All language subtitles for The Children of October 7 2025 1080p AMZN WEB-DL DDP2 0 H 264-HONE

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Original subtitles

AVISO DE CONTEÚDO SENSÍVEL RECOMENDAMOS DISCRIÇÃO AO ESPECTADOR

EM 7 DE OUTUBRO DE 2023, A ORGANIZAÇÃO TERRORISTA HAMAS

LANÇOU UM ATAQUE MORTAL CONTRA ISRAEL.

MILHARES DE FOGUETES FORAM DISPARADOS

E MILHARES DE TERRORISTAS INVADIRAM COMUNIDADES NA FRONTEIRA SUL.

NO ATAQUE, 1200 PESSOAS FORAM ASSASSINADAS

E 251 FORAM SEQUESTRADAS PARA GAZA.

Nós ouvimos tiros.

Tipo, muito perto da gente.

A mamãe olhou pela porta,

e eu percebi que ela viu alguma coisa horrível.

Eu sussurrei pra minha mãe:

"Mãe, tem terroristas?" E ela disse: "Não, não. Nada."

A gente ouviu alguma coisa quebrando

e percebeu que eles tinham entrado na casa.

Eles invadiram nosso quarto reforçado.

E aos poucos, as mensagens no grupo do WhatsApp foram piores,

e chegou uma hora que virou tipo:

"Nos ajude! Eles estão matando a gente."

OS TERRORISTAS NÃO TIVERAM PIEDADE DAS CRIANÇAS AO INVADIR SUAS CASAS.

37 CRIANÇAS FORAM ASSASSINADAS. 36 FEITAS REFÉNS E LEVADAS PARA GAZA.

Isso não sai da minha cabeça.

UM ANO APÓS O ATAQUE, MONTANA TUCKER,

ATRIZ, CANTORA, DANÇARINA E ATIVISTA NAS REDES SOCIAIS,

SE ENCONTROU COM UM GRUPO DE JOVENS SOBREVIVENTES DO MASSACRE

E OUVIU SEUS RELATOS.

UMA PSICÓLOGA ESPECIALISTA EM TRAUMAS ESTEVE PRESENTE NAS GRAVAÇÕES,

OFERECENDO APOIO ÀS CRIANÇAS.

AS CRIANÇAS DE 7 DE OUTUBRO

ADAPTAÇÃO REVISÃO SINCRONIA: QUER SE JUNTAR A NÓS? loschulosteam@gmail.com

ELLA SHANI TINHA 14 ANOS EM 7 DE OUTUBRO.

Esse é o caminho pra minha escola. Faz quase um ano que não venho aqui.

- Sério? - Sim.

Isso te traz lembranças boas ou ruins agora?

São lembranças meio agridoces, eu acho.

Porque sempre que eu via essas casas, era tipo:

"Finalmente a gente chegou no kibutz, chegamos em Be'eri."

E agora, quando penso nisso...

- Alguns dos que moravam aqui... - Não é mais igual?

Nem estão mais vivas.

Mas eu quero começar a processar, eu acho.

Começar a tentar entender de verdade o que aconteceu,

mas minha mente não deixa.

KIBUTZ BE'ERI - FUNDADO EM 1946

Eu fico negando que a casa dos meus avós não existe mais.

E alguns dos meus amigos...

Eu fico negando que eles se foram.

E a forma como morreram.

Eu nego que meu pai não esteja mais aqui.

Olhando para o céu agora, ele está azul.

Ele estava cinza no dia 7 de Outubro.

YAEL IDAN TINHA 11 ANOS EM 7 DE OUTUBRO.

Saiam daí!

Onde estão as pessoas? Onde estão?

- Eu não sei, todo mundo... - Onde? Onde?

Fala pra eles. Fala pra todo mundo.

Diga para saírem! Fala pra todo mundo sair!

Saiam!

Ouvimos gritos em árabe.

E ouvimos...

vidro quebrando.

- Eles estavam dentro da sua casa? - Estavam.

