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39.� FESTIVAL DA CAN��O ITALIANA 21-25 FEVEREIRO, 1989
C� est�s tu! Est�o todos � tua espera.
Vou levar-te ao teu camarim. N�o � grande, mas j� vi pior.
Ficar� melhor com algumas flores.
- Como est�s? - Bem.
Fico feliz.
Ouvi a faixa. Est� tudo bem.
J� est� no misturador. Ele � o diretor do espet�culo.
Ol�, sou o Carlo. Conhecemo-nos em 1982, lembras-te?
- Sim. Acho que sim. - J� faz algum tempo.
Comecemos. J� � tarde.
Estou no misturador. Sabes ir para o palco?
- Acho que sim. - Boa.
- Anda. Passaste pelo hotel? - N�o, vim c� primeiro.
Vamos, depois do ensaio. Arranjei-te um ch� de ervas, �gua
e cigarros, mas devias deixar de fumar.
- Ol�, Mia. - Ol�.
Talvez tenhas uma entrevista, mas falamos disso depois.
PALCO
Vai. Diverte-te.
- Boa noite, Sra. Martini. - Boa noite.
- Eu fico com o seu casaco. - Obrigada.
- Queres? Nunca se sabe. - Para com isso!
Vamos l�.
48 HORAS ANTES DA ATUA��O
N�o, desculpem. Parem!
Assim, n�o consigo. Desculpem.
Amanh�, canto com a faixa que conhe�o.
Mas, para este ensaio, preciso de um piano.
Apanhaste-me desprevenido, Mia.
N�o tem microfone.
N�o � preciso que tenha. Preciso do piano para mim.
Ela continua com o h�bito de arranjar confus�o.
D�-me isso. Acho que tens raz�o.
Sabem? As pessoas s�o estranhas
Primeiro, odeiam-se Depois, amam-se
De repente, mudam de ideias
Primeiro, a verdade
Depois, ele mente
Sem qualquer compromisso
Como se nada fosse
Sempre que nos despedimos
Morro um pouco
Sempre que nos despedimos...
Est�s a ouvi-la? Est� sempre a cantar! Ela tem de estudar!
Ela sai a ti. P�es-lhe disparates na cabe�a.
Fico feliz se ela sair a mim. Vai ter uma vida melhor do que a minha!
E que tipo de vida � que te dou? Posso saber o que te falta?
�s velho! N�o percebes que o mundo est� a mudar.
�, mesmo?
Que queres fazer agora? Bater-me?
A verdade � que j� n�o me controlas, nem a mim nem �s tuas filhas.
N�o o aceitas, mas n�o podes fazer nada quanto a isso!
- N�o podes fazer nada! - Basta!
... da primavera...
Odeio-te.
N�o voltes a fazer isso.
E, tu, sai da frente!
Sempre que nos despedimos...
Mim�, vamos.
O carro espera-nos, para nos levar para o hotel.
Tapa-te. Est� um gelo!
- Como correu? - Bem.
Ali. A Mia Martini, por exemplo.
- Ela precisa mesmo. - N�o fa�o artigos de benefic�ncia.
- � um bom artigo de sociedade. - Vim pelo Ray Charles.
Sandra, nem sabemos se ele vem.
O festival tem muitos cantores.
Escreve uma treta qualquer sobre ela dar azar e sobre o seu regresso...
Ningu�m quer saber do regresso da Martini a Sanremo, nem sequer eu.
Ent�o, vou ser mais claro.
Arranja forma de escrever o artigo e de o tornar interessante.
N�o � uma sugest�o.
- Sacana! - Ela � do Epoca e quer uma entrevista.
A minha carreira n�o mudar� com uma entrevista.
Mas ela pode ajudar.
H� tr�s coisas importantes. Primeiro, � mulher.
Depois, escreve muito bem e � inteligente!
Lembra-me porque me meti neste caos.
Porque quiseste voltar. E eu decidi ajudar-te.
A Sandra Neri faz parte do jogo.
Muito bem. Vamos l� voltar ao jogo.
Mas no meu territ�rio. E nada de perguntas pessoais!
Movie, anda! Anda!
Incomoda-a?
Os c�es assustam-me. Tenho fobia deles desde pequena.
Se se sentar consigo, n�o faz mal.
Fica comigo. N�o se preocupe.
Movie, anda c�.
Muito bem. Por onde quer que comecemos?
Pediu para me entrevistar. Diga-me a Sandra.
Muito bem.
Sempre quis cantar?
- Sim. Sempre. - Como foi a sua inf�ncia?
Dif�cil.
Como � a sua rela��o com o sucesso?
Que sucesso? Retirei-me h� seis anos.
Gosta de fazer mais alguma coisa na vida, para al�m de cantar?
Conduzir!
Sim, posso conduzir horas.
Houve um carro envolvido em todos os momentos importantes da minha vida.
N�o s� nos importantes, como nos est�pidos.
Mas, no fim, nunca s�o est�pidos!
ROMA NOVEMBRO, 1970
- Este s�tio est� a abarrotar. - Ol�, Chicco!
Loredana.
- Est� frio hoje. - Olhando para ti, n�o o diria.
- Boa noite. - Ol�.
Com licen�a. Mim� Bert�. �s tu?
Sim.
Agora, que discutimos...
H� quatro anos, eu e a minha m�e vimos-te na televis�o. Ela adora-te!
Na verdade, foi h� seis anos, mas tudo bem.
Agora que a reconheceste, adeus.
Agradece � tua m�e e adeus. Est� muito frio.
Querida, olha o que tenho vestido!
- N�o tens frio, assim vestido? - Frio? N�o! Estou gelado!
Ele est� connosco! Anda.
Tamb�m tenho frio. Ent�o.
- � injusto! - Estou com elas!
J� n�o cantas?
Canto. Tenho uma banda jazz. Vamos gravar um �lbum em breve.
- Como te chamas? - Anthony.
- �s estrangeiro? - N�o. Sou de Formello.
Fui empregado de mesa em Londres e integrei-me bem.
S�o teus amigos?
- Sim. - S�o estranhos.
Talvez at� demasiado.
Que andas a fazer agora, Mim�?
Sou empres�rio. Notte Management.
"Notte" porque a noite � a parte do dia que prefiro.
Gostavas de conversar, Mim�?
Mas na sala VIP. Assim, comemos e bebemos gr�tis.
O musicarello ainda tem muito sucesso comercial.
Conhe�o um produtor que est� interessado em trabalhar contigo.
N�o quero fazer filmes!
Interesso-me por m�sica. Sei cantar.
S�o filmes musicais. Os atores cantam.
N�o � a mesma coisa.
Tiveste um bom come�o, mas a tua carreira est� num impasse.
E o teu passado n�o ajuda.
- Que tem o meu passado que ver com isso? - O teu problema com drogas n�o � segredo.
Nunca tive problemas com drogas. N�o sei a que te referes.
Calma! Todos vivem como querem, mas, se se souber, � publicidade negativa.
Ainda est�s com a ESSE Records?
- H� um boato... - N�o interessa.
- Como? - N�o me interessa a tua proposta.
Quem achas que �s para dizeres que n�o interessa?
- Uma bebida? - N�o!
Tens uma boa voz e uma cara bonita, e achas que podes fazer o que queres?
- Consigo encontrar mil melhores! - Ent�o!
N�o fales assim com a minha irm�!
- Lo, vamos. - Cabra presun�osa! Isto n�o fica assim!
Percebes? Isto n�o fica assim!
