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Zulu
Hoje
foi como se
uma parte de mim
uma parte de mim
tivesse morrido,
pois n�o consigo
chorar.
Eu esqueci
os sin�nimos
da palavra "TRISTEZA".
Agora,
s� o que podemos fazer,
sem voc�,
� substitu�-lo.
Chega disso!
- Equipe Art Subs - 5 anos fazendo Arte para voc�!
Legenda: lletaif + Durenkian Revis�o: NoriegaRJ
Como uma pedra que jogamos
Na �gua corrente de um riacho
E que cria atr�s dela Milhares de voltas na �gua
Como uma armadura da Lua Com seu ex�rcito de estrelas
Como um anel de Saturno Um bal�o de carnaval
Como o caminho de ronda Que as horas fazem, sem cessar
A viagem ao redor do mundo Da flor de um girassol
Voc� faz rodar com seu nome
Os moinhos do meu cora��o
Como um novelo de l� Nas m�os de uma crian�a
Ou as palavras de um mantra Presas nas harpas de um vento
Como um turbilh�o de neve Como um bando de gaivotas
Nas florestas da Noruega Nas vagas do oceano
Como o caminho de ronda Que as horas fazem, sem cessar
A viagem ao redor do mundo Da flor de um girassol
Voc� faz rodar com seu nome Os moinhos do meu cora��o
Naquele dia, perto da fonte Deus sabe o que voc� me disse
Mas o ver�o acaba A ave cai de seu ninho
E sobre a areia Nossos passos j� se apagam
E estou s� � mesa Que ressoa sob meus dedos
Como um tamborim que chora Com as gotas da chuva
Como as can��es que se apagam Logo que as esquecemos
E as folhas do outono Encontram um c�u menos azul
E tua aus�ncia lhes empresta
A cor de teus cabelos
Como uma pedra que jogamos Na �gua corrente de um riacho
E que cria atr�s dela Milhares de voltas na �gua
Aos ventos das quatro esta��es
Voc� faz rodar com seu nome
Os moinhos do meu cora��o
Ol�!
Ol�!
Ol�!
Tem algu�m?
Caramba...
Que saco!
TOM NA FAZENDA
Posso saber o que faz em minha casa?
Sinto muito...
Eu tinha o seu endere�o...
Tom. Eu sou o Tom.
Perd�o pela desordem. Os dias t�m sido um inferno!
Aconteceu t�o depressa.
N�o consegui encontrar um hotel.
Os hot�is n�o s�o a especialidade da regi�o.
Voc� tem um belo carro preto!
Obrigado.
Senhora...
Deveria ter come�ado assim. Me esqueci.
Meus p�sames!
Meus p�sames!
Pode me chamar de Agathe.
Nenhum amigo me ligou. Supus que ele n�o tinha muitos.
Um garoto inteligente como ele, aposto que tinham inveja.
N�o me fale que vai embora amanh�!
Ele dizia que os vem aqui s� por um dia n�o precisam ficar.
Far� algum discurso no funeral?
Sim, escrevi algumas palavras.
Mas � algo informal, bem simples.
Que bom! Assim, as pessoas daqui ir�o saber que ele era bom.
A cama dele j� est� arrumada.
Est� limpa. Lavo o len�ol todos os meses.
N�o sei o motivo, mas continuo fazendo isso.
Tom, voc� gosta de trutas?
- Sim. - Foi o irm�o dele quem pescou.
- Quem? - O irm�o dele.
A despensa est� cheia de peixes.
Poderia pegar manteiga, daqui a pouco,
na despensa, no final do corredor?
Sim, claro.
Seus olhos s�o parecidos com os dele.
� engra�ado! Bem, n�o � engra�ado, mas...
N�o sabia que ele tinha um irm�o.
- N�o? - N�o.
Chama-se Francis.
Ele cuida da fazenda desde que meu marido morreu.
E voc�?
O que faz na vida?
Sou editor em uma ag�ncia de publicidade.
Trabalh�vamos juntos.
�ramos colegas de trabalho.
Amigos, companheiros...
Quando te vi, n�o gritei.
- Poderia ter feito isso... - Me desculpe.
Uma mulher entra e encontra um estranho em sua casa...
A �nica pessoa que deveria ter vindo, n�o veio.