VÍDEO TRANSMITIDO POR TERRORISTAS DO HAMAS NA CASA DA FAMÍLIA IDAN

Eu não conseguia respirar e meu coração começou a disparar.

Abram a porta!

Meu pai começou a segurar firme a porta.

Se você estiver aí e abrir a porta, eu não vou atirar.

Eu não vou atirar.

Se você abrir, eles não vão atirar.

A gente ouviu um garoto do kibutz

gritando na porta.

Como é que ele entrou na sua casa?

Eles o pegaram como refém, para ir batendo de porta em porta.

Então eles o usaram de isca pra chegar em vocês.

Sim. Como uma ferramenta para tirar as pessoas de casa.

- Mas vocês não acreditaram? - Não acreditamos.

Abre a porta! Eu não vou atirar!

Abre a porta!

Eu vou atirar.

Eu vou atirar agora.

Eu e minha irmã estávamos

embaixo da minha cama.

A última frase que eu disse pra ela foi

"eu te amo".

YAEL E MAAYAN IDAN

A gente se abraçou,

e depois ela se levantou e ajudou meu pai.

Eles gritavam:

"Abre a porta ou a gente atira."

E não abrimos a porta.

Eu a vi caindo no chão e começando a sangrar pelo pescoço.

- Você tentou ir até ela? - Sim, tentei...

Mas não consegui.

Saiam!

Saiam!

Saiam!

Saiam!

Eu gritei e chorei.

Eu estava muito em choque. Não sabia o que fazer.

Aí finalmente abrimos a porta,

e eles nos levaram pra cozinha.

Eles pegaram o celular da minha mãe e começaram uma live no Facebook

com a gente, filmando tudo,

e começaram a chegar

mais e mais terroristas na nossa casa.

VÍDEO TRANSMITIDO POR TERRORISTAS DO HAMAS NA CASA DA FAMÍLIA IDAN

- Eles estão nos matando? - Não, não.

- Eles estão nos matando? - Não, não estão nos matando.

- Eu estou com medo. - Não estão nos matando.

Eu tentei perguntar algumas coisas, tipo:

"Por que estão fazendo isso?" E eles me mandaram calar a boca.

Eu queria que ela ficasse viva.

Será que tem alguma chance dela voltar?

- Será que ela vai voltar? - Não, meu querido.

Minha irmã morreu.

Depois de um tempo, tipo, algumas horas,

eles mandaram meus vizinhos e meu pai se levantarem.

Pegaram algumas cordinhas

e amarraram as mãos deles pra trás,

pegaram um carro e foram embora sem a gente.

E antes de sair, disseram:

"Se vocês se mexerem, morrem."

Então não se mexeram?

A gente não saiu da cozinha.

É como se tudo que antes parecia seguro,

não era mais seguro.

ROTEM MATHIAS TINHA 16 ANOS EM 7 DE OUTUBRO.

Parabéns pra você.

Parabéns pra você.

Feliz aniversário, querido Rotem.

Você fez 16 anos, enfim.

E agora pode beber em Berlim.

Eba!

E muitos anos de vida.

Mais cinco minutinhos.

Meus pais entraram no meu quarto.

Era o quarto reforçado.

Eles fecharam a porta. A gente ouviu tiros,

tipo, muito perto de nós.

Meu pai ficou do lado da porta.

CASA DA FAMÍLIA MATHIAS

com um martelo na mão.

Minha mãe me mandou deitar

entre a parede e a cama. Ela se deitou por cima de mim.

E aí um deles gritou "Allahu Akbar!"

Eles abriram a porta e começaram a atirar com tudo,

rajada automática pra todo lado.

Eles jogaram uma granada. Ela explodiu.

Meu pai gritou que tinha perdido o braço.

Eu vi meu pai cair,

mas minha mãe... eu soube na hora que tinha morrido.

Eu só fiquei parado. Não fiz um som.

Quando eles saíram, riram.

Depois de matar meus pais.

E nesse momento, você ficou parado?

Fechou os olhos?