Desde o in�cio que n�o gostei dele.
Mim�, comemos e bebemos gr�tis.
� mais do que suficiente.
Vamos esclarecer uma coisa. Queres tocar jazz a vida toda?
- Que tens contra o jazz? - � uma seca!
- H� algo que ainda n�o est� claro. - O qu�?
Tu, Mim�. Sabemos que cantas.
Mas, que fazes tu? Dan�as, cantas, representas? Que fazes?
Primeiro, torno-me famosa. Depois, decido.
Ouviste? Ela vai tornar-se famosa primeiro!
Que se passa?
- Paraste? - N�o.
N�o! Mim�, s�o cinco da manh�!
Bolas!
Quanto combust�vel bebe?
N�o � isso, Lo! N�o metemos combust�vel!
- Tu esqueces-te. - N�o me esque�o. N�o tenho dinheiro!
Podem parar de discutir? Como � que vamos voltar para casa?
- Quanto tempo costuma levar ela? - � bem r�pida, acredita.
Mas n�o � f�cil a esta hora.
A esta hora, as pessoas normais est�o a sair de casa. N�s, a voltar.
- Que est�s a fazer? - Estou a mudar de roupa.
- Se o meu pai me vir assim, morre. - E dormes com a peruca?
Todos t�m uma assim em Londres.
- Vou tir�-la, para o meu pai n�o morrer. - Anda. Dormes na nossa casa.
Olha que volto a p�-la!
- Ent�o! V� l�. Ele vai-se embora. - Despacha-te! Eu avisei-te!
- V� l�! - S�o loucas! Nunca mais vos deixo!
Porque viemos todos para Roma?
Viemos para seguir a tua carreira,
para nos divertirmos e fazermos loucuras. � o que importa.
A minha carreira?
Recebi uma carta da ESSE.
Terminaram o contrato.
Bolas!
Devias sair com algu�m poderoso. Algu�m que te ajude a ti e a mim.
Para com isso do amor verdadeiro!
J� s� tu e a Cinderela acreditam nisso.
Que tipo de conselho � esse?
O pai disse-me que bateria contra uma parede.
Falaste com ele?
Tentei ligar-lhe.
Porqu�? Podes explicar-me por que raio o fizeste?
- Calma. - Defende-lo sempre.
S� tento compreend�-lo.
Depois de tanto tempo, que h� para compreender?
Ele foi-se embora e abandonou-nos. E, se achas que a culpa � tua, �s parva.
Ele nunca gostar� de ti. Mete isso na cabe�a.
Est�o loucas? A esta hora! V�o acordar todos! Que est�o a fazer?
M�e!
A Mim� esqueceu-se das chaves. Ralha com ela. Acorda!
Quem � ele?
- � um rapaz ou uma rapariga? - � um amigo.
Acabaste na pris�o pela boa vida que levas.
Foi um charro numa mala que nem era minha.
Sem liga��o a mim ou ao meu trabalho.
O teu trabalho?
Onde est� esse trabalho? N�o o vejo, Mim�.
Quiseste ver-me para isto? Para me destru�res a vida?
- A Loredana tem raz�o. - Espera.
N�o... N�o � isso.
Conheci uma mulher.
S� queria que soubesses.
Vivemos juntos. Mud�mo-nos para Varese.
Fico contente.
Mas est�s feliz?
Mim�, tens umas costas pequenas.
E a liberdade � um grande fardo a carregar.
- Sem regras, nunca ser�s feliz. - Deixa-me escolher como ser feliz.
� a minha vida.
J� n�o te posso impedir.
Obrigada por me teres contado sobre ela.
Fica bem.
Sim
Obrigada.
Obrigada por nos ouvirem. Tenham uma boa noite.
Boa, malta!
- Bravo! Os meus parab�ns! - Obrigada!
- Parab�ns, a s�rio. - Muit�ssimo obrigada.
N�o era para terem cantado esta noite.
N�o, somos uma substitui��o. O meu amigo Anthony indicou-nos.
E como se chama?
- Mim� Bert�. - Mim� Bert�.
- A noite correu bem na mesma. - Diria que sim.
Temos um problema com o programa de s�bado.
Podemos falar sobre isso depois? Obrigado.
Amanh�. Espero-a no meu escrit�rio ao meio-dia.
Mim� Bert�.
O nome n�o resulta, mas gosto do resto.
Obrigada.
Cancela j� qualquer compromisso que tenhas.
EMPRES�RIO
- Bolas! - Todos reagem assim, sim.
- Sou a Alba. - Mim�.
- C�us! - Voltaremos a encontrar-nos em breve.
Bolas!
Nada de jazz.
Talvez n�o gostes, mas livra-te da banda que te acompanha.
Encontrar-te-emos a banda certa.
O teu passado na pris�o, as drogas e os teus problemas.
N�o os esconderemos.
Criam empatia. S�o os problemas dos jovens.
Sempre me disseram o contr�rio!
Da�, os outros serem empres�rios. Eu crio estrelas.
O panorama atual da m�sica italiana precisa de algu�m como tu.
Com a tua voz e forma de vestir...
... e com a m�sica certa.
A letra � de um jovem autor, jovem como tu.
N�o � o normal. � uma m�sica com car�cter. � forte.
Tenho de me reunir com umas pessoas. Volto nuns minutos.
- Disse que o meu nome n�o presta. - Sim.
Tenho umas ideias para o apelido.
Mas pensa tu no nome! O que importa � que comece por "M".
A S�RIO, PAI
Ainda n�o temos o n�mero de eventos.
- Sr. Crocetta? - Sim?
- Entra. Apresento-te a nova banda. - Com licen�a.
Isto parece-se mesmo com a minha vida, a minha rela��o com o meu pai...
Eu disse-te. A m�sica fala de jovens.
Ele vai achar que a escrevi. Se a cantar, acaba-se tudo com ele.
Por vezes, os filhos t�m de matar os pais para poderem continuar.
"A s�rio, pai, dev�amos ser parecidos? Tens a certeza de que sou tua filha?"
- Mais valia bater-lhe. - Talvez seja o que deves fazer!
E enche a m�sica de desilus�o e frustra��o.
Mim�, vamos chatear o teu pai.
Vamos chatear todos os pais de It�lia
para termos a solidariedade e a compreens�o dos filhos.
Vai ser um grande sucesso.
Agora que me meti em apuros
JUNHO, 1971
E te desiludi
Voltas a correr Eles avisaram-me
Atiras-me com os teus ju�zos de valor � cara
A s�rio, pai, queres saber?
Se n�o vieres Estar�s a fazer-me um favor!
Depois, nasci E n�o me quiseste
Era mais uma boca para alimentar
N�o cresci como esperavas
Como era o meu dever
A s�rio, pai? O que me deste?
Mas continuar seria perder tempo!
A S�RIO, PAI
Todos sabem que sou tua filha Amanh�, os jornais com a minha foto...
Olha aqui!
"NASCEU" MIA MARTINI
Est�s a ver, Mia? Tornaste-te a Rainha de Versilia.
Oh, se nunca me tivesses concebido!
A s�rio, pai? Dev�amos ser parecidos?
Tens a certeza de que sou tua filha?
Estou? � a Mim�.
Quero falar com ele. Tenho de falar com ele!
- N�o quero falar com ela. - Ajuda-me!
- Porque n�o compreende ele? - N�o quero falar com ela!
36 HORAS ANTES DA ATUA��O
Pareci uma idiota ao telefone.