Eu sei que � a moda, mas isso n�o se faz.
Quem seria essa pessoa?
N�o importa.
Est� usando o perfume dele, n�o? Eu percebi.
Sim.
Tem um cheiro bom.
Sabia que voc� viria.
Eu sabia.
N�o te conhe�o, mas sabia.
Fique calado e n�o diga nada � minha m�e.
Ela est� bem triste e n�o precisa de mais decep��es.
A hist�ria de voc�s n�o interessa.
Amanh� na igreja,
vai dizer palavras bonitas.
Agathe vai gostar. Todos v�o gostar...
Vai ser �timo e pronto!
Depois, far� suas malas...
e cair� fora de nossas vidas,
como deve ser.
Dormiu bem?
Sim. E a Sr�?
N�o t�o bem, eu acho.
Gostei do que voc� escreveu, Tom.
Soa bem, Agathe.
As pessoas v�o chorar muito.
Trouxe...
um CD com uma m�sica que gostaria que tocasse no funeral.
- Tudo bem. - Uma can��o que ele gostava.
Se n�o for problema, � claro!
Sim, para ele. Tudo bem.
E voc� v� se vestir ao inv�s de ficar se exibindo.
E n�o use perfume.
Perfume � para casamento, n�o para funerais.
Entendeu?
Nosso jovem amigo,
me contaram, era h�bil com as m�os.
Gostava de pintar,
dan�ava e era bom dan�arino.
Agora, nosso amigo,
nosso filho, nosso confidente,
nosso irm�o,
pode fazer pinturas para Cristo,
uma vez que Deus � infinito
e ama as coisas belas.
Podemos pensar: ele se foi.
Nos deixou.
� injusto.
Por�m, outra voz dir�...
N�o, ele n�o se foi.
Ele chegou em casa.
Est� junto de Cristo e justi�a foi feita.
Se uniu a nossos entes queridos que se foram.
E juntos, eles riem, cantam
e comem eternamente.
Agora, escutaremos um testemunho de um amigo de Guy.
Guillaume!
Guillaume, desculpe.
Um amigo de Guillaume falar� sobre ele.
- N�o, desculpe. - Tudo bem.
Eu n�o sei se...
Ent�o, ouviremos uma can��o.
Est� procurando problema.
Caramba, voc� me assustou!
Mal abriu a boca na igreja.
Acabou nem fazendo seu discurso.
Sim, eu sei... � que...
O que est� fazendo?
N�o me toca!
Por que n�o abriu a boca?
Minha m�e ficou muito triste.
N�o aguento v�-la assim.
N�o posso.
Eu te expliquei o que tinha que fazer.
Era complicado?
N�o era nada complicado.
Pare!
"Vamos sair de f�rias hoje, para Ajaccio."
"Vamos sair de f�rias hoje, para Ajaccio."
"Quem est� falando?"
Falamos por telefone h� um ano.
Eu lembro da sua voz.
Pelo seu jeito de falar, eu sabia que voc� viria.
Que iria atrapalhar tudo.
Agora, voltaremos para casa...
e espero que voc� se recomponha.
Voc� vai falar sobre a Sarah.
Sarah e meu irm�o s�o um casal.
Para a minha m�e � assim.
Sarah � fumante compulsiva.
Ela adora macarr�o.
N�o se preocupe, voc� conseguir�.
N�o vai embora at� que resolva essa situa��o.
S� isso!
Na igreja voc� n�o teve essa cara de pau.
V� se foder!
V� se foder!
Red Lake de merda! Caipira est�pido!
V� se foder!
"Voc� vai fazer". "Vai deixar tudo claro"...
Se vire, filho da puta.
Babaca.
Se vire sozinho, caipira.
Merda! Esqueci a mala.
Senta aqui, Agathe.
Percebi sua dificuldade, Tom.
A truta te fez mal na noite passada?
Eu teria adorado ouvir o que ia falar.
Sinto muito, � que...
Estava malfeito, desorganizado...
Teria sido comovente.
Aquela maldita.
A maldita deveria estar aqui!
Ela ligou para o Tom agora h� pouco.
Ela quem?
Ela, m�e, a Sarah.
- Falei com ela no carro. - Eles se falaram.