Eu fiquei debaixo do corpo da minha mãe por mais ou menos uma hora.

O que fez você decidir ficar ali?

Porque era um bom lugar pra se esconder. Assim...

O que acha que te fez continuar, manter a cabeça firme?

Saber que meus pais me salvaram.

Eles literalmente me deram uma segunda chance de viver.

E, pra mim, seria desrespeito jogar isso fora.

Eu com certeza teria morrido se não fosse por ela e pelo meu pai.

YAEL YAHALOMI TINHA 10 ANOS EM 7 DE OUTUBRO

EITAN YAHALOMI TINHA 12 ANOS AO SER SEQUESTRADO EM 7 DE OUTUBRO.

Não conseguimos fechar a porta do quarto reforçado,

e aí o papai foi fazer guarda.

Eles bateram com força na janela e jogaram uma granada no corredor,

depois teve tiroteio e meu pai foi atingido.

Ele ficou muito ferido,

no braço e na perna, e não conseguia se mexer.

Eles invadiram o nosso quarto reforçado.

Vocês lembram quantos terroristas entraram na casa?

Acho que foram quatro que entraram no quarto.

Mamãe falou pra resistir até o exército chegar,

mas aí eles nos ameaçaram e disseram: "Eu vou atirar."

Eles queriam matar a gente,

então tivemos que ir com eles.

Qual foi a última coisa que ouviram do seu pai?

Quando a gente saiu, ele disse: "Eu amo vocês."

Ele ficou ferido no chão, de lado, perto do meu quarto.

E vocês sabiam para onde eles estavam levando vocês?

Já tinham alguma ideia?

Sim, meu pai nos falou que eles estavam nos levando pra Gaza.

OHAD YAHALOMI, PAI DE YAEL E EITAN, FICOU FERIDO EM CASA

ENQUANTO SUA FAMÍLIA ERA SEQUESTRADA POR TERRORISTAS DO HAMAS.

MAIS TARDE, ELE FOI LEVADO POR OUTRO GRUPO DE TERRORISTAS,

QUE O TRANSPORTOU ATÉ GAZA.

A gente subiu em motos.

Eu fui em uma moto com minha irmãzinha,

e a Yael e minha mãe estavam em outra.

Minha irmãzinha começou a chorar,

então colocaram ela na moto com a minha mãe.

Você lembra mais ou menos quanto tempo ficaram nas motos?

Não foi muito tempo, mas...

Eu acenei pros terroristas,

porque achei que ia morar em Gaza pra sempre,

e queria que a gente se desse bem.

Ele acelerou tanto, que o motor pifou e...

minha mãe, minha irmã e eu caímos da moto no campo,

enquanto o Eitan continuou indo.

A gente parou no campo,

mas aí subimos em outra moto e seguimos pra Gaza.

Eu estava sozinho, não sentia nada, estava em choque total.

A gente escapou.

Andamos por quatro horas, descalças.

Você andou descalça, sem sapato, por quatro horas?

Sim, e tinha muito espinho no chão.

Minha irmãzinha tava cansada porque era a hora da soneca dela,

então paramos mesmo com as sirenes tocando,

e deixamos ela dormir um pouco.

Aí vimos mais dois terroristas.

Onde vocês se esconderam?

A gente não se escondeu, mas fingimos de mortas.

Fomos procurar água porque tínhamos sede, e não achamos.

IMAGENS DE CÂMERAS MOSTRAM YAEL, SUA MÃE E IRMÃ PROCURANDO ABRIGO

Aí vimos um ônibus, subimos nele,

e todo mundo foi pra uma ambulância ou pra casa.

A gente não tinha pra onde ir,

então o soldado que dirigia nos levou pra casa da família dele,

e ficamos lá por um bom tempo.

Eu achei que era um sonho.

Eu não sentia emoção.

Eu só pensava em sobreviver.

Já tinham passado uns 45 minutos desde que os terroristas entraram,

e tinha muita fumaça no meu quarto, então decidi que precisava sair.