N�o me lembro por quanto tempo, mas deve ter sido algum.
Acho que h� uma hist�ria por tr�s do seu nome, certo?
O Crocetta queria que fosse italiano, reconhec�vel e com as mesmas iniciais.
Exclu�mos piza e esparguete.
Martini, como o licor, foi tudo o que restou.
Mia � o nome de uma atriz americana que adoro.
- Sandra. - Sim?
Chamada para si.
Espero que n�o se importe. Dei o n�mero do seu quarto. Volto j�.
- Ali. - Obrigada.
Sim? Como assim?
Ontem, disseste-me que n�o sab�amos se ele vinha. Agora, dizes que n�o vem?
Eu quero entrevistar o Ray Charles!
- Eu compreendo. - Aonde vais?
- Aonde vais? - Deixa-me dizer-te algo.
Mesmo entre mulheres, h� muitas cabras.
Mia! Sra. Martini!
Que se passa? Porque saiu assim?
- Para que me quer ainda? - Para acabar a entrevista.
Para qu�? Mal ouviu o que eu disse.
Ou�a, pe�o desculpa, se achou que n�o estava interessada.
Tive um problema com a reda��o.
Gostaria muito de continuar a conversa.
Se acha que entrevistar-me ser� um ponto de viragem na sua carreira, engana-se.
Com o devido respeito, de n�s as duas, n�o sou eu que preciso.
E, se quiser, estou ao seu servi�o.
Podemos falar sobre o que quiser.
No fim, at� poder� dar-lhe jeito, certo? Seja perspicaz, por uma vez.
Guarde os conselhos para si. N�o preciso deles.
Mia Farrow, certo? � a atriz americana de que gostava?
Parab�ns! Sabe alguma coisa sobre mim.
Tamb�m sei o que todos dizem. Que � imposs�vel.
� a �nica coisa com que sempre concordei.
Que triste � este dia para mim
Se, hoje, te livrasses de mim
De mim, que sou t�o fr�gil
E que ficaria perdida sem ti
Homenzinho, n�o me mandes embora...
N�o, parem!
N�o funciona. N�o percebem? Tem muitos "M".
� demasiado parecido a "mulherzinha". N�o d� para cantar!
ROMA, 1972
Muitos "M"? De que fala ela?
Alberigo, fala com ela.
Que se passa, Mia?
Queres mesmo saber? N�o posso transgredir?
Destru� a minha rela��o com o meu pai! Para qu�? Por esta m�sica aborrecida?
J� fal�mos disso e decidimos mudar de estrat�gia.
N�o, eu n�o. Tu e a editora falaram e decidiram.
- Eu n�o sei se � boa ideia. - Ouve.
Esquece a transgress�o, a raiva, a controv�rsia juvenil.
Esta tamb�m � uma mulher atual, mas est� a sofrer.
Real�a a tristeza e a melancolia feminina. Vamos come�ar de novo.
Acrescentei um "eu". Deve ficar melhor.
Vamos refor��-lo aqui. "Assim, eu digo-te."
� menos aborrecida, certo?
- Desculpa. O meu problema n�o � contigo. - Mas tens raz�o sobre isto.
- Sobre o resto, n�o. - Bruno! Sai da�! Vamos recome�ar.
Recomecemos.
Apresentou-te? Vamos reunir esta semana?
Podemos falar com ele.
Mia.
Tens um minuto? Ainda n�o acab�mos.
- Homenzinho, n�o... - N�o. Para!
Isto n�o � a tua �ncora.
Percebes?
� uma mulher que sofre por amor. Tens de ser essa mulher.
"Fr�gil" e "sensual" s�o as palavras-chave. Por favor.
Eu, uma mulherzinha, morreria
� a �ltima oportunidade de viver Ver�s que n�o a desperdi�arei...
- Sim? - Porque gritas?
- �s vulgar! - N�o sou vulgar.
Tens de ser uma mulher a sofrer por amor.
Como te posso mostrar?
- Para onde foi o teu estilo, Mia? - Eu canto assim. Est� bem?
Ent�o, enganei-me em rela��o a ti. O que gravaste hoje � horr�vel.
N�o �s terna, nem pequena nem fr�gil. N�o �s nada!
�s fria como o gelo.
Sem ofensa, mas n�o pareces perceber o que est�s a cantar.
- N�o me podes tratar assim. - Sabes o que � interpretar uma m�sica?
Achas que basta cant�-la? Para isso, contrat�vamos uma corista.
Mia.
Se sa�res por essa porta, n�o vale a pena voltares.
E diz "adeus" � tua carreira e ao teu contrato.
Tu � que decides.
Fica aqui.
Estou?
Est� bem. Farei o que queres.
N�o te darei um desconto.
N�o tenho escolha.
Se n�o cantar, n�o vivo.
Vemo-nos amanh� no est�dio. Mais uma confus�o, e est�s fora.
DESCULPA JOE N�O �S TU
Duas m�os frias nas tuas
Pombas de despedida brancas
Que triste � este dia para mim
Se, hoje, te livrasses de mim
De mim, que sou t�o fr�gil
E que ficaria perdida sem ti
Homenzinho, n�o me mandes embora
Eu, uma mulherzinha, morreria
� a �ltima oportunidade para viver
Ver�s que n�o a desperdi�arei N�o!
� a �ltima oportunidade para viver
Posso ter cometido erros Eu sei
Mas, contigo, conseguirei Sim!
Por isso, digo-te...
Homenzinho, n�o me mandes embora
N�o!
Eu, uma mulherzinha
Morreria se me deixasses
N�o!
Eu, uma mulherzinha, morreria sozinha
Homenzinho, n�o me mandes...
HOMENZINHO
ROMA V�SPERA DE ANO NOVO, 1973
Oito, sete, seis, cinco,
quatro, tr�s, dois, um.
- Feliz ano novo! - Feliz 1973!
M�e! Com licen�a.
M�e, j� n�o h� champanhe.
Est� l� em baixo.
N�o me chames "m�e". N�o sabes j� isso?
Que orgulho, amor!
Sabias que,
no ano passado, por esta altura, estava resignada a ser secret�ria?
- E olha onde estamos! - Realmente, era imposs�vel imagin�-lo.
Que faz ele aqui?
- Quem? - O Tino Notte. O empres�rio.
N�o me lembro do apelido verdadeiro dele. Conhece-lo?
N�o o convidei. Deve ter-se infiltrado. H� tanta gente!
� s� que ele anda a espalhar certos boatos.
Que boatos?
Sobre ti.
- O acidente no est�dio. - Quando o misturador se incendiou?
Que tem isso que ver?
Na casa da rainha da m�sica italiana, j� n�o h� champanhe.
- N�o acabou nada! - Magoa-me saber isso, Mia!
V� quanto h�!
24 HORAS ANTES DA ATUA��O
H� tr�s sec��es nesta competi��o.
Os campe�es, as estrelas do mundo da m�sica.
Os emergentes, que est�o a voar em dire��o ao sucesso.
E os novatos, os cavalos impetuosos da m�sica popular. S�o fant�sticos!
Esta � a grande noite deste festival de Sanremo, em fevereiro...
N�o gosto de comer sozinha. E a companhia aqui n�o � a melhor.
Deve ser horr�vel, se decidiu vir aqui.
N�o me olhe assim.
N�o sou vidente. Disseram-me que a encontraria aqui.
- Com licen�a? - Um prato para a senhora.
- Certo. - Obrigada.
Muito bem.