- O que ela disse? - O que disse?
Cale essa boca!
Ela disse...
"Hoje foi como se uma parte de mim tivesse morrido."
"N�o existem palavras para definir o vazio."
Depois, ela disse...
"Voc� � desprez�vel, � um nada..."
"Voc� � in�til para o mundo."
"J� que n�o foi capaz de nada at� agora,
fa�a alguma coisa por eles que seja real."
Disse tamb�m...
que desejaria conhec�-la.
Mas, para ela, o amor entre duas pessoas,
n�o inclui amigos, nem fam�lia nem interfer�ncias, nem...
Ela disse que ele foi o seu amor verdadeiro.
Ent�o, ela desligou.
E ent�o, ela disse...
"Me odeio."
"Farei todo o poss�vel para reparar isso."
Em seguida, desligou.
Ela deveria ter vindo.
Para me dizer isso tudo.
Francis.
D� ao Tom as roupas do seu irm�o e o ensine.
Ensinar o qu�?
Como ordenhar as vacas.
Sabe...
Voc� me impressionou h� pouco.
Voc� me obrigou a mentir.
N�o... Me referia �s vacas.
Voc� � bom com os animais.
Voc� os deixa felizes.
N�o sabia que as m�quinas de ordenhar eram t�o evolu�das.
Sim, agora h� umas com laser.
� muito menos trabalhoso.
Quem era o homem
que voc� n�o deixou entrar na igreja?
Por que ningu�m fala contigo?
Como l� no enterro... ele era seu irm�o.
N�o me importo com aquelas pessoas.
N�o me importo com ningu�m, sabe?
Achei que voc� se saiu muito bem h� pouco.
Amo os animais, ou seja, imagino que...
N�o, me refiro � Sarah e � conversa telef�nica.
Disse a meu irm�o: "Nunca direi nada a mam�e."
Mande uma foto com uma garota, qualquer uma, mas bonita.
Foi assim que nasceu Sarah.
- Colega de trabalho, conhece? - Sarah Thibault?
Quem?
Sarah... Sarah Thibault, � a garota da foto?
Aqui est�.
Guarda isso na carteira, como um trof�u?
Por que n�o?
� a �nica fotografia que tenho dele.
Quero dizer, mais recente.
Mam�e acha ela bonita. Ficou orgulhosa ao ver.
Por que voc� mente para sua m�e?
N�o sei em que mundo vive, o que faz, n�o liga para mim...
Para mim, chega.
Vou contar tudo � sua m�e e vou embora daqui.
Est� me enforcando! Me enforcando!
N�o me diga o que fazer e nem como tratar minha m�e, entendeu?
J� que veio at� aqui, azar.
Vai manter a hist�ria.
Senhor Tomas Podowski.
Vai fazer certo?
Sim.
Vou.
Precisa limpar com �gua clorada
durante uma semana.
Usando duas colheres de ch� para cada meio litro.
Depois, o unguento e a pomada de cloxacilina.
O farmac�utico vai te explicar.
Qual a sua rela��o com os Longchamp?
Fam�lia.
S�rio? Voc� � Longchamp-Podowski?
Parentes distantes.
Somos parentes distantes. Vim para o funeral.
Meus p�sames.
Obrigado.
Voc� conhece bem seus parentes?
Cada dia melhor.
Bom... est� tudo bem.
Bom retorno a Montreal, Sr. Podowski.
Obrigado.
Tom, tem alguma coisa aqui.
Eu ca�.
Esta manh�, quando abri a porta do quarto,
vi dois garotos lindos dormindo.
Dois pequenos garotos.
Te deixa contente, n�o?
Mas, Tom?
O que aconteceu? Voc� se feriu?
- Ele foi ao m�dico. - Ao m�dico? Para qu�?
Ele se machucou na correia transportadora.
Vou ajud�-lo a cortar a carne.
Tom...
Conte mais sobre ela.
Ela falou algo mais?
- Sarah? - Sim, Sarah.
Sim, falou...
Ela mandou dizer que ele tinha bra�os fortes.
Ela adorava quando ele a jogava para cima.
Ela disse que...
"Adorava sentir seu cheiro de suor sob as axilas."
"Pela maneira de andar, sabia que o sexo seria incr�vel."