ROTEM MATHIAS TINHA 16 ANOS EM 7 DE OUTUBRO

Empurrei o corpo da minha mãe, saí do quarto.

Eu nem olhei pro chão. Decidi que não queria ver.

Tentei pensar: Qual o melhor lugar pra me esconder?

E a gente tem um quarto externo que é tipo a lavanderia.

É perigoso ir até lá porque eu teria que sair da casa

pra entrar nesse cômodo,

mas se eu fosse, podia me esconder.

Na hora, nem percebi que tinha sido baleado.

Onde eles atiraram em você?

No estômago. Foi...

a um milímetro do meu intestino.

Nessa hora, percebi que tinha muito sangue saindo do meu tornozelo.

Peguei um pano, apertei com quatro dedos acima do ferimento.

Amarrei o mais forte que consegui,

e fiquei lá por...

- acho que umas três horas. - Nossa!

E comecei a ouvir passos e vozes em árabe.

Ouvi duas pessoas.

Uma delas passou bem atrás de mim.

E eu pensei: "Ferrou, vou morrer."

Só me escondi, fiquei imóvel,

tentando não me mexer.

Aí, quando tive certeza,

100% de certeza de que não tinha mais ninguém na casa,

peguei meu celular, ainda debaixo da coberta,

e avisei o resto da família o que tinha acontecido.

Agora consigo dizer que mamãe e papai não estão mais vivos.

MENSAGEM DE VOZ DO ROTEM NO CHAT DA FAMÍLIA MATHIAS

Eu sinto muito.

Estou triste, mas pelo menos estou vivo.

E posso continuar lembrando deles.

AMIT COHEN TINHA 12 ANOS EM 7 DE OUTUBRO.

GRANDE AMIGO DE EITAN YAHALOMI

A gente ficou em silêncio,

eu, meu pai e minha mãe,

meus dois irmãos, nossa vizinha e o bebê dela.

E você estava com medo?

Um pouco, porque eu não sabia o que fazer.

Havia terroristas no kibutz,

e eu não sabia se meus amigos tavam bem,

eu não sabia como processar tudo aquilo.

Depois de um tempo,

ouvimos alguma coisa quebrando e notamos que eles haviam entrado.

Eles tentaram abrir a porta na mesma hora.

Meu pai não deixou eles abrirem a porta do quarto seguro.

Um dos terroristas atirou na porta,

a bala atravessou e acertou a perna do meu pai,

passou direto pela perna dele

e acertou meu cachorro.

Os dois ficaram feridos.

Meu cachorro começou a uivar e...

estava sangrando muito.

A gente tentou colocar uma toalha ou um cobertor nela

pra estancar o sangue, mas não conseguimos.

Depois, eles colocaram fogo na casa.

CASA DA FAMÍLIA COHEN

Se tivéssemos ficado mais tempo no quarto seguro,

teríamos morrido, porque a casa estava em chamas

e não conseguíamos respirar.

Meu pai abriu um pouco a janela do quarto

pra ver se não tinha ninguém lá fora.

Ele disse: "Corre o mais rápido que conseguir."

A gente ouvia explosões por todo lado e...

tipo...

foi muito assustador.

A gente ficou num abrigo por um tempo até o exército chegar no kibutz.

O ATAQUE DUROU MUITAS HORAS

MUITAS FAMÍLIAS SÓ FORAM EVACUADAS PRA LUGARES SEGUROS NO DIA SEGUINTE.

Depois que a gente subiu num ônibus pra cidade de Eilat,

minha mãe ligou para Bat Sheva (mãe do Eitan)

e ela disse que Eitan e Ohad (pai) tinham sido levados pra Gaza.

Fiquei tão preocupado que...

pensei que eles podiam bater nele, fazer alguma coisa, torturar.

GAZA 7 DE OUTUBRO DE 2023

Quando cheguei a Gaza, tinha umas 40 pessoas lá fora

nos esperando.

A gente ouvia tiros e gritos em árabe,

e aí me bateram.

Quem te bateu? Eram cidadãos comuns de Gaza?