Era eu quem queria entrevistar?
Vim pelo Ray Charles.
E, sinceramente, n�o a queria conhecer.
- � a verdade. - De facto, eu tamb�m n�o.
Da�, termos gostado logo uma da outra.
Para al�m de sermos as �nicas a n�o estar a ver o festival.
- Amanh�, � a minha vez. - Verdade.
Veio sozinha?
N�o gosto de misturar trabalho com rela��es pessoais.
N�o sou muito boa a concili�-los.
Digamos que, agora, n�o h� muito a conciliar.
Mas tu tamb�m est�s sozinha, certo?
Digamos que j� passei pelo amor.
O suficiente para duas vidas.
Foi assim t�o invasivo?
Sim, � a palavra certa.
Mas o amor � sempre invasivo. Sen�o, que �?
O meu amigo Franco Califano...
... diria que o amor � o motor da vida.
Talvez, no fim de contas, tenha raz�o.
Deves ser a Mia.
Franco.
Desculpa o atraso. Roma, o tr�nsito... E, para ser sincero,
gosto que as mulheres me esperem. Assim, n�o ficam mimadas.
Um homem que me faz esperar irrita-me.
�s uma mulher com car�ter. Gosto disso.
V�-se que fomos feitos um para o outro.
Vamos. Sou todo ouvidos.
Quero saber tudo de ti se vou escrever sobre ti.
Mas n�o comeces pela fam�lia,
pelos teus objetivos.
S� quero saber uma coisa.
Amor.
Fala-me de amor e faz-me feliz.
Mas, quando digo �s pessoas, ningu�m acredita.
Para mim, o amor � tudo, o verdadeiro motor da vida.
Mas tudo o que criaram � volta dele, como o casamento e uma fam�lia
� um monte de tretas.
N�o tem nada que ver com isto.
Se calhar, era o que faltava ao Mike.
Ou talvez n�o fosse o homem certo para mim, n�o sei.
N�o sei se o homem certo existe,
aquele que me far� enlouquecer e esquecer tudo o resto.
Tens uma cara gira, mas um g�nio horr�vel.
No nosso mundo, tamb�m o dizem. Acredita.
N�o te rias. S� gosto de mulheres com mau g�nio.
Tenho mau g�nio, como dizes, mas s� quando trabalho.
Ouve, queres tomar algo na minha casa?
Mia, tenho de me atirar a ti. Est� no contrato.
- A editora disse-mo especificamente. - Imagino, Franco, mas...
Pena. Pod�amos divertir-nos.
- Sim? - Venho entregar umas flores.
- Obrigada. - De nada.
Adeus.
PARA MIA
AS NOITES S�O INCERTAS, UMA ESPERA AFLITIVA
Quem era?
Isto � para ti. Isto, tamb�m.
Tens o p�ssimo h�bito de me roubar coisas!
- At� essa camisa. - Comprei-a em Londres.
No concerto de Crosby, Stills, Nash e Young.
Tamb�m fui a esse concerto! Essa camisa � minha.
Ouve, somos irm�s.
Dev�amos partilhar tudo, mas ligas-te tanto �s tuas coisas.
A aboli��o da propriedade privada � um conceito abstrato?
Tal como o feminismo! Estou a dizer-te.
Se, mentalmente, est�s como a letra da m�sica... Adeus!
Fiz-te mousse de chocolate. Est� na cozinha.
Talvez te adoce um pouco.
Ouve, h� muita confus�o aqui! Massacres, ataques, golpes de estado!
E estas pessoas ainda escrevem isto.
Quando a escreveste?
Disse-te que a tinha na cabe�a. Escrevi-a toda de uma vez.
� linda, Franco.
Foste tu que me inspiraste.
Mas esta hist�ria n�o � minha.
MINUETO
� uma mulher que espera, que n�o faz nada.
Sim, mas ningu�m gosta de mulheres com mau g�nio.
Todos querem ver mulheres sofridas e tristes.
Quando te apaixonares, contas-me?
Um beijo. Vou dormir.
Se, para ti, a manh� come�a o dia,
para mim, termina a noite.
As noites s�o incertas
Uma espera aflitiva
Tantas vezes que te gostaria De dizer que n�o
Mas, depois, vejo-te E n�o tenho for�a suficiente!
O meu cora��o rebela-se contra ti Mas n�o o meu corpo
As tuas m�os s�o instrumentos em mim
Que conduzes Como o experiente maestro que �s
E vens a minha casa Sempre que queres
Sobretudo durante a noite
Dormes c�, vais-te embora S� pensas em ti mesmo
Porque sabes que aqui em cima Na pior das hip�teses
Ter-me-�s a mim toda Se quiseres, por uma noite
MINUETO
1979 - MARTINI REPETE VIT�RIA NO FESTIVALBAR COM "MINUETO"
E a minha solid�o continua a aumentar
No vazio com que me deixas
E sou tua
1974 - CR�TICOS: "MARTINI, CANTORA DO ANO"
De noite, na minha casa Sou mil vezes tua
E a vida passa por n�s
E nunca vejo horizontes
PALMA DE MAIORCA MARTINI GANHA PR�MIO DA CR�TICA
O tempo aproveita-se e rouba Como tu fizeste
Os restos de uma juventude Que j� n�o tenho
E eu continuo a seguir o mesmo caminho
Sempre inebriada de melancolia
N�o conhe�o o sorriso do amor verdadeiro
Os pensamentos v�m e v�o Tal como a vida
MARTINI, MELHOR CANTORA DO ANO
Ouve-se um minueto para n�s
A minha mente nunca para
N�o conhe�o o sorriso do amor verdadeiro
Os pensamentos v�m e v�o Tal como a vida
VER�O, 1978
Entra.
Ainda est�s assim?
- Esperamos-te ao jantar. - Vou s� mudar de roupa.
- Foste incr�vel. - Obrigada.
- Desculpa. - Desculpa-me, tu.
N�o queria perturbar-te.
Fizeste bem, porque eu n�o devia estar aqui.
N�o sou m�sico. Desculpa-me.
- � que essa m�sica � especial para mim. - J� ouviste a vers�o do Chet Baker?
N�o �s m�sico, mas sabes de m�sica.
Sim, gosto muito.
A minha preferida � a vers�o da Ella Fitzgerald.
A voz dela... N�o sei. Invade-nos profundamente.
Eu diria que tu tamb�m n�o �s nada m�.
- Viste o concerto? - Sim.
Tamb�m devias cantar esta m�sica.
Era a minha can��o vencedora. Imagina.
Era algo rid�cula, com 13 anos, a cantar uma m�sica de amor.
Nem sabia o que dizia.
"Sempre que nos despedimos, morro um pouco."
Mim�. Mim�, estamos � tua espera.
V�o indo. Eu vou l� ter.
- Certo. - Tenho de ir a um jantar. Com licen�a.
Gosto muito da tua voz. Da tua forma de cantar.
Igualmente.
Tamb�m n�o �s nada mau ao piano.
N�o � verdade, mas tudo bem. Obrigado por o dizeres.
Diria que � um bom come�o...
Tinha 18 quando um colega me pediu para tirar umas fotos
numa manifesta��o do Primeiro de Maio.
- Foi como come�aste? - Com uma foto.
Um agricultor a gritar com um punho fechado.
O Paese Sera publicou-a. At� me pagaram. Nem acreditei.
N�o se repetiu muitas vezes mais tarde.
Agora, tiro fotos de cinema.