"Tire a camiseta,
"mostre as axilas, ponha em minha boca."
"Tire o p�nis da cal�a e goze na minha cara."
Ent�o...
Sarah � uma bela puta, n�o?
Ela disse que...
Uma bela puta!
E ent�o, Tom? Uma bela puta, hein?
Uma bela puta!
A rainha da putas!
Rir faz bem.
Voc� faz bem a ela.
Faz muito tempo que n�o a vejo rir assim.
Contou algo � m�dica?
- Ela perguntou de mim? - N�o.
Eu deveria ter me mudado para um lugar mais distante.
Por qu�?
Nunca se perguntou por que
com 30 anos ainda moro com minha m�e?
Tenho tudo para fazer uma mulher feliz.
Tenho uma bela fazenda.
Boa apar�ncia.
Sei que voc� me acha bonito.
Ent�o, fique.
Certo.
Eu disse que ia se sujar.
Sangra bastante.
Tudo bem?
Sim.
Quer ajuda?
Sinto muito.
Certo?
J� chega.
Nunca havia visto um bezerro nascer.
Me pegou de surpresa.
Vamos cham�-lo de Traseiro.
Porque voc� tem um traseiro de puta.
Sacuda.
- O qu�? - Sacuda.
Vamos.
Na pr�xima vez que tentar fugir...
v� pelo campo de soja.
Agora � outubro e o milho corta como faca.
Desculpe.
N�o, obrigado.
- N�o, eu n�o uso. - Fa�a.
N�o, n�o posso. Tenho taquicardia.
Tr�s...
Dois...
Um...
Eu costumava ter aulas de tango com meu irm�o.
Foi ideia dele. Queria que eu me socializasse.
Salsa, samba, tango, tudo.
Todas as garotas queriam dan�ar com os belos fazendeiros.
�ramos os tais.
Havia uma garota...
Do curso de dan�a, que era...
Era o m�ximo.
A garota da loja disse que � veludo de seda verdadeira.
Que ela iria gostar.
E por que n�o deu para ela?
Sabe dan�ar?
Quem te ensinou?
Nada mal.
Estou preso aqui por minha m�e.
Podia ir embora, mas n�o posso deix�-la s�.
Terei que intern�-la um dia.
Ela est� a cinco anos da loucura total.
J� cansei de olhar o milho crescer.
Ordenhar vacas, espantar coiotes,
j� estou cheio.
�s vezes desejo que ela desapare�a logo.
Sonho em encontr�-la uma manh�, estatelada na cozinha.
Com o telefone na m�o, babando,
com os olhos revirados.
Seria triste, porque a amo.
Mas n�o queria ter que intern�-la.
Depois eu venderia...
Fiz uma torta...
O qu�?
Fiz uma torta.
Ganhou um belo bezerro.
Vamos cham�-lo de Traseiro de Puta.
Isso n�o � nome para um bezerro.
Escutou minha conversa, h� pouco?
Agathe? Agathe!
Escutou o que eu falei?
Sim. Cada uma das palavras.
E eu disse que isso n�o � nome para um bezerro.
Venham comer a torta, antes que esfrie.
Foi culpa sua...
Escute aqui!
V� se trocar. Vamos dar uma volta.
O que faremos?
Vou comprar cerveja e vamos nos embebedar por a�.
Pensei que ir�amos conhecer o bar do lugar.
N�o.
- E por qu�...? - N�o!
Voc�...
� um desperd�cio de esperma.
Qual � sua raz�o de viver?
Voc� fede.
Voc� p�s perfume?
S� um pouco.
� perfume de casamento?
S� isso?
Mais... forte.
Diga quando devo parar.
- Voc� que decide. - Certo.
Voc� cheira igual a ele.
Cheira igual.
A voz tamb�m � igual.
A mesma merda de voz.
Espero voc� no carro.
Al�!
Al�, � o Tom. Desculpe ligar t�o tarde.
N�o conseguia dormir.
Escute...
Voc� pode vir aqui?
� aqui.
- N�o pode me deixar na casa? - N�o vejo porqu�.
Por que n�o? � perto.
N�o entro nessa casa. 50 d�lares, por favor.
N�o acredito. Incr�vel!
Boa noite.
