristo.
minha m�e.
e outros membros da minha fam�lila que vieram de t�o longe, para essa ocasi�o.
Agrade�o a todos pela sua presen�a.
E sei que compartilha a minha gratid�o at� o Santo Padre.
pela honra que concedeu � mim e para a Am�rica.
Quando a Sua Santidade me comunicou a sua inten��o de me tornar membro.
do Sagrado Col�gio dos Cardeais.
minha primeira rea��o foi de pensar que n�o estaria � altura da sua confian�a.
Ainda n�o superei este medo. Duvido que possa deixar de ter.
Mas o segundo pensamento que tive me deu for�a para tentar.
Pensei que havia um significado especial.
na decis�o do Santo Padre para me enviar ao meu pa�s.
como cardeal e arcebispo.
neste momento de crise global.
O primeiro bispo da Am�rica, John Carroll.
era irm�o de um dos signat�rios da Declara��o da Independ�ncia.
e um exemplo vivo.
da lealdade � Igreja e ao Estado.
� religi�o e � democracia.
que este momento hist�rico exige de todos n�s.
Vi de muito perto.
o inferno que nos espera se o totalitarismo se impor.
Se o mundo se esquecer que todos os homens igualmente s�o filhos de Deus.
dotados pelo seu Criador.
do direito inalien�vel.
� vida.
� liberdade.
e � busca da felicidade.
Esse � o credo da Am�rica. Esse � o Evangelho da Igreja.
Neste momento est� em perigo por culpa do homens.
e das doutrinas que s�o inimigos de todas as liberdades.
tanto pol�ticas como religiosas.
A defesa da liberdade requer vozes fortes.
cora��es fortes.
m�os fortes.
Ore para que n�o desfale�a.
e pela liberdade e a exalta��o da nossa Igreja.
e do nosso amado pa�s.
Que Deus os aben�oe.
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