Fant�stico! Adoro cinema! Em que filmes trabalhaste?
A Senhora do Terceiro Andar, A Mulher Pol�cia Tem uma Carreira
e, depois, fiz Roma Violada.
� um policial, com montes de tiros.
- Desculpa, n�o os vi. - J� calculava.
Esses filmes n�o foram nada de especial. Mas juro que as minhas fotos do set...
... n�o s�o m�s.
As coisas que mais estimamos s�o as que nos custam mais a transmitir.
N�o s� com o trabalho.
Precisar�amos de um Dec�logo, at� para as rela��es pessoais.
Antes de as coisas se tornarem s�rias, percebes?
"O essencial a saber sobre mim".
- Come�a. Sim. - Eu?
Durmo at� � uma da tarde.
E, quando tenho de acordar cedo, fico insuport�vel at� voltar a deitar-me.
Muito bem. Anotado.
Eu n�o consigo estar parado. Tenho de estar sempre em movimento.
De facto, tenho as melhores ideias a viajar.
Fazes sempre aquilo?
Quando um concerto acaba, vais para o palco e tocas?
Ao ver um piano, n�o consigo resistir. Mesmo que seja um pianista med�ocre.
� algo que deves saber sobre mim. Normalmente, deixa as pessoas loucas.
N�o corres esse risco comigo.
No m�ximo, sentava-me e tocava contigo.
� uma pena, n�o o teres feito.
Fiz muito mais.
Deixei os meus amigos e fugi contigo.
Queres mais alguma coisa? A cozinha vai fechar.
Um quarto, por favor.
Vi fazerem isto num filme. Num filme rom�ntico.
Estou?
- Alba... - O que se passou contigo?
Estive na lua.
Parece que sim. Procurei-te em todo o lado.
Encontrei-o.
Estou certa, Alba. � ele.
- Ent�o, era uma lua bem frequentada. - Ainda n�o consigo acreditar!
Acho que foi uma esp�cie de revolu��o.
Um tremor de terra! Tinha de contar a algu�m ou enlouqueceria.
Ainda bem que est�s s� e salva.
Boa noite. Ali�s, bom dia.
Acho que n�o conseguirei pregar olho.
Adeus.
Quem era?
- Ningu�m. S� a Mia. - Ent�o.
- Tinhas de dizer o nome dela? - � a minha vez?
Parem com essa parvo�ce!
Pode ser parvo�ce, mas, na Cattolica, as luzes dos teatros apagaram-se quando...
- A irm� da Loredana estava l�. - V�o-se embora. Vamos.
Deem-me as cartas. Levantem-se. Vamos.
- Alba, ent�o! - Levanta-te. N�o quero saber.
Anda l�. Vamos.
Sabem? As pessoas s�o...
12 HORAS ANTES DA ATUA��O
- Fiz-te levantar da cama? - N�o, claro que n�o.
Vim passear com a Movie.
N�o te preocupes. N�o a deixo aproximar-se.
N�o posso acreditar.
Que queres fazer? Cada um tem a fobia que merece.
N�o devia confiar em ti.
Isto, aqui, � um gelo. N�o tens medo de ficar doente?
Tenho outros medos agora.
Serei a primeira a cantar hoje.
- Isso s�o m�s not�cias? - Terr�veis.
� incr�vel!
Nem t�m medo de que possa fazer o teto cair em cima deles.
Achei que beneficiaria de algumas vantagens, mas...
Como � que suportas isto tudo?
Os boatos que espalham sobre ti. Que d�s azar.
� melhor chamar as coisas pelo nome, n�o?
Estava distra�da, creio.
Distra�da pela paix�o.
Inconsci�ncia. Porque, quando estamos apaixonados,
temos uma armadura t�o forte que nos leva a desafiar o mundo
e muda a forma como o vemos.
As pessoas falavam e eu nem reparava.
O amor � um verdadeiro luxo!
Demoraste tanto tempo. J� n�o aguentava mais!
Nem me apetece fumar.
Podes usar-me como ant�doto contra fumar.
�s o meu ant�doto para muitas coisas, meu amor.
A editora quer encontrar-se comigo.
Parece que perceberam porque o meu �ltimo �lbum n�o vendeu.
N�o sei que querem propor.
�s muito melhor do que eles pensam, sabes?
Se pensar nisso, estou-me nas tintas para eles.
Porque n�o me tiras fotos? Para a capa do meu pr�ximo �lbum.
Normalmente, fotografo alunos furiosos em manifesta��es, em pra�as.
Al�m disso, n�o posso fotografar a mulher que amo.
N�o sei porqu�, mas nunca o fiz.
Al�m disso, domingo tenho de ir a Paris. Tu come�as a digress�o no pr�ximo m�s.
N�o me lembres disso. Como posso viver longe de ti tantos meses?
Fica c�. N�o v�s.
Quem sabe quantos homens conhecer�s?
N�o tenciono deixar nenhum escapar, sabes?
Estou a brincar.
Tinha tantos planos na minha cabe�a! Partidas, viagens.
Agora, s� quero ficar aqui contigo.
Ent�o, fa�amo-lo.
O amor � uma aldrabice.
Desculpe, minha senhora. Pensava que n�o estava ningu�m.
Leve o seu tempo.
SEMPRE QUE NOS DESPEDIMOS, MORRO UM POUCO
Mia, estamos a falar de muito bons autores.
Podem ser os melhores do mundo, mas n�o s�o os meus.
Vais gostar deles quando os conheceres.
- Sabes porque o teu �ltimo �lbum falhou? - Sabes muito bem porqu�.
N�o o promoveram e a distribui��o foi rid�cula.
Porque n�o fui ao Festivalbar nem a Sanremo?
Porque n�o te querem, Mia!
Por causa daquela quest�o...
Di-lo. Acaba a frase!
Est�s a tornar-te um problema, Mia. Pode parecer absurdo...
... mas � a realidade.
Querem dizer que n�o vou � televis�o,
n�o participo em concursos e n�o vendo �lbuns
porque algu�m espalhou o boato de que dou azar?
Est�o loucos?
As palavras espalham-se, Mia. N�o � bom para n�s nem para ti.
Pod�amos fazer um �lbum mais alegre, mais luminoso.
Evitar cores escuras, o preto, o roxo. Sabes como �, quando boatos se espalham.
Ser mais feminina n�o seria m� ideia.
Claro! Um grande decote? Uma minissaia?
Tens boas pernas.
A Loredana n�o tem esse tipo de problema.
Como se atrevem?
Sou uma artista e voc�s n�o s�o nada!
N�o � um problema para o Aznavour, eu estar de preto ou n�o vestir minissaia.
Gostamos desta oportunidade para a tua carreira.
N�o, agarram-se a quem tem talento como sanguessugas. � diferente.
- N�o tolero nem mais uma palavra tua. - Quem n�o tolera sou eu.
N�o tenciono que me suguem o sangue.
Mia, acalma-te.
Ent�o.
Que raio te deu?
- A verdade � que n�o confias em mim! - Deixaste-me sozinha!
N�o me defendeste quando me trucidaram.
- Voltemos. Vamos chegar a um meio-termo. - N�o!
Humilharam-me.
Humilharam-me, todos.
Mia, assinaste um contrato.
V�o destruir-te.
S� querem que fa�a o que decidiram.
Encontrarei outra editora.
Se n�o me ouvires, ter�s problemas.
Correrei o risco, mas ficarei livre.
Continuas sem compreender.
Ningu�m � completamente livre.