Desculpe a desordem. Anda uma loucura aqui.
Se soubesse que voc� viria teria preparado um macarr�o.
Meus filhos Francis e Guillaume disseram que voc� gosta.
� verdade.
Mas n�o hoje � noite.
� am�vel, mas n�o estou com fome.
Voc� � muito linda, senhorita.
Obrigada.
� estranho dizer isso sem ele.
Francis, � a Sarah. A linda Sarah.
Que merda � essa?
Ora, vamos! � a noiva do seu irm�o!
Ol�!
Como sou tonta...
Francis fuma estes em ocasi�es especiais.
Vamos dividir, n�o �?
Pode fumar aqui dentro.
Meu marido fumou de 1971 a 2001, ou seja...
Eu n�o fumo, senhora.
Est� bem.
Meu irm�o tinha bom gosto.
Francis, v� chamar o Tom.
Tome um pouco de ch�.
Tom est� dando de comer �s vacas.
Como?
Tom est� dando de comer �s vacas.
Obrigada.
Voc� � mais linda ainda pessoalmente.
� uma casa muito bonita.
� acolhedora...
N�o sei o que faz aqui, mas minha m�e gostou.
Fa�a com que continue assim...
Voc� � um tes�o!
O que � isso? Voc� � doente?
Por que veio aqui?
Tom me disse que sua m�e ficaria feliz se eu viesse
e dissesse que era a noiva do Guillaume.
Esqueceu de contar que eu fumava.
E que gosta de macarr�o.
- Eu falo quantas l�nguas? - Quatro.
Merda.
Eu te foderia.
Foderia at� te sangrar.
Quanto deve a ele?
O qu�?
Quanto voc� deve a ele?
N�o deve ser pouco para vir alegrar uma estranha.
Entendi.
Quem �?
Venha, venha.
Olhe s�.
Sarah!
N�o queria estragar a surpresa.
Fico t�o feliz que veio.
Obrigado.
Obrigado por vir.
Significa muito para mim. Ficamos felizes que tenha vindo.
Deixe ela experimentar o leite.
- �... - Experimente.
- � gostoso. - N�o �?
Vamos para a sala?
Vou preparar um macarr�o.
H� muito tempo que n�o tem tanta gente nesta casa.
De fato, desde a morte de meu marido.
Venham, fiquem � vontade.
- Sente aqui comigo, Sarah. - Est� bem.
N�o sei se o macarr�o � boa ideia.
Acho que a Sarah n�o vai ficar.
Por que n�o? Ela passa a noite aqui.
Vou perder o �nibus.
Fica aqui hoje e pega o �nibus amanh� cedo.
Bem, Sarah...
Sinto muito que n�o p�de vir ao funeral.
Eu...
n�o tive for�as...
- Agathe. - Agathe, eu sei.
Vamos beber, ao menos.
Beber em mem�ria dele.
Tenho um bom conhaque no meu quarto.
Francis, v� buscar os copos melhores na garagem.
N�o vai se vestir melhor? N�o somos selvagens.
Eu vou fumar.
Pois �, eu fumo.
Que vergonha, eu menti. Foi bobagem.
Vamos fumar, Tom.
Eles trabalham dia e noite.
Precisa ver meu bezerro. Tenho um bezerro.
Chama-se Traseiro de Puta. Ideia do Francis, claro.
Aparentemente, uma homenagem a mim.
Um parto de 45 minutos com uma pata torcida.
- O veterin�rio precisou vir... - V� pegar sua mala.
Vamos embora no seu carro.
V� logo.
N�o...
Como assim, n�o?
N�o queria voltar para casa?
Nossa! O imbecil me atacou. No come�o n�o entendi,
mas ainda bem que me chamou. Agora entendi.
N�o sei o que ele fez a voc�, mas pe�o desculpas por ele.
O Francis � assim. N�o vai mudar.
Desculpe.
Ei... Tom?
Ele te esganou. Seu pesco�o est� todo machucado.
Ele vai ser obrigado a vender isso aqui se eu for embora.
N�o imagina o que seja tratar de 48 vacas.
� muito trabalho.
Ele ser� obrigado a internar a m�e tamb�m.
Vai ficar sozinho aqui.
E eu n�o sirvo para nada. Sou um in�til.