Eram do Hamas? Você sabe quem eram?

Civis.

Eram civis.

Pra dispersá-los, ele deu um tiro pro alto.

Você estava com medo?

EITAN YAHALOMI TINHA 12 ANOS AO SER SEQUESTRADO EM 7 DE OUTUBRO.

Eu estava.

Eu estava completamente sozinho, em um quarto.

Depois, mais terroristas chegaram.

Você sentia fome?

Sim. Eu comia um pão sírio por dia e um pepino.

Como você passou o tempo, todo esse tempo sozinho?

Eu não sei, estava muito entediado.

Te contavam o que estava acontecendo em Israel?

Sim, me mostraram vídeos deles matando pessoas.

Eles estavam felizes.

E você tentou desviar o olhar?

Não, porque ele não deixava.

E eu vi coisas piores. Vi acontecendo de verdade.

Essas são fotos do meu amigo, Eitan,

e do pai dele, Ohad, que foram sequestrados...

ENTREVISTA DE AMIT COHEN PARA O JORNAL

...e quero que voltem pra casa.

ISRAELENSES DESAPARECIDOS

Eu não tenho mais o que dizer, só quero vê-los de novo.

Em que você pensava o tempo todo?

Na minha família.

Quando você chegou a Gaza,

sabia onde estavam sua mãe e suas irmãs? E seu pai?

Eu não sabia se meu pai estava vivo.

Mas sabia que minha mãe e minhas irmãs estavam vivas.

Eu sempre pedia pra ficar com elas.

E o que eles diziam?

Que não sabiam onde elas estavam.

E quando você, sua mãe e sua irmã finalmente conseguiram escapar,

o que você pensava sobre o Eitan e o seu pai,

sabendo que eles estavam em Gaza?

Eu não sabia que o papai estava em Gaza,

achei que ele tinha morrido.

A gente só descobriu quando os soldados nos levaram.

OHAD YAHALOMI, PAI DE YAEL E EITAN, FILMADO EM CATIVEIRO EM GAZA

ALONA & YELLA ROUSSO TINHAM 11 E 9 ANOS EM 7 DE OUTUBRO.

O papai recebeu uma mensagem e disse: "isso não é um treino,

tem mesmo terroristas no kibutz."

- Aí ele pegou a Minigun? - Sim.

- A Minigun do cofre. - A Glock.

- É, a Glock. - Isso.

Ele pegou e saiu de bicicleta.

Ele foi pra primeira casa que tinha terroristas.

Acho que nessa hora, tipo umas 7h30, o papai já tinha sido baleado.

E antes sair, o que ele disse? Como ele agiu?

Ele não disse nada. Só foi colocar uma roupa.

Ele saiu do quarto.

- Ele não disse nada pra vocês? - Não. Só ouvimos as portas batendo.

Acho que o instinto dele foi sair e proteger a família.

- Proteger a comunidade, sabe? - Sim.

Ele recebeu o chamado, então foi imediatamente.

Isso mostra o caráter dele. É homem incrível por ter feito isso.

Sim, ele era.

A gente ficou o dia inteiro naquele quarto.

- Tipo... - Quinze?

- Não. - Quinze horas?

Sim.

Vocês estavam pensando no seu pai? Onde ele estava?

- Eu estava. - Até mandei uma mensagem

perguntando se ele estava bem, mas ele não respondeu.

KIBUTZ BE'ERI

Quando viu seu pai pela última vez?

Meu relacionamento com ele era meio difícil.

Eu dormia só na casa da minha mãe, daí ia visitá-lo.

Então, dia 3 de outubro foi a última vez que eu o visitei.

Essa é a casa?

É, essa era a casa do meu pai.

NOSSO PAI FOI ASSASSINADO PELO HAMAS EM 7 DE OUTUBRO

- Ele morava aqui sozinho? - Sim, morava.

Os terroristas estavam por toda parte.

Tá vendo como eles quebraram o vidro? Deram tiros.

Você sabe onde seu pai tentou se esconder?

Bem ali.