Eu decido como viver a minha vida.
Se a arruinar, tenho a satisfa��o de o ter feito eu
e que n�o tenham sido outros a decidir.
Se � mesmo o que queres... n�o te posso ajudar mais.
MIL�O JANEIRO, 1979
Quanto � a penaliza��o?
N�o sei. Pagarei o que tem de ser pago.
Sim. Que se lixem! Eles e o Crocetta.
S�o empres�rios med�ocres de gravata.
- Mas med�ocres com influ�ncia. - N�o sabem nada sobre arte!
- Boa noite. - Boa noite.
N�o sabem nada sobre cultura, m�sica, can��es.
N�o quero cantar m�sicas tolas, vestida a vida toda como querem.
Arriscas n�o voltar a cantar.
- Parece-te uma decis�o sensata? - Alba, �s mesmo uma seca!
Ent�o, n�o � ela que d� azar, mas tu!
N�o se pode dizer nada!
Ouve, tenho uma digress�o maravilhosa � minha espera, um homem que me ama.
Vamos morar juntos.
Olha. J� c� s� faltava ele.
- Vamos embora? - N�o. Espera.
Quero tirar satisfa��es.
Tino!
Boa noite. Como est�s? Boa noite, minha senhora. Est� tudo bem?
Lamento, mas n�o gosto da tua pele.
Est�s p�lido e magro. N�o lhe vais dizer nada?
Se fosse a ti, ia ao m�dico. Andam doen�as horr�veis no ar.
Digo-o por ti, mas tamb�m por ela.
Muito bem. Vou-me embora. Tenham uma boa noite!
E, agora, diverte-te, sacana!
�s genial!
Acabaste com o jantar deles.
Quando seguir� ele em frente?
MIA MARTINI CA�DA EM DESGRA�A
MIA MARTINI AFUNDADA EM D�VIDAS
"Mia Martini na bancarrota".
MIA MARTINI FALIDA
"Mia Martini falida".
- Toma isto. - Certo.
MUDAN�AS
SALA DISCOS
Quando partes de novo?
Daqui a umas horas, mais ou menos.
Esta noite, � Paris, e, numa semana, acabamos a digress�o em Roma.
Acreditas? Eu e o Aznavour no Olympia.
Acredito que estamos falidas, Mim�.
S� precisas de cantar.
Se as coisas ru�rem, segues em frente.
- N�o quero falar nisso. - Pois. De qualquer modo, vais-te embora.
Ainda bem que me organizei ou quem sabe como acabaria.
At� se ofereceram para te ajudar, Mim�.
E n�o quiseste. Porque �s t�o teimosa?
- Acabaste connosco. - Eu � que estou acabada, m�e!
Tu, como disseste t�o bem, organizaste-te.
Como sempre.
O Crocetta ligou ontem. De certeza que, se conseguisses...
Basta! N�o quero continuar a falar disto nem do Crocetta.
Est� tudo acabado com ele. Lamento, mas � o que �.
Cuidado com isso. � para manter.
Esperem...
Depois da m�sica, � hora das palavras.
Dizem que as digress�es s�o iguais. Mas s�o todas diferentes.
E � o talento e o trabalho de todos que faz a diferen�a.
Quero agradecer-vos a todos.
Esperem! Quero, sobretudo, agradecer � Mia.
Ter-te ao meu lado, todas as noites,
� uma alegria e um verdadeiro privil�gio.
� verdade!
Mas esta n�o � uma noite de despedidas.
Todos sabemos que � uma noite de "at� breve".
Parece que est�o � nossa espera no Canad�.
Sim.
Tens tantos pensamentos na cabe�a.
O que n�o dava para saber alguns.
N�o s�o assim t�o interessantes. A s�rio.
- Sra. Martini, chamada para si. - Sim.
- Com licen�a. - For�a.
Estou?
E eu a ti.
- Andrea! - Ol�.
Que fazes aqui? N�o devias estar em Roma?
N�o conseguia estar longe de ti. Vou-me embora numas horas.
Decidi que n�o vou ao Canad�.
Quero ficar c� contigo. O resto n�o me importa.
Depois, veremos.
�s mesmo louca. Sabias?
Acab�mos de ver imagens que representam este dif�cil 1979.
Um ano que lembraremos, mas que vamos deixar para tr�s.
Desejamos um lindo 1980 a todos.
- Adeus a todos e, agora, as not�cias. - Muito bem. Compreendo.
Estou pronta.
Vamos?
- Ent�o? Que caras s�o essas? - A festa da Cecilia foi cancelada.
- Cancelada? - Sim. Porque n�o vamos a um restaurante?
Porque n�o lhe dizes a verdade?
Pediram-nos para n�o ir, ou cancelariam o jantar
se os outros convidados soubessem que �amos.
Porque n�o fazes nada?
N�o te enfureces? N�o reages?
- Andrea, esquece. - N�o esque�o.
- E tu tamb�m n�o podes. - N�o quero falar disto contigo.
N�o quero que este nojo se meta entre n�s.
Finges que n�o � nada, mas est� a espalhar-se e acabar� com tudo.
N�o quero falar disso.
- De que queres falar? - De coisas bonitas.
N�o consigo continuar a viver nesta porcaria.
Quero uma vida normal. Quero pensar em ter um filho.
A m�sica e a fotografia s�o os nossos filhos.
S�o o que importa.
Se continuares a n�o reagir, isto acabar� por nos engolir tamb�m.
Porque n�o dizes que n�o queres?
Que est�s demasiado envolvido contigo e a tua carreira?
Tolerei as tuas digress�es sem saber com quem estavas!
E ent�o? Eu tolerei as tuas sess�es de fotos pelo mundo.
Devia ficar em casa, � espera que regressasses dos teus sucessos?
Estou contigo, mas n�o sou teu.
Querias fotografar a realidade.
Acabaste por fotografar modelos nus pelo mundo.
- � o meu trabalho. Est�s com ci�mes. - N�o estou.
Est�s com ci�mes porque n�o sou como o teu mundo de merda.
Mundo de merda? Ent�o, porque est�s aqui?
Vai-te embora! N�o te quero voltar a ver!
Vai-te lixar! Queres sentir-te livre? Adeus. Fa�o-te, j�, feliz.
Andrea!
Espera!
Andrea!
Andrea, espera! N�o! Espera. N�o era o que queria dizer.
Volta aqui! Por favor!
Ent�o! Mia?
O que se passa?
Tem de ser retirado.
� uma opera��o necess�ria e inadi�vel.
N�dulos nas cordas vocais costumam ser uma manifesta��o psicossom�tica natural.
A voz � o canal pelo qual a dor � libertada.
Ap�s a opera��o, ter� de recome�ar do zero.
Como um rec�m-nascido, que tem de aprender tudo.
Ter� de voltar a treinar a voz.
Mas posso garantir-lhe que a recuperar�.
Quais s�o as probabilidades de voltar a cantar?
Isso depender�, sobretudo, de si.
Digamos que 50 por cento.
V� o lado positivo. Podes pensar nisto como um ano sab�tico.
Podes cozinhar. N�o gostas de cozinhar? Ouvir m�sica, estudar, escrever.
Tenho um talento secreto para enfermeiro. Sabias?
- Falas disto como se fossem f�rias. - N�o.
S� procuro o lado positivo.
E se n�o conseguir voltar a cantar?
Faz a opera��o e tudo correr� bem.
Nem me conseguiria levantar de manh�. Preferiria morrer!
N�o sei, Andrea.