E o que vou fazer?
Comprar uma ordenhadeira a laser.
Ele tem um antiquada, vou comprar uma a laser.
Vai ser incr�vel.
S�o como minha fam�lia, Sarah.
H� tr�s semanas voc� n�o os conhecia.
N�o sei como te explicar.
Olhe em volta, aqui �...
� real. � muito real.
Uma vaca d� a luz, tem sangue, c�es latindo, voc� escuta.
Ei, calma! Acalme-se, est� bem?
Calma!
Me fez vir aqui bancar a noiva de um defunto,
e fala de realidade?
Seu namorado mentia para a m�e, certo?
E acha que ele n�o mentia para voc� tamb�m?
Eu transei com ele. Ouviu?
Estou contando agora, mas foi de uma banalidade atroz.
Todo mundo dormia com ele, Tom.
Carregava algu�m na moto ou no carro.
Era o suficiente.
Numa boa e tchau!
"Vejo voc� segunda-feira..."
Cara...
sabe o qu�?
V� buscar sua mala
e conversaremos no carro.
Quantas vezes?
Transaram quantas vezes?
V� buscar a porra da mala! Merda!
J� acabaram de fumar? V�o demorar muito?
N�o tenho mais o carro.
- Vamos lev�-la. - O qu�?
- Vamos lev�-la � esta��o. - Mas ela acabou de chegar.
Escute aqui!
O �ltimo �nibus � � meia-noite.
Tom, fa�a o que quiser da sua vida.
- O que contou a ela? - Nada.
N�o encoste nele.
Ele n�o precisa contar nada, estou vendo.
N�o. Voc� vai ao cemit�rio com minha m�e
ver o t�mulo do seu noivo.
Vai dizer � minha m�e que quer ver o t�mulo dele.
Depois, ir� pegar seu �nibus.
Sou eu quem decide quando pegar o �nibus.
N�o tenho medo de voc�.
Vamos dar um passeio com voc� no milho.
Estamos em outubro.
O milho corta como faca.
O que � isso?
O primeiro boletim da escola.
O primeiro rel�gio.
Compramos em St. Anne.
Estes eram os di�rios dele...
onde ele desenhava, escrevia...
Como ficaram com voc�?
Ele n�o carregou?
Ele deixou aqui.
No meu quarto.
- Voc� leu? - N�o.
Talvez agora, isso ajude a compreender algumas coisas.
Tom...
Quer abrir algum desses di�rios?
Poderia ler em voz alta. A Sarah est� aqui.
Ela era �ntima dele, logo...
Pode ser inconveniente. J� � tarde.
N�o � uma boa ideia.
Tom, acha m� ideia?
� uma boa ideia.
A gravata da crisma.
Uma mecha do cabelo.
Aos 16 anos, antes de ir embora,
lembra dos cabelos que ele tinha, Francis?
Eram lindos.
Realmente lindos.
Depois disso, voltou com cabelos bem curtos.
Era para voc�, Sarah?
Foi por sua causa, n�o?
Por que n�o pegou a caixa?
Por que n�o faz aquilo que se espera de voc�?
Por que n�o se emociona?
Por que n�o mostra interesse em ver o t�mulo?
- Porque ela... - Por que n�o me trouxe flores?
Por que Tom n�o falou na igreja?
Por que meu filho n�o me visitava mais?
Por que n�o ligava mais, n�o escrevia mais?
Foi que tipo de acidente?
Com quem ele estava?
Como aconteceu? Em qual esquina? Em que hor�rio?
Ningu�m morre com 25 anos.
Isso n�o acontece!
- N�o acontece, n�o acontece... - Chega!
Senhora...
Vou levar voc� � esta��o.
Droga, estou mal...
N�o...
Vamos l�!
- Devagar. - Psicopatas de merda.
Maldito bando de psicopatas de merda.
Esse � o nosso charme.
O que � isto?
� um presente... para voc�.
Mas...
Mas que raio...?
Merda. O que quer que eu fa�a com isto?
N�o sei. Use.
� macio.
N�o quer ir dar uma volta?
O qu�?
Vai dar uma voltinha.
Eu?
Voc� e toda a turma do assento traseiro.
- Tchau. - Tchau. Tchau, "baby".