Qual é a sensação de subir aqui agora?

Dá medo, porque foi aqui que o soldado encontrou o corpo dele.

Eu não consigo imaginar o que ele teve que passar.

Então, até onde você sabe, seu pai veio até aqui...

Meu Deus! Nossa!

Acha que isso é uma marca de bala?

- Não sei. - Ou aquilo ali?

Eles atiraram nele quando já estavam aqui em cima.

Sei que tem uma mancha de sangue ali também.

Como você se sente vendo isso?

Eu odeio ver isso.

Mas é como se...

eu tentasse usar isso pra processar.

Eu mandei uma mensagem pra ele no dia 11 de outubro.

Foi o dia em que me contaram.

"Pai, sei que você não tá mais aqui, e sei que nunca te falei isso,

e você sempre teve suas dúvidas, mas eu te amo.

Você não merecia o que aconteceu,

e agora eu sei que você era uma boa pessoa,

e sei o quanto me amava. Tenho orgulho de você, pai.

Você merecia mais".

E...

E foi um...

Tá tudo bem. Pode chorar.

- Odeio chorar por isso. - Não odeie. Tá tudo bem.

Eu sei, mas eu odeio porque quando choro,

significa que é real. E odeio pensar que é real.

- Mas você precisa. Isso faz bem. - Eu sei. Eu sei.

Acho que o que eu mais sinto falta é da risada dele.

Porque ele tinha uma risada muito especial.

Essa é outra foto dele. Acabei de achar.

Qual sua lembrança favorita com seu pai?

- Provavelmente cozinhando. - As costelas.

- Cozinhando? - Ah, é. Eu lembro.

- Ele fazia costelas gigantes. - Estávamos de pijama de bichinho,

e era tão grande que parecia que eu estava com um sorrisão.

E estava tão gostoso!

Quando você fez o Bat Mitzvah, pensou nele lá?

- É um momento... - Ela chorou porque disse

que queria que ele estivesse lá com ela.

Sim.

- Mas ele está olhando lá de cima. - Sim.

Mas ele não está aqui fisicamente.

Você está bem?

Eu sei que isso é muito difícil, e vocês são muito fortes.

Vocês duas são muito fortes. Sabem disso?

Sabemos.

Como foi que vocês souberam que seriam libertos?

Eles contaram pra gente no dia anterior.

Qual foi o primeiro sentimento quando você chegou em casa?

Alívio.

Qual foi a primeira coisa que disse pra sua mãe ao vê-la?

Como é possível você estar aqui?

EITAN FOI LIBERTO DO CATIVEIRO APÓS 52 DIAS.

COMO PARTE DE UM ACORDO TEMPORÁRIO DE CESSAR-FOGO.

Qual foi a primeira coisa que você perguntou pro Eitan ao vê-lo?

Perguntei se ele estava bem.

E o que ele respondeu?

Disse que não estava bem.

Isso fica na minha cabeça o tempo todo.

Você dorme bem à noite?

Não muito, pra ser sincero...

Normalmente fico no celular até apagar de sono.

Às vezes, quando estou tentando dormir à noite,

começam a vir palavras em árabe na minha cabeça.

Aí eu me levanto,

sento no sofá, ligo a TV,

e depois volto pra cama.

Às vezes eu sonho que vejo o papai,

porque a mamãe disse que se ele voltar,

ela vai ser a primeira a abraçá-lo, o que não é verdade, mãe.

Ele não vai voltar.

- Mas você sonha que ele vai voltar. - Sim.

E no sonho, ele vem e te dá um abraço?

A gente abraça ele, mas aí ele some.

- Puf. Ele desaparece. - Puf. Puf.

Você está esperando seu pai voltar?

Estou.

Acho que todos estamos esperando ele voltar.

Sim.

Quer dizer algo pro Yaniv e pra Ayala?

- Sim. - O que você quer dizer?

Que eu amo eles.

Qual você acha que foi a maior mudança?

Que o papai não tá mais aqui.

Se pudesse dizer uma coisa pra ele agora, o que diria?