Tu �s a minha vida, mas n�o �s a �nica coisa na minha vida.
Se te pedisse para parares de cantar e ficasses s� comigo, que farias?
Tamb�m n�o sou tua.
- Nunca o farias. Ambos o sabemos. - Tu tamb�m n�o.
Vou dar um passeio. Com licen�a. Descansa.
A opera��o foi dolorosa?
Um ano presa em casa com medo de n�o voltar a cantar.
- Isso � que foi doloroso. - Mas conseguiste.
A tua voz mudou. Ficou mais rouca.
Como a de uma cantora negra.
- Investigaste! - O tema apaixonou-me.
Que mais descobriste sobre mim? Conta-me.
N�o mudou s� a tua voz.
Dois anos depois, conseguiste voltar aqui, a Sanremo, pela primeira vez.
Cantaste por uma editora independente e tinhas outro empres�rio.
O Giancarlo. Sim.
Aterrorizava-me n�o encontrar a minha voz.
E sentia o fim da rela��o com o Andrea.
H� sempre um momento quando algo se quebra.
Basta um olhar estranho, um tom de voz. E n�s sabemo-lo.
Mas podem passar meses e anos antes que realmente acabe.
Mas nunca esquecemos aquele momento.
O C�U NUNCA ACABAR�
Ent�o?
� bonita.
At� a letra. � a m�sica certa para ti.
S� temos duas semanas para a gravar.
N�o � muito.
Para o Giancarlo, o Ravera tem de a ouvir at� ao Natal.
N�o pode recusar.
Ent�o, tens de tentar. Posso tirar umas fotos aqui, enquanto cantas.
No est�dio de grava��o. Acho que seria bom.
Diria algo diferente sobre ti.
Mudaste de opini�o.
Ou deixaste de me amar.
Nunca me quiseste fotografar.
S� parvos n�o mudam de opini�o.
S� quero fazer algo para te ajudar, mais nada.
Tens raz�o. Desculpa. S� estou um pouco nervosa.
Sinto-me fr�gil agora.
Estamos prontos. Que fazemos? Come�amos?
Andrea, vens?
Sim.
Muito bem.
O c�u nunca acabar�
Mesmo que n�o estejas aqui
Ser� dor ou sempre o c�u...
H� um barulho. N�o sei que barulho �.
- Como? N�o ouvimos nada. - H� um zumbido nos altifalantes.
- � como estar num est�dio. - Num est�dio?
Vamos ver. Vamos verificar.
- Paras com as fotos? - Porqu�?
Primeiro, a bateria invasiva. Depois, a m�sica � muito alta. Agora, o barulho.
- As desculpas ter�o de acabar. - Quem canta sou eu.
- Passaste o dia aqui. - A ensaiar.
- N�o est�s a ensaiar. Assim... - O qu�?
- Est�s a perder tempo. - A s�rio? Ent�o, vai-te embora. Sai.
N�o decides quando me fotografar. N�o quero as tuas fotos.
N�o devia trabalhar contigo. � a primeira e a �ltima vez.
- Adeus, Mia. - Adeus.
Tinhas raz�o. H� um zumbido.
Sim, satisfaz-lhe os caprichos, Giancarlo.
Qual � o problema?
Para al�m dele, que n�o percebe nada?
O problema � esta voz. N�o a reconhe�o.
- Continua a ser a tua voz, Mia. - N�o.
- Para mim, est� mais bonita. - N�o � verdade. � pequena e fr�gil.
- Se acontecer de novo? - N�o...
- Talvez quando estiver no palco. - Ouve.
Primeiro, temos de chegar ao palco, n�o? Que me dizes?
- Animem-se, rapazes. Vamos l�. - Certo.
Continuemos. Est� tudo bem. Vamos l�.
Caros amigos, cumprimentos do Claudio.
28-30 DE JANEIRO, 1982
Bem-vindos � 32.� edi��o do Festival de Sanremo,
que ter� lugar no palco do Teatro Ariston.
Pouco barulho.
Pare aqui.
- Est� tudo pronto? - Sim.
Vou ver do p�blico.
- � agora. � a sua vez. - Mia Martini, "O C�u Nunca Acabar�".
O C�U NUNCA ACABAR�, DE I. FOSSATI
O c�u nunca acabar�
Mesmo que n�o estejas aqui
Ser� dor ou sempre o c�u
Pelo que vejo
Pergunto-me se terei medo
Aquele sentimento de desejo por ti
Se tiver um rosto p�lido e confiante
Ningu�m se rir� de mim
Se eu procurar algu�m
Para voltar a ser eu
Algu�m que sorri com confian�a
Que, por si mesmo, j� sabe
Que o c�u nunca acabar�
E se a verdade
Pode permanecer neste c�u
At� conseguir
Se tiver um rosto p�lido e confiante
Confiante
Ningu�m se rir� de mim
Porque terei algu�m
Porque, � tua espera
Poderia encontrar-me a mim no caminho
Para voltar a ser eu!
Para voltar a ser eu
Para voltar a ser eu
Obrigada.
E, assim, cheg�mos ao fim das m�sicas do grupo B.
Eu sabia! Esta m�sica desperta sempre emo��es.
Mia! A imprensa est� ao rubro. Todos adoram a m�sica!
Est�o a pensar criar um pr�mio s� para ti.
Onde est� o Andrea?
Foi-se embora.
N�o, espera.
Acho que devias deix�-lo ir.
SEMPRE QUE NOS DESPEDIMOS, MORRO UM POUCO
Sempre que nos despedimos
Morro um pouco
Sempre que nos despedimos
Pergunto-me porqu� um pouco
Porque � que os Deuses l� em cima
Que devem saber tudo
T�m t�o pouca considera��o por mim
Que te deixaram ir embora
EMPRES�RIO DE MARTINI MORRE EM ACIDENTE CANTORA ILESA
TRAG�DIA EMPRES�RIO DE MARTINI MORRE
DENTICE MORRE EM ACIDENTE MARTINI ILESA
DENTICE MORTO - MARTINI ILESA ACIDENTE PERTO DE VIAREGGIO
N�o. N�o acredito!
Sou empres�rio dela. Tem de me dar outra raz�o para me mandar embora.
N�o h� qualquer ostracismo em rela��o � sua artista ou a si.
Ent�o, deixe-a cantar num dos seus programas.
A Mia acabou de ganhar o Pr�mio da Cr�tica em Sanremo.
O �lbum dela � bom. Ela s� precisa de alguma publicidade.
N�o sabemos como inserir a sua artista na agenda.
N�o estou a pedir-lhe que a ponha como apresentadora.
S� lhe pe�o que a deixe cantar uma m�sica num dos seus programas.
Estou a falar do direito... Olhe para mim!
Um artista tem o direito de fazer o seu trabalho em paz!
N�o s�o esses os termos desta discuss�o.
E que s�o eles? Porque � que as r�dios n�o passam a m�sica dela?
Porque n�o disse o nome dela desde que aqui estamos?
- Repita comigo, "Mia Martini". � f�cil. - Muito bem.
- Mia Martini. - Adeus. Obrigado.
Mia Martini.
Que v�o beber?
- N�o sei. Vinho? - Vinho?
Muito bem.
Que aconteceu depois?
Nada.
Fui-me embora. Para longe de todos.
DUAS HORAS ANTES DA ATUA��O
- Parei de lutar. - Mim�, tens de ir para a maquilhagem.
Vou j�.
- At� j�. - Sim.