OS AUT�NTICOS NEG�CIOS
Ol�! Tudo bem?
O que vai querer, lourinho?
Uma cerveja.
Chope, lata, garrafa?
Chope.
Um chope claro.
Saindo...
Tr�s d�lares, por favor.
Fique com o troco.
Voc� � daqui?
- Sou de Montreal. - Sei.
Por isso que n�o te conhe�o.
O que faz por aqui?
Meu companheiro morreu.
Sinto muito. Minhas condol�ncias.
Pois �...
Vim para o funeral
e fiquei ajudando na fazenda Longchamp.
Espero que tenha vindo s�.
Sim.
Porque o grand�o n�o � bem-vindo.
Ele est� proibido de entrar aqui.
- Tudo bem aqui, meninas? - Tudo, obrigada.
Por qu�?
Por que o qu�?
Por que o Francis est� proibido de entrar aqui?
Voc� sabe bem.
N�o, n�o sei. N�o sou daqui.
N�o � uma hist�ria legal, est� bem?
Por que n�o � legal?
Olha, rapaz, se est� na casa da Sra. Longchamp,
eu respeito. N�o iria... falar mal deles.
Que se dane.
Desculpe.
Eu gostaria de saber.
Aconteceu bem ali, faz nove anos.
Lembro bem porque Jos�e e eu
celebr�vamos o 30� anivers�rio do bar nessa noite.
Havia muita gente cantando, dan�ando
e bebendo.
O Francis estava aqui com o irm�o mais novo,
dan�ando, se pavoneando.
Girando e deslizando como profissionais.
Pareciam os tais.
Impressionavam as garotas.
Pode imaginar.
De repente, o irm�o mais novo, o...
- Guillaume. - Guillaume, isso.
Come�ou a dan�ar com um cara, um amigo, algu�m de sua idade.
Um cara de jeans branco e camisa verde.
Francis sentou aqui e pediu uma cerveja...
E ent�o, o cara que dan�ava com o irm�o
veio aqui para falar com ele e...
Sentou bem aqui, nesse lugar a seu lado.
Disse alguma coisa e a confus�o come�ou.
Foi isso.
Mas... o que foi que ele disse?
O que ele disse? N�o lembro mais o que foi.
Lembra at� da camisa verde e do jeans branco...
Quer mesmo saber, n�o �?
Ele disse...
"Preciso dizer algo sobre seu irm�o, Francis. � grave."
Francis pulou em cima dele.
Arrebentou sua boca at� rasgar aqui e aqui.
- Rasgou...? - Rasgou aqui...
At� por aqui. At� a garganta.
Da orelha at� a garganta.
- E depois? - N�o acha que j� � suficiente?
Sim, mas...
- E o rapaz? - O rapaz, o rapaz...
Nunca mais voltou aqui.
Alguns dizem que ele vive numa cidade a oeste daqui.
H� outros que o viram,
e o reconheceram de cara, pela cicatriz.
Eu mesmo n�o sei, pois trabalho aqui o dia inteiro.
A �ltima vez que sa� daqui foi para telefonar,
na tempestade de 1997.
Ent�o, foi isso.
� por isso que Francis n�o entra aqui.
Certo?
Certo.
Obrigado.
Agathe?
Agathe?
Tom!
Tom!
Tom!
Tom!
Onde voc� est�, Tom?
Onde est�?
Me desculpe, Tom.
Me desculpe, est� bem?
N�o v� embora!
N�o vou fazer mal a voc�, Tom. Est� bem?
N�o vai fazer isso comigo!
N�o fa�a isso comigo, desgra�a!
Eu preciso de voc�, est� bem?
Preciso de voc�, desgra�a!
Estou muito decepcionado, Tom!
Nunca faria algo assim com voc�. Nunca, merda!
Estou tentando melhorar, certo?
Merda, Tom!
Seu filho da puta!
Espere s� eu te encontrar...
Escutei voc�...
Merda! Desgra�ado!
Por favor...
Precisa algo mais?
N�o, obrigado. Bomba 1, por favor.
- Obrigado. - Boa noite.
- Legenda - lletaif + Durenkian
- Revis�o - NoriegaRJ
- Equipe Art Subs - 5 anos fazendo Arte para voc�!
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