Que a gente tá bem e que eu amo ele.

Você sente falta dele?

Sim.

- E seu pai ainda está em Gaza agora. - Tá. Tá sim.

Como acha que ele está se sentindo?

Aposto que ele sabe que somos fortes

e que estamos lutando com tudo pra trazê-lo de volta.

O que você acha que te faz continuar? Que te faz seguir em frente?

Saber que, mesmo que a família não esteja toda junta,

eu sei que eles querem que eu continue sendo feliz

e continue sendo forte.

E eu sei que eles acreditam em mim.

Como você está agora? De verdade. Sei que é uma pergunta difícil,

mas de verdade, como você está?

Estou bem. Não me sinto...

que estou tão fora do eixo.

No começo da guerra eu...

não sabia o que fazer comigo mesmo, não sabia nada.

Mas agora estou mais organizado, tenho uma rotina.

- Agora você mora com seu tio? - Sim.

E como está sendo?

- Tá tudo bem. - Tudo bem?

Quero dizer, é uma situação boa.

Prefiro morar com alguém que eu conheço

do que com alguém que não conheço.

Eu achei que estava bem.

Achei que já tinha superado.

E...

pelo visto não, pois há alguns dias houve um problema com a eletricidade,

e de repente a luz acabou.

E foi desse jeito no 7 de Outubro, porque os terroristas cortaram a luz.

- Nossa! - Então...

Eu comecei a surtar, do nada eu estava tremendo,

e não conseguia voltar a dormir.

Está tudo bem não estar bem. Você sabe disso, né?

O trauma é assim mesmo, ele volta em ondas.

Tem dias que você sente que está bem, e tem dias que não.

Mas isso faz parte da cura, e acho que você tem sido muito forte.

E está tudo bem ter esses momentos. Você é um ser humano

que passou por algo muito traumático.

E se tiver dias em que você...

simplesmente não estiver bem, tudo bem também.

Depois de tudo isso, você se sente mais forte? Mais resistente?

Eu faço coisas que antes não fazia

e tenho menos medo.

É isso aí!

Quando voltei, comecei a andar de moto

e eu adorei, é divertido.

Mas você foi levado numa moto.

Isso não te causou resistência?

Todo mundo fala isso pra mim.

Mas não, não me assusta. Não me impede.

Como acha que isso te deixou com menos medo?

O que exatamente mudou?

Que eu já passei pelo pior. E é isso.

5 MESES APÓS O FIM DAS FILMAGENS,

AS ORAÇÕES DAS FAMÍLIAS YAHALOMI E IDAN FORAM DESPEDAÇADAS.

OS DOIS PAIS, OHAD YAHALOMI E TZAHI IDAN,

FORAM ASSASSINADOS EM CATIVEIRO.

SEUS CORPOS FORAM DEVOLVIDOS A ISRAEL.

JUNTO COM ELES, OS CORPOS DE ARIEL E KFIR BIBAS,

DE 4 ANOS E 9 MESES, TAMBÉM FORAM DEVOLVIDOS,

APÓS SEREM ASSASSINADOS PELOS TERRORISTAS QUE OS SEQUESTRARAM.

ELES FORAM AS CRIANÇAS MAIS JOVENS SEQUESTRADAS PARA GAZA.

AGRADECEMOS ÀS CRIANÇAS POR COMPARTILHAREM SEUS DEPOIMENTOS

ADAPTAÇÃO REVISÃO SINCRONIA: QUER SE JUNTAR A NÓS? loschulosteam@gmail.com

TAMBÉM AGRADECEMOS ÀS CRIANÇAS QUE PARTICIPARAM DO FILME,

E O DEDICARAM AOS SEUS FAMILIARES,

QUE ESTARÃO PARA SEMPRE EM NOSSOS CORAÇÕES:

ATÉ 2 DE ABRIL DE 2025, AINDA HÁ 59 REFÉNS EM GAZA.

ORAMOS PARA QUE VOLTEM PARA CASA EM BREVE.

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