- Vem despedir-te de mim. - Claro.
- Pronto. Depois, digo-te. - Desculpe.
- Ol�. - Ol�. Eu ajudo-te.
N�o � preciso! Deixa.
RAY CHARLES ENTREVISTA
O qu�? Disseram-me que o Ray Charles n�o vinha.
Foi s� a confer�ncia de imprensa. Adiaram-na umas horas.
N�o te avisaram?
N�o.
Feito. L�.
Fingiram esquecer-se.
Deram a minha entrevista a um colega e deixaram-me de fora.
- Porqu�? - Porque sou boa. � essa a raz�o.
De qualquer modo, que se dane, sabes? J� tenho o meu artigo de Sanremo.
Mim�, chegou um monte de flores.
Que bonitas.
Aqui tens os telegramas de hoje. At� tens um do Modugno.
Este � do Bruno Lauzi. Olha, que querido.
SEMPRE A TEU LADO. DEIXA-OS OUVIR QUEM �S. BRUNO
Diz-me s� uma coisa, Mia. Porque voltaste a este circo?
Quem te obrigou?
E, agora, damos as boas-vindas � fant�stica Mia Martini.
FESTIVA DE PIZA FRITA
Uma grande salva de palmas!
Duas m�os frias nas tuas
Pombas de despedida brancas
Se, hoje, te livrasses de mim
De mim, que sou t�o fr�gil
E que ficaria perdida sem ti
Homenzinho, n�o me mandes embora
Eu, uma mulherzinha, morreria
� a �ltima oportunidade para viver
H� cinco anos que desperdi�as o teu talento, Mia.
N�o � verdade. Sabes o que aconteceu.
Mesmo que quisesse, n�o posso denunciar ningu�m, Alba.
N�o posso processar desconhecidos por difama��o.
Queres ficar naquele buraco para sempre?
Pro�bo-te de falares mal da minha casa. Vais ver como a renovei. Est� gira.
Porque n�o posso?
Porque h� cinco anos que �s uma eremita l�. Ainda �s jovem!
- Podes dizer-lhe isso tamb�m? - Esquece.
Mais vale eremita, que humilhada.
N�o permitirei que o fa�am de novo! Engoli demasiado.
- Ganharam. - Mia.
�s uma mulher, de sucesso.
E, ent�o? Se se tentaram livrar de ti espalhando boatos?
- Acho que � um compl�. - Parei de lutar, Alba. Estou bem assim.
N�o desististe, porque cantaste no festival da piza frita!
� a �nica coisa que sei fazer. E tenho de pagar a renda. Por isso...
Para. N�o vale a pena falar contigo.
- Bruno! - Mia!
Que surpresa!
- Como est�s? - Bem. Isto aqui n�o � mau!
A Alba chamou-lhe "buraco".
- A Alba odeia. Quer tirar-me de c�. - Ela tem raz�o.
Vamos entrar. Fa�o caf�.
Movie!
Esta � uma m�sica antiga que encontrei numa gaveta do escrit�rio.
Escreveram-na para ti. Ele e o Maurizio, em 1972.
S� pe�o que a ou�as.
Mesmo que a grava��o esteja m�, e a minha voz, p�ssima.
Essas palavras cantadas por ti seriam magn�ficas.
E o Festival de Sanremo � o s�tio certo para elas.
Est� tudo pronto. O Aragozzini est� s� � tua espera.
� uma �tima oportunidade para recome�ares, Mim�.
Ouve. Estou mesmo feliz por te voltar a ver.
Mas n�o fales comigo sobre voltar a Sanremo e essas tretas,
porque n�o me interessa.
- Mas... - Alba, n�o.
Se almo�ares, fico feliz. Vou preparar alguma coisa.
Informa-me do que quiseres fazer.
Ao menos, ouve-a.
AO MENOS TU, NO UNIVERSO
Est�?
Ol�.
Cortaste a barba.
- Sim. Ol�. - Est�s bonito.
Tu tamb�m.
- Obrigada. - Pode trazer-nos um copo?
Foi uma surpresa, a tua chamada.
Admito.
- Obrigada. - Obrigado.
Estava na zona, e decidi ligar-te.
- Vi o teu livro. - A s�rio?
Tamb�m te interessas por fotografia? Gosto disso.
- E o que achaste? - Gostei.
Sobretudo das �ltimas. Achei que eram as mais bonitas.
Porque voltaste �s fotografias a preto e branco, � realidade.
Disse-te sempre que era o que devias fazer.
Confirmo, e...
Como est�s tu?
Bem. Estou bem.
Escrevo muito, toco piano e, por vezes, consigo cantar.
Tenho uma raz�o para te ter vindo ver.
Queria dizer-te pessoalmente.
N�o queria que descobrisses por outra pessoa.
Vou casar.
Parab�ns.
N�o estava � espera, mas estou feliz por ti.
Boa noite. Desejam mais alguma coisa? A cozinha vai fechar.
- Mim�. - Alba.
V� quem est� c�.
- Pai. - H� muito que n�o nos v�amos.
Como est�s?
Mim�.
- � a tua vez. - Vou estar no p�blico a ver-te.
Mim�, estamos prontos. Por favor.
Estamos a descer com a Mia Martini.
A primeira cantora da noite � Mia Martini.
Uma artista incr�vel...
Para os bastidores.
Ir� cantar uma m�sica de Lauzi, "Ao Menos Tu, no Universo".
O campe�o da noite de jovens cantores
� Jovanotti, com "Vasco".
- E, agora, Mia Martini! - Mia Martini!
AO MENOS TU, NO UNIVERSO
Sabem?
As pessoas s�o estranhas
Primeiro, odeiam-se Depois, amam-se
De repente, mudam de ideias
Primeiro, a verdade
Depois, ele mente
Sem qualquer compromisso, sem confian�a
Como se nada fosse
Sabem?
As pessoas s�o loucas
Talvez estejam muito insatisfeitas
Seguem, cegamente, o mundo
Quando a moda muda
As pessoas mudam tamb�m
Continuamente
Tolamente
Tu
Tu, que �s diferente
Ao menos tu, no Universo
�s um ponto Que nunca gira � minha volta
Um sol que s� brilha para mim!
Como um diamante no meio do cora��o
Tu, que �s diferente
Ao menos tu, no Universo
Nunca mudar�s
Diz-me que ser�s sempre sincero
- E que me amar�s a s�rio - E que me amar�s a s�rio
Mais, mais, mais...
Merda!
�s a melhor.
SALA DE IMPRENSA
Sabem? As pessoas est�o sozinhas...
N�o h� voca��o ou talento que sobreviva � falta de sucesso.
O sucesso � fr�gil, � verdade.
Mas quando no-lo roubam, sem qualquer raz�o,
sem considera��o nem gentileza,
temos o dever de o recuperar e de encontrar a coragem.
Porque, s� com essa coragem, podemos voltar a sentir-nos livres.
E, com o tempo, aprenderemos a faz�-lo.
Tenho a certeza, porque, ontem � noite, naquele palco,
houve algu�m que nos ensinou a faz�-lo.
MIM� NUNCA GANHOU O FESTIVAL DE M�SICA DE SANREMO
VOLTOU A GANHAR O PR�MIO DA CR�TICA, QUE, AGORA, TEM O SEU NOME
MORREU SEIS ANOS AP�S A ATUA��O, COM UM ATAQUE CARD�ACO
ENQUANTO OUVIA AS SUAS M�SICAS
Legendas: V�nia Cristina
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